Maia aponta privatização da Sabesp como prioridade como novo secretário de SP; ações disparam

(Marcelo Camargo/Ag. Brasil)

SÃO PAULO – Novo integrante da gestão João Doria (PSDB), o ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (sem partido) tomou posse como secretário de Projetos e Ações Estratégicas do governo de São Paulo nesta sexta-feira (20) e disse que uma das prioridades de sua gestão é organizar a concessão ou privatização da Sabesp.

“Acho que é uma coisa simbólica [a privatização da Sabesp]. Organizar a privatização, a concessão, deixar isso organizado até o final da minha gestão junto com o governador Doria e o vice-governador Rodrigo Garcia será uma marca importante da minha gestão”, afirmou em resposta a jornalistas.

Após a fala, a ação da Sabesp passou a disparar, chegando a saltar 14,80%, a R$ 37,85. Às 11h38 (horário de Brasília), o ativo disparava 12,86%, a R$ 37,21.

Na breve coletiva de imprensa após tomar posse, Maia afirmou estar “começando a estudar a pasta”. Ele teve uma reunião mais cedo com o vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), na qual disse que “o único tema tratado” foi a desestatização da companhia.

O governador João Doria afirmou que o novo secretário atuará para acelerar os programas de privatizações, concessões, desestatizações no estado, usando de sua experiência parlamentar e dos relacionamentos construídos com empresários e investidores nacionais e internacionais.

“O deputado Rodrigo Maia acumulou, ao longo dos anos, um extraordinária experiência na interpretação de legislação, na vocação liberal, que sempre o moveu em seus mandatos, nos seus pronunciamentos e na sua interlocução com os setores econômicos no Brasil e no exterior”, disse.

Simbologia

Do ponto de vista político, a nomeação de Rodrigo Maia para o cargo de secretário de Projetos e Ações Estratégicas do governo de São Paulo é carregado de simbologia.

No caso de Doria, trata-se de mais um esforço pela nacionalização de seu nome de olho na corrida presidencial de 2022 em um momento de dificuldades para crescer nas pesquisas.

Com um secretariado repleto de ex-ministros – casos de Henrique Meirelles (Fazenda), Alexandre Baldy (Transportes Metropolitanos) e Sérgio Sá Leitão (Cultura) – e figuras políticas de outros estados, o governador tenta dar um ar nacional e plural à sua gestão.

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O movimento também ocorre em meio à disputa de diversos nomes da política pelo selo de candidato do “centro” nas próximas eleições para o Palácio do Planalto. No ninho tucano, Doria tenta superar figuras como Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e o senador Tasso Jereissati (CE).

Ao trazer Maia com um foco especial na pauta das privatizações, há também um esforço de Doria em recuperar a imagem de político liberal no momento em que os compromissos fiscais do governo Jair Bolsonaro são colocados em xeque pelo mercado.

Durante a cerimônia, Doria colocou São Paulo como “o estado que mais desestatiza no Brasil” e provocou: “um governo liberal promete e cumpre”.

Já Rodrigo Maia, que perdeu enorme capital político ao não conseguir fazer o sucessor na disputa pelo comando da Câmara dos Deputados, embarca cedo na campanha presidencial do governador. Na posse, ele foi enfático na defesa do nome de Doria contra a possível ida de Bolsonaro ao segundo turno.

“Minha sinalização clara, é que está na hora de a gente parar de brincar de fazer política e compreender que o natural é a gente fortalecer um projeto no nosso campo… E temos um nome que tem todas as condições de liderar esse processo, que é o nome do governador João Doria. Minha sinalização política está dada”, disse.

“Está na hora de todos aqueles que falam em independência ao governo federal, da necessidade de mudar, tenham a responsabilidade de deixar claro que precisamos construir um caminho. Não teremos cinco caminhos, teremos um caminho”, continuou.

O novo secretário do governo paulista descartou a possibilidade de mudança de domicílio eleitoral ou de compor a vice em uma chapa presidencial e disse que deve disputar o cargo de deputado federal nas próximas eleições.

Seu movimento, além de fortalecer Doria, poderá auxiliar nas articulações políticas no campo do “centro”, agregando figuras relevantes deste espectro político no Rio de Janeiro. “Meu projeto no Rio é 100% vinculado ao prefeito Eduardo Paes”, destacou.

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Petrobras rebate Doria e diz que diesel nas refinarias teve queda de 14% em 2020

João Doria (Valter Campanato/Agência Brasil) João Doria

A Petrobras (PETR3; PETR4) informou nesta sexta-feira que o preço de venda do diesel sofreu redução de 14% nas refinarias em 2020, de R$ 2,33 em janeiro para R$ 2,02 ao fim de dezembro. “Em lugar dos supostos ‘sucessivos aumentos’ ocorreu, de fato, redução de 14% no preço do diesel”, informou a petroleira em comunicado.

A fala acontece em resposta ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que cobrou do governo federal a manutenção das formas de cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de combustíveis sob o risco de “vulnerabilizar o equilíbrio fiscal dos Estados brasileiros”.

De acordo com Doria, durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, nesta sexta-feira, “em 2020, a Petrobras promoveu 32 reajustes de diesel”. “A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) revelou que o preço médio do diesel subiu sete semanas consecutivas nos postos de combustível do Brasil”.

Para Doria, conforme disse mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro tem mecanismos, tanto em âmbito federal, quanto da estatal Petrobras, para estabelecer “o entendimento que julgar conveniente” a fim de reduzir o preço dos combustíveis, sem que haja pena para as unidades federativas.

Segundo a Petrobras, “entre o fim de 2019 e o início de maio de 2020, o preço médio de venda do diesel em suas refinarias foi reduzido em 44,2%, mas nos postos só houve 14,4% de queda”.

Segundo a estatal, “o preço praticado pela Petrobras é responsável por menos da metade do que o consumidor paga pelo produto na bomba”. “O restante se deve a impostos federais, ICMS, adição obrigatória de biodiesel e remuneração das distribuidoras e revendedores de combustíveis. A prática de ajustes de preços adotada pela Petrobras é empregada na maioria dos países, mesmo naqueles produtores relevantes de petróleo, na medida em que os combustíveis são commodities globais.”

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Ibovespa cai com correção das bolsas internacionais, risco fiscal e aumento da restrição em SP; dólar sobe a R$ 5,45

ações bolsa mercado stocks índices gráficos (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira (22) com as bolsas internacionais corrigindo a sequência de altas recentes, na qual bateram recordes históricos, e os investidores por aqui ainda monitoram o noticiário sobre a pauta fiscal do governo.

Na véspera, o candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro à presidência do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse ser necessário retomar a discussão sobre um auxílio aos mais necessitados frente à crise provocada pelo coronavírus.

Pesquisa XP/Ipespe do início da semana mostrou queda de 38% para 32% na aprovação do presidente. Analistas acreditam que a tendência de retração na sua popularidade fará com que Bolsonaro adote políticas de assistência social mesmo que elas furem o teto de gastos, pois isso lhe garantia maior aprovação de olho nas eleições de 2022.

Também no radar, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou hoje medidas mais rígidas para conter o avanço da Covid-19. O estado foi colocado na fase vermelha, que proíbe o funcionamento de bares, restaurantes, comércio e shoppings no fim de semana, e entre 20h e 6h nos dias úteis. A decisão vem após São Paulo registrar três semanas seguidas com mais de 10 mil novos casos de coronavírus.

Vale lembrar que São Paulo já começou a vacinar as pessoas na linha de frente do combate à doença com o imunizante CoronaVac.

Por outro lado, uma boa notícia pode ser a chegada ao Brasil de 2 milhões de doses da vacina desenvolvida em parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford, produzidas pelo Instituto Serum, da Índia.

Às 13h50 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 1,16%, a 116.960 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial sobe 1,67% a R$ 5,4525 na compra e a R$ 5,4535 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em fevereiro tem ganhos de 1,92%, a R$ 5,454.

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No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai quatro pontos-base a 3,35%, o DI para janeiro de 2023 tem queda de cinco pontos-base a 5,10%, o DI para janeiro de 2025 sobe sete pontos-base a 6,73% e o DI para janeiro de 2025 registra variação positiva de 12 pontos-base a 7,42%.

Voltando ao cenário internacional, as farmacêuticas Pfizer e BioNTech concordaram em fornecer imunizantes ao projeto Covax Facility da Organização Mundial de Saúde (OMS), focado em países de baixa renda. As informações foram publicadas na quinta-feira pela agência internacional de notícias Reuters, que citou duas fontes cujo nome não foi identificado.

Os investidores também ficam atentos à votação no Senado dos EUA para a nomeação de Janet Yellen como secretária do Tesouro da administração do democrata Joe Biden.

Nesta sexta foram divulgados dados sobre a atividade na zona do euro, medidos pelo índice PMI (sigla em inglês para índice do gerente de compras) composto Markit, que mede o desempenho de indústria e serviços. O índice teve queda a 47,5 pontos em janeiro, frente 49,1 em dezembro. Qualquer leitura abaixo de 50 indica retração; acima, expansão da atividade.

O PMI Composto preliminar do IHS Markit caiu mais ainda abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração, chegando a 47,5 em janeiro de 49,1 em dezembro. Pesquisa da Reuters apontava queda a 47,6.

“Uma recessão de duplo mergulho para a economia da zona do euro está parecendo cada vez mais inevitável já que as restrições mais rigorosas devido à Covid-19 afetaram ainda mais as empresas em janeiro”, disse Chris Williamson, economista-chefe do IHS Markit.

As ações asiáticas tiveram quedas à medida que investidores buscando embolsar os ganhos dos dias anteriores, impulsionadas pela expectativa de que o novo presidente dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden, consiga aprovar amplos pacotes de estímulos.

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Os mercados asiáticos também foram negativamente influenciados pela expectativa de que a China volte a implementar restrições para reduzir o risco de avanço da pandemia no país. O número de novos casos vem crescendo. Na quinta, a China registrou 144 diagnósticos. O patamar fica bem abaixo dos 6.905 registrados em 11 de fevereiro, mas acende uma luz vermelha, à medida que significa avanço do ritmo de contaminação.

As ações da petroleira chinesa CNOOC caíram 5,57% após o anúncio de que a empresa será retirada dos índices ACWI e MSCI. Na semana passada, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos, ainda sob a gestão de Donald Trump, anunciou que havia incluído a CNOOC em uma lista que restringe os itens que pode receber dos Estados Unidos.

Covid no Brasil

O consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil divulgou, às 20h de quinta (21), o avanço da pandemia em 24 h no país.

A média móvel de casos confirmados em 7 dias foi de 53.386, alta de 18% frente ao período encerrado 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 59.946 casos. A média móvel de mortes em 7 dias foi de 1.010, alta de 16% frente ao patamar registrado 14 dias antes. Em apenas um dia foram registradas 1.335 mortes, o maior patamar desde o dia 4 de agosto.

Nesta sexta, a gestão de João Doria (PSDB) anunciará uma nova classificação das regiões do estado de São Paulo no plano que determina o grau de restrição como forma de buscar reduzir o ritmo de contágio por Covid.

Segundo a Folha de S. Paulo, a partir das 20h desta sexta, passará a valer a fase vermelha, a mais restritiva, para todas as cidades. A medida será reproduzida nas outras semanas e, nos finais de semana e feriados, valerá durante o dia e a noite.

Assim, bares, restaurantes e comércio considerado não essencial, como shopping centers e salões, deixarão de funcionar até a manhã seguinte. A medida se deve à alta de 42% nos casos no estado em um mês, e alta de 39% nas mortes.

Também nesta sexta, a Anvisa decidirá sobre o segundo pedido emergencial do Instituto Butantan para a CoronaVac, referente a mais de 4,8 milhões de doses do imunizante da farmacêutica chinesa Sinovac. No domingo, a Anvisa liberou as primeiras 6 milhões de doses que haviam chegado da China.

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Também devem chegar nesta sexta 2 milhões de doses da vacina desenvolvida em parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford, produzidas pelo Instituto Serum, da Índia. Na semana passada, o Brasil preparou um avião para buscar o imunizante, cujo envio foi, no entanto, atrasado.

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) informou que pretende checar qualidade, segurança, rotulagem e etiquetagem para estar com o material pronto para aplicação no sábado (23) à tarde. Até o momento, a vacina havia sido enviada pela Índia apenas para países vizinhos.

Em ao menos 12 estados e no Distrito Federal há denúncias de que políticos, empresários e funcionários públicos receberam doses da CoronaVac mesmo não fazendo parte dos grupos prioritários. Na quinta, a vacinação foi suspensa em Manaus e Tupã (interior de São Paulo). Houve denúncias de privilégio a médicas e parentes de empresários locais em Manaus, e da vacinação de um integrante da administração da Santa Casa em Tupã. Os casos são investigados pelo Ministério Público Federal.

Auxílio emergencial é tema na disputa pelo Congresso

Segundo a Folha de S. Paulo, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) deve adotar um tom mais amigável em relação à participação da gigante chinesa Huawei no leilão de tecnologia 5G no Brasil, buscando agilizar a importação de insumos para a produção de vacinas contra a Covid.

Na quinta, os dois candidatos apoiados por Bolsonaro (sem partido) para as presidências das Casas do Congresso fizeram declarações sobre uma possível nova rodada de auxílio emergencial para aqueles mais afetados pela crise de Covid.

O senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato à presidência do Senado, afirmou à agência internacional de notícias Bloomberg que será necessário “sacrificar algumas premissas econômicas para poder manter alguma forma de socorro a essas pessoas [as mais pobres] (…) O teto de gastos foi uma medida importante, ele deve ser observado, mas vivemos estado de necessidade absolutamente excepcional, com pessoas morrendo e desempregadas, então é preciso que o Estado as socorra”.

Em entrevista a O Globo, afirmou que, em um primeiro passo, Senado, Câmara e Ministério da Economia encontrariam “uma forma de compatibilizar a responsabilidade fiscal com a necessidade da assistência social a essas pessoas”.

Candidato à presidência da Câmara, o deputado Arthur Lira (PP-AL) afirmou que um potencial novo programa seria desenhado “de forma que o mercado possa suportar”. Ele respondia a uma pergunta em evento da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), na capital paulista. As falas foram mal recebidas pelos mercados, e Lira foi às redes sociais para afirmar que “qualquer discussão sobre eventual auxílio emergencial adicional deve ser feita de forma responsável e acompanhada do aprofundamento de reformas”.

Recentemente, Lira se beneficiou da adesão de deputados do PSL a sua candidatura, na disputa contra Baleia Rossi (MDB-SP), que é apoiado pelo atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O comando do MDB busca recuperar dissidentes.

Nesta sexta, a Folha de S. Paulo estampa como reportagem de capa um trabalho de compilação de 23 situações em que o presidente Jair Bolsonaro promoveu atitudes que, segundo o jornal, poderiam ser enquadradas como crime de responsabilidade, destacando a publicação de um vídeo pornográfico nas redes sociais e o apoio a atos antidemocráticos, além da atuação na pandemia. Segundo o jornal, a crise sanitária teria ampliado a base jurídica para um potencial impeachment.

Radar corporativo

Em destaque no noticiário, a Vale e o governo de Minas Gerais não chegaram a um acordo global sobre reparações pelo desastre de Brumadinho e as negociações estão encerradas, disse nesta quinta-feira o secretário-geral da administração estadual, Mateus Simões. “Estamos saindo da última audiência de mediação com a Vale, última porque não haverá uma nova audiência”, afirmou ele.

“No entanto, foi dado um prazo de uma semana para que a Vale possa apresentar uma nova proposta de valor. É o momento de a Vale agir com responsabilidade, agir com dignidade e reparar os danos que foram causados”, acrescentou o secretário.

Ainda chamando a atenção do mercado, a Oi receberá as propostas para o leilão de fibra óptica. De acordo com a Bloomberg, o Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) associou-se a um fundo gerido pelo Banco BTG Pactual SA para apresentar oferta vinculante pela unidade.

Já a Wiz anunciou que fez acordo para formar uma corretora de seguros com a montadora de veículos Caoa, com participação de 50% cada no negócio. A Caoa tem uma rede de 233 concessionárias de veículos, sendo 156 próprias e, no fim de 2019, entrou no mercado de locação de automóveis. A marca é distribuidora oficial das marcas Subaru, Hyundai e Chery no Brasil.

A Gafisa apresentou seu guidance, prevendo dobrar lançamentos em 2021, para até R$ 1,7 bilhão.

A Eletropar braço de participações da Eletrobras, informou nesta quinta-feira que vendeu todas as ações que tinha da Light. As operações aconteceram na B3 entre 8 e 20 de janeiro. No radar da Eletrobras, ainda está a redução de recomendação das ações pelo Bradesco BBI para neutra após a fala de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato à presidência do Senado, de que a privatização da estatal não é uma prioridade.

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Ibovespa Futuro cai com correção das bolsas internacionais, risco fiscal e expectativa por vacinas; dólar sobe a R$ 5,40

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em queda nesta sexta-feira (22) com as bolsas internacionais corrigindo a sequência de altas recentes na qual bateram recordes históricos e os investidores por aqui ainda monitorando o noticiário sobre a pauta fiscal do governo.

Na véspera, o candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro à presidência do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse ser necessário retomar a discussão sobre um auxílio aos mais necessitados frente à crise provocada pelo coronavírus.

Também há expectativa pela entrevista coletiva que o governador de São Paulo, João Doria, concederá, e que pode envolver o anúncio de regras de isolamento social mais duras no estado por conta do aumento de casos e mortes. Vale lembrar que São Paulo já começou a vacinar as pessoas na linha de frente do combate à doença com o imunizante CoronaVac.

Por outro lado, uma boa notícia pode ser a chegada ao Brasil de 2 milhões de doses da vacina desenvolvida em parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford, produzidas pelo Instituto Serum, da Índia.

Às 9h11 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em fevereiro de 2021 tinha queda de 1,26%, a 116.655 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial sobe 0,79% a R$ 5,4057 na compra e a R$ 5,4062 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em fevereiro tem ganhos de 1,12%, a R$ 5,412.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 opera estável a 3,39%, o DI para janeiro de 2023 sobe três pontos-base a 5,18%, o DI para janeiro de 2025 avança seis pontos-base a 6,72% e o DI para janeiro de 2025 registra variação positiva de oito pontos-base a 7,38%.

Voltando ao cenário internacional, as farmacêuticas Pfizer e BioNTech concordaram em fornecer imunizantes ao projeto Covax Facility da Organização Mundial de Saúde (OMS), focado em países de baixa renda. As informações foram publicadas na quinta-feira pela agência internacional de notícias Reuters, que citou duas fontes cujo nome não foi identificado.

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Os investidores também ficam atentos à votação no Senado dos EUA para a nomeação de Janet Yellen como secretária do Tesouro da administração do democrata Joe Biden.

Nesta sexta foram divulgados dados sobre a atividade na zona do euro, medidos pelo índice PMI (sigla em inglês para índice do gerente de compras) composto Markit, que mede o desempenho de indústria e serviços. O índice teve queda a 47,5 pontos em janeiro, frente 49,1 em dezembro. Qualquer leitura abaixo de 50 indica retração; acima, expansão da atividade.

O PMI Composto preliminar do IHS Markit caiu mais ainda abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração, chegando a 47,5 em janeiro de 49,1 em dezembro. Pesquisa da Reuters apontava queda a 47,6.

“Uma recessão de duplo mergulho para a economia da zona do euro está parecendo cada vez mais inevitável já que as restrições mais rigorosas devido à Covid-19 afetaram ainda mais as empresas em janeiro”, disse Chris Williamson, economista-chefe do IHS Markit.

As ações asiáticas tiveram quedas à medida que investidores buscando embolsar os ganhos dos dias anteriores, impulsionadas pela expectativa de que o novo presidente dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden, consiga aprovar amplos pacotes de estímulos.

Os mercados asiáticos também foram negativamente influenciados pela expectativa de que a China volte a implementar restrições para reduzir o risco de avanço da pandemia no país. O número de novos casos vem crescendo. Na quinta, a China registrou 144 diagnósticos. O patamar fica bem abaixo dos 6.905 registrados em 11 de fevereiro, mas acende uma luz vermelha, à medida que significa avanço do ritmo de contaminação.

As ações da petroleira chinesa CNOOC caíram 5,57% após o anúncio de que a empresa será retirada dos índices ACWI e MSCI. Na semana passada, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos, ainda sob a gestão de Donald Trump, anunciou que havia incluído a CNOOC em uma lista que restringe os itens que pode receber dos Estados Unidos.

Covid no Brasil

O consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil divulgou, às 20h de quinta (21), o avanço da pandemia em 24 h no país.

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A média móvel de casos confirmados em 7 dias foi de 53.386, alta de 18% frente ao período encerrado 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 59.946 casos. A média móvel de mortes em 7 dias foi de 1.010, alta de 16% frente ao patamar registrado 14 dias antes. Em apenas um dia foram registradas 1.335 mortes, o maior patamar desde o dia 4 de agosto.

Nesta sexta, a gestão de João Doria (PSDB) anunciará uma nova classificação das regiões do estado de São Paulo no plano que determina o grau de restrição como forma de buscar reduzir o ritmo de contágio por Covid.

Segundo a Folha de S. Paulo, a partir das 20h desta sexta, passará a valer a fase vermelha, a mais restritiva, para todas as cidades. A medida será reproduzida nas outras semanas e, nos finais de semana e feriados, valerá durante o dia e a noite.

Assim, bares, restaurantes e comércio considerado não essencial, como shopping centers e salões, deixarão de funcionar até a manhã seguinte. A medida se deve à alta de 42% nos casos no estado em um mês, e alta de 39% nas mortes.

Também nesta sexta, a Anvisa decidirá sobre o segundo pedido emergencial do Instituto Butantan para a CoronaVac, referente a mais de 4,8 milhões de doses do imunizante da farmacêutica chinesa Sinovac. No domingo, a Anvisa liberou as primeiras 6 milhões de doses que haviam chegado da China.

Também devem chegar nesta sexta 2 milhões de doses da vacina desenvolvida em parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford, produzidas pelo Instituto Serum, da Índia. Na semana passada, o Brasil preparou um avião para buscar o imunizante, cujo envio foi, no entanto, atrasado.

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) informou que pretende checar qualidade, segurança, rotulagem e etiquetagem para estar com o material pronto para aplicação no sábado (23) à tarde. Até o momento, a vacina havia sido enviada pela Índia apenas para países vizinhos.

Em ao menos 12 estados e no Distrito Federal há denúncias de que políticos, empresários e funcionários públicos receberam doses da CoronaVac mesmo não fazendo parte dos grupos prioritários. Na quinta, a vacinação foi suspensa em Manaus e Tupã (interior de São Paulo). Houve denúncias de privilégio a médicas e parentes de empresários locais em Manaus, e da vacinação de um integrante da administração da Santa Casa em Tupã. Os casos são investigados pelo Ministério Público Federal.

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Na quinta, os dois candidatos apoiados por Bolsonaro (sem partido) para as presidências das Casas do Congresso fizeram declarações sobre uma possível nova rodada de auxílio emergencial para aqueles mais afetados pela crise de Covid.

O senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato à presidência do Senado, afirmou à agência internacional de notícias Bloomberg que será necessário “sacrificar algumas premissas econômicas para poder manter alguma forma de socorro a essas pessoas [as mais pobres] (…) O teto de gastos foi uma medida importante, ele deve ser observado, mas vivemos estado de necessidade absolutamente excepcional, com pessoas morrendo e desempregadas, então é preciso que o Estado as socorra”.

Em entrevista a O Globo, afirmou que, em um primeiro passo, Senado, Câmara e Ministério da Economia encontrariam “uma forma de compatibilizar a responsabilidade fiscal com a necessidade da assistência social a essas pessoas”.

Candidato à presidência da Câmara, o deputado Arthur Lira (PP-AL) afirmou que um potencial novo programa seria desenhado “de forma que o mercado possa suportar”. Ele respondia a uma pergunta em evento da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), na capital paulista. As falas foram mal recebidas pelos mercados, e Lira foi às redes sociais para afirmar que “qualquer discussão sobre eventual auxílio emergencial adicional deve ser feita de forma responsável e acompanhada do aprofundamento de reformas”.

Recentemente, Lira se beneficiou da adesão de deputados do PSL a sua candidatura, na disputa contra Baleia Rossi (MDB-SP), que é apoiado pelo atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O comando do MDB busca recuperar dissidentes.

Nesta sexta, a Folha de S. Paulo estampa como reportagem de capa um trabalho de compilação de 23 situações em que o presidente Jair Bolsonaro promoveu atitudes que, segundo o jornal, poderiam ser enquadradas como crime de responsabilidade, destacando a publicação de um vídeo pornográfico nas redes sociais e o apoio a atos antidemocráticos, além da atuação na pandemia. Segundo o jornal, a crise sanitária teria ampliado a base jurídica para um potencial impeachment.

Radar corporativo

Em destaque no noticiário, a Vale e o governo de Minas Gerais não chegaram a um acordo global sobre reparações pelo desastre de Brumadinho e as negociações estão encerradas, disse nesta quinta-feira o secretário-geral da administração estadual, Mateus Simões. “Estamos saindo da última audiência de mediação com a Vale, última porque não haverá uma nova audiência”, afirmou ele.

“No entanto, foi dado um prazo de uma semana para que a Vale possa apresentar uma nova proposta de valor. É o momento de a Vale agir com responsabilidade, agir com dignidade e reparar os danos que foram causados”, acrescentou o secretário.

Ainda chamando a atenção do mercado, a Oi receberá as propostas para o leilão de fibra óptica. De acordo com a Bloomberg, o Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) associou-se a um fundo gerido pelo Banco BTG Pactual SA para apresentar oferta vinculante pela unidade.

Já a Wiz anunciou que fez acordo para formar uma corretora de seguros com a montadora de veículos Caoa, com participação de 50% cada no negócio. A Caoa tem uma rede de 233 concessionárias de veículos, sendo 156 próprias e, no fim de 2019, entrou no mercado de locação de automóveis. A marca é distribuidora oficial das marcas Subaru, Hyundai e Chery no Brasil.

A Gafisa apresentou seu guidance, prevendo dobrar lançamentos em 2021, para até R$ 1,7 bilhão.

A Eletropar braço de participações da Eletrobras, informou nesta quinta-feira que vendeu todas as ações que tinha da Light. As operações aconteceram na B3 entre 8 e 20 de janeiro. No radar da Eletrobras, ainda está a redução de recomendação das ações pelo Bradesco BBI para neutra após a fala de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato à presidência do Senado, de que a privatização da estatal não é uma prioridade.

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Não recebemos a informação sobre suicídio, diz Anvisa sobre a suspensão dos testes da CoronaVac

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária concede entrevista coletiva sobre a interrupção dos estudos da vacina CoronaVac (TV BrasilGov/YouTube/Reprodução)

SÃO PAULO – Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira (10), a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou que não havia recebido a informação de que o evento adverso que a levou a interromper os testes da vacina CoronaVac se tratava de suicídio.

A informação de que a causa da morte do voluntário que participava dos estudos do imunizante desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantan foi suicídio foi revelada nesta terça-feira por veículos de imprensa, incluindo o InfoMoney.

“Quando essa decisão foi tomada [de suspender os estudos], qual era a informação que tínhamos: efeito adverso grave não esperado. E para todo instituto e todo centro de estudo e todo profissional que trabalha com estudo clínico é sabido que ,diante de uma situação como essa, ocorre a suspensão do estudo. Por outro lado, diante de um efeito adverso grave esperado, segue o estudo”, disse Alessandra Bastos, diretora da Anvisa.

Na noite desta segunda-feira (9), a Anvisa havia anunciado a suspensão dos testes clínicos da CoronaVac, após registro de um evento adverso, sem afirmar que se tratava de um óbito. Mais tarde, o diretor do Instituto Butantan confirmou que tratava-se de um óbito em entrevista à TV Cultura, mas reforçou que a causa da morte não tinha relação direta com a vacina.

Nesta terça-feira (10), em coletiva realizada no Palácio dos Bandeirantes, Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, disse que havia enviado todas as informações necessárias para a Anvisa e, mesmo assim, a agência suspendeu o estudo. Questionados por um jornalista se a suspensão dos testes, portanto, teria motivação política, os membros da Anvisa negaram e alegaram falha de comunicação.

Gustavo Mendes, gerente-geral de medicamentos da Anvisa, disse que as informações sobre o evento foram de fato encaminhadas pelo Butantan na última sexta-feira (6), mas que não foram recebidas pela Anvisa por “problemas técnicos”: um hackeamento registrado na semana passada.

Bruno Novais, gerente geral de tecnologia da informação, complementou que um ataque cibernético direcionado ao governo federal paralisou alguns serviços e gerou “um alerta máximo na Anvisa”. “Por motivo de precaução, suspendemos o serviço que é responsável pela notificação de efeitos adversos. Acionamos um plano de contingência e recebemos a notificação no dia 9”, disse Novais.

Mendes afirmou que recebeu o informe do Butantan às 20h47 do dia 9. Uma das notificações de eventos adversos era grave e chamou a atenção da Anvisa.

Mesmo após a informação do Instituto Butantan para a imprensa de que o óbito foi causado por suicídio, o gerente-geral defendeu que a agência está agindo com cautela em relação ao assunto, e por isso não pode afirmar quando os testes serão retomados.

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“Convocamos um comitê de especialistas para avaliar as informações prestadas, e não conseguimos identificar detalhes que pudessem trazer a segurança para a gente de que o estudo poderia continuar”, disse. “Vamos tomar a decisão de retomada quando pudermos confirmar uma não causalidade entre evento ocorrido e a vacina. Só podemos falar sobre o que é oficial e não sobre o que está em sigilo.”

“Informação [referindo-se ao Butantan] não é informação se não chega pelo meio correto. Existem canais pré-estabelecidos. Podemos ter as maiores autoridades mundiais dizendo ‘isso’ ou ‘aquilo’, se essas pessoas não são integrantes do comitê independente, essas alegações para nós não têm valor”, complementou Antônio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa.

Vacina chinesa no centro de disputas políticas

A CoronaVac, que está sendo testada em outros cinco países além do Brasil, tem sido objeto de uma batalha política entre o governador de São Paulo, João Doria, e o presidente Jair Bolsonaro, que em outubro proibiu a compra da Coronavac, acertada entre Instituto Butantan e Ministério da Saúde.

Bolsonaro tem feito críticas à vacina por ela ser chinesa e tem promovido o imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford em parceria com a empresa farmacêutica britânica AstraZeneca.

Nesta terça-feira, após a suspensão dos testes pela Anvisa, Bolsonaro se declarou “vitorioso” nessa suposta disputa entre o presidente e governador paulista, ao comentar “mais uma que Jair Bolsonaro venceu”, em resposta a um internauta que questionava sobre uma possível aquisição da vacina chinesa pelo governo federal.

O governo de São Paulo aliou-se à Sinovac para coordenar a última fase dos ensaios clínicos em território brasileiro e assinou um contrato que incluiu a aquisição e distribuição de 46 milhões de doses da vacina.

Na segunda-feira, mesmo dia em que a Anvisa suspendeu os testes, Doria havia afirmado que as primeiras 120 mil doses da CoronaVac chegariam ao estado no próximo dia 20.

Na coletiva realizada na manhã desta terça-feira, Dimas Covas reforçou a importância do Instituto Butantan para a saúde pública brasileira e disse que espera a retomada dos estudos nos próximos dias. Até o momento, a Anvisa não sinalizou qualquer nova decisão sobre a retomada dos testes.

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“O Butantan tem 119 anos de história, produz 75% das vacinas utilizadas pelos brasileiros. Um em cada três brasileiros tomou uma vacina feita pelo Butantan, portanto, as vacinas que produzimos têm sua segurança atestada”, explica Covas. “Não há motivo para protelar isso [retomada dos estudos clínicos]. Essa vacina não teve reação adversa grave. É a vacina mais segura até esse momento.”, concluiu o diretor.

Esclarecimentos

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) protocolou no Senado um convite para o diretor-presidente da Anvisa, Barra Torres e para Dimas Tadeu Costa, diretor-presidente do Butantan, comparecerem à Casa para prestar esclarecimentos sobre o andamento das pesquisas para o desenvolvimento da vacina (Sinovac e AstraZeneca).

Amanhã a comissão Covid-19 do Senado se reúne extraordinariamente para apreciar o requerimento.

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Doria diz que não pode se manifestar sobre Sabesp por determinação da CVM

João Doria (Valter Campanato/Agência Brasil) João Doria

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que não pode se manifestar sobre a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp – SBSP3) por orientação e determinação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Na quarta-feira (19), o governador havia anunciado uma nova etapa de capitalização para que a companhia disputasse concessões em outros Estados.

A declaração gerou incertezas no mercado – uma vez que, com a aprovação do novo marco legal do saneamento básico, a expectativa dos agentes era de que a empresa fosse privatizada – e a ação chegou a cair mais de 10%.

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Em entrevista à rádio Jovem Pan, Doria afirmou: “a manifestação feita por governador do Estado de São Paulo, que detém o controle majoritário da Sabesp pode provocar essas variações como ocorreu recentemente. As ações já retomaram o seu valor, mas houve uma oscilação”.

“Quero deixar claro que o nosso governo é um governo liberal, pró-mercado. Tudo o que nós pudermos desestatizar em São Paulo, nós faremos. Essa é a orientação do governo”, completou Doria.

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SÃO PAULO – Otimistas com o case de privatização da Sabesp (SBSP3), impulsionado pela aprovação do marco legal do saneamento, muitos investidores tiveram uma forte decepção na sessão da última quarta-feira (19). Na manhã do último dia 19, os papéis chegaram a cair 10,71% quando passou a ser de conhecimento geral no mercado a fala de João Doria, governador de São Paulo, em evento privado do Santander. Na ocasião, ele apontou que a companhia iria entrar no modelo de capitalização.

Conforme destaca Gabriel Francisco, analista da XP Investimentos, vale voltar um pouco no tempo para explicar por que a fala gerou tanta tensão no mercado. Historicamente, existiam duas alternativas para a reorganização societária da Sabesp: i) caso ocorresse a aprovação do novo marco do saneamento, se optaria pela privatização e ii) caso houvesse empecilhos para o processo de privatização, a opção seria pela capitalização da companhia.

“Já se estudou essa última alternativa no passado, segundo a qual seria criada uma holding que reuniria a participação do Estado na Sabesp, e em seguida seria vendida uma participação dessa holding (inferior a 50%), com os recursos arrecadados sendo injetados na Sabesp”, destaca o analista.

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Desta forma, como houve a aprovação do novo marco, a fala de Doria levou a uma decepção com relação a cenário de potencial privatização, que se esperava que fosse o caminho a ser seguido e levaria a uma maior alta das ações, conforme o cenário dos analistas que cobrem a ação.

De fato, em um processo de capitalização, a Sabesp permaneceria uma empresa estatal, e portanto não seria possível precificar totalmente potenciais impactos positivos para a ação. O analista ressalta três pontos principais em caso de privatização: i) economias de custos gerenciáveis (pessoal, materiais, serviços e outros); ii) aceleração de investimentos, tendo em vista as amarras a que empresas estatais estão sujeitas em licitações, por exemplo, e; iii) uma premissa de custo de capital menor, em linha com empresas privadas de setores regulados como o elétrico.

Em nota emitida durante a tarde, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo informou que as soluções para a Sabesp incluem a privatização, mostrando que essa operação não está descartada e fazendo com que os papéis fechassem com queda bem menos intensa do que na mínima do início da sessão, de cerca de 5%.

Mais tarde, Rodrigo Garcia, vice-Governador de São Paulo e Presidente do Conselho de Defesa dos Capitais do Estado (CODEC), afirmou ainda em fato relevante que não há definições a respeito do modelo de reorganização Societária da Sabesp, uma vez que o grupo de trabalho do Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização não concluiu suas atividades a respeito do tema.

“Ainda que notícias apontem que um processo de privatização da Sabesp não esteja descartado e poderia ocorrer em uma etapa posterior à capitalização, a dúvida que fica é com relação ao tempo hábil para se completar ambos os processos de capitalização e privatização no atual mandato do governador, até 2022”, destaca o analista da XP. Ele ainda não descarta que a opção do Estado pela capitalização seja uma reflexão sobre os eventuais riscos de judicialização para um processo de privatização juntamente aos municípios.

Os cenários para a companhia

Conforme aponta o Credit Suisse, a situação não está nada clara, o que ainda deve gerar volatilidade para os papéis.

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Em um caminho de privatização, os analistas apontam que poderia ser usado o mecanismo aprovado no marco do saneamento, que dispensa negociações com municípios em caso de mudança de controle da empresa para o setor privado (veja mais clicando aqui); alternativamente, o governo ainda pode negociar e estender concessões pelo menos com os grandes municípios.

“Acreditamos que a opção de negociação é melhor, pois nenhuma negociação poderia implicar em algumas disputas legais e até liminares. O governo também tem que propor e aprovar uma lei para dar início ao processo. A privatização exigiria definir um valor mínimo para a venda do ativo, obtendo aprovação do Tribunal de Contas para as regras do leilão”, ressaltam.

Ao todo, o processo completo pode levar mais de um ano na avaliação dos analistas (levando em conta negociações, avaliações de valores, aprovações e leilão). Tendo como premissa um valuation de 1,26 vez o valor da empresa em relação a base média de ativos de alguns negócios feitos anteriormente no segmento, a ação poderia subir 55% em relação ao fechamento da última quarta-feira de R$ 52,75, chegando por volta dos R$ 82.

Com a probabilidade de privatização sendo vista pelo mercado como mais distante após a fala de Doria da véspera, os analistas do Credit também ressaltam duas opções dentro das projetos de capitalização.

A primeira opção seria a criação de uma holding com investidores estratégicos controlando a Sabesp em conjunto com o Estado e adicionalmente realizando aumento de capital. A segunda alternativa seria uma oferta de ações usual em que o estado teria a sua participação diluída, com a empresa sendo transformada em uma corporation (corporação, com controle pulverizado, sem a figura do acionista controlador ou bloco de controle), também captando recursos para investir em novos ativos.

No segundo caso, haveria um outro desafio, que seria a negociação de novos contratos com os municípios – se estados perderem o controle na diluição, os contratos de programa provavelmente não seriam mantidos. Contudo, como não se trata exatamente de uma privatização, a avaliação é de que a nova lei não ajudaria nesse cenário.

O valuation da companhia, neste caso, estaria muito mais ligado ao preço das ações, com o potencial de valorização dependendo muito de quanta eficiência será possível obter. Em uma análise de sensibilidade, os analistas apontam que um corte de custos de 15% na Sabesp e a menor percepção de risco (refletida em um menor custo de capital) pode implicar em um potencial de valorização de 43% em relação ao fechamento da véspera, com a ação chegando a R$ 75,50.

Confira abaixo a análise de sensibilidade do Credit, que considera o potencial de valorização das ações tendo como cenário a possibilidade de cortes adicionais de custos e baixa do custo de capital (ke):

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De acordo com essa análise, o pior cenário seria das ações a R$ 62,90 (upside de 19%) enquanto que, no cenário mais positivo a ação poderia chegar a R$ 82,90 (upside de 57%).

Conforme aponta o Credit, desde o final do ano passado, a Sabesp tem apresentado uma melhora em sua estrutura de custos, adição de novos contratos, além da aprovação de uma revisão tarifária mais positiva para a companhia. “Estes pontos ainda não foram incorporados no nosso modelo mas, claramente, existe potencial de valorização. Uma nova estrutura acionária poderia destravar valor para a Sabesp. Porém, enquanto não tivermos definição sobre a direção da empresa, a volatilidade deve continuar”, conclui. A recomendação do banco suíço é outperform (desempenho acima da média do mercado) com preço-alvo de R$ 62,90.

Na mesma linha, os analistas do BBI apontam que, embora o desfecho não esteja claro sobre a empresa, a relação risco-retorno para a ação da companhia continua atrativo, já que o preço atual das ações precifica uma chance zero de privatização.

Além disso, mesmo que o estado tente o modelo de “capitalização” (vendendo parte de sua participação, mantendo a Sabesp uma empresa estatal), o sucesso não é garantido e a privatização poderia voltar à mesa mais tarde.

Eles ainda reforçam o cenário de que, embora não seja ideal, o modelo de “capitalização” poderia render melhoras de governança corporativa para atrair um parceiro estratégico. De acordo com a equipe de análise, o valor justo para uma Sabesp estatal seria de R$ 51,40, o que representa pouco risco de queda frente os níveis atuais, enquanto a companhia privatizada poderia valer R$ 93,90, implicando um potencial de valorização de 78%.

Os analistas ainda lembram que, no governo anterior, foi feita uma tentativa de capitalização, mas não conseguiu encontrar um comprador nesse formato.

“Mesmo que o estado almeje a capitalização, o sucesso deste modelo não está claro porque, após a nova lei de saneamento, muitos ativos do setor chegarão ao mercado e os investidores estratégicos poderiam escolher um outro nome para aproveitar a nova onda de investimentos em saneamento.  Portanto, se o estado tentar e falhar, pode, eventualmente, voltar ao plano de privatização”, avalia o BBI.

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Além disso, eles apontam que, mesmo em um cenário de capitalização, a companhia teria que apresentar melhoras de governança corporativa para tornar o investimento atrativo, como melhora na política de dividendos, poder de escolha do parceiro em cargos executivos e poder de veto nas decisões de investimento.

Assim, apesar das incertezas, os analistas seguem com recomendação outperform para os ativos, com preço-alvo de R$ 70 para 2021 (potencial de valorização de 33%), com a probabilidade de 50% para que ela siga estatal como está (preço projetado de R$ 51,40), um cenário de 35% para capitalização (preço projetado de R$ 58) e de 15% para privatização (preço-alvo de R$ 93,90). Por outro lado, a XP tem mais cautela, com recomendação neutra para os ativos e preço-alvo de R$ 51 por ação.

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Sabesp: fala de Doria sobre capitalização não descarta, mas impõe mais desafios à privatização; ações caem até 10%

SÃO PAULO – As ações da Sabesp (SBSP3) chegaram a despencar 10,71% na mínima da sessão desta quarta-feira (19), a R$ 49,60, com a notícia da capitalização da companhia, o que levaria a uma não privatização da empresa. Os papéis amenizaram as perdas mas, ainda assim, seguem em forte queda:  às 13h24 (horário de Brasília), tinham baixa de 6,64%, a R$ 51,86, com a avaliação de que a privatização não foi descartada, mas será bem difícil de acontecer caso a capitalização passe na frente.

O motivo para a forte queda no início do pregão foi a notícia de que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que a companhia voltaria ao modelo de capitalização, considerado menos positivo do que o de privatização (um dos grandes catalisadores para a companhia), declarações concedidas durante conferência realizada pelo Santander na manhã desta quarta-feira.

Durante a sessão, os papéis amenizaram a queda com a indicação de que a fala de Doria não descarta totalmente a privatização da companhia.

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A seguir, está a transcrição completa da declaração do governador sobre a capitalização: “A Sabesp, o seu valor em bolsa cresceu substancialmente, mesmo antes da sua regulamentação [do marco regulatório], e a decisão do governo de São Paulo, isso é importante para os que são do mercado financeiro, é de fazer a capitalização da Sabesp na primeira etapa. A Sabesp, que já tem suas ações em Bolsa, vai voltar a um programa de capitalização e a partir deste mês de agosto prestando serviço a outros Estados brasileiros. Vai disputar concessões na área de saneamento, distribuição e tratamento de água, e também do lixo. Ela terá um crescimento exponencial e o seu valor colocado em bolsa em um amplo programa de capitalização que muito em breve Henrique Meirelles, Benedito Braga e eu teremos oportunidade de anunciar.”

Interlocutores do governador, de acordo com fontes ouvidas pelo InfoMoney, chamam a atenção para a ‘primeira etapa’ mencionada por Doria e dizem que a fala não significa que um processo de privatização deixou de ser considerado para uma etapa posterior. Essa avaliação fez com que a ação amenizasse a queda, ainda que ela continuasse expressiva: às 12h23, os ativos chegaram a cair “apenas” 4,5%, a R$ 53,05, voltando a cair mais fortemente posteriormente.

Isso porque, apesar da privatização não sendo descartada, a notícia não deixa de ser negativa, ainda mais levando em conta que os dois processos (capitalização e privatização) são longos e nada triviais, conforme apontou Gabriel Fonseca, analista da XP Investimentos. Com isso, uma capitalização em uma primeira etapa pode inviabilizar a privatização ainda durante esse governo, tornando mais incerto o cenário para a companhia.

Confira o gráfico com o desempenho das ações da Sabesp nesta sessão:

(Fonte: Bloomberg)

Fonseca lembra que um processo de capitalização é planejado desde o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), através da aprovação da lei para reorganização societária da Sabesp, aprovada em 2017.

Já no governo de João Doria, havia na mesa as opções de capitalizar ou privatizar. À primeira vista, o processo de capitalização era mais viável mas, com a aprovação do marco do saneamento em moldes mais positivos para a entrada do investidor privado, a probabilidade de privatização começou a ganhar força entre os investidores.

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Através da capitalização, o estado venderia cerca de metade de suas ações da Sabesp a um parceiro minoritário por meio de uma nova holding company (não com as ações da Sabesp diretamente), mas ainda manteria o controle da empresa.

Em relatório recente, o Bradesco BBI destacou que o cenário de capitalização seria menos positivo uma vez que i) São Paulo conseguiria menos recursos versus uma privatização total; e (ii) seria muito difícil encontrar um parceiro minoritário (operador ou investidor de longo prazo) para comprar uma grande participação em uma holding ilíquida, uma vez que a Sabesp continuaria sendo uma estatal.

Outros pontos destacados recorrentemente quando se fala de capitalização é de menores ganhos de eficiência e de governança corporativa.

Já no caso de privatização, a Sabesp pode valer mais de R$ 30 bilhões em um leilão, apontaram os analistas do BBI. Assim, a privatização não foi descartada mas, uma vez que o processo de capitalização será longo, houve uma decepção inicial do mercado sobre a viabilidade de realizar a privatização, que já não seria fácil por si só, aponta o analista da XP.

Isso porque, além de negociar com os prefeitos para evitar riscos judiciais,  alguns contratos precisariam ser alterados, a privatização teria que ser aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado (sendo necessária a aprovação por maioria simples para vender a companhia).

Além disso, as eventuais propostas de privatização pelos governos estaduais, a princípio, não deveriam ocorrer antes das eleições de 2020, tendo em vista que o tema de saneamento é de elevada sensibilidade política para os municípios. Com uma eventual capitalização passando na frente, a janela para fazer uma privatização ainda no atual governo paulista se contraiu muito, avalia Fonseca: “o tempo já era exíguo e diminuiu ainda mais”.

Caso os dois processos não sejam feitos em tempo hábil durante o governo atual (com mandato até o fim de 2022), um eventual novo governo não favorável à privatização pode barrar o processo, o que torna a visibilidade sobre a companhia menor.

Assim, aponta Fonseca, os investidores estão vendo agora uma menor chance de privatização da companhia, o que faz com que as ações sigam em queda, mesmo com o processo não sendo totalmente descartado pelo governo. Para ele, até que não haja mais visibilidade sobre essas operações, as ações devem seguir com forte volatilidade na Bolsa.

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Procurados pelo InfoMoney, a Sabesp e o governo do estado de São Paulo ainda não se pronunciaram sobre o assunto.

Já a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de SP se pronunciou através da nota abaixo:

A Sabesp busca se posicionar frente ao novo marco do saneamento que trouxe oportunidades que permitem à empresa ampliar sua atuação no mercado de saneamento e também investir em novos negócios, como o tratamento de resíduos e a geração de energia.

A Sabesp ainda fortaleceu os contratos de programas com 375 municípios do Estado de São Paulo com vistas à universalização.

Tais ações permitiram o crescimento, a qualificação e o fortalecimento da empresa, de modo a prepará-la para as melhores soluções que ainda serão definidas pelo Governo, incluindo a privatização.

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Doria diz que SP não terá lockdown e fala em ‘quarentena inteligente’ a partir de junho

SÃO PAULO – João Doria, governador de São Paulo, afirmou, em entrevista à GloboNews, que não “há perspectiva de lockdown neste momento” para o estado e que a quarentena será mais flexível a partir de junho.

“Não há a perspectiva de lockdown imediato em São Paulo, mas o protocolo existe. Nesse momento, não vamos decretar lockdown na capital ou em nenhum outra cidade do estado. Mas o acompanhamento é feito diariamente”, afirmou.

O governador ressaltou que o governo estadual poderá recomendar medidas adicionais “em locais em que a haja a necessidade de melhorar o índice de isolamento e, principalmente, reduzir o índice de ocupação de leitos da UTI”.

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Sobre o prolongamento da quarentena no estado, Doria afirmou que ela deve continuar a partir de 1º de junho, mas de forma mais de forma mais flexível, a depender da região, o que chamou de “quarentena inteligente”.

“Para ser muito preciso, nós teremos uma nova quarentena. Mas será uma quarentena inteligente, porque levará em consideração toda a regionalização de São Paulo, do interior, da capital e da região metropolitana. Agora, nós temos a condição de fazê-la heterogênea. Áreas e regiões em que possamos nessa quarentena inteligente ter um olhar diferente, nós vamos fazer. Aonde não for possível porque os riscos e índices indicam que não devem, não haverá”, disse Doria à GloboNews.

O governador ressaltou também que, na quarta-feira (27), haverá uma coletiva mais “extensa” sobre como funcionará a quarentena inteligente a partir do dia 1° de junho.

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SP projeta 220 mil casos de coronavírus e pede mais de R$ 500 mi ao Banco Mundial

Coronavírus (Envato)

O governo de São Paulo projeta 220 mil casos do novo coronavírus e prepara pedido de empréstimo de US$ 100 milhões (mais de R$ 500 milhões) ao Banco Mundial para ações de combate à doença, conforme documentos obtidos pela reportagem.

O eixo principal do projeto é a instalação e custeio de pelo menos 500 novos leitos de UTI. A ideia é usar o recurso também para compra de testes de diagnóstico, além de desenvolvimento de tecnologia de telemedicina e de aplicativos para dispositivos móveis.

A Secretaria de Saúde estadual estima que ao menos R$ 1,2 bilhão extra será preciso para enfrentar a doença, o que torna o financiamento do Banco Mundial “muito significativo”, afirma o coordenador de Serviços da Saúde de São Paulo, Ricardo Tardelli. O governo de João Doria (PSDB) espera ter o recurso em mãos em cerca de dois meses.

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O valor poderá ser usado também para ressarcir gastos já feitos contra o novo coronavírus. O prazo previsto para extinção do empréstimo é de 35 anos. A contrapartida para o governo é de US$ 25 milhões, ou seja, no total, o projeto é de cerca de US$ 125 milhões (mais de R$ 625 milhões).

São Paulo é o epicentro do novo coronavírus no Brasil. Segundo balanço deste sábado, 4, o Estado tem 4.466 casos e 260 óbitos. A região ainda acumula 48% das hospitalizações por síndrome aguda respiratória grave (SARG) do País neste ano. O dado indica grande número de casos da covid-19 ainda não identificados, pois há uma explosão de “gripe grave” no Brasil a partir da metade de março sobre o mesmo período do ano passado.

No projeto, o governo estadual projeta que 40 mil pacientes teriam de usar leitos de internação durante a pandemia. Já outros 11 mil teriam quadros mais graves, exigindo UTI.

“Quando escrevemos o projeto, há 10 dias, a projeção de que tínhamos era algo nessa ordem (220 mil casos). Vamos precisar esperar, ver o efeito do isolamento em São Paulo. É uma expectativa positiva”, disse Tardelli.

O Estado tem 15 mil leitos de UTI públicos e privados, sendo 7,2 mil leitos dedicados ao SUS. “Sabe-se que dos 3.600 leitos de UTI adulto disponíveis a população, a taxa de ocupação é de 85% a 90%. Com base nestas informações, estima-se que a ampliação de leitos de UTI é imprescindível para o enfrentamento da Covid-19”, afirma o governo Doria em carta-consulta enviada para análise do Ministério da Economia na última segunda-feira, 30.

São Paulo prevê no documento instalação de 500 leitos, mas Tardelli afirma que a Secretaria de Saúde já trabalha com ampliação para até 1500 espaços para internação. A ideia é comprar um respirador para cada leito, por R$ 70 mil por unidade, além de outros equipamentos hospitalares para tratamento intensivo. Há ainda previsão de treinar 2 mil profissionais da rede pública em prevenção de infecções.

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Na segunda fase do programa, após superar a pandemia, a ideia é investir em inovação tecnológica, com a produção de vacinas e ferramentas de “Big Data”, prontuário eletrônico e de telemedicina.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) liberou a telemedicina apenas para o período da pandemia. No entanto, Tardelli afirma esperar que, mesmo após a crise pela doença, a tecnologia permaneça.

“Pensamos também em aumentar essas ferramentas de comunicação com o público. Aplicativos de celulares podem ficar em uso no futuro, servindo para pessoas com doenças crônicas, entre outras”, disse Tardelli.

Financiamento

O Banco Mundial anunciou no começo de março programa de US$ 12 bilhões para apoiar esforços de países para combate à pandemia.

O Ministério da Saúde também busca fechar um empréstimo de US$ 100 milhões com a instituição, como mostrou o jornal O Estado de S.Paulo. Cerca de US$ 60 milhões seriam usados para contratação de profissionais para saúde. A pasta quer ainda adquirir testes de diagnóstico e desenvolver a telemedicina com este recurso.