Venda da Oxiteno é positiva para Ultrapar, mas já esperada, segundo analistas; ações sobem até 4,3% na Bolsa

SÃO PAULO – A Ultrapar (UGPA3) anunciou nesta segunda-feira (16) a venda de 100% de sua unidade de químicos especiais Oxiteno para o grupo tailandês Indorama, por US$ 1,3 bilhão.

A notícia foi bem recebida pelo mercado financeiro, que avalia o anúncio como positivo, embora já esperado.

Na Bolsa, as ações UGPA3 subiam 1,4% por volta das 13h30 (horário de Brasília), negociadas a R$ 15,81. Na máxima do dia, as ações chegaram a subir 4,3%, a R$ 16,32.

Os papéis retomam o movimento de alta visto na sexta-feira (13) após afundarem 12% no dia anterior, em meio à divulgação dos resultados referentes ao segundo trimestre de 2021 considerados fracos.

Em relatório, o Itaú BBA escreve que o movimento contribui para uma redução da alavancagem da Ultrapar, ajudando a companhia em sua estratégia de focar no segmento de downstream da cadeia de óleo e gás.

Os analistas citam que a venda da Oxiteno marca o fim dos esforços da empresa para desinvestimentos, marcada ainda pela venda da Extrafarma e da ConnectCar.

Nesse sentido, novas aquisições, como a da Refap, refinaria localizada no Rio Grande do Sul, que pertence hoje à Petrobras, podem ser interessantes na visão dos analistas.

O Itaú BBA tem recomendação outperform (acima da média do mercado) para as ações UGPA3 e preço-alvo de R$ 26.

O anúncio também foi interpretado como positivo pela Guide Investimentos, que afirma que a Ultrapar poderá agora alocar melhor seus esforços e capital em segmentos onde possui mais expertise e que tenha grande potencial de crescimento – caso de óleo e gás downstream.

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Com relação ao valor da venda, a casa de análise Levante afirma que o valor já era esperado, com um ligeiro prêmio em relação ao que era projetado antes do fechamento da transação.

Segundo os analistas, esse prêmio deve conferir uma reação positiva para as ações da companhia no curto prazo.

“A holding já vem realizando movimento de maior concentração na cadeia de distribuição de combustíveis, desinvestindo de ativos não prioritários para este plano e com a intenção de adquirir uma das refinarias da Petrobras, financiado parcialmente pela venda destes outros ativos”, escrevem os analistas.

Já o Bradesco BBI destaca que o preço do negócio ficou 12% abaixo da avaliação da casa, de US$ 1,49 bilhão, implicando uma queda de R$ 0,90 por ação (6% do valor de mercado atual) para as ações da Ultrapar.

O time de análise reforça, contudo, que ainda precisa confirmar se o valor da empresa divulgado pela Ultrapar levará em consideração o arrendamento da dívida líquida da Oxiteno.

Resultados do 2º trimestre

Na semana passada, a Ultrapar divulgou seus resultados referentes ao segundo trimestre deste ano e decepcionou ao registrar números mais fracos do que o esperado.

O lucro líquido ajustado somou R$ 290 milhões no período, abaixo da projeção dos analistas consultados pela Refinitiv, que, em média, esperavam lucro de R$ 329,6 milhões.

O resultado, porém, não inclui o efeito de uma baixa contábil realizada na rede de farmácias Extrafarma, que teria levado a um prejuízo de R$ 18 milhões.

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A empresa afirmou no balanço que a baixa contábil na Extrafarma registrada no segundo trimestre foi de R$ 395 milhões, sem efeito caixa. O grupo acertou a venda da rede de farmácias para a Pague Menos em maio, por R$ 700 milhões.

O balanço levou os papéis UGPA3 a apresentarem forte queda de 12,33% na Bolsa no dia da divulgação, quinta-feira (12), encerrando o pegão negociados a R$ 15,21.

A Levante chama atenção para o fato de que a Oxiteno foi a companhia que obteve resultado recorde na divulgação dos dados de abril a junho, enquanto o ativo prioritário – Ipiranga – obteve mais um trimestre apagado.

Com margens ainda sofrendo para se recuperarem desde a mudança na política de preços de combustíveis da Petrobras (PETR3;PETR4), em 2017, o ativo teve um dos piores desempenhos dos últimos anos, escreve a Levante.

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Cade condena Ipiranga a pagar R$ 8 milhões em investigação de cartel em SC

Posto Ipiranga (Foto: Divulgação)

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condenou nesta quarta-feira, 12, as distribuidoras Ipiranga, da Ultrapar (UGPA3), e Rejaile por formação de cartel no mercado de distribuição e revenda de combustíveis em Santa Catarina. No mesmo processo, foram condenados ainda 17 postos de combustíveis e 18 pessoas físicas da cidade de Joinville (SC).

No processo, a Ipiranga foi condenada a pagar R$ 8,187 milhões e distribuidora Rejaile, R$ 2,362 milhões. De acordo com o conselheiro Luiz Hoffman, relator do caso, os postos de combustíveis formaram cartel na cidade catarinense com a participação das distribuidoras.

O mercado de postos de combustíveis é um dos mais investigados pelo Cade por formação de cartel, assim como distribuidoras do setor.

Em 2019, o Cade já havia condenado a Ipiranga, assim como a BR Distribuidora (BRDT3), por terem ajudado postos de combustíveis de Belo Horizonte e outras cidades de Minas Gerais a formarem cartel.

Em novembro de 2018, o Cade já havia firmado acordo com a Alesat para encerrar a investigação contra a empresa no mesmo caso, quando a companhia pagou R$ 48,6 milhões e se comprometeu a colaborar com as investigações.

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Ultrapar tem lucro líquido de R$ 137,4 mi no 1º trimestre, queda de 19%

Posto Ipiranga (Foto: Divulgação)

O lucro líquido da Ultrapar (UGPA3) no primeiro trimestre de 2021 chegou a R$ 137,44 milhões, uma queda de 19% na comparação com o mesmo período de 2020. Em relação ao quarto trimestre do ano passado, a redução chega a 68%.

Segundo a empresa, a queda no lucro é fruto do aumento na despesa financeira líquida e de créditos tributários extemporâneos registrados no primeiro trimestre deste ano e quarto trimestre de 2020, parcialmente compensados pelo maior Ebitda.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado atingiu R$ 996,3 milhões entre janeiro e março deste ano, avanço de 13% em relação ao registrado no mesmo período de 2020 e alta de 5% sobre o quarto trimestre do ano passado.

A receita líquida no primeiro trimestre deste ano ficou em R$ 23,950 bilhões. A alta chega a 12% em relação ao mesmo período do ano passado.

O aumento é explicado pela empresa por conta do avanço na receita líquida da Ipiranga, Oxiteno, Ultragaz e Ultracargo.

Em relação ao quarto trimestre de 2020, a receita líquida cresceu 3%, reflexo principalmente do maior faturamento na Ipiranga.

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Ipiranga puxa resultado do 4º tri da Ultrapar para baixo e ações caem 7,5%: há sinais de dias melhores para companhia?

Posto Ipiranga (Foto: Divulgação)

SÃO PAULO – Entre as que divulgaram os seus números do quarto trimestre de 2020 entre a noite da última quarta-feira (24) e a manhã desta quinta (25), a Ultrapar (UGPA3, R$ 19,68, -7,52%)foi uma das empresas decepcionou os investidores. Com isso, os ativos UGPA3 registraram queda de cerca de 7,5% na sessão desta quinta-feira (25).

O grupo multiindustrial passou de prejuízo para lucro no quarto trimestre, uma vez que resultado financeiro positivo e a fraca base de comparação compensaram o efeito da piora operacional devido à crise provocada pela Covid-19. Porém, do lado operacional, o resultado não agradou.

A companhia registrou lucro líquido de R$ 432 milhões entre outubro e dezembro, revertendo prejuízo de R$ 268 milhões em igual período de 2019. Além disso, a Ultrapar teve receita financeira líquida de R$ 136 milhões no trimestre, com a apropriação de juros sobre créditos tributários referentes à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, de 160 milhões, e do resultado positivo de marcação a mercado dos hedges cambiais. Um ano antes, a Ultrapar teve despesa financeira líquida de 252 milhões.

Do ponto de vista operacional, entretanto, a receita líquida do grupo, de R$ 23,2 bilhões, foi 2% menor ano a ano, refletindo sobretudo o recuo de 6% no faturamento na rede de postos de combustíveis Ipiranga, seu principal negócio. Da mesma forma, o lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, excluindo efeitos não recorrentes, caiu 11%, para 865 milhões de reais.

Os resultados foram piores que os do trimestre anterior, puxados por alta de custos dos combustíveis na bandeira Ipiranga, diminuindo a rentabilidade, porém parcialmente compensado por resultados recordes de Oxiteno e desempenho consistente de Ultragaz, com desempenho levemente acima do esperado. Além disso, a Extrafarma também apresentou resultados sequencialmente melhores.

“Destacamos como negativa a deterioração das margens Ebitda por metro cúbico da distribuidora de combustíveis Ipiranga que veio a R$ 75,7/m3 comparado a R$ 100,0/m3 do semestre anterior e com nossa estimativa de R$ 90,9/m3 para o quarto trimestre. Na nossa visão, tal performance ilustra os níveis ainda elevados de competição do setor de distribuição de combustíveis, que acabaram por levar a uma redução estrutural de margens no segmento”, avaliam Gabriel Francisco e Maira Maldonado, analistas da XP Investimentos.

A Levante também destaca que contribuiu negativamente para a margem a paridade de preços de combustíveis na refinaria, abaixo dos preços de importação no quarto trimestre de 2020, isso segundo a própria companhia. Por outro lado, apesar dos resultados ruins de Ipiranga, o desempenho dos demais negócios compensaram, mantendo a sólida geração de caixa da companhia no ano que atingiu R$ 2,1 bilhões.

A companhia também apresentou um guidance (projeções)  otimista, aponta a casa de análise. O Ebitda total projetado pela companhia para este ano ficou entre R$ 3,8 a R$ 4,5 bilhões no total, com o piso da faixa 15% acima do registrado pela Ultrapar em 2020 (R$ 3,31 bilhões de Ebitda recorrente).

O Bank of America e o Bradesco BBI esperam uma melhora contínua para a Ultrapar no primeiro trimestre de 2021. Segundo os analistas do BBI, principalmente por conta da Oxiteno, enquanto o BofA espera uma melhora gradual contínua nas tendências gerais dos negócios nos próximos trimestres, o que deve contribuir para um desempenho sólido dos lucros nos seguintes períodos.

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Por outro lado, há pontos de atenção. A volatilidade nos preços dos combustíveis é prejudicial aos distribuidores, que têm dificuldades em repassar os custos integralmente no curto prazo, devido à composição de seus estoques e complexidade da cadeia de distribuição, aponta a Levante.

Além disso, avaliam os analistas, a incerteza em torno da política de preços e do comando da Petrobras (PETR3; PETR4), pode prejudicar o processo de desinvestimento das refinarias, no qual a Ultrapar já possui proposta vinculante na planta do Rio Grande do Sul (Refap), com efeitos negativos sobre o preço de suas ações.

Sobre o tema, Frederico Curado, presidente da Ultrapar, destacou em teleconferência que a companhia segue mantendo negociações com a Petrobras e não houve até o momento nenhuma mudança na direção da estatal sobre a venda de ativos no setor de refino. Quando questionado sobre a atratividade do setor de refino caso a Petrobras altere sua política de preços, o CEO respondeu: “Se houver um subsídio à la o que aconteceu em anos anteriores, como 2015, vemos isso como estruturalmente improvável…no longo prazo. Temos alguns marcos regulatórios importantes”.

A Petrobras está tentando vender oito refinarias, o que acabaria com o virtual monopólio da estatal no setor de refino do país e abriria um dos maiores mercados de combustível do mundo para investidores privados. A Ultrapar está liderando negociações para a aquisição da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap).

O BBI aponta que o mercado continua a temer o aquisição potencial da Refap e quais implicações uma nova política de preços da Petrobras pode trazer para este ativo enquanto o BofA aponta que, embora existam aspectos interessantes para um investimento em refinaria, grande parte do valor dependerá do desempenho dos preços do produto refinado no Brasil, do nível de competição e de investimentos.

Já entre os pontos que podem ser positivos, a Levante ressalta que a companhia anunciou investimentos em expansão e modernização em 3 de seus negócios (Ultragaz, Ultracargo e Ipiranga), destinando o montante de investimento em Extrafarma e Oxiteno apenas para a manutenção, sinalizando definitivamente que irá se desfazer de ambos os negócios. Isso é positivo para a companhia, que mira concentrar esforços na cadeia de energia.

Assim, três pontos devem ser observados de perto pelos investidores de Ultrapar: i) recuperação da rentabilidade em Ipiranga; ii) processo de desinvestimentos de Oxiteno e Extrafarma e iii) Processo de aquisição da Refap.

A XP Investimentos possui recomendação neutra para os papéis UGPA3, com preço-alvo de R$ 23, enquanto BBI tem recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) e o BofA tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 26,35. De acordo com a compilação com 13 casas de análise, segundo dados da Refinitiv, 8 recomendam compra para o ativo, enquanto 5 possuem recomendação equivalente à neutra para os papéis. O preço-alvo médio, por sua vez, é de R$ 24,15, o que configura uma alta de 13,5% em relação ao fechamento da véspera. A expectativa é por resultados melhores, mas muitos pontos devem ser monitorados de perto pelos investidores da companhia.

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(Com informações da Reuters)

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