Com o fim da corrida por decoração e móveis, qual o plano da Mobly para continuar crescendo?

Ambiente criado pela Mobly (Divulgação) Ambiente criado pela Mobly (Divulgação)

SÃO PAULO – As empresas no segmento de compra online de itens para casa tiveram um último trimestre difícil para comparações anuais. No segundo trimestre de 2020, o país estava no pico da pandemia de Covid-19. Com as pessoas isoladas em suas residências, cresceu a demanda tanto pelo e-commerce quanto pela compra de decoração e móveis.

Com base em dados coletados em junho deste ano pela Mastercard, as vendas no e-commerce tiveram queda de 13,2% na comparação com o mesmo mês de 2020. No setor de móveis, a baixa foi de 53,1%. As companhias do setor precisam agora trabalhar mais para manter a demanda crescente.

Foi o caso, por exemplo, da Mobly (MBLY3). A empresa de móveis e decoração divulgou nesta terça-feira (10) seu balanço do segundo trimestre de 2021. O momento pediu marketing, redução de margens, prazos de entrega menores e expansão de lojas para manter um volume bruto de mercadorias estável. Mesmo assim, a empresa ampliou sua receita líquida.

O InfoMoney conversou com Victor Noda, cofundador da Mobly, sobre os resultados do segundo trimestre e os planos para os trimestres seguintes.

Foram mais de 321 mil pedidos no segundo trimestre de 2021. O volume bruto de mercadorias ficou estável em R$ 247,4 milhões, alta de 0,4% na comparação entre o segundo trimestre de 2020 e o segundo trimestre de 2021.

Mesmo com um GMV estável, a receita líquida cresceu: a Mobly registrou alta de 38,6% na mesma base de comparação, para R$ 175,7 milhões. Segundo Noda, o aumento da receita líquida apesar de um volume similar de mercadorias aconteceu porque a empresa reduziu seu prazo de entrega e reconheceu mais vendas ao longo do trimestre. O prazo médio de entrega no país caiu de 19,3 para 12,5 dias na comparação entre 1T2021 e 2T2021.

Outro ponto importante foi a ampliação de antecipação de recebíveis para os fornecedores. “34% dos nossos fornecedores nacionais estão operando com a antecipação, que introduzimos no começo do ano. Apesar de reduzir nosso próprio prazo de pagamento, o vendedor não precisa recorrer a financiamentos mais caros para pagar matéria-prima ou funcionários. Então, o produto acaba custando menos. Esse desconto pode permitir uma margem maior para nós, ou baixamos o preço ao consumidor. Vimos que o mais gerava lucro para a empresa era a segunda opção.”

A Mobly repassou os custos menores dos fornecedores e seguiu investindo em marketing para manter seu crescimento. “Vimos uma queda no e-commerce em comparação anual a partir de junho. Então, os marketplaces se tornaram mais agressivos em campanhas de desconto aos clientes”, diz Noda. Houve um aumento de 84,1% nos investimentos de marketing, na comparação entre o segundo trimestre deste ano com o mesmo período de 2020.

A lucratividade na primeira compra (first order profitability) estava em 140% em 2020. Neste segundo trimestre, foi reduzida para 115%. “Nosso objetivo é ficar acima de 100%, o que significa que não dependemos de uma segunda compra para gerar lucro. Vimos um ponto ideal de eficiência em 115%, porque assim não deixamos crescimento na mesa. Menos do que isso, o crescimento não compensa a rentabilidade”. Por outro lado, a Mobly reduziu seus custos logísticos pela abertura de um centro de distribuição em Belo Horizonte (Minas Gerais), pela expansão da empresa própria de last mile Moblylog e pelo aumento de participação das lojas físicas nas vendas.

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Com uma situação mais controlada da pandemia, a participação das lojas subiu de 3% para 14% na comparação entre os segundos trimestres de 2020 e 2021. O GMV das lojas cresceu 346,3%, na mesma base de comparação. A Mobly tem hoje três megastores, quatro outlets e cinco franquias. Já a Moblylog foi responsável por 49,2% das entregas, ante 44% no primeiro trimestre de 2021.

Loja da Mobly (Divulgação)

Loja da Mobly (Divulgação)

O prejuízo líquido foi de R$ 17 milhões no segundo trimestre deste ano, ante R$ 25,5 milhões no primeiro trimestre. Já na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o prejuízo aumentou 123,7%. Na época, era de R$ 7,6 milhões.

A Mobly teve poucas despesas relacionadas à sua abertura de capital, que haviam impactado o prejuízo do primeiro tri. Desta vez, o impacto veio de um plano de stock options.

“R$ 3,26 milhões dos R$ 17 milhões foram para essa provisão. Mas nosso resultado financeiro [uma linha acima do prejuízo, no balanço] foi positivo pela primeira vez na história. Repagamos dívidas e paramos de antecipar recebíveis para nossa própria operação”, diz Noda.

Perspectivas para os próximos trimestres

A Mobly espera reduzir ainda mais seu prazo de entrega. O lançamento de um centro de distribuição em Cajamar (São Paulo), previsto para o terceiro trimestre, deverá reduzir o prazo médio de entrega no país em dois dias, indo para 10,5 dias. Esse impacto no prazo deve ser sentido a partir de setembro deste ano.

No total, a Mobly ficará com quatro centros de distribuição. Também está nos planos o primeiro CD na região Nordeste. “Esperamos mais uma melhora no percentual de entrega no prazo. Sofremos muito com isso durante a pandemia. As fábricas ou estavam fechadas, ou abertas com muita demanda acumulada. Esse quadro se estabilizou neste ano e fechamos com 94% das entregas no prazo, nosso melhor índice histórico”, diz Noda.

A empresa também aumentou o investimento em lojas físicas, de olho em uma retomada do consumo presencial. A empresa pretende abrir um outlet e três megastores nos próximos trimestres, para atender a cidade de São Paulo e a região do ABC.

“Queremos aumentar aquela participação de 14% das lojas físicas. Em cinco anos, o número deve chegar perto de 35% das vendas. A loja tem papéis estratégicos: ajuda em construção e engajamento de marca, o que aumenta a venda inclusive no nosso e-commerce. Verificamos que as vendas online em um raio de 5 quilômetros das lojas crescem após suas inaugurações. As unidades físicas também atuam como hubs logísticos, suportando nossos modelos de retire na loja e ship from store”, diz Noda.

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Por outro lado, a Mobly também espera que a escassez de matéria-prima continue no segundo semestre de 2021. “A indústria segue sofrendo com aumento de preços, especialmente em itens como chapas de madeira e metais. Apenas em julho e agosto, o preço dessas chapas cresceu 13% a cada mês”, diz Noda.

O cofundador da Mobly espera continuar crescendo em métricas como GMV e receita líquida nos próximos trimestres – mas o terceiro trimestre de 2020 também foi forte. “Vemos uma dinâmica parecida com a do segundo trimestre, em que o comparável com o ano passado será difícil. Foram três meses cheios de lockdown entre julho e setembro de 2020. Será desafiador. Mas, embora o mercado como um todo esteja apontando para uma retração por conta dessa comparação, não projetamos uma queda em comparação com 2020. E, em comparação com 2019, projetamos um crescimento bem acelerado. Vamos nos posicionar bem para o quarto trimestre, que terá a Black Friday.”

Análises

O Itaú BBA coloca como preço justo para a ação R$ 27,8. O valor representa um upside de 96% em relação aos atuais R$ 14,18 por ação, registrados às 9h do horário de Brasília nesta terça-feira). Já o Bradesco BBI coloca como preço justo R$ 26, um upside de 83,5%. Anteriormente, o BBI colocava um preço justo de R$ 30.

Os dois bancos de investimento colocaram o rating de outperform e afirmaram que os resultados vieram em linha com suas expectativas. “A Mobly reportou resultados leves no segundo trimestre deste ano, como antecipado. A base forte comparação para a companhia no segmento online foi em partes compensada por vendas mais fortes nas lojas”, escreve o BBA.

“Os resultados são desapontadores, considerando nossas expectativas maiores no momento do IPO. Mesmo assim, vemos que a Mobly está experimentando ventos contrários em curto prazo, como baixa demanda enquanto as lojas físicas reabrem e pressão nas margens por conta da inflação de custos da matéria-prima. Esperamos que esses dois problemas sejam aliviados em algum ponto, apesar de o próximo trimestre não dever trazer notícias animadoras”, escreve o BBI.

“Continuamos otimistas quanto à perspectiva de crescimento em longo prazo da Mobly, dada sua estratégia em private label (aumento de penetração), logística (novos centros de distribuição e expansão da Moblylog) e tendências de mudança e consolidação de canais de venda”, completa o banco de investimento.

Modelo de negócio da Mobly

O InfoMoney explicou em reportagem anterior o modelo de negócios da Mobly. Fundada em 2011, a empresa tem mais de 1 milhão de clientes ativos (pedidos despachados ou entregues) comprando mais de 200 mil itens, como móveis e objetos de decoração. Segundo dados da Euromonitor coletados pela Mobly, esse é um mercado de R$ 130 bilhões na América Latina e de R$ 90 bilhões no Brasil.

É um setor extremamente fragmentado, e as empresas se separam por poder aquisitivo e por canais online/offline. A Mobly busca atender a classe média nos dois canais e diz competir tanto com marcas focadas ou em preços (alguns exemplos elencados foram Casas Bahia, MadeiraMadeira, Magazine Luiza, Marabraz e Mercado Livre) quanto com as focadas em variedade de produtos (como Camicado, Etna, Tok&Stok e Westwing).

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O foco da marca está em compras funcionais e planejadas, não no consumo pela inspiração, como acontece com o público de classe A e B da Westwing. Móveis correspondem por 90% das vendas da Mobly, com o restante na vindo de itens decorativos.

Fundadores da Mobly (Divulgação)

Fundadores da Mobly (Divulgação)

A empresa defende quatro pilares: experiência de compra que combina digital e físico; sortimento de produtos que vai do amplo ao exclusivo; logística eficiente; e tecnologia. A Mobly começou no e-commerce, mas hoje tem também 11 lojas físicas. Ainda, possui sistemas proprietários de pedido, armazenamento e logística.

São dois modelos de armazenamento: o de crossdocking (entrega direto do fornecedor ao cliente) e de estoque próprio. O primeiro tem maior tempo de entrega, mas a empresa tem custo menor com estoque e maior capital de giro. Já os produtos estocados garantem entregas mais rápidas – a Mobly analisa quais itens convertem mais e os inclui em seus galpões. Independente do modelo de estocagem, parte das entregas são feitas pela Moblylog.

Por fim, a Mobly investe em um algoritmo próprio para organizar os catálogos e precificar produtos e fretes. Também cria tecnologias que melhoram a experiência de compra, como busca de produtos por imagem, ambientação 3D e realidade aumentada.

A Mobly realizou sua oferta pública inicial de ações (IPO) em fevereiro deste ano, em uma operação que movimentou R$ 812 milhões.

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Klabin, Petz, Iguatemi, construtoras e mais companhias divulgam resultados; estreia da Oncoclínicas na Bolsa e outros destaques

SÃO PAULO – A sessão desta terça-feira (9) é marcada por uma série de novos resultados do segundo trimestre, com atenção especial para os números de Klabin, Minerva, Itaúsa, Petz, Alupar e algumas construtoras. Além disso, a sessão marca a estreia da ação da Oncoclínicas na B3. Confira no que ficar de olho:

Oncoclínicas (ONCO3)

A Oncoclínicas tem a sua estreia na B3 na sessão desta terça-feira. A companhia precificou sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) a R$ 19,75 por papel em operação que movimentou cerca de R$ 2,67 bilhões, de acordo com o prospecto definitivo da operação.

O preço estabelecido para a ação da rede de clínicas de tratamento contra o câncer ficou abaixo da faixa estimada de preço para o IPO, entre R$ 22,21 e R$ 30,29.

A oferta compreendeu distribuição primária de 90.049.527 ações ordinárias e secundária de 45.024.764 ações de acionistas vendedores – FIPs Josephina e Josephina II.

Os recursos da oferta primária serão destinados para projetos de investimento, aquisições futuras e em andamento, além de capital de giro.

A Minerva registrou lucro líquido de R$ 116,7 milhões no segundo trimestre, queda de 54% ante o mesmo período do ano passado. Apesar disso, a empresa ainda vê um cenário positivo puxado por exportação e sinergia entre as operações sul-americanas.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia atingiu R$ 544,9 milhões no período, recuo de 7,7% no mesmo comparativo.

O diretor financeiro da Minerva, Edison Ticle, disse que o destaque do trimestre é o lucro líquido pois, apesar da queda, trata-se de um “resultado realmente muito forte”, mas que é comparado a uma base mais elevada — em 2020, a pandemia da Covid-19 elevou a demanda por alimentos em diversos setores.

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“Houve queda ante o segundo tri do ano passado, mas porque (2020) foi um ponto fora da curva”, afirmou a jornalistas em videoconferência.

A receita líquida da empresa atingiu R$ 6,28 bilhões no segundo trimestre, alta de 42,9% no ano a ano.

O CEO da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, disse que ainda há certas dificuldades logísticas no mercado global, com falta de contêineres e tempos mais longos para transportes de cargas, mas a demanda externa segue aquecida.

“A Ásia segue como o grande vetor comprador… e a China como o principal destaque. No segundo trimestre de 2021, cerca de 36% da nossa receita de exportação teve origem no mercado chinês”, informou a empresa, mesmo diante de entraves relacionados à pandemia da Covid-19.

A Petz registrou lucro líquido de R$ 21,6 milhões no segundo trimestre de 2021, alta de 109% ante o mesmo período de 2020. O Ebitda ajustado, por sua vez, ficou em R$ 56,2 milhões, alta de 50,3%.

A empresa atingiu R$ 2 bilhões de faturamento nos últimos 12 meses pela primeira vez em sua história, com a receita bruta total em R$ 598 milhões no segundo trimestre, alta de 57,5% ante o valor apresentado um ano antes.

As vendas online representaram 30,3% do total das vendas no trimestre, chegando a R$ 181,2 milhões de receita bruta total, ganho de 85%.

A Itaúsa, holding controladora do Itaú Unibanco (ITUB4), registrou lucro líquido de R$ 3,5 bilhões no segundo trimestre deste ano, valor 487% superior ao apresentado um ano antes.

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O lucro líquido recorrente, por sua vez, foi de R$ 2,86 bilhões no período, alta de 99% sobre o mesmo período de 2020.

O resultado reflete a combinação de melhora da economia brasileira após o choque da pandemia do coronavírus, e também de efeitos fiscais extraordinários.

A alta do lucro foi impactada, principalmente pelo resultado de seu principal ativo, o Itaú, além de um ganho de R$ 476 milhões com a reavaliação de crédito tributário com a majoração da alíquota da CSLL.

Além disso, um ano antes, a Itaúsa tinha reportado despesa extraordinária de R$ 543 milhões com sua unidade CorpBanca, no Chile, e outra de R$ 312 milhões com doação a um programa para combate aos efeitos da pandemia.

A Itaúsa ainda reportou aumento de receitas com ativos não financeiros, incluindo a fabricante de calçados Alpargatas (ALPA4); a Dexco (DTEX3), de louças e painéis de madeira; da transportadora de gás NTS; e da Copa Energia.

Já o ativo total da holding passou de R$ 56,55 bilhões para R$ 69,42 bilhões entre o segundo trimestre do ano passado e este, uma alta de 22,8%.

O endividamento líquido, por sua vez, teve um salto de 1.715% em um ano, passando de R$ 213 milhões entre abril e junho de 2020 para R$ 3,867 bilhões no segundo trimestre deste ano.

Além disso, em outro comunicado, a companhia informou o pagamento de juros sobre capital próprio brutos de R$ 0,03734 por ação, por conta do dividendo obrigatório do exercício de 2021. Com o desconto de 15% do imposto de renda na fonte, o JCP líquido será de R$ 0,031739.

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O valor será pago no dia 26 de agosto e terão direito os acionistas com ações ITSA4 no dia 13 de agosto, com os papéis passando a negociar na forma “ex” a partir de 16 de agosto. Contando os dividendos já anunciados este ano, a companhia irá pagar R$ 798 milhões em proventos líquidos.

A Klabin registrou lucro líquido de R$ 719 milhões no segundo trimestre de 2021, ante prejuízo de R$ 383 milhões no mesmo período de 2020 e com alta de 71% frente os R$ 421 milhões registrados entre janeiro e março deste ano.

A receita líquida aumentou 38% na comparação anual, para R$ 4,076 bilhões, com crescimento em todas em todas as linhas de negócio, e 27% desconsiderando a receita proveniente das unidades adquiridas da International Paper (IP).

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 1,798 bilhão, alta de 35% frente os R$ 1,333 bilhão na base anual e 41% superior na comparação com o primeiro trimestre de 2021. Já a margem Ebitda ajustada caiu 1 ponto percentual na base anual, indo de 45% para 44%, enquanto avançou 8 pontos na comparação trimestre a trimestre.

O Fluxo de Caixa Livre (FCL) Ajustado somou R$ 4,7 bilhões nos últimos doze meses, o que representa um FCL yield Ajustado de 16,4%.

A relação entre dívida líquida e Ebitda em dólares encerrou o trimestre em 3,6 vezes, comparado a 4 vezes no primeiro trimestre de 2021. Em reais, 3,3 vezes no segundo trimestre versus 4,2 vezes nos primeiros três meses de 2021.

“O segundo trimestre de 2021 seguiu com forte demanda pelos produtos da Klabin tanto no mercado local quanto no mercado externo. Estas condições favoráveis de mercado, aliadas ao sólido desempenho operacional, impulsionaram os resultados da companhia no período”, afirmou a Klabin em seu release de resultados.

Iguatemi (IGTA3)

A rede Iguatemi, dona de 14 shopping centers, dois outlets e três torres comerciais, apresentou lucro líquido de R$ 279 milhões no segundo trimestre de 2021, montante seis vezes maior do que no mesmo período de 2020.

O Ebitda atingiu R$ 108,9 milhões, recuo de 5,4% na mesma base de comparação. A margem Ebitda diminuiu 7,6 pontos porcentuais, para 63,9%.

A receita operacional líquida totalizou R$ 170,3 milhões, aumento de 5,8%.

A disparada no lucro líquido da Iguatemi partiu da linha de resultado financeiro, onde foi apurada uma receita de R$ 365,5 milhões em contrapartida a uma despesa de R$ 19,5 milhões um ano antes.

Por trás dessa linha está a participação de 10% que a Iguatemi possui, via fundo, na Infracommerce, empresa de soluções digitais para o comércio eletrônico. Esta empresa entrou na Bolsa em maio, levando a Iguatemi a fazer a marcação a mercado do ativo em seu balanço, o que gerou o ganho extraordinário ‘não caixa’.

A Iguatemi também apresentou melhora dos seus resultados operacionais. A receita líquida cresceu ajudada pela reabertura dos shoppings e pela redução dos descontos no aluguel dos lojistas com mais alívio da pandemia.

Os resultados acima também já embutem o efeito da linearização dos descontos – prática contábil que dilui os descontos nos aluguéis ao longo dos períodos de vigência dos contratos. A linearização contribuiu com apenas R$ 2,7 milhões neste trimestre, 97% menos do que um ano antes.

A reabertura dos shoppings também elevou a linha de custos e despesas em 92%, para R$ 74,4 milhões.

A Iguatemi chegou ao fim de junho com dívida total de R$ 3,08 bilhões, 6,2% abaixo de março. A disponibilidade de caixa encontrava-se em R$ 1,8 bilhões, 10% a mais nessa comparação sequencial. Com isso, a dívida líquida ficou em R$ 1,3 bilhões, com uma alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda) de 2,58 vezes.

O Bradesco BBI aponta que, mesmo com uma vacância acima da média, o Iguatemi apresentou sinais positivos de
recuperação nas vendas dos lojistas, que esperam eventualmente se traduzir em melhoria contínua dos indicadores operacionais e financeiros. O reconhecimento contábil por trás do IPO do IFCM3 (IGTA tem 9% de participação) também permitiu à Iguatemi reduzir os indicadores de alavancagem, aliviando a pressão de seus covenants de dívida e começando a adicionar algum fôlego para movimentos estratégicos, um ponto de preocupação que os analistas esperam remover da lista se sua proposta de estrutura acionária for aprovada. “Nesse ínterim, mantemos nossa recomendação neutra para IGTA3
com um preço-alvo de R$ 50 por ação”, avaliam os analistas.

São Martinho (SMTO3)

A companhia de açúcar e etanol São Martinho reportou lucro líquido de R$ 190,1 milhões no primeiro trimestre fiscal de 2021/22, alta de 64,3% na comparação anual, em período que a empresa obteve maior preço médio na venda de todos os seus produtos.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da companhia somou R$ 688,3 milhões, avanço de 40,1% no ano a ano.

“Reflexo principalmente do maior preço médio de comercialização de etanol (+84,7%), açúcar (+28,3%), cogeração (+24,9%), além do volume de comercializado de CBios”, disse a empresa em relatório sobre o aumento do Ebitda.

A receita líquida da São Martinho atingiu R$ 1,32 bilhão, variação positiva de 28,8% em relação ao mesmo período do ano passado, também apoiada pelos preços mais elevados de vendas, enquanto o fluxo de caixa operacional totalizou R$ 448 milhões, crescimento de 49,7%.

Já a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, que mede a alavancagem da companhia, ficou em 1,02 vez, redução de 30,8% no ano a ano.

O Credit Suisse avaliou os resultados do primeiro trimestre de 2022 da São Martinho como bons, mas em linha com a expectativa do mercado. O banco diz que o Ebitda, que subiu 40% na comparação anual, ficou 2% acima de sua expectativa.

O Itaú BBA avaliou os resultados informados pela São Martinho como fortes, e ressaltou a alta de 40% do Ebitda na comparação anual, a R$ 688 milhões, em meio a preços favoráveis de commodities e apesar do clima desfavorável, que vinha prejudicando a produtividade. O banco ressaltou que a empresa divulgou geração de caixa de R$ 170 milhões, e diz que a empresa não foi afetada por geadas recentes, o que deve garantir resultados fortes para a colheita de 2021 e 2022.
O Itaú mantém recomendação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) e preço-alvo para 2021 de R$ 42.

A construtora Even registrou lucro líquido de R$ 54 milhões entre abril e junho deste ano, uma alta de 102% na comparação com o mesmo período de 2020. Na comparação com o primeiro trimestre, porém, houve uma queda de 35,2% no lucro.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado teve um crescimento de 17,3% na comparação anual, ficando em R$ 65 milhões no segundo trimestre.

A receita líquida, por sua vez, cresceu 39,5%, ficando em R$ 522,38 milhões, puxadas principalmente pelas vendas de R$ 354 milhões, com VSO consolidada de 16%.

O Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE) anualizado, encerrou o segundo trimestre em 12,3%, um avanço de 6 pontos percentuais sobre os 6,6% apresentados entre abril e junho de 2020.

O BBI destacou os resultados da Even como sólidos, já que uma forte receita gerou números significativamente acima do consenso, enquanto a margem bruta ficou estável e a margem de backlog aumentou 2 pontos percentuais após uma forte revisão no primeiro trimestre de 2021. Além disso, os analistas encontraram conforto na forte posição de caixa da Even  e no valuation atraente, reafirmando recomendação de compra para EVEN3, com um preço-alvo para final de 2021 de R$ 15 por  ação.

Direcional (DIRR3)

A Direcional apresentou lucro líquido de R$ 40,688 milhões no segundo trimestre de 2021, o que representa crescimento de 20% em relação ao mesmo período de 2020.

O Ebitda ajustado somou $ 89,996 milhões, avanço de 47,8% na mesma margem de comparação. A margem Ebitda ajustado cresceu 6,4 pontos porcentuais, para 21,3%.

A margem bruta subiu 5,0 pontos porcentuais, para 38,0%, o maior patamar já registrado pela Direcional após o seu IPO. Já a receita operacional líquida totalizou R$ 422,162 milhões, aumento de 3,4%.

O resultado financeiro líquido piorou, ficando negativo em R$ 14,423 milhões, ante resultado negativo de apenas R$ 1,393 milhão um ano antes.

A grande responsável pelo crescimento do lucro da Direcional no período foi a melhora das margens. Segundo a companhia, essa melhora decorreu da apuração de economias nas obra dos projetos que estão em estágio avançado de construção e, portanto, com menor exposição ao aumento de custo de insumos que tem pressionado todo o setor.

A prática da incorporadora é de reconhecer eventuais economias apenas na parte final de cada obra. “Desse modo, a despeito do cenário atual de aumento de custos, as apropriações de economia de obra (…) foram mais do que suficientes para compensar a pressão inflacionária em projetos que estão sendo iniciados”, descreveu a empresa.

As despesas gerais e administrativas totalizaram R$ 64 milhões, um incremento anual de 36%, enquanto as despesas comerciais totalizaram R$ 45 milhões, avanço de 14%.

A Direcional encerrou o segundo trimestre com dívida líquida de R$ 241,610 milhões, sete vezes mais do que um ano antes. Nesse período, a dívida bruta subiu 35%, para R$ 880,866 milhões, enquanto as disponibilidades em caixa subiram 13,3%, para R$ 946,589 milhões.

A alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e patrimônio líquido) foi de 2,3% para 18,6%, refletindo principalmente o pagamento de dividendos aos acionistas e operações para captação de recursos ao longo do último ano.

O Bradesco BBI destacou que a empresa bateu margem bruta de 37,8%  em função de: (i) maior agilidade na política de preços; (ii) maior contribuição da Riva; e (iii) redução de custos de projetos de construção em estágio final.

A revisão para cima da margem a reconhecer (margem REF) sugere que a tendência positiva deve continuar no terceiro trimestre de 2021.

“Embora a receita líquida da Direcional tenha ficado um pouco abaixo de nossa estimativa (2%), após a revisão para cima nas margens a serem reconhecidas para 40,5%, sentimos que há um potencial de alta para nossas estimativas do final do ano de 2021 e 2022, pois o reconhecimento da receita ainda tem que incorporar os lançamentos recentes que: (i) estão sendo vendidos com margens maiores; e (ii) deve levar a uma diluição adicional de custos no 2S21”, avalia o BBI.

Na visão dos analistas, ultrapassando seus pares e superando as estimativas já otimistas, o DIRR3 combina: (i) crescimento de dois dígitos; (ii) potencial de valorização para o consenso; e (iii) P / L de um dígito, “uma das histórias mais baratas em nossa cobertura”, seguindo assim a escolha principal.

A incorporadora Mitre teve lucro líquido de R$ 21,2 milhões no segundo trimestre, alta de 113% ante o mesmo período de 2020.

A receita líquida, por sua vez, aumentou 153%, para R$ 164,7 milhões, refletindo a aceleração da evolução física de obras e início das atividades em alguns canteiros.

Já a margem bruta da companhia passou de 31,9%, no segundo trimestre do ano passado, para 34,7% entre abril e junho de 2021. A incorporadora informou também margem bruta ajustada de 35,5%, ante 35% no mesmo período do ano passado.

A Melnick lucrou R$ 12,32 milhões no segundo trimestre, queda de cerca de 45% ante o lucro de R$ 22,35 milhões registrado em igual período do ano passado.

Já a receita líquida de vendas e serviço teve baixa de 2,16%, a R$ 183 milhões.

A Alupar, empresa que atua em geração e transmissão de energia elétrica, teve lucro líquido atribuído aos sócios da empresa de R$ 332 milhões no segundo trimestre de 2021,  321% acima frente os R$ 79 milhões de igual período do ano passado.

A receita operacional líquida foi de R$ 1,3 bilhão, 27% superior ante os R$ 1,05 bilhão registrados um ano antes. O Ebitda foi de R$ 1,13 bilhão, alta de 153% na base anual.

BTG Pactual (BPAC11)

O BTG Pactual encerrou o segundo trimestre de 2021 com lucro líquido ajustado de R$ 1,719 bilhão, representando um crescimento de 74% em relação ao resultado do mesmo período do ano passado, que foi de R$ 987 milhões. Frente ao trimestre imediatamente anterior, o lucro líquido ajustado subiu 43,6%. De acordo com o banco, o resultado trimestral foi recorde. O lucro líquido não ajustado somou R$ 1,678 bilhão, acima dos R$ 977 milhões do segundo trimestre de 2020.

O banco reportou receitas totais R$ 3,77 bilhões no segundo trimestre de 2021, crescimento de 52% sobre igual período do ano anterior e de 35% em relação ao primeiro trimestre. O retorno sobre o patrimônio ajustado cresceu 4,1 pontos-base para 21,6% em 12 meses. Frente ao primeiro trimestre, houve aumento de 5,1 pontos-base.

“Tivemos o melhor trimestre da nossa história, com resultados expressivos em todas as linhas de negócios, crescimento acelerado das nossas franquias de clientes, alta rentabilidade e manutenção de métricas de capital acima da média da indústria”, disse o presidente do BTG Pactual, Roberto Sallouti.

O patrimônio líquido do BTG Pactual encerrou o segundo trimestre em R$ 35 bilhões, um crescimento de 36,7% frente ao mesmo período do ano passado e avançou 15,2% em comparação ao primeiro trimestre.

Os ativos totais do banco somaram R$ 335,2 bilhões, valor acima dos R$ 230,4 bilhões do segundo trimestre de 2020 e dos R$ 289,8 bilhões no primeiro trimestre.

O índice de Basileia caiu 2,1 pontos-base para 17,3% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. No primeiro trimestre, estava em 17,7%.

Sequoia Logística (SEQL3)

A Sequoia Logística e Transportes teve lucro líquido de pouco mais de R$ 3 milhões no segundo trimestre, ante o prejuízo de R$ 8 milhões em igual período do ano passado.

No critério ajustado, excluindo despesas não recorrentes e amortização do ágio, o lucro foi de R$ 17,6 milhões, alta de quase 25 vezes ante os R$ 700 mil registrados no segundo trimestre de 2020.

A receita líquida subiu 75% na base de comparação trimestral, para R$ 368,9 milhões.

Blau Farmacêutica (BLAU3)

A Blau teve lucro de R$ 99 milhões no segundo trimestre, 35% acima frente igual período de 2020. Já a receita líquida subiu 15%, para R$ 371 milhões.

BR Partners (BRBI11)

O banco BR Partners  lucrou R$ 35 milhões no segundo trimestre, 47% acima do mesmo período de 2020. A receita líquida subiu 14,3%, a R$ 76,2 milhões.

A fabricante de peças automotivas Fras-le lucrou R$ 44,9 milhões no segundo trimestre, 220,8% acima na base de comparação anual.

A receita líquida totalizou R$ 599,1 milhões, salto de 113,9% na base anual.

A Mobly teve prejuízo de R$ 17 milhões no primeiro trimestre deste ano, 124% acima do registrado em igual período de 2020.

O InfoMoney conversou com Victor Noda, cofundador da Mobly, sobre os resultados do segundo trimestre e os planos para os trimestres seguintes.

Foram mais de 321 mil pedidos no segundo trimestre de 2021. O volume bruto de mercadorias ficou estável em R$ 247,4 milhões, alta de 0,4% na comparação entre o segundo trimestre de 2020 e o segundo trimestre de 2021.

Mesmo com um GMV estável, a receita líquida cresceu: a Mobly registrou alta de 38,6% na mesma base de comparação, para R$ 175,7 milhões. Segundo Noda, o aumento da receita líquida apesar de um volume similar de mercadorias aconteceu porque a empresa reduziu seu prazo de entrega e reconheceu mais vendas ao longo do trimestre. O prazo médio de entrega no país caiu de 19,3 para 12,5 dias na comparação entre 1T2021 e 2T2021. Confira mais clicando aqui. 

A JSL lucrou R$ 93,1 milhões no segundo trimestre deste ano, revertendo assim prejuízo de R$ 16,3 milhões em igual período de 2020.

A receita líquida teve um avanço de 58,6%, aa R$ 922,4 milhões. Já o Ebitda subiu 157,5%, para R$ 211,7 milhões.

Latam

A Latam Airlines, aérea em recuperação judicial, teve prejuízo de US$ 769,6 milhões no segundo trimestre 2021, uma cifra  13,5% menor na base de comparação anual.

Já a receita subiu  55,4%, a a US$ 888,7 milhões.

A Embraer informou na segunda-feira que concluiu a venda de 16 novos jatos E175 para a norte-americana SkyWest, com o valor do contrato, segundo preços de tabela das aeronaves, somando US$ 798,4 milhões. Segundo a fabricante brasileira, os aviões serão incluídos na carteira de pedidos da Embraer do terceiro trimestre. As entregas estão previstas para 2022.

A BRF tem realizado importações de milho do Paraguai e da Argentina para “garantir o abastecimento da companhia com a melhor competitividade possível”, informou o vice-presidente de Planejamento Integrado e Logística da companhia, Leonardo DallOrto. O volume importado e os preços, porém, não foram divulgados, por serem considerados informações estratégicas da empresa.

“Estamos vivendo um momento de pressão de custos e alta volatilidade que pressiona toda a indústria no Brasil. Nossas estratégias de compras e abastecimento têm nos garantido uma vantagem competitiva importante nesse cenário, mas não estamos imunes a seus impactos”, disse o executivo.

As compras do milho estrangeiro ocorrem em um momento de elevação de preços por causa da quebra da safrinha brasileira. As lavouras do Centro-Sul do País foram drasticamente afetadas, primeiro pela estiagem, e, posteriomente, pelas geadas registradas no último mês. A consultoria AgRural, por exemplo, revisou na semana passada a projeção de colheita no Centro-Sul, de 54,6 milhões de toneladas em 1º de julho para 51,6 milhões de toneladas em agosto.

A BRF, nessa conjuntura, opta por trazer milho dos países vizinhos e segue analisando a possibilidade de trazer o grão dos Estados Unidos, com a isenção temporária da tarifa externa comum (TEC) para importações de grãos. “Ainda não fizemos compras dos EUA. No momento, as importações do Mercosul se mostram mais atrativas”, conforme Dall’Orto.

A Petrobras informou na segunda-feira que iniciou a fase vinculante do processo de venda, em conjunto com a Sonangol Hidrocarbonetos, da totalidade da participação de ambas as empresas no bloco exploratório terrestre POT-T-794, localizado na Bacia Potiguar.

Os potenciais compradores habilitados para essa fase receberão carta-convite com instruções sobre o processo de desinvestimento, incluindo orientações para o due diligence e o envio das propostas vinculantes, afirmou a Petrobras em comunicado.

A concessão do bloco foi adquirida em 2006, em rodada de licitações realizada pela ANP. A Petrobras detém 70% de participação, enquanto a Sonangol –operadora da concessão– possui os outros 30%.

“O consórcio perfurou dois poços na área, sendo um descobridor de gás e um de delimitação. Não há compromissos remanescentes do Programa Exploratório Mínimo (PEM) a serem cumpridos”, disse a petroleira estatal.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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De logística turbinada até maior negociação das ações: os planos da Mobly para 2021

Fundadores da Mobly (Divulgação) Fundadores da Mobly (Divulgação)

SÃO PAULO – Os brasileiros buscaram tanto decorar ou reformar suas casas durante a pandemia que os preços desses produtos até subiram acima da média. A demanda beneficiou as lojas do ramo. Agora, o desafio é continuar expandindo após o frenesi em casa e decoração.

Para a Mobly (MBLY3), conquistar mais participação em um mercado concorrido passa por investimento em logística — o que pode beneficiar também a procura pelas ações. O InfoMoney conversou com os fundadores Victor Noda, Marcelo Marques e Mário Fernandes sobre o modelo de negócios da Mobly, os resultados de 2020 e investimentos planejados para 2021.

Mobly versus concorrência

A Mobly foi fundada em 2011. A empresa de home & living tem mais de 1 milhão de clientes ativos, comprando móveis e objetos de decoração. Segundo dados da Euromonitor coletados pela Mobly, esse é um mercado de R$ 130 bilhões na América Latina, e de R$ 90 bilhões no Brasil. É um setor extremamente fragmentado, e as empresas se separam por poder aquisitivo e por canais online/offline.

A Mobly busca atender a classe média nos dois canais e diz competir tanto com marcas focadas ou em preços (alguns exemplos elencados foram Casas Bahia, MadeiraMadeira, Magazine Luiza, Marabraz e Mercado Livre) quanto com as focadas em variedade de produtos (como Camicado, Etna, Tok&Stok e Westwing). “Pegamos desde o público com baixa renda até o que busca peças de design, com concentração maior nas classes C e B”, diz Noda.

O foco da marca está em compras funcionais e planejadas, não no consumo pela inspiração, como acontece com o público de classe A e B da Westwing. Móveis correspondem por 90% das vendas da Mobly, com o restante na vindo de itens decorativos.

Ambiente criado pela Mobly (Divulgação)

Ambiente criado pela Mobly (Divulgação)

A empresa defende quatro pilares: experiência de compra que combina digital e físico; sortimento de produtos que vai do amplo ao exclusivo; logística eficiente; e tecnologia.

A Mobly começou no e-commerce, mas hoje tem também 11 lojas físicas em operação. A empresa tem mais de 200 mil produtos à venda, e os produtos de marca própria correspondem a 42% das vendas.

LEIA TAMBÉM: Como investir com segurança em tempos de crise

A Mobly também tem sistemas proprietários de pedido, armazenamento e logística. São dois modelos de armazenamento: o de crossdocking (entrega direto do fornecedor ao cliente) e de estoque próprio. O primeiro tem maior tempo de entrega, mas a empresa tem custo menor com estoque e maior capital de giro. Já os produtos estocados garantem entregas mais rápidas – a Mobly analisa quais itens convertem mais e os inclui em seus galpões. Os centros de distribuição acumulam entre 5 mil e 6 mil itens. Independente do modelo de estocagem, 44% das entregas são feitas pela Mobly Log, empresa própria de last mile.

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Por fim, a Mobly investe em um algoritmo próprio para organizar os catálogos e precificar produtos e fretes. Também cria tecnologias que melhoram a experiência de compra, como busca de produtos por imagem, ambientação 3D e realidade aumentada.

Resultados de 2020, planos de 2021

A Mobly fez algumas rodadas de captações privadas, incluindo uma fusão com a empresa alemã Home24 em 2014. “Já tínhamos acionistas privados relevantes e todo investidor tinha receio de ser minoritário e de falta de governança e liquidez. O IPO resolveria todas essas questões, criando uma estrutura com conselho de administração e transparência. Também dá liquidez imediata aos acionistas”, diz Noda.

A Mobly realizou sua oferta pública inicial de ações (IPO) em fevereiro deste ano, em uma operação que movimentou R$ 812 milhões.

O IPO também marcou quase um ano de operação durante a pandemia do novo coronavírus. “Nas primeiras semanas, vimos uma queda nas vendas porque era tudo incerto. Mas vimos demanda recorde entre abril e julho no online, enquanto as lojas ficaram fechadas”, diz Noda.

Os resultados começaram a se acomodar no segundo semestre de 2020, quando as lojas voltaram a operar e o online voltou a apresentar sazonalidades comuns. “Agora está muito mais estável, com lojas indo bem e o online crescendo mais em razão dos nossos investimentos do que do estado do mercado.”

No primeiro trimestre de 2021, a Mobly teve alta de 50,7% em seu volume bruto de mercadoria (GMV) na comparação com o mesmo período de 2020. O GMV alcançou R$ 246 milhões. Já a receita líquida teve alta de 48,6%, e alcançou R$ 169 milhões.

A empresa teve um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado positivo de R$ 1,6 milhão, ante um Ebitda ajustado negativo de R$ 1 milhão no primeiro trimestre de 2020. Mas o prejuízo líquido aumentou 134,9%, para R$ 25,5 milhões.

O Ebitda ajustado exclui custos da abertura de capital, estimados em R$ 15,2 milhões. Desconsiderando esses custos, a Mobly apresentaria um prejuízo líquido de R$ 10,3 milhões no primeiro trimestre de 2021, uma melhora de 5% sobre o mesmo trimestre de 2020.

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“Apesar do resultado negativo, o 1T21 foi um trimestre de transição. Débitos foram quitados e o montante recebido pela abertura de capital começou a ser investido, além dos recebíveis que antecipamos até meados de fevereiro”, escreve a Mobly em sua divulgação de resultados.

A Mobly apresentou uma margem bruta de 40%. Essa margem bruta fica acima da apresentada por players como B2W (28,5%), Magazine Luiza (25,1%) e Via (31,4%) no primeiro trimestre de 2021. É similar à margem bruta da Westwing no mesmo período, que ficou em 40,3%.

“Existem cerca de 20 mil fabricantes de móveis no país, a maioria de pequeno ou médio porte. Pela nossa quantidade de itens vendidos, temos um bom poder de barganha para garantir uma boa margem. Outro ponto é que o poder de marca nos móveis costuma ficar com a varejista, diferente das grifes vistas na moda ou nos eletrônicos. Investimos em móveis com marca própria, que apresentam margem cerca de 5% maior.”

Outra métrica destacada pelo CEO é a lucratividade na primeira compra (first order profitability). Hoje, ela está em 140%. Isso significa que a Mobly recupera mais do que o valor investido para atrair novos usuários, fora outros custos e despesas envolvidos nessa operação. “Buscamos trazer essa margem mais para perto dos 100% como forma de maximizar nosso crescimento, mas sem perder rentabilidade. Devemos manter nosso investimento em marketing na casa dos 12,5%” diz Noda.

Outro investimento relevante deve ser na vertical de logística. A empresa tem três centros de distribuição, localizados em Minas Gerais, Pernambuco e Santa Catarina. Um novo centro de distribuição deve ser lançado no final de junho na região Nordeste. “Descentralizar nosso desenho de malha logística, concentrado no Sudeste. Mas não é simples expandir em curto prazo, porque precisamos de um volume mínimo de carretas cheia e com entregas constantes para fazer sentido”, diz Mário Fernandes, também cofundador da Mobly.

Além dos CDs, a Mobly também investirá nas entregas próprias. “A Mobly Log nos dá melhor custo e nível de serviço em um mercado difícil para entregas, com média de peso acima dos 100 quilos”, explica Fernandes. A Mobly Log deve ir para além de São Paulo, chegando a Belo Horizonte.

Uma última frente dentro de logística é aprofundar a integração mais profunda da Mobly com os sistemas de gestão dos fornecedores. “Lendo o estoque nas fábricas, fizemos o tempo de entrega no crossdocking cair de 20 dias para 12 dias. Boa parte dos nossos fornecedores devem adotar o modelo até o final deste ano”, diz Noda.

A Mobly também busca escalar os modelos que envolvem as lojas físicas, como clique e retire e ship from store. A empresa em megalojas, mas também tem franquias para cidades menores e grandes bairros. “O franqueado é dono da loja e recebe uma comissão sobre a venda, enquanto nós cuidamos de sistemas, produtos e logística. É como um marketplace físico”, afirma o CEO.

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A abertura de franquias foi interrompida porque era difícil garantir faturamento imediato ao franqueado, diante das restrições impostas pela pandemia às lojas físicas. A Mobly está mapeando pontos comerciais no momento.

Loja da Mobly (Divulgação)

Loja da Mobly (Divulgação)

Análise de ações em empresas de tecnologia

A Mobly precificou suas ações a R$ 21 no IPO. No primeiro dia de negociações, a cotação chegou aos R$ 28 e fechou em R$ 26,40. Na última sexta-feira (21), as ações fecharam cotadas em R$ 17,00.

“As pessoas estão tirando dinheiro de empresas de varejo e tecnologia, que se beneficiaram durante a pandemia, para apostar em papéis que devem se beneficiar com a retomada da economia. É um movimento global”, afirma Marcelo Marques, cofundador e diretor financeiro da Mobly.

Como a quantidade de ações para comprar e vender é limitada e boa parte dos fundos que investem na Mobly são long only — acompanhando o crescimento da empresa em três, cinco, sete ou até dez anos —, a empresa também está trabalhando para despertar mais vontade compra. “Com mais gente comprando, o preço da ação sobe. Estamos conversando com fundos também de hedge e de curto prazo, para garantir liquidez”, explica Marques.

Após a divulgação do resultado do primeiro trimestre de 2021, o Goldman Sachs colocou um preço-alvo de R$ 28 para a Mobly — o que configura um potencial de valorização (upside) de 64,7% sobre o fechamento de sexta-feira.

Em relatório, os analistas João Andrade e Richard Cathcart, do Bradesco BBI, dizem que foi o segundo balanço consecutivo após o IPO que veio dentro do que eles esperavam, apesar da “pequena ajuda” da redução do ICMS sobre as vendas.

“A tendência de crescimento praticamente se manteve em relação ao quarto trimestre de 2020 e, embora tenha havido uma alta significativa do custo com marketing na comparação anual, essa despesa ficou praticamente em linha com a vista no trimestre anterior”, afirmam.

Andrade e Cathcart apontam ainda que a inflação de matérias-primas pode trazer alguma pressão sobre o crescimento daqui para a frente, afetando as margens. Mesmo assim, eles tão otimistas com a companhia.

“Nós estamos otimistas com o crescimento da Mobly, devido à vantagem competitiva de seus produtos (marca própria) e de sua logística (a plataforma de logística da Mobly vai expandir para Minas Gerais este ano e um novo centro de distribuição será aberto em Pernambuco)”, dizem.

A recomendação do Bradesco BBI para a ação é de outperform (desempenho acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 30 — o que configura um potencial de valorização (upside) de 76,5% sobre o fechamento de sexta-feira.

O InfoMoney realizou uma transmissão ao vivo recentemente com Lucas Chaise, analista de empresas de tecnologia da XP. “Talvez o lucro não venha no primeiro ano, nem mesmo em cinco anos. E o investidor precisa dessa nova visão que é: tolerar que uma empresa queime caixa para expandir a base de clientes e se consolidar no mercado para, no longo prazo, monetizar o produto e lucrar”, disse Chaise.

O analista aponta que em empresas de e-commerce, como a Mobly, é importante analisar o GMV. Outra boa métrica é EV/Sales. A métrica corresponde ao valor da empresa dividido pelas vendas que ela realizou. “Esse indicador é ótimo para empresas em fase de crescimento acelerado de vendas, quando custos operacionais superam o lucro.”

Chaise aponta o indicador LTV (lifetime value), ou o valor vitalício da companhia. Esse marcador mostra quanto o cliente deixa de receita para a empresa durante toda sua relação com a companhia, e pode ser comparado com o custo de aquisição desse cliente. Se a relação LTV/CAC for positiva, é comum que as companhias queimem caixa para aumentar a base de consumidores.

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XP recomenda compra para Mosaico, dona do Zoom e Buscapé, e ação sobe mais de 10%; BBI e Morgan passam a cobrir Mobly

Evento com toque de campainha de abertura do pregão marcou a oferta pública da Mosaico (Créditos: Cauê Diniz/Divulgação)

SÃO PAULO – A sessão do dia 5 de fevereiro foi marcante para duas empresas, a Mosaico (MOSI3) e a Mobly (MBLY3), cujas ações estrearam na B3 em disparada.

A ação da Mosaico, dona dos sites Zoom, Buscapé e Bondfaro, foi a que mais se destacou, fechando na máxima do dia naquela sessão, com alta de 96,97%, a R$ 39, após ter precificado a ação na oferta inicial (IPO, na sigla em inglês) a R$ 19,80. Já a varejista online de móveis Mobly, por mais que tenha registrado ganhos mais “modestos”, disparou no mesmo dia 25,71%, a R$ 26,40, após ter a ação precificada a R$ 21 (veja mais clicando aqui).

Passado um pouco mais de um mês da estreia na B3, casas de análise começam a cobrir as ações da companhia, seguindo expectativa positiva para os papéis. Desde o IPO até o fechamento da véspera, mesmo não tendo conseguido manter o patamar pós-primeiro pregão, as ações da Mosaico já sobem 26,77% (fechamento na segunda de R$ 25,10). Só nesta terça, MOSI3 já avançava mais de 10%: às 12h52 (horário de Brasília), os ativos subiam 11,39%, R$ 27,96.

Já MBLY3 tem alta menos expressiva desde o IPO, de 3,81% (fechando a sessão da véspera a R$ 21,80).

A XP Investimentos iniciou a cobertura para as ações da Mosaico com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 38 por ação para o fim de 2021, representando um potencial de valorização de 51,4% em relação ao fechamento da véspera (veja o relatório clicando aqui).

“Vemos a empresa em uma posição única para se consolidar como principal assistente de compras dos consumidores por meio de (i) suas marcas fortes; (ii) plataforma de conteúdo, que apoia a tomada de decisão entre diferentes marcas e modelos; (iii) ferramenta de histórico de preços, que ajuda os clientes a selecionar o melhor momento para efetuar sua compra; e (iv) comparação de preços, que mostra a melhor oferta de preço entre os diferentes vendedores”, apontam os analistas Danniela Eiger, Thiago Suedt e Marco Nardini, que assinam o relatório.

Além disso, a estimativa é de retornos muito atrativos (ROIC, ou retorno sobre capital investido médio esperado de 40% entre 2020 e 2025), enquanto a recente parceria com o BTG Pactual deve permitir que ele se torne mais ativo na oferta de cashback, o que reforça sua proposta de valor. A Mosaico anunciou em 21 de janeiro uma parceria com o BTG para oferecer cashback aos seus clientes, o que os analistas veem como um movimento estratégico, pois não só complementa sua proposta de valor, ao fornecer outra funcionalidade que ajuda os consumidores em sua jornada de compra, mas também deve melhorar a conversão e frequência de compra.

Conforme destaca a equipe de analistas, o comércio eletrônico brasileiro ainda possui uma penetração baixa quando comparado com outros países, representando cerca de 9% do total das vendas no varejo comparado com 22% no Reino Unido ou 35% na China.

A estimativa é de que as vendas do comércio eletrônico no Brasil cresçam a uma taxa média de 26% entre 2020 e 2025 (sendo alta de 32% na base anual em 2021). “Isso deve contribuir para o crescimento da Mosaico, pois a empresa é uma plataforma que apoia os consumidores na tomada de decisões online, gerando tráfego para os mercados”, apontam.

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Além disso, a expectativa é de que o e-commerce brasileiro permaneça fragmentado, com poucos players detendo a maior parte do mercado, o que é positivo para a proposta de valor da Mosaico aos consumidores. Isso porque a plataforma oferece comparação de preços entre os principais varejistas) e também para seus clientes (uma vez que ela gera tráfego em seus marketplaces). Os analistas também consideram a dinâmica de curto prazo ainda mais favorável, pois esperam um ambiente competitivo difícil em 2021 para o segmento de e-commerce à medida que empresas maiores buscam consolidar seu posicionamento em meio à digitalização acelerada desencadeada pela Covid-19, o que pode impulsionar as operações da Mosaico.

Outro ponto positivo para a empresa é de que as companhias também estão ajustando sua estratégia de marketing (e tornando-a mais digital) para acompanhar a digitalização dos consumidores. Isso deve favorecer a Mosaico, pois ela está posicionada dentre uma das alternativas para direcionar esses esforços, avaliam os analistas.

De acordo com Danniela, Suedt e Nardini, é compreensível que, após a forte reação do preço da MOSI3 em sua estreia no dia 5 de fevereiro , investidores possam pensar que a maior parte do potencial de valorização já passou.

No entanto, eles ainda veem muito crescimento e valor a serem capturados pela frente, pois estimam um crescimento anual médio de vendas robusto em 48,5% entre 2020 e 2023, o que não incorpora qualquer potencial aumento resultante da implementação de conteúdo no site do Buscapé ou do início da oferta de cashback. Além disso, a empresa já é lucrativa (desde 2014) e gera caixa (com uma conversão de fluxo de caixa livre sobre o Ebitda média de 50% esperada para os anos entre 2021 e 2025).

“Finalmente, vemos os níveis de múltiplo atuais como atrativos, com a Mosaico sendo negociada a 8,3 vezes o valor da empresa sobre as vendas esperadas para 2021, versus 15 vezes da Méliuz (CASH3) e da média dos pares internacionais de 12 vezes”, destacam.

A Mobly teve a sua cobertura iniciada por dois bancos, o Bradesco BBI e o Morgan Stanley, com recomendações respectivas de outperform (desempenho acima da média do mercado) e overweight (exposição acima da média do mercado).  O BBI tem preço-alvo de R$ 30 (potencial de valorização de 38% frente o fechamento da véspera), enquanto o Morgan tem preço-alvo de R$ 34 (upside de 56%)

Os analistas do BBI apontam que a companhia é uma plataforma de vendas móveis online líder em um mercado fragmentado, posicionada para capturar o crescimento a partir da crescente penetração e consolidação online. O BBI espera uma taxa de crescimento composta anual (CAGR)  nas vendas de 59% para o período entre 2020 e 2023, frente a 26% de outras empresas do setor neste período, e ante alta de 42% entre 2017 e 2020.

“A Mobly desenvolveu as capacidades para vencer em uma categoria complexa [por conta de itens grandes e pesados, com dimensões fora do padrão], com uma plataforma de logística própria especializada em itens volumosos, uma gama de produtos que combina marca própria (margens mais altas / entrega mais rápida) com produtos de terceiros (variedade) em três canais”, apontam os analistas Richard Cathcart, João Andrade e Victor Gaspar.

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O atual múltiplo do valor da empresa sobre o GMV (ou venda bruta de mercadorias) esperado para 2021 é de 1,6 vez e de 1,1 vez o esperado para 2022, o que coloca a ação como descontada entre 25% e 30% frente outros pares no Brasil, apesar do crescimento superior.

Os analistas do BBI apontam ainda que as vendas onlines cresceram em um ritmo mais rápido que o mercado geral de móveis, ganhando penetração de aproximadamente 10 pontos nos últimos quatro anos. “Ainda assim, o mercado é predominantemente offline (cerca de 82% do total de vendas esperado para 2020), mostrando que os consumidores ainda valorizam a possibilidade de tocar e sentir o produto”, destacam. Neste sentido, como a Mobly abriu lojas em São Paulo, o que se tem visto um aumento na conversão online e um grande grupo de clientes novos para a marca, sustentando a tese de que o futuro é multicanal.

A expectativa é de que as vendas nas lojas aumentem de cerca de 10% do total em 2020 para cerca de 25% até 2025, conforme as megastores subam de 2 para 50.

Os analistas ressaltam também o bom lugar de competição da companhia, sendo a número 2 especializada em venda de móveis online com um GMV de R$ 800 milhões em 2020, atrás da Madeira Madeira (R$ 2 bilhões de GMV), mas à frente de
Westwing e Tok & Stok. “A Via Varejo também é um grande player, mas tem um público-alvo diferente e um sortimento mais restrito. A competição é difícil, mas Mobly navega neste ambiente há vários anos e tem vantagens competitivas”, afirmam.

Para 2021, a estimativa dos analistas é de um crescimento das vendas líquidas de cerca de 48%, um pouco menor do que estavam esperando anteriormente devido ao ritmo de abertura de lojas e alguns obstáculos de curto prazo (a falta de abastecimento em todo o mercado está levando a prazos de entrega mais longos e preços mais altos).

A expectativa dos analistas é de que essas questões se normalizem até o final do ano, destacando: “portanto, esperamos um crescimento de 68% em 2022 e 60% em 2023, em linha com nossas expectativas anteriores. Preferimos Mobly às quatro maiores plataformas online devido ao crescimento mais rápido, menor competição, menores múltiplos e nenhuma exposição à categoria de eletrônicos”.

Entre os riscos, eles destacam que os investidores se concentrarão no crescimento das vendas como a métrica principal. Portanto, uma questão no radar é se os gastos com marketing levarão ou não a uma geração de crescimento suficiente. Além desse risco, o investidor também deve ficar de olho se a expansão das lojas atrasar ou o ritmo das vendas se deteriorar. Outros riscos são de que as margens podem ser pressionadas por custos mais altos e/ ou competitividade de mercado.

No relatório de início de recomendação, o Morgan Stanley também destaca a ampla oferta de produtos e aponta ver um longo caminho de crescimento para a Mobly com a mudança online, ganho de participação e potencial de expansão.

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“Embora o segmento de móveis seja competitivo, vemos espaço para a Mobly ganhar participação nessa indústria altamente fragmentada. Sortimento, logística e lojas são três fatores por trás de uma posição competitiva diferenciada para a Mobly”, avaliam os analistas Andrew Ruben, Fernando Donega e Alexandre Namioka.

Eles ainda complementam, destacam ver um algoritmo de alto crescimento, prevendo uma alta nas vendas médias anuais de mais de 50% até 2023 devido aos ganhos de penetração do e-commerce e expansão da loja física. “Em uma base ajustada pelo crescimento, vemos um valor atrativo”, apontam.

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Ações da Mosaico e da Mobly estreiam em disparada: MOSI3 salta mais de 90% e MBLY3 sobe até 35%

SÃO PAULO – A sessão desta sexta-feira marca a estreia de duas ações na B3: a Mosaico (MOSI3) e Mobly (MBLY3).

A Mobly estreou na B3 com forte alta, que chegou a 34,71% logo nos primeiros negócios, a R$ 28,29. Posteriormente, a ação amenizou, mas ainda operando com ganhos de cerca de 20%. A ação da Mosaico, por sua vez, abriu depois, mas com ganhos ainda maiores, chegando a saltar cerca de 94%, a R$ 38,39, no intraday.

A plataforma digital Mosaico, dona dos sites Zoom, Buscapé e Bondfaro, precificou oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) a R$ 19,80 por papel na quarta-feira, no topo da faixa indicativa entre R$ 15,40 e R$ 19,80, movimentando R$ 1,2 bilhão.

A companhia se apresenta como a maior plataforma digital de conteúdo e originação de vendas para o comércio eletrônico no Brasil.

A operação da companhia baseada no Rio de Janeiro consistiu na distribuição primária de 29.220.780 papéis, somando R$ 578,6 milhões; e distribuição secundária de 32.142.862 ações, no total de 636,4 milhões de reais, incluindo a colocação dos lotes adicional e suplementar.

A Mosaico afirmou que usará os recursos da oferta primária para a quitação de financiamento com o BTG Pactual, bem como ampliação da participação no mercado de comércio eletrônico. BTG Pactual, Itaú BBA, Goldman Sachs, XP Investimentos e JPMorgan foram os coordenadores da operação.

Nos nove meses até o final de setembro de 2020, a companhia teve receita líquida de R$ 160,7 milhões, com Ebitda de R$ 56,7 milhões e margem de 32,28%. O lucro líquido no período somou R$ 33,9 milhões, com margem de 21,06%.

Durante o evento do IPO, Thiago Flores, CEO da Mosaico, afirmou: “Este é um marco da história incrível da Mosaico. É o início de um ciclo e de grandes desafios, mas o que nos dá confiança e segurança é nossa cultura única”.

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Gustavo Akamine, analista da Constância Investimentos, destaca que, dado que a companhia tem um enorme fluxo de clientes, quer rentabilizá-los e também planeja entrar no mercado de cashback, o que pode levar a um engajamento maior para a companhia também via disparo de ofertas.

O IPO da loja online de móveis Mobly, por sua vez, girou um total de R$ 812 milhões, uma vez que as ações foram precificadas em R$ 21,00, na parte de cima da faixa indicativa de preço, que ia de R$ 17,00 a R$ 23,50. A oferta era basicamente primária, com a distribuição de de 37.037.038 ações.

A Mobly se destaca como o aplicativo de comércio com maior número de downloads em Home & Living nas plataformas de downloads de aplicativos App Store e Google Play, com uma base de mais de 300 mil usuários ativos (considerados como usuários que acessaram o aplicativo nos últimos 30 dias) e uma base instalada de mais de 360 mil, com base em dados de 31 de outubro de 2020.

“Além disso, estamos entre os líderes varejistas de pure play em Home & Living, de acordo com a pesquisa Top of Mind publicada pela Ebit Nielsen em julho de 2020. Nosso foco principal é transformar a maneira como as pessoas realizam compras para suas casas, oferecendo, através de uma omnicanalidade completa, uma experiência de compra superior, com uma vasta oferta de produtos e o uso de tecnologia baseada em dados”, aponta a companhia.

A Mobly afirmou que pretende utilizar os recursos líquidos provenientes da oferta primária para (i) fortalecimento do capital de giro e estrutura financeira, vendor financing e estrutura de capital; (ii) investimento em marketing e publicidade (online e televisivo); e (iii) investimento em bens de capitais, incluindo a expansão de novas lojas físicas, centros de distribuições e desenvolvimento de tecnologia da informação interna.

Nos nove primeiros meses de 2020, o volume de vendas (GMV) da Mobly foi de R$ 560,2 milhões, 48% maior frente o  intervalo do ano anterior. A receita líquida teve alta 50%, a R$ 420,8 milhões. O prejuízo líquido ficou em R$ 16,6 milhões, 57% abaixo do prejuízo de R$ 38,8 milhões registrados nos nove primeiros meses de 2019.

A oferta foi coordenada por Morgan Stanley, Bradesco BBI, Itaú BBA e Goldman Sachs.

(Com Reuters, Agência Estado e Bloomberg)

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Oi assina acordo de exclusividade para venda de ativos de fibra óptica; atenção para Petrobras, estreias na B3 e mais

SÃO PAULO – O noticiário corporativo é bastante movimentado. Em destaque, a Oi informou que assinou acordo de exclusividade com Globenet, BTG Pactual e outros fundos do banco envolvendo a venda da ativos de fibra óptica da operadora de telecomunicações, a InfraCo.

Atenções ainda para a Petrobras, após o presidente Jair Bolsonaro afirmar que deseja “colocar em pratos limpos” a composição do custo do combustível. Hoje, ele deve discutir o assunto com ministros Paulo Guedes (Economia), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Bento Albuquerque (Minas e Energia), e o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco.

A sessão também marca as estreias de Mobly e Mosaico na B3. Confira os destaques:

A Oi informou na quinta-feira que assinou acordo de exclusividade com Globenet, BTG Pactual e outros fundos do banco envolvendo a venda da ativos de fibra óptica da operadora de telecomunicações, a InfraCo.

“O acordo visa a garantir segurança e celeridade às tratativas em curso entre as partes e permitir que, caso sejam satisfatoriamente finalizadas as negociações de condições e documentos entre as partes, a Oi tenha condições de garantir às proponentes o direito de cobrir outras propostas recebidas da InfraCo”, afirmou a companhia em fato relevante.

O acordo vale até 6 de março, mas pode ser renovado automaticamente por mais 30 dias, salvo se houver manifestação em contrário por qualquer das partes.

Conforme destaca o Bradesco BBI, as negociações exclusivas são parte natural do processo de alienação de ativos, como visto na venda da Oi Móvel. A novidade é que a oferta foi feita em conjunto com a Globenet, que atualmente tem um contrato com a Oi com valor presente líquido de R $ 4,4 bilhões, nas estimativas do banco.

O contrato de exclusividade terminará no dia 6 de março, o que levam os analistas a crerem que ainda terão de esperar mais algum tempo por mais informações sobre a estrutura da oferta, bem como o preço total. “A exemplo do que aconteceu com a Oi Móvel e a venda da Copel Telecom recentemente, esperamos que seja um processo ainda mais competitivo, o que deve se refletir no valor do ativo ao final das negociações”, afirmam. Eles reforçam a Oi como a top pick (preferida) do setor de telecomunicações da América Latina, com preço-alvo de R$ 3,40 para o ativo OIBR3.

Pressionado pelos caminhoneiros devido ao aumento do preço do diesel, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que deseja “colocar em pratos limpos” a composição do custo do combustível. Hoje, ele deve discutir o assunto com ministros Paulo Guedes (Economia), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Bento Albuquerque (Minas e Energia), e o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco. Da reunião, Bolsonaro diz esperar que saia “uma proposta ou um projeto de lei”.

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“Ninguém está interferindo na Petrobras, mas vocês têm que saber qual a composição do preço final, por exemplo, do diesel”, afirmou, em transmissão ao vivo nas redes sociais.

Bolsonaro afirmou que deseja “tornar a questão pública”. Ele disse que, segundo a Petrobras, o preço varia de acordo com a cotação do dólar e do barril de petróleo. Para o presidente, contudo, não é válido comparar o preço do diesel no Brasil com países do G20, composto pelas maiores economias mundiais, ou com países do Brics, bloco econômico de países de economias emergentes. “São realidades diferentes.”

Bolsonaro disse esperar que o Congresso aprove a incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o preço do diesel na refinaria – e não na bomba, como ocorre atualmente. Ele sugeriu ainda a possibilidade de que a cobrança tenha um valor fixo por litro de combustível, a exemplo do PIS/Cofins e da Cide.

Os analistas da XP Investimentos apontam que, mesmo com a baixa adesão de caminhoneiros à greve convocada por parte da categoria, Bolsonaro segue pressionado a tomar providências sobre o custo do frete, influenciado em grande parte pelo preço do diesel.

“Por um lado, vemos como positivo o fato das discussões acerca dos preços de diesel não estarem focadas no elo da refinaria e, portanto, da política de preços da Petrobras. Por outro lado, enquanto não for possível encontrar uma solução que agrade todos os lados (principalmente a categoria dos caminhoneiros), recomendamos cautela e atenção para a política de preços de combustíveis da Petrobras”, avaliam os analistas, que possuem  recomendação de compra para as ações da Petrobras, com preços-alvo em 12 meses de R$ 35/ação para PETR4/PETR3.

Estreias de Mosaico (MOSI3) e Mobly (MBLY3) na B3

A sessão desta sexta-feira marca a estreia de duas ações na B3: a Mosaico e Mobly.

A plataforma digital Mosaico, dona dos sites Zoom, Buscapé e Bondfaro, precificou oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) a R$ 19,80 por papel na quarta-feira, no topo da faixa indicativa entre R$ 15,40 e R$ 19,80, movimentando R$ 1,2 bilhão. A companhia se apresenta como a maior plataforma digital de conteúdo e originação de vendas para o comércio eletrônico no Brasil.

Já o IPO da loja online de móveis Mobly girou um total de R$ 812 milhões, uma vez que as ações foram precificadas em R$ 21,00, na parte de cima da faixa indicativa de preço, que ia de R$ 17,00 a R$ 23,50. A oferta era basicamente primária, com a distribuição de de 37.037.038 ações.

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A Mobly se destaca como o aplicativo de comércio com maior número de downloads em Home & Living nas plataformas de downloads de aplicativos App Store e Google Play, com uma base de mais de 300 mil usuários ativos (considerados como usuários que acessaram o aplicativo nos últimos 30 dias) e uma base instalada de mais de 360 mil, com base em dados de 31 de outubro de 2020.

Ainda no radar das aberturas de capital, a oferta inicial de ações (IPO) da produtora de açúcar e etanol Jalles Machado saiu a R$ 8,30 por papel e movimentou R$ 741,5 milhões. O preço ficou abaixo da faixa estimada, estimado pelos coordenadores da operação, que ia de R$ 10,35 a R$ 12,95. A Focus Energia precificou o IPO a R$ 18,02 por ação, também abaixo do piso.

O Grupo Wiz celebrou acordo operacional para distribuição de produtos de consórcios administrados pela Itaú Consórcios. A operação será conduzida por uma nova unidade de negócios do grupo, a partir da criação de uma subsidiária. A nova empresa atuará com dedicação exclusiva ao acordo, na comercialização de produtos financeiros, seguros e consórcios do Grupo Itaú.

A Tenda informou na quinta que projeta fechar 2021 com até R$ 3 bilhões em vendas líquidas. Segundo a empresa, o número é resultado da subtração entre as vendas brutas do exercício e os distratos realizados do exercício. Para a margem bruta ajustada, estima-se uma oscilação entre o mínimo de 30% e o máximo de 32%.

O Credit Suisse afirma que a margem bruta ajustada indicada na guidance para 2021 divulgada pela Tenda, de entre 30% a 32%, está em linha com a sua expectativa, de 31%, e um pouco abaixo dos 32,5% registrados nos primeiros nove meses de 2020.

As vendas líquidas indicadas são de R$ 2,8 bilhões a R$ 3 bilhões, dentro da expectativa do Credit, de R$ 2,7 bilhões, e dos R$ 2,5 bilhões registrados em 2020. O Credit avalia que a guidance deve ajudar a reduzir preocupações sobre pressões de custos e aceleração da demanda.

Rede D’Or (RDOR3) e Qualicorp (QUAL3)

A Rede D’Or  elevou a fatia na Qualicorp de 13,3% para 15,43%, detendo 43,8 milhões de ações ordinárias de emissão da companhia, informou a empresa em comunicado ao mercado nesta sexta-feira (5).

Segundo a Rede D’Or, em correspondência à Qualicorp, a movimentação não visa alterar a composição do controle ou a estrutura administrativa da companhia. De acordo com o Credit, o aumento da participação da Rede D’Or pode ser um catalisador, aumentando a confiança de investidores no papel.

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Márcio Monteiro Kaufman renunciou sua posição como CEO do Grupo Vivara, a qual possuía há mais de 10 anos. No entanto, ele seguirá como membro do Conselho de Administração. Paulo Kruglensky será o novo CEO da companhia, após atuar como Vice-Presidente de Operações desde o IPO e como diretor da Conipa, subsidiaria integral da Companhia antes disso.

“Apesar de ser uma surpresa, vemos o anúncio como neutro pois entendemos que faz parte de um movimento natural de profissionalização da companhia (como diferentes membros no Conselho e na Diretoria Executiva), enquanto o Paulo tem muita experiência no grupo. Além disso, esperamos que o Márcio siga próximo da companhia através da sua posição no Conselho”, aponta a XP Investimentos.

A Gol divulgou os números prévios de tráfego do mês de janeiro de 2021 em comparação com o mesmo período de 2020.
Durante o mês de janeiro, a Gol operou uma média de 489 voos por dia e adicionou 332 operações nos aeroportos de Congonhas (São Paulo), Galeão (Rio de Janeiro), Brasília (Distrito Federal), Fortaleza (Ceará) e Salvador (Bahia).

No mercado doméstico em janeiro de 2021, a demanda (RPK) para os voos cresceu 8% sobre dezembro de 2020 e a oferta (ASK) aumentou em 5% em comparação com o mês anterior. A taxa de ocupação da companhia foi 83,2%. A companhia não realizou voos internacionais durante o mês.

O Senado aprovou a medida provisória 998, que visa conter reajustes de tarifas de energia nos próximos anos e prevê retirada gradual de subsídios para usinas de geração renovável como eólicas e solares, além de trazer dispositivos importantes para a usina nuclear de Angra 3, da Eletrobras.

O Credit Suisse comentou a aprovação da MP (Medida Provisória) 998 de 2020, chamada de MP do Setor Elétrico. O texto destina recursos à CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) para redução da tarifa de energia elétrica aos consumidores até 31 de dezembro de 2025. Ela havia saído da Câmara em meados de dezembro, às vésperas o início do recesso parlamentar, com alterações e agora segue para sanção presidencial.

A CDE é um fundo do setor elétrico que custeia políticas públicas e programas de subsídio, como o Luz para Todos e o desconto na tarifa para irrigação. Os recursos que vão para a CDE são originalmente destinados à aplicação em pesquisa, investimento e inovação.

A medida destina recursos da Reserva Global de Reversão (RGR) e da CDE para atenuar aumentos tarifários para os consumidores das distribuidoras da Eletrobras recém-privatizadas: Amazonas Distribuidora de Energia S.A., Boa Vista Energia S.A, Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), Companhia Energética de Alagoas (Ceal), Companhia Energética do Piauí (Cepisa), Centrais Elétricas de Rondônia S.A (Ceron) e Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre).

O Credit Suisse afirma que a notícia tem pontos positivos e negativos, permitindo tarifas mais baixas no Norte e mudando as regras para incentivos renováveis. Ela ajuda a Eletrobras na viabilização de Angra 3, afirma o banco. E pode ajudar com a modernização do setor, em sua avaliação.

Ainda sobre Eletrobras,  presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou na quinta que as propostas sugeridas pelo presidente Jair Bolsonaro ao Congresso serão submetidas aos líderes partidários para definição. A declaração foi dada após questionamento sobre a privatização da Eletrobras.

A Embraer comunicou nesta sexta-feira que a sua divisão de aviação agrícola encerrou o mês de janeiro com a venda de oito aviões EMB-203 Ipanema, o equivalente a um terço do total negociado durante todo o ano de 2020.

“O bom resultado está sendo impulsionado pelo desempenho favorável do agronegócio brasileiro”, afirmou a fabricante de aviões, citando também inovações tecnológicas incorporadas na nova versão da aeronave.

De acordo com a Embraer, o Ipanema é líder no segmento agrícola com 60% de participação no mercado nacional, com quase 1,5 mil unidades entregues. A companhia não detalhou valores envolvidos nas vendas no primeiro mês do ano.

Natura & Co (NTCO3)

A Natura anunciou na noite de ontem que seu conselho de administração aprovou a abertura de um programa de recompra de papéis. A companhia pretende adquirir cerca de 631.358 ações ordinárias.

Santander Brasil (SANB11)

O Conselho de Administração do Santander Brasil  aprovou a distribuição de dividendos intercalares no montante de R$ 512.085.231,82. O banco destacou que a aprovação está sujeita a aceitação da Assembleia Geral Ordinária a ser realizada ainda este ano. Caso confirmado, o banco pagará cerca de R$ 0,065 por cada ação ordinária, e R$ 0,071 por ação preferencial. Já para as units, serão pagos R$ 0,13 por ativo.

Marcopolo (POMO4), Tupy (TUPY3) e Iochpe (MYPK3)

O Bradesco BBI comentou dados apresentados pela Anfavea (Associação Nacional de Veículos Automotores), de produção de 199,7 mil veículos em janeiro de 2021.

A produção de veículos leves aumentou 4% na comparação anual, e a de caminhões, 19%. Os níveis de estoques tiveram a primeira melhora na comparação mensal desde setembro de 2020, mas ainda assim tiveram queda de 63% na comparação anual.

O segmento de ônibus teve resultados estáveis, com 1.426 novas unidades fabricadas em janeiro. Houve alta de 2% na comparação anual para o segmento urbano, mas o segmento intermunicipal teve queda de 7%. A Anfavea afirma que a produção de ônibus pode atingir 16 mil unidades em 2021, uma queda de 13% na comparação anual.

O Bradesco mantém avaliação cautelosa, de underperform (expectativa de valorização abaixo da média do mercado), para a Marcopolo, com preço alvo de R$ 2,50, frente os R$ 2,92 negociados na quinta (4).

O banco mantém preferência pela Tupy, devido à recuperação da indústria automotiva em Europa, Estados Unidos e Ásia em um ritmo mais rápido do que o brasileiro e por um percentual maior de usinagem de blocos de ferro fundido, que deve garantir maior Ebitda; e pela Iochpe Maxion, pelo refinanciamento da dívida.

Em ambos os casos, as empresas têm perspectiva de valorização alta, segundo o Bradesco, que concede avaliação de outperform (expectativa de valorização acima da média do mercado). O banco mantém preço-alvo de R$ 35 para a Tupy, frente os R$ 22,40 negociados na quinta, e de R$ 20 para a Iochpe, frente os R$ 14,17 negociados no mesmo dia.

Neoenergia (NEOE3)

O Credit Suisse avaliou os dados da guidance (documento com previsões divulgado pelas empresas) operacional para divulgado pela Neoenergia para o quarto trimestre de 2020 na quinta, após o fechamento de mercado.

O banco destacou que os volumes totais injetados tiveram alta de 1,29% na comparação anual, dando continuidade à recuperação frente a níveis baixos vistos durante a crise de Covid, que levou a um recuo de 1,5% no ano.

A performance positiva foi impulsionada pelo setor residencial, que teve alta de 3,6%, potencialmente influenciado por temperaturas mais altas. Também foi impactada pelos setores industrial e pelo segmento de mercado livre, que tiveram alta de 4,5%.

A unidade de distribuição de Coelba teve queda de 2,27%, e os setores comercial e rural responderam pela performance negativa, com quedas de 24,4% e 28,8% na comparação anual, respectivamente.

As outras três unidades tiveram performances positivas, com destaques para Elektro e Celpe. A geração de energia renovável teve queda significativa, de 17,1% na comparação anual, principalmente devido a resultados ruins na geração de energia hidráulica devido a fluxos de água menores. A geração de energia eólica teve queda de 2,8% e a térmica de 12,3%.

O Credit Suisse disse avaliar que as distribuidoras podem estar se encaminhando para bons resultados, devendo se beneficiar da recuperação de volumes e pela continuidade da recuperação de Celpe e Coelba, que devem reduzir custos administráveis e taxas de perdas.

O banco mantém recomendação outperform para a Neoenergia, com preço-alvo de R$ 24,10, frente os R$ 19,02 de fechamento na quinta.

Movida (MOVI3) e Simpar (SIMH3)

O Credit Suisse comentou a possível fusão dos negócios de Movida e CS Frotas, que faz parte da CS Brasil, uma subsidiária da Simpar. A CS Frotas é focada especialmente na gestão de frotas de veículos leves, com 17,3 mil veículos, dos quais 14,5 mil são operacionais, e trabalha especialmente com empresas estatais ou de economia mista.

O banco diz avaliar que o acordo poderia impulsionar o serviço de gestão de frotas da Movida em até 60% do Ebitda. Como termos e condições do acordo, não é possível avaliar a criação de valor, diz o banco.

A fusão faria aumentar em 57% a receita líquida com a gestão de frotas da Movida. Também faria crescer em 59% o Ebitda com gestão de frotas. A frota gerida pela Movida cresceria cerca de 37%.

Na avaliação do banco, o negócio poderia reduzir a diferença entre a frota da Movida e a da concorrência, ampliando o portfólio de clientes e as receitas estáveis, já que os contratos da CS Frotas podem durar até 60 meses.

O banco mantém recomendação neutra para a Movida, com preço-alvo de R$ 22, frente os R$ 19,73 de fechamento na quinta.

(Com Reuters, Agência Estado e Bloomberg)

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