Por que as ações da Marcopolo (POMO4) caem até 7% apesar do lucro saltar mais de 3.600% no 2º tri?

SÃO PAULO – Uma alta no lucro de 3.663% na comparação anual, passando de R$ 5,4 milhões para R$ 203,3 milhões no segundo trimestre de 2021, poderia ser uma boa indicação de bons resultados para a Marcopolo (POMO4). Porém, não foi essa a leitura de analistas e também dos investidores, com as ações chegando a cair 7% na mínima do dia. Às 13h10 (horário de Brasília), a queda era de 5,73%, a R$ 2,96.

O que explica esse movimento é o fato de que boa parte dessa forte alta do lucro foi decorrente do resultado financeiro, positivo em R$ 182,7 milhões, revertendo o resultado negativo de R$ 16,9 milhões no mesmo trimestre de 2020. Em boa parte, foi motivado pelos créditos por conta da exclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na base de cálculo do PIS/Cofins, que contribuiu positivamente para o resultado em R$ 166,2 milhões.

Os dados operacionais, por sua vez, foram fracos. De acordo com o Itaú BBA, os números da fabricante brasileira de ônibus seguiram a tendência já vista nos primeiros três meses do ano: produção em níveis baixos, um mix pior de produtos e margens comprimidas.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês), de R$ 140 milhões no segundo trimestre, refletiu uma série de eventos, muitos não-recorrentes. Fazendo os ajustes, o Ebitda seria negativo em R$ 6 milhões, aponta o Credit Suisse, ficando abaixo da estimativa do banco suíço de R$ 22 milhões.

Contudo, a despeito dos resultados operacionais considerados fracos, a Marcopolo se mostrou confiante de que a demanda será retomada entre o fim do terceiro trimestre e o início do quarto trimestre deste ano.

Os analistas do BBA apontam que a segunda onda do Covid-19 impediu uma recuperação mais forte na venda de carrocerias de ônibus no segundo trimestre, tanto no Brasil quanto no exterior. No mercado nacional, as vendas de modelos voltados para fretamento foram dominantes no segmento de intermunicipais, resultando em um mix pior. Os modelos Volare continuaram com desempenho positivo, sustentado pelo programa federal “Caminho da Escola”.

Já a margem bruta ficou pressionada devido à demanda internacional fraca e ao cenário menos favorável de câmbio. Outros motivos que contribuíram para a pressão de margem foram os volumes baixos, um portfolio de produtos modesto e custos não-recorrentes relacionados à reestruturação da força de trabalho. Excetuando-se esse último ponto, a margem bruta teria sido de 8,3%.

“Continuamos acreditando que as ações da Marcopolo devem ter um desempenho em linha com o mercado. Apesar das expectativas para o futuro parecerem promissoras, nossas projeções atuais são de múltiplos pouco atrativos”, avalia o Itaú BBA, que tem recomendação marketperform (desempenho em linha com a média do mercado) e preço-alvo de R$ 3,20 para os ativos, ou um valor 1,9% superior frente o fechamento da véspera.

Além dos créditos tributários não recorrentes, o Bradesco BBI destacou que outros destaques do balanço ficaram para as novas entregas do programa “Caminho para a Escola”, previstas para o quarto trimestre de 2021 e a empresa mantendo investimentos para lançamento de novos produtos. Contudo, a recomendação do banco para a ação segue de venda, com preço-alvo de R$ 3 para 2022, ou queda de 4,5% em relação ao fechamento de segunda.

PUBLICIDADE

Na avaliação dos analistas do banco, com a pandemia do COVID-19 impactando o mercado doméstico e também outros mercados externos importantes para a Marcopolo, a lucratividade da empresa tornou-se altamente dependente do programa “Caminho para a Escola”. No terceiro trimestre de 2021, sem a entrega de ônibus escolares para este programa governamental, espera-se que a Marcopolo registre uma margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) negativa de 0,6%.

No quarto trimestre, a margem Ebitda da empresa deve voltar a ser positiva, mas ainda abaixo dos níveis pré-pandêmicos. Além disso, a pandemia também prejudicou os balanços dos clientes da Marcopolo, o que pode atrasar os investimentos em renovação e expansão da frota, apesar da recuperação esperada no tráfego de passageiros de ônibus com o avanço das vacinações contra a Covid-19 no segundo semestre.

Mesmo diante desse cenário desafiador, a Marcopolo continua investindo no desenvolvimento de novos produtos com o modelo New Attack para a família Volare, o Viaggio 800 para fretamento e o modelo G8 para ônibus rodoviários.

O Credit Suisse também tem recomendação equivalente à venda (underperform, desempenho abaixo da média do mercado) para POMO4, com preço-alvo de R$ 2,50, valor 20% menor em relação ao fechamento da véspera.

Os analistas apontam que os resultados do trimestre, ainda que fracos, foram auxiliados pela entrega de 368 unidades do Caminho da Escola. Porém, a maior parte já foi entregue no primeiro trimestre.

Por outro lado, os analistas acreditam que a Marcopolo poderá se beneficiar de uma aceleração da demanda no quarto trimestre de 2021 com o avanço do programa de vacinação no Brasil e redução do covid-19, podendo gerar recuperação da demanda no turismo, retorno aos escritórios e aulas presenciais. Além disso, outro fator no radar é o novo programa Caminho da Escola, com previsão de geração de 3.900 unidades para a Marcopolo, com inicio de produção previsto para o final do terceiro trimestre e entregas no último trimestre do ano.

Em curso gratuito de Opções, professor Su Chong Wei ensina método para ter ganhos recorrentes na bolsa. Inscreva-se grátis e participe.

Morgan vê recuperação próxima para setor de educação, mas não para todos, e corta recomendação para ações da Cogna

Vendo um ponto de inflexão para o setor de educação em geral após um período de bastante dificuldade por conta da pandemia de coronavírus, os analistas do Morgan Stanley fizeram uma avaliação sobre as companhias de capital aberto, ainda que não vendo uma visão positiva para todas elas.

Para os analistas Javier Martinez, Caio Moscardini e Daniela Santoro, uma recuperação dos alunos presenciais deve começar a partir do primeiro semestre de 2022. A vacinação e um ambiente econômico melhor devem levar à reabertura de escolas, demanda maior de ensino pós-secundário e menos desistências. No primeiro semestre de 2022, eles projetam que as companhias listadas poderão ter uma alta de 21% nas matrículas de alunos presenciais, sendo de 45% quando incluídas fusões e aquisições já anunciadas.

O banco aponta que empresas mais atreladas à possível recuperação das aulas presenciais e com fortes balanços podem ter uma recuperação expressiva, mas destaca preferência também a papéis com exposição ao ensino a distância. Empresas com exposição a cursos de medicina/saúde também são bem vistas uma vez que o segmento deve continuar forte, mas os preços atuais já precificam a expectativa de bom desempenho.

O banco afirma que a Cruzeiro do Sul ([ativo=CSDE3]) é sua top pick (escolha preferida), com avaliação overweight (exposição acima da média) e preço-alvo sendo elevado de R$ 16,30 para R$ 19. Em seguida, vêm Yduqs (YDUQ3) e Vitru, essa última negociada na Nasdaq, ambas com avaliação overweight. O preço-alvo de YDUQ3 foi reduzido de R$ 44 para R$ 44, enquanto o de Vitru passou de US$ 18,50 para US$ 21.

O banco rebaixou a avaliação da Afya de overweight para equal-weight (exposição em linha com a média), e reduziu o preço-alvo de US$ 32,00 a US$ 28,50 do papel negociado na Nasdaq. O banco reiterou a avaliação da Ser Educacional (SEER3) como equalweight, e elevou o preço-alvo de R$ 17,50 para R$ 20.

Por outro lado, o Morgan Stanley reduziu a exposição à Cogna (COGN3) no setor de equalweight para underweight (exposição abaixo da média) e reduziu o preço-alvo de R$ 6 para R$ 4,50, devido ao momentum de lucros mais fracos, endividamento alto e reestruturação complexa no segmento presencial.

O banco também reiterou a avaliação underweight para a Anima ([ativo-ANIM3]), mas elevou o seu preço-alvo de R$ 12,33 para R$ 14,50. O banco diz ver riscos de execução relacionados à Laureate e uma integração grande e complexa, com um plano de redução do endividamento que inclui desinvestimentos em instituições em um mercado de compradores.

Temporada em foco

Cabe ressaltar que, para a temporada de resultados do segundo trimestre de 2021, analistas ainda projetam números pressionados para as companhias do setor.

Para o Morgan Stanley, o segundo trimestre tende a ser uma continuação dos resultados do primeiro trimestre, com o foco sendo nas tendências de matrículas do terceiro trimestre, em que esperam algumas sinalizações positivas. “Ainda não é um ponto de inflexão claro, mas talvez um bom indicador para matrículas no próximo ano”, apontam os analistas.

PUBLICIDADE

A XP também ressalta que os trimestres pares (segundo e quarto trimestres) costumam ser monótonos para as empresas de educação, já que os ciclos de captação estão concentrados nos ímpares.

“Portanto, as atenções devem se voltar para quaisquer atualizações que as companhias possam dar sobre o ciclo de captação ainda em andamento do terceiro trimestre – nossa expectativa é que este mostre os sinais iniciais de recuperação à medida que a pandemia diminui. Em relação aos números do trimestre, esperamos que as margens continuem pressionadas devido ao aumento da provisão para devedores duvidosos e maiores despesas de marketing – a mesma dinâmica observada no primeiro trimestre de 2021”, aponta a XP.

Com relação a empresas específicas, o Morgan aponta que a Cogna deve seguir registrando um trimestre desafiador, com a reestruturação dos campus bem encaminhada, mas custos e despesas ainda devendo pressionar o balanço. O ensino secundário também deve ser impacto negativamente.

O BTG também prevê resultados ainda fracos no setor, dada a dinâmica ainda difícil no segmento presencial, pressão de preços no ensino a distância, alavancagem operacional negativa e provisões em níveis altos. Na reta final do pregão, os ativos COGN3 caíam 2,2%, YDUQ3 tinha perdas de 1,5%. SEER3 caía 1,2%, enquanto Anima tinha baixa ainda mais expressiva, de cerca de 4%.

Guilherme Benchimol revela os segredos de gestão das maiores empresas do mundo no curso gratuito Jornada Rumo ao Topo. Inscreva-se já.

Ambev: após alta de mais de 20% desde o resultado, analistas mostram maior cautela com ações e destacam desafios

Ambev

SÃO PAULO – Após uma alta de mais de 20% desde o resultado do primeiro trimestre de 2021, que foi considerado bastante positivo para a companhia, analistas de mercado têm mostrado mais cautela com relação às ações da companhia de bebidas Ambev (ABEV3), levando em contas as projeções de alta de custos, podendo pressionar margens, e a questão concorrencial.

O Morgan Stanley reduziu na última quinta-feira (24) o preço-alvo para as ações da Ambev de R$ 14 para R$ 13,80, mantendo recomendação underweight (exposição abaixo da média). O preço-alvo corresponde a um valor 23,1% menor em relação ao fechamento de quinta-feira (24), de R$ 17,95.

Para os analistas, o otimismo recente com as ações decorreu provavelmente como resultado do mercado estar mais otimista com a receita e de como a companhia pode se beneficiar da recente rotação de ações de crescimento para ações de valor no Brasil.

Porém, aponta a equipe do Morgan,  os investidores devem olhar além do que os analistas veem como uma força de curto prazo insustentável. “Em nossos números revisados, a ação da Ambev está sendo negociado a um múltiplo de 27 vezes o preço sobre o lucro esperado para 2022, um prêmio de 30% em relação ao histórico, que consideramos injustificado”. O preço-alvo do banco americano implica em um múltiplo de cerca de 21 vezes.

O banco reduziu em cerca de 9% a sua previsão de lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) para 2022 e 2023 em média, 9% abaixo da previsão do mercado.

Os analistas do Morgan destacam três pontos principais para não estarem otimistas com a tese de investimentos na companhia, conforme destacados abaixo:

i) Impulso do aumento da receita líquida/ unitária da Ambev não é sustentável. Isso porque os analistas acreditam que eventos temporários, ao invés de fatores estruturais, parecem ter contribuído para a empresa. A forte receita líquida da Ambev no primeiro trimestre surpreendeu até os otimistas, algo que o Morgan credita à comprovada capacidade da administração de se adaptar rapidamente em meio à pandemia.

“Dito isso, nosso estudo do mercado de cerveja no Brasil sugere que os principais catalisadores do forte desempenho das vendas recentes são temporários: i) alta demanda de cerveja (que consideramos insustentável) e ii) um aperto na oferta da Heineken (que parece ver esse problema diminuir com acréscimo de nova capacidade). Olhando para o futuro, acreditamos que o faturamento da Ambev irá desacelerar no quarto trimestre de 2021 e em 2022, e que as margens podem ser estruturalmente menores”, apontam os analistas.

Eles veem um cenário competitivo mais desafiador em 2022 dado um grande aumento de capacidade esperado entre os concorrentes da Ambev (potencialmente cerca de 20% da produção de 2020), enquanto os estudos do banco de preço de varejo indicam que os preços da Heineken subiram significativamente e os preços dos produtos principais da Ambev estão defasados ​​(nas prateleiras). “Esperamos agora que a receita de cerveja da Ambev no Brasil fique estável em 2022”, ressaltam.

PUBLICIDADE

ii) Expectativa de desaceleração dos volumes de cerveja no Brasil após a reabertura da economia. Para os analistas, a receita do auxílio emergencial disponibilizada durante a pandemia foi um impulso maior para a demanda do que o que pode parecer, enquanto a “acessibilidade” dos consumidores também aumentou: a cerveja é cerca de 50% mais barata  em supermercados em relação a bares e restaurantes, ressaltam. Além disso, os depósitos em contas de poupança ainda estão cerca de 17% acima dos níveis pré-pandêmicos.

Para a segunda metade deste ano e para 2022, os analistas veem, e em linha com a visão dos economistas do Morgan,  menor renda disponível, com o desemprego ainda em níveis altos, alta inflação de alimentos, maiores gastos com serviços, potencialmente limitando o consumo de bebidas alcoólicas e reabertura devendo reativar o canal on-trade (como bares e restaurantes) mais caro (além do qual o varejo parece hoje muito mais agressivo com os preços).

iii) Expectativa de que os custos pressionem as margens da Ambev. O Morgan vê margens mais baixas por mais tempo, mas principalmente em 2022. A análise indica que o custo dos produtos vendidos por hectolitro da cerveja brasileira pode aumentar 18% em 2022, sendo esta a principal razão pela qual a estimativa para o Ebitda consolidado de 2022 está cerca de 9% abaixo do consenso de mercado. “A recuperação no comércio ajuda a lucratividade, mas assumimos que o alumínio continuará pesando nos custos, o poder de precificação permanece prejudicado e as vendas do Zé Delivery [aplicativo especializado em entregas de bebidas] vêm com margens muito menores”, avaliam.

Mas não é só o Morgan que está com uma visão mais cautelosa sobre a companhia de bebidas. Também nesta semana, o Santander reduziu a recomendação para os ativos de compra para manutenção, apontando que as ações estão agora se
aproximando de nosso preço-alvo para o fim de 2021, de R$ 20.

“Ainda acreditamos que a AmBev continuará inovando, executando com excelência e recuperando a participação de mercado perdida para a Heineken. Ainda assim, com o rápido aumento das taxas de juros no Brasil, estamos mais cautelosos com a recuperação econômica, especialmente no que diz respeito ao consumo, mesmo de alimentos básicos”, apontam os analistas do Santander.

Eles também veem o risco de que a Heineken possa reverter sua decisão de deixar o Sistema Coca-Cola no Brasil. “Se isso acontecesse, a Heineken evitaria cometer o erro estratégico de deixar de vender sua marca carro-chefe por meio do Sistema Coca-Cola, como fez com tanto sucesso nos últimos anos, intensificando novamente o ambiente competitivo em relação à AmBev”, afirmam.

As companhias fizeram um acordo em fevereiro de 2021 para reestruturarem sua rede de distribuição no Brasil, com validade até 2026, podendo ser prorrogado por mais cinco anos. O acordo prevê que as companhias iniciarão uma “suave transição” das marcas Heineken e Amstel para a rede de distribuição do grupo holandês no Brasil. O sistema Coca-Cola continuará a oferecer Kaiser, Bavaria e Sol, e complementará este portfólio com a marca premium Eisenbahn e outras marcas internacionais. O sistema Coca-Cola Brasil poderá vender e distribuir outras cervejas e bebidas alcoólicas, “até uma certa proporção do portfólio do grupo Heineken”, assim como o grupo holandês “terá a possibilidade de explorar outras oportunidades no segmento não alcóolico”.

Os principais riscos para a recomendação de “manutenção” do Santander são, do lado negativo, uma recuperação econômica mais lenta do que o esperado e outros surtos de pandemia no Brasil, além da manutenção ou aumento dos preços das commodities; e, do lado positivo,  preços mais fortes do que o esperado e ganhos de participação de mercado (market share).

PUBLICIDADE

Ainda sobre o cenário concorrencial, atenção para a notícia da última semana de que a Heineken está trazendo uma nova cerveja chamada Tiger para o Brasil, que é uma de suas cinco maiores marcas globais para competir com os principais produtos da Ambev.

De acordo com a Heineken, a Tiger será produzido nos estados do Ceará e São Paulo, e as vendas começarão no dia 1º de julho para a região Sul do Brasil, e no dia 1º de agosto para as regiões Sudeste e Nordeste do país.

O Bradesco BBI aponta que a entrada dessa marca internacional no Brasil é um risco de queda para a Ambev, para a qual os analistas possuem recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 15,50).

“Nosso entendimento é que esta marca provavelmente irá competir no segmento de malte puro de rápido crescimento no Brasil contra as marcas ‘core plus’ [intermediário entre as marcas populares e as marcas premium] da Ambev, que incluem a recém-lançada Brahma Duplo Malte (já alcançando uma participação de mercado estimada de cerca de 4% do total do volume de cerveja do Brasil após apenas um ano desde seu lançamento em fevereiro de 2020)”, avaliam os analistas.

Apoiando essa visão, em uma rápida pesquisa online de preços de supermercados realizada pelo BBI, os analistas apontam que o preço proposto da Heineken de R$ 3,27 para a Tiger seria semelhante ao da Brahma Duplo Malte de R$ 3,20, mas cerca de 25% mais alto do que o preço das principais marcas da Ambev Skol e Brahma.

Por outro lado, outras casas, como o Credit Suisse, seguem otimistas, mantendo recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado). No início do mês, a XP também reiterou compra e elevou o preço-alvo de Ambev de R$ 17 para R$ 20. “Permanecemos otimistas com a capacidade da Ambev de capturar ainda mais valor por meio de inovação tecnológica e mix de portfólio, apesar de estarmos mais cautelosos com o ritmo de reabertura de bares e restaurantes e de seguirmos preocupados com as pressões de custo que a empresa deve enfrentar neste ano”, destacaram os analistas da XP.

Segundo compilação da Refinitiv com quatorze casas que acompanham o papel, três recomendam compra, oito recomendam manutenção e três recomendam venda, com preço-alvo médio de R$ 16,77, valor 6,57% frente o fechamento da véspera.

Curso gratuito do InfoMoney mostra como você pode se tornar um Analista de Ações. Inscreva-se agora.

PUBLICIDADE

Saída inesperada de Caffarelli do comando da Cielo é negativa em meio aos grandes desafios da companhia

SÃO PAULO – Uma notícia inesperada e que mostra mais um desafio para a Cielo (CIEL3) em meio a um ambiente já bastante complexo para a companhia de maquininhas.

O conselho de administração da empresa aprovou na última quarta-feira (19) o pedido de renúncia do diretor-presidente da companhia Paulo Rogério Caffarelli. Na mesma reunião, o colegiado elegeu para o posto, por unanimidade, Gustavo Henrique Santos de Sousa, que hoje ocupa os cargos de Diretor sem Designação Específica (vice-presidente de Finanças) e de Diretor de Relações com Investidores.

A sessão desta quinta-feira começou negativa para a CIEL3 por conta da notícia: às 10h24 (horário de Brasília), os papéis caíam 3,08%, a R$ 3,78. Contudo, os ativos amenizaram, às 11h (horário de Brasília), operam perto da estabilidade, com variação positiva de 0,26%, a R$ 3,91.

O atual CEO segue na Cielo até 31 de maio para coordenar uma transição. Inicialmente, Sousa complementará o mandato de dois anos até a reunião do conselho da Cielo sobre o balanço de 2021.

Caffarelli chegou à Cielo no final de outubro de 2018, após deixar o comando do Banco do Brasil (BBAS3) com o objetivo de mudar a estratégia da empresa líder em pagamentos no Brasil, passando a se concentrar mais nos lucrativos mercados de pequenas e médias empresas, processo hoje em andamento.

No entanto, a empresa seguiu perdendo participação num mercado que antes dominava com a Rede, após uma abertura promovida pelo Banco Central ter incentivado a aparição de mais de 20 adquirentes e duas centenas de subadquirentes no Brasil.

Desde então, a Cielo perdeu dois terços de seu valor de mercado, para cerca de R$ 10,6 bilhões, valendo pouco mais de um décimo de sua rival menor Stone. No mês passado, a Cielo reportou lucro recorrente de R$ 135,8 milhões no primeiro trimestre, queda de 18,6% ante mesma etapa do ano anterior.

A troca no comando da Cielo ocorre também em meio a sucessivos rumores de que os sócios controladores Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil negociavam deslistar a companhia ou vender uma participação no negócio, o que foi sempre negado pelos bancos. A mudança também vem enquanto a GetNet, controlada pelo Santander Brasil (SANB11), planeja listagem na B3 e na Nasdaq, enquanto a Caixa Econômica Federal indica que pretende também fazer uma oferta inicial de ações de sua unidade de pagamentos.

Na avaliação do Itaú BBA, a notícia da saída do CEO é ligeiramente negativa, destacando que Caffarelli liderou mudanças importantes na empresa, incluindo o foco estratégico no desenvolvimento de uma plataforma de distribuição e produtos.

PUBLICIDADE

Além disso, a Cielo enfrenta atualmente enormes desafios operacionais, com o setor de pagamento passando por mudanças disruptivas impulsionadas pela intensificação da competição em produtos de aquisição tradicionais e pela implementação de novas iniciativas regulatórias e tecnológicas (por exemplo, avanço do PIX, WhatsApp Pay, etc.). Por fim, concorrentes como PagSeguro, Stone e Mercado Pago, entre outros, estão ampliando sua oferta de produtos, principalmente em produtos bancários, de crédito e de software.

“Acreditamos que a renúncia de Caffarelli representa um desafio a mais no contexto dinâmico e competitivo que a Cielo está enfrentando e deve se somar às incertezas do mercado quanto à capacidade da empresa de se reinventar em um cenário extremamente adverso”, avaliam os analistas do BBA.

O Credit Suisse também aponta que a notícia foi inesperada e é negativa para o processo de recuperação em andamento. No entanto, a transição deve ser suave, avaliando ainda que Sousa é um nome experiente para comandar a companhia.

A XP destaca que a notícia adiciona mais uma camada de incerteza à gestão da Cielo, que já está pressionada dado que seus acionistas estão divididos sobre o que fazer com a empresa. Os analistas reiteram recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 5 (ainda um potencial de alta de 28% em relação ao fechamento da véspera).

De acordo com compilação feita pela Refinitiv com analistas que cobrem o papel, duas casas possuem recomendação de compra, enquanto nove têm recomendação neutra e três têm recomendação de venda. O preço-alvo médio é de R$ 4,45, um potencial de alta de 14% em relação ao fechamento da véspera.

Cabe destacar que, nesta semana e antes da renúncia do CEO, o Bradesco BBI já havia cortado o preço-alvo para Cielo de R$ 5 para R$ 3,90 (ou estabilidade em relação ao fechamento de quarta-feira), e mantendo recomendação neutra, vendo um cenário difícil de ganhos de curto prazo.

Os analistas apontaram que, após um primeiro trimestre desafiador, não esperavam recuperação no curto prazo, com:
(i) a Cielo ainda enfrentando pressão competitiva no segmento de varejo; (ii) volumes de cartões com maior participação
de transações de débito – em grande parte devido à recuperação mais lenta do que o previsto da economia e bloqueios
parciais vistos ao longo de março / abril – acabando por reduzir as taxas médias de take away (tanto na Cielo Brasil
quanto na Cateno); e (iii) pressão de custos na Cateno, impactada por perdas operacionais, que os analistas esperavam que se normalizassem mais adiante. Assim, a estimativa é de que a Cielo entregue um lucro líquido recorrente de R$ 694 milhões em 2021 e de R$ 850 milhões em 2022, em grande parte em linha com o consenso para o próximo ano e, portanto, apontando para revisões limitadas de ganhos, na avaliação dos analistas.

Para eles, potenciais desinvestimentos de suas subsidiárias não lucrativas, ou seja, Cielo USA e MerchantE, poderiam ser um catalisador positivo para as ações.

PUBLICIDADE

(com Reuters e Agência Estado)

Stock Pickers lança curso online e gratuito que ensina a identificar ativos com ótimo potencial de valorização. Inscreva-se.

Barrar venda da Rlam seria revés para a Petrobras e para a segurança energética do Brasil, apontam analistas da XP

Rlam (Divulgação: Petrobras)

SÃO PAULO – A venda da refinaria Landulpho Alves (Rlam) pela Petrobras (PETR3;PETR4) ao Mubadala, a primeira de um plano de venda de 8 refinarias pela estatal, foi bastante questionado, principalmente por conta do seu valor.

O Tribunal de Contas da União (TCU), por sinal, tem até esta semana para avaliar uma possível suspensão da operação, questionando o valor de US$ 1,65 bilhão fechado com o Mubadala, que estaria abaixo do preço de mercado, de US$ 3,04 bilhões, definido pela própria Petrobras. A transação foi concluída em 8 de fevereiro e o Conselho da Petrobras aprovou a transação em 24 de março.

Mas o que este valor tão abaixo indica para a Petrobras? Em relatório, Gabriel Francisco e Maira Maldonado, apontaram que, a princípio, o valor também ficou abaixo do que eles esperavam, a um múltiplo implícito de 3,1 vezes o valor da empresa sobre o lucro antes juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) para a venda do ativo, abaixo da média histórica de múltiplos que a Petrobras negocia de 5,5 vezes (e 4,9 vezes atualmente).

Contudo, ao reexaminarem a transação com mais cautela, tanto do ponto de vista de contexto de mercado (global e local) como características da própria refinaria, avaliam que o valor final de venda possa ter refletido alguns fatores e que os levaram a revisar o valor potencial de venda dos ativos.

Eles consideram ser essencial que a venda da RLAM para o fundo de investimentos Mubadala seja aprovada apesar de qualquer eventual desapontamento em relação ao valor final da transação. “Do contrário, será um grande revés não só para a Petrobras, mas também para a segurança energética do Brasil”, afirmam.

Destacando os fatores que refletem o valor da venda de uma refinaria, os analistas ressaltam que, apesar do valor estratégico de uma refinaria em um país como o Brasil, que tem capacidade limitada de produção de derivados de petróleo para atender sua própria demanda interna, normalmente é difícil que haja um descolamento dos múltiplos de transação em relação a referências globais de empresas comparáveis listadas em bolsa. Ao olhar para as maiores empresas de refino listadas nos EUA (Valero, Philips 66, HollyFrontier Corporation e Marathon Petroleum Corporation), as suas ações negociaram historicamente na faixa de múltiplos de 5,0 vezes a 7,0 vezes o EV / EBITDA nos últimos 5 anos.

Porém, os múltiplos de ativos em mercados emergentes (EM) normalmente apresentam um desconto em relação a mercados desenvolvidos (DM). Assim, é comum que as transações e empresas listadas em tais mercados impliquem um desconto para os mercados dos países desenvolvidos – e esse seria o caso do Brasil.

No caso específico nacional, os investidores potencialmente interessados ​​nas refinarias da Petrobras podem atribuir um prêmio de risco mais alto (ou um desconto do valor total de aquisição) ao apresentarem suas propostas.

“A razão por trás dessa visão é que a manutenção de preços domésticos de combustíveis alinhados às mudanças nos preços do petróleo bruto e câmbio é um fenômeno muito recente no Brasil, tendo começado pela primeira vez durante a gestão de Pedro Parente como CEO da Petrobras em 2016”, avaliam os analistas, ressaltando ainda que a prática de uma política de preços alinhada com referências internacionais de preços de petróleo e câmbio não ocorreu sem seus percalços, conforme observado tanto na greve dos caminhoneiros de maio de 2018, como nos eventos recentes de fevereiro de 2021 que culminaram na substituição de Roberto Castello Branco como CEO da Petrobras.

PUBLICIDADE

Assim, dadas as incertezas associadas à operação de uma refinaria no mercado brasileiro, os analistas avaliam que é justo assumir um desconto adicional para as refinarias da Petrobras em cerca de 10%, o que implica em um múltiplo de EV/Ebitda entre 4,1 vezes e 5,5 vezes.

Além disso, eles ressaltam que o tempo de operação de uma refinaria da Petrobras pode afetar valores finais da venda do ativo, tendo em vista que ativos mais antigos podem demandar maiores investimentos para substituição de equipamentos e manutenção pelo novo operador. Neste sentido, a RLAM é a refinaria mais antiga do Brasil, com sua data de inauguração (1950) sendo anterior até mesmo à fundação da própria Petrobras (1953).

Por fim, Francisco e Maira apontam que os investidores potencialmente interessados em comprar as refinarias da estatal deverão assumir as condições atuais de operação dos ativos, e não incorporar em suas premissas melhorias operacionais de modo a melhorar o seu risco-retorno em suas propostas.

Eles ressaltam que, em modelagem anterior para o valor de venda potencial das refinarias da Petrobras, embutiam premissas de melhoria das operações nas estimativas, como normalmente é o caso em operações de fusões e aquisições (M&A). Nesse sentido, as seguintes variáveis podem ter sido afetadas em relação a nossas expectativas anteriores: i) fatores de utilização de capacidade das refinarias; ii) margens brutas de refino (receita menos custo variável de operação, principalmente aquisição de petróleo) e iii) premissas de custos de operação (pessoal e administrativo).

Ao atualizarem as suas premissas, os analistas estimam agora um valor total entre US$ 3,53 bilhões e US$ 4,77 bilhões para as refinarias da Petrobras à venda, implicando um valor por ação potencial entre R$ 0,98 por ação e R$ 1,33 por ação (4,1% a 5,5% do valor de mercado atual da companhia, levando em consideração o fechamento das ações na quinta-feira) uma redução da relação entre dívida Líquida e EBITDA entre 0,08 vez e 0,11 vez ante o nível de 2,22 vezes reportado pela empresa no quarto trimestre de 2020.

O valor antes estimado pela XP para as vendas das refinarias era de US$ 7,9 bilhões a US$ 10,5 bilhões, já excluindo a RLAM.

Ao realizar um teste de modelagem sob novas premissas para a refinaria RLAM, os analistas estimaram valores entre US$ 1,58 bilhão e US$ 2,13 bilhões para o ativo, que englobam o valor final de transação de US$ 1,65 bilhão apresentado pelo fundo Mubadala.

Confira as novas estimativas para a venda de refinarias, segundo análise da XP investimentos: 

PUBLICIDADE

Image

Image

Valores menores, mas importância de seguir com as vendas

Apesar da redução nas estimativas para os valores, os analistas destacam a importância do processo de venda, que vai muito além dos benefícios para a empresa e seus acionistas, como em termos de redução de endividamento e maior capacidade de distribuição de dividendos.

“Em nossa opinião, a venda das refinarias da Petrobras e a consequente redução da capacidade da estatal de formação de preços em todo o território nacional tem um significado muito maior do ponto de vista de segurança energética do Brasil no futuro. A razão por trás dessa visão é que o Brasil exigirá maiores investimentos para aumentar a capacidade local de abastecimento de combustíveis e derivados de petróleo, a fim de se evitar uma situação de escassez local de tais produtos ao longo da próxima década”, apontam Maira e Francisco.

Leia também: Petrobras anuncia elevação do preço do gás natural em 39% para distribuidoras a partir de 1 de maio

Isso porque, com base em estimativas feitas pelos analistas, o Brasil pode enfrentar escassez interna de 400 mil barris ao dia de produtos derivados de petróleo até o final da presente década de 2020-2030 (podendo ser mais cedo, a depender do crescimento da economia) devido à falta de capacidade de refino e de terminais portuários de importação de combustíveis.

“Em nossa opinião, existem duas alternativas potenciais (não mutuamente excludentes) para se evitar este cenário: (1) US$ 8,0 bilhões- US$ 9,0 bilhões em investimentos em capacidade adicional de refino ou (2) US$ 2,0 bilhões – US$ 3,0 bilhões em investimentos em capacidade adicional de terminais de importação”, afirmam. Porém, eles destacar ser fundamental que as condições do mercado local se tornem mais previsíveis a fim de viabilizar tais investimentos pelo setor privado.

Um dos principais fatores de previsibilidade é a dinâmica local de preços de combustíveis. Assim, destacam, é fundamental que a Petrobras conclua o processo de desinvestimento de 50% de sua capacidade de refino, para que a empresa perca seus poderes de monopólio e determinação de preços de combustíveis em todo o território brasileiro. Assim, os analistas consideram essencial que a venda da RLAM.

Cabe destacar que os analistas seguem com recomendação de venda para os ativos PETR3 e PETR4, com preço-alvo de R$ 24 para ambas as classes de ativos.

PUBLICIDADE

O Bradesco BBI, que também possui recomendação equivalente à venda para os ativos da Petrobras, destacou que o valor de venda da RLAM está abaixo de faixa de avaliação deles (de US$ 3 bilhões a 3,3 bilhões). “No entanto, em nossa opinião, o desconto está relacionado ao fato de esta ser a primeira venda de refinaria próxima de ser concluída pela Petrobras. Se o TCU decidir interromper a venda, poderia dificultar ainda mais a venda das outras sete refinarias, que já vemos como tendo um baixo chance de se materializar nesta fase”, apontam, principalmente em meio ao noticiário conturbado dos últimos meses para a companhia.

Entenda o método para realizar análises e não se perder em momentos turbulentos. A série gratuita One Good Trader, com Gilberto Coelho, te ensina como – inscreva-se!

Petrobras: o que as sinalizações do futuro CEO e a saída de diretores mostram sobre o futuro da estatal?

SÃO PAULO – O noticiário para a Petrobras (PETR3;PETR4) foi bastante movimentado entre a noite da última quarta-feira (24) e a manhã desta quinta-feira (25), marcado pela saída de diretores, venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, entre outros anúncios feitos pela estatal.

No final da tarde da véspera, repercutiu a entrevista à Reuters do futuro CEO da companhia, o general da reserva Joaquim Silva e Luna, trazendo algumas considerações sobre o que esperar dele no cargo. A princípio, as sinalizações foram positivas. Silva e Luna disse que não cederá a eventuais pressões políticas, incluindo aquelas relacionadas a cargos na empresa, e avalia que parte da diretoria atual poderá continuar, pelo menos em um primeiro momento de sua gestão.

Cabe lembrar que o presidente Jair Bolsonaro decidiu não renovar o contrato de Roberto Castello Branco após atritos relacionados à política de preços de combustíveis da estatal,  indicando o general Joaquim Silva e Luna em seu lugar, o que gerou uma grande desconfiança no mercado. A indicação do general da reserva para ocupar uma vaga no Conselho de Administração da estatal será apreciada em 12 de abril, em uma assembleia de acionistas. Depois da eleição dos novos conselheiros, Luna deverá ser eleito pelos seus pares para o posto de principal executivo.

Porém, horas depois, houve um revés nos planos do general. Em comunicado, a companhia informou que quatro membros de sua diretoria executiva comunicaram ao Conselho de Administração que não têm interesse de renovar seus mandatos. São eles Andrea Almeida (Financeira e de Relacionamento com Investidores), André Chiarini (Comercialização e Logística), Carlos Alberto Pereira de Oliveira (Exploração e Produção) e Rudimar Lorenzatto (Desenvolvimento da Produção). Na entrevista, o general havia destacado que alguns executivos poderiam sair, mas citou dois.

Os mandatos da diretoria executiva foram encerrados em 20 de março, mas os executivos estão comprometidos a cumprir com deveres e obrigações até a posse de seus respectivos sucessores, o que deve ocorrer após a realização da assembleia  em 12 de abril.

Conforme destaca o Morgan Stanley, o comunicado da Petrobras busca reiterar que os conselheiros não se demitiram, pois se comprometeram a permanecer até a eleição de seus sucessores. “No entanto, o resultado prático é que, contando com o CEO, a equipe de gestão executiva da Petrobras terá uma rotatividade de 56% (5 de 9), que incluem os cargos de diretor administrativo mais relevantes, em nossa opinião (e uma taxa de rotatividade de 78% com o diretor de Governança e Conformidade Marcelo Zenkner e a saída da diretora de Refino e Gás Natural da Petrobras Anelise Lara anunciada em janeiro)”, apontam os analistas. A empresa disse em um comunicado em separado na quarta-feira que o conselho escolheu Salvador Dahan como novo diretor de Governança que ele assumirá o cargo a partir de 1º de maio.

Bruno Montanari e Guilherme Levy, analistas do banco, apontam que, embora algumas saídas já fossem esperadas, a impressão inicial é que não iria atingir tal número, avaliando ainda que esta é mais uma consequência da recente intervenção do governo na Petrobras.

“Mesmo que acreditemos firmemente que a Petrobras possui um forte corpo de gestores experientes e altamente capacitados, estamos bastante preocupados com o risco de continuidade, particularmente com a substituição dos diretores de exploração e de desenvolvimento da produção”, avaliam.

A percepção de riscos para a manutenção da atual estratégia da companhia também inclui a sua política de preços de combustíveis, avaliam Maira Maldonado e Gabriel Francisco, analistas da XP Investimentos, que destacam os avanços ocorridos na Petrobras durante o mandato dos atuais diretores, liderados por Castello Branco.

PUBLICIDADE

Esse risco maior se exacerba à medida que saem notícias sobre o motivo para a saída dos diretores. De acordo com a Reuters, os executivos vão deixar a companhia após discordância com os planos de seu próximo presidente, o que inclui justamente a política de preços da empresa. Enquanto isso, em entrevista à agência, ele afirmou que manterá a Petrobras livre de interferências políticas.

Outras sinalizações foram dadas pelo futuro CEO durante a entrevista. Ele disse esperar que o governo encontre uma solução para evitar volatilidades de preços de combustíveis, mas sem que a Petrobras pague a conta.

Entre as possíveis soluções, uma política de amortecimento de preços dos combustíveis, após a Petrobras, com seu esquema de paridade ante o mercado internacional, ter elevado fortemente as cotações neste ano. “A ideia de criar um colchão, um amortecedor de preços, está viva e existe. Não tem nada pronto. O governo vai trabalhar com isso e a Petrobras vai contribuir, ajudar e participar. Isso não significa pagar a conta”, disse ele.

Segundo o Bradesco BBI, a ideia do fundo de compensação para reduzir a volatilidade é boa. No entanto, o método de financiamento dele ainda parece ser bastante complicado dado o cenário fiscal atual. Ao mesmo tempo, a implementação deste fundo precisaria acontecer antes das eleições presidenciais de 2022, pois isso poderia trazer uma volatilidade significativa. Isso ainda mais levando em conta a recente anulação da condenação do ex-presidente Lula no âmbito da Operação Lava-Jato pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) colocando o petista de volta ao jogo eleitoral.

Venda da RLAM: boa notícia, mas futuro incerto

Sobre isso, os analistas ainda destacam que, diante desse cenário político altamente incerto, veem a probabilidade da Petrobras vendendo suas refinarias, com exceção da RLAM, como muito baixa. O anúncio da venda da refinaria RLAM foi feito também na noite da última quarta, sendo um dos últimos atos de Castello Branco à frente da estatal.

Após muita polêmica, a venda para a Mubadala Capital foi anunciada por US$ 1,65 bilhão. “É o começo do fim de um monopólio numa economia ainda com monopólios em várias atividades”, disse em nota o presidente da estatal, Roberto Castello Branco.

A empresa afirmou ainda que a refinaria RLAM será a primeira dentre as oito que estão em processo de venda a ter o contrato assinado. No processo de desinvestimento em curso, a companhia busca se desfazer de cerca de metade da capacidade de refino do país.

De acordo com o Credit Suisse, a notícia é positiva, sendo um passo importante para a estatal uma vez que representa 15% da capacidade de refino da empresa. Ela deve trazer os seguintes benefícios: (a) mitigar risco de preço, (b) reduzir o capital exigido para refino, (c) e ajudar na meta de US$ 60 bilhões de dívida bruta que deve levar à nova política de dividendos.

PUBLICIDADE

A Petrobras, avalia, claramente está aumentando o seu foco na exploração e produção e deve ficar com uma capacidade de refino de 1,1 milhão de barris diários (MMbpd ), nível bem abaixo dos 2,4 MMbpd de produção. Os analistas ressaltam que a posição atual praticamente monopolista da Petrobras traz junto com ela uma boa dose de poder de precificação, mas a maior competição deve diminuir a possibilidade de intervenção no futuro.

Já a XP vê como negativo valor final de venda da RLAM, tendo em vista que a operação ocorreu em um múltiplo de 3,1 vezes o valor da firma sobre o Ebitda [EV/Ebitda], abaixo da expectativa mais pessimista dos analistas de 6,7 vezes e também abaixo dos múltiplos atuais que as ações da Petrobras negociam atualmente, de 4,8 vezes o Ebitda esperado entre 2021 e 2022.

“Em nossa opinião, o nível baixo de múltiplos para transação pode refletir uma combinação dos seguintes fatores: (i) baixo nível de competição pelo ativo; (ii) maior percepção de risco para o segmento de refino no Brasil devido a política de preços de combustíveis da Petrobras e (iii) potenciais necessidades de investimentos em renovação de equipamentos (Capex) da RLAM, tendo em vista que é um ativo mais antigo da Petrobras”, avaliam.

De qualquer forma, conforme ressaltou o BBI, o processo de venda das demais refinarias pode estar comprometido dado o cenário atual para a empresa, o risco eleitoral no Brasil e a falta de uma solução estrutural para o impasse sobre o preço do diesel no curto prazo.

Com esse cenário ainda de grandes incertezas para a empresa, a recomendação dos analistas segue sendo de cautela. O Bradesco BBI, o Credit Suisse e a XP Investimentos possuem recomendação de venda ou equivalente à venda para a companhia, enquanto o Morgan Stanley tem recomendação equalweight (exposição em linha à média do mercado, ou neutra).

“Apesar da recente baixa do preço das ações, os riscos de queda para a Petrobras permanecem elevados neste ponto, e a recompensa de risco é binária. Ficamos à margem até que obtenhamos mais clareza sobre a nova equipe de gestão e a sua estratégia”, avaliam os analistas do Morgan. A XP também vê que a percepção de riscos para a Petrobras deverá continuar elevada até a transição do comando na empresa.

Participe do Treinamento gratuito Scalper Pro e entenda como extrair lucro e controlar riscos na Bolsa em operações que duram minutos ou segundos! Inscreva-se aqui.

Após Bolsonaro dizer que governo vai “meter o dedo na energia elétrica”, setor está de novo em risco na Bolsa?

Bolsonaro fala sobre coronavírus O presidente Jair Bolsonaro em entrevista a jornalistas em Brasília (Andressa Anholete/Getty Images)

SÃO PAULO- Além de aumentar fortemente a percepção de risco para as ações de estatais no geral com as últimas declarações, o presidente da República, Jair Bolsonaro, também abalou um setor inteiro na Bolsa com as suas declarações no último fim de semana.

Além de criticar a magnitude dos reajustes dos preços dos combustíveis este ano, classificada por ele como “covardia”, o presidente também prometeu agir no mercado de energia elétrica durante conversa com apoiadores neste sábado. “Vamos meter o dedo na energia elétrica, que é outro problema também”, afirmou. A projeção da Agência Nacional de Energia Elétrica é de um aumento de 13%, em média, na tarifa de energia para 2021, e o governo busca medidas para mitigar essa alta.

A declaração foi breve, e não foram fornecidos maiores detalhes até o momento sobre seu significado, mas já foi suficiente para aumentar a percepção de risco, ainda mais após o anúncio da troca de comando na Petrobras (PETR3;PETR4). Além disso, a fala de Bolsonaro sobre o setor elétrico fez com quem os investidores ainda traçassem um paralelo com o ocorrido em 2012 durante o governo Dilma Rousseff, mais precisamente no dia 11 de setembro daquele ano. Na ocasião, o governo definiu sua posição sobre a renovação das concessões elétricas, anunciou um forte corte no preço de energia residencial e para o setor produtivo, com a intenção de reduzir o chamado custo-Brasil e impulsionar a produção industrial, impactando fortemente o setor, que demorou (e muito) a se recuperar (veja mais aqui).

Agora, os analistas veem impactos mais limitados do que em 2012, mas ainda assim monitoram de perto os próximos acontecimentos para o setor. As declarações foram sentidas no mercado, com as ações da Eletrobras (ELET3;ELET6) chegando a cair quase 10% no início da sessão, para depois diminuírem as perdas (ainda que sejam significativas por volta das 14h, entre 5% e 6%), enquanto CPFL (CPFE3) tinha perdas ainda mais expressivas, de 7,78% (R$ 30,09) e a estatal mineira Cemig (CMIG4) tinha perdas de 4,71% (R$ 12,14). O índice setorial da B3 de energia elétrica, o IEE, registrava baixa de 4,14%, a 75.692 pontos, enquanto o Ibovespa registra queda de cerca de 4,5%.

Em relatório em que reduziu a recomendação para as ações PN da Eletrobras (ELET6) de outperform (desempenho acima da média do mercado) para neutra, os analistas do Credit Suisse destacaram que o governo não pode alterar contratos no setor elétrico de maneira unilateral para reduzir tarifas, mas afirmaram que, ainda assim, a incerteza após a fala de Bolsonaro tem impacto no setor. Vale ressaltar que, além de ELET6, os papéis ordinários (ELET3) tiveram a recomendação cortada  de “neutra” para “underperform” (desempenho abaixo da média do mercado). Os preços-alvo foram cortados de R$ 40,20 para R$ 32 (ELET6) e de R$ 39,60 para R$ 28,30 (ELET3).

Os analistas também lembraram que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem discutido no momento o uso de mais de R$ 50 bilhões em créditos tributários para aliviar tarifas nos próximos anos, o que poderia ser uma medida para conter o avanço das contas de luz, utilizando mais subsídios do que “canetada” para diminuir os preços de energia. Isso, se por um lado, reduz o risco das elétricas, por outro pode também aumentar o risco fiscal.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo,  para mitigar o impacto dos aumentos das tarifas de eletricidade, a ideia seria injetar cerca de R$ 20 bilhões de recursos do governo federal no fundo do setor de energia da CDE. A CDE, vale destacar, é um fundo criado em 2002 que tem como objetivo custear políticas públicas do setor elétrico brasileiro, abastecido com encargos incluídos nas contas de todos os consumidores de energia. Esses recursos seriam combinados com a destinação dos cerca de R$ 50 bilhões de créditos tributários relativos à bitributação de PIS / Cofins sobre ICMS. A utilização dos créditos tributários já está em discussão na audiência pública da Aneel, independentemente de qualquer orientação governamental.

Essa discussão na agência ocorre após decisões judiciais pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e do Cofins nas tarifas elétricas. A reguladora terá uma decisão final sobre o ressarcimento desses valores aos consumidores após um processo de consulta pública com duração de 45 dias. Uma proposta inicial do regulador propõe a devolução dos créditos em cinco anos, o que poderia aliviar tarifas em cerca de 5% ao ano, segundo a agência.

A XP Investimentos também destaca que, apesar da maior percepção de risco, avalia ser improvável que a declaração de Bolsonaro resulte em interferência direta em contratos existentes de geração, transmissão ou distribuição.

PUBLICIDADE

“Eventualmente, o que poderia ser discutido seria um diferimento de pressões tarifárias tal como o que ocorreu na Conta-COVID de 2020, ou a Conta ACR do período de 2014-15. Notamos também que, semelhante ao que ocorreu no caso dos combustíveis, que a declaração se refira à aplicação de tributos sobre a energia. Neste caso, tal como no caso dos combustíveis, destacamos os mesmos riscos de espaço fiscal limitado no âmbito federal para reduções eventuais do PIS/COFINS (além, é claro, da observação à Lei de Responsabilidade Fiscal, LRF) e de oposição dos Estados a mudanças no ICMS”, reforça Gabriel Francisco, analista da XP.

Por outro lado, avalia, ainda que não sejam claros os eventuais impactos ao setor elétrico, as ações deverão ser penalizadas pela maior percepção de risco.

Nesse sentido, Francisco aponta que, de um ponto de vista tático, nomes menos expostos a tal risco são geradoras com maior exposição ao mercado livre (ACL), tendo em vista que seus contratos são bilaterais entre entes privados. “Favorecemos CESP (CESP6) e AES Tietê (TIET11) como principais nomes com exposição a este segmento”, ressalta o analista.

O Morgan Stanley aponta que reduzir as tarifas de eletricidade é uma tarefa complexa e que, atualmente, é difícil fazer qualquer tipo de mudança no setor de energia para reduzir as tarifas sem resultar em impacto fiscal negativo ou configurar uma quebra de contrato.

“Segundo as notícias de hoje, aparentemente o governo federal está optando pelo caminho dos subsídios, que é o mais fácil de implementar e menos sujeito a litígios. Em relação a possíveis mudanças na regulamentação ou nos contratos, historicamente, as decisões da Aneeel têm demonstrado independência das políticas governamentais e aderência às diretrizes técnicas”, apontam Miguel F Rodrigues, Fernando P Amaral, Alexandre Zimmermann, analistas do Morgan Stanley.

2012 X 2021: casos diferentes, mas…

Os analistas do Morgan também fazem um paralelo com a redução tarifária durante o governo Dilma Roussef, destacando ser importante lembrar que a redução das tarifas foi diferente, vindo principalmente de duas fontes: i) renovação das concessões, sujeita a tarifas mais baixas, que tiveram que ser aprovadas pelas empresas elegíveis (Eletrobras foi a mais afetada negativamente e única empresa a concordar com as condições de renovação da concessão de geração); ii) contribuição direta do Tesouro Nacional, que foi utilizada para atingir a meta de redução de tarifas de cerca de 20% prometida pelo presidente.

Na avaliação do Morgan, a regulamentação do setor de energia no Brasil tem sido estável e confiável nos últimos anos e, embora seja justo esperar uma percepção de risco mais alta à medida que o governo busca formas de mitigar aumentos de tarifas para os consumidores finais, não é esperado que essa mudança aconteça nos contratos de concessão ou nos Acordos de Compra e Venda de Energia (PPAs, na sigla em inglês). Por outro lado, reforça que isso pode trazer uma preocupação adicional sobre a situação fiscal do Brasil.

“Em relação à Eletrobras, única concessionária de energia elétrica listada e controlada pelo governo federal, é difícil ver a empresa sendo usada para ajudar na redução de tarifas”, avaliam. Contudo, lembram que a nomeação do novo CEO será fundamental para entender se a estratégia corporativa pode mudar no futuro.

PUBLICIDADE

Cabe ressaltar que, no final de janeiro, Wilson Ferreira Jr, um nome bem visto pelo mercado e que ajudou a diminuir a dívida e a vender os ativos da Eletrobras, anunciou que sairá da estatal em março para assumir a BR Distribuidora (BRDT3). O nome do novo CEO ainda está sendo analisado, após o Conselho da estatal de energia destacar que contratou uma consultoria de headhunter para assessorar na escolha do sucessor de Ferreira Jr. no cargo de presidente executivo, também de forma a barrar eventuais indicações políticas.

Sobre o tema, o Credit Suisse, em relatório que reduziu as recomendações para ELET3 e ELET6, destacou que mudanças estatutárias na gestão do CEO Wilson Ferreira fortaleceram a empresa contra interferências, assim como a Lei das Estatais de 2016, mas ainda assim expressou alguma preocupação com a sucessão de Ferreira,.

“O potencial impacto de interferências políticas pode ser reduzido. Ainda assim, uma nova gestão não tão qualificada e não focada na lucratividade pode prejudicar novamente margens e deteriorar expectativas”, escreveram. “Além disso, os planos de privatização poderiam ficar sob risco, uma vez que poderiam implicar preços mais elevados da eletricidade à frente”, apontou.

Os analistas do Itaú BBA também reforçaram a percepção de risco para a Eletrobras em meio à busca de um novo CEO apontando que, apesar de contratar uma empresa de headhunters para buscar um novo líder, o anúncio da estatal provavelmente desapontará os investidores, dada a chance limitada de privatização e a compensação pouco atrativa. Os eventos dos últimos dias aumentaram ainda mais essa percepção.

Em curso gratuito, analista Pamela Semezzato explica como conseguiu extrair da Bolsa em um mês o que ganhava em um ano em seu antigo emprego. Deixe seu e-mail para assistir de graça.

Efeito intervenção: os bancos e casas de análise que cortaram a recomendação para as ações da Petrobras

SÃO PAULO – Após os últimos acontecimentos desde a noite da última sexta-feira (22), com o anúncio do governo da indicação do governo do general Joaquim Silva e Luna para presidência da Petrobras  (PETR3;PETR4) , em substituição a Roberto Castello Branco, em meio às críticas do presidente Jair Bolsonaro sobre o reajuste de combustíveis, diversas casas de análise já reduziram para equivalente à venda ou colocaram a recomendação das ações da estatal em revisão.

Dentre elas, XP Investimentos, Credit Suisse e Bradesco BBI (que cortaram fortemente a recomendação e o preço-alvo), enquanto o Morgan Stanley suspendeu a recomendação. Confira abaixo os principais pontos para as revisões de recomendação:

XP Investimentos

Recomendação anterior: neutra, preços-alvos de R$ 32 para os ativos PETR3 e PETR4
Recomendação atual: venda, preços-alvos de R$ 24 para os ativos PETR3 e PETR4

A XP rebaixou a recomendação das ações da Petrobras de neutro para “venda” revisando, ao mesmo tempo, o preço-alvo do papel para R$ 24,00, de R$ 32,00: “não há mais como defender”, apontam os analistas.

Em relatório distribuído no último domingo, o analista Gabriel Francisco atribuiu a alteração à sinalização negativa em termos da perspectiva de governança da estatal e à atual gestão de preços com o anúncio de substituição do presidente da companhia.

O governo anunciou na sexta-feira a troca de Roberto Castello Branco pelo general Joaquim de Silva e Luna para comandar a Petrobras.

“Vemos esse anúncio como uma sinalização negativa, tanto de uma perspectiva de governança, dados os riscos para a independência de gestão da Petrobras, como também por implicar riscos de que a companhia continue a praticar uma política de preços de combustíveis em linha com referências internacionais de preços, ou seja, que reflitam as variações dos preços de petróleo e câmbio”, diz Francisco.

Segundo a XP, existem muitas incertezas para justificar uma tese de investimento na Petrobras. “Acreditamos que as ações deverão daqui em diante negociar com um desconto mais alto em relação ao histórico e a outras petroleiras globais”, acrescenta no relatório.

Francisco nota ainda que “as incertezas para a política de preços de combustíveis da Petrobras implicam uma menor correlação das ações em relação aos preços do petróleo daqui para frente, dados os riscos de que não sejam totalmente repassados aos preços dos combustíveis. Com isso, esperamos uma deterioração nos resultados no futuro, não apenas devido às margens de refino mais baixas, mas também devido aos riscos que a Petrobras deva realizar importações de combustível com prejuízo para evitar qualquer risco de desabastecimento no mercado local”.

Bradesco BBI

PUBLICIDADE

Recomendação anterior: neutra, preço-alvo de R$ 34 para PETR4 e de US$ 13 para o ADR PBR
Recomendação atual: underperform (desempenho abaixo da média do mercado), com preço-alvo de R$ 24 para PETR4 e de US$ 9 para o ADR PBR

O Bradesco BBI reduziu novamente a recomendação para as ações da Petrobras depois de já tê-lo feito em 8 de fevereiro em meio às dúvidas sobre a política de preços da companhia.

Agora, depois do anúncio da indicação de mudança dos CEOs, os analistas Vicente Falanga e Gustavo Sadka apontaram que o novo corte reflete a longa lista de perguntas sem resposta caso a mudança de comando seja confirmada.

Entre estas questões críticas para o caso de investimento da Petrobras, os analistas destacam seis em especial: (1) Qual será a nova política de preços de diesel da Petrobras? ; (2) Os recentes reajustes no preço do diesel podem ser revertidos (com desconto atual de 4% atualmente na paridade internacional)? ; (3) a Petrobras continuará a buscar ativamente a venda de refinarias em um ano pré-eleitoral? (4) as empresas ainda estarão interessadas em comprar refinarias e / ou o processo pode ser atrasado materialmente e / ou com valuations significativamente mais baixos? ; (5) os esforços de capex se concentrarão no pré-sal, com campos de mais alto retorno ou vai se desviar para outros fins? e (6) se o conselho mudar materialmente, a política futura de pagamento de dividendos da empresa (60% do fluxo de caixa operacional) também vai mudar?

Os analistas também destacam o que esperar de uma potencial nova política de preços de diesel. No relatório do início do mês em que rebaixaram as ações para neutra, os analistas destacaram os riscos crescentes da capacidade da Petrobras de precificar o diesel dadas as constantes reclamações dos caminhoneiros.

“Uma das demandas dos motoristas era por aumentos mais previsíveis / menos frequentes, o que provavelmente é o que
uma nova gestão da Petrobras poderia procurar implementar. Se fosse esse o caso, em um cenário em que os preços do petróleo continuam subindo, o desconto para a paridade internacional pode aumentar significativamente. Um efeito colateral poderia ser uma redução repentina nas importações, o que obrigaria a Petrobras a mudar o seu mix de refino de óleo combustível para diesel e/ou forçar a Petrobras a importar combustível com milhões em perdas de lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (estimativa de perdas de US$ 900 milhões para cada desconto de 10% do diesel e da gasolina”, apontam os analistas.

Credit Suisse

Recomendação anterior: outperform (desempenho acima da média do mercado), preço-alvo de US$ 16 para o ADR PBR da Petrobras
Recomendação atual: underperform, com preço-alvo de US$ 8 para o ADR PBR

O Credit Suisse destaca que, de acordo com o estatuto da Petrobras, a nomeação de um novo CEO não pode ser feito diretamente pelo acionista majoritário. Em vez disso, deve ser solicitado e aprovado pelo Conselho de Administração.

PUBLICIDADE

“Nós acreditamos que a atual equipe executiva provavelmente permanecerá pelo menos até o final de seus mandatos em 20 de março. Isso porque o novo CEO da Petrobras precisa primeiro ser nomeado pelos diretores e, além disso, o nome deve ser aprovado pelo Comitê, para cumprimento de diversas regras de elegibilidade”, apontam os analistas Regis Cardoso e Marcelo Gumiero.

Os analistas também destacam mudanças no seu modelo apontando que, embora os riscos não tenham se materializado totalmente, é muito improvável que os preços das ações da estatal reflitam o mesmo prêmio de risco incorporado no preço-alvo anterior.

Cardoso e Gumiero ressaltam os riscos para o case de investimentos, com as principais incertezas agora se referindo à (i) continuidade da política de preços da Petrobras atrelada à paridade internacional, particularmente para gasolina, diesel e
GLP e (ii) mudanças no plano de negócios, com potencial aumento nos níveis de capex e interrupção do plano de desinvestimento. “Se os preços da Petrobras divergirem estruturalmente da paridade de importação, isso poderá dificultar os desinvestimentos das refinarias. Caso esse cenário se materialize, nossa preocupação também com a Petrobras aumentando os níveis de capex e retomando os investimentos em downstream (as atividades de transporte, comercialização e refino de petróleo e ainda transporte e comercialização de derivados de petróleo)”, avaliam.

Morgan Stanley

Recomendação anterior: overweight (exposição acima da média do mercado), com preço-alvo de US$ 16,50 para o ADR PBR da Petrobras
Recomendação atual: sem recomendação

Já os analistas do Morgan Stanley suspenderam a recomendação para a Petrobras, que antes era overweight (exposição acima da média do mercado) com preço-alvo de US$ 16,50 para os ADRs PBR (equivalente à ordinária).

“Um caso de intervenção parece estar se desenrolando. Temos uma forte visão de que a Petrobras está em uma situação financeira muito melhor hoje e que controles moderados de preços de combustível não afetariam materialmente o perfil de fluxo de caixa livre. Mas a percepção de risco aumentou drasticamente, adicionando um fator de risco”, apontam Bruno Montanari e Guilherme Levy.

Para os analistas, o caso mais negativo de intervenção não deve causar grande impacto nas finanças da Petrobras no curto prazo. “Internamente, executamos diferentes cenários de sensibilidade sobre o impacto de diversos níveis de desconto no preço do combustível sob um ambiente Brent de US$ 65 o barril e cenários para taxas de câmbio. Em um cenário de intervenção moderada, com 10% de desconto por um ano inteiro, e Petrobras aumentando os volumes de importação para abastecer o mercado com prejuízo, o impacto no Ebitda e no fluxo de caixa livre seria de US$ 4,0 bilhões e US$ 2,3 bilhões, respectivamente, o que não é material em comparação com nosso estimativas do caso base. O fluxo de caixa livre sofreria um impacto de 360 ​​pontos-base e a relação entre a dívida líquida e o Ebitda aumentaria marginalmente, em 0,3 vez. O Ebitda por barril de refino da Petrobras ainda seria de US$ 1,50, contra nosso caso base de US$ 4,30”, apontam.

Eles ressaltam que a empresa é muito mais resiliente hoje em comparação com os anos de intervenção anteriores de 2012-2015 avaliando que, no pico de intervenção passado durante a administração da ex-presidente Dilma Rousseff, a Petrobras estava executando margens de refino negativas, tinha uma relação entre dívida líquida e Ebitda de 6,3 vezes e, por um longo período de tempo, a empresa esteve à beira de um potencial default. Atualmente, todos esses indicadores são materialmente mais fortes. A dívida líquida, em particular, diminuiu mais de 50%, de US$ 132 bilhões para US$ 66 bilhões.

PUBLICIDADE

De qualquer forma, os analistas apontam que a percepção de risco aumentará ainda mais, e eles esperam por algum grau de repercussão para o setor como um todo, embora não para o mesmo nível do ciclo de intervenção anterior. Nos últimos dois anos (excluindo o período de volatilidade da Covid-19), as ações da Petrobras foram negociadas com um desconto de 5% a 15% ante os pares internacionais. O Morgan aponta ser provável que a ação seja negociada com um desconto maior em um futuro próximo, embora não tão pronunciado quanto um desconto de 40% durante o pior dos anos de intervenção anteriores.

“Além disso, acreditamos que uma nova onda de intervenção poderia afetar potencialmente o programa de desinvestimento da empresa (refinarias em particular) e o clima geral de investimento no Brasil em algum grau. Não esperamos, no entanto, ver um efeito cascata semelhante ao soberano versus quando a Petrobras estava em risco de inadimplência”, apontam.

Eles ressaltam que vão avaliar como o mercado vai se comportar nas próximas semanas e monitorará os novos desenvolvimentos, como uma possível saída de membros do Conselho. “Embora possamos concluir que a tese fundamental pode não ter mudado de forma material, os fundamentos provavelmente não serão o principal impulsionador da ação no curto prazo, e veremos uma percepção de risco muito maior no setor, o que poderia resultar em uma taxa de desconto mais ampla e negociação de descontos múltiplos em comparação com pares internacionais”, avaliam.

Itaú BBA

Recomendação anterior: outperform (exposição acima da média do mercado)
Recomendação atual: sem recomendação

O Itaú BBA  disse que vê a mudança de gestão como abrupta como indicação de que o governo pretende ampliar seu envolvimento nas operações da petroleira, mas destaca que a alteração ainda deve demorar um mês, envolvendo a mudança no conselho da empresa, à medida que deve passar por uma nova reunião de acionistas, o que leva um mês.

O Itaú diz acreditar que a maior parte da incerteza vai ser uma reação à política de preços no curto prazo, e a como a gestão impacta a venda das refinarias, que vinha avançando “significativamente”,

Em sua análise, o banco presume que a Petrobras manterá seus preços de diesel e gasolina abaixo da paridade internacional, e que outros atores deixarão de importar combustível, o que obrigará a Petrobras a aumentar suas próprias importações para dar conta da demanda doméstica.

E afirma que a tese a favor da Petrobras se baseava na redução de risco em torno da empresa e redução de dívidas. Ambos os pontos foram prejudicados pela decisão do presidente. Devido às incertezas atuais, o banco suspendeu sua avaliação de risco e de preço-alvo para a Petrobras.

Para estrategista-chefe da XP, mudança histórica abriu oportunidade para um grupo específico de ativos na Bolsa. Clique aqui ou deixe seu e-mail abaixo para saber de graça como aproveitá-la.

XP rebaixa para venda recomendação para as ações da Petrobras após anúncio de troca de comando

A XP rebaixou a recomendação das ações da Petrobras (PETR3;PETR4) para “venda”, de “neutro” anteriormente, revisando, ao mesmo tempo, o preço-alvo do papel para R$ 24,00, de R$ 32,00.

Em relatório distribuído neste domingo, 21, o analista Gabriel Francisco atribuiu a alteração à sinalização negativa em termos da perspectiva de governança da estatal e à atual gestão de preços com o anúncio de substituição do presidente da companhia.

O governo anunciou na sexta-feira a troca de Roberto Castello Branco pelo general Joaquim de Silva e Luna para comandar a Petrobras.

“Vemos esse anúncio como uma sinalização negativa, tanto de uma perspectiva de governança, dados os riscos para a independência de gestão da Petrobras, como também por implicar riscos de que a companhia continue a praticar uma política de preços de combustíveis em linha com referências internacionais de preços, ou seja, que reflitam as variações dos preços de petróleo e câmbio”, diz Francisco.

Segundo a XP, existem muitas incertezas para justificar uma tese de investimento na Petrobras. “Acreditamos que as ações deverão daqui em diante negociar com um desconto mais alto em relação ao histórico e a outras petroleiras globais”, acrescenta no relatório.

Francisco nota ainda que “as incertezas para a política de preços de combustíveis da Petrobras implicam uma menor correlação das ações em relação aos preços do petróleo daqui para frente, dados os riscos de que não sejam totalmente repassados aos preços dos combustíveis. Com isso, esperamos uma deterioração nos resultados no futuro, não apenas devido às margens de refino mais baixas, mas também devido aos riscos que a Petrobras deva realizar importações de combustível com prejuízo para evitar qualquer risco de desabastecimento no mercado local”.

Para estrategista-chefe da XP, mudança histórica abriu oportunidade para um grupo específico de ativos na Bolsa. Clique aqui ou deixe seu e-mail abaixo para saber de graça como aproveitá-la.

IRB mostra confiança em 2021 melhor após 2020 para ser esquecido: mas por que analistas seguem cautelosos?

SÃO PAULO – Por mais um trimestre, resultados fracos e, mesmo com a expectativa de um ano mais positivo após um 2020 muito turbulento, o ambiente segue de cautela, com os investidores ainda esperando mais sinais para retomar a confiança com o case da companhia (veja mais clicando aqui).

Essa é a avaliação da maior parte dos analistas de mercado após o resultado do IRB Brasil Re (IRBR3) do quarto trimestre do ano passado e do fechamento de 2020, que era um dos mais aguardados pelos investidores devido aos escândalos que fizeram a ação IRBR3 ser a “lanterninha” do Ibovespa em 2020, com queda de quase 77%.

O ano passado terminou com um prejuízo líquido acumulado para o ressegurador de 1,5213 bilhão, ante lucro de R$ 1,210 bilhão no mesmo período de 2019.

Apenas no quarto trimestre do ano passado, o prejuízo totalizou R$ 620,2 milhões, comparável a um lucro de R$ 654,4 milhões nos últimos três meses de 2019 e ante o prejuízo de R$ 229,8 milhões no terceiro trimestre de 2020.

Conforme destaca a Safra Corretora, o resultado negativo é reflexo de números fracos nas principais linhas do balanço e da perda pontual em baixa de crédito tributário do escritório de Londres; a expectativa dos analistas do banco era de um prejuízo menor, de R$ 158 milhões nos últimos quatro meses de 2020. A Levante Ideias de Investimentos também aponta que as perdas se deram principalmente devido a uma menor arrecadação com prêmios ganhos e prêmios retidos, além dos ajustes feitos na operação da resseguradora através da “retrocessão”, ou seja, repassar operações para outros resseguradores.

No relatório de resultados, a companhia apontou que, se  excluídos os impactos negativos do run-off (negócios descontinuados) e dos efeitos one-offs (não recorrentes), a companhia teria apresentado um lucro líquido no quarto trimestre de R$ 190,4 milhões e um prejuízo líquido de R$ 476,2 milhões no acumulado de 2020.

Os prêmios emitidos pela companhia no trimestre somaram R$ 2,0 bilhões, uma leve queda na comparação anual, de 0,9%. A Levante aponta que, ao longo dos outros trimestres, a companhia vinha apresentando crescimento nessa linha, com isso, no acumulado do ano, a companhia emitiu R$ 9,6 bilhões, um aumento de 12,7% quando comparado com 2019.

Já entre os destaques positivos, a equipe de análise destaca a redução no prejuízo com resultado de underwriting (ou subscrição, procedimento para avaliar se aceitam ou recusam determinados riscos para fins de resseguros ou seguros), que chegou a mais de R$ 1 bilhão no segundo trimestre e teve uma melhora gradual até atingir um prejuízo de R$ 194 milhões neste trimestre. Além disso, o índice de sinistralidade total mostrou melhora sequencial de 4,4 pontos percentuais em relação a terceiro trimestre, encerrando o trimestre em 92,1%.

PUBLICIDADE

Para a Safra Corretora, a boa notícia do resultado foi o anúncio de que o IRB atingiu o cumprimento regulatório da Susep, órgão responsável pelo controle e fiscalização do setor, para os índices de liquidez e cobertura das provisões técnicas.

No geral, os resultados foram considerados abaixo do esperado, principalmente na linha do prejuízo líquido, mas a Levante apontou que as falas dos executivos da empresa poderiam melhorar as expectativas do mercado, uma vez que os preços das ações, na visão dos analistas, ainda estão sendo influenciados por uma falta de confiança após o caso de fraude.

“Dessa forma, esperamos que uma melhora constante na transparência por parte da companhia no longo prazo seja quase tão impactante quanto seus resultados em si”, avaliam. Cabe ressaltar que, após despencar em 2020, 2021 segue sendo um ano complicado para a ação do IRB, com queda acumulada de 18,7% do ativo até a sessão da véspera.

Na sessão desta sexta-feira, em reação ao resultado fraco, os ativos IRBR3 chegaram a cair até 6,32% no início da sessão, a R$ 6,23. Às 13h51 (horário de Brasília), os papéis tinham baixa de 3,46%, a R$ 6,42.

Recuperando a confiança, mas…

Durante a teleconferência, os executivos da companhia reforçaram o discurso de que estão limpando o balanço da companhia, além de destacarem as perspectivas mais positivas para 2021.

Antonio Cassio dos Santos, CEO do IRB, apontou que a empresa cancelou 11% dos contratos do portfólio entre julho e dezembro no processo de “re-underwriting”, ressaltando que isso significa que ela está disposta a abrir mão de faturamento bruto em benefício dos resultados.

Nos últimos seis meses, ressaltou, a equipe analisou 500 contratos, cancelando as principais operações de vida detratoras de resultados do exterior, além de diminuírem as suas operações estrangeiras. “Saímos de ‘properties’ internacional, porque, quando comparados com o Brasil, era preferível fazer esses contratos no país do que no exterior em termos de resultados”, apontou.

Mostrando confiança, Santos ainda apontou que o IRB voltará a dar lucro em 2021 e estará a “pleno vapor” em 2022/2023, e projetando que a companhia vai publicar o guidance (que traz as perspectivas para os principais números da empresa) para o biênio 21/22 após a assembleia dos acionistas, em março. Assim, destacou que o desempenho do IRB em 2021 será “muito melhor” do que em 2020 com efeito das ações anteriores de recuperação do balanço.

PUBLICIDADE

No próprio release de resultados, o CEO havia citado a série de medidas para a recuperação da confiança na empresa. “Em meio a um ano que vai ser lembrado globalmente pelos efeitos da pandemia da covid-19, enfrentamos o desafio de superar uma crise de credibilidade motivada por irregularidades identificadas pela divulgação de informações inverídicas sobre a base acionária da companhia em março de 2020, pela instauração da fiscalização especial da Susep, em maio, devido à insuficiência de ativos garantidores das provisões técnicas do IRB, naquele momento da ordem de R$ 1 bilhão, e em junho pelo refazimento das demonstrações financeiras de 2019/18 que trouxeram à luz a real situação econômico-financeira da empresa”, apontou no relatório de balanço.

A Levante também ressalta que, depois de confirmar a fraude nas reservas técnicas, a companhia está fazendo o necessário para arrumar a casa com uma série de medidas realizadas em 2020, entre elas, capitalização, emissão de debêntures, venda de ativos e operações estruturadas redutoras de provisão, tendo um impacto total de R$ 4,8 bilhões.

Cabe destacar que o início da turbulência para o IRB começou em fevereiro de 2020, quando a a Squadra, uma das mais tradicionais gestoras de ações do Brasil, publicou uma extensa carta (de 184 páginas, mais precisamente) apontando uma série de “inconsistências” no balanço do IRB, gerando muita repercussão entre os investidores. Três semanas depois, um novo documento da gestora após o IRB rebater os pontos destacados pela Squadra. Entre as acusações, estavam a de avaliações otimistas da sinistralidade, venda de participação em ativos “non-core” sem detalhamento, que teriam impulsionado o lucro do IRB.

Mas esse foi apenas o começo: em março, ganhou destaque ainda a polêmica após a notícia enganosa de que Warren Buffett teria comprado ações da companhia, negado posteriormente pela Berkshire Hathaway, do megainvestidor americano, aumentando a uma crise de credibilidade para a companhia e levando à saída de dois importantes executivos.

Naquele mês, vale lembrar, no auge da polêmica sobre o caso Berkshire, muitas casas interromperam a sua cobertura para o ativo, esperando maior visibilidade sobre os verdadeiros números da empresa e também sinais da nova gestão, uma vez que os principais comandantes haviam saído em meio aos escândalos. Em meio a tantas turbulências, a gestão da companhia mudou (com Santos assumindo a presidência da empresa em março), houve uma virada na comunicação e, gradativamente, a empresa se tornou mais transparente.

Depois de onze meses em busca de restaurar a confiança dos investidores, Santos negou a existência de “esqueletos” remanescentes no resultado do IRB, citou o período intenso à frente da empresa e afirmou na teleconferência que, nas próximas 3 a 4 semanas, se chegará a um “denominador comum” com a companhia sobre a sua permanência no cargo. “Tenho que considerar anos de vida que perdi para o estresse dos últimos seis meses”, afirmou o CEO.

Assim, mesmo em meio à visão mais positiva para a companhia, ainda há muitas incertezas no radar e receio no mercado sobre a velocidade de recuperação, o que justifica a cautela praticamente generalizada dos analistas com os ativos.

“Olhando apenas para os negócios restantes, o IRB continua mostrando alguma tendência de recuperação, sugerindo que 2021 pode ser um ano melhor. Mas, por enquanto, preferimos manter uma visão cautelosa para IRB Brasil”, apontam os analistas da Safra Corretora, que possuem recomendação neutra para os ativos, com preço-alvo de R$ 7,80 para o papel (alta de 17,29% frente o último fechamento).

PUBLICIDADE

Na mesma linha, o Credit Suisse manteve a recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado) para os ativos IRBR3, com preço-alvo de R$ 7,50 (potencial de valorização de 12,78%). “Enquanto celebramos as iniciativas da gestão para transformar a empresa e focar em operações lucrativas ao mesmo tempo em que melhora os padrões de governança, acreditamos que as operações de run-off (descontinuadas) ainda podem pesar nos resultados no curto prazo e, portanto, preferimos manter uma postura cautelosa”, avaliam.

A cautela é a palavra de ordem para as casas de análise que cobrem o papel, conforme apontam dados da Refinitiv: de 8 casas, 4 possuem recomendação neutra e 4 de venda.

Conforme destaca a Levante, a companhia segue líder em seu setor e as medidas feitas ao longo do ano mostram comprometimento no turnaround [virada] da companhia, “porém o grande problema da IRB Brasil não é apenas operacional, mas reputacional e quebra da confiança é uma ferida que pode demorar a cicatrizar”.

Para estrategista-chefe da XP, mudança histórica abriu oportunidade para um grupo específico de ativos na Bolsa. Clique aqui ou deixe seu e-mail abaixo para saber de graça como aproveitá-la.