Ibovespa Futuro sobe com exterior em meio a redução dos temores com variante delta na China; dólar futuro cai

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em alta nesta segunda-feira (23) com a recuperação dos principais índices acionários globais e do petróleo depois de muita preocupação na semana passada com a política monetária dos Estados Unidos, a variante delta do coronavírus e o ambiente regulatório da China. O barril do Brent sobe 3,22% a US$ 67,28.

Neste começo de semana, as notícias melhoram no âmbito da pandemia, e as autoridades chinesas informaram que não houve nenhum caso local de Covid-19 pela primeira vez desde julho, o que indica desaceleração da onda atual. Contudo, os investidores seguem monitorando o avanço da variante delta.

Os investidores ficarão atentos ao simpósio de Jackson Hole, que ocorre na sexta-feira (27) e deve trazer mais sinalizações sobre o ritmo da redução das compras mensais de títulos realizadas pelo Federal Reserve e também sobre quando os membros da autoridade monetária dos Estados Unidos esperam iniciar um ciclo de aumento dos juros.

Por aqui, governadores se reunirão para discutir a crise institucional. Depois do presidente Jair Bolsonaro apresentar ao Senado o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o governador de São Paulo, João Doria, disse que a democracia do Brasil nunca esteve tão ameaçada desde o golpe de 1964.

Às 9h10 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em outubro de 2021 tinha alta de 0,38%, a 119.350 pontos.

Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra queda de 0,23% a R$ 5,37.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe dois pontos-base a 6,71%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de um ponto-base a 8,41%, o DI para janeiro de 2025 avança dois pontos-base a 9,58% e DI para janeiro de 2027 opera estável a 10,01%.

Ainda sobre o Fed, o presidente da autoridade monetária de Dallas, Robert Kaplan, um “hawk” (autoridade de posicionamento mais duro) bem conhecido, abalou as expectativas de aperto monetário na sexta-feira, dizendo que pode reconsiderar a necessidade de início precoce do aperto monetário se o coronavírus prejudicar a economia.

Já na Europa, o Índice do Gerente de Compras (PMI na sigla em inglês) Markit composto para a Zona do Euro, que traz dados sobre os setores de serviços e manufatura, registrou o menor patamar em dois meses em agosto, de 59,5 pontos, frente a 60,2 pontos. Qualquer patamar acima de 50 pontos indica expansão; abaixo, retração.

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Já o PMI composto da Alemanha caiu de 62,4 em julho para 60,6 em agosto, segundo dados preliminares divulgados nesta segunda-feira, 23, pela IHS Markit. Apesar da queda, a leitura bem acima da marca de 50 mostra que a atividade da maior economia da Europa segue se expandindo em ritmo forte neste mês, ainda que mais contido.

O índice composto do Reino Unido, por sua vez, caiu de 59,2 em julho para 55,3 em agosto, atingindo o menor patamar em seis meses, segundo dados preliminares divulgados hoje pela IHS Markit em parceria com a CIPS. Apesar de acima de 50, prévia de agosto ficou bem abaixo da expectativa de analistas consultados pelo Wall Street Journal, que previam recuo marginal do indicador a 59.

Relatório Focus

As projeções dos economistas do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021 foram elevadas mais uma vez, mostrou o Relatório Focus do Banco Central. Esta semana, a mediana das expectativas para o medidor oficial de inflação subiu de 7,05% para 7,11% em 2021. Para 2022, por sua vez, as previsões foram elevadas de 3,90% para 3,93%.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), as projeções oscilaram para baixo mais uma vez, caindo de 5,28% para 5,27% em 2021 e de 2,04% para 2,00% em 2022.

Sobre o dólar, as previsões se mantiveram em que a moeda dos EUA encerre o ano cotada a R$ 5,10 e termine 2022 cotada em R$ 5,20.

Por fim, a mediana das estimativas para a taxa básica de juros, Selic, continuou em 7,50% ao ano tanto para 2021 quanto para 2022.

Covid 

No domingo (22), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 765, queda de 16% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 331 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.490, o que representa queda de 8% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 14.178 casos.

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Chegou a 122.830.226 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 58,01% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 55.068521 pessoas, ou 26,01% da população.

Pedido de impeachment de Moraes e LDO de 2022

Os investidores monitoram o novo foco de crise política, após o presidente Jair Bolsonaro ingressar, no fim da tarde de sexta-feira (20), com um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, no Senado Federal.

A peça encaminhada ao Senado, no entanto, não deve prosperar, na opinião de senadores e consultores, e até mesmo o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a quem cabe dar ou não andamento ao processo, já adiantou que não identifica critérios que justifiquem a destituição do cargo do ministro do STF.

“Sinceramente não antevejo fundamentos técnicos, jurídicos e políticos para impeachment do ministro do Supremo, como também não antevejo em relação a impeachment de presidente da República”, disse o senador a jornalistas, defendendo que o episódio da apresentação do pedido de impeachment haverá de ser “superado”.

O presidente Jair Bolsonaro entrou na noite de quinta-feira com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a anulação de artigo do regimento interno da corte que permite a instauração de inquéritos de ofício –sem um pedido do Ministério Público Federal, como foi o caso do inquérito das Fake News.

A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), apresentada pela Advocacia-Geral da União em nome do presidente pede que o artigo 43 do regimento seja suspenso em decisão liminar até que seja julgado pelo pleno do STF.

A alegação é de que o uso do artigo do regimento interno para abrir investigações fere preceitos constitucionais e “os direitos fundamentais dos acusados nos procedimentos inquisitórios dele derivados”.

O inquérito visado pelo presidente foi aberto em março de 2019, de ofício, pelo então presidente da corte, Dias Toffoli, para investigar notícias falsas e ataques constantes aos membros do STF. O ministro Alexandre de Moraes, foi designado como relator, e se tornou um dos alvos da fúria de Bolsonaro.

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Moraes também foi responsável por acolher notícia-crime contra Bolsonaro por vazamento de informações sigilosas de investigação da Polícia Federal.

Ainda em destaque, Bolsonaro sancionou na sexta-feira a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2022, mas vetou o trecho da proposta que ampliava o montante a ser repassado a fundo de financiamento eleitoral.

Ao votarem a LDO, parlamentares modificaram as regras Fundo Especial de Financiamento de Campanha, aumentando o montante a ser repassado ao fundo de R$ 2 bilhões para R$ 5,7 bilhões.

Dentre os pontos sancionados, estão metas e prioridades estabelecidas pela LDO para a elaboração do Orçamento do próximo ano, como a meta de déficit primário de R$ 170,47 bilhões para o Orçamento Fiscal e da Seguridade Social e de déficit de R$ 4,42 bilhões para as empresas estatais, informou nota da Assessoria Especial de Comunicação Social da Presidência da República.

A parte sancionada da LDO considera como parâmetro macroeconômico crescimento real do PIB para o ano de 2022 de 2,5%, o IPCA em 3,5%, a taxa Selic em 4,74% e a taxa de câmbio média de R$ 5,15 por dólar.

A LDO também prevê salário mínimo de R$ 1.147 em 2022 como diretriz, mas o valor efetivo precisa ser estabelecido por medida provisória. Também foram vetados parcialmente rubricas referentes às emendas de comissões permanentes e às emendas do relator-geral do Orçamento.

Segundo reportagem de capa publicada nesta segunda pelo jornal O Globo, parlamentares começam agora a se articular para assegurar ao menos R$ 4 bilhões para as campanhas, o que seria mais do que o dobro do R$ 1,7 bilhão destinado aos partidos nas eleições gerais de 2018. Se não houver acordo, a derrubada do veto presidencial é uma alternativa estudada por congressistas, afirma o jornal.

Radar corporativo

No radar corporativo, a EZTec informou na sexta-feira que seu conselho de administração aprovou um programa de recompra de até 5.035.897 ações. Já a BR Properties comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações.

Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou no sábado que a Sabesp será preparada para ser privatizada nos próximos anos, e que o governo não realizará nada de forma precipitada.

EzTec (EZTC3)

A EZTec informou na sexta-feira que seu conselho de administração aprovou um programa de recompra de até 5.035.897 ações.

O programa tem prazo de até seis meses, terminando em 23 de fevereiro de 2022. O montante referido equivale a cerca de 5% das ações da companhia em circulação no mercado.

BR Properties (BRPR3)

A BR Properties comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações. Ele obteve 99,95% dos ativos que havia se proposto a comprar, sendo adquiridas 10.994.600 ações por R$ 94,888 milhões, com o custo médio por ação de R$ 8,63.

Minerva (BEEF3)

Uma unidade da Minerva Foods  em Palmeira de Goiás (GO) foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF) dentro da Operação A Posteriori, que apura supostas irregularidades de auditores fiscais federais agropecuários no período de 2018 a 2019, informou a companhia nesta sexta-feira.

Segundo a empresa, o procedimento, realizado na quinta, teve cooperação dos colaboradores da Minerva e a planta mantém suas atividades regulares.  “Não existe indiciamento ou denúncia contra a companhia, contra seus administradores ou qualquer de seus empregados ou colaboradores no âmbito da operação”, disse em comunicado.

Sabesp (SBSP3)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou no sábado que a Sabesp será preparada para ser privatizada nos próximos anos, e que o governo não realizará nada de forma precipitada.

Ao comentar declarações do recém-nomeado secretário de Projetos e Ações Estratégicas de São Paulo, o deputado federal Rodrigo Maia (sem partido-RJ), sobre a privatização da Sabesp, Doria ressaltou que a privatização da companhia de saneamento é um projeto de “longo prazo”, não de curto prazo.

“Nosso governo é desestatizante… A Sabesp já é de capital aberto, cotada em bolsa, com performance muito boa e bem administrada. Ao longo dos próximos anos, ela vai ser preparada evidentemente para um programa de privatização, mas não faremos isso de forma precipitada”, comentou Doria a jornalistas, no Rio de Janeiro. As declarações de Maia fizeram disparar as ações da Sabesp na sexta-feira.

Braskem (BRKM5)

A Braskem comunicou que não tem conhecimento sobre a realização de uma oferta pública de ações da companhia como uma possível estratégia de saída dos acionistas, em esclarecimento após notícia da Coluna do Broadcast.

A empresa diz que “não é parte de eventuais discussões de seus acionistas sobre a venda das suas participações acionárias”, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como esclarecimento de notícia veiculada na mídia.

IPOs

A empresa de cibersegurança ISH Tech, com sede em Vitória, pediu registro para uma oferta inicial de ações (IPO na sigla em inglês) em busca de recursos para financiar seu crescimento orgânico e via aquisições, além de investir em pesquisa. A empresa foi fundada em 1996 como consultoria em TI.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Mercado deve viver tensão longa com “eleição antecipada”

Brasil em queda/crise (Foto: Getty Images) Brasil em queda/crise (Foto: Getty Images)

Às vésperas do envio do Orçamento de 2022 ao Congresso, previsto para até 31 de agosto, as notícias negativas que chegam de Brasília têm provocado volatilidade e aumentado as incertezas para a economia. A percepção é de que esse ambiente de tensão não deve se dissipar tão cedo, diante do debate antecipado das eleições de 2022 e dos ruídos políticos provocados pela crise entre os poderes alimentada pelo próprio presidente Jair Bolsonaro.

O gatilho para a crise de confiança foi puxado pela apresentação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de parcelamentos dos precatórios (dívidas da União a empresas, pessoas físicas, Estados e municípios reconhecidas pela Justiça), mas outros fatores compõem essa espiral negativa.

A equipe econômica avalia que a volatilidade de agora será passageira e dissipada assim que ficar mais claro o desenho das novas medidas do governo para 2022, como o valor do auxílio Brasil (programa que vai substituir o Bolsa Família), a definição da PEC dos precatórios, o projeto do Imposto de Renda e o próprio Orçamento.

Porém, o espaço fiscal é pequeno, diante de tantas promessas do presidente Jair Bolsonaro para garantir a sua reeleição, que incluem, além de um programa de transferência de renda turbinado, reajuste para servidores públicos, novo subsídio para o diesel e pacote para estimular o emprego, com bolsa qualificação para os trabalhadores.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o secretário especial de Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, fizeram várias aparições públicas ao longo da semana passada para passar confiança, mas as incertezas continuam.

“Reafirmamos o total compromisso com responsabilidade fiscal e controle de contas”, disse Funchal em um desses eventos, tentando transmitir a mensagem de que não haverá adesão ao populismo fiscal. Mas o governo não convenceu ainda. O próprio Funchal definiu os últimos dias como “um dos piores momentos em termos de turbulência”, por conta, sobretudo, das incertezas do mercado em relação à proposta de parcelamento das dívidas judiciais.

No front inverso, o Tesouro Nacional conta com um caixa de R$ 1,1 trilhão – um colchão de liquidez para enfrentar a volatilidade e administrar a oferta de títulos ao mercado.

Turbulência. Para o economista Fábio Terra, professor da Universidade Federal do ABC, essa “tempestade perfeita” deve se manter por um bom tempo. “É uma turbulência muito grande de vários fatores negativos. Num momento como esse, precisaríamos ter serenidade política, ter capacidade de liderança, mas o que está acontecendo é exatamente o inverso”, diz ele, que vê o presidente “esgarçando” o quadro institucional.

No campo econômico, Antonio Corrêa de Lacerda, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), diz que o Banco Central precisará acelerar a alta da Selic, a taxa básica de juros, para controlar a inflação, uma “bomba para 2022” pelo efeito no crescimento menor para o País.

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Veja abaixo os principais fatores que têm formado essa tempestade perfeita, entre eles o aumento dos juros para controlar a disparada da inflação, o fim da bonança internacional e ruídos institucionais e fiscais.

O desafio da inflação e dos juros

Não foi uma semana fácil para o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O comandante da política de juros no Brasil teve de fazer várias aparições públicas para transmitir confiança de que o BC vai controlar o processo de aceleração da inflação em meio à piora dos indicadores do mercado. Na sexta-feira, o dólar, por exemplo, chegou a atingir um patamar próximo de R$ 5,50, e acabou fechando em R$ 5,38.

“Temos os instrumentos, podemos fazer o trabalho. Estamos comunicando ao mercado com mais transparência como usamos nossos instrumentos”, disse Campos Neto, na quinta-feira, 19, com a mensagem de que fará tudo o que for possível e necessário para atingir a meta de inflação em 2022. Um trabalho também de coordenação das expectativas futuras da inflação, esforço que, como ele próprio admitiu, está sendo atrapalhado por um “fiscal descontrolado”.

Se o presidente Jair Bolsonaro contava com uma atividade econômica em recuperação e números mais robustos para pavimentar seu caminho à reeleição, esse cenário está cada vez mais distante. A espiral negativa é alimentada por ruídos políticos provocados pela percepção de que o presidente vai gastar mais para se reeleger, o que eleva a volatilidade do mercado e provoca a alta do dólar, que impacta ainda mais a inflação, renovando o círculo vicioso negativo.

O IPCA, índice oficial, fechou o mês passado em 0,96%, com alta acumulada de 8,99% em doze meses. E pior: as previsões do mercado não param de subir e apontavam, na última pesquisa Focus do BC, uma alta de 7,05% no final desse ano e de 3,90% em 2022. Projeções que devem subir ainda mais na pesquisa que será divulgada nesta segunda-feira pelo BC.

A inflação mais salgada puxou os juros para o patamar de 5,25% ao ano, e já se espera um aumento de mais 1 ponto porcentual na próxima reunião do Copom. É uma medida para esfriar a atividade da economia e segurar a disseminação da elevação dos preços. A consequência é menos crescimento em 2022.

“Há uma tempestade perfeita”, diz Antonio Corrêa de Lacerda, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e professor do Programa de pós-graduação em Economia Política da PUC de São Paulo. Lacerda lembra que a divulgação do PIB no primeiro trimestre gerou euforia, mas, retirando o efeito estatístico, o crescimento não será muito diferente do padrão de 2017-2018-2019, ao redor de 1,5%.

A crise hídrica, que afeta os preços de alimentação e abastecimento de energia, chegou para complicar. “A crise hidrológica tem um impacto grande sobre a capacidade de expansão do PIB”, diz Fabio Terra, professor de economia da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Risco fiscal no radar do mercado

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A inflação mais alta prejudica a população, mas deu um refresco para as contas públicas. Fez aumentar a arrecadação e reduziu a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB). Essa melhora fiscal, porém, despertou ainda mais o ímpeto para gastos no governo Bolsonaro e nos seus aliados do Centrão.

Ao invés de melhorar a percepção da política da sustentabilidade das contas públicas, o resultado tem sido mais ruídos que aumentaram o risco fiscal. O temor que ronda as expectativas é a percepção de que a queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que vem sendo registrada nas pesquisas, vai levar o governo a adotar medidas mais populistas para buscar a sua reeleição, comprometendo regras fiscais, como o teto de gastos (a norma que limita o crescimento das despesas acima da inflação) e ligando o botão da contabilidade criativa.

Nas últimas três semanas, dois focos de tensão do lado fiscal contaminam as expectativas e têm gerado alta volatilidade no mercado: o projeto que altera o Imposto de Renda (IR) e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que parcela em até dez anos o pagamento de parcela dos precatórios (dívidas que a União precisa quitar depois de decisões judiciais).

As preocupações com o projeto do IR são várias, a depender de quem ganha ou perde mais com a mudança, mas do lado das contas públicas o risco é de queda da arrecadação futura, com as vantagens que estão sendo dadas nessa reta final antes da votação. Além disso, a negociação do projeto, envolve custos adicionais, como o aumento da parcela de recursos da União que é transferida para as prefeituras via Fundo de Participação dos Municípios.

Já a PEC dos precatórios divide o mercado. A maior polêmica é o fato de poder levar o Congresso a retirar essas despesas (só em 2022 são R$ 89 bilhões) do teto de gastos para não comprometer o espaço no Orçamento para o novo Bolsa Família, rebatizado de Auxílio Brasil, para dar um benefício maior que R$ 300. O presidente alimentou o risco do mercado ao falar em subir o benefício para R$ 400.

“A PEC dos precatórios envolve uma operação triangulada com dívidas que ataca de uma vez só duas regras: o teto e as metas fiscais. Ou seja, dribla normas de controle do gasto público e ainda distorce o resultado fiscal do governo central”, avalia Leonardo Ribeiro, analista do Senado e conhecedor dos meandros da confusa legislação fiscal brasileira.

“Não há como cumprir o teto de gastos, pagar os precatórios e manter os programas de governo ao mesmo tempo”, diz. “Esse triângulo se assemelha às pedaladas fiscais desenhadas pelo ex-secretário do Tesouro Arno Augustin, do governo Dilma.”

Crescem os ruídos políticos

Os ruídos políticos e a crise institucional entre os poderes também têm elevado a tensão, nos últimos dias, em meio à pressão do presidente Jair Bolsonaro sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal e ameaças de ruptura institucional.

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Além de trazer o risco de afugentar os investidores, a crise política entre Executivo, Judiciário e Legislativo, amplificada pela briga do presidente pelo voto impresso, tem afetado também o mercado. Uma preocupação adicional é com a antecipação da campanha eleitoral e a sinalização do presidente Jair Bolsonaro de que vai acionar medidas de populismo fiscal para ganhar a eleição em 2022, como aumento de subsídios para a concessão de vale-gás e desoneração do diesel. A crise tem dividido o Senado e a Câmara e deve trazer mais dificuldades para que as votações de projetos em uma Casa se completem na outra.

Na sexta-feira, 20, a notícia da agência Associated Press de que o presidente teria falado abertamente sobre seu arrependimento de apoiar a autonomia do BC reforçou a preocupação. O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, teve de sair a campo para garantir a autonomia do BC. O desconforto do presidente com a inflação, com o desemprego e com a queda de popularidade é cada vez maior, o que coloca pressão sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do BC, Roberto Campos Neto.

“A tensão política é bastante sentida no mercado e existe um sentimento de que ficou mais provável o cenário negativo do que positivo olhando para o futuro”, diz o economista Gabriel Galípolo. Ele pondera, no entanto, que não consegue enxergar a ideia de que o mercado esteja fazendo uma ruptura com ideias que são representadas pelo governo Bolsonaro no campo econômico. Para ele, hoje a preocupação fiscal é mais uma questão de expectativas e apostas, especulando sobre o que vai ser o futuro, porque no quadro atual as contas públicas estão numa situação melhor, com déficit menor. “Mas o ambiente político está muito conflagrado e isso colabora para uma tensão interna, que, somado ao cenário externo, azedou o mercado.”

Na avaliação do professor da PUC de São Paulo Antônio Corrêa de Lacerda, o presidente Bolsonaro, em meio à pressão, cria factoides, sendo o mais recente o pedido de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes. Bolsonaro prometeu entregar “nos próximos dias” outro pedido de afastamento tendo como alvo o ministro Luís Roberto Barroso, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TST). “No campo econômico, claramente ele vai jogar todas as fichas num auxílio emergencial turbinado que seria uma combinação de Bolsa Família visando criar algum impacto eleitoral”, avalia Lacerda.

Cenário externo em mutação

Grande exportador de alimentos e minérios, o Brasil tem sido favorecido desde o ano passado com o boom dos preços das commodities (produtos básicos), que se seguiu ao processo de recuperação da economia global depois da pandemia. Agora, os ventos começam a ficar diferentes com impacto na economia, que já passa por problemas domésticos como inflação e juros altos e desemprego resistente e persistente.

A desaceleração da China acendeu o alerta para o Brasil. E, como mostrou reportagem do Estadão, o avanço da variante Delta da covid-19 também tem reduzido o otimismo dos economistas em relação à recuperação da atividade global neste ano. A nova cepa tem levado a China a fechar cidades, freando a retomada. O governo chinês vem retirando estímulos econômicos, o que acaba impactando os preços de commodities importantes para a atividade econômica brasileira, como o minério de ferro.

“De repente, o que acontece no mundo deu uma virada e temos uma desaceleração da China e uma nebulosidade sobre o que o Banco Central dos Estados Unidos vai fazer na política de juros”, diz o economista Fábio Terra, da Universidade Federal do ABC (UFABC). “Tudo que o Fed (o banco central americano) decide é política monetária (no sentido de controlar a inflação) para eles, mas para a gente é política cambial (afeta o valor do real)”, diz Terra, para explicar a importância da conexão dos juros americanos com o comportamento do dólar no Brasil.

Para o economista, o mundo está muito ressabiado com a variante Delta, o que atrapalha o cenário externo. “Isso sozinho nos atrapalharia bastante, só que ainda se soma aos problemas internos, como a crise hidrológica”, diz.

Antônio Corrêa de Lacerda, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e professor da PUC de São Paulo, ressalta que a possível elevação da taxa de juros americana é sempre um problema para a economia global e para o Brasil. Para ele, a desaceleração do ritmo de crescimento chinês é uma má notícia para as exportações brasileiras, porque o Brasil é dependente das commodities.

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“Tempestade perfeita” derruba cenário de crescimento econômico para 2022

grafico (Getty Images)

Inflação e juros em alta, desemprego, dólar caro, crise hídrica, conflitos institucionais, atropelo nas votações de projetos do Congresso e novos riscos fiscais. A “tempestade perfeita” dos últimos dias obrigou economistas e investidores a reverem suas estimativas para o crescimento da economia no próximo ano para o mesmo patamar baixo comum nos anos pré-pandemia, abaixo de 2%.

Enquanto a população sente os efeitos da deterioração da economia no bolso e reclama da alta dos preços do gás de cozinha, da gasolina, da conta de luz e dos alimentos, o mercado parece estar caindo na real.

O Estadão aponta os principais problemas que azedaram o humor e por que o Brasil segue com risco de ter mais um crescimento estilo “voo de galinha”, depois da retomada mais rápida da crise econômica provocada pela pandemia da covid-19, sem aproveitar todo o potencial do ciclo de commodities (produtos básicos, como alimentos e minério de ferro) que bombou as exportações.

A aceleração da inflação está obrigando o Banco Central a ser mais duro na alta dos juros e esfriar a economia, comprometendo o crescimento do PIB em 2022. O cenário internacional também ficou menos favorável. No front doméstico, a crise política entre os poderes se acirra, elevando a percepção de risco de populismo eleitoral do presidente Jair Bolsonaro para recuperar a popularidade e chegar em 2022 com chances de se reeleger.

“Podemos ter um momento melhor no curto prazo, um ano um pouco melhor, mas a perspectiva é de um País medíocre”, diz o presidente do Insper, Marcos Lisboa, que se diz assustado com a tramitação dos projetos no Congresso: a reforma do Imposto de Renda e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de parcelamentos do precatórios, dívidas judiciais que a União é obrigada pela Justiça a quitar. A aprovação desses projetos é chave para Bolsonaro porque, sem eles, será mais difícil para o governo anunciar um benefício elevado do novo Bolsa Família para impulsionar a campanha eleitoral, sem mudar as regras fiscais. “O governo faz grandes anúncios e, quando se vai ler os projetos, eles decepcionam e, em muitos casos, assustam”, diz.

A PEC dos precatórios reabriu a discussão sobre a quebra do teto de gastos (regra que controla a alta das despesas) e trouxe de volta o fantasma da contabilidade criativa nas contas públicas. Para o consultor do Senado, Leonardo Ribeiro, a PEC promove uma triangulação financeira para abrir espaço no teto de gastos. “Esse triângulo se assemelha às pedaladas fiscais desenhadas pelo ex-secretário do Tesouro, Arno Augustin, do governo Dilma”, diz ele, que defende retirar o precatório do teto com medidas adicionais de controle dessas despesas.

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Ibovespa fecha em queda de 1,1% seguindo exterior e cenário político; dólar tem leve baixa

Ações em queda (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (17), estendendo as perdas da sessão anterior seguindo o dia negativo nos mercados internacionais em meio às preocupações com o impacto da variante delta do coronavírus na economia global diante de dados fracos dos Estados Unidos. Por aqui, seguem no radar as incertezas políticas com pauta do Congresso, eleições e crise institucional.

Apesar dos desempenhos positivos na segunda, os preços do petróleo apagaram seus ganhos nesta terça, em meio a temores sobre a perspectiva de demanda por combustível, o que pesa no humor do mercado também.

Investidores também acompanharam o impacto geopolítico da tomada de Kabul, capital do Afeganistão, pelo Talibã. Na segunda, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, admitiu que a ofensiva do Talibã foi mais rápida do que o esperado. Em meio a críticas, ele rejeitou que sua gestão tenha responsabilidade sobre as cenas de pânico, quando milhares de pessoas buscavam fugir pelo aeroporto de Kabul.

Entre os indicadores internacionais, as vendas no varejo americano caíram bem mais que o esperado pelos analistas. Em julho, o setor registrou queda de 1,1% nas vendas, segundo dados ajustados do Departamento do Comércio, enquanto a projeção, segundo média compilada pela Refinitiv, era de recuo de 0,3%.

Já a produção industrial dos EUA cresceu 0,9% em julho ante junho. O resultado veio acima do esperado por analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam crescimento mensal de 0,5%.

Ainda nos EUA, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, participou de evento com estudantes, e disse que “ainda não está claro se a variante delta terá efeitos importantes na economia”.

No Brasil, os investidores seguiram monitorando o noticiário fiscal e a crise institucional, que levam o Ibovespa a ter um desempenho mais fraco do que diversos índices internacionais. A Câmara dos Deputados pode votar nos próximos dias a reforma do Imposto de Renda, ainda que não tenha sido encontrado um acordo entre os parlamentares.

Também na política, a pesquisa XP/Ipespe divulgada nesta terça mostrou um crescimento da reprovação do presidente Jair Bolsonaro. Seu governo agora é considerado ruim ou péssimo por 54% da população, número que estava em 31% no ano passado.

Segundo João Beck, economista e sócio da BRA, o medo eleitoral se somou a dados da atividade chinesa, discurso de Powell e conflitos geopolíticos no balanço de riscos. “O ex-presidente Lula já vem subindo nas pesquisas há mais de 5 meses. A rejeição de Bolsonaro, por sua vez, traz preocupações de falta de apoio nas reformas”, afirma.

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O Ibovespa teve queda de 1,07%, a 117.903 pontos com volume financeiro negociado de R$ 38,052 bilhões. Na mínima intradiária, o benchmark chegou a bater 116.247 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial fechou em leve queda de 0,2% a R$ 5,27 na compra e a R$ 5,27 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra alta de 0,49% a R$ 5,295 no after-market.

Mesmo com a aversão a risco na Bolsa, o real acabou não perdendo força ante o dólar porque os dados fracos dos EUA reduziram as perspectivas de um aperto monetário antes do esperado no país.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu cinco pontos-base a 6,68%, DI para janeiro de 2023 teve alta de dois pontos-base a 8,40%, DI para janeiro de 2025 avançou seis pontos-base a 9,60% e DI para janeiro de 2027 registrou variação positiva de nove pontos-base a 10,04%.

Nesta terça, as bolsas asiáticas tiveram queda em sua maioria, em meio a temores de pressão regulatória do governo chinês sobre empresas de internet. O órgão regulatório do governo publicou o esboço de regras visando barrar competição injusta na internet.

Na Europa, o índice Stoxx 600, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, teve leve queda. Quase todos os setores e as principais bolsas operam em território negativo, com destaque negativo para ações do setor de varejo.

Nesta manhã, foram divulgados dados sobre emprego no Reino Unido, que indicou 182 mil novos funcionários adicionados no mês de julho às folhas de pagamento no país. O Escritório Nacional de Estatísticas do Reino Unido apontou que a taxa de desemprego no segundo trimestre marcou 4,7%, abaixo da expectativa de economistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters.

Também foram divulgados dados sobre a variação do emprego no segundo trimestre na Zona do Euro, que teve alta de 1,8%, acima da expectativa de analistas, de queda de 2,1%. Na comparação trimestral, o indicador avançou 0,5%, frente ao indicador anterior de queda de 0,2%.

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Além disso, atenção para o PIB da Zona do Euro, que avançou 13,6% no segundo trimestre na comparação anual, levemente abaixo da projeção de 13,7% e do patamar anterior, também de 13,7%. Na comparação trimestral, o indicador avançou 2%, em linha com a projeção de analistas e com o patamar anterior, também de 2%.

Covid e CPI

Na segunda (16), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 839, queda de 12% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 363 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 28.692, o que representa queda de 15% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 17.493 casos.

Chegou a 115.988.775 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 54,77% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 50.509.454 pessoas, ou 23,85% da população.

A partir desta terça, as medidas de restrição de horários e público devem chegar ao fim no Estado de São Paulo, após quase um ano e cinco meses de combate à pandemia.

Nesta terça, a CPI da Covid no Senado ouve Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques. Ele é o auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) apontado como responsável por produzir um relatório utilizado pelo presidente Bolsonaro para questionar o número de mortes por Covid registrado pelos Estados no país.

Em seu depoimento ao TCU, na semana passada, Marques garantiu que o material escrito por ele não tinha nenhuma menção e não usava cabeçalho ou qualquer material oficial do TCU, e foi mandado por mensagem em um arquivo de Word para seu pai, que é amigo do presidente.

Marques afirmou que o documento foi alterado para indicar que teria vindo do TCU e culpou o Palácio do Planalto pela adulteração.

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A cúpula da CPI da Covid decidiu, em reunião na noite desta segunda, suspender a acareação entre o ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni, e o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF).

De acordo com fala do senador Humberto Costa (PT-PE), um dos integrantes da Comissão, a avaliação do grupo de senadores independentes e de oposição na CPI, é de que a acareação pouco contribuiria para esclarecer a questão dos problemas da compra da vacina indiana contra Covid-19 Covaxin.

Onyx, então na secretaria-geral da Presidência, foi o ministro escalado para responder as acusações de Miranda de que havia indícios de corrupção na aquisição da vacina e de que teria apresentado os problemas ao presidente Jair Bolsonaro.
Na época, Onyx apresentou uma fatura da venda da Covaxin diferente da mostrada pelo deputado para dizer que não haveria pagamento antecipado e que Miranda estava mentindo.

Com a análise do documento apresentado por Onyx pela CPI, os senadores concluíram que ele era falso. A avaliação dos senadores, no entanto, é que a acareação, aprovada na semana passada, serviria apenas para troca de acusações, mas não traria novos esclarecimentos.

Ainda nesta semana, a CPI pretende ouvir Francisco Maximiano, o presidente da Precisa Medicamentos, intermediária da venda da Covaxin e que acabou perdendo o contrato depois que veio à tona que a empresa teria falsificado documentos em nome do laboratório indiano Bharat Biotech, desenvolvedor da vacina.

Radar político econômico

O relator da reforma do imposto de renda, deputado Celso Sabino (PSDB-PA), afirmou ao jornal Valor que não divulgará um novo parecer nem deve fazer novas alterações na proposta, cuja última versão foi protocolada na quinta-feira. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), quer votar o projeto em plenário hoje.

Na quinta-feira, a proposta saiu de pauta após diversos partidos pedirem o adiamento para negociar ajustes ao texto – que teve outro parecer divulgado naquele mesmo dia à noite.

O ministro Ricardo Lewandowski, relator da ação que julga a revisão da lei de autonomia do Banco Central no Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou a pauta ao plenário da Corte para ser votada no dia 25 de agosto. A análise da contestação apresentada por dois partidos de oposição – PT e PSOL -, que pedem a reversão da legislação que retirou o status de ministério da autoridade monetária, estava parada desde junho deste ano após um pedido de suspensão da sessão virtual apresentado pelo ministro Luís Roberto Barroso.

Até o momento, Lewandowski foi o único a votar, julgando procedente o pedido das siglas de oposição para que a União volte a exercer maior influência sobre a instituição. Conforme apurou o Estadão com fontes no Supremo, o parecer a ser apresentado pelo STF deve ser favorável à manutenção da lei de autonomia. A maioria necessária para manter a validade do texto aprovado no Congresso compreende ser superável a suposta questão de inconstitucionalidade contida na origem do projeto e alegada pelos partidos.

Na segunda, o procurador-geral da República, Augusto Aras, abriu investigação preliminar para apurar se o uso de uma TV pública por Jair Bolsonaro (sem partido) para transmitir a live em que atacou o sistema eleitoral brasileiro sem apresentar provas configura crime.

Aras atendeu a pedido da ministra do STF Cármen Lúcia, que é relatora da notícia-crime apresentada por parlamentares do PT em desfavor de Bolsonaro “pela prática de ato de improbidade administrativa, de propaganda antecipada e de crime eleitoral”, de acordo com a representação.

“Intime-se o procurador-geral da República para, no prazo máximo de 24 horas, apresentar manifestação”, determina. A ministra lembra, na decisão, que já havia pedido posicionamento da PGR em 3 de agosto, mas não houve manifestação.
Na ocasião, Cármen Lúcia argumentou que os atos relatados na petição podem, em tese, configurar crime “de natureza eleitoral, utilização ilegal de bens públicos, atentados contra a independência de poderes da República”.

A peça apresentada por parlamentares do PT aponta a utilização da estrutura pública, no caso a EBC, empresa pública de televisão, para supostamente fazer propaganda política antecipada, atacar adversários políticos, partidos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o presidente da corte, Luís Roberto Barroso.

Procurado, o Palácio do Planalto não respondeu de imediato a um pedido de comentário feito pela agência Reuters.

No sábado Bolsonaro anunciou que apresentará ao Senado pedidos de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

Em manifestação no Twitter na segunda, o presidente do Senado e do Congresso, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) defendeu o diálogo entre os Poderes.

“O diálogo entre os Poderes é fundamental e não podemos abrir mão dele, jamais. Fechar portas, derrubar pontes, exercer arbitrariamente suas próprias razões são um desserviço ao país”, publicou o senador.

Em fala a jornalistas na segunda-feira, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou que acha improvável que os pedidos de impeachment aventados por Bolsonaro avancem no Senado.

“Não é questão de arrefecer ou colocar lenha na fogueira. O presidente tem a visão dele, ele considera que esses ministros estão passando dos limites aí em algumas decisões que têm sido tomadas. E uma das saídas, dentro da nossa Constituição, que prescreve ali no Artigo 52, seria o impeachment que compete ao Senado fazer”, disse Mourão.

No final de semana, Bolsonaro reforçou, por meio de uma mensagem enviada a listas de transmissão com ministros, amigos e apoiadores bolsonaristas, a convocação para um ato de “último aviso” ao Judiciário e ao Congresso. A convocação foi revelada pelo colunista do site Metrópoles, Guilherme Amado.

Grupos bolsonaristas se organizam nas redes sociais para transformar o 7 de setembro em um grande ato de apoio ao presidente, com uma pauta que inclui a defesa do voto impresso, a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaças de golpe de Estado.

Segundo a agência Reuters, grupos bolsonaristas se organizam nas redes sociais para transformar o 7 de setembro em um grande ato de apoio ao presidente, com uma pauta que inclui a defesa do voto impresso, a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaças de golpe de Estado.

De acordo com uma fonte próxima ao presidente ouvida pela Reuters, Bolsonaro irá participar de atos em Brasília, pela manhã, e em São Paulo, à tarde.

​​Os governadores de 13 Estados e do Distrito Federal divulgaram na segunda-feira uma nota conjunta em que manifestam solidariedade ao STF em meio ao que chamam de “constantes ameaças e agressões”, sem citar nominalmente o presidente Jair Bolsonaro.

Além disso, em participação no congresso Offshore Technology Conference (OTC), em Houston, o ministro de Minas e Energia, almirante de esquadra Bento Albuquerque, afirmou que o leilão dos excedentes da cessão onerosa marcado para 17 de dezembro pode gerar US$ 40 bilhões em investimentos no período de desenvolvimento dos dois blocos ofertados.

Em entrevista concedida à Reuters, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, afirmou que os efeitos da pandemia e o cenário político conturbado no país devem afetar as concessões importantes de infraestrutura previstas para até 2022, como a Ferrogrão, aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ) e a Via Dutra.

Radar corporativo

A temporada de resultados chegou na reta final, ainda com uma agenda movimentada.

O IRB Brasil RE (IRBR3registrou prejuízo líquido de R$ 206,9 milhões no segundo trimestre de 2021, o que indica perdas 68,5% menores em relação ao mesmo período de 2020, quando reportou prejuízo de R$ 656,7 milhões. No primeiro trimestre de 2021, o ressegurador teve lucro de R$ 35,1 milhões. Nos primeiros seis meses de 2021, o prejuízo líquido totalizou R$ 156,1 milhões, ante perdas de R$ 621,7 milhões no ano anterior, ou uma queda nas perdas de 74,9%.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
YDUQ3 6.22896 25.24
CMIG4 2.81195 11.7
UGPA3 2.15736 16.1
VIVT3 1.6 43.18
TAEE11 0.90794 40.01

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
LWSA3 -6.90526 22.11
EMBR3 -6.6838 18.15
USIM5 -5.09236 19.01
JHSF3 -4.95627 6.52
CIEL3 -4.66667 2.86

A elétrica estatal mineira Cemig (CMIG4) informou lucro líquido de R$ 1,94 bilhão no segundo trimestre de 2021, alta de 80% em relação a igual período do ano anterior. O lucro Ebitda ajustado foi de R$ 1,32 bilhão, avanço de 39,2% na comparação anual.

A Yduqs (YDUQ3) informou lucro líquido de R$ 116,5 milhões para o trimestre de abril a junho. Analistas ouvidos pela Refinitiv esperavam resultado positivo de R$ 145,5 milhões.

A Jalles Machado (JALL3) teve lucro líquido de R$ 115,7 milhões no primeiro trimestre da temporada 2021/22, revertendo prejuízo de R$ 16,9 milhões obtido no mesmo período da safra anterior.

Cruzeiro do Sul (CSED3), Focus Energia (POWE3), Boa Vista (BOAS3), Gafisa (GFSA3), Mosaico (MOSI3), entre outras companhias também apresentaram seus números para o trimestre.

Além da temporada, a Petrobras (PETR4) está trabalhando com a companhia japonesa de engenharia Modec para evitar atrasos na implantação da quinta plataforma de produção do campo de Búzios, disse na segunda Marcio Kahn, que é o gerente executivo do ativo na Petrobras. A estatal brasileira propôs nove plataformas para Búzios, seu projeto de águas profundas com ritmo mais acelerado de crescimento, no plano de negócios 2021-2025.

A Camil (CAML3) anunciou na segunda-feira que assinou contrato para aquisição da companhia de massas Santa Amália, por R$ 260 milhões marcando sua entrada no segmento.

A comercializadora de energia Comerc pediu na segunda-feira o registro para uma oferta pública inicial de ações, em busca de recursos para financiar seus projetos de expansão.

(com Reuters e Estadão)

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Ibovespa fecha em queda de 1,7% e vai a menor nível em mais de 3 meses; dólar sobe a R$ 5,28

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira (16) em meio a uma “tempestade” de más notícias nos âmbitos nacional e internacional. Foram dados fracos da economia chinesa, tomada do Afeganistão pelo Talibã, e, por aqui, o presidente Jair Bolsonaro prometeu apresentar pedidos de impeachment contra os ministros Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na China, as vendas no varejo cresceram 8,5%, abaixo da expectativa de 11,5% de analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters. Já a produção industrial se expandiu em 6,4% no mesmo período, abaixo da expectativa de 7,8%, também segundo analistas ouvidos pela Reuters.

Entre os fatores para o desempenho abaixo da expectativa, o Escritório Nacional de Estatísticas da China citou o impacto de incertezas externas, a pandemia de Covid na China e enchentes, e também afirmou que “a recuperação econômica é instável e desigual”.

Sobre o Afeganistão, o grupo considerado terrorista retomou o controle do país aproveitando a retirada das tropas americanas, que foi prometida pelo presidente Barack Obama, planejada pelo presidente Donald Trump após negociações de paz com o grupo, e efetivada pelo presidente Joe Biden.

Segundo Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch, a principal consequência do novo cenário para os mercados é que pode enfraquecer Biden e tornar mais difícil a aprovação de medidas como o pacote trilionário de investimentos em infraestrutura do democrata. Já Jennie Li, estrategista de ações da XP, acredita que o medo do terrorismo vai aumentar com a vitória do grupo fundamentalista. Ambas as análises estão no canal do Telegram do InfoMoney.

Ainda no exterior, o índice de atividade industrial Empire State, que mede as condições da manufatura no Estado de Nova York, recuou do nível recorde de 43 em julho para 18,3 em agosto, segundo pesquisa divulgada nesta segunda pelo Federal Reserve de Nova York. O resultado veio abaixo da previsão já pessimista de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que esperavam baixa do indicador a 29 neste mês.

Leia também: Dados fracos da China podem ser só começo de desaceleração maior e impactam mercado de petróleo e minério

Na política nacional, as ameaças de Bolsonaro ao STF se fortaleceram depois que Alexandre de Moraes determinou a prisão de Roberto Jefferson (PTB-RJ) por ameaças contra a democracia no âmbito do inquérito sobre milícias digitais.

Segundo Ricardo Ribeiro, analista político da MCM Consultores, é preocupante a escalada das tensões e conflitos entre os Poderes. “Com essa decisão de levar pessoalmente ao Senado pedidos de impeachment contra Barroso e Moraes, Bolsonaro leva o Congresso para esse ambiente de crise institucional”, defende o analista.

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Ribeiro prevê que Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e o Senado não darão andamento às ações, mas a atitude vai servir para exacerbar o antagonismo das forças bolsonaristas contra o Supremo, o que mostra o fracasso das “forças apaziguadoras”.

Para o analista, matérias como as nomeações de Augusto Aras para um novo mandato no comando da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de André Mendonça, para o STF, e até a Reforma do Imposto de Renda, devem enfrentar dificuldades no Senado.

Já a XP Política alerta que a pressão jogada por Bolsonaro sobre Pacheco amplia a distância entre o Executivo e o Senado, reforçando as dificuldades que o governo tinha para avançar sua agenda no Congresso.

A Arko Advice, por fim, avalia que a tensão política continue aquecida, visto que Bolsonaro é alvo de quatro inquéritos no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de modo que cada processo acende o risco de novos embates.

O Ibovespa teve queda de 1,66%, a 119.180 pontos com volume financeiro negociado de R$ 33,889 bilhões. Foi a maior baixa do benchmark desde 30 de julho, quando o índice recuou 3,08% e o menor patamar de fechamento desde 04 de maio, quando o Ibovespa fechou cotado a 117.712 pontos.

De acordo com Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, a baixa de hoje, apesar de muito forte, não foi um típico movimento de aversão a risco, mas um fluxo mais local de vendas. “Na sexta passada, a Bolsa brasileira praticamente zerou os ganhos no ano. Então, os investidores começam a questionar se, com os juros subindo, vale ficar aplicado em renda variável e não deixar o dinheiro na renda fixa”, comentou.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 0,68% a R$ 5,28 na compra e a R$ 5,281 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra valorização de 0,57% a R$ 5,284.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu dois pontos-base a 6,63%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de seis pontos-base a 8,40%, o DI para janeiro de 2025 avançou 16 pontos-base a 9,55% e DI para janeiro de 2027 registrou variação positiva de 20 pontos-base a 9,99%.

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Voltando ao exterior o Produto Interno Bruto (PIB) japonês avançou 0,3% no segundo trimestre em comparação com o trimestre imediatamente anterior, quando contraiu 0,9%, segundo dados oficiais preliminares divulgados na segunda, acima da estimativa de alta de 0,2% prevista por analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters.

Relatório Focus

Os economistas do mercado financeiro elevaram mais uma vez suas projeções para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021, mostrou o Relatório Focus do Banco Central. De um avanço de 6,88%, agora espera-se que o indicador encerre o ano em um crescimento de 7,05%. Já o IPCA para 2022 foi revisado de 3,84% para 3,90%.

Em relação ao PIB, as previsões foram revisadas para baixo, saindo de expansão de 5,3% para 5,28% em 2021. Para 2022, as expectativas oscilaram de 2,05% para 2,04%.

Para o dólar, as estimativas se mantiveram em que a moeda encerre este ano cotada a R$ 5,10 e 2022 termine com um dólar valendo R$ 5,20.

Sobre a taxa básica de juros, Selic, as projeções para 2021 foram elevadas de 7,25% ao ano para 7,50% ao ano. Para 2022, a expectativa é de que os juros se mantenham nesse patamar de 7,5%.

Covid no Brasil

No domingo (16), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 860, queda de 11% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 385 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 28.379, o que representa queda de 19% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 13.810 casos.

Chegou a 114.867.227 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 54,25% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 49.622.252 pessoas, ou 23,43% da população.

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No sábado, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que o governo federal pretende antecipar a aplicação da segunda dose de vacinas da Pfizer a partir de setembro deste ano, quando todas as pessoas com mais de 18 anos já tiverem tomado ao menos uma dose de vacinas.

“À medida em que a gente avance na primeira dose, já se rediscutiu colocar a Pfizer no intervalo de 21 dias. Aí a gente avança na segunda”, afirmou Queiroga. “Nós já temos 70% da população acima de 18 anos com uma dose.”

A bula das vacinas da Pfizer indica a aplicação da segunda dose 21 dias depois da primeira, mas o governo brasileiro decidiu estender o prazo para três meses inicialmente por temor sobre o cronograma de chegada dos imunizantes ao país.

Em um evento em Brasília, Queiroga aproveitou também para criticar a decisão do governo de São Paulo de entrar na Justiça para receber doses de vacinas que, de acordo com a Secretaria de Saúde paulista, o ministério deve ao estado e não entregou.

Queiroga insiste que São Paulo retirou doses a mais da CoronaVac diretamente do instituto Butantan, e que as doses de Pfizer não entregues seriam uma equalização.

Bolsa Família, contas públicas e política

Em live promovida pela XP Investimentos na sexta (13), o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, afirmou que os últimos cálculos da Receita Federal eram de perda de R$ 20 bilhões em arrecadação com o texto da reforma do Imposto de Renda.

“Muda muito”, afirmou ele. “Se não me engano era alguma coisa em torno de R$ 20 bilhões em termos de perda”, disse.

Ele afirmou que, nesse cenário, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios é tida como crucial para abrir espaço no Orçamento de 2022 para acomodar dentro da regra do teto de gastos o Auxílio Brasil, novo programa de transferência de renda do governo Jair Bolsonaro.

Encaminhada nesta semana ao Congresso, a PEC propõe dividir em dez parcelas o pagamento dos precatórios com valor de mais de R$ 66 milhões.

O texto também impõe uma limitação provisória dos pagamentos anuais de precatórios a 2,6% da receita corrente líquida, o que também sujeitará precatórios entre R$ 66 mil e R$ 66 milhões a eventual parcelamento.

Caso a PEC não prospere, Funchal afirma que o plano B seria a redução de gastos tributários. “Qual seria o plano B, o que a gente tem discutido? A gente precisa enviar um plano, a gente vai enviar até meados de setembro um plano de redução de gastos tributários”, afirmou.

“Aí o volume dessa compensação daria a base de compensação para o novo programa.” De acordo com Funchal, o plano vai mirar uma redução de R$ 15 bilhões em gastos tributários para 2022.

“Eu imagino que o presidente tem em mente reforma do IR para um (financiamento do novo Bolsa Família) e esse plano para o diesel”, destacou o secretário.

Segundo Funchal, a expansão do Bolsa Família para que passe a contemplar 17 milhões de famílias com um benefício médio de R$ 280 a R$ 300 demandará entre R$ 26 bilhões e R$ 28 bilhões adicionais. Atualmente, o orçamento do programa é de cerca de R$ 34,9 bilhões, alcançando 14,7 milhões de famílias e com benefício médio de R$ 190.

Em entrevista reproduzida na sexta na Rádio Jovem Pan, o ministro da Economia Paulo Guedes defendeu a proposta de parcelar os precatórios, uma medida que foi criticada em governos anteriores.

Ele disse que ministros que o antecederam negociaram com os credores o pagamento dos chamados superprecatórios, de valores mais elevados, em condições que não são conhecidas. Ele citou os ex-ministros Pedro Malan, Guido Mantega e Henrique Meirelles.

“Eu pelo menos fiz algo à luz do dia, transparente e para todos, a regra se aplica a todos”, afirmou Guedes, ressaltando que a medida dará previsibilidade a um gasto que tem crescido aceleradamente.

“Em vez de resolver o meu problema, porque falta só um ano, eu preferi dar previsibilidade fiscal para os próximos dez, quinze anos, não haverá mais saltos”, afirmou.

Ele negou que a mudança na regra tenha tido relação com despesas previstas para o Bolsa Família para 2022, ressaltando que o programa já estava orçado para o ano que vem quando “de repente” chegou uma conta de R$ 90 bilhões de precatórios, quando a previsão era que o gasto ficaria em R$ 58 bilhões.

Ele reiterou que não poderia pagar esse valor sem ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal e que sua obrigação é tornar o Orçamento exequível, por isso a proposta de parcelar os precatórios.

Em entrevista publicada nesta segunda no jornal Valor, Guedes afirmou que, sem a adoção de regras que permitam parcelar os precatórios, o governo poderia ter de recorrer à suspensão do funcionamento de alguns órgãos públicos, e mesmo de salários do funcionalismo. “Portanto, não se trata de acomodar as despesas para poder pagar o novo Bolsa Família”, assegurou.

Em fala durante o 4º Encontro Folha Business em Vitória (ES) na sexta, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que o sentimento de mercado virou em meio a preocupações mais recentes com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, incertezas sobre o financiamento do novo Bolsa Família e concessão de incentivos para setores específicos.

Ele afirmou que o compromisso com a sustentabilidade das contas públicas é crucial para o trabalho da autoridade monetária, num momento em que as taxas longas de juros voltam a atingir o patamar de dois dígitos, guiadas pelo temor dos agentes com a elevação dos gastos públicos. E disse que é impossível para qualquer Banco Central do mundo fazer o trabalho de segurar expectativas de inflação com o quadro fiscal descontrolado.

Sobre a inflação, Campos Neto avaliou que alta de preços no país foi influenciada “um pouco” pela desvalorização do real, mas citou a contribuição paralela de “vários outros fatores”, como o aumento dos custos da energia pelo problema hídrico.

Destaque ainda para a entrevista do Secretário do Tesouro, Jeferson Bittencout, ao Estadão, na qual ele reconhece os riscos de retirar os gastos financiados pela venda de ativos da União do resultado primário, inclusive para o pagamento dos chamados “dividendos sociais”. O secretário defende que a criação do fundo para abatimento das dívidas com precatórios pode servir de incentivo à desestatização e não acredita em decisão contrária do STF à PEC. Quanto ao Orçamento de 2022, diz que o governo deve enviá-lo até o final do mês, com os R$ 89 bilhões de precatórios pagos à vista e um Bolsa Família de R$ 34,8 bilhões, pois a PEC não terá tempo suficiente de tramitar até lá.

Já no sábado, um dia depois da prisão do presidente do PTB, Roberto Jefferson, o presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para afirmar que irá pedir ao Senado a abertura de processo contra os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso e ameaçou o país com uma “ruptura institucional”.

“Todos sabem das consequências, internas e externas, de uma ruptura institucional, a qual não provocamos ou desejamos. De há muito, os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, extrapolam com atos os limites constitucionais”, escreveu o presidente em suas redes sociais.

“Na próxima semana, levarei ao Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, um pedido para que instaure um processo sobre ambos, de acordo com o art. 52 da Constituição Federal”, acrescentou.

Radar corporativo

A temporada de resultados chega na sua reta final. Na noite de sexta-feira, foram divulgados os dados da CVC (CVCB3). A operadora de viagens reportou prejuízo líquido de R$ 175,570 milhões no segundo trimestre deste ano, perda 30,4% menor que a registrada um ano antes, de R$ 252,129 milhões (veja mais clicando aqui).

A Cosan (CSAN3) teve lucro líquido ajustado de R$ 750 milhões entre abril e junho, forte alta frente o ganho de R$ 23,4 milhões registrado em igual período de 2020.

A Boa Safra Sementes (SOJA3) teve alta de 314,6% do lucro líquido, a R$ 11,700 milhões no 2º trimestre de 2021.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
QUAL3 3.85021 19.69
CPFE3 2.04391 26.96
SUZB3 1.58423 57.71
BRAP4 1.38374 71.07
SBSP3 1.16106 33.98

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
CVCB3 -8.55928 17.2
EMBR3 -6.44541 19.45
VIIA3 -6.10619 10.61
COGN3 -6.0241 3.12
LAME4 -5.69514 5.63

No segundo trimestre, a Vivara (VIVA3) viu seu lucro líquido atingir R$ 81,7 milhões, mais do que dobrando em relação ao mesmo período de 2019, ainda antes da pandemia. Na comparação com 2020, a companhia conseguiu reverter um prejuízo.

O Enjoei (ENJU3) teve alta do prejuízo em 10,9 vezes no segundo trimestre, para R$ 30,040 milhões. A Tecnisa (TCSA3) registrou prejuízo líquido de R$ 54 milhões no trimestre, alta de 33%.

Já a Ânima (ANIM3) teve lucro ajustado de R$ 18,7 milhões. Ambipar (AMBP3) e Méliuz (CASH3) também divulgaram seus números nesta segunda-feira antes da abertura da Bolsa. Após o fechamento, IRB (IRBR3), Cemig (CMIG4), entre outras companhias, divulgarão seus números.

Ainda em destaque, a Ultrapar (UGPA3fechou acordo para vender 100% de sua empresa de químicos especiais Oxiteno para o grupo tailandês de produtos químicos Indorama Ventures por US$ 1,3 bilhão, informaram as companhias nesta segunda-feira.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Ibovespa acelera perdas e já cai 1,3% em meio a tensão política, dados da China e crise do Afeganistão; dólar vira para queda

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em queda nesta segunda-feira (16) depois da divulgação de dados fracos da economia chinesa e da tomada do Afeganistão pelo Talibã. Por aqui, o cenário político se sobrepõe em meio aos pedidos de impeachment que o presidente Jair Bolsonaro prometeu apresentar contra os ministros Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na China, as vendas no varejo cresceram 8,5%, abaixo da expectativa de 11,5% de analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters. Já a produção industrial se expandiu em 6,4% no mesmo período, abaixo da expectativa de 7,8%, também segundo analistas ouvidos pela Reuters.

Entre os fatores para o desempenho abaixo da expectativa, o Escritório Nacional de Estatísticas da China citou o impacto de incertezas externas, a pandemia de Covid na China e enchentes, e também afirmou que “a recuperação econômica é instável e desigual”.

Sobre o Afeganistão, o grupo considerado terrorista retomou o controle do país aproveitando a retirada das tropas americanas, que foi prometida pelo presidente Barack Obama, planejada pelo presidente Donald Trump após negociações de paz com o grupo, e efetivada pelo presidente Joe Biden.

Na política nacional, as ameaças de Bolsonaro ao STF se fortaleceram depois que Alexandre de Moraes determinou a prisão de Roberto Jefferson (PTB-RJ) por ameaças contra a democracia no âmbito do inquérito sobre milícias digitais.

Segundo Ricardo Ribeiro, analista político da MCM Consultores, é preocupante a escalada das tensões e conflitos entre os Poderes. “Com essa decisão de levar pessoalmente ao Senado pedidos de impeachment contra Barroso e Moraes, Bolsonaro leva o Congresso para esse ambiente de crise institucional”, defende o analista.

Ribeiro prevê que Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e o Senado não darão andamento às ações, mas a atitude vai servir para exacerbar o antagonismo das forças bolsonaristas contra o Supremo, o que mostra o fracasso das “forças apaziguadoras”.

Para o analista, matérias como as nomeações de Augusto Aras para um novo mandato no comando da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de André Mendonça, para o STF, e até a Reforma do Imposto de Renda, devem enfrentar dificuldades no Senado.

Já a XP Política alerta que a pressão jogada por Bolsonaro sobre Pacheco amplia a distância entre o Executivo e o Senado, reforçando as dificuldades que o governo tinha para avançar sua agenda no Congresso.

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A Arko Advice, por fim, avalia que a tensão política continue aquecida, visto que Bolsonaro é alvo de quatro inquéritos no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de modo que cada processo acende o risco de novos embates.

Às 11h38 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 1,4%, a 119.497 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em leve baixa de 0,1% a R$ 5,239 na compra e a R$ 5,24 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra desvalorização de 0,29% a R$ 5,246.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai um ponto-base a 6,60%, o DI para janeiro de 2023 tem queda de dois pontos-base a 8,32%, o DI para janeiro de 2025 avança um ponto-base a 9,40% e DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de quatro pontos-base a 9,83%.

Voltando ao exterior o Produto Interno Bruto (PIB) japonês avançou 0,3% no segundo trimestre em comparação com o trimestre imediatamente anterior, quando contraiu 0,9%, segundo dados oficiais preliminares divulgados na segunda, acima da estimativa de alta de 0,2% prevista por analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters.

Relatório Focus

Os economistas do mercado financeiro elevaram mais uma vez suas projeções para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021, mostrou o Relatório Focus do Banco Central. De um avanço de 6,88%, agora espera-se que o indicador encerre o ano em um crescimento de 7,05%. Já o IPCA para 2022 foi revisado de 3,84% para 3,90%.

Em relação ao PIB, as previsões foram revisadas para baixo, saindo de expansão de 5,3% para 5,28% em 2021. Para 2022, as expectativas oscilaram de 2,05% para 2,04%.

Para o dólar, as estimativas se mantiveram em que a moeda encerre este ano cotada a R$ 5,10 e 2022 termine com um dólar valendo R$ 5,20.

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Sobre a taxa básica de juros, Selic, as projeções para 2021 foram elevadas de 7,25% ao ano para 7,50% ao ano. Para 2022, a expectativa é de que os juros se mantenham nesse patamar de 7,5%.

Covid no Brasil

No domingo (16), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 860, queda de 11% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 385 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 28.379, o que representa queda de 19% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 13.810 casos.

Chegou a 114.867.227 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 54,25% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 49.622.252 pessoas, ou 23,43% da população.

No sábado, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que o governo federal pretende antecipar a aplicação da segunda dose de vacinas da Pfizer a partir de setembro deste ano, quando todas as pessoas com mais de 18 anos já tiverem tomado ao menos uma dose de vacinas.

“À medida em que a gente avance na primeira dose, já se rediscutiu colocar a Pfizer no intervalo de 21 dias. Aí a gente avança na segunda”, afirmou Queiroga. “Nós já temos 70% da população acima de 18 anos com uma dose.”

A bula das vacinas da Pfizer indica a aplicação da segunda dose 21 dias depois da primeira, mas o governo brasileiro decidiu estender o prazo para três meses inicialmente por temor sobre o cronograma de chegada dos imunizantes ao país.

Em um evento em Brasília, Queiroga aproveitou também para criticar a decisão do governo de São Paulo de entrar na Justiça para receber doses de vacinas que, de acordo com a Secretaria de Saúde paulista, o ministério deve ao estado e não entregou.

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Queiroga insiste que São Paulo retirou doses a mais da CoronaVac diretamente do instituto Butantan, e que as doses de Pfizer não entregues seriam uma equalização.

Bolsa Família, contas públicas e política

Em live promovida pela XP Investimentos na sexta (13), o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, afirmou que os últimos cálculos da Receita Federal eram de perda de R$ 20 bilhões em arrecadação com o texto da reforma do Imposto de Renda.

“Muda muito”, afirmou ele. “Se não me engano era alguma coisa em torno de R$ 20 bilhões em termos de perda”, disse.

Ele afirmou que, nesse cenário, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios é tida como crucial para abrir espaço no Orçamento de 2022 para acomodar dentro da regra do teto de gastos o Auxílio Brasil, novo programa de transferência de renda do governo Jair Bolsonaro.

Encaminhada nesta semana ao Congresso, a PEC propõe dividir em dez parcelas o pagamento dos precatórios com valor de mais de R$ 66 milhões.

O texto também impõe uma limitação provisória dos pagamentos anuais de precatórios a 2,6% da receita corrente líquida, o que também sujeitará precatórios entre R$ 66 mil e R$ 66 milhões a eventual parcelamento.

Caso a PEC não prospere, Funchal afirma que o plano B seria a redução de gastos tributários. “Qual seria o plano B, o que a gente tem discutido? A gente precisa enviar um plano, a gente vai enviar até meados de setembro um plano de redução de gastos tributários”, afirmou.

“Aí o volume dessa compensação daria a base de compensação para o novo programa.” De acordo com Funchal, o plano vai mirar uma redução de R$ 15 bilhões em gastos tributários para 2022.

“Eu imagino que o presidente tem em mente reforma do IR para um (financiamento do novo Bolsa Família) e esse plano para o diesel”, destacou o secretário.

Segundo Funchal, a expansão do Bolsa Família para que passe a contemplar 17 milhões de famílias com um benefício médio de R$ 280 a R$ 300 demandará entre R$ 26 bilhões e R$ 28 bilhões adicionais. Atualmente, o orçamento do programa é de cerca de R$ 34,9 bilhões, alcançando 14,7 milhões de famílias e com benefício médio de R$ 190.

Em entrevista reproduzida na sexta na Rádio Jovem Pan, o ministro da Economia Paulo Guedes defendeu a proposta de parcelar os precatórios, uma medida que foi criticada em governos anteriores.

Ele disse que ministros que o antecederam negociaram com os credores o pagamento dos chamados superprecatórios, de valores mais elevados, em condições que não são conhecidas. Ele citou os ex-ministros Pedro Malan, Guido Mantega e Henrique Meirelles.

“Eu pelo menos fiz algo à luz do dia, transparente e para todos, a regra se aplica a todos”, afirmou Guedes, ressaltando que a medida dará previsibilidade a um gasto que tem crescido aceleradamente.

“Em vez de resolver o meu problema, porque falta só um ano, eu preferi dar previsibilidade fiscal para os próximos dez, quinze anos, não haverá mais saltos”, afirmou.

Ele negou que a mudança na regra tenha tido relação com despesas previstas para o Bolsa Família para 2022, ressaltando que o programa já estava orçado para o ano que vem quando “de repente” chegou uma conta de R$ 90 bilhões de precatórios, quando a previsão era que o gasto ficaria em R$ 58 bilhões.

Ele reiterou que não poderia pagar esse valor sem ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal e que sua obrigação é tornar o Orçamento exequível, por isso a proposta de parcelar os precatórios.

Em entrevista publicada nesta segunda no jornal Valor, Guedes afirmou que, sem a adoção de regras que permitam parcelar os precatórios, o governo poderia ter de recorrer à suspensão do funcionamento de alguns órgãos públicos, e mesmo de salários do funcionalismo. “Portanto, não se trata de acomodar as despesas para poder pagar o novo Bolsa Família”, assegurou.

Em fala durante o 4º Encontro Folha Business em Vitória (ES) na sexta, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que o sentimento de mercado virou em meio a preocupações mais recentes com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, incertezas sobre o financiamento do novo Bolsa Família e concessão de incentivos para setores específicos.

Ele afirmou que o compromisso com a sustentabilidade das contas públicas é crucial para o trabalho da autoridade monetária, num momento em que as taxas longas de juros voltam a atingir o patamar de dois dígitos, guiadas pelo temor dos agentes com a elevação dos gastos públicos. E disse que é impossível para qualquer Banco Central do mundo fazer o trabalho de segurar expectativas de inflação com o quadro fiscal descontrolado.

Sobre a inflação, Campos Neto avaliou que alta de preços no país foi influenciada “um pouco” pela desvalorização do real, mas citou a contribuição paralela de “vários outros fatores”, como o aumento dos custos da energia pelo problema hídrico.

Destaque ainda para a entrevista do Secretário do Tesouro, Jeferson Bittencout, ao Estadão, na qual ele reconhece os riscos de retirar os gastos financiados pela venda de ativos da União do resultado primário, inclusive para o pagamento dos chamados “dividendos sociais”. O secretário defende que a criação do fundo para abatimento das dívidas com precatórios pode servir de incentivo à desestatização e não acredita em decisão contrária do STF à PEC. Quanto ao Orçamento de 2022, diz que o governo deve enviá-lo até o final do mês, com os R$ 89 bilhões de precatórios pagos à vista e um Bolsa Família de R$ 34,8 bilhões, pois a PEC não terá tempo suficiente de tramitar até lá.

Já no sábado, um dia depois da prisão do presidente do PTB, Roberto Jefferson, o presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para afirmar que irá pedir ao Senado a abertura de processo contra os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso e ameaçou o país com uma “ruptura institucional”.

“Todos sabem das consequências, internas e externas, de uma ruptura institucional, a qual não provocamos ou desejamos. De há muito, os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, extrapolam com atos os limites constitucionais”, escreveu o presidente em suas redes sociais.

“Na próxima semana, levarei ao Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, um pedido para que instaure um processo sobre ambos, de acordo com o art. 52 da Constituição Federal”, acrescentou.

Radar corporativo

A temporada de resultados chega na sua reta final. Na noite de sexta-feira, foram divulgados os dados da CVC (CVCB3). A operadora de viagens reportou prejuízo líquido de R$ 175,570 milhões no segundo trimestre deste ano, perda 30,4% menor que a registrada um ano antes, de R$ 252,129 milhões (veja mais clicando aqui).

A Cosan (CSAN3) teve lucro líquido ajustado de R$ 750 milhões entre abril e junho, forte alta frente o ganho de R$ 23,4 milhões registrado em igual período de 2020.

A Boa Safra Sementes (SOJA3) teve lucro líquido de R$ 8,862 milhões no segundo trimestre de 2021, alta de 314,6% na base anual.

No segundo trimestre, a Vivara (VIVA3) viu seu lucro líquido atingir R$ 81,7 milhões, mais do que dobrando em relação ao mesmo período de 2019, ainda antes da pandemia. Na comparação com 2020, a companhia conseguiu reverter um prejuízo.

O Enjoei (ENJU3) teve alta do prejuízo em 10,9 vezes no segundo trimestre, para R$ 30,040 milhões. A Tecnisa (TCSA3) registrou prejuízo líquido de R$ 54 milhões no trimestre, alta de 33%.

Já a Ânima (ANIM3) teve lucro ajustado de R$ 18,7 milhões. Ambipar (AMBP3) e Méliuz (CASH3) também divulgaram seus números nesta segunda-feira antes da abertura da Bolsa. Após o fechamento, IRB (IRBR3), Cemig (CMIG4), entre outras companhias, divulgarão seus números.

Ainda em destaque, a Ultrapar (UGPA3fechou acordo para vender 100% de sua empresa de químicos especiais Oxiteno para o grupo tailandês de produtos químicos Indorama Ventures por US$ 1,3 bilhão, informaram as companhias nesta segunda-feira.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Ibovespa Futuro cai com dados da China, geopolítica e ameaças de Bolsonaro contra o STF; dólar

ações bolsa gráfico índice mercado (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em queda nesta segunda-feira (16) depois da divulgação de dados fracos da economia chinesa e da tomada do Afeganistão pelo Talibã. Por aqui, o cenário político se sobrepõe em meio aos pedidos de impeachment que o presidente Jair Bolsonaro prometeu apresentar contra os ministros Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na China, as vendas no varejo cresceram 8,5%, abaixo da expectativa de 11,5% de analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters. Já a produção industrial se expandiu em 6,4% no mesmo período, abaixo da expectativa de 7,8%, também segundo analistas ouvidos pela Reuters.

Entre os fatores para o desempenho abaixo da expectativa, o Escritório Nacional de Estatísticas da China citou o impacto de incertezas externas, a pandemia de Covid na China e enchentes, e também afirmou que “a recuperação econômica é instável e desigual”.

Sobre o Afeganistão, o grupo considerado terrorista retomou o controle do país aproveitando a retirada das tropas americanas, que foi prometida pelo presidente Barack Obama, planejada pelo presidente Donald Trump após negociações de paz com o grupo, e efetivada pelo presidente Joe Biden.

Na política nacional, as ameaças de Bolsonaro ao STF se fortaleceram depois que Alexandre de Moraes determinou a prisão de Roberto Jefferson (PTB-RJ) por ameaças contra a democracia no âmbito do inquérito sobre milícias digitais.

Às 9h13 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em agosto de 2021 tinha queda de 0,68%, a 120.400 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em alta de 0,53% a R$ 5,272 na compra e a R$ 5,273 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra ganhos de 0,21% a R$ 5,274.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 opera estável a 6,61%, o DI para janeiro de 2023 sobe dois pontos-base a 8,36%, o DI para janeiro de 2025 avança cinco pontos-base a 9,44% e DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de sete pontos-base a 9,86%.

Voltando ao exterior o Produto Interno Bruto (PIB) japonês avançou 0,3% no segundo trimestre em comparação com o trimestre imediatamente anterior, quando contraiu 0,9%, segundo dados oficiais preliminares divulgados na segunda, acima da estimativa de alta de 0,2% prevista por analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters.

Relatório Focus

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Os economistas do mercado financeiro elevaram mais uma vez suas projeções para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021, mostrou o Relatório Focus do Banco Central. De um avanço de 6,88%, agora espera-se que o indicador encerre o ano em um crescimento de 7,05%. Já o IPCA para 2022 foi revisado de 3,84% para 3,90%.

Em relação ao PIB, as previsões foram revisadas para baixo, saindo de expansão de 5,3% para 5,28% em 2021. Para 2022, as expectativas oscilaram de 2,05% para 2,04%.

Para o dólar, as estimativas se mantiveram em que a moeda encerre este ano cotada a R$ 5,10 e 2022 termine com um dólar valendo R$ 5,20.

Sobre a taxa básica de juros, Selic, as projeções para 2021 foram elevadas de 7,25% ao ano para 7,50% ao ano. Para 2022, a expectativa é de que os juros se mantenham nesse patamar de 7,5%.

Covid no Brasil

No domingo (16), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 860, queda de 11% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 385 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 28.379, o que representa queda de 19% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 13.810 casos.

Chegou a 114.867.227 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 54,25% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 49.622.252 pessoas, ou 23,43% da população.

No sábado, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que o governo federal pretende antecipar a aplicação da segunda dose de vacinas da Pfizer a partir de setembro deste ano, quando todas as pessoas com mais de 18 anos já tiverem tomado ao menos uma dose de vacinas.

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“À medida em que a gente avance na primeira dose, já se rediscutiu colocar a Pfizer no intervalo de 21 dias. Aí a gente avança na segunda”, afirmou Queiroga. “Nós já temos 70% da população acima de 18 anos com uma dose.”

A bula das vacinas da Pfizer indica a aplicação da segunda dose 21 dias depois da primeira, mas o governo brasileiro decidiu estender o prazo para três meses inicialmente por temor sobre o cronograma de chegada dos imunizantes ao país.

Em um evento em Brasília, Queiroga aproveitou também para criticar a decisão do governo de São Paulo de entrar na Justiça para receber doses de vacinas que, de acordo com a Secretaria de Saúde paulista, o ministério deve ao estado e não entregou.

Queiroga insiste que São Paulo retirou doses a mais da CoronaVac diretamente do instituto Butantan, e que as doses de Pfizer não entregues seriam uma equalização.

Bolsa Família, contas públicas e política

Em live promovida pela XP Investimentos na sexta (13), o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, afirmou que os últimos cálculos da Receita Federal eram de perda de R$ 20 bilhões em arrecadação com o texto da reforma do Imposto de Renda.

“Muda muito”, afirmou ele. “Se não me engano era alguma coisa em torno de R$ 20 bilhões em termos de perda”, disse.

Ele afirmou que, nesse cenário, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios é tida como crucial para abrir espaço no Orçamento de 2022 para acomodar dentro da regra do teto de gastos o Auxílio Brasil, novo programa de transferência de renda do governo Jair Bolsonaro.

Encaminhada nesta semana ao Congresso, a PEC propõe dividir em dez parcelas o pagamento dos precatórios com valor de mais de R$ 66 milhões.

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O texto também impõe uma limitação provisória dos pagamentos anuais de precatórios a 2,6% da receita corrente líquida, o que também sujeitará precatórios entre R$ 66 mil e R$ 66 milhões a eventual parcelamento.

Caso a PEC não prospere, Funchal afirma que o plano B seria a redução de gastos tributários. “Qual seria o plano B, o que a gente tem discutido? A gente precisa enviar um plano, a gente vai enviar até meados de setembro um plano de redução de gastos tributários”, afirmou.

“Aí o volume dessa compensação daria a base de compensação para o novo programa.” De acordo com Funchal, o plano vai mirar uma redução de R$ 15 bilhões em gastos tributários para 2022.

“Eu imagino que o presidente tem em mente reforma do IR para um (financiamento do novo Bolsa Família) e esse plano para o diesel”, destacou o secretário.

Segundo Funchal, a expansão do Bolsa Família para que passe a contemplar 17 milhões de famílias com um benefício médio de R$ 280 a R$ 300 demandará entre R$ 26 bilhões e R$ 28 bilhões adicionais. Atualmente, o orçamento do programa é de cerca de R$ 34,9 bilhões, alcançando 14,7 milhões de famílias e com benefício médio de R$ 190.

Em entrevista reproduzida na sexta na Rádio Jovem Pan, o ministro da Economia Paulo Guedes defendeu a proposta de parcelar os precatórios, uma medida que foi criticada em governos anteriores.

Ele disse que ministros que o antecederam negociaram com os credores o pagamento dos chamados superprecatórios, de valores mais elevados, em condições que não são conhecidas. Ele citou os ex-ministros Pedro Malan, Guido Mantega e Henrique Meirelles.

“Eu pelo menos fiz algo à luz do dia, transparente e para todos, a regra se aplica a todos”, afirmou Guedes, ressaltando que a medida dará previsibilidade a um gasto que tem crescido aceleradamente.

“Em vez de resolver o meu problema, porque falta só um ano, eu preferi dar previsibilidade fiscal para os próximos dez, quinze anos, não haverá mais saltos”, afirmou.

Ele negou que a mudança na regra tenha tido relação com despesas previstas para o Bolsa Família para 2022, ressaltando que o programa já estava orçado para o ano que vem quando “de repente” chegou uma conta de R$ 90 bilhões de precatórios, quando a previsão era que o gasto ficaria em R$ 58 bilhões.

Ele reiterou que não poderia pagar esse valor sem ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal e que sua obrigação é tornar o Orçamento exequível, por isso a proposta de parcelar os precatórios.

Em entrevista publicada nesta segunda no jornal Valor, Guedes afirmou que, sem a adoção de regras que permitam parcelar os precatórios, o governo poderia ter de recorrer à suspensão do funcionamento de alguns órgãos públicos, e mesmo de salários do funcionalismo. “Portanto, não se trata de acomodar as despesas para poder pagar o novo Bolsa Família”, assegurou.

Em fala durante o 4º Encontro Folha Business em Vitória (ES) na sexta, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que o sentimento de mercado virou em meio a preocupações mais recentes com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, incertezas sobre o financiamento do novo Bolsa Família e concessão de incentivos para setores específicos.

Ele afirmou que o compromisso com a sustentabilidade das contas públicas é crucial para o trabalho da autoridade monetária, num momento em que as taxas longas de juros voltam a atingir o patamar de dois dígitos, guiadas pelo temor dos agentes com a elevação dos gastos públicos. E disse que é impossível para qualquer Banco Central do mundo fazer o trabalho de segurar expectativas de inflação com o quadro fiscal descontrolado.

Sobre a inflação, Campos Neto avaliou que alta de preços no país foi influenciada “um pouco” pela desvalorização do real, mas citou a contribuição paralela de “vários outros fatores”, como o aumento dos custos da energia pelo problema hídrico.

Destaque ainda para a entrevista do Secretário do Tesouro, Jeferson Bittencout, ao Estadão, na qual ele reconhece os riscos de retirar os gastos financiados pela venda de ativos da União do resultado primário, inclusive para o pagamento dos chamados “dividendos sociais”. O secretário defende que a criação do fundo para abatimento das dívidas com precatórios pode servir de incentivo à desestatização e não acredita em decisão contrária do STF à PEC. Quanto ao Orçamento de 2022, diz que o governo deve enviá-lo até o final do mês, com os R$ 89 bilhões de precatórios pagos à vista e um Bolsa Família de R$ 34,8 bilhões, pois a PEC não terá tempo suficiente de tramitar até lá.

Já no sábado, um dia depois da prisão do presidente do PTB, Roberto Jefferson, o presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para afirmar que irá pedir ao Senado a abertura de processo contra os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso e ameaçou o país com uma “ruptura institucional”.

“Todos sabem das consequências, internas e externas, de uma ruptura institucional, a qual não provocamos ou desejamos. De há muito, os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, extrapolam com atos os limites constitucionais”, escreveu o presidente em suas redes sociais.

“Na próxima semana, levarei ao Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, um pedido para que instaure um processo sobre ambos, de acordo com o art. 52 da Constituição Federal”, acrescentou.

Radar corporativo

A temporada de resultados chega na sua reta final. Na noite de sexta-feira, foram divulgados os dados da CVC (CVCB3). A operadora de viagens reportou prejuízo líquido de R$ 175,570 milhões no segundo trimestre deste ano, perda 30,4% menor que a registrada um ano antes, de R$ 252,129 milhões (veja mais clicando aqui).

A Cosan (CSAN3) teve lucro líquido ajustado de R$ 750 milhões entre abril e junho, forte alta frente o ganho de R$ 23,4 milhões registrado em igual período de 2020.

A Boa Safra Sementes (SOJA3) teve lucro líquido de R$ 8,862 milhões no segundo trimestre de 2021, alta de 314,6% na base anual.

No segundo trimestre, a Vivara (VIVA3) viu seu lucro líquido atingir R$ 81,7 milhões, mais do que dobrando em relação ao mesmo período de 2019, ainda antes da pandemia. Na comparação com 2020, a companhia conseguiu reverter um prejuízo.

O Enjoei (ENJU3) teve alta do prejuízo em 10,9 vezes no segundo trimestre, para R$ 30,040 milhões. A Tecnisa (TCSA3) registrou prejuízo líquido de R$ 54 milhões no trimestre, alta de 33%.

Já a Ânima (ANIM3) teve lucro ajustado de R$ 18,7 milhões. Ambipar (AMBP3) e Méliuz (CASH3) também divulgaram seus números nesta segunda-feira antes da abertura da Bolsa. Após o fechamento, IRB (IRBR3), Cemig (CMIG4), entre outras companhias, divulgarão seus números.

Ainda em destaque, a Ultrapar (UGPA3fechou acordo para vender 100% de sua empresa de químicos especiais Oxiteno para o grupo tailandês de produtos químicos Indorama Ventures por US$ 1,3 bilhão, informaram as companhias nesta segunda-feira.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

Quer atingir de uma vez por todas a consistência na Bolsa? Assista de graça ao workshop “Os 4 Segredos do Trader Faixa Preta” com Ariane Campolim.

Bolsonaro libera venda direta de etanol de usinas para postos

O presidente da República, Jair Bolsonaro, participou de evento nesta quarta-feira, 11, para anunciar a liberação para que produtores ou importadores de etanol hidratado vendam diretamente para postos de combustíveis. A prática vai ser autorizada por uma medida provisória, que tem força de lei mas precisa ser aprovada pelo Congresso em 120 dias.

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse que a possibilidade de venda direta de etanol hidratado dos usineiros para os postos de gasolina, sem a necessidade de um distribuidor, permitirá ampliar as relações comerciais e fomentar novos arranjos de negócios no setor.

“Em conjunto com as demais ações do governo para aumento do mercado, essa medida estimula a competição e carrega o potencial de reduzir os preços os combustíveis. Queremos um ambiente de negócios propício à realização de investimentos e ao pleno desenvolvimento do setor de combustíveis, tendo como foco principal o consumidor”, afirmou, em cerimônia no Palácio do Planalto.

Promessa do presidente Jair Bolsonaro, a venda direta de etanol das usinas para os postos de combustíveis vinha sendo estudada desde 2019, conforme o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) já noticiou.

Para abrir caminho para essa operação direta, o governo precisava fazer ajustes para dar suporte legal e tributário à medida. Uma das alternativas que vinha sendo estudada era a edição de uma MP para unificar a cobrança do PIS/Cofins sobre o etanol hidratado – hoje dividida entre produtores e distribuidores – apenas nas usinas.

A regulamentação via MP e a adoção da cobrança em uma só etapa do PIS/Cofins era defendida pela Receita Federal, por reduzir as chances de evasão fiscal. Parte do setor, no entanto, afirma que essa mudança abre margem para sonegação e falsificação e que não reduzirá a questão do preço ao consumidor. A proposta, porém, atende a uma demanda de usineiros do Nordeste.

Segundo o MME, a MP também vai permitir aos pontos vender combustíveis de outras marcas, desde que devidamente informado ao consumidor – conhecida como “tutela regulatória da fidelidade à bandeira”. Com a autorização, postos das bandeiras Shell, Ipiranga ou BR poderão vender combustíveis de outros fornecedores, sempre informando ao cliente.

“A ação foi tomada a partir de deliberação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e estudos realizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) com o objetivo de aumentar a concorrência, beneficiando o consumidor final”, diz o MME em nota.

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Lei que transforma times de futebol em empresas é sancionada

SÃO PAULO – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou na última sexta-feira (9) um projeto de lei que permite a transformação de clubes de futebol em empresas, criando a figura da Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

De autoria do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), o texto foi aprovado em junho pelo Senado e em julho pela Câmara dos Deputados.

Atualmente, os clubes de futebol atuam como sociedades sem fins lucrativos.

Com a lei clube-empresa, contudo, as equipes poderão pedir recuperação judicial, negociando as dívidas por meio do Poder Judiciário, bem como capitalizar recursos por meio da emissão de títulos de dúvida, como debêntures (as chamadas debêntures-fut).

A proposta engloba apenas os times femininos e masculinos de futebol, excluindo a possibilidade de outros esportes, como o vôlei, por exemplo, migrarem para a SAF, e bloqueia entidades, federações e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de se transformem em uma SAF.

O texto dá ainda um prazo de seis anos, prorrogáveis por mais quatro anos, para o clube quitar suas dívidas cível e trabalhista.

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Ruído fiscal e político aumentam volatilidade, mas por enquanto não mudam cenário para Bolsa e dólar

Volatilidade (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa e o dólar, nos últimos dias, têm apresentado bastante volatilidade devido ao cenário político. Ao que parece, esses fatores devem continuar a fazer preço, visto que não há solução simples à vista conforme se aprofunda a crise institucional do país e se aproxima o ano de 2022, que será marcado por eleições presidenciais.

No entanto, isso não significa que a tendência de alta para a Bolsa se inverteu completamente. Para Jennie Li, estrategista de ações da XP, por enquanto as notícias sobre aumento do benefício do Bolsa Família, Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos precatórios, novo Refis e discussões sobre o sistema eleitoral ainda são questões em que nada está decidido.

“Acho que por enquanto só aumenta a volatilidade por conta disso. Para nós da XP, o Ibovespa segue com preço-alvo de 145 mil pontos, pois nada disso foi decidido ou aprovado, então não incorporamos esses ruídos nas nossas projeções”, comenta.

Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, tem uma visão semelhante. Na opinião dele, o ponto mais relevante desse cenário é que com a elevação da Selic a 5,25% ao ano e comunicado mais hawkish (favorável a seguir com aperto monetário) do Comitê de Política Monetária (Copom) ao mesmo tempo em que o Federal Reserve reluta até mesmo em reduzir as compras mensais de ativos realizadas para estimular a economia, o mercado brasileiro poderia ver uma valorização dos ativos e do real devido ao diferencial de juros, algo que não ocorre porque instabilidade política tem que ser precificada.

“Estamos perdendo uma oportunidade. A vacinação avança no mundo, a economia americana está se recuperando bem como mostraram os dados do Relatório de Emprego e a inflação de alimentos está se reduzindo, então o cenário externo é positivo, mas nem o real se valorizou e nem a Bolsa está conseguindo engatar mais altas”, avalia.

Vieira explica que nenhum investidor quer instabilidade, de modo que cada notícia sobre crise institucional ou quebra do teto de gastos embute mais risco aos investimentos no Brasil.

Entretanto, o economista também enxerga o horizonte como imponderável, sem qualquer fator que realmente sirva para inverter a tendência de valorização que a Bolsa registra no Brasil. “Não sabemos para que ponto vai e o que efetivamente está acontecendo nessa situação política. Se é cortina de fumaça ou recuo institucional. Pode ter todo cenário possível e imaginável, e isso entra no preço, especialmente nas curvas e no câmbio.”

Jennie Li diz que a figura seria outra se fosse sancionada uma PEC de precatórios com muita coisa fora do teto, um Refis excessivamente benevolente e um aumento muito expressivo no Bolsa Família sem recursos no Orçamento para isso.

Por outro lado, a estrategista aponta que, por enquanto, o fator político mais importante para investimentos em Bolsa no longo prazo continua sendo a reforma tributária, pois ela tem impactos quantificáveis no balanço das empresas e, para períodos mais longos, o que realmente impacta o mercado de ações é a capacidade das empresas de gerar resultado.

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“Essa briga institucional é barulho, acho difícil vermos algo muito grave, mas a Bolsa cai com essas notícias porque geram incerteza”, conclui.

Impacto da política na Bolsa esta semana

Na segunda-feira, o índice parecia que teria alta de mais de 1%, mas amenizou ganhos no fim da sessão e avançou apenas 0,59% com informações de que o Bolsa Família teria seu benefício médio elevado de R$ 250 para R$ 400 por meio de recursos fora do teto de gastos. O dólar caiu 0,86%.

Já na terça, houve algum alívio e o benchmark avançou 0,9%, enquanto o dólar subiu 0,53%, com o governo desmentido a notícia do dia anterior e o senador Celso Sabino (PSDB-PA), relator da reforma do Imposto de Renda, afirmando que o novo parecer tem impacto neutro e elimina o rombo anterior de R$ 30 bilhões.

Na quarta, o cenário político deu trégua, mas dados fracos nos Estados Unidos fizeram a Bolsa recuar 1,44% e o dólar ter queda de 0,13%.

Quinta-feira, o Ibovespa parecia que iria voltar a subir, mas notícias de um novo Refis que garante até 90% de corte na dívida das empresas e 12 anos para pagar fizeram o índice cair 0,14% enquanto o dólar subiu 0,57%.

Por fim, nesta sexta-feira (6), o Ibovespa subiu 0,97% seguindo o exterior e notícias de que o governo pode vetar partes do texto do Refis aprovado no Senado, o que garantiu à Bolsa não recuar na semana apesar de toda a volatilidade.

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