Com custos crescentes de construção impactando resultados, Direcional é destaque positivo entre as incorporadoras

Guindaste

SÃO PAULO – Em meio à temporada de balanços do segundo trimestre de 2021, as incorporadoras Direcional (DIRR3), Even (EVEN3), Melnick (MELK3) e Mitre (MTRE3) reportaram na noite da última segunda-feira (9) números positivos no período.

Ainda que as companhias tenham apresentado, em sua maioria, crescimento no lucro líquido e na receita, o aumento dos custos em meio à alta da inflação pesou nos resultados de abril a junho deste ano.

Neste cenário, o grande destaque, segundo analistas do mercado financeiro, ficou por conta da Direcional, que reportou uma margem bruta recorde, apesar dos custos crescentes de construção.

Mesmo assim, as ações DIRR3 apresentavam queda na Bolsa brasileira nesta terça-feira (10). Por volta das 11h40, as ações da companhia recuavam cerca de 3,6%, a R$ 13,23.

O movimento de queda também era visto em MTRE3, com baixa de 1,8% na B3, a R$ 11,07, e em EVEN3, com recuo de 0,5%, a R$ 8,74.

Já os papéis MELK3 subiam cerca de 0,9%, a R$ 5,50.

Confira a seguir como o mercado interpretou os resultados do segundo trimestre das empresas:

Direcional (DIRR3)

No segundo trimestre, a Direcional apresentou lucro líquido de R$ 40,7 milhões, crescimento de 20% em relação ao mesmo período de 2020.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado somou cerca de R$ 90 milhões, avanço de 47,8% na mesma margem de comparação. Já a margem Ebitda ajustada cresceu 6,4 pontos porcentuais, para 21,3%.

PUBLICIDADE

A margem bruta subiu 5 pontos porcentuais, para 38% – o maior patamar já registrado pela Direcional desde o seu IPO.

Segundo a companhia, a melhora nas margens decorreu da apuração de economias nas obra dos projetos que estão em estágio avançado de construção e, portanto, com menor exposição ao aumento de custo de insumos que tem pressionado todo o setor.

Este, inclusive, foi o grande destaque do balanço, na avaliação de analistas do mercado financeiro.

Em relatório, a XP escreve que os resultados vieram positivos, em linha com o esperado, e que, ao contrário da maioria dos seus pares de mercado, a companhia conseguiu apresentar uma melhora na margem bruta, apesar dos custos crescentes nos materiais de construção.

“O resultado reforça nossa visão positiva para o papel e reiteramos nossa recomendação de compra e preço-alvo de R$ 20,50 por ação”, escreve o time de análise.

O Bradesco BBI também vê a Direcional se destacando em relação aos pares, ao combinar crescimento de dois dígitos, potencial de valorização e um múltiplo preço sobre lucro de um dígito (de 7,4 vezes estimado para 2022).

Para os analistas, DIRR3 é uma das histórias “mais baratas” na cobertura do banco e permanece como a principal escolha no setor. O Bradesco BBI tem recomendação de outperform (acima da média do mercado) para os papéis e preço-alvo de R$ 20.

Margens surpreendentemente fortes também foram mencionadas pelo Itaú BBA e pelo Credit Suisse.

PUBLICIDADE

A avaliação é de que a economia em projetos em estágios avançados de construção, os ajustes no mix de produtos da empresa e uma estratégia de preços aprimorada foram acertados e contribuíram para os números “impressionantes” no último trimestre.

Enquanto o Itaú BBA tem recomendação outperform (acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 19,70, o Credit Suisse tem recomendação neutra.

“Embora reconheçamos a força desses resultados, continuamos céticos em relação às perspectivas para o setor de construção residencial no Brasil, dada a tendência de alta dos custos e um potencial aumento nas taxas de hipotecas”, escreve o Credit Suisse.

A construtora Even registrou lucro líquido de R$ 54 milhões entre abril e junho deste ano, uma alta de 102% na comparação com o mesmo período de 2020.

Já o Ebitda ajustado teve um crescimento de 17,3% na comparação anual, ficando em R$ 65 milhões.

A receita líquida, por sua vez, cresceu 39,5%, ficando em R$ 522,38 milhões, puxada principalmente pelas vendas de R$ 354 milhões, com VSO consolidada de 16%.

Para o time de análise do Bradesco BBI, os números vieram sólidos, superando as estimativas do banco. A forte posição de caixa da companhia, bem como o valuation atrativo (de 1 vez o preço sobre o valor patrimonial) levou os analistas a reafirmarem a recomendação de compra para EVEN3, com preço-alvo de R$ 15 por ação para o fim de 2021.

Já o Itaú BBA vê os resultados ligeiramente positivos, com uma receita melhor do que o esperado, apesar de a surpresa positiva ter sido parcialmente compensada por uma margem bruta mais fraca e contingências pesadas.

PUBLICIDADE

O banco tem recomendação market perform (em linha com a performance do mercado) e preço-alvo de R$ 14,30.

Segundo a XP, embora possa haver uma reação positiva do mercado, a casa optou por manter a visão conservadora sobre a ação e preço-alvo de R$ 13, por ação.

O mesmo aconteceu com o Credit Suisse, que se diz cético em relação às perspectivas para o setor de construção residencial. Segundo os analistas, não há gatilhos claros para que a Even expanda suas margens, ainda que considerando o cenário de aumento de custos.

Também em meio à temporada de resultados, a Melnick lucrou R$ 12,32 milhões no segundo trimestre, queda da ordem de 45% ante o lucro de R$ 22,35 milhões registrado em igual período do ano passado.

Já a receita líquida de vendas e serviço teve baixa de 2,16%, a R$ 183 milhões.

De acordo com o Itaú BBA, os resultados da Melnick vieram neutros, com a boa receita sendo parcialmente compensada por margens ainda apertadas e provisões mais altas, levando a um lucro por ação em linha com o esperado.

Do lado positivo, a Melnick foi bastante ativa na aquisição de terrenos, adicionando um valor geral de vendas (VGV) de R$ 383 milhões ao seu estoque de terrenos, destacam os analistas.

O banco tem recomendação outperform (acima da média do mercado) para os papéis da companhia e preço-alvo de R$ 11,40.

A avaliação é compartilhada pela XP, que destaca que a receita líquida ficou acima do estimado, mas que foi compensada pela margem bruta mais fraca de 24,5% devido ao impacto dos custos mais elevados de material de construção.

“Apesar da pressão momentânea nas margens por conta do aumento dos custos, esperamos uma recuperação gradual nos próximos trimestres à medida que a companhia consiga repassar inflação para os preços”, justificam os analistas.

A XP tem recomendação de compra para os papéis MELK3 e preço-alvo de R$ 9 por ação.

Já a incorporadora Mitre teve lucro líquido de R$ 21,2 milhões no segundo trimestre, alta de 113% na base anual.

A receita líquida, por sua vez, aumentou 153%, para R$ 164,7 milhões, refletindo a aceleração da evolução física de obras e início das atividades em alguns canteiros.

A margem bruta da companhia, por sua vez, passou de 31,9%, no segundo trimestre do ano passado, para 34,7% entre abril e junho de 2021, enquanto a margem bruta ajustada foi de 35,5%.

Ainda que os resultados tenham sido positivos, analistas têm preferido adotar uma posição mais cautelosa para os papéis da companhia.

O Credit Suisse, por exemplo, cita uma possível deterioração das perspectivas para o segmento de média e alta renda diante de um potencial fluxo de notícias negativas em relação às taxas de hipotecas e aumento dos custos.

Para o Itaú BBA, ainda que os resultados tenham superado as expectativas, suportados por uma melhora na margem bruta, a empresa relatou uma grande queima de caixa devido aos desembolsos para a aquisição de terrenos. O banco tem recomendação market perform para os papéis da construtora e preço-alvo de R$ 18,50.

A posição neutra também é adotada pelo Bradesco BBI, que prevê “atritos operacionais que podem ser particularmente onerosos para histórias crescentes como Mitre”.

“Estamos fora do nome, porque preferimos histórias estáveis”, escrevem os analistas, que têm preço-alvo de R$ 19,00 para MTRE3.

Em curso gratuito de Opções, professor Su Chong Wei ensina método para ter ganhos recorrentes na bolsa. Inscreva-se grátis e participe.

Cyrela, Direcional, Even, Moura Dubeux e Melnick divulgam prévias operacionais: quais se destacaram no 2º tri?

SÃO PAULO – Às vésperas do início da temporada de resultados do segundo trimestre de 2021, diversas empresas, principalmente construtoras, estão divulgando prévias operacionais do período.

Apenas entre a noite de segunda-feira (12) e esta terça-feira (13), cinco companhias divulgaram os seus dados operacionais, caso de Cyrela (CYRE3) e Even (EVEN3), que fazem parte do Ibovespa, além de Direcional (DIRR3), Moura Dubeux (MDNE3) e Melnick (MELK3).

O movimento das ações nesta sessão é tímido como reação às prévias, também em meio à visão de um cenário de mais desafios com a alta dos juros no Brasil, mas ainda assim dá indicações sobre a avaliação dos investidores sobre os números das empresas. O papel da Direcional avançava cerca de 1% durante a tarde na B3 em meio aos dados considerados positivos, enquanto Cyrela e Moura Dubeux operavam perto da estabilidade após números também elogiados.

Leia também: Sem alarde, Santander sobe taxa de financiamento imobiliário para 7,99% ao ano

Even e Melnick, por sua vez, caíam cerca de 2% após os dados entre abril e junho não agradarem. Confira a avaliação dos analistas para os números das empresas.

Confira as análises sobre as prévias das construtoras:

A Cyrela divulgou na segunda-feira saltos nas vendas e lançamentos de imóveis residenciais no segundo trimestre, apoiada em parte pela fraca base de comparação com o ano passado e pelo bom momento vivido pelo mercado de construção civil. As vendas contratadas da companhia somaram R$ 1,56 bilhão entre abril e o final do primeiro semestre ante R$ 512 milhões no mesmo período do ano passado. Em comparação com o primeiro trimestre deste ano, as vendas subiram 51,3%, informou a companhia.

Das vendas líquidas no trimestre, R$ 239 milhões foram de estoque pronto (15%), R$ 545 milhões à venda de estoque em construção (35%) e R$ 776 milhões à venda de lançamentos (50%). “Dessa forma, a Cyrela atingiu uma velocidade de vendas (“VSO”) de lançamentos de 40,2% no trimestre”, afirmou a companhia. Já os lançamentos avançaram para R$ 1,93 bilhão nos três meses encerrados no fim de junho ante R$ 254 milhões no mesmo período de 2020. A empresa lançou 19 empreendimentos no trimestre ante apenas três no mesmo período do ano passado.

O Itaú BBA avalia o resultado da Cyrela como positivo, marcado por retomada de volume de lançamentos e velocidade de vendas “saudável”.

PUBLICIDADE

O Credit Suisse avaliou os resultados da Cyrela como mais fortes do que o esperado, apontando que a empresa é uma das mais bem estruturadas do setor e a melhor posicionada para se beneficiar do momento atual. As vendas líquidas ficaram 6% acima da expectativa do Credit.

A XP também aponta que a Cyrela apresentou dados operacionais sólidos após um primeiro trimestre mais ameno, que havia sido impactado pelas restrições comerciais em razão da pandemia.

“Em suma, vemos seu desempenho operacional como positivo e reiteramos nossa recomendação de compra e preço-alvo de R$ 33 por ação”, apontam.

Os analistas da Levante Ideias de Investimentos avaliam que os resultados operacionais foram bons, mostrando um salto nas vendas e lançamentos no segundo trimestre, porém, se deve principalmente a uma base de comparação muito fraca,  no pior momento da pandemia.

De qualquer forma, o setor imobiliário como um todo está reaquecendo, após adiamentos de lançamentos afetados pela segunda onda de contaminação da Covid-19 no primeiro trimestre de 2021 e sazonalmente o mais fraco do ano

Por outro lado, no médio prazo, a expectativa do aumento da taxa de juros até entre 6,5% e 7,00% ao ano, no fim de 2021, tende a impactar negativamente o setor de construção civil, pois maiores taxas de financiamento com prestações mais altas diminui o número de compradores de imóveis.

Além disso, o setor ainda é impactado pelos possíveis e ainda incertos efeitos da reforma tributária, que podem acabar reduzindo a lucratividade das construtoras. “Tudo isso, indica um cenário menos otimista para o setor para o segundo semestre”, avaliam.

Direcional (DIRR3)

A Direcional Engenharia teve crescimento de 53% nas vendas líquidas contratadas no segundo trimestre frente ao mesmo período do ano passado, totalizando R$ 614 milhões, divulgou a companhia na noite de segunda-feira. Foi o melhor trimestre de vendas em toda a história da companhia, que tem foco no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários populares e de médio padrão.

PUBLICIDADE

No segundo trimestre, a Direcional lançou 13 novos empreendimentos/etapas, que totalizaram valor geral de vendas de R$ 785 milhões, 123% acima na comparação com os mesmos meses de 2020 e também recorde.

A Direcional teve recordes de lançamentos e vendas no segundo trimestre de 2021. O total de lançamentos, incluindo a parcela de sócios nos projetos, chegou a R$ 784,9 milhões – alta de 123,5% na comparação anual. As vendas totais subiram 53%, para R$ 614 milhões.

O Credit avalia que o resultado da Direcional bate novamente as expectativas, com patamares recordes de lançamentos e vendas e expansão da Riva. O banco espera que a empresa continue a apresentar bons números, mas vê pouco espaço para valorização das ações, por isso mantém avaliação neutra.

Já a XP ressalta que a performance positiva reforça não só a visão de demanda resiliente no segmento de baixa renda (segmento core da Direcional), mas também o sólido crescimento da Riva (subsidiária no segmento de média renda), em que destacam as vendas líquidas de R$ 178 milhões e dados de vendas sobre oferta (VSO) de 26%. Os analistas reiteram  recomendação de compra e preço-alvo de R$ 20,50 por ação.

Dos R$ 784,9 milhões em lançamentos, R$ 597 milhões foram sob o programa Casa Verde e Amarela e R$ 188 milhões da Riva. Os analistas da XP também destacam o preço médio de lançamento por unidade de R$189 mil (alta de 15% ano contra ano e queda de 19% trimestre contra trimestre).

Na mesma linha, o Bradesco BBI avalia que a Direcional entregou um excelente resultado operacional para o segundo trimestre, especialmente quando se olha a execução bem-sucedida no negócio de média-baixa renda (Riva) – dado que os
negócios Casa Verde Amarela têm um limite máximo limitado para aumentar os preços e menor acessibilidade, que não é o caso do Riva.

“Em geral, reafirmamos Direcional como nossa top pick entre nossa cobertura de construção civil/incorporadoras com um preço-alvo de R$ 20 por ação para o final de 2021, uma vez que a companhia atualmente negocia com um múltiplo de preço sobre lucro de um digito (9,6 vezes o esperado para 2021 e 7,3 o esperado para 2022) e tem o melhor momentum de
lucro no espaço de baixa renda”, ressaltam.

Os números da Even, por sua vez, foram considerados mais fracos. A Even lançou dois projetos no segundo trimestre, totalizando R$ 216 milhões (versus R$ 716 milhões no primeiro trimestre e alta de 10% contra o mesmo período do ano passado).

PUBLICIDADE

As vendas líquidas atingiram R$ 354 milhões, queda de 40% na base trimestral e alta de 18% na comparação anual, sendo R$ 249 milhões de estoques e R$ 105 milhões de lançamentos recentes. O VSO caiu de 24% nos primeiros três meses do ano para 16%  e 49% em relação aos lançamentos recentes.

A XP destaca que os números do primeiro trimestre foram impulsionados pela venda do projeto Hotel Fasano Itaim (com Valor Geral de Vendas de R$ 280 milhões), o que pode distorcer a comparação trimestral.

O BBA avaliou os dados da Even como neutros, com velocidade de vendas razoáveis a partir dos estoques, mas disse que a velocidade das vendas consolidadas perdeu ritmo em comparação com trimestres anteriores, devido a um ritmo de lançamentos mais lento.

Os resultados da Even foram considerados levemente fracos pelo Credit. O banco diz que os volumes de lançamentos e vendas ficaram abaixo de suas estimativas, mas que a Even já anunciou em seu dia do investidor projetos sólidos de lançamentos, um indício de que os resultados da empresa devem melhorar no futuro. Mas, devido à perspectiva de concorrência forte, o banco mantém avaliação neutra para os papéis.

O valor potencial de vendas (PSV na sigla em inglês) de R$ 216 milhões ficou 26% acima do mesmo período do ano anterior, e abaixo da expectativa de R$ 394 milhões do Credit. As vendas de R$ 354 milhões ficaram 20% abaixo da estimativa do Credit.

O Bradesco BBI aponta que apesar da atraente velocidade de vendas, as vendas líquidas caíram 40% no comparativo trimestral, pois a Even tem poucos produtos à disposição. Os lançamentos foram escassos e a base de estoques
está diminuindo (o estoque pronto em São Paulo caiu para R$ 251 milhões no primeiro trimestre de 2021).

Assim, avalia o BBI, o desafio da Even está em lançar projetos para dar retorno sobre o excesso de caixa, ou devolvê-lo aos acionistas.

“Esperamos que a empresa reformule os lançamentos no segundo semestre, assim como muitos de nossos nomes listados, levando a um campo competitivo mais acirrado à frente. Mesmo assim, a sólida velocidade de vendas do trimestre sugere que o ambiente ainda é bastante acolhedor para novos lançamentos, desde que a Even consiga romper o gargalo de
licenciamento em São Paulo”, apontam os analistas. O BBI possui recomendação outperform para Even, com preço-alvo de R$ 15.

Moura Dubeux (MDNE3)

A Moura Dubeux reportou lançamentos reprimidos e atingiu um Valor Geral de Vendas de R$ 501 milhões (alta de 457% ante igual período do ano anterior), sua maior marca trimestral de sua história.

O BBI destaca que a Moura Dubeux foi rápida na implantação de sete novos empreendimentos no segundo trimestre (3 tradicionais e 4 condomínios com VGV de R$ 265 milhões), em linha com as estimativas do banco, estabelecendo um recorde de 12 meses de R$ 1,3 bilhão.

Já a receita líquida de R$ 383 milhões superou a expectativa já otimista dos analistas (27% acima do BBI), com base nas
vendas de novos lançamentos. A Moura Dubeux encerrou o trimestre já tendo vendido expressivos 46% dos R$ 501 milhões de seus empreendimentos lançados no 2T21. No geral, as vendas sobre a oferta do trimestre alcançaram 26,9% (alta de 5,9 pontos percentuais ante o trimestre anterior), levando ao seu maior número de vendas líquidas (alta de 401% na comparação anual no trimestre).

Já as vendas de estoque pronto perderam fôlego e atingiram R$ 47 milhões no trimestre (queda de 24% ante o trimestre imediatamente anterior), ainda respondendo por 24% da base de estoque em aberto no final do primeiro trimestre.

O Itaú BBA viu o dado da Moura Dubeux como positivo, devido a bons resultados operacionais, com fortes vendas e mais um trimestre de geração de fluxo de caixa, apesar das compras de terrenos.

O Credit avaliou os resultados da Moura Dubeux também como bons. Para atingir a estimativa de lançamentos do Credit para 2021, de R$ 1,3 bilhão, a empresa ainda precisa lançar R$ 708 milhões em empreendimentos, algo que o banco avalia como possível devido à perspectiva melhor para a pandemia no Brasil. O banco reitera recomendação outperform.

Para o BBI, a Moura Dubeux deu uma importante demonstração de força na sua capacidade de lançamento. Tendo em vista que os lançamentos do primeiro trimestre ficaram abaixo de R$ 90 milhões, a empresa já está na metade do ano com um
lançamento de 39% da expectativa do banco para 2021 (R$ 1,52 bilhão em VGV). Mesmo assim, a Moura Dubeux foi muito mais rápida para voltar à ação do que suas contrapartes de São Paulo, ainda tropeçando no gargalo de licenciamento da cidade, apontam os analistas.

“Com os quatro condomínios lançados no trimestre, vemos espaço para que a margem bruta do segundo trimestre de 2021 supere nossa estimativa (31% da estimativa do BBI no segundo trimestre de 2021)”, ressaltam. A recomendação para ação é outperform com preço-alvo de R$ 16.

A Melnick lançou apenas um empreendimento, de R$ 98 milhões em VGV, caindo 60% na base anual e 71% na trimestral.

Já as vendas líquidas atingiram R$ 140 milhões (queda de 43% na comparação com igual período de 2020 e alta de 15% na comparação trimestral), o que levou a um VSO de 14% (versus 12% no trimestre anterior). Por fim, a Melnick entregou um projeto com VGV de R$90 milhões.

“Embora esperamos algum impacto no curto prazo, mantemos nossa visão positiva para as ações no longo prazo e mantemos nossa recomendação de compra e preço-alvo de R$ 9 por ação”, aponta a XP.

Já o BBA avaliou os dados preliminares da Melnick como neutros, em que um resultado “razoável” de vendas foi ofuscado por volume lento de lançamentos e aumento nos cancelamentos de vendas.

Quer entender o que é o mercado financeiro e como ele funciona? Assista à série gratuita “Carreira no Mercado Financeiro” e conheça o setor da economia que paga os melhores salários de 2021.

Prévias operacionais de MRV, Even, Melnick e Mitre do 4º tri; MG espera avanço em negociação com a Vale e mais notícias

SÃO PAULO – O noticiário corporativo é movimentado, com destaque para as prévias operacionais do quarto trimestre de quatro construtoras e incorporadoras: MRV, Even, Melnick e Mitre.

Também chamando a atenção dos investidores, a estatal mineira Cemig informou que estuda abrir uma filial de sua unidade de comercialização de energia elétrica em São Paulo. A Simpar lançou uma captação de US$ 625 milhões em bônus no exterior ligados a temas de sustentabilidade, enquanto a Marfrig precificou emissão de 10 anos no valor de US$ 1,5 bilhão em bônus.

Já o governo de Minas Gerais disse que segue em negociações com a Vale sobre um eventual acordo global para reparação de danos pelo desastre de Brumadinho, após uma reunião entre as partes na última quinta. Confira os destaques:

A construtora MRV registrou alta das vendas, mas um recuo nos lançamentos do quarto trimestre, nos comparativos anuais, enquanto busca equilíbrio diante da forte atividade do setor imobiliário marcado pelos efeitos da pandemia da Covid-19.

A companhia anunciou que suas vendas de outubro a dezembro somaram R$ 2,06 bilhões, um salto de 49,1% ano a ano e de 4,7% na base sequencial, à medida que seguiu acelerando ao longo do ano, infladas pela crescente oferta de financiamento imobiliário com juros da economia em mínimas recordes.

No acumulado do ano, as vendas da companhia de R$ 7,72 bilhões foram 39,1% maiores do que em 2019.

Já os lançamentos da MRV no quarto trimestre somaram R$ 2,128 bilhões, avanço de 1,7% em relação ao trimestre imediatamente anterior, mas queda de 10,2% contra um ano antes.

Em 2020, os lançamentos da companhia chegaram a R$ 7,7 bilhões, montante 11,6% maior do que em 2019, mas menor do que o esperado pela própria empresa.

“Os lançamentos totais do ano ficaram abaixo do planejado pela companhia, fundamentalmente em função do impacto causado pela pandemia nos lançamentos, em especial no primeiro semestre”, afirmou a MRV.

PUBLICIDADE

A empresa teve no quarto trimestre geração de caixa de R$ 175 milhões, alta de 8,5% sobre os três meses imediatamente anteriores e revertendo queima de cerca de R$ 34 milhões um ano antes.

A MRV informou ainda que seu conselho de administração aprovou distribuição de dividendo extraordinário de R$ 100 milhões, a serem pagos em 28 de janeiro.

O Credit Suisse comentou os lançamentos da MRV, afirmando que o volume de lançamentos permaneceu estável entre o terceiro e o quarto trimestres. Já o patamar de vendas classificou como “impressionante”.

O banco destacou que R$ 296 milhões das vendas se referem ao projeto Deering Groves, em Miami, da subsidiária AHS, destacando avaliar que esse fato será bem recebido pelo mercado, à medida que investidores estariam otimistas sobre as operações internacionais da empresa.

O banco também avalia a geração de caixa como “forte”. Apesar de afirmar ter uma visão positiva sobre as operações de multifinanciamento da MRV e modelos de negócios diferenciados, afirma que ainda não enxerga um gatilho claro para que a MRV amplie suas margens e entregue resultados mais fortes.  Assim, o banco mantém avaliação neutra para os papéis da MRV, com preço-alvo de R$ 21,50, frente os R$ 20,70 de fechamento da véspera.

Os lançamentos da Even caíram  42% no quarto trimestre de 2020 na base de comparação anual, passando de R$ 917 milhões para R$ 532 milhões, número este levando em conta os imóveis lançados em empreendimentos com parceiros.

Considerando a participação da Even nos projetos, o montante foi para R$ 482 milhões: foram lançados dois empreendimentos em São Paulo, com valor geral de vendas (VGV) totalizando R$ 444 milhões, e um no Rio Grande do Sul, com VGV de R$ 38 milhões. No ano passado, os lançamentos caíram 29% na comparação com 2019, totalizando R$ 1,56 bilhão.

A geração de caixa operacional foi de R$ 236 milhões nos últimos três meses do ano passado. Considerando a entrada de caixa da venda de ativos no Rio de Janeiro para o FII ERCR11, a Geração de Caixa do trimestre foi de R$ 467 milhões.

PUBLICIDADE

O Credit Suisse classificou a geração de caixa da Even como forte, destacando que R$ 236 milhões vêm das operações da companhia, e outros R$ 231 milhões das vendas de estoques localizados no Rio de Janeiro a um fundo imobiliário.
O banco destacou que lançamentos e vendas tiveram resultados menos animadores. A empresa lançou três projetos no trimestre, dois em São Paulo, focando em um público de maior poder aquisitivo, e um para compradores de renda média, no Rio Grande do Sul.

O Credit afirma que o ritmo de lançamentos é fraco, mas diz esperar uma aceleração em 2021, projetando lançamentos no valor de R$ 2 bilhões. Mesmo com a queda nas vendas, o banco afirma que elas estão em um nível saudável.
Na avaliação do Credit, com a venda dos estoques ao fundo imobiliário, a Even poderá focar em São Paulo e no Rio Grande do Sul, afirma o banco. Isso deve se traduzir em métricas superiores.

O banco manteve avaliação em outperform (expectativa de valorização acima da média do mercado). E preço-alvo em R$ 17, frente os R$ 11,59 de fechamento da véspera.

O Itaú BBA afirmou que o destaque entre os resultados da Even foi a sua sólida geração de caixa, que deixa em segundo plano a queda nas vendas e nos lançamentos.

As vendas líquidas da Melnick foram de R$ 31 milhões no quarto trimestre de 2020, valor quatro vezes menor do que o valor apresentado no mesmo intervalo de 2019, de R$ 136 milhões. Já o indicador Venda Sobre Oferta (VSO) líquido foi de 5%.

A Melnick lançou apenas um empreendimento com VGV (Valor Geral de Vendas) bruto de R$ 115,2 milhões nos últimos três meses. O Supreme Altos do Central Park faz parte do segmento residencial. Com área útil de 12,3 mil m², o empreendimento possui 184 unidades com valor médio de R$ 480 mil.

A empresa entregou um empreendimento que corresponde a um VGV bruto de R$ 37,9 milhões.

A Melnick também informou ter comprado dois terrenos com valor potencial de vendas de R$ 250 milhões, além de concluir a aquisição do antigo Ginásio da Brigada, localizado em Porto Alegre, com VGV potencial de R$ 199 milhões.

PUBLICIDADE

O Itaú BBA diz avaliar que os resultados da Melnick indicam um final de ano fraco, com parte das previsões de entrega sendo adiadas para 2021, e cancelamento de vendas.

A Mitre lançou R$ 463,7 milhões em VGV no quarto trimestre do ano passado, 46% maior frente igual período de 2019. Houve lançamento de 930 unidades,  47,4% acima do comparativo anual.

Três dos quatro empreendimentos são destinados ao público de renda média-alta, enquanto um é destinado ao público de renda média.

Em 2020, os lançamentos totalizaram R$ 920,1 milhões, alta de 30,4% ante 2019. O número de unidades cresceu 11,5% no período, para 1.857, com quatro empreendimentos de média renda e quatro empreendimentos de renda média-alta.

O Itaú BBA diz avaliar que a Mitre foi capaz de manter seu ritmo de vendas em um ritmo robusto, de 39,2% no quarto trimestre.

Yduqs (YDUQ3), Arco (NASDAQ: ARCE), Vasta (NASDAQ: VSTA), Ser (SEER3), Anima (ANIM3), Afya (NASDAQ: AFYA) e Cogna (COGN3)

O Bradesco BBI publicou seu relatório mensal sobre o setor de educação. O banco afirma que o ensino a distância deverá ser o principal destaque do setor em 2021, e diz esperar pressão em algumas áreas, especialmente preço.

Mas avalia que matrículas deverão se manter estáveis para o segmento presencial, após uma performance fraca. As bases de estudantes a distância, no entanto, devem continuar a aumentar para todas as empresas do setor.

Apesar de o movimento do mercado ter sido limitado em 2020, o banco diz esperar maior tração, à medida que as matrículas se intensificam para as divisões pós-secundárias. Mas diz avaliar que o ciclo de matrículas pode ser pouco usual, já que o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) foi atrasado devido à pandemia.

O BBI diz avaliar que as perspectivas para o ensino primário e secundário em termos de contratos anuais em 2021 são provavelmente decepcionantes, mas diz que continua otimista quanto à perspectiva de valorização do setor devido a sua perspectiva de longo prazo.

O Bradesco BBI ressalta que, em seus resultados para o quarto trimestre, a Arco divulgou a sua guidance (documento com perspectivas para o futuro da empresa) para valores contratados anuais em R$ 1,15 bilhão e R$ 1,2 bilhão em 2021, abaixo de sua estimativa de R$ 1,28 bilhão.

Mesmo assim, afirma que vê possibilidade de valorização a partir da guidance, já que ela considera uma recuperação conservadora após a evasão de alunos.

No caso da Vasta, a sua guidance preliminar para os valores contratados anuais ficou em R$ 835 milhões, frente estimativa do banco de R$ 894 milhões. Mas, como a guidance só incluía em seu cálculo contratos assinados até 20 de novembro, o valor real para 2021 deverá ser maior e mais próximo à estimativa, afirma o Bradesco.

O banco destaca que, nas últimas semanas, o noticiário mencionou possíveis acordos de Vasta e Arco com Eleva e com as divisões de ensino primário e secundário da Pearson. Esses poderiam ser movimentos positivos para consolidar o mercado.

Além disso, o banco recentemente elevou de neutra (expectativa de ganhos dentro da média do mercado) para outperform (expectativa de valorização acima da média do mercado) a avaliação dos papéis da Ser, devido a resultados acima do esperado para o ensino a distância, e uma razão “ainda atrativa” entre valor da empresa e lucro Ebitda, de seis vezes.

O Bradesco também elevou a avaliação da Anima para neutra, devido a sua performance em 2020 e à aquisição da Laureate.

No caso de Afya e Cogna, o banco manteve avaliação neutra, por avaliar que os resultados e anúncios recentes estão em linha com as expectativas.

O banco diz que mantém sua preferência pelos papéis da Yduqs devido a sua perspectiva positiva de crescimento com a expansão do ensino a distância, maturação dos cursos de medicina e uma razão entre valor da empresa e lucro Ebitda de oito vezes. O Bradesco afirmou preço-alvo para os papéis da Yduqs em 2021 em R$ 52, frente os R$ 35,30 de fechamento na quinta (14).

E também preferência para os papéis da Arco, com preço-alvo em 2021 em US$ 55 para os papéis negociados na Nasdaq, frente os US$ 37,41 negociados na quinta.

A estatal mineira Cemig informou nesta quinta-feira que estuda abrir uma filial de sua unidade de comercialização de energia elétrica em São Paulo, de olho no potencial local para negócios no chamado mercado livre de eletricidade.

A manifestação vem após um inquérito aberto pelo Ministério Público estadual (MPMG) neste ano para investigar um suposto plano da companhia controlada pelo governo de Minas Gerais de transferir sua sede. De acordo com informações do site do MPMG, as apurações miram “possíveis irregularidades praticadas pela diretoria da Cemig, que estaria com a pretensão de mudar sua sede para o Estado de São Paulo”.

A Cemig disse, em nota, que “é completamente infundada a informação de que estaria estudando a mudança de sede”. “Porém a empresa esclarece que estuda a possibilidade de ampliar seus canais de comercialização de energia elétrica no mercado nacional, principalmente no mercado livre, por meio da abertura de uma filial da comercializadora no estado de São Paulo”, acrescentou.

A Cemig tem uma unidade de comercialização de energia que é uma das líderes no mercado livre, onde grandes clientes como indústrias e centros comerciais podem negociar diretamente seu suprimento de eletricidade e preços com empresas do setor.

A maior parte de seus clientes no segmento, informa a empresa, tem sede em São Paulo, que também concentra a maior parte das comercializadoras de energia, com muitas delas abrigadas na região da Faria Lima. “A criação de uma filial de comercialização em São Paulo é prática corrente de mercado, pois grande parte dos comercializadores de energia e agentes de geração já estão sediados no estado, bem como a própria Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE)”, afirmou.

Os contratos de compra e venda de energia no mercado livre são registrados junto à CCEE, que também é responsável pelo monitoramento das transações no setor e pela contabilização e liquidação financeira das operações.

A Cemig não entrou em detalhes sobre o estágio de seus estudos para uma possível filial da comercializadora e nem quando ela poderia ser aberta, caso haja decisão nesse sentido. O mercado livre de energia teve forte crescimento em 2020, com volume quase recorde em adesões de novas empresas ao nicho, atrás apenas de uma marca histórica atingida em 2016, segundo a CCEE.

Banco do Brasil (BBAS3)

Conforme destaca o jornal O Estado de S. Paulo, sob silêncio absoluto do Ministério da Economia, a posição do presidente do Banco do Brasil, André Brandão, segue indefinida no comando da instituição, após o presidente Jair Bolsonaro entrar em rota de colisão com o plano de reestruturação que prevê fechamento de agências e corte de funcionários.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, entrou em campo para reverter a decisão de Bolsonaro de demitir Brandão. Campos Neto, que tem alta estima com o presidente, o alertou de que uma demissão seria avaliada como interferência política em uma empresa pública que tem ações na Bolsa.

Os funcionários do banco receberam sinalização de que Brandão ficará no comando, mas políticos trabalham para que a demissão se concretize e o plano seja revisto. Para substituí-lo um dos nomes cotados é o do atual vice-presidente corporativo Mauro Ribeiro Neto, que tem apoio da família Bolsonaro.

Apesar da interferência de Campos Neto e do ministro da Economia, Paulo Guedes, a situação não está definida completamente por causa dos rumos daqui para frente do plano de reestruturação. Uma das saídas em discussão para o impasse é o adiamento do plano anunciado por Brandão, que continuou trabalhando ontem. O BB teve de enviar fato relevante ao mercado informando que não recebeu comunicação formal do controlador do banco sobre a demissão.

O governo de Minas Gerais disse que segue em negociações com a Vale sobre um eventual acordo global para reparação de danos pelo desastre de Brumadinho, após uma reunião entre as partes na última quinta.

“O formato de um eventual acordo entre o Poder Público de Minas Gerais e a mineradora Vale para reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem em Brumadinho, em 2019, continua em discussão. A expectativa é que as negociações avancem na próxima semana”, afirmou, em nota.

A Vale disse em comunicado que permanece empenhada em reparar integralmente os atingidos e as comunidades impactadas. A mineradora apontou que as negociações seguem avançando no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC), órgão de mediação do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

“Ainda não há definição de valores. As tratativas entre as partes continuam acontecendo com o Estado de Minas Gerais e instituições de Justiça”, acrescentou.

O secretário-geral da administração estadual, Mateus Simões, sinalizou na semana passada que o governo pretende obter um acordo com a empresa ainda em janeiro, antes que o incidente complete dois anos, no dia 25. Caso não haja acerto com a companhia nesse prazo, o Estado poderá deixar a mesa de negociações para aguardar uma decisão judicial sobre pedidos de indenização pelo desastre, segundo ele.

O grupo brasileiro de logística Simpar lançou nesta quinta-feira uma captação de US$ 625 milhões em bônus no exterior ligados a temas de sustentabilidade. A rentabilidade ao investidor foi fixada em 5,2%. O prazo é de 10 anos.

Os coordenadores da operação são BTG Pactual, JPMorgan, Morgan Stanley, Santander e UBS.

A Marfrig precificou emissão de 10 anos no valor de US$ 1,5 bilhão em bônus, em operação que faz parte de estratégia da companhia para alongar e reduzir custo da dívida.

A emissão foi precificada com rentabilidade ao investidor de 3,95%, ante estimativa inicial ao redor de 4%. Segundo a Marfrig, a taxa é a menor da história da companhia.

A operação é coordenada por BNP Paribas, Bradesco, HSBC, JPMorgan, Santander, além de BTG Pactual, Itaú, Rabobank, Safra e UBS. “A emissão faz parte do processo de ‘liability management’…e será utilizada no processo de recompra das notas seniors com remuneração de 7% ao ano e vencimento em 2024 e das notas com remuneração de 6,875% ao ano e vencimento em 2025”, afirmou a companhia em comunicado ao mercado.

A Copel assinou contrato de venda com o fundo de investimentos Bordeaux, vencedor do leilão realizado em novembro do ano passado, como parte do processo de alienação de 100% das ações de sua unidade Copel Telecom. O fundo Bordeaux apresentou o maior lance, cerca de R$ 2,395 bilhões.

Segundo o documento divulgado, a transação ainda depende das aprovações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

A Unipar Carbocloro informou que, atendendo a acionistas, foram convertidas 3.300 ações preferenciais classe A em igual número de ações preferenciais classe B.

Amil

O Bradesco BBI comentou a notícia de que o grupo americano UnitedHealth desistiu do plano de vender o portfólio da Amil por US$ 350 milhões para a Health Invest, uma companhia especializada em reestruturação de ativos. A decisão foi motivada pelo temor de judicialização do negócio.

O negócio envolvia um portfólio com 370 mil clientes em São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, além da venda de quatro hospitais em São Paulo e Curitiba. A sinistralidade -proporção do valor pago pelos usuários frente os gastos pelo plano de saúde na oferta de serviços- da Amil em São Paulo é de 99%, no Paraná de 92% e no Rio de 79%.

Na avaliação do banco, com o encerramento do plano de venda, a Amil precisará trabalhar para melhorar esse patamar, por meio de serviços como atenção primária e monitoramento da saúde dos usuários. Outra possibilidade é começar a vender planos individuais. O banco diz que já avaliava a venda do portfólio como uma possibilidade remota.

Quer fazer da Bolsa sua nova fonte de renda em 2021? Série gratuita do InfoMoney mostra o passo a passo para se tornar um Full Trader – clique para assistir!

Ações da Melnick (MELK3) fecham em queda de 1,76% em pregão de estreia na B3

Melnick (Foto: Divulgação)

SÃO PAULO – As ações da Melnick Even (MELK3) fecharam em queda no pregão de estreia na B3. Os ativos MELK3 fecharam em queda de 1,76%, a R$ 8,35, enquanto o Ibovespa fechou em baixa de 2,41%, a 94.666 pontos. No intraday, contudo, o papel tentou registrar alta, de até 1,06%, a R$ 8,59, mas que não se sustentou em meio ao dia negativo do mercado. O volume financeiro negociado foi de R$ 50,99 milhões.

O IPO (Oferta Pública Inicial de ações) ocorreu na última semana, com as ações saindo a um preço de R$ 8,50, no piso da faixa indicativa, que ia até R$ 12,50. A captação da companhia totalizou R$ 713,58 milhões.

A Melnick Even, subsidiária da construtora Even (EVEN3), é uma das maiores empresas imobiliárias de Porto Alegre (RS), com 50 anos de atuação, com foco na realização de projetos residenciais de médio e alto padrão, além de salas comerciais.

PUBLICIDADE

A companhia já fez cerca de 30 empreendimentos e 1,5 mil apartamentos. Ela ainda possui uma outra empresa que administra as vendas das imobiliárias parceiras e de uma construtora de obras comerciais e industriais na região.

Em seu prospecto, a Melnick disse que os recursos obtidos em sua oferta de ações serão usados na aquisição de terrenos, reforço de caixa da companhia e reforço de caixa das sociedades de propósito específico (SPE).

Do Zero ao Gain: intensivo gratuito de 4 dias com André Moraes ensina como extrair seu primeiro lucro na Bolsa. Clique aqui para se inscrever

BR Distribuidora pagará R$ 547 mi em dividendos adicionais, BBI eleva recomendação de Natura, estreia da Melnick e mais

No noticiário corporativo, os investidores acompanham a precificação das ofertas de ações da Boa Vista e da Compass, além da estreia das ações da Melnick Even (MELK3). Além disso, a Invepar (IVPR3) teve seus ratings rebaixados pela S&P Global Ratings, enquanto a BR Distribuidora (BRDT3)decidiu pagar dividendos em 30 de setembro. Já a CCR (CCRO3) viu aumento de 2,8% no tráfego total de suas rodovias entre 18 e 24 de setembro deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.

A Engie Brasil (EGIE3) informou que a subsidiária Usina Termelétrica Pampa Sul pediu registro de oferta pública de distribuição de 582 mil debêntures simples, que somarão R$ 582 milhões. Além disso, o leilão de privatização da elétrica CEB Distribuição (CEB-D), responsável pelo fornecimento no Distrito Federal, deverá ter preço mínimo de R$ 1,42 bilhão pela totalidade das ações da companhia.

Confira os destaques:

BR Distribuidora (BRDT3)

PUBLICIDADE

A BR Distribuidora vai pagar em 30 de setembro dividendos adicionais de R$ 547 milhões, ou R$ 0,469699034 por ação, referentes ao exercício de 2019. Segundo a empresa, está ocorrendo uma gradual retomada nos volumes e uma menor restrição à circulação de pessoas, resultando em reaquecimento nas atividades industriais, comerciais, de serviços e do uso de modais de transportes. Por isso, considerando sua geração de caixa e endividamento, a empresa avaliou que é “oportuno” fazer o pagamento em 30 de setembro.

O Bradesco BBI elevou a recomendação da Natura para outperform (acima da média de mercado), por esperar o início de um ciclo de resultados fortes, impulsionado por sinergias, recuperação na Avon e bom desempenho de outras marcas. Em relatório, o banco informou que o preço-alvo do papel para 2021 é de R$ 60, ante um preço-alvo de R$ 38 em 2020. Para o período de 2019 a 2024, o BBI prevê uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 13% do Ebitda e de 32% no lucro por ação (EPS).

As ações operam hoje a um múltiplo de 16,2 vezes EV(Valor da empresa)/Ebitda, enquanto o yield de fluxo de caixa descontado (DCF) aponta múltiplo de 21 vezes. “Isso colocaria a Natura em um nível similar das maiores similares globais, como L’Oreal, Estee Lauder e Shiseido”, informou o banco. Em sua visão, a Natura deveria operar em linha com estas empresas.

Melnick Even (MELK3)

As ações da Melnick Even (MELK3) estreiam na B3. O IPO (Oferta Pública Inicial de ações) ocorreu na última semana, com as ações saindo a um preço de R$ 8,50, no piso da faixa indicativa, que ia até R$ 12,50. A captação da companhia totalizou R$ 713,58 milhões.

A Melnick Even, subsidiária da construtora Even (EVEN3), é uma das maiores empresas imobiliárias de Porto Alegre (RS), com 50 anos de atuação, com foco na realização de projetos residenciais de médio e alto padrão, além de salas comerciais.

A companhia já fez cerca de 30 empreendimentos e 1,5 mil apartamentos. Ela ainda possui uma outra empresa que administra as vendas das imobiliárias parceiras e de uma construtora de obras comerciais e industriais na região.

PUBLICIDADE

Em seu prospecto, a Melnick disse que os recursos obtidos em sua oferta de ações serão usados na aquisição de terrenos, reforço de caixa da companhia e reforço de caixa das sociedades de propósito específico (SPE).

A CCR teve aumento de 2,8% no tráfego total de suas rodovias entre 18 e 24 de setembro deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Já no acumulado do ano, o tráfego caiu 4,9%.

Engie (EGIE3)

A Engie Brasil informou que sua subsidiária Usina Termelétrica Pampa Sul pediu registro de oferta pública de distribuição de 582.000 debêntures simples, em duas séries, no montante de R$ 582 milhões. A operação será objeto de distribuição pública, nos termos da Instrução CVM 400. A operação chama atenção em um ano marcado por emissões de debêntures feitas com esforços restritos (CVM 476), ou seja, apenas para investidores qualificados.

A Hypera vendeu o produto Xantinon para a União Química Farmacêutica Nacional por R$ 95 milhões. Em setembro, o jornal Valor noticiou que a empresa havia contratado o BR Partners para vender a marca, e que esperava conseguir entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões na venda.

O grupo petroleiro francês Total anunciou hoje que transferiu para a Petrobras sua participação em um projeto de exploração no Brasil, localizado na foz do Amazonas, segundo a AFP. No início de setembro, a empresa anunciou o encerramento de seu papel como operadora nos cinco setores de exploração do local, um projeto ao qual estava associada desde 2013 com a britânica BP e a Petrobras.

E-commerce

Pode repercutir nas ações de varejistas a notícia de que as vendas online começaram a registrar queda no Brasil. O Estadão informou que, em agosto ante julho, as vendas por comércio eletrônico caíram 9,15%, segundo dados do índice MCC-ENET, desenvolvido pelo Comitê de Métricas da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net) em parceria com o Movimento Compre & Confie. Na relação anual o crescimento ainda segue expressivo: alta de 76,46%.

Ainda sobre o mercado de e-commerce, chama atenção a notícia de que a Amazon está apostando no Brasil para lançar sua principal data de descontos, o chamado Prime Day, na América do Sul. Já comum no comércio americano, o evento só acontecia no México entre os países da América Latina até agora, segundo a Folha. O programa está marcado para os dias 13 e 14 de outubro, e oferece descontos em mais de 15 mil produtos. No último dia 3, a gigante anunciou um novo centro de distribuição em Cajamar (SP), quinto da empresa no Brasil.

Aeroportos

PUBLICIDADE

O governo quer licitar cinco blocos de aeroportos regionais na Amazônia Legal. Segundo o Estadão, o projeto será qualificado na próxima reunião do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e vai contar com desembolso de até R$ 400 milhões da União, num contrato de dez anos. O pontapé inicial será no Amazonas, onde o governo esperar transferir para uma empresa a operação de oito aeroportos regionais em 2022.

Companhia Energética de Brasília

O governo do Distrito Federal anunciou neste sábado (26) a privatização da Companhia Energética de Brasília (CEB). O preço mínimo de venda é de R$ 1,424 bilhão, segundo a Folha. Esse valor foi calculado a partir de duas avaliações realizadas por consultorias independentes contratadas pelo BNDES. Após deliberação da assembleia geral, as ações serão ofertadas em leilão organizado pela B3. Em 2019, o grupo CEB obteve lucro líquido de R$ 119 milhões, alta de 32% em relação ao ano anterior.

Saneamento

A concessão de saneamento da região metropolitana de Maceió recebeu, na última sexta-feira, sete propostas de grupos interessados em assumir a operação, de acordo com o Valor Econômico A concorrência será realizada na quarta-feira (30), na sede da B3, em São Paulo. O valor mínimo foi definido em R$ 15,1 milhões. O grupo irá assumir um contrato de 35 anos para operar a distribuição de água e a coleta de esgoto em 13 cidades da região metropolitana de Maceió.

Entre os participantes, a grande novidade será um consórcio formado por Sabesp e Iguá Saneamento, empresa da gestora IG4. Também participarão da disputa Aegea Saneamento, BRK Ambiental e grupo Águas do Brasil. A Equatorial entrou em consórcio com a empresa Sonel, segundo fontes do jornal.

Setor de Shoppings

No setor de shoppings, o quadro atual é desafiador. Segundo O Globo, o faturamento ainda está 27,4% abaixo do registrado antes da pandemia. Além disso, entre abril e agosto, 11 mil lojas fecharam as portas no setor, o que representa 10,4% do total, o dobro do percentual anterior à Covid-19, segundo dados da Abrasce, que representa os shoppings. Com a entrada de novos negócios, porém, a taxa está agora em 8%.

A Invepar informou que a agência de classificação de riscos S&P Global Ratings revisou os ratings da empresa, passando de ‘CCC’ para ‘CCC-’ na Escala Global e de ‘brB-’ para ‘brCCC-’ na Escala Nacional Brasil. Também foram rebaixados os ratings da 3ª e 5ª emissões de debêntures da Invepar, passando de ‘brB-’ para ‘brC’ e de ‘brCCC+’ para ‘brC’, respectivamente. Os ratings da Companhia permanecem com Outlook negativo.

Segundo a empresa, como consequência do rebaixamento, foram iniciados procedimentos para minimizar os impactos aos debenturistas, de forma a não ser declarado o vencimento antecipado das Debêntures.

Do Zero ao Gain: intensivo gratuito de 4 dias com André Moraes ensina como extrair seu primeiro lucro na Bolsa. Clique aqui para se inscrever

PUBLICIDADE