Vale anuncia acordo que encerra greve de dois meses em unidade no Canadá; analistas veem desdobramento positivo

(Shutterstock)

SÃO PAULO – A mineradora Vale (VALE3) informou nesta quarta-feira que um novo acordo coletivo de trabalho de cinco anos com a United Steelworkers (USW) Local 6500 foi aprovado na noite passada. Com isso, foi encerrada uma greve de cerca de dois meses que paralisava as operações de níquel, cobre e cobalto em Sudbury (Canadá) desde o início de junho.

“O novo acordo entra em vigor de imediato. Os trabalhadores retornarão às atividades na semana do dia 9 de agosto, com ‘ramp-up’ da produção iniciando nas semanas adiante”, destacou a empresa.

Segundo a Vale, o novo pacto “reflete meses de trabalho árduo e compromisso de ambas as partes e uma demonstração genuína para a conclusão das negociações de forma favorável”.

A mineradora reafirmou ainda seu “compromisso com a sustentabilidade de longo prazo do seu negócio de metais básicos e de suas operações de Ontário”.

Na véspera, o sindicato dos trabalhadores disse que havia chegado a um acordo preliminar com a companhia.

Em breve nota, o Credit Suisse destaca a notícia como positiva, destacando que Sudbury representa entre 20% e 25% dos volumes de níquel e cobre da Vale.

O Bradesco BBI também aponta que a notícia é um desdobramento positivo para a Vale, já que a empresa deve agora ser capaz de retomar as operações em Sudbury após dois meses.

“Observamos, no entanto, que a Vale destacou em sua teleconferência de resultados do segundo trimestre na semana passada  que a produção em Sudbury já enfrentaria um terceiro trimestre desafiador, pois leva algumas semanas para iniciar as operações e funcionar perfeitamente, enquanto a empresa também realiza uma parada para manutenção no local. Ao todo, assumindo que Sudbury permaneça paralisado por cerca de três  meses no total, o impacto na produção de níquel deve ser de cerca de 15 mil toneladas e de cobre em cerca de 21 mil toneladas.

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Tesla fecha acordo com BHP para fornecimento de níquel

Logo da Tesla em uma das suas lojas (Shutterstock)

(Bloomberg) – A Tesla (TSLA34) fechou um acordo de fornecimento de níquel com a BHP (BHPG34) para garantir o metal usado nas baterias de seus carros elétricos.

O metal será fornecido pela operação Nickel West na Austrália Ocidental, disse a maior mineradora do mundo em comunicado. Segundo a BHP, as empresas trabalharão juntas para tornar a cadeia de fornecimento de baterias mais sustentável.

O fundador da Tesla, Elon Musk, tem repetidamente mostrado preocupação com os suprimentos futuros de níquel devido aos desafios para a oferta sustentável. Musk tem pedido às mineradoras para produzir mais níquel, pois a demanda deve aumentar muito com a transição cada vez mais acelerada para veículos elétricos.

O níquel é um componente essencial das baterias íon-lítio, usadas em veículos elétricos. O metal permite armazenar mais energia nas baterias e reduz a necessidade de usar cobalto, que é mais caro e tem uma cadeia de abastecimento menos transparente.

A Telsa fechou uma série de acordos com empresas de mineração para as commodities usadas em baterias, incluindo um contrato para o fornecimento de cobalto com a Glencore e apoio a um projeto de níquel na Nova Caledônia.

Para a BHP, isso marca uma grande mudança na divisão Nickel West da empresa, que tentou sem sucesso vender a unidade em 2014 e, desde então, a adaptou para atender fabricantes de baterias, em vez de clientes tradicionais, como a indústria de aço inoxidável.

A Bloomberg havia divulgado em outubro que as duas empresas estavam em negociações.

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Greve na Vale em Sudbury prejudica oferta de níquel de bateria

(Divulgação)

(Bloomberg) — Uma greve nas operações da Vale (VALE3) em Sudbury, no Canadá, está afetando o mercado de níquel, que é fundamental para alimentar veículos elétricos.

Sudbury é um dos poucos produtores mundiais de pelotas de níquel, usadas para produzir ligas para as indústrias aeroespacial, eletrônica e nuclear. A produção na operação da Vale no nordeste de Ontário foi interrompida quando os trabalhadores sindicalizados entraram em greve em 1º de junho. A interrupção está levando os consumidores a explorar os briquetes de níquel para bateria como alternativa às pelotas.

Essa mudança está aumentando a disputa pelo briquete, elevando os prêmios norte-americanos ou encargos extras que os consumidores pagam além dos preços do níquel na London Metal Exchange, à medida que os estoques do metal diminuem. Os estoques de briquete, a principal forma de níquel estocados nos armazéns da LME, caíram 9% desde o pico em abril e agora estão no menor nível em mais de um ano.

“Diante dos desafios em uma série de operações de níquel Classe 1 ao longo de 2021 até o momento, a disponibilidade de material para compras pelo cliente final é mais limitada do que se poderia imaginar”, disse Colin Hamilton, analista da BMO Capital Markets.

O níquel para baterias é um ingrediente chave em baterias recarregáveis para veículos elétricos, ajudando a colocar mais energia nas células e permitindo que os produtores reduzam o uso de cobalto, um metal mais caro que normalmente tem uma cadeia de suprimentos menos transparente. O mercado para esse níquel deve estar em uma condição apertada nos próximos dois a três anos e pode provocar um déficit já em 2024, de acordo com dados de energia e empresa de análise BloombergNEF.

Desde o início da greve da Vale, o prêmio do briquete aumentou 24% e os preços dos EUA atingiram em 22 de junho seu nível mais alto desde novembro de 2019, de acordo com dados da Fastmarkets. O níquel para entrega em três meses registrou um ganho semanal de 8% na semana passada na LME, o maior desde agosto de 2019.

“A greve não é o principal fator para o aumento do preço do níquel, mas será o principal vetor para o aumento do prêmio do níquel na América do Norte”, disse Adrian Gardner, principal analista de mercado de níquel da empresa de pesquisa Wood Mackenzie.

Gardner disse que não está otimista com uma solução para a greve da Vale e prevê que a disputa trabalhista pode se estender por muitos meses. A Vale enfrentou uma greve de um ano no Canadá em 2009 e 2010. Os trabalhadores em greve representados pelo United Steelworkers Local 6500 rejeitaram duas vezes uma oferta salarial apresentada pela gigante da mineração brasileira neste ano.

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Impasse com trabalhadores no Canadá é negativo para Vale, mas analistas veem solução em breve e mantêm otimismo com ação

(Divulgação)

SÃO PAULO –  A notícia de que mineradora Vale (VALE3) decidiu paralisar atividades de níquel, cobre e cobalto em Sudbury, no Canadá, após falhar em negociações com trabalhadores locais, justamente em um momento em que trabalha para agregar mais valor aos seus ativos de metais básicos, foi vista como negativa por analistas de mercado. Contudo, a expectativa é de que as operações sejam retomadas em breve.

A empresa destacou nesta terça-feira que os empregados representados por um sindicato local rejeitaram proposta da companhia para novo acordo coletivo de trabalho de cinco anos. “Isso resultará em uma interrupção das atividades nas operações de Sudbury. Os planos de contingência da Vale foram implementados para preservar a integridade e segurança das usinas e minas”, afirmou. A Vale não informou sobre eventuais desdobramentos da paralisação das atividades.

A companhia quer destravar valor de ativos de metais básicos, cuja demanda tem sido alavancada pelo mercado de transição energética.

Dentre as opções em estudo, executivos da empresa informaram em abril que poderia ser feita uma cisão da unidade de metais básicos e uma eventual oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Já no comunicado da véspera, a mineradora disse que “está comprometida com a sustentabilidade de longo prazo de seus negócios de metais básicos e suas operações em Ontário”.

O sindicato United Steelworkers Local 6500, que representa 2.600 trabalhadores da mina, disse em comunicado que 70% dos votantes foram contrários à oferta da Vale de acordo coletivo de trabalho e quiseram que a entidade –cujo comitê de negociações recomendou o acordo preliminar – retomasse as conversas com a empresa.

“O que temos é uma mensagem clara dos nossos membros, que nossa equipe de negociações levou de volta à companhia”, disse Kevin Boyd, vice-presidente do USW Local 6500, acrescentando que as conversas estão em andamento.

A mineradora ressaltou ainda que continuará as negociações com trabalhadores “na esperança de que ambos os lados possam encontrar um caminho para a ratificação do acordo em curto prazo”.

No entanto, não apresentou detalhes sobre os motivos apresentados pelos trabalhadores para a ausência de um acordo. Disse apenas que o USW Local 6200, representante dos empregados da produção e manutenção de PortColborne, havia votado pela ratificação do acordo.

A operação de Sudbury é responsável por cerca de 22% da produção total de níquel da mineradora e metade do níquel produzido pela Vale no Canadá. Atualmente, a unidade conta com uma capacidade nominal de 66 mil toneladas de níquel refinado por ano.

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Yuri Pereira e Thales Carmo, analistas da XP, veem um impacto limitado para as ações, uma vez que o referido acordo foi anteriormente aprovado pelo comitê de negociação sindical, de acordo com a Vale. Com isso, acreditam que os problemas sejam resolvidos no curto prazo.

A XP mantém recomendação compra para a mineradora, com preço-alvo para os ADRs (recibo de ações negociado na Bolsa americana) de US$ 25, o que corresponde a uma alta de 12% em relação ao fechamento de terça-feira (1). Os analistas apontam que o papel da companhia está negociando com desconto em relação a seus pares e aponta que a forte geração de caixa pode resultar em maiores dividendos.

O Bradesco BBI também aponta que a paralisação é um desenvolvimento negativo para as operações de metais básicos da empresa e deve ofuscar em parte os preços mais altos de cobre e níquel. “Esperamos que a Vale chegue a um acordo em breve, mas observamos que a paralisação não impacta nossa visão positiva da empresa”, apontam os analistas do banco, que mantêm recomendação outperform (exposição acima da média do mercado), também com preço-alvo de US$ 25 para os ativos negociados na Bolsa de Nova York. Veja mais sobre o cenário para a Vale clicando aqui. 

De acordo com compilação da Bloomberg, de 22 casas de análise que cobrem o ADR da companhia, dezenove possuem recomendação equivalente à compra, dois possuem recomendação equivalente à manutenção e com uma recomendação de venda. O preço-alvo médio é de US$ 23,55, o que corresponde a um potencial de valorização de 5,42% em relação ao fechamento de terça.

(com Reuters)

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Metais batem cotações recordes com cenário de recuperação global e onda verde

(Bloomberg) — Metais industriais são negociados nos maiores níveis dos últimos anos com apostas de que a recuperação econômica após a pandemia e pressão mundial por fontes de energia mais limpas e mais verdes liberem uma forte demanda reprimida.

Em segmentos como metais básicos, insumos essenciais, baterias e eletrodomésticos, o consumo pós-crise ameaça superar a oferta de curto prazo. Governos e empresas no mundo todo anunciam metas de zerar as emissões líquidas, a Europa lançou um pacote de iniciativas ambientais como parte do plano de crescimento, e o presidente dos EUA, Joe Biden, prometeu US$ 400 bilhões em pesquisa e desenvolvimento de energia limpa em 10 anos.

Isso deve expandir a demanda por metais e impulsionar empresas em toda a cadeia de suprimentos. As ações da Tesla subiram mais de 300% nos últimos 12 meses com a sólida perspectiva para veículos elétricos, enquanto mineradoras como Glencore e BHP se mostram cada vez mais otimistas com o cenário para as matérias-primas. O crescente otimismo até gerou previsões sobre um possível novo superciclo das commodities.

Níquel e cobre

Metais básicos se beneficiam de um período de ganhos: o níquel está no nível mais alto desde 2014, enquanto o cobre mira um período recorde de altas mensais à medida que se aproxima de US$ 10.000 a tonelada. A lógica é simples: a produção não será compatível com o crescimento acelerado da demanda com a recuperação após a pandemia, e os países investem pesado em infraestrutura elétrica que não pode ser construída sem fios de cobre e cabeamento. Esses cenários podem trazer períodos de escassez, começando com um déficit de cobre neste ano, que o Citigroup projeta em cerca de 500 mil toneladas.

Lítio

O lítio, essencial em carros elétricos e energia renovável, se recupera com o aumento da demanda por baterias recarregáveis. O metal mostra sinais incipientes de recuperação após um longo período de queda devido ao excesso de oferta.

Observadores do mercado projetam ganhos neste ano à medida que governos se comprometem a acelerar o uso de veículos elétricos. A oferta pode ficar mais apertada neste ano, de acordo com Xiaoyi Liu, analista do Shanghai Metals Market, acrescentando que “o lítio deve permanecer em ciclo de alta”.

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Vale negocia com Tesla e setor de carros elétricos fornecimento de níquel do Canadá

(Divulgação)

TORONTO (Reuters) – A mineradora Vale está negociado com a Tesla e outros membros da cadeia de suprimento do setor de veículos elétricos o fornecimento de níquel proveniente de suas operações no Canadá, disse nesta sexta-feira o diretor de Metais Básicos da empresa.

A Tesla não respondeu de imediato a pedido de comentários.

O presidente-executivo da Tesla, Elon Musk, pediu em julho para que as mineradoras produzissem mais níquel, ingrediente fundamental das baterias que abastecem os carros elétricos da companhia. Musk ofereceu um “contrato gigante” caso o mineral possa ser produzido de maneira ambientalmente sustentável.

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Embora os veículos elétricos tendam a ajudar a reduzir as emissões globais de carbono, ambientalistas temem que a produção de peças para os carros e o crescente nível de mineração possam afetar o meio ambiente.

Analistas também alertaram para um déficit de oferta de níquel, que torna a energia das baterias mais densa e permite que os carros circulem por mais tempo com apenas uma recarga.

A Tesla e outras montadoras precisam garantir que haja disponibilidade suficiente de níquel para a produção das baterias fundamentais aos veículos pelos próximos cinco a oito anos, disse Mark Travers, diretor-executivo de Metais Básicos da Vale, à Reuters.

“Então essa é a natureza da discussão que eu tenho certeza que está ocorrendo em toda a indústria neste momento. E, sem comentar especificamente sobre a Tesla, essas são as conversas que nós estamos tendo neste momento”, afirmou.

Questionado sobre se Vale e Tesla já tiveram conversas, Travers respondeu que “sim, com certeza”.

A Vale, cujas operações canadenses abrangem três províncias, está em vias de expandir sua unidade de Voisey’s Bay para operações subterrâneas, que produzirão cerca de 40 mil toneladas de concentrado de níquel por ano.

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Travers destacou que a mineradora destinou 2 bilhões de dólares para projetos de baixo carbono em sua unidade de metais básicos, incluindo de eletrificação de veículos subterrâneos, substituição de combustíveis e recuperação de calor.

No Canadá, a empresa também estuda a possibilidade de armazenar carbono em rejeitos em suas operações em Thompson, Manitoba, disse o executivo.

Essas considerações são “um ponto-chave” nas discussões com montadoras e outros membros do setor de veículos elétricos, segundo ele.

“O níquel ambientalmente correto está no centro das discussões”, acrescentou.

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