O que a parceria de R$ 600 milhões significa para B3 e Totvs (e como ela pode ameaçar os planos da Sinqia)

SÃO PAULO – A B3 (B3SA3) anunciou na noite de segunda-feira (12) que investiu R$ 600 milhões em uma participação de 37,5% na TFS Soluções em Software, uma subsidiária da Totvs (TOTS3), que terá os 62,5% restantes.

A negociação foi vista como certeira por analistas do mercado financeiro, dado que pode destravar valor para ambas as companhias.

De um lado, a Bolsa brasileira mostra que está buscando oportunidades para gerar ganhos fora de seus negócios principais – isso em um contexto em que as ações da companhia foram recentemente impactadas por preocupações de uma nova Bolsa no país.

E do outro, a Totvs consegue um forte parceiro para crescer em um mercado altamente fragmentado e de grande potencial de crescimento, o de softwares para o mercado financeiro.

Em relatório divulgado nesta terça-feira (13), o Credit Suisse destaca que a transação é bastante atrativa, considerando a oportunidade de crescimento orgânico de mais de 10% para a TFS, novas avenidas de crescimento com a parceria com a B3 e as oportunidades para expansão inorgânica por ser um consolidador no mercado de softwares de fintechs.

“Com receita de R$ 140 milhões em 2020, caixa de R$ 650 milhões e um valor de mercado de R$ 1,6 bilhão, estimamos que a transação tenha um múltiplo de 6,8 vezes o valor de mercado sobre vendas (EV/Sales), bem razoável em nossa visão, considerando o múltiplo da Totvs de valor sobre vendas de 8,1 vezes, e da Sinqia, sua principal concorrente, de 7,9 vezes para 2020”, escrevem os analistas.

B3 diversificando canais de atuação

Mesmo o acordo não sendo “transformacional” para a B3, dado o tamanho relativo do negócio em relação à Bolsa, o Credit Suisse afirma que o movimento é estratégico e pode aproximar a companhia de seus maiores clientes. Isso porque o principal produto da TFS é software para custódia.

O movimento também deve apoiar a B3 no lançamento de novos produtos, segundo os analistas do banco, garantindo um melhor serviço e aprimoramento na experiência do cliente.

Por fim, abre espaço para novas avenidas de crescimento, em linha com a estratégia da companhia de expandir a presença em potenciais áreas adjacentes onde pode adicionar valor aos clientes dentro do seu ecossistema.

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“Tais aquisições e parcerias estratégicas como essas são importantes para acelerar o time-to-market da B3 e melhorar sua capacidade de evolução e adaptação a um mercado bastante dinâmico, que são duas áreas de preocupação dos investidores”, escrevem os analistas.

Na avaliação da casa de análise Levante, a notícia é positiva para ambas as empresas, mas os papéis da Bolsa brasileira devem ser os mais beneficiados dado que a parceria dá uma resposta ao mercado dos novos caminhos que a b3 pode tomar em meio às mudanças regulatórias no setor financeiro, com a chegada do Pix, incentivo à competição e Open Banking.

“Enxergamos essa parceria como uma forma de a companhia mostrar que não vai deixar de crescer e inovar, se expandindo para mercados adjacentes no setor financeiro”, escrevem os analistas, em relatório divulgado nesta teça (13).

Impulso às operações da TFS

Na avaliação do Itaú BBA, o acordo é positivo e pode acelerar as operações da TFS e fazer com que ela se consolide no mercado de softwares para o mercado financeiro.

A visão é de que a parceria com a B3 fornece um parceiro bem capitalizado à empresa, podendo gerar uma grande oportunidade de venda cruzada para a TFS com a base de clientes da empresa, ao mesmo tempo em que fornece à Bolsa brasileira diversificação de receita por meio do desenvolvimento e expansão de soluções.

“A TFS representará mais uma vertical de crescimento para a Totvs, considerando o grande potencial do segmento de software para instituições financeiras, que é bastante fragmentado e com alto potencial de crescimento. Estimamos um mercado endereçável de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões”, escrevem os analistas do Itaú BBA.

O Bradesco BBI também vê a transação criando valor para a TFS, dado que a empresa poderá se beneficiar de uma administração independente e renovada, levando a um foco maior em suas operações.

Ainda na avaliação do Credit Suisse, o acordo pode ser positivo para a TFS, dado que a empresa poderá usar os recursos para novas fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) nos próximos dois a três anos, agregando bastante no segmento.

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O banco encara como provável uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da TFS, como forma de liberar valor.

“As oportunidades de crescimento são muitas, já que a onda de novos players no setor (bancos digitais, techfins, fintechs, etc) tem sido significante e dado um aumento na demanda por soluções de softwares mais especializadas como as que o TFS possui”, escreve o time.

Por fim, os analistas da Levante destacam que a chegada de capital deve ajudar a Totvs a crescer em um segmento que está em plena expansão.

“Assim como a Sinqia fez após seu follow-on, enxergamos a captação de recursos da TFS como uma oportunidade para crescimento via aquisições, isso porque o mercado de serviços de back-office e middle-office para instituições financeiras tem como característica uma taxa de cancelamento muito baixa”, avaliam os analistas.

Sinqia ganha nova concorrência

Na leitura dos analistas do Credit Suisse, a parceria da B3 com a Totvs é negativa para a provedora de tecnologia financeira Sinqia (SQIA3), uma vez que cria um competidor mais forte no mercado, que deve disputar espaço nas carteiras de grandes instituições.

Para o banco, mesmo com um portfólio atual mais limitado em relação à Sinqia, a TFS pode virar um competidor mais forte após uma sequência de fusões e aquisições.

“A Sinqia tem atuado como o único consolidador no mercado de software para o setor financeiro, porém, daqui para frente, a Totvs deve disputar alguns M&As com a Sinqia”, avaliam os analistas.

A Sinqia tem uma fatia de 6% do mercado de 6% no segmento de software para serviços financeiros. Com isso, a parceria pode gerar uma ameaça na sua consolidação de mercado sem uma grande concorrência.

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Às 14h20 (horário de Brasília), os ativos SQIA3 tinham queda de 2,25%, a R$ 25,23, após chegarem a ter perdas de 4,61% no intraday. No mesmo horário, as ações TOTS3 avançam 0,21%, a R$ 37,82, enquanto os papéis B3SA3 tinham ganhos mais expressivos, de 1,20%, a R$ 16,91.

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Qual será a próxima bolha financeira?

*por Isac Costa

Diante do excesso de liquidez nos mercados, temos testemunhado uma sequência interessante de episódios de fortes valorizações de ações e de instrumentos alternativos (Bitcoin e outros criptoativos) e o surgimento das Special Purpose Acquisition Companies (SPACs), companhias “cheque em branco” que captam para depois investir. 

Ainda, inúmeras empresas inovadoras têm recebido aportes substanciais, tendo o seu valor de mercado como o principal referencial de potencial “exponencial” de crescimento – fintechs, edtechs, proptechs, healthtechs. Hoje, algumas delas são unicórnios e valem mais do que companhias tradicionais.

Somando a esse quadro as medidas de flexibilização para obtenção de crédito, tais como as que podem ser previstas na iminente medida provisória em estudo pelo Poder Executivo – como a criação de uma Central de Gestão de Garantias, a atualização do valor de imóvel para a obtenção de um novo financiamento e o uso de recursos de fundos de previdência complementar para a prestação de garantias –, vale mencionar, ainda, os esforços do Banco Central para desenvolver o mercado de duplicatas escriturais e os recebíveis de arranjos de pagamento.

A recuperação econômica pós-pandemia certamente dependerá de acesso facilitado a crédito por pessoas físicas e empresas e do fortalecimento do mercado de capitais. A regulação opera em ciclos, ora mais rigorosa, às vezes mais flexível, procurando auxiliar o desenvolvimento econômico (ou, ao menos, não o atrapalhar). 

Infelizmente, a insuficiente educação financeira, o foco em retornos de curto prazo, o excesso de otimismo e o efeito contraste (peso de eventos recentes na nossa percepção) nos fazem correr riscos que não correspondem a elevados retornos esperados.

O mercado financeiro não é um lugar propício para pessimistas. Só há retorno com riscos e os navios foram feitos para enfrentar os mares e não para permanecerem seguros no porto. Navegar é preciso, viver não é preciso. E mar calmo não faz bom marinheiro. 

Quem fala sobre bolhas e catástrofes não é bem recebido, notadamente em momentos de euforia, com o aumento do número de pessoas físicas operando na Bolsa e recordes de ofertas públicas. Parece que a pessoa está de fora e, ressentida, quer agourar quem está na festa. Ainda, um relógio quebrado sempre tem a hora certa duas vezes no dia, então cedo ou tarde virá uma correção mais forte e o arauto do apocalipse poderá clamar para si o dom profético e dizer a frase que nunca ajudou absolutamente ninguém: “Eu avisei”.

Se o unicórnio representa a pureza, é preciso lembrar que foi o pecado que resultou na maldição da mula sem cabeça. E um grande pecado no mercado financeiro é a perda do controle das emoções. Pensar sobre bolhas nos ajuda a observar o comportamento dos investidores e o nosso próprio comportamento em face do mercado. Precisamos fugir do viés de confirmação, quando buscando apenas dados que corroborem nossas expectativas, ignorando sinais de alerta. É preciso ceticismo metódico e seletividade para questionar pontos cegos em pitches de vendas, projeções excessivamente otimistas e, sobretudo, se o impacto ou a probabilidade da materialização de certos riscos não estão sendo subestimados.

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Investir não é – ou não deveria ser – sinônimo de comprar um bilhete de loteria. O modo como lidamos com o nosso dinheiro diz muito sobre nós, afetando nossos sentimentos, revelando quem somos, qual o nosso nível de autoestima, nossas inseguranças e como nos comportamos em grupo. 

O surgimento das bolhas não é silencioso. Pelo contrário, os sinais de alerta sempre são bastante eloquentes, porém, só se revelam assim, misteriosamente, em análise retrospectiva. Não vemos a tentação como tal e somos convidados por aqueles que não necessariamente se importam com os nossos interesses, que tomamos como amigos bem-intencionados ou, talvez, gurus. Há vários livros sobre manias, pânicos e crises cujas leituras nos fazem questionar por que razão o desastre não foi evitado. 

Não quero ser profeta, geralmente os bons viviam na miséria ou em constante desencanto com o mundo, e os falsos, embora gozassem de regalias e prestígio, cedo ou tarde eram desmascarados. 

Seja qual for a próxima bolha, é bom lembrar que o mercado e a sua vida financeira, assim como seu trabalho, são o jogo infinito, noção destacada por Simon Sinek, em livro com este mesmo nome, fazendo contraposição ao jogo finito, que tem objetivo definido e tempo predeterminado. Em um jogo infinito, a meta é permanecer no jogo o máximo de tempo possível, não ser expulso, as regras mudam e os oponentes são desconhecidos.

Uma perda relevante pode destruir anos de trabalho, poupança e boas decisões de investimento. “A bolha pontocom ficou para trás, junto com 2008. Dessa vez é diferente”. O problema não está nas SPACs, nas fintechs, nos unicórnios, nos criptoativos, na bolsa ou em produtos de crédito que poderão ser criados no futuro. As bolhas surgem por nossa própria culpa. O longo verão pode nos fazer esquecer do inverno, que, inevitavelmente, chegará. Estamos preparados?

*Isac Costa é consultor em regulação financeira e professor de Direito Empresarial do Ibmec SP

Mercado financeiro continua preocupado com desdobramentos da pandemia, diz BC

(Pixabay)

O Banco Central informou nesta terça-feira, 27, por meio do Relatório de Estabilidade Financeira (REF), que o mercado financeiro continua preocupado com os desdobramentos da pandemia do novo coronavírus.

“As IFs (instituições financeiras) pesquisadas mantêm atenção elevada com a inadimplência e com a redução da atividade econômica”, registrou o BC. “As IFs acreditam que atrasos na vacinação e o surgimento de novas cepas do coronavírus podem prolongar a crise sanitária e exigir mais gastos para proteger a população vulnerável e incentivar a economia.”

Conforme a autarquia, o aumento dos gastos aumentaria o “já elevado risco fiscal”. “Não obstante, a confiança das IFs na estabilidade financeira durante toda a pandemia tem permanecido elevada, bem acima do que estava durante a recessão de 2015-2016”, disse o BC.

Teste de estresse

O Banco Central avaliou nesta terça, por meio do REF, que os resultados de testes de estresse aplicados sobre instituições financeiras continuam demonstrando redução dos efeitos da pandemia do novo coronavírus no sistema.

“Os resultados continuam corroborando a capacidade de o sistema absorver choques, sem desenquadramentos relevantes”, pontuou o BC. “Os resultados das análises de sensibilidade também indicam boa resistência quando cada risco é simulado isoladamente. São testados os riscos de crédito, juros, câmbio e desvalorização de imóveis. Os resultados mantiveram-se estáveis em comparação aos testes anteriores.”

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Para a autarquia, “a recuperação da atividade econômica observada no segundo semestre de 2020, assim como a melhora no capital, arrefeceram os efeitos da pandemia no sistema financeiro”.

“O resultado do teste específico para a Covid-19 indica que as perdas relacionadas a empresas e trabalhadores vulneráveis exigiriam aporte de R$ 1,5 bilhão para que todas as instituições cumprissem os limites regulamentares. Esse valor equivale a apenas 0,1% do total do Patrimônio de Referência (PR) do SFN”, disse o BC.

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Lula ou Bolsonaro: qual governo seria melhor para a economia? Especialistas respondem

SÃO PAULO – Os investidores voltaram a ser surpreendidos com uma reviravolta brusca nos mercados na última segunda-feira, quando se tornou pública a decisão do ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de anular as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da Operação Lava Jato.

O Ibovespa, que vinha em queda de 0,9% no dia 8 de março, acelerou as perdas com a decisão e fechou em baixa de 3,98%. Já o dólar subiu 1,67% a R$ 5,78. Os juros futuros na parte longa da curva (mais sensível a oscilações no noticiário político devido ao prêmio associado ao prazo de vencimento) dispararam mais de 30 pontos-base, sendo que o DI para janeiro de 2027 teve variação positiva de 32 pontos-base a 7,96%.

No dia seguinte, porém, o Ibovespa se recuperou, subindo 0,65% a 111.330 pontos. O dólar teve ainda leve alta de 0,33% para R$ 5,79, mas depois caiu a R$ 5,56 nos dias posteriores. O DI para janeiro de 2027, por sua vez, não se recuperou e se assentou em 7,96%, mas parte desse desempenho também tem a ver com a alta registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em fevereiro e divulgada esta semana.

Para a maioria dos especialistas, a decisão antecipou em alguns meses o debate eleitoral, o que deve trazer ainda mais volatilidade aos mercados, dependendo do posicionamento dos políticos daqui para a frente.

Para os investidores, o que interessa nessa disputa é saber quem enfrentará melhor os desafios econômicos atuais, como reaquecer o consumo depois dos impactos da pandemia de coronavírus e colocar um fim à trajetória de avanço da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

Lula 1989 ou Lula 2002?

O pronunciamento de Lula nesta quarta-feira (10) foi o ponto de partida para analistas e gestores lançarem suas teses sobre como seria um eventual governo petista em 2022 e, diante dessas impressões iniciais, qual opção seria seria melhor do ponto de vista econômico.

Diversas análises seguiram no caminho de avaliar se a nova versão de Lula é mais parecida com: a do primeiro mandato, do “Lulinha paz e amor”, que escreveu a carta ao mercado em 2002; ou mais próxima a de seu segundo mandato e da gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, do Lula sindicalista de 1989, mais intervencionista e cercado de pessoas como Guido Mantega e Arno Augustin.

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Para Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central e sócio-fundador e CEO da Mauá Capital, o Lula que ressurge está mais para a segunda opção. “Não estou nem falando que é mais parecido, estou dizendo que é claramente o Lula do segundo mandato, porque o Lula de 2002 não era o real. E isso fica claro não pelo que ele falou nesta semana, mas pelo que ele fala sempre.”

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Figueiredo acrescenta que o Lula de 2002 nunca existiu, foi uma ilusão criada pelo cenário econômico favorável do período. “Lula assumiu o governo em 2003, sendo que em 2002 o superávit primário do país foi de 3,91% do PIB, o percentual mais elevado desde 1994, e a relação dívida/PIB era de 55,9%. Ele só entrou e disse: não serei irresponsável, as pessoas foram acreditando e ele não precisou mudar nada. E ele tinha ao lado um cara com um monte de questões, mas que era genial, que era o [Antônio] Palocci [ministro da Fazenda entre 2003 e 2006].”

Evandro Buccini, diretor de renda fixa e multimercados da gestora Rio Bravo, também acredita que a versão atual de Lula é mais arriscada para a economia. “O discurso foi mais parecido com o do segundo mandato e a gestão Dilma, com menção à interferência na Petrobras e aumento dos gastos públicos.”

Mas essa visão está longe de ser ponto pacífico entre os analistas. O economista-chefe de uma das principais instituições financeiras do país concorda com Figueiredo no sentido de que Lula se mostrou o mesmo de sempre, mas tem visão bem diferente sobre o que isso significa. “Ele usou o tom da vida inteira dele. Basta lembrar da clássica entrevista à Playboy em 1989: ele já era assim, já falava dos dois lados e acenava ao empresariado. Ele vai ser um misto.”

Roberto Attuch, CEO da plataforma de análise Ohm Research, viu um Lula mais conciliador. “Para energizar a base, ele poderia ter falado que a Dilma foi golpeada. Mas ele não falou da Dilma, justamente para empresários não terem medo dele. Essa foi a principal sinalização de que ele quis passar uma ideia mais próxima aos empresários. O que pegou mal no mercado foi só a questão da Petrobras, quando ele disse que quem está comprando refinarias deve tomar cuidado”, diz.

Alessandra Ribeiro, sócia-diretora da área de macroeconomia da Tendências Consultoria, vai na mesma linha. “Muitos esperavam que ele voltasse mais raivoso e radicalizando, mas eu vi o oposto. Apesar de todo o ressentimento, ele disse: ‘Não tenho raiva’. Ele foi na linha da moderação, da conversa com vários partidos e empresários. E tem todo o histórico do Lula na eleição de 2002, ele entendeu que se não moderasse, não conseguiria o apoio do mercado e não teria sido eleito.”

O economista de uma importante gestora, que preferiu não se identificar, afirmou que um membro de sua equipe conversou com Lula recentemente. Da conversa, concluiu que um eventual terceiro governo de Lula seria bem diferente da gestão de Dilma, pois o petista possui um cálculo político melhor e tende a fazer acenos ao mercado para garantir sua governabilidade.

“O sonho do Lula seria convencer a [empresária] Luiza Trajano [dona do Magazine Luiza] a ser sua vice, e ele vai tentar trazer a imprensa e os bancos para o seu lado, já que o Banco Central está sendo muito agressivo com os ‘bancões’ no governo Bolsonaro”.

A economia e os ministros de Bolsonaro e Lula em 2022

O mesmo gestor enxerga a possibilidade de uma volta de Henrique Meirelles, secretário da Economia de São Paulo, a um eventual governo Lula, dessa vez no Ministério da Economia (Meirelles foi presidente do Banco Central durante seus dois mandatos). Caso a projeção se concretize, ele acredita que o mercado se animaria.

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Outro nome cotado é o de Marcos Lisboa, atual presidente do Insper e ex-secretário de política econômica do ex-presidente. “Mais à esquerda, outros nomes que já são comentados são Monica de Bolle e Laura Carvalho, mas aí seria um ministério mais complicado”, diz um economista.

O gestor entrevistado pelo InfoMoney disse que na conversa mencionada acima, Lula sinalizou que vem com uma plataforma eleitoral forte, com um discurso pró-vida, pró-ciência e com foco no combate à pandemia, que se tornou o maior ponto fraco de Bolsonaro.

Para ele, as diferenças entre um governo Lula e uma gestão Bolsonaro serão vistas mais claramente na condução da política externa. “Lula deve se aproximar do presidente americano Joe Biden como se aproximou de Barack Obama”, avalia, destacando que o meio ambiente e a proteção da Amazônia serão pontos importantes para o petista.

Marília Fontes, analista da Nord Research, acredita que o cenário de polarização deve, paradoxalmente, jogar tanto Lula quanto Bolsonaro para o centro, uma vez que cada um é dono de um eleitorado cativo que gira em torno de 30% da população. “Para ganhar a eleição, será necessário conquistar o centro”, explica.

A analista da Nord enxerga Lula e Bolsonaro como pragmáticos em termos de economia, o que garante alguma estabilidade ao mercado. “Os dois têm traços populistas e base de votação muito forte no funcionalismo público e entre as pessoas de classes menos favorecidas. No entanto, ambos já demonstraram que, quando no poder, fazem um certo afago no mercado, com políticas fiscais responsáveis”, defende.

Marília lembra que Bolsonaro, logo depois de demitir o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, aprovou a lei que garante a autonomia do BC e conseguiu manter alguma potência fiscal na PEC Emergencial.

Da mesma forma, Lula, em seu primeiro mandato, conseguiu que o governo tivesse sucessivos superávits primários. “Está claro que Bolsonaro não vai ser totalmente liberal, nem populista. Assim como Lula, ele deve oscilar para manter seu capital eleitoral.”

Qual dos dois o mercado prefere (por enquanto)?

Em entrevistas recentes, o veterano investidor de mercados emergentes Mark Mobius, à frente da Mobius Capital, disse estranhar a reação do mercado à decisão do STF envolvendo o ex-presidente, diante da avaliação de que ele liderou o país em alguns dos momentos “mais felizes”, com grande popularidade.

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“Não acho que o retorno do Lula será necessariamente ruim para o mercado brasileiro. Acho que ele aprendeu a lição no que diz respeito à corrupção”, afirmou, nesta terça-feira (9) à Bloomberg TV.

Alessandra, da Tendências, não discorda de Mobius. “Se pegarmos como referência o primeiro mandato de Lula, Mobius tem razão, Lula andou direitinho na cartilha liberal, sustentou o que tinha sido feito anteriormente. Foi uma boa condução da economia. A grande paulada veio na Dilma.”

Mas ela acredita que os donos do PIB ainda têm uma preferência, mesmo que frágil, por Bolsonaro. “O mercado apostou muito em Bolsonaro e comprou a agenda do [ministro da Economia] Paulo Guedes, mas ele tem apresentado elementos que o mercado odeia, como a intervenção em preços e na condução de estatais. E em 2021 e 2022, temos um cenário difícil, com câmbio depreciado, pressões de preço, então existe o risco de Bolsonaro perder ainda mais a mão diante da competição clara com Lula. O risco de escorregar aumentou, até porque ele vai buscar apoio no segmento mais vulnerável da população e aí a agenda liberal pode não render frutos curto prazo. Se isso acontecer, o mercado perde a preferência que ainda tem por Bolsonaro.”

O CEO da Ohm Research concorda que o mercado ainda prefere Bolsonaro a Lula, mas ressalta que a disputa é acirrada. “Hoje, se fizéssemos uma pesquisa na Faria Lima no e no Leblon, a maioria prefere Bolsonaro ainda, mas, mesmo assim, muita gente passou a imaginar que Lula de 2022 pode ser mais parecido com lula de 2002 a 2006, com Bernard Appy e Marcos Lisboa”, diz.

Attuch, que mora em Milão, acrescenta que vê uma diferença entre a percepção de investidores estrangeiros e brasileiros. “Vários dos estrangeiros têm muito menos medo do Lula do que o investidor local. Obviamente, sempre há risco, mas muita gente lembra de ganhar muito dinheiro em 2002, eu vivenciei isso muito bem. Lembro de investidores europeus que enriqueceram muito com o primeiro mandato de Lula.”

Questionado sobre sua preferência, Figueiredo, ex-diretor do BC, é bem direto. “Eu prefiro não ter o PT no governo, o partido que destruiu o nosso país, não quero passar por essa experiência de novo. Lula pode ir para o centro? Pode até ser, mas não está parecendo. Tudo pode mudar, essas coisas são completamente fluidas, mas já está definido que o caminho dele é ser populista mesmo, ter um Estado maior, não se preocupar com déficit publico e fazer um auxílio de R$ 600 a perder de vista”, diz.

Alguns dizem também que existe uma semelhança entre os dois. “Bolsonaro também é intervencionista, mas está sendo, em parte, domado pelo Guedes. Às vezes, a gente foca no fracasso da dupla, mas tem alguns sucessos, poderia ter sido pior, ele poderia já ter feito intervenção na conta de luz, o BNDES poderia ter aumentado, não diminuído, o auxílio emergencial poderia ter vindo sem PEC. Mas estou baixando muito o sarrafo para dizer que algo aconteceu”, diz um economista.

Menos espaço ao centro

É senso comum entre os especialistas: com a volta de Lula ao páreo, o cenário político fica polarizado desde já. Com o ex-presidente aparecendo em pesquisas como o candidato mais forte em um eventual embate com Bolsonaro, e considerando que ambos mantêm uma base fiel, de cerca de 20% a 30% da população, muitos analistas já dão como certo uma disputa entre ambos e sem um candidato ao centro.

Muitos também dizem que, entre Bolsonaro e Lula, leva a eleição que garantir o apoio dos eleitores indecisos. “Nosso time de política vê como improvável uma construção mais ao centro, até porque Lula tem trabalhado para trazer parte do centro para ele. Mas os dois vão disputar o centro e é difícil saber quem leva, não dá para desprezar Bolsonaro com a máquina pública do lado dele”, diz Alessandra Ribeiro.

O cenário que se desenha, no entanto, é bem distante do que os dos donos do dinheiro gostariam. O melhor cenário, segundo a ampla maioria deles, seria um candidato convictamente centrista.

Mas tem quem ainda acredite na possibilidade de uma terceira via. “Diminuir a chance do centro, não quer dizer que eliminou. Estamos a dois anos da eleição, é muita coisa. O centro ainda está dividido com vários candidatos, mas se o cenário muda em 15 segundos, ainda pode mudar muito até lá”, diz o CEO da Mauá.

Cenário ruim para reformas

Os especialistas consultados também dizem que a possibilidade de aprovação das reformas de ajuste fiscal perde muito espaço com a polarização.

“Bolsonaro não vai nem dar mais liberdade para o Guedes depois da PEC Emergencial, pois reforma Administrativa e Tributária são mais difíceis, polêmicas e tiram votos”, diz Marília.

A equipe de análise da Levante Ideias de Investimento, analisa que o discurso de Lula o colocou de volta no jogo político e a consequência negativa disso é a retirada do foco na atividade legislativa, diante de uma preocupação eleitoral cada vez maior para 2022.

O Morgan Stanley, em relatório, também alertou para a piora do clima para as reformas. “A anulação das condenações por corrupção de Lula devem tornar a agenda de consolidação fiscal para a segunda metade de 2021 mais difícil, dado que o horizonte mais competitivo para as próximas eleições desafia a prudência fiscal do atual governo.”

Esse é o risco no atual cenário. Muitos dos especialistas disseram que é cedo para dizer como seria a gestão econômica de Lula, mas outros cravam que definitivamente seria pior e argumentam que o próprio ex-presidente torna isso claro ao dizer, em suas próprias palavras, só enxerga redução da dívida/PIB com um aumento do denominador via expansão do investimento estatal, ou seja, os déficits públicos devem continuar. E também ao defender o auxílio de R$ 600.

“O endividamento vai explodir e o governo não vai conseguir rolar a dívida pública. Da onde vem o dinheiro para ser desenvolvimentista? Com o Estado com uma dívida pública de 90%, como vai ter capacidade de investir, sem vender nada? A não ser que faça mágica, não sei como”, diz Figueiredo.

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Raymundo Magliano Filho, ex-presidente da Bolsa brasileira, morre aos 78 anos de idade, vítima de Covid-19

SÃO PAULO – Raymundo Magliano Filho, ex-presidente da Bolsa de Valores brasileira e da corretora Magliano Invest, faleceu nesta segunda-feira (11). O empresário, de 78 anos de idade, morreu por conta da Covid-19.

Magliano Filho, que sofria de asma e estava há 50 dias internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, foi um dos grandes precursores do mercado financeiro. Liderava a primeira corretora da Bolsa de Valores brasileira, a Magliano Invest, fundada por seu pai. Magliano Filho também foi presidente entre 2001 e 2007 da antiga Bovespa (hoje B3).

Filho de Raymundo Magliano, fundador da corretora e também ex-presidente da Bovespa na década de 1960, o empresário deixa um importante legado no mercado financeiro brasileiro por ser um dos grandes responsáveis pelo movimento de popularização da Bolsa de Valores.

Leia o comunicado oficial sobre o falecimento abaixo:

“Faleceu nesta segunda-feira, 11 de janeiro, o Sr. Raymundo Magliano Filho (78), decorrente da Covid-19. Ele sofria de asma e estava há 50 dias internado no Hospital Albert Einstein. O Sr. Magliano foi um dos grandes precursores do mercado financeiro, à frente da primeira corretora da Bolsa de Valores brasileira, a Magliano Invest, fundada por seu pai. Foi presidente da Bovespa e um dos grandes responsáveis pelo movimento de popularização da Bolsa de Valores, deixando um grande legado para o mercado de capitais brasileiro.”

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Como as empresas lidam com a diversidade étnica?

Homem negro digitando no notebook com tela em gráfico, diversidade étcnica (Rawpixel/Envato)

SÃO PAULO – Pedro (nome fictício) tem 37 anos e um ocupa um cargo de alta gestão em um dos três maiores bancos privados do país. Ele é negro. Pedro evita se colocar como vítima; diz acreditar na meritocracia e conta que nunca sofreu assédio ou desrespeito explícito por conta da cor da pele. Mas diz que encontrou, como outros negros e negras, dificuldades menos vivenciadas por pessoas brancas.

Criado no Méier, zona norte do Rio de Janeiro, ele começou a trabalhar aos 16 anos entregando panfletos na rua. Era de família de classe média. Estudou inglês na adolescência e estudou numa escola particular. “Uma boa escola de subúrbio”, diz. Conciliar o curso de Engenharia de Produção, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), com o trabalho nunca foi fácil. “Me lembro de a vista embaçar de sono durante aulas de Cálculo 3.”

A história de Pedro ilustra um obstáculo comum na ascensão profissional de pessoas negras: o racismo estrutural. Uma pessoa negra dos subúrbios e periferias encontra muito mais dificuldades para atingir postos de destaque em grandes empresas ao competir com pessoas de pele branca que frequentaram as melhores escolas e universidades e que não tiveram que trabalhar para bancar os estudos. Mais do que isso, quando pessoas brancas chegam ao mercado de trabalho, têm muito mais chances de encontrar colegas, ex-professores e “amigos do pai” – uma vantagem inicial impossível de ignorar.

“Eu sempre notei que tive que me provar muito mais do que os outros”, diz Pedro. “Nunca tive um currículo tão bonito nem frequentei os mesmos círculos que a maioria. A falta de um networking faz a diferença. Muita gente desiste no meio do caminho.”

Diversos estudos mostram que, nas maiores empresas do país, a diversidade étnica ainda está longe de ser uma realidade. Uma pesquisa feita em 2016 pelo Instituto Ethos com 117 companhias relevou que a proporção de negros só se aproxima da realidade nacional (negros são 56% da população brasileira) nas posições de trainees e aprendizes. No quadro geral das empresas a proporção não ultrapassa os 38%.

Quanto mais alto no organograma das empresas, menor é a presença de pessoas negras, até chegar a perto de 5% no quadro executivo e conselho de administração.

Outra pesquisa, feita em 2019 com 532 empresas pela consultoria de recrutamento e seleção Talenses, em parceria com o Insper e o Instituto de Pesquisas Qualibest, mostrou um quadro parecido: presidentes, vice-presidentes e diretores negros chegam a 5% do total. E apenas 3% dos conselheiros são pessoas de pele negra.

Nina Silva, CEO e fundadora do Movimento Black Money, diz que, na pauta de inclusão e diversidade das grandes empresas, a questão racial vem atrás da inclusão das mulheres. Segundo ela, isso ocorre por um motivo simples: falta de empatia. “Os grandes líderes e estrategistas das grandes empresas, sejam elas firmas tradicionais ou startups, são, na grande maioria, homens brancos”, diz. “E, quando falam de inclusão das mulheres, estão falando em incluir suas esposas, filhas, irmãs.”

Segundo o raciocínio de Nina, quando executivos brancos abrem oportunidade para mulheres brancas, estão agindo para beneficiar semelhantes. Dessa forma, reforçam o racismo estrutural. “Quando se fala da pauta racial, é mais difícil eles sentirem a mesma empatia e sensação de urgência.”

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“Até pouco tempo, não fazia diferença para a maioria dos investidores se as empresas investiam ou não em questões sociais e ambientais”, diz Fabio Alperowitch, co-fundador e gestor da FAMA investimentos, que administra fundos dedicados a investir em empresas ESG, sigla em inglês que simboliza um movimento em prol de melhores práticas ambientais, sociais e de governança. “Como os investidores passaram a levar isso em conta as empresas começaram a levar o assunto a mais a sério.” Recentemente, ele escreveu um artigo para o InfoMoney sobre o assunto.

A pesquisa Oldiversity, feita pelo Grupo Croma com 2.032 pessoas, mostrou que o preconceito sai caro. Pouco mais de 70% dos entrevistados dizem que não consomem produtos de marcas com comportamento preconceituoso – e 68% preferem marcas abertas à diversidade. “A diversidade influencia cada vez mais nas vendas das marcas”, diz Ferdinando Vilela, diretor de Pesquisa e Data Analytics do Croma.

Nina, do Black Money, lembra que a população negra movimenta quase R$ 2 trilhões por ano no Brasil, ou seja, é um público relevante para as empresas. “Ao ter pessoas pretas dentro das empresas, inclusive nos quadros de liderança, as marcas estão dialogando com a maioria dos brasileiros”, diz. “Até por uma questão de sobrevivência, elas estão despertando para a necessidade de inclusão.”

Pedro, o personagem do começo da reportagem, diz que foi a valorização das suas características comportamentais que o permitiu entrar na indústria financeira. “Eu sempre soube me relacionar e tive a sorte de ter superiores que apostaram na minha força de vontade e capacidade”, diz.

Os desafios ainda são imensos. A pesquisa Oldiversity relevou que 77% dos negros dizem que as empresas têm preconceito na hora de contratar e 70% declararam ter sofrido algum tipo de preconceito no local de trabalho. “Enquanto estivermos debatendo o assunto da diversidade, significa que ele ainda não foi superado”, diz Marcílio. Verdade.

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Emergentes melhoraram práticas de relações com investidores, diz instituto

Business team meeting present the project (Yozayo/ Getty Images)

Embora tenham melhorado as práticas de comunicação com investidores internacionais, economias emergentes ainda enfrentam desafios nessa área, de acordo com análise do Instituto Internacional de Finanças (IIF).

A instituição estabeleceu um ranking dos países em desenvolvimento que apresentam os melhores níveis de transparência, e o Brasil apareceu na sexta posição, atrás de Indonésia, México, Rússia, Turquia e Peru.

“Manter boas relações com investidores – e aprimorar as práticas – será essencial para os mercados emergentes, dado o tremendo aumento no tamanho do universo da dívida desses governos, de menos de US$ 5 trilhões em 2005 para mais $ 23 trilhões este ano”, explica, em relatório divulgado neste sábado.

O IIF prevê que, na próxima década, o endividamento de emergentes vai crescer, em contraste com a austeridade vista nos últimos anos.

Com os mercados domésticos ainda pequenos e fragmentados – e os recursos públicos limitados -, o acesso aos mercados internacionais será uma importante consideração para países vulneráveis de baixa renda que buscam fluxos de investimento para cumprir metas de desenvolvimento sustentável”, completa.

Bancos não vão abrir agências no dia 11 de junho, diz Febraban

Os bancos brasileiros não vão oferecer atendimento nas agências na próxima quinta-feira, 11 de junho, data dedicada a Corpus Christi, de acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

A decisão está em linha com o comunicado do Banco Central nº 35.690, de 19 de maio de 2020, que manteve o cronograma de feriados a despeito de mudanças no calendário de algumas localidades, que anteciparam as folgas por conta da pandemia do novo coronavírus.

A Febraban alerta que as agências bancárias não vão abrir em todos os municípios brasileiros. Não haverá atendimento, inclusive, nos locais que implementaram alguma forma de antecipação do feriado de Corpus Christi em virtude do combate à pandemia.

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As agências permanecerão fechadas, conforme a entidade, sem atividades nos sistemas de transferência de reservas (STR), sistema especial de liquidação e de Custódia (Selic) e taxas de câmbio.

Sem atendimento bancário, serão prorrogados para o primeiro dia útil subsequente todos vencimentos de contas, incluindo os boletos e contas de concessionárias, agendamento de pagamentos e envios de transferências.

A Febraban lembra ainda que os caixas eletrônicos (ATMs, na sigla em inglês), aplicativos de celular e internet estarão disponíveis como já ocorre em outros feriados bancários.

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BNY Mellon diz que trabalho remoto continuará após pandemia

(Photo by Linh Pham/Getty Images)

(Bloomberg) — O Bank of New York Mellon deve incentivar alguns de seus funcionários a trabalhar em casa com mais frequência após a pandemia como forma de reduzir custos, juntando-se a empresas como o Twitter e o Barclays ao sinalizar que a crise mudará permanentemente as operações.

Com 96% dos aproximadamente 48.000 funcionários do banco trabalhando remotamente, “manteremos isso e provavelmente incentivaremos algum nível de nossos funcionários a considerar isso, de forma rotativa ou não”, disse o CEO Todd Gibbons em conferência virtual da indústria. “Vamos ter que dar uma olhada” também no setor imobiliário, ele disse.

As principais empresas de todo o mundo estão reformulando o espaço de escritórios para menos funcionários e pensando em mais trabalhos remotos. O Twitter disse no início deste mês que permitiria que os funcionários trabalhassem em casa permanentemente, mesmo após o surto de Covid-19, e o CEO do Barclays, Jes Staley, disse em abril que acha que arranha-céus construídos para abrigar milhares de pessoas podem ser uma “coisa do passado.” O co-presidente do JPMorgan Chase, Daniel Pinto, disse que uma parte da equipe pode trabalhar permanentemente em casa em esquema rotativo.

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O BNY Mellon está procurando maneiras de manter as despesas sob controle, em parte automatizando as operações para reduzir o número de funcionários de que precisa. Mas, em abril, a promessa de abster-se de demitir este ano colocou pressão adicional sobre o banco para encontrar formas de economizar.

Gibbons disse que o banco está sendo “disciplinado em relação à contratação” e evitando priorizar o que não é essencial no momento, mesmo enquanto continua trabalhando em iniciativas destinadas a melhorar o rendimento.

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Não é a crise que faz o investidor perder tudo: é o psicológico, diz especialista

SÃO PAULO – A maior dificuldade do investidor iniciante no mercado financeiro não é a a crise, mas sim a ansiedade. Já no caso do trader mais experiente, que está no mercado há mais tempo, o grande erro é, em momentos como o atual, deixar de operar suas estratégias e técnicas para operar a sua ansiedade, o seu medo. A opinião é de Luana Schneider, do Market Minds, especialista em psicologia para traders.

A psicologia do investimento em tempos de crise é o tema da edição mais recente do podcast Gain Cast, com André Moraes, analista da Rico Investimentos, e Roberto Indech, analista-chefe da Rico Investimentos.

Para a convidada Luana, o trader, que opera no dia a dia com estratégias de curto prazo, tende a sair mais prejudicado dessa crise por deixar sua receita de lado e operar de forma diferente conforme a circunstância. “Ser day trader é chato: você tem que ter disciplina de operar todos os dias exatamente a mesma coisa, repetir as mesmas técnicas, as mesmas estratégias”, explica. Ir contra essa estratégia significa dar abertura para perdas graves em momentos difíceis.

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Quanto ao investidor de longo prazo, Luana observa que o momento de extrema volatilidade do mercado é a hora em que ele começa a entender o que o day trader sente na prática o que o day trader e o swing trader sente na pele durante as sessões. O que ele não pode esquecer é da sua estratégia. “Dar para a sua mente a informação de como você vai agir se tudo der certo e se tudo der errado, é uma das melhores formas de controlar a ansiedade”.

Confira a conversa entre Luana, Moraes e Indech no podcast abaixo: