Minas Gerais prevê acordo final de R$ 100 bilhões com Vale e BHP por rompimento de barragem em Mariana, diz Zema

RIO DE JANEIRO (Reuters) – Um acordo definitivo a ser fechado neste ano entre as mineradoras Samarco, Vale (VALE3), BHP e autoridades para reparar danos causados pelo rompimento de barragem em Mariana (MG) em 2015 poderá atingir 100 bilhões de reais a serem desembolsados em cinco anos, afirmou à Reuters o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO).

O montante total é cerca de quatro vezes maior que um acordo inicial pelo desastre fechado em 2016, que permitiu o início dos trabalhos de reparação e a suspensão temporária de ações na Justiça.

Zema pontuou ainda que acordo recente entre Vale e autoridades mineiras para reparação do rompimento de barragem em 2019 em Brumadinho (MG) deverá servir de referência para as renegociações do acordo de Mariana, confirmando reportagem da Reuters publicada anteriormente.

Tais renegociações, já previstas para ocorrer desde 2016, começaram no mês passado e deverão durar cerca de 120 dias.

“A Samarco e seus acionistas já demonstraram e sinalizaram o maior interesse, porque para uma empresa é melhor saber o que perderam do que viver uma incerteza, que é o que inibe o investimento. A previsão é que o acordo venha a girar por volta de 100 bilhões de reais”, afirmou Zema, em uma entrevista na sexta-feira no Rio de Janeiro.

Dos recursos, 60 bilhões deverão ser direcionados à Minas Gerais, enquanto União e Espírito Santo deverão contar com 20 bilhões cada, afirmou o governador.

É a primeira vez que uma autoridade faz uma estimativa de montante definitivo para o desastre, que deixou 19 mortos e centenas de desabrigados, além de poluir o rio Doce em toda a sua extensão até o mar capixaba.

O colapso da estrutura da Samarco, uma joint venture da Vale com o grupo anglo-australiano BHP,, foi considerado à época o maior desastre socioambiental da história do país. Foram afetadas diretamente 41 cidades, segundo o MPF.

As reparações em curso atualmente preveem um desembolso total de 24,4 bilhões de reais, dos quais já foram despendidos mais de 13 bilhões de reais, segundo informou a Vale. Do total, cerca de 5 bilhões de reais foram definidos para compensações de danos considerados irreversíveis. Esse montante, conforme explicou a empresa, não é objeto de renegociação.

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O procurador da República Carlos Bruno Ferreira da Silva, que lidera a força-tarefa de Mariana no Ministério Público de Minas Gerais, afirmou anteriormente à Reuters que as negociações em curso teriam como parâmetro uma ação anterior relacionada ao caso, de 155 bilhões de reais, mas evitou fazer qualquer estimativa.

Na ocasião, Silva acrescentou que mineradoras e população estavam insatisfeitas com o modelo adotado até então e que há ainda cerca de 85 mil ações na Justiça envolvendo o desastre de Mariana, congestionando o sistema judiciário.

Impactos de Brumadinho

Na entrevista, Zema afirmou que serão aplicados no acordo definitivo princípios alcançados no acordo de Brumadinho, no qual a Vale se comprometeu com 37,69 bilhões de reais, apenas para a reparação de danos coletivos. A mineradora segue fechando acordos para indenizações individuais.

Embora o colapso de Brumadinho tenha sido mais mortal, com 270 óbitos, foi mais restrito geograficamente, atingindo instalações da Vale, floresta, rios e comunidades, com impactos diretos mais concentrados na região da cidade.

Mas os recursos com o acordo de Brumadinho serão destinados também a investimentos em hospitais, obras, instalações de segurança, estradas, escolas e saneamento em toda Minas Gerais. “O Estado vai receber melhorias que há décadas, talvez, nunca se viu”, pontuou Zema.

“O acordo de Brumadinho pressiona por um acerto em Mariana em melhores condições. Do jeito que está lá, daqui a 50 anos não resolveu ainda e, se fizer da forma que estamos propondo, vai sair rápido.”

Zema também criticou a existência da Fundação Renova, criada em 2016 a partir do acordo inicial de Mariana para gerir as reparações e cujo escopo são 42 programas que se desdobram em muitos projetos que estão sendo implementados nos 670 quilômetros de área impactada. A Renova também é responsável por reparações individuais.

“Vejo restrições na Fundação Renova… ela depende muito de assembleias e conselhos, e isso trava tudo. Uma opinião divergente paralisa tudo. A existência dela é por si contraditória”, afirmou.

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“O dinheiro tem que ir para quem foi atingido e não para funcionário de consultoria, fundação, e a maior parte dos recursos hoje não chega a quem foi atingido porque que fica no meio do caminho.”

As discussões para o novo acordo envolve ainda outras diversas autoridades, como Ministérios Públicos e Defensorias Públicas de Minas Gerais e Espírito Santo, Advogacia-Geral da União (AGU), além dos governo de ambos os Estados e do Ministério Público Federal.

Procuradas, Samarco, Vale, BHP e Fundação Renova reiteraram o compromisso com a reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem e com a melhoria contínua dos processos para esse fim. Também ressaltaram que a discussão sobre a repactuação de acordos não interfere nos programas e ações de reparação e compensação em andamento.

A Samarco acrescentou que, nesse momento, após definição de princípios do processo de repactuação, as discussões concentram-se nos programas de reparação, e não em seus respectivos custos.

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Cemig pretende investir R$ 22,5 bilhões em Minas Gerais até 2025

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) pretende investir R$ 22,5 bilhões em geração, transmissão, distribuição, geração distribuída e comercialização de gás até 2025, de acordo com o presidente da companhia, Reynaldo Passanezi.

Segundo ele, que apresentou o plano no Assembleia Fiscaliza, ciclo de reuniões e prestação de contas ao Legislativo mineiro, no início de mês, esse é o maior plano de investimento da história da companhia.

Até 2027, serão 200 novas subestações em todas as regiões do Estado de Minas Gerais, sendo que 80 novas subestações já em estão em processo de implantação, e 23 delas estarão em operação ainda neste ano.

No primeiro semestre do ano, a Cemig entregou quatro subestações em Serra do Salitre, Águas Vermelhas, Nova Serrana e São Bento do Abade. Em julho, a subestação de Varjão de Minas, no Triângulo Mineiro, também entrará em operação.

As novas subestações vão se juntar aos 413 equipamentos que a companhia já possui, totalizando 613 instalações deste tipo. O plano prevê ainda o atendimento a todos os municípios com dupla alimentação em média tensão, a implantação de 1 milhão de medidores inteligentes e a construção de 3.100 quilômetros de linhas de transmissão em alta tensão.

Além disso, a Cemig se prepara para dar início ao programa Minas Trifásico, com o objetivo de converter redes monofásicas em trifásicas no interior do Estado. Até 2027, está prevista a conversão de 21.000 quilômetros de redes monofásicas para trifásicas e a construção de 5.000 quilômetros de interligações de circuitos em Minas Gerais.

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Vale e governo de Minas Gerais chegam a um acordo de reparação de R$ 37,68 bilhões por Brumadinho

SÃO PAULO – A Vale (VALE3) e o governo de Minas Gerais chegaram a um acordo no valor total de R$ 37,68 bilhões em reparações pelo rompimento de barragem da mineradora em Brumadinho, tragédia que ocorreu em 25 de janeiro de 2019 e deixou 270 mortos.

A mineradora deverá reconhecer uma despesa adicional de R$ 19,8 bilhões no resultado de 2020 como consequência do  acordo, levando em conta fluxos de desembolso preliminares. A Vale afirmou que R$ 5,4 bilhões do acordo “serão quitados mediante a liberação de depósitos judiciais”, enquanto R$ 14,4 bilhões “serão acrescidos no passivo associado à reparação socioeconômica e socioambiental de Brumadinho”.

Conforme destaca o governo de Minas, trata-se do maior acordo de medidas de reparação em termos financeiros e com participação do Poder Público já firmado na América Latina e um dos maiores do mundo. Cerca de 30% dos recursos vão beneficiar o município e a população de Brumadinho, aponta nota do governo. O termo não retira nenhuma responsabilidade da empresa, mas impõe novas obrigações, além de ser um reconhecimento da responsabilidade da mineradora, destacou.

O acordo contempla projetos de reparação socioeconômica e socioambiental. A Vale informou, em comunicado, que no aspecto socioeconômico o acordo inclui projetos de demanda das comunidades atingidas, programa de transferência de renda à população atingida – em substituição ao atual pagamento de auxílio emergencial – e projetos para Brumadinho e demais municípios da Bacia do Paraopeba, além de recursos para execução, pelo governo do Estado de Minas Gerais, do Programa de Mobilidade Urbana e do Programa de Fortalecimento do Serviço Público.

Em reparação socioambiental, o acordo estabelece as diretrizes e governança para execução, pela Vale, do Plano de Reparação, bem como projetos a serem implementados para a compensação dos danos ambientais já conhecidos e projetos destinados à segurança hídrica da região impactada.

“A Vale está determinada a reparar integralmente e compensar os danos causados pela tragédia de Brumadinho e a contribuir, cada vez mais, para melhoria e desenvolvimento das comunidades em que atuamos. Confiamos que este acordo global é um passo importante nessa direção. Sabemos que temos um caminho a percorrer e seguimos firmes em nosso propósito, alinhado com nosso Novo Pacto com a Sociedade”, afirmou no comunicado o diretor-presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo.

O acordo prevê ainda o encerramento das discussões judiciais referentes aos danos socioambientais causados pelo rompimento, bem como relativos à reparação socioeconômica referente aos danos coletivos lato sensu e individuais homogêneos não divisíveis. Não fazem parte deste acordo as indenizações por danos individuais divisíveis. Quanto a estas, a Vale afirmou reforçar o seu compromisso na reparação justa, célere e equânime por meio da celebração de acordos individuais com base no Termo de Compromisso celebrado com a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais em abril de 2019.

“O processo de mediação conduzido pelo Tribunal de Justiça de MG permitiu a construção de um acordo que encerra, de forma definitiva, os litígios com o Estado de MG, Ministério Público Federal e Estadual, e Defensoria Pública de MG. As instituições que participaram da construção do acordo asseguraram soluções céleres, justas e eficazes num processo conduzido com transparência, legitimidade e segurança jurídica”, afirmou Alexandre D’Ambrosio, diretor jurídico da Vale.

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O entendimento também não prevê um teto financeiro a ser gasto com a reparação do meio ambiente, que ficará a cargo da Vale. Para a reparação socioambiental, serão destinados R$ 6,55 bilhões, incluindo um valor de R$ 1,55 bilhão  para compensação de danos ambientais já conhecidos.

O acordo já considera recursos que tiveram sua aplicação iniciada pela Vale em projetos de reparação, no valor de R$ 5,89 bilhões, incluindo pagamento de moradias provisórias de atingidos, atendimentos psicossociais, fornecimento de água para consumo humano e irrigação, dentre outras.

As medidas socioambientais de reparação incluem ainda:

. Acompanhamento de 446 núcleos familiares em Brumadinho por profissionais do Programa Referência da Família. Outros 300 dos territórios impactados também recebem atendimento. Além disso, até o momento, foram realizados mais de 64 mil atendimentos médicos e acolhimentos psicossociais à população.

. Recuperação do rio Paraopeba e da biodiversidade impactada nas frentes de contenção, remoção, destinação do rejeito e dragagem do rio, atividades essenciais para que as águas do Paraopeba retornem às suas condições anteriores ao rompimento.

. Resgate do DNA de plantas nativas e criação de cópias, em parceria com a Universidade Federal de Viçosa, para o processo de reflorestamento, que deverá ser iniciado nos primeiros meses de 2021. A Vale já plantou mais de 4 mil mudas de espécies nativas em matas ciliares da região.

Última semana movimentada

Na véspera, a mineradora e autoridades estaduais haviam informado ter definido os termos financeiros para as medidas de reparação aos danos socioeconômicos e socioambientais causados pelo desastre.

O acordo foi assinado após encontro no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que vinha mediando negociações entre a Vale, governo de Minas Gerais, ministérios públicos estadual e federal e Defensoria Pública de Minas Gerais.

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O rompimento de barragem em Brumadinho (MG) ocorreu em 25 de janeiro de 2019 e deixou cerca de 270 mortos, além de atingir instalações e refeitório da Vale na hora do almoço, áreas de floresta e a cidade.

Inicialmente, as autoridades de Minas Gerais haviam pedido à Justiça pagamento por parte da Vale de R$ 54,6 bilhões , envolvendo danos morais coletivos e sociais. O pedido foi negado e o TJ-MG vinha, desde então, mediando as tentativas de acordo em audiências entre as partes.

Em janeiro, as negociações quase foram definitivamente encerradas, após um impasse. As autoridades haviam aceitado reduzir o valor a ser pago pela Vale para R$ 40 bilhões, segundo uma fonte ouvida pela Reuters; já a Vale ofereceu R$ 29 bilhões. No entanto, foi dado um novo prazo para a Vale apresentar nova proposta.

Durante a semana, ganharam forças as notícias de um acordo de reparação da ordem de R$ 37 bilhões, o que acabou sendo confirmado nesta quinta-feira. Conforme destacou o Morgan Stanley no começo da semana por conta dessas informações, o acordo seria favorável para as ações da Vale e poderia resultar numa mudança de patamar para a ação (ainda descontado em relação aos seus pares como BHP e Rio Tinto).

“Acreditamos que faria sentido que as partes chegassem a um acordo final e abrangente que encerrasse as disputas judiciais de Brumadinho. Em nosso modelo, incluímos um acordo adicional de US$ 4 bilhões (acima e além das provisões já tomadas) para um possível acordo ainda nesse trimestre. No entanto,  acreditamos que a Vale poderia lidar com uma provisão incremental entre US$ 5 e US$ 6 bilhões sem nenhum grande impacto em nossa avaliação. Os ganhos inesperados com os preços elevados do minério de ferro compensariam a maior parte desse custo extra, em nossa opinião”, avaliaram os analistas do banco no início da semana. Veja mais clicando aqui. 

(Com Reuters)

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Minas Gerais anuncia que definiu termos financeiros para acordo por Brumadinho com a Vale e marca audiência para 5ª

SÃO PAULO – Em meio a muitos rumores durante a semana, a Vale (VALE3) e o estado de Minas Gerais estão finalmente próximos de anunciar um acordo de reparação em decorrência da tragédia de Brumadinho, depois de mais de dois anos.

Em nota, o governo de Minas Gerais, o Ministério Público de Minas Gerais, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública de Minas Gerais informaram que foi possível definir, em tratativas realizadas nas últimas horas, os termos financeiros para as medidas de reparação aos danos socioeconômicos e socioambientais causados pelo rompimento da Barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho.

“As Medidas de Reparação tratam dos danos coletivos à sociedade e ao Estado, sem interferir em ações sobre indenizações e danos individuais, assim como em ações criminais. Já a reparação socioambiental integral não possui teto financeiro”, apontou o comunicado.

Foi marcada audiência para a próxima quinta-feira (4) para entendimentos finais e possível assinatura do termo de reparação, com investimentos e ações com foco nas regiões atingidas e sua população.

Ontem à noite, Jarbas Soares Júnior, procurador-geral de Justiça do estado, havia afirmado que a assinatura ocorreria na próxima quinta. Soares é uma das partes que assinará o acordo.

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Na última sexta-feira (29), a empresa apresentou nova proposta, que possibilitou a retomada e evolução das negociações. Nesta semana, o jornal mineiro “O Tempo” havia informado que a Vale e o governo tinham fechado o acordo em R$ 37 bilhões, citando uma fonte relacionada ao governo e ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Segundo a fonte ouvida pelo jornal, R$ 5 bilhões serão usados para a construção de 100 quilômetros de vias que ligam as BRs 040 e 381 e outros R$ 9,5 bilhões vão ser destinados aos atingidos e geridos pelo Ministério Público do Estado. Outros R$ 3,5 bilhões vão para os municípios da Bacia do Paraopeba. No mesmo dia, o governo mineiro divulgou comunicado nesta informando que não procedia a informação de que as instituições que representam o poder público haviam finalizado as negociações com a Vale para reparação dos danos socioeconômicos gerados pelo rompimento de barragem.

Inicialmente, o governo de Minas havia pedido R$ 54 bilhões pela reparação.

Conforme destaca o Morgan Stanley, baseado no artigo do jornal e no tuíte do procurador mineiro, o banco aponta acreditar que as partes estão bem próximas de fechar um acordo – que será favorável para as ações da Vale e que pode resultar numa mudança de patamar para a ação (ainda descontado em relação aos seus pares como BHP e Rio Tinto).

“Acreditamos que faria sentido que as partes chegassem a um acordo final e abrangente que encerrasse as disputas judiciais de Brumadinho. Em nosso modelo, incluímos um acordo adicional de US$ 4 bilhões (acima e além das provisões já tomadas) para um possível acordo ainda nesse trimestre. No entanto,  acreditamos que a Vale poderia lidar com uma provisão incremental entre US$ 5 e US$ 6 bilhões sem nenhum grande impacto em nossa avaliação. Os ganhos inesperados com os preços elevados do minério de ferro compensariam a maior parte desse custo extra, em nossa opinião”, avaliam os analistas do banco. Confira mais sobre as projeções do Morgan clicando aqui. 

Os analistas da XP avaliam que, caso o acordo saia entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões, será positivo para a mineradora. Os analistas mantêm a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 122 por ação.

Na mesma linha, o Credit Suisse apontou que, se um acordo de R$ 37 bilhões fosse fechado, isso poderia levar a R$ 26 bilhões em provisões adicionais, segundo projeção feita pelos analistas do banco. “De toda forma, poderia ser visto como positivo em função de que, nos preços de tela da Vale, há um valor implícito muito maior do que este”, avaliam.

Cabe ressaltar que, na última terça-feira, o banco suíço elevou o preço-alvo para os papéis da mineradora negociados na bolsa de Nova York de US$ 23,50 para US$ 26, mantendo recomendação equivalente à compra.

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Os analistas do Credit destacam ver a ação da Vale com um valor bem descontado, apontando que a empresa possui um forte rendimento de fluxo de caixa e sua política deve trazer bons dividendos, com um dividend yield (relação entre o valor dos dividendos e o preço da ação) de 10%.

Os mercados de minério de ferro começaram o ano em alta, com os preços do minério chegando a US$ 170 – US$ 180 a tonelada, mas houve uma queda recente para o patamar de US$ 150, o que também afetou os ativos da companhia, em queda de cerca de 13% nos últimos 18 pregões até a véspera. Nesta sessão, os papéis sobem 2,5%.

O noticiário é movimentado para a companhia, que divulgará o relatório de produção nesta quarta-feira. O relatório é bastante esperado, uma vez que uma produção mais forte do que as previsões no quarto trimestre ou um aumento nas projeções de 2021 da Vale poderia afetar os preços do minério de ferro, que recuaram com a pressão da China para controlar a produção de aço em meio a margens em queda e aumento nos estoques portuários (veja mais clicando aqui).

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Vale e governo mineiro não chegam a acordo sobre Brumadinho, diz secretário

SÃO PAULO (Reuters) – A Vale (VALE3) e o governo de Minas Gerais não chegaram a um acordo global sobre reparações pelo desastre de Brumadinho e as negociações estão encerradas, disse nesta quinta-feira o secretário-geral da administração estadual, Mateus Simões.

“Estamos saindo da última audiência de mediação com a Vale, última porque não haverá uma nova audiência”, afirmou ele.

“No entanto, foi dado um prazo de uma semana para que a Vale possa apresentar uma nova proposta de valor. É o momento de a Vale agir com responsabilidade, agir com dignidade e reparar os danos que foram causados”, acrescentou o secretário.

Com isso, segundo ele, um processo em que o governo estadual e outras autoridades pedem reparações à companhia deverá voltar a tramitar na primeira instância a partir do início de fevereiro, aguardando sentença.

“Tenho certeza de que a Justiça ainda assim prevalecerá… esse acordo será celebrado, nós ainda temos uma janela para que ele efetivamente se celebre, como maior acordo da história do Brasil. Ou a condenação chegará como a maior da história do Brasil”, disse Simões. “Nós não vamos nos lançar em um leilão para definir o valor”.

Não foi possível contato imediato com representantes da Vale.

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Promessa de Zema, oferta da Cemig é aguardada pelo setor

(Divulgação/Cemig)

Uma das operações de privatização mais aguardadas do setor elétrico, é a venda da Cemig, uma promessa de campanha do governador Romeu Zema (Novo). No entanto, o Executivo mineiro tem tido dificuldade de avançar com o tema, que depende do Legislativo estadual. Pesa também a resistência da população à venda da empresa.

Em sondagem feita pelo Estado, 55% dos entrevistados se disseram contrários à venda da empresa ao setor privado. “Já iniciamos um trabalho de comunicação. (A privatização) vai acontecer, sim, mas pode demorar mais do que o esperado e ter alguns reveses até esse caminho”, disse o governador, em um evento recente.

Na semana passada, o presidente da Assembleia Legislativa mineira, Agostinho Patrus (PV), chegou a declarar à imprensa local que faltam clareza, diálogo e entendimento para que projetos de privatização, como esse da Cemig, consigam ser aprovados.

Numa sinalização da dificuldade que enfrenta, o governador mineiro passou a sinalizar a venda de subsidiárias da Cemig ao longo do primeiro semestre de 2021. Desta maneira, disse, a estatal teria recursos para fazer investimentos necessários ao atendimento elétrico.

De acordo com Zema, a Cemig precisaria de aporte de R$ 15 bilhões para aplicar na infraestrutura necessária para atender adequadamente todo o território mineiro, recursos que o estado não tem.

Na opinião de Gabriel Francisco, da XP, é justamente o cenário fiscal cada vez mais deteriorado que pode colocar pressão política para avançar na pauta de privatização da Cemig. No entanto, ele reforça que a dificuldade de interação entre legislativo e executivo causa dificuldades. “Vemos bastante complexidade na privatização.”

Celesc

Outra estatal que pode vir a ser privatizada é a catarinense Celesc, mas o caso é visto mais como uma possibilidade do que como uma operação provável. O governador Carlos Moisés (PSL) tem negado a intenção de privatizar a empresa elétrica, embora já tenha afirmado que a venda vai ocorrer “no momento certo”.

Caso avance, a EDP Brasil está bem posicionada para assumir o controle da companhia. A empresa alcançou 29,9% de participação na estatal, fatia que tem crescido ao longo do tempo, e já declarou considerar um investimento estratégico para seus planos no País.

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As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Vale e governo de Minas Gerais não chegam a acordo sobre Brumadinho; novo encontro será em janeiro

O governo de Minas Gerais e a mineradora Vale (VALE3) não chegaram a um acordo sobre compensações ao Estado pelo desastre de Brumadinho (MG) em reunião nesta quinta-feira, o quarto encontro sobre o tema, mas a expectativa é de um acerto em janeiro, disse o secretário-geral da administração estadual, Mateus Simões.

O encontro ocorreu dentro de um processo de mediação entre as partes conduzido pelo Tribunal e Justiça de Minas Gerais.
“Já temos um novo encontro marcado para dia 7 e janeiro… e a expectativa é que ainda dentro do mês de janeiro tenhamos uma nova audiência, com expectativa de que seja a última e definitiva audiência sobre esse acordo”, disse Simões a
jornalistas.

De acordo com o Morgan Stanley, o resultado está em linha com a expectativa de que as partes provavelmente não chegariam a um acordo final hoje. “Acreditamos que eles ainda podem assinar um acordo no primeiro trimestre de 2021, pois as negociações parecem estar indo bem e devem começar a discutir os valores de indenização na próxima audiência”, apontam os analistas do banco.

Para os analistas, faria mais sentido que as partes chegassem a um acordo final e abrangente que colocasse fim às disputas judiciais de Brumadinho. No entanto, o processo para chegar a um acordo final pode demorar mais e custar à Vale mais do que alguns participantes do mercado estão esperando.

“Acreditamos que provavelmente ficará acima da estimativa preliminar da empresa de US$ 1,4 bilhão. Em nosso modelo, incluímos um acordo adicional de U $ 4 bilhões (por exemplo, acima e além das disposições já tomadas) para um possível acordo no primeiro trimestre de 2021)”, apontam os analistas, que mantêm recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) para os American Depositary Receipts (ADRs, na prática os papéis da empresa brasileira negociados na Bolsa de Nova York), com preço-alvo de US$ 17,30 (potencial de valorização de 2,1% em relação ao fechamento da véspera).

(Com informações da Reuters)

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Canadense Sigma Lithium mira em demanda por veículos elétricos e quer ganhar mercado produzindo lítio em Minas Gerais

(Divulgação)

SÃO PAULO – O lítio é um metal bastante utilizado na produção de vidro e cerâmica, mas há algumas décadas seu nome ficou mais ligado à produção de baterias, desde aparelhos eletrônicos como celulares até carros. Foi apenas nos últimos cinco anos que este metal virou uma estrela.

O crescimento das montadoras de carros elétricos fez com que a demanda pelo metal disparasse, levando inclusive os preços para suas máximas históricas. Mas, se tudo isso é passado, a moda dos veículos elétricos parece ainda estar no início e cada vez mais empresas buscam se adequar a esse novo cenário.

É nesse ambiente que uma companhia atuando no Brasil acredita que irá se favorecer da demanda cada vez maior por lítio. A Sigma Lithium tem um projeto ambicioso e uma estratégia que, mesmo sendo considerada uma pequena do setor, conseguirá concorrer frente a frente com as maiores mineradoras de lítio do mundo.

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Atuando ainda em escala piloto no Vale do Jequitinhonha, interior de Minas Gerais, a empresa com ações na Bolsa do Canadá fez recentemente uma captação que completa os US$ 74 milhões necessários para construir sua fábrica na região.

Em uma oferta de ações feita em agosto, a Sigma levantou US$ 13,3 milhões, com dois grandes fundos internacionais como principais compradores: o americano Janus Henderson e o britânico CQS. Na operação, ainda entraram os brasileiros Bradesco Asset Management e JGP Asset.

Com isso, a empresa complementa um financiamento de US$ 45 milhões feito em junho com o Société Générale. A intenção era captar US$ 10 milhões agora mas, com a grande procura, a companhia ampliou a operação.

Apesar da oferta de ações, o maior acionista da Sigma segue sendo o fundo de private equity A 10, que até então tinha 70% da empresa e agora passou a ter 65%.

Todo o projeto da Sigma Lithium colocou o Brasil no mapa global do setor. Dados de 2017 apontavam que o País continha apenas 0,33% das reservas de lítio no mundo, mas um estudo apresentado pela companhia quando abriu seu capital na Bolsa canadense em 2018 mostrou que o Brasil possui cerca de 8% destas reservas.

Em entrevista ao InfoMoney, Ana Cabral-Gardner, sócia-gestora do A 10, explica que há uma grande expectativa para o mercado de lítio com o advento dos veículos elétricos.

O mercado de lítio

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Ana explica que, basicamente, existem duas formas de lítio, o chamado Tier 1, com alto grau de pureza e o ideal para produção de baterias, e o Tier 2, chamado de grau técnico, mais impuro e utilizado em outros itens.

Em 2017, o que se viu foi um boom no mercado de lítio por conta do avanço da tecnologia dos carros elétricos, o que fez com que o preço inicialmente tivesse uma forte alta. Porém, por não ser um metal raro, as companhias mineradoras conseguem se aproveitar deste tipo de movimento e aumentar sua produção para capturar esta alta.

Como efeito, alguns anos após o estouro do mercado, o preço do carbonato lítio (pó químico resultante da extração do lítio da rocha) caiu fortemente e hoje sua média está na mínima desde o início da febre dos carros elétricos, em meados de 2015. Mas, segundo Ana, não deve ficar abaixo disso, já que essa tecnologia “veio para ficar” e haverá uma demanda maior do que no passado.

De acordo com ela, é possível produzir algumas baterias utilizando esse tipo de lítio após um processo de melhoria, mas o mercado hoje busca focar a produção dos equipamentos usando o metal mais puro possível.

(Divulgação)

Essa procura pelo lítio Tier 1 se dá não só por qualidade em si, mas principalmente por conta de segurança, já que as impurezas podem causar até a explosão da bateria. Este segmento do mercado é comandado pelas companhias asiáticas, em especial na Coreia do Sul e no Japão, onde se concentram a maior parte das produtoras de baterias do mundo. Por conta disso, o preço do metal de alta pureza é ditado por esses mercados.

Uma das grandes vantagens que a Sigma consegue explorar está na qualidade do produto que ela fabrica. Sua descoberta em Minas Gerais foi de um lítio com alto grau de pureza e em grande quantidade. Com uma planta montada em cima da mina, a companhia tem um ganho de eficiência, e sua planta foi pensada já de forma a ter fácil acesso ao Porto de Ilhéus, o que reduz muito seus custos.

“Temos o segundo menor custo de produção de todo o mercado”, afirma Ana, apontando que toda essa estrutura faz com a Sigma consiga brigar de igual para igual com as gigantes (“majors”) do setor.

E enquanto o carbonato de lítio está em baixa, o preço do lítio de rocha (que é basicamente a matéria-prima original) está na casa de US$ 450 por tonelada, um valor que, para a maior parte das mineradoras, não é sustentável diante dos custos de produção. Isso tem levado muitas dessas companhias a reduzirem as operações e realizarem descomissionamento de minas.

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A Sigma aparece entre as poucas companhias que aguentam operar com esse valor de lítio. Assim como algumas concorrentes, parte da vantagem dela está em sua integração com a indústria química.

“Mesmo que não estivéssemos integrados à indústria química, estaríamos ‘ok’ com esse preço. Há uma margem bruta de 50% mesmo com o preço baixo atual”, explica Ana. “Então a Sigma sobrevive mesmo nesse ambiente de preços como esse”.

Além disso, há uma boa expectativa da demanda por lítio para produção de baterias elétricas — e a pandemia da Covid-19 pode ter ajudado a dar um empurrão nesse movimento.

O setor automotivo foi um dos mais impactados pela atual crise e muitos governos aproveitaram o cenário para forçarem mudanças no setor. Esse movimento tem sido liderado pela Europa, onde os pacotes de ajuda governamentais têm vindo junto com exigências voltadas para a redução da poluição.

“O pacote de ajuda às montadoras foi um pacote verde, em que as empresas que quisessem receber ajuda do governo tinham que se ater aos alvos de produção de veículos elétricos”, explica Ana.

Se não bastasse isso, a demanda da Europa também é diferente da de outras regiões, principalmente se comparada com a Ásia. Enquanto o consumidor chinês foca em veículos compactos, os europeus buscam por automóveis com maior potência e torque, o que exige uma bateria de melhor qualidade, ou seja, um lítio mais puro.

Parceria estratégica

Segundo a sócia da A 10, uma das chaves para entender o funcionamento do negócio da Sigma é sua parceria estratégia com o conglomerado japonês Mitsui (que é um dos maiores acionistas da Vale), por meio de uma joint venture.

Com isso, a empresa canadense entra em uma segunda etapa da cadeia produtiva do lítio, não ficando apenas na mineração, produzindo também o chamado hidróxido de lítio, conseguindo assim acesso ao mercado produtor de baterias da Coreia e do Japão.

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“A parceria com a Mitsui foi tudo porque ela nos permite fazer o último grau de purificação do lítio, que é a produção do hidróxido de lítio químico. Em parceria com a Mitsui, nós contratamos, terceirizamos, essa produção do hidróxido, para ser entregue na Coreia e no Japão. Isso é exatamente o que as majors fazem. Elas fazem parte da produção própria e parte terceirização. Então a parceria viabilizou entregar o hidróxido de lítio para os clientes”, explica Ana.

Com isso, ela afirma que a Sigma conseguiu se tornar uma “mini major” ao ser um produtor integrado com a companhia japonesa que, por sua vez, faz a entrega do hidróxido de lítio para seus clientes produtores de bateria.

Pela parceria, a Sigma reparte o lucro com a Mitsui o que, de acordo com a sócia, cria um “preço premium”, com a companhia canadense recebendo cerca de US$ 600 por tonelada caso fizesse seus embarques hoje. E por isso que ela consegue driblar o atual cenário mais baixo dos preços do carbonato de lítio.

Para a Mitsui, a dificuldade até então era conseguir um fornecedor de lítio Tier 1 (de maior qualidade). Até então ela já tinha como entregar para seus clientes outros componentes para baterias, como manganês e cobalto. Com a Sigma, ela expande sua oferta de componentes.

Do outro lado, a Sigma não teria como entrar neste mercado, que é considerado um oligopólio entre as majors, que oferecem o hidróxido de lítio para as companhias produtoras de bateria da Coreia e Japão. Com a parceria, ela entra nessa etapa da cadeia e absorve maiores ganhos.

Exemplo em ESG

Além de toda a estratégia operacional permitir que a Sigma opere com baixo custo e brigue de frente com as maiores empresas do setor sem ser tão grande, um outro fator tem colocado a companhia cada vez mais no radar do mercado: o seu foco no ESG (Environmental, Social and Governance, em inglês).

Estas três letras que são destaque hoje no mundo tratam de empresas que buscam integrar nos investimentos as melhores práticas ambientais, sociais e de governança, são foco da Sigma desde antes mesmo de sua criação. “A Sigma já nasceu verde, ela não precisou mudar para o ESG”, afirma Ana.

Entre as medidas, a companhia empilha seus rejeitos a seco — sem usar barragens (como a que se rompeu em Brumadinho) —, reutilização de 90% da água, uso de 100% de energia limpa hidrelétrica, além de que ela não usa reagentes químicos pesados em seus processos.

(Divulgação)

Entre as grandes empresas do setor, as que atuam na Austrália utilizam carvão e diesel como principais energias para suas produções, enquanto no Chile o processo é feito basicamente com diesel e gás natural, o que tem gerado bastante polêmica na região com a seca que as minas de lítio estão provocando no deserto do Atacama.

“Este é um desafio desta indústria [produzir de forma limpa]”, destaca a gestora, citando ainda que a Sigma realizou um programa de reflorestamento antes mesmo de começar a atuar na região.

Do lado social, a companhia paga 15% de Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), que vai todo para ajudar no desenvolvimento da região.

A Sigma fez ainda um programa junto ao Senai para fazer a capacitação da população e assim absorver a mão-de-obra local, além de um projeto de distribuição de cestas básicas.

Por fim, no nível governamental, Ana destaca que a empresa possui um conselho de diretores com sete pessoas, sendo três mulheres e um representante da comunidade LGBTQ+ em que todos são “super qualificados”.

E todo esse trabalho focado no ESG já rende frutos do lado financeiro para a Sigma, sendo que a captação feita em junho junto ao Société Générale, de US$ 45 milhões, foi um financiamento verde por conta deste trabalho feito pela empresa. Segundo Ana, a operação teve um dos menores custos de financiamento do mundo, com taxa Libor mais 5%, com seis anos para o pagamento, com dois de carência.

Os próximos passos

Com as recentes captações, Ana destaca que a Sigma está “100% financiada para entrar em operação”. “Estamos fazendo a pré-construção, com a engenharia fazendo as análises e fundações. Mas já começamos a trabalhar”, afirma.

Segundo ela, a construção da fábrica em Minas começa entre novembro e dezembro deste ano e levará cerca de um ano: “faremos o primeiro embarque entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022”, diz.

Além disso, na parceria com a Mitsui, a Sigma já realizou um acordo de pré-venda de sua produção, em que serão fornecidos ao grupo japonês 55 mil toneladas de lítio por seis anos, prorrogáveis por mais seis.

“Nosso risco neste momento é apenas de construção”, diz Ana. “Isso porque já temos todo o lítio pré-vendido. Então temos receitas garantidas por seis anos. Ou seja, o que a gente entregar, já está vendido para a Mitsui”, explica.

Com a primeira fábrica pronta, a companhia terá capacidade de produzir 33 mil toneladas por ano de carbonato de lítio equivalente (LCE, na sigla em inglês). Enquanto isso, as projeções são de que em 2025 o mercado mundial seja de 650 mil toneladas.

Após passar por seu boom entre 2017 e 2019, o lítio agora entrou em uma fase de consolidação. Com preço mais baixo que nos últimos anos, o metal deve ter uma demanda robusta daqui para a frente conforme o mercado de veículos elétricos segue em franco crescimento. E com a Sigma, o Brasil deve ser grande centro das atenções da matéria-prima desta indústria.

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Ação pede bloqueio imediato de R$ 26 bilhões da mineradora Vale

(Shutterstock)

A Justiça Estadual de Minas Gerais recebeu pedido para bloquear de imediato R$ 26,6 bilhões da mineradora Vale (VALE3) pelos “danos socioeconômicos causados no estado. devido ao rompimento das barragens da Mina Córrego do Feijão, localizada em Brumadinho (MG)”, informou hoje (27) a Advocacia-Geral da União (AGU), autora do pedido em conjunto com Ministério Público e Defensoria Pública.

As entidades pedem ainda “o pagamento de indenização de aproximadamente R$ 55 bilhões, sendo R$ 28 bilhões por danos morais coletivos e danos sociais, R$ 26,6 bilhões pelos danos econômicos sofridos pelo estado mineiro e R$ 361 mil pelos danos causados ao sítio arqueológico Berros II”.

Pedem também “o imediato julgamento, por meio de decisão parcial de mérito”, destacando “a necessidade da concessão de tutela de urgência”, sob a alegação de que os danos causados pela Vale atingem patamar superior a 45 bilhões de reais, “colocando em risco a efetividade da prestação jurisdicional”, referindo-se ao desastre que causou a morte de 270 pessoas e o desaparecimento de outras 11 pessoas, ocorrido em janeiro de 2019.

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De acordo com a ação, a magnitude da tragédia é “incontestável”, tendo causado “enorme devastação ambiental” com reflexos sobre a vida e as atividades econômicas de milhares de indivíduos, inclusive para o crescimento da economia de Minas Gerais, estado com grande produção mineral.

“Faz-se necessário assegurar que tais prejuízos sejam efetivamente reparados”, argumenta a AGU, que nesse processo atua como amicus curiae, o que permite a ela interlocução constante em favor da cooperação federativa e da efetivação do princípio da reparação integral.

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Aos 99 anos, o “banqueiro invisível” ainda dá as cartas

Aloysio de Andrade Faria Aloysio de Andrade Faria (Reprodução: TV Globo)

Até pouco tempo antes de a pandemia do coronavírus colocar o Brasil em quarentena, o banqueiro Aloysio de Andrade Faria dava expediente na sede do banco Alfa, na região da Avenida Paulista, pelo menos uma vez por semana. Agora, de sua fazenda de Jaguariúna, no interior de São Paulo, o mineiro de Belo Horizonte continua decidindo, com mãos de ferro, os rumos de seu império.

Aos 99 anos, Faria é o banqueiro mais velho da lista da revista Forbes e o terceiro mais idoso entre todos os bilionários, com uma fortuna estimada em US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 9 bilhões). Prestes a completar um século de vida em novembro, o magnata, que estudou medicina e herdou aos 28 anos o banco que viria a ser o Real, quando seu pai morreu, prefere a discrição dos bastidores às luzes dos holofotes.

Contemporâneo de uma linhagem de banqueiros como Olavo Setubal (Itaú), Walther Moreira Salles (Unibanco) e Amador Aguiar (Bradesco), Faria sobreviveu a inúmeros presidentes e regimes de governo, ministros da Fazenda e presidentes do Banco Central, pacotes e crises econômicas.

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“Aloysio é um dos mais sofisticados operadores financeiros do Brasil. É um banqueiro invisível que sempre fez questão de ficar longe de Brasília e das rodas do governo”, define o economista e ex-ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto, de 92 anos. “Ninguém o vê fumando charuto cubano, bebendo Romanée Conti. Está sempre submerso.”

Mais do que banqueiro, Faria tornou-se um profícuo empreendedor em mais de 80 anos de vida empresarial. O grupo controlado por ele engloba não apenas o banco Alfa, mas também uma dezena de empresas, como a rede de hotéis Transamérica, emissoras de rádio, a fabricante de água mineral Águas da Prata, a gigante de material de construção C&C e a produtora de óleo de palma Agropalma, entre outros negócios. “Ordem sem progresso é inútil, progresso sem ordem é falso”. Esta frase, estampada em placas nas empresas do banqueiro, é a sua filosofia de trabalho.

Há ainda na lista um capricho particular: a sorveteria La Basque. Simplesmente porque ele adora sorvetes. Faria costumava dizer que no Brasil não tinha um sorvete bom e mandou chamar um especialista americano para criar o seu próprio. “Ele fazia questão de escolher os sabores”, diz um ex-executivo do grupo.

Retiro

Viúvo há quase três anos, depois de um casamento de mais de sete décadas, Faria vive agora recluso em sua fazenda em Jaguariúna, em uma propriedade em estilo clássico, construída com pedras trazidas da Inglaterra (país no qual costumava passar longas temporadas), em frente a um lago. Não abre mão de hastear todos os dias as bandeiras do Brasil e de Minas Gerais na fazenda, contam pessoas próximas a ele.

Embora esteja fora do dia a dia dos negócios – o grupo financeiro e as empresas têm há anos gestão profissionalizada, a cargo de executivos de sua confiança -, o banqueiro tem sempre a palavra final em decisões, dizem pessoas que convivem com ele. Uma geração de executivos foi moldada para cuidar dos negócios – os chamados “prata da casa”, tão discretos quanto ele. Faria não deu entrevista para essa reportagem.

Nem a venda do Real em 1998, por US$ 2,1 bilhões, na época o quarto maior banco privado do País, jogou luz sobre o banqueiro. Faria atuou nos bastidores da venda do seu banco ao holandês ABN Amro (posteriormente comprado pelo Santander), a despeito do receio da abertura do mercado financeiro ao capital estrangeiro às vésperas da desvalorização do real, na campanha à reeleição de FHC. Os grandes bancos reagiram e foram às compras nos anos seguintes.

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O negócio, curiosamente, foi fechado no dia do jogo entre Brasil e Holanda, que levou a seleção brasileira para a final da Copa da França. No dia da assinatura, Faria não apareceu. Delegou a tarefa aos executivos. Em vez de fazer uma comemoração para celebrar o negócio, preferiu se reunir com a família.

Nascido em Belo Horizonte, Faria veio de família rica. Seu avô era latifundiário no norte de Minas Gerais e criou-se na política, assim como seu pai, que decidiu fundar em 1924 o Banco da Lavoura de Minas Gerais, cuja regra era “emprestar pouco para muitos”. Foi um banco que cresceu na política do “café com leite” do Brasil da época – quando o poder nacional era dividido entre as oligarquias mineira e paulista.

Maior banco privado

Em poucas décadas, a instituição se tornou o maior banco privado na América Latina. Inicialmente, Faria não pensava em seguir a carreira de banqueiro. Havia estudado medicina na UFMG e se especializado em gastroenterologia pela Universidade Northwestern, de Chicago. Com o morte do pai, em 1948, herdou, ao lado do irmão mais novo, Gilberto, o banco.

“Os filhos herdaram o banco do pai em um momento histórico para o sistema financeiro do País, quando os bancos paulistas ainda não eram tão proeminentes, e o País era dominado por instituições estrangeiras”, lembra o economista Fernando Nogueira da Costa, professor de Economia da Unicamp e estudioso sobre o sistema financeiro brasileiro. Foi o primeiro banco privado a abrir, nos anos 1960, uma filial em Nova York, na 5.ª Avenida, próximo a um apartamento que a família mantinha na metrópole.

Aloysio Faria até tentou por pouco tempo conciliar o consultório médico e a gestão do banco, sem sucesso. Enquanto o banco crescia, Faria recebeu uma proposta para comprar o Unibanco, de Walther Moreira Salles. Os dois mineiros chegaram a sentar para conversar. Falaram de tudo, menos do negócio. “Como ele não me falou nada (sobre a venda do banco), também não perguntei”, relatou após o encontro, segundo uma pessoa íntima da família.

Por duas décadas, Aloysio Faria se revezou na gestão do banco com seu irmão. Mas Gilberto decidiu seguir a carreira política em um momento crítico de polarização nos anos 1960. Como genro de Tancredo Neves (então primeiro-ministro durante o governo João Goulart) e padrasto do hoje senador Aécio Neves, foi deputado federal pelo PSD e pela Arena entre 1963 a 1971.

Foi nesse último ano que os irmãos se desentenderam sobre a gestão. Os dois cindiram o Banco da Lavoura. Aloysio ficou com os ativos que se tornaram o banco Real, e Gilberto, com o Banco Bandeirantes. A contenda entre os irmãos extrapolou os negócios. Ao dividirem a fortuna, Aloysio e Gilberto nunca reataram suas relações. “Os avós nunca mais se falaram, mas os netos se dão bem”, diz uma pessoa próxima à família.

Anos atrás, Aloysio foi obrigado a se defender nos tribunais contra uma ação milionária trabalhista movida por um de seus ex-genros. Carlos Ortiz Nascimento, que administrava os negócios não-financeiros do grupo, exigiu um naco da fortuna do sogro, alegando ter construído parte do império de Faria, como os Hotéis Transamérica e a Agropalma. Em quase todas as batalhas na Justiça, Aloysio venceu, mas ainda há processos em curso. Procurado por meio do seu advogado, Ortiz Nascimento não quis se manifestar.

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Avesso a colunas sociais, Aloysio também nunca foi de frequentar rodas da high society. Esse papel cabia à esposa Cléa Dalva e às cinco filhas. O banqueiro tem 17 netos. “Ele discorre sobre vários assuntos com grande erudição”, diz o empresário David Feffer, presidente do conselho de administração do grupo Suzano. “Como meu pai, ele dividia uma paixão pelas artes e cavalos árabes.” Nos anos 1960, Faria importou cavalos árabes dos EUA, ampliando a disseminação da raça no Brasil e se mantém como um dos maiores criadores. Também tomou gosto por gado holandês.

Entusiasta das artes, foi diretor do Museu de Arte Moderna de Belo Horizonte e também do Museu de Arte de São Paulo. Sua esposa era colecionadora de esculturas e quadros e tinha obras originais de Portinari, Djanira e Maria Leontina. Ao longo dos últimos anos, fez doações milionárias para saúde e educação. Mesmo afastado da medicina, nunca deixou o assunto de lado. Ajudou a cuidar da própria saúde e também da de sua esposa. Há alguns anos, curou-se de um câncer e montou um “mini-hospital” no seu hotel em São Paulo, conta um amigo. “Ele costuma ler e sempre me manda artigos científicos de fora para trocar impressões”, também confidencia o médico urologista Miguel Srougi, amigo de longa data.

Faria também tem suas extravagâncias, entre elas um jatinho (ele também é dono de uma empresa de táxi aéreo) e um Porsche que dirigiu há até pouco tempo. E também não abandonou o sorvete. “Ele é rigoroso durante a semana, mas toma quatro bolas no fim de semana”, diz um dos seus netos.

“Gosto é mesmo de ficar sentado na minha varanda lendo em frente ao lago”, confidenciou a um amigo próximo. E é o que ele tem feito nestes tempos de quarentena. Como um bom médico, decidiu pelo isolamento. A festa planejada pela família para comemorar seu centenário está, por ora, suspensa.

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