Democratas trazem proposta de Orçamento de 2022 nos EUA com pacote de US$ 3,5 trilhões

(Getty Images)

Os senadores do Partido Democrata divulgaram nesta segunda-feira uma proposta de orçamento para o ano fiscal de 2022 nos Estados Unidos. O texto prevê um pacote de investimentos sociais de US$ 3,5 trilhões, com foco em educação e saúde. Também voltado para o combate à mudança climática, o documento menciona uma série de incentivos fiscais para a geração de energia limpa.

Esse novo pacote de gastos não tem apoio do Partido Republicano. Por isso, os democratas pretendem usar o dispositivo orçamentário chamado de “reconciliação” para aprovar o texto.

Dessa forma, o partido do presidente norte-americano, Joe Biden, conseguiria passar a legislação no Senado por maioria simples.

Normalmente, seriam necessários pelo menos 60 votos no Senado, mais da metade dos 100 assentos na Casa, para aprovar o projeto. Como não há apoio de parlamentares republicanos, portanto, não seria possível passar a medida sem a “reconciliação”. Isso porque os democratas têm 50 votos na Casa mais o voto de desempate da vice-presidente Kamala Harris.

Desde a semana passada, o Senado analisa um pacote de infraestrutura de US$ 1 trilhão apresentado por Biden. Essa proposta, contudo, tem apoio bipartidário e a oposição participou, inclusive, da elaboração do texto.

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Próximo do fim, supercomputador Tupã vem operando na “gambiarra”

Supercomputador Tupã (Foto: Divulgação)

Comprado por US$ 23 milhões em 2010, o Tupã já foi o principal supercomputador do Brasil. Durante oito anos, ele foi uma ferramenta fundamental no processamento e na análise de dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Sem recursos para ser atualizado, porém, o equipamento chega a 2021 operando por meio de “gambiarras” – e o seu desligamento iminente, anunciado no começo de junho, deve causar um apagão de informações meteorológicas no País.

Com gasto anual de R$ 5 milhões de energia elétrica e de R$ 1 milhão em manutenção, o Tupã teve seu desligamento antecipado para agosto de 2021 (o plano inicial era dezembro), como anunciado pela diretoria do Inpe no começo de junho.

Dos R$ 76 milhões previstos no orçamento do órgão, só R$ 44,7 milhões foram liberados – a verba de cerca de R$ 31,3 milhões destinada pela Agência Espacial Brasileira (AEB) não chegou, segundo o Inpe. A AEB contesta, e diz que repassou R$ 26 milhões em junho. Diz também que essas verbas não são destinadas ao custeio do Inpe.

Mesmo que os recursos chegassem na totalidade, o orçamento é menor do que os R$ 118,2 milhões destinados em 2020. O desligamento por falta de verba é só o capítulo final do percurso de dificuldades do supercomputador – desde o fim de 2014, a sua operação vem encontrando obstáculos.

Jeitinho. Tupã, claro, é só um apelido carinhoso: o equipamento é o modelo XE-6 da Cray, empresa americana especializada em supercomputadores. Em 2015, a Cray deixou de vender o modelo XE-6. A partir de dezembro de 2014, o Inpe começou a negociar com a empresa processos de manutenção para a extensão da vida útil da máquina. O último desses acordos tinha validade até 24 de outubro de 2017, ano final em que a Cray garantia peças de reposição para o modelo XE-6.

Foi em 2017 que o Inpe comunicou ao MCTIC sobre a necessidade da compra de uma nova máquina. Como conta ao Estadão Ricardo Galvão, diretor do Inpe na época, pleiteava-se uma máquina 30 vezes mais veloz. O custo estimado era de R$ 150 milhões, o que fez com que o projeto não fosse aprovado.

A solução encontrada para manter a capacidade de processamento foi mais simples. Por R$ 9,6 milhões, o Inpe recebeu o modelo CX-50, também da Cray, que tinha velocidade um pouco maior do que alcançava o Tupã original.

Em 2018, o CX-50 foi anexado ao Tupã. Porém, a operação precisou passar por adaptações importantes. Dos 14 gabinetes que compõem o equipamento original, seis precisaram ser desligados. Além da economia de energia, a medida visava preservar seus componentes, que ganharam status de peças de reposição para os oito gabinetes que permaneceram ligados.

Com a capacidade do XE-6 reduzida, as atividades foram separadas. O equipamento mais novo ficou com aquilo que o Inpe chama de processos operacionais: a previsão do tempo, que ocorre ao menos duas vezes por dia, e a previsão sazonal, que mira mudanças climáticas para os três meses seguintes.

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Sem tempo. O Tupã ficou com a geração de cenários futuros de longo prazo. Ele manteve também o processamento de outras pesquisas climáticas e o backup da operação diária.

Com o CX-50, o Inpe planejou estender até 2020 a vida útil do Tupã. Uma das formas para tentar ganhar tempo até a compra de um novo computador foi pleitear junto ao MCTIC a compra de mais dois equipamentos com especificações similares às do CX-50.

Além disso, o Inpe e o MCTIC iniciaram em 2019 conversas com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e acertaram a compra de um equipamento auxiliar.

O processo para a chegada da máquina foi conduzido ao longo de 2020. Esse é o mesmo equipamento que, no último dia 15 de junho, foi anunciado pelo ministro Marcos Pontes como uma espécie de substituto, após a repercussão negativa sobre o desligamento do Tupã. A máquina, porém, chegaria de qualquer maneira ao Inpe. Pior: o novo equipamento não resolve as demandas do órgão. “É só um paliativo, pois ele é um computador de menor porte”, explica ao Estadão Gilvan Sampaio, coordenador-geral de ciências da Terra no Inpe.

O preço indica que se trata de um equipamento auxiliar: US$ 729 mil. Sampaio estima que o custo de um novo Tupã gire em torno de US$ 40 milhões. O valor incluiria também a reforma da infraestrutura do Inpe – a mesma desde 1994 – para receber a nova máquina. “Precisamos modernizar o sistema de refrigeração”, diz.

Em outras palavras, em mais de uma década, o Inpe retrocedeu em capacidade computacional, movimento contrário ao que demanda o processamento de modelos climáticos atuais.

Procurado, o MCTIC não respondeu. Em visita a São José dos Campos na quarta-feira passada, o ministro Marcos Pontes afirmou à TV Globo que o orçamento do Inpe está “normalizado”. Ele disse também que planeja a compra de um novo supercomputador, mas não deu prazo.

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Casa Branca divulga orçamento de US$ 6 trilhões para o ano fiscal de 2022 dos EUA

O governo dos Estados Unidos divulgou, nesta sexta-feira, 28, a proposta de orçamento para o ano fiscal de 2022, que começa em outubro. O plano, que requer aval do Congresso, mobiliza US$ 6 trilhões e prevê déficit fiscal de US$ 1,84 trilhão, uma queda em relação a US$ 3,67 trilhões em 2021. A estimativa é de que a dívida pública alcance 111,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano fiscal.

O projeto apresenta ênfase nos pontos caros à agenda econômica do presidente norte-americano, Joe Biden, o que inclui investimentos públicos em educação e saúde, além do combate às desigualdades econômicas e às mudanças climáticas.

O texto prevê ainda aumento da carga tributária para os mais ricos, com alta do imposto corporativo de 21% para 28% e de ganhos de capitais de 23,8% para 43,4%.

A Casa Branca propõe elevar o orçamento do Serviço de Receita Interna.

O documento projeta que o PIB dos EUA crescerá 5,2% em 2021 e 3,2% em 2022.

Para inflação, a previsão é de que o índice de preços ao consumidor fique em 2,1% no ano fiscal.

Já a taxa de desemprego cairá a 5,5% em 2021 e 4,1% em 2022.

*Com informações da Dow Jones Newswires

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Ibovespa fecha em queda nesta sexta, mas tem ganhos de 1,8% em abril; dólar cai 3,5% no mês

(Austin Distel/Unsplash)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (30) e encerrou a semana com perdas de 1,36%, mas não apagou a alta de 1,75% no mês. Foi a segunda alta mensal consecutiva do índice, que já havia registrado valorização de 6% em março.

Abril foi marcado pela recuperação econômica dos Estados Unidos em meio à vacinação em massa da população e estímulos governamentais. Aqui, a pauta dominante foi a sanção do Orçamento de 2021, com o veto do governo a R$ 19,8 bilhões em emendas e despesas discricionárias, além de um bloqueio de mais R$ 9 bilhões que podem ser desbloqueados até o fim do ano.

Hoje, o que impactou a Bolsa no Brasil foi a realização de ganhos nas bolsas internacionais, que se afastaram dos recordes registrados ontem. As preocupações com o avanço do coronavírus em países como a Índia pressionam as cotações de commodities tais quais o petróleo, que caiu mais de 2%.

A fraqueza no exterior também ocorreu em meio a dados decepcionantes da atividade econômica na China e com uma correção em Wall Street depois da alta da véspera, impulsionada pelos números fortes de Apple e Facebook. Ontem depois do fechamento foi a vez da Amazon surpreender positivamente com seu resultado do primeiro trimestre.

Sobre a China, dados oficiais mostraram que o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria chinesa foi de 51,9 em março para 51,1 em abril. Ainda que o resultado acima de 50 mostre expansão da manufatura, analistas previam um recuo menor, para 51,6.

Por aqui, os investidores repercutiram os resultados de empresas como Fleury (FLRY3) e Unidas (LCAM3) ao mesmo tempo em que a Petrobras (PETR3; PETR4) divulgou redução de aproximadamente cinco centavos nos preços da gasolina e do diesel. Essa foi a primeira revisão nos valores dos combustíveis da gestão Silva e Luna. Para mais destaques de ações clique aqui.

Na parte política, os investidores acompanharam o leilão de concessão da Companhia Estadual de Água e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), que contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro. O certame superou as expectativas do governo fluminense, arrecadando cerca de R$ 22,7 bilhões com três blocos. A expectativa inicial era de uma arrecadação de R$ 10,6 bilhões.

O bloco 3, contudo, foi declarado sem vencedor, algo que não era previsto pelo governo do estado do Rio de Janeiro.

Entre os indicadores, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, revelou que a taxa de desemprego ficou em 14,4% no trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2021. A média das projeções dos economistas apontava para um desemprego em 14,5% de acordo com dados compilados pela Refinitiv.

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O Ibovespa recuou 0,98%, a 118.893 pontos com volume financeiro negociado de R$ 41,48 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial teve forte alta de 1,79% a R$ 5,431 na compra e a R$ 5,432 na venda em dia de formação da Ptax. A moeda dos EUA se desvalorizou em 1,18% ante o real na semana e em 3,5% no mês.

Já o dólar futuro com vencimento em maio registrou valorização de 1,21% a R$ 5,403. A partir de segunda-feira o novo contrato futuro de dólar de referência será o com vencimento em junho, que sobe 1,9% a R$ 5,449 no after-market.

O índice do dólar contra diversas moedas globais avançou nesta sexta, mostrando que o movimento de correção da moeda dos EUA após forte queda no mês é internacional.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu cinco pontos-base a 4,66%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de 11 pontos-base a 6,29%, o DI para janeiro de 2025 avançou 10 pontos-base a 7,78% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação positiva de 10 pontos-base a 8,43%.

Voltando ao exterior, novos surtos de Covid-19 na região asiática também inspiram cautela. Nas últimas semanas, a Índia vem registrando sucessivos recordes globais de novos casos diários. No Japão, as mortes pela doença ultrapassam 10 mil, em meio ao que especialistas estão descrevendo como quarta onda de infecções no país. A Bolsa de Tóquio ficará sem operar até quarta-feira (5 de maio), devido a feriados da chamada Semana Dourada.

Na Europa, o banco Barclays reportou lucro líquido de 1,7 bilhão de libras pela primeira vez para um primeiro trimestre, acima da estimativa de 1,3 bilhão de libras. Mesmo assim, a sessão foi de queda para os ativos.

A farmacêutica britânica AstraZeneca teve alta de 4% após anunciar que sua vacina contra a Covid, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, adicionou o equivalente a US$ 275 milhões em vendas no primeiro trimestre.

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Na agenda econômica, destaque para o Produto Interno Bruto (PIB) da Zona do Euro, que superou as expectativas dos economistas positivamente, em queda de 0,6% no primeiro trimestre na comparação sequencial, sendo que a expectativa era de contração de 0,8%. Na comparação anual, a queda foi de 1,8%.

Mais de 400 mil mortes por Covid

Na quinta (29), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 2.523, queda de 12% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registradas 3.074 mortes.

Assim, o país bateu a marca de 400 mil mortes por Covid na quinta. No sábado, abril já tinha se tornado o mês mais mortífero da doença no Brasil, de forma que os quatro primeiros meses do ano tiveram mais mortes do que todo o ano de 2020.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.
A média móvel de novos casos em sete dias foi de 60.170, queda de 8% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 69.079 casos.

31.208.111 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 14,74% da população. A segunda dose foi aplicada em 15.132.178 pessoas, ou 7,15% da população.

Na quinta, a CPI da Covid instalada no Senado aprovou a convocação para depor do atual ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga, e dos ex-ministros da pasta durante o governo Jair Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello. O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, também foi convocado.

Também na quinta, chegou ao Brasil o primeiro lote de vacinas da Pfizer, com 1 milhão no total.
Na quinta, o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, realizou um pronunciamento em que rebateu as alegações do Fundo Russo de Investimento Direto, responsável pela comercialização da vacina, de que a decisão da Anvisa de barrar a importação de doses da Sputnik V teve motivação política.

“Queremos refutar a grave acusação que impacta na confiança e na credibilidade da agência sanitária brasileira”, disse Torres.

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Governadores apresentaram na quinta-feira à Anvisa um novo pedido de análise para liberar a importação da vacina russa contra Covid-19 Sputnik V, no qual contestam a informação divulgada pelo órgão regulador brasileiro sobre a suposta presença de adenovírus replicante no imunizante.

A questão do adenovírus replicante foi um dos pontos mais importantes para a decisão da diretoria colegiada da Anvisa de rejeitar por unanimidade, na segunda-feira, a importação da vacina russa.
Mais cedo na quinta, a cúpula da agência fez um pronunciamento e deu entrevista coletiva para reafirmar as informações que embasaram a decisão de recusar a importação, com a divulgação de informações sobre a presença do adenovírus replicante prestadas pelo próprio desenvolvedor da vacina, segundo a Anvisa.

Contudo, logo em seguida e numa espécie de contra-ataque, governadores e o fundo russo responsável pela comercialização do imunizante divulgaram novos documentos para atestar que não haveria adenovírus replicante e pedir uma reanálise.

A documentação foi divulgada pela assessoria do governador do Piauí, Wellington Dias (PT), que tem liderado os esforços entre os chefes de Executivos estaduais sobre o assunto.

Quebra de patentes

O plenário do Senado aprovou na noite desta quinta-feira um projeto de lei que prevê quebra temporária de patentes de vacinas, testes e medicamentos contra a Covid-19 no período que durar a pandemia de coronavírus.

O texto foi aprovado por 55 votos a favor e 19 contra, e agora segue para a Câmara dos Deputados.

Ainda no radar, o governo central, composto por Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, registrou um superávit primário de R$ 2,101 bilhões em março, divulgou o Tesouro na quinta-feira.

O dado veio melhor que a projeção de analistas de um déficit de R$ 3,1 bilhões, segundo pesquisa da agência internacional de notícias Reuters. No acumulado do ano, o governo central acumula superávit de R$ 24,443 bilhões. No acumulado em 12 meses, o rombo até março foi de déficit de R$ 759,5 bilhões, equivalente a 9,5% do PIB.

Em março de 2020, quando a economia do país começava a ser impactada pelo coronavírus e medidas de fechamento, o governo central registrou déficit primário de R$ 21,131 bilhões.

Segundo reportagem do jornal Valor, o cenário externo está mais favorável para as fabricantes de bens de consumo, como calçados, vestuário, artigos de higiene e beleza e alimentos industrializados. Isso se deve ao avanço da vacinação e consequente retomada da economia em países como Estados Unidos e China, que são os maiores importadores de produtos do Brasil. As exportações também são favorecidas pelo real desvalorizado.

Radar corporativo

Em destaque no noticiário corporativo, as ações vendidas em follow-on pela Lojas Renner (LREN3) foram precificadas a R$ 39, levando a uma captação pela varejista de  R$ 3,978 bilhões. Foram vendidos 102 milhões de papéis.

Atenção ainda para a temporada de resultados: a Duratex (DTEX3) teve lucro líquido de R$ 172,699 milhões no período, alta de 232,2% em comparação com os três primeiros meses do ano passado.

A rede de laboratórios Fleury  lucrou R$ 118,6 milhões no primeiro trimestre de 2021, valor 102% superior ao do mesmo período do ano passado. O número também bateu a média das expectativas dos analistas segundo a Refinitiv, que apontava para um lucro de R$ 97,31 milhões no período.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
PCAR3 4.30218 40.73
RADL3 3.99367 26.3
NTCO3 2.38548 48.5
LCAM3 2.35249 26.54
TAEE11 2.0757 41.8

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
BRKM5 -7.34173 52.25
AZUL4 -4.20503 38.5
CVCB3 -4.12 23.97
CPFE3 -3.83355 29.35
GGBR4 -3.43123 33.21

O grupo de aluguel de veículos e gestão de frotas Unidas teve lucro líquido recorde de 231,4 milhões de reais no primeiro trimestre, quase três vezes acima do resultado obtido no mesmo período de 2020, apesar da incidência de novas medidas de isolamento social no trimestre.

A sessão desta sexta marca a estreia do banco digital Modalmais na B3. As units da companhia foram precificadas a R$ 20,01, em oferta que movimentou cerca de R$ 1 bilhão.

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Antecipação de 13º de aposentados sai em breve e injetará R$ 56 bi, diz Guedes

Paulo Guedes (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quarta-feira, 28, que a aprovação do Orçamento de 2021 torna possível a antecipação do pagamento do 13º para aposentados e pensionistas, com a injeção e R$ 56 bilhões na economia.

Em relação à antecipação do 13º, o impasse se deu porque a medida não podia ser adotada antes da aprovação do Orçamento de 2021. Os gastos obrigatórios estavam sendo feitos de forma provisória na proporção de 1/12 ao mês em relação ao estimado na proposta, como autoriza a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Pagar o 13º mais cedo que o habitual elevaria essa proporção. Com a sanção do Orçamento, porém, essa trava cai.

O secretário Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, disse que a antecipação do 13º para aposentados e pensionistas sairá “nos próximos dias”. Como uma das medidas para fazer frente à pandemia, o benefício será pago para 31 milhões de pessoas.

Guedes lembrou ainda os quase R$ 10 bilhões liberados para a renovação do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm). “Estamos renovando agora antes que a economia comece a perder empregos. Muita gente disse que o programa demorou um pouco, mas precisávamos das aprovações necessárias para a liberação”, completou.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, assinou na terça-feira, 27, duas Medidas Provisórias que reúnem o conjunto de medidas trabalhistas para o enfrentamento da crise provocada pela pandemia de covid-19, incluindo a nova rodada do programa que permite redução de jornada e salários ou suspensão de contratos por mais quatro meses.

O programa terá os mesmos moldes de 2020, com acordos para redução proporcional de jornada e salário em 25%, 50% ou 70%, ou suspensão total do contrato. Projeções recentes apontam potencial de 4,798 milhões de acordos. O crédito extraordinário para bancar a medida é de R$ 9,98 bilhões.

De acordo com o ministério, 3,152 milhões de trabalhadores seguiam com garantia do emprego em março graças às adesões ao BEm em 2020. Para cada mês de suspensão ou redução de jornada, o trabalhador tem o mesmo período de proteção à sua vaga.

O mercado de trabalho formal brasileiro registrou um saldo positivo 184.140 carteiras assinadas em março, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No acumulado dos três primeiros meses de 2021, o saldo é positivo em 837.074 vagas.

“Podemos ter perda de empregos no próximo mês, mas já estaremos com BEm a pleno vapor” afirmou Bianco. “O novo BEm tem exatamente o mesmo formato do anterior, mesmas regras. Com BEm, economizamos com pagamento de seguro-desemprego”, disse.

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A expectativa do secretário é chegar a 5 milhões de novos acordos no programa, com o pagamento de 8 milhões de novas parcelas. Segundo Bianco, a medida com a desburocratização trabalhista permitirá ainda uma injeção de R$ 40 bilhões na economia.

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Orçamento evitou o pior cenário, mas o país segue no labirinto fiscal e corre risco de shutdown

Diante do dilema entre aumentar gastos públicos para estimular a economia e cumprir as regras fiscais vigentes, a solução politicamente construída para o impasse sobre a Lei Orçamentária de 2021 foi retirar os gastos da União com o combate à Covid-19 das despesas sujeitas ao teto de gastos, sendo algumas delas também retiradas do cálculo para a meta primária.

Essas ações afastaram o fantasma do decreto de calamidade pública, que poderia escancarar os gastos neste ano, como aconteceu em 2020. Contudo, evitar o pior cenário pode não ser suficiente para tirar o país do labirinto fiscal em que se meteu nos últimos anos. Nem sempre as soluções políticas resolvem as questões econômicas. Duas questões econômicas a considerar aqui: viabilidade da execução orçamentária e credibilidade fiscal.

Com relação à execução orçamentária: os cortes não são suficientes e ainda podem levar ao shutdown da máquina administrativa – a suspensão de serviços públicos por falta de recursos para pagar despesas tão necessárias como a conta de luz de órgãos públicos e a emissão de passaportes, por exemplo.

Segundo a consultoria da Câmara dos Deputados, as despesas primárias orçadas já excedem o teto em R$ 31,2 bilhões, sendo que o valor pode ser maior que isso, a depender do impacto do ajuste do salário mínimo nas despesas previdenciárias. Contudo, o governo sancionou o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2021 com vetos de R$ 28,8 bilhões. Ou seja, somando os vetos de R$ 19,8 bilhões e o bloqueio de recursos de R$ 9 bilhões, o governo ainda teria que cortar mais R$ 2,4 bilhões para compensar os R$ 31,2 bilhões que ultrapassam o teto.

Além disso, cerca de R$ 16,9 bilhões dos R$ 28,8 bilhões são cortes ou bloqueios de despesas discricionárias (dinheiro que sustenta a máquina administrativa), o que pode reduzir o montante disponível para o custeio da máquina pública para abaixo do mínimo necessário de cerca de R$ 90 bilhões, segundo cálculos do Instituto Fiscal Independente (IFI).

Abstraindo o absurdo de erros e a lentidão do processo de aprovação do Orçamento de 2021, as expectativas fiscais do final de 2020 foram frustradas, o que reduz a credibilidade fiscal. Esperava-se, entre outros pontos, o fim dos gastos extraordinários, a não retirada de despesas do teto de gastos e da meta primária (com o déficit primário encolhendo para 3% do PIB no fim do ano, dos 9,23% de fevereiro passado, de acordo com a mediana das expectativas da pesquisa Focus).

Até agora, com a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) Emergencial – que criou novas regras fiscais que permitiram a retomada do auxílio- e o Projeto de Lei do Congresso Nacional 2 (PLN 2/21) – que traz ajustes à LDO de 2021, flexibilizando regras para despesas com combate à pandemia -, as despesas fora do teto de gastos devem somar no ano R$ 128 bilhões, das quais R$ 84 bilhões também estarão fora da meta primária. Ações que não só ferem a credibilidade fiscal per se, mas aumentam o tamanho do endividamento público e, consequentemente, seu custeio no tempo.

Fato é que a credibilidade fiscal vem sendo reduzida desde a extensão do auxílio emergencial em setembro de 2020. Se adotarmos a abordagem de medir credibilidade pela expectativa dos agentes em relação à sustentabilidade da dívida, temos que observar duas dimensões: a projeção da evolução do resultado primário e a projeção da evolução da dívida bruta. Segundo a pesquisa Focus, o consenso ainda espera aumento do superávit primário ao longo do tempo – acreditando em algum esforço do governo em para controlar a dívida, contudo não tão eficiente porque a trajetória esperada da dívida bruta em relação ao PIB é ascendente por mais sete anos: dos 88,6% projetado para 2021, alcança 97,6% em 2028 e se estabiliza em 95,8% em 2030, 7 pontos percentuais acima do patamar atual.

E pensar que desde o final de julho de 2019, com a expectativa da aprovação da Reforma da Previdência (concluída em outubro e sancionada em novembro do mesmo ano), o consenso de mercado projetava dinâmica cadente para a relação entre a dívida pública bruta e o PIB.

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É curioso que nas negociações em torno do Orçamento o time econômico aparentemente não tenha dado a devida importância à questão da credibilidade fiscal na evolução das expectativas macroeconômicas e nos preços dos ativos financeiros.

Era razoável esperar que o governo conseguisse negociar com o Congresso o adiamento de parte das emendas deste ano para o ano que vem, uma vez que o cenário para o orçamento de 2022 conta com folga de R$ 60 bilhões, conforme estimativa apresentada no projeto da LDO de 2022, enviada ao Congresso na semana passada. O teto de gastos em 2022 deve aumentar em R$ 110 bilhões (ajuste de 7,1%, que se refere à inflação acumulada em 12 meses até junho deste ano), enquanto as despesas indexadas à inflação sujeitas ao teto devem crescer R$ 50 bilhões (caso a inflação de 2021 fique em 4,4%).

À vista do impasse, conclui-se que a boa-fé supostamente construída entre governo e Congresso não foi suficiente para que a negociação alcançasse a cooperação necessária para o governo honrar acordos políticos sem correr o risco de cometer crime fiscal.

Definitivamente, há melhor solução que a atual escapada das regras fiscais estabelecidas. A negociação de menos investimentos em 2021 por mais investimentos em 2022 resolveria o impasse orçamentário deste ano e evitaria maior perda de credibilidade. Era necessário, porém, o diálogo e a negociação baseada em boa-fé e cooperação mútua.

Talvez a não postergação de emendas para 2022 seja explicada pela intenção de realizar gastos maiores ainda no ano que vem, às vésperas das eleições.

Enfim, enquanto a comunicação e confiança entre governo e Congresso não forem reconstruídas, e com elas a credibilidade fiscal, permaneceremos neste labirinto fiscal, escapando (ou não) dos fantasmas da vez.

Ibovespa vira para queda seguindo exterior após Biden propor aumento de impostos para os mais ricos

Painel de cotações (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa vira para queda nesta quinta-feira (22) seguindo o exterior após informações de que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, vai propor um imposto sobre ganho de capital para os mais ricos. A notícia fez todos os índices dos EUA passarem a cair.

Segundo relatos da Bloomberg, o presidente americano vai propor praticamente dobrar a taxação sobre ganhos de capital para os mais ricos para 39,6%. Combinado com uma sobretaxa existente sobre a renda de investimentos, segundo a agência de notícias, os impostos federais para os investidores podem chegar a 43,4%.

Biden deve divulgar a proposta na próxima semana como parte dos aumentos de impostos para financiar os gastos sociais no seu “Plano de Famílias Americanas”, disse a Bloomberg.

Por aqui, os investidores mais cedo repercutiam o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Cúpula do Clima. Investidores já estavam de olho no evento com uma preocupação por parte de executivos nacionais por conta da repercussão estrangeira da política ambiental da atual gestão.

Bolsonaro afirmou que o Brasil “está na vanguarda no combate à mudança do clima” e fez promessas como zerar o desmatamento ilegal até 2030 e antecipar de 2060 para 2050 a neutralidade de carbono.

No discurso, ele também prometeu o “fortalecimento de órgãos ambientais”, a partir da aplicação do dobro de recursos destinados a ações de fiscalização, mas disse que o desafio também passa por melhorar a vida dos mais de 23 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia – “região mais rica do país em recursos naturais, mas que apresenta os piores índices de desenvolvimento humano”.

Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, a questão agora é acompanhar as atitudes do governo além das falas de hoje. “Era esperado um discurso conciliatório, o problema é sabermos os atos concretos para esse objetivo. O que for feito este ano seria essencial, mas quando se mantém a mesma estrutura na cúpula ambiental fica difícil acreditar que haverá alguma mudança”, avalia.

Segundo ele, o que foi dito ficou como já era esperado, mas faltou uma melhor sinalização de ações concretas a serem feitas. Alguns jornais apontaram que assessores do presidente americano Joe Biden viram de forma positiva a fala de Bolsonaro, mas que a Casa Branca esperava mais, como um cronograma mais específico para o combate aos desmates.

Outro destaque da política é que Bolsonaro sancionou na quarta a lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021 e permite a abertura de crédito extraordinário para bancar programas de socorro a empresas privadas, e que retira da meta fiscal gastos emergenciais com saúde.

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Esses gastos ficam de fora do cálculo do teto de gastos, uma mudança contábil que contribui para reduzir as chances de que o governo seja acusado de crime de responsabilidade fiscal. Isso abre espaço para que o Orçamento de 2021 acomode gastos com emendas parlamentares, e para que o presidente o sancione, já que o prazo para isso se encerra hoje.

Às 14h02 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 0,47%, a 119.496 pontos. Na máxima do dia a Bolsa chegou a bater 120.994 pontos.

Vale lembrar que na quarta-feira (21), dia em que a B3 esteve fechada por conta do feriado de Tiradentes, o principal índice de ADRs (na prática, as ações de empresas de fora dos EUA negociadas em Nova York) do Brasil, o Dow Jones Brazil Titans 20 ADR, fechou com ganhos, ainda que modestos, acompanhando o movimento de Wall Street. O índice subiu 0,44%, a 18.649,93 pontos. Enquanto isso, o ETF EWZ iShares MSCI Brazil Capped, que replica o Ibovespa em dólar, fechou com alta de 0,23%, a 35,10 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em queda de 1,11% a R$ 5,488 na compra e a R$ 5,489 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em maio registra baixa de 1,27% a R$ 5,499.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai cinco pontos-base a 4,64%, o DI para janeiro de 2023 tem queda de 13 pontos-base a 6,25%, o DI para janeiro de 2025 recua 17 pontos-base a 7,83% e o DI para janeiro de 2027 registra variação negativa de 17 pontos-base a 8,48%.

Voltando ao exterior, as bolsas sobem nos EUA. O país tem um forte ritmo de vacinação, e a gestão do presidente democrata Joe Biden vem promovendo um ambicioso plano de gastos, com a aprovação de um pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão e o plano de implementar um pacote de investimentos em infraestrutura de US$ 2,25 trilhões.

Entre os indicadores, o número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA caiu para sua mínima desde 14 de março de 2020, antes do início da crise da pandemia, ficando em 547 mil, segundo o Departamento do Trabalho do país. O resultado ficou bem abaixo dos 617 mil pedidos esperado pela média dos analistas consultados pela Refinitiv.

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O total de pedidos da semana anterior foi revisado para cima, de 576 mil a 586 mil. Já o número de pedidos continuados teve queda de 34 mil na semana encerrada em 10 de abril, a 3,674 milhões.

Enquanto isso, na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu não alterar a taxa de juros da região e ainda manteve seu programa de compra de ativos como está. O ritmo de aquisições será, ao longo de todo o trimestre, “significativamente mais elevado” do que nos primeiros meses do ano, ressaltou a autoridade europeia.

“Na reunião de hoje, o Conselho do Banco Central Europeu decidiu reconfirmar a orientação muito acomodatícia da sua política monetária“, anunciou a instituição em comunicado.

As bolsas asiáticas fecharam a quinta-feira com desempenho forte. O índice Nikkei subiu 2,38%, recuperando-se parcialmente de dois dias consecutivos de perdas. O índice Topix subiu 1,82%. O índice Kospi, subiu 0,18%. O componente Shenzhen subiu 0,412%, o índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,5%.

Por outro lado, o Shanghai composto caiu 0,23%. Os mercados acionários da China se enfraqueceram nesta quinta-feira, uma vez que as tensões com os EUA prejudicaram o sentimento. Um comitê do Senado dos EUA  deu seu apoio a um projeto de lei que pressiona Pequim em questões de direitos humanos e competição econômica, e outros parlamentares introduziram uma medida que busca bilhões para pesquisa em tecnologia.

O movimento majoritariamente positivo ocorre apesar de a Índia ter registrado na quinta 310 mil novas infecções por Covid, o seu pior número até o momento. Mesmo assim, o índice Nifty 50 subiu 0,32% e o BSE Sensex subiu 0,24%.

As bolsas europeias seguem o ritmo positivo da sessão do dia anterior e das negociações de overnight na Ásia, e têm tendência de alta nesta quinta-feira. Os índices são influenciados pela divulgação de resultados. O Credit Suisse informou um prejuízo líquido de US$ 275 milhões, após ser impactada pelo escândalo do fundo de hedge Archegos Capital Management liquidar posições em empresas de mídia e internet no final de março.

Covid no Brasil

Na quarta (21), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 2.787, queda de 1% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas 24 h foram registradas 3.157 mortes pela doença.

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As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 63.507, estável em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 71.231 casos.

27.523.231 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 13% da população. A segunda dose foi aplicada em 10.947.310 pessoas, ou 5,17% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

Um levantamento realizado pelo jornal Folha de S. Paulo indica que 14 capitais e o Distrito Federal têm mais de 90% dos leitos públicos de UTI com pacientes de Covid. Na semana passada, eram 17.

O jornal O Estado de S. Paulo reporta que houve em 2020 275.587 óbitos a mais do que o previsto. Destes, 220.469 foram vítimas da Covid. Mas outros 55.117 morreram por outras doenças. Os dados são do estudo “Excesso de Óbitos no Brasil”, da organização em saúde Vital Strategies, apresentado no painel do Conselho Nacional de Secretários de Saúde.

De acordo com a reportagem, o isolamento social pode ter dificultado o atendimento de pacientes crônicos e a realização de exames e diagnósticos precoces de doenças graves. Assim, o cancelamento ou adiamento de procedimentos médicos pode ter contribuído para essas mortes acima do previsto.

Por falta de doses de imunizantes, o ministro da Saúde, cardiologista Marcelo Queiroga, revisou o calendário de vacinação contra a Covid, e adiou o fim de imunização do grupo prioritário de maio para setembro.

Orçamento e Cúpula do Clima

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou na quarta lei aprovada na segunda pelo Congresso que permite a abertura de crédito extraordinário para bancar programas de socorro a empresas privadas, e que retira da meta fiscal gastos emergenciais com saúde.

Esses gastos ficam de fora do cálculo do teto de gastos, uma mudança contábil que contribui para reduzir as chances de que o governo seja acusado de crime de responsabilidade fiscal.

Isso abre espaço para que o Orçamento acomode gastos com emendas parlamentares, e para que o presidente o sancione. O prazo para a sanção expira nesta quinta-feira.

Aprovado pelo Congresso Nacional, o Orçamento de 2021 expôs um impasse entre o Congresso, a ala política e a equipe econômica do governo. Isso porque ele foi aprovado com uma reestimativa de R$ 26,5 bilhões para baixo das despesas obrigatórias do governo e uma elevação dos recursos direcionados a emendas parlamentares e a áreas como defesa e segurança pública.

Segundo o Tesouro, da forma como está o Orçamento cria o risco de “paralisação das atividades essenciais do Estado”, o que faz com que seja chamado de fictício, obrigando o governo a articular mudanças.

Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, a ministra Flávia Arruda, à frente da Secretaria de Governo há cerca de duas semanas, operou para evitar que o presidente Bolsonaro cedesse às pressões do ministro da Economia Paulo Guedes, e vetasse trecho do Orçamento que tratava do aumento de emendas parlamentares. Isso pioraria sua relação com o Poder Legislativo.

Arruda fora presidente da Comissão Mista de Orçamento, e fez contraponto a Guedes demonstrando que ele havia acompanhado as negociações e concordado com os compromissos estabelecidos.

Além disso, o presidente Jair Bolsonaro participa nesta quinta da Cúpula de Líderes sobre o Clima, comandada pelo presidente americano Joe Biden. O encontro é um esforço da diplomacia do governo Biden de se colocar como protagonista no debate climático.

De acordo com o jornal Valor, o presidente deve anunciar o compromisso de seu governo de antecipar a meta de redução do desmatamento ilegal no Brasil, e prometer aumento de recursos para órgãos de fiscalização ambiental.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sinalizou na quarta em reunião virtual com empresários que o governo pode antecipar para 2022 a meta de redução do desmatamento ilegal. Em carta enviada na semana passada, o governo Bolsonaro havia afirmado que se comprometia a zerar o desmatamento até 2030.

Há uma crescente preocupação de executivos brasileiros com a repercussão estrangeira da política ambiental da gestão de Jair Bolsonaro, o que pode afastar investidores e compradores do país.

Segundo reportagem de capa do jornal O Estado de S. Paulo, na Cúpula dos Líderes o Brasil deve pedir US$ 1 bilhão para o combate ao desmatamento. Mas tem, há dois anos, R$ 2,9 bilhões parados no Fundo Amazônia, doados por Noruega e Alemanha. Desde o início do mandato de Bolsonaro, nenhum novo programa de proteção da floresta foi financiado pelo fundo. Salles afirma que o fundo está paralisado a pedido da Noruega.

O Centro de Tecnologia Canavieira informou na quarta-feira que pediu a interrupção formal do pedido de registro para oferta inicial de ações ordinárias, devido à piora do mercado.

“A companhia informa que a realização do IPO segue nos seus planos e informará ao mercado sobre quaisquer desenvolvimentos relacionados ao tema”, afirmou a CTC em nota. A companhia do agronegócio havia pedido registro para IPO em outubro passado, afirmando que buscaria recursos para investir em projetos de sementes sintéticas, em seleção genômica e em novos negócios, incluindo bioinformática.

Radar corporativo

A Oi, atualmente em recuperação judicial, propôs aos acionistas duas reorganizações em sua estrutura societária necessárias para levar adiante o plano de recuperação. A empresa quer autorização para incorporar a Telemar, que atualmente detém licenças para telefonia fixa e serviços multimídia junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), e para cindir e incorporar uma parte da Brasil Telecom Comunicação Multimídia (BTCM).

Segundo a Oi, os movimentos são necessários para tocar o plano de recuperação judicial da tele. Após um aditamento feito no ano passado, o plano prevê a divisão da Oi com a venda de parte de seus ativos, e que a empresa ficará como sócia na InfraCo, unidade de fibra ótica. Parte das demais verticais, como a Oi Móvel, já foi vendida.

Já a Petrobras comunicou na terça-feira (20) à noite os termos da transação feita com a União em relação às compensações que serão pagas à estatal referentes aos contratos de partilha do pré-sal nos campos de Atapu e Sépia. Essa compensação refere-se aos investimentos feitos pela estatal para a exploração nos dois campos.

A Helbor registrou vendas líquidas R$ 321,7 milhões no primeiro trimestre do ano, segundo prévia operacional divulgada na terça-feira (20) à noite. Esse valor representa uma queda de 8,4% na comparação com igual período de 2020.

Já a J&F Investimentos anunciou que Aguinaldo Gomes Ramos Filho é o novo diretor-presidente da holding que controla o frigorífico JBS e a Eldorado Brasil Celulose, entre outros negócios. O executivo substitui José Antônio Batista Costa, que estava no cargo desde fevereiro de 2017.

Ainda em destaque, a Hapvida precificou na terça-feira oferta de ações com esforços restritos a R$ 15 por papel, de acordo com fato relevante da companhia à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em operação que movimentou R$ 2,7 bilhões. O preço representa um desconto de 1,8% em relação ao fechamento da ação na véspera, de R$ 15,28.

Já a Alupar, que atua nos segmentos de transmissão e geração de energia elétrica, precificou oferta secundária de units com esforços restritos a R$ 25,50 cada. O fundo de investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) vendeu sua participação de 12% na companhia e levantou R$ 896,7 milhões na operação.

As Lojas Americanas  anunciaram a compra de 70% das ações do Grupo Uni.co, dono das marcas Puket, Imaginarium, MinD e Lovebrands. A aquisição foi feita por meio da subsidiária IF Capital e prevê a compra da fatia restante da companhia 30% em um prazo de três anos. O valor da operação não foi revelado.

Com a aquisição, o objetivo das Lojas Americanas é aumentar a presença em segmentos de maior frequência de compras, como moda, acessórios, presentes e design.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Ibovespa acentua queda com exterior e investidores de olho em acordo para sancionar Orçamento; dólar recua

ações bolsa mercado stocks índices gráficos (Shutterstock)

SÃO PAULO – Em mais uma sessão volátil, o Ibovespa se fixa em campo negativo nesta terça-feira (20), com uma piora dos índices americanos, que passaram a cair mais de 1%, e com a Petrobras (PETR3;PETR4) acentuando as perdas puxada pela virada do petróleo no exterior.

Enquanto isso, por aqui os investidores repercutem um acordo no Congresso que deve levar à sanção do Orçamento deste ano. A Câmara e Senado aprovaram texto que tira programas emergenciais da meta fiscal e também autorizando bloqueio de R$ 9 bilhões em gastos não obrigatórios para compensar despesas obrigatórias que tinham sido subestimadas no texto.

Em uma votação rápida e simbólica, os senadores aprovaram o Projeto de Lei do Congresso Nacional 2 logo após a aprovação pela Câmara dos Deputados. Agora o texto seguirá para a sanção do presidente Jair Bolsonaro, abrindo caminho para a sanção do Orçamento, que precisa ocorrer até quinta-feira (22).

O PLN 2 tem como relator o deputado Efraim Filho (DEM-PB). O projeto determina que créditos extraordinários aprovados para cobrir despesas com os programas BEm, de proteção ao emprego formal, e Pronampe, de apoio a micro e pequenas empresas, assim como ações de saúde para o enfrentamento à pandemia, não sejam contabilizados na meta de resultado primário deste ano. Assim, esses programas ficam de fora da meta fiscal, o que permite ao governo manter gastos com menos risco de ser enquadrado em crime de responsabilidade.

“O desfecho está longe de ser ideal, mas os gastos que foram excluídos da meta fiscal e do teto são propositivos, necessários e terão um impacto positivo e relevante sobre a eventual recuperação da economia brasileira”, afirma a Guide Investimentos.

Helena Veronese, economista-chefe da Consulenza avalia um impacto misto do acordo do Orçamento, por isso o mercado deve seguir mais cauteloso. “Se por um lado o novo acordo resolve o impasse em torno do Orçamento de 2021 e permite que a sanção aconteça sem o rompimento do teto (já que os novos gastos com Covid não entram nesta contabilidade), por outro ele culmina, de qualquer maneira, em mais gastos – o que pode ser recebido com cautela pelo mercado”, afirma.

No exterior, os índices americanos passaram a cair mais forte no fim da manhã, em um dia marcado por correção das ações após as bolsas baterem máximas nas últimas semanas. Na véspera as perdas foram lideradas pelo mau desempenho de ações do setor de tecnologia. Investidores ficam de olho à temporada de resultados, com grandes empresas como Netflix divulgando após o fechamento de hoje.

Às 12h45 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira tinha queda de 0,59%, a 120.221 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em queda de 0,49% a R$ 5,523 na compra e a R$ 5,5235 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em maio recua 0,15% a R$ 5,541.

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No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe quatro pontos-base a 4,67%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de oito pontos-base a 6,33%, o DI para janeiro de 2025 avança 13 pontos-base a 7,99% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de 16 pontos-base a 8,63%.

As bolsas asiáticas fecharam com desempenhos variados entre si, após a China anunciar que manterá sua taxa de juros referencial com vencimento em um ano inalterada, em 3,85%. A taxa de juros com vencimento em cinco anos ficou em 4,65%. Os patamares estão de acordo com a expectativa de analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters.

As bolsas japonesas lideraram as perdas entre os principais mercados da região, com o índice Nikkei recuando 1,97%. O índice Shanghai composto recuou 0,13% e o componente Shenzhen, 0,113%.

Já na Europa, o índice Eurostoxx, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, recua. Investidores acompanham a divulgação de resultados de Danone, Kering, Atos e Associated British Foods. A Rio Tinto divulga um relatório sobre o primeiro trimestre. Apesar de ter tido queda de 3,3% nas vendas no primeiro trimestre, a Danone manteve a meta de voltar à lucratividade e crescer no segundo semestre.

A British American Tobacco teve os piores resultados do índice Eurostoxx, recuando mais de 6% após o presidente dos EUA Joe Biden afirmar que está considerando exigir que fabricantes reduzam a quantidade de nicotina em seus cigarros vendidos no país. A Imperial Brands também teve fortes quedas, de 5,4%.

Por outro lado, apesar da vigência de medidas de lockdown no início do ano, o índice de desemprego no Reino Unido caiu inesperadamente em fevereiro pelo segundo mês consecutivo, para 4,9%.

Agenda

Às 3h foi divulgada a taxa de desemprego do Reino Unido em fevereiro, que ficou em 4,9%, frente a projeção de 5,1% e ao patamar anterior de 5%.

Às 17h30, será revelados os dados preliminares de estoque de petróleo da última semana nos EUA.

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No Brasil, destaque para a divulgação às 14h30 da arrecadação tributária federal em março e do primeiro trimestre. A previsão, segundo mediana da Refinitiv, é de uma arrecadação de R$ 126,2 bilhões no mês passado. Às 15h, Paulo Guedes, ministro da Economia, participa de entrevista coletiva à imprensa sobre os resultados da arrecadação.

Orçamento

O Congresso Nacional aprovou na segunda um projeto de lei que altera a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2021 e traz ajustes, com o aval do governo, para permitir a controversa sanção do Orçamento deste ano.

Em uma votação rápida e simbólica, os senadores aprovaram o Projeto de Lei do Congresso Nacional 2 logo após a aprovação pela Câmara dos Deputados.

Agora o texto seguirá para a sanção do presidente Jair Bolsonaro, o que permitirá também a sanção do Orçamento, que precisa ocorrer até quinta-feira.

Com relatoria de Márcio Bittar (MDB-AC), o Orçamento foi aprovado com redução de R$ 26,5 bilhões de reais de estimativa das despesas obrigatórias do governo, e uma elevação dos recursos direcionados a emendas parlamentares, com as quais congressistas podem realizar obras em seus redutos eleitorais. Também foram elevados gastos com áreas como defesa e segurança pública. Sem destinar recursos o suficiente para gastos essenciais, o Orçamento criaria o risco de paralisação da máquina pública.

O PLN 2 tem como relator o deputado Efraim Filho (DEM-PB). O projeto determina que créditos extraordinários aprovados para cobrir despesas com os programas BEm, de proteção ao emprego formal, e Pronampe, de apoio a micro e pequenas empresas, assim como ações de saúde para o enfrentamento à pandemia, não sejam contabilizados na meta de resultado primário deste ano.

Assim, esses programas ficam de fora da meta fiscal, o que permite ao governo manter gastos com menos risco de ser enquadrado em crime de responsabilidade. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, no total a gestão Bolsonaro ficou autorizada a deixar R$ 125 bilhões fora do programado para este ano, que também não serão contabilizados no teto de gastos. A alteração deve ajudar a abrir espaço para acomodar emendas parlamentares, que ficam em R$ 18,5 bilhões, segundo o jornal O Globo. O déficit para 2021 é projetado em R$ 247 bilhões.

Além de flexibilizar as regras para despesas com o enfrentamento à pandemia da Covid-19 e permitindo que o governo corte por decreto e não por lei, como é feito normalmente, despesas discricionárias. Entram nessa rubrica investimentos e despesas voltadas para a manutenção da máquina pública, para garantir o atendimento à totalidade das despesas obrigatórias.

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O texto também desobriga a compensação, por meio de aumento de receita ou redução de despesa, de medida legislativa que acarrete aumento de despesa que não seja obrigatória de caráter continuado. Ou seja, que não tenha execução obrigatória por período superior a dois exercícios.

Covid e CPI da Covid

Na segunda (19), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 2.860, alta de 3% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas 24 h foram registradas 1.607 mortes pela doença.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de quinta, o avanço da pandemia em 24 h. A média móvel de novos casos em sete dias foi de 65.186, alta de 3% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 35.885 casos.

26.654.459 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 12,59% da população. A segunda dose foi aplicada em 10.131.323 pessoas, ou 4,78% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

Na segunda, o senador Otto Alencar (PSD-BA) convocou para o próximo dia 27, terça-feira, a primeira sessão da CPI (comissão parlamentar de inquérito) da Covid. Os 11 membros titulares da CPI deverão eleger o presidente e o vice-presidente do colegiado. Como membro mais velho da comissão, Alencar deverá conduzir a eleição da mesa.

Segundo o portal G1, a maior parte dos integrantes da CPI fechou acordo para que a presidência fique com Omar Aziz (PSD-AM), e a vice-presidência, com Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Ele é um dos autores do pedido de criação da CPI. Renan Calheiros (MDB-AL) deve ser designado relator.

O senador governista Eduardo Girão (Podemos-CE) lançou na segunda a sua candidatura ao comando do colegiado, mas suas chances são menores. Girão é autor de requerimento que ampliou o objeto de investigação da CPI, que em tese poderá investigar governadores e prefeitos, atendendo a desejo do governo federal.

A equipe do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) elaborou um plano de trabalho para a CPI. Ainda não definitivo, o documento prevê tomar depoimentos do ministro da Economia, Paulo Guedes e da atual e antiga cúpula da pasta da Saúde, inclusive o ministro Marcelo Queiroga e o ex-ministro, general Eduardo Pazuello.

Na segunda, o jornal O Estado de São Paulo afirmou que as convocações começariam por quadros militares do governo Bolsonaro. A gestão de Pazuello, em especial, elevou o número de militares no Ministério da Saúde.
O documento prevê ainda a realização, durante as investigações de quebras de sigilo bancário, fiscal, telefônico e de dados de autoridades.

O plano de trabalho informa que senadores pretendem avaliar as ações do governo federal em relação ao pagamento do auxílio emergencial e outras medidas econômicas para conter a pandemia de coronavírus. Entre os questionamentos, parlamentares querem saber se o valor gasto pelo governo foi suficiente para atender a população vulnerável.

Os senadores querem ouvir o ex-ministro Pazuello sobre o colapso na saúde de Manaus e no Estado do Amazonas, o emprego de verbas públicas para a região e para a aquisição de medicamentos sem eficácia cientificamente comprovada no enfrentamento à Covid-19.

O atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, é citado para falar sobre a vacinação e medidas de distanciamento social e falta de kits intubação. Representantes de laboratórios fornecedores de imunizantes também são cotados para serem ouvidos.

Além disso, cientistas russos concluíram que a vacina Sputnik V tem eficácia de 97,6% contra a Covid-19 no “mundo real”. A informação se baseia na avaliação de dados de 3,8 milhões de pessoas com base em um banco de dados mantido pelo Ministério da Saúde russo, que registra pessoas vacinadas contra a Covid e infectadas pela doença no país. Os dados foram anunciados na segunda pelo Instituto Gamaleya de Moscou e o Fundo de Investimentos Diretos da Rússia.

A nova taxa de eficácia é mais alta que a de 91,6%, destacada em resultados de um estudo de grande escala com a Sputnik V, que foi publicado na revista acadêmica The Lancet no início do ano. O patamar é elevado, em comparação com dados sobre a eficiência de outras vacinas contra a Covid-19.

Radar corporativo

Em destaque, a Vale informou que produziu 68 milhões de toneladas de minério de ferro no primeiro trimestre, alta de 14,2% ante o mesmo período do ano anterior, avançando em seu plano de estabilização e retomada operacional,. O aumento, segundo a empresa, teve como um dos motivos a retomada gradual das operações nos complexos Timbopeba, Fábrica e Vargem Grande ao longo de 2020. Tais atividades haviam sido impactadas em meio a uma ampla revisão da segurança, após rompimento de barragem em Brumadinho (MG).

Já o Carrefour Brasil anunciou que suas vendas brutas consolidadas no primeiro trimestre somaram R$ 18,1 bilhões, com impulso de sua unidade de atacarejo. As vendas de janeiro a março somaram R$ 17,5 bilhões, excluindo as vendas de combustíveis, um aumento de 15,1% na comparação com igual período de 2020. As vendas do Carrefour Varejo alcançaram R$ 5,4 bilhões no trimestre, crescendo 8,6% na base mesmas lojas, excluindo combustíveis.

A receita bruta do Atacadão atingiu R$ 12,7 bilhões, impulsionada pelo crescimento de 17,5%. Considerando a mesma base de lojas, a expansão foi de 12,9%. O grupo abriu 11 lojas no período, para um total de 732. Nove inaugurações foram de lojas do Atacadão, além de uma de conveniência e uma drogaria. A empresa planeja abrir 45 novas lojas em 2021.

Ainda em destaque, o Itaú Unibanco informou nesta segunda-feira que captou US$ 400 milhões com a United States International Development Finance Corporation (DFC) para expandir crédito a pequenas e médias empresas. Segundo o banco, a oferta de empréstimos terá foco em regiões como Norte e Nordeste do Brasil, e empresas majoritariamente controladas ou lideradas por mulheres.

Aprenda como ganhar dinheiro prevendo os movimentos dos grandes players. Na série gratuita Follow the Money, Wilson Neto, analista de investimentos da Clear, explica como funcionam as operações rápidas.

Ibovespa Futuro opera em queda com exterior e acordo que pode definir Orçamento; dólar sobe

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro inicia esta terça-feira (20) em queda acompanhando mais um dia de correção nas bolsas internacionais, enquanto nos Estados Unidos os investidores seguem atentos à temporada de resultados do primeiro trimestre.

Por aqui, destaque novamente para o Orçamento, após a Câmara e Senado aprovarem texto que tira programas emergenciais da meta fiscal e também autorizando bloqueio de R$ 9 bilhões em gastos não obrigatórios para compensar despesas obrigatórias que tinham sido subestimadas no texto.

Em uma votação rápida e simbólica, os senadores aprovaram o Projeto de Lei do Congresso Nacional 2 logo após a aprovação pela Câmara dos Deputados. Agora o texto seguirá para a sanção do presidente Jair Bolsonaro, abrindo caminho para a sanção do Orçamento, que precisa ocorrer até quinta-feira (22).

O PLN 2 tem como relator o deputado Efraim Filho (DEM-PB). O projeto determina que créditos extraordinários aprovados para cobrir despesas com os programas BEm, de proteção ao emprego formal, e Pronampe, de apoio a micro e pequenas empresas, assim como ações de saúde para o enfrentamento à pandemia, não sejam contabilizados na meta de resultado primário deste ano. Assim, esses programas ficam de fora da meta fiscal, o que permite ao governo manter gastos com menos risco de ser enquadrado em crime de responsabilidade.

No exterior, os índices futuros americanos e as bolsas europeias têm quedas nesta terça, após uma segunda-feira marcada pelo mau desempenho de ações do setor de tecnologia nos EUA. Investidores aguardam a divulgação de resultados de grandes empresas.

Às 9h15 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em junho de 2021 tinha queda de 0,25%, a 121.025 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em alta de 0,52% a R$ 5,578 na compra e a R$ 5,579 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em maio sobe 0,65% a R$ 5,586.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe dois pontos-base a 4,65%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de cinco pontos-base a 6,30%, o DI para janeiro de 2025 avança sete pontos-base a 7,93% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de oito pontos-base a 8,55%.

As bolsas asiáticas fecharam com desempenhos variados entre si, após a China anunciar que manterá sua taxa de juros referencial com vencimento em um ano inalterada, em 3,85%. A taxa de juros com vencimento em cinco anos ficou em 4,65%. Os patamares estão de acordo com a expectativa de analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters.

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As bolsas japonesas lideraram as perdas entre os principais mercados da região, com o índice Nikkei recuando 1,97%. O índice Shanghai composto recuou 0,13% e o componente Shenzhen, 0,113%.

Já na Europa, o índice Eurostoxx, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, recua. Investidores acompanham a divulgação de resultados de Danone, Kering, Atos e Associated British Foods. A Rio Tinto divulga um relatório sobre o primeiro trimestre. Apesar de ter tido queda de 3,3% nas vendas no primeiro trimestre, a Danone manteve a meta de voltar à lucratividade e crescer no segundo semestre.

A British American Tobacco teve os piores resultados do índice Eurostoxx, recuando mais de 6% após o presidente dos EUA Joe Biden afirmar que está considerando exigir que fabricantes reduzam a quantidade de nicotina em seus cigarros vendidos no país. A Imperial Brands também teve fortes quedas, de 5,4%.

Por outro lado, apesar da vigência de medidas de lockdown no início do ano, o índice de desemprego no Reino Unido caiu inesperadamente em fevereiro pelo segundo mês consecutivo, para 4,9%.

Agenda

Às 3h foi divulgada a taxa de desemprego do Reino Unido em fevereiro, que ficou em 4,9%, frente a projeção de 5,1% e ao patamar anterior de 5%.

Às 17h30, será revelados os dados preliminares de estoque de petróleo da última semana nos EUA.

No Brasil, destaque para a divulgação às 14h30 da arrecadação tributária federal em março e do primeiro trimestre. A previsão, segundo mediana da Refinitiv, é de uma arrecadação de R$ 126,2 bilhões no mês passado. Às 15h, Paulo Guedes, ministro da Economia, participa de entrevista coletiva à imprensa sobre os resultados da arrecadação.

Orçamento

O Congresso Nacional aprovou na segunda um projeto de lei que altera a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2021 e traz ajustes, com o aval do governo, para permitir a controversa sanção do Orçamento deste ano.

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Em uma votação rápida e simbólica, os senadores aprovaram o Projeto de Lei do Congresso Nacional 2 logo após a aprovação pela Câmara dos Deputados.

Agora o texto seguirá para a sanção do presidente Jair Bolsonaro, o que permitirá também a sanção do Orçamento, que precisa ocorrer até quinta-feira.

Com relatoria de Márcio Bittar (MDB-AC), o Orçamento foi aprovado com redução de R$ 26,5 bilhões de reais de estimativa das despesas obrigatórias do governo, e uma elevação dos recursos direcionados a emendas parlamentares, com as quais congressistas podem realizar obras em seus redutos eleitorais. Também foram elevados gastos com áreas como defesa e segurança pública. Sem destinar recursos o suficiente para gastos essenciais, o Orçamento criaria o risco de paralisação da máquina pública.

O PLN 2 tem como relator o deputado Efraim Filho (DEM-PB). O projeto determina que créditos extraordinários aprovados para cobrir despesas com os programas BEm, de proteção ao emprego formal, e Pronampe, de apoio a micro e pequenas empresas, assim como ações de saúde para o enfrentamento à pandemia, não sejam contabilizados na meta de resultado primário deste ano.

Assim, esses programas ficam de fora da meta fiscal, o que permite ao governo manter gastos com menos risco de ser enquadrado em crime de responsabilidade. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, no total a gestão Bolsonaro ficou autorizada a deixar R$ 125 bilhões fora do programado para este ano, que também não serão contabilizados no teto de gastos. A alteração deve ajudar a abrir espaço para acomodar emendas parlamentares, que ficam em R$ 18,5 bilhões, segundo o jornal O Globo. O déficit para 2021 é projetado em R$ 247 bilhões.

Além de flexibilizar as regras para despesas com o enfrentamento à pandemia da Covid-19 e permitindo que o governo corte por decreto e não por lei, como é feito normalmente, despesas discricionárias. Entram nessa rubrica investimentos e despesas voltadas para a manutenção da máquina pública, para garantir o atendimento à totalidade das despesas obrigatórias.

O texto também desobriga a compensação, por meio de aumento de receita ou redução de despesa, de medida legislativa que acarrete aumento de despesa que não seja obrigatória de caráter continuado. Ou seja, que não tenha execução obrigatória por período superior a dois exercícios.

Covid e CPI da Covid

Na segunda (19), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 2.860, alta de 3% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas 24 h foram registradas 1.607 mortes pela doença.

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As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de quinta, o avanço da pandemia em 24 h. A média móvel de novos casos em sete dias foi de 65.186, alta de 3% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 35.885 casos.

26.654.459 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 12,59% da população. A segunda dose foi aplicada em 10.131.323 pessoas, ou 4,78% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

Na segunda, o senador Otto Alencar (PSD-BA) convocou para o próximo dia 27, terça-feira, a primeira sessão da CPI (comissão parlamentar de inquérito) da Covid. Os 11 membros titulares da CPI deverão eleger o presidente e o vice-presidente do colegiado. Como membro mais velho da comissão, Alencar deverá conduzir a eleição da mesa.

Segundo o portal G1, a maior parte dos integrantes da CPI fechou acordo para que a presidência fique com Omar Aziz (PSD-AM), e a vice-presidência, com Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Ele é um dos autores do pedido de criação da CPI. Renan Calheiros (MDB-AL) deve ser designado relator.

O senador governista Eduardo Girão (Podemos-CE) lançou na segunda a sua candidatura ao comando do colegiado, mas suas chances são menores. Girão é autor de requerimento que ampliou o objeto de investigação da CPI, que em tese poderá investigar governadores e prefeitos, atendendo a desejo do governo federal.

A equipe do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) elaborou um plano de trabalho para a CPI. Ainda não definitivo, o documento prevê tomar depoimentos do ministro da Economia, Paulo Guedes e da atual e antiga cúpula da pasta da Saúde, inclusive o ministro Marcelo Queiroga e o ex-ministro, general Eduardo Pazuello.

Na segunda, o jornal O Estado de São Paulo afirmou que as convocações começariam por quadros militares do governo Bolsonaro. A gestão de Pazuello, em especial, elevou o número de militares no Ministério da Saúde.
O documento prevê ainda a realização, durante as investigações de quebras de sigilo bancário, fiscal, telefônico e de dados de autoridades.

O plano de trabalho informa que senadores pretendem avaliar as ações do governo federal em relação ao pagamento do auxílio emergencial e outras medidas econômicas para conter a pandemia de coronavírus. Entre os questionamentos, parlamentares querem saber se o valor gasto pelo governo foi suficiente para atender a população vulnerável.

Os senadores querem ouvir o ex-ministro Pazuello sobre o colapso na saúde de Manaus e no Estado do Amazonas, o emprego de verbas públicas para a região e para a aquisição de medicamentos sem eficácia cientificamente comprovada no enfrentamento à Covid-19.

O atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, é citado para falar sobre a vacinação e medidas de distanciamento social e falta de kits intubação. Representantes de laboratórios fornecedores de imunizantes também são cotados para serem ouvidos.

Além disso, cientistas russos concluíram que a vacina Sputnik V tem eficácia de 97,6% contra a Covid-19 no “mundo real”. A informação se baseia na avaliação de dados de 3,8 milhões de pessoas com base em um banco de dados mantido pelo Ministério da Saúde russo, que registra pessoas vacinadas contra a Covid e infectadas pela doença no país. Os dados foram anunciados na segunda pelo Instituto Gamaleya de Moscou e o Fundo de Investimentos Diretos da Rússia.

A nova taxa de eficácia é mais alta que a de 91,6%, destacada em resultados de um estudo de grande escala com a Sputnik V, que foi publicado na revista acadêmica The Lancet no início do ano. O patamar é elevado, em comparação com dados sobre a eficiência de outras vacinas contra a Covid-19.

Radar corporativo

Em destaque, a Vale informou que produziu 68 milhões de toneladas de minério de ferro no primeiro trimestre, alta de 14,2% ante o mesmo período do ano anterior, avançando em seu plano de estabilização e retomada operacional,. O aumento, segundo a empresa, teve como um dos motivos a retomada gradual das operações nos complexos Timbopeba, Fábrica e Vargem Grande ao longo de 2020. Tais atividades haviam sido impactadas em meio a uma ampla revisão da segurança, após rompimento de barragem em Brumadinho (MG).

Já o Carrefour Brasil anunciou que suas vendas brutas consolidadas no primeiro trimestre somaram R$ 18,1 bilhões, com impulso de sua unidade de atacarejo. As vendas de janeiro a março somaram R$ 17,5 bilhões, excluindo as vendas de combustíveis, um aumento de 15,1% na comparação com igual período de 2020. As vendas do Carrefour Varejo alcançaram R$ 5,4 bilhões no trimestre, crescendo 8,6% na base mesmas lojas, excluindo combustíveis.

A receita bruta do Atacadão atingiu R$ 12,7 bilhões, impulsionada pelo crescimento de 17,5%. Considerando a mesma base de lojas, a expansão foi de 12,9%. O grupo abriu 11 lojas no período, para um total de 732. Nove inaugurações foram de lojas do Atacadão, além de uma de conveniência e uma drogaria. A empresa planeja abrir 45 novas lojas em 2021.

Ainda em destaque, o Itaú Unibanco informou nesta segunda-feira que captou US$ 400 milhões com a United States International Development Finance Corporation (DFC) para expandir crédito a pequenas e médias empresas. Segundo o banco, a oferta de empréstimos terá foco em regiões como Norte e Nordeste do Brasil, e empresas majoritariamente controladas ou lideradas por mulheres.

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Dólar vai às mínimas em um mês e anula alta pós-crise do Orçamento

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar engatou a quinta queda frente ao real nesta segunda-feira, com investidores colocando nos preços algum alívio sobre os rumos do Orçamento e novo dia de enfraquecimento da moeda norte-americana no mundo.

Ao fechar numa mínima em cerca de um mês, a cotação zerou os ganhos conquistados após a forte reação negativa do mercado à aprovação da peça orçamentária pelo Congresso em 25 de março.

O dólar à vista caiu 0,57% nesta segunda, a 5,5538 reais na venda, após variar entre 5,6232 reais (+0,67%) e 5,5278 reais (-1,03%).

Lá fora, o índice do dólar perdia 0,57%, para mínimas em seis semanas. Um índice de moedas emergentes tocou máxima em um mês.

No Brasil, a moeda dos EUA teve o quinto pregão seguido de desvalorização, período em que perdeu 3,00%. O dólar não caía por tantos dias consecutivos desde a sequência de seis baixas finda em 27 de maio do ano passado.

A cotação está no menor patamar desde 23 de março de 2021 (5,5168 reais). Em 29 de março, em meio ao mal-estar fiscal, a divisa fechou numa máxima de 5,7681 reais, 3,86% acima do nível desta segunda.

O dólar vinha em alta nesta sessão até por volta de 11h15, quando uma série de ordens de vendas foram acionadas e derrubaram a cotação. No mesmo momento, o índice do dólar frente a uma cesta de divisas no exterior também acelerou a queda.

De forma geral investidores globais seguiram repercutindo a percepção de que o banco central dos Estados Unidos manterá estímulos por tempo indeterminado, enquanto a retomada econômica no mundo amplia a demanda por ativos mais arriscados, caso das moedas emergentes –grupo do qual o real faz parte.

Apesar de toda a volatilidade, a divisa brasileira tem seguido o comportamento de seus pares mais recentemente.

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Para Sérgio Goldenstein, consultor independente da Ohmresearch Independent Insights, o real tem respondido à combinação entre cenário externo favorável e redução do risco de cauda doméstico.

“O risco de cauda seria uma decretação de estado de calamidade pública, expansão maior dos gastos fiscais… mas parece que a probabilidade desse risco agora é muito pequena. Com isso, você não tem uma piora muito grave nas contas públicas neste ano”, afirmou.

Na semana em que o presidente Jair Bolsonaro tem de decidir o que fará com o polêmico texto do Orçamento 2021 aprovado pelo Congresso, o mercado reagiu a informações de que governo e parlamentares chegaram a um acordo sobre a questão.

O Congresso Nacional vota nesta segunda-feira projeto de lei que, com o aval do governo, flexibiliza regras para despesas com o enfrentamento à pandemia da Covid-19 e permite que o Executivo corte por decreto (e não lei, como é feito normalmente), despesas discricionárias, como aquelas voltadas à manutenção da máquina pública, para garantir o atendimento às despesas obrigatórias.

“A solução que vão dar ao Orçamento não é a ideal, mas todo aquele risco de cauda parece que está ficando para trás”, acrescentou Goldenstein.

Analistas de mercado têm repetido que a fraqueza do real decorre sobretudo do elevado risco fiscal no Brasil, com incertezas sobre a sustentabilidade da dívida e seus potenciais impactos sobre tendências de crescimento econômico.

A moeda brasileira cai 6,52% em 2021, em termos nominais, terceiro pior desempenho no ano. Apenas peso argentino (-10,1%) e lira turca (-8,2%) caem mais.

Juntando a fraqueza deste ano com o tombo de mais de 20% em 2020, o real é a divisa mais barata do mundo emergente, conforme estudo do Bank of America baseado em resultados de exercícios com um novo modelo de cálculo de taxa de câmbio justa.

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Por essa abordagem, o real está 24% mais barato do que o sugerido pelos fundamentos, maior desvio negativo numa lista de 20 moedas emergentes. O valor justo para a moeda estaria em 4,26 por dólar.

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