Provisões para perdas muito altas? Essa é uma boa notícia para as ações dos bancos brasileiros, aponta Credit

SÃO PAULO – Os grandes bancos brasileiros mostraram resiliência na última temporada de resultados, ainda que tenham registrado forte queda nos lucros e venham passando por um fluxo de notícias nada positivo para o setor (veja mais clicando aqui).

O Credit Suisse, por sinal, segue otimista com os bancos brasileiros, possuindo recomendação equivalente à compra (outperform, desempenho acima da média do mercado) para as quatro maiores instituições financeiras listadas na B3 –  Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC3;BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander Brasil (SANB11).

Um motivo para reforçar a preferência pelos bancos brasileiros também em relação aos pares da América Latina é justamente a quantidade de provisões feitas durante a pandemia do novo coronavírus.

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Com isso, a conclusão do relatório é de que os bancos brasileiros estão significativamente mais provisionados quando comparados ao restante da América Latina.

Vale ressaltar que, ainda que, juntos, BB, Bradesco, Itaú e Santander Brasil tenham lucrado R$ 13,4 bilhões, as provisões para perdas foram mais que o dobro dessa cifra, de cerca de R$ 30 bilhões no segundo trimestre. Veja abaixo a queda detalhada do lucro dos bancos:

Os analistas, ao realizarem as comparações, destacam que os bancos no Brasil possuem provisões excedentes equivalente a 16% da carteira de empréstimos reperfilada, com o Itaú e o Bradesco liderando  esse índice, com 21% e 20% de suas respectivas carteiras. Banco do Brasil possui um índice de 11,3%, enquanto o Santander Brasil tem um índice de 12,6%.

No México, por sua vez, essa relação é de apenas 3,2%, sendo 1,7% para o Santander México e 5,2% para a Banorte.

“Combinado com o impacto muito mais significativo da pandemia na economia mexicana, isso indica que o risco para ganhos derivado de um custo de risco mais alto é muito maior no México do que no Brasil”, avaliam os analistas Marcelo Telles, Otavio Tanganelli e Alonso Garcia, que assinam o relatório.

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A proporção de provisões também é baixa entre os países andinos, com os bancos chilenos em apenas 1%, com Bancolombia (Colômbia) em 5,7% e BAP (Peru) em 6,9%.

“Essa análise vem reforçar nossa preferência pelos bancos brasileiros ao invés dos bancos do restante da região”, afirmam os analistas.

O estudo

Os analistas fizeram o estudo comparando o índice de cobertura de inadimplência de 90 dias na região com seus respectivos níveis de cobertura histórica de 5 anos. Em seguida, foi multiplicada a diferença entre o índice de cobertura histórico em 5 anos e o índice de cobertura atual por seu nível atual de inadimplência, chegando assim ao valor estimado das reservas para perdas com empréstimos adicionais de cada banco.

Em seguida, foi comparada a quantidade de empréstimos reperfilados, alvos de renegociações, feitos pelos bancos (empréstimos de varejo e pequenas e médias empresas). “Embora alertemos que os bancos possam ter critérios um pouco diferentes na contabilização de sua carteira reperfilada (alguns podem incluir empréstimos que foram vencidos no momento da renegociação, enquanto outros não) acreditamos que há mais semelhanças do que diferenças, o que nos leva a acreditar que este é um exercício muito válido”, avaliam.

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Itaú, Bradesco, BB e Santander mostram força na crise com números do 2º tri – mas três riscos seguem no radar do setor

SÃO PAULO – Segundo trimestre, auge da pandemia do coronavírus no Brasil – e também destacado o pior momento econômico da história do País pelo vice-presidente executivo do Itaú Unibanco, Milton Maluhy. Assim, era de se esperar que, a exemplo do primeiro trimestre, os bancos também sofressem com uma forte queda dos seus lucros no período, em meio ao aumento das provisões para lidar com os efeitos econômicos da pandemia.

Pelo critério recorrente, os quatro maiores bancos de capital aberto da B3  – Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC3;BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander Brasil (SANB11) – registraram queda acumulada de 37% do lucro no segundo trimestre na comparação anual.

Ainda que, juntos, tenham lucrado R$ 13,4 bilhões, as provisões para perdas foram mais que o dobro dessa cifra, de cerca de R$ 30 bilhões.

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Porém, ainda que com forte baixa dos lucros, os resultados foram destacados por casas de análise como prova da resiliência dessas instituições financeiras, que conseguiram manter boas métricas, ainda que algumas linhas do balanço possam ter desagrado os investidores.

Quem se destacou positivamente entre os balanços foram justamente os primeiros a reportarem seus números: o Santander Brasil e o Bradesco.

Sobre a subsidiária brasileira do banco espanhol, vale destacar que o seu resultado foi bastante impactado pelo aumento das provisões que não tinham sido feitas no primeiro trimestre (e que fizeram com que, estranhamente, o lucro subisse nos primeiros três meses do ano).

Porém, a alta despesa líquida com provisão de devedores duvidosos, que somou R$ 6,53 bilhões, patamar 91% maior do que no trimestre anterior, foi bem recebida pelos investidores. O banco informou que constituiu R$ 3,2 bilhões em despesas de provisão extraordinária no trimestre feito por conta da pandemia do novo coronavírus.

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Conforme destacou o Bradesco BBI, embora possa parecer contra-intuitivo, uma vez que provisão em alta pode ser vista como um sinal de deterioração da qualidade dos ativos, o aumento substancial registrado no segundo trimestre deve colocar o Santander Brasil mais próximo de seus pares quando se trata de registrar ganhos recuperáveis ​​nos próximos períodos.

Porém, não foi só isso: o desempenho do resultado financeiro foi mais forte do que o esperado, com maior resiliência da margem financeira bruta (NII, na sigla em inglês), impulsionada principalmente pelo resultado da tesouraria, que se beneficiou da queda da taxa de juros em renda fixa (ALM) e um menor custo de captação.

Já o Bradesco, mesmo não tendo um pregão pós-resultado positivo, teve seus números vistos de forma positiva pelos investidores. O banco reforçou, pelo segundo trimestre seguido, as suas provisões com perdas no crédito, num valor de R$ 3,8 bilhões. No primeiro trimestre, o Bradesco já havia constituído R$ 2,7 bilhões em provisões para se proteger do impacto da crise do coronavírus sobre os clientes.

Com isso, o total de provisões atingiu R$ 8,89 bilhões, alta de 155% em relação ao mesmo período do ano passado e de 32,5% ante os três primeiros meses do ano (R$ 6,7 bilhões). O colchão de proteção total, assim, foi para R$ 15,6 bilhões, vindo acima do esperado e fortalecendo o balanço do banco.

O Credit Suisse ainda reforçou que, antes do impacto das provisões, o lucro ficou acima das estimativas dos analistas do banco em 15%. “O Bradesco aproveitou o forte desempenho operacional em NII, opex [despesas operacionais] e em seguro para fortalecer as suas provisões, criando inclusive provisões extras no valor de R$ 747 milhões para compensar o índice de cobertura baixo na subsidiária de seguro”, avaliaram Marcelo Telles, Otavio Tanganelli e Alonso Garcia, analistas do banco suíço.

Assim, o banco conseguiu mostrar dados positivos principalmente após o resultado do primeiro trimestre, que havia desagradado o mercado em meio à deterioração da qualidade dos ativos, com destaque para o aumento da inadimplência. Esta linha do do balanço, aliás, foi, “definitivamente”, o maior destaque positivo do trimestre, avaliou Marcel Campos, analista da XP Investimentos. O índice de inadimplência acima de 90 dias recuou para 3% no fim do segundo trimestre, ante 3,7% em março e 3,2% em junho de 2019.

A inadimplência, por sinal, ficou bastante controlada entre os quatro grandes bancos da Bolsa. Nesse cenário, vale destacar que os bancos fizeram programas de renegociação e alongamento de dívidas. Contudo, uma vez que esses programas acabem, a qualidade dos ativos também pode registrar deterioração – sendo um importante ponto a ser monitorado nos próximos trimestres.

Na sequência, vieram os números do Itaú que, muitas vezes “acostumado” a performar acima de seus pares, decepcionou os investidores em algumas linhas do balanço na comparação com Santander e Bradesco, ainda que seus números não possam ser considerados negativos, conforme ressalta o BBI.

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Enquanto o crescimento de sua carteira total de crédito (ajustada pela variação cambial) foi semelhante, entre 0% a 1% na variação trimestral, o Itaú reportou maior mudança na composição dela, com redução mais acentuada na exposição ao segmento varejista (pessoa física).

Com isso, o resultado com intermediação financeira com clientes foi mais fraco em uma base relativa (para baixo sequencialmente, enquanto Bradesco e Santander Brasil registraram melhores números na
variação trimestral). Já do lado das tarifas, o desempenho do Itaú também foi mais fraco, com a receita caindo 11,8% na variação trimestral (+11,6% na variação trimestral quando as comissões de seguros são adicionadas), enquanto a receita com tarifas do Santander Brasil contraiu 8,5% na mesma base de comparação e Bradesco teve queda de 7,9% na variação trimestral.

“No entanto, em termos de despesas operacionais, o Itaú ficou entre os melhores desempenhos, principalmente diante de sua já forte eficiência”, avaliam os analistas do banco.

O Itaú registrou um lucro líquido de R$ 4,205 bilhões no segundo trimestre, queda de 40,2% em relação ao mesmo período do ano passado, mas um avanço de 7,5% na comparação trimestral. As despesas com provisões atingiram R$ 7,770 bilhões, um aumento de 92,1% na base anual, mas queda de 23% na comparação com os três primeiros meses do ano, quando as provisões totalizaram R$ 10,087 bilhões.

Apesar do desempenho de destaque do Itaú, o controle de despesas foi também apontado como positivo pelos analistas para o setor em geral, um ponto importante nesse momento de pandemia, que também serviu para catalisar os processos de transformação digital das instituições financeiras como um todo.

Nesse sentido, o Banco do Brasil também apresentou controle de despesas, com as operacionais, ajustada pela participação nos lucros, caindo 1% no trimestre. As despesas com pessoal cresceram quase 2% no trimestre, mas foram compensadas pelas despesas gerais e administrativas (queda de 0,3% no trimestre).

Contudo, mesmo com o bom resultados, alguns analistas destacam que outros fatores devem continuar pesando sobre as ações BBAS3, limitando o potencial de uma recuperação mais pronunciada. Dentre eles, a recente saída do CEO, Rubem Novaes, e os riscos de o banco desempenhar um papel mais anticíclico durante a crise.

Mas, mesmo de saída, Novaes deu algumas indicações sobre quais podem ser os próximos passos do novo CEO (até agora, ainda que o nome tão tenha sido confirmado, tudo indica que será André Brandão, do HSBC). Em paralelo ao resultado, o BB anunciou que vai investir mais R$ 2,3 bilhões em tecnologia nos próximos três anos e também confirmou o lançamento de um plano para aportar recursos em novatas da tecnologia.

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Durante teleconferência de resultados, o presidente demissionário do BB ressaltou que estão em andamento discussões com o Bradesco sobre divisão de ativos no setor de cartões. Os dois bancos dividem o controle da empresa de meios de pagamentos Cielo (CIEL3), a maior do país, e a venda da participação do BB já chegou a ser cogitado anteriormente, podendo ser acelerada na nova gestão.

Assim, a instituição passa por um momento de transição da sua chefia ao mesmo tempo que tem que enfrentar uma série de desafios pelos quais o setor como um todo está tendo que passar – e que está levando à forte volatilidade dos ativos no ano (até antes mesmo da pandemia).

Desafios do setor continuam

“Não há dúvida de que o setor bancário brasileiro está passando por um dos momentos mais difíceis da história, se não o mais difícil. Mesmo antes do surto de coronavírus, os bancos já estavam lidando com as incertezas decorrentes das discussões sobre o open banking (veja mais clicando aqui) e seus efeitos sobre a concorrência. Agora, como os bancos precisavam se preparar para uma provável inadimplência crescente nos próximos meses, os resultados foram fortemente impactados pelas provisões crescentes durante a primeira metade do ano”, apontam os analistas do Bradesco BBI.

Por outro lado, a boa notícia é que, dadas as perspectivas atuais, as provisões constituídas ao longo dos últimos trimestres devem ser suficientes para lidar com os maiores índices de inadimplência em anos. Dessa forma, espera-se que as despesas de provisionamento caiam nos próximos trimestres, permitindo que os bancos voltem a registrar lucros crescentes e recuperem a lucratividade.

Os analistas, contudo, ressaltam que o fluxo de notícias recente não é “amigável” para o setor. “Se os recentes resultados mais fracos não fossem suficientes, as preocupações de ontem com as mudanças regulatórias voltaram à cena”, apontam.

Vale destacar que, na última quinta-feira, coincidentemente no mesmo dia em que saíram os números do Banco do Brasil, o Senado aprovou o projeto de lei que estabelece um teto de 30% para os juros cobrados no cartão de crédito e cheque especial ao ano durante o estado de calamidade pública.

Os senadores ainda aprovaram uma emenda do PT abrindo espaço para o tabelamento permanente dos juros em operações de crédito com cartões após o período de calamidade pública, no próximo ano. A medida prevê que o Conselho Monetário Nacional (CMN) regule o limite de juros no cartão, assim como fez com o cheque especial, após o período de calamidade pública.

O CMN é formado por dois representantes do Ministério da Economia (o ministro e o secretário especial de Fazenda) e o presidente do Banco Central.

Embora o projeto ainda tenha que passar pela Câmara e pela sanção do presidente Jair Bolsonaro, ele é uma preocupação para as instituições financeiras. Isso porque, em um País marcado pelos altos juros, o tabelamento possui forte apelo popular, ainda mais em um momento de crise.

Para a Febraban, “o tabelamento, ao invés de promover alívio financeiro, pode agravar a crise por distorcer a formação de preços, criar gargalos e gerar insegurança jurídica”. Por isso, a entidade “vê com preocupação propostas que promovem intervenção artificial na atividade econômica e nos contratos”. “Situações como essas ocorreram no passado e a história já revelou que não se mostraram eficazes”, acrescentou a federação.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, sinalizou que não deve colocar em votação na Casa o projeto aprovado pelos senadores, o que deu um certo ânimo às ações do setor durante a sessão desta sexta-feira, dando  sinais claros de maior resistência em votar o projeto na Casa. Contudo, os ativos do setor logo voltaram a cair.

Cabe destacar que, segundo análise do JPMorgan, o limite de juros pode derrubar o lucro dos bancos entre 8% e 12%, mesmo que seja válido apenas até o fim do ano. Eles não consideram o efeito retroativo, até março, como aprovado no projeto.

Segundo os analistas, o Santander Brasil seria o mais afetado, com queda de até 11,5% no lucro, o Itaú poderia ter impacto negativo no lucro de até 10,9%, sendo seguidos por Banco do Brasil (8,1%) e Bradesco (7,8%). Por outro lado, eles ressaltam que, se o projeto virar lei, os bancos poderiam promover mudanças no chamado “parcelado sem juros”, o que impactaria as adquirentes e atenuaria um pouco o efeito para os bancos.

De qualquer forma, qualquer indicação sobre pautar ou não o projeto, agora nas mãos na Câmara, deve ser mais um fator de volatilidade para as ações do setor.

“Considerando os níveis em que as ações dos bancos estão sendo negociadas, acreditamos que a maioria dos riscos já está precificada. Infelizmente, o fluxo de notícias negativo tem prevalecido sobre a expectativa de provável melhora nos lucros. Uma vez que os investidores se sintam mais confortáveis ​​com as tendências de ganhos futuros, acreditamos que as ações possam passar por algum processo de reavaliação”, aponta o BBI.

Segundo a equipe de análise, provavelmente não retornando aos níveis pré-crise, mas provavelmente passando a ter valuations mais razoáveis, precificando um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) sustentável de 16% a 19% a longo prazo.

Já os analistas do Credit Suisse apontam que os resultados podem ser um catalisador para apontar para uma recuperação mais consistente à frente – os analistas possuem recomendação equivalente à compra para os ativos dos quatro bancos.

Porém, enquanto os temores sobre: i) aumento da concorrência; ii) novo sistema de pagamentos (PIX), desenvolvido pelo Banco Central e; iii) possível aumento de impostos a ser discutido no Congresso Nacional não forem dissipados, a expectativa é ainda de fortes emoções para os ativos do setor, apesar da resiliência comprovada no difícil primeiro semestre de 2020.

(com informações da Bloomberg e Agência Estado)

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Santander Brasil: por que a queda de mais de 40% do lucro foi celebrada por investidores e analistas?

SÃO PAULO – Assim como ocorreu com relação aos números dos primeiros três meses do ano, os resultados do Santander Brasil (SANB11) do segundo trimestre são bem recebidos pelo mercado, com as units do banco registrando alta de até 6,6% na Bolsa brasileira e fechando com ganhos expressivos, de 3,51% (R$ 30,96), na sessão desta quarta-feira (29).

Contudo, ao contrário dos números reportados com relação aos primeiros três meses do ano, desta vez a reação é mais contida – e também há uma menor contradição entre como o mercado reagiu e o que os analistas acharam do resultado.

Vale lembrar que, entre janeiro e março, o banco lucrou R$ 3,77 bilhões, em expansão de 10,5% sobre igual período de 2019, o mesmo percentual se considerado o lucro gerencial, que totalizou R$ 3,853 bilhões. O número surpreendeu e muito o mercado, uma vez que a expectativa era por fortes provisões para perdas que impactariam essa linha do balanço – isso por conta da expectativa de maior inadimplência em meio ao impacto do novo coronavírus na atividade econômica.

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Porém, as provisões não vieram, com a justificativa da gestão da instituição financeira de que ainda não havia clareza no cenário. Isso acabou gerando maior cautela por parte dos próprios analistas do que estaria por vir, levando também em conta a alta participação da carteira do banco no segmento de varejo, potencialmente bastante impactada pela crise. Com isso, enquanto os analistas destacam ter cautela com o papel, as units da instituição financeira saltaram 11,47% na sessão do dia 28 de abril de 2020, logo após a divulgação do resultado.

Vale destacar, contudo, que no acumulado de 2020 (bastante negativo para os bancos em meio a preocupações com aumento de taxação e preocupação com concorrência), o Santander se destaca como a maior queda entre as ações das grandes companhias do setor bancário listadas na Bolsa. Enquanto Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) veem seus papéis caírem na casa dos 20% no ano e Banco do Brasil (BBAS3) tem baixa de cerca de 32%, mesmo com a alta desta sessão as units SANB11 registram perdas superiores, de 35%.

Desta forma, os números apresentados nesse exercício, ainda que à primeira vista possam parecer negativos, significam uma espécie de redenção para a companhia após a falta de provisões no primeiro trimestre, animando investidores e analistas.

Entre abril e junho, o banco divulgou lucro societário de R$ 2,03 bilhões no segundo trimestre, queda de 41% frente o mesmo período do ano passado, e abaixo da menor estimativa entre analistas, segundo o consenso Bloomberg.

Grande parte desse resultado ocorreu em meio à despesa líquida com provisão de devedores duvidosos, que somou R$ 6,53 bilhões, patamar 91% maior do que no trimestre anterior. O banco informou que constituiu R$ 3,2 bilhões em despesas de provisão extraordinária no trimestre feito por conta da pandemia do novo coronavírus.

Aumento comemorado das provisões

Sob os reflexos da pandemia, o lucro líquido no primeiro semestre foi de R$ 5,989 bilhões, redução de 15,9% na comparação com o mesmo intervalo de 2019. Com o reforço nas provisões, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) também foi atingido, com a rentabilidade do banco despencando de 22,3% no primeiro trimestre para 12,0% no segundo.

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Porém, os números não assustaram os investidores e nem os analistas que, inclusive, apontaram os pontos positivos da maior provisão.

Conforme destaca o Bradesco BBI, embora possa parecer contra-intuitivo, uma vez que provisão em alta pode ser vista como um sinal de deterioração da qualidade dos ativos, o aumento substancial registrado no segundo trimestre deve colocar o Santander Brasil mais próximo de seus pares quando se trata de registrar ganhos recuperáveis ​​nos próximos períodos.

“A probabilidade de ter o banco como ‘retardatário’ em termos de ganhos nos próximos trimestres diminuiu com a adição feita à cobertura da inadimplência agora no segundo trimestre. Consequentemente, tendemos a ver os resultados como marginalmente melhores do que se esperava anteriormente”, destaca Victor Schabbel, analista do BBI. O índice de cobertura – relação entre empréstimos inadimplentes e provisões – passou de 194% no primeiro trimestre para 272% no segundo.

Porém, não é só isso: Schabbel ressalta que o desempenho do resultado financeiro foi mais forte do que o esperado, com maior resiliência da margem financeira bruta (NII, na sigla em inglês).

A XP ressalta que a NII foi 10% acima das expectativas em R$ 13,6 bilhões, impulsionada principalmente pelo resultado da tesouraria, que se beneficiou da queda da taxa de juros em renda fixa (ALM) e um menor custo de captação. A margem financeira sobre os ativos rentáveis (NIM) permaneceu estável em 7%.

“Isso foi apenas parcialmente compensado pelas receitas com tarifas mais fracas, que eram, em certa medida, esperadas pelo mercado”, avalia o Bradesco BBI. A receita de serviços foi 4% acima das expectativas da XP, para R$ 4,1 bilhões, com uma queda de 8% no trimestre, considerada positiva devido ao isolamento que foi mais rígido no segundo trimestre.

Na mesma linha, Marcel Campos, analista da XP Investimentos, aponta que, apesar do lucro abaixo da estimativa do mercado, houve melhora na qualidade dos ativos. Isso por conta da queda do índice de inadimplência acima de 90 dias, que foi para 2,4% (baixa de 68 pontos-base), impactando positivamente no índice de cobertura. “Lembramos que o alto índice de cobertura será importante, ao passo que a inadimplência deve aumentar ao final do ano e no início de 2021”, avalia.

Já com relação às despesas, o destaque ficou para a linha de pessoal, com baixa de 4% na base anual. O banco fechou 50 agências no País e demitiu 844 funcionários durante o segundo trimestre.

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Vale destacar que o banco, assim como os rivais, assumiu o compromisso de não desligar trabalhadores por conta da covid-19, aderindo, inclusive, ao abaixo assinado ‘Não Demita’. Contudo, no início de junho, as demissões feitas pelo Santander Brasil começaram a se tornar públicas diante das declarações do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. O banco explicou, na ocasião, que o compromisso de não demitir havia terminado em maio.

O Santander Brasil encerrou junho com 46,348 mil funcionários no País ante 47,192 mil em março. Já a rede de agências físicas somava 2.209 unidades contra 2.259, respectivamente.

As despesas gerais do Santander Brasil, que incluem gastos administrativos e pessoais, totalizaram R$ 5,191 bilhões no segundo trimestre, queda de 1,9% frente ao primeiro. Em um ano, ficaram praticamente estáveis, com queda de 0,2%. De acordo com o Santander, houve maior gasto com processamento de dados para suportar a transformação digital do banco, intensificada nos últimos meses em meio à pandemia, e o aumento das transações de autoatendimento.

Pontos a monitorar

Apesar dos dados em geral sendo bem recebidos, os analistas apontaram alguns pontos a serem monitorados pelos investidores.

O Santander divulgou um aumento de 24% em sua carteira renegociada para R$ 21 bilhões, enquanto as provisões para a mesma carteira aumentaram apenas 13%. As renegociações subiram R$ 4 bilhões em relação ao trimestre anterior. “Acreditamos que os investidores devem manter esta linha no radar, ao passo que o banco interrompeu o período de carência em junho. Portanto, as renegociações devem aumentar”, avalia Campos, da XP.

Neste sentido, o BBI destaca que um outro ponto de atenção reside na sustentabilidade da NII, apontando que as operações de crédito estão sendo naturalmente provisionadas no momento uma vez que a qualidade dos ativos permanece sob controle. “Contudo, uma deterioração nessa frente (que deve acontecer) pode afetar negativamente a capacidade de qualquer banco de reconhecer receitas futuras e isso deve ser um ponto de atenção também para o Santander Brasil”, avalia.

Assim, as renegociações de crédito e de rolagem da dívida devem desempenhar um papel extremamente importante quando se trata do desempenho da carteira de crédito, tanto no crescimento quanto na qualidade dos ativos.

Já o Morgan Stanley destaca que, apesar da alta expressiva dos índices de cobertura de inadimplência, eles ainda parecem menores em termos absolutos e relativos frente seus pares, o que indica que provisões mais expressivas serão necessárias nos próximos trimestres.

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Contudo, em coletiva para a imprensa, Sergio Rial, presidente-executivo do banco, afirmou que provavelmente novas provisões não serão necessárias.

Rial apontou que não está claro como a inadimplência vai se comportar, diante das atuais incertezas, mas pontuou que a queda na taxa de juros e medidas de ajuda aprovadas pelo governo para empresas e pessoas físicas deve ajudar a conter a deterioração da qualidade dos ativos.

“Não ousaria fazer previsões agora”, disse ele ao ser questionado sobre a perspectiva para as taxas de inadimplência do banco. Como os clientes receberam um período adicional de 90 dias para o vencimento das dívidas, a inadimplência verificada no segundo trimestre ainda não refletiu de forma completa as potenciais perdas com empréstimos.

A Levante Ideias de Investimento ainda destaca um outro ponto: a elevação da concorrência de fintechs, corretoras e bancos digitais, umas das principais razões para a redução na sua receita de tarifas e serviços. A divisão de cartões e adquirência (Getnet) que enfrenta a “guerra das maquininhas” apresentou queda de 16,5% na receita no primeiro semestre de 2020.

“Por outro lado, o índice de Basileia de melhor qualidade (CET1) continua em um patamar confortável de 14,4%, mostrando a eficiência na alocação de capital ponderada pelo risco e sem a futura necessidade de aumento de capital, o que implicaria em diluição dos acionistas e menor ROE”, apontam os analistas da casa de análise.

Os preferidos do setor

Com todas essas questões sendo levadas em conta – e também considerando o noticiário bastante desafiador para o setor, os analistas se dividem sobre as preferências para o setor.

Campos, da XP, segue com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 32 para os ativos. Apesar de estar otimista para o setor como um todo, ainda mais em meio à forte queda dos papéis no ano, ele acredita que os múltiplos do Santander estão comparativamente caros. Essa é a mesma recomendação do UBS que, apesar de avaliar que o preço do ativo não está caro em relação aos seus pares, mantém a preferência por Bradesco e Itaúsa (ITSA4) e, em seguida, por Itaú.

Por outro lado,  o Itaú BBA possui recomendação outperform (desempenho acima da média) e preço-alvo de R$ 45 para os ativos, destacando o valuation atrativo, enquanto o BBI tem a mesma recomendação, mas com o preço-alvo ainda maior, de R$ 48. Na mesma linha, mas com um preço-alvo mais modesto, de R$ 36, está o Credit Suisse, que aponta desconto excessivo dos ativos.

“Também vemos o resultado do Santander Brasil como um gatilho positivo para as ações dos bancos e reiteramos nossa posição positiva para o setor que, em nossa opinião, continua subvalorizado, mesmo sob premissas conservadoras”, avaliam Marcelo Telles, Otavio Tanganelli e Alonso Garcia, analistas do Credit. Vale destacar que o Itaú é o top pick do setor para os analistas do banco suíço, dada a melhor cobertura de provisões e uma base de clientes mais resiliente em relação aos pares, melhor dinâmica de taxas e forte controle de custos.

Os ativos dos demais bancos também registram ganhos nessa sessão, de cerca de 2%, na esteira dos dados do Santander Brasil. Contudo, apesar da visão considerada positiva para o setor pela maior parte dos analistas, os principais riscos seguem no radar e movimentando os papéis. São eles: i) a elevação da  concorrência; ii) open banking e novo sistema de pagamentos PIX e o iii) possível aumento de impostos a ser discutido no Congresso.

Enquanto isso, as instituições seguem monitorando as tendências de aumento da inadimplência e os demais impactos na economia causados pelo novo coronavírus. O Santander Brasil, com este resultado, conseguiu mostrar resiliência e também diminuir a sua diferença de provisões em relação aos pares – contudo, muitos pontos estão sendo monitorados de perto pelo mercado, com possível impacto nas ações.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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Santander tem prejuízo inesperado de 11,1 bilhões de euros no 2º trimestre

O Grupo Santander registrou um prejuízo inesperado de 11,13 bilhões de euros no segundo trimestre deste ano. De acordo com projeções levantadas pela FactSet e publicadas pela Dow Jones Newswires, o conglomerado espanhol deveria ter registrado um lucro líquido de 838 milhões de euros no período.

De janeiro a junho, o resultado ficou negativo em 10,798 bilhões de euros. A instituição informou que registrou um custo de perdas não-monetárias e não recorrentes de 12,6 bilhões de euros no primeiro semestre do ano por causa da deterioração da perspectiva econômica causada pela pandemia de covid-19.

O resultado foi de uma perda estatutária atribuível de 10,8 bilhões de euros nos primeiros seis meses de 2020. “Isso não tem impacto na liquidez do banco ou nas posições de risco de crédito e também não afeta o índice de capital CET1”, garantiu a instituição em comunicado, referindo-se a um padrão regulatório de Basileia.

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Por outro lado, o surto do novo coronavírus ajudou a acelerar o uso de serviços online do conglomerado espanhol, que agora conta com 40 milhões de clientes digitais, um incremento de 15% em relação ao ano passado.

Desse total, conforme o grupo, mais de 32 milhões agora usam os serviços do banco pelo celular, um incremento de 22%. Quase metade (47%) das vendas no segundo trimestre ocorreu por meio de canais digitais, de acordo com o Santander, uma elevação de 11 pontos percentuais ante 2019.

O Grupo Santander também informou ter registrado um lucro subjacente de 1,531 bilhão de euros no segundo trimestre do ano, o que representou uma queda de 27% em relação aos mesmos três meses de 2019 ou um recuo de 15% sem considerar o impacto cambial do período. No primeiro semestre, o lucro do banco espanhol foi de 1,908 bilhão de euros, uma contração de 53% em relação à primeira metade do ano passado ou de 48% sem contar com a variação das moedas.

A diminuição do resultado de janeiro a junho foi atribuída pelo conglomerado ao aumento das provisões para perdas com empréstimos relacionadas com a pandemia de covid-19. “Embora a pandemia tenha tido um significativo impacto na atividade do cliente, o desempenho subjacente dos negócios foi forte, apoiado por recursos resilientes, receitas de clientes, reduções de custo acima do esperado, qualidade de crédito robusta e boa geração de capital orgânico”, avaliou a instituição financeira.

O lucro operacional líquido do banco foi de 11,9 bilhões de euros no primeiro semestre, um aumento de 2% em uma base de moeda constante. “Embora a lucratividade subjacente na maioria dos mercados tenha sido impactada pela pandemia, a diversificação do grupo e as linhas de negócios continuaram sendo um ponto forte.”

Santander Brasil

O lucro subjacente do Santander Brasil (SANB11) caiu 17,4%, para 995 milhões de euros no primeiro semestre do ano considerando a moeda constante. De acordo com o conglomerado espanhol, a baixa se deve ao aumento das provisões para perdas com empréstimos em um ambiente de crise gerada pela pandemia de coronavírus.

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O lucro subjacente atribuível do conglomerado espanhol no Brasil somou 478 milhões de euros no segundo trimestre do ano, um recuo de 37% em relação aos 762 milhões de euros registrados em igual período de 2019. Apesar da baixa, o grupo enfatizou que o retorno sobre o patrimônio tangível (RoTE) no País foi de 17,1%.

“A receita operacional líquida aumentou 5%, impulsionada pelo crescimento de dois dígitos no volume de empréstimos e depósitos de clientes, refletido na receita financeira líquida e ganhos em transações financeiras, além de melhorias na eficiência.”

O Grupo também informou que a América do Sul contribuiu com 45% do lucro da instituição na primeira metade de 2020, um total de 1,383 bilhão de euros (queda de 13% em relação ao mesmo período de 2019). A atividade do banco na Europa foi responsável por 35% do lucro atribuível (1,075 bilhão de euros, queda de 54%) e a na América do Norte, por 20% (617 milhões, baixa de 29%).

Ao contrário do que fazia há anos, o Santander não informou desta vez qual foi a parcela de participação dos países no lucro atribuível ao grupo.

O banco continua com seu plano de redução de custos, com a região europeia atingindo mais de 300 milhões de euros em eficiência na primeira metade do ano, o equivalente a 75% de sua meta para 2020. As despesas operacionais caíram 2% ou 5% em termos reais, excluindo-se a inflação.

Período desafiador

A presidente executiva do Grupo Santander, Ana Botín, avaliou que os últimos seis meses estão entre os mais desafiadores da história da instituição. A avaliação foi feita por meio de comunicado junto com a divulgação dos números do conglomerado espanhol para o período. “O impacto da pandemia nos testou em tudo e tenho orgulho de como o Santander respondeu”, descreveu.

Ela mencionou o desejo do conselho de propor um “scrip dividend” equivalente a 10 centavos de dólar por ação em 2019, a serem pagos este ano. Também enfatizou que o conselho está comprometido em aplicar uma política de dividendos a 100%, assim que as condições de mercado se normalizarem. “Continuamos confiantes sobre o potencial de criação de valor em nossos negócios. Estamos acelerando nossa transformação e planejamos alavancar nossa escala e os pontos fortes coletivos de nossos negócios regionais e globais, com foco em simplificar as operações e melhorar a experiência do cliente, a fim de crescer lucrativamente com maior eficiência.”

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Santander Brasil vê lucro gerencial cair 41%, a R$ 2,13 bi; provisões para perdas saltam 111% na comparação anual

O Santander Brasil (SANB11) teve lucro líquido de R$ 2,0256 bilhões no 2º trimestre, queda de 46,3% na comparação com o primeiro trimestre, quando lucrou R$ 3,774 bilhões, e baixa de 40,76% em relação ao mesmo período do ano passado, quando registrou um lucro de R$ 3,41 bilhões.

Já o lucro líquido gerencial foi de R$ 2,136 bilhões no segundo trimestre, queda de 41,2% na comparação com o mesmo período do ano passado e de 44,6% ante o primeiro trimestre.

No semestre, o lucro líquido societário foi de R$ 5,8 bilhões, 14,7% menor frente o 1º semestre de 2019 (R$ 6,8 bilhões).

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Já as despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos (PDD) ficaram em R$ 6,534 bilhões, 90,8% superior na comparação com o trimestre anterior e de 111,3% em relação ao segundo trimestre de 2019. A companhia provisionou R$ 3,2 bilhões para potenciais perdas com empréstimos por causa da crise desencadeada pelo coronavírus.

Vale destacar que, no primeiro trimestre, o banco não havia aumentado suas provisões de forma significativa, alegando que já havia feito reforços e que esperaria para conhecer melhor os efeitos da crise.

Os analistas do Credit Suisse lembraram que o resultado do banco foi afetado pelas provisões extraordinárias e apontam que o balanço foi positivo, com destaque para a receita líquida de juros (NII).

Já o BBI destacou que as receitas com tarifas vieram mais fracas que o esperado (a queda no comparativo anual foi de 11,9%) e chamaram a atenção para o resultado da margem financeira, que apresentou elevação.

“O maior ponto de interrogação refere-se à sustentabilidade do desempenho da margem financeira, já que a crescente inadimplência à frente poderia começar a pesar sobre a geração de receitas”, avaliaram os analistas do Bradesco BBI, em relatório a clientes.

Ativos totais

Após bater a marca histórica de R$ 1 trilhão em ativos no primeiro trimestre, o Santander abandonou-a em meio à crise. Ao fim de junho, os ativos totais do banco somavam R$ 987,679 bilhões, queda de 1,3% frente a março. Em um ano, contudo, cresceram 18,1%.

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Com o reforço nas provisões por conta da pandemia, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) do Santander Brasil também foi atingido. A rentabilidade do banco despencou de 22,3% no primeiro trimestre para 12,0% no segundo.

O patrimônio líquido do Santander era de R$ 72,455 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,5% frente ao primeiro. Em um ano, cresceu 5,4%.

Ao contrário do que fazia há anos, o Santander não informou desta vez qual foi a parcela de participação dos países no lucro atribuível ao grupo, mas sim a participação por região. O Brasil tradicionalmente é o maior gerador de resultados do banco no mundo.

A América do Sul contribuiu com 45% do lucro da instituição na primeira metade de 2020 enquanto a atividade do banco na Europa foi responsável por 35% e a na América do Norte, por 20%.

Efeitos extraordinários

O reforço nas provisões fez o Santander Brasil divulgar um lucro desconsiderando tal movimento. Neste caso, o resultado gerencial líquido seria de R$ 3,896 bilhões no segundo trimestre, aumento de 1,1% ante os três meses anteriores. Em um ano, teria crescido 7,2%

Já lucro líquido societário, que considera o ágio de aquisições passadas, foi de R$ 2,025 bilhões no segundo trimestre, queda de 46,3% frente ao primeiro. Em um ano, quando ficou em R$ 3,410 bilhões, a queda foi de 40,61%.

Índice de Basileia

O índice de Basileia do Santander era de 14,41% no segundo trimestre deste ano ante 13,81% nos três meses anteriores. Em um ano, porém, diminuiu, considerando que estava em 16,2%. O indicador mede o quanto o banco pode emprestar sem comprometer o seu capital.

O Santander explica, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, que o índice de Basileia foi influenciado pelo aumento de 23,8% nos ativos ponderados pelo risco (RWA, na sigla em inglês) dado o crescimento da carteira de crédito no mesmo período e da alta no saldo dos créditos tributários.

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O banco destaca ainda que seu índice de Basileia supera em 4,16 ponto porcentual a soma dos requerimentos mínimos do Patrimônio de Referência e Adicionais de Capital Principal. A exigência de capital é de 10,25%, sendo mínimo regulatório de 8,0% mais conservação de 1,25% mais adicional de importância sistêmica de 1%.

Fechamento de agências

O Santander Brasil fechou 50 agências no País e demitiu 844 funcionários durante o segundo trimestre, ápice da pandemia do novo coronavírus no Brasil. O banco assim como os rivais assumiu o compromisso de não desligar trabalhadores por conta da covid-19, aderindo, inclusive, ao abaixo assinado ‘Não Demita’.

No início de junho, as demissões feitas pelo Santander Brasil começaram a se tornar públicas diante da denúncia do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. O banco explicou, na ocasião, que o compromisso de não demitir havia terminado em maio.

O Santander Brasil encerrou junho com 46,348 mil funcionários no País ante 47,192 mil em março. Já a rede de agências físicas somava 2.209 unidades contra 2.259, respectivamente.

As despesas gerais do Santander Brasil, que incluem gastos administrativos e pessoais, totalizaram R$ 5,191 bilhões no segundo trimestre, queda de 1,9% frente ao primeiro. Em um ano, ficaram praticamente estáveis, com queda de 0,2%.

De acordo com o Santander, no semestre, o aumento das despesas gerais foi influenciado pelo maior gasto com processamento de dados para suportar a

transformação digital do banco, intensificada nos últimos meses em meio à pandemia, e o aumento das transações de autoatendimento.

O índice de eficiência do banco atingiu 35,7% no segundo trimestre, melhora de 1,5 ponto porcentual em três meses, atingindo o menor patamar histórico. O desempenho resulta, conforme o Santander, de uma “gestão diligente de gastos, comprometimento pela eficiência e produtividade”.

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(Com Agência Estado)

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Petrobras e Santander aprovam pagamento de dividendos de mais de R$ 500 milhões cada

SÃO PAULO – Poucos dias antes de divulgar seu resultado do segundo trimestre, a Petrobras (PETR3; PETR4) informou na noite desta terça-feira (28) que foi aprovado em Assembleia Geral Ordinária o pagamento de mais de R$ 1,1 bilhão em proventos, sendo R$ 540,3 milhões em juros sobre capital próprio (JCP) e R$ 583,8 milhões em dividendos.

Estes JCP já haviam sido anunciados no fim do ano passado e não sofreram alterações, sendo que têm direito os investidores que possuíam ações da empresa em 4 de dezembro de 2019.

A novidade ficou para os dividendos, que serão de R$ 0,50115976981 por ação e terão direito os acionistas da estatal em 31 de julho, com os papéis passando a negociar na forma ex-dividendos em 3 de agosto.

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Estes valores são referentes ao resultado de 2019 e serão pagos, segundo a companhia em data ainda a ser definida, mas que não irá exceder o último dia útil deste ano.

Em nota, a Petrobras ainda informou a destinação de R$ 110,5 milhões de seu lucro de 2019 para reserva legal, além de R$ 412,3 milhões para reserva de incentivos fiscais e a retenção de outros R$ 975,9 milhões prevista no orçamento de capital deliberado na Assembleia.

Santander

O banco Santander Brasil (SANB11) também informou que seu conselho aprovou o pagamento de R$ 770 milhões em juros sobre capital próprio, sendo valor líquido de R$ 654 milhões.

O valor bruto será de R$ 0,09837927086 por ação ordinária, de R$ 0,10821719794 para cada papel preferencial e de R$ 0,20659646879 por unit.

Terão direito aos proventos os investidores com ativos da companhia em 6 de agosto, com as ações passando a negociar na forma ex-juros sobre capital próprio a partir de 7 de agosto.

O Santander informou que o pagamento da remuneração será feito a partir do dia 25 de setembro.

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Resultados de Petrobras, Vale, Ambev, Bradesco e mais 24 empresas agitam a próxima semana

(Petrobras)

SÃO PAULO – A temporada de resultados do segundo trimestre ganha força na próxima semana, com pelo menos 28 balanços programados para o período entre 27 e 31 de julho.

Os dias mais agitados serão a quarta, com 9 divulgações, e a quinta-feira, com 10. Nestes dois dias, os destaques ficam para os números trimestrais da Vale (VALE3) e da Petrobras (PETR3; PETR4).

As duas empresas já divulgaram seus relatórios da produção e vendas, mostrando um pouco dos impactos da pandemia do coronavírus em seus negócios.

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Para os analistas, a mineradora deve se beneficiar dos preços mais elevados do minério, o que pode compensar a produção impactada pelo coronavírus. Enquanto isso, após o prejuízo histórico de R$ 48,5 bilhões no primeiro trimestre com a forte queda do petróleo, a Petrobras concentrará a atenção dos investidores na quinta-feira (30).

Outro destaque dos próximos dias é o setor financeiro, com dois bancos Santander (SANB11), na quarta, e Bradesco (BBDC3; BBDC4), na quinta.

Para o UBS, o primeiro trimestre de 2020 marcou o pico de provisionamento dos grandes bancos e o Bradesco deve ter uma redução nas suas provisões contra perdas durante o segundo trimestre na comparação com os primeiros três meses deste ano, apesar da forte queda do PIB.

Por outro lado, os analistas do Bradesco BBI apontam que o Santander – que foi o menos conservador entre os grandes bancos – deve registrar o maior aumento sequencial.

Duas grandes varejistas ligadas ao consumo básico, Carrefour Brasil (CRFB3) e Pão de Açúcar (PCAR3) também apresentam seus balanços com a expectativa dos analistas que elas mostrem uma maior pressão nas margens, ainda que as suas vendas aumentem.

Entre outros resultados que chamam atenção na próxima semana estão Cielo (CIEL3), Smiles (SMLS3), Ambev (ABEV3), Embraer (EMBR3), EcoRodovias (ECOR3), Usiminas (USIM5) e Gol (GOLL4).

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Reforma tributária: quais serão os impactos para bancos e shoppings se a proposta de Guedes for aprovada?

O Ministro da Economia Paulo Guedes entrega a primeira parte da reforma tributaria (Pedro França/Agência Senado)

SÃO PAULO – A proposta de reforma tributária, apresentada pelo ministro da Economia Paulo Guedes na última terça-feira (21), segue gerando repercussão no mercado, inclusive com críticas de diversos setores, principalmente sobre aumento de carga de impostos.

Ainda que tenha que pagar uma menor alíquota em relação a outros setores, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) afirmou na tarde de quarta-feira (22) que a carga tributária sobre o setor  financeira será ainda maior caso seja aprovada a proposta encaminhada pelo governo que unifica PIS/Cofins em um único tributo.

Pelo texto apresentado ao Congresso, a chamada Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) das instituições financeiras terá alíquota de 5,8%, ante os 4,65% pagos atualmente pelo setor nos dois tributos – ou uma alta de 24,4%. A alíquota de outros setores ficou em 12%.

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Segundo a Febraban, o Brasil é um dos poucos países que tributam a intermediação financeira. “Ainda serão mantidos a mesma base de cálculo e o regime cumulativo, enquanto os demais setores poderão se creditar amplamente no novo modelo não cumulativo”, diz a nota. Isso porque, diferentemente da indústria, o setor de serviços não tem muitas etapas de produção e é formado basicamente por mão de obra. Por isso, não tem espaço para abater os impostos em fases anteriores da produção.

De acordo com a Febraban, o aumento na alíquota levará a um aumento da carga de tributos no spread bancário de 19,3% para 20,3%.

Além disso, outra crítica é sobre a alíquota de 45% incidente sobre a renda bancária. “A alíquota sobre a renda dos bancos é a maior do mundo (45%), considerando os chamados tributos corporativos, quando se soma a alíquota de 20% da CSLL aos 25% de Imposto de Renda (IRPJ), o que afeta diretamente a competitividade do setor e leva a concentração, pois afasta possíveis entrantes no setor”, destacou a entidade.

Em relatório, o banco suíço UBS estima um pagamento de R$ 6 bilhões a mais de impostos pelas instituições financeiras tendo como base os números de 2019, quando elas pagaram R$ 24 bilhões em PIS/Cofins – R$ 20 bilhões pagos pelos cinco maiores bancos do país.

A projeção é de um impacto de R$ 1,3 bilhão para o Bradesco (BBDC3;BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4) – ou de 3,2% no lucro- além de R$ 800 mil para o Santander Brasil (SANB11) – ou de 3,8%.

O Credit Suisse, por sua vez, avalia que o impacto médio no lucro dos bancos será de 3,9% em 2021 e, no longo prazo, de até 2,8%. Eles ponderam que este seria o pior cenário possível, pois não se assumiria nenhum mecanismo de compensação, sendo um cenário bastante conservador.

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Confira abaixo as estimativas do Credit para o impacto do lucro nos bancos com a CBS (no pior cenário):

Período Santander Brasil Itaú Unibanco Bradesco Banco do Brasil Média
2021 3,6% 3,6% 3,5% 5% 3,9%
2022 3,4% 2,7% 2,5% 3,8% 3,1%
2023 3,1% 2,5% 2,2% 3,4% 2,8%

Os analistas do UBS ainda apontam que os próximos passos da reforma tributária podem causar ainda mais aumento de impostos para os bancos, incluindo a implantação de impostos sobre dividendos e aumento adicional da alíquota estatutária.

Contudo, de acordo com a perspectiva do banco, grande parte do risco já está precificado. Cabe destacar que, mesmo após a aprovação do texto, a nova carga de imposto demorará seis meses para entrar em vigor.

Os analistas do UBS destacam preferência pela ação da Bradesco, que possui recomendação de compra junto com o Itaú. Para o Santander, o UBS segue com a recomendação neutra.

Eles avaliam que há uma série de fatores que pode impactar o desempenho das companhias financeiras da América Latina, como o cenário econômico local, mudanças nas taxas de juros, cenário de concorrência e mudanças regulatórias.

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Já o Credit Suisse ressalta que a implantação de uma agenda de reformas é positiva para o case de investimento em Brasil e a proposta é abrangente – não sendo específica para o setor financeiro. “Tendo isso em mente, as discussões sobre a reforma ainda estão em andamento, com o Congresso tendo também a sua própria proposta de reforma”, afirmam.

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Eles também apontam que o cenário de maior regulação e a carga tributária mais alta permanecem como riscos potenciais para o setor bancário, embora os valuations atuais precifiquem esse cenário. Os analistas possuem recomendação equivalente à compra para os quatro maiores bancos listados na Bolsa brasileira, com preferência pelo Itaú (veja mais clicando aqui).

Shoppings também serão afetados

Além do setor financeiro, o Credit também analisou o impacto da tributação para o setor de shoppings, classificando o ano como uma “tempestade perfeita” para o setor.

Na véspera, os papéis do setor caíram cerca de 4,5%, versus queda de 0,02% do Ibovespa, em meio à preocupação dos investidores de que a reforma irá impactar de forma relevante os números do setor.

Isso porque a CBS aumentaria a contribuição de 2,75% para 8,35% (ainda a depender do regime). Assim, na conta dos analistas, o pior cenário seria de um impacto de 5% na receita líquida e de 10% do Fund from operation (ou FFO), que significa “fluxo de caixa proveniente das operações” e é um indicador bastante usado para determinar a rentabilidade de imóveis.

Olhando para os números específicos, a expectativa é de um impacto de 6% para o FFO da Multiplan (MULT3), de 10% para o Iguatemi (IGTA3) e de 12% para brMalls (BRML3).

Contudo, os analistas trabalham um cenário base de impacto menor por avaliarem que as empresas devam conseguir compensar o aumento, ainda que parcialmente, através de potenciais reduções de impostos sobre folha de pagamentos, créditos fiscais e repasse de parte do aumento para os locatários.

Desta forma, vale ficar de olho nos próximos passos. O projeto de lei será votado em uma Comissão Especial formada por deputados e senadores. Se aprovado, vai para a Câmara dos Deputados, etapa em que precisaria de metade dos votos para avançar. No entanto, no caso em que a Câmara opte por
incluir esse projeto em uma reforma tributária mais ampla, seria necessária a aprovação por 60% dos deputados.

Se aprovado, o projeto é entregue ao Senado, onde há os mesmos critérios para que a reforma seja aprovada (50% somente para o PL e 60% em caso de uma reforma mais ampla).

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A avaliação do Credit é de que há baixa probabilidade do projeto ser aprovado este ano.  Vale destacar ainda as dificuldades que a proposta pode enfrentar. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, insatisfeito com a nova alíquota de 12% a ser criada com a unificação do PIS/Cofins, mais do dobro da tributação atual de 4,5%, o setor de serviços – responsável por 70% do PIB – ameaça travar a reforma se não for compensado.

As empresas, que estiveram ontem em encontro com ministro da Economia, querem uma compensação com a desoneração da folha de pagamentos. Por outro lado, uma das formuladoras da proposta de reforma tributária do governo, a assessora do Ministério da Economia, Vanessa Rahal Canado, diz que o setor de serviços será beneficiado com a projeto de criação da CBS.

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Com queda de até 40% em 2020, ações de bancos estão baratas (apesar dos desafios), afirmam analistas

SÃO PAULO – Enquanto o Ibovespa acumula queda de 14,66% em 2020 até a sessão de segunda-feira (13), os grandes bancos registram uma baixa muito superior: os ativos do Bradesco (BBDC3, -34,89%;BBDC4, -32,63%), Banco do Brasil (BBAS3, -35,25%) e Santander Brasil (SANB11, -39,75%) caem mais de 30% no mesmo período, chegando até baixa de cerca de 40% no caso dos ativos SANB11; já os ativos do Itaú Unibanco (ITUB4, -25,48%) têm baixa de mais de 20%.

Motivos para tanto não faltam: no começo do ano, mesmo antes da pandemia, os ativos do setor já eram afetados pelo cenário de maior concorrência, menores ganhos com queda da Selic, além de limitação dos juros do cheque especial, enquanto o Banco Central tomava outras medidas para aumentar a concorrência do setor.

Em seguida, veio o coronavírus, deprimindo ainda mais os preços dos ativos, também levando em conta os projetos no Congresso para aumentar a arrecadação e que afeta o lucro do setor, além da expectativa de aumento da inadimplência, que levou a um forte aumento das provisões. Dentre as medidas estudadas no Legislativo e que vêm gerando volatilidade aos papéis, estão a proposta de aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), atualmente em 20% e novos limite nas taxas do cartão de crédito rotativo e do cheque especial (veja mais clicando aqui).

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Mesmo em meio à forte baixa dos ativos, os analistas seguem com uma visão construtiva para  as ações do setor bancário.

A última casa de análise a fazer uma revisão geral sobre o setor foi o Credit Suisse, destacando que os preços das ações estão muito descontados, esperando um potencial de valorização de 22% em média. Por isso, reforçaram a recomendação “outperform” (desempenho acima da média do mercado) para as quatro maiores instituições financeiras de capital aberto. “O valuation do setor é atrativo, mesmo sob premissas conservadoras”, avaliam os analistas Marcelo Telles, Otavio Tanganelli e Alonso Garcia.

O preço-alvo das ações do Itaú Unibanco passou de R$ 26,90 para R$ 33 e, no caso do Bradesco, foi de R$ 22,50 para R$ 29. O do Banco do Brasil subiu para R$ 41, de R$ 34, e o do Santander passou de R$ 29,50 para R$ 36.

E essa recomendação já prevê um cenário para desafiador para o setor. “A nossa projeção de PIB é de queda de 6,5% para 2020 e este cenário deve trazer um longo processo de desalavancagem e diminuição do crescimento de credito para os próximos dois ou três anos”, avaliaram os analistas da instituição financeira.

A previsão é de um ciclo de deterioração da qualidade de crédito dos bancos por um prazo de 18 a 24 meses. “Diminuímos nossas estimativas de lucro para os quatro bancos maiores bancos da nossa cobertura em cerca de 40% para 2020 e 2021 e com maiores provisões”, avaliaram.

De qualquer forma, apesar de considerar os retornos sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) sustentáveis bem abaixo de 2019, as projeções são positivas para os ativos dos bancos.

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Mas, dentre os ativos, quais estão mais atrativos? O Credit reforçou o Itaú como top pick do setor, dada a melhor cobertura de provisões e uma base de clientes mais resiliente em relação aos pares, melhor dinâmica de taxas e forte controle de custos. O Banco do Brasil vem a seguir devido aos baixos múltiplos, mesmo assumindo que o ROE sustentável está abaixo de seu custo de capital.

O Morgan Stanley, em relatório recente, também destacou possuir recomendação overweight (exposição acima da média) para os quatro maiores bancos listados em bolsa no país.

Na mesma linha, no começo do mês, o analista Marcel Campos, da XP Investimentos, destacou que, em alguns casos, os papéis do setor estão negociando a múltiplos tão baixos que refletiriam uma visão de que os bancos não serão capazes de entregar lucros normalizados no longo prazo.

“Acreditamos que bancos podem estar mais baratos se conseguirem atravessar a crise (e acreditamos que eles vão)”, avalia Campos. De acordo com ele, as instituições financeiras estão bem capitalizadas, com uma carteira de crédito mais segura e menos expostos a crédito no ativo, predominando os investimentos mais líquidos.

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Por outro lado, a preferência é pelas ações do Banco do Brasil que, na visão da XP, apresentam melhor assimetria entre risco e retorno, pois a posição da instituição é defensiva, com empréstimos consignados e rurais representando 40% da carteira e R$ 710 bilhões em títulos líquidos.

Outro banco com recomendação de compra pela XP é o Bradesco, com o preço-alvo de R$ 27. De acordo com Campos, o balanço da instituição é sólido e ela está menos exposta a créditos mais arriscados do que em outras crises.

Já para o Itaú, a XP tem uma recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 29. O analista aponta que o maior banco privado do país tem uma maior qualidade e excelente histórico, mas isso já é consenso e, com os preços ajustados a esse cenário, diminui a margem de segurança do investimento.

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No caso do Santander, a XP acredita que o banco está bem posicionado para enfrentar a crise do coronavírus devido aos altos níveis de capital, liquidez e cobertura, mas conta com riscos maiores e segurança de investimento menor.

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Congresso volta novamente a mira para os bancos – confira os possíveis impactos para as ações do setor

Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

SÃO PAULO – Após as discussões no Congresso sobre medidas que poderiam afetar bancos terem ficado relativamente adormecidas em junho, o tema voltou à tona no começo deste mês – impactando as ações do setor.

Em reunião de líderes do Senado na última terça-feira (7), Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado, prometeu pautar na primeira semana de agosto o projeto que limita os juros do cheque especial e do cartão de crédito, em um contexto de pandemia por conta do coronavírus. O projeto foi pautado algumas vezes em maio, mas teve a votação adiada principalmente por conta da pressão de instituições financeiras.

Contudo, o que impactou mesmo os ativos foi a fala do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), durante live promovida pela Genial Investimentos,na tarde da última terça. Na transmissão, Maia manifestou posição que foi vista por agentes do mercado como favorável ao limite nas taxas do cartão de crédito rotativo e do cheque especial, especialmente quando ele criticou os altos juros dessas duas modalidades.

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“Tem que acabar essa taxa de juros do cheque especial e tem que acabar a taxa de juros do cartão de crédito. O cartão de crédito parece mais simples, porque esse negócio do parcelado sem juros é uma grande falácia que acaba gerando uma taxa de juros brutal. Isso vai ter que ser discutido, polêmico, mas vai ser discutido”, disse Maia.

Conforme aponta Marcel Campos, analista da XP Investimentos, a declaração do presidente da Câmara soa como se, caso a medida for aprovada no Senado, Maia terá a intenção de colocar em votação também na Câmara, o que é negativo, uma vez que aumenta as chances de aprovação e aplicação do projeto.

Com isso, na véspera, as ações das principais empresas do setor fecharam em forte queda. Itaú (ITUB4,-4,90%), Santander Brasil (SANB11,-4,36%), Bradesco (BBDC3, -4,10%; BBDC4, -4,15%) e Banco do Brasil (BBAS3, -4,01%) tiveram baixa superior a 4%. Na sessão desta quarta, contudo, as ações conseguiram ter uma recuperação parcial, com os ativos ITUB4 e BBAS3 subindo por volta de 2,4%, enquanto os papéis do Bradesco e Santander tiveram alta de cerca de 3,4%.

O projeto de lei em questão que tramita no Senado é o de número 1166, de 2020. A proposta original, de autoria de Álvaro Dias (Podemos-PR) estabelece teto de 20% para os juros de cartões de crédito e cheque especial, valendo para as dívidas contraídas entre março de 2020 e julho de 2021.

O relator da matéria, Lasier Martins (Podemos-RS), alterou o texto original, estabelecendo um limite de taxa de juros de 30% ao ano e exigindo que os bancos não reduzam os limites de crédito a partir de fevereiro de 2020.

Vale destacar que, desde 6 de janeiro, vigora o limite para a taxa de juros do cheque especial pessoa física de 8% ao mês, o equivalente a cerca de 150% ao ano, fixado pelo Banco Central.

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“O projeto, se aprovado, provavelmente destruiria valor nos segmentos”, afirma Campos, destacando um impacto relevante nos juros e no saldo de empréstimos.

O analista aponta que o limite de juros de 30% ao ano se compara aos 312% em cheque especial pessoa jurídica e 130% em cheque especial a pessoa física, além dos 147% no cartão de crédito rotativo pessoa jurídica e 326% no rotativo de pessoa física.

Além disso, com base nos dados do Banco Central do Brasil, as mudanças impactariam um saldo de empréstimos de mais de 80 bilhões nos seguintes segmentos: i) R$ 4,6 bilhões em empréstimos rotativos para cartões de crédito corporativos; ii) R$ 46 bilhões em empréstimos rotativos para cartão de crédito; iii) R$ 11 bilhões em cheques especiais; e iv) R$ 20 bilhões em cheque especial corporativo.

O texto da lei sugere que os bancos teriam um retorno de 30% sobre os segmentos, mas não consideram o índice de inadimplência dessas linhas, que não possuem garantias. Campos destaca que o  índice de inadimplência no cheque especial esteve em 15% em março e a inadimplência no cartão de crédito rotativo chega a 35% (responsável por mais de 50% do saldo). “Ao que tudo indica, essas linhas levariam a impactos negativos em nossas estimativas”, reforça ainda o analista da XP.

CSLL também no radar

Vale destacar que, além da proposta de limite de teto dos juros do cheque especial e do cartão de crédito, também está no radar a proposta de aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), atualmente em 20%.

Há três propostas no radar, com impactos diferentes: i) o projeto de lei 911/2020 propõe elevar para 50% a alíquota para a contribuição, afetando bancos e seguradoras e sem data limite; ii) o projeto de lei 1276/2020, também com aumento para 50% afetando os grandes bancos e com duração de até 2 anos após o encerramento do estado de calamidade pública por conta da pandemia e iii) o projeto de lei 1522/2020, que aumenta em vinte pontos percentuais a alíquota da contribuição social sobre lucro líquido de instituições financeiras (além de empresas de mineração) com faturamento superior a R$ 10 milhões e com vencimento em 2030.

Com relação à CSLL, a equipe de análise da XP fez uma análise de sensibilidade sobre o impacto para as ações do setor. Campos reforça que os aumentos agressivos reais podem ser reduzidos em negociações adicionais. Com isso, foram simulados aumentos de impostos entre 5 e 20 pontos percentuais.

“No cenário extremo, nossos preços-alvo cairiam em média 27%, mas é válido lembrar que o aumento da CSLL pode chegar a 30 pontos”, apontou em relatório recente sobre o setor (veja mais clicando aqui).

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O analista segue com visão positiva para o setor de bancos, destacando que os papéis estão precificados abaixo da realidade em meio à crise com o coronavírus e apresentam boas oportunidades, tendo como preferência o Banco do Brasil. Em seguida, na ordem de preferência, estão Bradesco (com recomendação de compra), enquanto Itaú e Santander Brasil possuem recomendação neutra.

Ele pondera que novos entrantes são uma ameaça e devem reduzir a rentabilidade do setor. Além disso, a pandemia do Covid-19 deve causar aumento da inadimplência, reduzir o crescimento do crédito e consequentemente deteriorar o curto prazo. Contudo, avalia não concordar com o atual patamar de preços, uma vez que considera estar implícito que bancos não vão ser capazes de entregar resultados acima da média no médio prazo e, em alguns casos, nem lucros normalizados no longo prazo.

“Acreditamos que bancos podem estar mais baratos se conseguirem atravessar a crise (e acreditamos que eles vão)”, avalia Campos. De acordo com ele, as instituições financeiras estão bem capitalizadas, com uma carteira de crédito mais segura e menos expostos a crédito no ativo, predominando os investimentos mais líquidos.

Volatilidade em meio às medidas

No curto prazo, contudo, as ações devem registrar volatilidade em meio ao noticiário sobre as medidas no Congresso para o setor.

“A pressão sobre os bancos deve continuar, principalmente em relação aos produtos de maior rendimento, como cheque especial e cartões de crédito”, avalia o Bradesco BBI. Os analistas destacam que, embora de alto custo para o consumidor, os riscos decorrentes da natureza destes produtos (rotativos) e do perfil dos clientes acabam resultando em perdas importantes. No entanto, ponderam, isso não altera o fato de a lucratividade ser atrativa, como tem sido o caso em geral para os bancos.

Porém, no caso de cartões de crédito, distorções importantes do setor, com subsídios cruzados, levam os bancos a reterem uma parte importante do risco, sem, no entanto, serem remunerados por ele, avaliam os analistas do banco.

Contudo, o BBI acredita ser menos provável que o Congresso implemente medidas que visem alterar as distorções em cartões. Assim, o maior risco segue sendo para que o Legislativo tome uma decisão simples e que não resolva o problema, o que seria o caso com a limitação de juros.

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“Isso seria ruim para o setor, com consequências negativas para as margens financeiras (NII, na sigla em inglês) dos bancos e uma provável disponibilidade de crédito mais fraca”, acreditam.

Com relação ao cheque especial, os analistas avaliam que as pessoas o usam como uma maneira de evitar os obstáculos que teriam ao optar por outros empréstimos. “É caro, mas a concorrência deve ser o caminho para resolvê-lo. Tornar proibitivo uma indústria desenvolver seus próprios produtos não deve ser uma resposta razoável para qualquer problema”, avalia.

Para o Bradesco BBI, contudo, mesmo mudanças como a do teto para os juros do cheque especial são improváveis e apenas parte da pressão política sobre os bancos para que eles apresentem novas alternativas.

“A reação do mercado na véspera foi provavelmente exagerada. Entretanto, observamos que parte das preocupações se justifica, pois existe claramente uma agenda para reduzir os custos de crédito. Isso deverá reduzir a capacidade dos bancos de sustentar os NIMs [margens financeiras líquidas dos bancos] nos níveis em que estão atualmente”, ressalta.

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