Criptomoedas: JPMorgan passa a permitir que gestores aceitem ordens de investimento em fundos de moedas digitais

SÃO PAULO – O JPMorgan, um dos maiores bancos do mundo, autorizou que seus consultores de gestão de riquezas deem acesso aos clientes a fundos de criptomoedas, se tornando o primeiro banco dos Estados Unidos a fazer isso. As informações são do site Business Insider.

De acordo com a publicação, a instituição financeira disse a seus assessores por meio de um memorando nesta semana que agora eles podem receber pedidos de compra e venda de cinco produtos de criptomoedas, quatro da Grayscale Investments e um da Osprey Funds, valendo a partir de 19 de julho.

Segundo uma fonte, os consultores do JPMorgan podem executar apenas negociações com criptoativos que sejam “não solicitadas”, o que significa que eles não podem recomendar os produtos, mas podem comprar ou vender a partir de uma solicitação de cliente.

O serviço amplia o acesso a estes fundos, desde clientes de varejo, que usam o aplicativo Chase, até os mais ricos e os que têm ativos administrados pela JPMorgan Advisors poderão investir. A restrição é que é preciso solicitar a ordem para um assessor.

Os fundos que o JPMorgan aprovou incluem Bitcoin Trust, Bitcoin Cash Trust, Ethereum Trust e veículos Ethereum Classic, bem como o Bitcoin Trust da Osprey Funds, disse a fonte.

Em abril, o portal CoinDesk afirmou que o JP estava se preparando para oferecer um fundo de Bitcoin administrado de forma ativa para clientes de fortunas privadas, e que ele seria lançado no verão (entre junho e agosto).

Vale lembrar que o CEO do banco, Jamie Dimon, é um dos maiores críticos às criptomoedas, sendo que em 2017 ele chegou a ameaçar demitir funcionários que negociassem bitcoins. Mais recentemente ele acabou obrigado a amenizar suas críticas conforme o próprio JP via a necessidade de entrar nesse mercado, mesmo assim, quando perguntado, Dimon diz que não apoia essa classe de ativos digitais.

Nenhum outro banco americano ainda oferece essas opções, sendo que em abril, o Morgan Stanley começou a oferecer a clientes ricos – aqueles com pelo menos US$ 2 milhões em ativos investidos – acesso a fundos de Bitcoin, mas por meio de uma parceria com a Galaxy Digital.

Já no mês passado, o Goldman Sachs começou a oferecer negociações de futuros de criptomoedas para clientes institucionais e fundos de hedge.

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Dólar a R$ 4,50 ou R$ 5,40 em dezembro? Gestoras e bancos divergem sobre rumo cambial; confira suas alocações

SÃO PAULO – A taxa de câmbio foi criada por Deus apenas para humilhar os economistas. A frase atribuída a Edmar Bacha, um dos idealizadores do Plano Real, dá bem a dimensão da dificuldade que é acertar a projeção para a cotação do dólar ao fim de cada ano, haja vista a grande quantidade de variáveis que afetam sua oscilação.

No mercado local, o desafio para se prever para onde vai a moeda pode ser visto hoje na discrepância em estimativas de bancos e gestoras para a performance do real frente ao dólar, durante o segundo semestre do ano.

De um lado, estão os mais otimistas com o desempenho da divisa brasileira, devido ao aumento da taxa Selic e dos preços das commodities. Eles chegam a prever a cotação do dólar em uma faixa entre R$ 4,50 e R$ 4,75 até o fim de 2021.

É o caso, por exemplo, da gestora Persevera Asset Management e do banco francês BNP Paribas, que enxergam em apostas compradas (que ganham com a alta) no real uma boa estratégia para o investidor carregar hoje nos portfólios. Seja contra o dólar, caso da própria Persevera e da Kairós Capital, ou contra pares emergentes que negociem com um prêmio em relação ao real, como avaliam a Gap Asset e o BNP Paribas.

Já do outro lado, estão os mais pessimistas com o real, que preveem a moeda mais perto de R$ 5,30 a R$ 5,40 em um horizonte de seis a 18 meses, como o UBS BB e o JP Morgan Brasil.

No meio do caminho, a mediana das projeções para o dólar no mais recente relatório Focus, do Banco Central (BC), aponta a cotação da moeda americana a R$ 5,05 no fim de 2021, chegando a R$ 5,20 em dezembro do ano que vem.

Em meio a discussões sobre a reforma tributária no Brasil e as denúncias na CPI da Covid, bem como as preocupações com a inflação nos Estados Unidos, a divisa americana acumula alta de 2,3% em julho, até o dia 14, após a queda de 4,7% de junho, que levou o dólar à vista a escorregar para baixo dos R$ 5.

Blindado fiscalmente

No time dos que apostam em um fortalecimento do real, o aperto monetário em curso pelo Banco Central, que tem gradualmente trazido de volta o interesse do estrangeiro, e a forte alta das commodities, com impacto positivo sobre as contas externas, são os principais pilares que embasam a expectativa para o câmbio.

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Entre os mais otimistas, está Guilherme Abbud, sócio fundador e diretor de investimentos da Persevera. Ele acredita que o dólar tem espaço para tranquilamente testar o patamar de R$ 4,50 nos próximos seis meses, ou até abaixo disso, o que leva o gestor a carregar nos multimercados uma “importante” posição comprada na moeda brasileira. “Vai sobrar dólar”, prevê Abbud.

Segundo o gestor da Persevera, assim como houve um exagero quando a cotação encostou nos R$ 5,80 no primeiro semestre, no movimento de correção, é bem provável que o ponto neutro do câmbio, que o especialista calcula ao redor dos R$ 4,50, também seja furado.

“O mercado é marcado por movimentos de pêndulos, de exageros para um lado, que, algum tempo depois, são compensados para o outro”, afirma Abbud, acrescentando que a expectativa fora do consenso para o câmbio se deve a uma visão também mais positiva que os pares quanto à situação fiscal do país.

A soma das reformas nos últimos anos, além de uma taxa de juros estruturalmente menor, faz com que o Brasil seja mais blindado fiscalmente do que muitas vezes o mercado precifica, afirma Abbud.

André Digiacomo, estrategista de juros e moedas para América Latina do BNP Paribas, também vê espaço para uma apreciação do real, tendo como pano de fundo a alta da taxa Selic acompanhada de uma balança comercial cada vez mais forte.

“Existe uma discrepância entre a velocidade com que melhoraram as contas externas e a velocidade com que a moeda apreciou”, afirma.

Em junho, o BNP Paribas revisou sua estimativa para o câmbio no fim do ano, até então de R$ 4,50 em dezembro, para R$ 4,75. O motivo do reajuste está relacionado aos riscos despertados pelo ambiente global, mais especificamente o eventual início considerado prematuro do aperto monetário pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Na visão de Digiacomo, mais do que uma valorização do real frente ao dólar, que pode vir a surpreender em meio ao debate sobre alta de juros nos Estados Unidos, o maior potencial de ganhos está em posições compradas em moedas de países emergentes exportadores de commodities (como Brasil, Rússia, África do Sul, Colômbia e Malásia), com contrapartes vendidas (que ganham com a queda) em emergentes importadores das matérias-primas, como Tailândia, Taiwan, República Tcheca e Polônia.

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Com o enxugamento da liquidez global no horizonte, mas com uma visão positiva para a moeda brasileira, Renato Junqueira, CIO da Gap Asset, também defende que apostar na valorização do real não contra o dólar, mas ante pares emergentes, se mostra a melhor estratégia hoje no câmbio.

“A descompressão do estresse fiscal, com uma política monetária mais apertada, dá as condições para fazer com que a moeda brasileira devolva um pedaço da performance abaixo da média que teve contra os pares”, afirma Junqueira.

O CIO conta que tem carregado nos multimercados da Gap posições compradas no real contra moedas de países como México, Chile, Colômbia, África do Sul e Austrália, que, pelos cálculos do especialista, ainda estão entre 15% e 20% sobrevalorizadas em relação à divisa brasileira.

Fiscal e eleições

Na ala dos que não se mostram assim tão confiantes com o fortalecimento do real, está o JP Morgan Brasil. O banco prevê o dólar negociado a R$ 5,40 em dezembro.

Durante participação em live do Melhores da Bolsa 2021, Cassiana Fernandez, economista-chefe do JP Morgan Brasil, disse que, conforme se aproximar o fim do ano, a tendência é termos um ambiente mais delicado para os ativos brasileiros por conta do risco fiscal, com os investidores atentos ao debate sobre o Orçamento do ano eleitoral.

A maneira como se dará a utilização do provável aumento de gastos para 2022, ainda que amparado pelo teto, é uma incógnita, destacou Cassiana.

“Sabemos que, se existir espaço para os políticos [aumentarem os gastos] durante o ano eleitoral, esse espaço vai ser usado. E ainda temos uma incerteza grande se [esses recursos] serão utilizados da melhor forma, que aumente a eficiência da economia e o crescimento. Isso não está claro”, afirmou a economista-chefe.

Fabio Ramos, economista do banco de investimento UBS BB, projeta que as oscilações do dólar sigam ainda relativamente comportadas durante o segundo semestre, mas com um aumento da volatilidade a partir de 2022, à medida que o debate eleitoral no Brasil e sobre os juros nos Estados Unidos aumente a aversão ao risco.

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O banco trabalha com uma projeção para o câmbio de R$ 5,00 no fim deste ano, subindo para R$ 5,30 até dezembro de 2022.

Segundo o economista do UBS BB, o valor justo para o dólar apontado pelos modelos matemáticos rodados internamente pela equipe está mais perto dos R$ 4,50, tomando como base as principais variáveis macroeconômicas conhecidas hoje. No entanto, as incertezas que rondam o país sobre as novas variantes do coronavírus, ou sobre os rumos que as eleições podem vir a tomar em 2022, levam a estimativa para níveis mais elevados.

No BNP Paribas, Digiacomo também vê o risco político como um fator que tende a colocar pressão sobre o real, ainda que apenas momentânea.

Embora trabalhe com uma projeção de R$ 4,60 no fim de 2022, a estimativa do BNP Paribas é que a cotação do dólar, influenciada pelo ruído político, chegue a encostar nos R$ 4,90 em meados do terceiro trimestre do ano que vem.

Curto prazo x Longo prazo

Com o início das operações neste ano, a gestora Meraki Capital esteve a maior parte do tempo com uma posição comprada em dólar, isto é, com a aposta no fortalecimento da moeda americana em relação à brasileira.

Dois meses atrás, contudo, a alocação foi desfeita e hoje a casa focada em ações tem optado apenas por posições táticas, em meio a incertezas mais elevadas com o câmbio.

Embora goste da equação comprada em Bolsa e em dólar, Roberto Reis, sócio-fundador e CIO da Meraki Capital, vê a moeda brasileira defasada em relação a divisas de outros mercados emergentes, o que pode abrir espaço de alta no curto prazo.

O problema é que, em um horizonte mais longo de tempo, a gestora ainda vê o dólar próximo a R$ 5,00 como um ótimo patamar para compra. “Nosso crescimento é cíclico, não estrutural. Não consigo ver o investidor muito animado com o Brasil para o médio e o longo prazo, considerando a eleição”, diz Reis.

No caso da Kairós Capital, o sócio e diretor de investimentos, Fabiano Godoi, afirma que, embora também siga com uma visão cética para a evolução do quadro fiscal e eleitoral do país, nos níveis atuais, entende que ainda faz sentido manter uma posição comprada no real, já no portfólio dos multimercados desde o início do ano.

Na avaliação do gestor da Kairós, apesar das incertezas sobre a condução das contas públicas, a moeda brasileira negociada abaixo de R$ 5 parece mais condizente com as condições macroeconômicas do país.

De toda forma, em linha com o gestor da Meraki, Godoi ressalta que a visão favorável para o câmbio se deve mais a uma janela de oportunidade que enxerga para o mercado local, do que a uma evolução estrutural da economia brasileira.

Oposição na Verde Asset

As incertezas em relação aos rumos do dólar são tantas, que não se restringem apenas às divergências entre diferentes casas.

Luiz Parreiras, gestor dos fundos multimercado de previdência da Verde Asset, disse durante live da gestora ao fim de junho que ele e Luis Stuhlberger têm divergido quanto à tendência esperada para o câmbio.

Enquanto Stuhlberger vê espaço para um fortalecimento da moeda brasileira, Parreiras entende que existem fatores importantes que agem na direção contrária.

Entre eles, o fato de a poupança do brasileiro ainda estar quase toda investida no mercado doméstico. Com os juros em níveis estruturalmente mais baixos no país, a tendência, prevê o gestor, é que o fluxo de capital em busca de melhores retornos além-mar impeça uma apreciação significativa do real.

“Assumindo que o Brasil consiga manter taxas de juros reais e nominais relativamente controladas, o processo de diversificação para o exterior vai manter o real talvez estruturalmente mais barato até do que  a experiência dos últimos 20 anos, onde historicamente o real esteve sempre um pouco caro”, disse Parreiras.

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JP Morgan e Goldman Sachs estreiam temporada de resultados nos EUA com dados acima do esperado

mercado bolsa índices alta ações gráfico analista trader (Shutterstock)

SÃO PAULO – Estreando a temporada de resultados corporativos americanos do segundo trimestre, o JP Morgan (JPMC34)e o Goldman Sachs (GSGI34) reportaram dados acima do esperado pelos analistas nesta terça-feira (13).

Entre abril e junho deste ano, o JP Morgan registrou salto de 155% no lucro, para US$ 11,9 bilhões, ou US$ 3,78 por ação. O resultado superou o estimado por analistas consultados pela Refinitiv, que previam lucro de US$ 3,21 por papel.

Já o Goldman Sachs registrou receita líquida de US$ 15,39 bilhões, aumento de 16% na base de comparação anual.

O lucro diluído por ação ordinária do banco foi de US$ 15,02, ante US$ 0,53 por papel um ano antes. O dado veio acima do esperado por economistas consultados pela Refinitiv, que esperavam lucro de US$ 10,24 por ação no período.

De acordo com a divulgação, o resultado do JP Morgan foi impulsionado pela liberação de reservas para perdas com empréstimos, entre outros fatores. A receita como um todo, porém, caiu 7%, para US$ 31,4 bilhões.

No último trimestre, o destaque ficou com a liberação de cerca de US$ 3 bilhões das reservas que o banco havia feito em antecipação a uma onda de inadimplências relacionadas à pandemia de coronavírus.

Já a receita geral de trading caiu 28%, para US$ 8,1 bilhões, prejudicada principalmente pela fraqueza na negociação de títulos, que caiu 44% em relação ao ano passado.

Os mercados de ações foram um ponto positivo, com aumento de 13% na receita, para US$ 2,7 bilhões.

Além disso, os mercados de capitais permaneceram ativos e uma onda de IPOs mais do que compensou a desaceleração nas negociações feitas por meio de empresas de aquisição de propósito específico (SPACs).

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Com relação ao Goldman Sachs, o braço de investimentos do banco reportou crescimento de 36% na receita líquida, na comparação anual, para US$ 3,61 bilhões.

A receita geral de consultoria financeira do banco aumentou 83% no segundo trimestre, enquanto a receita relacionada a subscrição de ações cresceu 18% a/a.

A divisão de mercados globais, que abriga a área de trading, no entanto, relatou uma queda de 32% na receita, em comparação com o ano passado, quando Wall Street registrou níveis recordes de volatilidade.

Nos últimos três meses, o Goldman liberou US$ 92 milhões de suas reservas para perdas com empréstimos, em um sinal das apostas do banco no crescimento sustentado dos Estados Unidos.

Nesta terça, apesar do desempenho acima do esperado no último trimestre, os papéis do JP Morgan (JPM) e do Goldman Sachs (GS) apresentavam queda da ordem de 1,7% na NYSE, Bolsa de Nova York (EUA), por volta das 11h (horário de Brasília). Os papéis eram negociados a US$ 155,39 e US$ 374,06, respectivamente.

(Com Reuters)

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Foi dada a largada: o que esperar da temporada de resultados corporativos do 2º tri nos EUA

SÃO PAULO – Começa nesta terça-feira (13) a temporada de resultados corporativos do segundo trimestre de 2021 nos Estados Unidos, que tradicionalmente se inicia com a divulgação dos números de grandes bancos e demais instituições financeiras.

JP Morgan, Goldman Sachs e Pepsi dão o pontapé inicial na temporada de balanços, divulgando seus dados na próxima terça-feira (13). Na quarta (14), o calendário segue com Wells Fargo, Bank of America, Citigroup, Delta Airlines e BlackRock. Já na quinta (15), TSMC e Morgan Stanley reportam seus dados referentes aos meses de abril a junho.

Nas próximas quatro semanas, empresas que representam juntas mais de 83% do valor de mercado do S&P 500 deverão reportar seus dados, marcando o período mais importante do trimestre para o mercado de ações americano.

O segundo trimestre de 2021 foi marcado por uma melhora generalizada nas expectativas de lucro por parte dos analistas, com alta nas estimativas de lucro por ação (LPA) de 41,67 centavos de dólar para 45,02 de dólar.

Segundo a XP Investimentos, este é o maior aumento trimestral dos últimos cinco anos, bem como desde o início da série histórica, iniciada em 1990.

Na avaliação dos analistas da XP, o aumento recorde nos modelos deve-se, em parte, às revisões extremamente negativas que ocorreram durante o primeiro e o segundo trimestre de 2020, de queda de 11,5% e baixa de 30,2%, respectivamente, em meio às medidas de isolamento social impostas pela pandemia de coronavírus.

Passado este momento crítico, os analistas destacam que os quatro trimestres seguintes foram marcados por modelos sendo revisados para cima, uma vez que diversos fatores contribuíram para a melhora do sentimento.

São eles: estímulos monetários por parte dos bancos centrais, principalmente do Federal Reserve (o banco central americano); estímulos fiscais por parte do governo americano, incluindo a distribuição de cheques emergenciais, bem como a ampliação dos programas de seguro-desemprego; e o progresso no desenvolvimento das vacinas.

Entre as maiores revisões para cima nos setores do índice S&P 500, a XP destaca a indústria de óleo e gás (+30,2%), materiais (+16,9%), consumo discricionário (+16,9%), imobiliário (+16,3%) e financeiro (+9,8%), parte delas impulsionada pelo aumento nos preços das commodities no período.

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Em relatório, a XP diz ver um otimismo recorde para os resultados do segundo trimestre, que já está refletido nas expectativas para o desempenho das empresas, bem como no desempenho do índice durante o período, de alta de 8,2%.

Lucros podem surpreender para cima

Também em relatório comentando sobre a temporada de resultados americanos, o Bank of America destaca que as altas projeções do mercado para crescimento de 55,5% nos lucros, na comparação anual, e de 17,3% nas receitas, devem-se à base fraca de comparação, dado que no mesmo período de 2020 os lucros recuaram 28% e as receitas, 7,6% ante o 2º trimestre de 2019.

Desta forma, escreve o BofA, os crescimentos de lucros e das receitas devem se normalizar em 22,3% e 11% no terceiro trimestre, e 15,1% e 7,6% no quarto trimestre, respectivamente.

“Os resultados, contudo, podem superar as expectativas uma vez que, em cada um dos últimos quatro trimestres, tanto os lucros quanto as receitas das companhias estabeleceram novos recordes”, escrevem os analistas.

Quando analisados os setores, os maiores ganhos no período de abril a junho deste ano devem partir dos setores bancário (+204%), aeroespacial e de defesa (+201%) e materiais básicos (97,6%).

Já os setores de utilities (como energia e saneamento), telecomunicações e de produtos de consumo devem apresentar os crescimentos mais fracos nos lucros, da ordem de 2,3%, 3,2% e 5,9%, respectivamente, escreve o banco.

No caso de companhias de setores como automóveis, energia e transportes, a expectativa do BofA é de que o prejuízo seja convertido em lucro na base de comparação anual.

Financeiras e cíclicas devem se destacar

Em relatório divulgado nesta segunda (12), o Credit Suisse destaca que as projeções de lucro por ação (EPS) aumentaram desde o começo do ano, de 48% no início de 2021, para 62% hoje.

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Segundo os analistas, empresas de setores cíclicos e financeiras devem reportar o maior crescimento na base de comparação anual, da ordem de 578% e 102%, respectivamente. Esses grupos também vivenciaram as maiores revisões para cima nos últimos seis meses.

Embora as empresas desses dois setores devam apresentar um crescimento “exagerado” no segundo trimestre, a expectativa do Credit é de que fiquem atrás de companhias de tecnologia e de papéis não-cíclicos quando analisado um horizonte de dois anos.

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Falta de vacinas isola emergentes de rali global de ações

(Getty Images)

(Bloomberg) — Com a pandemia fora de controle da Índia à Argentina, as divisões entre mercados emergentes e desenvolvidos são cada vez maiores.

O desempenho de índices acionários de países em desenvolvimento tem sido inferior ao resto do mundo desde meados de março, em parte devido à preocupação de que a escassez e atrasos das vacinas vão desacelerar o crescimento econômico. Investidores retiraram US$ 1,3 bilhão de fundos de ações de mercados emergentes na semana encerrada em 21 de abril, o maior volume em mais de três meses.

É mais um dado que mostra como esta pandemia reescreveu o manual de investimentos. Historicamente, mercados emergentes eram vistos como uma forma de obter ganhos com a expansão econômica global, mas, desta vez, é o mundo desenvolvido que se recupera mais rápido.

Índices acionários dos Estados Unidos e da Europa estão perto de máximas históricas, e o JPMorgan Chase alertou na semana passada que a economia dos EUA ultrapassará os mercados emergentes a uma taxa “sem precedentes” no segundo trimestre devido à lenta vacinação no mundo em desenvolvimento.

“Não só temos um programa de vacinação muito mais lento nos mercados emergentes, mas preocupações com dívidas, vulnerabilidades externas, prudência fiscal, inflação e estabilidade cambial também vão dificultar uma recuperação pós-pandemia muito mais forte”, disse Mohammed Elmi, gestor da Federated Hermes, em Londres. Ele recomenda a rotação para países e ativos que se beneficiem do crescimento dos EUA por meio de relações comerciais ou exportações, como o México.

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O indicador MSCI de ações de países em desenvolvimento acumula alta de pouco menos de 5% neste ano, cerca da metade do ganho em um índice acionário semelhante de mercados desenvolvidos. Como contraste, em 2009, ano em que a economia global começou a se recuperar da crise financeira, ações de emergentes dispararam 74%, quase três vezes mais do que o ganho de países desenvolvidos.

Entre os fatores que impulsionam a divergência está a falta de vacinas e a distribuição desequilibrada, o que abre caminho para a reabertura das economias ocidentais, mesmo com as principais economias emergentes ainda sob o impacto do aumento de casos de coronavírus. Mais de um terço das vacinas contra a Covid-19 foram aplicadas nos 27 países mais ricos do mundo, que representam apenas 11% da população global, segundo o rastreador de vacinas da Bloomberg.

A disparidade é particularmente extrema na Índia, que responde por 18% da população global e enfrenta uma das piores ondas de Covid-19 do mundo. Fundos de ações indianos registraram a maior saída de recursos em mais de um ano na semana encerrada em 21 de abril, segundo dados da EPFR Global, enquanto a rupia despencou 3,5% no último mês.

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“Isso provavelmente pesará sobre o sentimento do mercado no curto prazo”, disse Tai Hui, estrategista-chefe de mercado da Ásia da JPMorgan Asset Management, segundo o qual investir em mercados emergentes fora da Ásia “exigirá um pouco mais de paciência até que a pandemia seja controlada”. Por enquanto, ele recomenda que inventores concentrem sua alocação nos Estados Unidos e na China.

Alguns investidores olham além do recente aumento de casos, apostando que o mundo em desenvolvimento receberá muitas vacinas. O fato de a Europa também começar a se recuperar deve impulsionar as exportações e aumentar os ingressos do turismo.

Os preços atuais do mercado “deixam muito mais espaço para ganhos nos mercados emergentes e decepção nos Estados Unidos”, de acordo com Morgan Harting, gestor da AllianceBernstein, em Nova York. O ritmo lento das vacinações no mundo em desenvolvimento agrava um cenário já desafiador para muitos mercados emergentes, que tiveram que enfrentar rendimentos mais altos dos títulos do Tesouro dos EUA, mesmo com a pressão dos custos do combate à pandemia sobre suas próprias finanças.

Para Jon Harrison, diretor-gerente de estratégia macro de mercados emergentes na TS Lombard, em Londres, a perspectiva de o Federal Reserve reduzir as compras de ativos também pode fortalecer o dólar, pondo fim a um importante fator favorável para a classe de ativos neste ano. “Na ausência de um retorno a um dólar mais fraco, o cenário externo para economias de mercados emergentes se tornará mais desafiador”, afirmou.

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JPMorgan aposta US$ 4,8 bilhões em polêmica nova liga de futebol

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(Bloomberg) — O JPMorgan Chase vai financiar a maior reviravolta do futebol europeu desde a década de 1950 com uma aposta de 4 bilhões de euros (US$ 4,8 bilhões) que já atraiu fortes críticas de torcedores, ligas nacionais e políticos.

O banco de investimento dos EUA concordou em subscrever um investimento inicial de 3,5 bilhões de euros para ajudar a criar a Super League, um valor que totalizará 4 bilhões de euros após pagamentos e despesas adicionais, de acordo com uma pessoa a par do assunto. O investimento, atualmente financiado pelo JPMorgan, poderá ser oferecido a investidores em data posterior, acrescentou a pessoa, que pediu para não ser identificada.

Um grupo dos clubes de futebol mais ricos do mundo, incluindo Manchester United e Real Madrid, disse que pretende se separar da prestigiosa Champions League da UEFA e formar sua própria Super League. Times de peso – seis da Inglaterra, três da Itália e três da Espanha se inscreveram até agora – se enfrentariam no meio da semana. Ao lado de 15 times permanentes, outros cinco se classificariam para participar a cada ano.

Os clubes assinaram um acordo vinculante para se comprometerem a permanecer na Super League por um determinado número de anos, de acordo com pessoas com conhecimento do acordo. O acordo vinculante foi um fator decisivo para o investimento do JPMorgan, acrescentaram as pessoas. O financiamento do JPMorgan foi fechado a uma taxa de juros entre 2% e 3% para um prazo de 23 anos, acrescentou uma das pessoas.

Um porta-voz do JPMorgan não quis comentar. A Super League não respondeu a tempo para a publicação deste artigo.

A nova liga seria a maior reviravolta do futebol europeu desde a criação da Champions League em 1955. Ligas nacionais da Inglaterra, Espanha e Itália, o órgão dirigente do esporte na Europa, bem como a FIFA contra-atacaram, ameaçando os clubes com ações judiciais e expulsão das ligas nacionais.

“Não estou surpreso que um banco como o JPMorgan esteja preparando sua atividade esportiva europeia”, disse Nikhil Bahel, do grupo de investimentos esportivos Elysian Park Ventures. Bahel disse que o impacto da pandemia de Covid-19 deixou muitos times e ligas financeiramente expostos. “Na minha opinião, há uma percepção aqui na Europa de que o atual modelo de financiamento para esses órgãos precisa ser revisitado.”

O papel do banco de investimento dos EUA é vital, pois dá à Super League cobertura financeira para colocar bilhões de euros em direitos de transmissão garantidos na linha para que os clubes possam tentar obter receitas maiores por meio da nova liga.

Embora a nova liga libere os clubes de jogar contra times menores que geram menos renda, também os expõe à ameaça de serem condenados ao ostracismo por ligas nacionais e muitos torcedores. Conceder a certas equipes um lugar permanente abala o princípio fundamental do futebol internacional – que qualquer um pode se qualificar – ou deixar de se qualificar – para as competições de maior prestígio.

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JPMorgan reduz exposição ao Brasil de overweight para neutro em seu portfólio na América Latina; México é elevado

(Getty Images)

SÃO PAULO – O banco JPMorgan reduziu a exposição em ações brasileiras de overweight (acima da média do mercado) para neutra em seu portfólio da América Latina, enquanto elevou exposição no México para overweight.

“Embora reconheçamos que os ativos estão negociando relativamente a múltiplos baixos e que podem negociar a patamares acima uma vez que o ritmo da vacinação aumenta, não temos uma opinião forte sobre uma recomendação direcional, considerando a alta volatilidade esperada daqui para frente devido ao início muito prematuro do debate presidencial de 2022 e com a piora da inflação e da dinâmica do emprego, esta última devido à escalada da pandemia”, afirmam os estrategistas do banco.

Além disso, os três catalisadores de curto prazo que o banco identificou após os eventos recentes com a Petrobras (PETR3;PETR4) – de maior interferência política com a saída de Roberto Castello Branco do cargo – têm se desenvolvido em diferentes níveis: vacinas (em andamento como esperado), reformas (diluídas, com dúvidas sobre futuros avanços) e real mais forte (a ser observado assim que o ciclo de alta da taxa de juros começar, provavelmente nesta quarta-feira com um aumento de 50 pontos-base na Selic, para 2,5% ao ano).

O JP reduziu sua exposição em Petrobras e em Itaúsa (ITSA4), enquanto elevou a sua exposição em duas ações mexicanas, GCC e Gruma.

De acordo com os estrategistas, as recentes revisões altistas do banco para o PIB dos EUA (expectativa de alta de 6,2%) são um bom presságio para o México (expectativa de alta da atividade econômica em 5,6%, com viés de alta).

O estímulo fiscal dos EUA deve acabar resultando em maiores remessas ao México (que aumentaram 11% em 2020, chegando a 3,8% do PIB) e forte desempenho das exportações e da produção industrial. Além disso, os estrategistas destacam as políticas fiscal e monetária relativamente sólida (o JP espera taxas estáveis ​​em 2021), juntamente com EUA mais fortes, devem manter o peso mexicano a patamares estáveis, apesar do dólar ainda forte e dos impactos da pandemia.

O dólar mais alto tende a reduzir a atratividade de países com beta mais alto, como o Brasil, que foi a base do rebaixamento do Brasil na carteira de emergentes), avalia o JPMorgan.

“O risco político, que sempre é uma questão que assombra nossa visão do México, está inegavelmente presente em praticamente todos os países da região. Embora o Chile tenha sido considerado para uma possível atualização, achamos que o mercado está a um bom patamar no país”, destacam. Assim, as recomendações para a América Latina são de overweight para o México, neutro em Brasil e Chile e underweight (exposição abaixo da média) para Peru, Colômbia e Argentina.

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