Itaú, Santander, Bradesco e Banco do Brasil lucram juntos 63% mais no 2º tri, mas qual foi o maior destaque?

SÃO PAULO – Uma alta de 63% dos lucros no segundo trimestre de 2021, a R$ 22 bilhões, na comparação com o mesmo trimestre de 2020, mas uma quase estabilidade frente o primeiro trimestre de 2021.

E, se por um lado, há expectativa de normalização da atividade com a vacinação e revisões para cima de algumas projeções, por outro, sinais de maior concorrência e de aumento de inadimplência seguem no radar, ainda que a níveis controlados e bastante monitorados.

Tendo em vista todas essas indicações no radar, as grandes instituições financeiras diminuíram as suas provisões para calotes e retomaram o ritmo de crédito, conforme mostraram Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) durante a divulgação de resultados do segundo trimestre de 2021.

“A partir de agora já vivenciamos a perspectiva de um cenário mais próximo ao do pré-pandemia”, disse o presidente do Bradesco (BBDC3;BBDC4), Octavio de Lazari, na última semana.

Após apurar lucro de R$ 6,5 bilhões no segundo trimestre, o Itaú Unibanco (ITUB4) elevou a perspectiva para o crédito neste ano e passou a prever crescimento de até 11,5%. O destaque positivo entre os resultados, de acordo com a maior parte dos analistas, foi justamente para esse banco, que reportou um lucro líquido cerca de 56% maior na comparação anual, a R$ 6,54 bilhões.

Confira os dados de lucro líquido gerencial dos maiores bancos listados na Bolsa: 

Instituição financeira Lucro 2T20 (em R$ milhões) Lucro 1T21 (em R$ milhões) Lucro 2T21 (em R$ milhões) 2T21/2T20 (em %) 2T21/1T21 (em %)
Santander 2.136 4.012 4.171 +95,3% +4%
Itaú 4.205 6.398 6.543 +56% +2%
Bradesco 3.873 6.515 6.319 +63% -3%
Banco do Brasil 3.311 4.913 5.039 +52% +3%
Total 13.525 21.838 22.072 +63,2% +1%

A rentabilidade do Itaú medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido foi a 18,9%, ante 18,5% no primeiro trimestre de 2021, com a surpresa positiva vindo de maior receita líquida de juros (em alta de 2,8%), menores despesas com provisões (queda de 8,2%) e melhores receitas com tarifas (alta de 2,8%), conforme destacado o Bradesco BBI. Contudo, os números foram parcialmente compensados por maiores despesas operacionais (alta de 2,7%) e uma maior taxa efetiva de imposto de 36,2%, apontam os analistas.

A carteira de crédito ficou praticamente estável em relação ao trimestre anterior e atingiu R$ 909,1 bilhões, um crescimento de 12% na base anual. A inadimplência acima de 90 dias ficou estável em 2,3%. Os analistas da Levante apontam que, apesar dessa estabilidade na inadimplência ser positiva, é importante notar que o prazo de diversos empréstimos foi prorrogado. Desta forma, é possível vermos uma deterioração deste número no segundo semestre.

O Itaú também divulgou uma visão mais positiva do guidance, revisando a sua projeção de crescimento do crédito para 8,5-11,5% (de 5,5-9,5% anterior) e receita líquida de juros com o mercado para R $ 6,5-8,0 bilhões (de R $ 4,9-6,4 bilhões), enquanto revisou para baixo seu guidance de encargos de provisão para R $ 19,0-22,0 bilhões (de R $ 21,3-24,3 bilhões). Entretanto, o guidance para a margem financeira com clientes foi mantido em +2,5-6,5%, as receitas com tarifas em + 2,5-6,5%, as despesas operacionais em -2,0 a + 2,0% e a taxa de imposto em 34,5-36,5%.

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“Em nossa visão, o Itaú apresentou um conjunto sólido de resultados no segundo trimestre e com melhor qualidade,
além de emitir uma revisão positiva do guidance. Continuamos a ver tendências positivas para o lucro líquido de juros nos próximos trimestres, à medida que o crescimento dos empréstimos continue a acelerar devido a uma melhor combinação, enquanto as receitas com tarifas também foram uma surpresa positiva”, aponta o BBI.

A XP destacou que houve uma surpresa positiva no balanço: o banco foi capaz de produzir um resultado sólido e, ao mesmo tempo, melhorou a qualidade dos ativos e o índice de cobertura – relação entre empréstimos inadimplentes e provisões.

Bradesco: seguro pesa sobre o resultado, mas a expectativa é de recuperação

Já na ponta negativa, esteve o Bradesco (BBDC3BBDC4), cujas ações caíram mais de 4% após a divulgação do balanço. O banco teve  lucro líquido recorrente de R$ 6,319 bilhões no segundo trimestre de 2021, aumento de 63,2% ante o mesmo período do ano passado e queda de 3% na comparação com o primeiro trimestre deste ano.

O aumento do lucro ocorreu por diversos fatores, como maiores receitas com prestação de serviços, crescimento da margem financeira com clientes, menores despesas operacionais e menores despesas com provisões para devedores duvidosos. Porém, o número foi abaixo do esperado. Segundo dados compilados pela Refinitiv, a expectativa média dos analistas para o lucro do Bradesco era de R$ 6,454 bilhões.

O desempenho mais fraco do que o esperado reflete principalmente um resultado bem inferior em seguros e mais tímido em crédito.

As operações de seguros, previdência e capitalização tiveram queda de 49,8% em relação ao primeiro trimestre de 2021 e de 58,3% ante o mesmo período no ano passado, representando R$ 1,57 bilhão. O segmento tinha perspectiva de 2% a 6%, mas após o resultado trimestral, a instituição financeira prevê uma variação entre queda de 15% a 20% para 2021.

O desempenho do segmento foi impactado pela elevação do índice de sinistralidade, que foi afetado pela frequência dos eventos relacionados à Covid-19, por conta do aumento da necessidade de assistência médico-hospitalar, diagnósticos, consultas, internações, eventuais consequências pós Covid-19, retomada dos procedimentos eletivos e indenizações nos produtos de “Vida”.

Contudo, em teleconferência, o banco destacou esperar melhora na área de seguros com redução de despesas a partir da segunda metade do ano, conforme os casos de Covid e internações recuam.

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A Levante Ideias de Investimentos também aponta que, apesar de seguir tendências semelhantes aos números vistos pelo Santander (SANB11) e Itaú, o crescimento inferior da carteira de crédito e a maior exposição a seguros que os competidores levaram ao resultado abaixo das expectativas.

A carteira de crédito mostrou expansão de 3% na comparação trimestral, puxada por crédito a pessoas físicas, com alta de 5,7%, e a pequenas e médias empresas, com alta de 4,6%.

O Itaú BBA ressalta ainda que a margem financeira com clientes cresceu em menor velocidade; um avanço de 1,9% na passagem trimestral, resultando em uma leve perda de spread bancário (diferença entre a taxa de juros cobrada aos tomadores de crédito e a taxa de juros paga aos depositantes pelos bancos).

O índice de inadimplência, por sua vez, se manteve em 2,5%. A despesa com previsões caiu 11% entre o primeiro e segundo trimestre, para R$ 3,5 bilhões, ficando 6% abaixo das expectativas da XP, o que compensou parcialmente os resultados fracos, mas prejudicou o índice de cobertura do banco (relação entre empréstimos inadimplentes e provisões), com queda de 500 pontos-base. “Vemos isso como negativo, pois os índices de inadimplência podem aumentar em relação aos atuais 2,5% observados no trimestre, aumentando a exposição do banco”, avaliam.

A Levante ainda apontou que o Bradesco se mostrou focado em melhorar sua eficiência com uma queda de 4,1% nas despesas operacionais no trimestre quando comparado com o segundo trimestre de 2020, um bom número, mas uma desaceleração em relação a redução anual de 4,7% vista no trimestre anterior.

Já as receitas de serviço do banco foram um destaque positivo do resultado, com uma melhora de 10,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$ 8,4 bilhões.

Resultados “mistos”

Já na esteira daqueles que divulgaram resultados considerados “mistos”, estão o Santander Brasil e o Banco do Brasil (BBAS3).

No caso do Santander Brasil, o lucro, a princípio, animou os investidores, ficando acima do esperado ao atingir R$ 4,171 bilhões, no segundo trimestre deste ano, o maior nível da história da instituição, quase o dobro na comparação anual e ficando 5,7% acima do esperado pelo consenso Bloomberg.

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O ROE ficou em 21,6%, acima dos 20,6% registrados no primeiro trimestre deste ano, e muito próximo à rentabilidade de 21,7% obtida um ano antes, quando excluídos os efeitos das provisões extraordinárias realizadas naquele período.

“O Santander Brasil apresentou um bom conjunto de resultados no segundo trimestre, mostrando tendências positivas no crescimento do crédito, com melhor mix e evolução positiva da receita líquida de juros com clientes, e nas receitas de tarifas, refletindo a melhor atividade econômica”, apontaram os analistas do Bradesco BBI.

Entretanto, os analistas do banco destacaram que as provisões aumentaram no trimestre, enquanto o índice de cobertura diminuiu para 263%, embora a taxa de inadimplência se mantenha relativamente sob controle.

A XP também ressaltou esse ponto. Nos últimos balanços, os analistas já haviam destacado que os resultados poderiam ser pressionados mais à frente, uma vez que a instituição possui um menor índice de cobertura em relação aos seus pares no setor; o banco decidiu não fazer tantas provisões quanto as outras instituições.  “No geral, mantemos nossa visão de que o consumo do balanço abaixo do provisionado do Santander não será capaz de sustentar seus ganhos”, avalia a XP.

O Itaú BBA avaliou que os resultados foram positivos, mas ponderou que a margem financeira com clientes alcançou R$ 11,473 bilhões no segundo trimestre, uma alta modesta de 1,6% ante o primeiro trimestre na sequência de menores spreads.

Por fim, na última quarta-feira, foi a vez do Banco do Brasil divulgar seus números, que foram vistos de forma diversa pelos analistas. O BB registrou lucro líquido ajustado de R$ 5,039 bilhões no segundo trimestre deste ano, 52,5% superior aos R$ 3,311 bilhões reportados para igual período de 2020. O resultado ficou 2,6% acima do ganho reportado nos primeiros três meses deste ano, de R$ 4,913 bilhões.

A XP destacou que o lucro foi em linha com as estimativas da casa, de R$ 5 bilhões, mas bem acima dos R$ 4,4 bilhões do consenso de mercado (que contava com oito projeções). O resultado, na avaliação da equipe de análise, também apresentou uma boa qualidade de ganhos, considerando que: i) não houve consumo de cobertura; ii) apresentou melhoria de custos; e iii) taxas recuperadas. Além disso, o BB também decidiu revisar seu guidance para cima, com o lucro agora possivelmente atingindo o recorde de R$ 20 bilhões em 2021.

O lucro veio acima da expectativa também do Itaú BBA, “mas a razão desse desempenho não foi das mais nobres”, segundo os analistas do banco. Isso porque foi reflexo de menores provisões e de uma alíquota de imposto menor.

Ao falar sobre a revisão dos lucros para cima, o BBA ressaltou que a estatal reduziu a indicação para margem com clientes, mas também as despesas com provisões – “movimento contrário àquele que normalmente agrada o mercado”. A expectativa para o crescimento da margem financeira bruta foi reduzida de alta entre 2,5% e 6,5% para alta entre 1,0% e 4,0% (provavelmente por maiores despesas de captação), enquanto a expectativa para as provisões foi reduzida de entre R$ 14 bilhões e R$ 17 bilhões para entre R$ 13 bilhões e R$ 15 bilhões.

Também do lado negativo, apontam os analistas, a margem financeira contraiu em 1%, com perda de spread bancário advinda de maiores custos de captação. Por outro lado, as despesas operacionais ficaram estáveis na comparação anual, em R$ 7,9 bilhões. O BB também indicou estabilidade dessa linha no novo guidance, o que é positivo no atual cenário de custos, avaliam os analistas. A carteira segue também com boa qualidade – o índice de inadimplência teve ligeira queda para 1,8%.

Em teleconferência, a administração do banco ainda destacou que o crescimento do lucro líquido recorrente deve ser um pouco menor no segundo semestre em relação ao primeiro, quando lucrou R$ 10 bilhões (alta de 48,4% frente à primeira metade de 2020). Isso porque os encargos de provisão foram anormalmente menores no primeiro semestre.

Além disso, a administração acredita que a receita líquida de juros continuará pressionada por maiores custos de captação em função da alta da Selic, reforçando a avaliação de que um cenário mais competitivo deve limitar o crescimento dos spreads, embora tenham indicado que o mix de crédito deve melhorar no segundo semestre.

Desafios: impacto da reforma tributária e concorrência

O Banco do Brasil também destacou em teleconferência que a  definição da reforma tributária e seus potenciais impactos são essenciais para qualquer decisão de alocação de capital. A empresa destaca seus níveis de capital robustos, mas deve aguardar um cenário menos incerto para tomar uma decisão sobre como consumir a elevada base de capital.

O tema sobre reforma tributária, por sinal, foi destaque entre os bancos. Se a atual proposta do governo da reforma tributária for mantida, o Bradesco avalia que terá que reconhecer no seu balanço uma baixa expressiva de crédito tributário em função das mudanças de alíquotas de impostos previstas. Com relação ao fim do pagamento de  juros sobre o capital próprio (JCP), a previsão é que isso intensifique a recompras de ações, que seria uma forma de dar retorno aos acionistas.

“Cada vez o governo tem uma proposta diferente, mas considerando a última, nós e outros bancos teremos que fazer uma baixa expressiva de crédito tributário no fim do ano. Mas levando em conta todas as mudanças, ainda vemos um efeito positivo para o acionista”, disse Carlos Firetti, diretor de relações com investidores do Bradesco.

Já Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú, disse que a reforma tributária é essencial e vai na direção correta, mas disse que é preciso se pensar em modelos de transição para alguns pontos. Isso por conta dos efeitos relevantes no curto prazo, destacando também o possível fim do JCP e a possível redução na alíquota de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica. Apesar de isso ser bom no longo prazo, ele explicou que, se essa mudança de fato ocorrer, as instituições terão de fazer uma reavaliação dos seus créditos tributários, gerando um impairment [ou baixa contábil] grande.

Com relação à concorrência, a Levante ressalta que o tema no setor vem sendo debatido há bastante tempo e incentivado pelos órgãos reguladores, principalmente com a entrada das fintechs e bancos digitais. Enquanto o Bradesco tenta criar um banco digital separadamente (o Next), o Itaú investe em se tornar mais ágil e operar de maneira mais parecida com as fintechs, avaliam os analistas da casa de research.

Eles ainda apontam que, com o avanço no cronograma do open banking, as instituições financeiras mais estabelecidas, em especial os adquirentes, têm seu lucro mais ameaçado, uma vez que o compartilhamento dos dados beneficia os novos entrantes, que antes tinham poucas informações.

No entanto, o novo ambiente também se mostra uma oportunidade para que os grandes bancos possam utilizar sua inteligência de dados para concessão de crédito para expandir sua oferta para além de seus clientes. “Dessa forma, podemos entender este novo cenário tanto como uma ameaça quanto uma oportunidade para o banco”, avaliam.

A XP destaca ainda a iniciativa iVarejo, do Itaú, uma estratégia de omnichannel do banco que permitirá aos clientes interagir com o banco por meio de suas operações físicas e digitais integradas, segue avançando no seu esforço de integrar as agências físicas do banco com o seu superapp. O banco atingiu a maior pontuação de net promoter score (o NPS, ferramenta que mede a satisfação dos clientes) em seu aplicativo, o que os analistas da XP veem com bons olhos, já que o mundo digital será o principal campo de batalha para absorver novos clientes no futuro.

Já durante teleconferência, Octavio Lazari Jr., CEO do Bradesco, falou sobre o Next, destacando principalmente as perspectivas para a abertura de capital e que é visto como um dos catalisadores para a ação do banco. O banco digital apresentou resultados positivos no período, com crescimento anual de 99% na base clientes, atingindo 5,4 milhões usuários, além de uma redução de 31% nas despesas por cliente. Segundo o CEO, não haverá abertura de capital do Next no ano que vem, mas isso pode ocorrer em 2023.

Enquanto isso, o Santander Brasil terá que lidar com outro desafio além dos já postos. Sérgio Rial, que realizou um turnaround na companhia, deixará o cargo de CEO e assumirá o cargo de Presidente do Conselho de Administração em 1º de janeiro de 2022. Mario Opice Leão, que ingressou na diretoria do banco em 2015, foi nomeado o novo CEO, e também será nomeado para um cargo no Conselho de Administração. O processo ainda está pendente das aprovações regulatórias relevantes.

“Essa notícia era de alguma forma esperada pelo mercado, embora o timing possa ser uma surpresa. Ressaltamos que Sérgio Rial liderou um importante processo de turnaround no banco, e sua presença no Conselho de Administração pode ser um sinal de que a estratégia deve continuar”, avalia o BBI. Já a XP ressalta que a notícia é negativa, dada a importância do atual CEO para a estratégia do banco.

Já para o Banco do Brasil, o BBI ressalta que, apesar do banco estatal mostrar evolução dos números, o mercado está focado na formação de receita, especialmente na receita líquida de juros com clientes. Assim, por não verem um catalisador de curto prazo e qualidade de lucro relativamente mais fraca em comparação com seus pares do setor privado, os analistas do banco possuem recomendação neutra para BBAS3. Por outro lado,  a XP reiterou recomendação de compra com um preço-alvo de R$ 52, pois vê o banco negociando a um múltiplo barato de 4,5 vezes o preço sobre o lucro, embora os fundamentos pareçam sólidos.

Assim, a projeção é de continuidade da recuperação para os bancos com a expectativa de continuidade da retomada da economia com a vacinação. Enquanto isso, a inadimplência, a competição maior no setor (que já ganhava destaque no noticiário desde antes da pandemia) e os impactos da reforma tributária no curto prazo seguem sendo observados de perto pelos investidores.

Confira abaixo a recomendação dos analistas para os bancos, de acordo com consenso Refinitiv: 

Instituição Ticker Recomendações de compra Recomendações neutra Recomendações de venda Preço-alvo médio Potencial de valorização (%)*
Santander (SANB11) 4 10 1 R$ 45,45 +11,2%
Itaú  (ITUB4) 12 4 0 R$ 35,47 +15%
Bradesco  (BBDC4) 15 2 0 R$ 30,31 +28%
Banco do Brasil  (BBAS3) 10 6 0 R$ 43,84 +38%
*em relação ao fechamento de 6 de agosto de 2021

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Entre maior lucro trimestral da história e mudança de CEO em cenário desafiador, o que esperar para o Santander Brasil?

Santander app (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Santander Brasil (SANB11) inaugurou a temporada de balanços do segundo trimestre para os grandes bancos, com números que, a princípio, animaram os investidores e os analistas de mercado. Contudo, algumas linhas do balanço seguem gerando dúvidas sobre a sustentabilidade dos números da instituição financeira, enquanto a notícia de mudança de gestão também está sendo repercutida no mercado.

O Santander Brasil apresentou lucro líquido gerencial, que não considera ágio de aquisições, de R$ 4,171 bilhões, no segundo trimestre deste ano, o maior nível da história da instituição, e com alta de 5,4% na variação trimestral e de 98,4% na comparação anual, ficando 5,7% acima do esperado pelo consenso Bloomberg.

Já o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês), ficou em 21,6%, acima dos 20,6% registrados no primeiro trimestre deste ano, e muito próximo à rentabilidade de 21,7% obtida um ano antes, quando excluídos os efeitos das provisões extraordinárias realizadas naquele período.

Os resultados melhores do que o esperado, aponta o Bradesco BBI, foram explicados principalmente por despesas controladas e provisões abaixo do esperado, parcialmente compensados por resultados de tesouraria mais fracos, impactando a receita líquida.

Enquanto isso, o crescimento recorrente do lucro líquido foi impulsionado principalmente por uma forte redução em outras despesas, com queda de 14,6% na variação trimestral e de 16% na variação anual, juntamente com o crescimento das receitas de comissões (alta de 7,6% na variação trimestral e 26,8% na variação anual).

Já a receita de juros líquida ficou relativamente estável na variação trimestral (queda de 1,5% na variação anual), com ganhos comerciais mais fracos. A instituição também apontou que as despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos ficaram em R$ 3,325 bilhões, alta de 5,2% ante os primeiros três meses do ano e com baixa de 0,3% em relação ao segundo trimestre de 2020.

“O Santander Brasil apresentou um bom conjunto de resultados no segundo trimestre, mostrando tendências positivas no crescimento do crédito, com melhor mix e evolução positiva da receita líquida de juros com clientes, e nas receitas de tarifas, refletindo a melhor atividade econômica”, apontaram os analistas do Bradesco BBI.

Entretanto, os analistas do banco destacaram que as provisões aumentaram no trimestre, enquanto o índice de cobertura – relação entre empréstimos inadimplentes e provisões – diminuiu para 263%, embora a taxa de inadimplência se mantenha relativamente sob controle.

A equipe de análise da XP aponta também que, do lado negativo, o resultado foi impulsionado principalmente pelo consumo de cobertura, embora o custo do crédito tenha ficado 9% acima das estimativas dos analistas da casa. Nos últimos balanços, os analistas já haviam destacado que os resultados poderiam ser pressionados mais à frente, uma vez que a instituição possui um menor índice de cobertura em relação aos seus pares no setor. Nos últimos trimestres, o banco decidiu não fazer tantas provisões quanto seus pares privados.

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“No geral, mantemos nossa visão de que o consumo do balanço abaixo do provisionado do Santander não será capaz de sustentar seus ganhos”, avalia a XP, que mantém a recomendação recém-revisada para o ativo SANB11 de venda, com preço-alvo de R$ 36.

O Itaú BBA avaliou que os resultados foram positivos, mas ponderou que a margem financeira com clientes, que reflete operações do banco que rendem juros, alcançou R$ 11,473 bilhões no segundo trimestre, uma alta modesta de 1,6% ante o primeiro trimestre na sequência de menores spreads (ou a diferença entre a taxa de juros cobrada aos tomadores de crédito e a taxa de juros paga aos depositantes pelos bancos).

Assim, essa linha do resultado, em conjunto com outro anúncio bastante importante feito pela companhia, poderia moderar a reação do mercado, na visão dos analistas. Cabe ressaltar que a sessão é de forte volatilidade para os papéis SANB11, que abriram com ganhos, que chegaram a ser de 1,97% (R$ 42,01), viraram para queda, de até 2,31% (a R$ 40,25), sendo que, por volta da 13h30 (horário de Brasília), os ativos subiam 0,66%, a R$ 41,47.

O outro anúncio que impactou o mercado foi o da saída de Sérgio Rial da presidência do banco no fim deste ano. Ele passará a assumir as funções de Presidente do Conselho de Administração em 1º de janeiro de 2022.

Mario Opice Leão, que ingressou na diretoria do banco em 2015, foi nomeado o novo CEO, e também será nomeado para um cargo no Conselho de Administração. O processo ainda está pendente das aprovações regulatórias relevantes.

O Morgan Stanley também avaliou que saída do atual CEO poderia reduzir o entusiasmo com os papéis, levando em conta os resultados do Santander como fortes e que refletem uma boa execução da gestão.

O que esperar do novo CEO?

Para a XP, o movimento de saída de Rial do cargo é negativo para o banco, uma vez que ele foi o líder da transformação que moveu o Santander de um banco com ROE de cerca de 12% para um banco com ROE de 22%.

Já para o BBI, a notícia era de alguma forma esperada pelo mercado, embora o timing possa ser uma surpresa. “Ressaltamos que Sérgio Rial liderou um importante processo de turnaround no banco, e sua presença no Conselho de Administração pode ser um sinal de que a estratégia deve continuar”, apontam os analistas.

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Em teleconferência com o mercado, Rial destacou que haverá um elevado grau de continuidade na estratégia do banco, apesar da mudança de gestão. Ele também apontou que vem preparando sua sucessão há dois anos e que continuará ajudando na gestão do banco.

O executivo pretende se despedir do cargo entregando fortes números do banco. “O Santander apresentará seus resultados mais fortes da história este ano”, disse Rial a analistas e repórteres na teleconferência.

Também apontando a importância do atual CEO para conduzir uma mudança significativa na cultura do banco nos
últimos seis anos e alavancar a franquia do banco no país – tornando-se a subsidiária mais relevante do Grupo Santander -, os analistas do BBI ressaltam que Leão terá um certo desafio pela frente.

“Ele precisará manter não apenas o alto nível atual de ROE, mas também a cultura desenvolvida durante os últimos seis anos. Além disso, Leão terá a tarefa de liderar a transformação digital do banco, adaptando-se à nova realidade imposta pelo open banking, além de precisar competir com os bancos digitais e fintechs”, avalia o BBI, que possui recomendação neutra para as units do banco, com preço-alvo de R$ 47.

“Esperamos uma transição suave, considerando o tempo antes da mudança e o fato de Rial ocupar o cargo de presidente do Conselho do Santander Brasil”, escreveram analistas do Credit Suisse em nota a clientes.

Desde que assumiu a direção do Santander Brasil, há quase seis anos, Rial vem assumindo posições mais globais no Banco Santander da Espanha. Em 2019, tornou-se presidente do banco na América do Sul e no ano passado passou a fazer parte do conselho do grupo como diretor.

Ele disse que não há discussão sobre um novo papel global, mas acrescentou que estará mais envolvido na estratégia de pagamentos do banco. No ano passado, o Santander agrupou seus negócios de pagamentos ao consumidor e ao comércio no “PagoNxt” para construir uma marca de tecnologia financeira distinta de seu núcleo bancário.

Para os analistas da Levante, os principais catalisadores para as ações do Santander são a retomada acelerada da economia brasileira com a vacinação e também novos desenvolvimentos quanto ao IPO da companhia de adquirência Getnet, que deve dar aos acionistas do banco ações da nova empresa.

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Enquanto isso, a maior parte dos analistas segue cautelosa com os papéis do banco. De acordo com compilação da Refinitiv, de 15 casas que cobrem o ativo, quatro possuem recomendação de compra, dez de manutenção e uma de venda. O preço-alvo médio é de R$ 45,01, ou um potencial de alta de 9,22% em relação ao fechamento da véspera.

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Ações da WEG saltam 6% entre balanço e dividendos, enquanto Santander vira para leve queda; Vale sobe antes de resultado

Fábrica da Weg (Divulgação)

SÃO PAULO – As ações das empresas que divulgaram resultado são destaque nesta quarta-feira (28). No Ibovespa, atenção para as ações da WEG (WEGE3), que avançam cerca de 6% também na esteira do pagamento de dividendos.

Já o Santander Brasil (SANB11) abriu com ganhos de cerca de 1%, passou a ter alta mais forte e passou a ter baixa, entre resultados fortes do segundo trimestre e a notícia de que o CEO Sérgio Rial deixará a presidência do banco e irá para o conselho de Administração. Por outro lado, Assaí (ASAI3) cai cerca de 1% e Carrefour Brasil (CRFB3) tem baixa de mais de 2% após os resultados.

As ações da Vale (VALE3) avançam quase 2% às vésperas do balanço, que será divulgado nesta quarta após o fechamento. Analistas esperam resultados recordes da Vale no 2º trimestre na esteira da valorização do minério.

Enquanto isso, as ações da OceanPact (OPCT3) sobem mais de 7% após derrocada de 35,4% nas duas últimas sessões. Veja mais aqui.

Confira os destaques:

Estreias na Bolsa

Atenção às estreias da B3. As ações de TC têm seu primeiro pregão nesta quarta após a ação ser precificada a R$ 9,50 em oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês). O ticker de negociação da empresa de serviços para traders, que captou R$ 700 milhões na operação, é TRAD3.

Outra ação com estreia prevista é a Armac, com precificação a R$ 16,63 e captando R$ 1,5 bilhão. A empresa de locação de equipamentos mecânicos vai negociar com o ticker ARML3.

A Oi, em recuperação judicial, precificou oferta no mercado internacional de títulos de dívida (sênior notes) emitidas pela Oi Móvel no valor total de US$ 880 milhões (por volta de R$ 4,549 bilhões na cotação atual).

Eles terão vencimento em julho de 2026 e juros remuneratórios semestrais de 8,75% ao ano.

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De acordo com a companhia, os recursos líquidos obtidos com a emissão serão utilizados para o pagamento das debêntures da primeira emissão da Oi Móvel, com vencimento em janeiro de 2022 e valor principal de R$ 2,5 bilhões e o restante para fins corporativos gerais.

Santander Brasil (SANB11)

Na temporada de resultados, o Santander Brasil registrou lucro líquido gerencial de R$ 4,171 bilhões no segundo trimestre de 2021, alta de 98,4% frente igual período do ano anterior e avanço de 5,4% ante o trimestre imediatamente antecedente.

O banco ainda anunciou na véspera que Mario Roberto Opice Leão será o presidente-executivo do banco a partir de janeiro de 2022, em uma ampla reformulação do comando da franquia do grupo espanhol que também levará o atual CEO, Sergio Rial, para a presidência do conselho de administração. Leão, que completou 46 anos na semana passada, passou por várias instituições financeiras, incluindo Citigroup, Goldman Sachs e Morgan Stanley, antes de chegar ao Santander, onde está desde outubro de 2015, sendo mais recentemente vice-presidente responsável pela unidade de atacado.

Para o Bradesco BBI, o Santander Brasil apresentou um bom conjunto de resultados no trimestre, mostrando tendências positivas no crescimento do crédito, com melhor mix e evolução positiva da receita líquida de juros com clientes, e nas receitas de tarifas, refletindo a melhor atividade econômica. “Entretanto, notamos que as provisões aumentaram no trimestre, enquanto o índice de cobertura diminuiu para 263%, embora a taxa de inadimplência se mantenha relativamente sob controle”, apontam os analistas.

O Morgan Stanley avaliou os resultados do Santander como fortes, ressaltando a alta do lucro, 10% acima de sua estimativa de R$ 3,798 bilhões. O banco diz que os resultados são sólidos e refletem uma boa execução da gestão. Por outro lado, avalia que a saída do atual CEO pode reduzir o entusiasmo com os papéis. O Morgan Stanley reiterou sua avaliação overweight (perspectiva de valorização acima da média do mercado) para o Santander, com preço-alvo de US$ 10, frente à cotação de US$ 7,88 na Bolsa de Nova York.

O Bradesco BBI também comentou a notícia de que Sérgio Rial deve assumir como presidente do conselho diretor do Santander, e de que Álvaro de Souza deixará o cargo, mas permanecerá, assim como Rial, como conselheiro independente do Grupo Santander na Espanha.

O banco diz que a notícia já era esperada pelo mercado, mas diz que o timing pode ter sido uma surpresa. O Bradesco ressalta que Sérgio Rial teve um papel importante na retomada do desempenho do banco, e que sua presença na junta diretora pode ser um sinal de que a estratégia deve continuar. O BBI diz que, durante o mandato de Rial, o Santander Brasil se tornou o subsidiário mais importante do Grupo Santander. Considerando a relevância de Rial para o banco, avalia que Leão terá um grande desafio à frente para manter a cultura desenvolvida nos últimos seis anos, e para manter o atual patamar de retorno sobre o patrimônio líquido, elevado nos últimos anos para entre 20% e 21%, frente ao patamar de entre 12% e 13% de 2016. Também será necessário competir com outros grandes bancos e com fintechs.

O Bradesco BBI mantém avaliação neutra sobre o Santander, e preço-alvo de R$ 47 para os papéis SANB11, negociados na terça por R$ 41,2.

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A rede de atacarejo Assaí teve alta de 62% no lucro líquido do segundo trimestre ante mesmo período de 2020, para R$ 305 milhões, informou a companhia na terça-feira.

O Ebitda ajustado foi de R$ 793 milhões, crescimento de 33% na comparação anual. A companhia, controlada pelo francês Casino, inaugurou no trimestre três lojas, ampliando a base total no país para 187 unidades.

A receita do Assaí, por sua vez, chegou a R$ 10,049 bilhões, o que representa 22,2% de crescimento na base anual de comparação.

O Itaú BBA afirma que os dados divulgados pelo Assaí superam suas estimativas, que já eram otimistas. O banco ressalta que as vendas em mesmas lojas subiram 9,2%, apesar de um patamar difícil de comparação, e a abertura de 19 novas lojas em 12 meses levaram a uma alta de 22% na receita líquida em um ano. A margem bruta chegou a 16,8%, alta de 0,6 ponto percentual na comparação anual, por conta de uma participação maior dos consumidores finais nas rendas totais, e por uma boa performance nas novas lojas. E a margem Ebitda ficou em 7,5%, alta de 0,3 ponto percentual em um ano, levando a uma receita líquida maior do que o esperado, de R$ 264 milhões.

Assim, o Itaú mantém avaliação outperform para o Assaí, e preço-alvo para 2021 em R$ 100, frente à cotação de R$ 89 de terça.

Carrefour Brasil (CRFB3)

O grupo Carrefour Brasil teve queda de 16,8% no lucro líquido do segundo trimestre ante mesmo período de 2020, a R$ 592 milhões. A companhia, que também é dona da bandeira de atacarejo Atacadão, teve Ebitda ajustado de R$ 1,37 bilhão no período, recuo ano a ano de 3,6%.

As vendas mesmas lojas consolidadas do grupo subiram 3,4%, excluindo combustíveis e efeito calendários. O efeito foi produzido por crescimento de 10,2% nas vendas mesmas lojas do Atacadão e retração de 11,4% na bandeira Carrefour.

A CSN teve um lucro líquido de R$ 5,5 bilhões no 2º trimestre de 2021, baixa de 3% na comparação com o primeiro trimestre de 2021, mas com avanço de 1.136,3% na comparação com igual período de 2020.

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O lucro atribuído aos controladores foi de R$ 4,96 bilhões no segundo trimestre deste ano, o que representa alta de 1.338,6% frente igual período de 2020.

O Ebitda ajustado, que soma ao resultado depreciação, amortização, tributos, participação em investimentos e efeitos extraordinários, além da participação proporcional das controladas MRS Logística e CBSI, teve alta de 324,6%, para R$ 8,174 bilhões.

CSN Mineração (CMIN3)

A CSN Mineração registrou resultados recordes no segundo trimestre de 2021, com Ebitda de R$ 4,96 bilhões, 2% acima da estimativa do BBI de R$ 4,87 bilhões, alta de 35% em relação ao trimestre anterior e alta de 256% em base anual.

Os principais destaques no trimestre foram: (i) As vendas de minério de ferro alcançaram 9,1 milhões de toneladas (em linha com o estimado pelo BBI), alta de 11% no trimestre e + 18% em base anual; (ii) a realização de preço veio 2% mais forte versus estimado pelo BBI e alta de 26% em relação ao trimestre anterior; (iii) desempenho de custos em linha, embora ainda em alta no trimestre, impactado por maiores taxas de frete, custos de aquisição de terceiros e despesas portuárias; (iv) despesas com vendas, gerais e administrativas/tonelada acima do esperado; (v) Geração de fluxo de caixa livre forte, em cerca de R$ 2,9 bilhões, com dívida líquida/Ebitda abaixo de 0,4 vez.

A CMIN anunciou dividendos de R$ 1,8 bilhão relativos ao primeiro semestre de 2021, implicando em um payout ratio de 38%, abaixo da expectativa de payout de 80% do banco.

Os analistas mantêm recomendação de compra para CSN Mineração (preço-alvo de R$ 14,00).

A Unidas registrou um lucro líquido recorrente de R$ 241,2 milhões no segundo trimestre de 2021, ante R$ 1,7 milhão no mesmo período do ano passado, informou a companhia em balanço enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na terça-feira, 27.

Já o Ebitda recorrente alcançou R$ 557,2 milhões de abril a junho, alta de 167,1% na comparação com igual período do ano anterior. A margem Ebitda foi de 75,4% no segundo trimestre, avanço de 32 pontos porcentuais ante o mesmo período de 2020.

A receita líquida consolidada da companhia atingiu R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre, alta de 74,7% ante igual intervalo de 2020.

“A receita líquida consolidada da companhia apresentou crescimento robusto no segundo trimestre, sustentada pela forte expansão da receita de todos os segmentos de negócio. Vale destacar o desempenho de locação, que quebrou recorde neste trimestre”, disse a Unidas em relatório, acrescentando que o negócio de locação “foi impulsionado pela força e resiliência da operação de terceirização de frotas e pela rápida retomada em aluguel de carros.”

Telefônica Brasil (VIVT3)

A Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, lucrou R$ 1,345 bilhão no segundo trimestre de 2021, crescimento de 20,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Ebitda recorrente da empresa totalizou R$ 4,226 bilhões, valor 3% acima do registrado no segundo trimestre de 2020.

A receita da Telefônica, por sua vez, chegou a R$ 10,649 bilhões, o que representa 3,2% de crescimento na base anual de comparação.

Segundo a administração, a base de clientes totalizou 97 milhões de acessos, cinco milhões a mais do que no segundo trimestre de 2020.

No negócio de fibra óptica, a companhia chegou a 77 cidades, adicionando 4,3 milhões de casas passadas.

“Ao final do trimestre, somamos 17,3 milhões de casas passadas distribuídas em 293 cidades. Em julho de 2021, a FiBrasil, empresa de rede neutra de fibra por atacado criada em conjunto com a Tef Infra e CDPQ, iniciou sua operação com o objetivo de expandir a cobertura de fibra no Brasil. Essa capilaridade nos permite acelerar o volume de clientes conectados, aumentando a taxa de penetração da rede e, consequentemente, capturando o retorno dos investimentos”, comenta a gestão.

Em entrevista nesta quarta antes da call com analistas sobre os resultados do segundo trimestre de 2021, Christian Gebara, presidente da Telefônica Brasil, disse que espera que a aprovação da compra da Oi Móvel pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatal) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aconteça ainda no segundo semestre de 2021.

Gerbara disse que “a compra foi muito bem pensada” e que a “empresa considerou todas as limitações que poderiam existir em termos de atuação”. “Temos expectativa de que no segundo semestre deste ano a gente tenha a aprovação tanto da Anatel quanto do Cade. Estamos provendo todas as informações para que eles façam a avaliação”, disse. “É uma operação que envolve empresas grandes e, por isso, o Cade a classifica como complexa, mas sempre foi pensada com a maior distribuição competitiva possível”, completou.

O Bradesco BBI avaliou os resultados da Telefônica Brasil relativos ao segundo trimestre como em linha com o consenso do mercado. O banco acredita que o mercado vê os resultados como neutros ou levemente positivos. As receitas do segmento móvel vêm melhorando sequencialmente.

O banco mantém recomendação neutra (perspectiva de valorização dentro da média do mercado) para a Telefônica, e preço-alvo de R$ 61.

A Vamos, empresa de locação de caminhões e equipamentos do grupo Simpar (ex-JSL), registrou lucro recorde no segundo trimestre de 2021, de R$ 100 milhões. O valor representou uma alta de 154,8% ante igual período do ano passado.

A receita líquida também dobrou, a R$ 665,6 milhões, ante R$ 329,9 milhões registrados no segundo trimestre de 2020.

A WEG registrou lucro líquido de R$ 1,134 bilhão no segundo trimestre de 2021, alta de 120,6% na base de comparação anual.

O resultado foi positivamente impactado pelo reconhecimento dos créditos tributários referentes à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. O resultado financeiro de R$ 129,9 milhões e o aumento no imposto de renda auferido desses créditos, de R$ 147,5 milhões, também tiveram impacto sobre o lucro.

Sem esses efeitos, não recorrentes, o lucro líquido seria R$ 851,9 milhões, alta de 65,6% na comparação anual.

Já o Ebitda foi de R$ 1,392 bilhão, avanço de 90,2% na base anual, enquanto a receita operacional líquida teve crescimento de 41,4%, a R$ 5,748 bilhões.

A companhia também informou que pagará cerca de R$ 663 milhões em dividendos.

A Camil Alimentos informou na noite de terça-feira que a sua controlada Camilatam Ecuador fechou acordo avaliado em US$ 36,5 milhões para adquirir os ativos, direitos, marcas e contratos relacionados aos negócios de produção e processamento de arroz da Agroindustrias Dajahu.

O anúncio de aquisição de ativos incluiu a totalidade das ações de emissão da companhia Transportes Ronaljavhu no Equador.

As unidades envolvidas no acordo operam no Equador entre as líderes em marca de arroz, com “market share significativo e elevado potencial de crescimento”, destacou a Camil em fato relevante.

“A operação está alinhada com a estratégia da companhia e representa um importante passo para a expansão da Camil na América Latina em novas geografias”, acrescentou.

A empresa disse ainda que celebrou com a IFC uma carta-mandato para o financiamento de 100% da aquisição. A concessão do empréstimo está sujeita à realização de diligências e a negociação dos contratos definitivos.

O Tribunal de Recursos de Londres concordou na terça-feira em reabrir um processo de US$ 7 bilhões contra a mineradora anglo-australiana BHP pelo rompimento de uma barragem em Mariana (MG) em 2015, que causou o maior desastre ambiental da história do Brasil. O colapso da barragem de Fundão, pertencente à Samarco –joint venture entre BHP e a brasileira Vale–, matou 19 pessoas e fez com que uma enxurrada de mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos invadisse o rio Doce e atingisse o Oceano Atlântico, a mais de 650 quilômetros do local do desastre.

Um grupo formado por cerca de 200 mil reclamantes brasileiros vinha tentando ressuscitar o processo movido na Inglaterra contra a BHP desde que um tribunal inferior suspendeu a ação em novembro, alegando abuso processual, e um juiz do Tribunal de Recursos manteve a decisão.

Na terça, a Samarco informou que a Justiça de Minas Gerais a autorizou a obter um financiamento de US$ 228 milhões na modalidade DIP para suprir suas necessidades de caixa, no âmbito de sua recuperação judicial. Na decisão, o juiz condiciona a utilização do recurso para fins exclusivos da operação da Samarco e não define a origem do empréstimo, disse a empresa. A companhia havia pedido o aval da Justiça para receber o financiamento de suas donas, a brasileira Vale e a BHP, alegando que ambas as mineradoras teriam feito a melhor proposta.

Na terça, a Petrobras informou que assinou contrato com a holandesa SBM Offshore para arrendamento e operação da plataforma do tipo FPSO Almirante Tamandaré, para o campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. A unidade será a sexta definitiva a entrar em operação em Búzios e a maior produtora de petróleo do litoral brasileiro, com capacidade de processamento diário de 225 mil barris de óleo e 12 milhões de metros cúbicos de gás.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Oi faz emissão de US$ 880 mi em títulos da dívida, estreias na Bolsa, balanços de Santander, CSN, Carrefour, Vivo e mais

Logo da Oi (OIBR3) (Reprodução/Facebook)

SÃO PAULO – O noticiário corporativo desta quarta-feira (28) é bastante movimentado nesta quinta-feira, com duas estreias na Bolsa brasileira, a Oi emitindo US$ 880 milhões em títulos da dívida com juros de 8,75%, além da temporada intensa de resultados.

Entre os balanços, estão o de Santander Brasil, CSN, Vivo, Assaí, Carrefour Brasil, WEG, entre outras. Depois do fechamento, será revelado o resultado da Vale. Confira os destaques:

Estreias na Bolsa

Atenção às estreias da B3. As ações de TC têm seu primeiro pregão nesta quarta após a ação ser precificada a R$ 9,50 em oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês). O ticker de negociação da empresa de serviços para traders, que captou R$ 700 milhões na operação, é TRAD3.

Outra ação com estreia prevista é a Armac, com precificação a R$ 16,63 e captando R$ 1,5 bilhão. A empresa de locação de equipamentos mecânicos vai negociar com o ticker ARML3.

A Oi, em recuperação judicial, precificou oferta no mercado internacional de títulos de dívida (sênior notes) emitidas pela Oi Móvel no valor total de US$ 880 milhões (por volta de R$ 4,549 bilhões na cotação atual).

Eles terão vencimento em julho de 2026 e juros remuneratórios semestrais de 8,75% ao ano.

De acordo com a companhia, os recursos líquidos obtidos com a emissão serão utilizados para o pagamento das debêntures da primeira emissão da Oi Móvel, com vencimento em janeiro de 2022 e valor principal de R$ 2,5 bilhões e o restante para fins corporativos gerais.

Santander Brasil (SANB11)

Na temporada de resultados, o Santander Brasil registrou lucro líquido gerencial de R$ 4,171 bilhões no segundo trimestre de 2021, alta de 98,4% frente igual período do ano anterior e avanço de 5,4% ante o trimestre imediatamente antecedente.

O banco ainda anunciou na véspera que Mario Roberto Opice Leão será o presidente-executivo do banco a partir de janeiro de 2022, em uma ampla reformulação do comando da franquia do grupo espanhol que também levará o atual CEO, Sergio Rial, para a presidência do conselho de administração. Leão, que completou 46 anos na semana passada, passou por várias instituições financeiras, incluindo Citigroup, Goldman Sachs e Morgan Stanley, antes de chegar ao Santander, onde está desde outubro de 2015, sendo mais recentemente vice-presidente responsável pela unidade de atacado.

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Para o Bradesco BBI, o Santander Brasil apresentou um bom conjunto de resultados no trimestre, mostrando tendências positivas no crescimento do crédito, com melhor mix e evolução positiva da receita líquida de juros com clientes, e nas receitas de tarifas, refletindo a melhor atividade econômica. “Entretanto, notamos que as provisões aumentaram no trimestre, enquanto o índice de cobertura diminuiu para 263%, embora a taxa de inadimplência se mantenha relativamente sob controle”, apontam os analistas.

O Morgan Stanley avaliou os resultados do Santander como fortes, ressaltando a alta do lucro, 10% acima de sua estimativa de R$ 3,798 bilhões. O banco diz que os resultados são sólidos e refletem uma boa execução da gestão. Por outro lado, avalia que a saída do atual CEO pode reduzir o entusiasmo com os papéis. O Morgan Stanley reiterou sua avaliação overweight (perspectiva de valorização acima da média do mercado) para o Santander, com preço-alvo de US$ 10, frente à cotação de US$ 7,88 na Bolsa de Nova York.

O Bradesco BBI também comentou a notícia de que Sérgio Rial deve assumir como presidente do conselho diretor do Santander, e de que Álvaro de Souza deixará o cargo, mas permanecerá, assim como Rial, como conselheiro independente do Grupo Santander na Espanha.

O banco diz que a notícia já era esperada pelo mercado, mas diz que o timing pode ter sido uma surpresa. O Bradesco ressalta que Sérgio Rial teve um papel importante na retomada do desempenho do banco, e que sua presença na junta diretora pode ser um sinal de que a estratégia deve continuar. O BBI diz que, durante o mandato de Rial, o Santander Brasil se tornou o subsidiário mais importante do Grupo Santander. Considerando a relevância de Rial para o banco, avalia que Leão terá um grande desafio à frente para manter a cultura desenvolvida nos últimos seis anos, e para manter o atual patamar de retorno sobre o patrimônio líquido, elevado nos últimos anos para entre 20% e 21%, frente ao patamar de entre 12% e 13% de 2016. Também será necessário competir com outros grandes bancos e com fintechs.

O Bradesco BBI mantém avaliação neutra sobre o Santander, e preço-alvo de R$ 47 para os papéis SANB11, negociados na terça por R$ 41,2.

A rede de atacarejo Assaí teve alta de 62% no lucro líquido do segundo trimestre ante mesmo período de 2020, para R$ 305 milhões, informou a companhia na terça-feira.

O Ebitda ajustado foi de R$ 793 milhões, crescimento de 33% na comparação anual. A companhia, controlada pelo francês Casino, inaugurou no trimestre três lojas, ampliando a base total no país para 187 unidades.

A receita do Assaí, por sua vez, chegou a R$ 10,049 bilhões, o que representa 22,2% de crescimento na base anual de comparação.

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O Itaú BBA afirma que os dados divulgados pelo Assaí superam suas estimativas, que já eram otimistas. O banco ressalta que as vendas em mesmas lojas subiram 9,2%, apesar de um patamar difícil de comparação, e a abertura de 19 novas lojas em 12 meses levaram a uma alta de 22% na receita líquida em um ano. A margem bruta chegou a 16,8%, alta de 0,6 ponto percentual na comparação anual, por conta de uma participação maior dos consumidores finais nas rendas totais, e por uma boa performance nas novas lojas. E a margem Ebitda ficou em 7,5%, alta de 0,3 ponto percentual em um ano, levando a uma receita líquida maior do que o esperado, de R$ 264 milhões.

Assim, o Itaú mantém avaliação outperform para o Assaí, e preço-alvo para 2021 em R$ 100, frente à cotação de R$ 89 de terça.

Carrefour Brasil (CRFB3)

O grupo Carrefour Brasil teve queda de 16,8% no lucro líquido do segundo trimestre ante mesmo período de 2020, a R$ 592 milhões. A companhia, que também é dona da bandeira de atacarejo Atacadão, teve Ebitda ajustado de R$ 1,37 bilhão no período, recuo ano a ano de 3,6%.

As vendas mesmas lojas consolidadas do grupo subiram 3,4%, excluindo combustíveis e efeito calendários. O efeito foi produzido por crescimento de 10,2% nas vendas mesmas lojas do Atacadão e retração de 11,4% na bandeira Carrefour.

A CSN teve um lucro líquido de R$ 5,5 bilhões no 2º trimestre de 2021, baixa de 3% na comparação com o primeiro trimestre de 2021, mas com avanço de 1.136,3% na comparação com igual período de 2020.

O lucro atribuído aos controladores foi de R$ 4,96 bilhões no segundo trimestre deste ano, o que representa alta de 1.338,6% frente igual período de 2020.

O Ebitda ajustado, que soma ao resultado depreciação, amortização, tributos, participação em investimentos e efeitos extraordinários, além da participação proporcional das controladas MRS Logística e CBSI, teve alta de 324,6%, para R$ 8,174 bilhões.

CSN Mineração (CMIN3)

A CSN Mineração registrou resultados recordes no segundo trimestre de 2021, com Ebitda de R$ 4,96 bilhões, 2% acima da estimativa do BBI de R$ 4,87 bilhões, alta de 35% em relação ao trimestre anterior e alta de 256% em base anual.

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Os principais destaques no trimestre foram: (i) As vendas de minério de ferro alcançaram 9,1 milhões de toneladas (em linha com o estimado pelo BBI), alta de 11% no trimestre e + 18% em base anual; (ii) a realização de preço veio 2% mais forte versus estimado pelo BBI e alta de 26% em relação ao trimestre anterior; (iii) desempenho de custos em linha, embora ainda em alta no trimestre, impactado por maiores taxas de frete, custos de aquisição de terceiros e despesas portuárias; (iv) despesas com vendas, gerais e administrativas/tonelada acima do esperado; (v) Geração de fluxo de caixa livre forte, em cerca de R$ 2,9 bilhões, com dívida líquida/Ebitda abaixo de 0,4 vez.

A CMIN anunciou dividendos de R$ 1,8 bilhão relativos ao primeiro semestre de 2021, implicando em um payout ratio de 38%, abaixo da expectativa de payout de 80% do banco.

Os analistas mantêm recomendação de compra para CSN Mineração (preço-alvo de R$ 14,00).

A Unidas registrou um lucro líquido recorrente de R$ 241,2 milhões no segundo trimestre de 2021, ante R$ 1,7 milhão no mesmo período do ano passado, informou a companhia em balanço enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na terça-feira, 27.

Já o Ebitda recorrente alcançou R$ 557,2 milhões de abril a junho, alta de 167,1% na comparação com igual período do ano anterior. A margem Ebitda foi de 75,4% no segundo trimestre, avanço de 32 pontos porcentuais ante o mesmo período de 2020.

A receita líquida consolidada da companhia atingiu R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre, alta de 74,7% ante igual intervalo de 2020.

“A receita líquida consolidada da companhia apresentou crescimento robusto no segundo trimestre, sustentada pela forte expansão da receita de todos os segmentos de negócio. Vale destacar o desempenho de locação, que quebrou recorde neste trimestre”, disse a Unidas em relatório, acrescentando que o negócio de locação “foi impulsionado pela força e resiliência da operação de terceirização de frotas e pela rápida retomada em aluguel de carros.”

Telefônica Brasil (VIVT3)

A Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, lucrou R$ 1,345 bilhão no segundo trimestre de 2021, crescimento de 20,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Ebitda recorrente da empresa totalizou R$ 4,226 bilhões, valor 3% acima do registrado no segundo trimestre de 2020.

A receita da Telefônica, por sua vez, chegou a R$ 10,649 bilhões, o que representa 3,2% de crescimento na base anual de comparação.

Segundo a administração, a base de clientes totalizou 97 milhões de acessos, cinco milhões a mais do que no segundo trimestre de 2020.

No negócio de fibra óptica, a companhia chegou a 77 cidades, adicionando 4,3 milhões de casas passadas.

“Ao final do trimestre, somamos 17,3 milhões de casas passadas distribuídas em 293 cidades. Em julho de 2021, a FiBrasil, empresa de rede neutra de fibra por atacado criada em conjunto com a Tef Infra e CDPQ, iniciou sua operação com o objetivo de expandir a cobertura de fibra no Brasil. Essa capilaridade nos permite acelerar o volume de clientes conectados, aumentando a taxa de penetração da rede e, consequentemente, capturando o retorno dos investimentos”, comenta a gestão.

O Bradesco BBI avaliou os resultados da Telefônica Brasil relativos ao segundo trimestre como em linha com o consenso do mercado. O banco acredita que o mercado vê os resultados como neutros ou levemente positivos. As receitas do segmento móvel vêm melhorando sequencialmente.

O banco mantém recomendação neutra (perspectiva de valorização dentro da média do mercado) para a Telefônica, e preço-alvo de R$ 61.

A Vamos, empresa de locação de caminhões e equipamentos do grupo Simpar (ex-JSL), registrou lucro recorde no segundo trimestre de 2021, de R$ 100 milhões. O valor representou uma alta de 154,8% ante igual período do ano passado.

A receita líquida também dobrou, a R$ 665,6 milhões, ante R$ 329,9 milhões registrados no segundo trimestre de 2020.

A WEG registrou lucro líquido de R$ 1,134 bilhão no segundo trimestre de 2021, alta de 120,6% na base de comparação anual.

O resultado foi positivamente impactado pelo reconhecimento dos créditos tributários referentes à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. O resultado financeiro de R$ 129,9 milhões e o aumento no imposto de renda auferido desses créditos, de R$ 147,5 milhões, também tiveram impacto sobre o lucro.

Sem esses efeitos, não recorrentes, o lucro líquido seria R$ 851,9 milhões, alta de 65,6% na comparação anual.

Já o Ebitda foi de R$ 1,392 bilhão, avanço de 90,2% na base anual, enquanto a receita operacional líquida teve crescimento de 41,4%, a R$ 5,748 bilhões.

A companhia também informou que pagará cerca de R$ 663 milhões em dividendos.

A Camil Alimentos informou na noite de terça-feira que a sua controlada Camilatam Ecuador fechou acordo avaliado em US$ 36,5 milhões para adquirir os ativos, direitos, marcas e contratos relacionados aos negócios de produção e processamento de arroz da Agroindustrias Dajahu.

O anúncio de aquisição de ativos incluiu a totalidade das ações de emissão da companhia Transportes Ronaljavhu no Equador.

As unidades envolvidas no acordo operam no Equador entre as líderes em marca de arroz, com “market share significativo e elevado potencial de crescimento”, destacou a Camil em fato relevante.

“A operação está alinhada com a estratégia da companhia e representa um importante passo para a expansão da Camil na América Latina em novas geografias”, acrescentou.

A empresa disse ainda que celebrou com a IFC uma carta-mandato para o financiamento de 100% da aquisição. A concessão do empréstimo está sujeita à realização de diligências e a negociação dos contratos definitivos.

O Tribunal de Recursos de Londres concordou na terça-feira em reabrir um processo de US$ 7 bilhões contra a mineradora anglo-australiana BHP pelo rompimento de uma barragem em Mariana (MG) em 2015, que causou o maior desastre ambiental da história do Brasil. O colapso da barragem de Fundão, pertencente à Samarco –joint venture entre BHP e a brasileira Vale–, matou 19 pessoas e fez com que uma enxurrada de mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos invadisse o rio Doce e atingisse o Oceano Atlântico, a mais de 650 quilômetros do local do desastre.

Um grupo formado por cerca de 200 mil reclamantes brasileiros vinha tentando ressuscitar o processo movido na Inglaterra contra a BHP desde que um tribunal inferior suspendeu a ação em novembro, alegando abuso processual, e um juiz do Tribunal de Recursos manteve a decisão.

Na terça, a Samarco informou que a Justiça de Minas Gerais a autorizou a obter um financiamento de US$ 228 milhões na modalidade DIP para suprir suas necessidades de caixa, no âmbito de sua recuperação judicial. Na decisão, o juiz condiciona a utilização do recurso para fins exclusivos da operação da Samarco e não define a origem do empréstimo, disse a empresa. A companhia havia pedido o aval da Justiça para receber o financiamento de suas donas, a brasileira Vale e a BHP, alegando que ambas as mineradoras teriam feito a melhor proposta.

Na terça, a Petrobras informou que assinou contrato com a holandesa SBM Offshore para arrendamento e operação da plataforma do tipo FPSO Almirante Tamandaré, para o campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. A unidade será a sexta definitiva a entrar em operação em Búzios e a maior produtora de petróleo do litoral brasileiro, com capacidade de processamento diário de 225 mil barris de óleo e 12 milhões de metros cúbicos de gás.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Santander Brasil tem lucro líquido gerencial de R$ 4,17 bi no 2º trimestre de 2021, alta de 98,4% na base anual

O Santander Brasil (SANB11) registrou lucro líquido gerencial de R$ 4,171 bilhões no segundo trimestre de 2021, o  98,4% acima frente igual período do ano anterior e com alta 5,4% ante os primeiros três meses do ano.

O lucro ficou acima da estimativa dos analistas compilada pela Refinitiv, de R$ 3,979 bilhões.

O salto no lucro veio em meio à estratégia do presidente-executivo, Sergio Rial, de conquistar novos clientes numa competição mais acirrada com fintechs. O Santander anunciou na terça-feira que Rial se tornará presidente do conselho do banco em janeiro e Mario Leão, atual vice-presidente do banco de atacado, o novo presidente-executivo

O lucro societário, por sua vez, foi de R$ 4,103 bilhões no período, 102,6% superior ante igual intervalo de 2020 e de 45,7% na comparação trimestral.

O Santander reservou R$ 3,325 bilhões em provisões para créditos de liquidação duvidosa, uma queda de 0,3% em relação ao ano anterior. Esse montante não leva em consideração uma provisão extraordinária de R$ 3,2 bilhões  que o banco reservou um ano antes para potenciais empréstimos inadimplentes decorrentes da pandemia.

O índice de inadimplência em 90 dias do banco subiu 0,1 ponto percentual no trimestre, para 2,2%.

A carteira de crédito cresceu 3,5% em relação a março, impulsionada principalmente por consumidores e pequenas empresas.

Mesmo assim, a margem financeira permaneceu estável em relação ao primeiro trimestre, devido aos ganhos com tesouraria mais baixos.

O retorno sobre o patrimônio (ROE) – excluindo ágio – foi de 21,6% no período, com alta de 1 ponto percentual ante 20,6% no primeiro trimestre.

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A margem financeira bruta totalizou R$ 13,424 bilhões no trimestre, estável ante o trimestre anterior e com queda de 1,5% na base anual.

As receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias totalizaram R$ 4,7 bilhões, 7,6% superior no trimestre e com alta de 26,8% em 12 meses. As despesas gerais somaram R$ 5,106 bilhões, com avanço de 2,0% no trimestre e de 3,6% na base anual.

O banco decidiu publicar seus resultados excluindo os ganhos da unidade de adquirência de cartões GetNet, que está prestes a ser cindida e listada.

(com Reuters)

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O que esperar dos resultados dos grandes bancos no 2º trimestre? Santander Brasil inaugura temporada nesta quarta

SÃO PAULO – Estabilidade nos lucros dos bancos no segundo trimestre de 2021 na comparação com os primeiros três meses do ano, mas um forte aumento quando comparado ao segundo trimestre de 2020, quando as provisões para devedores duvidosos tiveram expressiva alta em meio à pandemia de coronavírus. Assim, a retomada da economia deve proporcionar um aumento expressivo dos ganhos na comparação anual e também deve levar as instituições financeiras a registrarem um aumento da carteira de crédito.

Por outro lado, a expectativa é de um aumento da inadimplência, ainda que a níveis controlados e sem grandes preocupações por parte dos analistas, enquanto as margens financeiras devem seguir pressionadas.

Com essa perspectiva geral, os grandes bancos começam a divulgar resultados, com o Santander Brasil (SANB11) inaugurando a temporada ao revelar seus números na próxima quarta-feira (28), antes da abertura do mercado.

A divulgação dos números entre abril e junho para os maiores bancos de capital aberto – além de Santander, Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) – irão se estender até a próxima semana, podendo dar mais indicações sobre o que esperar para o setor.

No último fim de semana, a XP adotou uma postura mais cautelosa com os bancos diante dos preços mais elevados das ações em um cenário de disrupção causado tanto por intervenções regulatórias quanto por concorrência. Já o Bradesco BBI divulgou na véspera relatório retomando a cobertura dessas empresas com uma visão diferente, mostrando-se mais otimista com o setor: “reconhecemos os desafios estruturais devido à concorrência de novos operadores, bancos digitais e fintechs, mas nos próximos seis a doze meses acreditamos que a melhoria na qualidade dos resultados será o driver mais importante dos preços das ações, daí a nossa visão mais construtiva”, apontam os analistas do BBI.

Olhando para o segundo trimestre, contudo, a XP destaca que haverá uma boa recuperação baseada das menores provisões, receita de serviços impulsionada por maiores volumes devido a retomada da economia e redução de custos, dado que o setor financeiro continua focado em ganho de eficiência.

Também vendo os custos sob controle, o BBI projeta uma melhor qualidade dos resultados, que deve ser ainda pronunciada no segundo semestre de 2021, com a carteira de crédito voltando para o varejo, enquanto as tarifas de serviços não devem se expandir significativamente.

Em relatório, o Itaú BBA destaca que os investidores podem ir atrás de sinais de recuperação na margem financeira, o que não deve acontecer substancialmente nessa temporada, uma vez que foi marcada por restrições de mobilidade. Uma recuperação mais forte das margens deve ocorrer no segundo semestre.

“A maior confiança e a normalização da poupança das famílias devem puxar a demanda por produtos de crédito de maior retorno. Este também será um ambiente melhor para os bancos ajustarem os preços para cima e compensarem o aumento gradual nos custos de financiamento em função da Selic [taxa básica de juros]”, apontam os analistas do BBA.

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Por outro lado, números que decepcionassem, sem conseguir mostrar melhora da margem financeira, poderiam prejudicar as projeções dos lucros. Para o BBA, com isso, ganharia mais projeção o argumento de que a margem mais comprimida está relacionada à concorrência e mudanças de regulação, não sendo mais tanto associada à queda recente da Selic, que volta a passar por um ciclo de alta.

“O Brasil entrará na fase dois do open banking, possivelmente elevando a concorrência no crédito e lançando dúvidas de longo prazo se a recuperação dos spreads bancários [diferença entre a taxa de juros cobrada aos tomadores de crédito e a taxa de juros paga aos depositantes pelos bancos] não se materializar. Ou seja, se os spreads não tiverem melhora com o crescimento de quase 6% do PIB e um ciclo de aumento da taxa de 4 pontos percentuais, será mais difícil argumentar por um futuro mais brilhante”, apontam no relatório.

Olhando para os bancos especificamente, o BBI aponta que Santander e Itaú devem mostrar tendências semelhantes, com maior qualidade dos lucros (ainda que estáveis frente o primeiro trimestre), à medida que as carteiras crescem mais rápido para pessoas físicas. Já os bancos públicos, no caso do BB, apontam os analistas, devem registrar uma menor qualidade dos lucros com contribuições menores provenientes da receita líquida de juros versus pares privados.

O BofA e a XP, por sua vez, avaliam que o Bradesco deve registrar um bom resultado no trimestre, mas avaliando que a instituição financeira pode ser pressionada por perdas com a área de seguro saúde.

Confira o que esperar para os resultados dos maiores bancos listados na B3:

Santander Brasil

Divulgação do resultado: 28 de julho – antes da abertura

O primeiro dos “bancões” a divulgar o resultado, o Santander Brasil deve reportar números em linha com o primeiro trimestre de 2021, a R$ 4 bilhões, de acordo com análise do Bank of America. A projeção é também de uma manutenção da receita líquida de juros (NII, na sigla em inglês) mas com uma melhor qualidade, uma vez que a contribuição dos ganhos com trading deve ser menor, na visão dos analistas do banco americano.

Espera-se que a NII de clientes apresente um crescimento menor do que a expansão da carteira na forma de empréstimos garantidos (menor rendimento). O índice de inadimplência deve aumentar a partir do níveis baixos atuais, levando os encargos de provisão a retornar aos níveis pré-crise e crescendo 8% na base trimestral. Após um bom desempenho nas tarifas no primeiro trimestre, os analistas projetam uma ligeira queda (de 2% na comparação trimestral) enquanto as despesas operacionais devem continuar sob controle, já que o Santander se mantém totalmente comprometido com a automatização de seus processos dentro do banco, apontam os analistas. O BofA mantém recomendação neutra para os ativos.

Já a XP espera bons resultados para o Santander, com lucro de R$ 4,1 bilhões e com Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE, na sigla em inglês) de 21%, mas nenhuma melhora significativa na qualidade dos resultados. “Acreditamos que os investidores se concentrarão na qualidade dos ativos do banco e na capacidade de continuar entregando um lucro forte”, apontam os analistas.

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O BBI aponta ainda que, apesar de não haver um crescimento forte dos empréstimos no trimestre, a receita do banco crescerá graças a uma mudança no mix, conforme o crescimento do crédito individual acelera e o crédito corporativo segue uma tendência oposta.

Por sua vez, os analistas esperam que as despesas com provisões devam crescer 13,5% na comparação trimestral (mas queda de 45% na base anual), já que o primeiro trimestre de 2021 teve um dos menores níveis de custo de risco em história. Os analistas estimam que as tarifas ficarão um pouco abaixo frente o trimestre anterior, mas ainda uma melhora modesta em relação aos níveis de 2020.

Itaú

Divulgação do resultado: 2 de agosto – depois do fechamento

Após um forte desempenho no primeiro trimestre, o BofA projeta lucro líquido (ex-itens extraordinários) praticamente  estável na comparação trimestral e crescendo 51% na base anual dado o baixo valor de comparação, indo a R$ 6,3 bilhões e levando um ROE de 18,4%.

A Margem Líquida de Juros (ou NIM, na sigla em inglês) deve seguir sob pressão com o crescimento dos empréstimos
continuando a ser impulsionado por carteiras de spread mais baixo, enquanto os resultados comerciais devem
voltar a um nível mais normalizado após um primeiro trimestre forte.

“No entanto, esperamos que a NII com os clientes devam permanecer em ritmo de crescimento no ponto médio do intervalo do guidance (projeção) para o ano, especialmente porque o crescimento dos empréstimos está acelerando com a reabertura econômica”, apontam.

Já a inadimplência deve subir, especialmente na carteira de pequenas e médias empresas, mas sem grande espaço para surpresas. Despesas com provisão devem permanecer bem abaixo dos níveis do ano anterior, embora possa haver espaço para que haja aumento em relação ao primeiro trimestre. As taxas de serviço devem ser apoiadas por volumes melhores, especialmente com cartões (atividades de aquisição e emissão), banco de investimento e gestão de ativos. Enquanto isso, mais uma vez, os custos devem permanecer em um rígido controle, ficando estável no trimestre e crescendo 3% no comparativo anual.

Por fim, o Itaú deve registrar ganhos não recorrentes relacionados à reavaliação de créditos fiscais diferidos à luz do aumento da CSLL, não refletido nas estimativas do BofA, que mantém recomendação de compra para os papéis.

A XP, por sua vez, espera que o lucro do Itaú seja estável na comparação trimestre-trimestre (R$ 6,5 bilhões, com ROE de 18%), mas com melhor qualidade. As margens de crédito financiado por clientes devem ser mais relevantes (versus tesouraria) e os custos devem melhorar. “As taxas de juros também devem melhorar à medida que a economia se recupera. No entanto, os investidores devem dar uma atenção especial ao aumento construtivo dos lucros (de 56% na comparação anual)”, avaliam.

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O BBI também acredita que a qualidade dos ganhos deve melhorar, já que a receita líquida de juros com os clientes deve ganhar participação, resultando em um mix melhor (crescimento mais rápido para pessoas físicas do que para empresas).

Bradesco

Divulgação do resultado: 3 de agosto – depois do fechamento

Na linha do esperado para os outros bancos, o BofA também espera um lucro antes de itens extraordinários praticamente estável comparado aos R$ 5,6 bilhões do primeiro trimestre e levando a um ROE de 17,9% (ante 18,1% nos primeiros três meses de 2021).

A originação de empréstimos deve continuar com um bom desempenho principalmente nas operações de menor rendimento para pessoas físicas (hipoteca e empréstimo consignado) e no segmento de PMEs, e deve acelerar no segundo semestre para atingir o ponto médio do guidance (entre alta de 9% e 13%) até o final do ano.

Com isso, a projeção é uma NII também estável na base de comparação trimestre, também influenciada por ganhos de trading mais baixos após resultados anormalmente elevados no primeiro trimestre de 2021. Já a inadimplência deverá continuar sua trajetória de alta e deve retornar a níveis mais normalizados no segundo semestre. Contudo, dado o alto índice de cobertura (relação entre empréstimos inadimplentes e provisões), a projeção é de que os encargos de provisões fiquem estáveis na comparação trimestral.

As receitas de taxas devem seguir estáveis, enquanto os resultados da linha de seguros podem ser pressionados por conta do maior acionamento em meio à pandemia da Covid-19. O opex (despesas operacionais) sob controle deve ser bem-vindo, mas todos os olhos permanecem no segundo semestre, com o cenário de alta inflação pressionando pessoal e despesas administrativas. O BofA mantém recomendação de compra para o papel.

A XP também espera que o Bradesco registre um bom resultado no trimestre (com lucro de R$ 6,5 bilhões e com ROE de 18%), também avaliando que a instituição financeira possa ser pressionada por perdas com a área de seguro saúde. “No geral, o banco deve melhorar [seus números] significativamente em relação ao ano anterior, mas sem nenhuma melhoria significativa em relação ao trimestre anterior”, avaliam os analistas.

Banco do Brasil

Divulgação do resultado: 5 de agosto – depois do fechamento

O BofA espera um lucro líquido recorrente praticamente estável na comparação com os três primeiros meses de 2021, quando totalizou R$ 4,9 bilhões, gerando assim um ROE de 14% (ante 14,8% no trimestre imediatamente anterior).

Enquanto a carteira de crédito deve apresentar bom desempenho no varejo e agronegócio, os analistas do banco americano esperam uma dinâmica mista na carteira corporativa, com contração entre grandes empresas ofuscando a melhoria das PME.

A NII deve ser pressionada, enquanto os índices de inadimplência devem ficar sob controle, mesmo considerando uma deterioração marginal, e os encargos de provisão devem ficar quase estáveis no trimestre, uma vez que o índice de cobertura deve continuar sua tendência de queda. As despesas devem se estabilizar no comparativo anual e trimestral (enquanto a alta da inflação deve pressionar a linha do balanço na segunda metade do ano). Os analistas mantêm recomendação de compra para os papéis.

A XP não espera grande destaques, mas projeta que o banco mantenha um crescimento construtivo dos lucros (alta de 51% na base anual, para R$ 5,0 bilhões, com um ROE de 14%) sem deterioração significativa da qualidade dos ativos. “Esperamos que nossa tese de investimento de pagamento de dividendos se consolide conforme os fundamentos do banco melhoram e sua capitalização se torna uma realidade”, apontam.

O BBI, por sua vez, estima um lucro líquido de R$ 4,8 bilhões, uma ligeira queda de 2,2% no trimestre, mas ainda em alta de 45,1% no período. “Acreditamos que o Banco do Brasil deva apresentar crescimento de crédito relativamente estável no trimestre (alta de 1,7%), com aceleração razoável em empréstimos corporativos e individuais”, apontam.

Semelhante aos pares do setor privado, os analistas do banco um crescimento modesto nas despesas de provisão, de 20%
na base trimestral, mas com queda de 48,4% na comparação anual, sendo mais do que suficiente para compensar o crescimento da receita líquida de juros.

As receitas com taxas deverão subir 1,5% no trimestre (estável na base anual), mas devendo ser compensadas por despesas operacionais também maiores, com aumento de 1,2% frente os primeiros três meses de 2021 (e alta de 2% na base anual).

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Bradesco BBI está otimista com bancos no curto e médio prazo e vê uma melhora na qualidade dos lucros; Itaú é a ação favorita

SÃO PAULO – Pouco tempo após a XP adotar uma postura mais cautelosa com os bancos, o Bradesco BBI divulgou relatório retomando a cobertura dessas empresas com uma visão diferente, se mostrando mais otimista com o setor no curto e médio prazo.

Os analistas Gustavo Schroden, Otavio Tanganelli e Eric Ito disseram ter “uma visão construtiva de curto a médio prazo”, sustentada por uma esperada melhora na qualidade dos lucros, com recentes correções nos valuations abrindo oportunidades nas ações.

“Esperamos que os lucros dos bancos cresçam em 2021/2022, apoiados por uma melhor receita líquida de juros, impulsionada pelo crescimento dos empréstimos e melhorias no mix”, avaliam os analistas, que acreditam que o mercado deve receber bem esse cenário, elevando os múltiplos das companhias.

Segundo a equipe do BBI, a margem financeira dos bancos deve crescer mais rapidamente do que nos últimos anos, suportada por um melhor mix. Além disso, após um fraco avanço de 0,7% em 2020, a projeção é que a receita de juros líquida cresça 6,9% em 2021 e 7,0% em 2022.

“Em nossa opinião, esse melhor desempenho da receita líquida de juros deve ser impulsionado por um maior crescimento da pessoa física do que da pessoa jurídica, com foco em produtos de maior rendimento, como crédito pessoal (ex-folha de pagamento), cartão de crédito e cheque especial”, afirmam os analistas.

O cenário deles ainda projeta que os empréstimos para pessoas físicas cresçam 14,2% em 2021 e 12,7% em 2022, contra apenas 7,3% no ano passado, enquanto os empréstimos para empresas devem aumentar 2,6% e 7,4% neste e no próximo ano, respectivamente (em 2020 a alta foi de 26,9%).

“Observe que as pessoas físicas têm uma taxa de juros média de 24,6% a.a., quase o dobro das taxas de juros para empresas de 12,6% a.a., o que pode explicar a expansão mais rápida da receita líquida de juros nos próximos anos”, avaliam, concluindo que os ganhos do setor devem crescer 29,6% em 2021 e 11,2% no ano seguinte, enquanto os ROEs (Retorno sobre o patrimônio líquido) poderiam expandir em 460 pontos-base, para 17,1% em 2022.

Dias antes, a XP emitiu um relatório em que se mostrou mais cautelosa com as instituições bancárias do país, apontando quatro itens como os principais fatores para sua nova visão: i) a concorrência no varejo aumentou à medida que as barreiras de entrada diminuíram; ii) os órgãos reguladores tornaram-se mais agressivos em prol de mais competição; iii) os players independentes no atacado ganharam market share; e iv) as perspectivas de crédito deterioraram-se com o open banking.

Para os analistas, os riscos do Open finance parecem maiores do que o previsto para os bancos. “Mais do que apenas crédito, o programa visa investimentos, seguros e até potencializa o uso do mercado de produtos financeiros. Tal mudança deve aumentar a competição e diminuir o ROE do setor”, avaliam.

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Para o Bradesco BBI, porém, a melhora nos resultados será um driver mais importante que a concorrência. Reconhecemos os desafios estruturais devido à concorrência de novos operadores, bancos digitais e fintechs, mas nos próximos 6 a 12 meses acreditamos que a melhoria na qualidade dos resultados será o driver mais importante dos preços das ações, daí a nossa visão mais construtiva”, apontam os analsitas.

Itaú é o favorito

Com um preço-alvo de R$ 38, o BBI colocou uma recomendação de compra para o Itaú Unibanco (ITUB4), com o banco sendo a escolha preferida dos analistas entre as instituições de grande capitalização.

“Acreditamos que o crescimento do crédito e um melhor mix de produtos devem levar a uma melhor qualidade dos resultados até pelo
menos o 4T22”, afirmam os analistas sobre o Itaú.

Segundo eles, o Itaú deve apresentar o maior aumento de ganhos entre seus pares com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) prevista de 26% entre 2020 e 2022, contra 20% do sistema bancário como um todo. Com isso, o ROE do banco também deve ter uma expansão maior nos próximos dois anos, chegando a 18,8% em 2022, contra previsão de 17,1% para o resto do setor.

Além disso, o BBI aponta um valuation mais atrativo para o Itaú quando comparado com seus pares privados. Os analistas veem o Itaú (ex-XP) negociando com um P/E (preço sobre lucro) de 8,1 vezes, contra 9,2 vezes do Santander Brasil, por exemplo.

Sobre os outros banco, os analistas do BBI colocaram recomendações neutras para Banco do Brasil (BBAS3) e Santander (SANB11), com preços-alvo de R$ 39 e R$ 47, respectivamente.

Essa avaliação se dá porque, na visão deles, as melhorias citadas parecem ter um preço muito alto para o Santander, enquanto eles têm incertezas com relação a melhorias no ROE para o Banco do Brasil.

“De fato, embora reconheçamos os fundamentos sólidos do Santander Brasil, observamos que o banco deve registrar um crescimento de lucros mais lento do que seus pares de grande capitalização (CAGR de 9% entre 2020 e 2022 vs. 20% para o sistema), e menor expansão do ROE”, diz o BBI.

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“Enquanto isso, o gap de ROE do Banco do Brasil contra os pares privados deve ser maior em 2022 do que em 2020 (gap de ROE de 590pb em 2022 vs. 420bps em 2020), justificando nossa classificação de neutra”, explica.

Na véspera, a XP colocou o Banco do Brasil como sua ação preferida no setor, sendo a única com recomendação de compra. Os analistas destacaram que o BB apresenta uma assimetria de investimento positiva, principalmente com base no valuation atrativo do banco, enquanto mantém uma operação defendida. Eles também avaliam que a distribuição de dividendos do banco deve se tornar relevante, pois o banco deve aumentar seu dividend payout (clique aqui para ver a análise completa e as outras recomendações).

Por fim, o BBI também cita o ABC Brasil (ABCB4) com uma recomendação de compra e preço-alvo de R$ 20, sendo o preferido dos analistas entre os bancos menores em crescimento mais rápido de lucros. “Também classificamos o Banrisul (BRSR6) como Neutro devido à falta de visibilidade da expansão do ROE”, concluem.

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XP destaca motivos para maior cautela com ações de grandes bancos e rebaixa Santander e Bradesco; BB segue como compra

SÃO PAULO – Adotando uma postura mais cautelosa para os bancos diante dos preços mais elevados em um cenário de disrupção causado tanto por intervenções regulatórias quanto por concorrência, a XP fez uma atualização em suas recomendações para o setor.

Marcel Campos, Vitor Pini, Matheus Odaguil e Artur Alves, analistas da XP que assinam o relatório, apontam não acreditarem que os incumbentes devam negociar em linha com os múltiplos históricos de agora em diante.

Assim, desta forma, decidiram rebaixar a recomendação do Bradesco (BBDC4) de compra para neutra e a recomendação do Santander (SANB11) de neutra para venda. Já a recomendação para o Banco do Brasil (BBAS3) foi mantida em compra, enquanto para o Itaú (ITUB4) seguiu neutra.

Os preços-alvos são os seguintes: de R$ 26 para BBDC4, ou potencial de valorização de 9% frente o fechamento de sexta-feira, de R$ 36 para o Santander Brasil, ou queda de cerca de 10%, de R$ 52 para o BB, ou um potencial de valorização de 64% e, por fim, de R$ 28 para ITUB4, um valor 4% abaixo do registrado na última sexta-feira (23).

Os analistas apontam que rebaixaram o Bradesco porque percebem maiores riscos das iniciativas do Open Finance para a operação de seguros do banco (além do crédito). “Embora ainda gostemos dos fundamentos do Bradesco, acreditamos que o valuation atual oferece uma vantagem limitada” avaliam.

Para o Santander, a XP aponta que os investidores agora enfrentam múltiplos mais altos em um cenário em que o banco deve registrar o menor crescimento anual dos lucros no setor. Também acreditam que o banco apresenta o balanço patrimonial mais arriscado no caso de uma inadimplência do mercado acima do esperado. “Por fim, acreditamos que os resultados do primeiro trimestre de 2021 sejam insustentáveis, o que pode desencadear uma reação acionária negativa”, afirmam.

Com relação à ação preferida entre os bancões, sendo a única com recomendação de compra, os analistas destacam que o Banco do Brasil apresenta uma assimetria de investimento positiva, principalmente com base no valuation atrativo do banco, enquanto mantém uma operação defendida.

Eles também avaliam que a distribuição de dividendos do banco deve se tornar relevante, pois o banco deve aumentar seu dividend payout (pagamento de dividendos em proporção ao lucro líquido) em um cenário de: i) maior capitalização; ii) recuperação de lucros; iii) Previ I com superávit de R$ 22 bilhões; e iv) um atrativo múltiplo de preços em relação ao valor patrimonial.

Por fim, com relação ao Itaú, os analistas avaliam que o banco é operacionalmente mais arriscado do que o Bradesco e o Banco do Brasil. A visão é que a composição da receita do Itaú é altamente suscetível a disrupções, dado: i) mais empréstimos para o varejo passivos para serem modelados (open banking); ii) um maior percentual de tarifas de varejo; e iii) uma operação de seguro fraca. “Dito isso, acreditamos que tanto a concorrência (cartões e tarifas de varejo principalmente) e ameaças regulatórias (banco aberto e pagamento mais rápido) representam uma ameaça maior para o Itaú”, reforçam.

Razões para mais cautela com bancões

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Com relação ao setor em geral, os analistas da XP apontaram alguns motivos para estarem mais cautelosos com o setor: i) a concorrência no varejo aumentou à medida que as barreiras de entrada diminuíram; ii) os órgãos reguladores tornaram-se mais agressivos em prol de mais competição; iii) os players independentes no atacado ganharam market share; e iv) as perspectivas de crédito deterioraram-se com o open banking.

Para eles, os riscos do Open finance parecem maiores do que o previsto para os bancos.

“Mais do que apenas crédito, o programa visa investimentos, seguros e até potencializa o uso do mercado de produtos financeiros. Tal mudança deve aumentar a competição e diminuir o ROE [Retorno sobre o patrimônio líquido] do setor”, avaliam.

E, mesmo que seja difícil prever os vencedores, acreditam que os incumbentes (operadores históricos) podem ser os perdedores devido à sua alta participação de mercado, estrutura e experiência do cliente abaixo da média.

O open banking está para ser implementado em quatro fases no Brasil, sendo que ainda há incertezas quando se olha para o exterior. A XP aponta que o Banco Central da Inglaterra não conseguiu implementar a medida com sucesso, com apenas 10% dos usuários compartilhando seus dados até agora, principalmente impactado por: i) um escopo limitado de compartilhamento de dados; ii) prazo de implementação longo; iii) casos de fraudes; iv) baixa divulgação; v) falta de mecanismos de incentivo à implementação pelos grandes bancos; e vi) um curto período de consentimento de compartilhamento de dados.

Porém, a visão é de que o modelo será bem sucedido no Brasil sai na frente com dados padronizados em API, grande número de participantes já os estágios iniciais e o papel ativo dos reguladores.

Com as companhias tendo acesso aos dados do cliente, pode haver poucas barreiras para a modelagem de crédito e ofertas de produtos assertivas no longo prazo. Dito isso, a concorrência deverá ser impulsionada pela qualidade do produto e pela experiência do cliente, avaliam.

Se de fato a experiência do cliente for um fato decisivo, os operadores históricos podem perder terreno para novos players construídos em uma plataforma centrada no cliente. Outros fatores que podem impactar negativamente os bancos são sua grande participação no mercado de produtos e sistemas antigos, que podem não ajudar em termos de agilidade para se adaptar e reter clientes, afirmam.

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O escopo brasileiro inclui ainda outros produtos que não só o crédito, tornando a regulação local mais agressiva do que as experiências externas. Dito isso, a opinião dos analistas é que seguros, investimentos, operações de câmbio e outros serviços também podem ser pressionados, com resultados negativos para os bancos.

Além disso, outros concorrentes podem entrar na tendência de se tornarem plataformas. Os analistas avaliam que, “como a transformação para plataforma valeu a pena para esses concorrentes, acreditamos que outros também possam ingressar neste clube no futuro. Se for esse o caso, teríamos um mercado mais competitivo, com participantes dispostos a destruir valor por maior valor de mercado. Embora não nos sintamos confortáveis em escolher um vencedor, acreditamos que a indústria como um todo perderia valor”.

Apesar da visão mais cautelosa da XP, a sessão é de ganhos de cerca de 2% para os bancos nesta segunda-feira, com os investidores atentos à temporada de resultados, com Santander divulgando seus números no próximo dia 28, antes da abertura do mercado. A XP aponta que, para o segundo trimestre, os resultados do setor devem ser impulsionados por menores provisões, volumes maiores com a gradual retomada da economia, e redução de custos.

Já para o Bank of America, os bancos devem apresentar um crescimento sólido dos empréstimos, gastos operacionais controlados e tendências positivas de inadimplência, enquanto as margens devem ser pressionadas pelos custos de financiamento.

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Presidente da Getnet diz que empresa planeja entrar na Europa em 2022; EUA será próximo destino

Após se expandir para Chile, Argentina e México, a Getnet, empresa de maquininhas do Santander Brasil, está de malas prontas para desbravar a Europa em 2022. No ano seguinte, o destino serão os Estados Unidos. De uma startup, criada no Rio Grande do Sul em 2003, a empresa se tornou peça-chave nos planos do espanhol Santander de criar uma plataforma global de pagamentos.

Ao Estadão/Broadcast, o presidente da Getnet, Pedro Coutinho, falou sobre os desafios no caminho para atingir esse alvo. Abaixo, os principais trechos da entrevista:

O Banco Central devolveu aos lojistas os recebíveis. A adoção da regra foi marcada por problemas operacionais, com empurra-empurra entre as registradoras. Quais são as suas expectativas?

Esse é um projeto de quase dois anos. Não é simples. É um projeto que cria um novo modelo para o mercado, dá mais transparência aos recebíveis e a oportunidade de escolha aos estabelecimentos. A gente já sabia que não seria uma implementação fácil pelo ecossistema, que envolve bancos, clientes, registradoras e credenciadoras. Tivemos dois dias bem difíceis e conseguimos colocar para funcionar (o novo modelo) com uma ou outra intermitência. Já foi muito melhor.

Para o lojista, a nova regra deve representar mais crédito, a menores taxas?

A nova regra vai gerar uma competitividade maior, dar a oportunidade de mais empresas brigando pelo cliente e, a exemplo do que vimos em outros negócios, como no crédito consignado (com desconto em folha), financiamento de veículos e imobiliário, que cresceram exponencialmente nos últimos dez anos, acredito que isso também vai acontecer com os recebíveis.

O PIB brasileiro veio melhor do que o esperado, mas o cenário de retomada é acompanhado de uma vacinação lenta, ruídos políticos e crise energética. De que forma esse ambiente se reflete no desempenho do mercado?

O setor de meios de pagamentos tem se demonstrado ao longo dos últimos 11 anos resiliente. No ano passado, a gente cresceu. No primeiro trimestre, crescemos 11,3%. Muita gente não acreditava que a indústria de pagamentos poderia crescer dois dígitos com a retirada do auxílio emergencial, e nós crescemos.

Para 2021, a expectativa (de crescimento) se mantém entre 18% a 20%?

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Sim. Acredito neste número. O varejo em maio foi muito bem, e o setor está no meio desse processo. A gente ajuda os estabelecimentos, que ainda não são, a se bancarizar e se digitalizar. Quando a gente olha para o mundo digital, estamos vendo alguns estabelecimentos vendendo mais depois da pandemia. Estamos em uma indústria que está crescendo porque tem ajudado os clientes a venderem mais.

Então, a projeção será alcançada mesmo em um cenário macro ainda desafiador?

A gente acredita que sim. Outro ponto importante é que a previsão de que os gastos das famílias através dos meios de pagamentos digitais chegariam a 60% em 2022 será batida também.

A pandemia teve algum papel no alcance dessa meta?

Sem sombra de dúvidas, sim, de três formas. A primeira foi o auxílio emergencial. A gente viu um pedaço da população se bancarizar e se digitalizar. O segundo ponto é que as empresas de e-commerce tiveram um papel importantíssimo. O terceiro é que, quando veio a pandemia, não foi uma orientação do CEO ou do diretor de tecnologia. Quem mandou foi a covid. A covid disse o seguinte:”Arruma aqui o mundo digital, porque senão vai ficar para trás”. A gente viu as empresas se transformarem. Os pequenos que não vendiam nada (no digital) passaram a vender.

A Getnet se prepara para ser uma empresa solo e listada em bolsa. Como está o processo?

Ao longo dos últimos dois anos, trabalhamos com a área global do banco, que entende que a Getnet pode ser multiplicada. Temos uma equipe de tecnologia separada, dedicada para essa empresa global. O banco tomou a decisão de que, para esse processo e geração de valor, teria de fazer um spin-off da Getnet do Santander Brasil. Isso foi feito e autorizado no fim de março. Nós ingressamos com o pedido junto ao Banco Central e esperamos que isso (a autorização) ocorra até o fim de setembro. Mas está na mão do regulador. Temos de esperar. Estamos seguindo o processo de que tem de ser feito junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e à Nasdaq.

A listagem vem neste ano?

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Se tudo der certo, como a gente acredita que vai dar, será no quarto trimestre.

Em quais países a Getnet quer estar que ainda não chegou?

A gente já implantou a Getnet no México. Estamos operando na Argentina e no Chile. Temos um planejamento para ingressar na Europa no ano que vem e, em 2023, nos EUA.

Há mais aquisições no radar?

Nos últimos anos, fizemos algumas aquisições que completassem nossa oferta de valor e melhorassem nossos serviços. O que está no nosso alvo? Nesse momento, nada. Nosso foco está em consolidar as empresas que compramos, e, ao mesmo tempo, a prioridade é todo o tema da expansão da Getnet em outros países.

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Associação de exportadores ajuiza ação de R$ 20 bi contra bancos alegando manipulação cambial: qual o impacto para o setor?

(Rmcarvalho/Getty Images)

SÃO PAULO – Na última quarta-feira (16), ganhou destaque a notícia de que a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), que representa alguns dos maiores exportadores do país, pede uma indenização de quase R$ 20 bilhões  de 19 bancos acusados de participar de um esquema internacional de cartel na área de câmbio.

Dentre as empresas que fazem parte da associação, estão Vale (VALE3) e a Suzano (SUZB3), conforme dados divulgados pelo jornal Valor Econômico na véspera.

Segundo relatório da Associação, as exportadoras brasileiras tiveram prejuízo de R$ 107,4 bilhões de reais com a suposta manipulação de moedas por bancos. O cálculo da compensação da AEB levou em consideração que a associação representa 20% dos exportadores brasileiros.

A compensação exigida pelos exportadores brasileiros é outro desenvolvimento de um escândalo cambial global, que gerou bilhões de dólares em multas para bancos em todo mundo. As alegações de manipulação generalizada no mercado de câmbio à vista foram relatadas pela primeira vez em 2013.

De acordo com os analistas da XP, contudo, o impacto no setor pode ser menor do que sugerem os R$ 20 bilhões contestados.

Isso porque, embora seja um grande impacto no resultado, com multas variando de 18% a 24% do lucro esperado para 2021, os investidores devem ter em mente que: i) 2021 é um ano de recuperação; ii) a ação coletiva pode levar uma década ou até mais para tramitar; e iii) se os bancos decidirem fazer provisões operacionais a partir de agora até o final do processo, o impacto nos resultados resultados não deve ser significativo.

“Não obstante, investidores podem tratar a provisão como um evento não recorrente”, avaliam.

O risco é que a ação só considera os números de 2010 e 2011, mas a denúncia afirma que os números de 2008, 2009 e 2012 também devem ser debatidos. Além disso, a Petrobras (PETR3;PETR4) também está entrando com um processo separado.

Marcel Campos e Matheus Odaguil e Artur Alves, analistas da XP, apontam os possíveis impactos para os principais players: Santander (SANB11) com multa de R$ 3,8 bilhões, representando 24% do lucro esperado para 2021; ii) Bradesco (BBDC3;BBDC4) com multa de R$ 4,7 bilhões, o que representa 18% do lucro esperado para 2021; e iii) Itaú (ITUB4), com multa de R$ 4,3 bilhões, representando 17% do lucro esperado para 2021. O Banco do Brasil (BBAS3) não foi incluído na denúncia.

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Entre outras instituições citadas na ação coletiva, estão HSBC – cuja operação brasileira foi adquirida pelo Bradesco -, Citigroup (CTGP34) e BNP Paribas.

De acordo com a agência de notícias Reuters, o Citi não quis comentar, acrescentando que a conduta está em conformidade com as regras. O Santander afirmou que ainda não tem conhecimento da ação coletiva, enquanto o Itaú disse que contestará as acusações.

(com informações da Reuters)

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