3R Petroleum compra fatia da Galp no campo de Sanhaçu por US$ 6 mi; Morgan vê operação como pequena, mas positiva

petróleo plataforma índices preços queda baixa óleo (Getty Images)

A 3R Petroleum Óleo e Gás (RRRP3) informou que, através de sua subsidiária integral 3R Macau, celebrou contrato de aquisição da participação detida pela Petrogal Brasil (Galp) no campo de Sanhaçu, localizado na Bacia Potiguar, no Estado do Rio Grande do Norte, por US$ 6 milhões. Desse total, US$ 1,3 milhão (R$ 6,7 milhões) já foi pago em 18 de agosto; US$ 1,9 milhão será pago na data de fechamento da transação; e duas parcelas de US$ 1,4 milhão serão pagas em 6 e 12 meses, contados do fechamento da transação, respectivamente.

Segundo a empresa, o campo de Sanhaçu compõe o Polo Macau, cuja operação é realizada pela 3R Macau. O referido campo é atualmente detido pela 3R Macau e pela Galp, cada qual com 50% de direitos em participação na sua concessão. A produção média diária do campo somou aproximadamente 974 boe no primeiro semestre de 2021, sendo 134 mil m³ de gás natural e 133 barris de óleo.

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa detalha que os valores não consideram ajustes e correções que podem ocorrer até o fechamento da transação, que ainda está sujeita ao cumprimento de condições precedentes, tais como, a aprovação pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O período estimado para o fechamento da transação é de aproximadamente 6 meses.

A empresa lembra que em agosto de 2020, a DeGolyer and MacNaughton certificou que o campo de Sanhaçu detinha 5,3 milhões de barris de óleo equivalente (boe) de reservas provadas mais prováveis (2P), o que representa um múltiplo de entrada de aproximadamente 2,3 vezes por reserva 2P para a transação descrita acima.

“A aquisição da participação de 50% detida pela Galp no campo de Sanhaçu está alinhada com a tese de investimentos da 3R, fundamentada na aquisição de ativos em produção onshore e offshore, com potencial de incremento de produção e reservas, que viabilizem a geração de sinergias com o portfólio atual, e com múltiplo de entrada por reserva competitivo”, destaca a companhia.

Segundo a 3R, a transação resultará no aumento da produção, com a integração de um campo que já faz parte do portfólio operado pela 3R, e reforçará a posição da companhia como um relevante produtor de gás na região Norte e Nordeste do Brasil. “Ao assumir a totalidade do campo de Sanhaçu, a 3R se consolidará como maior produtor de gás do Rio Grande do Norte, quando considerada a produção conjunta dos Polos Macau e Pescada, esse último em fase de cessão junto à ANP. Assim, a 3R assumirá posição estratégica como principal fornecedor de gás necessário para viabilizar os planos de revitalização dos campos maduros de óleo da região”, destaca.

Adicionalmente, afirma, o aumento da relevância da produção de gás no portfólio da 3R cria oportunidades no contexto da nova Lei do Gás, com potencial de estimular a competição setorial, gerar alternativas de melhor monetização de sua produção e fomentar a economia local onde estão localizados os ativos da companhia.

Segundo o Morgan Stanley, o múltiplo acordado de cerca de US$ 2,30 por barril de petróleo equivalente é atrativo, especialmente considerando o aumento da concorrência por novas fusões e aquisições na indústria brasileira de exploração e produção recentemente. Os analistas veem a transação como pequena, mas estratégica.

“Além disso, acreditamos que a transação é estratégica para 3R, uma vez que uma maior produção de gás proveniente do campo poderia ser usada na campanha de revitalização de campos de petróleo mais pesados dentro do portfólio”, avaliam os analistas, que possuem recomendação overweight (exposição acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 58, alta de cerca de 76% em relação ao fechamento de quarta-feira (18).

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(com Estadão Conteúdo)

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JBS: entrada no mercado de peixes é estratégica e amplia diversificação do portfólio, avaliam analistas; ações sobem na Bolsa

JBS Frigoríficos (Shutterstock)

SÃO PAULO – A JBS (JBSS3) anunciou nesta sexta-feira (6) a aquisição da produtora de salmão australiana Huon Aquaculture, ampliando seu portfólio e dando o primeiro passo no setor de aquicultura.

A Huon investiu mais de 350 milhões de dólares australianos nos últimos cinco anos em infraestrutura operacional e é líder da indústria em práticas sustentáveis no ciclo de produção de salmão.

Os produtos primários incluem salmão inteiro, filé de salmão fresco, embalagem em porções de atmosfera modificada e outros produtos de valor agregado para o crescente atacado doméstico, varejo e canais de exportação.

Para analistas do mercado financeiro, a notícia é positiva, uma vez que amplia o leque de atuação da JBS em relação a produtos e geografia.

Por volta das 13h10 (horário de Brasília) desta sexta, as ações JBSS3 operavam em alta de 2,7%, negociadas a R$ 32,84.

Em relatório, o Bradesco BBI escreve que a aquisição da Huon pela JBS, embora positiva, não muda a análise que a casa já tinha da companhia, dado o montante pequeno da transação, que representa 1,5% do valor de mercado da JBS.

O primeiro movimento da companhia dentro do setor de peixes, contudo, pode ser visto pelo mercado como uma surpresa, segundo os analistas, uma vez que a JBS é focada em bovinos, suínos e aves.

“A JBS tem um histórico positivo em fusões e aquisições, principalmente em reverter empresas que enfrentam desafios no setor de proteínas, que parece ser o caso da Huon, que foi duramente atingida pela Covid-19 e pelo fechamento temporário da indústria de alimentos”, escrevem os analistas.

O Bradesco BBI tem recomendação outperform (performance acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 38 para as ações da JBS.

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Já o Morgan Stanley não vê a transação como uma surpresa, dado que a companhia continua gerando muito caixa e a administração já sinalizou que fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) continuam sendo uma das áreas de foco.

Ainda assim, com a aquisição sendo aprovada, os analistas veem a notícia como positiva, uma vez que a JBS diversificará ainda mais seu portfólio em novas proteínas e mercados e aumentará a exposição a produtos de maior valor agregado.

Segundo cálculos do Morgan Stanley, com base no valor da empresa mencionado, os analistas afirmam que implicam um múltiplo de transação relativamente alto, de 11 a 12 vezes o valor da empresa em 2020 para o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês).

A JBS está sendo negociada atualmente a cerca de 4,5 vezes, mas dados os perfis de margem, crescimento e mix de produtos completamente diferentes, o time de análise não acha que os investidores devam se preocupar excessivamente com base nisso.

“Claro, precisamos de mais informações da JBS para que possamos avaliar melhor a perspectiva operacional de Huon daqui para frente”, escrevem os analistas.

O banco americano tem recomendação overweight (acima da média do mercado) para os papéis JBSS3 e preço-alvo de R$ 47.

O impacto também é visto como positivo pelos analistas da Guide Investimentos. “Acreditamos que ela deva gerar sinergia para o conglomerado brasileiro, por meio de diversificação geográfica e de produtos, através da expansão de portfólio”, avaliam os analistas.

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Sem atacado e com impactos da Covid, Pão de Açúcar decepciona no 2º tri; ações caem na Bolsa

Pão de açúcar supermercado loja varejo (divulgação)

SÃO PAULO – Impactado por maiores restrições relacionadas à Covid-19 e com uma forte base de comparação no ano anterior, o grupo varejista GPA (PCAR3), controlador do Pão de Açúcar, decepcionou ao divulgar seus resultados referentes ao segundo trimestre na noite da última quarta-feira (29).

No período, a varejista teve lucro líquido consolidado de R$ 4 milhões, uma queda da ordem de 96% ante o mesmo intervalo de 2020, quando os consumidores correram aos mercados para comprar mantimentos em meio ao início da pandemia.

A receita também caiu, em 5,3%, para R$ 11,9 bilhões, enquanto o resultado operacional medido pelo lucro antes de impostos, juros, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado somou R$ 899 milhões, baixa de 7,7% ano a ano.

Como esperado, o mercado teve uma reação negativa dos resultados, levando os papéis da companhia a apresentarem queda na Bolsa nesta quinta-feira (29). As ações PCAR3 fecharam o pregão com queda de 7,4% na B3, a R$ 31,42.

Na avaliação da casa de análise Levante, os dados do balanço da companhia vieram ruins, principalmente se considerada a forte inflação de alimentos dos últimos dois anos.

“O GPA mostra que sua base forte de geração de caixa no passado vinha das operações do Assaí e ainda trabalha para rentabilizar melhor a sua base de ativos remanescentes”, destacam os analistas.

No segundo trimestre, a operação de “atacarejo”, que une o varejo ao atacado, foi o grande destaque das varejistas de alimentos, tanto nos resultados do Assaí quanto nos do Carrefour Brasil. Leia mais aqui.

Resultado mais fraco que o do Carrefour?

Em relatório, o Bradesco BBI destaca que os resultados do Grupo Pão de Açúcar mostraram uma queda de 10% na base anual da receita no Brasil, em linha com o esperado pela casa. O dado, contudo, veio mais fraco do que o apresentado pela operação de varejo do Carrefour no dia anterior, de crescimento de 2%, escreve.

Para o Bradesco BBI, o desempenho da receita da companhia no trimestre decepcionou, com apenas 4% de crescimento de vendas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) em dois anos.

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“Isso está bem abaixo das taxas de crescimento observadas pelos varejistas Cash & Carry, que estão entregando pilhas de dois anos em torno da marca de 20%”, escrevem os analistas.

“Também continuamos um pouco céticos sobre até que ponto o crescimento das vendas online é incremental ou está simplesmente substituindo um canal por outro”, completam.

Para o time de análise do Bradesco BBI, o nome preferido no setor é Assaí (ASAI3), que tem apresentado maior crescimento nos lucros.

O banco tem recomendação neutra para os papéis PCAR3 e preço-alvo de R$ 44.

Empresa mais afetada no setor

Na avaliação do Itaú BBA, embora investidores já esperassem as comparações difíceis na base anual (principalmente para as categorias de não alimentos), o Pão de Açúcar é, até agora, a varejista de alimentos, sob a cobertura do banco, mais afetada diante do fechamento de lojas e limitações de capacidade de funcionamento das lojas físicas no trimestre.

Em relatório, os analistas escrevem que os resultados da companhia vieram em linha com o esperado, de uma receita mais fraca, mas sustentando os ganhos de lucratividade do primeiro trimestre de 2021.

Para o banco, a capacidade da empresa de sustentar os ganhos de produtividade e continuar avançando na implementação de suas iniciativas estratégicas – como a implantação das lojas G7 na bandeira Pão de Açúcar e o novo formato Extra –, bem como na conquista de marcos importantes em seu ecossistema omnichannel, podem aumentar a confiança dos investidores à medida que evoluem, permitindo ao Pão de Açúcar alcançar os demais concorrentes.

Entre os destaques positivos do balanço, os analistas do Morgan Stanley citam as operações digitais da companhia, com aumento de 38% nas vendas na base trimestral e de 32% na base anual, representando 8,2% de penetração na venda de alimentos (acima dos 5,7% no primeiro trimestre).

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O time de análise destaca ainda que o Pão de Açúcar segue com sua estratégia de ser uma plataforma de e-commerce mais aberta, com resultados mostrando o impacto positivo de iniciativas como novas parcerias e ampliação do leque de produtos oferecidos.

“Embora os resultados não tenham atendido às nossas expectativas, o PCAR mostrou controle de custos no trimestre, com as margens Ebitda caindo modestos 20 pontos-base ano a ano, mesmo com uma queda de 5% na receita”, escrevem os analistas do Morgan Stanley.

Visão positiva já está no preço

O otimismo que recai sobre a companhia, em especial sobre as novas iniciativas do grupo podem, contudo, já estarem no preço das ações PCAR3.

Ao menos essa é a avaliação da XP. Segundo os analistas, parte da visão positiva com as novas iniciativas já está refletida no nível de valuation atual, em 27 vezes o preço sobre lucro estimado para 2021.

Além disso, desafios relacionados à venda no curto prazo da participação da empresa de marketplace Cnova devem continuar pesando sobre os ativos da companhia, destaca o time.

Assim como o Bradesco BBI, a XP manteve sua recomendação neutra para as ações PCAR3, e preço alvo de R$ 39 por ação.

De 13 casas que cobrem o papel, quatro têm recomendação de manutenção para os ativos e nove de compra, das quais uma delas recomenda forte exposição.

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Ambev superará principal desafio? Analistas se dividem após pressão de custos impactar de novo a companhia no 2º tri

SÃO PAULO – A Ambev (ABEV3) reportou na manhã desta quinta-feira (29) seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2021.

Os resultados, a princípio, se apresentaram como bastante sólidos, com a companhia mais que dobrando o seu lucro, chegando perto dos R$ 3 bilhões.

Apesar disso, e embora tenha apresentado um forte volume de vendas no período, tanto no mercado doméstico quanto internacional, o grande desafio para a companhia permanece o da pressão de custos, que teve aumento da ordem de 20% no período, com preços altos para a maioria das matérias-primas e real desvalorizado frente ao dólar, levando o custo por hectolitro a subir mais rápido do que os preços médios.

Por conta disso, após os resultados, os papéis da cervejaria registram queda na sessão desta quinta-feira (29), chegando a ter baixa de 4,62% na mínima do dia. Às 12h20 (horário de Brasília), a baixa era de 2,77%, a R$ 16,85.

Olhando para frente, os analistas de mercado seguem divididos. Enquanto alguns seguem otimistas com a tese, de olho em melhorias no futuro e estratégias de inovação da companhia, apesar dos custos mais elevados, há quem defenda que o cenário é desafiador e que as despesas devem pesar ainda mais no próximo ano.

Em relatório, o Itaú BBA escreve que a expectativa é de que a pressão de custos continue nos próximos trimestres, mas em um ritmo de crescimento mais lento na base anual de comparação.

“Esperamos que essa tendência diminua no restante de 2021, mas o cenário de pressão de custos deve continuar a gerar alguns obstáculos para a recuperação da lucratividade da Ambev”, escreve o time de análise.

Segundo o banco, apesar de esperar uma reação negativa do mercado ao balanço, o Itaú já tinha rebaixado os papéis para recomendação de market perform (em linha com o mercado) após o balanço do primeiro trimestre e, com isso, já estava esperando resultados menos animadores.

Um ponto a ser destacado, de acordo com os analistas, é que as despesas com vendas, gerais e administrativas aumentaram devido aos investimentos em novas iniciativas (como Zé Delivery e BEES).

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“Se essas iniciativas derem frutos no médio e longo prazo, será uma parte fundamental da tese de investimento, e vamos monitorar isso de perto”, conclui o Itaú BBA.

Copo meio cheio

Na avaliação do Bradesco BBI, a pressão de custos que a Ambev está enfrentando com as matérias-primas será positivo para os resultados no futuro, uma vez que está permitindo que a empresa aumente os preços – que historicamente se fixam ou continuam a aumentar mesmo quando os custos caem –, impulsionando os ganhos futuros.

“Esperamos que os preços das commodities agrícolas caiam 21% em 2022 e mais 7% em 2023, após um aumento esperado de 17% para 2021”, escrevem os analistas, em relatório.

Neste cenário, o banco diz ver a relação preço sobre lucro (P/E) da Ambev em 20 vezes para 2022, abaixo da média histórica, de 23 vezes, caindo para um múltiplo atrativo de 17 vezes em 2023, dado o alívio dos custos de insumos.

O Bradesco BBI manteve sua recomendação outperform (acima da média do mercado), com preço-alvo estimado de R$ 21.

Para o Credit Suisse, apesar dos ventos contrários da pressão de custos e um ambiente de consumo ainda incerto no Brasil, a Ambev continua a se mostrar bem posicionada para navegar em meio a turbulências, superar o desempenho da indústria (como tem sido o caso) e gerar caixa.

O banco manteve sua recomendação outperform com preço-alvo estimado de R$ 21,50.

Inovação como destaque

Apesar da pressão de custos, a XP diz acreditar que a companhia continua a superar seus pares diante de iniciativas de inovação (BEES, Zé Delivery, Donus), capilaridade comercial, base de clientes atomizada e processo contínuo de desenvolvimento de portfólio, especialmente no core-plus.

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Em relatório, os analistas escrevem que a inovação tem desempenhado um papel cada vez mais importante à medida que a plataforma BEES aumenta sua presença e já é utilizada por mais de 70% dos clientes ativos no Brasil, enquanto o aplicativo Zé Delivery entregou 15 milhões de pedidos no trimestre e a Donus atingiu 80 mil clientes.

“São inúmeros os desafios de curto prazo, mas seguimos otimistas com a AmBev uma vez que a empresa tem conseguido mudar seu DNA e construir novas avenidas de crescimento futuro, apesar de passar por uma das piores crises já registradas”, escrevem os analistas da XP.

A casa reiterou sua recomendação de compra para os papéis da Ambev, com preço-alvo de R$ 20 para o fim de 2022.

Mas nem todos estão otimistas…

Em relatório divulgado nesta quinta, o Morgan Stanley escreve que apesar de boa parte do mercado financeiro ter dado destaque para a receita da Ambev no segundo trimestre, que veio forte, a margem de lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) decepcionou e prejudicou o resultado no período.

A margem Ebitda recorrente ficou em 14,8% no trimestre, abaixo do dado já deprimido de 17,8% um ano antes e da expectativa do Morgan Stanley, de 17,7%.

O banco americano manteve sua recomendação underweight (abaixo da média do mercado) diante de um cenário ainda desafiador para a companhia, de redução da demanda por cerveja no Brasil, maior capacidade de concorrentes e investidores voltando suas atenções para os custos da empresa em 2022.

Na avaliação dos analistas, ainda que a companhia tenha sido transparente e abordado a questão dos custos do segundo trimestre nas conversas com investidores, o Morgan permanece cauteloso com relação às despesas esperadas para o próximo ano. O preço-alvo para os ativos é de R$ 13,80, o que representa uma queda de 20% em relação ao fechamento da véspera.

Assim, analistas de mercado, no geral, seguem divididos com a tese de investimentos na companhia. De quatorze casas que cobrem o papel, quatro têm recomendação de compra para os ativos, sete de manutenção e três de venda. O preço-alvo médio é de R$ 17,32, o que corresponde a uma quase estabilidade em relação ao fechamento da véspera, de R$ 17,33.

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Com destaque para atacarejo, Assaí registra números mais fortes do que o Carrefour no 2º tri, apontam analistas

All your necessities stored in one place (AJ_Watt/Getty Images)

SÃO PAULO – O Assaí (ASAI3) e o Carrefour Brasil (CRFB3) reportaram na noite da última terça-feira (27) resultados acima do esperado no segundo trimestre de 2021. No período, o destaque de ambas as companhias ficou por conta do segmento de “atacarejo”, que une o varejo ao atacado.

Na avaliação da XP, a operação de atacarejo apresentou uma performance sólida de vendas mesmas lojas, apesar de maiores restrições impostas pela Covid-19 no semestre e de uma base de comparação mais forte no mesmo período de 2020, quando houve o movimento de abastecimento por parte dos consumidores em meio ao início da pandemia.

“Esperamos que o segmento siga com uma performance positiva pela frente, uma vez que a reabertura e aceleração da vacinação deve impulsionar a demanda do segmento B2B (bares, restaurantes, transformadores e utilizadores), enquanto esperamos que parte do movimento de pessoa física para o canal seja estrutural”, escrevem os analistas em relatório.

Para a XP, o resultado do Assaí foi mais forte por conta da combinação de um forte crescimento de receita e melhor rentabilidade entre os meses de abril e junho.

O segmento de varejo do Carrefour reportou resultados fracos por conta de uma base forte de comparação, enquanto o Banco Carrefour foi um destaque positivo, com os resultados voltando para os níveis pré-pandemia, escreve o time de análise da XP.

Nesta quarta-feira (28), por volta das 12h, os papéis ASAI3 e CRFB3 apresentavam queda de mais de 2% na Bolsa, negociados a R$ 87,14 e R$ 19,26, respectivamente.

Assaí: uma história de crescimento

Na XP, os papéis ASAI3 são os preferidos no setor de varejo alimentar. Com a expectativa de que a companhia continue a entregar resultados sólidos nos próximos trimestres, a casa tem recomendação de compra para os papéis e preço-alvo de R$ 120 – o que implica potencial de alta de 34,8% ante o fechamento do último pregão (27).

A avaliação é compartilhada pelo Bradesco BBI, que vê as ações entre as mais atraentes do setor, negociando com múltiplo preço sobre lucro (P/L) para 2022 de 16 vezes, enquanto oferece uma taxa média de crescimento ponderado (CAGR) de três anos para o lucro de 18%.

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Segundo os analistas, o Assaí segue apresentando forte crescimento de dois dígitos, sustentado por sua exposição de 100% ao segmento de C&C (Cash & Cary), de alto crescimento e rápida expansão de lojas.

“Com 19 inaugurações nos últimos 12 meses e aproximadamente mais 25 até o final do ano, continuamos convencidos de que há muito potencial de crescimento por meio de lojas adicionais”, avalia o banco.

O Bradesco BBI manteve sua recomendação de compra para os papéis ASAI3 e elevou sua projeção de preço-alvo para 2022 de R$ 125 para R$ 130 (upside de 46,1%), dado que aumentou suas estimativas de lucro líquido para o período de 2021 a 2023 em cerca de 3% a 4%.

Assaí também é destaque entre as companhias acompanhadas pelo Itaú BBA, uma vez que o banco espera ver um crescimento ameno de receita e/ou uma rentabilidade mais pressionada no confronto anual para os demais operadores do segmento.

Os analistas permanecem confiantes e com recomendação de compra para os papéis da companhia, principalmente porque o cenário sugere uma contração mais rápida do preço sobre lucro em relação aos pares.

O banco estima um preço-alvo de R$ 100 para as ações do Assaí, o que implica potencial de alta de 12,4% ante os patamares atuais.

Já o Morgan Stanley destaca, em relatório, que o formato de cash & carry ainda é relativamente pouco penetrado nos mercados endereçáveis da vareijsta.

No segmento de B2C, C&C representa apenas 15% da indústria, enquanto no B2B corresponde a 21% das vendas totais. “Nesses níveis, vemos espaço para uma continuidade do crescimento nesse formato”, escreve.

Carrefour: foco no Atacadão

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Com relação ao Carrefour, o Bradesco BBI escreve que, embora uma queda nos lucros (de 4% no Ebitda na base anual e de 17% no lucro líquido) seja sempre decepcionante, as taxas de crescimento de dois anos (levando em consideração a base de comparação mais forte) são saudáveis, embora não espetaculares.

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Segundo os analistas, o principal motor de crescimento e retorno (Atacadão) continua apresentando forte crescimento, mesmo com o indicador de vendas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) mais baixo dada uma base de comparação anual mais forte.

O Atacadão também deve se beneficiar via expansão, avalia o BBI, com as lojas Makro adquiridas começando agora a dar uma contribuição significativa – o que permite a visão de que há espaço para expansão adicional.

O time de análise chama atenção ainda para a aquisição do Grupo BIG, que está sob análise das autoridades de defesa da concorrência, e que oferece, segundo o Bradesco BBI, “espaço significativo para a criação de valor”.

Com isso, o banco escreve que continua vendo bom valuation oferecido pelos papéis do Carrefour, com múltiplo preço sobre lucro (P/L) para 2022 de 14 vezes. O BBI tem recomendação de compra para as ações CRFB3, com preço-alvo de R$ 28 – potencial de upside de 41,4%.

A XP, por sua vez, manteve sua recomendação neutra para as ações de Carrefour Brasil, uma vez que avalia que as margens devem seguir pressionadas por conta da estratégia da companhia. A casa vê ainda que o segmento do varejo pode continuar a enfrentar alguns desafios de curto prazo por conta da retomada econômica.

Já os analistas do Itaú BBA destacam a operação de “atacarejo” e a aceleração do resultado operacional do Banco Carrefour, que apresentou crescimento no Ebitda de 35% na comparação anual.

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Petrobras: primeiro call de CEO da companhia com analistas tem tom positivo com foco em ESG e desalavancagem

Joaquim Silva e Luna (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

SÃO PAULO – Na primeiro encontro virtual de analistas do mercado financeiro com o presidente da Petrobras (PETR3;PETR4), general da reserva Joaquim Silva e Luna, o tom foi positivo, de continuidade da estratégia atual de venda de ativos e desalavancagem.

De acordo com o Morgan Stanley, que participou da conversa, o CEO “plantou a sementinha” de planos com maior foco ESG (sigla que designa as melhores práticas ambientais, sociais e de governança), com ênfase na parte social. O investidor, contudo, não deve esperar nada revolucionário nem nenhum movimento drástico sobre o tema, destaca o banco.

Uma atenção especial para os dividendos também foi destacada pelo time. Segundo o banco americano, embora o foco da estatal continue na desalavancagem, a Petrobras quer aumentar a remuneração paga aos acionistas quando o gatilho da dívida bruta de US$ 60 bilhões for alcançado.

Além disso, a mensagem do encontro foi de que a Petrobras continua comprometida com a gestão do portfólio e com o cumprimento dos prazos definidos com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para as vendas de ativos de refino e gás natural. Para a administração, esses desinvestimentos têm um efeito duplo: reduzir a alavancagem e abrir o mercado para novos participantes.

“Apesar de não haver mudanças aparentes na estratégia, a percepção de potencial intervenção do governo na política da empresa é uma preocupação, principalmente enquanto a agenda de privatização de refinarias não estiver concluída”, escreveu o Morgan Stanley.

Desta forma, o banco mantém sua recomendação equal-weight (perspectiva de valorização dentro da média do mercado) e preço-alvo de US$ 11 para os papéis negociados na Bolsa de Nova York (ou ADRs), um valor 4,36% maior ante o fechamento anterior.

Também na teleconferência, o Bradesco BBI aponta que houve um destaque especial para questões de sustentabilidade. Segundo os analistas, o próximo plano estratégico da empresa deverá trazer mais iniciativas para o processo de descarbonização mundial e transição energética.

Assim como o Morgan Stanley, os analistas reforçam, contudo, que o plano não deve trazer grandes mudanças.

O time de análise também chama atenção para o reconhecimento, por parte do CEO, do potencial de pagamento de dividendos da Petrobras. Silva e Luna afirmou que procurará formas de maximizá-los, sempre respeitando a meta de alavancagem da empresa.

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Rodrigo Araújo, CFO da empresa, também disse que a Petrobras pode aprovar uma política incremental para garantir um fluxo mínimo de dividendos no futuro, escreve o Bradesco BBI.

Outro ponto reforçado pelo general da reserva foi de que ele busca seguir critérios meritocráticos para formar seu grupo de diretores. E afirmou que não há pressão do governo para impor qualquer tipo de política específica.

Com relação à desalavancagem, a administração da Petrobras afirmou que a empresa continuará se esforçando para vender as refinarias em seu plano de investimento, embora o cumprimento dos prazos não dependa apenas da vontade da empresa.

“Não há planos futuros de construção de quaisquer refinarias adicionais, exceto um pequeno projeto de integração entre a RNEST e a REDUQ, com a adição de uma estação de tratamento de gás e uma planta de lubrificantes industriais”, escreveu o time.

O Bradesco BBI tem recomendação de outperform (performance acima da média do mercado) para os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4), com preço-alvo de R$ 35, ou alta de 27% em relação ao fechamento de segunda-feira.

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Com resultados sólidos no 2º tri, analistas reforçam recomendação de compra para Hypera e miram sinergias após aquisições

SÃO PAULO – A farmacêutica brasileira Hypera Pharma (HYPE3) divulgou na última sexta-feira (23), após o fechamento do mercado, seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2020.

No período, a companhia registrou lucro líquido de R$ 470,6 milhões, alta de 18,7% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.

A receita da Hypera, por sua vez, subiu 43,5% no segundo trimestre ante 2020, para R$ 1,5 bilhão, puxada principalmente pela aquisição dos negócios da Takeda e da família Buscopan, além do crescimento orgânico de 23,3% das venda no varejo. Leia mais aqui.

Na avaliação de analistas do mercado financeiro, de casas como Credit Suisse, Morgan Stanley, Itaú BBA e XP, os resultados trimestrais vieram sólidos e reforçam a recomendação de compra para os papéis da companhia.

Entre os principais destaques no trimestre, o Morgan Stanley cita os produtos de prescrição, com vendas crescendo acima do mercado em meio ao aumento no número de medicamentos crônicos, dermatológicos e de Vitamina D.

O segmento de Consumer Health, que engloba vitaminas e suplementos, por exemplo, também segue ganhando participação de mercado, enquanto similares e genéricos continuam apresentando bons resultados, escrevem os analistas, em relatório divulgado nesta segunda.

Para o Morgan Stanley, Hypera negocia a um nível atrativo de 15 vezes o preço sobre lucro estimado para 2021, o que é perto de uma vez o desvio padrão abaixo dos níveis históricos. “A companhia tem apresentado bons resultados consistentemente, o que poderia suportar uma re-rating”, escrevem os analistas.

O banco tem recomendação overweight (acima da média do mercado) para os papéis HYPE3, com preço-alvo de R$ 38 – o que implica potencial de alta de 4,8% ante o fechamento de sexta-feira (23).

Sinergias após fusões e aquisições

Na avaliação do Itaú BBA, a continuação do crescimento de sell-out (comercialização direta ao cliente) acima da média do mercado e os sinais de sinergias das recentes fusões e aquisições são positivos para a Hypera.

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O banco manteve sua recomendação outperform (acima da média do mercado) para os papéis da companhia, com preço-alvo estimado de R$ 41 por papel.

Segundo os analistas, os resultados da farmacêutica apresentaram uma boa combinação de crescimento e lucratividade acima do esperado, levando a uma queda de 13% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ao excluir a linha de outras receitas.

A XP também vê resultados sólidos, principalmente no que diz respeito ao crescimento orgânico, com perspectiva positiva de margens ainda melhores com a integração da Takeda e com a aquisição anunciada recentemente do portfólio da Sanofi.

A casa tem recomendação de compra para os papéis HYPE3 e preço-alvo por ação estimado de R$ 48.

Já a Guide Investimentos escreve, em relatório, que a Hypera reportou um bom resultado no período em relação ao ano passado, mesmo com uma base comparativa forte, impulsionada pela pandemia, em especial, no segmento de Consumer Health.

“Acreditamos que a empresa esteja bem posicionada para manter o seu crescimento de maneira sustentável, além da aquisição da marca de dermocosméticos Bioage em julho, e conta com posição de liderança no mercado de estética brasileiro, fortalecendo assim o seu portfólio”, escrevem os analistas.

Gastos com marketing no radar

Em relatório, o Credit Suisse escreve que a Hypera possui um forte fluxo de caixa, reforçado pelo crescimento acima do mercado e aparente controle dos estoques na cadeia.

Segundo os analistas, apesar de os resultados trimestrais serem positivos para os papéis da companhia na Bolsa, o aumento das despesas de marketing foi um dado que surpreendeu negativamente.

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Isso porque o número impactou a margem em 2 pontos percentuais no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior. “Mesmo que a base de comparação com o segundo trimestre de 2020 seja imperfeita (por conta da pandemia), o nível absoluto de gastos com publicidade atingiram um valor trimestral recorde”, escreve o time de análise.

“Continuaremos atentos às futuras otimizações de promoção médica, dadas as sinergias de um portfólio aprimorado e a eficácia das despesas de publicidade mais altas”, concluem.

O banco tem recomendação de outperform para os papéis HYPE3 e preço-alvo de R$ 40.

Nesta segunda-feira (26), os papéis HYPE3 operam próximos da estabilidade, entre perdas e ganhos na Bolsa brasileira, negociados na casa dos R$ 36,3 por volta das 12h. Na sexta antes da divulgação dos resultados, os papéis subiram 3,66%, após terem avançado 2,29% na sessão anterior.

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Morgan vê recuperação próxima para setor de educação, mas não para todos, e corta recomendação para ações da Cogna

Vendo um ponto de inflexão para o setor de educação em geral após um período de bastante dificuldade por conta da pandemia de coronavírus, os analistas do Morgan Stanley fizeram uma avaliação sobre as companhias de capital aberto, ainda que não vendo uma visão positiva para todas elas.

Para os analistas Javier Martinez, Caio Moscardini e Daniela Santoro, uma recuperação dos alunos presenciais deve começar a partir do primeiro semestre de 2022. A vacinação e um ambiente econômico melhor devem levar à reabertura de escolas, demanda maior de ensino pós-secundário e menos desistências. No primeiro semestre de 2022, eles projetam que as companhias listadas poderão ter uma alta de 21% nas matrículas de alunos presenciais, sendo de 45% quando incluídas fusões e aquisições já anunciadas.

O banco aponta que empresas mais atreladas à possível recuperação das aulas presenciais e com fortes balanços podem ter uma recuperação expressiva, mas destaca preferência também a papéis com exposição ao ensino a distância. Empresas com exposição a cursos de medicina/saúde também são bem vistas uma vez que o segmento deve continuar forte, mas os preços atuais já precificam a expectativa de bom desempenho.

O banco afirma que a Cruzeiro do Sul ([ativo=CSDE3]) é sua top pick (escolha preferida), com avaliação overweight (exposição acima da média) e preço-alvo sendo elevado de R$ 16,30 para R$ 19. Em seguida, vêm Yduqs (YDUQ3) e Vitru, essa última negociada na Nasdaq, ambas com avaliação overweight. O preço-alvo de YDUQ3 foi reduzido de R$ 44 para R$ 44, enquanto o de Vitru passou de US$ 18,50 para US$ 21.

O banco rebaixou a avaliação da Afya de overweight para equal-weight (exposição em linha com a média), e reduziu o preço-alvo de US$ 32,00 a US$ 28,50 do papel negociado na Nasdaq. O banco reiterou a avaliação da Ser Educacional (SEER3) como equalweight, e elevou o preço-alvo de R$ 17,50 para R$ 20.

Por outro lado, o Morgan Stanley reduziu a exposição à Cogna (COGN3) no setor de equalweight para underweight (exposição abaixo da média) e reduziu o preço-alvo de R$ 6 para R$ 4,50, devido ao momentum de lucros mais fracos, endividamento alto e reestruturação complexa no segmento presencial.

O banco também reiterou a avaliação underweight para a Anima ([ativo-ANIM3]), mas elevou o seu preço-alvo de R$ 12,33 para R$ 14,50. O banco diz ver riscos de execução relacionados à Laureate e uma integração grande e complexa, com um plano de redução do endividamento que inclui desinvestimentos em instituições em um mercado de compradores.

Temporada em foco

Cabe ressaltar que, para a temporada de resultados do segundo trimestre de 2021, analistas ainda projetam números pressionados para as companhias do setor.

Para o Morgan Stanley, o segundo trimestre tende a ser uma continuação dos resultados do primeiro trimestre, com o foco sendo nas tendências de matrículas do terceiro trimestre, em que esperam algumas sinalizações positivas. “Ainda não é um ponto de inflexão claro, mas talvez um bom indicador para matrículas no próximo ano”, apontam os analistas.

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A XP também ressalta que os trimestres pares (segundo e quarto trimestres) costumam ser monótonos para as empresas de educação, já que os ciclos de captação estão concentrados nos ímpares.

“Portanto, as atenções devem se voltar para quaisquer atualizações que as companhias possam dar sobre o ciclo de captação ainda em andamento do terceiro trimestre – nossa expectativa é que este mostre os sinais iniciais de recuperação à medida que a pandemia diminui. Em relação aos números do trimestre, esperamos que as margens continuem pressionadas devido ao aumento da provisão para devedores duvidosos e maiores despesas de marketing – a mesma dinâmica observada no primeiro trimestre de 2021”, aponta a XP.

Com relação a empresas específicas, o Morgan aponta que a Cogna deve seguir registrando um trimestre desafiador, com a reestruturação dos campus bem encaminhada, mas custos e despesas ainda devendo pressionar o balanço. O ensino secundário também deve ser impacto negativamente.

O BTG também prevê resultados ainda fracos no setor, dada a dinâmica ainda difícil no segmento presencial, pressão de preços no ensino a distância, alavancagem operacional negativa e provisões em níveis altos. Na reta final do pregão, os ativos COGN3 caíam 2,2%, YDUQ3 tinha perdas de 1,5%. SEER3 caía 1,2%, enquanto Anima tinha baixa ainda mais expressiva, de cerca de 4%.

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“Boom” econômico pode decepcionar, diz estrategista-chefe do Morgan Stanley

(Bloomberg) – Para Ruchir Sharma, chefe de mercados emergentes e estrategista-chefe global do Morgan Stanley Investment Management, o maior controle da China sobre o setor de tecnologia e a possibilidade de que consumidores dos EUA economizem mais do que gastam são riscos gêmeos para a recuperação econômica mundial.

Sharma, que é autor de best-sellers como “Os Rumos da Prosperidade” de 2012 e “The Rise and Fall of Nations” de 2016, não prevê um colapso global. Mas alerta que o consenso de uma forte expansão pode estar negligenciando os riscos que podem desacelerar o crescimento mais cedo do que o esperado.

A seguir, trechos da entrevista com Sharma, que publicou recentemente outro livro, “The 10 Rules of Successful Nations”.

Como vê a recuperação econômica global?

Estou um pouco preocupado devido a um consenso muito forte de que devemos esperar um grande boom econômico, as estimativas de crescimento ainda estão muito altas. Então, o que pode dar errado é uma pergunta que me incomoda, e o mercado de títulos parece estar fazendo a mesma pergunta. Existem duas “linhas de falha” em desenvolvimento neste boom econômico global, sobre as quais precisamos ser cautelosos.

Quais seriam essas linhas de falha?

Uma tem a ver com a China. O escrutínio do setor de tecnologia é grande, e a política regulatória exerce um efeito restritivo, como vimos historicamente. A economia digital, segundo algumas estimativas, agora responde por 40% do PIB da China. Esse número era de 10% há uma década. Estou um pouco preocupado que, se houver repressão, qual será o impacto sobre o crescimento econômico e até onde isso irá. Isso, para mim, é uma grande preocupação para as previsões econômicas globais.

Qual é sua outra preocupação?

Nos EUA, as pessoas acreditam que os gastos fiscais diminuirão e todos acham que tudo bem, porque as condições dos consumidores são boas e isso será compensado. O problema é que, se você olhar para a última vez em que os consumidores tiveram tais benefícios, após a Segunda Guerra Mundial, acabaram economizando muito desse dinheiro em vez de gastá-lo. E se o consumidor acabar economizando grande parte desses ganhos como da última vez? Ao mesmo tempo, muitos consumidores ainda estão assustados com a crise de 2008.

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Você tem um prazo para a desaceleração da recuperação?

Ainda sinto que a recuperação ainda tem um longo caminho a percorrer porque, à medida que a vacinação se acelera nos mercados emergentes, o desempenho deles vai melhorar. Portanto, acho que a recuperação global pode não ter atingido o pico ainda. Mas me preocupa que os dois grandes motores de crescimento possam ser menos robustos do que pensávamos, e isso significa que a recuperação pode atingir um pico muito mais rápido do que o consenso espera hoje. Não antecipo uma crise global, mas o consenso hoje é muito forte de que teremos um boom econômico global. Estou procurando as falhas na sabedoria convencional.

Leia também:
Wall Street teme que crescimento da economia tenha atingido pico

O que a retirada de estímulos do Federal Reserve significaria para os mercados emergentes?

Acredito no antigo ditado de que a história não se repete tão rapidamente. Muitas pessoas têm “o medo de 2013” (quando os sinais de retirada do estímulo do Fed abalaram o mercado), mas acho que os fundamentos são diferentes. Sim, existem alguns mercados emergentes que são vulneráveis, mas esses são os mercados de fronteira menores. Eu diria que se você olhar para os grandes mercados emergentes, a vulnerabilidade é menor desta vez, em termos de déficits em conta corrente e situações de dívida externa. Está muito mais calmo agora. Sou muito mais construtivo hoje do que há uma década sobre os mercados emergentes.

Por que está menos preocupado com os mercados emergentes?

Para mim, devido à expansão do ciclo das commodities e ao fato de que o custo da adoção de novas tecnologias caiu muito e estão sendo adotadas muito rapidamente em mercados emergentes, incluindo alguns dos países mais pobres. Acho que isso me deixa muito otimista sobre o que pode impulsionar o crescimento dos mercados emergentes nos próximos anos.

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Inter, Rede D’Or e Alpargatas: as principais apostas dos analistas para a nova carteira do Ibovespa

SÃO PAULO – Banco Inter (BIDI4), Rede D’Or (RDOR3) e Alpargatas (ALPA4). Essas são as principais apostas de analistas do mercado financeiro como novas candidatas a entrarem na atualização da carteira teórica do Ibovespa, que passará a vigorar a partir de 6 de setembro até dezembro.

Em relatórios divulgados nesta semana, Itaú BBA, Morgan Stanley e XP Investimentos destacaram os papéis como os mais prováveis para compor a nova seleção, que terá três prévias, com a primeira delas divulgada no dia 2 de agosto. Nenhuma das casas espera a saída de ações do benchmark.

Na avaliação da XP, a entrada de RDOR3 deve representar 2,5% do índice, podendo ter impacto significativo no volume negociado do papel.

Banco Inter e Alpargatas, por sua vez, teriam posição de 1,0% e 0,3%, respectivamente, levando em consideração a capitalização de mercado do free float (percentual das ações de uma empresa que está em circulação na Bolsa) de cada companhia.

Já o Morgan Stanley vê um peso de 0,7% de BIDI4 no índice e de 0,4% de ALPA4.

Outras candidatas para compor o Ibovespa, ainda que com menor probabilidade de inclusão, são as ações de Petz (PETZ3), Méliuz (CASH3) e Banco Pan (BPAN4), segundo os analistas.

De acordo com a B3, uma das condições para que um ativo entre no Ibovespa é ter ações negociadas em pelo menos 95% dos pregões durante os últimos períodos de vigência das três carteiras anteriores ao rebalanceamento.

“Como a Rede D’Or fez a oferta pública no dia 10 de dezembro, ela é, portanto, elegível para ser incluída no Ibovespa. O mesmo caso se aplica às ações da Petz, que fez IPO em 11 de setembro do ano passado, e ações da Méliuz ,  que começaram a ser negociadas na Bolsa no dia 5 de novembro de 2020”, destaca a XP.

Em relatório, o time de análise do Itaú BBA escreve que, caso os seis papéis sejam incluídos no índice, o número de companhias que fazem parte do Ibovespa vai subir de 84 para 90, levando o número para um novo recorde.

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Com relação aos diferentes segmentos que compõem o índice, o setor financeiro seguiria líder em participação de mercado, subindo de 24,5% para quase 27%, no caso das modificações previstas. As maiores perdas, contudo, estariam no setor de alimentos e bebidas, com a exposição podendo ser reduzida dos atuais 6,4% para 5,0%.

Metodologia

A cada quatro meses, em janeiro, maio e setembro de cada ano, a B3 faz uma reavaliação das ações que compõem a carteira do Ibovespa para verificar se os ativos atendem aos seus critérios.

Entre as exigências estão: serem ativos negociados com regularidade e terem volume financeiro relevante (participação de pelo menos 0,1% do volume negociado durante o período de vigência das três carteiras anteriores).

Além disso, as ações não podem ser “penny stocks“, que são aquelas negociadas a valores inferiores a R$ 1,00.

Monitorar quais empresas devem sair ou entrar do índice pode ser importante, dado que os papéis incluídos no Ibovespa no passado valorizaram, em média, 10,4% um mês antes do rebalanceamento, destaca a XP, em relatório.

Isso porque as ações passam a ganhar atenção de fundos de investimento (gestão ativa e passiva, como os ETFs – os fundos de índice), além de o fato de a inclusão no índice aumentar o interesse por parte de investidores de forma geral.

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