A mentalidade anticapitalista: por que algumas pessoas odeiam o capitalismo?

(Crédito: Shutterstock)

Juliana Pais Monteiro*

RESENHA DO LIVRO: MISES, Ludwig von. A Mentalidade Anticapitalista.

Apesar do livro A mentalidade Anticapitalista ter sido escrito por Mises no século XX continua sendo uma obra muito contemporânea. Nesse livro o autor, líder da Escola Austríaca, aborda de maneira curta e objetiva os motivos do sistema capitalista ser tão criticado por alguns grupos.  Os exemplos usados pelo autor liberal que fazem referência a época em que foi redigido, podem ser facilmente aplicados no contexto atual.

O autor introduz o livro com a seguinte frase “O sistema de lucro torna prósperos aqueles que foram bem-sucedidos em atender as necessidades das pessoas, da maneira melhor e mais barata possível. A riqueza somente pode ser conseguida pelo atendimento ao consumidor”. Essa é uma descrição de como funciona o capitalismo, um sistema complexo e meritocrático que garante a igualdade de todos os indivíduos perante a lei e é pautado pela descentralização da tomada de decisões a partir da propriedade privada.

Mas qual o motivo desse sistema, ser tão odiado e demonizado por muitos grupos? Mises elenca cinco grupos sociais e suas respectivas razões por odiarem o capitalismo:

  • Aqueles que tem suas ambições frustradas, que não atingiram seus desejos e invejam aqueles que possuem cadeiras importantes dentro de organizações ou empresários bem sucedidos. Essa parcela de ressentidos culpa o sistema capitalista pelo seu insucesso já que precisam justificar seu fracasso.
  • Os intelectuais, na maior parte defensores do socialismo, que por terem uma formação diferenciada, recebido prêmios e publicado artigos e etc acreditam ter intelecto superior à média e não suportam o fato de pessoas intelectualmente desfavorecidas, como por exemplo jogadores de futebol, terem mais reconhecimento público e financeiro. Ayn Rand chama esse fenômeno de a Era da Inveja, onde o indivíduo é atacado por suas virtudes e não por suas falhas. Por trás da máscara desses intelectuais se esconde um mini ditador que acredita que seus ideais e suas crenças são a verdade e que todos deveriam seguir sua cartilha. E detestam o capitalismo porque não compreendem o sistema e não geram ou geram pouco valor a população, além de possuírem pouco conhecimento sobre economia. Mas quando galgam posições políticas a máscara do intelectual cai e aflora o seu lado nada “socialista” e democrático.
  • O grupo dos trabalhadores de “colarinho branco” que também fazem parte dos grupos sociais anticapitalistas, que atuam em funções administrativas e creem serem insubstituíveis e essenciais ao funcionamento das corporações, mas são os primeiros a serem desligados em detrimento daqueles com funções mecânicas e essenciais a produção.
  • Segundo Mises, o quarto grupo anticapitalista são os “primos”, de fato, os primos, filhos ou irmãos dos empresários de sucesso de famílias ricas. Também conhecidos por serem herdeiros que não foram preparados para o trabalho ou ficaram de fora do planejamento sucessório, acabam inclinando-se a movimentos pró-Estado, entrando em conflito financeiro e ideológico com o “primo” que carrega a empresa nas costas em prol de um “bem social”. A roteirista Petra Costa, que produziu o documentário Democracia emVertingem é a perfeita “prima”, ou melhor, neta, de Gabriel Andrade da construtora Andrade e Gutierrez, que recebe uma bela mesada provinda da iniciativa privada bem sucedida do avô e mesmo assim sustenta a bandeira socialista. Hipocrisia?
  • O quinto e último grupo anticapitalista são os artistas da Brodway/Hollywood, ou os artistas da Globo, como o Wagner Moura que se auto rotula esquerdista. A economia coletivista (marxista) já foi desacreditada por completo, enquanto a encomia individualista (capitalista) nunca foi. Além de dependerem da Lei Rouanet para se financiarem as custas do governo, muitos artistas se dizem de esquerda por “motivações ideológicas” vindas de lavagens cerebrais marxistas que enganam parecendo ser lindas na teoria e provadas que não funcionam na prática, além da maioria ser leiga em economia. Até mesmo porque o comunismo é uma má ideia na prática, não existe dicotomia entre prática e teoria, se na prática a teoria não funciona, ela é ruim. Ignoram os rombos e roubos em mandatos de esquerda no Brasil embasados no discurso hipócrita da defesa das “conquistas sociais” quando na realidade os mais prejudicados pela roubalheira da era PT são os mais pobres, com a inflação, queda de renda e desemprego.

Os anticapitalistas são a favor de um estado grande, que banque subsídios, que controle a imprensa, escolas, gerencie empresas, controle preços de mercadorias, moeda etc. Querem serviços “de graça” bancados pela arrecadação de impostos. Não entendem que na economia de mercado não existe a relação causal de uma pessoa enriquecer as custas de outra empobrecer. Pelo contrário, o capitalismo permite a mobilidade social, eliminou o sistema de castas, na qual as pessoas já nasciam com seu destino definido sem possibilidade de mudança, e ainda permite a ascensão do indivíduo que se torna soberano nas suas escolhas de consumo.

A desigualdade social é vista como um problema para esses grupos, quando a pobreza deveria ser vista como o problema a ser resolvido. Graças ao capitalismo temos exemplos como Jeff Bezos que criou um modelo de negócio, a Amazon, no qual consegue atender as necessidades das pessoas de maneira melhor e mais barata que outros modelos de negócio. É uma relação win-win, o cliente compra produtos mais baratos e com um serviço melhor, e o proprietário da empresa, no caso Jeff Bezos, se torna próspero e bem sucedido por servir melhor as necessidades de seus clientes.

Em suma, indico a todos, e principalmente aos grupos anticapitalistas, que leiam “A mentalidade anticapitalista” para terem mais conteúdo e argumentos para debater sobre o tema, e não alimentar o discurso do ódio sem embasamento ou porquê foram influenciados por alguma celebridade ou Fake News.

*Juliana Pais Monteiro é Associada do IFL – SP, atua há 6 Anos na Rede Monteiro, Rede de Postos de Combustível como Gerente de Operação e Marketing. É Pós Graduada em Finanças pelo Insper e Bacharel de Administração de Empresas pelo Insper.

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Como os gestores de fundos identificam as ações mais promissoras da bolsa

Mão segura um celular e consulta um gráfico em frente a um painel de movimentação de ações em Bolsa - mercado fracionário (scyther5/Getty Images)

SÃO PAULO – Por que comprar uma ação em vez de outra? Como escolher uma boa empresa para investir em seus papéis? Você sabe como os gestores de grandes fundos de ações decidem onde vão alocar o dinheiro de seus cotistas?

Os fundos de ações são uma opção de investimento em conjunto, que reúnem recursos de vários investidores para que sejam aplicados ao mesmo tempo por gestores profissionais.

O objetivo desses fundos, quando adotam uma estratégia de gestão ativa, é construir uma carteira de ações que performe melhor do que o benchmark do mercado.

Mas qual é a técnica que os gestores desses fundos usam para conseguir encontrar essas oportunidades?

Conhecido como Stock Picking, o processo de seleção das ações que irão compor uma carteira de ativos passa por uma combinação de diversas estratégias de análise das empresas e do cenário econômico atual.

Thiago Salomão, analista de ações, fundador e apresentador do Stock Pickers, explica que, para conseguir identificar os melhores negócios da bolsa, esses gestores buscam conhecer de perto as empresas listadas para só depois identificar quais delas têm as maiores chances de crescer no futuro.

“Estamos falando em avaliar as empresas, e não só as suas ações. Isso vai levar em consideração as margens de lucro, as taxas de endividamento da empresa, ver em qual setor ela está inserida, como essa empresa está em relação aos seus concorrentes e vários outros aspectos”, explica.

Se você tem interesse em saber mais sobre o processo de Stock Picking e entender o caminho para se tornar um especialista em ações, inscreva-se na série gratuita “Stock Picking: A Habilidade Mais Valiosa do Mercado”.

Em 4 episódios gratuitos, você irá aprender o passo a passo para se tornar um investidor de nível profissional ou iniciar uma carreira no mercado financeiro.

Mas se engana quem pensa que o processo de análise é baseado apenas nos números dessas empresas.

“Esse é o lado mais quantitativo da história. Mas você não pode deixar de olhar também o lado qualitativo, ou seja, quem são as pessoas que estão por trás dessa empresa, quem são os conselheiros, diretores, a quanto tempo estão lá e qual é o interesse deles. Isso tudo é fundamental para encontrar bons negócios”, afirma Salomão.

Além dos gestores de fundos, muitos investidores conhecidos também já fizeram fortunas com o Stock Picking. Warren Buffet, por exemplo, começou com muito pouco e, hoje, é considerado o maior investidor de todos os tempos, além de estar na lista dos homens mais ricos do mundo há vários anos.

Como o próprio Buffet já declarou em várias entrevistas, o que realmente fez a diferença em sua vida foi sua capacidade de multiplicar o dinheiro que poupava ao escolher as melhores oportunidades de investimento, e mirar sempre o longo prazo.

“Dominar essa estratégia nada mais é do que entender que o mercado de ações não é um lugar para ganhar dinheiro apenas no curto prazo, mas um ambiente para se construir algo grande com o passar do tempo”, explica Salomão. “Quanto mais no longo prazo você olha, mais interessante fica”.

Ainda dá tempo de investir em ações?

Apenas em 2020, o mercado de ações já mostrou grandes oscilações. O Ibovespa, que no início do ano rondava sua máxima histórica, sofreu uma queda acumulada de mais de 35%, com as incertezas sobre os impactos do coronavírus causando circuit breakers em diversos pregões.

Contudo, o tempo passou, o ânimo dos investidores voltou a crescer e o índice Ibovespa também tornou a operar acima da marca de 100 mil pontos. Quem investiu quando o mercado estava em baixa, hoje, comemora. Quem ficou de fora se pergunta: ainda dá tempo de investir em ações?

“Gosto de dizer que têm momentos bons para se ter ações e têm momentos ainda melhores. Quando a bolsa cai muito, essas oportunidades ficam mais evidentes, mas o mercado de ações ainda continua oferecendo uma grande oportunidade, principalmente para quem olha para o longo prazo”, afirma Salomão.

Segundo o analista, a tendência é que a bolsa brasileira siga atraindo mais investimentos nos próximos anos, já que a taxa de juros do país deve continuar em níveis historicamente baixos.

“Só para imaginar, antes, a taxa de juros brasileira dificilmente ficou abaixo de 7% e, hoje, ela está na faixa de 2%, podendo ficar assim por muito tempo. Isso naturalmente fará com que o investidor busque por mais ativos de risco e que o empreendedor se arrisque mais a empreender também. Isso pode por si só já deve estimular bastante o mercado de capitais”, explica Salomão.

“Temos um horizonte muito promissor para investimentos em ações, principalmente para quem busca usar o Stock Picking para escolher onde investir.”

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Mercado de capitais tem queda na captação no 1º semestre, mas emissões em renda variável sobem 52,5%

(Rmcarvalho/Getty Images)

SÃO PAULO – Em um semestre atípico em função da pandemia do coronavírus, o mercado de capitais teve uma queda de 13,6% na captação na primeira metade de 2020, a R$ 150,1 bilhões, na comparação com os R$ 173,8 bilhões registrados em igual período de 2019. Os dados foram apresentados pela Anbima nesta terça-feira (7).

No mercado de ações, contudo, as emissões no ano representaram 24,6% do total, o correspondente a um volume de R$ 36,9 bilhões, alta de 52,5% contra R$ 24,2 bilhões do mesmo período de 2019.

As ofertas subsequentes de ações foram as de maior volume no segmento de renda variável, com montante de R$ 32,6 bilhões, mesmo sem que tenha ocorrido nenhuma operação dessa natureza entre março e maio deste ano, destaca a Anbima.

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Já com relação às ofertas primárias (IPO), o volume foi de R$ 4,3 bilhões, 5,57 vezes o registrado no primeiro semestre do ano passado, que foi de R$ 772 milhões.

“A expectativa de crescimento das emissões de renda variável, em um contexto no qual as taxas de juros estão em sucessivos patamares mínimos históricos, estará correlacionada com a perspectiva de crescimento da economia e com a demanda dos investidores em alocar recursos no segmento. Em junho, foram registradas somente operações de ofertas subsequentes (follow-ons), no valor de R$ 5,4 bilhões”, destaca o relatório da Anbima.

A participação de investidores estrangeiros ficou em 27,9% nas ofertas de ações realizadas no primeiro semestre, uma baixa de 13,1 pontos percentuais. Enquanto isso, houve um crescimento expressivo de pessoas físicas em ofertas públicas, que passou de 2% para 8,9%.

Já as emissões de debêntures no semestre registraram volume de R$ 48,6 bilhões, uma queda de 50% em relação ao que foi captado no mesmo período de 2019.

Contudo, as debêntures incentivadas se mostraram mais resilientes no semestre, com recuo de 5%, atingindo R$ 9,9 bilhões.

Já a renda fixa e os híbridos tiveram baixa de 24%, atingindo R$ 113,2 bilhões.

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Os fundos de investimentos, que no primeiro semestre do ano passado eram detentores de 59,3% do volume ofertado, tiveram sua participação reduzida para 9%. “Vale mencionar que esse perfil já era observado no início deste ano, antes da pandemia, e estava relacionado aos impactos das reduções adicionais dos juros no mercado de renda fixa”, destaca a Anbima.

Ainda em destaque, houve a emissão de R$ 45,6 bilhões em produtos de securitização e fundos imobiliários, 32,2% superior ao volume de emissões do primeiro semestre de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019.

As emissões de CRA e CRI tiveram alta no período de 16,3% e 30,2%, respectivamente. Os FIDC somaram R$ 14,8 bilhões, desempenho 19,4% superior ao registrado em igual período de 2019. Enquanto isso, os fundos imobiliários somaram R$ 18,2 bilhões, alta de 51,7%.

As operações estruturadas de fundos de investimentos imobiliários se mostraram resilientes à conjuntura econômica adversa e registraram captação no período de R$ 18, 2 bilhões, 51,8% acima do ocorrido no primeiro semestre do ano passado (R$ 12 bilhões). Segundo a Anbima, isso indica o potencial de crescimento que o segmento apresenta, diante da possibilidade de uma recuperação econômica no médio e longo prazo.

No mercado externo, ocorreram 13 operações no semestre, sendo somente uma de renda variável. O mercado de renda fixa apresentou volume de US$ 14,8 bilhões e o de renda variável registrou R$ 1,2 bilhão. Os destaques foram as emissões de bônus soberano e da Petrobras ocorridas em junho, que registraram volumes de US$ 3,5 bilhões e US$ 3,3 bilhões, respectivamente.

O passo a passo para trabalhar no mercado financeiro foi revelado: assista nesta série gratuita do InfoMoney.

Juro zero abre espaço para mercado de capitais superar bancário para empresas

A taxa de juro real próxima de zero no Brasil poderá trazer uma mudança inédita para as empresas brasileiras. Pela primeira vez na história se vislumbra a possibilidade de o mercado de capitais brasileiro emergir como melhor opção para a composição de caixa e investimento pelas companhias, deixando de lado o tradicional crédito bancário, que sempre foi a primeira ou única alternativa.

Com o apetite crescente de investidores por ativos de maior risco para manter rentabilidade em suas carteiras – a despeito da pandemia e da crise política no Brasil – a porta de captação se abriu para as empresas em um momento em que um grande número delas precisa de dinheiro para atravessar a crise que eclodiu junto à covid-19 e viram a torneira se fechar no crédito bancário, com restrições previstas por pelo menos 12 meses, na projeção de especialistas.

Com isso, a expectativa é que o mercado brasileiro se aproxime de condições notadas há décadas em outras economias, nunca possíveis por aqui pelo histórico de juros altos permitindo que títulos sem risco – tal qual os papéis do tesouro – ganhassem quase todo o espaço das carteiras de investimentos. Agora o jogo mudou: papéis de mais risco como ações, debêntures incentivadas e até entre ativos alternativos, como private equity, começam a fazer parte dos portfólios, com investidores ávidos por diversificação e o esperado aumento de retorno.

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Até aqui, o volume de novas operações ainda é tímido, já que são grandes ainda as dúvidas sobre qual será o novo normal da economia e o tamanho do estrago trazido pela covid-19. No entanto, elas começam a acelerar. Empresas já captaram quase R$ 8 bilhões na Bolsa em meio à pandemia. Apenas a Via Varejo fez uma oferta de R$ 4,4 bilhões. Isso deixa claro que, desde o ano passado, os investidores estão se habituando a novas opções de investimento e o atual nível de taxa de juro promete empurrar um contingente ainda maior de interessados na diversificação. Outras empresas, com dificuldade de acessar o crédito bancário, são aguardadas para realizarem operações no mercado.

O presidente da B3, Gilson Finkelsztain, disse em um podcast do Itaú BBA, que as taxas de juros cada vez mais baixas estão induzindo a diversificação de ativos nas carteiras. O executivo comentou que essa ida para o mercado de renda variável não significa que houve uma migração da renda fixa – classe que também vem batendo recorde de entrada de novos investidores – mas por conta exatamente da diversificação dos portfólios. “Investidores estão com uma cabeça diferente, buscando novas oportunidades, olhando longo prazo”, diz. O número de investidores pessoas físicas na base da B3 não para de crescer e atingiu em maio 2,5 milhões, novo recorde.

Índice de ADRs Brazil Titans cai 8,7% nos EUA e sinaliza volta de feriado tumultuada na B3

Ações em queda (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – O feriado de Corpus Christi, que manteve a B3 fechada nesta quinta-feira (11), foi de forte queda para os papéis de companhias brasileiras negociados nas bolsas norte-americanas.

Pesaram sobre o mal humor dos investidores o tom cauteloso do Federal Reserve sobre o desempenho da economia, as preocupações com uma possível segunda onda de Covid-19 nos EUA e o mergulho dos preços dos barris de petróleo.

Com isso, o índice de ADRs (sigla para American Depositary Receipts) Brazil Titans 20, que reúne os principais ativos brasileiros negociados em Wall Street, encerrou o dia em queda de 8,71%, a 14.384 pontos. O ETF EWZ iShares MSCI Brazil Capped, que replica o Ibovespa em dólar, recuou 7,84%, a US$ 29,29.

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O movimento foi mais acentuado do que o observado em outros índices do mercado acionário – o que não ofusca o mergulho de 1.800 do Dow Jones (-6,90%) em seu pior pregão desde março – e pode sinalizar uma reabertura tumultuada do mercado brasileiro na sexta-feira.

As maiores quedas na carteira teórica do Brazil Titans 20 foram registradas por papéis do setor aéreo. Os ADRs de Gol e Azul fecharam em respectivas quedas de 18,59% e 21,75%. Também sofreram forte desvalorização os ADRs da CSN (13,48%) e da Gerdau (-11,30%).

Os papéis com maior peso no índice Brazil Titans 20 caíam mais de 4%. Vale (-6,99%), Itaú Unibanco (-7,84%), Bradesco (-8,37%) e Petrobras (-7,52%) respondem por pouco mais de 40% da carteira teórica.

Do lado da estatal brasileira, além do dia de sell-off nos mercados globais, a derrocada dos preços do petróleo ajudou a pressionar os ADRs. Até o fechamento desta reportagem, os barris tipo WTI e brent da commodity registravam respectivas perdas de 9,90% e 9,25%, a US$ 35,68 e US$ 37,93.

O movimento ocorreu em meio aos crescentes estoques da commodity nos EUA, que foram de 5,7 milhões de barris na semana de 5 de junho para atuais 538,1 milhões de barris – um recorde, segundo dados da Energy Information Administration (EIA).

Confira abaixo o desempenho dos ADRs no feriado (tabela da Bloomberg):

ADRs em 11 de junho (fonte: Bloomberg)

Indicadores econômicos

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Os Estados Unidos registraram 1,542 milhão de novos pedidos de auxílio-desemprego na semana encerrada em 6 de junho, informou o Departamento de Trabaho do país nesta quinta-feira (11).

Os números representam um recuo em relação à marca da semana anterior (1,877 milhão) e vêm levemente abaixo das estimativas dos economistas (1,6 milhão de novos pedidos) consultados pelo Dow Jones.

A explosão nas requisições do benefício começou depois que o país passou a adotar medidas de isolamento social para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus.

São quase 113 mil mortes causadas pela Covid-19 nos EUA, número maior que o de qualquer outro país no mundo. O número de casos confirmados chegou a 2 milhões.

Noticiário político

O Supremo Tribunal Federal iniciou, na última quarta-feira (10), julgamento de uma ação de arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) que questionava a constitucionalidade do inquérito das fake news, aberto há um ano e sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Relator do pedido de arquivamento das investigações, o ministro Edson Fachin votou a favor da validade do inquérito e das decisões tomadas até o momento pelo relator, mas defendeu que sejam estabelecidos limites para as ações.

Em uma apresentação longa, o magistrado ponderou que o inquérito deve ser acompanhado pelo Ministério Público Federal, que os advogados das partes envolvidas tenham acesso aos autos, que seja delimitado o objeto das apurações e se observe a garantia das liberdades de expressão e de imprensa.

Fachin também aproveitou para dar recados a manifestações antidemocráticas que pedem o fechamento do STF e do Congresso Nacional e a volta do AI-5. “Não há liberdade de expressão que ampare a defesa desses atos. Quem quer que os pratique precisa saber que enfrentará a justiça constitucional de seu país, que esse STF não os tolerará”, afirmou.

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E ainda deu um recado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que chegou a pregar a insubordinação a decisões judiciais após a deflagração de operação pela Polícia Federal contra aliados seus, no âmbito do inquérito. “Não há ordem democrática sem respeito a decisões judiciais”, disse Fachin.

Após o voto do relator da ação, o julgamento foi suspenso e será retomado na próxima quarta-feira (17).

Também movimenta o noticiário político a recriação do Ministério das Comunicações pelo presidente Jair Bolsonaro. A pasta, cobiçada por partidos do centrão, foi entregue ao deputado federal Fábio Faria (PSD-RJ), genro de Sílvio Santos, que é dono da rede de televisão SBT.

Além de um gesto ao empresário, que tem mostrado proximidade com o atual governo, o movimento dá continuidade às investidas de Bolsonaro em direção ao centrão e em busca de construir uma base aliada no Congresso Nacional.

Radar corporativo

A BR Distribuidora encerrou o primeiro trimestre de 2020 com lucro líquido de R$ 234 milhões, o que corresponde a uma queda de 51% na comparação com o mesmo período do ano passado. No balanço, a companhia citou a desaceleração da economia e crescentes restrições à circulação de pessoas.

Já a Vale informou que fechou acordo na Justiça de Nova York para encerrar a ação coletiva dos detentores de ADRs no processo relacionado ao rompimento da barragem do Fundão da Samarco, ocorrido em 2015. Em fato relevante, a mineradora afirmou que pagará U$ 25 milhões.

A companhia também anunciou que, a partir de segunda-feira (15), o atual diretor de suprimentos da companhia, Paulo Souto, assume a diretoria de carvão no lugar de Juarez Saliba.

A Latam Airlines Brasil e a Delta Air Lines apresentaram, ontem (10), ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma versão preliminar do acordo de joint venture. O processo de aprovação regulatória representa o primeiro passo para o acordo. Uma vez garantidas as aprovações regulatórias, a parceria irá conectar as malhas aéreas complementares das empresas entre as Américas do Norte e do Sul.

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E a Via Varejo, controladora das redes Casas Bahia e Ponto Frio, informou que terá reaberto cerca de 600 lojas de suas 1.073 unidades em operação até esta quinta-feira.

(com Agência Estado)

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Índice de ADRs Brazil Titans 20 cai mais de 6%, com Fed, coronavírus e queda de preços do petróleo

bolsa ações mercados crash baixa down circuit breaker (Getty Images)

SÃO PAULO – O feriado de Corpus Christi começa com forte queda para os papéis de companhias brasileiras negociados nas bolsas dos Estados Unidos, em dia sem sessão na B3.

Às 10h41 (horário de Brasília) desta quinta-feira (11), o índice de ADRs (sigla para American Depositary Receipts) Brazil Titans 20, que reúne os principais ativos brasileiros negociados em Wall Street, operava em baixa de 6,11%, a 14.794 pontos.

Já o ETF EWZ iShares MSCI Brazil Capped, que replica o Ibovespa em dólar, recua 4,39%, a US$ 30,38.

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O movimento é mais acentuado do que o de outros índices do mercado acionário internacional. Pesam sobre o mau humor dos investidores o tom cauteloso do Federal Reserve com a economia norte-americana e preocupações com os riscos de uma possível segunda onda do novo coronavírus no país.

Os ADRs brasileiros também acompanham a forte queda dos preços do petróleo, em meio aos crescentes estoques da commodity nos EUA, que foram de 5,7 milhões de barris na semana de 5 de junho para atuais 538,1 milhões de barris – um recorde, segundo dados da Energy Information Administration (EIA).

Entre as maiores quedas estão os papéis de companhias do setor aéreo. Os ADRs de Gol e Azul apresentavam respectivos recuos de 12,39% e 15,84%. Movimento similar aos ativos da Embraer: -12,73%. Também caem forte os ADRs da CSN: 10,22%.

Os papéis com maior peso no índice Brazil Titans 20 caíam mais de 4%. Vale (-4,08%), Itaú Unibanco (-5,22%), Bradesco (-5,20%) e Petrobras (-5,60%) respondem por pouco mais de 40% da carteira teórica.

Indicadores econômicos

Os Estados Unidos registraram 1,542 milhão de novos pedidos de auxílio-desemprego na semana encerrada em 6 de junho, informou o Departamento de Trabaho do país nesta quinta-feira (11).

Os números representam um recuo em relação à marca da semana anterior (1,877 milhão) e vêm levemente abaixo das estimativas dos economistas (1,6 milhão de novos pedidos) consultados pelo Dow Jones.

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A explosão nas requisições do benefício começou depois que o país passou a adotar medidas de isolamento social para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus.

São quase 113 mil mortes causadas pela Covid-19 nos EUA, número maior que o de qualquer outro país no mundo. O número de casos confirmados chegou a 2 milhões.

Noticiário político

O Supremo Tribunal Federal iniciou, na última quarta-feira (10), julgamento de uma ação de arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) que questionava a constitucionalidade do inquérito das fake news, aberto há um ano e sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Relator do pedido de arquivamento das investigações, o ministro Edson Fachin votou a favor da validade do inquérito e das decisões tomadas até o momento pelo relator, mas defendeu que sejam estabelecidos limites para as ações.

Em uma apresentação longa, o magistrado ponderou que o inquérito deve ser acompanhado pelo Ministério Público Federal, que os advogados das partes envolvidas tenham acesso aos autos, que seja delimitado o objeto das apurações e se observe a garantia das liberdades de expressão e de imprensa.

Fachin também aproveitou para dar recados a manifestações antidemocráticas que pedem o fechamento do STF e do Congresso Nacional e a volta do AI-5. “Não há liberdade de expressão que ampare a defesa desses atos. Quem quer que os pratique precisa saber que enfrentará a justiça constitucional de seu país, que esse STF não os tolerará”, afirmou.

E ainda deu um recado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que chegou a pregar a insubordinação a decisões judiciais após a deflagração de operação pela Polícia Federal contra aliados seus, no âmbito do inquérito. “Não há ordem democrática sem respeito a decisões judiciais”, disse Fachin.

Após o voto do relator da ação, o julgamento foi suspenso e será retomado na próxima quarta-feira (17).

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Também movimenta o noticiário político a recriação do Ministério das Comunicações pelo presidente Jair Bolsonaro. A pasta, cobiçada por partidos do centrão, foi entregue ao deputado federal Fábio Faria (PSD-RJ), genro de Sílvio Santos, que é dono da rede de televisão SBT.

Além de um gesto ao empresário, que tem mostrado proximidade com o atual governo, o movimento dá continuidade às investidas de Bolsonaro em direção ao centrão e em busca de construir uma base aliada no Congresso Nacional.

Radar corporativo

A BR Distribuidora encerrou o primeiro trimestre de 2020 com lucro líquido de R$ 234 milhões, o que corresponde a uma queda de 51% na comparação com o mesmo período do ano passado. No balanço, a companhia citou a desaceleração da economia e crescentes restrições à circulação de pessoas.

Já a Vale informou que fechou acordo na Justiça de Nova York para encerrar a ação coletiva dos detentores de ADRs no processo relacionado ao rompimento da barragem do Fundão da Samarco, ocorrido em 2015. Em fato relevante, a mineradora afirmou que pagará U$ 25 milhões. A companhia também anunciou que, a partir de segunda-feira (15), o atual diretor de suprimentos da companhia, Paulo Souto, assume a diretoria de carvão no lugar de Juarez Saliba.

E a Via Varejo, controladora das redes Casas Bahia e Ponto Frio, informou que terá reaberto cerca de 600 lojas de suas 1.073 unidades em operação até esta quinta-feira.

O jornal Valor Econômico informa que fontes não citadas dizem que a Latache Capital (gestora de fundos que investem em ativos em dificuldades) deverá assumir 100% do controle da Rodovias Tietê, com uma esperada decisão do grupo AB Concessões de comunicar hoje que exercerá direito de vender sua participação de 50% na empresa em recuperação judicial.

Bolsas mundiais

O dia é de queda acentuada para os principais índices acionários do mercado internacional, com os investidores digerindo manifestações vindas do Federal Reserve no dia anterior. O tom cauteloso do presidente do Fed, Jerome Powell, trouxe cautela aos mercados.

O chairman da autoridade monetária americana afirmou ser possível que milhões de pessoas precisem de mais apoio econômico e revelou temores de uma possível segunda onda do coronavírus, que “afetaria indústrias que já devem ter uma recuperação lenta”.

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Powell disse ainda que o Fed está em estágio final para lançar programa de empréstimos à Main Street e que é possível haver uma parcela significativa de pessoas desempregadas mesmo quando a retomada econômica estiver em curso.

Com tal percepção sobre a economia, o chairman ressaltou que o Fed “não está nem pensando sobre aumento de juros”.

Os índices futuros norte-americanos registravam uma queda nas primeiras movimentações do dia, em meio às preocupações com riscos de uma segunda onda do novo coronavírus após serem constatados aumentos nos registros de casos em estados que adotam uma reabertura gradual.

Na Europa, o índice Stoxx 600 recuava mais de 2%, com um novo mergulho de empresas do setor aéreo e recuos de diversos setores econômicos. Movimento similar é observado na Ásia e no mercado de commodities.

Veja o desempenho dos mercados, às 11h02 (horário de Brasília):

Nova York
*S&P 500 (EUA), -2,54%
*Nasdaq (EUA), -1,94%
*Dow Jones (EUA), -3,08%

Europa
*Dax (Alemanha), -2,72%
*FTSE 100 (Reino Unido), -2,54%
*CAC 40 (França), -3,07%
*FTSE MIB (Itália), -3,95%

Ásia
*Nikkei 225 (Japão), -2,82% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), -2,27% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,78% (fechado)

*Petróleo WTI, -8,01%, a US$ 36,43 o barril
*Petróleo Brent, -6,52%, a US$ 39,01 o barril

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Rodrigo Maia diz que Bolsa está “supervalorizada” e alerta para longo caminho a percorrer com reformas

Rodrigo Maia (foto: Marcelo Camargo/Ag. Brasil)

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou na noite da quarta-feira, 5, que a Bolsa está “supervalorizada”, alertando que “temos de tomar um certo cuidado”, pois ainda “há um longo caminho” a ser percorrido com o andamento das reformas econômicas, como a tributária e a administrativa.

“Muitos (empresários) não querem mudar nada (no sistema tributário). Não é justo a gente ficar concentrando os nossos esforços, e a unanimidade dos empresários, nas reformas previdenciária e administrativa, porque elas atingem os servidores públicos e os brasileiros mais simples. Naquelas (tributária) que eles (os empresários) vão ajudar, se eles não querem ajudar, também não é justo”, advertiu. “Se a gente não resolver o sistema tributário, eles (os empresários) vão pagar a conta lá na frente.”

Em entrevista à GloboNews, o parlamentar disse que o Brasil “ainda está em crise” e “cresceu só 1% em 2019, e o último trimestre foi muito pior que a gente esperava”. Sem aprovar as próximas duas reformas da fila e sem encontrar soluções para mostrar a investidores preocupação do País com a preservação ambiental, ele comentou, o crescimento vai continuar em um nível baixo.

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Para Maia, falar que o País vai crescer “2%, 3% ou 4% é excesso de otimismo” e diminui a “urgência” de passarem pelo aval do Congresso as reformas consideradas fundamentais após a aprovação das mudanças nas regras da Previdência Social. Ainda assim, o deputado considera haver “espaço” no Congresso para avançar com a proposta do governo para a reforma da administração pública e a tributária ao mesmo tempo.

Maia foi questionado sobre a diferença das suas declarações sobre o governo federal no ano passado, quando chegou a se referir ao Palácio do Planalto como uma “usina de crises”, em relação ao início de 2020 – ele afirmou tratar de temas que considera relevantes diretamente com o presidente Jair Bolsonaro, com quem tem, nas suas palavras, “uma ótima relação”.

O presidente da Câmara abordou, por um lado, os efeitos de polêmicas gestadas pelo próprio Executivo sobre a economia, apontando que a projeção, no fim de 2018, era de que o PIB brasileiro cresceria 2,5% em 2019, mas “virou 1%” por causa das crises amplificadas dentro do próprio governo. Por outro, Maia apontou para a sua sintonia com a agenda do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Diante da insistência sobre uma eventual mudança de tom em relação a Bolsonaro, Maia ainda elogiou a postura do presidente na discussão em torno do peso de impostos sobre o custo do combustível nos postos de gasolina. Na sua visão, Bolsonaro adotou uma “posição corajosa” ao oferecer uma eventual perda de arrecadação com a isenção de impostos federais sobre o combustível como forma de baixar o preço cobrado na bomba.

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2020: o ano das pequenas empresas na Bolsa?

SÃO PAULO – Do lado do investidor, uma busca por maiores retornos em um cenário de juros baixos. Do lado das empresas, a necessidade de se capitalizar para crescer.

É por conta desse cenário que bancos, fundos e a Bolsa acreditam que empresas menores vão, enfim, conseguir acessar o mercado de capitais e ofertar suas ações.

“Temos sido procurados por muitas empresas pequenas que querem entender como podem acessar o mercado e hoje há uma conjuntura favorável para que essas ofertas aconteçam”, afirma Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes da B3, a Bolsa brasileira.

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Atualmente, o mercado brasileiro tem um volume médio de US$ 600 milhões em suas ofertas de ações — valor quatro vezes maior que a média global, de US$139,8 milhões.

“Comparando com os mercados internacionais, vemos que existe um espaço muito grande para o segmento de pequenas e médias empresas crescer”, afirma Paiva.

A B3 está estruturando um programa para oferecer treinamento e palestras para os executivos de companhias interessadas em abrir capital.

“É um programa que envolve treinamentos e encontros, inclusive com executivos de empresas que já estão listadas. Queremos promover a trocar de experiências em diversos âmbitos como jurídico, relação com investidores, diretoria financeira”, afirma Paiva. Segundo ele, o programa deve ser lançado até o fim do primeiro semestre de 2020.

Historicamente, um dos impeditivos ao acesso de pequenas e médias empresas ao mercado de capitais, segundo especialistas, era o desinteresse das instituições financeiras em preparar essas companhias para suas ofertas.

Mas esse cenário também parece estar mudando. O Banco ABC lançou recentemente uma plataforma para atrair o que chamou de “empresas emergentes” — companhias regionais com faturamento anual a partir de R$ 250 milhões — para realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

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“O Brasil hoje tem um número muito pequeno de empresas listadas, são cerca de 330, enquanto nos Estados Unidos há mais de 5.000. Já temos um relacionamento próximo com essas empresas e hoje é possível prepara-las para uma abertura de capital”, afirmou José José Eduardo Laloni, vice-presidente do Banco ABC e responsável por coordenar a iniciativa, durante o lançamento do projeto.

Segundo o executivo, a expectativa é que as primeiras ofertas aconteçam já em 2020.

“Há outros bancos médios se preparando para seguir o mesmo caminho do ABC. Além disso, bancos maiores e instituições como a XP Investimentos estão com uma equipe de mercado de capitais maior do que tinham em outros anos e, com isso, podem se dedicar tanto às grandes quanto às pequenas ofertas”, afirma Alvaro Gonçalves, sócio da gestora Stratus, que estuda levar algumas empresas de seu portfolio ao mercado acionário em 2020.

Um novo Bovespa Mais?

O aquecimento do mercado colocou novamente sob os holofotes o programa Bovespa Mais, criado há 15 anos para atrair empresas menores ao mercado.

Ao longo dos anos, a B3 – companhia criada em 2017 com a fusão entre a BM&F Bovespa e a Cetip – fez algumas alterações para melhorar os incentivos, mas nada funcionou. Hoje, as opiniões sobre o programa divergem.

“Nós sempre discutimos como melhorar o Bovespa Mais, mas nada surtia efeito porque não havia demanda por parte do investidor. Hoje essa demanda existe por conta da queda dos juros”, diz Jean Arakawa, sócio da área de Mercado de Capitais do escritório de advocacia Mattos Filho.

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“Eventualmente, podem ser discutidos alguns incentivos financeiros no programa, mas ele está bem estruturado”, acrescenta Arakawa.

“O programa acabou não pegando e é difícil imaginar que vai funcionar agora. É muito mais fácil para uma empresa, mesmo que menor, se preparar para acessar diretamente o Novo Mercado, que tem mais liquidez e atrai mais investidores, do que entrar no Bovespa Mais”, afirma Guilherme Sampaio Monteiro, sócio do Pinheiro Neto Advogados.

Juntos, Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e B3 têm discutido possíveis mudanças na legislação para atrair pequenas e médias empresas para a Bolsa por meio da “Iniciativa Mercado de Capitais”, que foi lançada em maio deste ano.

“Estamos realizando uma revisão nas nossas regras de oferta e  queremos contemplar alguns benefícios para empresas de porte intermediário”, afirma Antonio Berwanger, superintendente de desenvolvimento de mercado da CVM, sem detalhar quais seriam as medidas.

“O próprio resultado do Bovespa Mais nos levou a pensar mudanças no mercado de acesso. Não temos uma ‘bala de prata’, mas estamos discutindo medidas que podem incentivar as empresas. Essas medidas devem ser lançadas já no próximo ano”, afirma Paiva, da B3.

Com todas essas iniciativas sendo tomadas, a maioria dos especialistas acredita que 2020 será um ano em que alguns IPOs menores devem acontecer e, dependendo do apetite do investidor por eles, podem estimular mais ofertas para os próximos anos.

O risco é o início de uma recessão global no fim do próximo ano, como preveem alguns economistas. A crise atrapalharia o mercado acionário e, mais uma vez, enterraria o sonho de empresas menores na Bolsa.

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