Mercado Livre anuncia novos centros de distribuição no Brasil e descarta participar de privatização dos Correios

Centro de distribuição do Mercado Livre em Extrema, Minas Gerais (Divulgação) Centro de distribuição do Mercado Livre em Extrema, Minas Gerais (Divulgação)

SÃO PAULO – O Mercado Livre (MELI34) anunciou dois novos centros de distribuição no país, em mais um passo para ampliar sua infraestrutura logística. A divulgação foi feita em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (11).

O primeiro centro de distribuição ficará em Franco da Rocha (São Paulo) e será inaugurado ainda neste ano. O segundo centro ficará em Belo Horizonte (Minas Gerais) e será inaugurado em 2022.

Os dois centros de distribuição serão para fulfillment. Ou seja, são centros que armazenam inventário dos vendedores para que os itens sejam separados, embalados e despachados após uma compra. Esse modelo de CD existe desde 2017. Hoje, 30% das entregas do Mercado Livre saem de centros no modelo de fulfillment. Com os dois novos CDs, o Mercado Livre chegará a nove centros de distribuição nesse formato.

Outros tipos de centros são o de crossdocking (passagem de produtos vindos dos centros de fulfillment ou direto dos vendedores) e o de última milha/last mile (vans saem com os produtos direto para a casa do consumidor).

O Mercado Livre também anunciou a inauguração de um novo centro de crossdocking em Guarulhos (São Paulo), previsto para outubro. Com esse CD, o total de centros de crossdocking chega a 18 até o final deste ano.

A empresa de e-commerce ainda tem 80 centros de última milha, e divulgou na coletiva que terá outros 26 desses centros até o final de 2021, totalizando mais de 100 CDs last mile.

Ao todo, a infraestrutura logística da empresa de e-commerce supera o 1,2 milhão m². 72% do espaço é para as operações de fulfillment. Fora dos centros, a malha logística própria da companhia conta com uma frota de veículos composta por 51 carros elétricos, 260 caminhões, 10 mil vans, 4 aviões e 8 carretas.

“Todos esses anúncios vêm para continuarmos crescendo por meio de melhoria na experiência do consumidor”, afirmou na coletiva de imprensa Leandro Bassoi, vice-presidente de logística do Mercado Livre para a América Latina. “Geramos uma melhor experiência chegando mais rápida na casa dele. Mas o objetivo é não apenas chegar rápido até a Faria Lima [centro financeiro na cidade de São Paulo], mas até qualquer lugar do Brasil”, completou Luiz Vergueiro, diretor de operações do Mercado Livre no Brasil.

Leandro Bassoi, vice-presidente de logística do Mercado Livre para a América Latina (Divulgação)

Leandro Bassoi, vice-presidente de logística do Mercado Livre para a América Latina (Divulgação)

As entregas no mesmo dia começaram em junho no Brasil. A estrutura atual permite entregar no mesmo dia em até 50 cidades. Esses CEPs cobrem 20% das vendas do Mercado Livre. Já a entrega em até um dia chega até 2,1 mil cidades, alcançando 75% das entregas feitas pela empresa de e-commerce.

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Ao todo, o Mercado Livre investirá R$ 10 bilhões no país ao longo de 2021. A empresa de e-commerce tem verticais de serviços financeiros (Mercado Pago); de logística (Mercado Envios); de veículos, imóveis e serviços (Mercado Livre VIS); de publicidade (Mercado Ads); e lojas virtuais (Mercado Shops). São 12 milhões de vendedores e 75,9 milhões de usuários ativos, com 29 vendas por segundo.

O Mercado Livre reportou lucro líquido de US$ 68,2 milhões no terceiro trimestre de 2021. A operação brasileira já representa 55,9% da receita líquida total da companhia. O volume bruto de mercadorias (GMV) no país teve um crescimento de 44% na comparação com igual período do ano passado, com mais de 125 milhões de itens vendidos neste trimestre. A receita líquida cresceu 101% neste trimestre e o volume de vendas no país cresceu mais de 40%, em moeda constante e na comparação com 2020.

No Mercado Envios, frente de logística do Mercado Livre, foram 230,5 milhões de itens enviados globalmente, aumento de 46,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apenas no Brasil, os envios via essa rede gerenciada atingiram 86% da operação.

Na opinião de analistas ouvidos anteriormente pelo InfoMoney, com o incremento na cobertura de frete grátis, bem como a expansão da seleção, a companhia aumenta sua proposta de valor ao consumidor, o que deve proporcionar uma maior capacidade da empresa de se “agarrar aos ganhos impulsionados pela pandemia”.

Às 11h30 (horário de Brasília), os BDRs (na prática, recibos de ações de outros países negociados no Brasil) MELI34 subiam 0,16%, a R$ 81,12. As ações do Mercado Livre na Nasdaq registravam queda de 0,61%, a US$ 1.867,13.

6 mil vagas de emprego

A expansão logística será acompanhada por criação de empregos. “Temos duas bases de sustentação para a logística. A primeira é nossa tecnologia, desenvolvida internamento para dar mais controle e agilidade de processos. A segunda base é equipe. São milhares de pessoas que fazem os pacotes chegarem às casas dos consumidores”, afirmou Vergueiro.

O Mercado Livre estima ter 16 mil profissionais diretos até o final deste ano, 9 mil deles alocados na área de logística, em 118 locais do Brasil. A empresa de e-commerce deverá contratar 6 mil profissionais, 3,2 mil deles para posições em Mercado Envios.

Algumas das posições estão nos centros de distribuição em Cajamar (São Paulo) e Extrema (Minas Gerais), inaugurados em julho deste ano. O CD de Cajamar chegará a 4,5 mil funcionários, enquanto o CD de Extrema irá para 2,2 mil funcionários.

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Em empregos indiretos, serão 2,5 mil vagas até dezembro. O Mercado Livre passará de 14,5 mil para 17 mil profissionais indiretos em sua operação até o final do ano.

Centro de distribuição do Mercado Livre em Cajamar, São Paulo (Divulgação)

Centro de distribuição do Mercado Livre em Cajamar, São Paulo (Divulgação)

Privatização dos Correios

O Mercado Livre descartou o interesse em uma eventual privatização dos Correios. O texto-base do substitutivo do projeto de lei 591/2021, que pretende viabilizar a privatização do serviço postal, foi aprovado pela Câmara dos Deputados e seguiu para votação no Senado.

“Não faz sentido participar da privatização dos Correios”, afirmou Bassoi. “Não temos interesse em capturar eventuais sinergias, porque entendemos que as construções feitas dentro de casa foram muito mais eficientes.”

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MercadoPago e Dotz planejam aceitar resgate e transações com Bitcoin

SÃO PAULO – Com o crescimento da aceitação das criptomoedas por grandes empresas ao redor do mundo, a América Latina não iria ficar de fora e duas empresas já se preparam para introduzir principalmente o Bitcoin em seu negócio.

Em entrevistas para o site Bloomberg Línea, executivos da Dotz e do MercadoPago, braço financeiro do Mercado Livre, afirmaram que estão preparando suas estruturas para entrarem oficialmente no mercado de criptoativos.

Segundo, Roberto Chade, CEO da Dotz (DOTZ3), a administradora de programas de fidelidade e de contas digitais deve lançar algo nesse mercado ainda este ano. A ideia é permitir que os clientes possam resgatar pontos acumulados na plataforma para comprar bitcoins.

“O que vamos fazer em breve, isso eu posso adiantar, é permitir que nossos usuários façam o resgate de seus dotz para comprar Bitcoin”, disse ele.

“Da mesma forma que ele pode usar dotz para comprar uma passagem aérea, para ir ao cinema e para trocar por dinheiro, o nosso usuário vai em breve resgatar seus dotz para comprar Bitcoin”, completou Chade ressaltando que a empresa ainda está em “tratativas finais”.

Enquanto isso, Osvaldo Gimenez, presidente do MercadoPago, disse que a companhia está “analisando de perto” a posse e o envio de criptomoedas, seguindo os passos de outras gigantes dos meios de pagamento como a Paypal e Square.

Vale lembrar que em maio o MercadoLivre anunciou a compra de quase US$ 8 milhões em bitcoins com fins de diversificação de ativos usados na estratégia de tesouraria.

“Este início de compra de criptomoedas mostra que estamos convencidos de que há um potencial muito grande. Acreditamos que isso pode ser revolucionário para as finanças, então vamos ver qual é a melhor forma, mas de alguma forma vamos participar”, disse ele para a Bloomberg.

“O ramo imobiliário é mais sobre estratégias de marketing e sobre mostrar como alguns imóveis são precificados em criptomoedas, mas não é possível pagar por um imóvel em criptomoedas”, completou Gimenez.

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Mercado Livre divulga crescimento forte no Brasil: o que isso significa para as varejistas de e-commerce na B3?

(Divulgação/Mercado Livre)

SÃO PAULO – O Mercado Livre (MELI34) divulgou na quarta-feira (4) seu resultado do segundo trimestre, reportando lucro líquido de US$ 68,2 milhões e um dos destaques do balanço foram as operações da empresa no Brasil.

No país, a receita líquida cresceu 101% neste trimestre em moeda constante. A operação brasileira já representa 55,9% da receita líquida total da companhia. Além disso, o Volume Bruto de Mercadorias (GMV, na sigla em inglês) no Brasil teve um crescimento de 44% na comparação com igual período do ano passado.

Hoje, quinta-feira (5), as ações de varejistas como Magazine Luiza (MGLU3), Americanas SA (AMER3) e VIA (VVAR3) chegaram a subir forte pela manhã depois dessas informações serem divulgadas. Americanas se valorizou em 2,7% na máxima do pregão, Magazine Luiza 3,8% e VIA 3,5%. Os papéis passaram a cair mais tarde com a perda de força geral do mercado.

Segundo Gustavo Senday, analista da XP, há duas visões possíveis a partir do resultado do Mercado Livre. A primeira é que o e-commerce no Brasil continua resiliente e crescendo mesmo sobre uma base muito forte, que foi o primeiro ano da pandemia de Covid-19, quando muito mais pessoas começaram a fazer compras online devido às medidas de isolamento social.

“A principal preocupação que existe é sobre a sustentabilidade do crescimento do e-commerce com a reabertura das lojas físicas. O resultado positivo do Mercado Livre pode indicar que esse crescimento se mantenha elevado mesmo neste contexto”, afirma.

Na mesma linha, Ricardo Oliboni, chefe de Mesa da Axia Investing, aponta que os mercados se coincidem e atuam como um todo, de modo que o desempenho positivo de uma empresa acaba puxando o outro quando se veem números mais fortes.

Por outro lado, Senday lembra que a segunda das visões possíveis não é tão otimista. Para ele, a expansão da empresa argentina no Brasil também coloca pressão na divulgação de resultados das varejistas brasileiras.

“A XP espera que a Americanas SA tenha um crescimento de 35% no GMV e que a Via registre avanço de 21%. Ou seja, números menores do que os reportados pelo Mercado Livre. Temos que ver se as empresas daqui vão também superar projeções, talvez não com o mesmo nível de crescimento, mas se o resultado ficar abaixo pode trazer alguma preocupação com perda de market share“, explica.

Senday comenta que a varejista argentina é quase um player local tamanho o seu posicionamento no país, de modo que acaba sendo uma preocupação maior para as empresas domésticas do que outras gigantes como Amazon, Shopee e AliExpress.

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Matheus Lima, analista da Top Gain, destaca que não é de agora que se veem reflexos nas ações do setor como reflexos de crescimento ou expectativa de expansão do Mercado Livre no Brasil. “Estamos falando de uma empresa gigante, que está vindo pesado para o Brasil e pode tomar fatia de mercado das empresas locais, principalmente Americanas SA e Magazine Luiza.”

O resultado

A receita líquida foi de US$ 1,7 bilhão, aumento de 93,9% na comparação com o mesmo período de 2020. Em moeda constante, a alta foi de 102,6%. O GMV, por sua vez, totalizou US$ 7,023 bilhões.

O trimestre também se encerrou com um lucro antes de impostos de US$ 138,9 milhões, crescimento de 55,5% em relação aos US$ 89,3 milhões apurados durante o segundo trimestre de 2020.

Em relatório, os analistas Vinicius Araújo, Rafael Nobre e Jennie Li, da XP, destacam que a receita superou em 14,9% as projeções, que o lucro causou uma surpresa de 344% ante o esperado pela média do mercado e que o resultado foi impulsionado pelo aumento geral de 46% no GMV, a venda de 245 milhões de itens em sua plataforma (+37% na comparação anual) e o número recorde de 37,8 milhões de usuários realizando transações pela plataforma no trimestre.

Os analistas Thiago Macruz, Maria Clara Infantozzi, Helena Villares, Felipe Amancio e Gabriel Simões, do Itaú BBA, comentam que os números operacionais do Mercado Livre superaram estimativas em meio a um “ótimo desempenho operacional no braço financeiro, com as concessões de crédito acelerando significativamente diante da ampliação da carteira para usuários finais da plataforma.”

Quem também repercutiu o resultado foram os analistas Stephen Ju, Françoise Yoshida-Are e Tyler Seidman, do Credit Suisse, para quem o GMV superou expectativas com a persistência dos “ventos de cauda” trazidos pelo coronavírus.

“Em linha com a nossa perspectiva temática contemplando um ritmo acelerado de adoção do e-commerce na América Latina, o destaque do relatório do segundo trimestre de 2021, em nossa visão, foi a maior disponibilidade de entrega no mesmo dia no Brasil para cobrir 20% dos CEPs locais”, escreve a equipe do banco suíço.

Na opinião dos analistas, com o incremento na cobertura de frete grátis, bem como a expansão da seleção, a companhia aumenta sua proposta de valor ao consumidor, o que deve proporcionar uma maior capacidade da empresa de se “agarrar aos ganhos impulsionados pela pandemia”.

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Às 16h15 (horário de Brasília), os BDRs (na prática, recibos de ações de outros países negociados no Brasil) MELI34 subiam 11,86% a R$ 77,86. As ações do Mercado Livre registram alta durante todo o dia na Nasdaq: os ganhos eram de 13,76%, a US$ 1.785,98.

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Mercado Livre tem US$ 68,2 milhões de lucro líquido no 2º trimestre

(Divulgação)

O Mercado Livre (MELI34) apresentou lucro líquido de US$ 68,2 milhões no segundo trimestre de 2021, o que resulta em lucro líquido de US$ 1,37 por ação. A receita líquida foi de US$ 1,7 bilhão, aumento de 93,9% na comparação com o mesmo período de 2020. Em moeda constante, a alta foi de 102,6%.

No Brasil, a receita líquida cresceu 101% neste trimestre em moeda constante. A operação brasileira já representa 55,9% da receita líquida total da companhia. O trimestre encerrou com um lucro antes de impostos, de US$ 138,9 milhões, crescimento de 55,5% em relação aos US$ 89,3 milhões apurados durante o segundo trimestre de 2020.

A base de usuários únicos ativos durante o trimestre aumentou 47,4% em comparação com igual período de 2020, atingindo 75,9 milhões. O volume de vendas (GMV) foi de US$ 7 bilhões, representando um crescimento anual de 39,2% em dólar e de 46,1% em moeda constante.

A operação brasileira cresceu mais de 40% em volume de vendas, em moeda constante, na comparação com 2020, com mais de 125 milhões de itens vendidos neste trimestre. “Destaque para a contribuição da recente parceria com o Grupo Pão de Açúcar e da entrega no mesmo dia – que, ao manter o atual ritmo de crescimento, pode vir a representar quase 20% dos CEPs do Brasil”, diz a companhia.

Com o Mercado Envios, 230,5 milhões de itens foram enviados, aumento de 46,4% em relação ao mesmo período do ano anterior – no Brasil, os envios via rede gerenciada atingiram 86% da operação, sendo mais de 29% via logística própria do Mercado Livre.

O volume total de pagamentos (TPV) via Mercado Pago atingiu US$ 17,5 bilhões, crescimento de 56,3%, em dólar, e de 72,2% em moeda constante. Já o valor total transacionado (TPN) no período cresceu 80,3%, ano contra ano, atingindo 729,9 milhões no segundo trimestre.

O volume total de pagamentos via Mercado Pago fora da plataforma do Mercado Livre atingiu US$ 10,3 bilhões, crescimento de 70,5% em dólar e de 93,5% em moeda constante. Já o número de transações de pagamento atingiu 556,0 milhões, crescimento de 101,6% na mesma comparação anual. “Como um canal importante para o crédito ao consumidor, o recurso ‘compre agora, pague depois’ para pagamentos via carteira Mercado Pago, já atingiu taxas de penetração de dois dígitos no Brasil”, destaca a companhia.

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Mercado Livre revela que comprou US$ 7,8 milhões em Bitcoin no 1º trimestre

(Divulgação)

SÃO PAULO – O Mercado Livre (MELI34) informou junto com seu resultado do primeiro trimestre deste ano que comprou US$ 7,8 milhões em Bitcoin entre janeiro e março.

Segundo o comunicado da empresa, o investimento foi feito no contexto de diversificação de ativos usados na estratégia de tesouraria.

Com isso, o Mercado Livre se une a outras grandes empresas que nos últimos meses também decidiram entrar no mercado de criptoativos. O caso mais conhecido é a fabricante de veículos elétricos Tesla, que no início deste ano revelou um investimentos de US$ 1,5 bilhão em bitcoins.

“Como parte de nossa estratégia de tesouraria neste trimestre, compramos US$ 7,8 milhões em Bitcoin, um ativo digital que estamos divulgando dentro de nossos ativos intangíveis de duração indefinida”, disse a companhia.

Para Marco Castellari, CEO da Brasil Bitcoin, o movimento não chega a ser uma surpresa. “O Bitcoin vem se tornando cada vez mais uma reserva de valor para grandes empresas, principalmente as de tecnologia, como a Tesla, por exemplo. É apenas questão de tempo para que as big techs como a Amazon, Apple, Google, Microsoft e companhia entrem no ‘jogo’”, avalia.

“O que atrai as empresas a comprarem Bitcoin é a sua escassez, portabilidade, imutabilidade e seu processo de deflação. Para elas, é muito mais atrativo manter Bitcoin em caixa do que moedas fiduciárias”, explica o executivo.

Já Ney Pimenta, CEO da BitPreço, lembra que o próprio Mercado Livre já tinha colocado a criptomoeda como forma de pagamento para aquisição de imóveis na Argentina. “O próximo passo que imaginamos é do Mercado Livre começar a aceitar o pagamento em cripto para todos os seus produtos. Tesla e PayPal já entraram no mercado, é uma questão de tempo até outras big techs aderirem”, diz.

O investimento recente de algumas companhias em Bitcoin tem gerado bons frutos, como o caso da Tesla, que em seu balanço do primeiro trimestre reportou um impacto positivo em seu lucro na casa de US$ 101 milhões com a criptomoeda.

Apesar de alguns movimentos de correção recentemente, o Bitcoin segue acima do nível de US$ 55 mil, acumulando, até agora, em 2021 uma valorização de mais de 90%.

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Mercado Livre tem prejuízo líquido no 1º trimestre de US$ 34 milhões; receita salta 111%

(Divulgação/Mercado Livre)

O Mercado Livre divulgou nesta quarta-feira, 5, um prejuízo líquido de US$ 34 milhões no primeiro trimestre de 2021, ou perda de US$ 0,68 por ação. O trimestre encerrou com um lucro antes de impostos de US$ 9,5 milhões, contra uma perda de US$ 16,7 milhões durante o mesmo período de 2020.

A receita líquida do primeiro trimestre foi de US$ 1,4 bilhão, um aumento ano a ano de 111,4% em dólares e 158,4% em moeda constante. A operação no Brasil representa 56% da receita líquida total da companhia, tendo alcançado US$ 768,7 milhões, crescimento de 93% em dólar e 139% em real, ano contra ano.

O volume de vendas (GMV – Gross Merchandise Volume) foi de US$ 6,1 bilhões, representando um crescimento ano a ano de 77,4% em dólar e 114,3% em moeda constante – 72,9% desse valor provém de transações feitas em dispositivos móveis. O Brasil foi um dos destaques durante o trimestre, com crescimento de 84% em volume de vendas, em moeda constante, com avanço sequencial de 8 pontos percentuais contra o quarto trimestre de 2020. Foram vendidos 222 milhões de itens, o que significa um crescimento ano a ano de 110,2%.

A empresa informa que foram enviados 208,1 milhões de itens por meio do Mercado Envios, plataforma de logística da companhia. O número representa aumento de 130,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. No Brasil, a penetração da rede logística própria atingiu 83% do total das entregas no período, versus 79% do quarto trimestre de 2020.

Além disso, o volume total de pagamentos (TPV – Total Payment Volume) processados do Mercado Pago no trimestre foi de US$ 14,7 bilhões, um aumento ano a ano de 81,8% em dólares e 129,2% em moeda constante. No período, foram realizadas 630,1 milhões de transações, o que representa um aumento de 116,7%.

O volume total de pagamentos fora da plataforma atingiu US$ 8,5 bilhões, com um crescimento ano a ano de 82,5% em dólares e 136,4% em moeda constante. Foram 478,9 milhões de pagamentos no trimestre, representando um crescimento ano a ano de 120,4%.

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Mercado Livre tem prejuízo líquido no 1º trimestre de US$ 34 milhões; receita salta 111%

(Divulgação/Mercado Livre)

O Mercado Livre divulgou nesta quarta-feira, 5, um prejuízo líquido de US$ 34 milhões no primeiro trimestre de 2021, ou perda de US$ 0,68 por ação. O trimestre encerrou com um lucro antes de impostos de US$ 9,5 milhões, contra uma perda de US$ 16,7 milhões durante o mesmo período de 2020.

A receita líquida do primeiro trimestre foi de US$ 1,4 bilhão, um aumento ano a ano de 111,4% em dólares e 158,4% em moeda constante. A operação no Brasil representa 56% da receita líquida total da companhia, tendo alcançado US$ 768,7 milhões, crescimento de 93% em dólar e 139% em real, ano contra ano.

O volume de vendas (GMV – Gross Merchandise Volume) foi de US$ 6,1 bilhões, representando um crescimento ano a ano de 77,4% em dólar e 114,3% em moeda constante – 72,9% desse valor provém de transações feitas em dispositivos móveis. O Brasil foi um dos destaques durante o trimestre, com crescimento de 84% em volume de vendas, em moeda constante, com avanço sequencial de 8 pontos percentuais contra o quarto trimestre de 2020. Foram vendidos 222 milhões de itens, o que significa um crescimento ano a ano de 110,2%.

A empresa informa que foram enviados 208,1 milhões de itens por meio do Mercado Envios, plataforma de logística da companhia. O número representa aumento de 130,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. No Brasil, a penetração da rede logística própria atingiu 83% do total das entregas no período, versus 79% do quarto trimestre de 2020.

Além disso, o volume total de pagamentos (TPV – Total Payment Volume) processados do Mercado Pago no trimestre foi de US$ 14,7 bilhões, um aumento ano a ano de 81,8% em dólares e 129,2% em moeda constante. No período, foram realizadas 630,1 milhões de transações, o que representa um aumento de 116,7%.

O volume total de pagamentos fora da plataforma atingiu US$ 8,5 bilhões, com um crescimento ano a ano de 82,5% em dólares e 136,4% em moeda constante. Foram 478,9 milhões de pagamentos no trimestre, representando um crescimento ano a ano de 120,4%.

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Magazine Luiza ganha queda de braço com o Mercado Livre no Cade

O tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) negou na quarta-feira, 14, recurso apresentado pelo Mercado Pago, empresa de pagamentos do Mercado Livre (MELI34), e manteve a aprovação da compra da fintech Hub Prepaid pela Magalu Pagamentos, do Magazine Luiza (MGLU3).

A operação já havia sido aprovada, sem restrições, pela Superintendência-Geral do Cade, em março, mas foi levada ao tribunal após apresentação de recurso. A alegação do Mercado Livre foi que a Hub prestava serviços financeiros para a empresa e detém informações importantes, que poderiam ser passadas para a concorrente Magalu – o que não teria sido investigado suficientemente pelo Cade.

Os conselheiros, no entanto, entenderam que a questão da troca de informações não cabe ao Cade e que a operação não traz prejuízos à concorrência. “Não há, do ponto de vista concorrencial, quaisquer fundamentos sólidos capazes de obstar o presente ato de concentração”, afirmou a conselheira relatora, Paula Azevedo.

Em dezembro, a Magazine Luiza, por meio de sua subsidiária Magalu Pagamentos, anunciou a compra de 100% da instituição de pagamentos Hub Prepaid por R$ 290 milhões. A empresa tem mais de 250 funcionários e cerca de 4 milhões de contas digitais e cartões pré-pago ativos, que movimentaram R$ 6,6 bilhões em 2020.

Na época, a Magalu disse que, após a integração com a Hub, os clientes do MagaluPay poderiam contar com a plataforma de produtos e serviços financeiros, de forma gratuita, integrada ao aplicativo da varejista. Entre os serviços a ser ofertados pelo Magalu, está a abertura de conta digital para realizar compras, depósitos, transferências, pagamentos e saques.

Becel

Também na quarta, o Cade negou ainda recurso apresentado pela Seara contra acordo firmado pela BRF para a produção e distribuição da margarina Becel no Brasil.

A operação já tinha tido o aval da superintendência, que entendeu que o órgão não precisaria analisar o negócio, já que se tratava de um contrato associativo, e não de uma parceria ou fusão.

No recurso, a Seara afirmava que o contrato de distribuição prejudicaria de “maneira substancial” o mercado de margarinas. A maioria do conselho, no entanto, entendeu que o negócio não prejudica a concorrência por se tratar de contrato firmado por apenas um ano, sem previsão de renovação.

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“Quando a Anvisa der aval, vamos ter farmácias vendendo em nossa plataforma”, diz presidente do Mercado Livre

SÃO PAULO — Empurrado pelo boom do e-commerce na pandemia de coronavírus, o marketplace argentino Mercado Livre (MELI34) teve receita de US$ 1,3 bilhão no quarto trimestre de 2020, com crescimento de 97% sobre o mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2020, a cifra chegou a US$ 4 bilhões, numa alta de 73%.

Apesar desse desempenho, que teve fôlego especialmente por causa do Brasil, onde as operações representaram mais da metade da receita trimestral da companhia, o Mercado Livre terminou o quarto trimestre de 2020 com prejuízo de US$ 50 milhões — e não estima voltar a pagar dividendos tão cedo.

“No acumulado do ano passado, ficamos praticamente no zero a zero, sem lucro, nem prejuízo. Houve pressão de custos, como aumento do gasto da frota com combustíveis, mas também houve investimentos pesados em logística. Faz parte da nossa estratégia de ganhar escala”, afirmou o presidente de commerce para América Latina, Stelleo Tolda, em live do InfoMoney nesta terça-feira (23).

A entrevista faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, no qual CEOs e outros executivos importantes de empresas da Bolsa comentam os balanços do quarto trimestre de 2020 e o desempenho anual das companhias, e falam também sobre perspectivas. Para não perder as próximas lives, que acontecem até o início de abril, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

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De acordo com Stelleo, embora o Brasil tenha puxado a fila dos mercados que mais cresceram dentro do grupo, houve uma surpresa positiva com o bom desempenho de mercados secundários, como Colômbia e Chile — o Mercado Livre atua em 18 países, sendo as operações mais fortes no Brasil, México e Argentina.

Por aqui, a companhia está otimista com o crescimento de seu marketplace, especialmente com a chegada de um novo segmento na plataforma de vendas on-line: o de supermercados.

“O GPA, dono da marca Pão de Açúcar, já anunciou nossa parceria, por exemplo. Por enquanto, só conseguimos fazer a entrega de produtos secos, mas a expectativa, e estamos estudando a melhor logística para isso, é de que nos próximos meses a gente também possa entregar produtos congelados”, afirmou Tolda.

O presidente do Mercado Livre disse ainda que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está analisando a possibilidade de marketplaces como o Mercado Livre venderem produtos farmacêuticos através de parceiros plugados em sua plataforma — uma notícia animadora diante do aumento da demanda por medicamentos e outros produtos de farmácias na pandemia de coronavírus.

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“Tem alguns players grandes que conseguem fazer a logística por conta própria, mas o mercado é pulverizado e tem muitas redes menores de farmácias que poderiam ser nossos clientes neste serviço”, disse. Sobre remuneração ao acionista, porém, o Mercado Livre está mais conservador, e acredita que ainda não é hora de focar nisso.

“Nós já pagamos dividendos no passado, mas agora estamos numa fase de investimentos, por isso não temos previsão para voltar a pagar dividendos ainda”, destacou o presidente do Mercado Livre. Apenas no Brasil, a companhia planeja investir R$ 10 bilhões em 2021 — boa parte em logística, mas também em outras áreas, como crédito para pequenas empresas.

O Mercado Pago, fintech do grupo, ajudou na performance positiva das operações brasileiras. “Tivemos crescimento em todos os seguimentos, de wallet, de maquininhas. Apenas os pagamentos online saltaram 143% de um ano para o outro, e a área de crédito também cresceu”, afirmou Tulio Oliveira, vice-presidente do Mercado Pago no Brasil.

Embora a inadimplência entre a baixa renda tenha crescido nos últimos meses no segmento de crédito do Mercado Pago, Oliveira disse que a companhia está provisionada para lidar com isso e segue pronta para colocar a todo vapor seu novo produto: o cartão de crédito. “Hoje, 4 milhões de clientes já utilizam nosso cartão de débito. Vamos começar por eles”, afirmou.

O executivo citou que o Mercado Pago teve bom crescimento não apenas nas vendas via Mercado Livre, mas fora também. Ele também ressaltou que a pandemia pode ter acelerado o processo de digitalização, mas que a fintech do Mercado Livre no Brasil estava preparada para absorver a escala — somente entre o segundo e terceiro trimestres do ano passado o Mercado Pago ganhou mais de nove milhões de novos clientes no país.

Isso é fruto de investimentos em novas tecnologias e também em parceiras fechadas com grandes empresas, segundo o VP da marca. Os executivos falaram ainda sobre a não intenção do Mercado Livre de comprar os Correios em um eventual leilão de privatização no futuro.

“Em 2017, nossas entregas eram 95% feitas via Correios. Hoje, são menos de 10%. Se os Correios forem privatizados, e eu como brasileiro quero isso, podemos até pensar em voltar a aumentar nossas entregas com a empresa, sob uma gestão melhor. Mas a gente comprar os Correios não é uma possibilidade”, enfatizou Tolda.

Eles falaram ainda sobre a possibilidade de crescimento de mercado no Brasil, uma vez que apenas 10% do varejo é via e-commerce. Tolda explicou ainda sobre a emissão de US$ 400 milhões do Mercado Livre em bonds sustentáveis, que serão usados em projetos ESG. Assista à live completa acima.

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Magalu mira expansão em 5 setores para se tornar o “sistema operacional do varejo no Brasil” em 2021, diz Fred Trajano

Tela de celular com Magazine Luiza (Shutterstock)

SÃO PAULO – A varejista Magazine Luiza (MGLU3) mais do que sobreviveu em 2020: com as lojas físicas fechadas por alguns meses, investiu ainda mais na digitalização, lançou o Parceiro Magalu, plataforma que ajuda as empresas nas vendas online, expandiu as operações da Logbee, sua empresa de logística, e consolidou a transformação das lojas físicas em hub logístico, como se fossem mini centros de distribuição. As ações do Magazine Luiza subiram 130% entre 9 março de 2020 e esta terça-feira (9).

Passado um ano desde o início da pandemia, em 2021 a empresa vai dividir a atenção (e os investimentos) em cinco setores: produtos de supermercados; delivery de restaurantes; moda e beleza; pagamentos; e publicidade digital. “A pandemia catalisou o processo de digitalização. Atuamos bem na categoria de bens duráveis, como eletroeletrônicos e eletrodomésticos, mas outros segmentos ainda têm um potencial de crescimento muito grande e queremos aproveitar”, afirmou Frederico Trajano, CEO do Magalu, em entrevista ao InfoMoney.

Nesta segunda-feira (8), o Magazine Luiza divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2020. No período, o lucro líquido ajustado da empresa ficou em R$ 232 milhões, alta de 40% na comparação com o mesmo período de 2019. No acumulado de 2020, por outro lado, o lucro líquido caiu 57,5% em relação a 2019, para R$ 391,7 milhões. As vendas totais da companhia subiram 60% em 2020, alcançando R$ 43,5 bilhões. E desse total de vendas, o e-commerce representou 65,6% – com alta de 120% no quatro trimestre de 2020.

O CEO afirma que a maior ambição do Magazine Luiza é se tornar o sistema operacional do varejo brasileiro e, por isso, planeja investimentos e aquisições em setores distintos – com foco nas operações online. Confira um panorama dos próximos passos da varejista:

Aquisições são estratégicas

A varejista vem apostando em aquisições em segmentos diferentes: entre julho a dezembro de 2020 foram adquiridas dez empresas. “As aquisições fazem parte do nosso quebra-cabeça, são peças que juntas vão consolidar a infraestrutura do que queremos ser: o sistema operacional do varejo”, ressalta Trajano. A ideia é apostar em empresas que vão complementar o ecossistema do Magalu, focando em negócios que vão aprimorar a oferta de serviços para pessoas físicas e empresas. Para além disso, as aquisições também vão ser direcionadas às empresas intermediárias nas cadeias nas quais a varejista atua.

“Eu quero aumentar a participação em diferentes mercados, e aumentar as vendas. Compramos a AiQFome, que tem parceria com 20 mil restaurantes e que atua em 450 cidades. Ela será plugada ao app do Magalu e, a partir da união de expertises, vamos ganhar espaço nesse segmento. Ao mesmo tempo, vamos investir nos intermediários, como a logística para aumentar a malha de entrega de tudo o que fazemos. Queremos explorar o potencial dos segmentos nos quais vemos oportunidades. Estamos de olho em novos negócios e os complementares”, explica Trajano.

No relatório de resultados do quarto trimestre, a empresa afirma que para fomentar todo o ecossistema, 2021 será o ano da logística. “Vamos acelerar significativamente os investimentos para converter nossas 1.300 lojas em pontos de apoio logístico para os sellers [vendedores parceiros], aumentar o número de centros de distribuição e automatizar essa infraestrutura. Logística, distribuição e entrega dos produtos vendidos pelos parceiros do marketplace serão um espelho perfeito do que já acontece com a operação dos produtos próprios”, diz o texto.

Trajano explica que sob o aspecto logístico o foco será investir mais no que a varejista já possui, e as aquisições ficarão concentradas nos setores que a empresa considera cruciais para continuar crescendo a partir de agora.

A companhia está capitalizada: nos últimos 12 meses, a geração de caixa ajustada foi de R$ 3,1 bilhões, aumento de 104% na comparação com os 12 meses anteriores, e o Magalu pretende usar os recursos para adquirir mais negócios.

Setores importantes para 2021

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Considerando a meta de trazer negócios complementares para o portfólio da empresa em 2021, Trajano destacou cinco segmentos que receberão atenção especial neste ano e que o executivo considerou como as suas “principais avenidas de crescimento”. Em todos os casos, a companhia já vem investindo na aquisição de startups que podem impulsionar os serviços que vai oferecer em cada setor. Conheça:

a) Produtos de Supermercado 

Na última semana, a empresa comprou a VipCommerce, plataforma de e-commerce que atende o varejo alimentar, permitindo que supermercados e atacarejos vendam online por meio do aplicativo do Magalu. “Com a inserção da empresa no nosso ecossistema, será possível combinar a categoria de mercado, que o Magalu já tem, à oferta de milhares de supermercados espalhados pelo Brasil e oferecer ao consumidor uma cesta completa de produtos — inclusive perecíveis. O segmento é um mercado de mais de R$ 500 bilhões por ano no Brasil”, diz o relatório de resultados.

Segundo Trajano, a VipCommerce era uma das poucas empresas de softwares de integração nesse tipo de segmento disponíveis no mercado.

b) Delivery de restaurantes 

Ressaltada por Trajano, a AiQFome, comprada no início de setembro de 2020, é uma empresa de delivery que atua majoritariamente fora dos grandes centros urbanos, em 21 estados. A startup gera um GMV (volume bruto de mercadorias) anualizado de quase de R$ 1 bilhão e recebe cerca de 2 milhões de pedidos mensais. “Tem sinergia: ao plugar essa empresa ao novo app, que conta com 30 milhões de usuários mensais, a gente potencializa o negócio de delivery, no qual eles já têm expertise, e entramos de forma sólida nesse setor”, diz o CEO.

Segundo Trajano, o mercado brasileiro de delivery de refeições movimentou R$ 18 bilhões no ano passado. “Se levarmos em conta todo o mercado de alimentação fora de casa, o mercado potencial é de R$ 196 bilhões. Também vemos oportunidades”, diz.

c) Moda, beleza e estilo de vida

Outra frente é a de moda, beleza e estilo de vida. Em moda, a aquisição da Netshoes e Zattini, em 2019, marcou a entrada do Magalu no e-commerce da categoria. Mais recentemente, em 2020, a empresa investiu na compra da Hubsales, plataforma por meio da qual fabricantes de roupa oferecem seus produtos diretamente aos consumidores.

“Levaremos a digitalização a polos industriais de moda, conectando fabricantes diretamente ao consumidor final por meio do nosso marketplace. As categorias de moda e beleza, juntas, formam um mercado extremamente pulverizado, ainda pouco digitalizado e que movimenta R$ 223 bilhões anuais”, explica Trajano.

Em beleza, o Magalu adquiriu em 2013 o e-commerce Época Cosmésticos, que já era parceiro da varejista, e conseguiu aumentar a oferta de produtos como maquiagens, perfumes e cosméticos de forma geral.

d) Pagamentos

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No ano passado, foram transacionados no Brasil R$ 2 trilhões em meios eletrônicos de pagamento, que incluem cartões de crédito, débito e pré-pagos, segundo dados da Abecs, associação que representa as empresas de cartões. Desse total, cerca de R$ 42 bilhões em TPV (volume total de pagamentos) passaram pelo ecossistema Magalu no último ano, de acordo com Trajano. Para ele, uma pequena fração diante do potencial que se pode alcançar.

A empresa já conta com o Magalu Pay, sua conta digital multicanal e integrada ao SuperApp. Em dezembro, o Magalu comprou a Hub Fintech, uma plataforma de serviços para contas digitais e cartão pré-pago, que movimentou cerca de R$ 7 bilhões em 2020.

A partir de agora, a ideia é conectar o Magalu Pay, a Hub Fintech e a Luizacred para abrir espaço para a criação e oferta de serviços financeiros digitais, como cartão pré-pago, cartão de crédito, empréstimos para pessoas físicas e jurídicas, seguros e cashback para os clientes e parceiros de marketplace – e tudo será executado no ambiente do app da varejista.

e) Publicidade digital 

Em 2020, segundo dados da empresa de pesquisa de mercado eMarketer, o mercado de publicidade movimentou R$ 48 bilhões. A ideia do Magalu é ser também uma vitrine para anúncios digitais.

Em agosto passado, a empresa anunciou a compra do site de tecnologia Canaltech e da plataforma de publicidade Inloco, que ajuda os vendedores parceiros na atração de clientes através dos ads, anúncios online que podem ser direcionados a públicos específicos e que tendem a ser mais assertivos.

Diversificar demais pode ser um problema?

Segundo Trajano, esses segmentos vão ajudar o Magalu a atravessar 2021 com um certo fôlego, mesmo diante da piora da pandemia e da incerteza econômica. Ele entende que o Magalu está bem posicionado em todos esses setores por já ter um app que hoje conta com 33 milhões de usuários mensais, por meio do qual os negócios e serviços serão gerenciados e concluídos.

“Não precisaremos gastar tempo e energia para erguer uma operação multicanal. Ela está pronta e madura. Estamos dando novos saltos na nossa multicanalidade. Vamos conectar as lojas umbilicalmente ao marketplace”, mostra o relatório da empresa.

Alex Antonio, professor de marketing estratégico da PUC-PR, lembra duas aquisições que o Magalu fez em 2017 e 2018: as startups Integra, que agrega sistemas e relacionamento de empresas do e-commerce, e a Softbox, especialista em soluções de varejo.

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“No fim das contas, o Magalu trabalha com uma coisa: tecnologia e integração de sistemas. A compra da Softbox e da Integra lá atrás ajudam na consolidação dos novos negócios e plataformas: quando o Magalu faz uma aquisição, o processo de integração é próprio, o que minimiza os riscos e os possíveis ruídos. Por exemplo, a compra de uma plataforma que permite que os supermercados vendam online, não é entrar no segmento de supermercados, mas prover a infraestrutura de operação para esse setor. É um movimento inteligente”, avalia o professor.

Alexandre Machado, especialista em varejo e sócio diretor do Grupo GS& Gouvêa de Souza, pontua que, considerando a meta da empresa de ser o “sistema operacional do varejo”, apostar em cinco setores é diversificar os braços de negócio. “O varejo é amplo, faz sentido diversificar. Lembrando da aquisição da Netshoes, por exemplo, e também a da AiQFome, além dos investimentos no marketplace, eu diria que é bem nessa direção que está o crescimento. Como eles têm uma estrutura tecnológica muito robusta, é um dos poucos players que está conseguindo diversificar de forma sustentável”, afirma.

Um ponto de atenção, no entanto, é agregar tantas empresas com lideranças diferentes. “Fazer essa integração de maneira fluida, principalmente quando os setores são distintos, é um fator crítico de sucesso. São muitos segmentos e é preciso integrar o negócio, mas também é necessária a sinergia de longo prazo para sustentar tantas aquisições”, diz Machado.

Fred Trajano explica que hoje há um time na varejista focado em fazer essas novas integrações e organizar as estruturas das empresas que entram para o grupo. “Respeitamos os empreendedores fundadores e precisamos do know-how deles. A ideia é que, cada vez mais, através da nossa arquitetura tecnológica, as empresas que cheguem sejam capazes de fazer uma autogestão, baseada na cultura do Magalu, naturalmente, mas contando também com certa independência para atuar através da nossa infraestrutura”, explica.

Concorrência

A despeito do plano ambicioso de expansão, analistas de mercado ponderam que a forte concorrência entre as varejistas pode limitar as altas das ações das empresas do setor como um todo em 2021.

A Via Varejo, (VVAR3), dona das Casas Bahia e do Ponto Frio, divulgou números considerados sólidos no balanço do quarto trimestre. Mas não foi o suficiente para impulsionar as ações. O banco Credit Suisse, por exemplo, citou que a empresa foi a última a chegar na corrida do varejo online, portanto, apesar dos números robustos, o caminho pela frente é incerto devido às dificuldades que a empresa deve enfrentar para disputar espaço em um mercado já muito concorrido.

As Lojas Americanas e sua controlada B2W já são vistas com mais otimismo, mas porque acabaram de anunciar os planos de finalmente unir suas operações.

Ainda que os analistas avaliem que as ações do Magazine Luiza podem ser menos afetadas pela concorrência acirrada do setor, por ostentar alguns dos números mais positivos entre as varejistas e ter iniciado o processo de digitalização antes, alguns defendem que não há espaço para quatro grandes players no setor de varejo.

Em relatório divulgado após o balanço da B2W e da Americanas, na sexta-feira (5), o Bradesco BBI ressaltou que ambas as empresas começaram bem 2021, mas ainda assim prefere ficar fora dos papéis.

“Embora esperemos que as ações tenham um desempenho superior no curto prazo, mantemos nossa classificação neutra em ambas as ações, impulsionados por preocupações com a concorrência (para todos os quatro grandes participantes do comércio eletrônico [B2W, Americanas, Magalu e Via Varejo])”, diz o relatório do BBI. “Nossa preferência no segmento de comércio eletrônico continua sendo por empresas de menor porte e nichos de atuação como a Enjoei, que apresentam menor exposição às categorias de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, e por atuar em uma categoria com baixa penetração do comércio eletrônico, com alto potencial de crescimento”.

Fernando Siqueira, gestor da Infinity Asset, também cita a concorrência como um forte risco ao falar das perspectivas para as ações de varejistas. “Dentre as quatro grandes varejistas, tenho preferência por Magalu, mas ainda assim acho que não tem espaço para tanto player no mercado. Isso sem falar dos planos agressivos de expansão do Mercado Livre e da Amazon no mercado brasileiro. E além de tudo isso, 2020 não deve se repetir”, diz.

O Mercado Livre anunciou, na semana passada, que vai investir R$ 10 bilhões no Brasil em 2021 com o objetivo de se consolidar ainda mais em seu principal mercado. Antes disso, já havia anunciado mais cinco centros de distribuição no país.

A Amazon, cuja receita passou da marca de mais de US$ 100 bilhões pela primeira vez no quarto trimestre de 2020, anunciou, no fim do ano passado, a implementação de um programa global de logística no Brasil para centralizar em seus próprios centros de distribuição o armazenamento, empacotamento e envio ao consumidor final dos produtos de parceiros de venda no marketplace com foco na entrega rápida. Lembrando que o prazo de entrega é um dos fatores mais levados em consideração pelo cliente ao decidir qual empresa escolher no comércio online.

Vários dos analistas mencionam que, além da concorrência, a redução do consumo é outro grande risco para o varejo em 2021. Além da previsão de uma segunda rodada do auxílio menor, o comércio online não deve repetir o ‘boom’ do ano passado. Com a rotação de ativos, investidores estão justamente saindo das ações ligadas ao varejo online e à tecnologia e partindo para ações mais cíclicas, como aquelas ligadas a commodities.

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