Márcio Appel, da Adam: medo e pessimismo ajudam a “criar riqueza” no longo prazo

SÃO PAULO – O gestor Márcio Appel e os cotistas de seus fundos viveram dois anos de estranhamento. Em 2018 e 2019, os principais fundos da Adam, gestora fundada por ele em 2015, renderam menos que o CDI.

Enquanto a Bolsa bombava e concorrentes atraíam investidores entregando rendimentos invejáveis, Appel ia ficando para trás – assim como sua visão pessimista sobre o futuro dos mercados.

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Até que veio a crise. E aí Appel descolou. Os fundos da Adam estão entre os que tiveram os melhores desempenhos em meio à pandemia do coronavírus.

O principal deles, o multimercado Adam Macro, rendeu 1% em março, auge do pânico nos mercados. No acumulado do ano, a rentabilidade está em 4%.

Como referência, o índice IHFA da Anbima, que é a média de uma cesta de fundos multimercados, caiu 6,24% em março e 7,19% no ano.

No primeiro episódio do podcast Outliers, Appel conta o que analisa analisa ao tomar decisões de investimento e o que aprendeu ao passar por diferentes crises desde os anos 1990, quando começou a trabalhar no mercado financeiro.

Hoje, ele diz ter duas regras que “ajudam a criar riqueza por 30 anos”. Uma delas é acreditar que “as coisas sempre podem piorar muito”. A outra é ter medo quando acham que tudo está bem.

“Antes de uma crise, o mercado, normalmente, está espetacular. Mas o fato de os níveis de preço estarem especialmente altos torna o mercado frágil.”

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Sabendo disso, afirma, “não é preciso acertar o motivo da crise” para ganhar dinheiro.

O episódio foi gravado antes da derrocada dos mercados provocada pela pandemia, e é interessante notar como ele já estava mais pessimista que a média.

Na conversa, Appel também conta como começou a carreira, comenta a captação recorde da Adam no início, fala sobre sua fama de arrogante e detalha o processo de investimento da gestora.

Apresentado por Samuel Ponsoni, analista de fundos da XP, o podcast Outliers vai trazer, a partir de agora, entrevistas com os principais mais renomados gestores de fundos do país.

Numa linguagem direta e acessível, os episódios vão mostrar como esses profissionais pensam, o que analisam antes de investir e quais foram seus grandes acertos e erros ao longo da carreira.

“Ouvindo mais sobre a história e os processos de investimento desses gestores, as pessoas terão mais subsídios para tomar melhores decisões sobre seu dinheiro”, diz Ponsoni.

É possível seguir e escutar os episódios de Outliers pelo Spotify, Deezer, Spreaker e demais agregadores de podcast.

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O real desvalorizou pouco e deve cair ainda mais, diz gestor Márcio Appel

Márcio Appel, sócio fundador da Adam Capital

SÃO PAULO – A desvalorização do real – que perdeu cerca de 8% de valor em relação ao dólar neste ano – “não tem nada de mais”. A avaliação é de Márcio Appel, um dos principais gestores de fundos do país, fundador da Adam Capital.

Para Appel, a tendência continua sendo de depreciação do real. “Não deverá ser um movimento explosivo, mas a tendência é essa”, afirmou ao InfoMoney.

Sua previsão é que o dólar chegue a R$ 4,50 em 2020. “Quando o Brasil cresce e o mundo arrefece, como agora, o normal é que haja desvalorização da moeda. Surpresa seria o inverso”, explicou. Nesse cenário, as exportações costumam diminuir e as importações, aumentar, o que eleva o déficit em conta corrente.

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“Poderia ser diferente se houvesse um grande fluxo de recursos estrangeiros para o país, mas não é o caso”, acrescentou. “Além disso, existe o risco de o ambiente externo piorar, o que faria o real sofrer mais.”

Outros fatores que pressionam o câmbio, na visão de Appel, são o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, que caiu bastante com o corte as taxas aqui, tornando o investimento local menos interessante para estrangeiros; e o fato de muitas empresas estarem quitando suas dívidas em dólares para tomar empréstimos em reais (aproveitando os juros mais baixos) – o que é um movimento positivo, mas, no curto prazo, contribui para a desvalorização do real.

Visão negativa para a Bolsa

Os fundos da Adam não tiveram um bom desempenho em novembro. O motivo foi a aposta na queda das ações na Bolsa americana, o que não se confirmou.

Mas o investimento cambial – em razão da aposta na alta do dólar em relação a uma cesta de moedas, incluindo o real – apresentou bons resultados, o que ajudou a compensar as perdas.

Appel diz que mantém a estratégia. “O valuation das empresas na Bolsa americana está muito alto, e os resultados estão fracos. Os múltiplos explodiram, porque há muita gente a tomar risco”, diz.

Para ele, é questão de tempo até que sua análise se reflita no preço das ações, e ele diz que pode esperar. “A posição não é grande e pode ser carregada.”

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O gestor também tem uma visão relativamente negativa para a Bolsa brasileira. Ele acredita no potencial das ações de empresas de commodities, mas é pessimista em relação aos demais setores.

“O setor de commodities não é coqueluche, não está no radar da maioria dos novos investidores, que preferem empresas mais ‘modernas’. Ou seja, foi deixado de lado e, por isso, os preços das ações estão interessantes”, afirma.

O risco é que os preços das commodities caiam com a desaceleração global. Por isso, os fundos da gestora têm posições vendidas em commodities, ou seja, apostam que os preços vão diminuir.

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