Camil compra empresa de massas Santa Amália por R$ 260 milhões e cria nova concorrência para M. Dias Branco

(Klaus Nielsen/ Pexels)

SÃO PAULO – A Camil Alimentos (CAML3) informou nesta terça-feira (17) que comprou a empresa de massas Santa Amália, por R$ 260 milhões, dando seu primeiro passo no segmento.

Segundo comunicado, a Santa Amália é uma das companhias de massas mais tradicionais do país, possuindo liderança no estado de Minas Gerais, com marcas de destaque na categoria de massas e um portfólio com marcas premium.

Em fato relevante, a Camil afirma que a complementariedade geográfica da empresa, com liderança em regiões com potencial de crescimento para as categorias atuais da Camil, bem como seu posicionamento com potencial de crescimento nacional, reforça a estratégia de aquisições da companhia.

“A operação representa um importante passo para a diversificação e entrada em novas categorias e expansão geográfica da Camil no Brasil”, escreve.

Ainda de acordo com o fato relevante, além do preço de aquisição, de R$ 260 milhões, a Camil assumirá o endividamento da Santa Amália da ordem de R$ 150 milhões.

Na avaliação da Guide Investimentos, o anúncio é positivo, por aumentar a diversificação do portfólio da Camil de produtos alimentícios, apesar do elevado preço atual que o trigo é cotado.

“Acreditamos que possíveis sinergias devam ser geradas com a compra no médio e longo prazo, com destaque para diluição de custos operacionais”, escrevem os analistas.

A visão é compartilhada pelo Itaú BBA, que diz ver a transação como um marco importante para a Camil, pois marca sua entrada em uma nova categoria no Brasil.

Os analistas avaliam que a compra está alinhada com a estratégia anunciada pela companhia de crescimento inorgânico. Além disso, permite à Camil exposição ao segmento de massas e expande sua atuação nacional para estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, podendo gerar oportunidades de expansão do seu portfólio atual para novos mercados, destaca o Itaú.

PUBLICIDADE

O time de análise afirma ainda que a aquisição abre espaço para que a Camil complemente seu portfólio em São Paulo e pode, ainda, aumentar o tamanho da rede de distribuição atual da empresa.

“Embora ainda não tenhamos informações suficientes para analisar o preço pago pela Santa Amália, parece atrativo para as operações da Camil sob uma análise qualitativa”, escrevem os analistas.

O Itaú BBA tem recomendação market perform (em linha com a média do mercado) para os papéis CAML3 e preço-alvo de R$ 14.

Anúncio é negativo para M. Dias Branco

Em relatório, o Bradesco BBI avalia que a aquisição deve ter reação neutra do mercado para Camil e negativa para as ações da fabricante de massas M. Dias Branco (MDIA3).

Isso porque os analistas esperam que a Camil foque em aprimorar as operações da Santa Amália nos próximos seis a 12 meses, ampliando sua participação no mercado de massas e criando uma forte competição para a M. Dias Branco.

O time de análise, contudo, segue otimista com os papéis MDIA3, em meio à expectativa de uma recuperação das margens com uma possível queda dos preços agrícolas nos próximos anos.

Já com relação à Camil, o Bradesco BBI não vê o valuation pago pela operação como atrativo, uma vez que o banco estima que a Camil terá que melhorar a margem Ebitda da nova companhia para 11%, dos patamares negativos atuais.

Por outro lado, destacam, a aquisição adiciona uma diversificação positiva para a Camil e há um risco positivo de a empresa usar sua rede de distribuição para expandir suas operações.

PUBLICIDADE

Além disso, o time de análise chama atenção para a possibilidade de sinergias, uma vez que as despesas com vendas, gerais e administrativas da Santa Amália vieram altas em 2020.

Por volta das 10h35 desta terça-feira (17), as ações CAML3 operavam entre perdas e ganhos na Bolsa, a R$ 8,64, enquanto os papéis MDIA3 tinham leve queda de 0,4%, a R$ 30,83.

Quer atingir de uma vez por todas a consistência na Bolsa? Assista de graça ao workshop “Os 4 Segredos do Trader Faixa Preta” com Ariane Campolim.

M.Dias Branco lucra R$ 142,3 mi no 2º tri, estreia das ações da Viveo, queda do petróleo e do minério e mais destaques

SÃO PAULO – O noticiário corporativo desta semana tem como destaque a temporada de resultados, com a divulgação de mais de cem balanços no período.

Na noite de sexta-feira passada, a indústria de alimentos M.Dias Branco informou que registrou lucro líquido de R$ 142,3 milhões no segundo trimestre de 2021, o que representa uma retração de 6,6% ante o reportado no mesmo período do ano passado.

Depois do fechamento do mercado nesta segunda-feira (9), atenção para os resultados de Blau, BR Partners, Direcional, Iguatemi, Minerva, Mobly, Even, Fras-le, Itaúsa, Melnick, Mitre e São Martinho.

Essa segunda-feira marca a estreia das ações da Viveo.

No mercado de commodities, o dia é de queda forte para o minério de ferro e para o petróleo. O petróleo tem baixa de cerca de 4%, com os investidores preocupados com demanda menor por combustíveis, caso a variante delta impeça o processo de reabertura das economias.

“As futuras novas ondas de coronavírus são um dos principais riscos para a nossa projeção do brent, que agora tem um preço médio de US$ 68 por barril em 2022 e de US$ 63 por barril em 2023. Continuamos confortáveis com nossas estimativas, apesar da propagação da variante Delta”, aponta o BBI.

O minério de ferro também apresenta forte queda, também em meio a projeções de maior oferta e desaceleração da demanda na China. O contrato mais negociado do minério de ferro na bolsa de commodities de Dalian, para entrega em janeiro de 2022, fechou em queda de 4,4%, a 852,50 iuanes (US$ 131,67 ) por tonelada, depois de tocar uma mínima de 845 iuanes –menor patamar desde 1º de abril.

“Com a perspectiva de menor produção dos altos-fornos no segundo semestre de 2021 em relação ao primeiro, e a recuperação nos embarques de minério de ferro da Austrália e Brasil, mantemos nosso intervalo de US$ 140 a US$ 170 /tonelada para o minério de ferro (CFR China) no médio prazo”, disse Atilla Widnell, diretor-gerente da Navigate Commodities em Cingapura, informa a Reuters.

Confira mais destaques:

M.Dias Branco (MDIA3)

PUBLICIDADE

A indústria de alimentos M.Dias Branco registrou lucro líquido de R$ 142,3 milhões no segundo trimestre de 2021, o que representa uma retração de 6,6% ante o reportado no mesmo período do ano passado, segundo informações divulgadas pela empresa nesta sexta-feira (6).

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia somou R$ 167,2 milhões, em queda de 25,9% sobre o valor do segundo trimestre de 2020.

Por fim, a receita líquida totalizou R$ 1,979 bilhão, em incremento de 5% na comparação anual.

O volume de vendas chegou a 450 mil toneladas, abaixo das 536 mil toneladas vendidas de abril a junho do ano passado.

Segundo a administração, o segundo trimestre do ano passado foi marcado pelo aumentado temporário e atípico da demanda, estimulada pelo auxílio emergencial e pelo aumento do consumo dentro dos lares, criando uma “base de comparação mais difícil” para o segundo trimestre de 2021.

Em relação ao Ebitda, a gestão defende que a retração é “explicada pelo aumento das commodities em doláres, pela quedas dos volumes e pelo impacto desfavorável do câmbio.”

O Itaú BBA avaliou os resultados divulgados pela M. Dias Branco como neutros. A empresa informou Ebitda ajustado de R$ 147 milhões, frente a estimativa de R$ 134 milhões e o consenso do mercado de R$ 108 milhões. A maior parte do resultado acima do esperado se deve a volumes maiores e elasticidade de preços maior do que o esperado. Mas o banco ressalta que a margem Ebitda está em 7%, queda de 4,5 pontos percentuais na comparação anual, em linha com a expectativa do Itaú.

O banco destaca a queima de caixa de R$ 96 milhões, com uma relação entre dívida líquida e lucro Ebitda de 0,5 vez, estável em relação ao primeiro trimestre. O banco ressalta que a empresa anunciou um programa de recompra de títulos que pode atingir 10% de suas ações disponíveis aos investidores. O banco mantém avaliação market perform (perspectiva de valorização dentro da média do mercado) e preço-alvo de R$ 30 para 2021, frente à cotação de R$ 33,35 de sexta.

PUBLICIDADE

O Bradesco BBI destacou que o Ebitda ajustado ficou 20% acima do consenso e 24% acima da estimativa dos analistas, principalmente devido às despesas gerais, com vendas & administrativas, que ficaram 18% abaixo da estimativa do banco e representaram 24% das vendas totais (versus as estimativas do BBI de 27% no 2T21, que também é a premissa do banco de longo prazo), dado um maior benefício das medidas de eficiência.

Dito isso, embora a perda de participação de mercado de 2,6 pontos em relação ao ano anterior para biscoitos e 3,6 pontos em relação ao ano anterior para massas seja algo a ser monitorado, isso melhorou sequencialmente durante o trimestre (alta de 0,7 ponto para biscoitos em junho versus março e alta 0,9 ponto para massas em maio-junho versus março-abril), o que pode indicar que os concorrentes estão acompanhando os aumentos de preços da M. Dias (+ 25% em base
anual).

Os analistas veem os múltiplos como atrativos. “Além disso, esperamos que um declínio nos preços das commodities
agrícolas durante o segundo semestre de 2021 até 2024, que representam aproximadamente 65% dos custos totais da empresa, resultará em lucro líquido no período de 2022-2024 para M. Dias na média 35% acima do consenso”, apontam os analistas.

A sessão marca a estreia das ações da Viveo. A distribuidora de produtos médicos precificou na quinta-feira sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) a R$ 19,92 por papel. As ações serão negociadas com o código ‘VVEO3’.

O Conselho de Administração da Unidas aprovou a realização da 21ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, no valor de R$ 1,1 bilhão. As debêntures serão em série única, da espécie quirografária, com adicional e prazo de 10 anos. Há possibilidade de a quantidade de 1,1 milhão de debêntures serem elevadas em 20%.

SmartFit (SMFT3)

A SmartFit  anunciou a compra de 100% da Smartex Escola de Ginástica e Dança. “A empresa é responsável pela operação de 34 academias de ginástica Smart Fit espalhadas pelo território nacional”, destacou a rede de academias em comunicado ao mercado.

A quitação de passivos ambientais pela Petrobras é uma das alternativas avaliadas para o governo federal obter recursos que financiem o chamado vale-gás, programa que beneficiaria famílias carentes atingidas pela disparada do preço do produto, disseram duas fontes próximas nas negociações. Um fundo abastecido com pagamentos das multas ambientais da estatal bancaria o auxílio social que vem sendo anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro.

O Palácio do Planalto encomendou estudos para minimizar o custo do gás de cozinha, item básico da população, após o valor do produto da Petrobras às distribuidoras subir cerca de R$ 1 por quilo no acumulado do ano, para R$ 3,60 por quilo. Em 2021, o produto subiu 37,5% e 40% em praças como Paulínia (SP) e Duque de Caxias (RJ), segundo dados da Petrobras, que aprovou seis altas consecutivas neste ano, na esteira da recuperação dos preços do petróleo.

PUBLICIDADE

A Petrobras também informou nesta segunda-feira que contratou o JPMorgan  como assessor para vender sua participação na petroquímica Braskem (BRKM5). A empresa confirmou reportagem da Reuters, publicada na última quinta-feira, com base em três fontes a par do assunto.

“A Companhia confirma que contratou o JP Morgan para assessoramento financeiro da eventual e futura transação referente à sua participação na Braskem”, disse a Petrobras.

Na manhã de quinta-feira, executivos da Petrobras disseram em teleconferência com investidores que tinham contratado assessores para vender sua fatia na Braskem, sem dar mais detalhes. O conglomerado Novonor, antes conhecido como Odebrecht, retomou a venda do controle acionário da Braskem em abril, mas até agora não encontrou comprador.

A Eletrobras informou nesta sexta-feira que a usina hidrelétrica Curuá-Una, cuja concessão pertence à controlada Eletronorte, está incluída no escopo do processo de privatização da companhia e deverá ser objeto de uma nova outorga de geração de eletricidade.

Com isso, de acordo com comunicado publicado pela estatal, haverá inclusão, no cálculo do processo, do valor adicionado a ser pago pela Eletrobras pelas novas concessões. O ativo está localizado no Pará e possui 30,3 megawatts de capacidade instalada.

Carrefour Brasil (CRFB3)

O Carrefour Brasil informou na sexta-feira que seu conselho de administração elegeu Marco Aparecido de Oliveira como presidente da unidade Atacadão.

Oliveira já dividia a liderança da divisão nos últimos dois anos com Roberto Müssnich, que seguirá no grupo até o fim deste ano. Depois, apoiará o Carrefour Brasil em “reflexões estratégicas até junho de 2024”, afirmou a empresa, sem dar mais detalhes.

“Vemos a notícia como neutra, uma vez que ambos os executivos tem ampla experiência no setor e um ótimo histórico de entrega de resultados para a companhia”, destaca a XP.

Notre Dame Intermédica (GNDI3)

A Notre Dame Intermédica informou na sexta-feira que recebeu homologação para prestar serviços de assistência dental a servidores públicos de Belo Horizonte, valendo a partir de 1º de dezembro. Segundo a empresa, cerca de 20 mil servidores da capital mineira optaram por contratar plano de saúde através da modalidade de adesão.

A BRF anunciou nesta sexta-feira investimentos de R$ 171 milhões na operação do Rio Grande do Sul, enquanto os produtores integrados da empresa no Estado também devem alocar um total de R$ 181 milhões em suas estruturas para aumentar a capacidade de alojamento e modernizar as instalações.

Segundo comunicado, o aporte da BRF será direcionado para a modernização e ampliação das unidades produtivas em Marau, Serafina Corrêa e em Lajeado, além de uma nova fábrica de rações em Gaurama.

​​A Gerdau anunciou na sexta-feira que vai investir R$ 6 bilhões em Minas Gerais nos próximos cinco anos em aumento de capacidade produtiva de laminados e em outras iniciativas que incluem energia. Executivos da empresa já tinham informado na quarta-feira que a companhia vai instalar um novo laminador de bobinas a quente na usina de Ouro Branco, com capacidade para mil toneladas por ano, além de uma nova máquina de perfis estruturais com capacidade para 500 mil toneladas.

O Bradesco BBI comentou os dados da CCR, cujo portfólio de estradas de pedágio teve em julho desempenho estável em relação ao patamar do mesmo período de 2019, com alta de 2,9 pontos percentuais em relação à semana anterior. O tráfego em concessões urbanas caiu 41% em comparação com 2019 e 0,5 ponto percentual na comparação semanal, e o tráfego em concessões de aeroporto caiu 38% em relação a 2019 e 0,1 ponto percentual em relação à semana imediatamente anterior.

Rede D’Or (RDOR3)

O Itaú BBA iniciou a cobertura da Rede D’Or, com avaliação outperform e preço-alvo para 2022 de R$ 88. O banco diz que a empresa tem praticamente todos os fatores que importam para liderar a onda de consolidações no setor.

O Credit Suisse conversou com o CEO da Ambev, Jean Jereissati, e com o CFO Lucas Lira após a divulgação dos resultados do segundo trimestre. O banco afirma que o setor está produzindo 20% menos do que os níveis anteriores à pandemia. O banco avalia que a precificação continua favorável para que a gestão administre preços de matérias-primas. Houve alta de 12% na composição de preços no primeiro semestre, parcialmente explicada por alta nos preços do terceiro e do quarto trimestres de 2020 e menos descontos.

O banco diz esperar que os preços da Ambev continuem fortes no segundo semestre após a alta em junho e acredita que os próximos trimestres devam marcar uma recuperação de margens. O Credit mantém avaliação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 21,50.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

Em curso gratuito de Opções, professor Su Chong Wei ensina método para ter ganhos recorrentes na bolsa. Inscreva-se grátis e participe.

M.Dias Branco tem queda de 6,6% no 2º trimestre e empresa cita base de comparação “difícil” e impacto das commodities

SÃO PAULO – A indústria de alimentos M.Dias Branco (MDIA3) registrou lucro líquido de R$ 142,3 milhões no segundo trimestre de 2021, o que representa uma retração de 6,6% ante o reportado no mesmo período do ano passado, segundo informações divulgadas pela empresa nesta sexta-feira (6).

Já o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia somou R$ 167,2 milhões, em queda de 25,9% sobre o valor do segundo trimestre de 2020.

Por fim, a receita líquida totalizou R$ 1,979 bilhão, em incremento de 5% na comparação anual.

O volume de vendas chegou a 450 mil toneladas, abaixo das 536 mil toneladas vendidas de abril a junho do ano passado.

Segundo a administração, o segundo trimestre do ano passado foi marcado pelo aumentado temporário e atípico da demanda, estimulada pelo auxílio emergencial e pelo aumento do consumo dentro dos lares, criando uma “base de comparação mais difícil” para o segundo trimestre de 2021.

Em relação ao Ebitda, a gestão defende que a retração é “explicada pelo aumento das commodities em doláres, pela quedas dos volumes e pelo impacto desfavorável do câmbio.”

Em curso gratuito de Opções, professor Su Chong Wei ensina método para ter ganhos recorrentes na bolsa. Inscreva-se grátis e participe.

Geadas no Sul e no Sudeste: qual o impacto para a inflação e para as ações de agro da Bolsa

Frio na Serra Catarinense (Foto: Paulo/Fotos Públicas)

SÃO PAULO – Em meio a condições climáticas adversas, com uma intensa onda de frio prejudicando o agronegócio e uma crise hídrica contribuindo para custos mais elevados de energia elétrica, o bolso dos consumidores deve sentir mais nos próximos meses.

O mesmo vale para investidores de ações, que têm empresas do agronegócio na carteira, que devem ficar atentos aos potencias impactos nas companhias.

Em relatório divulgado nesta sexta, a XP avalia que a geada de julho e dessa semana nas regiões Sul e Sudeste podem se traduzir em uma inflação ainda mais alta no curto prazo.

Isso porque, com a diminuição da oferta, devido ao impacto das geadas nas colheitas, os preços tendem a subir e esse repasse aos consumidores costuma ser rápido.

Na avaliação da XP, isso pode significar alta de 0,10 ponto percentual na projeção de inflação para 2021, já em 6,7%.

Leia também:
Geadas mancham cafezais do Sul de MG; Minasul vê até 30% das áreas afetadas

Entre as culturas mais impactadas pela intensa onda de frio, a XP destaca o café, as hortaliças e as frutas.

O frio intenso, somado ainda à estiagem severa, que impactou fortemente os preços de grãos – como soja e milho, cana de açúcar, café e cítricos –, e elevou o custo da energia elétrica, especialmente no setor industrial, tende a pressionar ainda mais o índice de preços.

No caso da carne bovina, a XP escreve que a alta segue sustentada pelas exportações brasileiras de carne para a China em um cenário de escassez de animais prontos para abate. E a falta de chuvas fez com que o confinamento do gado aumentasse, gerando mais custos aos produtores.

PUBLICIDADE

Tatiana Nogueira, economista da XP que assina o relatório, chama atenção ainda para a reabertura da economia pós-Covid, permitindo que serviços tenham seus preços reajustados, de uma forma mais rápida do que a projetada já esse ano.

Desta forma, a inflação pode ficar acima de 7% no ano, segundo Nogueira.

Em julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,72% frente junho, acima do esperado pelo mercado financeiro, de alta de 0,64%, e na maior variação para o mês desde 2004.

No ano, o indicador acumula alta de 4,88%, enquanto em 12 meses, sobe 8,59%.

E o impacto na Bolsa?

No mercado de renda variável, investidores com papéis ligados ao agronegócio também devem monitorar as questões climáticas no país.

Embora colheitas possam ser afetadas pelas geadas, alguns nomes podem se beneficiar de uma menor oferta de produtos, elevando os preços no mercado. É o caso, por exemplo, de São Martinho (SMTO3).

Em relatório, o Itaú BBA escreve que a produção da empresa deve ser impactada negativamente pelas geadas nas colheitas de 2021 e 2022, com a situação podendo perdurar até a colheita de 2022 e 2023.

PUBLICIDADE

Ao mesmo tempo, a companhia pode se beneficiar de um aumento nos preços do açúcar diante da menor oferta, destaca o time de análise.

O Itaú tem recomendação outperform (acima da média do mercado) para os papéis SMTO3, com preço-alvo de R$ 42.

Leia mais:
XP inicia cobertura de Boa Safra Sementes com recomendação de compra e vê potencial de alta de 32% para ação

O mesmo acontece com SLC Agrícola (SLCE3), que deve, segundo o Itaú BBA, ver seus preços de milho subirem no mercado nos próximos meses em meio à menor oferta da commodity.

O caso é semelhante em M. Dias Branco (MDIA3), cuja produção é concentrada, em sua maioria (cerca de 80%), na região Nordeste do país – também contribuindo para uma alta no preço do trigo, escrevem os analistas.

De acordo com o Itaú BBA, JBS (JBSS3) deve ser blindada dos efeitos da geada, em grande parte, dada a menor exposição ao mercado brasileiro. A oferta restrita de grãos, contudo, pode reprimir as margens da marca Seara.

Por fim, o banco escreve que o cenário deve continuar elevando os custos para a BRF (BRFS3). A companhia, contudo, pode compensar parcialmente as tendências negativas por meio de aumentos de preços, destaca o time de analise.

“Embora haja pressão sobre os custos dos grãos para ração, a compressão de margem esperada para a BRF foi mitigada pelos preços mais altos, uma vez que os preços dos alimentos processados no Brasil mantiveram seu ritmo de crescimento anual de dois dígitos”, escreve o Itaú, em relatório.

PUBLICIDADE

O banco tem recomendação de market perform (performance em linha com o mercado) para os papéis de BRF e M. Dias Branco, com preço-alvo estimado de R$ 25 e R$ 30, respectivamente. Para SLC e JBS, a recomendação é de outperform, com preço-alvo de R$ 55 e R$ 47, respectivamente.

Transformar a Bolsa de Valores em fonte recorrente de ganhos é possível. Assista a aula gratuita do Professor Su e descubra como.

Ações de Vale e siderúrgicas saltam com minério; Petrobras sobe, enquanto PetroRio vira para queda

SÃO PAULO – O destaque da sessão desta segunda-feira (10) fica para as ações da Vale (VALE3), que sobem cerca de 4% em meio à forte alta do minério de ferro. Os futuros do aço e do minério de ferro de referência na China tocaram máximas históricas nesta segunda, em meio a uma demanda robusta e preocupações com a oferta, além de expectativas de alta na inflação que também ajudaram a alimentar compras especulativas.

Os índices de utilização da capacidade dos altos-fornos em 247 siderúrgicas pela China saltaram para 90,59% na semana passada, maior nível desde o início de março, mostraram dados da consultoria Mysteel. Os futuros mais ativos do minério de ferro na bolsa de commodities de DalianDCIOcv1, para entrega em setembro, saltaram 10%, para máxima recorde de 1.326 iuanes (US$ 206,30) por tonelada (confira o impacto da alta do minério no resultado das empresas e o cenário para ela clicando aqui e aqui).

Siderúrgicas também registram ganhos, como CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5), Gerdau (GGBR4), além de Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e Bradespar (BRAP4), com alta entre 3% e 6%, com atenção para a CSN com ganhos de cerca de 6%. A CSN (CSNA3) informou na sexta-feira que vendeu 56 milhões de ações preferenciais da Usiminas, reduzindo sua fatia para 10,07% desta classe de papéis.

Ainda em destaque, as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) registram ganhos na esteira das altas do petróleo. Já as ações da PetroRio (PRIO3) viraram para queda.

Os futuros do petróleo chegaram a subir nesta segunda-feira após a operadora norte-americana de importantes oleodutos Colonial Pipeline ter sido forçada a fechar instalações devido a um ataque cibernético, o que gerava preocupações sobre impactos na oferta e aumentos de preços nas bombas.

A Colonial Pipeline disse no domingo que seus principais dutos de transporte de combustíveis estavam fora de operação após o ataque, que paralisou o sistema na sexta-feira, embora algumas linhas menores entre terminais e pontos de entrega estivessem já operacionais. “As manchetes no final de semana sobre o ataque hacker à Colonial Pipeline levantaram os preços do petróleo”, disse Jeffrey Halley, analista da corretora OANDA. Contudo, o brent e o WTI passaram a ter leve queda; os contratos de referência subiram mais de 1% na semana passada, na segunda semana consecutiva de ganhos.

Ainda no radar das petroleiras, a PetroRio produziu em abril 31,55 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), queda de 6,4% ante março, com impacto de paradas para manutenção, informou a companhia em comunicado ao mercado.

Destaque ainda para a repercussão do balanço da M. Dias Branco (MDIA3), líder nos mercados de biscoitos e massas do Brasil, que registrou lucro líquido de R$ 15 milhões no primeiro trimestre de 2021, forte queda de 89% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a chegada da pandemia da Covid-19 gerou uma corrida por produtos no varejo. As ações abriram em queda, mas viraram para ganhos.

O Bradesco BBI afirmou que os resultados da M Dias Branco ficaram significativamente abaixo da expectativa do mercado, mas avalia que o consenso do mercado para 2022 parece excessivamente pessimista.

PUBLICIDADE

Confira no que ficar de olho:

M.Dias Branco (MDIA3)

A M. Dias Branco, líder nos mercados de biscoitos e massas do Brasil, registrou lucro líquido de R$ 15 milhões no primeiro trimestre de 2021, forte queda de 89% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a chegada da pandemia da Covid-19 gerou uma corrida por produtos no varejo.

Neste ano, o aumento de custos relacionado à valorização do dólar ante o real e aos preços de alguns de seus principais insumos, como o trigo, pressionou as margens da empresa.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recuou 79,3% no período, para R$ 47,4 milhões. A receita líquida baixou 8,9% no ano a ano, para R$ 1,49 bilhão.

Somente o câmbio gerou um efeito negativo de mais de R$ 100 milhões sobre o resultado operacional do trimestre.

Do ponto de vista das despesas, dados do balanço financeiro da M. Dias mostram que o preço médio de aquisição de trigo para formação de estoques subiu 21,4% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2020, e encerrou março no pico de US$ 241 por tonelada.

O diretor financeiro ressaltou que a empresa tem adotado uma política de hedge para limitar o efeito da variação cambial, mas como a estratégia começou em julho do ano passado não foi possível fixar a cotação do dólar abaixo de R$ 5.

O volume total de vendas registrou baixa de 25,2% no ano a ano, para 356,4 mil toneladas, puxada tanto pelo segmento de massas (-31,7%) quanto de biscoitos (-29,7%).

PUBLICIDADE

O Bradesco BBI afirmou que os resultados da M Dias Branco ficaram significativamente abaixo da expectativa do mercado, mas avalia que o consenso do mercado para 2022 parece excessivamente pessimista. Assim, manteve avaliação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado), e preço-alvo de R$ 34, alta de 31% frente aos R$ 26 de fechamento na sexta.

CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou nesta sexta-feira que vendeu 56 milhões de ações preferenciais da Usiminas, reduzindo sua fatia para 10,07% desta classe de papéis.

Leia mais: CSN começa a se desfazer de suas ações da Usiminas

“A companhia avaliará alternativas estratégicas para a destinação dos recursos financeiros provenientes dessa venda”, disse a CSN por meio de fato relevante. Segundo cálculos da Reuters, a operação movimentou cerca de R$ 1,3 bilhão, de acordo com cálculos da Reuters com base no preço de fechamento do papel na B3, de R$ 23,14 cada.

O Cade já havia determinado que a CSN deveria se desfazer das suas ações de Usiminas, contudo, com a grande desvalorização da companhia nos últimos anos, a CSN conseguiu postergar o prazo. As ações da Usiminas subiram 147% desde 2020 (alta de 407% nos últimos 12 meses) impulsionadas pela forte demanda por aço e minério de ferro. Os analistas da XP possuem recomendação de compra para CSN, com preço-alvo de R$ 55 por ação.

Qualicorp (QUAL3)

A Qualicorp comunicou nesta segunda-feira que concluiu a operação com a Muito Mais Saúde Administradora de Benefícios (MMS) e a Soma Corretora para aquisição de contratos de planos privados de assistência à saúde e odontológica coletivos celebrados entre a MMS e as operadoras de planos de saúde Grupo Notre Dame Intermédica, Assim Saúde e Amil.

“Com o fechamento da transação, a carteira adquirida adicionou ao portfólio da Companhia cerca de 52 mil novas vidas, no segmento coletivo por adesão, localizadas nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo e atendidas pelas operadoras”, afirmou a Qualicorp em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Vale (VALE3) e siderúrgicas

Os futuros do aço e do minério de ferro de referência na China tocaram máximas históricas nesta segunda-feira, em meio a uma demanda robusta e preocupações com a oferta, além de expectativas de alta na inflação que também ajudaram a alimentar compras especulativas.

PUBLICIDADE

Os índices de utilização da capacidade dos altos-fornos em 247 siderúrgicas pela China saltaram para 90,59% na semana passada, maior nível desde o início de março, mostraram dados da consultoria Mysteel.

Os futuros mais ativos do minério de ferro na bolsa de commodities de DalianDCIOcv1, para entrega em setembro, saltaram 10%, para máxima recorde de 1.326 iuanes (US$ 206,30) por tonelada.

Na bolsa de Cingapura, o contrato junho do minério de ferro SZZFM1 subiu 9,5%, para 224,65 dólares por tonelada.

“Atualmente, participantes do mercado estão negociando derivativos de minério de ferro como criptomoedas… não com base nos fundamentos, só pela força do momento”, disse Atilla Widnell, da Navigate Commodities.

Os preços do aço na bolsa de futuros de Xangai e os mercados spot também foram apoiados pelo aumento nos custos das matérias-primas. (confira o impacto da alta do minério no resultado das empresas e o cenário para ela clicando aqui e aqui).

A Gol informou que a demanda por seus voos em abril foi 36% menor do que em março, para 739 mil assentos, com os setor aéreo sendo afetado por uma segunda onda de infecções pela Covid-19 no Brasil.

No comparativo anual, porém, a demanda foi 289% superior, já que abril do ano passado marcou um dos piores momentos da pandemia, com as aviação comercial quase toda paralisada diante do início da disseminação do coronavírus pelo país. No mês passado, a Gol manteve suspensos todos os seus voos internacionais.

A oferta de assentos pela companhia em abril, de 893 mil, foi 273,5% maior ano a ano, mais caiu 44,5% em relação a março. Com isso, a taxa de ocupação das aeronaves no mês passado foi de 82,8%, aumento de 3,3 pontos em um ano e de 4 pontos na base sequencial.

PetroRio (PRIO3)

A petroleira brasileira PetroRio produziu em abril 31,55 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), queda de 6,4% ante março, com impacto de paradas para manutenção, informou a companhia em comunicado ao mercado.

A produção do campo de Frade, na Bacia de Campos, em abril, foi afetada por uma parada programada para manutenção no FPSO Frade, que teve início no dia 28 daquele mês e terá duração de oito dias, disse a PetroRio.

A empresa pontuou ainda que a produção de março e abril, no campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos, foi impactada por uma parada na produção do poço TBMT-8H, devido a uma falha da bomba centrífuga submersa, causando redução da produção em cerca de 1,4 mil barris por dia.

“A bomba, que estava em operação desde o início da produção do campo, aguarda mobilização da sonda Atlantic Zephyr (agora chamada Kingmaker) para realização de um workover, previsto para ser concluído em maio/junho”, disse a empresa.

No primeiro trimestre, a produção média da PetroRio havia sido de 31,32 mil boe/d no primeiro trimestre do ano.

Dommo Energia (DMMO3)

A Dommo Energia informou, conforme dados do operador, que a produção de óleo do Campo de Tubarão Martelo atribuída à companhia foi de 42.734 barris em abril de 2021, queda de 4% ante os 44.548 barris registrados em março.

“Conforme informado pelo operador do TBMT, a produção nos meses de março e abril foi impactada pela parada na produção do poço TBMT-8H por falha da bomba centrífuga submersa (BCS), causando redução da produção em cerca de 1,4 kbbl por dia. A bomba, que estava em operação desde o início da produção do Campo, aguarda mobilização da sonda Atlantic Zephyr (agora chamada Kingmaker) para realização de um workover, previsto para ser concluído em maio/junho. O preço de referência mais recente fixado pela ANP para TBMT é US$ 57,76 por barril”, destacou a companhia.

Banco do Brasil (BBAS3)

O BB aprovou a distribuição de R$ 212,1 milhões em dividendos e R$ 970,47 milhões em JCP complementar, com pagamento em 28 de maio.

Rede D’Or (RDOR3)

O grupo hospitalar Rede D’Or anunciou na sexta que fechou acordo por meio do qual terá 20 de seus hospitais e um centro oncológico para atender clientes de plano de saúde da Amil. Segundo fato relevante, as unidades da Rede D’Or passarão a atender cerca de 1,3 milhão de beneficiários da Amil do Distrito Federal e dos Estados de Rio de Janeiro e São Paulo a partir de 10 de maio.

“Consideramos o acordo positivo, pois deve sustentar um dos pilares da nossa tese de investimento para a empresa – o crescimento da taxa de ocupação de leitos”, destaca a XP, que reitera a recomendação de compra para RDOR3 com preço-alvo de R$ 85 por ação.

A Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) informou que pagará juros sobre o capital próprio referentes ao primeiro trimestre de 2021 no valor bruto de R$ 64,843 milhões, o equivalente a R$ 0,1710101176 por ação.

(com Reuters, Bloomberg e Estadão Conteúdo)

Série ensina na prática como identificar ativos com excelente potencial de valorização. Clique aqui para se inscrever.

O que tem no Brasil não é suficiente: como a M.Dias Branco se tornou refém do trigo importado — e isso prejudica o balanço

SÃO PAULO — A pandemia de coronavírus aumentou o consumo de alimentos, com as pessoas 24h por dia dentro de casa, o que beneficiou as empresas do setor. Mas no caso da M.Dias Branco (MDIA3) a maior demanda agravou um problema que já existia: não há trigo suficiente no Brasil para dar conta da necessidade de produção de alimentos que levam o insumo em suas receitas, e a importação com o dólar acima de R$ 6 impacta negativamente o balanço.

Em 2020, a receita líquida da M.Dias, que detém marcas como Piraquê, Adria e Vitarella, avançou mais de 20% sobre 2019, atingindo R$ 1,42 bilhão. A cifra só não foi maior porque no quarto trimestre houve um esfriamento da demanda que causou redução de 16% no volume de vendas frente aos três últimos meses do ano anterior.

“Nós tivemos que aumentar os preços no último trimestre de 2020 para compensar o custo operacional maior devido ao câmbio e as importações de trigo”, explicou Gustavo Theodozio, CFO da companhia, em live do InfoMoney nesta terça-feira (6). “Temos uma política de hedge que funcionou e ajudou a reduzir esse impacto. (…) Com a crise se perdurando por mais de um ano, realmente é um cenário muito desafiador”, completou.

A entrevista faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, no qual CEOs e outros executivos importantes de empresas da Bolsa comentam os balanços do quarto trimestre de 2020 e o desempenho anual das companhias, e falam também sobre perspectivas. Para não perder as próximas lives, que acontecem até o início de abril, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Por Dentro dos Resultados
Participe do evento e baixe um ebook gratuito para aprender a identificar as melhores empresas da Bolsa:

O executivo explicou que o Brasil consome em média 12 bilhões de toneladas de trigo e produz a metade isso, por isso tem que importar. O insumo comprado pela M.Dias vem principalmente da Argentina, aproveitando incentivos fiscais do Mercosul, e aqui no Brasil os dois estados que têm produção relevante de trigo são Paraná e Rio Grande do Sul.

“Sendo bem objetivo, não existe nenhum substituto para o trigo”, disse. “A M.Dias tem um expertise na compra de trigo bem relevante, nossos custos ao longo de 2020 sempre foram menores na aquisição do que o preço médio da commodity, seja pela nossa grande capacidade de estocagem, ou pela política de hedge”, afirmou.

Theodozio destacou que a companhia consegue moer o trigo em seus moinhos e não precisa comprar farinha de trigo de terceiros, o que seria uma vantagem competitiva. Ele completou dizendo que tem alguns produtos no pipeline que não possuem trigo, reduzindo um pouco a dependência da empresa pelo insumo.

“Pode ser que a companhia no futuro através de M&A [fusões e aquisições] passe a depender um pouco menos de trigo”, disse. “Sim, a companhia tem um alavancagem muito baixa e um caixa bastante robusto, com uma dívida muito saudável. (…) A gente tem feito um esforço grande para aumentar as exportações, elas cresceram mais de 200% no ano passado. Temos um time na América do Sul, com sede no Uruguai. Exportamos para mais de 35 países e estamos atentos para aquisições fora do Brasil, mas é um assunto complicado agora devido à depreciação do real. Enquanto o real estiver fraco, a nossa cabeça é segurar um pouco os planos de aquisição fora do país”, disse.

PUBLICIDADE

Fabio Cefaly, diretor de relações com investidores da companhia, comentou sobre as iniciativas de redução de custo, como o projeto Multiplique 2. “A gente montou um grupo de trabalho na empresa com diretores de várias áreas que está trabalhando nas iniciativas organizadas para entregar ganhos no resultado e também no caixa, com oportunidades importantes no capital de giro”, disse.

Os executivos comentaram ainda sobre o programa de recompra de ações, sobre o terreno em Juiz de Fora em Minas Gerais e o projeto de construção de uma fábrica na região, que deixou de fazer sentido após a compra da Piraquê, além do pagamento de dividendos — e a mudança na política de remuneração ao acionista. Assista à live completa acima.

Por Dentro dos Resultados
Participe do evento e baixe um ebook gratuito para aprender a identificar as melhores empresas da Bolsa:

Ações de M.Dias Branco e Enauta caem 6% após balanços; Locaweb avança 4% com inclusão em prévia do Ibovespa

SÃO PAULO – As ações de algumas empresas fora do Ibovespa são destaque na sessão desta quinta-feira (1). Os ativos da M.Dias Branco (MDIA3) e da Enauta (ENAT3) caem cerca de 6% após os resultados do quarto trimestre de 2020 serem divulgados.

A fabricante de alimentos  apresentou lucro líquido de R$ 209,0 milhões no quarto trimestre do ano passado. O resultado representa queda de 21,1% na comparação com igual período de 2019, quando a empresa reportou lucro líquido de R$ 264,9 milhões. Enquanto isso, o lucro líquido da Enauta totalizou R$ 124 milhões em 2020, 32,6% inferior ao lucro registrado em 2019. No quarto trimestre, a companhia contabilizou lucro de R$ 38,2 milhões, queda de 68,7%.

Já entre as altas, estão os ativos da Locaweb (LWSA3), com ganhos de mais de 4%. Os papéis da companhia entraram na primeira carteira do Ibovespa, que vigora entre maio e agosto.

Voltando para o Ibovespa, a Embraer (EMBR3) segue a tendência positiva do primeiro trimestre e avança mais de 3%, em um dia positivo também para as aéreas Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4).

No radar do setor, o Itaú BBA iniciou cobertura para as ações da Gol com recomendação marketperform (desempenho em linha com a média do mercado) e preço-alvo de R$ 24,50 para os ativos GOLL4 e de US$ 9,50 para os American Depositary Receipts (ADRs, ou ações negociadas na NYSE) dos ativos.

Entre as maiores quedas, a Qualicorp (QUAL3) tem baixa de mais de 2%, seguindo a repercussão dos resultados considerados negativos do quarto trimestre. Confira os destaques:

Banco do Brasil (BBAS3)

A indicação do novo presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade Ribeiro, foi aprovada em reunião realizada na terça-feira pelo Comitê de Pessoas, Remuneração e Elegibilidade (Corem). Ele foi indicado pela União para substituir André Brandão, que comunicou sua renúncia em março.

Em manifestação em separado de seus votos, os membros do comitê Cibele Castro, Luiz Serafim Spinola Santos e Paulo Roberto Evangelista de Lima alertam que “a atuação deste Comitê, no particular, não deveria ser o de exclusivamente verificar a conformidade do processo, o atendimento aos requisitos legais ‘objetivos’ e a ausência de vedações, mas também o de apreciar ‘requisitos subjetivos’”.

E prosseguem em tom crítico. “Em nossa visão, tendo em conta que o indicado exercerá a função de principal executivo da companhia, cumulativamente à de membro do Conselho de Administração, caberia ao Corem ir além de uma análise burocrática, de forma a realizar juízo crítico acerca da aderência do perfil do candidato aos cargos para os quais foi indicado. Tal prática estaria melhor alinhada ao hígido e já usual processo interno da companhia para avaliação, preparação e seleção de seus futuros executivos, no qual a cultura da meritocracia vem sendo priorizada e valorizada”.

PUBLICIDADE

Com isso, acrescentam os membros do Corem, “negligenciar ou relegar a segundo plano o papel do Conselho de Administração na seleção e aprovação do principal executivo da companhia, como no presente caso, equivale a reduzir o Conselho a um mero homologador, o que não se coaduna com as Leis 6.404/1976 e 13.303/2016, tampouco com os manuais e códigos de melhores práticas de governança corporativa globalmente reconhecidos. Para enriquecimento do processo de escolha, por exemplo, poderia o controlador ter se valido de empresa especializada em recrutamento de executivos para a indicação do Presidente, ou mesmo envolvido o Conselho de Administração na proposição ou avaliação de potenciais candidatos”.

Técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) têm cinco dias úteis para analisar se vão pedir a suspensão da venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam) pela Petrobras ao Mubadala, fundo financeiro dos Emirados Árabes, anunciada no último dia 24. A medida tem como objetivo evitar “prejuízo ao interesse público”, como afirmou em plenário o ministro Walton Alencar, na última quarta-feira, 31.

O TCU questiona o valor de US$ 1,65 bilhão fechado com o Mubadala, que estaria abaixo do preço de mercado, de US$ 3,04 bilhões, definido pela própria Petrobras.

“Recebi Ofício do Subprocurador-Geral, Lucas Rocha Furtado, ressaltando a recente decisão do conselho de administração da Petrobras em vender a Refinaria Landulpho Alves (Rlam) a preços abaixo de seu valor de mercado”, disse o ministro, na sessão de ontem.

Questionada, a empresa enviou ao tribunal as justificativas por que seu conselho de administração e refinaria aprovaram a venda da refinaria abaixo desse valor. Com os documentos em mãos, o ministro repassou à área técnica a responsabilidade de analisar definitivamente o caso.

“Ante o risco de conclusão do negócio antes que este Tribunal possa se debruçar sobre a matéria, com possível prejuízo ao interesse público, bem como considerando as consequências que essa decisão possa carrear para a venda das demais refinarias, entendo fundamental determinar que a Unidade Técnica submeta a este Relator, em 5 dias úteis, análise conclusiva a respeito da necessidade ou não de concessão de cautelar para a suspensão da alienação em andamento”, afirmou o Alencar, em plenário.

Desde que as negociações com o Mubadala foram concluídas, o valor de US$ 1,65 bilhão, a ser pago pelo fundo, tem sido questionado pelo mercado. O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) estimou a Rlam em US$ 3 bilhões. Enquanto analistas do banco BTG Pactual dizem que o total a ser pago pelo ativo está 35% abaixo do limite inferior projetado por eles. A XP Investimentos avalia que, com esse dinheiro, a Petrobras vai conseguir atingir uma parcela muito pequena das suas metas financeiras.

Ainda no radar da companhia, a Petrobras informou que recebeu a indicação da Franklin Templeton Investment Fund, acionista detentora de ações preferenciais, sobre candidatos para o conselho fiscal, cuja eleição ocorrerá na Assembleia Geral Ordinária de 14 de abril de 2021. Os nomes são Reginaldo Ferreira Alexandre e Paulo Roberto Franceschi.

PUBLICIDADE

Segundo o currículo enviado à Petrobras, Reginaldo Ferreira Alexandre é economista com experiência em análise de investimentos, com passagens por Citibank, Unibanco, BBA (atual Itaú-BBA) e Itaú Corretora de Valores. Ele trabalhou como analista de crédito corporativo no Citibank e como consultor nas áreas de estratégia da Accenture e de corporate finance da Deloitte. Também atuou na ProxyCon Consultoria Empresarial, dedicada a assessoria e prestação de serviços nas áreas de mercado de capitais, finanças e governança corporativa, entre 2003 e 2017. Atualmente, é membro dos conselhos fiscais de Sanepar, Sabesp, CEB, Rumo, Ser Educacional e suplente dos conselhos de CPFL Energia, Braskem e Fras-Le.

Paulo Roberto Franceschi é formado em ciências contábeis pela Fundação de Estudos Sociais de Paraná e em ciências econômicas pela FAE Business School. É sócio da Audicontrol Auditoria e Controle S.S. É titular do conselho fiscal de Equatorial Energia; Celpa Centrais Elétricas do Pará, controlada da Equatorial; Companhia Energética do Maranhão, controlada da Equatorial; Triunfo Participações e Investimentos; Companhia Energética de São Paulo; e Sanepar.

Vale (VALE3) e siderúrgicas

Os futuros do vergalhão de aço e do minério de ferro na China avançaram nesta quinta-feira, apoiados por expectativas de maior demanda em meio a indicadores econômicos positivos e esforços do governo chinês para estimular o consumo. As vendas de escavadeiras nos primeiros dois meses de 2021 saltaram 149% frente ao mesmo período do ano anterior, segundo notícias na mídia estatal, sugerindo um setor de infraestrutura em alta.

Enquanto isso, o ministério da indústria e outros departamentos emitiram em conjunto um comunicado encorajando vendas de veículos elétricos em cidades menores e áreas rurais. Os futuros do minério de ferro na bolsa de commodities de Xangai DCIOcv1 também recuaram, com o contrato mais ativo, para maio, avançando 1,2%, para 1.104 iuanes por tonelada.

M.Dias Branco (MDIA3)

A fabricante de alimentos M.Dias Branco apresentou lucro líquido de R$ 209,0 milhões no quarto trimestre do ano passado. O resultado representa queda de 21,1% na comparação com igual período de 2019, quando a empresa reportou lucro líquido de R$ 264,9 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) atingiu R$ 192,2 milhões, recuo de 33,5% frente aos R$ 289,2 milhões do quarto trimestre do ano anterior. A margem Ebitda ficou em 11,3%, ante 17,1% de um ano antes, retração de 5,8 pontos porcentuais. A alavancagem da empresa (relação entre dívida líquida e Ebitda) ficou em 0,4 vez, ante 0,8 vez reportada em igual período do ano passado.

A receita líquida subiu 0,4% na mesma base comparativa, alcançando R$ 1,702 bilhão ante R$ 1,694 bilhão do quarto trimestre de 2019. Do montante total, R$ 45,9 milhões vieram da receita com vendas externas – alta de 201,3% na comparação anual.

A variação positiva da receita é atribuída pela companhia ao aumento de 18,9% no preço médio dos produtos, que foi suficiente para compensar a queda de 15,5% do volume de vendas no período. “Observamos desaceleração do nosso crescimento, fruto do arrefecimento da demanda e dos reajustes nos preços, especialmente na região de defesa (Norte e Nordeste)”, destacou a M. Dias em comunicado divulgado para imprensa e investidores.

PUBLICIDADE

O resultado da M. Dias Branco interrompe um ciclo de quatro altas consecutivas no lucro líquido. Já a receita cresceu pelo quinto trimestre seguido.

A companhia, assim como outras empresas do setor de alimentos, teve o desempenho nos três primeiros trimestres do ano passado impulsionado, em parte, pelo aumento na demanda doméstica por seus produtos, uma vez que as medidas de isolamento social resultaram no fechamento de food service e exigiram mais refeições em casa. No quarto trimestre, contudo, o desempenho do setor arrefeceu diante da retração no consumo de produtos derivados de farinha de trigo.

Em comunicado, a M. Dias aponta que seus resultados trimestrais foram afetados negativamente pela elevação dos custos dos insumos cotados em dólar, diante da desvalorização do real ante a moeda norte-americana – especialmente das duas principais commodities utilizadas na sua produção, trigo e óleo de palma.

O Bradesco BBI afirma que o Ebitda ajustado divulgado pela M. Dias Branco para o quarto trimestre ficou 72% abaixo do consenso e 78% abaixo de sua estimativa, com volumes mais fracos do que o esperado. O banco ressalta que a ação da empresa teve desempenho 8 pontos percentuais abaixo da média do Ibovespa nesse ano, com investidores precificando o impacto negativo da alta de preços das commodities sobre os custos. Mas o Bradesco diz que gostaria de ter mais informações sobre o quão temporária essa fraqueza pode ser, após a empresa e a concorrência realizarem aumentos significativos de preços.

Apesar dos resultados abaixo do esperado, o banco mantém avaliação de outperform com preço-alvo em 2021 em R$ 42, frente aos R$ 30,7 negociados na quarta.

O lucro líquido da Enauta totalizou R$ 124 milhões em 2020, 32,6% inferior ao lucro registrado em 2019. No quarto trimestre, a companhia contabilizou lucro de R$ 38,2 milhões, queda de 68,7%.

A receita do quarto trimestre apresentou queda de 53,8% na base anual, para R$ 186,9 milhões, principalmente em função
da redução da produção do Campo de Atlanta. No período, a produção foi realizada por meio de um poço durante 60 dias e teve a produção interrompida nos demais dias. A receita do Campo também foi impactada pela queda do preço da commodity, parcialmente compensada pelo efeito positivo do ganho cambial.

Na comparação anual, a receita registrou queda de 15%, para R$ 945,4 milhões, refletindo principalmente a queda
de produção do Campo de Manati, em função do declínio natural do Campo. “A redução da receita no Campo de Atlanta em 2020 se deve ao Brent médio de venda no período, que apresentou queda de 33,8% em relação ao ano de 2019, efeito compensado pela valorização do dólar médio de 34,4% no mesmo período, variando de uma média de R$ 4,00 ao longo do
ano de 2019 para R$ 5,20 no mesmo período em 2020. Também em 2020, a companhia registrou R$ 71,5 milhões referentes ao exercício das opções de venda, em comparação a um montante negativo de R$ 2,2 milhões em 2019”, destacou a companhia em seu release de resultados.

O Itaú BBA iniciou cobertura para as ações da Gol com recomendação marketperform (desempenho em linha com a média do mercado) e preço-alvo de R$ 24,50 para os ativos GOLL4 e de US$ 9,50 para os American Depositary Receipts (ADRs, ou ações negociadas na NYSE) dos ativos.

As premissas atuais indicam um potencial de aumento limitado de 14%, mas os analistas apontam “estarem prontos para revisar as projeções para cima no caso de uma recuperação mais rápida”.

Os analistas ressaltam que a Gol tem reconstruído gradualmente sua rede após o forte impacto da crise COVID-19 no tráfego aéreo em 2020. Eles destacam que os ventos contrários de curto prazo com a segunda onda da pandemia impedem uma perspectiva mais construtiva para o primeiro semestre, mas o cenário base ainda indica um segundo semestre melhor.

Os analistas apontam que a oferta doméstica da Gol só retornará aos níveis de 2019 em 2022, seguido por uma adição gradual de capacidade a partir de então. “Esperamos que o setor permaneça racional, com todos os participantes buscando recuperar a lucratividade após os desafios de 2020 e do primeiro semestre de 2021 e com perspectivas ainda incertas; no entanto, é importante monitorar a capacidade dos recém-chegados, a adição de capacidade dos atuais players e os sinais de dinâmica de preços agressiva”, avaliam.

Assim, dado que a recuperação do segmento de negócios permanece um ponto de interrogação, a Gol terá que continuar a otimizar os ganhos com os viajantes a turismo, que não foram capazes de compensar totalmente a queda no tráfego no segmento corporativo até agora – uma tendência que deve continuar. Por outro lado, os rendimentos médios foram um tanto resilientes para a Gol.

“A estratégia de frota única da empresa (em busca constante de aumento da utilização da aeronave), o plano de transformação da frota atual e o controle rígido de custos / despesas continuarão a ser os principais impulsionadores para alcançar o CASK [ custo operacional dividido pelo total de assentos-quilômetro oferecidos]  mais baixo entre os pares e recuperar a lucratividade”, avaliam.

Quanto ao endividamento, os analistas apontam que a empresa tem adotado diversas medidas para preservar o caixa e fortalecer a liquidez, o que será vital para enfrentar a crise. Por outro lado, alguns desembolsos ocorrerão à medida que as operações se recuperarem junto com a melhora da demanda, apesar de alguns ganhos de eficiência em curso.

“Projetamos que a relação dívida líquida / Ebitda encerrará 2021 em 11,5 vezes, significativamente abaixo do nível de 2020, com quedas graduais a partir de então para 5,9 vezes em 2022 e 4,4 vezes em 2023. Não desconsideramos o potencial da GOL acessando o mercado de capitais novamente no próximo futuro, dada a queima de caixa relacionada à pandemia repentina em 2020, ventos contrários de curto prazo com a segunda onda de COVID-19, perspectivas ainda incertas à frente e desembolso de caixa na incorporação da Smiles”, ressaltam.

A Cielo informou na quarta-feira que concluiu a venda dos direitos da plataforma de processamento e ao autorizador de transações desenvolvidos pela empresa para a bandeira Elo por R$ 380 milhões.

A transação acertada com a própria Elo Serviços, deduzida de valores reconhecidos como receitas de licenciamento, de R$ 187,5 milhões, acrescida de atualização monetária, e líquida da baixa de custos residuais de desenvolvimento e efeitos fiscais, “produzirá um efeito inicialmente estimado em R$ 75,9 milhões e será lançada no resultado do primeiro trimestre”, informou a Cielo.

A B3 incluiu Locaweb na primeira carteira teórica do Índice Bovespa válida para o período entre janeiro e abril de 2021. Não houve a exclusão de nenhum papel, e com isso, o Ibovespa passa a contar com 83 ações.

A empresa de tecnologia, que estreou na Bolsa em fevereiro do ano passado e desde então acumula valorização superior a 420%, entra com o peso de 0,46% de participação na primeira prévia do índice. A entrada do papel já era esperada pelo mercado.

Em relatórios, tanto XP quanto Bank of America projetavam alta probabilidade de entrada levando em conta o histórico de volume, número de ações negociadas e número de negociações dos ativos.

A Copasa MG (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) comunicou que a Arsae MG (Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais) divulgou os resultados sobre audiências públicas que discutiram metodologias para a reconstrução das tarifas da Copasa MG e da Copanor no próximo ciclo tarifário.

A Copasa diz que vai analisar o material e, possivelmente, se manifestar. A próxima etapa do processo, que compreende a definição da metodologia para os reajustes anuais, está prevista para conclusão em 30 de junho. A finalização do processo está prevista para 2 de julho, e a aplicação, para 1º de agosto.

Empresas de saúde

A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) aprovou o reajuste de preços dos remédios a partir desta quinta-feira, 1º de abril. A resolução está publicada em edição extra do Diário Oficial da União que circula desde a noite desta quarta-feira. 31. Segundo o texto, o ajuste máximo de preços permitido chega a 10,08%. A resolução traz três porcentuais máximos, de acordo com a classe terapêutica dos medicamentos: 10,08% (nível 1); 8,44% (nível 2); 6,79% (nível 3).

No último dia 15, a CMED já tinha definido em 4,88% o Fator de Ajuste de Preços Relativos entre Setores, denominado Fator Y, que é um dos itens considerados para se chegar ao índice de ajuste dos preços ao consumidor. Além disso, são levados também em conta a inflação acumulada em 12 meses, o fator de produtividade repassado ao consumidor (Fator X), já fixado em 3,29%.

As empresas produtoras deverão dar ampla publicidade aos preços de seus medicamentos, por meio de publicações em mídias especializadas de grande circulação. Esse preços não poderão ser superior aos preços publicados pela CMED no Portal da Anvisa.

As ações da Atom dispararam 131% na quarta, após a Exame, controlada pelo BTG Pactual, comprar participação de 34,78% na companhia, especialista em publicações e materiais didáticos para o mercado financeiro. Após o acordo, a WHPH Participações e Empreendimentos, que detinha 69,569%, ficará com fatia de 34,78%. No âmbito da operação, ainda foi acertado um acordo de acionistas entre WHPH e Exame, segundo fato relevante mais cedo na quarta.

Vitru (NASDAQ: VITRU)

O Morgan Stanley comentou os resultados divulgados pela Vitru. O banco avaliou os resultados como fortes, e se movimentando na direção correta em 2020, com expansão da margem Ebitda e de resultados acadêmicos. Os dados preliminares do primeiro trimestre indicam um outro ano forte, diz o Morgan Stanley, com um ciclo de matrículas potencialmente forte.

A receita com educação digital subiu 33% na comparação anual, enquanto a receita com aulas presenciais caiu 33% devido à pandemia. A receita líquida de R$ 136 milhões ficou levemente abaixo de suas estimativa. A base de matrículas fechou em 310 mil, acima da estimativa do banco, de 286 mil. A educação digital representou 97,4% do total no quarto trimestre.

Em 28,2%, a margem Ebitda ajustada de 2020 ficou acima da guidance (documento com previsões e planos divulgado pelas empresas), de entre 26% e 27,2%, e da estimativa do Morgan Stanley, de 27%.

O banco mantém avaliação de overweight (perspectiva de crescimento acima da média do mercado), e preço-alvo de US$ 18,5, frente aos US$ 14,85 para as ações VITRU negociadas na Nasdaq na véspera.

Arco (NASDAQ: ARCE)

O Morgan Stanley comentou os a guidance (previsões e planos divulgados por empresas) da Arco para 2021, de faturamento de R$ 1,163 bilhão confirmando a guidance anterior, e indicando alta de 21%. A nova guidance para o Ebitda ajustado, de entre 35,5% e 37,5% é a mesma de 2020 e em linha com a estimativa do banco, de 36,8%.

O banco aponta que a empresa usa tecnologia de última geração e processamento de dados para melhorar os resultados acadêmicos das escolas do ensino fundamental. Assim, está acelerando a incorporação de novos clientes, com taxa de retenção maior do que 90%, e potencial de vendas em novos segmentos e mercados. Assim, o ano de 2021 é de transição, desacelerando o potencial de crescimento orgânico. Isso impede que o banco seja mais otimista. O Morgan Stanley mantém avaliação equal-weight para a Arco, com preço-alvo de US$ 43,7 para os papéis ARCE, negociados na quarta por US$ 25,34 na Nasdaq.

O Credit Suisse classificou os resultados da Arco como fortes, com a receita indicando alta de 20% na comparação anual acima da guidance. O Ebitda ajustado de R$ 126 milhões representou alta de 18%, fEchando o ano em R$ 381 milhões, e margem de 38%, acima da guidance de entre 35,5% e 37,5%.

O banco reforçou sua visão positiva para a Arco, dizendo avaliar que os problemas são de curto prazo, e de que o faturamento de 2022 deve indicar forte recuperação. Assim, o banco reforça avaliação de outperform para a Arco, e vê a recente venda de ações como injustificada. Fusões e aquisições continuam a ser impulsionadoras das ações, apesar de as metas serem, provavelmente, menores no curto prazo. O banco mantém preço-alvo de US$ 55 para os papéis ARCE cotados na Nasdaq, frente aos R$ 25,34 negociados na quarta.

Lojas Renner (LREN3)

O Bradesco BBI participou do dia do investidor da Renner. O banco ressalta que, em fevereiro, a gestão divulgou uma guidance prevendo contração da margem, que o Bradesco estima em entre 3 e 4 pontos percentuais, em 2021, na comparação com 2019. Isso se deveria em parte a investimentos em transformação digital e em outras áreas.

O banco aponta que, no dia do investidor, o CEO da Renner, Fabio Faccio, apresentou um panorama de como o negócio está evoluindo e sua estratégia. Mas ressaltou que não foi divulgada guidance relativa a aceleração das vendas, que deve ser a questão mais importante a partir de 2022. O banco mantém recomendação outperform (expectativa de valorização acima da média do mercado) para a Renner, com preço-alvo para 2021 em R$ 50, frente aos R$ 42,5 negociados na quarta.

Já o Credit Suisse, que também participou do evento, afirmou que a empresa apresentou uma abordagem de ecossistema, ampliando as ofertas de serviços financeiros e de varejo, mantendo moda e estilo de vida em foco. O banco espera que a empresa saia mais forte da crise, e mantém avaliação outperform.

O Itaú BBA comentou o processo de consulta aberto para discutir a mudança tarifária na Copel. A parcela B ajustada, de R$ 2,747 bilhões ficou abaixo de sua estimativa de R$ 3,047 bilhões. Mas o banco ressalta que a parcela B ajustada para itens não recorrentes e outras recentes, de R$ 3,085 bilhões, ficou apenas 3,5% abaixo de sua estimativa.

O Ebitda regulatório de R$ 1,374 bilhão fica abaixo de sua estimativa de R$ 1,424 bilhão. O banco diz que vê as notícias como neutras para os papéis da empresa, mantém avaliação de outperform, com preço-alvo de R$ 7,4, frente aos R$ 7,13 para os papéis CPLE6.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

Quer descobrir como é possível multiplicar seu capital no mercado de Opções? O analista Fernando Góes te mostra como na Semana 3×1, evento online e 100% gratuito. Clique aqui para assistir.

Lucro da M.Dias Branco cai 21% e da Enauta tem baixa de 68,7% no 4º tri; BBA tem recomendação neutra para Gol e mais destaques

SÃO PAULO – O noticiário corporativo é bastante movimentado na sessão desta quinta-feira (1). A indicação do novo presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade Ribeiro, foi aprovada em reunião realizada na terça-feira pelo Comitê de Pessoas, Remuneração e Elegibilidade (Corem). Ele foi indicado pela União para substituir André Brandão, que comunicou sua renúncia em março.

Já na temporada de resultados, a fabricante de alimentos M.Dias Branco apresentou lucro líquido de R$ 209,0 milhões no quarto trimestre do ano passado. O resultado representa queda de 21,1% na comparação com igual período de 2019, quando a empresa reportou lucro líquido de R$ 264,9 milhões. Enquanto isso, o lucro líquido da Enauta totalizou R$ 124 milhões em 2020, 32,6% inferior ao lucro registrado em 2019. No quarto trimestre, a companhia contabilizou lucro de R$ 38,2 milhões, queda de 68,7%.

No radar de recomendações, o Itaú BBA iniciou cobertura para a Gol com recomendação equivalente à neutra. Confira os destaques:

Banco do Brasil (BBAS3)

A indicação do novo presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade Ribeiro, foi aprovada em reunião realizada na terça-feira pelo Comitê de Pessoas, Remuneração e Elegibilidade (Corem). Ele foi indicado pela União para substituir André Brandão, que comunicou sua renúncia em março.

Em manifestação em separado de seus votos, os membros do comitê Cibele Castro, Luiz Serafim Spinola Santos e Paulo Roberto Evangelista de Lima alertam que “a atuação deste Comitê, no particular, não deveria ser o de exclusivamente verificar a conformidade do processo, o atendimento aos requisitos legais ‘objetivos’ e a ausência de vedações, mas também o de apreciar ‘requisitos subjetivos’”.

E prosseguem em tom crítico. “Em nossa visão, tendo em conta que o indicado exercerá a função de principal executivo da companhia, cumulativamente à de membro do Conselho de Administração, caberia ao Corem ir além de uma análise burocrática, de forma a realizar juízo crítico acerca da aderência do perfil do candidato aos cargos para os quais foi indicado. Tal prática estaria melhor alinhada ao hígido e já usual processo interno da companhia para avaliação, preparação e seleção de seus futuros executivos, no qual a cultura da meritocracia vem sendo priorizada e valorizada”.

Com isso, acrescentam os membros do Corem, “negligenciar ou relegar a segundo plano o papel do Conselho de Administração na seleção e aprovação do principal executivo da companhia, como no presente caso, equivale a reduzir o Conselho a um mero homologador, o que não se coaduna com as Leis 6.404/1976 e 13.303/2016, tampouco com os manuais e códigos de melhores práticas de governança corporativa globalmente reconhecidos. Para enriquecimento do processo de escolha, por exemplo, poderia o controlador ter se valido de empresa especializada em recrutamento de executivos para a indicação do Presidente, ou mesmo envolvido o Conselho de Administração na proposição ou avaliação de potenciais candidatos”.

Técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) têm cinco dias úteis para analisar se vão pedir a suspensão da venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam) pela Petrobras ao Mubadala, fundo financeiro dos Emirados Árabes, anunciada no último dia 24. A medida tem como objetivo evitar “prejuízo ao interesse público”, como afirmou em plenário o ministro Walton Alencar, na última quarta-feira, 31.

O TCU questiona o valor de US$ 1,65 bilhão fechado com o Mubadala, que estaria abaixo do preço de mercado, de US$ 3,04 bilhões, definido pela própria Petrobras.

PUBLICIDADE

“Recebi Ofício do Subprocurador-Geral, Lucas Rocha Furtado, ressaltando a recente decisão do conselho de administração da Petrobras em vender a Refinaria Landulpho Alves (Rlam) a preços abaixo de seu valor de mercado”, disse o ministro, na sessão de ontem.

Questionada, a empresa enviou ao tribunal as justificativas por que seu conselho de administração e refinaria aprovaram a venda da refinaria abaixo desse valor. Com os documentos em mãos, o ministro repassou à área técnica a responsabilidade de analisar definitivamente o caso.

“Ante o risco de conclusão do negócio antes que este Tribunal possa se debruçar sobre a matéria, com possível prejuízo ao interesse público, bem como considerando as consequências que essa decisão possa carrear para a venda das demais refinarias, entendo fundamental determinar que a Unidade Técnica submeta a este Relator, em 5 dias úteis, análise conclusiva a respeito da necessidade ou não de concessão de cautelar para a suspensão da alienação em andamento”, afirmou o Alencar, em plenário.

Desde que as negociações com o Mubadala foram concluídas, o valor de US$ 1,65 bilhão, a ser pago pelo fundo, tem sido questionado pelo mercado. O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) estimou a Rlam em US$ 3 bilhões. Enquanto analistas do banco BTG Pactual dizem que o total a ser pago pelo ativo está 35% abaixo do limite inferior projetado por eles. A XP Investimentos avalia que, com esse dinheiro, a Petrobras vai conseguir atingir uma parcela muito pequena das suas metas financeiras.

Ainda no radar da companhia, a Petrobras informou que recebeu a indicação da Franklin Templeton Investment Fund, acionista detentora de ações preferenciais, sobre candidatos para o conselho fiscal, cuja eleição ocorrerá na Assembleia Geral Ordinária de 14 de abril de 2021. Os nomes são Reginaldo Ferreira Alexandre e Paulo Roberto Franceschi.

Segundo o currículo enviado à Petrobras, Reginaldo Ferreira Alexandre é economista com experiência em análise de investimentos, com passagens por Citibank, Unibanco, BBA (atual Itaú-BBA) e Itaú Corretora de Valores. Ele trabalhou como analista de crédito corporativo no Citibank e como consultor nas áreas de estratégia da Accenture e de corporate finance da Deloitte. Também atuou na ProxyCon Consultoria Empresarial, dedicada a assessoria e prestação de serviços nas áreas de mercado de capitais, finanças e governança corporativa, entre 2003 e 2017. Atualmente, é membro dos conselhos fiscais de Sanepar, Sabesp, CEB, Rumo, Ser Educacional e suplente dos conselhos de CPFL Energia, Braskem e Fras-Le.

Paulo Roberto Franceschi é formado em ciências contábeis pela Fundação de Estudos Sociais de Paraná e em ciências econômicas pela FAE Business School. É sócio da Audicontrol Auditoria e Controle S.S. É titular do conselho fiscal de Equatorial Energia; Celpa Centrais Elétricas do Pará, controlada da Equatorial; Companhia Energética do Maranhão, controlada da Equatorial; Triunfo Participações e Investimentos; Companhia Energética de São Paulo; e Sanepar.

Vale (VALE3) e siderúrgicas

Os futuros do vergalhão de aço e do minério de ferro na China avançaram nesta quinta-feira, apoiados por expectativas de maior demanda em meio a indicadores econômicos positivos e esforços do governo chinês para estimular o consumo. As vendas de escavadeiras nos primeiros dois meses de 2021 saltaram 149% frente ao mesmo período do ano anterior, segundo notícias na mídia estatal, sugerindo um setor de infraestrutura em alta.

PUBLICIDADE

Enquanto isso, o ministério da indústria e outros departamentos emitiram em conjunto um comunicado encorajando vendas de veículos elétricos em cidades menores e áreas rurais. Os futuros do minério de ferro na bolsa de commodities de Xangai DCIOcv1 também recuaram, com o contrato mais ativo, para maio, avançando 1,2%, para 1.104 iuanes por tonelada.

M.Dias Branco (MDIA3)

A fabricante de alimentos M.Dias Branco apresentou lucro líquido de R$ 209,0 milhões no quarto trimestre do ano passado. O resultado representa queda de 21,1% na comparação com igual período de 2019, quando a empresa reportou lucro líquido de R$ 264,9 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) atingiu R$ 192,2 milhões, recuo de 33,5% frente aos R$ 289,2 milhões do quarto trimestre do ano anterior. A margem Ebitda ficou em 11,3%, ante 17,1% de um ano antes, retração de 5,8 pontos porcentuais. A alavancagem da empresa (relação entre dívida líquida e Ebitda) ficou em 0,4 vez, ante 0,8 vez reportada em igual período do ano passado.

A receita líquida subiu 0,4% na mesma base comparativa, alcançando R$ 1,702 bilhão ante R$ 1,694 bilhão do quarto trimestre de 2019. Do montante total, R$ 45,9 milhões vieram da receita com vendas externas – alta de 201,3% na comparação anual.

A variação positiva da receita é atribuída pela companhia ao aumento de 18,9% no preço médio dos produtos, que foi suficiente para compensar a queda de 15,5% do volume de vendas no período. “Observamos desaceleração do nosso crescimento, fruto do arrefecimento da demanda e dos reajustes nos preços, especialmente na região de defesa (Norte e Nordeste)”, destacou a M. Dias em comunicado divulgado para imprensa e investidores.

O resultado da M. Dias Branco interrompe um ciclo de quatro altas consecutivas no lucro líquido. Já a receita cresceu pelo quinto trimestre seguido.

A companhia, assim como outras empresas do setor de alimentos, teve o desempenho nos três primeiros trimestres do ano passado impulsionado, em parte, pelo aumento na demanda doméstica por seus produtos, uma vez que as medidas de isolamento social resultaram no fechamento de food service e exigiram mais refeições em casa. No quarto trimestre, contudo, o desempenho do setor arrefeceu diante da retração no consumo de produtos derivados de farinha de trigo.

Em comunicado, a M. Dias aponta que seus resultados trimestrais foram afetados negativamente pela elevação dos custos dos insumos cotados em dólar, diante da desvalorização do real ante a moeda norte-americana – especialmente das duas principais commodities utilizadas na sua produção, trigo e óleo de palma.

PUBLICIDADE

O Bradesco BBI afirma que o Ebitda ajustado divulgado pela M. Dias Branco para o quarto trimestre ficou 72% abaixo do consenso e 78% abaixo de sua estimativa, com volumes mais fracos do que o esperado. O banco ressalta que a ação da empresa teve desempenho 8 pontos percentuais abaixo da média do Ibovespa nesse ano, com investidores precificando o impacto negativo da alta de preços das commodities sobre os custos. Mas o Bradesco diz que gostaria de ter mais informações sobre o quão temporária essa fraqueza pode ser, após a empresa e a concorrência realizarem aumentos significativos de preços.

Apesar dos resultados abaixo do esperado, o banco mantém avaliação de outperform com preço-alvo em 2021 em R$ 42, frente aos R$ 30,7 negociados na quarta.

O lucro líquido da Enauta totalizou R$ 124 milhões em 2020, 32,6% inferior ao lucro registrado em 2019. No quarto trimestre, a companhia contabilizou lucro de R$ 38,2 milhões, queda de 68,7%.

A receita do quarto trimestre apresentou queda de 53,8% na base anual, para R$ 186,9 milhões, principalmente em função
da redução da produção do Campo de Atlanta. No período, a produção foi realizada por meio de um poço durante 60 dias e teve a produção interrompida nos demais dias. A receita do Campo também foi impactada pela queda do preço da commodity, parcialmente compensada pelo efeito positivo do ganho cambial.

Na comparação anual, a receita registrou queda de 15%, para R$ 945,4 milhões, refletindo principalmente a queda
de produção do Campo de Manati, em função do declínio natural do Campo. “A redução da receita no Campo de Atlanta em 2020 se deve ao Brent médio de venda no período, que apresentou queda de 33,8% em relação ao ano de 2019, efeito compensado pela valorização do dólar médio de 34,4% no mesmo período, variando de uma média de R$ 4,00 ao longo do
ano de 2019 para R$ 5,20 no mesmo período em 2020. Também em 2020, a companhia registrou R$ 71,5 milhões referentes ao exercício das opções de venda, em comparação a um montante negativo de R$ 2,2 milhões em 2019”, destacou a companhia em seu release de resultados.

O Itaú BBA iniciou cobertura para as ações da Gol com recomendação marketperform (desempenho em linha com a média do mercado) e preço-alvo de R$ 24,50 para os ativos GOLL4 e de US$ 9,50 para os American Depositary Receipts (ADRs, ou ações negociadas na NYSE) dos ativos.

As premissas atuais indicam um potencial de aumento limitado de 14%, mas os analistas apontam “estarem prontos para revisar as projeções para cima no caso de uma recuperação mais rápida”.

Os analistas ressaltam que a Gol tem reconstruído gradualmente sua rede após o forte impacto da crise COVID-19 no tráfego aéreo em 2020. Eles destacam que os ventos contrários de curto prazo com a segunda onda da pandemia impedem uma perspectiva mais construtiva para o primeiro semestre, mas o cenário base ainda indica um segundo semestre melhor.

Os analistas apontam que a oferta doméstica da Gol só retornará aos níveis de 2019 em 2022, seguido por uma adição gradual de capacidade a partir de então. “Esperamos que o setor permaneça racional, com todos os participantes buscando recuperar a lucratividade após os desafios de 2020 e do primeiro semestre de 2021 e com perspectivas ainda incertas; no entanto, é importante monitorar a capacidade dos recém-chegados, a adição de capacidade dos atuais players e os sinais de dinâmica de preços agressiva”, avaliam.

Assim, dado que a recuperação do segmento de negócios permanece um ponto de interrogação, a Gol terá que continuar a otimizar os ganhos com os viajantes a turismo, que não foram capazes de compensar totalmente a queda no tráfego no segmento corporativo até agora – uma tendência que deve continuar. Por outro lado, os rendimentos médios foram um tanto resilientes para a Gol.

“A estratégia de frota única da empresa (em busca constante de aumento da utilização da aeronave), o plano de transformação da frota atual e o controle rígido de custos / despesas continuarão a ser os principais impulsionadores para alcançar o CASK [ custo operacional dividido pelo total de assentos-quilômetro oferecidos]  mais baixo entre os pares e recuperar a lucratividade”, avaliam.

Quanto ao endividamento, os analistas apontam que a empresa tem adotado diversas medidas para preservar o caixa e fortalecer a liquidez, o que será vital para enfrentar a crise. Por outro lado, alguns desembolsos ocorrerão à medida que as operações se recuperarem junto com a melhora da demanda, apesar de alguns ganhos de eficiência em curso.

“Projetamos que a relação dívida líquida / Ebitda encerrará 2021 em 11,5 vezes, significativamente abaixo do nível de 2020, com quedas graduais a partir de então para 5,9 vezes em 2022 e 4,4 vezes em 2023. Não desconsideramos o potencial da GOL acessando o mercado de capitais novamente no próximo futuro, dada a queima de caixa relacionada à pandemia repentina em 2020, ventos contrários de curto prazo com a segunda onda de COVID-19, perspectivas ainda incertas à frente e desembolso de caixa na incorporação da Smiles”, ressaltam.

A Cielo informou na quarta-feira que concluiu a venda dos direitos da plataforma de processamento e ao autorizador de transações desenvolvidos pela empresa para a bandeira Elo por R$ 380 milhões.

A transação acertada com a própria Elo Serviços, deduzida de valores reconhecidos como receitas de licenciamento, de R$ 187,5 milhões, acrescida de atualização monetária, e líquida da baixa de custos residuais de desenvolvimento e efeitos fiscais, “produzirá um efeito inicialmente estimado em R$ 75,9 milhões e será lançada no resultado do primeiro trimestre”, informou a Cielo.

A B3 incluiu Locaweb na primeira carteira teórica do Índice Bovespa válida para o período entre janeiro e abril de 2021. Não houve a exclusão de nenhum papel, e com isso, o Ibovespa passa a contar com 83 ações.

A empresa de tecnologia, que estreou na Bolsa em fevereiro do ano passado e desde então acumula valorização superior a 420%, entra com o peso de 0,46% de participação na primeira prévia do índice. A entrada do papel já era esperada pelo mercado.

Em relatórios, tanto XP quanto Bank of America projetavam alta probabilidade de entrada levando em conta o histórico de volume, número de ações negociadas e número de negociações dos ativos.

A Copasa MG (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) comunicou que a Arsae MG (Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais) divulgou os resultados sobre audiências públicas que discutiram metodologias para a reconstrução das tarifas da Copasa MG e da Copanor no próximo ciclo tarifário.

A Copasa diz que vai analisar o material e, possivelmente, se manifestar. A próxima etapa do processo, que compreende a definição da metodologia para os reajustes anuais, está prevista para conclusão em 30 de junho. A finalização do processo está prevista para 2 de julho, e a aplicação, para 1º de agosto.

Empresas de saúde

A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) aprovou o reajuste de preços dos remédios a partir desta quinta-feira, 1º de abril. A resolução está publicada em edição extra do Diário Oficial da União que circula desde a noite desta quarta-feira. 31. Segundo o texto, o ajuste máximo de preços permitido chega a 10,08%. A resolução traz três porcentuais máximos, de acordo com a classe terapêutica dos medicamentos: 10,08% (nível 1); 8,44% (nível 2); 6,79% (nível 3).

No último dia 15, a CMED já tinha definido em 4,88% o Fator de Ajuste de Preços Relativos entre Setores, denominado Fator Y, que é um dos itens considerados para se chegar ao índice de ajuste dos preços ao consumidor. Além disso, são levados também em conta a inflação acumulada em 12 meses, o fator de produtividade repassado ao consumidor (Fator X), já fixado em 3,29%.

As empresas produtoras deverão dar ampla publicidade aos preços de seus medicamentos, por meio de publicações em mídias especializadas de grande circulação. Esse preços não poderão ser superior aos preços publicados pela CMED no Portal da Anvisa.

As ações da Atom dispararam 131% na quarta, após a Exame, controlada pelo BTG Pactual, comprar participação de 34,78% na companhia, especialista em publicações e materiais didáticos para o mercado financeiro. Após o acordo, a WHPH Participações e Empreendimentos, que detinha 69,569%, ficará com fatia de 34,78%. No âmbito da operação, ainda foi acertado um acordo de acionistas entre WHPH e Exame, segundo fato relevante mais cedo na quarta.

Vitru (NASDAQ: VITRU)

O Morgan Stanley comentou os resultados divulgados pela Vitru. O banco avaliou os resultados como fortes, e se movimentando na direção correta em 2020, com expansão da margem Ebitda e de resultados acadêmicos. Os dados preliminares do primeiro trimestre indicam um outro ano forte, diz o Morgan Stanley, com um ciclo de matrículas potencialmente forte.

A receita com educação digital subiu 33% na comparação anual, enquanto a receita com aulas presenciais caiu 33% devido à pandemia. A receita líquida de R$ 136 milhões ficou levemente abaixo de suas estimativa. A base de matrículas fechou em 310 mil, acima da estimativa do banco, de 286 mil. A educação digital representou 97,4% do total no quarto trimestre.

Em 28,2%, a margem Ebitda ajustada de 2020 ficou acima da guidance (documento com previsões e planos divulgado pelas empresas), de entre 26% e 27,2%, e da estimativa do Morgan Stanley, de 27%.

O banco mantém avaliação de overweight (perspectiva de crescimento acima da média do mercado), e preço-alvo de US$ 18,5, frente aos US$ 14,85 para as ações VITRU negociadas na Nasdaq na véspera.

Arco (NASDAQ: ARCE)

O Morgan Stanley comentou os a guidance (previsões e planos divulgados por empresas) da Arco para 2021, de faturamento de R$ 1,163 bilhão confirmando a guidance anterior, e indicando alta de 21%. A nova guidance para o Ebitda ajustado, de entre 35,5% e 37,5% é a mesma de 2020 e em linha com a estimativa do banco, de 36,8%.

O banco aponta que a empresa usa tecnologia de última geração e processamento de dados para melhorar os resultados acadêmicos das escolas do ensino fundamental. Assim, está acelerando a incorporação de novos clientes, com taxa de retenção maior do que 90%, e potencial de vendas em novos segmentos e mercados. Assim, o ano de 2021 é de transição, desacelerando o potencial de crescimento orgânico. Isso impede que o banco seja mais otimista. O Morgan Stanley mantém avaliação equal-weight para a Arco, com preço-alvo de US$ 43,7 para os papéis ARCE, negociados na quarta por US$ 25,34 na Nasdaq.

O Credit Suisse classificou os resultados da Arco como fortes, com a receita indicando alta de 20% na comparação anual acima da guidance. O Ebitda ajustado de R$ 126 milhões representou alta de 18%, fEchando o ano em R$ 381 milhões, e margem de 38%, acima da guidance de entre 35,5% e 37,5%.

O banco reforçou sua visão positiva para a Arco, dizendo avaliar que os problemas são de curto prazo, e de que o faturamento de 2022 deve indicar forte recuperação. Assim, o banco reforça avaliação de outperform para a Arco, e vê a recente venda de ações como injustificada. Fusões e aquisições continuam a ser impulsionadoras das ações, apesar de as metas serem, provavelmente, menores no curto prazo. O banco mantém preço-alvo de US$ 55 para os papéis ARCE cotados na Nasdaq, frente aos R$ 25,34 negociados na quarta.

Lojas Renner (LREN3)

O Bradesco BBI participou do dia do investidor da Renner. O banco ressalta que, em fevereiro, a gestão divulgou uma guidance prevendo contração da margem, que o Bradesco estima em entre 3 e 4 pontos percentuais, em 2021, na comparação com 2019. Isso se deveria em parte a investimentos em transformação digital e em outras áreas.

O banco aponta que, no dia do investidor, o CEO da Renner, Fabio Faccio, apresentou um panorama de como o negócio está evoluindo e sua estratégia. Mas ressaltou que não foi divulgada guidance relativa a aceleração das vendas, que deve ser a questão mais importante a partir de 2022. O banco mantém recomendação outperform (expectativa de valorização acima da média do mercado) para a Renner, com preço-alvo para 2021 em R$ 50, frente aos R$ 42,5 negociados na quarta.

Já o Credit Suisse, que também participou do evento, afirmou que a empresa apresentou uma abordagem de ecossistema, ampliando as ofertas de serviços financeiros e de varejo, mantendo moda e estilo de vida em foco. O banco espera que a empresa saia mais forte da crise, e mantém avaliação outperform.

O Itaú BBA comentou o processo de consulta aberto para discutir a mudança tarifária na Copel. A parcela B ajustada, de R$ 2,747 bilhões ficou abaixo de sua estimativa de R$ 3,047 bilhões. Mas o banco ressalta que a parcela B ajustada para itens não recorrentes e outras recentes, de R$ 3,085 bilhões, ficou apenas 3,5% abaixo de sua estimativa.

O Ebitda regulatório de R$ 1,374 bilhão fica abaixo de sua estimativa de R$ 1,424 bilhão. O banco diz que vê as notícias como neutras para os papéis da empresa, mantém avaliação de outperform, com preço-alvo de R$ 7,4, frente aos R$ 7,13 para os papéis CPLE6.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

Quer descobrir como é possível multiplicar seu capital no mercado de Opções? O analista Fernando Góes te mostra como na Semana 3×1, evento online e 100% gratuito. Clique aqui para assistir.

“Preço do arroz pode ter aumentado ainda mais a procura por massas e ajudou nosso balanço”, diz diretor da M.Dias Branco

SÃO PAULO — O polêmico aumento recente no preço do saco de arroz em várias partes do país foi visto por outros olhos pela M.Dias Branco (MDIA3). A companhia teve produção e receitas recordes no terceiro trimestre e, segundo o diretor de relações com investidores Fábio Cefaly, um dos motivos pela maior procura por massas no período foi exatamente o fato de o arroz estar mais caro.

“O nosso crescimento na categoria de massas vem por três motivos. O primeiro é a nossa execução: estamos crescendo onde nós não tínhamos uma posição relevante. O segundo é o fato de as pessoas estarem mais tempo em casa e obviamente elas estão cozinhando mais, e isso tem um reflexo no consumo de massas. E pode sim ter essa questão do arroz, que são produtos substitutos e o preço do arroz teve um aumento substancial durante este ano “, afirmou.

Ele participou nesta segunda-feira (9) de uma live no InfoMoney da série Por Dentro dos Resultados, onde executivos de importantes empresas da Bolsa apresentam os principais destaques financeiros do terceiro trimestre, comentam os números e falam sobre perspectivas.

Por Dentro dos ResultadosCEOs e CFOs de empresas abertas comentam os resultados do ano. Cadastre-se gratuitamente para participar:

O executivo falou sobre a questão do trigo, que é o insumo principal da companhia e o qual ela não produz, mas compra de fornecedores internos e externos. Segundo ele, o gerenciamento dos estoques está sendo bem-feito, apesar da questão cambial e da demanda forte por importação do país.

“Nós importamos bastante trigo, 70%-80% do trigo que a gente consome é importado da Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Canadá, Rússia. O Brasil não é autossuficiente, metade do trigo que o Brasil consome é importado”, disse. “Por isso que a gente teve esse impacto negativo na nossa margem bruta, em função da desvalorização do real”, completou. Apesar disso, o executivo afastou a hipótese de a empresa se verticalizar na produção do insumo.

Ele afirmou, porém, que a empresa se preparou muito para intensificar produtos de exportação e isso tem sido refletido numa melhora nessa área. “O que está acontecendo agora é reflexo do que fizemos nos últimos anos, não é surpresa. O câmbio desvalorizado deixa mais competitivo o que já era competitivo. Além das vendas recorrentes para África, Paraguai, Uruguai, Estados Unidos, apareceram alguns clientes novos, principalmente na América Central”, disse.

Cefaly comentou ainda sobre a empresa ter tido despesas de R$ 38 milhões neste ano, até setembro, relacionadas à Covid-19, disse que a empresa não precisou de capex emergencial para dar conta da demanda maior por alimentos durante a pandemia, falou sobre o aumento da penetração das marcas da M.Dias em áreas como o interior de São Paulo e o Centro-Oeste do país, além da redução do endividamento, dos efeitos não recorrentes sobre o balanço, o atual preço das ações e o programa de recompra em aberto e da concorrência. Assista à live acima.

Treinamento gratuito do InfoMoney mostra como encontrar oportunidades de investimentos escondidas nos gráficos e fazer a primeira operação. Assista aqui!

PUBLICIDADE

As ações e os setores que podem ser mais afetados no cenário pós-auxílio emergencial

Brazilian Currency - Brl. Money bills in a wallet. (Rmcarvalho/Getty Images)

SÃO PAULO – O auxílio emergencial no valor de R$ 600, criado para dirimir os efeitos do isolamento social para a população, foi de grande importância para a economia do Brasil, ajudando a diminuir os impactos da pandemia do coronavírus no PIB nacional e levando a uma forte redução da pobreza no período.

Segundo estudo feito pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV Social), o programa contribuiu para a queda temporária da pobreza no Brasil, com 15 milhões de brasileiros saindo da linha da pobreza até agosto de 2020, uma queda de 23,7% – desta forma, também criando um grande mercado consumidor e impulsionando o varejo.

Por outro lado, os fortes gastos também geraram pressão sobre as contas públicas e um debate sobre como se dará, caso se efetive, a continuidade de algum programa de auxílio. O  programa foi criado para durar apenas três meses, com valores concedidos em abril, maio e junho; depois, foi prorrogado por dois meses por esse valor. Posteriormente, com a pandemia ainda perdurando, de setembro a dezembro o valor foi cortado pela metade, a R$ 300 – e há incerteza como será a continuidade do programa.

“A compra de bens básicos, duráveis e materiais de construção tem crescido em todas as regiões
brasileiras, refletindo a flexibilização das medidas de distanciamento social em momentos diferentes e o deslocamento da demanda para esses bens. Os serviços às famílias seguem mais restritos, diante das medidas ainda presentes, mas também mostram retomada gradual após as flexibilizações, também com disparidades regionais. A rápida reversão da queda do consumo, especialmente de bens, está associada aos programas emergenciais de renda e emprego, entre outros fatores, que sustentaram a massa de rendimentos. O possível encerramento dos programas, no entanto, levanta dúvidas sobre a continuidade de retomada do consumo das famílias, principalmente para as regiões com maior assistência”, avalia o Bradesco.

Também para o Morgan Stanley, há pontos de atenção a serem monitorados para 2021 após a rápida recuperação do consumo, destacando que há preocupação com as perspectivas de crescimento da economia brasileira e para as ações voltadas ao consumo doméstico no próximo ano.

Na avaliação dos estrategistas do banco, mesmo que o governo decida prorrogar o auxílio emergencial novamente (não é o caso-base da instituição), o governo ficará sem espaço fiscal. De qualquer forma, ou com renda familiar mais fraca (com o fim do auxílio) ou com taxas de juros mais altas e / ou moeda mais fraca (no caso da extensão do programa), as perspectivas de crescimento da economia brasileira e do desempenho das ações com participação voltada para o mercado doméstico devem se deteriorar em 2021.

Os primeiros impactos com a redução do auxílio já começam a ser sentidos: conforme destaca o colunista do O Globo Ancelmo Góis, na primeira quinzena de outubro, as vendas de supermercados caíram 5% em relação a setembro. No Nordeste, a queda foi ainda mais expressiva e chegou a 10%.

Contudo, as vendas nos supermercados podem ser relativamente resilientes em um cenário de redução do auxílio, aponta Arthur Anderson Sousa, assessor de investimentos da Aplix Investimentos.  “Possivelmente, vai haver um freio no setor de varejo de eletrodomésticos para serviços mais essenciais, como de alimentação e saúde quando o auxílio se encerrar no fim do ano, com o setor de alimentos e de farmácias devendo sofrer bem menos”, avalia. Assim, Sousa ressalta que é preciso ficar de olho nos dados de confiança do consumidor e no cronograma de vacinas para saber como se dará a reabertura e se haverá uma volta às condições normais de trabalho e consumo.

Em meio ao cenário incerto, algumas casas de análise passaram a avaliar quais são os efeitos dessas decisões nas ações.

PUBLICIDADE

Um dos casos mais controversos é justamente a ação de empresas que, ao mesmo tempo que podem sofrer com a queda do auxílio emergencial, também podem se beneficiar da reabertura gradual das atividades, como é o caso da Ambev (ABEV3).

Por Dentro dos Resultados
CEOs e CFOs de empresas abertas comentam os resultados do ano. Cadastre-se gratuitamente para participar:

A companhia, que divulgará o resultado na quinta-feira (29) vê as suas ações subirem quase 10% em outubro em meio a expectativa principalmente de bons números, notoriamente com o crescimento de vendas de cerveja no Brasil. O Credit Suisse, por exemplo, aponta para um crescimento de 14% no volume de cerveja vendida no Brasil ao longo do terceiro trimestre.

Porém, há quem esteja cético com o desempenho das ações. O Morgan aponta que, uma vez que o auxílio emergencial no Brasil teve grandes implicações para o consumo local, há preocupação com o desempenho no primeiro trimestre do ano que vem à medida que os benefícios forem diminuindo.

Na mesma linha, está o Bradesco BBI, que também mostra preocupação com a demanda após o término do auxílio emergencial e destacou que pode haver uma mudança nas carteiras de ações dos investidores em meio ao fim das medidas. Assim, o analista Leandro Fontanesi destacou ainda evitar o nome da Ambev. Ele destaca que, além do volume mais sensível à renda disponível, também há preocupação pelo aumento da concorrência.

“Acreditamos que o fim da ajuda emergencial do governo no final do ano acione uma troca de ações entre os investidores do setor para os nomes que são mais resilientes em cenário de menor renda disponível. Neste contexto, preferimos a M. Dias Branco (MDIA3)”, destacaram, ao retomar a cobertura para a fabricante de alimentos com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 32.

O analista espera que, em 2021, o volume no Brasil para a indústria de massas em geral caia 6%, enquanto os volumes de biscoitos cairão 2%, à medida que os brasileiros devem reduzir a proporção de massas e biscoitos em suas cestas de consumo, pois passarão menos tempo em casa em comparação com 2020.

No entanto, esperam ganhos de participação de mercado da empresa de 2 pontos percentuais nos próximos 2 anos, impulsionados por uma estratégia bem-sucedida na expansão da distribuição e pelo fato dos principais concorrentes estarem enfrentando um cenário desafiador. Além disso, a M. Dias vende principalmente marcas com preços mais baixos, que apoiaram ganhos de participação durante os períodos de menor consumo.

Se o BBI prefere M.Dias Branco em relação à Ambev em um cenário de fim do auxílio, há também quem veja com otimismo os próximos meses para a ação. A XP Investimentos ressalta que pode haver um “solavanco”  nas receitas da companhia por conta da remoção do programa, mas tem viés positivo para os papéis da companhia em um ambiente de melhora econômica a partir do ano que vem.

PUBLICIDADE

Na mesma linha, Jorge Junqueira, sócio-gestor da Gauss, apontou otimismo para a ação ABEV3 tendo em vista a reabertura das atividades, mesmo sem o auxílio. Para o gestor, como já era esperado que a redução do auxílio iria acontecer, a desaceleração das vendas já está bem precificada no mercado.

“O e-commerce teve um expressivo volume de vendas e é natural que o setor de comércio eletrônico possa sofrer uma queda do volume de compras por conta da redução do auxílio”, avalia Junqueira. Por outro lado, também há a projeção de que a mudança de hábito, com mais consumidores realizando compras pelos meios online, tenha vindo para ficar.

Em relatório de estratégia recente, o Bradesco BBI também destacou que mudanças estruturais devem beneficiar as empresas de e-commerce, apesar de verem os valuations das empresas do setor como esticados no momento, com a forte performance no ano de 2020 sendo vista como temporária. Cabe ressaltar que ações de empresas expostas ao e-commerce, caso de Magazine Luiza (MGLU3), Via Varejo (VVAR3) e B2W (BTOW3) registram algumas das maiores altas do ano, de 114%, 69% 37%, respectivamente, enquanto o Ibovespa teve queda de quase 14% em igual período.

Neste contexto, o cenário ainda é de incerteza, mas Junqueira, da Gauss, ressalta que a flexibilização de medidas de restrição também pode levar a uma recuperação das ações do setor de shoppings, que registram queda entre 38% e 50% de suas ações em 2020, caso de brMalls (BRML3), Iguatemi (IGTA3) e Multiplan (MULT3) entre aquelas do setor que pertencem ao Ibovespa.

Vale ressaltar que, durante conferência na última semana com diversas empresas do setor de shoppings, o Credit Suisse reforçou a sua tese de que de que as empresas estão se recuperando mais rápido do que o mercado inicialmente esperava e que os investidores possam estar perpetuando um cenário pessimista demais. “Mesmo estando alguns trimestres ainda de distância dos níveis pré-Covid em termos de fluxo de clientes, vendas e aluguéis, os executivos destacaram que os fundamentos do setor permanecem e que o foco em soluções de varejo multicanal deve apoiar a volta do setor”, ressaltaram os analistas do banco suíço.

Risco fiscal

Apesar do otimismo com a retomada, Junqueira reforça que o endereçamento da questão fiscal será bastante importante e pode definir se 2021 será ruim para as empresas de diversos setores da economia.

O Brasil vai terminar 2020 com a pior situação fiscal entre os maiores países emergentes. Na América Latina, o Brasil teve o maior aumento de dívida, com alta de 20 pontos este ano, o que vai empurrar o endividamento para perto de 100% do Produto Interno Bruto (PIB). Em meio à preocupação com o fiscal,  ainda há indefinição sobre o financiamento do novo programa social do governo para o ano que vem em substituição ao Bolsa Família, com as discussões devendo ser retomadas só depois das eleições municipais.

Neste sentido, Roberto Attuch, CEO da Omininvest, ressalta que um setor que vem registrando recuperação recente (apesar da queda da véspera), mas que pode sofrer no ano que vem caso a questão fiscal não seja bem endereçada é o de bancos.

PUBLICIDADE

“Os bancos mostram a situação real da atividade e são intermediadores da dívida pública, acabam refletindo o risco da dívida. A alta recente das ações mostra a expectativa de que os resultados vão ser ‘melhores do que o temido’, uma vez que poderia haver mais provisões para perdas [o que não deve ocorrer dado o alto nível de provisionamento no primeiro semestre]. Esse terceiro trimestre é  importante, contudo, é aquela história de jornal velho, de algo que já passou. Não se sabe o que vai ser ano que vem, qual é o nível de suporte em 2021, então há um nível de incerteza muito grande”, afirma Attuch.

Vale destacar que, após um primeiro semestre difícil em meio às altas provisões que derrubou o lucro dos bancos, a expectativa é de números sequencialmente melhores no terceiro trimestre, o que já teve início com os números apresentados pelo Santander Brasil (SANB11) na véspera (veja mais clicando aqui).

Além disso, a inadimplência vem registrando queda tanto por conta da maior renda das pessoas por conta do auxílio emergencial quanto pelos processos de renegociação e adiamento dos vencimentos de parcelas no auge da crise. Em setembro, o índice de inadimplência (NPL) caiu para 2,4% (-0,20 p.p. ante o mês anterior), um mínimo histórico, com indicadores de inadimplência antecipada (de créditos vencidos de 15 a 90 dias) também caindo (-0,20 p.p. na comparação mensal), segundo dados de crédito do BC do mês passado. Contudo, com essas medidas que ajudaram a conter a inadimplência cessando, a expectativa é de alta desses indicadores mais à frente.

Desta forma, mais do que a queda do valor do auxílio emergencial desde setembro até o fim do ano, os investidores estão de olho em como o governo endereçará a questão fiscal no próximo ano. Caso o  cenário negativo se confirme, as ações voltadas ao consumo doméstico como um todo podem sofrer no próximo ano.

Treinamento gratuito: analista Charlles Nader explica como um trader ganha dinheiro, controla perdas, equilibra o emocional e multiplica capital