CSN anuncia alta de preços de 7,5% em junho e mais 7,5% em julho em toda a linha

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou aos seus clientes que aumentará os preços em até 15% nos próximos dois meses em toda a linha. Serão 7,5% em junho e mais 7,5% em julho. O reajuste em duas etapas será aplicado para facilitar a compra dos clientes e o mercado de uma forma geral.

O vice-presidente Comercial da companhia, Luiz Fernando Martinez, disse que a CSN (ativo=CSNA3]), numa mudança de estratégia, não terá mais contratos com as montadoras maiores que 3 meses. Isso também vale para a linha branca.

Segundo o executivo, montadoras e linha branca terão reajustes de cerca de 70% em julho. “Fizemos o último reajuste para montadoras e linha branca em janeiro de 2021. O preço precisa ser corrigido”, afirmou.

Mais cedo, o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, disse a jornalistas que os aumentos anunciados em maio pelas usinas já foram totalmente implantados e que as produtoras já estavam estudando novos reajustes para o mês que vem. A alta irá depender de como estará o dólar e os preços no mercado internacional.

Com a alta entre 10% e 18% em maio, os reajustes das usinas já chegam a 52% no ano no Brasil. Loureiro explicou que os aumentos da indústria são dados em função do custo, que tem aumentado com a alta nos preços da sucata e do minério de ferro.

Mas isso não é tudo. Segundo ele, há ainda os reajustes no mercado internacional, que têm contribuído bastante para os aumentos no Brasil.

Stock Pickers lança curso online e gratuito que ensina a identificar ativos com ótimo potencial de valorização. Inscreva-se.

Petrobras afirma que reajustou combustíveis antes da saída de Castello Branco

Edifício da Petrobras (Shutterstock)

A Petrobras (PETR4) informou na sexta (2), em comunicado ao mercado, que preferiu adotar uma postura “mais cautelosa” em janeiro deste ano em relação aos reajustes dos preços de combustíveis, e que acelerou os aumentos de preço em fevereiro quando ficou convicta de que as cotações do petróleo subiriam de forma sustentada. Segundo a companhia, houve reajustes antes de a substituição do presidente da estatal, Roberto Castello Branco, ser comunicada.

O comunicado da petroleira é uma resposta a afirmações do ministro da Economia, Paulo Guedes. Ontem, em entrevista ao portal UOL, Guedes disse que Castello Branco vinha “segurando” os reajustes de preços de combustíveis até saber que seria demitido, em fevereiro. “É claro que, quando soube que ia sair, (Castello Branco) começou a realinhar os preços com o mercado internacional para ajustar suas obrigações diante dos acionistas”, afirmou o ministro.

“De 1º de janeiro a 19 de fevereiro de 2021, quando no final do dia foi anunciada a substituição do presidente Roberto Castello Branco, foram aplicados quatro reajustes no preço da gasolina, três reajustes no preço do diesel e dois reajustes no GLP”, afirma a Petrobras no comunicado. “Neste período, a gasolina subiu 34,9%, o diesel 27,5%, e o GLP 11,3%.”

O presidente Jair Bolsonaro demitiu Castello Branco em meados de fevereiro por considerar excessivos os reajustes dos preços de combustíveis. Para o posto, indicou o general Joaquim Silva e Luna, atual diretor da Itaipu Binacional. Ele ainda precisa ser aprovado pelos acionistas da estatal para o conselho de administração para que, depois disso, seja escolhido como presidente da empresa pelo órgão colegiado.

Como mostrou a colunista Irany Tereza, do Broadcast, Silva e Luna deve reavaliar a política de reajustes dos preços de combustíveis da Petrobras. As normais atuais, vigentes desde 2016, fazem com que os valores sejam ajustados em linha com as cotações do petróleo no mercado internacional.

Quer descobrir como é possível multiplicar seu capital no mercado de Opções? O analista Fernando Góes te mostra como na Semana 3×1, evento online e 100% gratuito. Clique aqui para assistir.

Greve de caminhões afeta postos de combustíveis na região de BH, diz associação

(Reuters) – Uma paralisação convocada por caminhoneiros que atuam no transporte de combustíveis em Minas Gerais tem afetado o abastecimento em postos na região metropolitana de Belo Horizonte nesta sexta-feira, disse em nota uma associação que representa o setor.

O governo mineiro afirmou que acompanha o movimento dos grevistas e que viaturas da Polícia Militar patrulham o entorno da Refinaria Gabriel Passos, unidade da Petrobras em Betim, “de forma a garantir que os motoristas que transportam combustíveis e que não aderiram à paralisação mantenham suas atividades”.

A Petrobras, no entanto, disse não ter sido afetada pela parada da categoria, que teve início às 0h de quinta-feira e pede uma redução pelo governo estadual do ICMS sobre combustíveis.

A refinaria da Petrobras em Minas Gerais “está operando normalmente e atendendo à demanda das distribuidoras”, disse a estatal em nota, acrescentando que a unidade tem “estoques devidamente abastecidos” e produtos “totalmente disponíveis para entrega às companhias distribuidoras”.

Não foi possível contato imediato com representantes do setor de distribuição de combustíveis.

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo em Minas Gerais (Minaspetro) disse que “vários postos já sentem os efeitos da greve, com dificuldades para fazer pedidos junto às distribuidoras de combustíveis e abastecer os caminhões próprios nas bases, em virtude do bloqueio da entrada e saída de veículos pelos grevistas”.

A entidade destacou que não tem como fazer previsões sobre a oferta dos produtos, uma vez que não faz pesquisas sobre estoques, mas alertou que a situação pode piorar.

“Caso a greve permaneça nas próximas horas, certamente haverá falta de produtos em grande parte dos postos de combustíveis do Estado”, afirmou em nota o sindicato, que representa cerca de 4,5 mil pontos de venda.

O Minaspetro disse ter recebido informações de que haveria “mais de 300 caminhões” parados na região.

PUBLICIDADE

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) não respondeu de imediato a pedidos de comentários sobre a situação em Minas Gerais.

A greve mineira ocorre após ameaças de uma paralisação nacional de caminhoneiros neste mês que acabou não ganhando apoio, mas também iria protestar contra os preços dos combustíveis, notadamente do diesel.

Embora a greve nacional não tenha deslanchado, a pressão da categoria ajudou em decisão do presidente Jair Bolsonaro de anunciar na semana passada a indicação de um novo CEO para a Petrobras. Ele apontou o general da reserva Joaquim Silva e Luna para comandar a estatal no lugar de Roberto Castello Branco, em meio a embate com o executivo sobre os preços dos combustíveis.

O anúncio sobre a troca veio após Bolsonaro reclamar na semana passada de uma fala de Castello Branco, que disse que reivindicações dos caminhoneiros não teriam a ver com a empresa. Logo depois, Bolsonaro formalizou a indicação de Luna, que ainda precisará passar por aprovação do conselho da Petrobras.

Além da mudança na petroleira estatal, Bolsonaro vem sinalizando com outros agrados aos caminhoneiros para evitar uma possível paralisação- eles já foram beneficiados com prioridade na campanha de vacinação contra o coronavírus, por exemplo.

Como um trader ganha dinheiro, controla perdas, equilibra o emocional e multiplica capital? Assista na Imersão Trader Estratégico, treinamento gratuito do analista Charlles Nader.

Bolsonaro reitera que haverá mudanças na Petrobras sem dar detalhes

(Isac Nóbrega/PR)

(Reuters) – O presidente Jair Bolsonaro reiterou nesta sexta-feira que mudanças serão feitas na Petrobras (PETR3; PETR4), um dia depois de criticar a elevação do preço dos combustíveis realizada na véspera pela estatal.

“Anuncio que teremos mudança sim na Petrobras”, disse o presidente durante viagem a Sertânia, em Pernambuco, para inauguração de uma obra. Bolsonaro, entretanto, afirmou que “jamais” vai interferir na estatal e não detalhou quais mudanças serão realizadas.

“Mas o povo não pode ser surpreendido com certos reajustes”, disse ele. “Façamos mas com previsibilidade, é isso que queremos.”

Bolsonaro disse ainda que exige e cobra transparência daqueles que indica para cargos depois de, em transmissão ao vivo em suas redes sociais na véspera, criticar fala do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, que afirmou que eventual greve dos caminhoneiros não é um problema da estatal. O preço do diesel é a principal reclamação da categoria.

Leia também: Conselho da Petrobras se reúne na terça para discutir recondução de CEO

Às 12h50 as ações preferenciais da Petrobras operavam em queda de 5,12%, ao passo que as ordinárias caíam 6,12%. No mesmo horário, o Índice Bovespa tinha queda de 0,39%.

Para estrategista-chefe da XP, mudança histórica abriu oportunidade para um grupo específico de ativos na Bolsa. Clique aqui ou deixe seu e-mail abaixo para saber de graça como aproveitá-la.

Bolsonaro critica Petrobras após reajuste de combustíveis e diz que “alguma coisa vai acontecer nos próximos dias”

Jair Bolsonaro, presidente da República (REUTERS/Ueslei Marcelino) Jair Bolsonaro, presidente da República (REUTERS/Ueslei Marcelino)

SÃO PAULO – Após a Petrobras (PETR3; PETR4) anunciar na manhã desta quinta-feira (18) um novo reajuste no preço da gasolina e do diesel, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar a companhia, apesar de negar qualquer interferência.

Durante sua live semanal nas redes sociais, ele disse que não irá interferir na estatal, mas disse que “alguma coisa vai acontecer nos próximos dias”, sem deixar claro o que será feito.

Além disso, Bolsonaro informou que o imposto federal sobre o diesel será zerado por dois meses, valendo a partir de 1 de março, até que uma solução definitiva seja encontrada.

“Por dois meses não haverá qualquer imposto federal sobre o diesel. E por que dois meses? Porque vamos estudar uma maneira definitiva de buscar zerar esse imposto no diesel. Até para ajudar a contrabalancear esse aumento excessivo da Petrobras, mas eu não posso interferir nem iria”, disse o presidente.

“Se bem que alguma coisa vai acontecer na Petrobras nos próximos dias. Tem que mudar alguma coisa. Vai acontecer”, completou.

“Se você vai pra cima da Petrobras, ela fala: opa, não é obrigação minha. Ou como disse o presidente da Petrobras outro dia: eu não tenho nada a ver com caminhoneiro, aumento o preço”, disse ainda o presidente reforçando que a companhia tem autonomia para tomar suas decisões.

Nesta manhã, a Petrobras informou um reajuste para cima em 10% dos preços da gasolina e em 15% do óleo diesel em suas refinarias, que ficarão R$ 0,23 e R$ 0,34 mais caros a partir da sexta-feira (19). Com mais esse reajuste, o litro da gasolina passará a custar R$ 2,48 e o do diesel, R$ 2,58.

Com os novos reajustes, o litro da gasolina nas refinarias acumula variação positiva de 34,78% desde o início do ano, enquanto o diesel subiu 27,72% no mesmo período.

Segundo analistas de mercado, após esse novo reajuste, a companhia praticamente fechará a lacuna de preços frente o mercado internacional.

PUBLICIDADE

Bolsonaro diz não ter como e que não vai interferir na Petrobras

Jair Bolsonaro (Crédito: Alan Santos/PR)

Em meio à pressão por conta de um novo reajuste nos preços dos combustíveis, o presidente da República, Jair Bolsonaro, voltou a dizer nesta segunda-feira, 8, que o governo não pode interferir na Petrobras. No período da tarde, ele se reuniu com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e demais membros da equipe econômica para tratar sobre aumentos anunciados nesta segunda pela estatal nos preços médios de venda às distribuidoras da gasolina, diesel e GLP, gás de cozinha, que deverão vigorar a partir da terça-feira, 9.

“Hoje estávamos reunidos com a equipe econômica do Paulo Guedes vendo a questão do impacto desse novo reajuste no combustível ao qual nós não temos como interferir e não pensamos em interferir na Petrobras”, disse em evento no Palácio do Planalto.

Bolsonaro citou que o senador e ex-presidente da República, Fernando Collor de Mello (Prós-AL), também participou do encontro.

“Temos um cuidado muito grande com mercado, com investidores e com contratos, que têm que ser respeitados”, disse Bolsonaro.

Segundo o presidente, o “ideal” para solucionar a questão do aumentos dos preços dos combustíveis seria “baixar o dólar”. “O ideal – tenho conversado com Roberto Campos Neto (presidente do Banco Central) – é o dólar baixar. Mas baixa como? Com o parlamento em grande parte colaborando na votação de projetos que possam realmente mostrar que nós temos responsabilidade”, disse.

De acordo com o presidente, ao mostrar essa responsabilidade, o dólar “baixa automaticamente”. O chefe do Executivo cumprimentou parlamentares e defendeu o alinhamento com o parlamento. “Os poderes são independentes, mas nós, Executivo e Legislativo, trabalhamos afinados, como se fosse um só poder”, disse.

Bolsonaro chegou ao evento acompanhado do ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP) e do atual chefe da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Plataforma

O chefe do Executivo participou nesta segunda-feira do lançamento da plataforma digital “Participa + Brasil”, iniciativa da Secretaria de Governo para promover participação social e transparência.

No portal, o cidadão poderá, mediante identificação, ter acesso à agenda de audiência públicas, participar em consultas públicas e consultar informações dos colegiados da administração pública federal, como conselhos nacionais e comissões especiais. O indivíduo também poderá enviar sugestões aos órgãos federais.

PUBLICIDADE

Profissão Broker: série do InfoMoney mostra como entrar para uma das profissões mais estimulantes e bem remuneradas do mercado financeiro em 2021. Clique aqui para assistir

Petrobras: dilema do diesel, pouca confiança na política de preços e recomendações rebaixadas fazem ação cair 4%

SÃO PAULO – Os últimos dias têm sido novamente bastante movimentados para as ações da Petrobras (PETR3;PETR4), com a polêmica sobre a política de preços, que parecia ter tido um ponto final na manhã de sexta-feira, voltando à tona. O noticiário sobre o tema também ofuscou os desinvestimentos feitos pela companhia que, contudo, também foram vistos com ressalvas pelo mercado em meio aos valores abaixo do esperado.

Na última sexta (5), o governo e a Petrobras reafirmaram a independência da companhia em sua política de preços, o que tranquilizou o mercado, fazendo com que as ações chegassem a disparar quase 5%. Contudo, no final da tarde, a notícia da Reuters de que a companhia tinha ampliado o período de apuração do resultado da política de preços de combustíveis em relação à paridade internacional, acabou por diminuir os ganhos no final do pregão.

Sobre o assunto, a Petrobras divulgou dois comunicados entre a noite de sexta e a noite de domingo. No primeiro, a Petrobras confirmou que ampliou de três meses para um ano o prazo em que calcula a paridade internacional de preços dos combustíveis.

A regra permite à empresa praticar preços de gasolina e diesel acima ou abaixo da paridade de importação durante determinado período, desde que essa diferença “seja mais do que compensada” posteriormente dentro do prazo previsto, disse a estatal em comunicado nesta sexta-feira. Antes, o período para que fosse encontrado esse equilíbrio era de três meses. A Petrobras disse no comunicado que a mudança ocorreu no primeiro semestre de 2020 “dada a alta significativa da volatilidade de preços de combustíveis”.

No domingo, a petroleira reforçou que a política comercial da Petrobras não foi alterada e a companhia segue a precificação de combustíveis alinhada aos preços internacionais convertidos para reais pela taxa de câmbio real/dólar norte-americano.

A companhia frisou que, mesmo sendo a única produtora de combustíveis do país, com 98% da capacidade de refino, enfrenta competição de importadoras, que têm participado com 20% a 30% do mercado doméstico, dependendo do produto, combustíveis são commodities globais, como soja e minério de ferro, cujos preços são tipicamente voláteis, assim como taxas de câmbio.

“Diante de alta significativa da volatilidade dessas variáveis, a companhia decidiu, em junho de 2020, alterar de trimestral para anual o período de aferição da aderência entre o preço realizado e o preço internacional. Tal mudança não deve ser confundida, de forma alguma, com modificação de política comercial, de fixação de periodicidade para reajustes ou de metas de desempenho”, disse a empresa.

Em meio a essa polêmica, a estatal anunciou no fim da manhã desta segunda-feira alta dos seus preços médios para gasolina, diesel e GLP, nas refinarias, a partir de terça-feira, após reafirmar em comunicado sua independência do governo federal para definir valores, mesmo diante de pressões políticas. O preço médio de venda de gasolina nas refinarias da Petrobras subirá aproximadamente 8%, para R$ 2,25 por litro. Já o preço médio de venda de diesel será elevado em cerca de 6% para R$ 2,24 por litro. O preço médio de venda de gás liquefeito de petróleo (GLP), o chamado gás de cozinha, passará a R$ 2,91 por kg (equivalente a R$ 37,79 por 13 kg), um aumento médio de R$ 0,14 por kg (equivalente a R$ 1,81 por 13 kg).

PUBLICIDADE

Contudo, o presidente da República, Jair Bolsonaro, disse que o novo reajuste de combustíveis anunciado nesta mesma data pela Petrobras deve provocar uma “chiadeira com razão”, mas que ele não pode intervir na estatal. “Não é novidade para ninguém: está previsto um novo reajuste de combustível para os próximos dias, está previsto. Vai ser uma chiadeira com razão? Vai. Eu tenho influência sobre a Petrobras? Não”, disse Bolsonaro a apoiadores no Palácio da Alvorada.

De acordo com o jornal Valor Econômico, o anúncio feito pela Petrobras voltou a agitar os grupos de WhatsApp de caminhoneiros nesta segunda-feira. “Bolsonaro prometeu reduzir os impostos do diesel e não tivemos um fim de semana de paz. Olha aí o caminhoneiro sendo penalizados de novo”, destacou o áudio de um caminhoneiro muito ativo nas redes e defensor do presidente.

Desta forma, mesmo diante do reajuste do combustível nessa sessão, os papéis PETR3 chegaram a cair 5,12% e os PETR4 chegaram a ter baixa de 4,20%. Os papéis fecharam em baixa menor, mas ainda expressiva, de 4,14% (R$ 28,45) para PETR3 e de 3,14% (R$ 28,11) para PETR4.

Para Gabriel Francisco, analista da XP Investimentos, a avaliação não é de que o reajuste de hoje seria exatamente um paliativo, mas sim o fato de que ainda há uma defasagem de preços grande e há incerteza sobre como a Petrobras correrá atrás e fará para não “importar prejuízo” em meio ao cenário de dólar e preços de petróleo em alta. Soma-se a isso o fato de que a venda de refinarias anunciada foi a um valor abaixo do esperado no caso da RLAM e que o processo de venda da REPAR voltou à estaca zero, mostrando que o processo de venda de ativos pode ser mais complicado do que poderia parecer (veja mais abaixo).

Recomendações cortadas

Vale destacar que, já entre a noite da véspera e o início da manhã de hoje, a XP Investimentos e o Bradesco BBI reduziram a recomendação para os papéis da companhia de equivalente à compra para neutra, com base nos últimos anúncios da companhia sobre a política de preços (ainda que não necessariamente tenha relação com uma possível interferência política na estatal).

O BBI reduziu o preço-alvo das ações PETR4 de R$ 37 para R$ 34 e destacou. “Embora a Petrobras controle o ‘timing’ de seus ajustes de preço do diesel, a situação com os motoristas de caminhão nos faz acreditar que esse ‘timing’ poderia não estar de acordo com as expectativas dos acionistas”, afirmaram Vicente Falanga e Gustavo Sadka em relatório.

Eles estimam que os preços do diesel vendido pela Petrobras devem ficar na faixa de R$ 2,12 a R$ 2,30 por litro nos próximos meses, muito perto dos níveis anteriores à greve dos caminhoneiros em 2018. Na última semana de janeiro, a companhia elevou o preço a R$ 2,12 por litro.

Com o Brent em US$ 59 o barril e o spread do diesel em US$ 10 por barril, os analistas calculam que a paridade exigiria um preço ao redor de R$ 2,47. Considerando o preço atual, eles estimam que a Petrobras deixaria “na mesa” anualmente US$ 1,7 bilhão em fluxo de caixa do acionista.

PUBLICIDADE

Os analistas da XP também reduziram a recomendação de compra para neutra e o preço-alvo para ambas as classes de ações – PETR3 e PETR4 – de R$ 35 para R$ 32, enquanto os ADRs PBR e PBRA passaram de US$ 13 para US$ 12.

“Nossa mudança de recomendação reflete essencialmente a nossa visão de que existem riscos cada vez mais elevados de que a política de preços de combustíveis da Petrobras não obedeça a referências internacionais de preços de combustíveis, além de uma margem adicional para custos de importação”, avaliam os analistas.

Gabriel Francisco e Maira Maldonado, analistas da XP, apontam que o anúncio da Petrobras sobre a mudança no cronograma para a manutenção dos prêmios de paridade  não significa que a empresa mudou a frequência com que realiza reajustes dos preços da gasolina e do diesel e que a frequência dos reajustes de preços do diesel e da gasolina da Petrobras não mudou significativamente em 2020, mantendo-se em 10-20 dias corridos em média desde 2019.

“Dito isso, consideramos a mudança feita pela Petrobras no cronograma para implementar os prêmios de paridade como negativa, uma vez que coloca a empresa em uma situação difícil em um momento de depreciação do Real e preços do petróleo mais altos – exatamente as condições atuais. O problema é ainda mais preocupante quando se leva em conta que a Petrobras já deveria realizar reajustes significativos de preços de combustíveis para retornar à paridade de importação, sendo 20% para o diesel e 12% para a gasolina, e muito mais para manter as importações em níveis de paridade por uma janela de 12 meses”, avaliam.

Na opinião deles, os impactos negativos nos atuais preços de combustíveis da Petrobras começarão a se manifestar a partir dos resultados do primeiro trimestre de 2021 (senão já no quarto trimestre do ano anterior, tendo em vista que os preços de combustíveis começaram a ficar abaixo da paridade de importação já neste período), na forma de menores margens de refino e maiores custos de importação de combustíveis – uma vez que importadores independentes privados não podem operar com as atuais condições de preços. Com base na análise, a manutenção dos preços atuais do diesel implica em um impacto negativo total de 12,7% em relação às estimativas anteriores de lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) para 2021 (que pressupunham a manutenção de preços alinhados com as referências internacionais).

Além dos impactos nos resultados, o ambiente atual de incerteza para a política de preços da Petrobras implica em uma grande mudança na tese de investimento da companhia: as ações da Petrobras não deverão acompanhar inteiramente as cotações dos preços de petróleo enquanto tais variações não forem repassadas aos preços de combustíveis.

Para Maira e Francisco, isso não justifica uma tese de investimento em uma empresa de petróleo, sendo esse o principal motivo por trás de mudança de recomendação. “No futuro, esperamos que a Petrobras tenha um desempenho inferior às petroleiras globais – bem como aos preços do barril de petróleo (Brent) – até que o problema dos preços de combustíveis não seja resolvido”, avaliam.

Eles reforçam, contudo, que não identificaram nenhuma evidência de que as mudanças na política doméstica de preços dos combustíveis da Petrobras sejam um sinal de interferência do governo federal na companhia, nem esta é a razão por trás da mudança de recomendação. “Nossa visão é que a empresa, agindo de forma independente, tomou decisões equivocadas em relação à sua política de preços de combustíveis que resultaram em desequilíbrios de difícil solução, implicando em uma maior percepção de risco para a tese de investimento nas ações da companhia”, apontam.

PUBLICIDADE

Os analistas também destacam que, apesar das maiores incertezas para a política de preços de combustíveis da Petrobras, a companhia deve continuar a divulgar sólidos níveis de geração de caixa e continuar a reduzir seu endividamento. “Na nossa visão, isso reflete o sucesso da gestão atual da companhia em implementar medidas de reduções de custos administrativos, venda de ativos que não são os mais relevantes para a empresa e foco nas operações do pré-sal – ativos de petróleo de classe mundial que proporcionam maiores retornos à Petrobras devido à maior produtividade dos poços de petróleo e menores custos de extração (normalmente denominados lifting costs no jargão da indústria)”, apontam.

Ponderando os lados

Por outro lado, o Morgan Stanley manteve a sua visão positiva para a companhia e disse que não conhece nenhum outro ator comercial brasileiro ou internacional que divulgue a quantidade de dados sobre suas estratégias comerciais como a Petrobras fez quando foi instada a fazer.

Na avaliação do banco, a política da Petrobras indica que a empresa buscará a paridade no ano. “Por exemplo, se em um trimestre os preços estiverem abaixo da paridade, isso será compensado por um ou mais trimestres com preços acima da paridade”, afirmou.

O Morgan Stanley não vê nenhum impacto sobre a perspectiva de geração de caixa. Desde o ajuste da política, o fluxo de caixa continuou bastante forte, na avaliação do banco. Com exceção dos últimos dois meses, não houve desvios em relação à paridade internacional. A empresa gerou o recorde de US$ 5,1 bilhões de fluxo livre de caixa no terceiro trimestre de 2020, quando a nova política já havia sido implementada. Em sua visão, se a volatilidade dos mercados de petróleo for reduzida, a empresa pode migrar novamente para o modelo em que limita as aplicações mensais.

O Morgan Stanley estima que, mesmo se não houver novas altas dos preços de combustíveis no primeiro trimestre de 2021, e o Brent continuar em US$ 60 por barril, o Ebitda com o refino será de entre US$ 1 e US$ 1,5 por barril, e a diferença entre o valor do petróleo cru e os produtos refinados será de entre US$ 4,5 e US$ 5 por barril de petróleo. Nesse cenário, o banco espera que o fluxo livre de caixa no primeiro trimestre de 2021 seja de US$ 3,5 bilhões. Mas o risco dessa nova política, em sua visão, seria de, eventualmente, ter que deixar os preços do combustível com um prêmio no futuro, o que poderia ser desafiador, dependendo do preço do barril Brent, e da taxa de câmbio, além de, potencialmente, incentivar importações.

“Nós acreditamos que a empresa tem limites de curto prazo, que iriam fazer com que alterasse os preços, caso o desconto de 10% persistisse”, apontaram os analistas. O banco disse que não espera que as políticas tenham efeitos sobre a venda pela Petrobras de ativos no setor de refino, um ponto importante para que as ações da empresa se valorizem. Essa é uma questão específica da Petrobras, avalia, que não deverá afetar a forma pela qual operadores de refinarias privadas definem suas políticas em diferentes regiões do país, em um mercado mais competitivo.

O Morgan Stanley mantém uma avaliação overweight (expectativa de valorização acima da média do mercado) para os ADRs da Petrobras PBR, com preço-alvo de US$ 16,50, com foco em forte geração de fluxo de caixa entre 2021 e 2022, acompanhada da alta de dividendos. O banco alteraria sua visão positiva sobre a empresa, caso uma intervenção sobre a política da de fato ocorresse, ou se uma estratégia negativa fosse adotada por diretores, pela presidência ou pelo conselho.

Na mesma linha, a Levante Ideias de Investimentos destacou acreditar que a divulgação do fato relevante não deveria ter um impacto significativo nos fundamentos da Petrobras. Isso porque a mudança já vem sendo praticada há quase um ano, com as unidades de negócios da Petrobras sendo capazes de gerar caixa, inclusive no refino, de maneira saudável e seguindo firme na redução de seu endividamento, mesmo em ambiente de maior volatilidade nos preços da commodity.

A mudança significa que a Petrobras terá um período maior de contabilização do resultado de paridade internacional, de modo que em 12 meses, na média, a companhia mantenha uma paridade de preços compatível com os preços internacionais, podendo praticar preços abaixo da cotação internacional de combustíveis por um período, desde que isso seja compensado nos períodos seguintes, ou seja, praticando preços maiores em outros meses, sempre com alguns reajustes de curto prazo.

“O ponto principal que ainda pode gerar ruídos e desconfiança do mercado é a falta de transparência em relação ao timing da divulgação da mudança pela estatal, que poderia ou deveria ter divulgado tal mudança logo no período em que foi realizada a implantação, além do comunicado ocorrer logo após uma reunião com o presidente da República, retomando a memória do período de prejuízo drástico na companhia no passado recente, com o controle de preços imposto pelo governo de maneira unilateral. Essa questão deve se diluir ao longo do tempo, mas pode ancorar os preços das ações da estatal para baixo no curto prazo”, destacam os analistas da casa de research.

A avaliação dos analistas é de que a mudança pode gerar maior volatilidade nos resultados da companhia, com horizonte mais longo de apuração, podendo ser prejudicial principalmente em um ambiente de altas subsequentes pela demanda por combustíveis se aquecendo no mercado, de modo à estatal praticar preços abaixo de seu custo de produção. Pelo outro lado, a estatal consegue se proteger em um ambiente de pânico, mantendo uma estabilidade maior nos preços para o mercado, que foi justamente a intenção da gestão ao realizar a mudança e a gestão atual tem se mostrado bastante competente em manter a rentabilidade da companhia.

“A questão a se observar daqui em diante é até que ponto essa pressão dos grupos organizados (caminhoneiros e importadores) pode afetar a independência da estatal em seu plano de negócios, além da atratividade dos negócios de refino, dada essa incerteza política no país, apesar de algumas refinarias à venda já estarem com processo avançado nas negociações”, aponta a Levante.

Sobre isso, destaque ainda para a venda de ativos, a Petrobras anunciou a conclusão da venda de sua primeira refinaria, a RLAM (na Bahia), para o Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi. A transação foi avaliada em US$ 1,65 bilhão e ainda está pendente das aprovações regulatórias finais usuais.

De acordo com os analistas do BBA, esse é um primeiro passo importante para a Petrobras, destacando que a venda dos ativos downstream é a principal prioridade da administração e sua conclusão efetiva será transformadora para a governança da estatal.

Leia também: Mercado questiona política de preços da Petrobras

Já para o Morgan Stanley, a primeira privatização de uma refinaria no Brasil é um anúncio emblemático e um pilar fundamental para remover da ação o risco persistente de intervenção nos preços dos combustíveis. A RLAM é a refinaria mais antiga da Petrobras e representa cerca de 15% da capacidade da empresa.

“Acreditamos que a avaliação de US$ 1,65 bilhão pode decepcionar alguns participantes do mercado, pois acreditamos que a expectativa geral de preço estava mais perto de US$ 2,0 bilhões. Ainda assim, apesar da relevante capacidade de refino, entendemos que a RLAM pode necessitar de algumas obras de processo de modernização, podendo não apresentar o mesmo valor logístico e estratégico em relação às unidades do Sudeste, a nosso ver”, apontam os analistas.

Por outro lado, a Petrobras também anunciou que está reiniciando o processo licitatório da refinaria REPAR (Refinaria Presidente Getúlio Vargas, no Paraná), pois as propostas apresentadas estavam abaixo do que a estatal considerava satisfatório. “Na REPAR, acreditamos que a Petrobras está buscando um valor justo (e talvez total) para a diferenciação logística dessa refinaria e irá acompanhar de perto o relançamento desse processo de vendas e avaliações de partes potencialmente interessadas”, avaliam os analistas do Morgan. Contudo, de um modo geral, o anúncio sobre o desinvestimento da companhia não foi bem recebido pelos investidores, tanto pelo valor abaixo do esperado para a RLAM quanto pela volta à “estaca zero” da venda da REPAR.

Assim, se antes a avaliação era quase unanimidade de que a alta das ações da Petrobras deveria ocorrer, agora o noticiário se aponta como mais incerto – principalmente após a companhia revelar a sua política de preços na última sexta-feira. Por mais que ela tenha destacado que segue com independência e respeitando a paridade internacional, o anúncio deixou os analistas de mercado cautelosos. O início do processo de venda de refinarias por um valor abaixo do esperado acabou também levando a mais incertezas.

Profissão Broker: série do InfoMoney mostra como entrar para uma das profissões mais estimulantes e bem remuneradas do mercado financeiro em 2021. Clique aqui para assistir

Petrobras amplia prazo para cálculo da paridade de combustível, dizem fontes

RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Petrobras (PETR3; PETR4) ampliou recentemente para um ano o prazo em que a empresa calcula a paridade internacional de preços dos combustíveis, disseram duas pessoas familiarizadas com a decisão.

A mudança no prazo, que anteriormente era de três meses, aplica-se tanto ao diesel quanto à gasolina, como forma de evitar transferir a volatilidade dos preços internacionais para os consumidores, disseram as pessoas, que não quiseram ser citadas porque a informação não é pública.

A Petrobras não comentou o assunto imediatamente

É a primeira vez desde 2019 que o período utilizado internamente pela Petrobras para cálculo da flutuação de preços é divulgado.

Em 2018, o então presidente da Petrobras Pedro Parente renunciou após uma greve de caminhoneiros, descontentes com a política de reajustes diários da empresa.

A mudança foi feita na segunda metade de dezembro, disseram as pessoas, e a aconteceu em meio a ameaças de caminhoneiros de fazer greve nacional contra a alta do diesel.

Em 17 de dezembro, o presidente Jair Bolsonaro disse ao vivo que ligou para o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, para entender por que os preços do diesel subiram, e que ele estava fazendo o possível para ajudar os caminhoneiros.

O presidente da Petrobras disse na semana passada que as demandas dos caminhoneiros não são problema da Petrobras.

PUBLICIDADE

De outro lado, importadores privados dizem que a Petrobras está vendendo combustíveis com prejuízo, dificultando suas importações, uma alegação que a Petrobras nega.

Bolsonaro disse nesta sexta-feira que nunca atuou para interferir nos preços dos combustíveis da Petrobras.

Nesta sexta-feira, Castello Branco disse que o governo federal nunca interferiu em políticas de preços de combustíveis da Petrobras ou assuntos internos da empresa.

Profissão Broker: série do InfoMoney mostra como entrar para uma das profissões mais estimulantes e bem remuneradas do mercado financeiro em 2021. Clique aqui para assistir

A Petrobras está represando preços de combustíveis? Dados indicam que sim, mas analistas não veem motivo para pânico (ainda)

SÃO PAULO – As ações da Petrobras (PETR3PETR4) vinham subindo embaladas pela recuperação dos preços do petróleo, diante do avanço das vacinações e da expectativa de reabertura das economias. Mas após dez pregões seguidos de alta, os papéis tombaram 6,33% em três sessões no começo da última semana. As explicações para a reversão soam familiares para os investidores de longa data: controle de preços com suspeitas de motivações políticas e ameaça de greve dos caminhoneiros. Será que os fantasmas de ingerência do passado voltaram a rondar a petroleira?

Tudo começou com a reclamação da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), que, na primeira semana do ano, protocolou no Cade, órgão de defesa da concorrência, um ofício alegando que a Petrobras estaria segurando os preços dos combustíveis, ao mantê-los abaixo da paridade internacional, em uma prática predatória. Poucos dias depois, notícias começaram a circular sobre uma possível nova greve de caminhoneiros.

Para Adriano Pires, sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), o represamento de preços não deixa dúvidas: “Que está defasado está, ponto. A discussão é o quanto”, diz o especialista, que é uma das maiores referências do país quando o assunto é petróleo. E o fato de as notícias sobre greve e controle de preços surgirem juntas não é coincidência, segundo ele. Ambas as reivindicações decorrem do fato de que a cotação do petróleo está subindo.

“Os caminhoneiros ameaçam greve porque dizem que o diesel está caro. A Abicom diz que o diesel está barato. É uma ‘escolha de Sofia’ e a Petrobras está no meio: se ela aumenta o preço, pode incentivar a greve; se deixa defasado, é acusada de dumping [usar seu poder de monopólio para segurar preço] e impedir a importação”, diz Pires. Ao praticar um preço forçadamente baixo, a Petrobras dificulta a atividade das importadoras independentes, como as representadas pela Abicom, sujeitas à cotação do petróleo no mercado externo, explica Pires.

Petrobras e importadoras: modo de operação

Segundo a Abicom, a Petrobras é, de longe, a maior produtora de derivados do petróleo do país – 14 das 17 refinarias brasileiras são da empresa. Enquanto isso, o país conta também com 392 agentes de importação de derivados do petróleo.

Como produtora, a Petrobras define o preço de venda para cada barril de petróleo no país com base em custos de produção e de distribuição e em impostos associados. Já importadores compram de acordo com a cotação internacional. Os preços futuros do petróleo do tipo Brent, referência para a Petrobras, estão cotados em US$ 54,78 o barril às 09h43 desta segunda-feira (18).

Para manter sua saúde financeira e não afastar investidores, a estatal deveria também se pautar pelos preços internacionais, mas a maneira como isso é feito (ou não é feito) pode gerar polêmicas (leia mais abaixo).

1ª incerteza: represamento de preços

Se os cálculos da Abicom estiverem corretos, o litro da gasolina estaria com uma defasagem de R$ 0,39 em relação à paridade internacional e o diesel, de R$ 0,34, segundo os dados enviados pela entidade ao InfoMoney na última sexta-feira (15).

“Ao vender com defasagem, a Petrobras está deliberadamente reduzindo as receitas da empresa e prejudicando o acionista. Por isso, seria importante vender refinarias e ter agentes privados no mercado vendendo gasolina e diesel, porque aí o player privado tende a seguir o mercado internacional”, opina o fundador do CBIE.

PUBLICIDADE

Para analistas ouvidos anteriormente pelo InfoMoney, apesar da eventual volatilidade de curto prazo relacionada à pandemia de Covid-19, a visão é de alta para os preços de petróleo no médio e longo prazo, conforme avancem vacinações ao redor do mundo e economias retomem suas atividades. A previsão é que os preços de petróleo Brent fiquem no patamar de US$ 55 a US$ 60 o barril no médio prazo (seis a 12 meses).

Pires, do CBIE, tem uma expectativa até mais ousada e acredita que o barril pode chegar a algo em torno de US$ 65 a US$ 70 no segundo semestre.

Em comunicado de outubro de 2020, a Abicom já afirmava que “os preços dos combustíveis líquidos comercializados pela Petrobras (…) continuam abaixo da paridade internacional”. “Em outras palavras, no contexto concorrencial do mercado de comercialização de combustíveis, o preço praticado pela Petrobras inviabiliza economicamente as importações e, consequentemente, no médio prazo, pode resultar na saída dos únicos concorrentes do mercado”, escreveu a Abicom. Também ressaltou que a estatal brasileira detém 98% da capacidade de refino.

Os derivados de petróleo produzidos ou importados são distribuídos e chegam aos postos de combustíveis, por exemplo, que comercializam diesel e gasolina aos consumidores finais.

No final de 2020, a Petrobras anunciou aumento de 5% no preço médio da gasolina nas refinarias. Para o diesel, a alta foi de 4%. Segundo a estatal, o preço médio da gasolina para as distribuidoras passou a ser de R$ 1,84 o litro, uma elevação de R$ 0,09. Porém, no acumulado do ano, o preço teve redução de 4,1%. Uma história parecida acontece com o diesel: o preço médio para as distribuidoras ficou em R$ 2,02 por litro, aumento de R$ 0,08. Mas a queda no acumulado de 2020 foi de 13,2%.

Em resposta ao ofício protocolado pela Abicom no Cade, Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, disse nesta quarta-feira (13), ao jornal Valor Econômico que os cálculos dos importadores não refletem os custos da estatal.

“Para eles, o melhor dos mundos é que a Petrobras coloque os preços lá em cima, acima do preço de paridade internacional. Aí viabiliza quem é mais ineficiente”, defendeu Castello Branco. Ele também negou que a estatal esteja segurando reajustes e disse considerar insinuações nesse sentido uma “ofensa profissional” e ele e à equipe econômica do governo. “O controle de preços foi remetido ao museu de armas ineficazes no combate à inflação.”

Segundo cálculos do BTG, porém, a Petrobras estaria vendendo gasolina no mercado doméstico a preços 21% inferiores à paridade de importação, enquanto o diesel estaria com desconto de 14%. Já segundo relatório do Bradesco BBI, a estatal comercializa o diesel a um preço 13% menor do que o visto nos mercados internacionais. A porcentagem de desconto estaria acima dos dois dígitos desde 5 de janeiro.

Reajuste diário de acordo com o preço internacional?

PUBLICIDADE

“Não estamos comprometidos em cometer o erro de ficar reajustando diariamente. Para estar em linha com a paridade internacional, precisaria ficar colocando um robozinho de olho na cotação internacional reajustando toda hora. Isso não é bom. A experiência mostrou que isso deu confusão, e não vamos fazer. A Petrobras é um produtor de combustíveis, não é um trader de combustíveis”, afirmou Castello Branco ao Valor Econômico. Parte da defasagem apontada por Abicom, BTG e Bradesco BBI poderia vir da decisão da Petrobras de não realizar reajustes diários.

O argumento de Castello Branco faz sentido. Por outro lado, especialistas também dizem que um descompasso total em relação à cotação internacional pode ser prejudicial para a saúde financeira da empresa e também para a competitividade do mercado.

As práticas internacionais reconhecidamente bem-sucedidas mostram que interferências extremas não costumam funcionar. Países como Estados Unidos e Noruega, que são referências em políticas para a indústria, adotam respectivamente um modelo de proteção apenas contra grandes variações e um modelo de completo livre mercado. Para fugir das grandes variações, os Estados Unidos exigem que as empresas mantenham um estoque de petróleo para fugir de grandes variações na commodity. A Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos tem mais de 714 milhões de barris, segundo o governo americano. Já a Statoil, estatal norueguesa para a produção de petróleo, segue a cotação diária dos mercados internacionais.

2ª incerteza: nova greve de caminhoneiros

Outro alerta para os investidores nas ações da Petrobras é uma potencial greve nacional dos caminhoneiros autônomos, marcada para o dia 1º de fevereiro. Reclamações contra a política de preços de combustíveis estão entre as pautas dos profissionais.

“O que você está achando, meu irmão? O senhor tem condições de rodar com seu caminhão nesse país, com combustível caro, insumo caro, tudo aumenta, tudo sobre e o frete está uma desgraceira”, afirmou Plínio Dias, presidente do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), em grupo de WhatsApp.

A XP Investimentos destacou nesta semana que órgãos como o Ministério da Infraestrutura e a Confederação Nacional dos Transportes não identificaram grande risco de greve geral no próximo mês. Mas tanto as notícias da reclamação no Cade quanto a da greve dos caminhoneiros resgatam a lembrança de um dos períodos mais difíceis da história da Petrobras.

Em maio de 2018, caminhoneiros convocaram uma greve diante do descontentamento com a alta dos preços do diesel promovida pela companhia. Na época, a empresa realizava reajustes diários nos preços da gasolina e diesel enquanto os preços de petróleo subiam rapidamente, atingindo patamares de US$ 75 a US$ 80 por cada barril Brent. Na ocasião, a greve levou à renúncia do renomado CEO da Petrobras, Pedro Parente, bem como à implementação de uma política de subsídios para os preços de diesel. A percepção de risco para as ações disparou na época, tendo caído 32% em apenas 7 dias após o início da greve.

Em uma possível nova greve dos caminhoneiros, porém, o quadro não deve ser o mesmo. Desde que a atual diretoria da Petrobras assumiu, em 2019, a Petrobras parou de praticar reajustes diários nos preços dos combustíveis. “Em um período com pressão no câmbio e nos preços de petróleo, somado às ameaças de caminhoneiros, acreditamos que a frequência de reajustes da Petrobras pode ser menor”, afirma o Bradesco BBI.

PUBLICIDADE

“Nossa visão é de que (…) a Petrobras passará gradativamente a reajustar os preços do diesel, de forma que não prejudique os contratos de frete no futuro imediato”, apontaram Bruno Montanari e Guilherme Levy, analistas do Morgan Stanley. Eles ressaltam que a empresa está muito melhor preparada para lidar com a volatilidade do mercado, destacando que a Petrobras já domina sua política de preços há algum tempo.

Evandro Buccini, diretor de Renda Fixa e Multimercado da Rio Bravo Investimentos, também descarta o risco de uma greve parecida com a de 2018. “Esperamos monitoramento e respostas mais prontas do que lá, até porque, como já aconteceu antes, o governo está mais preparado”, diz. “Mas com o diesel e a gasolina descontados sobre preços internacionais, não parece ter espaço para queda nos próximos meses, então esses preços altos vão ser um fantasma rondando a Petrobras”, completa.

Acionistas em alerta para intervenções

As duas incertezas estão relacionadas: a elevação de preços, dando fim a um suposto represamento, poderia tornar o cenário mais propício para uma nova greve dos caminhoneiros. Assim, o governo poderia realizar intervenções na forma de concessão de subsídios ou redução de impostos.

No começo de seu mandato, o presidente Jair Bolsonaro retomou o compromisso de não interferir nos preços de combustíveis. Em abril de 2019, porém, a Petrobras voltou atrás horas depois de anunciar um aumento no preço do diesel, após o presidente intervir e vetar o reajuste. Com uma queda não vista desde a demissão de Pedro Parente, no auge da greve dos caminhoneiros de 2018, a Petrobras perdeu R$ 32,399 bilhões de valor de mercado no dia 12 de abril de 2019.

Desde então, ao sentir a reação do mercado ao mínimo sinal de interferência, Bolsonaro buscou evitar o assunto, até a live desta última quinta-feira. Na transmissão, Bolsonaro anunciou o fim da tarifa de importação de pneus, medida que interessa aos caminhoneiros. Ele disse também ter conversado durante toda a semana com os ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, da Economia, Paulo Guedes, e da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, a respeito do preço dos combustíveis e do gás de cozinha.

Bolsonaro disse que o botijão de cozinha sai da refinaria a um custo de 38 reais, mas chega na “ponta da linha” a R$ 80 em média, sendo que há lugares com o valor de R$ 100.

Pires havia dito que não acreditava que o presidente fosse interferir na política de preços da Petrobras, mas ao ser confrontado com as informações sobre a última live, mudou de ideia. “É, ao se reunir com o Bento e o Tarcísio e com essa fala sobre o botijão de gás, ele deu a dica. Se for escolher entre ceder à pressão dos caminhoneiros ou ouvir o mercado, ele vai segurar o combustível.”

Por outro lado, os analistas do Morgan Stanley não acreditam que o programa de subsídios implementado pelo governo em 2018 seria reativado, levando em consideração a atual situação fiscal do país. Da mesma forma, não acreditam que a equipe de gestão da Petrobras de hoje assumiria sozinha um subsídio prolongado.

Analistas da XP apontam que o mercado pode ter reagido de forma exagerada às últimas notícias. Embora os preços da gasolina e diesel da Petrobras estejam abaixo das referências internacionais hoje, isso só aconteceu nos últimos seis dias.

O presidente da Petrobras também minimizou as reações dos acionistas. “Eles estão preocupados, reclamando que estamos segurando os preços, e o preço da nossa ação bateu no high [maior valor] em 12 meses [na sexta-feira, 8, quando bateu os R$ 31,12]. O pessoal continua a comprar ações e acha que estamos fazendo bobagem. Ou são investidores irracionais, ou querem jogar conversa fora.”

Buccini, da Rio Bravo, diz que, por enquanto, prefere dar o benefício da dúvida ao presidente da Petrobras. “O petróleo está extremamente volátil, o dólar também, então a política da Petrobras de não repercutir tanto os preços tem seus méritos e foi feita de forma mais ou menos previsível. Ainda não dá para dizer que a política de reajuste de acordo com o preço internacional foi abandonada”, diz.

Mas o mercado seguirá monitorando. “Vamos esperar uns dias para ver se a Petrobras vai dar um reajuste relevante no diesel e gasolina. Se nada acontecer, teremos sinais fortes de que algo mudou e não foi comunicado”, diz Buccini.

Quer fazer da Bolsa sua nova fonte de renda em 2021? Série gratuita do InfoMoney mostra o passo a passo para se tornar um Full Trader – clique para assistir!

Conta mais cara: o impacto da bandeira vermelha da Aneel na inflação e nas ações de elétricas

SÃO PAULO – A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu ontem retomar o sistema de bandeiras tarifárias, colocando bandeira vermelha Patamar 2 nas contas de luz, levando a um aumento no custo da energia, que impacta todos os setores da economia, pois encarece tanto as despesas das empresas como das famílias.

Vale lembrar que o sistema de bandeiras tarifárias estava suspenso desde maio para aliviar a capacidade dos consumidores de pagarem pela energia elétrica diante das medidas de isolamento social tomadas para conter a proliferação do coronavírus.

“Com a decisão de ontem à noite, a bandeira vermelha Patamar 2 estabelecerá a cobrança de R$ 6,24 para cada 100 kWh a partir de amanhã e até a próxima decisão de bandeira tarifária, que ocorrerá no final de dezembro”, explicaram os economistas do Itaú BBA em relatório.

Segundo Lisandra Barbeiro, analista da XP Investimentos, o efeito da bandeira vermelha no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medidor oficial de inflação no Brasil, será um aumento de 45 pontos-base, ou 0,45 ponto percentual.

Assim, o IPCA no acumulado de 2020 atingiria 4,3%, acima dos 3,9% previstos anteriormente pelos economistas da corretora.

Já para 2021, a antecipação da cobrança defasada por conta da pandemia traria um efeito positivo de 30 pontos-base ou 0,3 ponto percentual. Deste modo, a inflação no ano que vem, pelas projeções da XP, cairia de 3,8% para 3,5%.

Na mesma linha, a equipe de análise do Itaú BBA revisou sua projeção para praticamente os mesmos valores por conta do reajuste nas bandeiras tarifárias.

“Essa mudança trará pressão relevante para a inflação de curto prazo. Há, no entanto, alguns elementos que podem ofuscar a queda prevista para 2021, como um provável aumento nos valores de planos de saúde, motivo porque esperamos um IPCA de 4,3% em 2020 e de 3,1% para 2021.”

PUBLICIDADE

A ASA Investments também elevou suas projeções em relação ao IPCA para 4,4% em 2020 e para 3,2% em 2021. Todavia, a equipe de análise do grupo não acredita que choques na inflação de curto prazo tenham muita relevância para as decisões de política monetária do Banco Central.

“Nossa expectativa é de arrefecimento dos choques verificados em 2020 no caso dos alimentos e, em menor escala, sobre os bens industrializados. Com relação à próxima reunião de política monetária, projetamos que o BC ainda irá observar projeções de inflação abaixo do centro da meta em seu cenário base em 2021 (3,2% frente a uma meta de 3,75%) e em 2022 (3,3%, ano para o qual a meta é 3,5%)”, entendem os economistas da ASA.

Como consequência, mesmo que a inflação tenha um avanço maior que o esperado para 2020, o BC continuaria a defender uma Selic mais baixa por um período prolongado. “Mantemos nossa expectativa de que, dado o nível elevado de ociosidade presente na economia, o próximo ciclo de alta de juros deve acontecer apenas a partir de meados de 2022”, conclui a ASA.

Ações impactadas

A equipe de análise do Credit Suisse lembra que a decisão da Aneel foi tomada porque o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) espera que a demanda por energia cresça 4% para dezembro e publicou estimativas de que, por causa dessa demanda maior, os reservatórios podem cair para 15% na região Sudeste ate o final do mês.

Desse modo, o chamado GSF (Generation Scaling Factor), que mede o risco hidrológico para a geração de energia hidrelétrica, chegaria a 0,7 no quarto trimestre de 2020, o que representa um déficit de 30%.

Um GSF tão elevado, avaliam os analistas Carolina Carneiro e Rafael Nagano, do Credit Suisse, pressionaria as companhias envolvidas na geração de energia hidrelétrica como AES Tietê (TIET11), Cesp (CESP6) e Engie (EGIE3).

O banco alerta ainda que as chuvas são concentradas geralmente de janeiro a março, e portanto, seria necessário observar se a pluviosidade melhora durante o verão. O problema é que o fenômeno natural La Niña está confirmado este ano e costuma resultar em tempo mais seco para a porção sul da América Latina.

Por outro lado, para as distribuidoras seria levemente positivo nesse cenário que recursos já tenham sido antecipados para cobrir a potencial pressão de caixa vinda de maior geração térmica. “E isso implica que parte da potencial pressão tarifária para 2021 poderia ser compensada por essa antecipação”, completa o Credit. Dentre algumas distribuidoras com capital aberto na B3, estão Energisa (ENGI11), Equatorial (EQTL3), Light (LIGT3), CPFL (CPFE3), Energias do Brasil (ENBR3), Cemig (CMIG4) e Copel (CPLE6), entre outras.

PUBLICIDADE

É possível operar com apenas R$ 25? Analista mostra como fazer primeiro trade, bater metas de ganhos diários e controlar riscos. Inscreva-se de graça!