Commodities agrícolas: ainda fortes ou no fim do ciclo de alta? Confira a opinião de analistas e o impacto nas ações

Produção de soja, commodities, agricultura (fotokostic/GettyImages)

SÃO PAULO – Os preços das commodities agrícolas, em especial grãos como a soja e o milho, dispararam ao longo do primeiro semestre de 2021, o que teve impacto disseminado na economia brasileira. Tanto efeitos positivos, uma vez que o Brasil tem o perfil de exportador dessas commodities, quanto negativos, pois a inflação de alimentos e o setor de frigoríficos acabaram sentindo essa valorização.

A dúvida hoje é se essa trajetória de incremento nos valores dos grãos irá continuar pelos próximos meses ou se o superciclo já acabou.

Em números, é importante ressaltar que a soja teve um aumento de 12,9% no seu valor desde o fim do ano passado, atingindo R$ 173,75 a saca de 60 kg no fechamento da terça-feira (16) segundo dados da Esalq/BM&F Bovespa. O milho se valorizou ainda mais, acumulando ganhos de 27,01% até ontem, a R$ 99,89 a saca de 60 kg.

Segundo Leonardo Alencar, analista da XP, o cenário atual não permite análises de queda no preço de grãos até 2022. “A colheita de milho da safrinha [com plantio nos meses de fevereiro e março depois da colheita da safra principal] teve sucessivas revisões para baixo e como o preço está muito alto, há previsões até de possibilidade de aumento na importação de milho”, explica.

A estiagens e as ondas de frio recentes fizeram com que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisasse suas projeções para a safra total de 2021, que de recorde histórico agora é estimada em queda de 1,2% ante a anterior, totalizando 253,98 milhões de toneladas.

Para Alencar, esperar um fim no ciclo de alta de grãos e outras commodities agrícolas até 2022 enquanto a demanda global se recupera dos impactos do coronavírus e os efeitos climáticos adversos estão cada vez mais presentes é, no mínimo, temerário.

“Não vejo queda em 2022. Os preços devem, no máximo, mostrar acomodação até lá. Esperar queda, com os riscos climáticos atuais, está cada vez mais arriscado”, defende.

Essa avaliação é oposta à da equipe de análise do Bradesco BBI, que acredita que as commodities agrícolas estão no fim do seu ciclo de valorização.

O analista Leonardo Fontanesi escreve em relatório que historicamente os preços de commodities agrícolas têm ciclos de alta (como o que vem ocorrendo de 2019 a 2021) de dois anos, em média, com um incremento de aproximadamente 20% ao ano no valor de cada grão, ao passo que os ciclos de queda duram, em média, três anos e meio e os preços caem em torno de 10% ao ano.

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“Esperamos um declínio de 30% nos preços de produtos agrícolas até 2024, ao mesmo tempo em que o consenso da Bloomberg projeta uma retração de 15%”, ressalta Fontanesi.

Os motivos para essa previsão não são meramente estatísticos. O analista do Bradesco BBI considera provável que a China corte importações de produtos agrícolas até 2022 depois dessas compras avançarem 50% nos últimos dois anos.

“Este aumento nas importações ocorreu porque a China dobrou seu número de criação de porcos nos últimos dois anos, depois de perder animais para a peste suína africana de 2018, e precisava comprar comida para alimentá-los. A população de suínos da China é relevante para a agricultura global porque a carne de porco é de longe a proteína mais importante do país e as necessidades de ração da China são responsáveis ​​por aproximadamente 15% da demanda global de trigo, milho e soja”, destaca o Bradesco.

Todavia, desde junho de 2021, as margens da indústria de suínos chinesa se tornaram negativas com um excesso de oferta de porcos e custos mais altos de grãos. “Nós estimamos que os preços do milho na China (correlacionados com os EUA e o Brasil) têm que cair de 20% a 30% para que as margens voltem a convergir para a média histórica.”

A questão do plantel de suínos da China, por outro lado, não existe sem algum grau de controvérsia. Leonardo Alencar diz ver com ceticismo esse anúncio do país de que repôs os rebanhos perdidos durante a epidemia da febre suína.

“Na nossa leitura, o preço deve começar a subir novamente. Nos últimos tempos, os pecuaristas chineses voltaram a abater animais com medo da peste. Teremos ainda aquela demanda extraordinária que ocorre no ano-novo chinês [em 1º de fevereiro] e a população do país está consumindo cada vez mais carne, inclusive proteínas de origem mais diversificada, graças ao aumento da renda”, argumenta.

A opinião do analista da XP é que os preços cairiam apenas se a demanda recuasse devido a um recrudescimento da pandemia, mas que nem isso é certo, pois as últimas ondas da Covid-19 foram mitigadas pelo suporte de programas governamentais.

Na linha dessas projeções mais otimistas com grãos, a equipe de análise do Bank of America comenta que a Balança Comercial brasileira mostrou que as exportações de alimentos no segundo trimestre foram muito fortes em todos os quesitos, com os preços em dólares avançando dois dígitos na comparação com o mesmo período do ano passado.

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“O bom desempenho vem na hora certa, conforme as empresas sofrem no mercado doméstico com um desafiador pass-through [impacto da depreciação da moeda local na inflação] para os consumidores e custos em alta”, escrevem os analistas Guilherme Palhares e Isabella Simonato.

Para o segundo semestre deste ano, a equipe do BofA espera que a demanda chinesa e a reativação da cadeia global de serviços alimentícios sejam os principais catalisadores para volumes e preços, providenciando um impulso para a atual inflação de custos.

Frigoríficos sofrem

Enquanto empresas que vendem commodities agrícolas como SLC (SLCE3), Brasil Agro (AGRO3) e Terra Santa ([ativo=LAND3]) se beneficiam desse quadro de elevações no valor de grãos, frigoríficos como JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3), Minerva (BEEF3) e, principalmente BRF (BRFS3), são impactadas negativamente.

Alencar destaca que aves e suínos têm alimentação quase que 100% composta de rações de milho e de farelo de soja. Como a BRF é a companhia do setor mais posicionada na venda de carne de aves e porcos, acaba sendo a mais afetada.

Marfrig e JBS, por sua vez, sofreriam impactos menores, pois o uso de grãos na dieta do boi ocorre apenas quando ele está em confinamento e as duas empresas têm ainda um outro trunfo, que são suas operações nos Estados Unidos.

“O cenário americano é de boa oferta e bons preços, com uma demanda muito aquecida nesta retomada pós-Covid. O maior problema para essas empresas no Brasil atualmente não é nem tanto o aumento dos custos como a demanda pressionada”, afirma.

Vale lembrar que no segundo trimestre de 2021, a Marfrig teve seu melhor desempenho histórico, lucrando R$ 1,7 bilhão, alta de 9% na comparação com o mesmo período do ano passado, com um resultado impulsionado pelos EUA.

A operação dos Estados Unidos, de acordo  analistas da XP, foi responsável por 96% do Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) total da Marfrig. O preço do gado aumentou 12% na comparação anual, mas o preço da carne bovina veio em linha com o segundo trimestre de 2020 e os spreads caíram 8,9%, algo que os analistas da casa veem como positivo.

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A JBS, por sua vez, teve lucro líquido recorde de R$ 4,4 bilhões no 2º trimestre. Na teleconferência de resultados, o CEO da companhia, Gilberto Tomazoni, apontou que o custo de produção dos animais vivos aumentou com a alta dos preços dos grãos, porém que a redução do volume de carne suína produzida, que foi impactada pelas condições climáticas e pela escassez de mão de obra combinada com o crescimento da demanda acima do esperado, impulsionaram o preço deste tipo de carne no mercado doméstico.

Já a BRF teve prejuízo líquido de R$ 199 milhões no trimestre, revertendo um lucro de R$ 307 milhões na base anual.

Na teleconferência de resultados, Lorival Luz, CEO da empresa, disse que cada vez mais o custo médio do estoque de grãos ou de outros insumos e matérias-primas da empresa vão aumentar. “Com os desafios desta safra e das próximas, de forma geral o custo de produção – e é visto já na margem do produtor – chegará a todas as empresas, todas as indústrias. O que traz a necessidade que exista o reequilíbrio sustentável da nossa operação”, defendeu.

Segundo o CEO, o caixa de R$ 9 bilhões do frigorífico, combinado com um valor relativamente baixo de vencimentos de curto prazo (R$ 700 milhões em 2021), permitem que impactos como o do atual patamar dos preços de grãos sejam mitigados.

“A companhia está absolutamente preparada, robusta, com uma liquidez financeira, suficiente para que atravessemos esse segundo semestre mesmo com um aumento de grãos, o aumento de custos que tivemos”, assegurou.

Falando especificamente do mercado de carne, o BofA ressalta que apesar da baixa disponibilidade de gado e da queda de 7% em volumes na comparação anual durante o segundo trimestre, os preços atingiram recordes históricos em junho.

“Em junho, os preços de carne bovina chegaram a US$ 5,20 por kg, valor 21% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado e 5% acima de maio”, destacam os analistas. Para eles, essa sequência de valorizações levou os preços no segundo trimestre a subirem 14% em dólar e 11% em reais.

“Nós acreditamos que uma performance assim poderia ser em larga medida explicada por uma crescente demanda da China depois que plantéis de porcos foram abatidos. A reativação do canal de serviços alimentícios e restrições de oferta tanto na Austrália quanto no Brasil devem continuar provocando alta de preços”, explica o BofA.

O banco lembra que as margens de exportação de carne atingiram uma média de 15% no segundo trimestre, estável na comparação com o trimestre anterior apesar do aumento de 5% no preço médio do gado.

Já o mercado de aves, segundo os analistas, foi destaque pelos fortes volumes e preços. O volume diário médio bateu 12,1 mil toneladas em junho, em um crescimento de 13% em relação ao segundo trimestre de 2020, ao mesmo tempo em que os preços em dólares aumentaram em 4%.

“A demanda internacional por aves deve se beneficiar diretamente da recuperação do canal de serviços alimentícios, especialmente na região do Oriente Médio, onde o consumo depende do turismo”, escreve a equipe do BofA.

Entretanto, o banco aponta riscos no horizonte vindos da Arábia Saudita, que representa 14% do mercado externo de aves do Brasil. O país tem banido importações de diversos frigoríficos.

Já em suínos, as exportações de carne de porco tiveram, segundo o BofA, mais um ótimo mês, com os volumes crescendo 11% na comparação mensal em junho e 12% na base anual, tornando-se o melhor mês da história em termos de volumes exportados pelo Brasil, em mil toneladas por dia.

“Os preços em dólar ficaram estáveis na comparação mensal em junho, mas cresceram 21% na comparação anual, totalizando US$ 2,60 por kg. No segundo trimestre, os volumes se expandiram em 25% na base trimestral e os preços melhoraram em aproximadamente 5% na mesma base, implicando um sonoro crescimento de 11% em relação ao mesmo período de 2020.”

Para os analistas, esse desempenho comprova a opinião do banco de que apesar da China estar recompondo o seu plantel de porcos, a produção ainda está baixa devido aos mais baixos níveis de rentabilidade da carne.

“Esperamos que a demanda continue forte no segundo trimestre depois da liquidação de estoques que ocorreu no primeiro semestre na região, o que beneficia exportadores brasileiros.”

Revisões do Bradesco

Devido à visão mais negativa dos seus analistas para commodities agrícolas, o Bradesco BBI revisou recentemente as recomendações para uma série de papéis.

Ambev (ABEV3) foi de neutro para compra em meio à aposta de que os custos agrícolas irão cair. “Leva cerca de 12 meses para que os preços das commodities reflitam nos resultados da Ambev dados os hedges, mas o mercado provavelmente irá antecipar ganhos mais fortes devido à queda nos preços agrícolas”, escreve a equipe do banco. O múltiplo valor de mercado da empresa dividido pelo lucro (P/L) da Ambev cairia, assim, de 20 vezes em 2022 (contra 23 vezes na média histórica) para 17 vezes em 2023, um patamar considerado atrativo.

O preço-alvo das ações ABEV3 é de R$ 21,00, o que corresponde a uma valorização de 19,73% sobre o nível de fechamento dos papéis na sexta-feira (20).

A São Martinho (SMTO3), por sua vez, teve recomendação cortada de compra para neutra. “Dada nossa visão mais baixista sobre os preços agrícolas, cortamos nossa previsão de preço do açúcar em cerca de 5% na média para 2022.”

O preço-alvo das SMTO3 projetado pelo Bradesco é de R$ 38,00, em um upside de 16,31% ante o fechamento da sexta.

Já a M.Dias Branco (MDIA3) foi mantida como a top pick do setor para o Bradesco, pois na visão dos analistas a fabricante de biscoitos e bolachas sofreu forte compressão na margem por conta do aumento nos custos agrícolas e, com preços mais baixos das commodities a partir do segundo semestre a margem Ebitda (Ebitda dividido pela receita líquida) se recuperaria de 7% em 2021 para 16% em 2022.

O preço-alvo das ações MDIA3 é de R$ 40, o que equivale a uma alta de 22,29% na comparação com o fechamento da sexta.

Para os frigoríficos, as recomendações do Bradesco não foram alteradas, embora os analistas tenham elevado estimativas de Ebitda para 2021 e 2022 em 10% em média para JBS e Marfrig. As projeções a partir de 2023, por outro lado, foram reduzidas pela visão revisada das margens da carne bovina nos EUA com base na previsão de oferta de gado.

“Embora tenhamos reduzido nossas estimativas de custo de grãos para nossa cobertura de proteína (responsável por cerca de 30% dos custos totais para BRF e aproximadamente 12% para JBS, mas não é relevante para Marfrig), que impacta principalmente as divisões de frangos, suínos e alimentos processados dessas empresas, nós conservadoramente assumimos que este impacto será principalmente compensado por preços mais baixos de carne fresca, dado que o excesso de oferta de carne suína na China pode pesar sobre as importações, fazendo com que nossas estimativas da BRF mudem apenas ligeiramente.”

Os preços-alvos de JBS, Marfrig e BRF projetados pelo Bradesco são R$ 38,00, R$ 25,00 e R$ 32,00. Os upsides esperados até atingir esses valores são 19,84%, 24,01% e 34,74% respectivamente.

Abaixo uma tabela com um compilado da Refinitiv de recomendações de bancos, corretoras e casas de análise para as empresas citadas.

Empresa Ticker Recomendações de compra Recomendações neutras Recomendações de venda Preço-alvo médio Valorização (upside) esperado
Ambev ABEV3 4 7 4 R$ 17,20 -1,94%
BRF BRFS3 4 8 1 R$ 28,69 +20,8%
JBS JBSS3 11 0 0 R$ 42,17 +32,99%
Marfrig MRFG3 8 4 0 R$ 23,36 +15,87%
M.Dias Branco MDIA3 3 4 2 R$ 34,81 +6,42%
São Martinho SMTO3 7 7 0 R$ 35,89 +9,86%

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Mais de 70% da receita: como a Marfrig ancorou seu balanço na forte demanda por carne bovina dos americanos

SÃO PAULO — Maior produtora global de hambúrgueres, a Marfrig (MRFG3) ancorou seu balanço na forte demanda por carne bovina dos americanos. A operação da empresa na América do Norte já é responsável por mais de 70% da receita do grupo no segundo trimestre deste ano — e a expectativa dos diretores da companhia é de que esse percentual pode aumentar.

“A gente tem visto desde o início do ano uma demanda crescente por carne bovina na América do Norte. O primeiro trimestre já trouxe números pujantes em relação à demanda, muito puxado pelo pacote de incentivos do governo americano, pela retomada da economia e avanço da vacinação nos Estados Unidos”, disse Eduardo Puzziello, diretor de relações com investidores da companhia, em live do InfoMoney.

“No segundo trimestre, a gente observou não só o efeito sazonal do barbecue season, mas também a retomada do food service por lá. Isso fez com que as margens da indústria subissem muito forte. (…) A gente trouxe margem em torno de 24,5% nos Estados Unidos. Normalmente a gente vê um segundo semestre um pouco mais suave, mas estamos vendo uma contínua demanda por carne bovina. (…) É provável que o segundo semestre de 2021 seja superior ao segundo semestre de 2020. Para o ano que vem, a gente espera ter uma demanda ainda muito forte e saudável, embora não tão forte quanto 2020 e 2021, mas mais forte do que 2019″, completou o executivo.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Miguel Gularte, CEO da Marfrig e que também participou da live, comentou sobre algumas dificuldades logísticas no trimestre, como aumento do custo dos fretes e atraso na partida de navios, o que fez a companhia compensar a menor exportação com o mercado interno.

“O nosso modelo no ano passado estava focado em 70/30, sendo 70% exportação e 30% mercado interno. Agora, com esse problema logístico, estamos em 60/40, sendo 60% exportação e 40% mercado interno”, disse. “O dólar beneficia as exportadoras e ano que vem é um ano eleitoral. Geralmente o dólar tende a ficar mais valorizado em anos eleitorais, beneficiando o negócio”, completou.

Tang David, CFO do grupo, também participou da live e ressaltou que a Marfrig conseguiu encerrar o segundo trimestre de 2021 com sua menor alavancagem da história, de 1,45x o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

“Isso é fruto da nossa disciplina financeira. Continuaremos com essa disciplina financeira. Não temos nenhum M&A [fusão e aquisição] em planejamento. Nossa prioridade na gestão do capital é reduzir o endividamento, o que reduz despesa financeira e isso gera mais lucro. Aí eu remunero o acionista através da distribuição de dividendo”, afirmou o executivo.

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Puzziello, Gularte e David falaram ainda sobre e-commerce de carne, programa de recompra, demanda crescente da China, especialmente de carne suína, do cenário na América Latina, inclusive a paralisação das exportações na Argentina durante o segundo trimestre, e sobre a nova fábrica de hambúrguer da empresa no Brasil. Assista à live completa acima, ou clique aqui.

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Ações de BR Distribuidora e Qualicorp caem forte, Allied e Positivo saltam e mais reações a balanços; Vale estável apesar de minério

SÃO PAULO – A repercussão dos resultados do segundo trimestre segue sendo destaque nesta quarta-feira (11).

Na véspera, foram divulgados os números de BR Distribuidora (BRDT3), C&A (CEAB3),  Marfrig (MRFG3), NotreDame Intermédica (GNDI3), Porto Seguro (PSSA3), Taurus Armas (TASA4), Qualicorp (QUAL3), Randon (RAPT4) e Raia Drogasil (RADL3), entre outras companhias.

O maior destaque de queda fica para Qualicorp, com baixa de mais de 8%, seguida por BR Distribuidora, com os ativos caindo mais de 4% após o balanço e também com a última tendo no radar a no radar a MP sobre venda direta de etanol e nova regra para postos. Alguns analistas apontaram o balanço como levemente abaixo da expectativa. A ação da NotreDame Intermédica também cai, cerca de 1,5%, após o resultado, enquanto RD tem baixa de cerca de 4%, intensificando as perdas da abertura, apesar dos números do segundo trimestre terem sido vistos com bons olhos pelos investidores. Fora do Ibovespa, C&A também tem queda de cerca de 4% das ações.

Já entre as altas, Marfrig avança cerca de 1% após um resultado considerado forte, enquanto que, fora do Ibovespa, Allied e Positivo (POSI3) sobem, respectivamente, mais de 5% e 8%, na esteira de resultados considerados bons.

Serão divulgados nesta quarta-feira os resultados de Aeris (AERI3), Aliansce Sonae (ALSO3), B3 (B3SA3), Banco Inter (BIDI11), Copel (CPLE6), Eletrobras (ELET6), Enauta (ENAT3), Guararapes (GUAR3), Hapvida (HAPV3), Helbor (HBOR3), JBS (JBSS3), Locaweb (LWSA3), LPS (LPSB3), Moura Dubeux (MDNE3) e MRV (MRVE3).

Também serão revelados os números de Oi (OIBR4), Simpar (SIMH3), Sul América (SULA11), Suzano (SUZB3), Taesa (TAEE11), Ultrapar (UGPA3), Valid (VLID3), Via Varejo (VVAR3), Wilson Sons (WSON33).

Fora do noticiário da temporada de balanços, as ações de Vale (VALE3) operam perto da estabilidade, apesar do dia de ganhos para o minério.

O contrato mais negociado minério de ferro na bolsa de commodities de Dalian, para entrega em janeiro de 2022, fechou em alta de 3,7%, a 871,50 iuanes (US$ 134,33) por tonelada, depois de ter atingido o menor patamar desde 26 de março na sessão anterior. Assim, interrompeu sequência de cinco sessões de perdas, acompanhando os futuros do aço em meio a temores relacionados à oferta diante de restrições de produção impostas pela China.

Confira mais destaques:

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A Raízen, em conjunto com sua controlada Raízen Energia, informou que concluiu a aquisição da totalidade das ações de emissão da Biosev. Como parte da transação, a Hédera Investimentos e Participações exerceu o bônus de subscrição emitido por ocasião da Assembleia Geral da Raízen realizada em 1º de junho de 2021, e passou a ser titular de 330.602.900 ações preferenciais de emissão da Companhia, representativas de 3,22% do seu capital.

“A conclusão desta operação consolida aposição de liderança da Raízen no processo de transição energética através da ampliação da oferta de energia mais eficiente, limpa e renovável, passando a contar com 35 parques de bioenergia e uma capacidade de processamento de 105 milhões de toneladas de cana por safra, proporcionando uma matriz energética cada vez mais limpa e sustentável”, disse a empresa, em nota.

BR Distribuidora (BRDT3)

A BR Distribuidora informou lucro líquido de R$ 382 milhões no segundo trimestre de 2021, alta de 103,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a companhia foi impactada pelas medidas restritivas impostas em função da pandemia da Covid-19.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de R$ 1,018 bilhão no trimestre, alta de 24,8% na comparação anual.

Para o Morgan Stanley, os resultados da BR Distribuidora ficam levemente abaixo da expectativa. O Ebitda recorrente ficou 8% abaixo da expectativa do banco e 11% abaixo do consenso do mercado, o que o banco atribui a margens menores de comercialização no segmento de varejo, que foram parcialmente compensadas por margens de comercialização menores em aviação. A margem Ebitda consolidada de R$ 97 por metro cúbico é classificada pelo banco como forte para um trimestre desafiador.

O banco mantém avaliação overweight (perspectiva de valorização acima da média do mercado), e diz esperar que a ação continue a propor uma remuneração atrativa para acionistas, ao mesmo tempo em que a nova gestão começará a lidar com questões de longo prazo ligadas à transição energética. O banco mantém preço-alvo de R$ 33, frente à cotação de R$ 28,58 de terça.

A varejista C&A lucrou R$ 69,2 milhões no segundo trimestre deste ano, revertendo o prejuízo de R$ 192,1 milhões reportados em igual período de 2020.

O resultado foi impactado pelo reconhecimento de créditos não recorrentes. Excluindo o efeito, a C&A teria tido prejuízo de R$ 83,8 milhões entre abril e junho.

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A receita líquida subiu 299% no comparativo anual, para R$ 1,175 bilhão; a empresa aponta a base ruim de comparação em meio ao fechamento das lojas por conta da pandemia de covid-19 no segundo trimestre do ano passado.

De acordo com o Bradesco BBI, há vários pontos positivos no que foi um trimestre difícil para a C&A (e para todos os varejistas baseados em shoppings).

“Em primeiro lugar, a declaração de perspectiva da administração é otimista e sugere (salvo quaisquer circunstâncias imprevistas) um final de ano positivo no importante quarto trimestre. Em segundo lugar, o desempenho no comércio eletrônico parece bom, com GMV [volume bruto de mercadorias] acima de 34% na base anual, embora tenha havido uma base de comparação elevada (crescimento de quase 300% no segundo trimestre de 2020)”, avaliam os analistas do banco.

O comércio eletrônico representou 17% da receita do varejo. Finalmente – e talvez o mais importante – a administração colocou por escrito (pela primeira vez, acreditam os analistas) que espera resolver as questões pendentes com seu parceiro de serviços financeiros, o Bradesco, neste ano.

Além desses pontos, a empresa também está abrindo novas lojas mais uma vez e continua investindo em sua cadeia de suprimentos e implementando uma infraestrutura de distribuição mais sofisticada. “Isso nos deixa otimistas e portanto, mantemos nossa recomendação outperform. Nosso preço-alvo caiu ligeiramente para R$ 17 (esperado para 2022) de R$ 18 (esperado para 21) devido a revisões de estimativas”, avaliam.

A RD, dona das redes de drogarias Raia e Drogasil, teve lucro líquido de R$ 266,4 milhões no segundo trimestre, um salto de 342,5% ano a ano. Em termos ajustados, o lucro somou R$ 232 milhões de abril a junho, crescimento de 276% em relação a igual etapa de 2020.

De acordo com a XP, a RD reportou sólidos resultados referentes ao segundo trimestre de 2021, com Ebitda 5% acima do esperado pelos analistas e forte lucro líquido, beneficiado por créditos fiscais não recorrentes de R$ 58 milhões.

A forte performance de vendas mesmas lojas de alta de 26% na base anual, beneficiadas pela fraca base de comparação e pelo reajuste de preços de medicamentos, ganhos de participação de mercado em todas as regiões e a rentabilidade sólida foram os principais destaques.

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“A companhia reportou fortes resultados e expansão de margens apesar dos investimentos na construção de sua plataforma de saúde. Além disso, a RD anunciou a aquisição de uma plataforma digital focada no aumento da aderência à tratamentos de doenças crônicas e uma pequena recompra de 3 milhões de ações (0,3% do float)”, avaliam.

A Marfrig Global Foods informou na terça lucro líquido recorde de R$ 1,738 bilhão no segundo trimestre, alta de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado pelo bom desempenho da operação norte-americana da empresa.

O Ebitda do frigorífico ficou em R$ 3,9 bilhões, o que representa uma queda de 3,6% ante o segundo trimestre de 2020.

A receita líquida, por sua vez, totalizou R$ 20,6 bilhões, valor 9% superior ao reportado de abril a junho do ano passado.

O Credit Suisse diz que mantém uma visão positiva em relação à Marfrig, e diz acreditar que o ritmo operacional deve continuar forte. O banco afirma que o braço National Beef deve se beneficiar da oferta favorável de gado nos Estados Unidos e os spreads fortes da indústria nos próximos meses. Na América do Sul, o banco diz avaliar que não há espaço para valorização do gado. O Credit também ressalta iniciativas da gestão visando eficiência, que podem levar a um endividamento e a um fluxo livre de caixa mais favoráveis. O banco diz que vê a Marfrig como uma das empresas mais atrativas dentro de sua cobertura, e mantém a recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 26, frente à cotação de R$ 19,56 de terça.

NotreDame Intermédica (GNDI3)

A NotreDame Intermédica teve prejuízo no segundo trimestre, refletindo forte alta das despesas com procedimentos médicos, que haviam sido represados durante os períodos de isolamento para conter a pandemia.

A companhia anunciou na noite de terça-feira que seu prejuízo entre abril e junho somou R$ 48 milhões, ante lucro de R$ 223,4 milhões um ano antes. Em termos ajustados, a companhia passou de lucro de R$ 303,9 milhões para prejuízo de R$ 9,9 milhões.

Embora tenha tido receita líquida 22,7% maior ano a ano, a R$ 3,2 bilhões, a companhia viu a linha contas médicas caixa, seu item mais relevante dos custos de serviços prestados, dar um salto de 56,9%, a R$ 2,64 bilhões, o que aumentou em 18 pontos percentuais a sinistralidade, para 82,7%.

Diante disso, o resultado operacional da Notre Dame medido pelo Ebitda ajustado somou R$ 131,6 milhões, queda de 75%. A margem Ebitda ajustada teve um tombo de 16 pontos percentuais, para 4,1%.

A XP apontou em relatório que o GNDI postou resultados ruins com pressão de sinistralidade mais alta (alta de 18 pontos na base anual e  4 pontos acima das expectativas dos analistas) levando a uma queda do Ebitda a um número 33% abaixo da projeção da XP, que compensou o crescimento robusto da receita devido a um aumento sólido no número de beneficiários de planos de saúde.

“No entanto, vemos esse impacto como transitório (causado principalmente pela Covid, número maior de procedimentos eletivos e a sinistralidade mais alta dos ativos recém adquiridos) e não estrutural e acreditamos que a empresa deve continuar crescendo organicamente e deve ser capaz de reduzir estruturalmente a sinistralidade uma vez que o impacto da Covid e de procedimentos eletivos deve reduzir e a sinistralidade dos ativos recém adquiridos deve convergir para os níveis históricos do GNDI”, apontam Vitor Pini e Matheus Soares, analistas da XP.

Santos Brasil (STBP3)

A Santos Brasil teve lucro líquidode R$ 60,4 milhões, ante resultado negativo, de R$ 9,4 milhões no segundo trimestre de 2020.

A receita líquida subiu 68,8% quando comparada ao mesmo período em 2020, totalizando R$ 379,5 milhões.

Os principais fatores responsáveis por impulsionar esta alta foram o crescimento nos volumes dos terminais portuários (+ 31% no ano contra ano) e o crescimento da receita em operações de armazenamento (+ 53% no ano contra ano), destaca a Levante Ideias de Investimentos

A movimentação de contêineres em Vila do Conde cresceu 13,1% no ano contra ano, estimulada pelas exportações de commodities minerais e agropecuárias.

Destaque também para o Tecon Imbituba, com crescimento na movimentação de contêineres de 12,7% no ano contra ano, devido à recuperação do fluxo de cabotagem.

Além disso, o Ebitda da companhia exibiu um avanço de 250,0% no ano contra ano, a R$ 147,7 milhões no trimestre. Sua margem Ebitda também apresentou avanço de 20,1 pontos percentuais, a 38,9% no trimestre.

A linha foi impulsionada pelos maiores volumes e maior ticket médio nos terminais portuários, além de melhoria nas suas operações logísticas e em terminais de veículos.

Vulcabras (VULC3)

A Vulcabras teve R$ 91,5 milhões no segundo trimestre, ante prejuízo de R$ 75,4 milhões no mesmo período de 2020. A receita saltou 305%, a R$ 399 milhões.

Porto Seguro (PSSA3)

A Porto Seguro teve lucro líquido de R$ 658,6 milhões no segundo trimestre de 2021, quase estável em relação ao mesmo período de 2020, com alta anual de 0,3%. Na comparação com o período entre janeiro e março deste ano, o avanço foi de 122%.

A Allied teve lucro líquido de R$ 152,3 milhões, 1.719% acima dos R$ 8,4 milhões registrados no mesmo período de 2020. O lucro líquido recorrente – sem levar em conta os efeitos extraordinários – foi de R$ 74,3 milhões, avanço de 786,3%.

A XP destaca que a empresa teve um trimestre muito forte e bastante acima das expectativas. A empresa atingiu uma receita líquida de R$ 1,5 bilhão, com alta de 84% na base anual e cerca de 60% acima das estimativas da XP, impulsionada pelo crescimento surpreendente nas linhas de distribuição e varejo digital – mesmo diante da forte base comparativa com o segundo trimestre de 2020 – que mais do que compensaram a piora no varejo físico.

O forte crescimento também veio acompanhado de melhores margens, mesmo com o menor resultado do varejo físico, o qual possui margens maiores, reflexo da maior eficiência nas despesas operacionais. Com isso, o lucro líquido recorrente de ficou duas vezes acima da estimativa da XP.

“Os resultados reforçam a nossa visão construtiva para a Allied e com isso reiteramos nossa recomendação de compra e preço alvo de R$ 38 por ação” apontam.

Positivo (POSI3)

A Positivo registrou lucro de R$ 51 milhões no segundo trimestre, revertendo assim o prejuízo de R$ 8,6 milhões.

A XP aponta que a companhia reportou resultados sólidos no segundo trimestre, acima das estimativas dos analistas.

A companhia continua tendo forte demanda em todas as suas unidades de negócios, avaliam, com forte desempenho da receita líquida (alta de 88,5% na base anual) sendo impulsionado (i) pelo crescimento das vendas de notebooks e produtos de tecnologia nos segmentos de varejo e corporativo (ii) maior mix de produtos e (iii) aumento do ticket médio.

O lucro bruto foi de R$ 204 milhões (alta de 241% na base anual) e  32,2% acima das estimativas da XP, enquanto a margem bruta foi de 25,9%, versus 14,3% em igual período no segundo trimestre.

“Após um primeiro trimestre marcado por números históricos e crescimentos nos principais indicadores operacionais e financeiros da companhia, a empresa reforçou sua confiança na continuidade dessa tendência para o segundo semestre já que historicamente cerca de 55% da receita anual está concentrada no segundo semestre”, aponta a XP, que mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 16 por ação para POSI3.

Aura Minerals (AURA33)

A mineradora Aura lucrou US$ 21 milhões no segundo trimestre deste ano,  cinco vezes acima do apurado em igual período de 2020, enquanto a receita líquida foi a US$ 112 milhões.

O Itaú BBA avalia os resultados divulgados pela Aura Minerals como mais fracos do que o esperado. O Ebitda de US$ 40,2 milhões ficou 13% abaixo de sua estimativa, e 23% menor do que no trimestre anterior, apesar de mais do que o dobro na comparação anual.

O banco diz que o desempenho abaixo do esperado pode ser atribuído a exportações 6% menores no trimestre, de 66,8 mil onças equivalentes de ouro (kGEO na sigla em inglês), que ofuscam os preços mais altos do cobre e do ouro. O custo do dinheiro aumentou 15% na comparação trimestral, a US$ 922 por onça. A posição de caixa caiu a US$ 7 milhões por conta de pagamento extraordinário de dividendos.

O banco mantém avaliação outperform para a Aura Minerals, com preço-alvo para 2021 de R$ 80 para os papéis AURA33.

No embalo da demanda vinda do transporte da safra agrícola que, somada a aquisições, levou a empresa ao melhor resultado trimestral de sua história em receita líquida, o grupo Randon reportou lucro de R$ 122,1 milhões no segundo trimestre, mais do que o dobro (alta de 121%) se comparado ao mesmo período de 2020.

Na mesma base comparativa, a receita líquida também mais do que dobrou, marcando crescimento de 126,6% e a cifra recorde de R$ 2,11 bilhões nos três meses. Já o resultado operacional medido pelo Ebitda marcou R$ 322,6 milhões: alta de 109,6%.

A fabricante de implementos rodoviários e autopeças também elevou na terça suas estimativas de faturamento bruto para R$ 12 bilhões neste ano, ante expectativa anterior de R$ 9,6 bilhões. A reavaliação ocorre em meio a um mercado crescente de caminhões e investimentos em rodovias. A previsão de investimento orgânico foi elevada de R$ 250 milhões para R$ 320 milhões.

O Itaú BBA avaliou os resultados da Randon como positivos. O banco diz que a empresa continua a se beneficiar de um bom momento em suas divisões de caminhões e partes de carros. O BBA também ressalta que a Randon revisou suas diretrizes para 2021 e mantém avaliação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) para a Randon, com preço-alvo para 2021 de R$ 18,5 para os papéis RAPT4, negociados na terça por R$ 13,32.

Qualicorp (QUAL3)

A empresa de planos de saúde Qualicorp teve queda no lucro do segundo trimestre, refletindo maiores despesas financeiras e com campanhas de vendas.

A companhia anunciou que seu lucro de abril a junho somou R$ 90,3 milhões, queda de 28,4% contra um ano antes.

Embora tenha tido crescimento de 6,9% ano a ano da receita líquida, a R$ 517,2 milhões, isso veio às custas de maiores despesas com itens como marketing.

O Ebitda recuou 19,9%, para R$ 234 milhões, refletindo maiores iniciativas para acelerar vendas e investimentos em inovação e marketing.

A margem Ebitda ajustada foi de 38,9%, queda de 9,4 pontos percentuais, “abaixo do patamar que consideramos justo para nosso negócio no longo prazo”, afirmou a companhia no relatório.

A Qualicorp fechou junho com 2,58 milhões de vidas, crescimento de 11,3% em 12 meses.

Taurus Armas (TASA4)

A Taurus Armas lucrou R$ 193,6 milhões no segundo trimestre de 2021, número que corresponde a um crescimento de 395,1% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O Ebitda da fabricante de armas ficou em R$ 224,4 milhões, o que representa uma expansão de 106,3% ante o segundo trimestre de 2020.

A receita líquida, por sua vez, totalizou R$ 651,1 milhões, em um avanço de 48,8% na base anual.

A Eletrobras informou que obteve resultado desfavorável em recurso impetrado no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) em uma ação de cobrança relativa a empréstimo compulsório sobre energia elétrica. Segundo a estatal, o processo está provisionado pelo montante de R$ 1,47 bilhão, acrescido de multas e honorários advocatícios. A companhia disse que aguardará a publicação do acórdão para avaliar potenciais medidas cabíveis.

Santander Brasil (SANB11)

Já o Santander Brasil informou na terça-feira a obtenção de registro de companhia aberta para seu braço de pagamentos, Getnet, além de aprovação da B3 para listagem e negociação de ações e units. Segundo fato relevante, a Getnet aguarda aprovação da Securities and Exchange Comission (SEC, CVM dos EUA) para negociação de suas ações na Nasdaq.

A Bloomberg destaca que o plano da JBS para comprar a australiana Huon Aquaculture pode estar sob ameaça com o aumento da participação do magnata da mineração Andrew Forrest na produtora de salmão para um nível que poderia bloquear o negócio.

Forrest e seu family office elevaram a fatia na Huon, negociada em Sydney, de 7,3% para 18,5%, segundo documento regulatório divulgado na quarta-feira. O investimento destaca os avanços da Huon na melhoria das práticas ambientais em uma indústria com uma reputação “terrível”, disse Forrest em entrevista.

(com Bloomberg, Reuters e Estadão Conteúdo)

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Marfrig: com balanço surpreendente puxado por EUA e dividendos de quase R$ 1 bilhão, analistas reiteram otimismo com ação

SÃO PAULO – Resultados surpreendente fortes em várias linhas do balanço, dividendos altos levando a um atrativo dividend yield (dividendos em relação ao preço da ação) de 7%. Com essa combinação de fatores, os analistas de mercado viram como bastante positivos o resultado da Marfrig (MRFG3).

O frigorífico reportou lucro líquido recorde de R$ 1,738 bilhão no segundo trimestre, alta de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado pelo bom desempenho da operação norte-americana da empresa.

Já o lucro antes juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 3,9 bilhões no
período, em meio à forte demanda e a certo conforto com a capacidade de suprimento.

Esse foi o seu segundo maior Ebitda ajustado de todos os tempos – apenas 3,6% abaixo dos níveis do segundo trimestre de 2020, um trimestre que já tinha sido recorde por si só.

A XP aponta que tal resultado robusto foi uma consequência sobretudo da pujança das operações nos Estados Unidos. Por outro lado, a América do Sul apresentou um resultado heterogêneo, com o cenário no Brasil ainda bastante desafiador, ao passo que o Uruguai surpreendeu positivamente.

A operação dos Estados Unidos, reforçam os analistas da XP, foi responsável por 96% do Ebitda total da Marfrig. O preço do gado aumentou 12% na comparação anual, mas o preço da carne bovina veio em linha com o segundo trimestre de 2020 e os spreads caíram 8,9%, algo que os analistas da casa veem como positivo. Outros produtos, como couro bovino, também ajudaram nas margens, com crédito do abate subindo 64,4% na base anual.

Por outro lado, conforme aponta o Itaú BBA, a divisão sul-americana reportou queda firme de 70,5% do Ebitda na comparação com o mesmo período do ano passado, penalizada pelo aumento expressivo do custo do gado, de 57% na passagem anual.

Os resultados foram impactados pela lenta recuperação da demanda no Brasil, aponta a XP, que também destaca os custos de matéria-prima acentuadamente maiores, levando a um Ebitda de R$ 181 milhões.

“Ainda assim, de maneira geral o segmento superou nossas expectativas, pois estávamos excessivamente pessimistas em relação aos preços neste trimestre”, apontam, destacando que o valor superou em 35% a estimativa da casa.

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Outro destaque ficou com o lucro líquido recorde de R$ 1,7 bilhão – nesse contexto, a empresa planeja distribuir 958 milhões de reais em dividendos, ou cerca de 7% de seu valor de mercado, um fato que os analistas da XP veem com bons olhos. O dividend yield também é de 7%.  Em abril, a empresa já havia distribuído R$ 141 milhões em dividendos, referentes ao exercício de 2020.

O valor do provento está acima da estimativa do Bradesco BBI, que era de 5,7% de dividend yield para todo o ano de 2021, ao mesmo tempo que foi aprovada uma recompra de ações de até 26 milhões de ações (equivalente a até a 4% das ações atuais em circulação).

Os níveis de endividamento da empresa atingiram os patamares mais baixos de sua história: 1,45 vez a relação entre dívida líquida e o Ebitda em reais, ou 1,55 vez em dólares. “Tal situação dá margem para investidores se questionarem quais são os próximos passos em termos de alocação de capital para a empresa”, avalia a XP.

Investimento na BRF e perspectivas 

Cabe ressaltar que  empresa comprou cerca de 31% da BRF (BRFS3) recentemente, mas por enquanto vem reafirmando que se trata de um “investimento passivo”. Tal compra, sozinha, trouxe um resultado positivo de R$ 228 milhões para a Marfrig no trimestre, em função da marcação a mercado dos papeis, ressalta a XP.

A companhia divulgou também o custo de aquisição de 23,4% do capital da BRF, que foi de aproximadamente R$ 26,50 por ação BRFS3 (cerca de R$ 5 bilhões) e mencionou que ainda aguarda a aprovação antitruste para a aquisição da outra participação de 8,9% (sem divulgar o valor da aquisição), que totalizaria uma participação de 32,3% na BRF.

“Em nosso modelo, assumimos uma participação de 31,7% a um custo médio de aquisição de R$ 24,50 por ação BRFS3 (assumindo R$ 26,50 por ação, haveria um impacto negativo de aproximadamente R$ 500 milhões em nossa avaliação para a Marfrig [equivalente a 4% do valor de mercado da Marfrig])”, avalia o BBI.

Em linhas gerais, a XP destacou que celebra um resultado tão forte da Marfrig e reitera recomendação de compra para o papel MRFG3, com preço-alvo de R$ 24 por ação.

O BBI também reforçou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 25 por papel para final de 2022, visto
que veem a negociação de ações em um valor da empresa sobre Ebitda de um ano à frente de cerca de 3,5 vezes (excluindo
BRF), abaixo da média histórica de aproximadamente 5 vezes. O BBA também tem recomendação equivalente para o papel, com preço-alvo de R$ 26.

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Olhando para frente, o Credit Suisse acredita que o momentum operacional vai continuar muito forte. A National Beef deve se beneficiar da oferta ainda favorável de gado nos EUA e dos fortes spreads da indústria de carne bovina nos próximos meses, enquanto a margem da divisão da América do Sul parece ter chegado no fundo, já que as dificuldades logísticas devem se normalizar, os preços do gado não parecem ter espaço para subir ainda mais, enquanto a dinâmica das exportações segue muito saudável.

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Repercussão de resultados do 2º trimestre de RD, C&A, Marfrig e mais; Eletrobras, Raízen, JBS e outros destaques

(Getty Images)

O noticiário corporativo é movimentado, com destaque mais uma vez para a temporada de balanços do segundo trimestre.

Na véspera, foram divulgados os números de BR Distribuidora (BRDT3), C&A (CEAB3),  Marfrig (MRFG3), NotreDame Intermédica (GNDI3), Porto Seguro (PSSA3), Taurus Armas (TASA4), Qualicorp (QUAL3), Randon (RAPT4) e Raia Drogasil (RADL3).

Serão divulgados nesta quarta-feira os resultados de Aeris (AERI3), Aliansce Sonae (ALSO3), B3 (B3SA3), Banco Inter (BIDI11), Copel (CPLE6), Eletrobras (ELET6), Enauta (ENAT3), Guararapes (GUAR3), Hapvida (HAPV3), Helbor (HBOR3), JBS (JBSS3), Locaweb (LWSA3), LPS (LPSB3), Moura Dubeux (MDNE3) e MRV (MRVE3).

Também serão revelados os números de Oi (OIBR4), Simpar (SIMH3), Sul América (SULA11), Suzano (SUZB3), Taesa (TAEE11), Ultrapar (UGPA3), Valid (VLID3), Via Varejo (VVAR3) e Wilson Sons (WSON33).

Confira mais destaques:

A Raízen, em conjunto com sua controlada Raízen Energia, informou que concluiu a aquisição da totalidade das ações de emissão da Biosev. Como parte da transação, a Hédera Investimentos e Participações exerceu o bônus de subscrição emitido por ocasião da Assembleia Geral da Raízen realizada em 1º de junho de 2021, e passou a ser titular de 330.602.900 ações preferenciais de emissão da Companhia, representativas de 3,22% do seu capital.

“A conclusão desta operação consolida aposição de liderança da Raízen no processo de transição energética através da ampliação da oferta de energia mais eficiente, limpa e renovável, passando a contar com 35 parques de bioenergia e uma capacidade de processamento de 105 milhões de toneladas de cana por safra, proporcionando uma matriz energética cada vez mais limpa e sustentável”, disse a empresa, em nota.

BR Distribuidora (BRDT3)

A BR Distribuidora informou lucro líquido de R$ 382 milhões no segundo trimestre de 2021, alta de 103,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a companhia foi impactada pelas medidas restritivas impostas em função da pandemia da Covid-19.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de R$ 1,018 bilhão no trimestre, alta de 24,8% na comparação anual.

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Para o Morgan Stanley, os resultados da BR Distribuidora ficam levemente abaixo da expectativa. O Ebitda recorrente ficou 8% abaixo da expectativa do banco e 11% abaixo do consenso do mercado, o que o banco atribui a margens menores de comercialização no segmento de varejo, que foram parcialmente compensadas por margens de comercialização menores em aviação. A margem Ebitda consolidada de R$ 97 por metro cúbico é classificada pelo banco como forte para um trimestre desafiador.

O banco mantém avaliação overweight (perspectiva de valorização acima da média do mercado), e diz esperar que a ação continue a propor uma remuneração atrativa para acionistas, ao mesmo tempo em que a nova gestão começará a lidar com questões de longo prazo ligadas à transição energética. O banco mantém preço-alvo de R$ 33, frente à cotação de R$ 28,58 de terça.

A varejista C&A lucrou R$ 69,2 milhões no segundo trimestre deste ano, revertendo o prejuízo de R$ 192,1 milhões reportados em igual período de 2020.

O resultado foi impactado pelo reconhecimento de créditos não recorrentes. Excluindo o efeito, a C&A teria tido prejuízo de R$ 83,8 milhões entre abril e junho.

A receita líquida subiu 299% no comparativo anual, para R$ 1,175 bilhão; a empresa aponta a base ruim de comparação em meio ao fechamento das lojas por conta da pandemia de covid-19 no segundo trimestre do ano passado.

De acordo com o Bradesco BBI, há vários pontos positivos no que foi um trimestre difícil para a C&A (e para todos os varejistas baseados em shoppings).

“Em primeiro lugar, a declaração de perspectiva da administração é otimista e sugere (salvo quaisquer circunstâncias imprevistas) um final de ano positivo no importante quarto trimestre. Em segundo lugar, o desempenho no comércio eletrônico parece bom, com GMV [volume bruto de mercadorias] acima de 34% na base anual, embora tenha havido uma base de comparação elevada (crescimento de quase 300% no segundo trimestre de 2020)”, avaliam os analistas do banco.

O comércio eletrônico representou 17% da receita do varejo. Finalmente – e talvez o mais importante – a administração colocou por escrito (pela primeira vez, acreditam os analistas) que espera resolver as questões pendentes com seu parceiro de serviços financeiros, o Bradesco, neste ano.

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Além desses pontos, a empresa também está abrindo novas lojas mais uma vez e continua investindo em sua cadeia de suprimentos e implementando uma infraestrutura de distribuição mais sofisticada. “Isso nos deixa otimistas e portanto, mantemos nossa recomendação outperform. Nosso preço-alvo caiu ligeiramente para R$ 17 (esperado para 2022) de R$ 18 (esperado para 21) devido a revisões de estimativas”, avaliam.

A RD, dona das redes de drogarias Raia e Drogasil, teve lucro líquido de R$ 266,4 milhões no segundo trimestre, um salto de 342,5% ano a ano. Em termos ajustados, o lucro somou R$ 232 milhões de abril a junho, crescimento de 276% em relação a igual etapa de 2020.

De acordo com a XP, a RD reportou sólidos resultados referentes ao segundo trimestre de 2021, com Ebitda 5% acima do esperado pelos analistas e forte lucro líquido, beneficiado por créditos fiscais não recorrentes de R$ 58 milhões.

A forte performance de vendas mesmas lojas de alta de 26% na base anual, beneficiadas pela fraca base de comparação e pelo reajuste de preços de medicamentos, ganhos de participação de mercado em todas as regiões e a rentabilidade sólida foram os principais destaques.

“A companhia reportou fortes resultados e expansão de margens apesar dos investimentos na construção de sua plataforma de saúde. Além disso, a RD anunciou a aquisição de uma plataforma digital focada no aumento da aderência à tratamentos de doenças crônicas e uma pequena recompra de 3 milhões de ações (0,3% do float)”, avaliam.

A Marfrig Global Foods informou na terça lucro líquido recorde de R$ 1,738 bilhão no segundo trimestre, alta de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado pelo bom desempenho da operação norte-americana da empresa.

O Ebitda do frigorífico ficou em R$ 3,9 bilhões, o que representa uma queda de 3,6% ante o segundo trimestre de 2020.

A receita líquida, por sua vez, totalizou R$ 20,6 bilhões, valor 9% superior ao reportado de abril a junho do ano passado.

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O Credit Suisse diz que mantém uma visão positiva em relação à Marfrig, e diz acreditar que o ritmo operacional deve continuar forte. O banco afirma que o braço National Beef deve se beneficiar da oferta favorável de gado nos Estados Unidos e os spreads fortes da indústria nos próximos meses. Na América do Sul, o banco diz avaliar que não há espaço para valorização do gado. O Credit também ressalta iniciativas da gestão visando eficiência, que podem levar a um endividamento e a um fluxo livre de caixa mais favoráveis. O banco diz que vê a Marfrig como uma das empresas mais atrativas dentro de sua cobertura, e mantém a recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 26, frente à cotação de R$ 19,56 de terça.

NotreDame Intermédica (GNDI3)

A NotreDame Intermédica teve prejuízo no segundo trimestre, refletindo forte alta das despesas com procedimentos médicos, que haviam sido represados durante os períodos de isolamento para conter a pandemia.

A companhia anunciou na noite de terça-feira que seu prejuízo entre abril e junho somou R$ 48 milhões, ante lucro de R$ 223,4 milhões um ano antes. Em termos ajustados, a companhia passou de lucro de R$ 303,9 milhões para prejuízo de R$ 9,9 milhões.

Embora tenha tido receita líquida 22,7% maior ano a ano, a R$ 3,2 bilhões, a companhia viu a linha contas médicas caixa, seu item mais relevante dos custos de serviços prestados, dar um salto de 56,9%, a R$ 2,64 bilhões, o que aumentou em 18 pontos percentuais a sinistralidade, para 82,7%.

Diante disso, o resultado operacional da Notre Dame medido pelo Ebitda ajustado somou R$ 131,6 milhões, queda de 75%. A margem Ebitda ajustada teve um tombo de 16 pontos percentuais, para 4,1%.

A XP apontou em relatório que o GNDI postou resultados ruins com pressão de sinistralidade mais alta (alta de 18 pontos na base anual e  4 pontos acima das expectativas dos analistas) levando a uma queda do Ebitda a um número 33% abaixo da projeção da XP, que compensou o crescimento robusto da receita devido a um aumento sólido no número de beneficiários de planos de saúde.

“No entanto, vemos esse impacto como transitório (causado principalmente pela Covid, número maior de procedimentos eletivos e a sinistralidade mais alta dos ativos recém adquiridos) e não estrutural e acreditamos que a empresa deve continuar crescendo organicamente e deve ser capaz de reduzir estruturalmente a sinistralidade uma vez que o impacto da Covid e de procedimentos eletivos deve reduzir e a sinistralidade dos ativos recém adquiridos deve convergir para os níveis históricos do GNDI”, apontam Vitor Pini e Matheus Soares, analistas da XP.

Santos Brasil (STBP3)

A Santos Brasil teve lucro líquidode R$ 60,4 milhões, ante resultado negativo, de R$ 9,4 milhões no segundo trimestre de 2020.

A receita líquida subiu 68,8% quando comparada ao mesmo período em 2020, totalizando R$ 379,5 milhões.

Os principais fatores responsáveis por impulsionar esta alta foram o crescimento nos volumes dos terminais portuários (+ 31% no ano contra ano) e o crescimento da receita em operações de armazenamento (+ 53% no ano contra ano), destaca a Levante Ideias de Investimentos

A movimentação de contêineres em Vila do Conde cresceu 13,1% no ano contra ano, estimulada pelas exportações de commodities minerais e agropecuárias.

Destaque também para o Tecon Imbituba, com crescimento na movimentação de contêineres de 12,7% no ano contra ano, devido à recuperação do fluxo de cabotagem.

Além disso, o Ebitda da companhia exibiu um avanço de 250,0% no ano contra ano, a R$ 147,7 milhões no trimestre. Sua margem Ebitda também apresentou avanço de 20,1 pontos percentuais, a 38,9% no trimestre.

A linha foi impulsionada pelos maiores volumes e maior ticket médio nos terminais portuários, além de melhoria nas suas operações logísticas e em terminais de veículos.

Vulcabras (VULC3)

A Vulcabras teve R$ 91,5 milhões no segundo trimestre, ante prejuízo de R$ 75,4 milhões no mesmo período de 2020. A receita saltou 305%, a R$ 399 milhões.

Porto Seguro (PSSA3)

A Porto Seguro teve lucro líquido de R$ 658,6 milhões no segundo trimestre de 2021, quase estável em relação ao mesmo período de 2020, com alta anual de 0,3%. Na comparação com o período entre janeiro e março deste ano, o avanço foi de 122%.

A Allied teve lucro líquido de R$ 152,3 milhões, 1.719% acima dos R$ 8,4 milhões registrados no mesmo período de 2020. O lucro líquido recorrente – sem levar em conta os efeitos extraordinários – foi de R$ 74,3 milhões, avanço de 786,3%.

A XP destaca que a empresa teve um trimestre muito forte e bastante acima das expectativas. A empresa atingiu uma receita líquida de R$ 1,5 bilhão, com alta de 84% na base anual e cerca de 60% acima das estimativas da XP, impulsionada pelo crescimento surpreendente nas linhas de distribuição e varejo digital – mesmo diante da forte base comparativa com o segundo trimestre de 2020 – que mais do que compensaram a piora no varejo físico.

O forte crescimento também veio acompanhado de melhores margens, mesmo com o menor resultado do varejo físico, o qual possui margens maiores, reflexo da maior eficiência nas despesas operacionais. Com isso, o lucro líquido recorrente de ficou duas vezes acima da estimativa da XP.

“Os resultados reforçam a nossa visão construtiva para a Allied e com isso reiteramos nossa recomendação de compra e preço alvo de R$ 38 por ação” apontam.

Positivo (POSI3)

A Positivo registrou lucro de R$ 51 milhões no segundo trimestre, revertendo assim o prejuízo de R$ 8,6 milhões.

A XP aponta que a companhia reportou resultados sólidos no segundo trimestre, acima das estimativas dos analistas.

A companhia continua tendo forte demanda em todas as suas unidades de negócios, avaliam, com forte desempenho da receita líquida (alta de 88,5% na base anual) sendo impulsionado (i) pelo crescimento das vendas de notebooks e produtos de tecnologia nos segmentos de varejo e corporativo (ii) maior mix de produtos e (iii) aumento do ticket médio.

O lucro bruto foi de R$ 204 milhões (alta de 241% na base anual) e  32,2% acima das estimativas da XP, enquanto a margem bruta foi de 25,9%, versus 14,3% em igual período no segundo trimestre.

“Após um primeiro trimestre marcado por números históricos e crescimentos nos principais indicadores operacionais e financeiros da companhia, a empresa reforçou sua confiança na continuidade dessa tendência para o segundo semestre já que historicamente cerca de 55% da receita anual está concentrada no segundo semestre”, aponta a XP, que mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 16 por ação para POSI3.

Aura Minerals (AURA33)

A mineradora Aura lucrou US$ 21 milhões no segundo trimestre deste ano,  cinco vezes acima do apurado em igual período de 2020, enquanto a receita líquida foi a US$ 112 milhões.

O Itaú BBA avalia os resultados divulgados pela Aura Minerals como mais fracos do que o esperado. O Ebitda de US$ 40,2 milhões ficou 13% abaixo de sua estimativa, e 23% menor do que no trimestre anterior, apesar de mais do que o dobro na comparação anual.

O banco diz que o desempenho abaixo do esperado pode ser atribuído a exportações 6% menores no trimestre, de 66,8 mil onças equivalentes de ouro (kGEO na sigla em inglês), que ofuscam os preços mais altos do cobre e do ouro. O custo do dinheiro aumentou 15% na comparação trimestral, a US$ 922 por onça. A posição de caixa caiu a US$ 7 milhões por conta de pagamento extraordinário de dividendos.

O banco mantém avaliação outperform para a Aura Minerals, com preço-alvo para 2021 de R$ 80 para os papéis AURA33.

No embalo da demanda vinda do transporte da safra agrícola que, somada a aquisições, levou a empresa ao melhor resultado trimestral de sua história em receita líquida, o grupo Randon reportou lucro de R$ 122,1 milhões no segundo trimestre, mais do que o dobro (alta de 121%) se comparado ao mesmo período de 2020.

Na mesma base comparativa, a receita líquida também mais do que dobrou, marcando crescimento de 126,6% e a cifra recorde de R$ 2,11 bilhões nos três meses. Já o resultado operacional medido pelo Ebitda marcou R$ 322,6 milhões: alta de 109,6%.

A fabricante de implementos rodoviários e autopeças também elevou na terça suas estimativas de faturamento bruto para R$ 12 bilhões neste ano, ante expectativa anterior de R$ 9,6 bilhões. A reavaliação ocorre em meio a um mercado crescente de caminhões e investimentos em rodovias. A previsão de investimento orgânico foi elevada de R$ 250 milhões para R$ 320 milhões.

O Itaú BBA avaliou os resultados da Randon como positivos. O banco diz que a empresa continua a se beneficiar de um bom momento em suas divisões de caminhões e partes de carros. O BBA também ressalta que a Randon revisou suas diretrizes para 2021 e mantém avaliação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) para a Randon, com preço-alvo para 2021 de R$ 18,5 para os papéis RAPT4, negociados na terça por R$ 13,32.

Qualicorp (QUAL3)

A empresa de planos de saúde Qualicorp teve queda no lucro do segundo trimestre, refletindo maiores despesas financeiras e com campanhas de vendas.

A companhia anunciou que seu lucro de abril a junho somou R$ 90,3 milhões, queda de 28,4% contra um ano antes.

Embora tenha tido crescimento de 6,9% ano a ano da receita líquida, a R$ 517,2 milhões, isso veio às custas de maiores despesas com itens como marketing.

O Ebitda recuou 19,9%, para R$ 234 milhões, refletindo maiores iniciativas para acelerar vendas e investimentos em inovação e marketing.

A margem Ebitda ajustada foi de 38,9%, queda de 9,4 pontos percentuais, “abaixo do patamar que consideramos justo para nosso negócio no longo prazo”, afirmou a companhia no relatório.

A Qualicorp fechou junho com 2,58 milhões de vidas, crescimento de 11,3% em 12 meses.

Taurus Armas (TASA4)

A Taurus Armas lucrou R$ 193,6 milhões no segundo trimestre de 2021, número que corresponde a um crescimento de 395,1% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O Ebitda da fabricante de armas ficou em R$ 224,4 milhões, o que representa uma expansão de 106,3% ante o segundo trimestre de 2020.

A receita líquida, por sua vez, totalizou R$ 651,1 milhões, em um avanço de 48,8% na base anual.

A Eletrobras informou que obteve resultado desfavorável em recurso impetrado no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) em uma ação de cobrança relativa a empréstimo compulsório sobre energia elétrica. Segundo a estatal, o processo está provisionado pelo montante de R$ 1,47 bilhão, acrescido de multas e honorários advocatícios. A companhia disse que aguardará a publicação do acórdão para avaliar potenciais medidas cabíveis.

Santander Brasil (SANB11)

Já o Santander Brasil informou na terça-feira a obtenção de registro de companhia aberta para seu braço de pagamentos, Getnet, além de aprovação da B3 para listagem e negociação de ações e units. Segundo fato relevante, a Getnet aguarda aprovação da Securities and Exchange Comission (SEC, CVM dos EUA) para negociação de suas ações na Nasdaq.

A Bloomberg destaca que o plano da JBS para comprar a australiana Huon Aquaculture pode estar sob ameaça com o aumento da participação do magnata da mineração Andrew Forrest na produtora de salmão para um nível que poderia bloquear o negócio.

Forrest e seu family office elevaram a fatia na Huon, negociada em Sydney, de 7,3% para 18,5%, segundo documento regulatório divulgado na quarta-feira. O investimento destaca os avanços da Huon na melhoria das práticas ambientais em uma indústria com uma reputação “terrível”, disse Forrest em entrevista.

(com Bloomberg, Reuters e Estadão Conteúdo)

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Radar da próxima semana: balanços de Eletrobras, JBS, Marfrig, BRF, Natura, Sabesp e de mais companhias são destaque

(Divulgação JBS Friboi)

(Bloomberg) — A safra de balanços do segundo trimestre de 2021 caminha para o final e concentra um volume grande de resultados nos próximos dias. O boom de IPOs, já o maior da história em termos de volume financeiro, segue aquecido, mesmo com alguns cancelamentos e preços fixados no piso da faixa. Acompanhe a movimentação no mercado corporativo:

A semana

  • 09/agosto: Alupar, Even, Fras-Le, Iguatemi, Itaúsa, JSL, Melnick, Minerva, Mitre, Mobly, São Martinho, Sequoia informam resultados trimestrais
  • 09/agosto: Estreia prevista das ações da Viveo
  • 10/agosto: Estreia prevista das ações da Oncoclínicas na B3
  • 10/agosto: BR Distribuidora, BTG Pactual, C&A, Klabin, Marfrig, NotreDame Intermédica, Porto Seguro, Qualicorp, Raia Drogasil, Randon, Santos Brasil, Vulcabras divulgam balanço trimestral
  • 11/agosto: Aeris, Aliansce Sonae, B3, Banco Inter, Copel, Eletrobras, Enauta, Guararapes, Hapvida, Helbor, JBS, Locaweb, LPS, Moura Dubeux, MRV, Oi, Simpar, Sul América, Suzano, Taesa, Ultrapar, Valid, Via Varejo, Wilson Sons, Yduqs informam resultados trimestrais
  • 11/agosto: Definição de preço por ação em IPO da Humberg Agribrasil
  • 11/agosto: Assai promove AGE para discutir desdobramento de ações
  • 12/agosto: Alliar, Arezzo, Azul, Banrisul, BRF, Bradespar, BRMalls, CCR, Cury, Cyrela, Energisa, EZTec, Grupo Mateus, Grupo Soma, Lavvi, Light, Lojas Americanas, Lojas Marisa, Lojas Renner, Magazine Luiza, Mahle Metal Leve, MPM Corpóreos, Natura, Neogrid, Rumo, SLC Agrícola, Sabesp, Sanepar, SBF, Track & Field, Wiz divulgam balanços
  • 13/agosto: Cogna, Cosan, CVC, Embraer, Enjoei.com, Restoque, Ser Educacional, Smiles, Tecnisa, Vivara informam desempenho trimestral
  • 13/agosto: Estreia prevista das ações da Humberg Agribrasil no Novo Mercado da B3

Remédio amargo?

A complexidade do caso já levanta dúvidas sobre a concretização da fusão entre Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3), segundo a Agência Estado. As prováveis exigências do Cade para aprovar a operação, os chamados remédios, podem ser “amargos demais”, segundo pessoas ouvidas pela reportagem e que falaram sob anonimato. A Superintendência Geral da autarquia pediu diligências adicionais em maio e deve emitir nota técnica sobre o caso nas próximas semanas, segundo a reportagem.

Mais recordes à vista

Mesmo tendo alcançado o melhor ano de todos os tempos em agosto, o boom de IPOs de empresas brasileiras ainda está longe de acabar. Mais de 20 empresas estão na fila para abrir o capital, segundo levantamento da Bloomberg, e o ciclo de alta de juros no país testará o apetite pelos novos entrantes. Algumas empresas tiveram de fixar preços abaixo da faixa indicativa, mas o volume de IPOs cresceu mais de 400% neste ano até o início de agosto em relação ao mesmo período de 2020.

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Gestor explica por que prefere Marfrig ao invés de Minerva, JBS e BRF

(CONDADO DA FARIA LIMA) – No Coffee & Stocks desta quinta-feira (15), recebemos Flavio Kac, gestor com mais de 15 anos de experiência e que hoje é responsável pelo fundo Asa Long Biased, da Asa Investments. Ele explicou por que Marfrig (MRFG3) é a maior posição da carteira dele e por que, na visão dele, ela é um melhor investimento agora do que Minerva (BEEF3), JBS (JBSS3) e BRF (BRFS3).

A explicação completa você confere nos 30 minutos de conversa no vídeo acima ou direto em nosso canal no Youtube (link aqui). Aos mais apressados, deixo aqui um breve resumo:

Por que Marfrig? Maior exposição ao mercado americano, que é beneficiado não só pela forte demanda (forte estímulo do governo para a população durante a crise) como também pela oferta equilibrada, diferente daqui do Brasil, onde o ciclo do boi está desfavorável e gerando “spread negativo” para os produtores. Além disso, Marfrig finalmente começou a gerar fluxo de caixa positivo nos últimos 2 anos e neste 2º trimestre o resultado deve vir recorde.

Por que não Minerva? Justamente pelo ciclo desfavorável no Brasil. Isso é cíclico e uma hora isso vai mudar, mas o ciclo do boi é longo (demora cerca de 4 anos para um bezerro virar boi), é preciso esperar essa melhora.

Por que não JBS? Assim como a Marfrig, a JBS consegue se beneficiar do forte consumo americano, mas por ela ter mais exposição ao Brasil do que a Marfrig e maior exposição ao mercado de frango (que está sendo impactado pela forte alta nos preços das commodities, principal custo na criação dos frangos), o gestor prefere Marfrig.

Compra da fatia da BRF: no primeiro momento, ficamos assustados, mas depois vimos que foi um movimento super acertado. O valuation foi atrativo e o ciclo do frango está ruim, mas uma hora tende a se normalizar. Ao mesmo tempo, a BRF tornou-se um dos maiores clientes da Marfrig, então se um grande player decidisse comprar a BRF, a Marfrig poderia perder um grande cliente; com a compra dessa fatia, ela consegue se proteger disso, lucrando com uma eventual venda da BRF.

Carne do Brasil ganha espaço nos EUA com demanda chinesa pelo produto americano e beneficia gigantes do setor

SÃO PAULO (Reuters) – Relações comerciais conturbadas entre China e Austrália fizeram com que os chineses passassem a buscar mais carne bovina no mercado norte-americano, abrindo espaço para o Brasil elevar suas exportações da proteína aos EUA, o que gera um movimento por habilitações de novos frigoríficos brasileiros pelo país da América do Norte.

O cenário já beneficia gigantes do setor como JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3) e Minerva Foods (BEEF3), visto que todas possuem plantas aprovadas para embarcar aos EUA. Mas essas empresas têm se movimentado de olho na possibilidade de abocanhar maior fatia no país norte-americano.

Os EUA alcançaram, em maio, a terceira colocação entre os principais compradores de carne bovina do Brasil, conforme dados da associação de exportadoras Abiec, com uma disparada de 186% no volume adquirido, para 10,73 mil toneladas, avançando cinco posições ante o mesmo mês de 2020.

“A JBS tem 12 unidades habilitadas para exportar para os EUA e está sempre atenta a possibilidades de ampliação”, disse a companhia em nota à Reuters.

A Marfrig recebeu, na semana passada, uma recomendação do Ministério da Agricultura para que sua unidade de Chupinguaia (RO) passe a exportar para o mercado norte-americano. Agora, esta planta e a de Alegrete (RS), recomendada pelas autoridades do ministério em maio, aguardam aprovação das autoridades americanas para confirmar a habilitação.

A Marfrig disse, por meio da assessoria de imprensa, que já embarca a proteína in natura e processada por meio de quatro unidades: Bagé e São Gabriel, no Rio Grande do Sul, Bataguassu (MS) e Promissão (SP).

Também na última semana, a Minerva anunciou que sua divisão de carnes processadas, a Minerva Fine Foods, foi habilitada para exportar produtos cozidos e congelados aos Estados Unidos pela planta de Barretos (SP), única operação de processados da companhia no Brasil.

A unidade se juntou a outras cinco plantas da Minerva Foods que podem embarcar a proteína bovina aos norte-americanos, sendo quatro para envio de carne in natura e uma que exporta o produto enlatado.

Embora as empresas estejam buscando ampliar o leque de possibilidades para exportar aos EUA, os embarques já estão fortes com as atuais habilitações. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os frigoríficos brasileiros aumentaram em 165,6% o volume da proteína exportada aos norte-americanos, para 33,8 mil toneladas, segundo a Abiec.

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Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), por sua vez, mostram que o país vendeu 48.292 toneladas de carne bovina para a China de janeiro a abril, um extremo avanço ante o volume de 3.255 toneladas enviado no mesmo período de 2020.

JOGO ENTRE MERCADOS

“Esperamos que os EUA direcionem parte da sua carne para a China para compensar a redução de exportação da Austrália para aquele país. Com isso, o Brasil acaba ganhando espaço no mercado americano”, disse a diretora da consultoria Agrifatto, Lygia Pimentel.

Ela afirmou que a conjuntura é promissora para a proteína bovina e também pode beneficiar as exportações brasileiras de carne suína aos EUA. Apenas a área de aves não seria igualmente favorecida por falta de unidades habilitadas.

O diretor da Scot Consultoria, Alcides Torres, disse que houve um conflito político entre China e Austrália, que motivou o recuo das compras chinesas daquele mercado.

“Os chineses saíram comprando carne em outros mercados e os EUA saíram favorecidos com essa escolha, mesmo porque o rebanho australiano é muito parecido com o americano, a raça é semelhante. Foi uma substituição zootecnicamente esperada”, explicou Torres.

Ele ainda ressaltou que como os EUA são, historicamente, grandes exportadores e importadores de muitos produtos, trazer carne de fora para complementar a oferta local é uma estratégia que também condiz com o perfil de negociação dos americanos.

“Mas se não houvesse esse aquecimento no intercâmbio comercial, com aumento de vendas dos EUA para a China, provavelmente o Brasil ainda estaria patinando no volume para os EUA”, destacou Torres, lembrando que em anos anteriores os frigoríficos brasileiros já sofreram com barreiras sanitárias impostas pelos americanos.

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“Acho que agora o Brasil tende a consolidar sua posição como fornecedor de carne para os Estados Unidos. O tipo de filé é diferente, mas a nossa carne serve para várias finalidades, como hambúrguer… O Brasil deve, nesse jogo internacional, melhorar seu desempenho.”

Sobre o avanço dos EUA no ranking dos principais destinos da carne do Brasil em maio –ficando atrás apenas de China e Hong Kong–, o diretor da Scot afirmou que também contribuiu para isso o recuo nas compras de outros países importadores em função da pandemia da Covid-19.

Apesar do forte crescimento para os EUA, os embarques ainda são relativamente pequenos perto das exportações brasileiras aos chineses, que somaram mais de 300 mil toneladas de janeiro a maio.

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Geadas em estados no Brasil e ciclo de gado nos EUA representam mais desafios para os frigoríficos

Geadas atingiram na madrugada de terça-feira (29) regiões agrícolas do Paraná e Mato Grosso do Sul, o que deve acentuar perdas na safra brasileira de milho já fortemente impactada pela seca, de acordo com especialistas ouvidos pela Reuters.

Ainda é difícil precisar o impacto do frio excessivo, uma vez que o prejuízo demora alguns dias para aparecer nas lavouras.

Atualmente, considerando apenas os efeitos da severa seca no centro-sul, a segunda safra brasileira está estimada em 61,6 milhões de toneladas, queda de 22,4 milhões de toneladas em relação potencial inicial estimado pela Safras & Mercado.

A colheita nacional, considerando a primeira safra, está prevista pela consultoria em 95,5 milhões de toneladas. O Paraná, normalmente é segundo Estado produtor brasileiro do cereal após Mato Grosso, enquanto o Mato Grosso do Sul vem em quarto.

“Vamos ter lavouras aí que, dependendo da geada de hoje, é possível que tenha perda total”, comentou Paulo Molinari, analista de milho da Safras & Mercado.

Segundo ele, o mercado de milho no Brasil está paralisado, sem vendas de produtores, devido à incerteza de como ficará a oferta do Brasil.

Para o analista, uma das alternativas da indústria de carnes, que já lidava com custos de matérias-primas da ração historicamente elevados, é importar ou aumentar o uso de trigo como ingrediente da alimentação de criações.

Mas no Paraguai, que costuma exportar milho ao Brasil, as geadas foram “extremamente fortes”, disse o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Rural Clima, citando outro fator que pode limitar a oferta a indústrias brasileiras.

O impacto do fenômeno climático poderia ter sido mais intenso, não fossem as chuvas registradas em algumas regiões.

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“Choveu em algumas áreas, isso aliviou um pouco as geadas amplas principalmente no norte do Paraná e algumas áreas de Mato Grosso do Sul. No entanto, o centro de alta pressão ficou em cima do Paraguai”, disse Santos.

“Geadas extremamente fortes –de forte a muito forte–, não teve nem moderada no Paraguai, provavelmente dizimou”, afirmou o meteorologista, dizendo que perdas só vão ficar mais claras nos próximos dias.

Há previsão de que o frio intenso continue na quarta-feira, disse a Rural Clima em boletim.

“Infelizmente as previsões se confirmaram, e amanhã (quarta-feira) o dia deve ser mais frio ainda, a massa polar está ganhando força”, comentou.

A segunda safra de milho do Paraná está estimada em 9,8 milhões de toneladas pelo Departamento de Economia Rural (Deral), que vê uma colheita, até o momento, com queda de cerca de 5 milhões de toneladas ante o potencial inicial, devido ao impacto da seca.

Os números devem mudar dependendo do impacto do frio para as lavouras, disse o especialista em milho do Deral, Edmar Gervásio.

Segundo ele, da área total de milho segunda safra no Paraná de 2,5 milhões de hectares, 1,8 milhão de hectares estão em fases em que perdas podem ocorrer.

Mas ele ponderou que a maioria das lavouras do Estado está em frutificação “já em fase final”, não devendo ter impacto, assim como ocorre quando os plantações estão em maturação, perto da colheita.

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Na avaliação do Bradesco BBI, a quebra de safra nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul pode colocar pressão de alta no mercado global dos preços do milho e, portanto, representam um risco de baixa para i) BRF (BRFS3), já que a ração representa cerca de 30% de seus custos totais; ii) JBS (JBSS3), já que a ração representa cerca de 12% de seus custos totais; e iii) M. Dias Branco (MDIA3), com os analistas destacando que os preços de milho e trigo geralmente possuem forte correlação, sendo o trigo responsável por cerca de 45% de seus custos totais.

“Notamos que a colheita de milho de inverno no Mato Grosso do Sul responde por cerca de 8% da produção anual do Brasil, e no Paraná em cerca de 12%. Em uma análise de sensibilidade, um declínio de 50% na safra de milho de inverno de ambos os estados combinados versus estimativas de safra inicial seria responsável por uma redução adicional equivalente a cerca de 4% das exportações globais de milho”, apontam os analistas.

Os analistas do BBI possuem recomendação neutra para BRF, com preço-alvo de R$ 32 e outperform (desempenho acima da média do mercado) para JBS e M. Dias Branco, com preços-alvos respectivos de R$ 38 e R$ 32.

Ainda no radar do setor – e representando um viés para frigoríficos, o Itaú BBA analisou o mercado americano, especificamente as expectativas para JBS e Marfrig (MRFG3). Os analistas apontam que o mercado de bovinos nos Estados Unidos deve passar por uma retração em 2022, impactando diretamente os resultados das duas empresas.

Os analistas apontam que está começando fase de contração, que inicialmente traz margens maiores para os frigoríficos devido ao baixo custo do gado. Com o tempo, a liquidação deste gado, porém, faz com que a oferta se restrinja e os preços do gado se recuperem.

A seca atual nos EUA deve acelerar ainda mais este processo, uma vez que implica em piores condições de pastagem e colheita, levando a custos mais altos de grãos e rações. Além disso, as atuais condições das pastagens devem forçar uma aceleração na liquidação do gado até o segundo semestre de 2021.

De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a produção de carne bovina deve apresentar seu primeiro declínio em sete anos em 2022.

“Com a expectativa de recuperação dos preços do gado em 2022, o ambiente do consumidor é um fator-chave para a lucratividade dos frigoríficos”, apontam os analistas, que ressaltam que o crescimento econômico dos EUA deve se manter resiliente nos próximos dois anos. Adicionalmente, a reabertura dos bares e restaurantes deve apoiar a melhoria do mix de canais de venda e mitigar as taxas de abate mais baixas que esperamos para 2022.

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“Apesar do ambiente favorável ao consumidor, esperamos que as margens dos frigoríficos se contraiam a partir do segundo semestre do ano que vem”, avaliam.

Mesmo nesse cenário, os analistas reiteram a JBS como a principal escolha dentre as empresas de proteínas, com preço-alvo de R$ 47. “Após a desaceleração do ciclo do gado americano, o portfólio diversificado da JBS sustentará um balanço patrimonial saudável”, avaliam.

Eles também possuem recomendação de compra para Marfrig, com preço-alvo de R$ 26 por ativo, também comentando a fusão em potencial com a BRF após a companhia de Marcos Molina adquirir mais de 30% de ações BRFS3. “A continuidade da forte dinâmica operacional nos EUA seria essencial para o sucesso de ambas as empresas, caso se combinassem, pois permitiria uma maior redução na alavancagem da Marfrig (que atualmente se beneficia do ciclo mais forte) e garantiria o início da nova empresa com um balanço patrimonial saudável e capacidade de investimento sustentado, uma vez que a necessidade de aumentar o capex [investimentos em capital] está no centro dos problemas atuais da BRF”, apontam os analistas do BBA.

(com Reuters)

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Vale altera valor de dividendo a ser pago em junho para R$ 2,189 por ação, Marfrig compra terreno no Paraguai e mais destaques

SÃO PAULO – Além da aprovação na noite da véspera da Medida Provisória (MP) que aumenta a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para os bancos de 20% para 25% até o final do ano, os investidores também repercutem o noticiário sobre Vale, que alterou o valor a ser pago por ação em dividendos anunciados na quinta-feira da semana passada (17).

Já a Marfrig Global Foods afirmou em nota na quarta que comprou um terreno para a construção de uma unidade frigorífica na cidade Yby Yaú, no Departamento de Concepción, no Paraguai, marcando a entrada da companhia em mais um país da América do Sul. Confira os destaques:

A Vale comunicou que alterou o valor a ser pago por ação em dividendos anunciados na quinta-feira da semana passada (17).  A mineradora tinha anunciado um dividendo de cerca de R$ 2,177096137 por ação e, após a modificação, o valor  definido ficou em R$ 2,189670064. Segundo a empresa, a alteração foi necessária uma vez que a recompra de ações da companhia diminuiu o número de ativos em circulação.

A partir desta quinta as ações da Vale negociarão “ex-dividendos”, significando que quem comprar os papéis desse dia em diante não terá direito a receber os proventos. O pagamento ocorrerá no dia 30 de junho para os investidores nacionais e de 8 de julho para quem for dono dos ADRs.

Bancos e indústria química

Em destaque, a Câmara dos Deputados aprovou na noite da véspera a Medida Provisória (MP) que aumenta a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para os bancos de 20% para 25% até o final do ano. As demais instituições financeiras (como corretoras de câmbio, empresas de seguro, cooperativas de crédito, administradoras de cartão de crédito) pagarão 20% (hoje são 15%) até o final de 2021 e em 2022 voltam para os 15%. Já o fim dos incentivos tributários para a indústria química e petroquímica será de quatro anos. O texto vai para sanção presidencial.

A Fleury informou que segue trabalhando para resolver o ataque cibernético do qual foi vítima nesta semana e que vem recebendo o auxílio da Quality Assurance.

“Ressaltamos que nossa base de dados está íntegra e que o atendimento em todas as unidades de atendimento da companhia segue acontecendo por meio de soluções de contingência para garantir a prestação de serviços aos nossos clientes, que seguem recebendo nosso foco de atenção”, destacou a empresa.

O Morgan Stanley reduziu o preço-alvo para as ações da Ambev de R$ 14 para R$ 13,80, mantendo recomendação underweight (exposição abaixo da média), destacando que as ações já subiram 25% desde a divulgação dos resultados do primeiro trimestre.

O banco reduziu em cerca de 9% a sua previsão para 2022 e 2023 em média, 9% abaixo da previsão do mercado.
Para os analistas, a expectativa é de que o ritmo de receita e faturamento bruto seja mantido, devido a fatores temporários que tiveram impacto favorável sobre a companhia: alta demanda da cerveja, que o banco avalia que não seja sustentável; pressão sobre a oferta da Heineken, que o banco aponta como atenuada devido a nova capacidade de produção. O banco avalia que o faturamento bruto deve desacelerar no quarto trimestre de 2021 e em 2022, e que as margens podem ser estruturalmente mais baixas.

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A expectativa é por um panorama mais competitivo em 2022, dada a expectativa de que a concorrência aumente sua capacidade em, potencialmente, 20%. Espera-se que o faturamento da Ambev se mantenha em 2022, e que a demanda por cerveja desacelere após a reabertura da econômica, avaliando que a receita com o auxílio emergencial da pandemia representou um impulso à demanda maior do que o creditado a ele. A poupança dos investidores ainda estão 17% abaixo dos níveis anteriores à pandemia. A projeção é de que a menor renda disponível no segundo semestre de 2021 e em 2022, com maior inflação dos alimentos, de 6% segundo suas estimativas, e maiores gastos com serviços reduzam, potencialmente, o consumo de bebidas. O banco espera margens menores por um período maior, especialmente em 2022.

Iguatemi (IGTA3)

A Iguatemi vai emitir R$ 500 milhões em debêntures. A empresa afirmou que vai usar o capital para reforçar o capital de giro e para alongar as dívidas.

A Marfrig Global Foods afirmou em nota na quarta que comprou um terreno para a construção de uma unidade frigorífica na cidade Yby Yaú, no Departamento de Concepción, no Paraguai, marcando a entrada da companhia em mais um país da América do Sul. A intenção de construir uma unidade no país sul-americano já havia sido mencionada pela empresa, principalmente após a realização de uma parceria com a Associação Paraguaia de Produtores e Exportadores de Carne, anunciada em 2020. Na época, a Marfrig disse que os investimentos no projeto poderiam chegar a US$ 100 milhões.

Carrefour Brasil (CRFB3)

O Carrefour, dono do Carrefour Brasil, afirmou na quarta que começou uma “reflexão” sobre o tamanho de suas subsidiárias internacionais, mas negou que tenha decidido vender ativos. Uma porta-voz do Carrefour fez o comentário depois que a revista semanal francesa Challenges publicou que o Carrefour está planejando vender subsidiárias na Polônia e em Taiwan e que concedeu mandato à KPMG para auditá-las.

O Itaú BBA realizou um encontro on-line com Carlos Loureiro, presidente do Inda (Instituto Nacional de Distribuidores de Aço). Ele falou sobre a perspectiva de volumes e preços de aço em alta, que considera uma notícia já antiga. Mas o Itaú afirma que o encontro confirmou que novas altas parecem menos prováveis, dado que estoques estão mais equilibrados, e as importações estão subindo. O banco diz que a produção está próximo ao limite da capacidade no Brasil, e deve continuar alta se produtores decidirem elevar as exportações nos próximos meses, algo menos provável devido à recomposição dos estoques, à valorização do real e a preços mais estáveis. O consumo aparente de aço deve crescer 15% em 2021, diz o Itaú BBA.

O banco mantém avaliação outperform para Gerdau, Usiminas e CSN. Para a Gerdau, indica preço-alvo para 2021 de R$ 45, frente à cotação de R$ 29,79 dos papéis GGBR4; para a Usiminas, de R$ 28, frente à cotação de R$ 18,62 dos papéis USIM5; para a CSN, de R$ 61, frente à cotação de R$ 43,17 dos papéis CSNA3.

O Credit Suisse atualizou seu modelo para a Duratex, incorporando os resultados do primeiro trimestre de 2021 e contabilizando maiores remessas da divisão Deca da empresa, que o banco espera que cresça 13% em 2021 na comparação anual, frente à estimativa anterior, de 3%. O banco também incorporou aumentos de preço anunciados no segundo trimestre e a nova previsão para a cotação média do dólar em relação ao real, de R$ 5,2 para 2021, frente à estimativa anterior de R$ 5,5, além de pressões de custos com a alta das commodities.

Assim, o banco elevou de R$ 25 para R$ 27 o preço-alvo da empresa, mantendo recomendação outperform e apontando  que a empresa deve ser uma beneficiária central de um possível ciclo de crescimento de vários anos da construção no Brasil. O banco diz que a relação entre dívida líquida e lucro Ebitda está atualmente em 1,2 vez, e deve cair para 0,8 vez em 2021, segundo sua estimativa. Isso pode abrir espaço para a distribuição maior de dividendos ou crescimento por meio de fusões e aquisições.

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O banco espera que a Duratex registre um Ebitda de R$ 2,1 bilhões em 2021, alta de 63% em relação ao ano anterior, e que as margens fiquem em 27%, frente a 22% em 2020.

Rede D’Or (RDOR3)

XP e Credit Suisse revisaram suas estimativas para a Rede D’Or. O Credit Suisse reduziu o preço-alvo de R$ 78 para R$ 76, mas mantendo recomendação outperform.

Os analistas do banco suíço incorporaram as novas premissas de expansão no modelo, que se basearam principalmente na estratégia reforçada de expansão orgânica e inorgânica que consequentemente devem impactar margens, capex e início das operações das unidades.

Já a XP retomou a cobertura de Rede D’Or após seu recente aumento de capital, com recomendação de compra e preço alvo de R$ 88 por ação (o anterior era de R$ 85).

“Atualizamos nossos números com os resultados mais recentes da empresa e um novo cenário macro – com o maior impacto no lucro devido às estimativas de taxas de juros mais altas. É importante ressaltar que a empresa aumentou seu plano de expansão para novos leitos – organicamente; e tem sido bastante ativa na área de fusões e aquisições. Em nossa opinião, o aumento de capital logo após seu IPO indica uma agenda de fusões e aquisições mais forte. Portanto, continuamos otimistas com a história de forte crescimento da Rede D’Or e estimamos um crescimento médio anual do lucro líquido de 81% entre 2020-2023”, avaliam os analistas.

O Morgan Stanley atualizou a sua avaliação para a Copasa, citando os resultados do primeiro trimestre e a guidance para despesas de capital, aliada à revisão tarifária preliminar divulgada pelo órgão regulador sanitário em Minas Gerais. O banco elevou o Ebitda de curto prazo em 8% em média, principalmente por uma base regulatória acima do esperado. Para o período após 2023, o banco manteve as previsões relativamente inalteradas.

A avaliação é overweight (exposição acima da média do mercado), e o preço-alvo para 2021 ficou inalterado em R$ 21, frente à cotação de R$ 16,49 de fechamento da véspera. O custo ponderado do capital (WACC na sigla em inglês) em reais foi elevado pelo Morgan Stanley de 10,11% para 10,44%.

3R Petroleum (RRRP3)

O Morgan Stanley comentou a potencial compra do campo de Papa-Terra pela 3R Petroleum, cuja cobertura iniciou na semana passada. O Morgan Stanley ressalta que a Petrobras iniciou a produção no final de 2013, mas ela ficou abaixo da expectativa, mesmo com investimento de US$ 3,5 bilhões. A produção foi de 15 mil barris de petróleo (bbl) por dia, frente à capacidade instalada de 140 mil bbl por dia.

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O banco diz que espera que a potencial compra seja por um valor baixo, mas ressalta que a 3R ainda está no início de sua trajetória como operadora, e campos de águas profundas oferecem um risco maior. No momento, o Morgan Stanley diz avaliar que uma perspectiva neutra deve ser precificada para o projeto. A recomendação do Morgan para a 3R é overweight (exposição acima da média do mercado) com preço-alvo de R$ 58, o que configura uma alta de 21,6% frente o último fechamento.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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