Recuperação no mercado e Cade podendo aprovar fusão Azul-Latam: as projeções da Gol em seus 17 anos de Bolsa

SÃO PAULO – Em evento chamado “The Future of Flying” ocorrido na última quinta-feira (24), a aérea Gol (GOLL4) passou uma mensagem positiva sobre a recuperação no final deste ano e no começo do próximo, de acordo com analistas que participam do evento. A ocasião foi para celebrar os 17 anos da empresa listada na B3 e na bolsa de Nova York.

O Bradesco BBI destaca três pontos principais do evento apontados pela companhia: 1) uma previsão positiva com a demanda de viagens aéreas se recuperando até o quarto trimestre de 2021 ou o primeiro trimestre de 2022, 2) a companhia tendo acesso aos mercados de dívida e de ações e 3) um modelo de negócios sólido para enfrentar a concorrência.

A Gol aponta que a demanda corporativa doméstica em 2021 deva ficar entre 30% a 40% do que costumava ser em 2019 sendo que, para o primeiro trimestre de 2022, a projeção é de que o mercado corporativo doméstico já estará recuperado. No segundo trimestre deste ano, a Gol operou em média 220 voos por dia, atendendo a 114 mercados; para o segundo semestre, a expectativa é de que a média seja de 500 voos por dia, com 159 mercados atendidos.

Paulo Kakinoff, presidente da Gol, também comentou sobre as movimentações dos concorrentes. De acordo com ele, é difícil especular sobre as possibilidades envolvendo uma possível fusão entre Latam Brasil e Azul (AZUL4). Mas apontou que um eventual acordo seria aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “Acho que pode ser aprovado, mas há discussões sobre remédios na mesa”, destacou.

A empresa ainda apontou que está aberta a aquisições, parcerias e outras operações que possam melhorar a sua posição no mercado, embora não tenha dado detalhes sobre alguma negociação em andamento ou a expectativa para o cenário caso a a Azul compre a Latam Brasil. A Gol anunciou a compra da MAP Transportes Aéreos, aérea doméstica com rotas regionais e do Aeroporto de Congonhas em São Paulo, no começo de junho.

Os executivos da companhia ainda avaliaram que o fechamento do capital da Smiles deve ter um impacto positivo na gestão de receitas dado que agora a companhia tem, a partir deste episódio, total controle dos preços das passagens aéreas e dos preços de seu programa de fidelidade.

O Bradesco BBI segue com recomendação neutra para a Gol, com preço-alvo de R$ 24 para o final de 2021, ou queda de 3,15% em relação ao fechamento de quinta-feira.

O BTG Pactual, por sua vez, está mais positivo, com preço-alvo em R$ 31, ou upside de 25,1% frente o fechamento da véspera.

Em relatório, os analistas apontaram que, apesar de avaliarem que o setor aéreo vai permanecer volátil no curto prazo por conta das incertezas sobre uma nova onda de casos de Covid-19, veem a Gol tomando os passos necessários para minimizar a queima de caixa e retomar operações com a vacinação.

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O banco também destaca o plano apontado pela companhia, durante o evento, de encerrar 2021 com 129 aeronaves, recebendo 11 Max da Boeing, o que deve elevar os gastos com eficiência; e os 159 destinos que vai atender no segundo semestre.

De acordo com compilação feita pela Refinitiv com casas de análise que cobrem as ações GOLL4, duas delas têm recomendação de compra, sete de manutenção e duas de venda, com preço-alvo de R$ 24,35, o que corresponde a uma baixa de 1,75% em relação ao fechamento da véspera.

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BBI vê Azul podendo lançar em breve oferta para comprar Latam Brasil e eleva recomendações para ações

Azul

SÃO PAULO – Em meio às avaliações sobre a consolidação do mercado no setor aéreo, que ganharam força no final do mês passado, a ação da Azul (AZUL4) teve a recomendação elevada de neutra para outperform (desempenho acima da média) pelo Bradesco BBI, com um novo preço-alvo de R$ 75 para 2022, valor 68% acima do fechamento de sexta-feira (4) e ante o preço-alvo anterior de R$ 38 para 2021. Com isso, os ativos AZUL4 sobem cerca de 7% nesta sessão: às 12h (horário de Brasília), a alta era de 6,67%, a R$ 47,69, na B3.

De acordo com os analistas do BBI, as operações envolvendo a Azul podem reescrever a história da companhia aérea em até noventa dias.

Os analistas lembram que, em 24 de maio, a Latam Airlines Group e a Azul anunciaram o encerramento de seu acordo de codeshare para voos domésticos no Brasil. Depois deste evento, a Azul confirmou seu interesse para consolidar o mercado doméstico e a Latam Brasil é o alvo potencial de aquisição, o que vem movimentando as ações desde então.

“Em nossa opinião, em até noventa dias, a Azul pode fazer uma proposta para adquirir as operações domésticas da Latam Airlines Brasil. Os credores da Latam podem solicitar que esta alternativa seja incorporada ao plano de reestruturação a ser apresentado nos procedimentos de recuperação judicial até 30 de junho e a ser votado até 23 de agosto”, avaliam os analistas, que veem a fusão entre as companhias como “muito provável”.

Os papéis da Latam Airlines negociados nos EUA também tiveram a recomendação elevada de underperform (desempenho abaixo da média) para neutra, assim como o preço-alvo foi elevado de US$ 1 para US$ 3, o que configura um potencial de valorização de 5% em relação ao fechamento da sexta-feira.

Para Victor Mizusaki e Pedro Fontana, analistas que assinam o relatório, as sinergias com a potencial fusão poderiam alcançar um valor presente líquido (VPL) de R$ 9,5 bilhões para a Azul, representando R$ 19 por ação. Isso levando em conta que as operações domésticas da Latam Brasil tenham avaliação de US$ 822 milhões.

De acordo com eles, os ganhos de sinergias podem chegar a 5% das receitas combinadas, baseando as avaliações nos ganhos de sinergia de oito operações do gênero recentes no setor. Olhando para o cenário mais pessimista com a fusão, o piso de sinergia seria de 2,7%, o que ainda representaria um aumento de R$ 14 para os ativos da Azul, destacam.

Cabe ressaltar que, em relatório do final de maio, o Itaú BBA apontou que, olhando para uma possível fusão entre Azul e Latam, essas sinergias poderiam levar a um valor adicional entre R$ 5,60 e R$ 27,90 por ativo AZUL4 para os atuais acionistas, pressupondo uma operação baseada em ações.  Assumindo a economia decorrente de uma fusão, os analistas calcularam as sinergias como uma proporção das receitas combinadas da nova empresa entre 1% e 5%. Com base nessa faixa de sinergia, estimam que um negócio entre a Azul e a Latam resultaria em um valor incremental de valor da firma entre R$ 2,5 bilhões e R$ 12,5 bilhões. Eles também fizeram análise de sensibilidade para uma possível fusão entre Azul e Gol (GOLL4) (veja mais clicando aqui).

Já o Morgan Stanley está mais pessimista, vendo grandes obstáculos para a união das operações, ao apontarem que a  administração da Latam já foi bastante incisiva ao dizer que não está interessada em vender sua operação no Brasil para a Azul.

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Para os analistas, esse parece ser um grande obstáculo, considerando que deve refletir a posição de alguns ou de todos os principais acionistas da Latam, como a família Cueto, que também faz parte de um dos grupos que forneceu o financiamento DIP (“debtor in possession”) –  ou seja, credores que possuem preferência quando a Latam começar a pagar suas dívidas da recuperação judicial.

A estratégia da Azul para adquirir os ativos da Latam é se organizar com os arrendadores de aviões credores do grupo chileno. Para que a estratégia tenha sucesso, é necessário que a Azul obtenha um consenso com os credores da Latam que ajudaram a compor o programa DIP da empresa.

Além disso, apontaram os analistas do Morgan, não está claro se a Azul irá de fato apresentar uma proposta competitiva para adquirir a operação da Latam no Brasil como parte do processo do capítulo de recuperação judicial da companhia aérea chilena, e um desafio importante está relacionado ao tempo. Isso porque qualquer proposta que a Azul fizer dependerá da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), enquanto o período de exclusividade para apresentar o plano de reorganização da Latam se estende até 30 de junho de 2021.

A recomendação atual do Morgan Stanley para os ADRs da Azul é underweight (exposição abaixo da média do mercado), com preço-alvo de US$ 17 (ou queda de 36% em relação ao fechamento do dia 4 de junho). Os analistas também possuem recomendação underweight para a ação da Latam Airlines negociada nos EUA, com preço-alvo de US$ 3,50, o que ainda configura uma alta de 22,8% em relação ao último fechamento. Veja mais clicando aqui. 

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Ações de aéreas e da PetroRio voltam a cair com vacinação no radar; Usiminas avança com dados de produção e Embraer sobe 5%

(Shutterstock)

SÃO PAULO – As ações do IRB (IRBR3) registram ganhos, que chegaram a ser de 6%, na sessão desta terça-feira, após a companhia divulgar seus números para o mês de janeiro. O IRB Brasil RE registrou lucro líquido de R$ 17,9 milhões no mês, revertendo prejuízo de R$ 132 milhões de um ano antes. No acumulado do ano, contudo, as ações ainda caem 22% após serem lanterninhas do Ibovespa em 2020.

Em destaque, estão os papéis da Embraer (EMBR3), com ganhos de cerca de 5%. Na sequência da divulgação dos resultados no fim da última semana, o Credit Suisse elevou o preço-alvo para os ADRs (American Depositary Receipts, na prática, as ações da companhia brasileira negociadas na NYSE) de US$ 4,80 para US$ 5,90, ainda que mantendo recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado).

Os analistas destacaram que, no geral, o quarto trimestre foi positivo para a fabricante de aeronaves e que a execução parece estar melhorando após a reintegração e o redimensionamento do segmento de aviação comercial. O banco também destaca a melhoria da execução e quase um monopólio virtual no segmento de regional jets com 100 assentos, com a Canadair e a Mitsubishi saindo do mercado de nova produção. Contudo, ainda avaliam que 2021 será um ano de incertezas para a companhia.

Entre as altas, atenção ainda para a Usiminas após informar dados de produção. A produção de laminados pela sua unidade de siderurgia no ano até 20 de março foi de 1,1 milhão de toneladas, montante 19% acima da média diária do primeiro trimestre de 2020.

Já entre as maiores baixas, aéreas como Gol (GOLL4), Azul (AZUL4) voltam a ter queda, de cerca de 3%, em meio aos desafios evidenciados no início desta semana com os temores relativos ao cronograma de vacinação.

As ações da PetroRio (PRIO3) também caem, ainda que cerca de 1%, assim como os papéis da Petrobras (PETR3;PETR4) com  a sessão de baixa de cerca de 4% para os principais contratos do WTI e do brent, também refletindo as preocupações com a vacinação, notoriamente na Europa.

Entre as quedas, também está o Pão de Açúcar (PCAR3), que disparou nas duas últimas sessões com rumores sobre avanços na venda da Cnova, braço de comércio eletrônico do francês Casino, que controla o GPA. Contudo, em esclarecimento, a varejista informou que não existe nenhuma decisão ou processo em andamento que se configure como um fato relevante envolvendo a participação que detém na Cnova.

No radar de resultados, as ações da Marisa (AMAR3) caem cerca de 3% após o resultado, enquanto Alupar (ALUP11) avança cerca de 1%. Confira os destaques:

Confira os destaques:

Vale (VALE3) e minério 

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Os futuros do minério de ferro na China fecharam em alta no pregão diurno desta terça-feira, após uma sequência de duas sessões de retração impulsionada por preocupações com restrições à produção de aço no país, principal produtor global.

O contrato mais ativo na bolsa de Dalian DCIOcv1, para entrega em maio, encerrou com ganhos de 2%, a 1.039,50 iuanes por tonelada. O primeiro contrato do minério de ferro na bolsa de Cingapura, para abril SZZFJ1, avançava 2,4%, para 154,75 dólares por tonelada.

Usiminas (USIM5)

A Usiminas informou na segunda que a produção de laminados pela sua unidade de siderurgia no ano até 20 de março foi de 1,1 milhão de toneladas, montante 19% acima da média diária do primeiro trimestre de 2020.

No período, a produção de placas da companhia foi de 680 mil toneladas, um aumento de 2% ano a ano. O volume de vendas da unidade no período foi de 1,076 milhão de toneladas, 18% acima de um ano antes.

O Morgan Stanley destacou que os dados abrem perspectiva de aumento de suas estimativas para exportações, que já levam em conta vendas domésticas fortes de ferro. Assim, as vendas devem chegar a 1,226 mil toneladas, 7% acima da expectativa do Morgan Stanley. No mercado doméstico, as vendas devem ser de 1,140 mil toneladas, 4% superior à estimativa do Morgan Stanley. As exportações devem chegar a 85 mil toneladas, frente à expectativa de 58 mil toneladas do Morgan Stanley. O banco mantém avaliação de overweight (expectativa de valorização acima da média do mercado), e preço-alvo de R$ 16, frente aos R$ 17,59 negociados na segunda.

Lojas Marisa (AMAR3)

A Lojas Marisa registrou prejuízo de R$ 28,9 milhões no quarto trimestre de 2020, revertendo lucro de R$ 32,7 milhões de um ano antes, mostrando os reflexos dos impactos da pandemia sobre as vendas.

A receita líquida da varejista teve baixa de 14,5%, a R$ 769,2 milhões, na comparação anual, enquanto a receita com o varejo teve baixa de 7,2% no período, como consequência da redução do fluxo de clientes nas lojas no último mês de 2020 em meio ao aumento de casos da covid-19. Com produtos e serviços financeiros, a receita caiu 40,4%.

As vendas “mesmas lojas”, que levam em conta as unidades abertas há mais de 12 meses, tiveram baixa 5,6% no trimestre, com o fraco desempenho de dezembro compensando o aumento visto em outubro e novembro.

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O Bradesco comentou os resultados da Marisa, destacando a queda nas vendas em mesmas lojas, em linha com suas expectativas. A receita de serviços financeiros caiu 34%, mais do que o banco dizia esperar, apesar de estar em linha com os pares do mercado.

O lucro Ebitda de R$ 29 milhões representou uma queda de 73% na comparação anual, menos do que a estimativa de R$ 41 milhões do banco. O prejuízo líquido ficou acima da expectativa de R$ 12 milhões do banco. O Bradesco BBI afirma, no entanto, que os resultados estão, de forma geral, em linha com sua expectativa.

O banco diz que, apesar do prejuízo, a empresa conseguiu continuar avançando no que diz respeito ao controle de despesas gerais, de vendas e administrativas, recuperando margem bruta. Entre os desafios à frente, o banco destaca dívida de R$ 540 milhões que deve ser refinanciada em 2021, além dos novos lockdowns que foram implementados. Mesmo assim, o banco vê espaço para recuperação do lucro, caso a Marisa lide com esses desafios. Por isso, mantém avaliação de outperform (expectativa de valorização acima da média do mercado), e preço-alvo para 2021 em R$ 11, frente aos R$ 5,47 de fechamento na segunda.

A Alupar teve lucro líquido de R$ 478,4 milhões no quarto trimestre de 2020, valor quase três vezes maior do que os R$ 166,3 milhões registrados em igual período de 2019.

A receita líquida totalizou R$ 2,4 bilhões, valor 75,7% frente igual período de 2019, quando teve receita de R$ 1,36 bilhão. O Ebitda, por sua vez, foi a R$ 1,6 bilhão, alta de 140, 8%.

Para o Credit, os números da Alupar ficaram acima das estimativas, principalmente na unidade de geração de energia. Os resultados se beneficiaram de ajustes de inflação sobre receitas anuais, início comercial de novos projetos e gastos administráveis mais baixos.

Os rendimentos foram negativamente impactados por resultados financeiros mais fracos do que o esperado. A dívida líquida atingiu R$ 6,7917 bilhões, alta de 8,3% na comparação trimestral. E os investimentos foram de R$ 635 milhões no quarto trimestre. O Credit mantém recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 29,9, frente aos R$ 24,6 negociados na segunda (22).

Boa Vista (BOAS3)

O Morgan Stanley comentou os resultados divulgados pela Boa Vista. O lucro líquido antes de eventos extraordinários ficou em R$ 35 milhões, alta de 146% na comparação com o trimestre anterior, e de 55% na comparação anual, 83% acima de sua estimativa de R$ 19 milhões. O lucro Ebitda ficou em R$ 92 milhões, alta de 43% no trimestre, e de 19% na comparação anual. Ele fica acima da estimativa de R$ 70 milhões.

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O banco avalia que o mercado deve ficar positivamente surpreso quanto a receitas e lucros no trimestre, e que vê na Boa Vista uma boa oportunidade. O banco mantém avaliação overweight para a Boa Vista, e preço-alvo em R$ 19, frente aos R$ 10,38 negociados na véspera.

A XP Investimentos retomou a cobertura das ações de Locaweb – LWSA3 – com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 32 por ação para o final de 2021 (de R$ 17,80), implicando um potencial de valorização de 29% frente o último fechamento.

A Petrobras deu início nesta segunda-feira (22) à fase vinculante para venda de suas participações nas concessões de Albacora e Albacora Leste, localizadas em águas profundas na Bacia de Campos.

De acordo com comunicado ao mercado enviado pela estatal à Comissão de Valores Mobiliários(CVM), o campo de Albacora possui uma área de 455 km2 e está situado na área norte da Bacia de Campos, a uma distância de cerca de 110 km do Cabo de São Tomé, no litoral norte do Estado do Rio de Janeiro. No ano passado, Albacora produziu em média 23,2 mil barris de óleo por dia e 408,5 mil m3/dia de gás. A Petrobras é operadora do campo com 100% de participação.

O campo de Albacora Leste possui uma área de 511,56 km quadrados e está situado na área norte da Bacia de Campos, a uma distância de cerca de 120 km do Cabo de São Tomé. Em 2020, Albacora Leste produziu em média 30,9 mil barris de óleo por dia e 598,0 mil m3/dia de gás. A estatal é operadora do campo com 90% de participação e 10% pertencem à Repsol Sinopec Brasil.

O IRB Brasil RE registrou lucro líquido de R$ 17,9 milhões em janeiro, revertendo prejuízo de R$ 132 milhões de um ano antes, de acordo com dados da resseguradora divulgados na noite de segunda-feira.

O faturamento bruto (prêmio emitido) cresceu quase 30%, para R$ 813,6 milhões – sendo R$ 463,8 milhões no Brasil (+110,7%) e R$ 349,8 milhões no exterior (-13,9%).

De acordo com a empresa, o declínio no exterior está em linha com a estratégia do IRB de focar em negócios, linhas e mercados que possam agregar valor. O faturamento de competência (prêmio ganho) totalizou R$ 410,9 milhões, alta de 20,9% ano a ano. O índice de sinistralidade ficou em 70,6% no período, equivalente a uma despesa de sinistro de R$ 290,1 milhões, dentro do esperado pela companhia. O IRB acrescentou que, no período, não foram observados eventos extraordinários (one-offs) que mereçam destaque.

Em fevereiro, na ocasião da divulgação do balanço do último trimestre de 2020, o presidente da resseguradora, Antonio Cássio dos Santos, afirmou que o IRB terá lucro neste ano e voltará a divulgar previsões de desempenho anual.

Pão de Açúcar (PCAR3)

Em meio à forte alta recente das ações em meio aos rumores sobre a venda de ativos, o Grupo Pão de Açúcar afirmou nesta terça que, neste momento, não existe nenhuma decisão ou processo em andamento que se configure como um fato relevante envolvendo a participação que detém na Cnova, braço de comércio eletrônico do francês Casino, que controla o GPA.

“Em relação a possíveis venda de ativos, incluindo a participação que detém na Cnova, a companhia, conforme é de conhecimento do mercado, está sempre olhando oportunidades de monetização de ativos… mas ressalta que neste momento não existe nenhuma decisão ou processo em andamento”, afirmou.

As ações do varejista dispararam quase 20% nos últimos dois pregões em meio a notícias e comentários de analistas, entre eles de que o Casino poderia se desfazer da sua participação na Cnova, na qual o GPA detém 34% e que valeria cerca de R$ 5,4 bilhões.

No esclarecimento aos reguladores nesta terça-feira, o GPA acrescentou que desconhece informações acerca de decisões de reestruturação e venda de ativos pelo Casino e nem da possibilidade de uma oferta de um terceiro pelo GPA. “Tais informações se tratam de meras especulações de mercado.”

Na noite da véspera, em esclarecimento à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia destacou que não tinha conhecimento de nenhum fato ou ato relevante que justificasse as últimas oscilações registradas com as ações de emissão da Companhia, o número de negócios e quantidade negociada. Na ocasião, ela destacou que as ações vinham sofrendo volatilidade em razão de ajustes de mercado na cotação desde a cisão do Assai, cujas ações passaram a ser negociadas separadamente da Companhia em 1º de março de 2021.

Volvo (STO: VOLV-B)

A Volvo anunciou na segunda um corte significativo na produção de caminhões no Brasil pelo restante do mês devido à escassez mundial de semicondutores e também devido ao agravamento da pandemia de Covid-19 no país. A Volvo está parcialmente seguindo os passos da Volkswagen, que na sexta-feira disse que interromperia toda a produção de automóveis por duas semanas.

Log Commercial Properties (LOGG3)

O conselho de administração da Log Commercial Properties aprovou no domingo oferta primária com esforços restritos de até 21,6 milhões de ações, que espera precificar em 31 de março. Considerando o preço de fechamento das ações na última sexta-feira de R$ 31,34, a oferta pode movimentar quase R$ 677 milhões se colocados os lotes inicial (16 milhões de papéis) e adicional (5,6 milhões de papéis).

Em entrevista a jornalistas na segunda, a presidente interina da Eletrobras, Elvira Presta, afirmou que a estatal projeta um orçamento de investimentos de cerca de R$ 8,2 bilhões para 2021, com boa parte dos recursos voltados à retomada das obras da usina nuclear de Angra 3. “Um terço é para a obra de Angra 3”, afirmou.

Cabe destacar que, na véspera, em sua última conferência para comentar os resultados da Eletrobras, o já ex-presidente da estatal Wilson Ferreira Júnior afirmou que a definição do nome do seu sucessor pode acontecer “ainda esta semana”.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Gol registra prejuízo de R$ 6 bilhões em 2020 e revisa para baixo projeções do 1º tri com nova onda de Covid-19

Gol Boeing 737 smiles avião (Divulgação)

A Gol (GOLL4) revisou para baixo perspectivas para o começo de 2021, sugerindo que a segunda onda da pandemia no Brasil está tendo um impacto negativo significativo no mercado de viagens aéreas, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira.

A companhia, que esperava receita do primeiro trimestre chegasse a R$ 2,4 bilhões, agora estima apenas R$ 1,7 bilhão. A nova projeção representa apenas 52% dos níveis pré-pandemia.

A Gol, a maior companhia aérea do Brasil, relatou um lucro modesto de R$ 16,8 milhões no quarto trimestre, que é parte da alta temporada do Brasil. Mesmo assim, a registrou prejuízo em todo o ano de 2020 de R$ 6 bilhões, em grande parte devido à pandemia de Covid-19.

No quarto trimestre, o lucro antes de juro, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) ainda foi a R$ 132,8 milhões, queda de 90,9% na comparação ano a ano. Enquanto isso, a margem Ebitda foi de 7%, baixa de 31,5 pontos percentuais.  O resultado operacional (EBIT) foi negativo em R$ 319,2 milhões, contra Ebit positivo de R$ 694,7 milhões. Já a margem Ebit ficou em -16,9%, contra 18,3% no ano anterior.

A perspectiva menos otimista da Gol é apenas o mais recente sinal de que a segunda onda de coronavírus no Brasil, que apenas esta semana atingiu recordes históricos de mortes diárias e novas infecções, está afetando negativamente a economia, já que as restrições de saúde prejudicam a demanda por viagens.

A Gol disse que seus números de março foram os mais afetados pela nova onda e que teve que reduzir sua programação de voos para 40% dos níveis de março de 2020.

A companhia aérea também aumentou prognóstico para consumo de caixa esperado para o primeiro trimestre para 3 milhões de reais por dia, de uma estimativa anterior de R$ 2 milhões por dia.

(com Reuters)

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Companhia aérea de Nicolás Maduro vai na contramão com 2020 excepcional

(Bloomberg) — O ano passado pode ter sido o pior da história da indústria de aviação global, mas, para a companhia aérea de Nicolás Maduro, os negócios prosperaram.

A Conviasa, como a estatal venezuelana é conhecida, diz que suas operações cresceram 85% em 2020, sendo uma das poucas aéreas do mundo a registrar expansão depois que a pandemia paralisou as viagens aéreas.

A companhia, que está proibida de voar para os Estados Unidos como parte das amplas sanções contra o regime de Maduro, agora tem voos regulares para cinco países. Três deles são liderados por aliados políticos de Maduro – Bolívia, Irã e México – e há planos para adicionar uma conexão com Moscou em breve. A Conviasa agora também atende rotas de alta demanda para o Panamá e República Dominicana, que operam como centros de trânsito importantes para os venezuelanos.

Enquanto companhias aéreas dos Estados Unidos e da Europa receberam bilhões de dólares em resgates do governo para resistir à pandemia do coronavírus, a Conviasa obteve outro tipo de apoio estatal. A concorrência foi anulada com atrasos nas autorizações ou obstáculos de última hora contra companhias aéreas, como a Copa Holdings.

O segredo do sucesso relativo não é difícil de encontrar. Interessado em apoiar estatais que possam gerar receitas em moeda forte para um regime abalado, o presidente Maduro permitiu que a Conviasa cobrasse em dólares e com tarifas exorbitantes para destinos como Toluca, no México, ou Viru Viru, na Bolívia.

“Se a Conviasa cresceu, ótimo, mas as operações aéreas venezuelanas não deveriam depender de uma única companhia aérea, de um único interesse, isso é perigoso, não está certo”, disse Reinaldo Pulido, vice-presidente da associação Conseturismo. “Você torna um país de 30 milhões de pessoas dependente de uma única empresa.”

A companhia aérea, agora dirigida por Ramón Velásquez, um coronel da reserva que também comandava o Ministério de Ecossocialismo e Águas, conseguiu quase dobrar as operações no ano passado, segundo comunicado da empresa. Nesse período, o tráfego de passageiros caiu 63% em toda a América Latina e quase 66% globalmente, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo.

Comprar uma passagem, no entanto, pode ser uma experiência enlouquecedora.

O site da Conviasa não é confiável para fazer reservas e até mesmo para verificar os horários de saída e chegada. Ninguém atende os números de atenção ao cliente. Ir pessoalmente a um escritório também não garante o recebimento das passagens, pois costumam estar esgotadas ou as agências podem não cumprir o horário normal de funcionamento.

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No entanto, os voos costumam estar lotados.

A Conviasa não publica relatórios financeiros ou dados importantes, como vendas de passagens, receita, capacidade de voo ou orçamento operacional. Nem a Conviasa nem seu hub principal, o Aeroporto Internacional de Maiquetía, em Caracas, responderam a pedidos de comentário sobre as práticas comerciais da operadora.

Quando o primeiro caso de coronavírus foi confirmado na Venezuela em 13 de março de 2020, o governo rapidamente decretou um dos lockdowns mais rigorosos do mundo, e os aeroportos ficaram fechados por sete meses.

Mas quando o céu foi reaberto em novembro, a Conviasa recebeu licenças rápidas para destinos de voos diretos recém-aprovados, como o México, e anunciou uma conexão exclusiva entre Caracas e a Bolívia. Outras companhias aéreas privadas enfrentam dificuldade para obter aprovações.

As passagens para o México ou Bolívia podem custar até US$ 1.000, uma quantia muito além do poder de compra da maioria dos venezuelanos.

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Ações da Petrobras desabam 6%, aéreas caem 9%, Cielo tem queda de mais de 11% e nenhuma ação do Ibovespa fecha em alta

SÃO PAULO – Uma sessão de forte aversão ao risco no mercado fez novamente as ações tombarem e ofuscou totalmente a temporada de balanços, a despeito de alguns resultados considerados positivos pelos analistas.

O motivo para a forte baixa do Ibovespa, de 4,25%, a 95.368 pontos, foi a segunda onda do coronavírus na Europa e nos EUA.  O presidente da França, Emmanuel Macron, decretou um lockdown em todo o território nacional a partir da próxima sexta-feira (30), na tentativa de conter a segunda onda do novo coronavírus (Sars-CoV-2). As escolas, porém, permanecerão abertas.

Vale destacar que, na Alemanha, a chanceler Angela Merkel e os primeiros-ministros dos Estados do país concordaram em implementar um segundo bloqueio parcial, a partir da próxima segunda-feira (2), também com o aumento do número de casos por lá.

Em meio à aversão ao risco, apenas ações de empresas consideradas mais defensivas, como a da elétrica Taesa (TAEE11, R$ 28,39, -1,25%), tiveram baixas mais amenas, ainda que superiores a 1%.

Já as ações da Petrobras (PETR3, R$ 18,64, -6,14%;PETR4, R$ 18,67, -6,09%) caíram cerca de 6%, com os preços do petróleo tendo forte baixa nesta quarta-feira, revertendo ganhos do dia anterior após uma elevação os estoques e com o aumento nos casos de coronavírus nos Estados Unidos e na Europa, que geraram temores de um excesso de oferta e uma demanda mais fraca por combustíveis. No caso do petróleo, o provável impacto à atividade levou os contratos para baixo, com o movimento ainda impulsionado pelo dólar forte, que torna a commodity mais cara para os detentores de outras moedas.

O petróleo WTI para dezembro fechou em baixa de 5,51%, em US$ 37,39 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para janeiro recuou 4,73%, a US$ 39,64 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE).

Ainda no radar da companhia , ela divulgará os resultados após o fechamento do mercado e anunciou a revisão da política de remuneração aos acionistas, de forma que a companhia possa pagar dividendo mesmo sem ter registrado lucro.

Em meio às expectativas por mais restrições à circulação com a aceleração dos casos de coronavírus na Europa e nos EUA, as aéreas também registraram forte baixa, caso de Azul (AZUL4, R$ 23,40, -9,58%) e Gol (GOLL4, R$ 16,92, -9,03%). CVC (CVCB3, R$ 12,77, -9,88%) também viu suas ações em forte baixa.

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Bancos também tiveram um novo dia de forte queda seguiram a baixa da véspera em meio à forte aversão ao risco do mercado. Após o Santander Brasil (SANB11, R$ 32,01, -3,79%) divulgar os seus números na véspera, nesta data (após o fechamento) será a vez do Bradesco (BBDC4, R$ 21,00, -5,66%). Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 23,78, -4,46%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 31,14, -5%) também caíram.

Outra companhia a divulgar os seus números será a Vale (VALE3, R$ 60,26, -3,63%), que também viu suas ações caírem forte na sessão.

Já entre os papéis que registraram menores perdas no índice, relativamente, foram os do Carrefour Brasil (CRFB3, R$ 19,70, -2,14%), que apresentou na véspera fortes números de vendas no terceiro trimestre. Cielo (CIEL3, R$ 3,41, -11,66%), RD (RADL3, R$ 24,20, -7,21%) Localiza (RENT3, R$ 62,55, -3,13%), Vivo (VIVT4, R$ 42,01, -3,40%), Gerdau (GGBR4, R$ 22,22, -5,89%) e, fora do índice, a Smiles (SMLS3, R$ 15,85, -11,50%), também divulgaram seus números do terceiro trimestre entre a noite da véspera e a manhã desta quarta.

Com relação à Cielo, os analistas do Safra destacaram que os números, embora tenham apresentado boa recuperação dos volumes transacionados e da receita, foram fracos. Eles veem dinâmica fraca de lucros à frente mesmo após pior momento no segundo trimestre. para a empresa e para o setor.

Com relação à RD, os analistas do Itaú BBA apontaram: “reconhecemos a execução consistente da RD, modelo de negócios resiliente, balanço sólido e plano de expansão robusto”, mas citaram que maior parte das vantagens parecem precificadas nos níveis atuais.

Confira os destaques:

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
CIEL3 -11.658 3.41
AZUL4 -9.9304 23.31
CVCB3 -9.88 12.77
IRBR3 -9.5097 6.09
GOLL4 -9.1936 16.89

Ambev (ABEV3, R$ 13,37, -2,55%)

A Heineken informou resultados, tendo desempenho melhor do que o esperado no terceiro trimestre, com um surpreendente aumento nas vendas de cerveja nas Américas, mas disse que a incerteza ainda causada pela pandemia de Covid-19 a impede de fornecer uma previsão confiável para 2020.

Nas Américas, os volumes de cerveja aumentaram 2,5%, com crescimento de cerca de 10% nos Estados Unidos e no Brasil, onde a Heineken está se expandindo após uma aquisição em 2017 que a tornou a segunda maior cervejaria do mercado, atrás da Ambev.

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De acordo com o Credit Suisse, o número corrobora o cenário de sólido crescimento da indústria; o banco destaca esperar bons resultados de vendas de volume de cervejas para a Ambev, que divulga seu resultado amanhã de manhã.

Gerdau (GGBR4, R$ 22,22, -5,89%)

A receita líquida da Gerdau somou R$ 12,2 bilhões no terceiro trimestre, 23% a mais sobre o mesmo período do ano anterior, com as vendas físicas de aço totalizando 3,2 milhões de toneladas, uma alta de 4%.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) consolidado foi de R$ 2,1 bilhões, com margem Ebitda de 17,5%. Segundo a companhia, o resultado reflete a retomada vigorosa dos mercados no Brasil e na América Latina, especialmente de construção civil, e a manutenção da demanda por aço em bons patamares na América do Norte.

“No terceiro trimestre de 2020, a Gerdau beneficiou-se da agilidade na retomada de suas operações industriais e da proximidade com seus clientes para atender a demanda crescente por aço nos diversos mercados em que está presente. No Brasil, as vendas de aços longos e planos no mercado interno subiram 7% entre janeiro e setembro em uma comparação anual e ficaram acima dos patamares registrados antes do início da pandemia, reflexo principalmente do forte desempenho da construção civil, enquanto mantivemos em níveis positivos os volumes entregues na América do Norte. Além disso, nos últimos meses, aceleramos nossa estratégia de transformação digital, nos aproximando ainda mais dos nossos clientes, o que podemos ver refletido no aumento de cotações para compra de aço no nosso site de 14 mil, em janeiro, para 50 mil, em setembro”, afirma Gustavo Werneck, diretor-presidente (CEO) da Gerdau.

Houve uma queda na relação entre a dívida líquida e Ebitda, que saiu de 2,8 vezes no segundo trimestre para 2,1 vezes. A geração no fluxo de caixa livre atingiu R$ 2,3 bilhões.

Ao longo do terceiro trimestre de 2020, a Gerdau investiu R$ 360 milhões em ativo imobilizado (CAPEX). Considerando os nove primeiros meses do ano, foi destinado R$ 1,1 bilhão para as operações da empresa globalmente. A previsão de desembolso de CAPEX para 2020 representa investimentos da ordem de R$ 1,6 bilhão.

Segundo o Morgan Stanley, a Gerdau apresentou um Ebitda muito forte, que bateu as estimativas de mercado e do banco.

Os Conselhos de Administração da Gerdau e da Metalúrgica Gerdau aprovaram a distribuição de dividendos relativos ao ano de 2020, em antecipação ao dividendo mínimo obrigatório. A Gerdau  e a Metalúrgica Gerdau pagarão dividendos, respectivamente, de R$ 204 milhões (R$ 0,12 por ação) e R$ 76 milhões (R$ 0,07 por ação) nos dias 18 e 19 de novembro.

Cielo (CIEL3, R$ 3,41, -11,66%)

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Mesmo tendo observado uma melhora no volume financeiro capturado no terceiro trimestre de 2020, a Cielo não conseguiu evitar que seu lucro líquido despencasse 71,6% no período, na comparação anual, para R$ 100,4 milhões.

Também em queda, o Ebitda da companhia (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) sofreu uma retração de 33,7% na comparação anual, totalizando R$ 480 milhões. Frente ao trimestre anterior, o número mais que dobrou — teve uma alta de 103,4%.

O volume financeiro capturado pela Cielo recuperou o patamar anterior à pandemia de coronavírus no país, com aumento de 29,4% frente ao segundo trimestre deste ano, mas, ainda assim, tal recuperação não foi suficiente para neutralizar o impacto da Covid-19, fazendo com que o volume contra o terceiro trimestre de 2019 recuasse 3,6%, para R$ 165,3 bilhões.

“O montante pago de forma antecipada aos pequenos e médios varejistas representou em uma penetração recorde de 31,8% do volume de crédito. Este crescimento foi viabilizado pela estratégia de alocação de recursos para fomentar o pagamento antecipado de recebíveis de cartão de crédito para este segmento, anunciada em março de 2020”, destacou a Cielo em seu balanço.

O Credit Suisse avaliou que os resultados estão melhorando após um segundo trimestre fraco, mas manteve recomendação neutra da companhia (expectativa de valorização dentro da média do mercado).

O banco suíço reafirmou ser “difícil ver qualquer ângulo estruturalmente positivo nas ações se a Cielo continuar da mesma forma”, embora tenha considerado o resultado trimestral acima do previsto.

Analistas do setor financeiro ainda veem desafios adicionais para a Cielo com a estreia em novembro do sistema instantâneo de pagamentos, PIX, que deve tomar mercado de outras modalidades que dão receitas para instituições financeiras, caso dos cartões de crédito e de débito, eixo do negócio das adquirentes.

Em teleconferência com jornalistas, Paulo Caffarelli, CEO da companhia, no entanto, alegou na teleconferência que o PIX deve ampliar a bancarização no Brasil, criando oportunidades maiores para o setor financeiro, incluindo a própria Cielo. Mas não deu detalhes.

O Bradesco BBI avaliou os resultados como melhor do que o esperado, e ajustou em 18% para cima a previsão de lucro Ebitda em 2020, para R$ 398 milhões. O banco manteve, no entanto, a recomendação como neutra, devido a incertezas quanto à estrutura de capital da empresa e pressões competitivas, mas elevando ligeiramente o preço-alvo de R$ 4,50 para R$ 5, o que configura um potencial de valorização de quase 30% em relação ao fechamento de R$ 3,86 da véspera.

Localiza (RENT3, R$ 62,55, -3,13%)

O balanço do terceiro trimestre divulgado pela Localiza nesta terça-feira (27) mostrou que o pior da crise para a empresa já ficou para trás. Com a retomada do nível de vendas de seminovos ao nível pré-pandemia, além da remoção dos descontos para alugueis de carros, a companhia viu seu lucro líquido crescer 59% no período, na comparação anual, para R$ 325,5 milhões.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu 18,9% na mesma base de comparação, para R$ 648,1 milhões. O indicador foi ajudado pela gestão de frotas, segundo a companhia, que apresentou crescimento de 8,6% no volume de carros alugados do período, em relação ao terceiro trimestre de 2019.

“Na divisão de aluguel de carros, nos beneficiamos da diversificação de segmentos para uma retomada consistente, alcançando frota média alugada de cerca de 139 mil carros, 5,4% maior na comparação com terceiro trimestre de 2019. Em setembro alcançamos o nível de 152 mil carros alugados, próximo ao patamar de frota média alugada no primeiro trimestre de 2020”, disse a empresa.

A diária média, que havia sido bastante impactada no segundo trimestre por causa das restrições de mobilidade causadas pela pandemia de coronavírus, se recuperou gradualmente entre julho e setembro, atingindo uma média de R$ 66,80 — resultando em receita líquida do segmento aluguel de carros praticamente estável em comparação ao terceiro trimestre de 2019, de R$ 755,3 milhões, ante R$ 757,6 milhões um ano antes.

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Já a receita líquida consolidada da Localiza teve aumento de 18,8% na comparação anual, totalizando R$ 3,068 bilhões. A receita líquida do segmento seminovos subiu 29,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior, devido à alta de 23,7% do volume de carros vendidos.

O Credit Suisse destacou que os resultados foram impulsionados pela venda de carros usados pela empresa a reforçar a avaliação de outperform (expectativa de valorização acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 74, frente os R$ 64,6 atuais. O Bradesco BBI também reforçou a recomendação de compra das ações, que também avalia como outperform, com preço alvo de R$ 70.

Além disso, a empresa anunciou que elevou o plano de recompra de debêntures para R$ 1,3 bilhão.

Telefônica (VIVT4, R$ 42,01, -3,40%)

A Telefônica Brasil, dona da Vivo, fechou o terceiro trimestre de 2020 com lucro líquido de R$ 1,212 bilhão, o que representa uma alta de 25,5% em relação ao mesmo período de 2019, de acordo com balanço publicado nesta terça-feira, 27. No acumulado do ano, o lucro chegou a R$ 3,478 bilhões, baixa de 6,7% ante o mesmo período do ano passado.

Em sua apresentação de resultados, a operadora de telecomunicações explicou que o avanço do lucro é decorrência da queda nas suas despesas com juros e com impostos. Também houve corte de custos nas operações por meio das iniciativas de digitalização do atendimento. Esses fatores compensaram a menor atividade comercial em meio à crise econômica provocava pela pandemia.

O Ebitda no trimestre foi de R$ 4,322 bilhões, recuo de 4,8%. A margem Ebitda no trimestre caiu 1,1 ponto porcentual, para 40%. E no acumulado do ano, o Ebitda totalizou R$ 12,932 bilhões, retração de 1,8%, com margem de 40,5%, alta de 0,5 ponto porcentual.

A companhia apresentou receita operacional líquida de R$ 10,792 bilhões no trimestre, queda de 2,3%, e R$ 31,934 bilhões no ano, encolhimento de 2,9%.

O resultado financeiro líquido foi uma despesa de apenas R$ 17 milhões, montante 94,6% menor na comparação anual. No ano, chegou a R$ 286 milhões, baixa de 55,1%.

Na avaliação do Credit Suisse, a Vivo reportou resultado ligeiramente positivo, sendo que a receita de serviços de aparelhos surpreendeu positivamente, mas sendo em parte compensada por uma queda mais brusca do que esperada em linha fixa. A margem Ebitda teve queda após vários trimestres de expansão afetada pela venda de aparelhos (10% na base anual).

A tendência para o segmento móvel deve melhorar assim que o cenário macro abrir espaço para implementação do aumento de preço anual.

Raia Drogasil (RADL3, R$ 24,20, -7,21%)

A RD teve lucro líquido de R$ 174,7 milhões no terceiro trimestre, crescimento de 19,5% em relação ao mesmo período anterior, de acordo com dados divulgados pela rede de varejo farmacêutico na noite de terça-feira. Em termos ajustados, o lucro cresceu 13,4%, para 172,9 milhões de reais no período.

A receita bruta consolidada alcançou R$ 5,4 bilhões, um incremento de 12,8% ante o terceiro trimestre do ano passado, com o segmento OTC (produtos de saúde que não exigem prescrição médica) sendo o destaque, com crescimento de 17,3%. A margem bruta passou de 27,7% para 27,8%.

“Conforme as medidas de distanciamento social implementadas para combater a pandemia do Covid-19 foram afrouxando ao longo do trimestre, obtivemos melhoras consideráveis nas receitas… Nosso crescimento em mesmas lojas alcançou 6,7%, enquanto lojas maduras cresceram 1,4%”, observou.

De acordo com os dados divulgados na véspera, os canais digitais representaram 7,1% das vendas do varejo, em linha com o segundo trimestre, “apesar da progressiva normalização do tráfego de clientes em nossas lojas”.

O resultado medido pelo Ebitda ajustado aumentou em 10,5%, para R$ 397,2 milhões, com margem de 7,4%, ligeira queda em relação aos 7,5% um ano antes.

A companhia chamou a atenção para um ganho inflacionário sobre os estoques no trimestre, em função do adiamento do aumento de preços de março para maio.

Mas ponderou que esse ganho foi parcialmente compensado em função do ajuste a valor presente (AVP), um efeito não-caixa, resultado de um ciclo de caixa excepcionalmente maior e da taxa de juros mais baixa, bem como maior investimento em promocionalização e aumento transitório nas perdas de inventário, sobretudo no tocante ao vencimento dos estoques de álcool líquido com validade curta comprados no pico da pandemia.

O ciclo de caixa no terceiro trimestre foi 8,9 dias maior quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Os estoques aumentaram em 2,8 dias, enquanto recebíveis aumentaram 1,8 dia.

A rede registrou um fluxo de caixa livre positivo de R$ 351,8 milhões e uma geração total de caixa de R$ 331,3 milhões no terceiro trimestre.

Dos R$ 184,4 milhões investidos no trimestre, R$ 87,3 milhões foram destinados a abertura de novas lojas, R$ 37,6 milhões foram para a reforma e ampliação de lojas existentes e R$ 59,5 milhões foram para infraestrutura.

A RD inaugurou 64 lojas entre julho e setembro, 12 a mais do que no mesmo período de 2019, com 3 fechamentos, terminando o trimestre com um total de 2.223 estabelecimentos. “Com isso, totalizamos 158 aberturas brutas em 2020 e reiteramos nosso guidance de 240 para o ano”, afirmou a companhia, também lembrando do novo guidance de 240 aberturas brutas por ano para 2021 e para 2022.

Conforme destaca a XP Investimentos, o e-commerce continuou sendo um dos principais destaques do trimestre, atingindo 7,1% das vendas (versus 7,6% no trimestre passado e 2,7% no primeiro trimestre), reforçando que o consumidor parece realmente ter se tornado omnicanal. Segundo a administração da companhia, 431 lojas localizadas em 204 cidades já operam como mini centros de distribuição (versus 345 no segundo trimestre), e concentram cerca de 91% das vendas das lojas. Além disso, 74% das vendas digitais foram atendidas pelas lojas (por exemplo: Clique e Retire, entregas na vizinhança etc.), sendo 85% das entregas feitas em menos de 4 horas.

Carrefour Brasil (CRFB3, R$ 19,70, -2,14%)

As vendas totais do Carrefour Brasil tiveram alta de 27,3% no terceiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2019. Incluindo a venda de gasolina, o grupo vendeu R$ 19,276 bilhões. Já o crescimento LfL (que considera as vendas de mesmas lojas sem gasolina) foi de 26%, um recorde para a série histórica do grupo.

O Atacadão registrou R$ 13,545 bilhões em vendas, uma alta de 31,3%. Enquanto isso, o varejo do Carrefour sem gasolina somou R$ 5,213 bilhões. A explicação do grupo para o número elevado de crescimento do Atacadão é de que as decisões estratégicas tomadas para melhorar a competitividade da bandeira criaram uma dinâmica comercial positiva. “Ao mesmo tempo em que tivemos o retorno do crescimento das vendas para clientes B2B devido à redução das restrições de circulação no Brasil e reabertura de bares e restaurantes”, diz o grupo na prévia de vendaS publicada há pouco.

Quanto aos números do varejo, o grupo diz que as vendas de alimentos foram sustentadas pelos produtos de marca própria que ganharam importância em um ambiente de inflação alimentar. Além disso, o grupo aponta ganho de mercado no setor de hipermercados, graças às suas iniciativas de multicanalidade.

Os números foram classificados como “excepcionais” pelo Credit Suisse, que destacou dados da agência Nielsen segundo os quais a fatia de mercado do Carrefour subiu entre 1,3 e 1,9 ponto percentual. O banco afirmou que os resultados, aliados à incorporação de 30 lojas do grupo Makro nos próximos meses tornam as ações “bastante atraentes”.

Smiles (SMLS3, R$ 15,85, -11,50%)

A Smiles anunciou lucro líquido de R$ 50,2 milhões no terceiro trimestre de 2020, queda de 66,4% frente o mesmo período de 2019. A receita líquida caiu mais da metade na comparação anual, para R$ 133,8 milhões. O Ebitda foi de R$ 62 milhões, queda de 70%. Foram acumuladas mais de 20 milhões de milhas no trimestre, e resgatadas 16,7 milhões de milhas.

O Bradesco BBI classificou os resultados como melhores do que o esperado, ampliou a expectativa para o lucro Ebitda da empresa em 2021 em 67%, com base em um novo acordo operacional com a Gol, que prevê acesso a passagens promocionais e desconto adicional sobre o preço destes produtos. Mas manteve a avaliação como neutra devido à perspectiva de enfraquecimento do real e menor distribuição de dividendos.

Em entrevista ao InfoMoney, André Fehlauer, CEO da Smiles, destacou que, existe uma recuperação bastante forte quando se olha na comparação com o segundo trimestre e quando vemos os meses dentro do trimestre.

“O mês de setembro está muito próximo a patamares do ano anterior, seja em resgate de passagens ou mesmo em faturamento de milhas. Não está tudo bem; mas, em uma indústria afetada pela pandemia, a velocidade de recuperação em um segmento que vem sofrendo muito mostra que estamos no caminho positivo para chegar a patamares que tínhamos antes. A indústria de turismo derreteu, mas estamos saindo do pior trimestre do ano com uma evolução consistente no mensal”, afirmou.

Ele ainda apontou que o modelo de negócios da companhia se comprovou resiliente. “Temos 17,9 milhões de clientes na base de cartões de credito, os indicadores vêm recuperando mês a mês de forma consistente e a empresa voltou a dar lucro nessa pandemia. Temos R$ 219 milhões de caixa. O ano de 2019 tinha uma economia muito mais aquecida, mas estamos nos recuperando. Claramente essa recuperação depende da capacidade de companhias aéreas, sobretudo da Gol”, complementou.

JBS (JBSS3, R$ 19,98, -2,15%)

Nesta sexta-feira a assembleia de acionistas da JBS pode vivenciar momentos tensos. O BNDESPar, braço de investimentos do BNDES, que é acionista minoritário da JBS afirmou, por meio de carta de intenção de voto, que pretende votar a favor de processo contra os irmãos Wesley e Joesley Batista, controladores da empresa, envolvida no escândalo da Lava Jato.

O BNDES acusa administradores de recorrer a subterfúgios para proteger os irmãos, e pede ação de responsabilidade contra a dupla para ressarcir a JBS por prejuízos causados por administradores, ex-administradores e pelos próprios controladores por crimes expostos em delação premiada. Segundo o Estadão, a carta cita nominalmente os ex-administradores Florisvaldo Caetano de Oliveira e Francisco de Assis e Silva.

Petrobras (PETR3, R$ 18,64, -6,14%;PETR4, R$ 18,67, -6,09%)

A Petrobras informou que seu Conselho de Administração, em reunião realizada ontem, aprovou a revisão da política de remuneração aos acionistas. Segundo a empresa, o objetivo de possibilitar que a administração proponha o pagamento de dividendos compatíveis com a geração de caixa da companhia, mesmo em exercícios em que não for apurado lucro contábil.

Com as alterações aprovadas, no cenário em que o endividamento bruto da companhia estiver acima de US$ 60 bilhões, poderá ser apresentada a proposta de distribuição de dividendos, sem apuração de lucro contábil, quando se verificar redução de dívida líquida no período de doze meses anteriores, caso a Administração entenda que será preservada a sustentabilidade financeira da companhia. A proposta de distribuição deverá ser limitada à redução de dívida líquida.

A companhia informou que poderá, ainda, em casos excepcionais, propor o pagamento de dividendos extraordinários, superando o dividendo mínimo legal obrigatório ou o valor anual apurado a partir da fórmula (Remuneração = 60% x (Fluxo de caixa operacional – CAPEX), quando seu endividamento bruto estiver inferior a US$ 60 bilhões, mesmo na hipótese de não verificação de lucro contábil.

Para a XP Investimentos, o anúncio é muito positivo para as ações da Petrobras, pois a companhia poderá distribuir proventos mais elevados a acionistas antes de atingir a marca de endividamento bruto de US$ 60 bilhões, além dos proventos refletirem melhor a geração de caixa operacional da companhia. A XP reitera a recomendação de compra para Petrobras, com preços-alvo de R$ 30 e R$ 29 para PETR4 e PETR3, respectivamente.

Ainda no radar da empresa, o Ministério de Minas e Energia autorizou a estatal a exercer atividades de importação de gás natural da Bolívia em volume total de até 10,08 milhões de metros cúbicos por dia.

A autorização, válida até o final de 2020, foi publicada pela pasta no Diário Oficial da União desta quarta-feira e envolve ainda aval para importação adicional de até 1 milhão de metros cúbicos por dia para uso no sistema de transporte.

De acordo com a publicação do ministério, o gás a ser importado terá como mercado potencial o atendimento à demanda de usinas termelétricas, com transporte através do gasoduto Bolívia-Brasil.

Shoppings

A XP Investimentos retormou a cobertura dos shoppings brasileiros com as seguintes recomendações: Iguatemi (IGTA3; preço-alvo de R$ 41/ação) e Multiplan (MULT3; preço-alvo de R$ 25/ação) com recomendação de compra e brMalls (BRML3; preço-alvo de R$ 10,7/ação) com recomendação neutra;

“Apesar dos resultados amplamente impactados em razão da covid-19, vemos as ações dos shoppings brasileiros negociando em patamares atraentes com base no método de fluxo de caixa descontado e prêmio sobre o FFO Yield para a NTN-B 2035 (taxa de juros reais de longo prazo). Preferimos companhias com portfólio de shoppings sólidos e dominantes (IGTA3 e MULT3), pois acreditamos que elas tendem a se recuperar mais rapidamente do que a média do setor em um cenário pós-pandemia”, destaca a XP. Confira o relatório na íntegra clicando aqui. 

A Ser informou que, no âmbito da possível aquisição dos negócios da Laureate no Brasil, foi revogada a decisão liminar de primeira instância, obtida pela companhia que mantinha o Transaction Agreement válido e eficaz.

“Não obstante, em 23 de outubro, a Ser requereu instauração do respectivo procedimento arbitral, e a questão relativa ao válido exercício do direito de go-shop será discutida por meio de arbitragem, nos termos do Transaction Agreement. A Ser se mantém certa de seus direitos e tomará todas as medidas cabíveis para garantir o efetivo cumprimento do Transaction Agreement”, destacou.

A Totvs convocou assembleia para 27 de novembro assembleia para avaliar a incorporação da Linx.

A Klabin, maior produtora de papéis do Brasil, convocou para 26 de novembro assembleia para discutir incorporação da Sogemar.

A agência reguladora do Paraná propôs adiamento a divisão em duas etapas da revisão tarifária da Sanepar para  2021, o que foi visto como negativo pelo Credit Suisse. De acordo com o regulador, não há tempo para concluir o processo previsto para maio de 2021. As tarifas de 2020 seguem sendo adiadas.

(Com Reuters, Bloomberg e Agência Estado)

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Justiça dos EUA barra crédito de US$ 2,45 bilhões à Latam Airlines, em recuperação judicial

A Justiça americana não autorizou o financiamento que a Latam esperava receber de acionistas e investidores.

Em recuperação judicial nos EUA desde maio, a companhia havia fechado empréstimos de US$ 2,45 bilhões com a Oaktree Capital Management (especializada em investimento de risco), com a Qatar Airways e com as famílias acionistas Cueto (chilena) e Amaro (brasileira).

O negócio foi feito no modelo DIP, em que o credor que concede o financiamento tem prioridade de receber perante outros.

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A Latam pode recorrer da decisão, mas sua situação se complica conforme o tempo passa. O grupo passa dificuldades desde o início da pandemia por causa da queda de demanda no setor aéreo.

“A decisão é ruim para a Latam pois requer que recorra ou consiga aprovar novos termos para um novo financiamento DIP num momento em que o acesso a capital é urgente. Isso pode prejudicar a saúde financeira da empresa no curto e médio prazo”, disse o advogado Felipe Bonsenso.

Na decisão o juiz James Garrity Jr, da corte de falência de Nova York, não concordou com o mecanismo de conversão de ações para pagamento do empréstimo à Qatar e às famílias. A Latam disse estar avaliando a sentença.

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Petrobras, bancos e aéreas caem com exterior ruim e temor fiscal; Suzano e Klabin avançam com dólar e recomendações

Plataforma da Petrobras na Baia da Guanabara, no Rio de Janeiro (Mario Tama/Getty Images)

SÃO PAULO – A sessão é de queda quase generalizada para as ações do Ibovespa e de alta para o dólar nesta quinta-feira (20) com a derrota do governo no Senado com a derrubada do veto ao reajuste dos servidores – elevando as preocupações sobre o cenário fiscal para o Brasil – somada ao exterior mais pessimista em meio aos temores sobre a retomada da economia.

Os poucos destaques de alta ficam para as ações de companhias exportadoras, caso de companhias de papel e celulose como Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11), enquanto Marfrig (MRFG3) e JBS (JBSS3) buscam sustentar os ganhos. Além da alta do dólar, que avança mais de 2% e supera os R$ 5,60, Suzano teve a recomendação elevada para equivalente à compra pelo Morgan Stanley, enquanto o mesmo banco elevou a recomendação para as units da Klabin para equivalente à neutra.

Entre as maiores quedas, estão a de ações de aéreas, como Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4), além da CVC (CVCB3). Bancos como Banco do Brasil (BBAS3), Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC3;BBDC4) e Santander Brasil (SANB11), além de Petrobras (PETR3;PETR4), também registram baixa em meio ao cenário de maior aversão ao risco. No caso da estatal, ainda pesa negativamente a queda do petróleo, com o WTI e brent em baixa de cerca de 2%.

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Confira no que ficar de olho:

Questionada pela CVM, a Sabesp divulgou um fato relevante para explicar o plano de capitalização da empresa anunciado pelo governador de São Paulo, João Doria. A companhia alegou que não tomou conhecimento sobre o plano de reorganização societária.

Segundo o fato relevante, a companhia buscou maiores informações com o seu controlador, o estado de São Paulo, e foi informada que não há decisão sobre um processo de capitalização porque o grupo de trabalho do Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização, instituído em 24/04/2019, não concluiu suas atividades.

Os analistas do Credit Suisse acreditam que não está clara a situação da Sabesp, uma vez que os pronunciamentos feitos até agora não esclarecem se a privatização da empresa foi ou não descartada.

De acordo com o Credit Suisse, a nova lei do saneamento permite a privatização, mas o processo seria mais longo. Em uma capitalização, duas abordagens poderiam ser feitas. “A primeira seria criar uma holding com investidores estratégicos controlando a Sabesp em conjunto com o Estado e adicionalmente um aumento de capital, onde o Estado seria diluído e a empresa seria transformada em uma corporation”, explicaram os analistas do Credit Suisse.

Já para o Bradesco BBI, também há dúvidas sobre qual deve ser o caminhado adotado para a Sabesp. Ainda assim, a recomendação da empresa foi mantida em “outperform” com preço-alvo de R$ 70.

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A C&A reverteu um lucro de R$ 25,8 milhões no segundo trimestre de 2019 para prejuízo de R$ 192,1 milhões em igual período de 2020, com impacto da pandemia do coronavírus.

A receita líquida total teve queda de 76,6% para R$ 294,5 milhões, enquanto as vendas “mesmas lojas”, que consideram o desempenho de unidades em funcionamento há mais de 12 meses, teve baixa de 77% em base anual.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou negativo em R$ 115 milhões, revertendo o resultado positivo de R$ 203,1 milhões do mesmo período de 2019. Em termos ajustados, o Ebitda ficou negativo em R$ 114 milhões, revertendo o desempenho positivo do ano anterior, com a margem recuando 55,7 pontos percentuais, para -38,7%.

Apesar do prejuízo, o Bradesco BBI destacou alguns pontos positivos no desempenho da varejista de moda durante o segundo trimestre do ano. “O principal deles é a aceleração das estratégias digitais, incluindo o aplicativo, o marketplace (que permite a venda de outros estabelecimentos no mesmo ambiente) e o omni-channel. Acreditamos que isso coloca a C&A em uma posição mais forte para lidar com a mudança de hábitos de consumo do que no início do ano”, avaliaram, em relatório, os analistas do banco.

O volume bruto de mercadoria (GMV na sigla em inglês) do comércio eletrônico da C&A atingiu R$ 140 milhões, ante R$ 30 milhões em igual trimestre de 2019. Os analistas atribuem parte desse resultado ao lançamento do marketplace Galeria C&A.

O Bradesco BBI ainda reforçou que o ano será difícil para o varejo de moda mas, ainda assim, mantém sua classificação de “outperform” para a C&A.

Cosan Limited 

A Cosan Ltd teve lucro líquido de R$ 101,9 milhões; em termos ajustados, o lucro foi de R$ 57,6 milhões. A receita no período foi de R$ 13,58 bilhões no segundo trimestre. O Ebitda foi R$ 1,90 bilhão e, em termos ajustados, foi de R$ 1,25 bilhão.

Localiza (RENT3)

A Localiza e sua controlada Car Rental Systems assinaram com The Hertz Corporation e Hertz Systems o
instrumento de rescisão dos contratos de cooperação de marcas e de encaminhamento de clientes, segundo comunicado.

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A rescisão prevê um plano de transição de pelo menos seis meses e a implementação da rescisão está sujeita à aprovação da corte norte-americana responsável pelo processo de recuperação judicial da Hertz, disse a Localiza.

Todas as reservas serão preservadas, assim como o atendimento aos clientes, informou a companhia.

Segundo aponta a Folha de S. Paulo, apesar da resistência do Congresso em avançar com a privatização da Eletrobras, o governo reservou R$ 4 bilhões no Orçamento de 2021 para dar início à execução do plano e criar uma estatal para reunir parte das operações da empresa após a venda.

A privatização da companhia ainda não avançou no Congresso. Para prosseguir, depende de aval do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Maia diz que a privatização da Eletrobras é fundamental, mas que há outras prioridades no momento, como a defesa do teto e as reformas. Para ele, o Congresso não deve tratar de assuntos polêmicos agora.

IPO da Pet Center

A Pet Center definiu faixa de preço em IPO: a faixa indicativa foi definida entre R$ 12,25 e R$ 15,25, disse a companhia em prospecto preliminar da oferta primária e secundária publicado no website da CVM.

O Itaú BBA vai ser o coordenador líder da oferta; Banco Santander Brasil, Bank of America Merrill Lynch Banco Múltiplo, Banco J.P. Morgan e o BTG Pactual também participam. A oferta prevê a distribuição primária de, inicialmente, 24,5 milhões de ações ordinárias e a distribuição secundária de, inicialmente,
138,8 milhões de ações ordinárias dos acionistas vendedores.

O cronograma da oferta é o seguinte: *encerramento do período de reserva: 8 de setembro; *fixação do preço por ação: 9 de setembro e *início da negociação das ações na B3: 11 de setembro.

O número de investidores ativos em ações em julho subiu 129,3% na comparação anual e 6,6% frente junho, para 2,85 milhões.

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Já o volume médio diário de contratos negociados teve alta de 2,1% em um mês e 76% na base anual, a 2,49 milhões. A receita por contrato (RPC) média fechou em R$ 977, queda de 10,1% em comparação com junho e de 5,8% contra julho do ano passado. O número de companhias listadas chegou a 393.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o Banco do Brasil e o Itaú Unibanco acionaram a Justiça em segunda instância para pedir a suspensão da assembleia geral de credores da Oi que está marcada para 8 de setembro. Na ocasião será colocada em votação a proposta de mudança no plano de recuperação judicial da operadora – incluindo aí a permissão para venda das redes móveis, fibra, torres e data centers.

A informação consta em agravos encaminhados pelos bancos para a desembargadora Monica Maria Costa Di Pietro, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, na tentativa de reverter as decisões já tomadas pelo juiz Fernando Viana, da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, onde corre o processo de recuperação da companhia.

Os bancos argumentam que não é possível realizar uma assembleia presencial em meio à pandemia, o que colocaria em risco a saúde dos participantes. Os advogados do Banco do Brasil sugerem adiar a assembleia para meados de 2021, enquanto os profissionais do Itaú pleiteiam que a reunião só ocorra quando as autoridades locais de saúde deem sinal verde para aglomerações de grande magnitude. A Oi tem cerca de 24 mil credores, mas, em reuniões desse tipo, costumam comparecer ‘apenas’ algumas centenas de representantes.

Os dois bancos também insistem no argumento de que os antigos detentores de títulos da Oi – os bondholders – devem ter o peso dos seus votos na futura assembleia restrito ao valor remanescente de dívidas a serem pagas a eles, de modo que, caso não tenham mais nada a receber, fiquem de fora da votação.

Os bancos discordam da decisão do juízo que liberou todos os credores, incluindo os bondholders, a votarem com o mesmo peso da dívida detida na data de aprovação do plano original de recuperação judicial, em 2017.

De acordo com o Bradesco BBI, conta positivamente o fato de a Caixa não estar mais neste grupo contra a assembleia. Os analistas destacam ainda que o juiz responsável pela ação já disse que não vê os pontos levantados como empecilhos para a realização da assembleia de credores, e que ela é essencial para a sustentabilidade da empresa.

“Finalmente, os argumentos dos bancos não fazem sentido em nossa opinião, considerando que os detentores de títulos / acionistas já receberam um haircut de cerca de 70% no passado. Além disso, quanto mais tempo levar para a potencial aprovação do plano, maiores são os riscos de a Oi não ter liquidez suficiente para pagar seus stakeholders, o que seria uma perda para todos. Nosso cenário base é que a assembleia será realizada até 8 de setembro e o plano será aprovado, o que deve desbloquear um valor significativo para a empresa, permitindo também o pagamento de dívidas aos acionistas”, avaliam os analistas do BBI.

O IRB anunciou a nomeação de Carlos Guerra para o cargo de vice-presidente de conselho geral, risco e governança. Guerra liderará as relações institucionais e compliance e dará suporte aos órgãos de governança. Anteriormente, Guerra atuou na Seguradora Líder DPVAT na área de relações com investidores, no Itaú Unibanco na unidade de previdência privada e na Prudential como VP de vida estatutária. A mudança visa fortalecer a estrutura de governança do IRB.

Usiminas (USIM5)

A Usiminas reativará na próxima quarta (26) o alto forno 1 na sua usina de Ipatinga, em Minas Gerais. A siderúrgica havia anunciado no início de abril a suspensão do funcionamento dos alto fornos 1 e 2 e da aciaria 1, todos em Ipatinga. A companhia também anunciou naquele momento a paralisação temporária da usina em Cubatão, São Paulo.

A Linx teve a recomendação reduzida pelo HSBC, com preço-alvo de R$ 22.

A recuperação dos preços da celulose levou o Morgan Stanley a revisão as recomendações para a Suzano e a Klabin.

A Suzano foi elevada de “equalweight” para “overweight” e o preço-alvo atualizado de R$ 46 para R$ 59. No caso da Klabin, a elevação foi de “underweight” para “equalweight” e o preço-alvo passou para R$ 27,50, ante R$ 17,50.

“Vemos os preços da celulose se recuperando até o final do ano 2020, à medida que a melhor atividade econômica e a oferta limitada de celulose apertam o mercado até que novos projetos de celulose sejam lançados no segundo semestre de 2021 e 2022”, avaliaram, em relatório, os analistas do banco americano.

Entre os riscos para o setor, os analistas destacam uma segunda onda de contágio da Covid-19, que pressionaria os preços da celulose. Do lado positivo, os preços podem ser beneficiados por uma recuperação da economia global mais forte que o esperado.

Porto Seguro (PSSA3)

A Porto Seguro aprovou dividendos adicionais de R$ 317,7 milhões. Os dividendos relativos ao exercício findo em 2019 correspondem a R$ 0,98491337 por ação, disse a Porto Seguro. O pagamento será realizado em 28 de agosto aos acionistas registrados na Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária que
foi realizada em março.

A fabricante de autopeças Fras-le divulgou que sua receita bruta atingiu R$ 193,4 milhões em julho, uma alta de 12,2% na comparação com igual mês de 2019, indicando recuperação.

No acumulado do ano, a receita bruta atingiu R$ 1,08 bilhão, queda de 4,5% na comparação com janeiro a julho de 2019.

A companhia também divulgou o comportamento da receita líquida consolidada. O recuo em julho foi de 1,6%, para R$ 128 milhões. De janeiro a julho, a receita somou R$ 749,9 milhões, queda de 5,3%.

Setor de energia

O governo e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estão discutindo uma agenda de desoneração das tarifas de energia. Segundo reportagem do jornal “Valor Econômico”, a ideia é atuar em novas frentes, e junto ao Congresso, para reduzir de forma efetiva o peso dos custos com geração, subsídios e tributos embutidos nas tarifas.

O diretor-geral da Aneel, André Pepitone, informou que está prevista para essa semana a edição de uma medida provisória com os “comandos” para a desoneração das tarifas. O texto trará, entre outras ações, uma solução para diluir o aumento esperado com revisões extraordinárias (RTEs) das tarifas das distribuidoras que eram da Eletrobras e foram privatizadas em 2018.

Atvos

O fundo de investimentos de Abu Dabhi Mubadala está propondo injetar capital na produtora de etanol Atvos, mas apenas se os credores aceitarem menores pagamentos em uma reestruturação da dívida, segundo a agência Reuters.

A Atvos tem uma dívida em torno de R$ 15 bilhões. Nessa semana, a empresa tee o seu plano de reestruturação confirmado por um juiz do Estado de São Paulo, evitando a falência da empresa.

A companhia, antes conhecida como Odebrecht Agroindustrial, comprometeu-se a reduzir pela metade o nível de endividamento. A Atvos só começará a pagar credores em 2022, conseguindo fôlego para sobreviver, de acordo com o plano.

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Bolsonaro sanciona, com três vetos, projeto de ajuda às empresas aéreas

fila de aviões aeroporto aviação companhias aéreas voo covid (Getty Images)

O presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou, com três vetos, a conversão em lei da medida provisória de socorro ao setor aéreo. Apesar de ter vetado a possibilidade de saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para aeronautas e aeroviários, Bolsonaro manteve no texto a previsão de uso do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) para empréstimos ao setor e o fim do adicional de US$ 18 cobrados na Tarifa de Embarque Internacional a partir do ano que vem. A nova lei está publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira, 6.

Positivas para o setor e inseridas na MP pelo Congresso, as duas iniciativas mantidas na lei não tinham destino certo durante as discussões sobre a sanção da medida, pois precisavam passar pelo crivo da equipe econômica.

Como mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) no fim de julho, o Ministério da Economia ainda fazia contas sobre como viabilizar a extinção do adicional a partir de 2021, já que em anos regulares essa taxa gera uma arrecadação de R$ 700 milhões ao governo.

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A pauta do fim do adicional tarifário, no entanto, era defendida pelo Ministério da Infraestrutura há tempos, e chegou até mesmo a ser anunciada por Bolsonaro em suas redes sociais no ano passado. Na pasta comandada por Tarcísio de Freitas, a extinção da taxa tornou-se ainda mais prioritária com a chegada da pandemia, que afeta bruscamente o transporte aéreo, principalmente os voos internacionais.

Enxugar o custo do bilhete é visto como uma medida relevante para fomentar a retomada das viagens para o exterior, além de ter potencial de atrair as empresas aéreas low cost. Nos voos com destino a países da América Latina, esse adicional de US$ 18 pode representar até 20% do preço da passagem.

Os recursos do adicional alimentam o Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), criado com a missão de fomentar o setor. Nota técnica do Ministério da Infraestrutura mostrou, no entanto, que atualmente mais de 60% dos recursos do Fnac vêm sendo alocados para cobrir o resultado fiscal primário do governo. Atualmente, o superávit acumulado do fundo é de aproximadamente R$ 20,8 bilhões.

Empréstimos

O uso de recursos do Fnac para ser objeto e garantia de empréstimo ao setor de aviação até o fim do ano, como previsto pelo Congresso na medida, também quase esbarrou na equipe econômica. A ideia de utilizar o fundo para essa finalidade nasceu dentro do Ministério de Infraestrutura, mas, como mostrou o Broadcast, técnicos apontaram que a estruturação das garantias dependeria de um aporte do Tesouro, já que se trata de um fundo contábil. Ao fim, a iniciativa não foi vetada.

A lei sancionada por Bolsonaro estabelece que poderão acessar esse crédito as empresas concessionárias de aeroportos, as aéreas e as prestadores de serviço auxiliar de transporte aéreo. Todas precisam comprovar terem sofrido prejuízo decorrente da pandemia. O texto também define parâmetros para os limites de taxa de juros, carência e prazo de pagamento, que precisarão ser regulamentados pelo governo.

Reembolso

A medida foi originalmente editada pelo governo em março para definir regras sobre o reembolso e cancelamento de passagens na pandemia, além prorrogar o prazo para as concessionárias de aeroportos pagarem parcelas de outorga a União.

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Com o texto, as companhias aéreas têm um prazo de até 12 meses para devolver aos consumidores o valor das passagens compradas entre 19 de março e 31 de dezembro de 2020 e canceladas em razão do agravamento da pandemia. Se o consumidor não quiser o reembolso, a lei prevê que o passageiro terá a opção de receber um crédito, em vez do valor em dinheiro, a ser utilizado por 18 meses. Na proposta original do governo esse prazo era menor, de 12 meses.

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Fusão? Venda da Latam Brasil para a Azul seria o cenário mais provável, aponta Bradesco BBI

SÃO PAULO – Desde 16 de junho, quando Azul (AZUL4) e Latam surpreenderam os investidores ao anunciarem um acordo de “codeshare” (compartilhamento de voo) – em meio ao cenário de dificuldades para as aéreas em meio à pandemia de coronavírus – os rumores de uma possível fusão entre as duas companhias passaram a ganhar força, apesar das negativas das companhias nesse sentido.

Em relatório, o Bradesco BBI apontou que uma fusão completa entre as empresas parece improvável. Contudo, como parte de seus planos de recuperação, o cenário mais provável é de que a Latam Airlines Brasil fosse vendida para a Azul.

“Uma fusão completa parece muito complexa e também exigiria um acordo abrangente dos acionistas controladores para acomodar vários interesses”, avaliam os analistas Victor Mizusaki e Gabriel Rezende.

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Isso porque, em primeiro lugar, no melhor cenário, David Neeleman, da Azul, dividiria o controle desta empresa com a família Cueto, da Latam. Segundo, a Azul poderia ser arrastada para os procedimentos da recuperação judicial do Grupo Latam Airlines. Por fim, a Delta (que tem parceria com a Latam) e a United Airlines (que tem parceria com a Azul) teriam assento no conselho de administração da Latam – mas as companhias americanas têm interesses conflitantes.

Esse último ponto também seria um problema para autoridades antitrustes. A operação teria que passar pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que já manifestou anteriormente preocupação com a concentração do mercado aéreo brasileiro, além da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Assim, uma solução mais simples seria a venda da unidade brasileira da Latam, apontam os analistas. A Azul poderia emitir 430 milhões de ações a R$ 23 cada para adquirir a Latam Airlines Brasil por cerca de US$ 1,9 bilhão; o fundador David Neeleman continuaria a controlar a empresa.

A Latam garantiria sua exposição ao Brasil em parceria com a Azul, e a empresa também poderia vender essa participação para levantar caixa, se necessário. Os analistas do banco ressaltam que, desde a conclusão da fusão da TAM com a chilena LAN em 2012, a Latam Airlines Brasil apresentou desempenho inferior ao das operações do Grupo Latam (excluindo o Brasil).

No cenário de uma eventual aquisição da Latam Brasil, Mizusaki e Rezende apontam ainda que a companhia poderia ser facilmente reestruturada para aumentar o valor patrimonial.

Entre os pontos para isso, os analistas destacam que os contratos de arrendamento de aeronaves são contratados no Chile, proporcionando flexibilidade para ajustar o tamanho da frota e reduzir a alavancagem no Brasil. Para a Azul, a empresa alcançaria uma participação no mercado doméstico de 62% (acima de 25%) e elevaria a sua presença em aeroportos restritos no Brasil (por exemplo, Congonhas e Santos Dumont).

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Ambas as empresas também se beneficiariam de uma redução de alavancagem. Os analistas estimam que, a Latam (excluindo o Brasil) possa reduzir sua relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) para 2021 para 5 vezes com a venda, contra 6,9 vezes do  cenário de referência do banco.

Já a Azul também poderia se beneficiar do crescimento do Ebitda mais rápido do que o esperado com a
consolidação da Latam Brasil e uma maior utilização da frota de aeronaves.

No relatório, os analistas informaram que mantiveram a recomendação de compra para os ativos da Azul, elevando o preço-alvo de R$ 19 para R$ 23 ao final de 2020. Houve diminuição das estimativas de
receita líquida e Ebitda para 2020 e 2021, o que reflete as expectativas para uma evolução mais gradual da recuperação, especialmente em rotas internacionais.

Já pelo lado positivo, dadas as notícias recentes de que a Azul poderá concluir em breve sua reestruturação da dívida, a estimativa de endividamento medido pela relação dívida líquida/Ebitda passou de 5,6 vezes para 4,5 vezes, sendo este o principal fator que justifica o aumento do preço-alvo. A recomendação também é de compra para as ações da Gol (GOLL4).

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