Visão do Topo: As maiores executivas do mercado financeiro

Mulher digitando no teclado Escritório

Em outubro de 2020, publiquei um texto nesta coluna sobre o longo caminho para a “igualdade de bolsos” e sobre as consequências de uma sociedade que não estimula as mulheres a desenvolver uma relação saudável com o dinheiro.

Você sabia que, mesmo em um lugar desenvolvido como o Reino Unido, foi apenas em 1975 que as mulheres tiveram o direito de abrir uma conta bancária em seu próprio nome, sem pedir permissão ao marido?

Ainda reforçamos tantas crenças equivocadas e o impacto é avassalador: uma dessas consequências está na representatividade do mercado financeiro.

Quando se trata de equilibrar a igualdade de gênero no trabalho a área financeira ainda está longe de acompanhar o ritmo de muitos outros campos profissionais, como direito ou medicina, por exemplo.

Embora as salas de aula das universidades já sejam ocupadas mais por mulheres do que por homens, nos cursos de Finanças, Economia e Administração ainda há mais estudantes do sexo masculino.

A coisa fica mais complicada no ar rarefeito da alta hierarquia das grandes empresas.

Um relatório de 2018 da McKinsey descobriu que, enquanto homens e mulheres começam suas carreiras em pé de igualdade no mercado financeiro, à medida que a hierarquia sobe, as mulheres representam apenas 19% dos cargos de liderança.

Diante desse cenário, a grande pergunta é: qual é a posição do mercado financeiro no que diz respeito à igualdade de gênero?

Nesta pesquisa da McKinsey, uma das mais completas já realizadas sobre o tema, foram entrevistados mais de 14 mil colaboradores em 39 empresas do mercado financeiro nos EUA.

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Os resultados mostram que as mulheres ainda continuam significativamente sub-representadas nos escalões superiores dessas empresas. No entanto, mais de 90% dessas empresas afirmaram estabelecer um compromisso com a diversidade de gênero.

Representatividade. Uma empresa do mercado financeiro com mais mulheres em cargos de liderança se torna mais representativa dos seus clientes. Hoje em dia, mais da metade das mulheres são as responsáveis por controlar as finanças em casa, sendo inclusive as responsáveis pelos investimentos da família.

A pesquisa da McKinsey também mostrou que as empresas com maior diversidade de gênero em cargos de liderança possuem 21% mais probabilidade de ampliar sua lucratividade.

Então, onde está o gargalo? Parece que o maior empecilho ainda está nas probabilidades de promoção dentro das empresas. A McKinsey mostrou que as mulheres – e as mulheres negras em particular – têm uma probabilidade significativamente menor do que os homens de obter sua primeira promoção.

O relatório analisou com profundidade as perspectivas das mulheres nos níveis de entrada e de gestão sênior para descobrir por que a representação feminina diminui em cada estágio.

Entre as principais barreiras para ascensão identificadas na pesquisa, estão (1) as preocupações das mulheres sobre o equilíbrio entre família e compromissos de trabalho, (2) a alta pressão por elas percebida, associada aos cargos de alto escalão e (3) o excesso de política interna.

Mas a pesquisa da McKinsey foi além. Ao entrevistar as principais executivas do mercado financeiro, foi trazida uma visão do topo. Quais foram os caminhos para o sucesso das mulheres que estão na alta hierarquia do mercado financeiro?

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Como elas superaram muitos dos desafios descritos anteriormente? Em comum, essas mulheres possuem um grande entusiasmo pelo avanço de outras mulheres nessa área. As entrevistadas também destacaram basicamente três habilidades que foram fundamentais para o sucesso no mercado financeiro: (1) construir uma rede de apoio, (2) assumir riscos e (3) conhecer e comunicar seu valor:

1. Construir uma forte rede de apoio

As mulheres executivas entrevistadas na pesquisa citaram sistematicamente a rede de apoio como um fator crítico de sucesso. Por rede de apoio, entende-se a habilidade de se conectar e ser orientada por outras ou outros executivos sêniores. Essa relação de mentoria é considerada também uma habilidade política importante para a construção de uma boa visão das necessidades e oportunidades dentro da empresa.

2. Assumir riscos mais cedo e de maneira frequente

As mulheres de nível sênior entrevistadas pela McKinsey incentivam as mulheres mais jovens a assumir riscos no início de suas carreiras. Esses riscos vão desde enfrentar cargos em diferentes unidades de negócio e até mesmo em outros setores da empresa, de forma a construir uma ampla base de experiências que será muito útil em futuras posições de liderança.

3. Conhecer e comunicar o seu valor

Várias entrevistadas creditaram seu sucesso ao trabalho árduo e a um forte senso de confiança em seu valor individual para a empresa. Muitas dessas executivas enfatizaram a importância de comunicar o seu valor e as realizações para as lideranças e demais stakeholders.

Ainda assim, existem ventos contrários lá no topo. Mesmo as mulheres que alcançam os níveis executivos mais altos muitas vezes olham para trás e concluem que seu gênero impediu seu avanço.

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Mais da metade das mulheres de nível sênior – aquelas que alcançaram o nível de vice-presidente ou superior – acreditam que perderam oportunidades por causa do seu gênero, em comparação com apenas 10% dos seus colegas homens. E essa desigualdade continua por várias razões.

Entre vários fatores, o acesso à liderança sênior permanece desigual, mesmo nos níveis mais altos. Equilibrar família e trabalho torna-se cada vez mais desafiador: a incapacidade de equilibrar família e trabalho é citada por metade das mulheres de nível sênior como um dos principais motivos para não quererem ocupar cargos executivos de alto escalão.

O caminho para a igualdade ainda é longo, mas passa necessariamente pelo estabelecimento de um compromisso das altas lideranças de empresas do mercado financeiro. A criação de políticas organizacionais para uma cultura inclusiva, bem como a orientação e comunicação adequada sobre a implementação desses compromissos são ações essenciais.

Fundamentalmente, igualdade de gênero é uma questão de escolha: equipar meninas e meninos, mulheres e homens, com o mesmo conhecimento e oportunidades de tomar decisões informadas sobre suas vidas.

Já está mais do que na hora proporcionar essa igualdade de escolhas.

Aperto de regras coloca mais mulheres em conselhos no Canadá

(Getty Images)

(Bloomberg) — Parece que a melhor forma de colocar mais mulheres nos conselhos de administração é usar um holofote.

Há seis anos, reguladores começaram a exigir que empresas listadas na Bolsa de Valores de Toronto divulgassem o número de mulheres em cargos sênior, além dos planos para melhorar a diversidade.

Na época, 67% das 100 maiores empresas de capital aberto do Canadá tinham pelo menos uma mulher entre os diretores. Em maio deste ano, a parcela havia aumentado para 96%, de acordo com estudo publicado pela KPMG na segunda-feira. Cerca de metade dessas empresas tinha três ou mais mulheres em cargos de diretoria.

A abordagem canadense de “cumpra ou explique” foi um grande fator de impulso, de acordo com Doron Melnick, sócio da KPMG que escreveu o relatório. Ainda assim, ainda há muito a ser feito.

“As corporações no Canadá precisam continuar a mudança, e as mudanças são necessárias não apenas nos conselhos”, disse Melnick. “É muito importante focar no nível da alta gerência.”

Os homens continuam a superar as mulheres a uma taxa de quase dois para um em assentos no conselho e de três para um para cargos executivos, de acordo com o estudo.

Durante o período de seis anos, 173 mulheres foram indicadas para assentos no conselho – incluindo algumas indicações para vários conselhos – e 108 tornaram-se executivas das maiores empresas do Canadá. Os números se comparam com 332 homens indicados para conselhos e 339 nomeados como executivos.

Os homens que assumiram antes um cargo sênior durante o período também avançaram mais rapidamente: quase a metade foi promovida a cargos executivos em comparação com 39% para as mulheres. Apenas 2% dessas mulheres ocupavam o cargo mais alto, em comparação com 15% dos homens.

Em outubro, Rania Llewellyn tornou-se a primeira mulher a liderar um dos oito maiores bancos domésticos do Canadá.

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Empresas com mais mulheres em cargos seniores têm melhor desempenho na Bolsa, aponta Goldman Sachs

(Bloomberg) — Empresas com maior presença de executivas têm historicamente recompensado seus investidores de ações com melhor desempenho, disseram estrategistas do Goldman Sachs, que divulgou uma cesta de companhias europeias que empregam um número elevado de mulheres.

“Em mais ou menos qualquer período desde a crise financeira global, ter mais mulheres em cargos seniores como gerentes ou no conselho está associado a um desempenho superior da empresa em relação ao setor”, escreveram estrategistas liderados por Sharon Bell em relatório na terça-feira.

A equipe acrescentou que isso não se aplica a todos os setores, e que a pesquisa acadêmica ainda não é conclusiva sobre essa tendência.

Analistas do Goldman divulgaram uma nova cesta de empresas europeias com mais mulheres em todos os níveis, chamada Womenomics (Índice GSSTWOMN), que inclui empresas como LVMH Moet Hennessy Louis Vuitton, Swedbank, Nestlé e AstraZeneca.

Empresas francesas e nórdicas dominam a lista, disseram os estrategistas, já que a França tem um sistema de cotas para mulheres em conselhos, enquanto a região nórdica tem historicamente uma maior participação feminina no mercado de trabalho.

Leia também:
Fundos de ações geridos por mulheres têm melhor desempenho que os de equipes masculinas no ano, aponta Goldman Sachs

A Europa tem superado os Estados Unidos no esforço para tornar as mulheres uma parte mais igualitária da força de trabalho e, embora a diferença salarial entre homens e mulheres continue grande na região, é menor em todos os maiores países da Europa do que nos EUA, Canadá e Japão, de acordo com o Goldman.

As taxas de participação de mulheres na força de trabalho da Europa têm aumentado, enquanto nos EUA esses indicadores estão estáveis desde o final da década de 1990, disseram os estrategistas.

A pesquisa contribui para o debate sobre a importância de investimentos com base em princípios ambientais, sociais e de governança, ou ESG na sigla em inglês.

A Europa tem registrado um aumento do apetite por esse tipo de investimento neste ano, com cerca de 50% de todos os novos fundos de índice na Europa, Oriente Médio e África atrelados a ESG e com cerca de US$ 4,2 bilhões em ativos, de acordo com dados do Citigroup. O valor se compara a US$ 3,8 bilhões para novos fundos não relacionados a ESG.

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Clear promove evento para incentivar mulheres a investirem na Bolsa de Valores

O número de mulheres investindo na Bolsa de Valores está crescendo, mas ainda se encontra muito longe do ideal.

Apesar da participação deles ter aumentado 141% de 2018 para 2019, de acordo com informações da B3, as mulheres não representam 1/3 dos CPFs cadastrados.

Distribuição da participação de homens e mulheres no total de investidores
Ano Homens Mulheres Total
Quantidade        %  Quantidade        % Quantidade
2018 633.899 77,94% 179.392 22,06% 813.291
2019 1.398.777 76,40% 431.968 23,60% 1.830.745
*posição de janeiro de 2020

Em janeiro de 2020, 23,26% dos CPFs cadastrados em janeiro de 2020 são do sexo feminino.

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Isso mostra que há quase um milhão a mais de homens investindo na Bolsa.

Ou seja, ainda existe um enorme espaço para que as mulheres invistam mais em ações — e isso é interessante para todo mundo.

Quantidade de Investidores*    %
Pessoas Físicas 1.830.745 98,58%
Homens 1.398.777 75,32%
Mulheres 431.968 23,26%
Pessoas Jurídicas 26.426 1,42%
TOTAL 1.857.171
*posição de janeiro de 2020

Mulheres investem mais

Segundo dados da B3, o valor investido pelas mulheres totaliza R$ 80 bilhões, o que equivale a uma média de R$ 186 mil por mulher, apenas 3% do que os homens.

Se considerarmos que mulheres ganham 20,5%* a menos em todas as classes de trabalho, é possível afirmar que elas estão mais propensas a investir que os homens.

Caso o número de mulheres investindo fosse o mesmo que o de homens, teríamos cerca de R$ 180 bilhões a mais circulando na Bolsa de Valores.

*conforme a última pesquisa do IBGE divulgada em 2019
Perfil PF por Faixa etária                   Contas       Valor (R$ bilhões)     %
HOMENS MULHERES TOTAL HOMENS MULHERES TOTAL
Até 15 anos 3.594 3.023 6.617 1,56 0,18 1,74 0,50%
De 16 a 25 anos 134.322 30.407 164.729 1,63 0,67 2,30 0,66%
De 26 a 35 anos 448.285 124.637 572.922 15,54 4,20 19,74 5,67%
De 36 a 45 anos 387.962 109.563 497.525 39,71 9,11 48,82 14,02%
De 46 a 55 anos 182.416 62.719 245.135 44,68 13,53 58,21 16,72%
De 56 a 65 anos 130.165 54.380 184.545 60,23 17,75 77,98 22,40%
Maior de 66 anos 112.033 47.239 159.272 104,56 34,79 139,34 40,03%
TOTAL 1.398.777 431.968 1.830.745 267,92 80,22 348,14

Mulheres na Bolsa

Para estimular o aumento no número de mulheres investindo na Bolsa, a Clear realiza a segunda edição do “Mulheres na Bolsa”.

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A anfitriã será a Bea Aguillar, do canal “Papo de Bolsa”, que tem 100% do patrimônio investido em renda variável, e contará com a presença de grandes nomes do mercado financeiro.

O encontro ocorrerá no dia 13/03 na sede da XP Inc. As vagas são limitadas e devem ser feitas aqui.

O ingresso é um kit higiene pessoal, que será doado para a Programa Tecendo Sonhos, projeto que busca fomentar o empreendedorismo entre imigrantes latino-americanos.

Quem não conseguir acompanhar presencialmente, poderá ter acesso às palestras ao vivo por meio do instagram da @clearcorretora.

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Disclaimer: CONTEÚDO PATROCINADO CLEAR CORRETORA, que é uma marca da XP INVESTIMENTOS CCTVM S.A . Este material foi elaborado pela CLEAR CORRETORA (“Clear”) e tem caráter meramente informativo, não constitui e nem deve ser interpretado como solicitação de compra ou venda, oferta ou recomendação de qualquer ativo financeiro, investimento, sugestão de alocação ou adoção de estratégias por parte dos destinatários. Os prazos, taxas e condições aqui contidas são meramente indicativas. As informações contidas neste material foram consideradas razoáveis na data em que ele foi divulgado e foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis. A Clear não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações. Os ativos, operações, fundos e/ou instrumentos financeiros discutidos neste material podem não ser adequados para todos os investidores. Os investidores devem obter orientação financeira independente, com base em suas características pessoais, antes de tomar uma decisão de investimento. A Clear não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao valor total do capital investido. Para mais informações ligue para 4003-6245 (capitais e regiões metropolitanas) ou 0800-887-9107 (demais localidades). Para clientes no exterior o contato é 55-11-4950-2199. Para reclamações, utilize o SAC 0800 77 40404. E se não ficar estiver satisfeito com a solução, favor entrar em contato com a Ouvidoria: 0800-200-5550. Para deficientes auditivos ou de fala favor ligar para 0800 771 0101 (todas as localidades).