Expert XP confirma Hillary Clinton como palestrante; veja os demais painéis do evento que começa dia 24

SÃO PAULO – Hillary Clinton, ex-secretária de Estado e ex-senadora dos Estados Unidos, é a mais nova palestrante confirmada para a 11ª edição da Expert XP, evento anual realizado pela companhia e um dos maiores festivais de investimentos do mundo.

O evento, que acontece de forma online e gratuita entre os dias 24 e 26 de agosto, conta ainda com a participação de nomes como Michael Bloomberg, empresário e ex-prefeito de Nova York, Randi Zuckerberg, CEO da Zuckerberg Media e irmã do cofundador do Facebook, e a renomada jogadora de futebol brasileira Marta Silva.

Grandes gestores de fundos de investimento também estão com presença confirmada, como Howard Marks (Oaktree), Larry Fink (BlackRock), Luis Stuhlberger (Verde Asset) e Mohamed El-Erian (Allianz), além de Manny Roman, CFO da gestora Pimco.

Todos os conteúdos da Expert, que incluem palestras, mesas redondas, talks e entrevistas, serão transmitidos via plataforma da XP. Serão ao todo seis palcos pelos quais vão passar alguns dos nomes mais importantes da atualidade, com mediação de jornalistas e do time de profissionais da XP.

Dentre os assuntos que serão abordados, destaque para a retomada global da economia, open banking, eleições de 2022, tendências em relação às criptomoedas e ao mercado de investimentos, bem como o papel dos influenciadores digitais na educação financeira.

“Buscamos trazer as melhores referências e especialistas do Brasil e mundo afora para compartilhar com o público suas visões de mundo e os principais temas da atualidade, assim como histórias inspiradoras. Essa edição não será diferente, com nomes de peso já confirmados e muitos outros que ainda serão anunciados”, afirma Karel Luketic, diretor de conteúdos digitais da XP Inc, em nota.

Na edição de 2020, a primeira a ser realizada de forma online, por conta da pandemia de Covid-19, o evento impactou mais de cinco milhões de pessoas e contou com mais de 200 palestrantes.

Para conferir a programação da Expert 2021, bem como acompanhar as palestras, basta fazer a inscrição no site do evento.

Verde Asset: texto da reforma tributária merece nota zero com louvor

Texto originalmente enviado aos assinantes da newsletter Stock Pickers no sábado, 10 de julho de 2021. Para recebê-la, clique aqui.

Se eu fosse você, daria atenção ao que o Daniel Leichsenring costuma dizer sobre o governo.

Leichsenring é o economista-chefe da Verde Asset, não só uma das maiores assets do Brasil, com R$ 50 bilhões sob gestão, mas também gestora do lendário fundo Verde, um dos fundos mais vitoriosos da história do Brasil gerido por Luis Stuhlberger — o príncipe do Condado.

Em agosto de 2020, quando o governo começou a flertar com a possibilidade de estender o auxílio emergencial, que estava na faixa de R$ 600,00/mês, Leichsenring fez um relatório super detalhado com 12 páginas explicando de forma lúdica por que o Brasil não tinha condição de manter o programa de auxílio emergencial da forma como o governo federal queria.

Semanas depois, o governo anunciou que iria estender o auxílio, mas com um valor reduzido. Se foi por conta do relatório, ou não, jamais saberemos, mas o fato é que o estudo teve uma repercussão enorme por demonstrar o risco que era estender a ajuda nos moldes da anterior.

Já neste ano, Leichsenring voltou a falar sobre questões ligadas ao governo, mas desta vez sobre a vacinação em São Paulo. O ritmo da vacinação no Brasil como um todo não vinha empolgando muito, porém, em São Paulo, parecia que o governo estadual estava com o freio de mão puxado, pois havia vacina em estoque e o ritmo não acelerava.

O motivo, como Leichsenring mostrou num artigo no Brazil Journal no final de maio, foi a mudança no critério de vacinação que de abril para maio passou a ser por grupos com comorbidade e não idade.

Isso desacelerou o ritmo, porque, segundo Leichsenring, o critério de grupos com comorbidade era muito falho.

Na sequência, o economista participou de um Coffee & Stocks sobre o tema e reforçou seu ponto: “a vacinação por comorbidade é MUITO FALHA e está atrasando todo processo”.

Coincidência ou não, no mesmo dia o governador do estado, João Doria, anunciou a volta para o critério de vacinação anterior (por idade).

Leichsenring tem sido muito assertivo em suas colocações e inclusive voltou ao Stock Pickers nesta quinta-feira para participar da gravação do primeiro podcast ao vivo com transmissão em nosso canal no YouTube e não poupou críticas ao texto inicial da reforma tributária ao qual ele deu nota zero, pois não poderia dar nota negativa.

Para começar, Leichsenring pontuou que a nota era zero pelos seguintes motivos:

  1. Aumenta brutalmente a carga tributária;
  2. Aumenta enormemente a complexidade do sistema;
  3. Cria mais passivos e contingentes;
  4. E atrapalha o crescimento.

“É difícil você ticar tantos boxes assim quanto essa reforma tributária e por isso eu acho que ela não merece muito mais do que zero”, comentou durante o episódio.

Mas como o economista não costuma criticar por criticar, também apontou o que deve ser feito para reformar a reforma tributária — olhando em retrospecto, talvez seja bom você se atentar aos pontos levantados pelo economista, porque essas podem ser as modificações que iremos ver no texto nos próximos dias.

Alterar

  1. Imposto sob dividendos deve cair para pelo menos 15%. O ideal seria cair para 10%;
  2. IRPJ deve cair pelo menos 10 pontos percentuais;
  3. A “pejotização” deveria diminuir a zero o limite de dividendo.

Eliminar

  1. Pagamento de imposto sob dividendo entre empresas e fundos;
  2. Imposto de renda sobre ganho de capital indireto;
  3. Toda parte da reforma que trata da questão de offshore.

Manter

  1. Trecho da reforma que trata dos fundos fechados;
  2. Eliminação do JCP (Juros sobre Capital Próprio).

Leichsenring acredita que, se as sugestões forem acatadas, a reforma poderá buscar uma nota bem melhor do que zero e nós teremos certeza que não só Paulo Guedes como também vários congressistas reservam um horário na quinta-feira para escutar o melhor podcast de ações do Condado.

Caso você não tenha acompanhado ao vivo na quinta, o episódio está no podcast e no YouTube. A vantagem de ver a gravação é que você pode acelerar o player para ouvir mais rápído já que o papo foi bem longo (teve mais de 2h de duração).

Além da reforma tributária, falamos sobre a surpresa positiva dos economistas com a vacinação e com a economia brasileira. Ficou imperdível.

Stock Pickers estreia novo formato de “podcast ao vivo”…

A partir desta quinta-feira (8/jul), as gravações do podcast Stock Pickers serão transmitidas ao vivo em nosso canal no Youtube. Essa live começará às 17h (horário de Brasília) e tem duração estimada de 90 minutos.

Esse formato de “live podcast” é replicado com muito sucesso no mundo todo: lá fora, temos como grande referência o Joe Rogan, que transmite suas longas conversas em vídeo e depois em áudio. Aqui no Brasil, o Flow Podcast pode ser considerado o grande caso de sucesso desse formato.

As “gravações ao vivo” do Stock Pickers acontecerão sempre às quintas-feiras no final da tarde – mesmo dia da publicação do podcast, que continuará sendo publicado às quintas, logo após a live.

Na estreia deste novo formato, receberemos Daniel Leichsenring, economista-chefe da Verde Asset. e Rachel de Sá, chefe de economia na Rico Investimentos (e nas horas vagas, vocalista da banda Rock Pickers, como vocês puderam ver semana passada no nosso evento Melhores da Bolsa 2021).

Kapitalo: mercado está difícil agora? Foque no cenário do final de ano…

No Coffee & Stocks desta quarta-feira (7), recebemos Carlos Woelz, gestor da Kapitalo Investimentos, gestora com 11 anos de estrada e que que possui mais de R$ 20 bilhões em ativos sob gestão.

Woelz explicou por que apesar de ele estar com baixa exposição a risco neste momento dentro dos fundos da Kapitalo, ele está com uma visão otimista para os mercados. No curto prazo, as preocupações em torno dos “sinais de pico” da atividade global e da inflação insistentemente alta mantêm o mercado sem tração; por outro lado, o cenário para o final do ano. Confira aqui!

6 dicas para encontrar os melhores vídeos de finanças da internet…

Convidamos Daniel Haddad, profissional com 15 anos de experiência no mercado financeiro, para escrever uma coluna em nosso blog sobre um de seus hobbies favoritos: compilar e compartilhar vídeos com conteúdos valiosos do mercado financeiro.

Haddad começou a assistir vídeos relacionados a negócios no YouTube em 2013, durante seu curso de MBA em NYU Stern, e passou a compartilhar os vídeos com amigos, que por sua vez compartilhavam reflexões interessantes e/ou me apresentavam outros vídeos. Ao longo desses anos sua lista foi expandindo (e segue aumentando a cada dia), resultando em uma videoteca constantemente atualizada, que posta em seu Twitter e Instagram.

Em seu texto no STPK, Haddad compartilhou 6 princípios que o nortearam e continuam norteando na criação/atualização da videoteca.

Biblioteca Stock Pickers: o que Daniel Leichsenring e Rachel de Sá leem…

Nossa biblioteca continua crescendo!

Após mais um episódio, temos duas novidades no maior acervo de indicações de livros do Condado.

Rachel de Sá, chefe de economia na Rico Investimentos, indicou um de seus livros favoritos: Paris é uma festa, de Ernest Hemingway.

Já Leichsenring recomendou um livro do consagrado escritor e Michael Lewis, O Projeto Desfazer, que conta a história de amizade e parceria entre Amos Tversky e Kahneman — dois psicólogos israelenses cujo trabalho deu origem ao livro Rápido e Devagar.

Visite nossa biblioteca e confira outras centenas de recomendações.

Josué Guedes
CMO do Stock Pickers

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“Acreditei no Bolsonaro, mas nunca mais terá meu voto”, diz Luis Stuhlberger

O icônico episódio em que a possibilidade de investir no Fundo Verde se esgotou em menos de dois minutos no Itaú Unibanco, em fevereiro, teve nome e sobrenome como causa. É Luis Stuhlberger, o gestor que conseguiu rentabilidade acumulada de 18.681% desde que o Verde foi criado, em 1997, enquanto a valorização do CDI, usado como parâmetro de comparação, foi de 2.230%.

Um dos principais méritos para esses resultados foi o fato de Stuhlberger ter sabido ler, com precisão acima da média, os movimentos políticos e econômicos do País, marcados por muitas incertezas, ano após ano. E, evidentemente, ganhar dinheiro em cima disso.

Quem acompanha os trabalhos da Verde Asset, hoje com R$ 52 bilhões sob gestão, não deve ter estranhado a assinatura de Stuhlberger na carta dos economistas, divulgada no fim de semana passado. Nela, mais de 1,7 mil economistas, empresários e banqueiros pedem medidas efetivas no combate à pandemia – com críticas muito duras ao governo federal.

A mais recente carta do Verde a seus cotistas, de fevereiro, tinha exatamente o mesmo tom. Stuhlberger diz que, se fosse analisar a carta dos economistas, a conversa duraria cinco segundos. “Ela é óbvia por si só e o que tenho a acrescentar ao que está escrito é nada”, diz. “Ela é completa, é longa, traz a referência de onde saíram os números.”

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Resolveu, então, fazer uma leitura pessoal e uma reflexão sobre os 12 meses de pandemia, o que o País perdeu e suas perspectivas daqui para frente. Os principais trechos da entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast:

Qual foi sua reação à carta dos economistas?

No ato em que subscrevi a carta, pensei: “Estou aqui dizendo: ‘votei em 2018, acreditei na sua proposta, mas você (presidente Jair Bolsonaro) não vai ter mais o meu voto’. Nos últimos dias, ao pensar sobre a carta, comecei a passar em revista os 12 meses da minha vida na pandemia. Se eu morasse em Marte, chegasse hoje na Terra e fosse informado sobre como o Executivo brasileiro lidou com a pandemia nos últimos 12 meses, eu diria que era mentira, uma história surreal. Digo 12 meses porque, na quarta-feira, o pronunciamento oficial do presidente foi claramente uma capitulação do que ele havia falado desde março de 2020. É claro que, de vez em quando, vai ter uma recaída, mas não deixa de ser uma capitulação. Certamente, o Brasil foi o pior país do mundo na condução do combate à pandemia. Se fosse possível dois países terem regimes opostos nas políticas de combate à pandemia, eu diria que seriam a China e o Brasil.

Como assim?

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A China, de forma ditatorial, colocou todos os moradores de Wuhan em casa, com os produtos a serem consumidos entregues uma vez por semana. Se a sociedade brasileira tivesse atendido aos apelos de Bolsonaro, que taxou a pandemia de “gripezinha, mi-mi-mi, de vamos levar uma vida normal, todo mundo pega e a gente recomeça sem esse aborrecimento todo”, seriam 7 milhões de brasileiros mortos. Esse número é um cálculo aproximado do que aconteceu durante a gripe espanhola, quando morreram 3% da população, em relação ao Brasil de hoje. Poderia ser mais gente porque, claro, nem na gripe espanhola a vida foi normal. As pessoas também usaram isolamento social e a atividade econômica caiu. Não é uma acusação ao presidente, mas uma tentativa de entender como ele pensa. Nessa visão utilitarista do Bolsonaro, se morressem 3% das pessoas e sobrassem 97% para recomeçar, estaria tudo bem. Isso, evidentemente, jamais vai acontecer, porque vivemos numa democracia. Mas é essa a impressão que ele passa com o enfrentamento dos últimos 12 meses, ao ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tolher a ação de prefeitos e governadores, dizer que o direito de ir e vir está na Constituição e não se pode impedir ninguém de trabalhar. É como se os prefeitos e governadores adorassem que o PIB tenha caído, sendo que eles estão desesperados por ter o sistema de saúde colapsando.

Por que o presidente capitulou agora?

Talvez por força da tragédia com a nova cepa ou porque o (o ex-presidente) Lula entrou no circuito. Ou a própria nova posição da Câmara dos Deputados, com o (presidente) Arthur Lira (PP-AL) sendo muito crítico.

Nos últimos dias, banqueiros e empresários reuniram-se várias vezes com os líderes do Congresso. O que eles querem? Trocar ministros? Fazer pressão sobre o presidente?

O empresariado tem buscado atuar de maneira a ajudar, e evita criticar. As associações empresariais e os grandes empresários nunca são contra nenhum governo. Empresário nenhum quer encrenca e briga com o governo. Tem sido assim desde sempre. O que querem é lidar com a pandemia da melhor forma. Querem importar vacinas. Se não competirem para pegar doses com o governo, quanto mais rápido (a iniciativa privada vacinar), melhor. As vacinas trazidas pelo governo só vão chegar no segundo semestre, com exceção de uma dose mínima de Pfizer com previsão para maio, junho. Na verdade, a gente tem de correr. Os empresários querem é isso, mais nada. Querem é que o pesadelo acabe.

O pesadelo vai acabar?

Vai, mas o problema é que vamos começar a importar vacinas – que até agora eram produzidas no Brasil com insumos vindos de fora – com 6 a 9 meses de atraso. Podíamos ter tido a Pfizer entregando 20 milhões de vacinas no Brasil em janeiro. Foi uma chance que o Brasil jogou fora. Em janeiro, fevereiro e março, 50 milhões de pessoas podiam ter sido vacinadas, mas fomos para o fim da fila.

O que significou esse atraso?

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O custo do atraso é tranquilamente de 1,5% a 2% de perda no PIB este ano, algo em torno de R$ 130 bilhões a R$ 140 bilhões. Se for somado ao custo do auxílio emergencial, podese falar numa perda de R$ 200 bilhões no ano. Era muito melhor ter gasto esse dinheiro em vacinas.

Há algo a ser feito agora, para que parte das perdas econômicas seja reduzida?

O ponto de menor custo e maior benefício é o uso de máscara boa. O número de brasileiros que usa máscaras é grande, mas a maioria tem as de má qualidade, por causa do preço. Se o governo distribuir máscaras de boa qualidade, gastará muito menos proporcionalmente por evitar contaminações.

• O sr. acredita que o governo vá mudar?

O governo já mudou. Está havendo a importação de vacinas, sendo reduzidas deficiências e criado o grupo para combater a pandemia. Com muito atraso e um custo de vidas imenso, mas está sendo feito.

Como o Verde está se posicionando?

Tem algo importante que mexeu com o cenário de investimentos que é o Supremo Tribunal Federal (STF). A eleição do ano que vem está longe, mas houve uma mudança substancial nas perspectivas. A um custo imenso financeiro e de vidas, a pandemia está começando a ser resolvida. Mas a questão que vem do Supremo mexeu muito com meios subjetivos.

Como o sr. vê a próxima eleição?

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Para mim, existe 90% de certeza de que o segundo turno no ano que vem será disputado entre Bolsonaro e Lula. Está longe, mas já se começa a pôr probabilidade no preço dos ativos, nos juros. Não se sabe qual Lula teremos em 2022: o do PT da última eleição, mais à esquerda, ou o de 2003 a 2008. Por conta do que aconteceu com a imagem do Bolsonaro na pandemia e com o Lula de volta, o cenário de longo prazo chegou nos preços muito antes do que se imaginava.

O sr. não vê outra alternativa para 2022?

Se tivéssemos um único candidato do centro, haveria três disputando o primeiro turno, com uma chance de uma alternativa a Lula e Bolsonaro ir para o segundo turno. Mas, na prática, isso não existe. Os empresários – e eu estou junto a eles – estão literalmente apavorados com a hipótese de ter de escolher num segundo turno entre Bolsonaro e Lula, no ano que vem. O empresariado está desesperadamente buscando um candidato do centro. Nunca, na minha vida, votei em branco, porque sempre acho que existe um mal menor. Dessa vez, se for Bolsonaro contra Lula, vou ter de votar em branco, porque não há mal menor entre os dois. É um recado para o presidente, no sentido de que melhore, porque há muitas pessoas e eleitores que pensam como eu.

Há algum nome do centro mais viável?

É muito cedo para dizer. Minha opinião pessoal, ainda que arriscando errar, entre os nomes que estão aí é o do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Nos outros, vejo mais problemas. Do ponto de vista dos candidatos mais ao centro, uma coisa é enfrentar o Bolsonaro. Outra é enfrentar o Bolsonaro e o Lula. O (governador de São Paulo João) Doria (PSDB-SP) e o (apresentador) Luciano Huck têm muito a perder se tiverem poucos votos. Mesmo se perder, Leite é novo e seu nome se tornaria conhecido nacionalmente para, em 2026, ter mais chances. Ele é um candidato bom, que está fazendo um governo muito bom. Mas outros podem entrar na corrida. O Doria, não só por ter feito a Coronavac como pelo esquema das vacinação, vai sair vitorioso (em termos políticos).

O sr. teme algum tipo de bolha na Bolsa, com o grande número de ofertas de ações e a entrada em massa de pessoas físicas?

Não, isso faz parte do cenário de juros baixos, que é uma conquista do Brasil. Não vamos ter mais dois dígitos de juros. Estamos em outro patamar de inflação e vamos colher os frutos econômicos disso.

O que isso significa?

O dinheiro que vem para o Brasil está sendo investido em debêntures de infraestrutura, fundos imobiliários e estruturas de crédito. É um dinheiro que, para render, está indo para a economia real. Passamos com esse dinheiro improdutivo no CDI por 26 anos. Com essa mudança, o resultado aparece na eficiência. Novos negócios estão sendo gerados para serem financiados via instrumentos modernos criados pelo mercado, pelo Banco Central, pela Comissão de Valores Mobiliários. Tudo isso é possível com a Selic mais baixa e cria uma nova dinâmica econômica. Mesmo indo a 5%, essa nova realidade não vai deixar de existir. A Selic não vai ser mais de dois dígitos. Só isso é um grande fator de otimismo. É a tal história: o governo precisa ajudar para o Brasil melhorar? Não. Basta não atrapalhar que a gente vai andar.

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Fundo Verde, de Luis Stuhlberger, reabrirá para captação em fevereiro

(CONDADO DA FARIA LIMA) – O Fundo Verde, um dos fundos mais vitoriosos da indústria brasileira e que tem Luis Stuhlberger como principal gestor, reabrirá para captação em fevereiro. A informação é da XP Investimentos.

O fundo estará disponível nas plataformas da XP e da Rico, através do Verde AM X60 Advisory FIC FIM – nome do “fundo espelho” -, que compra as cotas do fundo master e, portanto, replica a estratégia do original.

Ainda não foram definidas as datas de agendamento e liquidação, mas a XP informa que o capacity será bastante limitado. Lembrando que a última vez que o Fundo Verde reabriu para captação foi em setembro de 2018. Na ocasião, ele ficou apenas dois dias abertos.

O Verde tem um dos ‘track records’ mais invejáveis da indústria brasileira de fundos: desde sua criação (jan/1997), a rentabilidade acumulada é de 18.601%, mais de 8 vezes o rendimento do CDI no mesmo período (2.223%). Para começar a investir nele com a XP, clique aqui.

Stuhlberger já esteve no Stock Pickers por duas vezes. A última, em novembro de 2020, foi no evento “Melhores da Bolsa 2020”, ao lado do seu sócio e gestor, Luiz Parreiras. Aqui você confere um resumo da nossa conversa, escrito pelo Lucas Collazo (analista da Rico Investimentos).

Veja também:

Stuhlberger otimista, Xavier… também? Uma inusitada revelação neste encontro de gigantes

Stuhlberger e Xavier veem cenário mais positivo para o Brasil e o mundo, mas alertam sobre o que já está precificado

SÃO PAULO – Apesar de aparentemente haver um desânimo dos investidores com o Brasil, em meio ao descolamento do mercado externo com a recente queda da Bolsa e alta do dólar, dois dos grandes gestores de recursos do país estão otimistas com o curto prazo e veem os acontecimentos recentes como positivos, mas fazem alertas para o cenário de longo prazo para a economia nacional e também sobre as oportunidades que ainda existem no mercado.

Em palestra na noite da última terça-feira (26) no evento Latin America Investment Conference (LAIC), do banco Credit Suisse, Luis Stuhlberger, CEO da Verde Asset, e Rogério Xavier, fundador da SPX, mostraram alívio com a recente ata do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que tirou do texto o forward guidance (que sinalizava manutenção dos juros, atualmente em 2%, por um longo período de tempo), vendo assim um sinal para elevação da Selic.

“O Brasil sempre foi capaz de me surpreender pelo lado negativo mas, nos últimos sete dias, apareceu uma luz no fim do túnel e não um trem na minha direção. A primeira notícia positiva foi a ata do Copom, que recebi com enorme satisfação. Sempre fomos muito críticos ao nível de juros que se chegou no Brasil, 2% ano não é taxa de equilíbrio e gera várias distorções”, disse Xavier.

O gestor ainda destacou outras duas boas notícias: caso a eleição para as presidências da Câmara e do Senado tenha um desfecho positivo para o governo com a vitória, respectivamente, de Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), é muito provável que haja a aprovação de uma proposta de emenda à constituição (PEC) importante, sendo a PEC emergencial a mais provável, o que garante uma melhora do cenário no médio prazo.

Outro ponto destacado como positivo por ele foi o aval do governo para que o setor privado possa ser incluído no processo de vacinação contra o coronavírus: “com o setor privado apoiando setor público, a chance de engrenar vacinação aumenta muito”.

De acordo com o fundador da SPX, o primeiro trimestre de 2021 será fraco com a vacinação lenta, perda de momentum da economia, com o aumento das restrições de mobilidade em meio ao aumento de casos de Covid-19. Mas, olhando um pouco mais para frente, a perspectiva é positiva. “Por incrível que pareça, vejo o cenário muito melhor do que via dias atrás, [estou] bastante construtivo que esses fatores conjugados possam animar o mercado e, assim, os preço dos ativos possam ter uma melhora importante”, avalia.

Stuhlberger destacou “concordar 100%” com a avaliação recente sobre a política monetária, destacando também se opor à política recente implementada pelo Banco Central. Segundo o gestor, o juro real negativo acabou tendo efeitos negativos para o Brasil: “o valor justo do dólar hoje deveria ser de no máximo R$ 4,30, como estamos tão longe?”. De qualquer forma, não vê os juros voltarem aos patamares que estavam antes, na casa dos dois dígitos.

Os dois gestores ainda apontaram não estarem tão preocupados com uma extensão do auxílio emergencial, que deve ser por um período menor do que em 2020. “Se tiver, não será por um longo período de tempo, de dois a três meses por conta do atraso da vacinação no país”, aponta o CEO da Verde Asset.

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Stuhlberger ainda destacou as implicações do cenário atual para a sua estratégia de investimentos, apontando ver com otimismo o ambiente para este ano e que “cogita até vender S&P e comprar Brasil”. E complementou:  “Mesmo com problemas de longo prazo, no curto prazo estará bem”. Atualmente, a Verde possui alocação de 21% em ações de empresas brasileiras e 15% no exterior, principalmente em companhias dos EUA.

Apesar do otimismo no curto prazo, Stuhlberger reforça o ambiente desafiador no longo prazo para o Brasil, levando em conta principalmente a necessidade de resolver os problemas estruturais e as desigualdades.

“Todo mundo diz que o Brasil flerta com o abismo mas não cai. É uma verdade que não será verdade por todo tempo”, apontou.

Conselhos para investidores e visão do cenário global

Quando questionados sobre conselhos de investimentos para pessoas físicas, Stuhlberger ressaltou a necessidade em fazer o que chamou de uma “diversificação eficiente”, entre bons gestores e fundos diferentes, além de ter um olhar crítico com fundos de investimentos com excesso de alavancagem.

Já Xavier apontou que, com os juros baixos, o Banco Central acabou por “empurrar” as pessoas a tomarem um risco em ativos que ele considera saudável, mas ponderando que a velocidade foi rápida demais – além disso, o movimento pode ser parcialmente revertido. “O movimento vai desacelerar porque haverá uma volta para renda fixa com o juro maior, o que levará [o investidor] a fazer uma migração numa velocidade mais adequada”, avalia.

Ao olhar para o cenário global, Stuhlberger apontou também estar otimista, destacando que a recuperação já seria forte se não fosse anunciado o estímulo fiscal pelo governo democrata de Joe Biden. Assim, a projeção de PIB dos EUA com crescimento de 6,5% pode de fato se materializar. “O grande problema é o que está no preço”, aponta.

Na mesma linha, Xavier tem uma visão positiva para a economia dos EUA, com a vacinação acelerada por lá, enquanto China e Ásia em geral não enfrentaram tantos problema. Já a Europa segue patinando, mas deve ser puxada pelo restante do mundo.

“A perspectiva é muito boa para mundo. Os emergentes, no geral, vão sofrer mais que os desenvolvidos, mas também serão puxados pela China e o crescimento asiático”, avalia Xavier, ressaltando que a força dos asiáticos leva a uma melhora nos termos de troca dos produtos exportados para esses países, o que também beneficia o Brasil.

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Para o fundador da SPX, o grande problema é olhar para o preço dos ativos: “não digo que estamos numa bolha, mas não são atrativos como no passado”.

Ele ressalta, contudo, ser possível sempre fazer stock picking. Ou seja, fazer uma seleção de ativos que podem ter um desempenho acima da média do mercado. “Os mercados apresentaram crescimentos exuberantes nos últimos meses e não estão de graça, mas alguns nomes específicos podem ser explorados”, destacou.

Sobre o mercado de juros, ele apontou que o movimento de volta à normalidade não começou, com as curvas de juros pelo mundo ainda parecendo “muito pouco inclinadas”. “Quando veja a curva de juros no mundo, dá vontade de tomar todas as inclinações (…) Parece que as inclinações ainda estão muito baixas. Os juros não estão correspondendo à inflação implícita. Ainda têm um bom espaço para andar”, ressalta.

Outro mercado a ser acompanhado com cuidado pelos investidores é o de câmbio, avalia Xavier, apontando que não é necessariamente óbvio que o ciclo de dólar fraco vai perdurar, ainda mais levando em conta a grande possibilidade dos Estados Unidos elevarem os juros antes da Europa. “Não está claro que vai ser uma ‘barbada’ se posicionar em euro contra o dólar”, avalia.

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A maxidesvalorização do real que fez o Ibovespa saltar 33,4% em um dia e tornou famoso o fundo Verde, de Stuhlberger

SÃO PAULO — O começo do ano de 1999 foi marcado por um período que ficou conhecido como a maxidesvalorização do real. A âncora cambial com o governo controlando o valor do real em relação ao dólar desde o lançamento da moeda brasileira, em 1994, ficou insustentável.

Isso forçou uma mudança no regime cambial nacional, com o fim do regime de bandas para câmbio flutuante, o que fez com que o Banco Central fosse obrigado a negociar dólares no mercado futuro, aumentando a quantidade de moeda americana nos nossos cofres e contribuindo para a queda do valor das ações da Bolsa de Valores.

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Por isso, nos dias 13 e 14 de janeiro de 1999, a B3 precisou interromper suas atividades, realizando dois circuit breakers. No dia 13, o Ibovespa caiu 5,04%. No dia 14, a baixa foi de 9,97%. Já no dia 15, quando a cotação do real em relação ao dólar pôde finalmente correr livremente, houve uma forte correção do Ibovespa, e o índice disparou 33,40%.

A maxidesvalorização do real em 1999 é o tema do quarto episódio de Os Pregões que Fizeram História. É possível seguir e escutar o programa pelo SpotifyGoogle PodcastsSpreakerDeezerApple Podcats (iTunes)Castbox e Podchaser. Se preferir, faça o download do episódio clicando aqui.

“Começou a ficar claro que ia ser muito difícil manter a âncora cambial. Digo isso por que? Se o real era US$ 1 em 1994 quando ele foi criado, quando a gente chegou no fim de 1998, a inflação brasileira de agosto de 1994 até dezembro de 1998 foi cerca de 60%. Como a inflação americana tinha sido nesse período de 10%, o real, só por essa conta, se apreciou 45%, o que é bastante, simplesmente pela diferença entre a inflação brasileira e a americana”, disse Luis Stuhlberger, CEO e CIO da Verde Asset Management.

“Para piorar, as commodities estavam em baixa, os terms of trade estavam abaixo do normal, o azar que o Fernando Henrique teve foi a sorte que o Lula teve, de petróleo a US$ 150, minério de ferro a US$ 150. Com esse passado, ficou claro que alguma coisa tinha que ser feita, ninguém sabia se era uma desvalorização controlada [do real] ou não”, completou. O gestor tornou seu fundo Verde no mais famoso do mercado justamente por ter conseguido um retorno de mais de 100% com a maxidesvalorização do real em 1999, a qual ele previa que teria que acontecer mais cedo ou mais tarde.

“Em janeiro de 1999, o fundo deu 66% de retorno. Mas é curioso que no dia da disparada da Bolsa, o fundo só deu 1,7%”, disse Luiz Parreiras, gestor da estratégia multimercado e previdência da Verde. Eles explicaram como se prepararam para a maxi e fizeram um paralelo sobre o cenário cambial em 2020, quando  dólar chegou perto de R$ 6. Ouça o podcast acima.

Sobre o podcast

Os Pregões que Fizeram História é o novo podcast do InfoMoney e conta bastidores de dias emblemáticos para os mercados, seja por uma queda drástica ou por uma disparada, através da voz de quem estava lá — ou de quem entende muito do assunto. Ele vai ao ar toda semana, sempre às sextas-feiras.

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O Plano Collor e o congelamento da poupança em 1990, a mudança para câmbio flutuante e a maxidesvalorização do real em 1999, o investment grade do Brasil em 2008, a crise do subprime naquele mesmo ano que colapsou os mercados do mundo inteiro, o Joesley Day e a delação dos irmãos Batista em 2017. Esses e muitos outros momentos marcantes para a Bolsa brasileira estarão na série.

Stuhlberger e Goldberg: entre a recuperação em V e os pesadelos da 1ª Guerra

Dividir uma live sobre mercado financeiro com ninguém menos que Luis Stuhlberger (fundador da Verde Asset) e conseguir se destacar positivamente não é tarefa para qualquer um. Isso por si só já faz valer a pena cada um dos 100 minutos da conversa que Daniel Goldberg, sócio da gestora Farallon Latin America, teve com o gestor da Verde.

Goldberg tem no currículo ter sido presidente do Morgan Stanley e Secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça. Ele falou principalmente sobre “bailouts”, que são os resgates financeiros que os governos realizam nas empresas, mas a conversa passou também sobre as posições de Stuhlberger na Verde e sobre o que faz Goldberg “ter pesadelos” sobre o que pode acontecer no mundo se as lideranças globais não se atentarem.

A live foi uma surra de conteúdo, por isso o resumo será separado em assuntos para a leitura ficar mais fluida. Mas sugiro fortemente que você acompanhe a gravação desta conversa, realizada na última terça-feira na Verde Week (link do vídeo).

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Texto escrito a quatro mãos com Lucas Collazo (analista da Rico).

Crise é única pelas simetrias e assimetrias
Essa crise é única no ponto de vista de simetria na amplitude, pois o mundo todo teve que parar ao mesmo tempo, é quase como um “coma induzido” para todos, independente se o país tem suporte do Banco Central ou não, se é emergente ou desenvolvido, tem liquidez ou não…

Ao mesmo tempo, ela é extremamente assimétrica quando olhamos por impactos setoriais, onde vimos um deslocamento bruto de valor que saiu de setores duramente impactados pela crise e foi para setores ligados a tecnologia, que tiveram um crescimento “anabolizado” pelos novos hábitos. Dois números evidenciam isso: i) o que a Amazon ganhou de valor de mercado nessa crise foi 10x maior do que o valor total perdido pelas 3 maiores companhias aéreas dos EUA; ii) o Russel 2000 (índice de small e micro caps nos EUA) está com queda de 16% no ano, enquanto o Nasdaq (índice de empresas de tecnologia) sobe quase 6% [nota: um dia depois da live, o Nasdaq renovou sua máxima histórica].

Mercado precifica recuperação em “V” – e Azul vs Delta tão aí pra provar isso
Nos últimos 50 anos, um investidor em “bonds high yield” (títulos de dívida de empresa de alto risco) exigiu um retorno médio de 2,5% ao ano acima da taxa livre de risco (no caso, a Treasury dos EUA). É possível com base nisso calcular quanto que será a taxa de default que o mercado espera ver nos EUA neste ano. O que está na conta é uma taxa de 5% a 7% de defaults das empresas. Será que isso é realista? Até agora, o ‘default rate’ já está em 5,5% em 2020 e vemos uma grande varejista quebrando a cada semana. É difícil acreditar que, num ano em que já estamos a 5,5%, a gente termine só com 7%. Na última crise [2008], essa taxa foi de 13%. E diferente do mercado de ‘equities’ que no longo prazo a empresa pode se recuperar e valer múltiplas vezes o que valia no fundo da crise, em bonds não existe essa recuperação: no pior cenário, você recebe 0 mas no melhor você recebe o valor de face da sua dívida.

Então o que explica essa precificação otimista do mercado? Com certeza a expectativa de um “V-shape recovery”. Mas tem algo mais além disso. E essa comparação entre Azul e Delta deixa isso claro.

Fonte: youtube da Verde

A Azul é talvez uma das empresas mais bem geridas do setor no Brasil e mesmo assim o gráfico mostra que as duas empresas estavam sofrendo igual até que a situação mudou para melhor apenas para a Delta [à esquerda está o comportamento do bond da Delta; a Azul está na direita]. Isso foi por causa de um duplo anúncio do Federal Reserve: o primeiro em março, sobre a injeção de capital, e depois em 9 de abril, quando ele disse que também comprará ETFs e junk bonds no mercado. Isso fez o título de dívida da Delta subir para patamares impensáveis neste cenário e o cenário se repete com várias empresas que estão conseguindo captação.

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O fato é que as empresas acabaram usando esse ‘bailout’ via Fed ao invés de ficar esperando ajuda do governo. Mas o que vai acontecer se a segunda onda do Covid vier e o Fed não entregar essa implícita que as empresas acreditaram que vai ter? Essa é uma grande dúvida. Mas o que temos visto até o momento é que evitar um bailout clássico através da promessa de um bailout implícito via Fed tem funcionado para manter os mercados animados.

Brasil: estamos mais pobres
Por aqui, temos um cobertor curto. Devemos ter um déficit financeiro gigantesco, sair dessa crise muito mais endividados e por isso precisamos prestar atenção para gerenciar a “ressaca” dessa situação. Um ponto que precisa ficar claro pra todos: estamos mais pobres. Resgatar financeiramente todos todos que perderam renda média bruta não é algo eficiente num país onde temos um sistema tributário pesado. Não tem como simplesmente voltarmos ao que éramos antes porque estamos mais pobres. É como se você morasse numa ilha e metade dela foi dizimada por um tsunami: você precisa se preocupar com o que ainda não foi dizimado, para não perder o restante da ilha. Ajudar a todos, compensando via impostos, é empobrecer o restante da ilha que sobreviveu.

Por isso, é importante sermos seletivos. Não adianta só escolher entre salvar o mais necessitado ou o maior, é preciso entender quantas pessoas estão sendo auxiliadas por esta ajuda, saber o número de CPFs envolvidos nestes “bailouts” e quantos CPFs estão pagando por isso.

Stuhlberger e a leitura mais inspiradora da pandemia
De tudo que eu li nestes 4 ou 5 meses de pandemia talvez o que foi mais inspirador foi um artigo escrito pelo Michael Cembalest do JP Morgan no Eye of the Market de dia 20 de março de 2020 [nota: a data correta do artigo é 6 de abril de 2020, conforme mostra o link original do artigo]. Ele cita John Stuart Mill, economista que em 1848 que mostra o quão mais rápido os países se recuperam do que você pensam. A adaptabilidade humana sempre surpreende positivamente.

[trecho do artigo, onde tem a citação de John Mill: “O que tantas vezes despertou admiração é a grande rapidez com que os países se recuperam de um estado de devastação, o desaparecimento em pouco tempo de todos os vestígios de ‘travessuras’ causados ​​por terremotos, inundações, furacões e devastações da guerra. Um inimigo destrói um país com fogo e espada, e destrói ou leva quase toda a riqueza móvel existente nela: todos os habitantes estão arruinados e, no entanto, poucos anos depois, tudo está como antes.”]

Dessa vez não acho que será diferente: o problema é a travessia mas eles [os Bancos Centrais] estão dando muito mais dinheiro do que poderia ser dado, visto que ‘não há culpado’ nessa crise – diferente de 2008, quando o “moral hazard” impediu uma ajuda mais rápida aos bancos. Temos hoje “unlimited cash” para esperar uma vacina. E eu sou relativamente otimista com a segunda onda, acho que aprendemos com o que não devemos fazer sobre evitar aglomerações em estádios e locais públicos. Mas eu também acho que vai ser mais difícil os países pobres aplicarem isso.

Stulhberger e a ilha deserta
Em março, quando eu estava amargando prejuízos grandes pois entramos errados na crise, se eu dissesse que o S&P ia bater 3.100 pontos e o Ibovespa bater 95 mil pontos, eu ia vender tudo e morar numa ilha deserta. Está chegando perto destes preços, é evidente que eu não vou morar numa ilha deserta, mas os mercados precificaram muito desse otimismo. Eu sou muito menos otimista com Brasil, temos muito risco no lado político e fiscal. Gosto do ‘risk taker’ do Banco Central, mas não tenho certeza que essa Selic a 2% e dólar a R$ 5,00 é sustentável. Tendo a crer que não é viável, embora ela possa ser viável por algum tempo, e timing é fundamental.

Encerramento: os pesadelos de Goldberg
O que me faz dormir mal a noite é não ver líderes mundiais colocando a ‘bola no chão’ neste momento onde os ecos sociais empurram ao extremismo, trancados em casa, perdendo emprego. Eu tenho muito medo que as coisas fujam do controle. Eu tenho pesadelo com a forma como nasceu a 1ª Guerra Mundial. Como uma sucessão de eventos tão triviais levou à pior guerra de todos os tempos, num verão que todo mundo falava de prosperidade na Europa. Estamos vendo uma série de discussões institucionais tão importantes de uma maneira muito preocupante, e a pandemia como pano de fundo deixa tudo mais complexo.

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Eu tenho medo da entropia, eu tenho medo que as coisas fujam do controle pelo fato das pessoas estarem em seus momentos mais difíceis em suas vidas.

Luis Stuhlberger: a trajetória do gestor de 17.550%

SÃO PAULO — Se você acha que o Brasil é difícil hoje, não tem ideia do que era nos início dos anos 1980. 

Nas palavras de Luis Stuhlberger, da Verde Asset, um dos gestores de maior sucesso da história do país, o cenário era o seguinte: o Brasil não tinha reservas cambiais, a Petrobras não produzia nem a metade do petróleo que precisávamos e uma quantidade muito grande de pessoas não conseguia nem ir para a escola primária. Tudo isso era regado a crises monetárias frequentes e uma inflação crônica.

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Naquela época, quando o então jovem engenheiro Stuhlberger começava sua carreira no mercado financeiro, se falava muito da economia brasileira como se ela fosse um bolo. “Primeiro vamos fazer o bolo crescer, depois distribuir” era a ideia que o governo propagava. Depois, com a Constituinte de 1988 e o modelo passou a ser o oposto: primeiro prometer um pedaço do bolo para cada um, depois fazê-lo crescer.

“Hoje temos um modelo intermediário entre fazer o bolo crescer e distribuir e o contrário, de distribuir e depois fazer crescer. Vivemos um meio termo, houve reformas, e agora vamos crescer com as nossas próprias pernas”, afirma Stuhlberger.

Dos anos 1980 ao 32º episódio do Stock Pickers, Stuhlberger se tornou um dos maiores gestores da história do Brasil. Seu fundo, o Verde, rendeu nos seus 23 anos de história incríveis 17.550% ou 8 vezes o CDI do período, e com incrível resiliência: o Verde teve rentabilidade anual negativa em apenas um dos 23 anos de existência — foi em 2008 (-6,4%), auge da crise do subprime.

Uma gestora, várias cabeças

No mercado financeiro, Stuhlberger e Verde são praticamente sinônimos, mas na prática não é bem assim. Na outra ponta da mesa deste episódio, Luiz Parreiras, há 17 anos na Verde, braço-direito e provável sucessor de Stuhlberger, conta o que aprendeu e nessas quase duas décadas de jornada.

Atualmente, Stuhlberger diz que está 100% confortável de que a Verde está em boas mãos com Parreiras quando ele se aposentar (embora ele, com 65 anos, deixe claro que está longe de pensar em pendurar as chuteiras: “o [George] Soros, com 90 anos, está operando super bem…”

Parreiras, aliás, desperta até mesmo um certo “ciúme” do chefe hoje em dia, mas quando o seu fundo apresenta melhores rendimentos.

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Long & Short

Stuhlberger e Parreiras não têm hábitos de investimentos como o dos convidados que costumam comparecer ao Stock Pickers. Mas apesar de já terem ganhado muito mais dinheiro com operações baseadas em indicadores macroeconômicos, eles têm também tem aquelas ações que não esquecem por já terem trazido muito dinheiro para os cotistas. “A posição que mais deu retorno foi uma long and short, entre 1998 e 2005, de comprar Itaú e vender Bradesco”, conta. “O Itaú saiu na frente depois do Plano Real e o Bradesco demorou para alcançar. E isso nos deu muito dinheiro”.

Encontro com Buffett no Brasil, o melhor stock picking da história do Verde e ao final um super elogio ao trabalho do Stock Pickers: isso tudo você confere ouvindo esse episódio histórico

Apresentado por Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos, e Renato Santiago, do InfoMoney, o Stock Pickers vai ao ar toda quinta-feira. Você pode seguir e escutar pelo Spotify, Spreaker, Deezer, iTunes e Google Podcasts.

Real está barato no curto prazo, diz Verde

dólar bolsa mercado índices alta baixa (Shutterstock)

SÃO PAULO –  A desvalorização do real tem provocado reações fortes de analistas, investidores, economistas – e de quem está de olho na viagem de fim de ano.

Para Luiz Parreiras, estrategista-chefe da gestora Verde, ainda que haja uma série de motivos por trás da baixa do real, a moeda está subvalorizada.

“No curtíssimo prazo, nossa moeda está barata. Vemos o dólar perto de 4 reais”, afirmou ele, na gravação de um episódio especial do podcast Stock Pickers.

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Parreiras é o segundo maior o sócio da Verde, gestora fundada por Luis Stuhlberger. Seu principal fundo, o Verde, rendeu incríveis 17.500% desde sua criação, em 1997.

Durante a gravação, Parreiras listou as principais razões que explicam a depreciação do real: a queda dos juros no Brasil, que reduz a diferença de retorno em relação às taxas americanas; o fato de o dólar ter se fortalecido globalmente; o movimento, por parte das empresas brasileiras, de troca de dívida em dólar por dívida em real.

“Além disso, com os protestos nos países vizinhos e o caldo de Lula e STF, o mercado se pergunta: será que vai ter protesto no Brasil?”, disse. “O mercado está um pouco preocupado e colocando esse preço no risco.”

No médio prazo, porém, a situação pode mudar. Quer saber mais? Então ouça o episódio do Stock Pickers, que vai ao ar hoje.

Parreiras deu essas declarações ao lado de Stuhlberger, que falou sobre investimentos, economia e até sobre Warren Buffett no podcast. O programa completo vai ao ar nesta noite.

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