Investidores de criptomoedas estão entre os mais pessimistas com a economia doméstica, mostra pesquisa

SÃO PAULO – Com os brasileiros buscando alternativas para diversificar a carteira e aumentar os retornos de seus investimentos, as criptomoedas têm ganhado destaque na composição de portfólios e já ocupam o terceiro lugar na preferência dos investidores – em especial daqueles que estão pessimistas com a economia local.

Os dados são de uma pesquisa feita pela Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas, em parceria com o University Blockchain Research Initiative (UBRI) e a gestora Hashdex.

De acordo com o levantamento, os investidores que se autodeclararam otimistas em relação à economia doméstica são aqueles que pretendem investir em ações, enquanto aqueles que se dizem pessimistas, predominam em produtos como títulos privados, câmbio e criptoativos.

“Apesar do mercado de criptoativos estar em franco crescimento, ainda se sabe muito pouco sobre as características e percepções dos investidores brasileiros quanto a essa classe de ativos emergente”, acrescenta Jéfferson Colombo, professor da FGV EESP e coordenador da pesquisa, em nota.

De acordo com o levantamento, as ações representam a primeira opção de investimento entre os consultados, seguida por títulos privados de renda fixa, como Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCI e LCA).

Na quarta posição, depois das criptomoedas, está o Tesouro Direito – programa de compra e venda de títulos públicos para a pessoa física –, seguido pelas commodities, câmbio e, por último, pela poupança.

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Com relação ao perfil de risco, a maioria dos participantes se classificou como arrojado (36,1%). Na sequência, vieram os moderados (33,3%), agressivos (23,6%) e conservadores (6,9%).

“Conhecer o perfil do investidor interessado nos criptoativos e, ainda, o seu nível de conhecimento sobre este mercado é de extrema importância para que possamos desenvolver ações educativas direcionadas para este público”, afirma Marcelo Sampaio, CEO da Hashdex, em nota.

Jovens predominam no mundo cripto

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Quando analisadas as faixas etárias dos investidores em criptomoedas consultados, jovens de até 29 anos se mostraram com maior tolerância a risco e com maior conhecimento sobre o mundo cripto.

Os participantes precisaram identificar siglas pertencentes a criptomoedas (BTC, ETH e XRP) incluídas em uma lista com outros ativos. Do total, 36,8% localizaram somente Bitcoin. Outros 24,1% identificaram Bitcoin e Ethereum, 23% não conheciam nenhuma e apenas 15,8% encontraram todas.

Vale frisar ainda que o conhecimento em criptomoedas se mostrou maior entre os investidores jovens, de perfil de risco agressivo e com curso superior relacionado a finanças.

O estudo, realizado entre fevereiro e março de 2021, foi feito a partir de um questionário enviado por e-mail para clientes de escritórios de assessores de investimento parceiros da iniciativa (Monte Bravo Investimentos, Blu3 Investimentos, Acqua-Vero Investimentos, One Investimentos e Renova Invest). Ao todo, 576 pessoas responderam o questionário, sendo 446 homens e 130 mulheres.

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Lojas Renner tem queda de 76,4% no lucro líquido no 2º trimestre, para R$ 193,1 milhões

SÃO PAULO – A Lojas Renner (LREN3) divulgou nesta quinta-feira (12), após o fechamento do pregão, que apurou lucro líquido de R$ 193,1 milhões no segundo trimestre de 2021, queda de 76,4% em relação ao mesmo período do ano passado, quando somou R$ 818,1 milhões.

Pressionado em parte por expansão nas despesas operacionais, o número veio abaixo dos R$ 131,7 milhões esperados por analistas consultados pela Refinitv.

De acordo com a companhia, a redução decorreu principalmente da recuperação de crédito fiscal relacionado ao PIS e ao Cofins no período. Em bases comparáveis, o resultado do último trimestre foi 184,7% na base anual, em função, principalmente, do maior resultado operacional.

Entre abril e junho deste ano, a companhia registrou um lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado, incluindo produtos financeiros e arrendamentos, de R$ 330 milhões, queda de 35% em relação aos R$ 507 milhões um ano antes.

A margem Ebitda ajustada ficou em 14,6%, 79,4 pontos percentuais abaixo da apresentada no segundo trimestre de 2020, de 94%.

A receita líquida de venda de mercadorias, por sua vez, disparou para R$ 2,26 bilhões, 318% acima de um ano antes e 11,8% maior do que o faturamento obtido no segundo trimestre de 2019.

Já as despesas operacionais (vendas, gerais e administrativas) somaram R$ 837,5 milhões, quase o dobro de um ano antes, quando totalizaram R$ 421,5 milhões.

A Lojas Renner tem apostado na digitalização de suas vendas e no segundo trimestre iniciou o seu lab de marketplace.

No período, as vendas digitais (GMV) somaram R$ 414,5 milhões, 66,5% maior do que os R$ 248,9 milhões registrados um ano antes. Já ante o segundo trimestre de 2019, o aumento foi ainda mais expressivo, de 269,5%.

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Nesta quinta, as ações LREN3 encerraram o pregão com queda de 1,15%, a R$ 40,33. No ano, os papéis caem 6,9%, ante alta de 1,4% do Ibovespa.

Por Dentro dos Resultados
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Com impulso do agro, Bolsa ganha mais empresas de fora do eixo Rio-São Paulo

Bioeconomia, agronegócio Getty Images

Maior produtora de sementes de soja no Brasil, a Boa Safra (SOJA3) abriu o capital neste ano na Bolsa e atraiu grandes investidores que viram a possibilidade de ampliar a diversificação regional de seu portfólio.

A oferta poderia ser só mais uma entre as dezenas de novatas na Bolsa brasileira neste ano. No entanto, há um diferencial: a Boa Safra é apenas a terceira companhia de Goiás listada na B3.

A segunda, a produtora de soja Jalles Machado (JALL3), chegou meses antes. Esses casos refletem uma mudança sutil no perfil da Bolsa brasileira, que começa a ter mais representantes de fora do eixo Rio-São Paulo.

Para a Boa Safra, a meta de fazer uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) existia desde a gênese do negócio. “Já iniciei a empresa com o sonho de abrir capital”, diz Marino Colpo, presidente da companhia, que fundou a empresa ao lado da irmã, em 2009.

Segundo o empresário, a ideia desde o início foi pavimentar o caminho para um IPO e, por isso, alguns ritos foram seguidos. Desde 2016, por exemplo, o balanço da Boa Safra é auditado pela KPMG.

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A oferta chegou até antes do planejado. Com o mercado ávido por negócios fora do padrão tradicional da B3, a decisão do IPO foi tomada em 2020, junto com a XP, que coordenou a oferta.

Antes de lançar a operação, a decisão foi de levar gestores de fundos para visitar a fazenda, para ajudar no entendimento da empresa, visto que poucos analistas conhecem o setor.

“Existe essa distância entre a Faria Lima e o agronegócio. Muitos gestores não conheciam o setor, mas percebo que as coisas têm mudado rápido”, diz Colpo.

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Essas empresas, antes desconhecidas do centro financeiro paulista, sentiam uma barreira na hora de acessar o mercado de capitais. Não é por menos: das quase 500 empresas com ações listadas na B3, cerca de 300 têm sede no Estado de São Paulo.

O que chama também a atenção é que oito estados brasileiros não têm representantes, um reflexo da estrutural concentração da economia nacional no eixo Rio-SP.

Agora, com um juro ainda em um dígito, a história começou a mudar. O processo de descoberta das empresas no interior do Brasil ganhou dimensão após um dos IPOs icônicos no ano passado: o do Grupo Mateus (GMAT3), gigante varejista do Maranhão, uma das três empresas do Estado presentes na B3.

Apesar de muitos estados terem representantes listados, grande parte das empresas do interior do país não tem liquidez na Bolsa – boa parte chegou ao mercado há décadas, aproveitando benefícios fiscais que incentivavam a abertura de capital.

Agora, a situação é outra. O pano de fundo atual para a chegada de empresas de outras regiões do país na Bolsa, diz o diretor de relacionamento com clientes da B3, Rogério Santana, é a maior funcionalidade do mercado brasileiro.

“Há mais investidores olhando IPOs, gestores querendo ouvir histórias diferentes novas e fundos de investimento captando recursos.”

Sócio responsável pelo banco de investimento da XP, Pedro Mesquita diz que a tentativa de desbravar o interior do país visando a futuros IPOs é consciente. “Vemos muitas empresas com potencial”, diz ele, ponderando que, na maioria das vezes, a chegada à Bolsa exige um trabalho de longo prazo.

Para além do agronegócio, em julho, mês cheio de ofertas na B3, provedoras de internet como a Brisanet (BRIT3) e a Unifique (FIQE3), que têm forte atuação no Nordeste e no Sul do Brasil, respectivamente, estrearam no pregão.

Na fila

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Olhando adiante, a lista de empresas de outros estados deve continuar crescendo, impulsionada pelos recentes casos de sucesso.

Uma delas é a São Salvador Alimentos (de Goiás e dona da marca Super Frango). A oferta pode girar até R$ 1,5 bilhão. Estava prevista para o primeiro semestre, mas foi adiada porque o negócio ainda é desconhecido de bancos de investimento de São Paulo.

Com pedidos de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estão a paranaense Conasa (de saneamento), a Rio Branco Alimentos, dona da marca Pif Paf (de Minas Gerais), e a também goiana Nova Harmonia (de construção).

A expansão de negócios fora do eixo Rio-São Paulo na Bolsa também deve ganhar um impulso “tech”, afirma o responsável global pelo banco de investimento do Itaú BBA, Roderick Greenless. “Há muitos polos de tecnologia no Brasil, como em Recife, Belo Horizonte e Florianópolis.”

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20 ações que devem pagar dividendos acima da Selic, agora em 5,25% ao ano

SÃO PAULO – Como esperado pelo mercado financeiro, o Banco Central elevou novamente a taxa Selic, desta vez em 1 ponto, para 5,25% ao ano, e deixou a porta aberta para uma nova alta na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em setembro.

Ainda que o aumento da taxa básica de juros possa deixar a renda fixa mais atrativa, a inflação continua em patamares elevados, corroendo o retorno dos investidores. Com isso, aplicações mais arrojadas, como ações na Bolsa, seguem na preferência de gestores de patrimônio.

Isso porque os juros reais (acima da inflação) devem continuar próximos de zero no horizonte próximo.

No relatório Focus, do Banco Central, mais recente, as projeções apontam para Selic de 7% em dezembro e inflação de 6,79% em 2021 – o que implica baixo retorno real para investidores em renda fixa.

Neste cenário, rendimentos de dividendos acima da taxa de juros para algumas empresas são vistos como uma boa oportunidade, uma vez que, além da possibilidade de ganho de capital, o investidor conta também com uma rentabilidade adicional na forma de proventos.

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A XP fez um levantamento com 20 ações da cobertura que podem pagar um dividend yield (rendimento dos dividendos) acima de 5,3% ao ano.

Desta lista, que inclui geradoras de energia, bancos e uma construtora, 12 papéis devem pagar um dividend yield acima de 7%, que é a projeção do Focus para a taxa de juros no fim do ano. Confira:

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Vale lembrar que as companhias têm a obrigatoriedade, por lei, de remanejar pelo menos 25% de seus proventos para os acionistas.

Confira as recomendações da XP para as 10 maiores pagadoras de dividendos:

Banco do Brasil (BBAS3) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 13,7%

Na avaliação dos analistas da XP, o banco combina preço atrativo, pela sua carteira de crédito defendida, e uma frente digital competitiva.

“Acreditamos que a distribuição de dividendos do Banco do Brasil deve se tornar relevante, pois o banco deve aumentar seu payout em um cenário de maior capitalização, recuperação de lucros e Previ I com superávit de R$ 22 bilhões”, escrevem, em relatório.

A XP tem recomendação de compra para os papéis BBAS3 e preço-alvo de R$ 52 por ação.

Engie ([ativo=EGIE3]) – recomendação neutra e dividend yield esperado de 11,7%

No caso da geradora de energia elétrica, a XP destaca a capacidade diferenciada de a empresa se proteger de efeitos hidrológicos adversos, somada à sua diversificação de portfólio com a entrada nos setores de transmissão de energia e transporte de gás.

“Acreditamos que a companhia deverá manter uma prática de distribuição de 100% do lucro líquido aos acionistas em 2021, assim como ocorreu em 2020”, escreve o time de análise.

A XP tem recomendação neutra para os papéis EGIE3 e preço-alvo de R$ 48 por ação.

Taesa (TAEE11) – recomendação neutra e dividend yield esperado de 9,2%

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Outra empresa do setor elétrico, Taesa está confortável para manter a distribuição de 100% de lucros em 2021, segundo a XP.

Os analistas escrevem que a companhia vem apresentando um histórico de pagamento de dividendos bem acima da remuneração mínima que consta em seu estatuto. A XP tem recomendação neutra para a Taesa, com preço-alvo de R$ 37 por ação.

Copel (CPLE6) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 9,2%

De acordo com a XP, a Copel divulgou uma nova e robusta política de dividendos em 2021, na qual os proventos serão calculados conforme alguns critérios, como o de alavancagem abaixo de 1,5 vez ou igual a 65% do lucro líquido ajustado, por exemplo.

O time de análise estima um dividend yield de 12,2% em 2021 e 2022 para CPLE6, mantém a recomendação de compra para as ações e vê um preço-alvo de R$ 7,5 por ação, para CPLE6, e de R$ 37,50 por unit para CPLE11.

Bradesco (BBDC4) – recomendação neutra e dividend yield esperado de 9,3%

Do setor financeiro, Bradesco possui uma fonte diversificada de receitas, incluindo a maior seguradora do Brasil em participação de mercado, destaca a XP.

Os analistas ressaltam ainda a carteira de crédito do banco, a terceira maior do mercado, bem como o maior espaço para corte de custos em relação a pares como Itaú e Santander, além da boa sinergia entre seus negócios.

“Embora o banco tenha mostrado esforços em iniciativas como o banco Next, Ágora e Cielo, acreditamos que não haja claras oportunidades para o banco empregar grandes quantidades de capital incremental com altas taxas de retorno, tornando atrativa a distribuição de dividendos”, escrevem os analistas.

A XP tem recomendação neutra para o Bradesco e preço-alvo de R$ 26 por ação.

BB Seguridade (BBSE3) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 8,6%

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Também do setor financeiro, BB Seguridade deve se beneficiar, segundo o time de análise da XP, de um crescimento de prêmios impulsionado pela retomada econômica, bem como da capacidade de distribuição pelas agências do Banco do Brasil.

Desta forma, escreve a XP, dada a baixa necessidade de capital, a BB Corretora apresenta margens altas impulsionando os retornos da companhia e, consequentemente, os proventos.

A XP tem recomendação de compra para a BB Seguridade com preço-alvo de R$ 35 por ação.

Plano & Plano (PLPL3) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 8,5%

A Plano&Plano é uma incorporadora focada no segmento de baixa renda que opera principalmente na região metropolitana de São Paulo.

“Vemos a combinação de execução sólida e sua abordagem mais asset-light impulsionando suas operações nos próximos anos com um dos maiores retornos do segmento e baixa alavancagem financeira, o que deve levar a companhia pagar dividendos robustos nos próximos anos”, escreve a XP.

AES Brasil (AESB3) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 8,2%

Na avaliação da XP, AES Brasil (antiga AES Tietê) é uma das pagadoras de dividendos preferidas da casa, dado que costuma apresentar lucros consistentes.

Os analistas escrevem que, apesar de possuir um certo grau de volatilidade dependendo da incidência de chuvas, a companhia apresentou um payout de 88% em 2020, o que se traduz em um atraente dividend yield de 5,4% no ano.

A XP tem recomendação de compra para AESB3 e preço-alvo de R$ 17 por ação.

Santander (SANB11) – recomendação de venda e dividend yield esperado de 8,1%

Segundo a XP, apesar de o Santander ser o banco com a menor diversificação de receita entre os pares, apresenta uma combinação de alta exposição ao crédito de varejo e níveis de inadimplência relativamente abaixo da média.

“Acreditamos que, enquanto não haja boas oportunidades para o banco empregar grandes quantidades de capital incremental com altas taxas de retorno, a distribuição de dividendos pode ser uma alternativa atrativa”, avalia a XP.

Cesp (CESP6) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 7,9%

Por fim, a companhia de geração de energia elétrica Cesp também está entre as preferidas da XP para pagar bons dividendos, acima da Selic.

Os analistas escrevem que a companhia vem reforçando sua sólida geração de caixa nos últimos trimestres e que, por isso, a expectativa é de que deva continuar a distribuir ao menos o dividendo mínimo de R$ R$ 1,85 por ação previsto pelo seu estatuto.

A XP tem recomendação de compra para os papéis CESP6 e preço-alvo de R$ 34.

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Bitcoin e Ethereum: semana tem estreia de 2 ETFs de criptomoedas na Bolsa

(Unsplash)

SÃO PAULO – O mercado de criptomoedas vem ganhando cada vez mais espaço na carteira de investidores ao redor do mundo e tem levado gestoras a lançarem mais produtos no mercado brasileiro. É o caso de dois fundos de índice (ETFs, na sigla em inglês) que estreiam na Bolsa esta semana.

O primeiro lançamento será do ETF de Ethereum da gestora QR Capital, que começa a ser negociado na B3 nesta quarta-feira (4) sob o código “QETH11“.

Com taxa de administração de 0,75% ao ano, o produto é o primeiro da América Latina com 100% de exposição à moeda Ethereum.

O ETF busca replicar o desempenho do índice CME CF Ether Reference Rate, que acompanha o preço do Ethereum em dólares.

“O Ether [token da rede Ethereum] é um ativo já consolidado e que, como o Bitcoin, tem um track record mais longo, bons casos de uso como as finanças descentralizadas (DeFI), tornando-se um excelente ativo para reforçar a diversificação de carteiras de investimentos”, avalia Fernando Carvalho, CEO da QR Capital.

Já na quinta-feira (5), começam a ser negociadas as cotas do segundo ETF de criptomoedas da gestora Hashdex, o Hashdex Nasdaq Bitcoin Reference Price Fundo de Índice, sob o código de negociação “BITH11“.

O fundo, que é anunciado como o primeiro ETF verde de Bitcoin do Brasil, busca replicar o índice Nasdaq Bitcoin Reference Price, desenvolvido pela Nasdaq, que acompanha o preço do Bitcoin denominado em dólares. A taxa de administração será de 0,3% ao ano.

Segundo a Hashdex, o novo ETF foi desenvolvido com a intenção de neutralizar as emissões de carbono decorrentes de investimento em Bitcoin.

Isso será feito por meio da aquisição de créditos de carbono e investimentos em projetos neutralizadores. O limite para tais aquisições, segundo a gestora, será o valor equivalente a 0,15% ao ano do patrimônio líquido médio do fundo no exterior.

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Ambos os novos ETFs vão entregar ao investidor um retorno com exposição cambial, isto é, com a variação do dólar.

Novas opções ao investidor

Com os dois novos produtos, o investidor brasileiro passa a ter agora quatro fundos de índice com cotas negociadas em Bolsa (ETFs) que acompanham benchmarks atrelados ao desempenho de moedas digitais.

O primeiro ETF de criptomoedas do Brasil foi o Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice (HASH11), lançado na B3 em abril deste ano e que tem taxa de administração de 0,3% ao ano.

Segundo dados da B3, o HASH11 é hoje o segundo maior ETF em número de cotistas, com 131,7 mil investidores, no fim de junho.

O produto só fica atrás do ETF IVVB11, da BlackRock, que replica o índice acionário S&P 500, dos Estados Unidos, e soma 156,1 mil cotistas. Mas está à frente de fundos como o BOVA11, que replica o Ibovespa, com 112 mil investidores no fim de junho.

Em julho, foi a vez de a QR Asset Management lançar o primeiro ETF da América Latina com 100% de exposição ao Bitcoin, o “QBTC11“.

Com taxa de administração de 0,75% ao ano, o produto replica o índice CME CF Bitcoin Reference Rate, referência dos contratos futuros de Bitcoin negociados pela bolsa americana “Chicago Mercantile Exchange Group”.

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Wall Street teme que crescimento da economia tenha atingido pico

(Bloomberg) – Estrategistas de investimento começam a considerar um novo cenário pessimista: a economia já teria atingido o limite de velocidade.

Com a propagação da variante delta do coronavírus e aperto da política monetária de bancos centrais para controlar a inflação, há uma crescente preocupação de que os mercados financeiros tenham se tornado otimistas demais.

“O pico do crescimento começa a se tornar um elemento mais preocupante”, disse Frank Benzimra, chefe de estratégia de ações da Ásia no Société Générale, em entrevista à Bloomberg Television.

“Este é realmente um dos elementos que nos levou a reduzir a alocação em ativos de risco em nossa alocação global. Temos a inflação, mas também temos esse elemento do crescimento.”

Na mente de muitos investidores, isso significa retroceder em segmentos com muita exposição do mercado, como cíclicos. Outros apontaram para a volatilidade típica que acompanha a temporada de balanços e o baixo fluxo de volume de negociações durante o verão no hemisfério norte.

Investidores já haviam se beneficiado com a perspectiva de forte recuperação econômica mundial, impulsionada pelo dinheiro fácil e vacinação.

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Mas a combinação de pressões de preços e casos de Covid-19 em alta aumenta o risco de que a expansão econômica fique aquém das previsões otimistas. E, com os índices acionários globais oscilando em relação às máximas históricas, não há espaço para erros.

“Embora as condições macro permaneçam favoráveis às ações em geral, os valuations, as tendências sazonais e o posicionamento deixam espaço para correções de preços e picos de volatilidade como o que vemos hoje”, disse Antonio Cavarero, chefe de investimentos da Generali Insurance Asset Management.

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Outros estrategistas aconselharam clientes a aproveitar o momento de desaceleração para comprar.

Marija Veitmane, estrategista sênior de multiativos na State Street Global Markets, diz que está de olho em pechinchas. “As ações tiveram um primeiro semestre muito forte, apoiadas pela recuperação dos lucros, e esperamos que os ganhos corporativos continuem fortes.”

Para Ruchir Sharma, chefe de mercados emergentes e estrategista-chefe global da Morgan Stanley Investment Management, ainda existe a preocupação de que as expectativas de crescimento sejam muito altas. O escrutínio regulatório da China sobre o setor de tecnologia e a tendência de consumidores dos EUA pouparem mais do que gastam estão entre os principais riscos, disse.

A estagnação das taxas de vacinação, especialmente nos EUA, também azeda o humor do mercado, escreveu George Saravelos, do Deutsche Bank. Ao mesmo tempo, o aumento dos preços esfriou a demanda dos consumidores em muitas economias.

“Isso é parte de uma cicatriz pós-Covid mais ampla; também é parte da destruição da demanda devido aos gargalos”, escreveu. “Isso é o oposto do que se esperaria se o ambiente fosse genuinamente inflacionário. Isso mostra que a economia global tem um limite de velocidade muito baixo.”

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Exercício automático de opções sobre ações: o que muda na prática?

* por Cristiano de Souza Corrêa

O mercado de opções no Brasil ainda conta com poucos participantes. De acordo com a pesquisa A Descoberta da Bolsa pelo Investidor Brasileiro, divulgada em dezembro de 2020 pela B3, apenas 80 mil investidores pessoas físicas mantinham investimentos em opções. Seja por sua volatilidade, seja pela dificuldade de compreensão racional por trás das operações, o fato é que poucos se arriscam – por medo (e com toda razão) ou, principalmente, por causa da avidez da volatilidade.

Não é muito difícil que determinados ativos possam variar mais de 300% em um único dia. Não nos esqueçamos que a variação pode ser tanto positiva quanto negativa. Nem pense em entrar neste mercado se você não conhece ou não estudou para tal. Diferentemente do segmento de ações, em que o risco está limitado ao valor do capital investido, em determinadas situações, uma opção sobre ação pode ter risco infinito e o obrigar a sair do mercado antes mesmo de concluir a primeira operação.

Em geral, o mercado de derivativos tem como principal objetivo a garantia de preços em um determinado ativo, ou seja, se quero comprar ou vender determinado ativo, é possível o travamento do preço. No mercado de opções, ele pode ser utilizado em estratégias de alavancagem ou até proteção aos investimentos em ações, por exemplo.

Mas, afinal, o que muda? Em novembro de 2019, a B3 iniciou a operacionalização do projeto do exercício automático de opções sobre ações, Units e ETFs. Esta alteração permitirá ao titular de uma opção exercer o direito de comprar ou vender um ativo sem que tenha que manifestar sua intenção. Até então, os contratos de opções tinham vencimento na terceira segunda-feira de cada mês, e, de certa forma, um fim de semana no meio do vencimento do contrato gerava algum tipo de assimetria, uma vez que o último dia de exercício da opção era na sexta-feira anterior.

Na prática, ocorria o seguinte: uma operação como a borboleta, que tem uma combinação de opções compradas e vendidas com diferença de R$ 1 em três preços de exercícios (strike) diferentes, oferece potencial teórico de retorno limitado ao valor desta diferença. Ocorre, porém, que raramente é possível a maximização do resultado, visto que existe entre o último dia de negociação e o vencimento da opção um fim de semana em que tudo pode acontecer, ou seja, como não há negociação no dia do vencimento, essas opções ainda permaneciam com algum valor residual.

O exercício automático já é realizado pela maioria das bolsas mundiais e trará alguns benefícios que vão desde a possibilidade de negociar o ativo no dia do seu vencimento até a adoção do contrary exercise, que permitirá o comando de não exercício para opções ITM ou a opção do exercício para as opções ATM e OTM. A B3 foi cuidadosa ao não permitir que séries se misturassem e tivessem características diferentes. Logo, desde 21 de maio de 2021, todas as séries têm vencimentos (abertas a partir de dezembro de 2019) na terceira sexta-feira de cada mês.

Outro ponto importante está relacionado ao custo operacional. Atualmente, como o exercício é manual (ou programado, porém, imputado manualmente), as corretoras cobram valores muito acima do convencional, uma vez que há um serviço adicional prestado no comando do exercício (ou não) da opção. Assim, é esperado que, uma vez que o exercício será automático por parte da B3, o custo para exercer seja equivalente ao de uma operação regular.

Sem dúvida alguma, o exercício automático trará maior liquidez, auxiliará na mitigação dos riscos de um processo, hoje, manual e reduzirá os custos operacionais, além de alinhar a B3 às principais práticas das bolsas internacionais.

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* Cristiano de Souza Corrêa é mestre em Controladoria e Finanças e coordenador do curso de Administração do Ibmec São Paulo.

Os melhores fundos do mercado: conheça os finalistas do ranking InfoMoney-Ibmec 2021

O ranking InfoMoney-Ibmec de melhores fundos premia os gestores que conseguiram entregar aos investidores bons retornos com consistência.

Para isso, analisa os rendimentos ajustados ao risco dos fundos disponíveis no mercado brasileiro num período de três anos. E como foi difícil bater os parâmetros de 2018 a 2020, intervalo analisado neste último ranking.

“O ano de 2020 foi especialmente desafiador. A volatilidade foi impressionante”, diz George Sales, professor do Ibmec responsável pela elaboração do ranking (conheça a metodologia).

O otimismo do início do ano foi rapidamente dissipado com a chegada da pandemia do novo coronavírus e as suas consequências na economia – mas a recuperação foi igualmente rápida.

Depois de cair 45,5% em pouco mais de um mês, o Ibovespa subiu 83,5% em oito meses e voltou aos níveis pré-pandemia em dezembro.

Samuel Ponsoni, responsável pela análise de fundos da XP Investimentos, destaca que não houve uma única estratégia vencedora comum aos premiados e que cada classe de fundo – e cada gestor – lidou com adversidades diferentes para entregar bons retornos.

Veja abaixo quais são os finalistas entre os melhores fundos do mercado no ranking de 2021. A classificação dos premiados será conhecida num evento online e gratuito que o InfoMoney fará nos dias 23 e 24 de fevereiro.

Nesse evento, também haverá painéis com os gestores, em que eles falarão sobre os bons resultados, cenários e suas estratégias de investimento agora.

Os detalhes do evento serão divulgados na próxima semana. Para saber mais, acompanhe o InfoMoney e cadastre-se na nossa newsletter.

Renda variável

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Os fundos finalistas são:

Atmos Ações
Dynamo Cougar
Hix Capital
Patria Pipe Feeder Institucional
Versa Long Biased

Dois dos fundos de ações mais tradicionais e admirados do Mercado brasileiro, o Atmos Ações e o Dynamo Cougar, estão entre os finalistas na categoria de renda variável.

Ambas as gestoras seguem a estratégia do value investing e se concentram mais na análise detalhada das empresas do que na visão do cenário macroeconômico para decidir onde investir.

Outro finalista é o fundo Versa Long Biased, que segue a estratégia long and short, de combinar compras de ações e apostas na baixa de papéis.

“Nos últimos três anos, tivemos mais posições compradas”, diz Luiz Fernando Alves, sócio e gestor da Versa. Mas não foi fácil decidir onde investir.

Quando a pandemia começou, a decisão foi reduzir o risco, o que fez o fundo sofrer menos durante os meses de fevereiro e março.

Logo após esse movimento de proteção, os gestores voltaram as compras, aproveitando os preços mais baixos. Mas a pandemia estava longe de terminar.

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“Tiramos as nossas proteções cedo demais. O fundo sofreu um pouco porque volatilidade estava muito alta. Mas não fizemos nada. Tínhamos convicção nos papéis que estávamos comprando”, disse.

Volatilidade, no entanto, é algo natural por ali.

“É um fundo de gestão agressiva e que opera alavancado, por isso as oscilações são sempre amplas. Em janeiro, até o dia 27, tem uma perda de 23,5%, enquanto o Ibovespa cai apenas 2,6%”, diz Ponsoni.

Os demais fundos de renda variável que se destacaram no último ano tiveram, em comum, a visão de que setores mais ligados à tecnologia se destacariam, o que levou à compra de papéis como Mercado Livre, Magazine Luiza e Via Varejo.

Renda fixa crédito privado

Os finalistas são:

BV Eagle
Capitânia Premium
Capitânia Top
XP Top CP FIRF LP
Wa Cred Excellent

Samuel Ponsoni lembra que os cotistas enfrentaram uma maior volatilidade nessa categoria, que sempre foi vista como a mais conservadora.

A maior volatilidade veio da marcação à mercado, que incorpora a variação diária dos preços dos ativos ao valor da cota.

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Títulos prefixados ou atrelados à inflação sofrem essas variações de preço, que são mais intensas em momentos de maior incerteza – como o período entre fevereiro e abril, início da pandemia.

“Nesse cenário, as casas com maior experiência na gestão de crédito conseguiram sofrer menos que os concorrentes e lideraram o ranking”, disse.

Essa maior experiência e a gestão ativa levaram a Capitânia a ter dois fundos entre os finalistas no ranking InfoMoney-Ibmec. Segundo Christopher Smith, CFA da gestora, o Capitânia Premium e o Capitânia Top Crédito possuem estratégias muito parecidas.

“O que muda entre os dois é apenas a alocação. No Premium podemos chegar até 2% em um único investimento e, no Top, não passa de 1%. O Top rende um pouco menos, mas preserva mais o caixa”, explicou.

Smith afirma que os papéis de infraestrutura e do setor imobiliário estão entre os preferidos da gestora.

Outro dos destaques da categoria é o Credit Excellent da Western Asset. Dois movimentos contribuíram para o bom desempenho do fundo, segundo Adriano Casarotto, portfolio manager da casa.

“Operamos uma alocação em crédito um pouco anticíclica e isso garantiu o resultado do fundo”, disse.

Em 2019, o gestor decidiu reduzir as compras de títulos de crédito privado, que estavam pagando um prêmio muito reduzido em relação aos títulos públicos. Nesse momento, a participação dos títulos emitidos pelo Tesouro passou de 40% da carteira.

Em um segundo momento, em abril de 2020, quando os prêmios voltaram a subir, o fundo passou a comprar papéis de crédito privado, que atingiram 80% de participação na carteira.

Debêntures do setor elétrico, de concessionárias de rodovias e locadoras de veículos foram os papéis preferidos nesse movimento de realocação.

Multimercado

Os finalistas são:

Ibiuna Hedge STH
Legacy Capital Advisory
Sharp Long Short 2x Feeder
Verde Am Scena
Vista Multiestratégia

Entre os fundos multimercados, Ponsoni destaca que o fundo Sharp Long Short se dedicou mais ao universo acionário.

“O fundo foi auxiliado por uma operação vendida em IRB-Brasil”, disse.

Os demais vencedores têm uma estratégia mais voltada para a análise macroeconômica e conseguiram se proteger melhor, segundo o analista.

Nesse grupo, o Legacy Capital Advisory é o único que ainda não tem um histórico de 36 meses. Ainda assim, o retorno apresentado pelo fundo garantiu que ele ficasse nas primeiras colocações.

Já no caso da Verde, com o Scena, o retorno foi garantido pela visão mais otimista com renda variável. “Eles tiveram a leitura que o mercado iria voltar com força, tanto no Brasil como no exterior”, explicou Ponsoni.

Fundos imobiliários

Os finalistas são:

BCRI11
HABT11
HCTR11
IRDM11
VGIP11

Os fundos imobiliários que mais se destacaram são os que investiram majoritariamente em papéis, ou seja, em certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) – e não em prédios, shoppings, galpões e outros tipos de imóveis.

Essas carteiras, conhecidas como fundos de papel, sofreram menos porque não enfrentaram a vacância registrada nos “fundos de tijolo”.

Rafael Selegatto, gestor do IRDM11, da gestora Iridium, afirma que o bom desempenho que o fundo registrou nos últimos anos está atrelado à estratégia de gestão, que une os investimentos em CRIs e em cotas de outros fundos.

As cotas de outros fundos podem chegar até 40% da carteira total. “Os CRIs têm uma função mais defensiva. Usamos esse espaço para investir em cotas de fundos para gerar ganhos adicionais de rentabilidade”, explicou.

Em 2020, essa estratégia foi amplificada. Como o fundo tinha caixa, os gestores aproveitaram para comprar cotas de outros fundos que estavam “baratas” no momento de maior volatilidade dos mercados. Quando os preços começaram a se recuperar, essas cotas foram vendidas, gerando ganhos ao fundo.

O Iridium também usa o caixa para trabalhar como “seed money” de novos fundos. Um dos casos foi o HCTR11, o segundo colocado no ranking.

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Aluguel de ações: entenda a operação por trás da revolta dos pequenos investidores em Wall Street

Usuários da plataforma de fóruns de internet Reddit desafiaram Wall Street no fim de janeiro, ao coordenar uma ação em massa para investir em ações de empresas que grandes fundos estavam vendendo. Os papéis tiveram altas expressivas, e os fundos que estavam “vendidos” tiveram perdas bilionárias.

Uma operação de aluguel de ações permite que investidores apostem na baixa de ações. Mas como isso funciona? Quais são os riscos envolvidos? Há vantagens? Este guia do InfoMoney traz explicações completas sobre o assunto. Confira:

O que é aluguel de ações

O termo técnico é “empréstimo de ativos”, mas no dia a dia do mercado os investidores se referem a ele como “aluguel de ações”. Nesse tipo de operação, investidores que possuem papéis na sua carteira emprestam eles a outros investidores, mediante a cobrança de uma taxa de “aluguel”.

Os “doadores” das ações costumam ser investidores com foco no longo prazo, que compram ações sem ter o interesse de se desfazer delas de imediato. Já os “tomadores” – quem pega as ações emprestado – precisam delas temporariamente, normalmente para realizar alguma estratégia específica no mercado.

A analogia com o aluguel de um imóvel funciona bem para entender o aluguel de ações. Quem tem um imóvel e o disponibiliza para aluguel tem um ativo que, “parado”, teria uma rentabilidade limitada (a possível valorização dele no futuro). Opta pelo aluguel quem não tem a intenção de vender o imóvel no curto prazo e quer ampliar as suas possibilidades de rendimento.

Com as ações, funciona do mesmo jeito: ao colocar seus papéis para alugar, o investidor abre uma possibilidade adicional de ganho, por meio da taxa de aluguel cobrada do tomador. Com isso, consegue rentabilizar ainda mais seus ativos.

Já quem toma as ações emprestadas tem sempre um objetivo específico com isso. Elas servem para fazer as chamadas “vendas a descoberto”, o que na prática nada mais é do que vender uma ação no mercado sem tê-la na carteira. Para poder entregar os papéis que vendeu, o tomador os aluga de outro investidor.

Normalmente, o vendedor a descoberto faz isso quando a perspectiva é de queda do mercado: ele vende as ações antes de caírem, por um determinado preço, e recompra mais tarde, depois de já terem recuado, a um preço mais baixo. Com isso, recupera os papéis para entregá-los novamente ao doador e embolsa a diferença como seu lucro na operação.

Como funciona

Quem tem interesse em colocar suas ações para alugar deve contratar o serviço na sua instituição financeira – corretora ou distribuidora – informando os ativos que deseja emprestar. A instituição atua como intermediária entre o doador e os potenciais tomadores do empréstimo de ações. É ela que envia as ofertas à bolsa e que concretiza os negócios quando um interessado aparece.

Existem muitos detalhes envolvidos em uma operação de aluguel de ações, que você vai conhecer a seguir:

Tipos de ativos que podem ser alugados

Quem define os ativos que podem ser alugados é a própria B3, a seu critério. O fundamental é que eles estejam depositados na Central Depositária de Ativos da bolsa e também que estejam livres e desembaraçados de ônus, o que eventualmente poderia impedir a sua circulação. Em 2020, os ativos liberados para operações de empréstimo eram:

  • Ações de companhias abertas e listadas na B3
  • Units (ativos compostos por mais de um tipo ou classe de valores mobiliários)
  • Cotas de Fundos de Índices (ETFs)
  • BDRs Patrocinados
  • BDRs Não Patrocinados Nível I
  • Cotas de Fundos de Investimentos Imobiliários
  • Cotas de Fundos de Investimentos em Participações

Garantia

Os principais riscos de uma operação de aluguel, segundo o guia “Por Dentro da B3”, se concentram no investidor que toma as ações emprestadas. Ele pode, por alguma razão, não pagar a taxa de aluguel ao doador ou ainda a taxa de registro da operação. No pior cenário, pode também acabar não devolvendo os papéis na data acertada. Por isso, a bolsa de valores estabeleceu um sistema de garantias, para assegurar que todos os compromissos sejam honrados e eliminar a inadimplência.

É assim porque a B3 atua como contraparte central nas operações de aluguel. Isso significa, na prática, que cabe a ela garantir a liquidação desses negócios mesmo se algum dos envolvidos – tomador ou doador – não cumpra com suas obrigações de entrega ou pagamento. Para que isso seja possível, a B3 exige o depósito de garantias. Assim, se alguém falhar no meio do processo, a bolsa toma as garantias e realiza os pagamentos. Simples assim.

São vários os ativos que os tomadores podem deixar em garantia para operações de aluguel – não é preciso, necessariamente, que seja dinheiro vivo. Valem também títulos públicos, títulos privados, ações incluídas na carteira do Ibovespa, entre outros. O total exigido é de 100% do valor dos ativos da operação de empréstimo, além de um intervalo de margem específico para cada papel. O intervalo de margem representa a oscilação possível desse ativo em dois dias úteis consecutivos.

Transferência

Durante uma operação de aluguel, a propriedade das ações é transferida temporariamente para o tomador – que fica liberado para fazer o que quiser com elas (vendê-las, por exemplo), desde que as devolva ao doador na data e nas condições acertadas anteriormente.

Feita a transferência, a empresa deixa de ter o doador como acionista. Por isso, durante a vigência do contrato, ele não faz jus a certos direitos concedidos a quem tem a posse das ações. Por exemplo, o doador não pode participar das assembleias da companhia, nem tem direito a voto. É fácil entender a razão: se mantivesse, uma só ação poderia acabar proporcionando mais de um voto (ao doador e ao tomador).

Dividendos

Embora os doadores percam alguns direitos ao emprestarem suas ações, outros são mantidos. É o caso da distribuição de dividendos e de juros sobre capital próprio. Quando uma empresa paga esses proventos, o próprio serviço de empréstimo encaminha os recursos diretamente ao doador, na mesma data e no mesmo montante, debitando os valores do tomador.

Coisa parecida acontece no caso de outros eventos corporativos, segundo o livro “Top: Mercado de Valores Mobiliários Brasileiro”. Nas situações em que ocorrem bonificações, grupamentos ou desdobramentos, por exemplo, o doador recebe as ações alugadas com as quantidades já ajustadas.

No caso de uma subscrição, o sistema garante a possibilidade de o doador participar com as ações a que tinha direito. No entanto, os direitos de subscrição não são gerados na conta de custódia dele, e sim do tomador – que precisa optar em devolver os direitos ou recibos de subscrição ou ações correspondentes à subscrição. Se ele não fizer isso, é garantida ao doador a chance de subscrever as ações a que tem direito via BTC, seguindo um procedimento específico.

Custos

Para alugar ações, o tomador precisa arcar com alguns custos – o doador, por sua vez, não tem custo nenhuma para deixar seus papéis disponíveis para empréstimo. Os custos do tomador envolvem:

  • Taxa de registro cobrada pela B3, de 0,25% ao ano sobre o valor do empréstimo, com um mínimo de R$ 10 por contrato;
  • Emolumentos e Imposto de Renda sobre os rendimentos;
  • Taxa de corretagem cobrada pela instituição financeira que intermediar a operação;
  • Taxa do aluguel, um percentual sobre a operação que remunera o doador por ceder a posse temporária dos ativos ao tomador.

Tipos de contratos

Algumas características específicas podem ser incluídas nos contratos de aluguel de ações, modificando as condições pactuadas entre os doadores e os tomadores. Assim, os contratos podem ser classificados da seguinte maneira:

Contrato reversível ao doador: O doador pode encerrar o contrato a qualquer momento, independentemente do período acordado. O tomador, por sua vez, paga a taxa de aluguel proporcional ao período em que permaneceu com as ações.

Contrato reversível ao tomador: O tomador pode finalizar o contrato independentemente da data de vencimento, devolvendo as ações em até quatro dias.

Contrato reversível ao tomador e doador: Nesse caso, tanto o tomador quanto o doador podem encerrar o contrato antes do vencimento.
Vencimento Fixo: O doador e o tomador devem cumprir integralmente o período de vigência.

Vantagens, desvantagens e riscos

Ok, você já entendeu os principais conceitos relacionados ao aluguel de ações. Mas na prática, quais são as vantagens e desvantagens desse tipo de operação? E mais, onde residem os riscos?

Para os doadores de ações a grande vantagem está em rentabilizar a carteira de ações com uma forma adicional de ganho – que, muitas vezes, nem é considerada. Por outro lado, enquanto o contrato estiver vigente os papéis não podem ser acessados. Então, se alguma oportunidade – de venda das ações, por exemplo – aparecer no meio do caminho, poderá ser perdida. A carteira fica “travada” pelo período do contrato, a menos que ele preveja a reversibilidade da operação.

Já para os tomadores o aluguel de ações permite realizar estratégias que possivelmente não seriam possíveis de outra forma. O ponto de atenção está nos custos, que devem ser considerados nos detalhes para que o investidor tenha segurança de que os lucros em potencial sejam compensadores.

Quanto aos riscos, para os doadores eles são limitados. Isso porque mesmo que o tomador não devolva as ações na data acertada, a B3 atua como contraparte e poderá executar as garantias para que a operação seja liquidada. Para os tomadores, o principal risco é de mercado. Se as ações não se comportarem do modo como o investidor havia previsto ao fechar a negociação com o doador, a chance de prejuízo existe – e pode não ser pequena.

Short Squeeze

Uma dessas mudanças de comportamento que podem ocorrer é chamado de short Squeeze. Trata-se de um movimento brusco do mercado financeiro que provoca a valorização de algum ativo de forma muito significativa.

Digamos que um investidor queira montar uma operação apostando na queda do preço de determinada ação. Para isso, ele pode: i) alugar esta ação e vendê-la no mercado, para quando os papéis caírem ele compre-os de volta e os devolva para o locatário (o que seria a venda a descoberto); ou ii) vender um papel que ele ainda não possui e zerar a operação antes que ele fique “inadimplente” na Bovespa (que seria a venda a seco). Acontece que quando esse investidor monta uma posição “short” (vendida), ele depende da oferta destas ações no banco de aluguel – o BTC: caso não tenha disponibilidade de muitos ativos para cobrirem as posições vendidas, os “shorters” acabam correndo para zerarem suas operações – que no caso seria comprar estes papéis -, provocando uma forte pressão compradora. Para este fenômeno dá-se o nome de “short squeeze”, que na tradução livre seria um “sufocamento dos vendidos”.

Geralmente um “short squeeze” ocorre quando a quantidade de ações alugadas de uma empresa está próxima do limite estipulado pela B3, que mantém como regra inicial um total de 20% do “free float” (ações em circulação no mercado) como teto inicial para o máximo de ações “shorteadas”.

Como alugar

Para alugar ações, o passo a passo começa com a instituição financeira da qual o investidor é cliente – é preciso checar se ela oferece o serviço e como. Confira abaixo as etapas seguintes:

Home broker

As operações de aluguel estão disponíveis nos home brokers – sistemas de negociação de ações pela internet – de muitas corretoras. Neles, o doador precisa informar os dados relativos aos ativos que tem para alugar e as condições que gostaria de estabelecer para a operação. Assim, os dados ficarão disponíveis para os tomadores potencialmente interessados nos papéis.

O sistema de empréstimo de ativos da B3, conforme o livro “Top: Mercado de Valores Mobiliários Brasileiro”, monitora a compensação em busca de possíveis vendedores a descoberto, além da disponibilidade de oferta dos ativos para alugar. Quando é possível, esse sistema fecha automaticamente as operações de empréstimo, conforme as regras que foram definidas.

Documentos

De acordo com o guia “Por Dentro da B3”, para poder colocar suas ações para alugar, o doador precisa firmar um contrato com seu agente de custódia – a instituição financeira – autorizando expressamente a transferência dos ativos para a carteira de empréstimo mantida na Central Depositária da B3 para, depois, realizar os empréstimos.

Além disso, tanto o doador quanto o tomador devem firmar um Termo de Autorização de Cliente, que permite que a instituição financeira os represente em operações de empréstimo de ativos.

Ao fazer a oferta de ações para aluguel, o doador deve fornecer algumas informações, como quantidade de papéis, taxa de remuneração almejada, prazo máximo da oferta, prazo de carência (tempo mínimo que o tomador fica obrigado a permanecer com o empréstimo, definido pelo doador), possibilidade de renovação do contrato, entre outras.

Escolher ativos

Se você quer tomar ações em aluguel, verifique no home broker os papéis que estão disponíveis e as condições estabelecidas em cada oferta. Avalie quais são os motivos pelos quais gostaria de emprestar as ações para escolher os melhores papéis. Estude cuidadosamente também as condições impostas pelo doador, para ter certeza de que aqueles papéis em especial servirão para os seus objetivos e evitar surpresas.

Taxa

As taxas de remuneração são definidas livremente pelo doador das ações. Papéis que estejam muito demandados num determinado período naturalmente costumam apresentar taxas mais elevadas. Cabe ao tomador definir se o valor que precisará desembolsar para pagá-las está de acordo com sua estratégia, de modo que a operação, ao final, seja lucrativa para ele.

Prazo

As operações de aluguel têm um prazo de vencimento, e nessa data deve acontecer a liquidação – ou seja, a devolução dos ativos ao doador. Por regra, a duração mínima tem de ser de um dia, mas não existe uma limitação para a duração máxima.

As ações devolvidas precisam ser do mesmo tipo, classe e espécie das que foram emprestadas. A liquidação financeira ocorre em D+1, o que significa que demandam mais um dia útil. Feito isso, as garantias depositadas pelo tomador ficam disponíveis novamente.

Os contratos de empréstimo podem conter a possiblidade de renovação. Nesse caso, na prática, as ações não precisam ser transferidas de volta para o doador. Porém, a situação é interpretada pelo BTC como o encerramento de um contrato original e a abertura de um novo, e por isso ocorre a liquidação financeira referente ao prazo que já passou.

Como cancelar um aluguel de ações

Um doador só pode solicitar que o tomador devolva seus ativos antes do vencimento acordado se essa possibilidade tiver sido expressamente pactuada na hora do fechamento da operação. Quando isso ocorre, segundo a B3, o tomador tem um prazo mínimo três pregões para realizar a devolução ao doador que o solicitar. Esse prazo varia de acordo com o horário que a instituição financeira do doador registrar a solicitação – se for após as 9h30, pode se estender por quatro dias.

Como calcular a taxa

A taxa de aluguel normalmente é expressa como um percentual ao ano. Para chegar ao valor final que o tomador terá de pagar ao doador é preciso multiplicar essa taxa pela cotação das ações considerada no contrato, proporcionalmente ao número de dias úteis de duração da operação. É comum que a cotação de referência seja considerada a do dia anterior ao fechamento do contrato de aluguel.

Um detalhe: para o doador, incide Imposto de Renda na fonte sobre o rendimento do empréstimo. Ela é tratada como se fosse uma operação de renda fixa – e, por isso, as alíquotas aplicadas para os investidores residentes no Brasil (tanto pessoas físicas quanto jurídicas) são:

  • Até 180 dias – 22,5%
  • De 181 a 360 dias – 20%
  • De 361 a 720 dias – 17,5%
  • Acima de 720 dias – 15%

Os investidores estrangeiros sempre pagam Imposto de Renda de 15% e as instituições financeiras são isentas.

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Quer aprender a investir? Comece pela ARCA, a metodologia de Thiago Nigro, o Primo Rico

Thiago Nigro, criador do canal O Primo Rico Thiago Nigro, criador do canal O Primo Rico

O ano de 2020 foi um dos anos mais malucos do mercado financeiro. Isso, pelo menos, nos últimos anos. Apesar de termos tido a maior queda em menos tempo na bolsa de valores já registrada (41% de queda em pouco mais de 1 mês), se olharmos a bolsa de valores apenas nos meses de janeiro e dezembro, teremos a impressão que nada demais aconteceu, já que o Ibovespa está terminando o ano em patamar parecido ao patamar em que estava no início do ano.

Porém, não devemos nos enganar: pode parecer que nada aconteceu, mas a verdade é que muitos investidores ficaram no meio do caminho esse ano – seja por medo, seja por grandes prejuízos.

Por isso, em períodos como esse, é extremamente necessário que tenhamos uma metodologia de investimentos que nos permita não apenas a ter grandes ganhos, mas também que permita diminuir substancialmente as nossas perdas.
E é aí que entra a ARCA, a metodologia ensinada por Thiago Nigro, o Primo Rico.

Enquanto o Ibovespa conseguiu ficar no “zero a zero” apenas no último mês do ano, Thiago, utilizando a metodologia da ARCA, conseguiu atingir esse patamar ainda em Junho. Hoje, a carteira do Rumo ao Bilhão (quadro do seu canal no Youtube onde ele mantém uma carteira pública de investimentos) está terminando o ano com uma valorização de 26,25%, bem acima dos 3% que o ibovespa está crescendo até o momento.

Agora, como funciona a metodologia da ARCA, e como você pode utiliza-la nos seus investimentos é o que explicaremos logo abaixo em 3 passos. Confira:

ARCA – Primeiro passo: entendendo o conceito

Segundo Nigro, a primeira coisa que você precisa entender sobre a ARCA é o que ARCA realmente significa. Se você pensou na Arca de Noé, você está parcialmente certo. Mas, apesar do nome também ter a ver com a arca (e o fato de ela ter sobrevivido ao grande dilúvio na bíblia), ARCA é, na verdade, uma abreviação de quatro classes de ativos:

A: Ações Brasileiras
R: Real Estate (que você pode entender como mercado imobiliário)
C: Caixa
A: Ativos Internacionais

Então, a grande ideia por trás da metodologia é que a sua carteira seja separada justamente entre essas 4 classes de ativos. Importante entender que cada “quadrante” da ARCA tem a sua responsabilidade dentro da carteira de investimentos.

Segundo passo: definindo as porcentagens

Agora que você entendeu o que é exatamente a ARCA e como ela é dividida, está na hora de entender quanto cada uma dessas classes de ativos deve representar da sua carteira de investimentos.

O especialista conta que, idealmente, isso é fácil de definir: como temos ao todo quatro quadrantes, podemos definir essa porcentagem para 25% em cada classe de ativo. Dessa forma, nós separamos as classes em partes iguais, e deixamos a carteira bem diversificada.

Mas, aqui talvez surjam algumas perguntas:

1) Preciso seguir esse número à risca?

Segundo o próprio Thiago Nigro, não necessariamente. Falaremos mais adiante sobre rebalanceamento, mas, como regra de bolsa, o ideal é que você nunca deixe que alguma das classes de ativo chegue a patamares inferiores a 15%, e nem muito maiores que 40%, pois, dessa forma, você perderá a eficiência de diversificação da carteira.

2) Posso diversificar dentro de cada classe de ativo?

Sim! Na verdade, é o ideal. Para ações brasileiras, você não precisa investir em apenas uma empresa, e isso se segue pras demais classes de ativos. Uma dica é que você tente não ultrapassar o número de 15 ativos diferentes no total da carteira. Essa dica é importante pois, quanto maior o número de ativos, menor é o tempo que você conseguirá dedicar pra cada um dos ativos que você escolher de maneira individual, o que atrapalha a sua capacidade de análise. Faça isso apenas se você pode contar com ajuda de profissionais ou terceiros.

3) Quais ativos que podem ser escolhidos em cada classe de ativo?

Ações Brasileiras: Ações, ETFs e Fundos Multimercado/Ações;
Real Estate: investimentos em geral no mercado imobiliário e Fundos Imobiliários;
Caixa: investimentos de renda fixa de liquidez rápida e Fundos de Investimento em Renda Fixa;
Ativos Internacionais: Ações no exterior, BDRs, ETFs, Fundos Cambiais e Fundos de Investimento no Exterior.

Terceiro passo: rebalanceando os quadrantes

Naturalmente, com o tempo, cada porcentagem de cada quadrante vai oscilar. O que se iniciou em 25% pode, depois de um ano, estar em 30%, 35%, 20%, e por aí vai…

Por conta disso, um dos conceitos mais importantes da metodologia da arca é o ato de rebalancear, ou seja, o ato de periodicamente você redistribuir a sua carteira de investimentos para fazer com que cada quadrante volte pros 25% ideais.

Para mostrarmos o efeito do rebalanceamento, fizemos um backtest desde 2014 utilizando índices que representam cada um dos quadrantes

Para ações brasileiras, utilizamos o Ibovespa; para Real Estate, utilizamos o IFIX (índice de fundos imobiliários); para o Caixa, utilizamos o CDI e para os ativos internacionais utilizamos o IVVB11.

Esse foi o resultado:

A linha laranja é a ARCA com rebalanceamento. Já a linha verde, a ARCA sem o rebalanceamento.

Enquanto a ARCA com rebalanceamento rendeu aproximadamente 170% em longo de 6 anos (um retorno bastante expressivo), a ARCA sem rebalanceamento teve um retorno de aproximadamente 130%. Um ótimo retorno, mas não tão bom quanto com rebalanceamento.

Isso aconteceu por conta da lógica “oculta” da arte do rebalanceamento: quando as ações brasileiras caem, por exemplo, o quanto elas vão representar da carteira como um todo vai estar abaixo dos 25% (se todos os outros quadrantes ficarem iguais). Com isso, ao rebalancear, você estará comprando as ações por um preço mais barato do que estava antes – e isso, no longo prazo, pode te render retornos satisfatórios.

Comprar as quadrantes que estão se desvalorizando é uma forma “automática” de comprar os ativos que estão mais baratos – ao mesmo que, dependendo da forma você faça, você também estará vendendo os ativos mais caros, e isso tem um poder enorme no longo prazo, como você pode observar no backtest que fizemos.

Além disso, com o backteste, ainda mais importante: você pôde ver que, se você tivesse utilizado a estratégia da ARCA em 2014, hoje você teria mais que dobrado o seu patrimônio – e poderia ter feito até melhor, já que no backtest nós só utilizamos os índices de referência.

Se você se interessou no assunto, confira o quadro do Rumo ao Bilhão e os vídeos no canal do Primo Rico. Tenho certeza que você aprenderá ainda mais.