Amazon, Google, Netflix: conheça as companhias com maior valor de mercado dos EUA que não pagam dividendos há 10 anos

(Chesnot/Getty Images)

SÃO PAULO – A forte valorização das ações de empresas de tecnologia nos Estados Unidos chega a brilhar os olhos de investidores, ainda mais agora, com o acesso facilitado aos Brazilian Depositary Receipts (BDRs). Porém, se a busca é pelas grandes pagadoras de dividendos, as “big techs” americanas podem não ser uma boa escolha.

Segundo levantamento feito pela Economatica, das 25 empresas com maior valor de mercado dos Estados Unidos, oito delas não pagam dividendos há dez anos, ou desde o IPO.

É o caso de grandes nomes como Amazon, Facebook, Tesla, Netflix, Google e a seguradora do megainvestidor Warren Buffett, a Berkshire Hathaway.

Também estão na lista a empresas de programa de computadores Adobe e a de meio de pagamentos Paypal.

Com o segundo maior valor de mercado entre as companhias americanas listadas, a Amazon acumula ganhos de 2.471% na bolsa em dez anos, período que passou sem pagar dividendos. Na sexta-feira (21), os papéis da companhia encerraram o pregão cotaos a US$ 3.284,72 na Nasdaq, quase a máxima histórica.

Segundo a Economatica, desde 21 de agosto de 2010, o valor de mercado da empresa de Jeff Bezos já cresceu US$ 1,58 trilhão, e hoje soma cerca de US$ 1,65 trilhão.

Leia também:
Google completa 16 anos na Bolsa com alta de 3.500% das ações e sem nunca ter distribuído dividendos

Já o Facebook é a quinta maior empresa por valor de mercado dos EUA e nunca distribuiu dividendos aos acionistas, assinala a Economatica. Desde a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), em maio de 2012, os papéis da empresa acumulam valorização da ordem de 603%, com um valor de mercado de US$ 760,7 bilhões – um crescimento de US$ 688,5 bilhões.

Ainda de acordo com o levantamento, nos últimos dez anos a campeã em distribuição de proventos, no grupo das 25 com maior valor de mercado das bolsas americanas, foi a Home Depot Inc, varejista que vende produtos para o lar e construção civil, com dividend yield de 97%. Na década, a ação acumula ganhos de 1.171,1%, uma média de 29% ao ano.

Regra dos 10 tiros: aprenda a fazer operações simples que podem multiplicar por até 10 vezes o capital investido. Inscreva-se!

BDR da XP Inc. deve ser listado na B3 o quanto antes, diz diretor financeiro

XP Inc. XP Inc. (Reprodução: Youtube)

SÃO PAULO – Após a decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de autorizar a negociação de Brazilian Depositary Receipts (BDRs) a partir de setembro, a XP Inc. quer que seus recibos sejam emitidos na B3 “o quanto antes”, segundo o diretor financeiro da empresa, Bruno Constantino.

Durante teleconferência com jornalistas para comentar o resultado do segundo trimestre da companhia, o executivo destacou que a XP já está em conversas com a B3 para listar seus BDRs na bolsa brasileira.

Apesar disso, ele ressaltou que é preciso esperar e que não tem como dar nenhuma confirmação nem data neste momento, já que a própria B3 ainda está estudando e deve informar em breve as regras para que os recibos possam ser listados.

PUBLICIDADE

Entre os principais destaques da decisão da CVM na terça-feira é que agora deixa de haver uma restrição no investimento em BDRs. Até então, apenas investidores qualificados, com pelo menos R$ 1 milhão em aplicações financeiras, podiam negociar os recibos.

Leia também:
• O que são BDRs e como investir nesse tipo de papel
• Mudanças nas regras de BDRs inserem de vez investidor no mercado externo; confira todas as alternativas disponíveis

A partir de setembro, qualquer investidor terá acesso. Segundo Constantino, esse é mais um passo para a democratização do mercado e mais um instrumento que ajuda o investidor a conseguir diversificar sua carteira. “A mudança nos BDRs é muito positiva, é mais um estímulo para o mercado de capitais brasileiro”, disse o executivo.

Sobre o resultado do segundo trimestre, Constantino destacou que a XP Inc. bateu recordes em todas as linhas do balanço. Porém, mais que os números, ele destacou como a companhia conseguiu se manter no novo cenário desafiador de pandemia e com quase todos os funcionários em home office.

A XP Inc. registrou lucro líquido ajustado de R$ 565 milhões entre abril e junho, uma alta de 148% na comparação com igual período do ano passado e 36% acima na comparação com os primeiros três meses do ano.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado subiu 87% na comparação anual, passando de R$ 322 milhões para R$ 601 milhões. Enquanto isso, a receita líquida teve alta de 68%, chegando a R$ 1,921 bilhão.

PUBLICIDADE

Questionado sobre os novos produtos lançados pela companhia, como o cartão de crédito, Constantino explicou que a ideia da empresa é “cortar o cordão umbilical” das pessoas com os bancos.

Segundo ele, ainda há uma grande concentração bancária no país, sendo que 90% dos investimentos ainda são feitos nestas grandes instituições financeiras. Constantino lembrou ainda o espaço que existe para crescimento da XP que, mesmo com o lucro recorde, ainda está atrás dos números na casa de bilhões apresentados pelos bancos.

“Os produtos que estamos trazendo vão ajudar na disrupção, é um processo, uma evolução, e ela não vai parar”, afirmou o executivo sem dar nenhuma projeção, uma vez que a XP não faz guidance de seus negócios.

Além disso, ele comentou sobre as recentes aquisições de fintechs pela companhia e ressaltou que a XP está sempre atenta a novas oportunidades que possam melhorar o seu ecossistema.

Por fim, o executivo comentou ainda sobre a Villa XP, em São Roque, explicando que será um espaço para que funcionários possam se reunir e praticar atividades, mas que o normal da companhia a partir de agora será o home office. Enquanto isso, ele também disse que a XP manterá uma estrutura comercial na cidade de São Paulo na mesma região onde está a atual sede, no bairro da Vila Olímpia.

Curso gratuito do InfoMoney ensina como lucrar na Bolsa fazendo operações que podem durar poucos minutos ou até segundos: inscreva-se!

Queda de juros e crise empurram brasileiro para aplicações no exterior

Com a Selic (a taxa básica de juros) em 2,25% ao ano, o menor patamar histórico, e o Brasil atravessando uma forte crise econômica, os investidores se movimentam para encontrar aplicações que ofereçam ganhos reais (acima da inflação), e o caminho escolhido por muitos deles tem sido tentar a sorte no exterior. Dados do Banco Central mostram forte crescimento de aplicação de recursos em fundos e em ações em outros países desde o início do ano.

De janeiro a maio, investidores brasileiros destinaram US$ 3,452 bilhões para fundos no exterior, ante US$ 791 milhões durante o mesmo período de 2019. As aplicações em ações deram um salto ainda maior – somaram até maio US$ 707 milhões, quase dez vezes mais do que há um ano (US$ 74 milhões). Essas transferências são monitoradas pelo BC e incluídas no balanço de pagamentos do País.

“Os próprios brasileiros estão procurando oportunidades no exterior”, disse o gestor e sócio da Leste Global Investiments, Emmanuel Hermann, em evento virtual do BTG Pactual. Segundo ele, as remessas de recursos ao exterior começaram a crescer na mesma medida da queda dos juros nos últimos meses.

Os investimentos no exterior também começaram a ganhar mais visibilidade com o aumento do número de empresas brasileiras abrindo o capital lá fora. No fim do ano passado, a XP, por exemplo, movimentou US$ 2,25 bilhões em seu IPO (sigla em inglês para oferta inicial de ações) na Bolsa americana Nasdaq. Boa parte desse dinheiro foi de brasileiros, via fundos de investimento.

Também cresceram as possibilidades para que pessoas físicas, mesmo sem tantos recursos assim, fizessem esse movimento, com o surgimento de mais instrumentos como os Certificados de Operações Estruturadas (COEs), oferecidos por várias instituições financeiras (leia mais na página B3).

Com a Selic a 2,25%, o Brasil entrou no mundo do juro real negativo, o que favorece a busca por esses ativos no exterior. Cálculos do site MoneYou e da Infinity Asset Management indicaram que, com a taxa básica nesse patamar, o juro real brasileiro passou a ser de -0,78% ao ano. Considerando o conjunto das 40 economias mais relevantes do mundo, o País ficou em 14.º lugar no ranking – que tem Taiwan na dianteira.

Efeitos

Para especialistas, a manutenção das atuais taxas de juros tende a acelerar ainda mais esse processo. Mas isso pode também ter um efeito negativo para o País. Uma saída maior de moeda para o exterior pode gerar mais pressão tanto sobre a taxa de câmbio local como sobre a rolagem da dívida pública do governo.

“O Brasil mudou de regime”, disse o gestor da Canvas Capital, Eduardo Bodra, durante o mesmo evento do BTG, ao falar sobre o diferencial historicamente baixo de juros com o resto do mundo. O reflexo, disse, é o real com o pior desempenho entre as principais moedas. “É o brasileiro que está mandando dinheiro para fora”, disse.

Como resultado, esse quadro cria uma maior escassez de dólares no mercado doméstico. O fato de o País também não estar atraindo tanto investidores estrangeiros como antes ajuda a pressionar o câmbio.

Ex-diretor do BC e hoje pesquisador na Universidade de Columbia, em Nova York, Daniel Gleizer afirma que, historicamente, investidores brasileiros sempre costumaram comprar mais ativos domésticos, por conta da dívida indexada, que assegurava rendimento real positivo elevado. Essa tendência difere de outros países da região, como a Argentina, onde houve fuga importante de capital do investidor local.

O sócio da Ibiuna Investimentos Rodrigo Azevedo, chamou a atenção para o risco de a queda da Selic levar a um ambiente de “desancoragem do real”, ou seja, uma situação em que os brasileiros preferem investir em ativos no exterior. A dúvida, disse, é se nesse ambiente os investidores ainda terão interesse por título público indexado à Selic.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O passo a passo para trabalhar no mercado financeiro foi revelado: assista nesta série gratuita do InfoMoney

Bolsas americanas já devolveram perdas com a Covid, mas há oportunidades

SÃO PAULO — Após terem caído fortemente em março com a pandemia do coronavírus, as Bolsas americanas mostraram uma retomada nos últimos meses, na esteira da injeção de recursos promovida pelo governo dos EUA para ajudar a economia a enfrentar a crise. Nesse cenário, ainda é hora de investir no exterior?

Para o estrategista-chefe da Avenue Securities, William Castro Alves, sim. “‘Never bet against America’, o oráculo de Omaha [Warren Buffett] já disse. (…) Apesar de a gente ver o Nasdaq batendo recorde e com empresas de tecnologia gigantes com múltiplos super esticados, tem diversas outras empresas que não participaram desse ‘oba oba’ de mercado, como Disney, Coca-Cola”, disse.

Otavio Costa, gestor da Crescat Capital, é mais cético em relação às ações nas Bolsas dos EUA. “Investidores iniciantes estão tomando riscos desnecessários, comprando empresas que estão indo à falência, que estão sendo negociadas a 160 vezes seu lucro anual”, afirmou.

Costa enfatizou a divergência entre a atividade econômica e o balanço do Fed. “A impressão monetária [injeção de dinheiro] acaba não arrumando o problema econômico, não há crescimento orgânico. O déficit do governo deve continuar”, completou. O gestor acredita que o ouro e outros metais preciosos continuam sendo mais atraentes do que ações nas Bolsas americanas, com exceção de papéis de mineradoras, especialmente de pequeno porte.

O S&P 500 e o Dow Jones, que chegaram a cair mais de 30% no ano, quando atingiram suas mínimas em 2020 no dia 23 de março, já subiram mais de 33% cada um desde então. Já a Nasdaq, que teve perda de até 23,3% em 2020, disparou 45,5% desde 23 de março e, agora, acumula ganho de 11,9% no ano.

“As mineradoras são a única indústria que se beneficia da conjuntura macroeconômica de expansão da base monetária, não só nos EUA mas no mundo, e também da redução de taxas de juros. Quando eu olho os Capex das mineradoras nos últimos anos e até mesmo no último trimestre, eles continuam em níveis baixos. É a primeira vez na história que eles não subiram junto com o preço do ouro. Tem um crescimento anual de fluxo de caixa que nunca foi tão alto, de aproximadamente 108%. Não conheço nenhuma outra indústria hoje crescendo dessa maneira”, avaliou Costa. Veja a entrevista completa acima.

O passo a passo para trabalhar no mercado financeiro foi revelado: assista nesta série gratuita do InfoMoney