Como a Mills conseguiu alongar a dívida e fazer caixa de R$ 170 milhões na pandemia, e não descarta aquisições

SÃO PAULO — A pandemia de coronavírus atrasou o andamento de obras e impactou negativamente a empresa de engenharia Mills (MILS3) no começo de 2020, mas a companhia observou uma retomada na segunda metade do ano passado — e conseguiu encerrar o período com um caixa de R$ 170 milhões. Ela não descarta usar parte desse dinheiro em aquisições.

Segundo o CEO do grupo, Sergio Kariya, a estratégia da Mills foi cortar custos, renegociar contratos com clientes, fazer duas emissões de debêntures e alongar dívidas. Com isso, a empresa terminou 2020 com um lucro líquido de R$ 7,6 milhões no quarto trimestre de 2020, revertendo prejuízo de 2,7 milhões registrados um ano antes. Já a receita líquida subiu 7%, para R$ 148,2 milhões.

“A gente vem buscando a redução da ciclicidade. Hoje, 70% das receitas de locação da Mills são oriundas do setor de não-construção. A gente trabalha dentro de indústrias, dentro de serviços, comércios, o que gera um comportamento melhor das nossas receitas, especialmente diante de crises”, afirmou Kariya.

“O que a gente está buscando é a consolidação neste setor para criar mais escalas, para criar mais sinergias. (…) Tem um desafio muito grande no Brasil e implementar esse conceito de plataformas aéreas. É um produto substituto que vem crescendo no mundo inteiro”, completou.

A entrevista faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, no qual CEOs e outros executivos importantes de empresas da Bolsa comentam os balanços do quarto trimestre de 2020 e o desempenho anual das companhias, e falam também sobre perspectivas. Para não perder as próximas lives, que acontecem até o início de abril, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

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James Guerreiro, CFO da companhia, enfatizou que a empresa teve também que reduzir investimentos no ano passado para preservar a liquidez diante da pandemia de coronavírus, mas ainda assim conseguiu continuar gerando caixa operacional.

“Fechamos 2020 com praticamente R$ 150 milhões de Ebitda, sendo R$ 50 milhões no quarto trimestre. O maior impacto da pandemia foi no segundo trimestre, e iniciamos uma recuperação já no terceiro trimestre. Em todo o período, não só nessa crise de agora, mas na anterior também, em 2014, a companhia permaneceu geradora de caixa operacional”, disse.

Os executivos falaram ainda sobre a abertura de seis a oito filiais neste ano, as quais já estão mapeadas, além da política de pagamento de dividendos, do impacto do aumento da Selic sobre as operações, além do reflexo do aumento dos combustíveis e da lei de saneamento e gás. Kariya e Guerreiro comentaram também sobre os projetos de expansão, sobre aumento de frota e o potencial de expansão do market share de 28% após a fusão com a Solaris.

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“O principal desafio da indústria de uma maneira geral é penetrar o mercado. No Brasil a gente tem cerca de 30.000 equipamentos, e lá nos EUA tem 450.000 equipamentos. Quanto a gente olha o ratio população/máquina, o Brasil tem uma proporção 11 vezes menor. Tem um trabalho bastante grande de quebrar paradigmas do mercado, de crescer este conceito, penetrar mais e fazer com que o bolo cresça”, disse Kariya. Assista à live completa acima.

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Ações de Yduqs e Gol caem 5% após resultados, enquanto Mills salta 8%; bancos e seguradoras sobem após Copom

SÃO PAULO – Em uma sessão de queda para o Ibovespa, as maiores baixas do índice, de cerca de 5%, ficam para papéis de duas empresas que divulgam resultados no quarto trimestre de 2020: a Yduqs (YDUQ3) e a Gol (GOLL4), sendo que a aérea ainda revisou para baixo perspectivas para o começo de 2021, sugerindo que a segunda onda da pandemia no Brasil está tendo um impacto negativo significativo no mercado de viagens aéreas. A Copel (CPLE6), por sua vez, tem alta de cerca de 2% de suas ações, após o resultado e também com o pagamento de dividendos (veja mais clicando aqui).

Fora do índice, as ações da Mils (MILS3) disparam mais de 8% após o resultado positivo.

As ações também repercutem a decisão do Copom de elevar a taxa de juros de 2% para 2,75% ao ano: as ações das seguradoras BB Seguridade (BBSE3), além da resseguradora IRB (IRBR3) avançam cerca de 2% enquanto que a SulAmérica (SULA11), após saltar quase 10% na véspera, opera com alta de cerca de 1%. Já as ações de bancos também avançam, caso de Santander Brasil (SANB11), Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC3;BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3), com alta de cerca de 1%.

Conforme aponta a XP Investimentos, os bancos são diretamente beneficiados por uma elevação da taxa Selic devido à diferença entre o custo de captação e os juros cobrados dos clientes, diretamente atrelado ao spread bancário. “Com uma alta na taxa básica de juros, bancos tendem a aplicar uma taxa maior em empréstimos, porém o reajuste nos custos de captação é mais lento. Em outras palavras, a diferença entre o que os bancos recebem e pagam fica maior”, avaliam os analistas da XP.

Veja também: Qual o impacto da alta dos juros para as ações na B3? Confira os setores que mais ganham e os que mais perdem

As seguradoras também são beneficiadas porque, além da receita operacional que vem da venda de seguros, elas têm como outra fonte relevante de receita as aplicações feitas no mercado financeiro. Como uma grande parte dessas aplicações são em renda fixa com rendimentos atrelados à Selic, uma alta na taxa básica de juros leva a maiores retornos sobre o capital investido.

Confira os destaques:

A Gol revisou para baixo perspectivas para o começo de 2021, sugerindo que a segunda onda da pandemia no Brasil está tendo um impacto negativo significativo no mercado de viagens aéreas, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira.

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A companhia, que esperava receita do primeiro trimestre chegasse a R$ 2,4 bilhões, agora estima apenas R$ 1,7 bilhão. A nova projeção representa apenas 52% dos níveis pré-pandemia.

A Gol, a maior companhia aérea do Brasil, relatou um lucro modesto de R$ 16,8 milhões no quarto trimestre, que é parte da alta temporada do Brasil. Mesmo assim, a registrou prejuízo em todo o ano de 2020 de R$ 6 bilhões, em grande parte devido à pandemia de Covid-19.

No quarto trimestre, o lucro antes de juro, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) ainda foi a R$ 132,8 milhões, queda de 90,9% na comparação ano a ano. Enquanto isso, a margem Ebitda foi de 7%, baixa de 31,5 pontos percentuais.  O resultado operacional (EBIT) foi negativo em R$ 319,2 milhões, contra Ebit positivo de R$ 694,7 milhões. Já a margem Ebit ficou em -16,9%, contra 18,3% no ano anterior.

A perspectiva menos otimista da Gol é apenas o mais recente sinal de que a segunda onda de coronavírus no Brasil, que apenas esta semana atingiu recordes históricos de mortes diárias e novas infecções, está afetando negativamente a economia, já que as restrições de saúde prejudicam a demanda por viagens.

A Gol disse que seus números de março foram os mais afetados pela nova onda e que teve que reduzir sua programação de voos para 40% dos níveis de março de 2020.

A companhia aérea também aumentou prognóstico para consumo de caixa esperado para o primeiro trimestre para 3 milhões de reais por dia, de uma estimativa anterior de R$ 2 milhões por dia.

O grupo de educação Yduqs teve prejuízo de R$ 102,6 milhões no quarto trimestre, ante lucro de R$ 58,1 milhões em igual etapa de 2019, refletindo efeitos da crise criada pela pandemia e a gradual descontinuidade do Fies.

A companhia especializada em ensino superior e dona de Estácio, entre outras, anunciou nesta quarta-feira que sua receita líquida no período cresceu 14,4%, a R$ 963 milhões. Mas esse crescimento refletiu sobretudo os efeitos de aquisições, como as do grupos Adtalem e Athenas.

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O lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 50,8% ano a ano, para R$ 114,2 milhões, com a perda de receita do programa federal Fies, além de concessão de descontos e maiores provisões para perdas com inadimplência, em meio à crise econômica decorrente da pandemia da Covid-19.

A empresa citou ainda leis e decisões na justiça que implicaram em concessão linear de descontos e provocaram impacto de R$ 83,8 milhões  no trimestre.

O segmento presencial da Yduqs fechou 2020 com 335 mil alunos, alta de 8,5%, resultado das aquisições. Sem elas, a base de alunos de graduação caiu em 7,4%. Em contrapartida, o ensino digital a base cresceu 49,8%, número que sobe para 64%, para 427 mil, se incluir as aquisições. O capex da Yduqs somou 194 milhões de reais no trimestre, alta de 44% sobre um ano antes, refletindo maiores investimentos em transformação digital e tecnologia da informação.

A posição de caixa da companhia fechou 2020 em R$ 1,63 bilhão, alta de 168,1% em 12 meses, consequência das emissões de dívida para financiarem recentes aquisições.

Ao mesmo tempo, a dívida líquida deu um salto de 190%, para R$ 3,2 bilhões de reais, com a alavancagem financeira medida pela relação dívida/Ebitda ajustado de 0,1 vez para 1,4 vez.

“Em um trimestre sazonalmente fraco, a Yduqs apresentou um resultado misto com um desempenho positivo no ensino à distância com a base de alunos crescendo 64% ao ano  (7% acima de nossas estimativas) e com uma melhora em termos de evasão em relação ao quarto trimestre. No entanto, as margens foram impactadas negativamente por maiores provisões para devedores duvidosos”, aponta a XP.

Contudo, o foco de curto prazo deve ser o ciclo de captação de 2021, que provavelmente será impactado negativamente pela segunda onda da Covid no Brasil o que, na opinião dos analistas, é a causa da pressão de curto prazo sobre ações, que deve permanecer até que tenham uma visão mais clara sobre o impacto da Covid na captação. “Mesmo assim, continuamos otimistas com as perspectivas de longo prazo para a empresa e reiteramos nosso rating de compra e preço alvo de R$ 50,70 por ação”, destacam os analistas Vitor Pini e Matheus Soares.

A Anima teve prejuízo líquido de R$ 33,1 milhões no quarto trimestre do ano passado, alta de 16,9% frente igual período de 2019. Em 2020, o prejuízo foi de R$ 41,1 milhões, alta de 328,5% no comparativo anual.

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Enquanto isso, a  receita líquida subiu 17,5% no comparativo trimestral, a R$ 375,9 milhões. No ano, a receita foi de R$ 1,42 bilhão, alta de 20,4%. O aumento da mensalidade média e a expansão da base de alunos por aquisições foram responsáveis pelo aumento na receita líquida anual, apontou a companhia.

A XP destaca o crescimento na receita líquida devido ao ticket médio mais alto e um forte desempenho da margem bruta devido a menores despesas com pessoal. Porém, para fazer frente a um cenário mais desafiador para a captação e rematrículas por conta da Covid, a empresa gastou mais em marketing e teve maiores provisões para devedores duvidosos pressionando a margem EBITDA.

“Em suma, os resultados foram mistos, com um desempenho robusto em termos de receita e margem bruta – um dos pilares da nossa tese de investimento; mas com forte pressão vinda das despesas operacionais. No entanto, todos os olhos estão no ciclo de captação de 2021, que provavelmente será impactado negativamente pela segunda onda da Covid no Brasil, que em nossa opinião é a causa da pressão de curto prazo sobre as ações, que deve permanecer até que tenhamos uma visão mais clara sobre o impacto da Covid na captação. Mesmo assim, continuamos otimistas com as perspectivas de longo prazo para a empresa e reiteramos nossa recomendação de Compra e o preço-alvo de R$ 15 por ação”, destacam os analistas.

A construtora Eztec teve lucro líquido de R$ 139,7 milhões no quarto trimestre, 30% maior do que em igual etapa de 2019, uma vez que o resultado financeiro conseguiu compensar o desempenho operacional mais fraco.

A forte alta do IGP-DI, na esteira da valorização do dólar ante o real, teve resultado positivo na carteira de recebíveis da companhia, que financia diretamente as vendas para parte de seus clientes. Assim, o resultado financeiro respondeu sozinho por 55% do lucro do período.

Por outro lado, a receita líquida da Eztec, de R$ 262,2 milhões, teve queda de 15% ano a ano, com a diminuição no ritmo de obras e de vendas de estoque pronto. A companhia mencionou queda no ritmo de aprovações de projetos e os efeitos da forte alta de insumos como de aço, cimento, PVC, cobre, esquadrias de alumínio, vidro, elevadores, entre outros.

Com o valor geral de vendas (VGV) desabando 59,2%, o Ebitda foi de R$ 75,4 milhões, queda de 19%. Em outra frente, a Eztec acelerou novas aquisições de terrenos “devido ao seu acesso diferenciado às oportunidades criadas pela pandemia”, o que resultou numa queima de caixa de 219 milhões de reais no trimestre.

Ainda assim, a companhia afirmou que espera lançar de R$ 2,8 bilhões a R$ 3,3 bilhões em projetos residenciais ao longo de 2021.

No balanço patrimonial, a companhia registrou uma queima de caixa de R$ 219 milhões devido à aquisição de terrenos para suportar seu robusto plano de lançamentos (entre R$ 2,8 bilhões e R$ 3,3 bilhões em 2021) e o pagamento de R$ 67 milhões em dividendos no último trimestre de 2020. “Dito isso, não esperamos que o resultado seja um catalisador para a ação e reiteramos nossa recomendação de compra (preço-alvo de R$ 48 por ação) e nossa preferida no segmento de média e alta renda”, avaliam os analistas da XP.

A SLC Agrícola lucrou R$ 194,2 milhões no quarto trimestre de 2020, alta de 119% ante igual período do ano anterior, apoiada por um “avanço notável no resultado bruto das culturas”, disse nesta quarta-feira a empresa, grande produtora de grãos, em um cenário de firme demanda externa e preços atrativos para a soja, milho e algodão.

Já o Ebitda ajustado da companhia foi de R$ 397,9 milhões no último trimestre do ano passado, avanço de 43,4% na comparação anual. A companhia destacou que o lucro líquido do trimestre foi integralmente desencadeado pela operação agrícola, visto que não houve entrada de recursos por venda de terras.

A receita líquida dos três últimos meses de 2020 somou R$ 1,125 bilhão, alta de 37,4% no ano a ano, enquanto o volume de grãos faturado foi de 495,9 mil toneladas, avanço de 15,2%.

“A receita… foi decorrente, em grande parte, de melhores preços de faturamento em todas as culturas, ao que se somou o maior volume faturado nas culturas de algodão e milho”, disse a empresa.

A rede de joalherias Vivara registrou lucro líquido no quarto trimestre de 2020 de R$ 93,1 milhões, 0,6% acima frente os R$ 92,6 milhões registrados no mesmo trimestre de 2019.

A receita líquida da empresa no quarto trimestre de 2020 foi de R$ 461 milhões, 13,2% superior sobre o resultado de um ano antes.

Já o Ebitda do quarto trimestre ficou em R$ 145,8 milhões,19,5% acima na comparação com igual trimestre de 2019.

“A Vivara reportou sólidos resultados referentes ao quarto trimestre de 2020, com crescimento de vendas mesmas lojas de 11,3% na base anual levando a um nível recorde de vendas, mesmo em meio à pandemia. Além disso, a companhia entregou uma expansão de margem Ebitda de 0,6 ponto devido à alavancagem operacional e renegociações de aluguel, mesmo com uma base difícil de margem bruta devido à uma Black Friday mais limitada em 2019. Dessa forma, o EBITDA veio 18% acima das nossas estimativas”, aponta a XP.

Assim, a companhia entregou resultados acima das estimativas dos analistas, que já viam como fortes, e com uma qualidade muito boa, principalmente em meio à pandemia. Os analistas mantêm recomendação de compra e preço alvo de R$ 33,0 por ação para o fim de 2021.

A Companhia Paranaense de Energia – Copel – lucrou R$ 1,12 bilhão no quarto trimestre de 2020,  88,4% acima frente o lucro líquido de R$ 596,5 milhões registrado no mesmo trimestre de 2019.

A receita líquida da empresa no quarto trimestre de 2020 foi de  R$ 5,65 bilhões, 30,8% superior sobre o resultado de um ano antes.

O Ebitda  do trimestre foi de R$ 1,30 bilhão, alta de 26,5% sobre o mesmo trimestre de 2019.

Embora os números do Ebitda ajustado da Copel – de R$ 982 milhões, tenham ficado relativamente em linha com as estimativas da XP, os analistas avaliam que o mercado reagirá positivamente aos resultados devido ao anúncio de dividendos no trimestre de 8.2% de dividend yield (valor do dividendo sobre o preço da ação).

A Copel aprovou uma distribuição total de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) para o exercício de 2020 de R$ 2,5 bilhões, ou 65% do lucro líquido para o exercício de 2020 de acordo com sua Política de Dividendos recentemente revisada.

Em relação aos componentes da distribuição de dividendos, R$ 807,5 milhões em JCP (R$ 0,31 / ação para CPLE6, já ajustado pelo desdobramento recente) como dividendos mínimos pela Lei das S.A. (25% do Lucro Líquido) já foram anunciados em 9 de dezembro de 2020, e as ações negociam ex-JCP desde 29 de dezembro de 2020, com data de pagamento a ser definida.

Além disso, a Copel anunciou uma distribuição adicional de R$ 1,51 bilhão aos acionistas (R$ 1,37 bilhão em dividendos regulares e R$ 134 milhões em JCP), com base nos lucros acumulados em seu balanço.

“Olhando em termos de proventos por ação (para acionistas de CPLE6), a distribuição total é de R$ 0,5787 por ação, implicando em um dividend yield de 8,2% líquido de impostos sobre a parcela do JCP (15% de imposto de renda retido na fonte). A distribuição de dividendos, bem como a data de pagamento ainda não foram aprovadas na próxima Assembleia Geral de Acionistas em abril de 2021”, destaca a XP.

A Mills registrou um lucro líquido de R$ 7,6 milhões no quarto trimestre de 2020, revertendo prejuízo de 2,7 milhões registrados um ano antes. Já a receita líquida subiu 7%, para R$ 148,2 milhões.

De acordo com a XP Investimentos, o resultado foi positivo e bem acima das expectativas. As linhas de custos e despesas avançaram menos do que o crescimento de receita, consequentemente, a Mills conseguiu entregar um Ebitda de R$ 56,2 milhões, 35% acima do esperado pelos analistas, com forte incremento de margem (38,0% no quarto trimestre de 2020 versus 28,2% no mesmo período de 2019).

Apesar dos desafios advindos da pandemia e de uma possível segunda onda, a companhia fechou o trimestre com mais de R$ 170 milhões em caixa líquido, apontaram. “O resultado corrobora nossa visão otimista para a empresa e acreditamos que o ciclo de lucratividade chegou. Com isso, reiteramos nossa recomendação de compra e preço-alvo de R$ 8,20 por ação”, destaca a XP.

Magazine Luiza (MGLU3)

O Magazine Luiza informou a aquisição da plataforma de conteúdo digital de moda, beleza e decoração Steal the Look (STL), por valor não revelado.

Fundado em 2012, a Steal the Look produz conteúdo sobre tendências de moda, beleza e decoração, além de cultura, comportamento e empreendedorismo. Segundo o Magazine Luiza, a STL tem cerca de 2,5 milhões de seguidores nas redes sociais e 6 milhões de visitantes únicos por ano.

A compra faz avançar em duas frentes definidas como estratégicas para o ano: expansão em moda e em publicidade digital.

“As categorias de moda e beleza, juntas, formam um mercado extremamente pulverizado, ainda pouco digitalizado e com tamanho total de 223 bilhões de reais anuais. Seu potencial online pode chegar a 67 bilhões em um futuro próximo”, disse em nota a diretora-executiva de Moda e Beleza do Magalu, Silvia Machado.

O Magazine Luiz entrou no segmento de moda em 2019, com a compra da Netshoes e da Zattini – conquistando um marketshare relevante logo de início. No ano passado, comprou a Hubsales, passando a conectar fabricantes de moda diretamente ao consumidor final por meio de seu marketplace.

A Engie Brasilestá retomando o processo de venda da totalidade de suas ações na termelétrica Pampa Sul, anunciou a companhia nesta quarta-feira, em meio a um movimento mais amplo para se desfazer de ativos de carvão. Segundo o comunicado, a Pampa Sul já recebeu investimento de mais de 2 bilhões de reais.

Com capacidade instalada de 345 megawatts, a termelétrica está 100% contratada no Ambiente de Contratação Regulada (ACR) até 31 de dezembro de 2043, disse a Engie.

Desde o início da geração de energia na usina em caráter comercial, em junho de 2019, foram identificados ajustes em parâmetros de operação e seus diversos sistemas e equipamentos, “tornando Pampa Sul um ativo consolidado e com os riscos operacionais reduzidos”, disse a Engie. “A companhia está centrada em seu propósito de acelerar a transição para uma economia neutra em carbono, direcionando as suas atividades para geração de energia renovável, gás natural e infraestrutura”, enfatizou.

(com Reuters)

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Por dentro dos resultados

por dentro dos resultados PDR

O ano de 2020 foi um dos mais desafiadores na história de muitas empresas de capital aberto. A pandemia de coronavírus afetou de forma diferente os setores da economia e os balanços — e você poderá acompanhar a divulgação, e a análise dos números, no InfoMoney.

A série Por Dentro dos Resultados organiza lives com os CEOs e principais executivos de companhias da Bolsa. Eles comentam os números do quarto trimestre e acumulado de 2020, respondem perguntas dos espectadores e detalham as estratégias e perspectivas para 2021.

Nesta temporada, estão marcadas entrevistas com importantes empresas da Bolsa, como Vivo, Alpargatas, Cielo, Fleury, Azul, Raia Drogasil, Minerva, entre outras.

Para participar, fazer suas perguntas e ainda receber um ebook gratuito que ensina como identificar as empresas mais promissoras da Bolsa, deixe seu email no formulário abaixo e inscreva-se no canal do InfoMoney no YouTube para receber notificações sempre que uma nova live for começar:

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A primeira live será com Roberto Funari, CEO da Alpargatas, nesta segunda (1), às 14h. Em seguida, às 17h, Christian Gebara e David Melcon, CEO e CFO da Vivo, respectivamente, comentam o desempenho financeiro da empresa e perspectivas.

Veja a programação confirmada até agora (a agenda será atualizada até o final de março):

Data/horário Empresa Participantes Link da live
01/03, às 14h Alpargatas (ALPA4) Roberto Funari CEO) https://youtu.be/np0XoedRIdE
01/03, às 17h Vivo (VIVT3) Christian Gebara (CEO) e David Melcon (CFO) https://youtu.be/C8Hf3nlpfho
02/03, às 17h Log (LOGG3) Sergio Fisher CEO) e André Luiz de Ávila Vitória (CFO) https://youtu.be/eW00OxBbW5o
03/03, às 15h Cielo (CIEL3) Paulo Caffarelli (CEO) https://youtu.be/FSghPGxoKWk
03/03, às 17h Minerva Foods (BEEF3) Edison Ticle CF(CFO) https://youtu.be/1NyEySOT6h4
04/03, às 17h Fleury (FLRY3) Carlos Marenelli (CEO) e Fernando Leão (CFO)
05/03, às 17h MRV (MRV3) Rafael Menin (co-presidente) e Ricardo Paixão (CFO) https://youtu.be/INSgh9561jo
08/03, às 15h Aura Minerals (AURA33)
08/03, às 17h São Carlos (SCAR3)
09/03, às 17h Movida (MOVI3)
10/03, às 17h RD – Raia Drogasil (RADL3)
11/03, às 16h Azul (AZUL4)
11/03, às 18h Trisul (TRIS3)
12/03, às 17h Tupy (TUPY3)
15/03, às 17h Suzano (SUZB3)
16/03, às 17h Irani (RANI3)
17/03, às 15h Direcional (DIRR3)
18/03, às 15h Profarma (PFRM3)
18/03, às 17h Helbor (HBOR3)
19/03, às 15h Cury (CURY3)
19/03, às 17h Mills (MILS3)
23/03, às 15h Sequoia (SEQL3)
23/03, às 17h Mercado Livre (MELI34)
24/03, às 15h d1000 (DMVF3)
30/03, às 17h Locaweb (LWSA3)
01/04, às 15h HBR (HBRE3)
01/04, às 17h Primer (PRNR3)
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Como a Mills deixou para trás seis anos de prejuízos trimestrais e teve lucro após o auge da pandemia de coronavírus

SÃO PAULO — Depois de seis anos de prejuízos trimestrais consecutivos, a Mills (MILS3) reportou no terceiro trimestre de 2020 lucro de R$ 1,2 milhão. Segundo o CEO da companhia, Sergio Kariya, foi um processo natural para a empresa que está em uma fase de turnaround, puxado por maiores investimentos, busca por eficiência e diversificação do segmento rental, entre outros fatores.

“A reversão mostra que estamos no caminho certo das nossas ações de melhoria de produtividade, de melhoria de nossa performance, contração das filiais de construção, diversificações de top line, como eu disse, nas receitas de rental”, disse. “Fomos afetados pelo coronavírus. Nosso segundo trimestre foi afetado em cerca de 26% quando a gente compara com o primeiro trimestre de 2020. O pior mês foi o mês de maio. Desde então a gente vem melhorando mês a mês. (…) Na rental, o volume locado no mês de setembro já estava muito próximo ao nível pré-pandemia.”

Ele participou nesta quarta-feira (18) de uma live no InfoMoney da série Por Dentro dos Resultados, onde executivos de importantes empresas da Bolsa apresentam os principais destaques financeiros do terceiro trimestre, comentam os números e falam sobre perspectivas.

Por Dentro dos Resultados
CEOs e CFOs de empresas abertas comentam os resultados do ano. Cadastre-se gratuitamente para participar:

James Guerreiro, CFO da companhia e que também participou da live, destacou que a companhia conseguiu alongar a dívida que era curta. Ele falou ainda sobre a perspectiva de pagamento de dividendos. “O que a gente precisa é ter essa geração de resultados de forma sustentável, contínua. Gerar uma base para começar a distribuir dividendos. (…) É preciso ainda passar por essa fase de reversão do quadro de prejuízo. Esse trimestre a gente conseguiu depois de seis anos. É um excelente sinal. Mas precisamos ver como serão os próximos trimestres e gerar de forma consistente um lucro líquido no ano para que a gente consiga fazer a distribuição.”

Guerreiro e Kariya falaram ainda sobre concorrência e o fato de ser ainda um setor bastante fragmentado, investimentos previstos e a operação de busca e apreensão que ocorreu na empresa em setembro por investigações de irregularidades na construção da Cidade Administrativa, em Minas Gerais. Assista à live acima.

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MILS3: A ação que está a “Mills por hora” na bolsa

O maior aprendizado que tive em 2019 convivendo com gestores de grandes fortunas é que minha profissão de analista não abre espaço para preconceitos. Criar um filtro de seleção de empresas é essencial para evitar perda desnecessária de tempo, mas descartar uma recomendação que faça sentido somente pelo fato de no passado a mesma ação ter gerado dor de cabeça, é a pior escolha possível.

Um exemplo disso aconteceu com Mills (MILS3), uma das recomendações do nosso relatório de $mall Cap$. A ação mais do que dobrou em 2019 e disparou quase 40% só em dezembro.

Preparei um Stock Pills (áudio que é divulgado em nossas redes sociais contendo a análise de uma tese de investimento) e expliquei por que ela está entre as small caps que mais gostamos para surfar a recuperação do Brasil.

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A Mills fez o seu IPO em 2010 e na época era uma empresa conhecida por vender projetos de engenharia e alugar equipamentos para grandes obras.

De 2010 até 2013 ela era a queridinha do mercado, e não era para menos: tivemos Copa do Mundo, Olimpíadas no Rio de Janeiro, sem contar os incentivos à importação do período.

Diante desse boom de construção, a Mills era a empresa que representava todo o potencial do país.

O problema é que de 2013 pra cá, os principais parceiros da Mills (Odebrecht, OAS, que eram empreiteiras relevantes do setor) se envolveram na Lava Jato, maior esquema de corrupção do país e que praticamente varreu as empreiteiras do mapa.

No melhor ano da companhia, que foi 2013, a Mills chegou a faturar mais de R$ 1 bilhão; em 2017, o faturamento bateu sua mínima em R$ 291 milhões. Outro indicador de rentabilidade, o Ebitda, saiu de R$ 438 milhões para R$ 4,9 milhões negativo no mesmo período. Ela beirou a recuperação judicial e o mercado de fato acreditou que ela não seria capaz de pagar a sua dívida líquida de R$ 600 milhões.

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Todo esse cenário se refletiu no preço da ação. E por isso eu entendo o preconceito que muitos gestores tinham dela: a ação da Mills saiu a R$ 11,00 no IPO feito em 2010, foi para R$ 35,00 em 2013 e chegou a ficar abaixo de R$ 2,00 em 2018. Muitos deles jamais esqueceram isso, e faz sentido.

Conversar com todos eles foi um aprendizado gigantesco, ninguém conhecia mais os erros da empresa no passado do que eles. Mas felizmente para nós, o passado fez com que muitos não quisessem nem olhar a empresa de perto.

E foi então que eu descobri que a Mills não só havia se salvado e aprendido com os erros, como também se transformado em uma nova empresa. Se você quer saber porque gostamos tanto da Mills e por que achamos que ela pode ir ainda mais longe, escute este Stock Pills.

Apresentado por Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos, o Stock Pickers vai ao ar toda quinta-feira às 17h. Você pode seguir e escutar pelo Spotify, Spreaker, Deezer, iTunes e Google Podcasts.