Analistas veem “movimento ousado” da Rede D’Or ao propor compra da Alliar e destacam potenciais sinergias

SÃO PAULO – A Rede D’Or São Luiz (RDOR3) informou nesta segunda-feira (16) uma oferta pública voluntária (OPA) para a aquisição da Alliar (AALR3) por R$ 11,5 por ação, totalizando a operação em cerca de R$ 1,36 bilhão.

O valor representa um prêmio de 21,8% em relação à cotação de fechamento das ações da Alliar no pregão de sexta-feira (13) e de 12,6% em relação ao preço médio de fechamento ponderado por volume dos últimos 30 dias.

O movimento foi interpretado como positivo pelos investidores, com alta de até 1,3% das ações RDOR3 (que por volta das 11h40 tinham leve queda na Bolsa) e disparada, para mais de 19%, das ações AALR3.

Na avaliação da XP Investimentos, o movimento é ousado e atrativo para os acionistas de RDOR3, uma vez que a avalição implícita da transação é de um preço sobre lucro para 2021 de 21,6 vezes e um múltiplo preço sobre lucro de 19,8 vezes para 2022, que se compara aos 52,8 vezes e 37,3 vezes da Rede D’Or, respectivamente.

“Vemos esta transação como um movimento muito interessante para a Rede D’Or, pois amplia seu portfólio de serviços oferecidos com uma sobreposição de operações entre as empresas em sete dos 12 estados que a Rede D’Or opera atualmente. Além disso, aumenta sua exposição a diagnósticos e ajuda a Rede D’Or a criar um ecossistema de saúde mais forte”, escrevem os analistas, em relatório.

Com relação à Alliar, o time de análise também vê a operação como interessante, dado que representa um prêmio em relação ao preço-alvo da casa, de R$ 10, e é semelhante à avaliação do Fleury, que é referência em termos de valuation para os laboratórios no Brasil.

A XP reiterou sua recomendação de compra para RDOR3, com preço-alvo de R$ 88 por ação, e posição neutra em AALR3.

O time de análise da Guide Investimentos também vê o anúncio como positivo para Rede D’Or, uma vez que aumenta a presença do grupo em outros segmentos do setor de saúde além do hospitalar.

Segundo os analistas, a operação tem grande sinergia com as operações hospitalares atuais e é feita a um múltiplo atrativo, de 7,5 vezes o valor da empresa sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês), para 2021.

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Para a Alliar, a operação sai abaixo do preço do IPO da companhia, reforçando a dificuldade da empresa em ganhar escala e remunerar os acionistas minoritários, avaliam os analistas.

Segmento de diagnósticos ganha força

Com o segmento de diagnósticos ganhando força no mercado brasileiro, o movimento da Rede D’Or mostra que a rede de hospitais está acelerando sua entrada no setor, apostando seu crescimento nessa estratégia, destaca o Bradesco BBI.

Os analistas avaliam que a empresa deve cada vez mais apresentar o diagnóstico como um importante elo para o desenvolvimento do acompanhamento e monitoramento da saúde do paciente – um importante funil para alavancar outros serviços da Rede D’Or, escrevem, em relatório.

Segundo o Bradesco BBI, embora a Alliar tenha foco em um segmento menos premium do que o da Rede D’Or, este é o primeiro movimento da empresa no segmento, o que deve permitir agregar mais setores premium no futuro.

Além disso, o time avalia que o movimento deve implicar algum risco para os principais parceiros diagnósticos da Rede D’Or, pois, eventualmente, o fluxo de pacientes deve ser redirecionado gradativamente para os próprios laboratórios da Rede D’Or, conforme a rede cresce.

O banco tem recomendação outperform (acima da média do mercado) para os papéis RDOR3 e preço-alvo de R$ 82.

“Acreditamos que as fusões e aquisições no segmento de diagnósticos devem acelerar, com a Rede D’Or se tornando um importante player no segmento no longo prazo”, escreve o Bradesco BBI.

A casa de análise Levante também enxerga uma possível efetivação da OPA como bastante positiva para a RDOR3, que poderá incorporar uma companhia “com excelência na frente de diagnósticos, detentora da marca CDB, além de ser referência em ressonância magnética e operação remota de equipamentos por meio de centros de comando, permitindo escalabilidade”.

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As ações da Alliar (AALR3) também devem ser fortemente impulsionadas com a notícia, destacam os analistas, com o mercado já possivelmente incorporando o prêmio discriminado na proposta, mesmo antes de qualquer aprovação.

Cenário desafiador para Alliar

O Itaú BBA lembra que a Alliar tem enfrentado um cenário desafiador para retomar seu crescimento e repassar o aumentos de custos.

Isso acontece porque os operadores de saúde têm tido dificuldade de manter a alta dos custos sob controle, bem como em meio a operadores de hospitais expandindo seus portfólios de serviços para abraçar toda a jornada do paciente e oferecer melhores produtos aos pagadores.

“Acreditamos que a Alliar provavelmente continuaria a enfrentar tempos difíceis no curto prazo e que um movimento de fusões e aquisições seria necessário em algum momento”, escrevem.

O time lembra que o acordo de acionistas da Alliar, que evitava desinvestimentos por acionistas controladores, foi revogado na última sexta-feira (13), o que explica o movimento da Rede D’Or.

O Itaú BBA vê como resultado das sinergias um cenário de melhores aquisições, estabelecimento de nova relação comercial com pagadores, bem como eventual retorno de inaugurações de unidades orgânicas à medida que a Rede D’Or aumenta sua presença em São Paulo.

O banco tem recomendação outperform para os papéis da Rede D’Or e preço-alvo de R$ 88.

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Rede D’Or faz oferta pública de aquisição pela Alliar e pode pagar até R$ 1,35 bilhão; ações AALR3 sobem quase 20%

SÃO PAULO – O grupo de hospitais Rede D’Or (RDOR3) informou nesta segunda-feira (16) que o seu conselho de administração aprovou a realização de uma oferta pública de aquisição (OPA) das ações do Centro de Imagem Diagnósticos Alliar (AALR3).

Segundo fato relevante, o objetivo da OPA é adquirir a totalidade das 118.292.816 ações ordinárias da Alliar, a um preço equivalente a R$ 11,50 por papel – o que avaliaria o negócio em cerca de R$ 1,35 bilhão.

O preço ofertado representa um prêmio de 21,8% em relação à cotação de fechamento das ações da Alliar no pregão de sexta-feira (13) e de 12,6% em relação ao preço médio de fechamento ponderado por volume dos últimos 30 dias.

O anúncio foi bem recebido pelo mercado financeiro. Por volta das 11h50, os papéis AALR3 apresentavam alta de 19,8%, a R$ 11,30. Já as ações RDOR3, que abriram o pregão em alta, viraram para queda e recuavam cerca de 0,7%, a R$ 72,53.

“A administração da Rede D’Or acredita que a realização da OPA representa uma boa oportunidade de investimento, considerando uma análise fundamentalista da Alliar, e que o preço a ser oferecido, é justo e atrativo para os atuais acionistas da Alliar”, escreve a companhia.

Ainda de acordo com o comunicado, a efetivação da OPA estará condicionada à aquisição de, no mínimo, 17.743.923 ações da Alliar, correspondentes a 15% do seu capital social.

O lançamento da OPA está sujeito ainda à aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), bem como da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Desde que abriu seu capital na Bolsa brasileira, em dezembro de 2020, consolidando o maior IPO do ano na B3, a Rede D’Or já realizou 12 aquisições no mercado.

Na sexta-feira (13), os papéis RDOR3 encerraram o pregão com queda de 0,7%, a R$ 73. Já as ações AALR3 tiveram baixa de 7,6%, a R$ 9,44.

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Após rumores, Minerva (BEEF3) afirma que não pretende fechar capital

webstories minerva_capa (Arte: Leonardo Albertino)

A Minerva (BEEF3) foi questionada pela B3 e CVM sobre a forte oscilação de suas ações. Na reta final da sessão da Bolsa na véspera, as ações BEEF3 saltaram e fecharam com ganhos de quase 14,65%, após o Valor noticiar que os controladores da empresa começaram a discutir a possibilidade de fechar o capital da companhia. 

A companhia esclareceu em comunicado que não há nenhum ato ou fato relevante passível de divulgação e que poderia justificar as oscilações na cotação e no volume de negociação das ações de sua emissão.

“A companhia ressalta, contudo, ter tomado conhecimento de notícia veiculada na mídia nesta data sobre supostas discussões envolvendo seu possível fechamento de capital, podendo esses rumores ter contribuído para afetar as negociações e dado ensejo às oscilações verificadas. Nesse contexto, a companhia reforça que não há qualquer informação passível de divulgação sobre o assunto objeto dos rumores e que não pretende fechar o seu capital”, afirmou.

Leia mais: Ações da Minerva saltam na reta final do pregão e fecham em alta de 14,65% com notícia sobre possível fechamento de capital

A Minerva destacou que manterá os seus acionistas e o mercado em geral informados a respeito deste e de qualquer outro assunto relevante.

Quer fazer perguntas aos CEOs das empresas que se destacam na Bolsa? Acompanhe a série Por Dentro dos Resultados no YouTube do InfoMoney

SoftBank estuda recompra de ações para fechar capital, dizem fontes à Bloomberg

Faixada do Softbank

(Bloomberg) — O SoftBank Group estuda uma nova estratégia para fechar capital, com a recompra gradual das ações em circulação até que o fundador Masayoshi Son tenha participação grande o suficiente para pressionar os investidores restantes, segundo pessoas a par do assunto.

A abordagem provavelmente levaria mais de um ano e significaria que a empresa japonesa continuaria a vender ativos para financiar as recompras sucessivas, disseram as pessoas, que não quiseram ser identificadas. Son não compraria mais ações, mas sua participação acionária, agora em cerca de 27%, aumentaria à medida que outros investidores vendessem papéis. Segundo as regras do Japão, Son poderia obrigar outros acionistas a venderem ações quando conseguir uma participação de 66%, talvez sem pagar um prêmio, disseram as pessoas.

Uma vantagem do programa, que insiders chamam de aquisição “slow-motion”, é que o plano dá ao SoftBank flexibilidade para comprar suas próprias ações quando caírem, de acordo com as pessoas. No caso de uma compra formal, a empresa teria que pagar um prêmio, provavelmente em torno de 25%. Os acionistas também devem apoiar as recompras, especialmente porque o conglomerado continua a negociar com desconto em relação ao valor total de suas participações em empresas como Alibaba, Uber Technologies e DoorDash.

O bilionário disse em fevereiro que, em sua opinião, o SoftBank está em melhor posição como uma empresa de capital aberto. Mais recentemente, ele não quis comentar sobre os planos após informações sobre o possível fechamento de capital veiculadas na imprensa, incluindo na Bloomberg News.

“Se nossas ações caírem, vou recomprar mais ações de forma mais agressiva”, disse Son em conferência em novembro. O SoftBank não quis comentar.

As ações da empresa subiram 5,6% na quarta-feira em Tóquio após a reportagem da Bloomberg, atingindo o maior nível em 20 anos, a 7.489 ienes.

Son estuda a ideia fechar capital há pelo menos cinco anos. Quando as ações do SoftBank despencaram em março devido à pandemia de coronavírus, Son começou a conversar com consultores e bancos, como a Elliott Management e o fundo soberano de Abu Dhabi Mubadala Investment. Mesmo com o valor de mercado do SoftBank em cerca de US$ 50 bilhões e seus ativos valendo o triplo, não foi fácil convencer os bancos, que ofereceram termos desfavoráveis e emperraram as negociações, disse uma pessoa envolvida nas conversas.

Son então revelou planos de vender cerca de US$ 43 bilhões em ativos para pagar dívidas e recomprar ações. Até junho, o bilionário havia vendido US$ 13,7 bilhões em ações do Alibaba, uma fatia ainda maior de sua participação na T-Mobile US e algumas ações do SoftBank Corp., sua unidade de telecomunicações japonesa.

Son também anunciou a venda da Arm para a Nvidia por cerca de US$ 40 bilhões, com a redução da fatia no SoftBank Corp. em cerca de 30% e a venda do controle acionário da empresa de distribuição de telefones Brightstar Corp.

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Son diz que agora tem US$ 80 bilhões de caixa. O forte mercado de ofertas públicas iniciais também trouxe ao SoftBank grandes ganhos em investimentos, como na chinesa KE Holdings e DoorDash.

No entanto, o valor de mercado do SoftBank subiu com a alta de mais de 160% em relação à mínima em março. O valor das ações que não estão nas mãos de Son é de cerca de US$ 87 bilhões.

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