Safra de grãos deve cair com geadas e seca e pressionar preços de alimentos

Os consumidores brasileiros não deverão ter trégua nos próximos meses. A prolongada estiagem e, mais recentemente, as ondas de frio registradas em várias regiões do País afetaram a produção de milho, café, hortaliças e laranja, o que deve elevar ainda mais o custo desses produtos nas prateleiras dos supermercados. Como o milho é usado na ração de bovinos, suínos e, principalmente, frangos, o preço desses itens também seguirá pressionado.

Depois de dois anos de recorde, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou ontem uma queda na safra de grãos brasileira 2020/2021. A expectativa é de que sejam produzidas 254 milhões de toneladas, 1,2% a menos do que na safra anterior.

Mesmo com o aumento de 4% na área plantada, a redução na produção se deve à queda na produtividade por causa da estiagem nas principais regiões produtoras e das geadas. Economistas alertam que parte desses eventos climáticos ainda não estava no radar e ainda poderá ter efeitos negativos nos preços.

O café foi uma das lavouras mais atingidas pela recente onda de frio, que prejudicou também a produção de milho, que já tinha sofrido com problemas climáticos no início do ano. No segundo semestre do ano passado, produtores de soja atrasaram em cerca de um mês o plantio do grão por falta de chuvas. Isso levou a uma produção menor do principal produto agrícola exportado pelo País, e adiou também o cultivo do milho, que é plantado na entressafra da soja.

Com isso, a Conab projetou uma quebra de 15,5% nas colheitas. A primeira safra, de verão, está projetada em 24,9 milhões de toneladas, 11% abaixo da safra anterior. A segunda safra, tradicionalmente chamada de “safrinha”, deve ser de 60,32 milhões de toneladas, 19,6% abaixo da de 2020.

“O milho foi a principal questão que levou a Conab a reduzir a projeção da safra. Os preços já vinham em alta, e teremos uma oferta apertada, muito ajustada à demanda, até maio de 2022, que é quando se colhe a safrinha 2022”, afirmou o assessor técnico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Fábio Carneiro.

O clima também levou o IBGE a revisar sua estimativa para a safra de grãos. O IBGE ainda estima ligeiro aumento, de 0,8%, mas fez revisões para baixo pelo quarto mês seguido – e a perspectiva é de continuar rebaixando as previsões.

O analista de Agropecuária do IBGE, Carlos Antônio Barradas, disse que as estimativas do órgão para a segunda safra de milho poderão piorar porque os efeitos negativos das geadas ainda não foram totalmente captados. Além disso, há a possibilidade de novas ondas de frio chegarem, o que, assim como a estiagem prolongada, pode afetar a safra de trigo.

Carneiro, da CNA, compartilha da preocupação. Ele explica que o produto é usado como substituto parcial do milho na ração animal, principalmente para bovinos, e o tamanho da colheita pode definir o comportamento do preço das carnes nos próximos meses. “Nosso medo é haver geada em agosto e atingir as plantações de trigo, principalmente no Paraná. Hoje, há uma perspectiva de crescimento de área, mas pode haver perda de produtividade”, afirmou.

Inflação

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Os problemas na oferta de commodities (matérias-primas com cotação internacional) agrícolas, como milho, soja, café e leite, puxaram a aceleração da inflação medida pelo IGP-DI em julho, quando registrou alta de 1,45%. De acordo com o pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz, os impactos da seca já estavam no radar, mas as frustrações causadas pelas geadas ainda terão efeitos nos preços. “Isso pode frustrar a expectativa de desaceleração da inflação no segundo semestre”, afirmou.

Além de pressionar os preços finais das carnes, o aumento no custo do milho tem efeito sobre o ovo e o leite, que, mais caro, também tende a encarecer laticínios em geral. Além disso, as ondas de frio afetam a produção de alimentos in natura, como hortaliças e legumes, integrantes da cesta básica da maioria das famílias.

Para o diretor da consultoria MB Agro, José Carlos Hausknecht , a frustração de novos recordes na produção agrícola em 2021 confirma ainda uma expectativa de estabilidade no PIB da agropecuária no fechamento do ano. No primeiro trimestre, o PIB da agropecuária avançou 5,7% ante os três últimos meses de 2020, em desempenho impulsionado pela safra recorde de soja. Com isso, no início do ano, as expectativas apontavam para um avanço de 2% a 3% no PIB da agropecuária, alta que foi minada pelos efeitos do clima sobre a produção.

Ainda assim, ele acrescenta que o quadro ainda é favorável para o produtor. Com as cotações das commodities elevadas e o dólar alto, os produtores agrícolas nacionais ainda têm um impacto positivo em sua renda. Isso sinaliza para renovação de investimentos para a próxima safra.

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Commodities agrícolas têm semana de forte volatilidade nos EUA: entenda o que causou o movimento

A semana foi marcada por grande volatilidade nos preços internacionais dos grãos. De um lado, a melhora nas condições climáticas dos Estados Unidos puxou para baixo tanto as cotações do milho quanto da soja, negociadas na Bolsa de Chicago.  Dando sustentação, a demanda aquecida da China e das indústrias de etanol dos Estados Unidos evitou perdas mais acentuadas. O saldo foi uma valorização semanal de apenas 0,28% nos preços da soja para julho e uma modesta queda de 0,08% nas cotações do milho, também para julho.

A partir de agora, o mercado internacional de grãos passa a ficar extremamente sensível às variações climáticas, especialmente nos Estados Unidos. Por enquanto, o clima tem favorecido o avanço do plantio e o desenvolvimento das lavouras americanas.

O último dado do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado no início desta semana, mostra que o plantio da safra de soja já foi concluído em 75% da área. O ritmo de trabalho está mais acelerado do que o observado no mesmo período do ano passado, quando o plantio havia sido realizado em 63%. O milho tem situação semelhante. Mais perto do término do plantio, 90% da área já foi cultivada, ante 87% de 2020.

Com o plantio caminhando bem, o mercado passa a olhar agora para o desenvolvimento das lavouras em si. E, ao que tudo indica, a maior parte da região produtora dos Estados Unidos deve presenciar as próximas duas semanas de chuvas, o que é essencial para essa fase do desenvolvimento. No que se refere às temperaturas, o clima mais quente, nesse momento, é o ideal para as lavouras, mas as baixas temperaturas já registradas nas áreas mais ao norte do cinturão agrícola americano podem atrasar o desenvolvimento das plantas.

Se o clima foi o fator de pressão para os preços nesta semana, a demanda aquecida evitou que os preços caíssem demais.

Na última quarta-feira, a Agência de Informação de Energia (EIA) atualizou os dados semanais de produção de etanol nos Estados Unidos. O resultado foi um aumento de 38% na produção e uma redução de 18% na oferta em comparação ao mesmo período do ano passado. Vale lembrar que os americanos produzem o biocombustível a partir do milho, ou seja, um crescimento na produção de etanol significa aumento da demanda do cereal.

Além disso, as vendas semanais de soja e milho dos Estados Unidos vieram acima das expetativas do mercado. Foram encomendadas 5,69 milhões de toneladas de milho, das quais 5,64 milhões pela China, e 248,30 mil toneladas de soja, tendo o México como destino principal.

Dentro de todo esse cenário, o resultado do pregão desta sexta-feira reflete bem tudo o que aconteceu ao longo da semana. Os contratos de soja para agosto encerraram o pregão de hoje a US$ 14,813 por bushel (US$ 32,66 por saca), com queda de 0,4%. Na semana, o vencimento acumulou ganhos de modestos, 0,8%. Já o milho para setembro recuou 2,1% para US$ 5,73 por bushel (US$ 13,54 por saca), acumulando na semana um valorização de 0,1%.

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Brasil começa a receber milho argentino; BRF e JBS são compradores, Aurora avalia

SÃO PAULO (Reuters) – As primeiras cargas de milho argentino importado por empresas brasileiras como BRF (BRFS3) e JBS (JBSS3) começaram a desembarcar no país, que agora busca o cereal no vizinho para lidar com a quebra de safra nacional, preços em níveis recordes localmente e alta demanda da indústria de carnes.

Um carregamento de cerca de 35 mil toneladas foi desembarcado ao final de maio, no porto de Paranaguá (PR), e um segundo de aproximadamente 30 mil toneladas chegou a Rio Grande (RS) no meio da semana passada, e outros quatro navios com o cereal do país vizinho devem aportar ainda este mês, conforme dados da agência marítima Cargonave, que incluem também o terminal catarinense de Imbituba com destino.

“Já chegaram navios, foram descarregados. Tem importação de trigo, não só de milho, para ração”, disse à Reuters Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), comentando sobre as alternativas das companhias produtoras de carnes suína e de frango, cujos custos estão crescentes devido ao preço das matérias-primas para alimentação.

A gigante do setor de carnes JBS está recebendo um navio com 30 mil toneladas de milho argentino, no porto de Imbituba (SC), conforme nota à Reuters, após ser questionada.

“A JBS está sempre atenta às oportunidades e alternativas para manter seu fornecimento de matérias-primas de maneira competitiva”, afirmou.

Já a BRF, maior exportadora global de carne de frango, confirmou à Reuters a importação de milho argentino, mas preferiu não dar detalhes.

A Aurora afirmou, também por meio da assessoria de imprensa, que está avaliando compras no país vizinho, mas que não está fazendo a operação “ainda”.

Ao todo, entre volumes desembarcados e previstos para junho, o Brasil deve internalizar 191 mil toneladas de milho da Argentina via navios.

O volume previsto de milho argentino na programação de navios representa quase o dobro das 103 mil toneladas compradas no parceiro do Mercosul em todo o ano passado, segundo dados do Ministério da Agricultura.

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No primeiro quadrimestre, o Brasil já importou 758 mil toneladas de milho, aumento de quase 70% ante o mesmo período do ano passado, com o produto do Paraguai, que chega em geral de caminhão, dominando quase que 100% das importações.

Ainda que a colheita da segunda e maior safra brasileira do cereal esteja próxima de ganhar ritmo, o que em tese dificultaria negócios com o produto importado, a expectativa é de que cresçam ao longo do ano os volumes comprados pelo Brasil, que normalmente figura como o segundo exportador mundial de milho quando a oferta é mais abundante.

Em 2020/21, na direção contrária, as importações do cereal pelo Brasil devem somar 2,5 milhões de toneladas, cerca de 1 milhão acima da temporada passada, segundo estimativas recente da StoneX, que também vê uma forte queda nas exportações brasileiras devido à menor oferta.

Para Santin, da ABPA, o dólar mais fraco frente ao real agora tem tornado o produto importado menos caro, sinalizando mais importações a depender dos desdobramentos no mercado brasileiro.

“O dólar já começa a jogar do nosso lado”, destacou ele.

Após máximas de fechamento de cerca de 5,80 reais em março deste ano, agora a moeda norte-americana está em torno de 5 reais, com uma queda acumulada em 2021 de 3% com base no encerramento da véspera.

“Se vai entrar mais ou menos (importado da Argentina) vai depender do impacto da safrinha e do dólar, do prêmio da paridade, que agora tem se mostrado uma alternativa atrativa. A diferença de preços mesmo, entre o importado e o nacional, aí cada empresa tem seus cálculos”, comentou Santin.

O dirigente da ABPA, que preferiu não comentar sobre importação de milho argentino por companhias, disse sem citar nome que uma empresa “vai comprar mais de 100 mil toneladas de milho do Paraguai por terra, via caminhão”.

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Ele ponderou ainda que os preços internos do milho começam a ter um pouco mais de estabilidade, ainda que em patamares elevados.

Segundo o indicador Esalq, o milho está em 96,57 reais a saca, já inferior ao patamar histórico de 103 reais visto em meados de maio, mas mais que o dobro do valor nominal registrado no mesmo período do ano passado.

Além de os valores terem subido na esteira das cotações internacionais, também influenciou a quebra da segunda safra pela seca, que deverá ser reduzida em mais de 15 milhões de toneladas em relação ao potencial, segundo algumas consultorias.

A AgRural, por exemplo, vê a colheita de inverno do centro-sul em 60 milhões de toneladas.

Já a StoneX estima a segunda safra do país em 62 milhões de toneladas, redução de 17% ante a temporada anterior, enquanto o consumo nacional no ano está projetado em um recorde de 71,5 milhões, com a forte demanda da indústria de carnes.

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Com variações climáticas nos EUA, commodities agrícolas passam por período de alta volatilidade

SÃO PAULO – A semana foi marcada por grande volatilidade nos preços internacionais dos grãos. De um lado, a melhora nas condições climáticas dos Estados Unidos puxou para baixo tanto as cotações do milho quanto da soja na Bolsa de Chicago. Dando sustentação, a demanda aquecida da China e das indústrias de etanol dos Estados Unidos evitou perdas mais acentuadas. O saldo foi uma valorização semanal de apenas 0,28% nos preços da soja para julho e uma modesta queda de 0,08% nas cotações do milho, também para julho.

A partir de agora, o mercado internacional de grãos passa a ficar extremamente sensível às variações climáticas, especialmente nos Estados Unidos. Por enquanto, o clima tem favorecido o avanço do plantio e o desenvolvimento das lavouras americanas.

O último dado do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado no início desta semana, mostra que o plantio da safra de soja já foi concluído em 75% da área. O ritmo de trabalho está mais acelerado do que o observado no mesmo período do ano passado, quando o plantio havia atingido o percentual de 63%. O milho tem situação semelhante. Mais perto do término do plantio, 90% da área já foi cultivada, ante 87% de 2020.

Com o plantio caminhando bem, o mercado passa a olhar agora para o desenvolvimento das lavouras em si. E, ao que tudo indica, a maior parte da região produtora dos Estados Unidos deve presenciar as próximas duas semanas de chuvas, o que é essencial para essa fase do desenvolvimento. No que se refere às temperaturas, o clima mais quente, neste momento, é o ideal para as lavouras, mas as baixas temperaturas já registradas nas áreas mais ao norte do cinturão agrícola americano podem atrasar o desenvolvimento das plantas.

Se o clima foi o fator de pressão para os preços nesta semana, a demanda aquecida evitou que os preços caíssem demais. Na última quarta-feira, a Agência de Informação de Energia (EIA) atualizou os dados semanais de produção de etanol nos Estados Unidos. O resultado foi um aumento de 38% na produção e uma redução de 18% na oferta em relação ao mesmo período do ano passado. Vale lembrar que os americanos produzem o biocombustível a partir do milho, ou seja, um crescimento na produção de etanol significa aumento da demanda do cereal.

Além disso, as vendas semanais de soja e milho dos Estados Unidos vieram acima das expetativas do mercado. Foram encomendadas 5,69 milhões de toneladas de milho, das quais 5,64 milhões pela China, e 248,30 mil toneladas de soja, tendo o México como destino principal.

Dentro de todo esse cenário, o resultado do pregão desta sexta-feira reflete bem tudo o que aconteceu ao longo da semana. Os contratos de soja para agosto encerraram o pregão desta sexta-feira (28) a US$ 14,813 por bushel (US$ 32,66 por saca), com queda de 0,4%. Na semana, o vencimento acumulou ganhos de modestos, 0,8%. Já o milho para setembro recuou 2,1% para US$ 5,73 por bushel (US$ 13,54 por saca), acumulando na semana um valorização de 0,1%.

Semana de fechamento de commodities

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Depois de forte rali, preços do milho caem ao menor patamar de maio e soja desacelera

SÃO PAULO – Os preços do milho na Bolsa de Chicago caíram ao menor patamar do mês, depois de terem alcançado o maior nível em oito anos. As perdas ocorreram nesta semana, após o relatório mensal de oferta e demanda mundial divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na última quarta-feira (12).

O documento contrariou as expectativas do mercado, que esperava um aumento na estimativa de exportação dos Estados Unidos, após a entidade ter reduzido a projeção para a produção e exportação de milho do Brasil.

No relatório da última quarta-feira, o USDA reduziu em 7 milhões de toneladas sua projeção para a safra brasileira de milho do ciclo 2020/21, para 102 milhões de toneladas.

Ao mesmo tempo, as exportações do Brasil foram revisadas em 4 milhões de toneladas, recuando para 35 milhões de toneladas. Nesse contexto, o mercado esperava que o volume que deixará de ser vendido pelo Brasil fosse transferido para os Estados Unidos. Contudo, o USDA reduziu a estimativa de vendas externas americanas em 8,2 milhões de toneladas para 62,2 milhões de toneladas.

Com o sinal dado pelo USDA, a menor demanda pelo milho brasileiro não deve ser absorvida pelos Estados Unidos. Possivelmente, importadores devem buscar a commoditiy em outros países, como Argentina e Ucrânia. Essa hipótese diminuiria a demanda do mercado externo pelo cereal americano, elevando a oferta no mercado interno do país, por isso o recuo nos preços em Chicago.

Como resultado, o contrato do milho para julho negociado na Bolsa de Chicago fechou o último pregão da semana em US$ 6,448 por bushel (US$ 15,23 por saca), com uma queda diária de 4,4% e um recuo semanal de 11,8%. Mesmo no menor patamar do mês de maio, as cotações do cereal ainda acumulam ganhos de 13,5% em 30 dias.

Soja

Depois da ressaca gerada pelo relatório do USDA, os preços da soja terminaram o pregão desta sexta-feira (14) em alta. O contrato para julho fechou o dia em US$ 15,910 por bushel (US$ 35,08 por saca), com ganhos de 0,4%. Na semana, as cotações de soja ficaram praticamente estáveis, acumulando um modesto ganho de 0,1%.

Após a divulgação das previsões do USDA, as cotações da soja iniciaram um movimento de realização de lucros, depois de terem alcançado os maiores patamares desde 2012 nas últimas semanas.

Além da melhora nas condições climáticas que tendem a garantir o avanço do plantio nos Estados Unidos e o desenvolvimento das lavouras de uma forma tranquila, pelo menos pelos próximos dez dias, os preços da soja também foram influenciados pelo bloqueio do fluxo de cargas no Rio Mississipi após a queda de uma ponte. O tráfego, contudo, já foi restabelecido e a liberação ajudou na recuperação do mercado nesta sexta-feira.

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Entre perdas e ganhos, o mercado reavalia agora os dados de estoques americanos de soja acima do esperado. O USDA manteve a previsão de estoque final da safra 2020/21 em 3,27 milhões de toneladas, quando a expectativa dos operadores era que o volume fosse reduzido para 3,21 milhões. Já para a safra 2021/22, que está sendo plantada neste momento, os estoques finais foram estimados em 3,81 milhões de toneladas, também acima das 3,59 milhões de toneladas estimadas pelo mercado.

No Brasil, apesar da queda de quase 2% no pregão dessa sexta-feira, os preços do milho para julho na B3 acumulam ganhos semanais superiores a 2%. Essa alta é explicada pela retração na oferta por conta da resistência dos produtores em elevar a disponibilidade. Devido à seca que atinge o Brasil, ainda há incertezas sobre a capacidade de se manter os compromissos já assumidos.

A Datagro informou que a comercialização da primeira safra de milho já chega a 57,1%. O volume representa um avanço sobre os 44,2% registrados em abril, mas é um volume menor aos 66,4% negociados no mesmo período do ano passado. No caso da segunda safra, que ainda será colhida, a venda antecipada está em 51,1%, abaixo dos 55,8% registrados em maio do ano passado.

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Soja e milho encerram semana em alta e EUA têm 99% da exportação de milho comprometida

SÃO PAULO – Os preços da soja e do milho acumularam uma forte valorização nesta semana na Bolsa de Chicago. O contrato do milho para julho terminou a sexta-feira (7) cotado a US$ 7,31 por bushel (US$ 17,27 por saca), alta diária de 1,7% e um ganho acumulado de 8,6% na semana. Já o vencimento da soja para julho, subiu 1,3% nesta sexta, para US$ 15,90 por bushel (US$ 35,05 por casa), terminando a semana com uma valorização de 3,5%.

A alta nos preços do milho se justifica pela disponibilidade restrita do cereal no mercado físico, aliada a uma perspectiva de que a oferta poderá ser menor do que o esperado no futuro.

A última estimativa de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada no início de abril, prevê que a safra nacional de milho será de 108,9 milhões de toneladas, mas já existe um certo consenso no mercado de que a produção brasileira será inferior a 100 milhões de toneladas.

Na próxima semana, a Conab divulga sua estimativa de maio e, ao que tudo indica, a estatal tende a ajustar os números referentes à segunda safra, que segue em fase de desenvolvimento e já tem perdas confirmadas no Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Nos Estados Unidos, a safra de milho está sendo plantada. Até agora, os trabalhos foram concluídos em 46% da área estimada, ritmo semelhante ao observado no ano passado. A grande incógnita, no entanto, é o clima. Qualquer efeito negativo sobre o rendimento das lavouras que possa representar uma oferta menor será imediatamente refletivo na Bolsa.

Do ponto de vista de demanda, mesmo tendo atingido os maiores patamares dos últimos oito anos, os preços não têm afastado o interesse dos compradores. Nesta sexta-feira, por exemplo, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou uma venda de 1,36 milhão de toneladas de milho americano da safra 2021/22 para a China. Além desse volume, outras 188,46 mil toneladas da safra 2020/21 e 101,6 mil da safra 2021/22 foram negociadas para destinos desconhecidos. O anúncio de hoje confirma um rumor surgido durante a semana no mercado, de que a China estava agressiva em sua demanda pelo cereal.

Na quinta-feira (6), o USDA revelou que as exportações semanais de milho dos Estados Unidos somaram 2,195 milhões de toneladas na semana encerrada em 29 de abril. O volume representa um crescimento de 15% em comparação à semana anterior. Com a atualização do dado, os Estados Unidos passam a ter comprometidos 99% da projeção de exportação feita pelo próprio USDA, ainda faltando alguns meses para o fim da safra.

No caso da soja, a oferta restrita também é o fator chave da alta dos preços. A demanda pelo grão, no entanto, tem como foco a produção de óleo de soja. O produto também tem registrado seguidas altas em Chicago, acompanhando a valorização dos óleos vegetais pelo mundo. No mercado asiático, por exemplo, o óleo de soja negociado na Bolsa de Dalian, na China, teve mais um dia de alta, fechando a semana com ganhos acumulados de 12%. Na Malásia, o óleo de palma renovou máximas em décadas e terminou o último pregão com ganhos de 4,98%.

A China também segue como uma grande demandante de soja. A Administração Geral de Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês) reportou na última madrugada que as compras chinesas de soja no mês de abril somaram 7,45 milhões de toneladas. O número representa um crescimento de 11% em comparação a abril de 2020 e de 4% em relação às importações de março deste ano. De janeiro a abril, as compras de soja chinesas acumulam 28,62 milhões de toneladas, resultado 17% superior ao registrado nos primeiros quatro meses de 2020.

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Milho mira US$ 7, para o maior nível em oito anos, com perspectiva de menor produção no Brasil

(Bloomberg) — Os preços do milho em Chicago chegaram a subir 3,7%, para o maior nível em oito anos, chegando perto de US$ 7 o bushel, em meio ao clima seco que reduz a produção do Brasil, antes posicionado para se tornar o segundo maior exportador mundial do grão nesta temporada.

A safra de milho do país agora é estimada em 104 milhões de toneladas em relação à previsão anterior de 112,8 milhões de toneladas, devido à estiagem que causa perdas em todos os estados produtores, segundo a consultoria Safras. Com chuvas limitadas em áreas centrais nesta semana, a seca deve continuar a afetar as lavouras, segundo a empresa de meteorologia Maxar.

“Uma grande parte da segunda safra de milho do Brasil está em solos secos”, disse Tobin Gorey, estrategista agrícola do Commonwealth Bank of Australia. “As condições de oferta já estão apertadas. Mesmo perdas modestas restringem ainda mais a oferta.”

Contratos futuros de commodities agrícolas estão em alta em quase todos os lugares, o que volta a colocar foco na inflação de alimentos. Os preços medidos pelo índice Bloomberg Agriculture Spot atingiram o nível mais alto desde 2012. O milho chegou a subir para US$ 6,98 na segunda-feira, e depois foi negociado em torno de US$ 6,88 às 13h em Cingapura. O óleo de soja avançou para a maior cotação desde 2008, com alta de até 3,9%, enquanto o óleo de palma ganhou mais de 5%.

As apostas de alta no milho por gestores de ativos estão perto do maior nível em 10 anos, enquanto possuem o maior volume de posições altistas na soja em quatro meses. O milho teve alta de 19% em abril, o melhor desempenho desde 2015, coroando a mais longa sequência de ganhos mensais desde 2008. A soja avançou pelo 11º mês, o período mais longo de valorização registrado desde 1959.

A queda da produção brasileira ocorre em meio à oferta global já apertada, devido ao recorde de importações chinesas impulsionadas pela recuperação do plantel de suínos, o maior do mundo. As compras também são puxadas pelo aumento da demanda da indústria de amido e adoçantes. Operadores também acompanham o plantio nos Estados Unidos, o maior produtor. Os mercados chineses estão fechados até quarta-feira devido a um feriado.

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Cargill aumenta lucro no Brasil em mais de 5 vezes em 2020 e vê cenário favorável

SÃO PAULO (Reuters) – O lucro da Cargill no Brasil atingiu cerca de 2,1 bilhões de reais em 2020, alta de mais de cinco vezes ante o resultado líquido de 2019, com aumento nos preços das commodities agrícolas, câmbio favorável e forte demanda externa por alimentos em meio à pandemia, fatores que seguem agindo no mercado em 2021, disse o presidente da unidade brasileira.

Também colaboraram para a marca, em um ano em que a receita operacional líquida subiu 38%, para 68,6 bilhões de reais, os investimentos de 3,7 bilhões de reais que a companhia com sede nos Estados Unidos fez no Brasil nos últimos cinco anos, ampliando capacidade portuária e de infraestrutura para escoamento, destacou Paulo Sousa, em entrevista à Reuters para comentar os resultados.

Ele destacou que a exportação de soja do Brasil pela Cargill aumentou 9% em volumes em 2020, enquanto os embarques de farelo de soja da empresa no país subiram 13% ante 2019, ajudando nos resultados da companhia, que tem 75% de suas vendas direcionadas para o mercado externo.

“De maneira geral, quando o produtor rural está contente em vender porque os preços estão bons, e quando os compradores estão contentes e querem comprar independentemente de o preço estar historicamente alto, isso tende a ser bom para nós, porque o mercado está valorizando o nosso serviço”, afirmou Sousa, que está à frente da empresa que lidera a exportação de soja e milho do Brasil.

Questionado sobre projeções para 2021, o presidente da empresa –que está entre os três maiores processadores de soja e é a segunda no ranking na exportação de algodão do Brasil– comentou que o cenário “tende” a ser positivo novamente, e ressaltou que a Cargill busca continuar crescendo junto com a agricultura brasileira.

A situação do mercado em 2021 guarda alguma semelhança com 2020, mas os preços internacionais estão ainda mais elevados neste ano, com a soja e o milho em máximas de oito anos na bolsa de Chicago, diante de preocupações com a oferta, como é o caso colheita de milho de inverno no Brasil, cujo potencial produtivo está menor em função do tempo seco.

“Agora, com a safrinha de milho tem um desafio climático grande, em Mato Grosso do Sul, Paraná, parte de São Paulo, Minas Gerais e Goiás”, comentou ele, ao responder questão sobre se a empresa tem preocupação com o cumprimento de contratos, considerando que parte dos produtores realizou fortes vendas antecipadas.

Ele também não acredita que isso possa trazer problemas para a entrega da segunda safra de milho, apesar da preocupação climática. Ele lembrou que o produtor brasileiro tem visão de longo prazo e sabe que, se não cumprir obrigações, pode ter problemas para negociar com as tradings nos próximos anos.

Sousa citou também o fato de que grande parte do investimento do produtor está centrado na primeira safra, como a de soja. E ainda minimizou descumprimentos de contratos da entrega da oleaginosa junto à Cargill ao ser questionado, afirmando que os problemas ficaram “dentro da média história”.

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“Acreditamos na maturidade do produtor, e esperamos que mude o clima, tem muito chão pela frente (até a colheita da segunda safra de milho).”

Até o momento, de acordo com uma pesquisa recente da Reuters, a colheita total brasileira do cereal ainda está estimada em recorde acima de 107 milhões de toneladas, apesar do menor potencial produtivo da segunda safra.

RECOMPRA

As cotações do milho no mercado interno, que estão próximas de 100 reais por saca, impulsionadas também por um período de baixa oferta antes da entrada da segunda safra em junho, podem levar compradores internacionais a mudar sua estratégia, deixando a posição do milho brasileiro caso ele fique acima dos patamares negociados em outros destinos.

Eles poderiam recomprar contratos, citou Sousa, destacando que essa é uma operação normal.

“Isso aconteceu bastante no ano passado, junho e julho do ano passado, quando havia temor grande de que iria faltar milho”, afirmou ele, citando operações em que contratos de exportação foram recomprados.

“Isso permite que a gente volte a aumentar a oferta do milho do Brasil, se o mercado doméstico está pagando um prêmio contra exportação, vamos vender no mercado doméstico… o primeiro ponto é fechar a torneirinha da exportação”, afirmou o presidente da Cargill, também bastante ativa no mercado doméstico de milho.

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