Petrobras elevará preço da gasolina em 3,5% nas refinarias a partir de quinta, informa associação do setor

A Petrobras (PETR3;PETR4) elevará a gasolina em média em R$ 0,0945 por litro nas refinarias a partir de quinta-feira (12), informou a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) nesta quarta-feira (11)

Com o avanço, o combustível fóssil da petroleira deverá ser comercializado por volta dos R$ 2,78 por litro, uma alta de aproximadamente 3,5%, segundo cálculos da Reuters.

O repasse dos reajustes da Petrobras aos consumidores finais nos postos não é garantido nem imediato e depende de uma série de questões, como impostos, margens de distribuição e revenda além de misturas de biocombustíveis.

Procurada, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente.

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Petrobras anuncia elevação dos preços da gasolina e do diesel, a primeira alta da gestão de Silva e Luna

A Petrobras (PETR3;PETR4) informou nesta segunda-feira (5) uma alta nas refinarias de R$ 0,16 por litro de gasolina, a ser comercializado por R$ 2,69 (alta de cerca de 6%), e de R$ 0,10 por litro de diesel, a ser vendido a R$ 2,81 (alta de cerca de 4%). O novo preço valerá a partir de terça-feira (6).

Este é o primeiro aumento no valor fixado pela estatal desde que o novo presidente da empresa, general Joaquim Silva e Luna, assumiu o cargo.

A demora para a elevação de preços já tinha sido criticada por entidades. Antes do anúncio, a  Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) acusou a Petrobras de manter uma “elevada” defasagem dos preços da gasolina e do óleo diesel, em relação ao mercado internacional. A gasolina brasileira estava, até o último anúncio, em média 12% mais barata do que a comercializada no exterior e o óleo diesel, 7%. “A valorização dos derivados no mercado internacional amplia defasagens. A alta pressiona os preços domésticos de combustíveis e operações de importação seguem inviabilizadas”, afirmou o presidente da associação, Sérgio Araujo.

De acordo com o Credit Suisse, a notícia de elevação de preços é positiva. “A notícia ajuda a aliviar a pressão sobre o cumprimento da paridade internacional. A gasolina agora está com desconto de 5%, enquanto o diesel está com desconto de 3% para a importação”, apontam os analistas.

A Petrobras, toda vez que é acusada de segurar seus preços, reafirma a sua política de paridade de importação. Isso significa que, para definir os valores dos seus combustíveis, a empresa considera o preço internacional, câmbio e custos logísticos. O argumento utilizado recentemente é de que as revisões acontecerão em prazos mais longos, para evitar o repasse ao consumidor de oscilações externas momentâneas.

Já a Abicom reforça que a desvalorização do real frente ao dólar também não justifica a manutenção dos preços da Petrobras. Além disso, de acordo com a entidade, o mercado internacional mantém sinais de que o petróleo continuará em patamares elevados neste ano.

(com Estadão Conteúdo)

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Petrobras reduz diesel em 3,3% nas refinarias a partir de sábado e mantém preços da gasolina

RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Petrobras (PETR3; PETR4) anunciou redução de cerca de 3,3% no preço médio do diesel nas refinarias a partir de sábado, para 2,66 reais por litro, informou a petroleira em comunicado nesta sexta-feira, indicando manutenção do valor da gasolina.

Esta é a segunda vez que a companhia reduz o valor médio do diesel vendido às distribuidoras neste ano, mas o combustível da estatal ainda assim tem alta de mais de 30% no ano, com a cotação ficando agora perto da paridade de importação, segundo analistas. Em 25 de março, a petroleira havia reduzido em 4% o valor médio do combustível fóssil. 

A Petrobras reafirmou em nota que suas cotações buscam equilíbrio com o mercado internacional e acompanham as variações do valor dos produtos e da taxa de câmbio, para cima e para baixo. Ao mesmo tempo, a empresa comentou que o seu sistema “evita o repasse imediato da volatilidade externa para os preços internos”.

“Mais recentemente, pode-se citar o bloqueio do Canal de Suez, cujo efeito sobre os preços internacionais não impactou os preços de combustíveis no Brasil”, disse a empresa.

A estatal frisou ainda que seus ajustes nas refinarias têm influência limitada sobre os preços percebidos pelos consumidores finais. Os valores nas bombas ainda são impactados por fatores como impostos, mistura de biodiesel e margens das distribuidoras e revendedoras.

“Na nossa visão esse reajuste de 8 centavos é um complemento do saldo que ficou da última movimentação de preços, de 25 de março, quando a Petrobras fez uma movimentação”, disse o sócio da Raion Consultoria, Eduardo Melo.

“Anterior a isso, houve uma queda muito brusca de preços do barril do petróleo e do câmbio e isso fez com que abrisse um espaço para movimentação maior de preço.. A gente entende que a Petrobras agora repassou esse saldo, e aí sim os preços estão em um alinhamento com os internacionais.”

O chefe da área de óleo e gás da consultoria INTL FCStone, Thadeu Silva, no entanto, considera que há ainda uma pequena janela para reduzir preços, mas que o movimento está em linha com a política da empresa.

“Houve uma acomodação no mercado internacional… já dava para dar essa redução junto com a última, a Petrobras esperou um pouco para ver”, afirmou.

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Apesar do corte anunciado nesta sexta-feira, o valor do diesel nos pontos de venda da Petrobras acumulam alta de aproximadamente 32%.

Já a gasolina ainda tem aumento de quase 41% frente aos valores praticados no início de 2021.

Nos postos de combustíveis, enquanto isso, o valor para os consumidores têm mantido tendência de elevação, mesmo depois do corte pela Petrobras nos valores da gasolina no mês passado.

Levantamento da Ticket Log apontou alta de 9,39% em março ante o mês anterior, para 4,487 reais por litro. 

TENDÊNCIA ALTISTA

O corte de preço vem em um momento em que crescem os temores relacionados a uma alta mais importante de preços de diesel nos postos de combustíveis no Brasil a partir de maio, devido a uma tendência altista para o biodiesel misturado no diesel vendido nos postos e por uma perspectiva de que haja retorno da cobrança de PIS/Cofins sobre o combustível.

Na terça-feira, a reguladora ANP suspendeu etapa 3A do 79º Leilão de Biodiesel, que visa abastecer o mercado em maio e junho, ao atender solicitação do Ministério de Minas e Energia, quando os preços já apontavam para 7,5 reais por litro, segundo relatos no mercado. 

Atualmente, o diesel vendido nos postos de combustíveis brasileiros recebe uma mistura de 13% de biodiesel.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) alegou na véspera que a decisão pela suspensão impediu que os preços caíssem com o desenvolvimento do certame. (Full Story)

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A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), que representa os postos de combustíveis no país, afirmou em nota que enviou ofício ao presidente Jair Bolsonaro, manifestando preocupação sobre possíveis impactos que o preço do biodiesel terá na formação dos custos do diesel, a partir de 1º de maio.

Também no início do próximo mês está previsto o retorno da cobrança de PIS/Cofins sobre o diesel, que foi suspensa temporariamente por Bolsonaro como forma de segurar os preços e acalmar protestos de caminhoneiros que ameaçavam realizar uma greve em fevereiro.

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Entenda como é a composição do preço dos combustíveis

Combustíveis (Foto: Getty Images)

Nos últimos meses, os brasileiros tem sido surpreendidos com o aumento do preço dos combustíveis. A combinação de dólar alto e de aumento da cotação internacional do petróleo tem pesado no bolso no consumidor.

O preço dos combustíveis é liberado na bomba – ou na revenda, no caso do gás de cozinha. No entanto, grande parte do que o consumidor desembolsa reflete o preço cobrado pela Petrobras (PETR3;PETR4) na refinaria. Como num efeito cascata, alterações nos preços da Petrobras, que seguem a cotação internacional e o câmbio, refletem-se nos demais componentes do preço até chegar ao preço final.

Impostos, adição de outros combustíveis à mistura e preços de distribuição e de revenda somam-se ao valor cobrado nas refinarias. Ao sair da Petrobras, o combustível sai com o valor do produto mais os tributos federais: a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), partilhada com estados e municípios; o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

Os tributos federais são cobrados como um valor fixo por litro de combustível. Há duas semanas, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que pretende zerar esses tributos, mas a medida depende de um decreto para entrar em vigor.

Ao chegar às distribuidoras, o preço sobre o combustível passa a sofrer a incidência do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Cobrado pelos estados, o ICMS incide como um percentual sobre uma tabela de preços revisada a cada 15 dias pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão formado pelas secretarias estaduais de Fazenda.

Cada unidade da Federação define a alíquota do ICMS. Quando o preço sofre reajuste na refinaria, o Confaz atualiza a tabela de preços. Dessa forma, alguns dias após o primeiro aumento, o preço sobe novamente porque os postos repassam o aumento do ICMS ao consumidor.

Um projeto de lei enviado ao Congresso no último dia 12 pretende mudar o modelo de cobrança do ICMS e introduzir valores fixos por litro, como ocorre com os tributos federais. Dessa forma, o imposto estadual não seria afetado pelos reajustes nas refinarias, reduzindo o impacto sobre o bolso do consumidor.

Composição

No caso da gasolina e do diesel, a adição de outros combustíveis à mistura eleva os preços. À gasolina que sai pura da refinaria é acrescentado álcool anidro, na proporção de 27% para a gasolina comum e aditivada e 25% para a gasolina premium.

Já o diesel sofre a adição de 12% de biodiesel. Esses custos são incorporados ao preço dos combustíveis que vai para as revendedoras, onde o preço final é definido com o custo de manutenção dos postos de gasolina e as margens de lucro das revendedoras.

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A Petrobras pesquisa periodicamente os preços ao consumidor nas principais capitais. Segundo o levantamento mais recente, de 14 a 20 de fevereiro, a composição média dos preços dos combustíveis dá-se na seguinte forma:

Infográfico – combustíveis (Fonte: Agência Brasil)

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Mourão e indicado para a presidência da Petrobras dizem que fundo poderia aliviar flutuações dos combustíveis

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) – O vice-presidente da República Hamilton Mourão negou nesta segunda-feira que o governo tenha interferido na Petrobras (PETR3;PETR4ao indicar um novo presidente para a empresa na sexta-feira, em meio a disputa sobre preços dos combustíveis, e disse ver a criação de um fundo como possível saída para aliviar flutuações do diesel e gasolina.

O presidente Bolsonaro disse na sexta-feira que o governo indicou Joaquim Silva e Luna para assumir o comando da Petrobras ao final do mandato do atual CEO Roberto Castello Branco, em meados de março.

Luna, que até então comandava a hidrelétrica binacional de Itaipu, foi na mesma linha de Mourão em entrevista à Rádio Bandeirantes nesta segunda-feira, ao comentar sobre a possibilidade de um fundo ser usado para amortecer o efeito sobre consumidores das variações de preços internacionais do petróleo.

Ao conversar com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, Mourão disse que pessoalmente acredita que um fundo abastecido com royalties gerados pela exploração de petróleo poderia ser uma saída para que preços dos combustíveis não flutuassem de forma tão abrupta.

A Petrobras já reajustou o diesel em suas refinarias em mais de 27% no acumulado do ano, enquanto a gasolina subiu 35%.

“Na minha visão, a solução para isso é se a gente conseguisse criar um fundo soberano com base nos royalties do petróleo, e esse recurso, quando houvesse essas flutuações, fosse utilizado para amortecer os aumentos. Não tem outra solução fora disso aí”, disse Mourão.

Em separado, Luna também falou sobre um fundo ao ser questionado na Rádio Bandeirantes sobre possíveis mecanismos de contenção de reajustes.

Ele mencionou sua experiência em Itaipu, onde segundo ele buscava-se manter sempre um volume de água no reservatório que assegurasse o cumprimento dos contratos da usina, o que funcionava como um “colchão regulador”.

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“Um colchão numa entidade como a Petrobras, eu imagino, estou imaginando alto aqui, seria alguma coisa como um fundo, um fundo regulador”, disse Luna à Bandeirantes, falando em tese.

“Estou só colocando uma ideia que veio com a pergunta”, disse ele, defendendo que o mecanismo poderia garantir maior previsibilidade para os consumidores.

Não há mais detalhes de como seria o mecanismo, mas a lógica poderia ter algum paralelo com um programa de subsídios do governo brasileiro a combustíveis no passado, criado para evitar perdas para a Petrobras.

Em 2018, após a greve dos caminhoneiros por conta das fortes altas do diesel, o governo Michel Temer anunciou um programa de subvenções que pagou à Petrobras e outras empresas bilhões de reais para que não houvesse repasse das flutuações de preços.

A iniciativa teve, entre outros objetivos, garantir que a estatal não sofresse perdas por não seguir parâmetros como o barril de petróleo, conforme estabeleceu o estatuto da empresa alterado na época pela gestão do então presidente da Petrobras Pedro Parente.

SEM INTERFERÊNCIA

Além de comentar sobre o fundo, Mourão negou que tenha havido qualquer interferência do governo na Petrobras, após diversos analistas de mercado terem reduzido recomendações para os papéis da companhia citando temores de interferência política nos preços da estatal.

“Não, pô. Está dentro da atribuição do presidente. O mandato do Roberto (Castello Branco) terminava dia 20 de março, poderia ser renovado ou não, a decisão é não renovar”, disse Mourão, falando a apoiadores.

Ainda assim, as ações aceleravam perdas e caíram cerca de 20% nesta manhã, com o mercado apontando interferência estatal.

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“Não vejo forma de intervir nos preços. Até pela própria legislação que rege a companhia, que é o que está sendo comentado e muito, não vai haver isso. É uma questão de confiança na pessoa que está lá, pelo que o presidente colocou”, acrescentou.

Ele citou uma possível “falta de comunicação” entre Castello Branco e Bolsonaro e negou temores de uma fuga de investidores na Petrobras.

“Isso tudo é especulação, o mercado é rebanho eletrônico, sai correndo para um lado, daqui a pouco eles voltam correndo de novo. Não vejo que vá prejudicar demais isso aí. Daqui a pouco volta tudo, principalmente porque a pessoa do Silva e Luna, o Silva e Luna é um camarada extremamente preparado”, disse Mourão.

O anúncio de Bolsonaro sobre a indicação de Silva e Luna veio após o presidente se queixar em transmissão ao vivo em redes sociais sobre reajustes de combustíveis pela companhia e uma fala de Castello Branco, de que a estatal não teria relação com pressões de caminhoneiros contra os preços do diesel.

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Bolsonaro diz que política de preços da Petrobras atende interesses de alguns

BRASÍLIA (Reuters) – O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta segunda-feira a atual política de preços praticada pela Petrobras, afirmando que ela deixa o mercado financeiro feliz e atende o interesse de alguns no Brasil.

Em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro também criticou o atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmando que ele está há 11 meses “em casa sem trabalhar”, pois está atuando remotamente em meio à pandemia de Covid-19. Ele também disparou críticas à política salarial dos executivos da estatal.

“É direito meu reconduzi-lo ou não. Ele não será reconduzido. Qual o problema? É sinal de que alguns do mercado financeiro estão muito felizes com a política que só tem um viés na Petrobras: atender os interesses próprios de alguns grupos no Brasil. Nada mais que isso”, disse Bolsonaro, que na sexta indicou o general Joaquim Silva e Luna para substituir Castello Branco no comando da estatal.

“Ninguém vai interferir na política de preços da Petrobras. Eu não consigo entender em um prazo de duas semanas ter uma variação do diesel de 15%. Não foi essa a variação do dólar aqui dentro nem no preço do Barril lá fora. Então tem coisa aí que tem que ser explicada”, acrescentou.

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Cade vai monitorar preço de combustíveis no mercado de revenda em todo o País

Depois dos sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) instaurou nesta sexta-feira, 19, um inquérito administrativo para investigar práticas anticompetitivas no mercado de postos de gasolina no Distrito Federal. O órgão determinou ainda o monitoramento do mercado de revenda de combustíveis em todos os Estados brasileiros para rastrear “possível comportamento oclusivo” dos postos.

Segundo o Cade, a investigação tem como alvo o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis/DF) e seu presidente, Paulo Tavares.

O ponto de partida do inquérito foram declarações de Tavares à imprensa comunicando que os postos reajustariam em R$ 0,10 os preços dos combustíveis por conta do aumento de preços nas refinarias e de alteração no valor do ICMS.

O Cade entendeu que as declarações podem ser uma forma de influenciar os postos a praticarem preços semelhantes, o que pode ser uma forma de cartel. “As manifestações públicas do sindicato podem ser enquadradas como influência na adoção de conduta comercial uniforme, ou até mesmo cartel, tendo em vista a suposta intenção do sindicato de atuar como facilitador de uma colusão entre revendedores.”

O Cade constatou, em investigações anteriores, prática semelhante do sindicato do DF, que teria utilizado a imprensa para sinalizar a necessidade de aumentos uniformes.

“A ação de entidades de classe de recomendar a prática de reajustes de preços por parte de seus associados, coordenando a atuação de agentes no mercado, contraria a Lei nº 12.529/11 na medida em que gera ou tem potencial para gerar efeitos anticoncorrenciais”, completou o órgão.

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Petrobras eleva preço do diesel em 15% e da gasolina em 10% nas refinarias e anima analistas; entenda

SÃO PAULO – Na manhã desta quinta-feira (18), a Petrobras (PETR3;PETR4fez um anúncio que gerou alívio para os investidores nas ações da estatal, em meio à polêmica sobre a política de preços que tomou conta do radar da empresa no começo de fevereiro.

A Petrobras confirmou reajuste para cima em 10% dos preços da gasolina e de 15% do óleo diesel em suas refinarias, que ficarão R$ 0,23 e R$ 0,34 mais caros a partir da sexta-feira (19). Com mais esse reajuste, o litro da gasolina passará a custar R$ 2,48 e o do diesel, R$ 2,58.

Com os novos reajustes, o litro da gasolina nas refinarias acumula variação positiva de 34,78% desde o início do ano, enquanto o diesel subiu 27,72% no mesmo período.

Os analistas de mercado destacam que, após esse novo reajuste, a companhia praticamente fechará a lacuna de preços frente o mercado internacional.

“Vemos o desconto do diesel agora em apenas 3,9%, enquanto o desconto da gasolina cai para apenas 1,8%. Vemos isso como uma notícia altamente positiva para a Petrobras, mitigando parte do risco. Se não houver forte reação por parte dos caminhoneiros, o risco de preços para Petrobras diminui significativamente”, apontam os analistas do Bradesco BBI. Recentemente, os analistas do banco cortaram a recomendação dos papéis para equivalente à neutra vendo um maior risco para a política de preços da empresa.

Já o Credit Suisse, que também aponta a notícia dessa forte alta como positiva, mas apontando que agora a desconto em relação à paridade de importação é de US$ 4 o barril para a gasolina (desconto de 5%) e de US$ 5 o barril para o diesel (desconto de 6%).

A equipe de análise econômica da Ativa Investimentos rodou os modelos de defasagem após o anúncio do reajuste e estimou que ainda existe espaço potencial de nova elevação de preço no curto prazo.

Leia mais:
Dilema do diesel para Petrobras, pouca confiança na política de preços e recomendações rebaixadas

“Nosso melhor modelo aponta para um potencial reajuste, para cima, de mais 5%. Isso se dá uma vez que o preço da gasolina internacional segue sendo pressionado pelo preço do petróleo”, diz Guilherme Sousa, economista da Ativa Investimentos. O economista ressalta ainda que a Petrobras pode não aumentar imediatamente os 5% que ainda faltam, mas que ainda há potencial para isso no curto prazo.

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Em comunicado, a Petrobras enfatizou que mantém os seus preços alinhados aos do mercado internacional, o que, segundo a estatal, “é fundamental para garantir que o mercado brasileiro siga sendo suprido sem riscos de desabastecimento pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras”.

A companhia diz ainda que, em 2020, reduziu os preços em suas refinarias ao acompanhar as oscilações externas.

No último mês, a Petrobras foi criticada pelos caminhoneiros por supostamente reajustar demais o preço do diesel.

Ao mesmo tempo, um grupo de importadores reclama que a empresa está vendendo gasolina e diesel a preços muito baixos se comparado aos do mercado internacional, o que estaria comprometendo a concorrência.

A estatal, no comunicado desta quinta, em que anuncia o reajuste, mais uma vez enfatiza os seus argumentos de que mantém a política de paridade internacional, o que permitiria a competição no comércio interno.

Além disso, reafirma que o preço nas suas refinarias não é o único componente na formação do valor pago pelos consumidores na bomba. “Até chegar ao consumidor são acrescidos tributos federais e estaduais, custos para aquisição e mistura obrigatória de biocombustíveis, além das margens brutas das companhias distribuidoras e dos postos revendedores de combustíveis”, afirma.

Contudo, apesar do ânimo inicial, com as ações chegando a saltar 4,5% na máxima intradiária, os papéis da Petrobras passaram a registrar queda ao longo do dia, também repercutindo a virada do petróleo para queda, interrompendo sessões de fortes altas para a commodity com a onda de frio no Texas (veja mais clicando aqui) afetando a produção. Às 17h (horário de Brasília), os ativos PETR3 caíam 0,88% (R$ 29,42), enquanto os papéis PN tinham baixa de 0,91%, a R$ 29,32.

(Com Agência Estado)

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Petrobras: dilema do diesel, pouca confiança na política de preços e recomendações rebaixadas fazem ação cair 4%

SÃO PAULO – Os últimos dias têm sido novamente bastante movimentados para as ações da Petrobras (PETR3;PETR4), com a polêmica sobre a política de preços, que parecia ter tido um ponto final na manhã de sexta-feira, voltando à tona. O noticiário sobre o tema também ofuscou os desinvestimentos feitos pela companhia que, contudo, também foram vistos com ressalvas pelo mercado em meio aos valores abaixo do esperado.

Na última sexta (5), o governo e a Petrobras reafirmaram a independência da companhia em sua política de preços, o que tranquilizou o mercado, fazendo com que as ações chegassem a disparar quase 5%. Contudo, no final da tarde, a notícia da Reuters de que a companhia tinha ampliado o período de apuração do resultado da política de preços de combustíveis em relação à paridade internacional, acabou por diminuir os ganhos no final do pregão.

Sobre o assunto, a Petrobras divulgou dois comunicados entre a noite de sexta e a noite de domingo. No primeiro, a Petrobras confirmou que ampliou de três meses para um ano o prazo em que calcula a paridade internacional de preços dos combustíveis.

A regra permite à empresa praticar preços de gasolina e diesel acima ou abaixo da paridade de importação durante determinado período, desde que essa diferença “seja mais do que compensada” posteriormente dentro do prazo previsto, disse a estatal em comunicado nesta sexta-feira. Antes, o período para que fosse encontrado esse equilíbrio era de três meses. A Petrobras disse no comunicado que a mudança ocorreu no primeiro semestre de 2020 “dada a alta significativa da volatilidade de preços de combustíveis”.

No domingo, a petroleira reforçou que a política comercial da Petrobras não foi alterada e a companhia segue a precificação de combustíveis alinhada aos preços internacionais convertidos para reais pela taxa de câmbio real/dólar norte-americano.

A companhia frisou que, mesmo sendo a única produtora de combustíveis do país, com 98% da capacidade de refino, enfrenta competição de importadoras, que têm participado com 20% a 30% do mercado doméstico, dependendo do produto, combustíveis são commodities globais, como soja e minério de ferro, cujos preços são tipicamente voláteis, assim como taxas de câmbio.

“Diante de alta significativa da volatilidade dessas variáveis, a companhia decidiu, em junho de 2020, alterar de trimestral para anual o período de aferição da aderência entre o preço realizado e o preço internacional. Tal mudança não deve ser confundida, de forma alguma, com modificação de política comercial, de fixação de periodicidade para reajustes ou de metas de desempenho”, disse a empresa.

Em meio a essa polêmica, a estatal anunciou no fim da manhã desta segunda-feira alta dos seus preços médios para gasolina, diesel e GLP, nas refinarias, a partir de terça-feira, após reafirmar em comunicado sua independência do governo federal para definir valores, mesmo diante de pressões políticas. O preço médio de venda de gasolina nas refinarias da Petrobras subirá aproximadamente 8%, para R$ 2,25 por litro. Já o preço médio de venda de diesel será elevado em cerca de 6% para R$ 2,24 por litro. O preço médio de venda de gás liquefeito de petróleo (GLP), o chamado gás de cozinha, passará a R$ 2,91 por kg (equivalente a R$ 37,79 por 13 kg), um aumento médio de R$ 0,14 por kg (equivalente a R$ 1,81 por 13 kg).

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Contudo, o presidente da República, Jair Bolsonaro, disse que o novo reajuste de combustíveis anunciado nesta mesma data pela Petrobras deve provocar uma “chiadeira com razão”, mas que ele não pode intervir na estatal. “Não é novidade para ninguém: está previsto um novo reajuste de combustível para os próximos dias, está previsto. Vai ser uma chiadeira com razão? Vai. Eu tenho influência sobre a Petrobras? Não”, disse Bolsonaro a apoiadores no Palácio da Alvorada.

De acordo com o jornal Valor Econômico, o anúncio feito pela Petrobras voltou a agitar os grupos de WhatsApp de caminhoneiros nesta segunda-feira. “Bolsonaro prometeu reduzir os impostos do diesel e não tivemos um fim de semana de paz. Olha aí o caminhoneiro sendo penalizados de novo”, destacou o áudio de um caminhoneiro muito ativo nas redes e defensor do presidente.

Desta forma, mesmo diante do reajuste do combustível nessa sessão, os papéis PETR3 chegaram a cair 5,12% e os PETR4 chegaram a ter baixa de 4,20%. Os papéis fecharam em baixa menor, mas ainda expressiva, de 4,14% (R$ 28,45) para PETR3 e de 3,14% (R$ 28,11) para PETR4.

Para Gabriel Francisco, analista da XP Investimentos, a avaliação não é de que o reajuste de hoje seria exatamente um paliativo, mas sim o fato de que ainda há uma defasagem de preços grande e há incerteza sobre como a Petrobras correrá atrás e fará para não “importar prejuízo” em meio ao cenário de dólar e preços de petróleo em alta. Soma-se a isso o fato de que a venda de refinarias anunciada foi a um valor abaixo do esperado no caso da RLAM e que o processo de venda da REPAR voltou à estaca zero, mostrando que o processo de venda de ativos pode ser mais complicado do que poderia parecer (veja mais abaixo).

Recomendações cortadas

Vale destacar que, já entre a noite da véspera e o início da manhã de hoje, a XP Investimentos e o Bradesco BBI reduziram a recomendação para os papéis da companhia de equivalente à compra para neutra, com base nos últimos anúncios da companhia sobre a política de preços (ainda que não necessariamente tenha relação com uma possível interferência política na estatal).

O BBI reduziu o preço-alvo das ações PETR4 de R$ 37 para R$ 34 e destacou. “Embora a Petrobras controle o ‘timing’ de seus ajustes de preço do diesel, a situação com os motoristas de caminhão nos faz acreditar que esse ‘timing’ poderia não estar de acordo com as expectativas dos acionistas”, afirmaram Vicente Falanga e Gustavo Sadka em relatório.

Eles estimam que os preços do diesel vendido pela Petrobras devem ficar na faixa de R$ 2,12 a R$ 2,30 por litro nos próximos meses, muito perto dos níveis anteriores à greve dos caminhoneiros em 2018. Na última semana de janeiro, a companhia elevou o preço a R$ 2,12 por litro.

Com o Brent em US$ 59 o barril e o spread do diesel em US$ 10 por barril, os analistas calculam que a paridade exigiria um preço ao redor de R$ 2,47. Considerando o preço atual, eles estimam que a Petrobras deixaria “na mesa” anualmente US$ 1,7 bilhão em fluxo de caixa do acionista.

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Os analistas da XP também reduziram a recomendação de compra para neutra e o preço-alvo para ambas as classes de ações – PETR3 e PETR4 – de R$ 35 para R$ 32, enquanto os ADRs PBR e PBRA passaram de US$ 13 para US$ 12.

“Nossa mudança de recomendação reflete essencialmente a nossa visão de que existem riscos cada vez mais elevados de que a política de preços de combustíveis da Petrobras não obedeça a referências internacionais de preços de combustíveis, além de uma margem adicional para custos de importação”, avaliam os analistas.

Gabriel Francisco e Maira Maldonado, analistas da XP, apontam que o anúncio da Petrobras sobre a mudança no cronograma para a manutenção dos prêmios de paridade  não significa que a empresa mudou a frequência com que realiza reajustes dos preços da gasolina e do diesel e que a frequência dos reajustes de preços do diesel e da gasolina da Petrobras não mudou significativamente em 2020, mantendo-se em 10-20 dias corridos em média desde 2019.

“Dito isso, consideramos a mudança feita pela Petrobras no cronograma para implementar os prêmios de paridade como negativa, uma vez que coloca a empresa em uma situação difícil em um momento de depreciação do Real e preços do petróleo mais altos – exatamente as condições atuais. O problema é ainda mais preocupante quando se leva em conta que a Petrobras já deveria realizar reajustes significativos de preços de combustíveis para retornar à paridade de importação, sendo 20% para o diesel e 12% para a gasolina, e muito mais para manter as importações em níveis de paridade por uma janela de 12 meses”, avaliam.

Na opinião deles, os impactos negativos nos atuais preços de combustíveis da Petrobras começarão a se manifestar a partir dos resultados do primeiro trimestre de 2021 (senão já no quarto trimestre do ano anterior, tendo em vista que os preços de combustíveis começaram a ficar abaixo da paridade de importação já neste período), na forma de menores margens de refino e maiores custos de importação de combustíveis – uma vez que importadores independentes privados não podem operar com as atuais condições de preços. Com base na análise, a manutenção dos preços atuais do diesel implica em um impacto negativo total de 12,7% em relação às estimativas anteriores de lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) para 2021 (que pressupunham a manutenção de preços alinhados com as referências internacionais).

Além dos impactos nos resultados, o ambiente atual de incerteza para a política de preços da Petrobras implica em uma grande mudança na tese de investimento da companhia: as ações da Petrobras não deverão acompanhar inteiramente as cotações dos preços de petróleo enquanto tais variações não forem repassadas aos preços de combustíveis.

Para Maira e Francisco, isso não justifica uma tese de investimento em uma empresa de petróleo, sendo esse o principal motivo por trás de mudança de recomendação. “No futuro, esperamos que a Petrobras tenha um desempenho inferior às petroleiras globais – bem como aos preços do barril de petróleo (Brent) – até que o problema dos preços de combustíveis não seja resolvido”, avaliam.

Eles reforçam, contudo, que não identificaram nenhuma evidência de que as mudanças na política doméstica de preços dos combustíveis da Petrobras sejam um sinal de interferência do governo federal na companhia, nem esta é a razão por trás da mudança de recomendação. “Nossa visão é que a empresa, agindo de forma independente, tomou decisões equivocadas em relação à sua política de preços de combustíveis que resultaram em desequilíbrios de difícil solução, implicando em uma maior percepção de risco para a tese de investimento nas ações da companhia”, apontam.

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Os analistas também destacam que, apesar das maiores incertezas para a política de preços de combustíveis da Petrobras, a companhia deve continuar a divulgar sólidos níveis de geração de caixa e continuar a reduzir seu endividamento. “Na nossa visão, isso reflete o sucesso da gestão atual da companhia em implementar medidas de reduções de custos administrativos, venda de ativos que não são os mais relevantes para a empresa e foco nas operações do pré-sal – ativos de petróleo de classe mundial que proporcionam maiores retornos à Petrobras devido à maior produtividade dos poços de petróleo e menores custos de extração (normalmente denominados lifting costs no jargão da indústria)”, apontam.

Ponderando os lados

Por outro lado, o Morgan Stanley manteve a sua visão positiva para a companhia e disse que não conhece nenhum outro ator comercial brasileiro ou internacional que divulgue a quantidade de dados sobre suas estratégias comerciais como a Petrobras fez quando foi instada a fazer.

Na avaliação do banco, a política da Petrobras indica que a empresa buscará a paridade no ano. “Por exemplo, se em um trimestre os preços estiverem abaixo da paridade, isso será compensado por um ou mais trimestres com preços acima da paridade”, afirmou.

O Morgan Stanley não vê nenhum impacto sobre a perspectiva de geração de caixa. Desde o ajuste da política, o fluxo de caixa continuou bastante forte, na avaliação do banco. Com exceção dos últimos dois meses, não houve desvios em relação à paridade internacional. A empresa gerou o recorde de US$ 5,1 bilhões de fluxo livre de caixa no terceiro trimestre de 2020, quando a nova política já havia sido implementada. Em sua visão, se a volatilidade dos mercados de petróleo for reduzida, a empresa pode migrar novamente para o modelo em que limita as aplicações mensais.

O Morgan Stanley estima que, mesmo se não houver novas altas dos preços de combustíveis no primeiro trimestre de 2021, e o Brent continuar em US$ 60 por barril, o Ebitda com o refino será de entre US$ 1 e US$ 1,5 por barril, e a diferença entre o valor do petróleo cru e os produtos refinados será de entre US$ 4,5 e US$ 5 por barril de petróleo. Nesse cenário, o banco espera que o fluxo livre de caixa no primeiro trimestre de 2021 seja de US$ 3,5 bilhões. Mas o risco dessa nova política, em sua visão, seria de, eventualmente, ter que deixar os preços do combustível com um prêmio no futuro, o que poderia ser desafiador, dependendo do preço do barril Brent, e da taxa de câmbio, além de, potencialmente, incentivar importações.

“Nós acreditamos que a empresa tem limites de curto prazo, que iriam fazer com que alterasse os preços, caso o desconto de 10% persistisse”, apontaram os analistas. O banco disse que não espera que as políticas tenham efeitos sobre a venda pela Petrobras de ativos no setor de refino, um ponto importante para que as ações da empresa se valorizem. Essa é uma questão específica da Petrobras, avalia, que não deverá afetar a forma pela qual operadores de refinarias privadas definem suas políticas em diferentes regiões do país, em um mercado mais competitivo.

O Morgan Stanley mantém uma avaliação overweight (expectativa de valorização acima da média do mercado) para os ADRs da Petrobras PBR, com preço-alvo de US$ 16,50, com foco em forte geração de fluxo de caixa entre 2021 e 2022, acompanhada da alta de dividendos. O banco alteraria sua visão positiva sobre a empresa, caso uma intervenção sobre a política da de fato ocorresse, ou se uma estratégia negativa fosse adotada por diretores, pela presidência ou pelo conselho.

Na mesma linha, a Levante Ideias de Investimentos destacou acreditar que a divulgação do fato relevante não deveria ter um impacto significativo nos fundamentos da Petrobras. Isso porque a mudança já vem sendo praticada há quase um ano, com as unidades de negócios da Petrobras sendo capazes de gerar caixa, inclusive no refino, de maneira saudável e seguindo firme na redução de seu endividamento, mesmo em ambiente de maior volatilidade nos preços da commodity.

A mudança significa que a Petrobras terá um período maior de contabilização do resultado de paridade internacional, de modo que em 12 meses, na média, a companhia mantenha uma paridade de preços compatível com os preços internacionais, podendo praticar preços abaixo da cotação internacional de combustíveis por um período, desde que isso seja compensado nos períodos seguintes, ou seja, praticando preços maiores em outros meses, sempre com alguns reajustes de curto prazo.

“O ponto principal que ainda pode gerar ruídos e desconfiança do mercado é a falta de transparência em relação ao timing da divulgação da mudança pela estatal, que poderia ou deveria ter divulgado tal mudança logo no período em que foi realizada a implantação, além do comunicado ocorrer logo após uma reunião com o presidente da República, retomando a memória do período de prejuízo drástico na companhia no passado recente, com o controle de preços imposto pelo governo de maneira unilateral. Essa questão deve se diluir ao longo do tempo, mas pode ancorar os preços das ações da estatal para baixo no curto prazo”, destacam os analistas da casa de research.

A avaliação dos analistas é de que a mudança pode gerar maior volatilidade nos resultados da companhia, com horizonte mais longo de apuração, podendo ser prejudicial principalmente em um ambiente de altas subsequentes pela demanda por combustíveis se aquecendo no mercado, de modo à estatal praticar preços abaixo de seu custo de produção. Pelo outro lado, a estatal consegue se proteger em um ambiente de pânico, mantendo uma estabilidade maior nos preços para o mercado, que foi justamente a intenção da gestão ao realizar a mudança e a gestão atual tem se mostrado bastante competente em manter a rentabilidade da companhia.

“A questão a se observar daqui em diante é até que ponto essa pressão dos grupos organizados (caminhoneiros e importadores) pode afetar a independência da estatal em seu plano de negócios, além da atratividade dos negócios de refino, dada essa incerteza política no país, apesar de algumas refinarias à venda já estarem com processo avançado nas negociações”, aponta a Levante.

Sobre isso, destaque ainda para a venda de ativos, a Petrobras anunciou a conclusão da venda de sua primeira refinaria, a RLAM (na Bahia), para o Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi. A transação foi avaliada em US$ 1,65 bilhão e ainda está pendente das aprovações regulatórias finais usuais.

De acordo com os analistas do BBA, esse é um primeiro passo importante para a Petrobras, destacando que a venda dos ativos downstream é a principal prioridade da administração e sua conclusão efetiva será transformadora para a governança da estatal.

Leia também: Mercado questiona política de preços da Petrobras

Já para o Morgan Stanley, a primeira privatização de uma refinaria no Brasil é um anúncio emblemático e um pilar fundamental para remover da ação o risco persistente de intervenção nos preços dos combustíveis. A RLAM é a refinaria mais antiga da Petrobras e representa cerca de 15% da capacidade da empresa.

“Acreditamos que a avaliação de US$ 1,65 bilhão pode decepcionar alguns participantes do mercado, pois acreditamos que a expectativa geral de preço estava mais perto de US$ 2,0 bilhões. Ainda assim, apesar da relevante capacidade de refino, entendemos que a RLAM pode necessitar de algumas obras de processo de modernização, podendo não apresentar o mesmo valor logístico e estratégico em relação às unidades do Sudeste, a nosso ver”, apontam os analistas.

Por outro lado, a Petrobras também anunciou que está reiniciando o processo licitatório da refinaria REPAR (Refinaria Presidente Getúlio Vargas, no Paraná), pois as propostas apresentadas estavam abaixo do que a estatal considerava satisfatório. “Na REPAR, acreditamos que a Petrobras está buscando um valor justo (e talvez total) para a diferenciação logística dessa refinaria e irá acompanhar de perto o relançamento desse processo de vendas e avaliações de partes potencialmente interessadas”, avaliam os analistas do Morgan. Contudo, de um modo geral, o anúncio sobre o desinvestimento da companhia não foi bem recebido pelos investidores, tanto pelo valor abaixo do esperado para a RLAM quanto pela volta à “estaca zero” da venda da REPAR.

Assim, se antes a avaliação era quase unanimidade de que a alta das ações da Petrobras deveria ocorrer, agora o noticiário se aponta como mais incerto – principalmente após a companhia revelar a sua política de preços na última sexta-feira. Por mais que ela tenha destacado que segue com independência e respeitando a paridade internacional, o anúncio deixou os analistas de mercado cautelosos. O início do processo de venda de refinarias por um valor abaixo do esperado acabou também levando a mais incertezas.

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Novo reajuste de combustíveis vai gerar “chiadeira com razão”, diz Bolsonaro

O presidente da República, Jair Bolsonaro, disse nesta segunda-feira, 8, que o novo reajuste de combustíveis anunciado nesta mesma data pela Petrobras  (PETR3;PETR4) deve provocar uma “chiadeira com razão”, mas que ele não pode intervir na estatal. O presidente informou que deve se reunir com a equipe econômica para decidir sobre a redução do PIS/Cofins no preço do diesel.

“Não é novidade para ninguém: está previsto um novo reajuste de combustível para os próximos dias, está previsto. Vai ser uma chiadeira com razão? Vai. Eu tenho influência sobre a Petrobras? Não”, disse Bolsonaro a apoiadores no Palácio da Alvorada.

Nesta segunda-feira, a Petrobras anunciou aumentos dos preços médios de venda às distribuidoras da gasolina, diesel e GLP, gás de cozinha, que deverá vigorar a partir da terça-feira, 9.

O preço médio de venda de gasolina nas refinarias da Petrobras passará a ser de R$ 2,25 por litro, refletindo aumento médio de R$ 0,17 por litro. Já o preço médio de venda de diesel passará a ser de R$ 2,24 por litro, refletindo aumento médio de R$ 0,13 por litro.

É a terceira alta do ano nos preços da gasolina, e a segunda no valor do litro do diesel. Desde o início do ano, a Petrobras já elevou em 22% o preço da gasolina – em dezembro, o litro custava R$ 1,84.

Já o diesel subiu 10,9%. Com as novas altas, o litro da gasolina passou a custar mais caro que o do diesel às distribuidoras.

“Daí o cara fala ‘você é presidente do quê?’ Ô, cara. Vocês votaram em mim e tem um monte de lei aí. Ou cumpre a lei ou vou ser ditador. E para ser ditador vira uma bagunça o negócio e ninguém quer ser ditador e… isso não passa pela cabeça da gente”, afirmou o presidente.

Na sexta-feira, o presidente convocou uma coletiva de imprensa para anunciar que pretendia apresentar um projeto de lei ao Congresso para mudar a cobrança do ICMS, imposto estadual, sobre combustíveis. A ideia é que ela seja feita por um valor fixo (e não um porcentual) ou que fosse cobrado na refinaria (e não na bomba como é hoje).

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Em nota, os secretários estaduais de Fazenda rebateram dizendo que o alto custo dos combustíveis se deve à política de preços da Petrobras – e não ao peso do imposto estadual.

“O preço da refinaria é menos da metade do preço da bomba. Isso é fato. O preço na bomba é mais do dobro da refinaria. O quê que encarece? São os impostos e mais outras coisas também. O imposto federal é alto, o estadual é alto, a margem de lucro das distribuidoras é grande e a margem de lucro dos postos também é grande. Então, está todo mundo errado, no meu entendimento, pode ser que eu esteja equivocado”, disse Bolsonaro.

Em outra frente, o Ministério da Economia também avalia a redução de PIS/Cofins sobre o diesel para atenuar o efeito do aumento no preço do combustível sobre o bolso dos caminhoneiros. Técnicos, porém, alertam que a medida só deve prosperar se houver compensação, ou seja, elevação de outro tributo ou corte de subsídio. Bolsonaro ressaltou que cada centavo de redução no PIS/Cofins sobre o diesel teria impacto de R$ 800 milhões nos cofres públicos.

Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo, estão em estudo limitar a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de carros com valor mais alto, como SUVs, para pessoas com deficiência e acabar com renúncias tributárias para o setor petroquímico. As duas medidas podem garantir receita de R$ 2 bilhões aos cofres públicos.

Na sexta-feira, a Petrobras anunciou em comunicado a investidores que mudou sua política de preços de reajustes trimestrais para anuais. A modificação foi feita no primeiro semestre do ano passado, mas só foi comunicada pela empresa depois de revelada pela agência Reuters, o que pegou o mercado de surpresa e levantou dúvidas sobre a transparência da decisão.

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