O que já se sabe sobre a moeda digital do Banco Central – e o que ainda é dúvida

SÃO PAULO – Depois de meses de discussão, o Banco Central divulgou nesta semana as diretrizes gerais para a criação de uma moeda digital brasileira. Em um momento marcado pela euforia com as criptomoedas, o anúncio foi recebido com entusiasmo – mas também suscitou uma série de dúvidas.

O real digital será mais uma moeda digital emitida por banco central, também conhecida como CBDC (sigla em inglês para Central Bank Digital Currencies) e tem diferenças marcantes em relação a criptomoedas como o Bitcoin. A criação de CBDCs vem avançando em países como a China e é um assunto de discussão constante em outros, como os Estados Unidos.

Embora as diretrizes do CBDC brasileiro já estejam traçadas e algumas certezas comecem a ser delineadas, muitas respostas ainda dependem do modelo e das tecnologias que serão empregados no real digital – e tudo isso ainda está em definição. O InfoMoney coletou informações do Banco Central e ouviu especialistas para saber o que já está claro sobre essa moeda digital e o que ainda é dúvida. Confira:

1) A moeda digital proposta pelo Banco Central é uma criptomoeda como o Bitcoin?

Não. Uma das principais características das criptomoedas como o Bitcoin é o controle não centralizado da emissão, dizem os especialistas. Não há uma autoridade única que acompanhe as transações – então, elas precisam ser registradas e validadas uma a uma por pessoas, que usam seus computadores para gravá-las na chamada blockchain.

“No caso da moeda digital do Banco Central, pela sua própria natureza, a emissão será centralizada”, diz Safiri Felix, diretor de produtos e parcerias da Transfero Swiss.

Nas suas diretrizes, o BC informou que será a instituição que emitirá a moeda digital, como uma extensão da moeda física. A distribuição ao público será intermediada por instituições custodiantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), como os bancos.

A autoridade monetária também reforçou que sua opinião sobre as criptomoedas segue inalterada: “São ativos arriscados, não regulados pelo BC e devem ser tratados com cautela pelo público”.

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O “real digital” do BC é diferente ainda das stablecoins, como são chamadas as moedas digitais com lastro em uma moeda física. Existem, inclusive, stablecoins que possuem o real como referência – como é o caso do BRZ. A Transfero Swiss, que emite a moeda, mantém reservas em ativos denominados em reais (em geral, títulos públicos) equivalentes a 106% do volume de BRZs em circulação.

Fabio Araújo, economista que está coordenando os trabalhos sobre a moeda digital no Banco Central, explicou em uma entrevista coletiva que mesmo sendo lastreada na moeda física uma stablecoin embute o risco do seu emissor – enquanto o “real digital” é um passivo do próprio BC.

Felix acrescenta outra diferença: “Como será emitida pela autoridade monetária do país, a moeda digital do BC poderá ter curso forçado e ser moeda corrente no Brasil, o que não é o caso de uma stablecoin“.

2) Qual é a diferença da moeda digital do BC para os reais que já circulam em meio eletrônico?

Ainda que muitas transações aconteçam com cédulas de papel, Araújo destacou que a maior parte dos reais na economia brasileira já são digitais. O salário que cai na conta corrente, o pagamento de uma conta pelo aplicativo do banco, uma TED ou, mais recentemente, um PIX – são todas formas de movimentar dinheiro que não envolvem a sua presença física.

A principal diferença do real digital para essas outras modalidades, segundo Araújo, está no fato de que, por ser emitida pelo Banco Central, seu risco é o do BC. Já os reais tradicionais que as pessoas mantêm no sistema bancário embutem o risco das instituições financeiras. A moeda convencional que circula em meios eletrônicos “leva o risco da instituição”, disse Araújo, enquanto a moeda digital do BC “é risco soberano”.

Araújo também explicou que a moeda digital deverá ter limitações de uso pelas instituições financeiras. No caso da moeda convencional, os valores que as pessoas mantêm depositados nos bancos são usados para realizar empréstimos a outras pessoas. No caso do real digital isso, em princípio, não seria permitido.

É um modelo, segundo Araújo, que lembra o das chamadas “contas de pagamentos” oferecidas por fintechs: os recursos captados por meio delas também não podem ser utilizados na concessão de crédito.

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3) Um real digital valerá o mesmo que um real físico?

Segundo Araújo, do BC, a princípio, o real digital deve interoperar no sistema financeiro – o que significa que as pessoas poderiam escolher, junto à sua instituição financeira, entre manter seus valores em moeda convencional ou digital.

Porém, ainda não é certo se haverá paridade absoluta de valor entre as duas opções. “Fundamentalmente, do ponto de vista econômico, você vai ter dois ativos. Vão haver forças de mercado que trabalham para colocar os preços desses ativos em patamares diferentes”, disse Araújo nesta quarta-feira (26) em um evento do Opice Blum, Bruno e Vainzof Advogados Associados. “Como os mecanismos do real digital ainda não estão definidos, esse ponto da paridade também não está”.

Segundo Araujo, seria possível conviver com algum descolamento dos preços, desde que ele não traga volatilidade excessiva para a moeda. Também seria possível estabelecer um sistema que garantisse sempre que um real digital vale o mesmo que um real físico – desde que houvesse gestão macroeconômica de modo a garantir que os preços coincidissem.

Isso significa, segundo Felix, que o Banco Central poderia atuar comprando e vendendo as moedas de modo a equilibrar a oferta, a demanda e os preços.

4) A taxa de câmbio do real digital será a mesma de um real físico?

Entre as diretrizes que o Banco Central vai considerar no desenvolvimento da moeda digital está adoção de solução que permita interoperabilidade e integração, com o objetivo de que ela possa ser usada em pagamentos transfronteiriços – ou seja, há perspectiva de que seja usada em transações internacionais.

Também não há certeza, por enquanto, sobre a paridade das taxas de câmbio das duas modalidades. Gustavo Cunha, sócio da FinTrender e colunista do InfoMoney, lembra que o próprio dinheiro físico pode ser negociado a diferentes taxas de câmbio. No Brasil, uma nota de US$ 1 tem um valor em reais ligeiramente diferente do valor de US$ 1 em uma transferência internacional ou de US$ 1 inserido em um cartão de crédito pré-pago. “Se a efetividade e os custos de transação de uma modalidade forem diferentes de outra, poderia haver cotações diferentes”, afirma.

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5) Em que será possível usar o real digital?

As diretrizes do Banco Central preveem que a moeda digital seja utilizada em pagamentos no varejo, com a capacidade para realizar operações online e, eventualmente, operações offline.

A expectativa é de que, a partir dessa linha geral, o mercado possa encontrar os mais diversos tipos de aplicações para o real digital. “Esperamos que essa moeda fomente a criação de novos modelos de negócio”, disse Araujo. E daí poderiam surgir usos de todo tipo, envolvendo tecnologias como contratos inteligentes (smart contracts), internet das coisas (IoT) e dinheiro programável.

Plataformas de autopagamento em supermercados, em pedágios e estacionamentos, além dos sistemas de eletrodomésticos inteligentes – como uma geladeira que, por meio de sensores, monitore os produtos que estão faltando e realize as compras automaticamente – são exemplos de aplicações que poderiam ser criadas ou aperfeiçoadas com o real digital, conforme Araujo.

A depender de como a tecnologia do real digital for desenvolvida, outras possibilidades se estabelecem. Dinheiro digital e programável, segundo Felix, facilita o controle do Banco Central. “Se o BC identificar que alguém está cometendo algo ilício, poderia, por exemplo, descadastrar o seu CPF e impedir o acesso ao sistema”, explica.

Poderia, também, programar as unidades de real digital para usos específicos. “Se o pagamento de um benefício como o Auxílio Emergencial ocorresse em reais digitais, por exemplo, eventualmente seria possível estabelecer as condições de como o dinheiro poderia ser gasto – como apenas em supermercado”, diz Felix.

Isso é bom ou ruim? Depende do ponto de vista, segundo o especialista. “Conceitualmente, isso representaria menos autonomia para o cidadão”, defende.

6) Quem tiver reais digitais poderá sacar cédulas de real?

Segundo Araujo, do BC, sim. “A princípio, uma pessoa poderia sacar o real em formato digital e passar para o formato físico”, afirmou. Essa possibilidade está relacionada à interoperabilidade da moeda digital e da convencional, que é um dos princípios definidos para o seu desenvolvimento.

7) Será possível ter reais digitais fora de um banco?

Um real físico pode ser mantido pelas pessoas nas suas contas bancárias – ou fora delas. É possível guardar cédulas no bolso ou até embaixo do colchão. Segundo Araújo, do BC, com a versão digital da moeda isso deverá ser diferente.

“Hoje pensamos em um ambiente em dois níveis, em que o Banco Central emite e a distribuição e custódia é feita pelos participantes do sistema financeiro. No momento, entendemos que teria de haver uma relação bancária para alguém ter a posse da moeda digital”, explicou.

Também nisso o real digital difere das criptomoedas como o Bitcoin. “Em todo criptoativo é permitido que o usuário faça a própria custódia, ou autocustódia”, diz Felix. Eles podem ser mantidos em carteiras digitais, ou wallets, em sua propriedade e acessados por meio de chaves privadas.

8) O real digital vai utilizar a tecnologia de blockchain?

A blockchain é uma tecnologia de registro de transações utilizada em criptomoedas como o Bitcoin. É uma espécie de banco de dados público onde consta o histórico de todas as operações realizadas com cada unidade de moeda digital, para assegurar a autenticidade e que não haja duplicidade de uso.

Segundo Araujo, o Banco Central já fez testes com a tecnologia, que “é muito útil para gerar confiança entre pessoas e sistemas que não se conhecem”. Ainda não está definido, no entanto, se a blockchain será aplicada no caso do real digital. Um dos problemas, afirmou o economista, é o gasto excessivo de energia que essa tecnologia demanda.

9) Quando o real digital começará a valer?

Não será para já. Em cerca de um a dois meses o Banco Central promete começar a ouvir a sociedade sobre a proposta de criação da moeda digital, por meio de uma série de seminários. “Trataremos de temas atinentes à CBDC e convidaremos o público a participar”, disse Araújo. Essa etapa deverá durar de dois a três meses. Embora não haja certeza, Araújo estimou que o Brasil poderá reunir as condições para ter uma moeda digital em dois a três anos.

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Bitcoin supera os US$ 62 mil e bate nova máxima histórica antes de estreia da Coinbase na bolsa dos EUA

SÃO PAULO – O Bitcoin voltou a disparar nesta terça-feira (13) superando a marca dos US$ 62 mil, renovando assim seu maior patamar da história, na véspera da estreia de uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo, a Coinbase, na bolsa americana Nasdaq.

Às 10h45 (horário de Brasília), a maior moeda digital do mundo tinha valorização de 3,77% no acumulado de 24 horas, cotada a US$ 62.855, enquanto que, na cotação em reais, a alta era de 5,54%, para R$ 359.826.

Esta quarta marcará a primeira vez que uma companhia que negocia criptoativos terá ações negociadas na bolsa dos Estados Unidos, o que é visto como um sinal da força que este mercado está ganhando, além de reforçar que as moedas digitais realmente vieram para ficar.

Quando entrou com seu pedido de listagem de ações, em fevereiro, a Coinbase mostrou que sua receita mais do que dobrou no ano passado diante da disparada do preço do Bitcoin, principalmente no segundo semestre.

De acordo com o processo, a corretora teve receita líquida de US$ 1,14 bilhão em 2020, ante US$ 483 milhões no ano anterior. A empresa também registrou lucro líquido de US$ 322 milhões no ano, após registrar prejuízo em 2019.

A empresa disse ainda que tinha 43 milhões de usuários verificados no final do ano, com 2,8 milhões realizando transações mensais. As negociações de Bitcoin e Ethereum representaram 56% do volume dos usuários, segundo a empresa.

O Bitcoin viu seu preço disparar a partir de outubro do ano passado, após ter uma derrocada rápida em março com a pandemia do coronavírus. O movimento de ganhos foi puxado por um cenário de grande injeção de capital pelos bancos centrais levantando desconfiança de analistas e investidores.

Além disso, ajudou a criptomoeda a quebrar diversos recordes de preços a maior aceitação de grandes empresas com ela, caso de PayPal, Square, Tesla e o banco BNY Mellon, que nos últimos meses anunciaram iniciativas com criptoativos.

Nesta terça, outros criptoativos também registram fortes valorizações, com destaque para o Ethereum, que também bateu sua máxima histórica em um momento em que sua rede passará por uma importante atualização. Analistas acreditam que as mudanças darão um novo impulso para os preços do ativo. Nesta manhã, o ETH tinha alta de 3,23%, a US$ 2.227.

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Metal raro mostra desempenho muito superior ao Bitcoin este ano

Iridium IR (Crédito: Shutterstock)

(Bloomberg) — Há um metal que está deixando todas as commodities – e até mesmo o Bitcoin – para trás este ano. O desafio de investidores é conseguir comprá-lo.

O irídio, um dos metais preciosos mais raros que é extraído como subproduto da platina e do paládio, se valorizou 131% desde o início de janeiro, superando de longe o ganho de 85% do Bitcoin. O rali tem sido impulsionado pelos gargalos na cadeia de suprimentos no último ano e pela crescente demanda para uso em telas eletrônicas, segundo a refinaria Heraeus Group.

Com um mercado muito menor do que seus metais irmãos mais famosos, os problemas de produção podem ter grande impacto sobre os preços. Apostar nisso também é difícil, já que a demanda é dominada por usuários industriais. O irídio não é negociado em bolsa ou por meio de fundos de índice, compradores de varejo precisam recorrer a um pequeno grupo de comerciantes e os poucos grandes investidores vão direto aos produtores.

“O tempo de espera do lado da oferta é muito longo para aumentar o suprimento em tempo hábil”, disse Jay Tatum, gestor da Valent Asset Management. “A única solução de curto prazo são preços mais altos para fazer com que as pessoas vendam suas posições existentes.”

O irídio subiu para US$ 6.000 a onça, ou mais do que o triplo da cotação do ouro, segundo dados da Johnson Matthey.

Parte do apelo do irídio vem do investimento limitado na produção de platina, que é amplamente usada em autocatalisadores para reduzir as emissões, enquanto investidores pesam aumentos potenciais na demanda por platina de novas tecnologias de hidrogênio em relação à transição para veículos elétricos.

A perspectiva de oferta restrita também ajudou a elevar os preços de outros metais do grupo da platina. O paládio está cerca de 9% abaixo de uma máxima histórica, o ródio atingiu recorde de US$ 29.800 a onça esta semana, e o rutênio subiu para o maior nível em quase 13 anos.

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Lira turca despenca para perto de mínima recorde após Erdogan demitir chefe do BC

ISTAMBUL (Reuters) – A lira da Turquia chegou a cair brevemente 15% nesta segunda-feira, para perto de sua mínima recorde, depois que o presidente Tayyip Erdogan surpreendeu no fim de semana e demitiu o presidente “hawkish” do banco central, provocando temores de uma reversão das recentes altas dos juros.

Sahap Kavcioglu, ex-banqueiro e parlamentar do partido governista que compartilha da visão não ortodoxa de Erdogan de que os juros altos podem alimentar a inflação, foi o terceiro chefe de banco central a ser abruptamente colocado no cargo pelo presidente desde meados de 2019.

Kavcioglu buscou acalmar as preocupações dos investidores com uma forte virada do aperto da política monetária, dizendo a presidentes de bancos no domingo que não planeja nenhuma mudança imediata, disse uma fonte à Reuters.

A demissão de demitir Naci Agbal reafirmou o controle político que por anos afetou a visão dos investidores estrangeiros sobre a economia do país.

Analistas disseram que Kavcioglu deve reverter as altas da taxa de juros que Agbal implementou para sustentar a conta de capital da Turquia e suas reservas estrangeiras cada vez menores.

O analista do Société Générale Phoenix Kalen disse que a medida deixou a Turquia “além do ponto em que não há retorno” e previu “turbulência financeira”.

A lira caiu brevemente a 8,4850 em relação ao dólar de 7,2185 na sexta-feira, perto de sua mínima recorde intradia de 8,58 vista em novembro passado, antes de Agbal ser escolhido.

A moeda recuperou cerca de metade de suas perdas depois que o ministro das Finanças, Lutfi Elvan, disse que a Turquia continuará seguindo as regras do mercado livre, e a lira era cotada a 7,95 em relação ao dólar, queda de 9% –e valendo cerca de metade do que valia antes da última crise, em meados de 2018.

Erdogan demitiu Agbal dois dias depois de uma alta de dois pontos percentuais na taxa de juros para conter a inflação de quase 16% e sustentar a lira, que subiu 3% em resposta.

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Em menos de cinco meses no cargo, Agbal elevou a taxa de juros em quase 9 pontos, para 19%, e retomou alguma credibilidade.

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Commodities podem blindar moedas de emergentes, diz Goldman

(Bloomberg) — Embora o salto dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA tenha pressionado as taxas de câmbio de mercados emergentes, o rali dos preços das commodities neste ano pode oferecer alguma proteção, segundo o Goldman Sachs.

Moedas de mercados emergentes dependentes de commodities ainda têm espaço para alcançar a exuberância dos preços do petróleo e do cobre, disse o estrategista do Goldman em Londres, Ian Tomb, em relatório na sexta-feira.

Esses momentos de volatilidade no mercado de juros podem ser uma oportunidade para investidores assumirem posições compradas em apostas pró-cíclicas de alta qualidade, como o rand sul-africano, o peso mexicano e o rublo russo.

“A valorização dos preços das commodities pode ser ampla o suficiente para implicar que, apesar do aumento dos rendimentos básicos, as moedas emergentes sensíveis às commodities mostram desempenho inferior em 2021”, escreveu Tomb em nota. “Grandes aumentos dos preços das commodities nos últimos meses podem ajudar a amortecer o golpe de maiores rendimentos.”

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Os ralis do cobre e do petróleo são vistos como sinais para economias exportadoras do mundo em desenvolvimento. O metal é negociado um pouco abaixo da cotação mais alta em uma década, e o petróleo bruto atingiu níveis vistos pela última vez antes de o coronavírus ser declarado uma pandemia. O índice “Bloomberg Commodity” atingiu o patamar mais alto desde 2018 esta semana.

Ainda assim, as moedas de mercados emergentes estão perto de fechar a pior semana em cinco meses, liderada por perdas da lira turca, do real e do rand sul-africano. Isso faz com que gestores pesem os riscos do aumento dos rendimentos dos Treasuries contra as perspectivas de uma forte recuperação puxada por estímulos, o que eleva a demanda por commodities.

Para o Goldman Sachs, algumas das oportunidades mais interessantes estão em moedas de mercados emergentes sensíveis ao cobre, como o rand sul-africano e o peso chileno. Ao mesmo tempo, o rublo russo e o peso colombiano são as que mais se beneficiam com a alta do preço do petróleo, mesmo com a queda da sensibilidade geral das moedas dos mercados emergentes a essa commodity nos últimos anos, disse a empresa.

JPMorgan aposta em moedas latino-americanas com vitória de Biden

Joe Biden Joe Biden (Foto: Win McNamee/Getty Images)

(Bloomberg) — As moedas latino-americanas devem se valorizar se o democrata Joe Biden vencer as eleições presidenciais dos Estados Unidos no próximo mês, que tende a adotar políticas internacionais mais amigáveis, de acordo com o JPMorgan Chase.

As moedas da região podem se valorizar, em média, entre 5% e 10% nesse cenário, dependendo da precificação do resultado pelos mercados, disse Carlos Carranza, responsável pela estratégia de mercado local da América Latina do banco, com sede em Nova York.

Os analistas de câmbio de sua equipe foram classificados como os mais precisos da região em três dos últimos quatro trimestres, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Carranza disse que uma vitória de Donald Trump pode levar a uma depreciação automática, embora apenas em uma média de 5%. A reeleição de Trump provavelmente significaria mais tensão no comércio e imigração, disse.

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A empresa recomenda posição overweight em moedas latino-americanas, já que Biden lidera as pesquisas contra Trump, aumentando as chances de um governo menos focado no dólar e uma abordagem menos combativa em questões internacionais, disse Carranza.

Vencedores e perdedores

O índice MSCI, de moedas de mercados emergentes, estava perto do ponto de equilíbrio neste ano, depois de cair para uma mínima de três anos em março, enquanto a pandemia fechava as cidades.

As moedas latino-americanas estavam entre as de pior desempenho em uma cesta de 24 de países em desenvolvimento monitorados pela Bloomberg.

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O peso mexicano poderia estar entre os maiores beneficiários de uma vitória de Biden, em meio a um posicionamento light e valuations baratos, disse Carranza. O real também poderia ganhar, dadas suas tendências beta, que muitas vezes ajudam a moeda a exagerar movimentos no mundo em desenvolvimento, de acordo com Carranza.

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O peso colombiano, enquanto isso, pode ser um perdedor se um governo Biden se concentrar em energia renovável e políticas verdes, o que pesaria sobre exportadores de petróleo.

A moeda do Chile poderia ganhar impulso com a mesma tendência como exportador de cobre, matéria-prima usada em energia renovável solar e eólica. Ainda assim, Carranza espera um referendo afirmativo, o que levaria a um longo processo para reescrever a Constituição, mantendo o risco da moeda.

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Dólar sobe 2,5% em setembro e real se firma como pior moeda do mundo em 2020; veja ranking

SÃO PAULO – Com a questão fiscal aumentando a tensão entre os investidores aqui no Brasil, o dólar comercial fechou setembro com uma alta de 2,46% ante o real, cotado a R$ 5,6150 na compra e R$ 5,6160 na venda.

Além da crise do coronavírus, que afeta boa parte das moedas emergentes, o real tem outros fatores que estão pesando em seu desempenho. E um dos principais deles é o risco fiscal, elevado ainda mais esta semana com a decepção do mercado com o programa Renda Cidadã.

Na última semana, analistas já havia apontado esta preocupação diante das dificuldades que o governo já enfrentava para realizar os ajustes necessários na economia. O Bank of America, inclusive, disse estar mais cauteloso com o real e alertou para volatilidade no curto prazo.

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Em entrevista para a Bloomberg, Sergio Zanini, sócio gestor da Galapagos Capital, destacou que o mercado está na “torcida para que o que foi anunciado na segunda [o Renda Cidadã] seja revertido em algum momento”.

“O mercado não compra mais esse discurso do Executivo, em que por um lado sempre defende o teto de gastos e a responsabilidade fiscal, mas por outro sempre anuncia planos que vão na contramão”, disse Breno Martins, trader de renda fixa da MAG Investimentos, também para a Bloomberg.

Na segunda, o governo apresentou o novo programa social e tem em sua proposta a ideia de usar o Fundeb e precatórios como forma de financiamento, decisão que foi vista por muitos especialistas como uma “pedalada fiscal”. Isso gerou muitas críticas à proposta e agora o mercado fica de olho para ver o que o governo fará sobre isso.

Nesta quarta, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que nunca foi proposta da equipe econômica romper teto ou financiar programas de forma equivocada, em referência ao direcionamento de recursos para o Renda Cidadã com a limitação ao pagamento de precatórios.

Em coletiva de imprensa, Guedes afirmou que seu time está estudando como fazer a fusão de 27 programas que já existem como forma de consolidar um programa de transferência de renda mais robusto, que represente uma aterrissagem após o fim do auxílio emergencial neste ano. Ele frisou que, como se trata de uma despesa permanente, terá que ser coberta por uma receita permanente.

Com esta preocupação crescente nas últimas semanas, o real se consolidou como a moeda com pior desempenho do mundo em 2020 até o momento, com o dólar subindo 39,60% ante a divisa brasileira, segundo dados da Refinitiv.

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A performance é de longe a pior, já que contra a segunda pior divisa, a lira turca, o dólar subiu 29,69%. Com isso, o real também aparece bem atrás de moedas de países com grandes crises, como a Argentina, em que o dólar teve valorização de 27,25% contra o peso.

Outras moedas que veem o dólar registrar forte valorização no ano são o rublo da Rússia (25,17%), o rand sul-africano (19,59%) e os pesos mexicano (16,77%) e colombiano (16,44%).

A crise por conta do coronavírus tem pesado bastante para o desempenho das moedas de emergentes, já que em momentos de maior tensão os investidores globais tendem a procurar ativos mais seguros, entre eles o dólar americano.

Tanto que contra algumas divisas consideradas mais fortes, a moeda dos EUA registra queda neste ano. É o caso do euro, com queda de 4,33% do dólar, do iene japonês (-3,10%) e do franco suíço (-4,86%). Confira:

Moeda País Desempenho do dólar contra a moeda em 2020
Real Brasil +39,60%
Lira Turquia +29,69%
Peso Argentina +27,25%
Rublo Rússia +25,17%
Rand África do Sul +19,59%
Peso México +16,77%
Peso Colômbia +16,44%
Sol Peru +8,78%
Peso Chile +4,35%
Libra Reino Unido +2,71%
Yuan China -2,47%
Iene Japão -3,10%
Euro Zona do euro -4,33%
Franco Suíça -4,86%

Fonte: Refinitiv

Já no acumulado de 12 meses, o dólar subiu 34,94% contra o real, em um desempenho muito parecido com a Argentina, por exemplo, onde a moeda americana teve alta de 32,26% no mesmo período.

Vale lembrar que os nossos vizinhos passam por um momento bastante complicado, com diversos calotes de suas dívidas e uma inflação que já supera 42% no acumulado de 12 meses até agosto.

Confira o desempenho das principais moedas em 12 meses:

Moeda País Desempenho do dólar contra a moeda no acumulado de 12 meses
Lira Turquia +34,81%
Real Brasil +34,94%
Peso Argentina +32,26%
Rublo Rússia +18,88%
Peso México +11,53%
Peso Colômbia +9,50%
Rand África do Sul +9,21%
Peso Chile +7,67%
Sol Peru +6,31%
Iene Japão -2,12%
Libra Reino Unido -4,74%
Yuan China -5,01%
Euro Zona do euro -6,74%
Franco Suíça -7,29%

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Fonte: Refinitiv

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Bitcoin rendendo juros?

Muito se fala sobre o Bitcoin ser uma boa alternativa para manter o poder de compra no longo prazo, por ele ter uma emissão decrescente e finita. Ser desinflacionário do ponto de vista econômico o transformou no que muitos chamam de ouro digital.

Por outro lado, os compradores têm receio ao adquirir um ativo como esse. Eles fazem isso esperando que alguém compre esse item por um preço maior no futuro. Isso porque que esse ativo não rende nada, não paga dividendos ou juros. Esse é o caso do ouro e outros metais. E era o caso do Bitcoin até pouco tempo!

Estruturas como a da AAVE, Compound e Maker, entre várias outras que estão sendo criadas sob a alcunha de DEFI (Decentralized Finance), estão tornando possível que os Bitcoins que você tem em carteira sejam emprestados – e você ganhe juros com isso.

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O mundo cripto é totalmente transparente e open-source. Todos podem ver as taxas de juros aplicadas e os volumes negociados por essas plataformas.

Até o momento, existem mais de 90.000 Bitcoins (aproximadamente US$ 1 bilhão) aplicados e rendendo juros. O valor pode não parecer muito alto. Mas, se considerarmos que as estruturas que viabilizam essa aplicação existem desde maio deste ano, eu diria que é um crescimento espetacular.

Os juros recebidos não são lá essas coisas, muito próximos de zero atualmente. Mas eles são determinados por blocos da rede Ethereum a cada 15 segundos, aproximadamente. Tenho confiança de que mudarão bastante a partir das inúmeras novas estruturas que estão sendo criadas.

Esse processo implica em gerar tokens de Bitcoins que sejam negociados (aplicados) na rede Ethereum, uma tecnicidade que para a maioria pouco importa, mas que traz alguns riscos a serem analisados.

Vale aqui fazer uma ressalva. Essas estruturas são recentes e, obviamente, sujeitas a erros e percalços nesse caminho. Portanto, caso for usá-las, tenha isso em mente. Use-as com moderação.

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Duas coisas me chamam muito a atenção nesse processo de DEFI.

A primeira é a velocidade em que as inovações estão ocorrendo. O fato de todas essas plataformas terem código aberto é um enorme facilitador para que pessoas de qualquer parte do mundo possam analisar o código de uma plataforma que já está operacional e desenvolver outra onde considere uma melhora em um dos pontos dessa antiga. Elas viram um ambiente de open inovation mundial e colaborativo.

A segunda tem muito a ver com o papel das moedas no mundo. Muito se critica (ou se criticava) o Bitcoin por ele ser um ativo que não rendia juros e, portanto, dependente do fato que outra pessoa o compraria no futuro por um preço maior do que você teria pago. Mas pense que se você não fizer nada com a nota de real ou dólar na sua carteira, ela também não renderá juros.

A diferença é que até pouco tempo atrás (mais ou menos seis meses), o mercado financeiro tradicional te dava formas de você remunerar os seus reais ou dólares (por meio do Tesouro Direto, CDBs, bonds e por aí vai) e no mundo crypto não se conseguia fazer isso com o Bitcoin. E agora se consegue.

Isso muda não somente a visão que devemos ter sobre o ativo, como também abre uma imensidão de usos para ele, de investimentos a empréstimos. E aqui não estou nem incluindo as stablecoins, que são uma página importante nesse processo.

Os experimentos que tenho acompanhado em DEFI devem tem um impacto disruptivo imenso em várias estruturas e conceitos econômico-financeiros que temos hoje. Temos a opção de ser atuantes nesse processo ou simplesmente entrarmos passivamente nele. De que lado você vai querer estar?

Para maratonar sobre o assunto: Playlist YouTube DEFI

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Em que moeda devo investir meu patrimônio?

Há duas semanas, pela primeira vez uma empresa americana listada na Nasdaq resolveu deixar seu caixa não mais em dólares, mas sim em Bitcoin.

Isso me levou a pensar sobre os riscos e vantagens disso.

Tendo em vista que o Bitcoin não tem a ver com os custos e receitas dessa empresa, transformar todo seu caixa nele é uma atitude deveras agressiva. Pode dar muito certo, ou muito errado, e isso nunca seria recomendável para fazermos com o nosso patrimônio/dinheiro de longo prazo.

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Mas isso não quer dizer que diversificar não seja uma necessidade. A maioria dos Bancos Centrais do mundo está fazendo experimentações com suas moedas, que aumentam o risco dessas quando olhamos no longo prazo.

A imensa emissão de moeda dos países desenvolvidos (nomeadamente Estados Unidos e União Europeia) da última década, que ganhou um novo e volumoso episódio devido à pandemia, pode fazer com que muitas dessas moedas tenham enormes problemas no futuro.

Sejam problemas advindos de inflação de consumo, inflação de ativos (gerando bolhas), default, controle de capitais ou qualquer outra forma que não conseguimos antever, a verdade é que hoje o risco de isso acontecer é grande e está aumentando.

A questão aqui tem menos a ver com qual o risco de crédito que queremos correr, comprar um bond/debenture de uma empresa, um título público ou uma ação, mas sim com o efeito que estar na moeda errada pode gerar ao nosso patrimônio no longo prazo.

Olhando para trás, podemos ver que, em momentos nos quais poderíamos ter errado a moeda onde guardar nosso patrimônio, um outro fator acabava minimizando (ou até zerando) esse efeito: os juros.

O real é um bom exemplo. Por mais que ele, no longo prazo, tenha se desvalorizado em relação ao dólar, foi muito vantajoso ter o dinheiro investido em reais. Isso porque os juros recebidos foram maiores do que a desvalorização da moeda.

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Mas será assim no futuro? Com o diferencial de juros entre os países diminuindo, me parece que essa é uma premissa difícil de ser confirmada.

Quando olhamos para a moeda brasileira, a situação se agrava ainda mais devido a fatores econômicos (aumento de dívida pública, desemprego, situação da Previdência, etc.), políticos (troca de ministros, funcionamento da democracia brasileira, etc.) e a uma postura, correta a meu ver, do BC do Brasil de deixar a moeda flutuar.

Além disso, do ponto de vista do mercado financeiro internacional, o Brasil é tido como um país com alto risco para investimentos e high beta, ou seja, amplifica os movimentos das moedas/economias tidas como fortes.

Nesse cenário, a pergunta que temos que nos fazer é: faz sentido deixarmos todo nosso patrimônio em uma só moeda? E, mais especificamente, faz sentido deixarmos tudo em reais?

Minha opinião, e a da grande maioria dos investidores, é um categórico não!

A discussão é mais sobre o percentual que deveríamos ter em outras moedas que não o real, do que se deveríamos diversificar em termos de moeda.

E para chegar nesse percentual, o principal ponto a ser analisado é em que moeda estão nossos gastos.

Se você vive no Brasil, paga e recebe tudo em reais, percentuais altos em outras moedas não são recomendados, por conta de possíveis descasamentos de curto prazo que isso pode gerar.

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Mas isso não quer dizer que esse percentual deva ser zero, já que, por mais que você esteja no Brasil, parte do seu consumo é atrelado ao dólar. Arroz, trigo, carne e outros artigos, só para citar os alimentícios, tendem a seguir os preços internacionais, que são cotados em dólar.

A boa prática em termos de planejamento financeiro requer que uma parte significativa dos seus investimentos esteja na mesma moeda dos seus gastos presentes e futuros.

Se a ideia é mudar para outro país, por exemplo, é aconselhável que a alocação dos seus investimentos vá migrando para essa segunda moeda à medida que os planos de mudança vão se tornando realidade.

Ter um descasamento de moeda significativo entre a moeda dos investimentos e a moeda que você gasta pode gerar alguns problemas. Em Portugal, por exemplo, para onde alguns aposentados brasileiros se mudaram com a ideia de se manter em euros com a pensão recebida em reais, a grande desvalorização cambial dos últimos trimestres fez com que eles tivessem que rever esses planos.

Esse caso de ter fluxos futuros em uma moeda, seja via salários, pensões ou rentabilidade de investimentos, e gastos em outra, gera uma situação de grande desconforto e instabilidade.

No caso das pensões e salários é mais difícil ajustar. Mas, no caso de investimentos, não há por que não ajusta-los e ter grande parte deles na moeda dos seus gastos.

Outro fator importante quando olhamos para o longo prazo é que esse investimento gere um valor de compra igual ou possivelmente maior no futuro do que o que poderíamos comprar com o valor investido hoje.

Aí entram investimentos que não pagam juros, mas nos quais há uma expectativa de que isso ocorra. Os mais citados aqui são os metais (ouro, prata etc.) e o bitcoin.

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Mas podemos colocar moedas também nessa cesta. Se você mora no Brasil, comprou dólares há 10 anos e deixou eles parados (sem ganhar juros), o que compra com eles em reais hoje é mais do que comprava com os reais investidos no momento da compra.

Em resumo, tendo dito que grandes descasamentos cambiais entre renda e gastos não são aconselháveis, no caso do Brasil, diversificar de reais é uma necessidade.

Gostou? Algum ponto que não considerei? Me diga o que achou. 

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Ouro bate novo recorde e caminha para melhor mês em quatro anos

(Bloomberg) — O ouro atingiu novo recorde, impulsionado pela persistente fraqueza do dólar e baixas taxas de juros. A prata está a caminho do melhor mês desde 1979.

O ouro à vista subiu mais de 10% em julho rumo ao melhor mês desde 2016, com os rendimentos reais dos EUA perto de mínimas históricas. Embora os ralis do ouro e da prata tenham perdido força no meio da semana, a maioria dos observadores do mercado prevê que pode haver mais ganhos daqui para frente.

Ambos os metais ganharam cerca de 30% neste ano. Os fundos de índice atrelados ao ouro e à prata aumentaram as posições para níveis recordes em meio à demanda por ativos seguros diante da crise causada pela pandemia de coronavírus.

Nesta semana, o Federal Reserve repetiu a promessa de usar todas as ferramentas para apoiar a economia dos EUA. Governos e bancos centrais do mundo inteiro já injetaram grandes quantidades de estímulo para sustentar o crescimento.

“Após um breve período de consolidação pós-FOMC, especulações sobre o pedido do presidente Trump para adiar as eleições abalaram o mercado e o metal amarelo se recuperou”, disseram em relatório estrategistas da TD Securities como Bart Melek, chefe de estratégia de commodities.

“Além dos repentinos fluxos do tipo refúgio, dados econômicos fracos nos EUA e na Europa mantêm as expectativas de mais estímulos em alta, o dólar em baixa e juros reais em firme tendência de baixa.”

O ouro à vista chegou a atingir US$ 1.983,36 a onça na sexta-feira – um novo recorde – e era negociado com alta de 0,8%, a US$ 1.972,41 às 11h58 em Nova York.

A prata à vista avançou 2,3%, para US$ 24,0468 a onça após uma pausa de três dias do rali.

“Continuamos otimistas em relação ao ouro e à prata e não ficaríamos surpresos ao ver um otimismo especulativo para a prata”, disse Frederic Panizzutti, diretor-gerente da MKS, em Dubai. “O ouro a US$ 2.000 colocaria a prata em cerca de US$ 30.”

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