Por que a Nike é pra quem procura por ações maratonistas

No Coffee & Stocks de hoje, recebemos Paulo Albano, Portfolio Manager da Albatroz Capital. Diretamente de Miami, nos EUA, o Paulo nos explicou como funciona o processo de investimentos da casa e como chegaram na Nike (NIKE34).

Albano ressaltou que eles possuem uma visão de longo prazo, fundamentalista e concentrada em alguns nomes que, na visão deles, podem dar retornos acima do mercado. Ele citou um estudo da Fidelity, uma grande corretora americana, que chegou à conclusão de que as melhores carteiras de seus clientes eram de pessoas falecidas (!). Ou seja, investir pensando num horizonte longo de tempo é a melhor estratégia para bons resultados. E por isso, eles procuram ações maratonistas com grande potencial no longo prazo.

Ele ressaltou que eles procuram por dois aspectos principais quando olham empresas para investir: 1) empresas com dono, isto é, com uma pessoa de referência como controlador, que leva à uma performance melhor do que a média, e 2) empresas com cultura corporativa forte, citando estudos de que as melhores empresas para trabalhar são muito correlacionadas com bons retornos ao longo do tempo.

Sobre a Nike, o Paulo mencionou diversos fatores do porquê ele a considera como uma ação maratonista, com destaque à transformação demográfica global, em que temos um grande percentual de adultos e adolescentes com um alto consumo de calçados, a construção da marca com o patrocínio de atletas, e o crescimento do mercado secundário.

Pra saber mais detalhes, confira o bate papo com o Paulo no vídeo!

Beneficiadas com reabertura, ações ligadas ao esporte devem dar ‘volta olímpica’ com Jogos de Tóquio

O avanço da vacinação e o relaxamento das restrições impostas pela pandemia de Covid-19 estão beneficiando empresas ligadas ao esporte, como varejistas e marcas de material esportivo. Além disso, a volta dos grandes eventos, como a Eurocopa, realizada recentemente, e as Olimpíadas, a partir desta sexta-feira (23), serve como estímulo extra para o desempenho dessas companhias.

No cenário externo, a reabertura e o verão no Hemisfério Norte aumentam a demanda por produtos esportivos em mercados como Estados Unidos, China e Europa. O calor e a redução das restrições estimulam as pessoas a saírem de casa e a praticarem atividades físicas.

Vale lembrar, porém, que os casos da doença voltaram a aumentar na Europa e nos EUA, e há apreensão global com a circulação da variante delta.

“As empresas [desse setor] tendem a se beneficiar bastante [com a abertura]”, disse Carlos Daltozo, chefe de pesquisas em renda variável da Eleven, casa de análises financeiras. “Esperamos que no Brasil o efeito da vacinação traga uma abertura maior da economia neste segundo semestre”, acrescentou.

A multinacional Nike (NYSE: NKE) é um dos destaques do ramo neste momento de retomada. A companhia anunciou um resultado recorde de US$ 12,3 bilhões em faturamento no quarto trimestre do ano fiscal encerrado em maio, valor 96% superior ao registrado no mesmo período de 2020 e 21% acima do total do mesmo trimestre de 2019, antes da pandemia. Após o anúncio, as ações da marca dispararam e atualmente estão na casa de US$ 160,00.

Seguindo a tendência, as BDRs da Nike (NIKE34) negociadas na B3 avançaram significativamente. Estavam cotadas a R$ 83,45 na terça-feira (20). “A Nike passou a integrar nossa carteira de BDRs em junho e capturou cerca de 20% de alta”, afirmou o analista da Eleven.

Sócio diretor da gestora de fundos GeoCapital, Arthur Siqueira acrescenta que a Nike promove desde 2017 uma mudança de canais de venda com foco na relação direta com os clientes, por meio de lojas próprias e plataformas digitais, ampliando a fidelização e reduzindo sua dependência em diferentes varejistas. A pandemia acelerou o processo.

De acordo com Siqueira, as vendas diretas representavam 20% do faturamento da empresa antes da pandemia, mas agora são 40% – e até 2025 a expectativa é chegar a 60%. “Nos momentos de crise, as empresas que têm pilares sólidos se saem melhor”, observa. Além disso, com menos intermediários, a companhia aumenta sua margem.

Siqueira ressalta que a Nike, com o uso de aplicativos de corrida e treino, está mais próxima de seus clientes, conhece suas demandas e consegue oferecer produtos que têm maior valor para o consumidor, o que deixa a empresa numa posição vantajosa dentro da nova realidade do mercado.

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O executivo informa, no entanto, que a GeoCapital não tem papeis da Nike em seus fundos, mas por causa do preço e não pela qualidade do negócio.

A abertura é importante também para outra gigante do setor, a Adidas. “Metade da receita da Adidas vem da Europa e dos Estados Unidos, regiões onde a vacinação está caminhando mais rápido”, afirmou Rodrigo Lobo, sócio da Nextep, gestora de fundos que tem papeis da empresa de origem alemã em seu portfólio.

Segundo Lobo, a marca manteve abertas somente 30% de suas lojas no auge da pandemia, mas agora as unidades em funcionamento chegam a 90%. Ao mesmo tempo, a participação do comércio eletrônico no faturamento saltou de 11% para 20%. As ações da companhia acumulam valorização de 3,4% neste ano e estavam cotadas a 305,40 euros na terça-feira (20).

Para o sócio da Nextep, a empresa tende a seguir em ritmo de crescimento. Ele conta que a Adidas anunciou recentemente seus planos para os próximos cinco anos, prazo em que pretende dobrar suas receitas com vendas diretas (lojas próprias e comércio eletrônico), elevar o faturamento total de 10% a 20%, ter 90% de sua linha composta de produtos reciclados ou 100% recicláveis e investir 1 bilhão de euros em tecnologia.

Além da maior demanda por comercio eletrônico, a pandemia aumentou a procura por roupas confortáveis que servem para esportes, lazer, ficar em casa e trabalho remoto, segmento que ganhou o apelido de “Athleisure”, uma combinação das palavras em inglês “athletic” (atlético) e “leisure” (lazer). Tipo de vestuário de produzido por marcas como Adidas e Nike.

O crescimento desse segmento é uma das tendências apontadas pela consultoria McKinsey numa pesquisa sobre marcas esportivas divulgada em janeiro de 2021. O estudo informa também que o faturamento do setor de material esportivo caiu em 2020 pela primeira vez desde a crise financeira internacional de 2008. De forma geral, a pandemia acelerou mudanças que vieram para ficar, como o fortalecimento do comércio eletrônico e o aumento da demanda por produtos sustentáveis.

Olimpíadas

Quando a pesquisa foi publicada, a vacinação estava apenas começando ao redor do mundo, e os números de novos casos de Covid-19 e de mortes batiam recordes nos Estados Unidos. Mas a McKinsey já previa oportunidades para o setor com a eventual reabertura e a volta de grandes eventos, incluindo os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio.

“As Olimpíadas colocam o esporte em evidência, geram mais engajamento da população e esta exposição é benéfica para todos”, comentou Siqueira. A avaliação sobre o impacto dos Jogos, porém, não é unânime.

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“As empresas ligadas ao esporte tendem a ter bom desempenho em época de Olimpíadas, e principalmente de Copa do Mundo, mas em Tóquio há a diferença de fuso e não haverá torcida [presencial]”, observou Daltozo. “Eu não vejo tanta euforia”, disse.

Lobo fica no meio do caminho. “Não conseguimos ver os efeitos este ano ainda, mas em 2012, com as Olimpíadas [de Londres] e a Eurocopa, o lucro da Adidas teve um crescimento de 20% no segundo trimestre”, observou. Ele reconhece que os Jogos deste ano vão ser diferentes, por causa da pandemia, mas ressalta que a exposição das marcas em eventos do gênero é bastante intensa. “Na Eurocopa de 2021, oito das 24 seleções foram patrocinadas pela Adidas”, exemplificou.

Brasil

As perspectivas de reabertura refletem positivamente em negócios do setor inclusive no Brasil. A Eleven, por exemplo, recomenda a compra de ações da fabricante de calçados Vulcabrás (VULC3), que tem atuação forte na área de esportes com as marcas Olympikus (própria), Under Armour (licenciada pela matriz norte-americana) e agora com a Mizuno, recentemente licenciada pela matriz japonesa. A XP também recomenda a compra dos papéis da empresa.

“A Vulcabras incorporou a marca Mizuno e reduziu sua dependência nos calçados femininos [com o licenciamento da marca Azaleia para a Grendene]. O segmento esportivo tem uma rentabilidade melhor”, comentou Daltozo.

De acordo com ele, em 2020 a empresa sofreu um tombo considerável, mas aproveitou o momento de crise para mudar sua estratégia, teve uma retomada forte em 2021 e deve voltar ainda este ano ao patamar de receitas de 2019, com perspectivas de crescimento no ramo esportivo. As ações da Vulcabras registram valorização acumulada de 28,2% desde o início de 2021.

Na mesma linha, a Eleven recomenda compra de papeis do Grupo SBF (SBFG3), controlador da rede varejista de material esportivo Centauro. A companhia adquiriu o licenciamento da Nike no Brasil e deve se beneficiar disso.

“A Centauro fez o acordo com a Nike um pouco antes da pandemia, sofreu um pouco, mas este ano está em nossa cesta de empresas de varejo que devem se beneficiar mais da retomada”, declarou Daltozo. Os papeis da SBF acumulam valorização de 32,25% no ano.

A rede de academias Smart Fit (SMFT3) estreou na B3 em 14 de julho, após uma oferta pública inicial de ações que movimentou R$ 2,3 bilhões. Os papeis tiveram valorização de quase 35% no primeiro dia. Daltozo diz que a Eleven recomendou aos seus clientes participação na oferta.

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Ele avalia que a cadeia tem bom potencial de crescimento nos próximos anos, especialmente em outros países da América Latina. “Há muita demanda represada por academias por causa da pandemia, não só no Brasil, mas na América Latina”, observou.

Já para a Track & Field (TFCO4), outra empresa brasileira do ramo de esportes listada, a Eleven está com recomendação neutra. A companhia abriu seu capital no ano passado e, de acordo com Daltozo, sofreu pouco na crise, portanto o analista não vê tanto potencial de avanço, pois a retomada já foi “precificada”.

Longo prazo

Siqueira comenta ainda a perspectiva para a VF Corporation (VFCO34), companhia norte-americana que controla marcas como Vans, Timberland e The North Face. Ele acredita que a reabertura da economia deve ter um impacto ainda maior nesta empresa, pois ela depende bastante das vendas em lojas físicas. “São marcas bastante importantes que podem se beneficiar da reabertura”, ressaltou.

Para Siqueira, empresas estrangeiras como a Nike e a VF Corporation têm condições de surpreender no longo prazo. “São empresas muito boas e que têm possibilidade de surpreender para cima em termos de retorno médio em cinco anos”, afirmou.

No mesmo sentido, Lobo avalia que a Adidas tende a aumentar de valor no futuro, pois a gestão atual tem uma filosofia de longo prazo com prioridades importantes como o crescimento em mercados como China e EUA, investimentos em tecnologia e processos mais eficazes, vestuário confortável e canais de venda que permitam maior margem. “A tendência do mercado favorece os produtos que a empresa vende”, concluiu.

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Como o grupo SBF, dono da Centauro e distribuidor da Nike no Brasil, quer virar um verdadeiro ecossistema do esporte

SÃO PAULO – Vencedor do prêmio de revelação da Bolsa em 2021 no ranking InfoMoney, o grupo SBF (SBFG3) –  controlador da Centauro, da NWB e operador da Nike do Brasil –  trabalha para ser cada vez mais multicanal e criar um verdadeiro ecossistema do esporte buscando atender as necessidades do consumidor, que também vem se transformando.

Nesse sentido, para Pedro Zemel, CEO do SBF, a companhia está apenas no começo de uma jornada, em um contexto de forte engajamento da população brasileira no segmento esportivo, seja ou assistindo ou praticando.

“Temos uma convicção de que o esporte tem um poder transformacional e isso dá uma energia muito boa para a empresa e para a nossa capacidade de atrair gente. O que queremos fazer é usar essa forma de engajamento e essa transformação para construirmos uma empresa que de fato se posicione como um ecossistema do esporte”, afirmou o CEO, durante o evento Melhores da Bolsa 2021, promovido pelo InfoMoney e pelo Stock Pickers (assista no player acima).

Zemel destaca que a empresa está no mercado há 40 anos e abriu o capital com uma base muito sólida e estabelecida como varejista, tendo presença em 26 estados e com 200 lojas. Porém, a avaliação é de que essa é apenas uma “parte da história” a ser contada pelo grupo. A companhia, fundada em 1981, fez seu IPO em 2019, captando cerca de R$ 772 milhões.

O momento pós-IPO, aliás, foi de diversas transformações para o grupo, sendo marcado por importantes aquisições. O SBF concluiu no ano passado a compra da operação comercial da Nike do Brasil por R$ 1,032 bilhão. Com o fechamento do negócio o grupo praticamente dobrou de tamanho: de uma receita de um pouco mais de R$ 3 bilhões, foi para cerca de R$ 6 bilhões. Em dezembro, ainda anunciou a compra da produtora de conteúdo NWB, detentora dos canais do YouTube Desimpedidos, Acelerados, Fatality e Falcão 12. O negócio, no valor de R$ 60 milhões, marcou a entrada do grupo no segmento de conteúdo.

“Fomos agregando outros pedaços a esse ecossistema e nos transformando nessa jornada, e evoluindo de uma empresa de varejo para uma empresa que tem uma operação de varejo, que tem a Fisia que distribui a marca Nike, a NWB que produz conteúdo e que chega a dezenas de milhões de espectadores do esporte. O esforço é por buscar aumentar a velocidade de transformação interna”, apontou.

O último ano, porém, foi desafiador não apenas para o grupo, como também para todo o setor varejista, que foi impactado pelo fechamento das lojas físicas por conta da pandemia do coronavírus, que aumentou as restrições à mobilidade e também acelerou a mudança de comportamento do consumidor. No primeiro trimestre de 2021, a companhia registrou prejuízo de cerca de R$ 36 milhões.

Porém, Zemel ressalta que já se nota que, quando há a reabertura de lojas com o relaxamento das restrições, elas têm mostrado uma forte recuperação. Além disso, não há planos de deixá-las de lado e sim integrá-las cada vez mais com as operações digitais.

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“Temos indícios tanto internos quanto externos de que a loja física continua sendo um canal fundamental. Dos meses que as lojas ficam abertas, até independentemente do avanço da vacinação, elas têm registrado um bom desempenho. Estamos confiantes também olhando para os números de fora, de vários players em países em que a vacinação está mais avançada, inclusive com a tendência de que o consumidor volte a fazer mais esporte, o que deve beneficiar a gente”, avalia.

Enquanto as lojas físicas continuam sendo importantes, Zemel aponta que o digital é uma “tendência secular”. Desta forma, a empresa tem uma “visão holística omnichannel’, com o consumidor transitando de maneira fluida pelos diferentes canais, temas que o grupo quer desenvolver cada vez mais.

“O canal para a gente é algo tático. A loja e o e-commerce complementam a oferta para que a gente possa oferecer o melhor para o consumidor em termos de conveniência. Estamos bastante confiantes em como eles se complementam”, afirma.

Neste sentido, na avaliação do CEO, o modelo de megalojas da Centauro também tem espaço para crescer, ainda mais considerando que a empresa está em cerca de 200 dos 600 shoppings do Brasil. Ele destaca que a loja não é mais só um local para “trocar mercadoria por dinheiro”, mas sim um local para conectar clientes com a marca, ser um centro de distribuição e também um espaço para conquistar clientes. Desta forma, o executivo aponta que a loja é central para estratégia, inclusive no digital.

André Ribeiro, sócio-fundador e gestor da Brasil Capital, que tem exposição em ações da SBF, questionou durante a live como a estratégia da empresa se encaixa com as aquisições recentes, com o comando da operação da Nike do Brasil, além da compra da NWB.

Zemel destacou que a Nike do Brasil é enorme e uma das mais admiradas pelo consumidor brasileiro, e que a operação reforça a tese de formar efetivamente um ecossistema e atuar nas diversas etapas de consumo. A grande estratégia da SBF com a Nike é o desenvolvimento de acesso direto ao consumidor, que é uma estratégia global da companhia americana.

O desenvolvimento se dá pelo e-commerce e pela operação de lojas. “A marca Nike merece uma presença importante no mercado brasileiro e a gente está preparando esse avanço em loja física”, afirma. Zemel disse estar otimista e orgulhoso com a operação, a primeira aquisição desde o IPO, com a marca atingindo uma margem Ebitda (Ebitda, ou lucro antes juros, impostos, depreciações e amortizações, sobre receita líquida) de 9% no primeiro trimestre.

Já sobre a NWB, o CEO citou o forte potencial de público, já que o grupo já chegou a cerca de 2 bilhões de visualizações no Youtube por ano e 80 milhões de seguidores no Instagram.

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“É, muito relevante para o público do esporte e encaixa como uma luva na estratégia de ecossistema”, apontando que a estratégia é positiva por construir relação mais profunda para usuários do esporte e apresentar conteúdo que é benéfico para consumidor, aproximando-se dele. Do outro lado, também há uma diminuição do custo para conquistar um novo consumidor, além de garantir a perenidade da relação e também aumentar o relacionamento com uma série de influenciadores do segmento, “abrindo uma avenida de receitas”.

Indo às compras?

Ao ser questionado sobre futuras aquisições – recentemente, houve rumores de movimentações para fusão com a Track & Field ( TFCO4), posteriormente negados -, o executivo afirmou que, antes do IPO e em um momento sem dinheiro tão abundante no país, a empresa já tinha uma lista de empresas que já interessa em adquirir. Contudo, durante a live, ele não citou nomes de possíveis “alvos”.

“O sonho dessa empresa, desde que foi fundada, sempre foi muito ambicioso, muito grande e continua sendo. De fato, que isso seja o começo de uma história, de que a gente consiga multiplicar em muitas vezes o tamanho dessa companhia. A estratégia de adquirir empresas está disponível e com a qual estamos mais confortáveis agora que vivemos uma experiência de fazer uma transição com uma empresa grande, que fatura bilhões. Quando pensamos em quais seriam os caminhos, pensamos no consumidor e no esporte, que tem várias audiências e marcas que são muito relevantes”, ressalta, fazendo a ponderação de que, além de aquisições, a SBF também pode chegar ao seu modelo de ecossistema do esporte através de parcerias.

O grupo, afirmou, tem uma área de fusões e aquisições estruturada e também uma área recém criada chamada SBF Ventures, em que busca criar novos negócios e também buscar aquisições de negócios menores. “A gente entende que M&A [fusões e aquisições] é sim um caminho para fechar esse mapa e chegar a um dia ser um ecossistema super completo e um destino para os consumidores do esporte no Brasil no que eles precisem nessa jornada”, avalia.

Melhores da Bolsa

InfoMoney premia anualmente as melhores empresas da Bolsa, com base num ranking exclusivo feito pela provedora de serviços financeiros Economatica e pela escola de negócios Ibmec.

O ranking analisa critérios quantitativos e qualitativos das empresas de capital aberto num período de três anos – o objetivo de escolher um período superior a um ano é valorizar a consistência de resultados. Com base nesses critérios, são premiadas as melhores empresas entre os principais setores da Bolsa, a empresa revelação (que avaliou as companhias que têm capital aberto há menos de três anos) e a melhor companhia do mercado.

A análise considerou um período de três anos, de 31 de dezembro de 2017 a 31 de dezembro de 2020.  Veja aqui todas as empresas premiadas.

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Nike tem receita recorde no quarto trimestre e ações sobem 13% no pré-market

SÃO PAULO – A Nike (NIKE34) divulgou na última quinta-feira (25) seus resultados referentes ao quarto trimestre de seu ano fiscal de 2021, com receita e vendas que superaram as estimativas de analistas, apoiadas por uma receita recorde em seu maior mercado, os Estados Unidos.

No período, a companhia reportou receita de US$ 12,3 bilhões, aumento de 96% em relação ao mesmo trimestre do ano fiscal anterior e de 21% ante o quarto trimestre de 2019. Segundo a empresa, o resultado deve-se principalmente à recuperação das operações após o impacto da Covid-19 no ano fiscal anterior.

Já as vendas tiveram alta de 73% no último trimestre, em comparação ao mesmo período do ano fiscal anterior, para US$ 4,5 bilhões.

No acumulado do ano, a receita da Nike subiu 19%, para US$ 44,5 bilhões. O ano fiscal da companhia referente a 2021 terminou em 31 de maio.

“Os fortes resultados da Nike neste trimestre e no ano fiscal completo demonstram uma vantagem competitiva única da Nike e nossa grande conexão com os consumidores ao redor do mundo”, disse John Donahoe, presidente e CEO da Nike, em nota.

O mercado da companhia nos EUA registrou receita recorde, com aumento de 141% em relação ao que realmente é registrado no quarto trimestre. Além disso, teve alta de 29% ante o quarto trimestre de 2019, incluindo o aumento da receita de atacado devido a embarques atrasados em relação ao trimestre anterior.

Com a reabertura do mercado americano e retorno dos esportes, a Nike afirma que as vendas digitais da companhia continuaram fortes, com aumento de 54% ante o ano anterior e de 177% em relação ao quarto trimestre de 2019.

A companhia continua a se beneficiar de consumidores buscando roupas mais confortáveis para usar em casa e para se exercitar. Mesmo com muitas pessoas voltando para escolas, escritórios e eventos sociais nos EUA, muitos continuam vestindo opções mais relaxadas como tênis e calças legging.

Com os fortes resultados, as ações da companhia apresentavam forte alta da ordem de 13% no pré-market da bolsa de Nova York (NYSE), nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (25).

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Centauro conclui compra da Nike no país e quer oferecer também serviços

Centauro - BH Shopping - MG Inauguração da loja da Centauro no BH Shopping, em Belo Horizonte (Foto: MPerez)

O grupo SBF, controlador da Centauro (CNTO3), rede de lojas de artigos esportivos, concluiu a compra da operação comercial da Nike (NIKE34) no Brasil por R$ 1,032 bilhão. Com o fechamento do negócio, anunciado em fevereiro e que recebeu sinal verde do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no fim do mês passado, o grupo praticamente dobra de tamanho.

De uma receita de um pouco mais de R$ 3 bilhões, vai para cerca de R$ 6 bilhões, e se estrutura para por de pé a estratégia de ser uma empresa de referência no mundo do esporte.

“Quero ser um ecossistema: conhecer não só o que o consumidor compra, mas toda a sua jornada para oferecer produtos e serviços específicos, como personal trainer, indicação de grupos de corrida, por exemplo”, diz Pedro Zemel, presidente do grupo.

Ele frisa que a construção desse novo modelo de negócio começa com dois ativos de peso e que, juntos, têm grande sinergia. Um deles é a rede da Centauro, com 209 lojas em 26 estados e 20 milhões de clientes. A varejista será comandada por Claudio Assis, ex-diretor de operações.

O outro pilar é a distribuição da marca Nike no País, concentrada na nova empresa do grupo que se chamará Fisia. Ela vai reunir as 31 lojas físicas da Nike, o site da marca e a venda dos produtos para outras varejistas. A Fisia será dirigida por Karsten Koeler, que liderava a distribuição da Nike antes da venda da companhia para o grupo SBF. Apesar de a distribuição estar concentrada numa nova empresa, a marca Nike continuará na fachada das lojas. O grupo negociou o direito de explorá-la por dez anos.

Zemel diz que as operações da Centauro e da Fisia serão mantidas separadas, inclusive fisicamente. A sede da Centauro, com 6.300 funcionários continua no bairro paulistano da Lapa, e a da Fisia, com 1.200 empregados, fica no bairro vizinho da zona oeste, na Lapa de Baixo.

No entanto, a configuração poderá permitir que o consumidor compre pelo site da Nike e retire o produto na loja da Centauro. A intenção é dar flexibilidade entre canais de vendas. “A Nike.com tem um potencial enorme e os dois negócios juntos conseguem ter uma oferta maior para o consumidor final do que separados”, afirma.

Novas aquisições

Na nova arquitetura do grupo, a holding, comandada por Zemel, vai reunir as áreas de tecnologia, finanças, marketing, logística e a cadeia de suprimentos. São cerca de 500 funcionários que vão ocupar três andares do tradicional Edifício Birmann, na avenida das Nações Unidas, onde antes funcionava a editora Abril.

Isoladas fisicamente, essas áreas atenderão às duas empresas do grupo por enquanto. “Vamos servir a tantas outras que a gente consiga construir ou comprar”, diz o executivo, dando claras indicações dos próximos movimentos que estão no radar do grupo.

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A companhia encerrou o terceiro trimestre deste ano com R$ 1,5 bilhão em caixa. Zemel diz que parte dessa cifra foi usada na compra da operação de distribuição da Nike no País. O restante do dinheiro será direcionado na abertura e reforma de lojas da Centauro e investimentos em tecnologia. “Aquisições menores evidentemente cabem nesse cheque, mas se tivermos de fazer um movimento maior, daí é outra discussão.”

O executivo não revela quantas lojas da Centauro serão abertas no próximo ano nem fala qual o crescimento esperado para a companhia, após a compra da distribuição da Nike no País. Mas analistas de mercado que acompanham o desempenho da empresa, que tem ações na Bolsa, calculam que existam entre 20 e 30 novas lojas programadas para 2021. Somadas às reformas das que estão em operação, seriam cerca de 50 pontos de vendas, que demandariam investimentos da ordem de R$ 200 milhões.

Tecnologia

Outra alavanca de crescimento do grupo, além de compra empresas, é a inovação. Por isso a companhia está investindo em profissionais de tecnologia para desenvolver produtos e serviços específicos. Recentemente contratou 100 profissionais, entre engenheiros de software, cientistas de dados e designers, além de ter se aproximado de startups.

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Cade aprova aquisição dos contratos e ativos da Nike Brasil por controlador da Centauro

Centauro - Bourbon Shopping - SP Loja da Centauro no Bourbon Shopping em São Paulo (Foto: divulgação)

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a aquisição da totalidade das quotas da Nike do Brasil pelo Grupo SBF (CNTO3), controlador da Centauro. O despacho da Superintendência-Geral do órgão com a decisão está publicado no Diário Oficial da União (DOU).

O negócio de R$ 900 milhões foi anunciado em fevereiro. A operação compreende a aquisição de todos os contratos e ativos da Nike Brasil.

Com isso, a SBF passará a operar não apenas como distribuidora exclusiva da marca Nike no Brasil, mas também como responsável pela operação de suas lojas físicas e online. O contrato de distribuição da Nike será válido por um período de 10 anos.

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O acordo exclui a coordenação da fabricação dos produtos – que é majoritariamente terceirizada a indústrias locais e continuará a ser feita pela matriz norte-americana -, as marcas e também ativos de marketing.

Segundo as empresas informaram ao Cade, a operação se insere na estratégia do Grupo Nike de otimizar sua atuação e presença em diversos países da América Latina (especificamente, Argentina, Brasil, Chile e Uruguai) em relação ao seu posicionamento da marca, volume de vendas, relação com parceiros e consumidores.

Para a SBF, a operação representa uma oportunidade de utilizar a integração de seus canais físicos e online, bem como sua experiência e know-how no varejo para ampliar o alcance de determinadas marcas do Grupo Nike no mercado.

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Como a parceria entre Centauro e Nike pode afetar o Magazine Luiza?

SÃO PAULO – A parceria estratégica entre o Grupo SBF e a Nike, que inclui a compra da Nike do Brasil e exclusividade de distribuição dos produtos, foi vista pelo mercado como extremamente positiva para a Centauro (CNTO3), que disparou na Bolsa em seguida ao anúncio. Já o Magazine Luiza (MGLU3), dono da Netshoes, chegou a ser a maior queda do Ibovespa no início do pregão – ainda que sua desvalorização não tenha superado 1,55%.

Com 21% do mercado de artigos esportivos do país, a Nike é uma marca relevante para quaisquer varejistas do segmento. Uma fonte do mercado estima que algo em torno de 15% a 20% das vendas da Netshoes sejam Nike. Na Centauro, o número atinge 25%.

Leia também:
• Ações da Centauro disparam após anúncio da compra da Nike do Brasil

Especialistas argumentam que é cedo para estimar o impacto da parceria nas contas da Centauro, já que os royalties e receitas de marketing não fazem parte do acordo. O Itaú BBA estima receita líquida entre R$ 62 milhões e R$ 102 milhões. As empresas divulgaram que a Nike do Brasil faturou R$ 2 bilhões  no exercício encerrado em 31 de maio de 2019.

Para a concorrência, aparentemente, os termos do acordo não são tão dramáticos, já que o grupo SBF manterá todos os compromissos já firmados com varejistas brasileiras. “Esperamos que a Centauro opere a distribuição da Nike separadamente da operação de varejo, que tem equipe e CNPJ próprios”, escreveu o analista Richard Cathcart, do Bradesco BBI. “Entendemos que a Nike não deseja diminuir seus canais de distribuição no Brasil”.

Pedro Fagundes, analista da XP Research, avalia que, para o Magalu, este acordo é “dos males, o menor”. Ele argumenta que uma exclusividade de distribuição no varejo seria “péssima”, já que impediria as vendas de qualquer produto Nike em lojas sem selo SBF.

“Se o contrato da Nike com a Netshoes for mantido, a empresa não perderia receita de maneira tão rápida”, diz. Mas pondera: “Ainda assim, o maior concorrente [da Netshoes] está controlando a sua maior fonte de receita. Tem que ver como serão os termos de SKU [distribuição de estoque], mark-up [definição de preços]”. E aposta: “Duvido que a Centauro vá disponibilizar o Pegasus 2021 para o Magalu”.

O BBI tem a mesma aposta: “esperamos que a Centauro mantenha as políticas de segmentação da Nike, o que significa que certos produtos não estarão disponíveis na Netshoes (que é o caso atualmente”. Desde 2017, a Nike já tem como distribuidora preferencial a Centauro, o que significa que parte dos produtos chega primeiro nas lojas da marca e só depois na concorrência.

“A princípio eu diria que nada muda, mas o mercado está reagindo a uma incerteza sobre os termos comerciais, que podem não continuar os mesmos”, conclui Fagundes.

Na outra ponta, os CNPJs separados também indicam que a Centauro evita perder relacionamento com outros nomes relevantes, como Adidas, Puma ou Under Armour. A empresa diz que nenhum acordo com outras marcas será descartado por conta do relacionamento com a Nike.

Leia também:
• Como comprar ações da Centauro (CNTO3); passo a passo para investir

O que deve mudar

Para o consumidor, segundo Cathcart, espera-se uma mudança mais significativa nas vendas diretas. “De uma perspectiva mais estratégica, acreditamos que o acordo diminui algumas preocupações de investidores sobre a Nike potencialmente buscar uma estratégia mais direct-to-consumer (DTC) no Brasil e sobre a potencial diluição da capacidade da Centauro de garantir lançamentos e exclusividade de produtos ao longo do tempo”.

Espera-se a partir de agora um foco maior nas vendas online da marca. O BBA avalia que aumenta o espaço para outras grandes marcas esportivas, como Adidas, apostarem mais forte em B2C (business to consumer) no país.

Contatado, o Grupo SBF garantiu que todos os contratos atuais da Nike serão honrados e que as operações de Centauro e Nike, sob a holding SBF, permanecem as mesmas. O Magazine Luiza não quis comentar.

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