Geadas no Sul e no Sudeste: qual o impacto para a inflação e para as ações de agro da Bolsa

Frio na Serra Catarinense (Foto: Paulo/Fotos Públicas)

SÃO PAULO – Em meio a condições climáticas adversas, com uma intensa onda de frio prejudicando o agronegócio e uma crise hídrica contribuindo para custos mais elevados de energia elétrica, o bolso dos consumidores deve sentir mais nos próximos meses.

O mesmo vale para investidores de ações, que têm empresas do agronegócio na carteira, que devem ficar atentos aos potencias impactos nas companhias.

Em relatório divulgado nesta sexta, a XP avalia que a geada de julho e dessa semana nas regiões Sul e Sudeste podem se traduzir em uma inflação ainda mais alta no curto prazo.

Isso porque, com a diminuição da oferta, devido ao impacto das geadas nas colheitas, os preços tendem a subir e esse repasse aos consumidores costuma ser rápido.

Na avaliação da XP, isso pode significar alta de 0,10 ponto percentual na projeção de inflação para 2021, já em 6,7%.

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Entre as culturas mais impactadas pela intensa onda de frio, a XP destaca o café, as hortaliças e as frutas.

O frio intenso, somado ainda à estiagem severa, que impactou fortemente os preços de grãos – como soja e milho, cana de açúcar, café e cítricos –, e elevou o custo da energia elétrica, especialmente no setor industrial, tende a pressionar ainda mais o índice de preços.

No caso da carne bovina, a XP escreve que a alta segue sustentada pelas exportações brasileiras de carne para a China em um cenário de escassez de animais prontos para abate. E a falta de chuvas fez com que o confinamento do gado aumentasse, gerando mais custos aos produtores.

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Tatiana Nogueira, economista da XP que assina o relatório, chama atenção ainda para a reabertura da economia pós-Covid, permitindo que serviços tenham seus preços reajustados, de uma forma mais rápida do que a projetada já esse ano.

Desta forma, a inflação pode ficar acima de 7% no ano, segundo Nogueira.

Em julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,72% frente junho, acima do esperado pelo mercado financeiro, de alta de 0,64%, e na maior variação para o mês desde 2004.

No ano, o indicador acumula alta de 4,88%, enquanto em 12 meses, sobe 8,59%.

E o impacto na Bolsa?

No mercado de renda variável, investidores com papéis ligados ao agronegócio também devem monitorar as questões climáticas no país.

Embora colheitas possam ser afetadas pelas geadas, alguns nomes podem se beneficiar de uma menor oferta de produtos, elevando os preços no mercado. É o caso, por exemplo, de São Martinho (SMTO3).

Em relatório, o Itaú BBA escreve que a produção da empresa deve ser impactada negativamente pelas geadas nas colheitas de 2021 e 2022, com a situação podendo perdurar até a colheita de 2022 e 2023.

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Ao mesmo tempo, a companhia pode se beneficiar de um aumento nos preços do açúcar diante da menor oferta, destaca o time de análise.

O Itaú tem recomendação outperform (acima da média do mercado) para os papéis SMTO3, com preço-alvo de R$ 42.

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XP inicia cobertura de Boa Safra Sementes com recomendação de compra e vê potencial de alta de 32% para ação

O mesmo acontece com SLC Agrícola (SLCE3), que deve, segundo o Itaú BBA, ver seus preços de milho subirem no mercado nos próximos meses em meio à menor oferta da commodity.

O caso é semelhante em M. Dias Branco (MDIA3), cuja produção é concentrada, em sua maioria (cerca de 80%), na região Nordeste do país – também contribuindo para uma alta no preço do trigo, escrevem os analistas.

De acordo com o Itaú BBA, JBS (JBSS3) deve ser blindada dos efeitos da geada, em grande parte, dada a menor exposição ao mercado brasileiro. A oferta restrita de grãos, contudo, pode reprimir as margens da marca Seara.

Por fim, o banco escreve que o cenário deve continuar elevando os custos para a BRF (BRFS3). A companhia, contudo, pode compensar parcialmente as tendências negativas por meio de aumentos de preços, destaca o time de analise.

“Embora haja pressão sobre os custos dos grãos para ração, a compressão de margem esperada para a BRF foi mitigada pelos preços mais altos, uma vez que os preços dos alimentos processados no Brasil mantiveram seu ritmo de crescimento anual de dois dígitos”, escreve o Itaú, em relatório.

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O banco tem recomendação de market perform (performance em linha com o mercado) para os papéis de BRF e M. Dias Branco, com preço-alvo estimado de R$ 25 e R$ 30, respectivamente. Para SLC e JBS, a recomendação é de outperform, com preço-alvo de R$ 55 e R$ 47, respectivamente.

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Ação da Eletrobras sobe forte com expectativa sobre votação na Câmara; São Martinho salta com recomendações, Vale e siderúrgicas caem

SÃO PAULO – Após uma forte queda na véspera em meio às notícias de restrições de exportação de carne pela Argentina, o que poderia afetar frigoríficos brasileiros que operam no país, com destaque para a Marfrig (MRFG3) e Minerva (BEEF3), as ações do setor registram alta nesta quarta-feira (19), ainda que relativamente tímidos. O destaque fica para a alta da BRF (BRFS3) entre as companhias, com ganhos de cerca de 2%.

Se, por um lado, pode haver esse impacto negativo, por outro, a suspensão das exportações de carnes recém-anunciada pela Argentina deve deslocar parte da demanda externa para o Brasil, seu concorrente direto, abrindo espaço para que as cotações do boi, que já operam em patamar elevado, alcancem novas máximas no mercado brasileiro, conforme analistas ouvidos pela Reuters. O governo argentino disse na segunda-feira que o bloqueio de vendas por 30 dias é uma medida emergencial devido ao sustentado aumento no preço da carne bovina no mercado local.

Também com alta, estão as ações da Eletrobras (ELET3; ELET6), em meio à repercussão positiva sobre mudanças no texto do relator da Medida Provisória que abre espaço para a privatização da elétrica, bem como expectativa de votação do texto na Câmara dos Deputados nesta quarta. Os ativos avançam entre 2,5% e 3%, chegando a subir cerca de 3% mais cedo.

As ações da São Martinho (SMTO3) avançam cerca de 4% após terem a recomendação elevada pelo Bradesco BBI e pelo Itaú BBA para equivalente à compra.

Já entre as maiores baixas, estão os papéis de Vale (VALE3) e da siderúrgicas como CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4) após as altas recentes na semana e seguindo a volatilidade do mercado de commodities. No radar das commodities, os futuros do vergalhão de aço recuaram mais de 5% na China nesta quarta-feira, enquanto o minério de ferro também caiu, com o alívio em preocupações quando a cortes de produção siderúrgica e com expectativa de desaceleração de atividades de construção em meio à proximidade da chegada da estação de chuvas.

Confira mais destaques:

Rede D’Or (RDOR3)

A Rede Dor São Luiz informou detalhes da oferta de ações que pode levantar R$ 4,5 bilhões, considerando o valor dos papéis da empresa no fechamento de ontem, de R$ 71,90 e, considerando as ações adicionais, a operação pode chegar a R$ 6,751 bilhões. A empresa fará uma oferta pública de distribuição primária e secundária restrita de, inicialmente, 62.600.000 ações ordinárias, podendo ser acrescida de até 50%.

A operação engloba a distribuição primária de 25.040.000 ações ordinárias a serem emitidas pela companhia e a distribuição secundária de, inicialmente, 37.560.000 ações ordinárias de titularidade de fundos da gestora Carlyle e o Delta FM&B Fundo de Investimento em Ações, que são acionistas da empresa.

A Rede D’Or irá precificar o follow on no dia 26 de maio.

Vale (VALE3) e minério de ferro 

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A mineradora Vale  divulgou nesta quarta-feira o relatório final de um comitê independente de assessoramento extraordinário sobre segurança de barragens anunciado em fevereiro de 2019, na sequência do desastre de Brumadinho, e disse que tem adotado recomendações feitas pelo grupo.

O comitê, constituído pelo conselho da companhia e coordenado por especialistas do setor, encerrou atividades em maio com 380 recomendações, depois de visitas e análises técnicas sobre as principais instalações de disposição de rejeitos da empresa no Brasil.

“Das 380 recomendações do CIAE-SB, 265 já foram adotadas pela Vale”, afirmou a companhia em comunicado ao mercado.

A mineradora acrescentou que o comitê será descontinuado e seus membros passarão a fazer parte de seus conselhos independentes (Independent Tailings Review Board-ITRB), atuando como “revisores externos” no sistema de gestão de riscos da companhia.

No radar das commodities, os futuros do vergalhão de aço recuaram mais de 5% na China nesta quarta-feira, enquanto o minério de ferro também caiu, com o alívio em preocupações quando a cortes de produção siderúrgica e com expectativa de desaceleração de atividades de construção em meio à proximidade da chegada da estação de chuvas.

O contrato mais negociado do vergalhão de aço usado em construções SRBcv1, para entrega em outubro, encerrou em baixa de 5,6% na bolsa de futuros de Xangai, a 5.309 iuanes por tonelada, o menor fechamento desde 30 de abril.

Já os preços do minério de ferro na bolsa de Dalian também encerraram com retração. O contrato de referência DCIOcv1, para setembro, caiu 3,3%, para 1.193 iuanes por tonelada. “Uma vez que não há uma política adicional de restrições de produção (de aço), as negociações mudaram da expectativa para a realidade”, disse a GF Futures em nota.

O banco Morgan Stanley avaliou que as atuais condições de mercado dão suporte à implementação da alta de 15% nos preços do mercado de aço, anunciada para junho e julho. Atualmente, os preços domésticos continuam baixos em relação ao produto importado, a demanda está forte e os estoques estão baixos. O banco diz que, caso o mercado de aço leve à frente a alta dos preços, a CSN deverá ser a mais beneficiada.

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O relator da medida provisória de privatização da Eletrobras na Câmara, deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), disse que suas propostas de mudança ao texto, apresentadas nesta terça-feira, foram definidas “99% em comum acordo” com o governo do presidente Jair Bolsonaro, após longas negociações.

O relatório do parlamentar define que a desestatização estaria sujeita à contratação prévia pelo governo de novas usinas termelétricas, o que não estava previsto expressamente em uma versão preliminar divulgada anteriormente. Nascimento garantiu que essa medida teve aval do governo e que a viabilização das novas usinas deve ocorrer por meio de uma licitação já prevista para o segundo semestre.

A Câmara dos Deputados pode votar nesta quarta a medida provisória que viabiliza a privatização da estatal; a sessão do Plenário está marcada para as 13h55. O modelo de privatização prevê a emissão de novas ações a serem vendidas no mercado sem a participação da empresa, resultando na perda do controle acionário de voto mantido atualmente pela União.

Saiba mais: analistas veem mudanças positivas em texto de relator, mas destacam pontos de atenção

O Itaú BBA afirma que tem uma visão positiva do relatório sobre a privatização da Eletrobras, apresentado pelo deputado Elmar Nascimento. O banco espera que a MP seja votada nesta quarta, e ressalta que depois deve ser ainda aprovada pelo Senado antes que expire, em 22 de junho. O Itaú mantém avaliação outperform e preço-alvo de R$ 53 para a ação ELET3, frente aos R$ 40,8 negociados na terça.

O Credit Suisse avalia que as mudanças na medida provisória trazem pontos positivos para a empresa, mas alguns negativos para o setor. O banco avalia que a versão final exclui itens controversos, que poderiam arriscar a privatização e limitar os ganhos. Isso é positivo porque aumenta a chance de aprovação, avalia o Credit. O banco mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 45 para os papéis ELET6, frente o fechamento na terça de R$ 40,93.

Ultrapar (UGPA3), Pague Menos (PGMN3), RD (RADL3)

A Ultrapar confirmou na terça-feira que assinou contrato para venda de sua unidade de farmácias Extrafarma para a Pague Menos, em uma operação avaliada em R$ 700 milhões.

O negócio deve tornar a Pague Menos na segunda maior varejista de drogarias do Brasil, atrás apenas da RD, dona das bandeiras Drogasil e Droga Raia. Atualmente, a Pague Menos é a terceira maior cadeia de farmácias.

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Saiba mais: Ultrapar assina venda da Extrafarma para Pague Menos por valor total de R$ 700 mi; para qual delas o negócio é melhor?

O Credit Suisse avalia que há um desafio para melhorar os resultados das operações da Extrafarma, mas enxerga o negócio como positivo, devido ao valor atrativo da empresa. O banco mantém visão positiva sobre a Pague Menos, já que opera em um mercado mais resiliente, cujos resultados superaram outras empresas do varejo. Apesar de o futuro do mercado ser incerto, a empresa está em posição de capturar uma boa melhora do Ebitda. O Credit mantém avaliação outperform e preço-alvo de R$ 13,5, frente aos R$ 11,77 de fechamento na terça.

O Itaú BBA classificou o anúncio como positivo para a Pague Menos, destacando ainda a habilidade da empresa de reduzir seu endividamento, seu histórico de recuperação de resultados de empresas após esse tipo de negócio. O Itaú mantém recomendação outperform e preço-alvo para 2021 de R$ 13.

São Martinho (SMTO3)

O Itaú BBA e o Bradesco BBI elevaram a recomendação para as ações da São Martinho para equivalente à compra, tendo preços-alvos respectivos de R$ 42 (upside de 32%) e de R$ 41 (upside de 29%) para os ativos SMTO3.

O Bradesco BBI afirma que sua equipe está desenvolvendo uma visão mais positiva sobre a Petrobras e suas mensagens positivas sobre a política de preços da gasolina, o que tem impacto sobre a companhia produtora de açúcar e etanol.
O banco elevou o preço-alvo para 2021 de R$ 38 para R$ 41, incorporando novas estimativas para preços de combustíveis, que resultou em uma alta média de 14% em sua previsão para o preço do etanol para os períodos de 2021 e 2022 e de 2022 e 2023. Também resultou em uma alta de 7% na média de suas previsões para preço de açúcar.

O BBA aponta que o impulso positivo para os preços do açúcar pode estar apenas começando. Em meio ao aperto global de oferta e demanda, a assimetria de preços parece enviesada para cima. “Apesar das incertezas que cercam a safra 2021/22 – em função dos fatores climáticos desfavoráveis – o potencial déficit provavelmente será compensado por preços mais altos em meio ao cenário global apertado para o setor”, avaliam os analistas.

O GPA e o aplicativo de entregas iFood anunciaram uma parceria para entrega de compras nas lojas do grupo varejista, mostrando a rápida movimentação de grandes empresas no país nas compras online de produtos de supermercado, que cresceram rapidamente com a pandemia da Covid-19.

BTG Pactual (BPAC11) e Banco Pan (BPAN4)

O BTG Pactual  concluiu a aquisição da totalidade das ações do Banco Pan em poder da Caixa Participações, subsidiária da Caixa Econômica Federal, de acordo com fato relevante do banco de investimentos nesta quarta-feira.

As ações da CaixaPar adquiridas pelo Banco Sistema, subsidiária do BTG, são representativas de 49,2% do capital social votante do Banco Pan, equivalente a 26,8% do capital social total do Banco Pan. O BTG também comunicou que foi concluída a aquisição pelo Banco Sistema de 1% das ações do Banco Pan e de titularidade do BTG, equivalente a 0,55% do capital social.

A Petrobras comunicou a posse na véspera de seu novo diretor-executivo de governança e conformidade, Salvador Dahan, que substitui Marcelo Zenknerà, que ocupava a função desde setembro de 2019.

A Movida estima uma frota potencial de 260 mil a 340 mil carros e lucro líquido de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,6 bilhão em 2025, de acordo com fato relevante nesta quarta-feira. No primeiro trimestre de 2021, a companhia reportou lucro líquido de R$ 109,5 milhões, com uma frota de 122.608 carros.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Rede D’Or anuncia oferta de ações de até R$ 6,75 bi; BBI e BBA elevam ação da São Martinho, MP da Eletrobras e mais notícias

SÃO PAULO – O noticiário corporativo desta quarta-feira (19) tem como destaque a repercussão da venda da Extrafarma, da Ultrapar, para a Pague Menos, a aprovação de oferta de ações pela Rede D’Or, além da expectativa pela votação da MP da Eletrobras. Já a São Martinho teve a recomendação elevada pelo Bradesco BBI e pelo Itaú BBA. No mercado de commodities, a sessão é de queda para o minério de ferro. Confira mais destaques:

Rede D’Or (RDOR3)

A Rede Dor São Luiz informou detalhes da oferta de ações que pode levantar R$ 4,5 bilhões, considerando o valor dos papéis da empresa no fechamento de ontem, de R$ 71,90 e, considerando as ações adicionais, a operação pode chegar a R$ 6,751 bilhões. A empresa fará uma oferta pública de distribuição primária e secundária restrita de, inicialmente, 62.600.000 ações ordinárias, podendo ser acrescida de até 50%.

A operação engloba a distribuição primária de 25.040.000 ações ordinárias a serem emitidas pela companhia e a distribuição secundária de, inicialmente, 37.560.000 ações ordinárias de titularidade de fundos da gestora Carlyle e o Delta FM&B Fundo de Investimento em Ações, que são acionistas da empresa.

A Rede D’Or irá precificar o follow on no dia 26 de maio.

Vale (VALE3) e minério de ferro 

A mineradora Vale  divulgou nesta quarta-feira o relatório final de um comitê independente de assessoramento extraordinário sobre segurança de barragens anunciado em fevereiro de 2019, na sequência do desastre de Brumadinho, e disse que tem adotado recomendações feitas pelo grupo.

O comitê, constituído pelo conselho da companhia e coordenado por especialistas do setor, encerrou atividades em maio com 380 recomendações, depois de visitas e análises técnicas sobre as principais instalações de disposição de rejeitos da empresa no Brasil.

“Das 380 recomendações do CIAE-SB, 265 já foram adotadas pela Vale”, afirmou a companhia em comunicado ao mercado.

A mineradora acrescentou que o comitê será descontinuado e seus membros passarão a fazer parte de seus conselhos independentes (Independent Tailings Review Board-ITRB), atuando como “revisores externos” no sistema de gestão de riscos da companhia.

No radar das commodities, os futuros do vergalhão de aço recuaram mais de 5% na China nesta quarta-feira, enquanto o minério de ferro também caiu, com o alívio em preocupações quando a cortes de produção siderúrgica e com expectativa de desaceleração de atividades de construção em meio à proximidade da chegada da estação de chuvas.

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O contrato mais negociado do vergalhão de aço usado em construções SRBcv1, para entrega em outubro, encerrou em baixa de 5,6% na bolsa de futuros de Xangai, a 5.309 iuanes por tonelada, o menor fechamento desde 30 de abril.

Já os preços do minério de ferro na bolsa de Dalian também encerraram com retração. O contrato de referência DCIOcv1, para setembro, caiu 3,3%, para 1.193 iuanes por tonelada. “Uma vez que não há uma política adicional de restrições de produção (de aço), as negociações mudaram da expectativa para a realidade”, disse a GF Futures em nota.

O banco Morgan Stanley avaliou que as atuais condições de mercado dão suporte à implementação da alta de 15% nos preços do mercado de aço, anunciada para junho e julho. Atualmente, os preços domésticos continuam baixos em relação ao produto importado, a demanda está forte e os estoques estão baixos. O banco diz que, caso o mercado de aço leve à frente a alta dos preços, a CSN deverá ser a mais beneficiada.

O relator da medida provisória de privatização da Eletrobras na Câmara, deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), disse que suas propostas de mudança ao texto, apresentadas nesta terça-feira, foram definidas “99% em comum acordo” com o governo do presidente Jair Bolsonaro, após longas negociações.

O relatório do parlamentar define que a desestatização estaria sujeita à contratação prévia pelo governo de novas usinas termelétricas, o que não estava previsto expressamente em uma versão preliminar divulgada anteriormente. Nascimento garantiu que essa medida teve aval do governo e que a viabilização das novas usinas deve ocorrer por meio de uma licitação já prevista para o segundo semestre.

A Câmara dos Deputados pode votar nesta quarta a medida provisória que viabiliza a privatização da estatal; a sessão do Plenário está marcada para as 13h55. O modelo de privatização prevê a emissão de novas ações a serem vendidas no mercado sem a participação da empresa, resultando na perda do controle acionário de voto mantido atualmente pela União.

O Itaú BBA afirma que tem uma visão positiva do relatório sobre a privatização da Eletrobras, apresentado pelo deputado Elmar Nascimento. O banco espera que a MP seja votada nesta quarta, e ressalta que depois deve ser ainda aprovada pelo Senado antes que expire, em 22 de junho. O Itaú mantém avaliação outperform e preço-alvo de R$ 53 para a ação ELET3, frente aos R$ 40,8 negociados na terça.

O Credit Suisse avalia que as mudanças na medida provisória trazem pontos positivos para a empresa, mas alguns negativos para o setor. O banco avalia que a versão final exclui itens controversos, que poderiam arriscar a privatização e limitar os ganhos. Isso é positivo porque aumenta a chance de aprovação, avalia o Credit. O banco mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 45 para os papéis ELET6, frente o fechamento na terça de R$ 40,93.

Ultrapar (UGPA3), Pague Menos (PGMN3), RD (RADL3)

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A Ultrapar confirmou na terça-feira que assinou contrato para venda de sua unidade de farmácias Extrafarma para a Pague Menos, em uma operação avaliada em R$ 700 milhões.

O negócio deve tornar a Pague Menos na segunda maior varejista de drogarias do Brasil, atrás apenas da RD, dona das bandeiras Drogasil e Droga Raia. Atualmente, a Pague Menos é a terceira maior cadeia de farmácias.

Saiba mais: Ultrapar assina venda da Extrafarma para Pague Menos por valor total de R$ 700 mi; para qual delas o negócio é melhor?

O Credit Suisse avalia que há um desafio para melhorar os resultados das operações da Extrafarma, mas enxerga o negócio como positivo, devido ao valor atrativo da empresa. O banco mantém visão positiva sobre a Pague Menos, já que opera em um mercado mais resiliente, cujos resultados superaram outras empresas do varejo. Apesar de o futuro do mercado ser incerto, a empresa está em posição de capturar uma boa melhora do Ebitda. O Credit mantém avaliação outperform e preço-alvo de R$ 13,5, frente aos R$ 11,77 de fechamento na terça.

O Itaú BBA classificou o anúncio como positivo para a Pague Menos, destacando ainda a habilidade da empresa de reduzir seu endividamento, seu histórico de recuperação de resultados de empresas após esse tipo de negócio. O Itaú mantém recomendação outperform e preço-alvo para 2021 de R$ 13.

São Martinho (SMTO3)

O Itaú BBA e o Bradesco BBI elevaram a recomendação para as ações da São Martinho para equivalente à compra, tendo preços-alvos respectivos de R$ 42 (upside de 32%) e de R$ 41 (upside de 29%) para os ativos SMTO3.

O Bradesco BBI afirma que sua equipe está desenvolvendo uma visão mais positiva sobre a Petrobras e suas mensagens positivas sobre a política de preços da gasolina, o que tem impacto sobre a companhia produtora de açúcar e etanol.
O banco elevou o preço-alvo para 2021 de R$ 38 para R$ 41, incorporando novas estimativas para preços de combustíveis, que resultou em uma alta média de 14% em sua previsão para o preço do etanol para os períodos de 2021 e 2022 e de 2022 e 2023. Também resultou em uma alta de 7% na média de suas previsões para preço de açúcar.

O BBA aponta que o impulso positivo para os preços do açúcar pode estar apenas começando. Em meio ao aperto global de oferta e demanda, a assimetria de preços parece enviesada para cima. “Apesar das incertezas que cercam a safra 2021/22 – em função dos fatores climáticos desfavoráveis – o potencial déficit provavelmente será compensado por preços mais altos em meio ao cenário global apertado para o setor”, avaliam os analistas.

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BTG Pactual (BPAC11) e Banco Pan (BPAN4)

O BTG Pactual  concluiu a aquisição da totalidade das ações do Banco Pan em poder da Caixa Participações, subsidiária da Caixa Econômica Federal, de acordo com fato relevante do banco de investimentos nesta quarta-feira.

As ações da CaixaPar adquiridas pelo Banco Sistema, subsidiária do BTG, são representativas de 49,2% do capital social votante do Banco Pan, equivalente a 26,8% do capital social total do Banco Pan. O BTG também comunicou que foi concluída a aquisição pelo Banco Sistema de 1% das ações do Banco Pan e de titularidade do BTG, equivalente a 0,55% do capital social.

A Petrobras comunicou a posse na véspera de seu novo diretor-executivo de governança e conformidade, Salvador Dahan, que substitui Marcelo Zenknerà, que ocupava a função desde setembro de 2019.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Petrobras e São Martinho teriam a ganhar com decisão da Opep+, mas tudo dependerá da política de preços da estatal

(Bloomberg)

SÃO PAULO – Pegou o mercado de surpresa o anúncio da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+) na véspera de que os níveis de produção de abril serão os mesmos de março, com exceções pontuais feitas ao Cazaquistão e à Rússia. Deste modo, a oferta da commodity não deve aumentar mais do que 150 mil barris por dia no próximo mês.

A equipe de análise do Credit Suisse lembra que a mediana das projeções do mercado era de um incremento de 500 mil barris por dia em abril. Os analistas do banco suíço ainda que a Arábia Saudita prorrogou seu corte de 1 milhão de barris por dia e que os sauditas só vão gradualmente retornar a seus níveis anteriores de produção.

“Na prática, a Opep+ está segurando em torno de 7 milhões de barris por dia do mercado – o equivalente a perto de 7% da demanda global – mesmo em um cenário de recuperação no consumo de combustíveis em diversos países”, escrevem em relatório os analistas Leandro Fontanesi e Matheus Sleiman, do Bradesco BBI.

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Com a notícia, o barril do petróleo tipo Brent – usado como referência pela Petrobras – sobe 3,66% a US$ 69,18 às 16h35 (horário de Brasília) desta sexta-feira (5), enquanto o barril do WTI tem alta de 3,51% a US$ 66,06.

Em outros tempos, o avanço na cotação do petróleo seria visto como um motivo inequívoco para as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) se valorizarem. No entanto, o cenário é incerto para a estatal, que recentemente viu seu presidente, Roberto Castello Branco, ser demitido em meio ao descontentamento do presidente Jair Bolsonaro com o aumento nos preços da gasolina e do diesel.

O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, avaliou na véspera que a companhia não teria como evitar um novo aumento de combustíveis esta semana diante da decisão da Opep.

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A defasagem dos preços da gasolina no Brasil em relação a seu preço internacionalmente passou a ser de 11%, ao passo que a defasagem do diesel chegou a 8%.

De acordo com os analistas do Bradesco BBI, as empresas brasileiras envolvidas na produção de etanol, como é o caso da São Martinho (SMTO3), também teriam a ganhar com um reajuste na gasolina levando em consideração a paridade internacional.

“Assumindo que os preços mais elevados do petróleo sejam repassados na gasolina, isso poderia levar a valores maiores do etanol no Brasil (já que o etanol compete com a gasolina na bomba), ao mesmo tempo em que a cana-de-açúcar também poderia ser vendida a preços mais altos, uma vez que as usinas poderiam aumentar o peso dos biocombustíveis no mix de suas produções e reduzir a oferta global de açúcar (o Brasil responde por em torno de 45% do comércio global)”, avaliam.

Contudo, a equipe do BBI alerta que o momento pede maior clareza antes que se aposte em uma valorização dos papéis da São Martinho, pois tudo depende da condução da política de preços da Petrobras.

Os analistas do BBI cortaram a recomendação para a ação SMTO3 de outperform (desempenho acima da média) para neutra em 22 de fevereiro, no auge da crise da Petrobras com a troca de comando na estatal, justamente por conta do cenário que não pressupõe aumentos adicionais no preço da gasolina no longo prazo. Já para as ações da Petrobras, a recomendação é de venda, em meio ao cenário de incertezas para a estatal com a solicitação repentina para a troca de CEO.

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Ação da BRF salta mais de 7%, Magalu perde força e Embraer cai até 5% após resultados; Petrobras têm nova disparada

SÃO PAULO – Após uma forte disparada de 2,57% do Ibovespa na véspera com a repercussão da vitória de Joe Biden na eleição à presidência dos EUA e com a boa notícia sobre a vacina da Pfizer-Biontech, a sessão desta terça-feira (10) começou com menor ímpeto para o Ibovespa, mas depois o índice voltou a ganhar força durante o pregão.

A ação da BRF (BRFS3) foi um dos destaques da sessão, chegando à máxima de 7,73% (R$ 19,93) após bons resultados do terceiro trimestre, puxando também as demais ações do setor como Minerva (BEEF3), Marfrig (MRFG3) e JBS (JBSS3).

Vale destacar, contudo, que a maior parte dos maiores destaques de alta e baixa da sessão refletem a continuidade do movimento da véspera, em que papéis vistos como descontados em meio ao cenário de maior aversão ao risco com o coronavírus passaram a subir em meio à boa notícia com a vacina registrando 90% de eficácia (veja mais clicando aqui), caso de petroleiras, aéreas, bancos e varejistas de moda, enquanto papéis como de empresas varejistas de e-commerce registram queda.

Os investidores estão tirando capital de ações de empresas de tecnologia, com o dinheiro migrando de quem foi aposta durante a pandemia para as companhias que mais sofreram por conta das medidas de isolamento social.

Assim, a ação do Magazine Luiza (MGLU3), mesmo com um resultado mais uma vez considerado bastante positivo, abriu em queda, ganhando força minutos depois e passando a operar em alta mais expressiva vinte minutos após a abertura, com valorização de 1,70%, a R$ 26,90. Contudo, logo perdeu força e passou a operar com perdas. Enquanto isso, B2W (BTOW3) teve baixa mais expressiva e Via Varejo (VVAR3) caiu cerca de 4%. Na véspera, os papéis das três companhias já tinham caído cerca de 3%.

As ações da Embraer (EMBR3) chegaram a cair 6,75%, mas diminuiu as perdas. A fabricante brasileira de aviões registrou um prejuízo líquido atribuído ao acionista controlador de R$ 649 milhões (R$ 0,88 por ação) no terceiro trimestre de 2020, uma ampliação das perdas se comparado ao resultado também negativo em R$ 314,4 milhões registrados no terceiro trimestre de 2019.

Ações de petroleiras voltam a subir. Mesmo depois do forte avanço de ontem, hoje o petróleo seguiu apresentando ganhos. O barril do Brent – usado como referência pela Petrobras (PETR3;PETR4) – subiu  2,9% a US$ 43,61, enquanto o barril do WTI fechou em alta de 2,7% a US$ 41,36. Os papéis da estatal avançam cerca de 8%, enquanto PetroRio (PRIO3) salta mais de 3%.

Os preços da commodity avançaram à medida que expectativas de que uma vacina contra a Covid-19 esteja no horizonte compensaram a queda na demanda por combustíveis causada pelos novos “lockdowns” impostos para contenção do vírus. Ambos os contratos saltaram 8% na segunda-feira, registrando os maiores ganhos diários em mais de cinco meses.

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Também em destaque entre as altas, estão as ações da Ultrapar (UGPA3), que divulgou resultado considerado positivo na semana passada (veja mais clicando aqui).

Um setor que teve forte queda durante o ano e que voltou a avançar nos últimos dias com o maior apetite ao risco do mercado foi o de bancos, com Santander Brasil (SANB11), Bradesco (BBDC3;BBDC4), Itaú (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3) voltando a ter uma sessão disparada na Bolsa. As instituições financeiras divulgaram resultados entre o final de outubro e começo de novembro, com melhora sequencial no lucro, mas mantiveram cautela em meio ao ambiente ainda desafiador pela frente (veja mais aqui). A perspectiva de uma vacina e melhora da economia, associada ainda à queda ainda expressiva das ações no ano, entre 18% e 25%, guiam um novo dia de ganhos para os ativos.

As aéreas Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) também voltaram a subir com a perspectiva de retomada das viagens seguindo no radar em meio ao desenvolvimento da vacina, e também com o maior apetite ao risco dos investidores, mas diminuíram os ganhos ao longo da sessão. Na véspera, os papéis chegaram a subir quase 20%.

Fora do índice, no radar de resultados, quem ganha destaque é a ação da Positivo (POSI3), com salto de até 10%, para depois operar com ganhos de cerca de 7%, enquanto São Martinho (SMTO3) também opera com alta de cerca de 7% no mesmo horário. Já a ação da Direcional (DIRR3) sobe cerca de 1%. Confira os destaques:

Magazine Luiza (MGLU3

A varejista Magazine Luiza registrou lucro líquido ajustado de R$ 215,9 milhões no terceiro trimestre, o que representa um aumento de 69,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

A melhora foi reflexo do aumento das vendas no comércio eletrônico por conta da pandemia do novo coronavírus.

Diante disso, houve um aumento de 148% nas vendas digitais na comparação anual, chegando a R$ 8,2 bilhões. O canal respondeu por dois terços das vendas da empresa, um avanço de 18 pontos percentuais.

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O lucro líquido, por sua vez, foi de R$ 206 milhões no terceiro trimestre de 2020, queda de 12,4% em relação ao mesmo período de 2019.

Entre julho e setembro, a receita líquida do Magalu ficou em R$ 8,3 bilhões, alta de 70,8% ano a ano. Enquanto isso, a despesa operacional subiu 52,7%, para R$ 1,68 bilhão, passando a representar 20,3% da receita, ante 22,7% um ano antes.

Já o Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) ajustado subiu 41% em um ano, a R$ 561,2 milhões. Por outro lado, a margem Ebitda recuou de 8,2% para 6,8%, refletindo maiores gastos com melhoria do nível do serviço.

A varejista disse ainda ter tido um ganho de 5,4 pontos percentuais ante o mesmo período do ano passado em sua área de atuação, refletindo entre outros fatores a integração de vendas online e lojas físicas, o que ganhou força com a reabertura de pontos físicos com a flexibilização da quarentena.

Segundo o Credit Suisse, o Magalu entregou um resultado bastante forte que indicou uma combinação bastante interessante de crescimento fantástico com geração de caixa excelente. A rentabilidade surpreendeu com uma margem Ebitda ajustada chegando a 6,8% (versus a estimativa do banco de 5,9%) e um lucro líquido cerca de 35% acima do esperado pelos analistas.

A empresa conseguiu entregar um crescimento excelente nas lojas físicas de cerca de 18% na base anual, além do fantástico avanço de 149% na base anual no e-commerce. Para eles, o Magalu já provou a capacidade de se reinventar muitas vezes ao longo dos anos quando, em muitas ocasiões, poderia parecer que o papel estava caro.

“O ambiente macro para o próximo ano ainda deixa muitas dúvidas,  mas nossos analistas acreditam que o case de Magalu atualmente continua a ser muito mais micro do que macro e que existem inúmeras estratégias em curso como aquisições sendo plugadas no ecossistema, melhora de logística, MagaluPlay, entre outras. Sabemos que o e-commerce no Brasil ainda esta nas fases iniciais e que ainda tem muito potencial para evoluir”, apontam. Os analistas possuem recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 25.

Na mesma linha, a XP ressalta que o resultado foi muito forte, com a receita puxada por uma performance impressionante do varejo físico além de um crescimento ainda sólido do e-commerce. Contudo, os analistas seguem com recomendação neutra para o papel e preço-alvo de R$ 20, vendo o valuation como justo aos níveis atuais.

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O Morgan Stanley afirmou que o volume total de vendas da Magalu foi 14% suas expectativas; sua receita, 17% acima; e suas margens Ebitda 1,7 ponto percentual acima. O banco destacou aquisições de canais de vendas, e mantém a classificação das ações em overweight, com preço-alvo de R$ 23,50.

O Bradesco BBI afirma que o volume total de vendas da Magalu supera em 8% suas expectativas. O Ebitda é 41% superior à projeção, e a geração de caixa é excepcional, dando continuidade a forte crescimento e volta à lucratividade, com progresso na velocidade das entregas. O banco ampliou a expectativa para volume de vendas entre 2020 e 2022 em entre 19% e 21% e elevou o preço-alvo das ações de R$ 21 para R$ 30, o que deixa apenas 13% de upside frente os R$ 26,45 atuais. Por isso, o banco mantém sua recomendação como neutra.

A processadora de alimentos BRF teve lucro líquido de R$ 218,7 milhões, queda de 50,9% na base anual, mas acima dos R$ 203,15 milhões esperados por analistas, segundo a média dos dados da Refinitiv.

A receita líquida teve alta de 17,5%, a R$ 9,9 bilhões, com a empresa conseguindo elevar o preço médio dos produtos vendidos. A BRF também disse que conseguiu aumentar em 0,7% os volumes de alimentos industrializados e carnes vendidos no trimestre, para 1,1 milhão de toneladas.

A BRF, maior exportadora mundial de frango, obteve mais da metade de suas vendas do Brasil, onde a receita líquida cresceu quase 21%.

Internacionalmente, a receita líquida cresceu 13,5%, mas ajustes na produção em meio à pandemia da Covid-19 continuaram impactando as operações. Como resultado, o lucro bruto e as margens foram pressionados, disse a BRF. Os custos mais altos de grãos e outras despesas denominadas em dólares também afetaram a lucratividade de suas exportações, acrescentou a empresa.

Segundo o Credit Suisse, os resultados foram robustos, com destaque para o Ebitda ajustado de R$ 1,5 bilhão e margem de 14,7%, com a boa performance da empresa devido a volume e preço mais alto no mercado doméstico, preços mais altos na Ásia e Halal DDP. A parte de Halal DDP e exportações, contudo, ainda estão abaixo do seu potencial.

Para os analistas, a companhia deve se beneficiar de um real mais depreciado nos próximos trimestres e do apoio que tem recebido do auxílio emergencial no consumo de proteína, associado à pandemia até o final de 2020.

“Mesmo assim, ainda estamos cautelosos com o papel dado que o mercado doméstico pode não aguentar o aumento de preço (após fim do corona voucher) por muito tempo além das questões de âmbito internacional”, avaliam. A queda no preço das aves para exportação em dólar, competição mais acirrada com os EUA na exportação pra China e exportações mais fracas de peru para o Iraque impedem que os analistas fiquem mais otimistas, também destacando verem uma pressão no preço da ração nos próximos meses. Com isso, a recomendação para a ação segue neutra.

O Morgan Stanley classificou os resultados da BRF como “muito sólidos”. O Ebitda bateu a expectativa do banco e a média do mercado, logo “uma reação positiva das ações não surpreenderia” o Morgan Stanley. Mesmo assim, espera um ano de 2021 desafiador, com economia brasileira potencialmente mais lenta, mercado internacional mais fraco e custos altos. O banco mantém avaliação underweight (expectativa de ganhos abaixo da média do mercado) para a BRF, com preço-alvo de R$ 19.

A XP ressalta ainda que, do lado positivo, vale ressaltar a estratégia da empresa de aumentar a capacidade de armazenamento, manter eficiência operacional e níveis de ocupação ideais, além de usar de insumos alternativos no processo produtivo. “Tal estratégia nos surpreendeu positivamente, permitindo que a empresa alcançasse uma margem bruta de 23,6% no trimestre, 603 pontos base acima da nossa estimativa de 17,5%. Destaque especificamente para o segmento Brasil, que foi uma surpresa positiva sobretudo em função da melhora no mix de produtos”, avalia. Contudo, os analistas também seguem cautela devido ao cenário desafiador para o frango em 2020. De qualquer forma, em meio aos resultados positivos, a recomendação segue de compra, com preço-alvo de R$ 30 para o final de 2021.

O Bradesco BBI afirma que o lucro Ebitda da BRF foi 9% acima do consenso do mercado, e 7% acima de suas estimativas. Os preços aumentaram acima de suas expectativas, compensando a alta nos preços dos grãos. O banco mantém avaliação de outperform, com preço-alvo de R$ 28, frente os R$ 18,50 atuais.

O grupo de ensino Yduqs viu seu lucro cair no terceiro trimestre, mas seus resultados ajustados vieram acima das previsões de analistas, uma vez que a divisão de ensino à distância compensou parcialmente os efeitos do fechamento das escolas diante da pandemia da Covid-19.

O lucro ajustado foi de R$ 191,3 milhões, 1,5% menor frente igual período do ano passado, enquanto a previsão média de analistas da Refinitiv era de lucro de R$ 123,6 milhões; não ficou claro se os números são comparáveis. Em termos líquidos, o lucro da companhia foi de R$ 112,5 milhões, 26,5% menor no comparativo anual.

Fortalecida também pela inclusão das operações do grupo Athenas (agosto e setembro) e Adtalem (maio a setembro), compradas pela Yduqs, a receita líquida da companhia somou R$ 976,3 milhões, 17,2% acima contra mesma etapa de 2019.

O ensino digital registrou alta de 56% na receita, compensando em parte a perda de 18% no total de alunos matriculados nas aulas presenciais.

O Ebitda somou R$ 332,2 milhões, aumento de 10%. Em termos ajustados, o Ebitda subiu 19,5%, para R$ 411 milhões.

A Yduqs fechou setembro com posição de caixa em R$ 1,9 bilhão, o que, somado e o baixo endividamento (1,41 vez o Ebitda) “nos deixa com um balanço sólido e com espaço para novas aquisições”, afirmou a companhia.

O Morgan Stanley avaliou os resultados como “bons”, porém ainda impactados pelos efeitos da pandemia, levando a ajustes não recorrentes. Os resultados foram pressionados por demanda mais fraca e abandono mais alto de cursos. O ensino a distância e cursos de medicina continuam oferecendo bons resultados.

A receita estava em linha com a expectativa, e o Ebitda ajustado superou tanto a estimativa do Morgan Stanley quanto o consenso do mercado. O banco tem recomendação overweight (expectativa de ganhos acima da média do mercado) para o papel, com preço-alvo de R$ 41.

O Bradesco BBI avalia que os resultados da Yduqs foram negativamente impactados pela pandemia. A receita líquida foi 2% menor que sua expectativa, devido a redução dos preços de cursos por leis e descontos impostos por decisões na Justiça. O banco avalia que o pior já passou, e espera que os preços voltem à normalidade nos próximos trimestres. O banco espera que sinergias levem a aumento das margens e reduzam efeitos negativos sobre o Ebitda. O Bradesco BBI vê tendências positivas, com número de matrículas acima do esperado. Mantém avaliação de outperform, com preço-alvo de R$ 46, frente os R$ 26,17 atuais.

São Martinho (SMTO3)

O lucro da São Martinho disparou com altas na venda de açúcar, indo a R$ 332 milhões alta de 169,4% frente o mesmo período de 2019.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado da companhia atingiu 476,2 milhões de reais no mesmo período, avançando 22,8%.

A receita da São Martinho com açúcar cresceu 89,7% no segundo trimestre da safra 2020/21, para 411,8 milhões de reais, com a companhia sendo beneficiada pela desvalorização do real ante o dólar, além de preços sustentados no exterior por fatores como uma menor produção na Tailândia.

O Credit Suisse avalia que a perspectiva para os preços de açúcar e etanol está melhorando, com recuperação acima do esperado do etanol, e preço do açúcar próximo à máxima do ano. O banco se mantém positivo quanto à tese de investimento no São Martinho, com avaliação das ações em outperform e preço-alvo de R$ 24, frente os R$ 22,55 atuais.

XP Inc.

A XP Inc. registrou um lucro líquido de R$ 570 milhões no terceiro trimestre deste ano, valor que representa uma alta de 119% sobre os R$ 261 milhões apresentados um ano atrás.

Na comparação com o segundo trimestre, porém, o lucro ficou praticamente estável, com leve avanço de 1% sobre os R$ 565 milhões entre abril e junho.

Já a receita líquida avançou 55% na comparação anual, passando de R$ 1,356 bilhão para R$ 2,101 bilhões. O valor também é 9% superior ao apresentado no segundo trimestre deste ano, de R$ 1,921 bilhão. Veja mais clicando aqui. 

Aeris

A produtora de pás para turbinas de energia eólica Aeris precificou nesta segunda-feira sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) a R$ 5,5 por ação, abaixo da faixa estimada pelos coordenadores, entre R$ 6,50 a R$ 8,10 cada.

A oferta de ações novas movimentou R$ 834,6 milhões. Os recursos serão usados para que a companhia modernize suas duas fábricas e elevar sua capacidade, hoje de cerca de quatro mil pás por ano, parte disso para exportação.

Além disso, acionistas pessoa física venderem fatias correspondentes a R$ 294,6 milhões na oferta secundária. Com isso, a transação movimentou R$ 1,13 bilhão.

3R Petroleum

A 3R Petroleum, especializada na operação de campos maduros de petróleo, precificou seu IPO a R$ 21 cada, abaixo da faixa estimada pelos coordenadores, de R$ 24,50 a R$ 31,50 por papel.

A operação, que movimentou R$ 690 milhões, consiste apenas da emissão de ações novas. Os recursos serão usados pela companhia para comprar mais campos de petróleo da Petrobras, pagar por aquisições já feitas e ampliar a posição de caixa no polo de Macau.

Formada em fevereiro de 2014 pelos sócios Ricardo Savini e Daniel Soares, a 3R posteriormente agregou como acionistas um grupo de executivos brasileiros e noruegueses da indústria de petróleo por meio do veículo de investimentos DBO.

O fundo Starboard tem 52,3% do capital da 3R. O veículo da Starboard que tem participação no negócio tem entre os sócios o fundo de private equity Apollo.

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Positivo (POSI3)

A fabricante de componentes eletrônicos Positivo Tecnologia informou que fechou o terceiro trimestre de 2020 com lucro líquido de R$ 50,3 milhões, alta de 433,3% frente o mesmo período de 2019. A margem líquida subiu 7,7 pontos percentuais, a 9,6%.

A receita bruta cresceu 13,2% no período, a R$ 600,7 milhões, motivada pela retomada do mercado de PCs no varejo.

“Por um lado, a companhia reportou uma forte performance de receita, impulsionada por uma forte demanda por produtos ligados ao home office e homeschooling, enquanto já vemos indícios de retomada de clientes corporativos a partir de setembro e de órgãos públicos, com a assinatura do contrato com o TSE para fornecimento de urnas para as próximas eleições. Por outro lado, altos custos continuam a pressionar as margens”, afirma a XP, que mantém recomendação neutra com preço-alvo de R$ 6,00 ao final de 2020 para as ações.

A fabricante brasileira de aviões Embraer registrou um prejuízo líquido atribuído ao acionista controlador de R$ 649 milhões (R$ 0,88 por ação) no terceiro trimestre de 2020, uma ampliação das perdas se comparado ao resultado também negativo em R$ 314,4 milhões registrados no terceiro trimestre de 2019. De forma geral, a empresa foi novamente prejudicada pela pandemia da covid-19, assim como pelo cancelamento do negócio com a Boeing envolvendo o braço comercial do grupo brasileiro – que levou a uma queda significativa na produção de aeronaves.

O Ebitda ajustado da empresa fechou negativo em R$ 40,7 milhões contra um resultado positivo de R$ 75 milhões um ano antes. A margem Ebitda ajustada ficou negativa em 1% contra um resultado positivo de 1,6% um ano antes.

A Receita líquida teve queda de 13% no trimestre na comparação anual e ficou em R$ 4,09 bilhões, principalmente em função das quedas nas entregas da Aviação Executiva e especialmente da Aviação Comercial. “Essa queda foi parcialmente compensada pelo aumento de 106% (na comparação entre o terceiro trimestre de 2020 e terceiro trimestre de 2019) das receitas de Defesa & Segurança no trimestre, que foram impactadas no primeiro semestre do ano já que, algumas entregas foram postergadas em função das restrições de viagens impostas pela covid-19 como o fechamento de fronteiras de alguns países clientes”, explicou a fabricante.

No trimestre, conforme divulgado em documento previamente, a Embraer entregou sete jatos comerciais e 21 jatos executivos (19 jatos leves e dois jatos grandes), totalizando 28 jatos entregues no período. Isso se compara a um total de 44 jatos entregues no terceiro trimestre de 2019, sendo 17 jatos comerciais e 27 jatos executivos (15 jatos leves e 12 jatos grandes). No acumulado do ano em 2020, a empresa entregou 16 jatos comerciais e 43 jatos executivos (33 jatos leves e 10 jatos grandes), o que se compara aos 54 jatos comerciais e 63 jatos executivos entregues durante os primeiros nove meses de 2019.

“As entregas da Embraer em 2020 estão sendo impactadas negativamente, principalmente devido à pandemia de covid-19, que continua afetando o mundo e especialmente as viagens aéreas comerciais”.

A Embraer disse que espera uma continuação na melhora nas entregas no quarto trimestre em relação aos três primeiros trimestres do ano, principalmente no segmento de Aviação Executiva, que normalmente apresenta um alto nível de sazonalidade com grande parte das entregas anuais ocorrendo no quarto trimestre.

O Resultado operacional (EBIT) e a Margem operacional reportados no trimestre foram negativos em R$ 197,8 milhões e -4,8%, respectivamente, comparados aos R$ 80,4 milhões negativos e aos -1,7% reportados um ano antes. Os resultados do trimestre incluem itens especiais que representam um impacto total positivo de R$ 41,7 milhões. Entre eles estão R$ 292,5 milhões de despesas com reestruturação relacionadas ao ajuste da força de trabalho ocorrido na companhia, R$ 68,9 milhões de provisão adicional para perdas de crédito esperadas durante a pandemia e R$ 317,2 milhões de reversão de impairment na Aviação Comercial, que impactou positivamente os resultados e R$ 85,9 milhões de reversão de impairment na Aviação Executiva, que também impactou positivamente os resultados do trimestre. “Não foram reconhecidos itens especiais nos resultados reportados no terceiro trimestre de 2019”.

Direcional (DIRR3)

A Direcional teve lucro líquido ajustado de R$ 33 milhões no terceiro trimestre de 2020, 27% acima do que o registrado em igual período de 2019.

O Ebitda ajustado totalizou R$ 73,8 milhões, 22% acima na base de comparação anual, enquanto a margem Ebitda ajustada somou 19,7%, alta de 3 pontos percentuais.

Em destaque, esteve o novo recorde de vendas líquidas para um único trimestre. O VGV (Valor Geral de Vendas) foi de R$ 458 milhões, acompanhado pela melhora de VSO (Vendas Sobre Oferta) de estoque, que alcançou 22% na versão consolidada.

Segundo o Credit Suisse, o resultado foi bastante forte e em linha com as expectativas do banco, avaliando que o próximo trimestre pode ser ainda melhor do que o terceiro trimestre, considerando que os lançamentos foram em parte concentrados no final do trimestre e que o mix de vendas possui em grande parte empreendimentos que ainda estão em estágio inicial de desenvolvimento.

Outro ponto importante é que a empresa tem acelerado a operação do Riva 9, bastante positivo dada a  preferência dos analistas na Bolsa pelo segmento de média e alta rendas, principalmente neste cenário de aumento de custos. Os analistas mantêm a recomendação outperform; contudo, ainda estão preocupados com a pressão na alta do preço e impacto nas margens, uma das razões pelas quais preferem o segmento de média/alta renda que a empresa tem exposição por meio da Riva.

A Linx registrou lucro líquido de R$ 3 milhões no terceiro trimestre de 2020, queda de 84,5% em relação ao mesmo período de 2019 e retração de 74,8% na comparação com o segundo trimestre. De acordo com a empresa, a piora reflete o impacto negativo no resultado financeiro com a redução gradual do CDI no período e aumento no custo da dívida da companhia, além de maiores custos de publicidade e implementação, efeitos das aquisições de empresas e consolidação das respectivas estruturas de custos e reversão líquida de earn-outs nos períodos.

Já o Ebitda totalizou R$ 44,635 milhões no terceiro trimestre, alta de 11,3% em relação a igual época do 2019. Na comparação com o segundo trimestre, porém, houve queda de 9,8%. O Ebitda ajustado atingiu R$ 57,4 milhões entre julho e setembro, acréscimo de 21,7% na comparação anual e queda de 4,7% em relação ao segundo trimestre. A receita recorrente atingiu R$ 215,5 milhões no terceiro trimestre, representando 85% da receita operacional bruta, aceleração de 18,5% em um ano e avanço de 3,7% ante o segundo trimestre.

“Destaca-se a contribuição da receita recorrente no trimestre como consequência da aceleração do processo de transformação digital dos varejistas. Adicionalmente, as evoluções são explicadas por iniciativas vinculadas ao quadro de funcionários e seus benefícios, postergação ou cancelamento de convenções e eventos e redução de despesas com viagem e hospedagem”, explicou a empresa em seu relatório trimestral.

No terceiro trimestre, o saldo de caixa e aplicações financeiras da companhia atingiu R$ 759,9 milhões, R$ 314,6 milhões abaixo do valor no terceiro trimestre de 2019 em função principalmente do desembolso decorrente das cinco aquisições de empresas e execução do programa de recompra das ações de emissão da companhia.

A dívida bruta da companhia encerrou o terceiro trimestre em R$ 515,4 milhões, alta de 23,5% ante o segundo trimestre. Enquanto isso, o caixa líquido ficou em R$ 244,5 milhões.

Ao final do terceiro trimestre, a Linx atingiu taxa de renovação de clientes de 98,8%, em linha com o trimestre anterior mesmo em meio a um cenário de pandemia.

O BTG Pactual registrou lucro líquido de R$ 1,002 bilhão no intervalo de julho a setembro deste ano, estável em relação ao observado um ano antes, quando atingiu R$ 1,003 bilhão. Ante o segundo trimestre do ano o lucro cresceu 2,5%. Pelo critério ajustado, o lucro foi a R$ 1,016 bilhão, recuo de 5% na base anual, porém um aumento de 3% em comparação com o observado ente abril e junho deste ano.

No terceiro trimestre do ano os ativos sob gestão do BTG atingiram R$ 329,3 bilhões, alta de 29% em um ano e de 8% ante o trimestre anterior, já mostrando crescimento de sua plataforma digital, diante de uma ofensiva no período que envolveu aquisições.

Na pandemia, o BTG tem emprestado mais. Sua linha de crédito corporativo registrou receita de R$ 425 milhões no terceiro trimestre do ano, alta de 106% em um ano e de 40% ante o visto no primeiro trimestre, melhor trimestre da história do banco. No período, o negócio de crédito voltado às pequenas e médias empresas (PMEs), por meio de antecipação de recebíveis via plataforma digital, atingiu um portfólio de R$ 5,8 bilhões. A carteira de crédito corporativo foi a R$ 68,29 bilhões no período, alta de 74% em um ano e de 19,4% ante o visto no segundo trimestre.

A receita total do banco no terceiro trimestre ao ano atingiu R$ 2,478 bilhões no intervalo analisado. Ante o mesmo intervalo de 2019 o número representa aumento de 13,5% e estável em relação ao período imediatamente anterior.

O retorno anualizado sobre o patrimônio líquido (ROAE) foi a 15,7% no trimestre passado, ante 20,8% no terceiro trimestre do ano passado e de 17,5% de abril a junho.

O patrimônio líquido do BTG no período findo em setembro foi a R$ 26,049 bilhões, expansão de 25,1% na relação anual e de 16% em relação aos três meses prévios. O índice de Basileia no terceiro trimestre foi de 17,5%, ante 15,1% um ano antes e de 19,6% em junho deste ano.

Já a linha de ativos totais do banco foi a R$ 253,2 bilhões, avanço de 50,7% ante o visto no mesmo intervalo do ano anterior. Ante o segundo trimestre do ano o aumento foi de 9%.

A Even assinou acordo para venda do seu hotel de luxo greenfield Fasano Itaim por R$ 310 milhões, 13% do seu market cap.

Para o Credit Suisse, a notícia é bastante positiva e a expectativa é de que grande parte desse valor vire dividendos, já que o projeto tem muito pouco capex faltando. A companhia tem alavancagem baixa em seu balanço e o foco é melhorar seu retorno sobre o patrimônio líquido, apontam.

A Vale informou que o acordo de acionistas assinado em 2017 entre a empresa e Litela Participações, Bradespar (BRAP4), Mitsui e BNDES, chegou ao fim na segunda-feira (9). Dessa forma, as ações e os votos desses acionistas deixam de estar vinculados ao acordo, que tinha o objetivo de proporcionar estabilidade à companhia durante a transição para o modelo de empresa de capital disperso.

O Itaú BBA afirma que vê um “caminho mais claro para melhoras na governança corporativa da empresa”, com um provável aumento gradual no número de conselheiros independentes. O banco afirma que cerca de 20% das ações da empresa devem ser vendidas pelos acionistas, porém de forma gradual, já que nem todos eles precisam de liquidez de curto prazo.

Os fundos de pensão e BNDESPar devem ser os mais prováveis a desinvestir, devido à necessidade de liquidez. O banco manteve a classificação das ações em outperform, com preço-alvo em 2021 em US$ 15.

Recomendações

A XP Investimentos retomou a cobertura do setor de farmácias com Pague Menos (PGMN3) como preferência no setor com recomendação de compra e preço alvo de R$ 13 por ação, Raia Drogasil (RADL3) com neutro e preço alvo de R$ 27,0 por ação e d1000 (DVMF3) com compra e preço-alvo de R$ 16 por ação.

“Estamos com uma visão construtiva para o setor farmacêutico brasileiro dadas as suas perspectivas de crescimento, oportunidades de consolidação e resiliência, enquanto acreditamos que a Covid-19 fortaleceu o foco dos consumidores em saúde e bem-estar e acelerou as tendências de digitalização do setor”, destacam os analistas.

Para a Pague Menos, os analistas destacam verem a empresa mais fortalecida e mais bem preparada para retomar seu crescimento, ao mesmo tempo em que veem espaço para a ação se valorizar com a captura de diversos ganhos de eficiência no curto prazo. Além disso, destacam o potencial adicional do Clinic Farma (serviços de saúde na farmácia) – a iniciativa pode adicionar pelo menos R$ 1,40 por ação ao preço alvo.

Sobre RD, apesar de ver a empresa bem posicionada para se beneficiar do potencial de crescimento do setor e oportunidades de consolidação, o preço alvo implica em uma valorização limitada enquanto as ações já estão negociando a um prêmio de 14% do múltiplo histórico.

Ao avaliar o potencial adicional das lojas da RD se tornarem centros de saúde e do lançamento do marketplace de saúde, eles podem adicionar pelo menos R$2,5 por ação ao preço alvo. “Porém, não incluímos esse ganho no nosso modelo devido à falta de informações e visibilidade”, afirmam.

Já o Itaú BBA iniciou a cobertura para a ação da Cury (CURY3), com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado), com preço justo de R$ 15,80 por papel.

A Azul concluiu a coleta de intenções de investimentos para emissão de debêntures conversíveis em ações, alcançando o valor de R$ 1,745 bilhão. A emissão de cerca de 1,8 milhão de debênture fica dentro de sua expectativa quando anunciou a emissão de cerca de 1,6 milhão de papéis, em 26 de outubro.

O grupo japonês Mitsui estuda vender sua participação na Gaspetro, informa o Valor. Por um preço de quase R$ 2 bilhões pagos em 2015, o conglomerado é dono de 49% da companhia de distribuição de gás natural controlada pela Petrobras, que mantém 51% do negócio. A empresa brasileira está em processo formal de venda do controle da empresa.

(Com Agência Estado, Bloomberg e Reuters)

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PIB do agronegócio se destaca enquanto Brasil enfrenta crise com coronavírus: qual o reflexo para as empresas da Bolsa?

Plantação de soja em Mato Grosso; Agronegócio (Paulo Fridman/Corbis via Getty Images)

SÃO PAULO – Se a economia sofre sobremaneira com os impactos da crise do coronavírus, o agronegócio brasileiro mais uma vez deve crescer e bater recordes como se estivesse alheio a essa situação. No início do mês, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, destacou que desempenho do setor tem evitado uma queda maior do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Enquanto o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê uma retração de 6% para o PIB geral em 2020, o instituto projeta que o PIB do agronegócio vai crescer 2,5% no mesmo período. Isso tomando como base a previsão de safra do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Usando a projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a expansão do setor deve ser de 2,3%.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou em 8 de agosto que o PIB do agronegócio brasileiro avançou 4,65% nos primeiros cinco meses do ano.

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De acordo com estimativas da consultoria MacroSector, o PIB recuará 8% em 2020, mas o agronegócio deve crescer pelo menos 1,8% no ano pela mesma metodologia.

A Conab elevou recentemente sua projeção para a produção brasileira de milho em 1,6% para 102 milhões de toneladas diante do clima mais favorável, e manteve suas expectativas para a soja em 121 milhões de toneladas. O volume da produção total de grãos no país está estimado em 253,7 milhões de toneladas, número 4,8% superior ao dado apurado em 2018/19.

Uma das razões para este desempenho destoante tem a ver com o quadro macroeconômico da China hoje. Para repor os plantéis de porcos perdidos em 2019 durante a epidemia de peste suína africana, os chineses devem consumir muito milho moído e farelo de soja, que são utilizados na alimentação destes animais. Foram quase 7 milhões de suínos abatidos em toda a Ásia no ano passado.

O Brasil é o maior exportador de soja do mundo, tendo sido responsável por 56% das exportações globais do grão em 2018, de acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Estamos caminhando para uma nova safra recorde. Grande parte da safra já foi comercializada e os grandes produtores estão rentabilizados. Fora isso, não vemos nenhum evento climático impactando o agronegócio de maneira negativa”, avalia Ricardo Jacomassi, sócio da TCP Partners.

Para o futuro, Fábio Silveira, sócio-diretor da MacroSector, afirma que os resultados não devem ser tão extraordinários quanto na safra 2020-2021, pois boa parcela do efeito positivo já se realizou este ano. Contudo, não vê isso como um motivo tão grande para preocupação.

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O que pode ser um problema mesmo, na opinião de Silveira, são as próximas decisões do Banco Central. “O câmbio ajudou muito no primeiro semestre, porque o BC, mesmo com a quantidade de reservas de dólares à disposição, deixou a moeda flutuar. Em consequência, alguns produtos como a soja terão remuneração 20% acima do que tiveram no ano passado”, analisa.

Segundo Silveira, a partir de 2021 o importante é observar de que maneira a autoridade monetária irá atuar nessa realidade de juro real negativo, com a Selic em 2% ao ano, e a inflação próxima de 3%. “Como o BC vai reagir diante de um juro abaixo da inflação? Se subir a Selic, pode prejudicar o mercado local e o agronegócio tem uma fatia significativa de vendas domésticas, em torno de 60% do total”, alerta.

Confira o compilado de recomendações dos analistas para as empresas da Bolsa ligadas ao agronegócio

Empresa Ticker Recomendações de Compra Recomendações Neutras Recomendações de Venda Preço-alvo médio Upside para preço-alvo médio* Variação das ações no ano até agora
Brasil Agro AGRO3 2 1 0 R$ 21,50 +6,07% +5,99%
BRF BRFS3 7 3 1 R$ 28,65 +38,27% -42,27%
Cosan CSAN3 5 5 0 R$ 77,73 -7,45% +23,26%
JBS JBSS3 13 0 1 R$ 34,09 +39,54% -3,88%
Marfrig MRFG3 9 3 0 R$ 17,69 +1,84% +73,90%
Minerva BEEF3 6 4 0 R$ 15,27 +11,38% +4,52%
São Martinho SMTO3 8 4 0 R$ 24,57 +0,33% +1,71%
SLC Agrícola SLCE3 3 5 1 R$ 24,89 -0,72% +3,21%
Terra Santa TESA3 0 0 0 Sem dados Sem dados -18,62%

Fonte: Reuters
*Usando como referência a cotação com que eram negociados os papéis às 14h47 (horário de Brasília) de 20 de agosto de 2020. 

Na semana passada, a SLC Agrícola (SLCE3) reportou seu resultado referente ao segundo trimestre de 2020 e os analistas Martinez Cerdan e Roberto Browne, do Morgan Stanley, escreveram em relatório que os números comprovaram a resiliência do agronegócio. A companhia teve lucro líquido de R$ 196,1 milhões e receita líquida de R$ 562,6 milhões.

“Apesar dos preços da soja e do milho terem caído em dólares, eles continuam atrativos para os produtores brasileiros devido ao câmbio depreciado e ao prêmio da soja no Brasil, que aumentou por causa das disputas comerciais entre Estados Unidos e China”, analisam.

Hoje, pouco mais de 98% dos grãos de soja da safra 2019/2020 da SLC já estão vendidos com um preço de US$ 9,80 por bushel ou US$ 21,61 por saca, além de 49% da safra seguinte ao preço de US$ 9,70 o bushel (US$ 21,38 por saca).

A preocupação da equipe de análise do Morgan Stanley fica apenas com a produção de algodão, pois a indústria têxtil foi atingida com força pela pandemia de coronavírus, impactando os preços da commodity. Entretanto, o real desvalorizado mais que ofuscou este efeito no trimestre, o que garantiu a rentabilidade da operação.

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Já os analistas Victor Saragiotto e Felipe Vieira, do Credit Suisse, classificaram os números da SLC como “saudáveis”. O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) de operações agrícolas cresceu 30,9% na comparação com o mesmo período do ano passado, chegando a R$ 144,9 milhões graças aos maiores preços da soja.

“O crescimento do Ebitda é explicado principalmente pela maior receita bruta unitária para soja, que avançou 103,9% na comparação anual, e para volumes maiores de grãos de soja vendidos no segundo trimestre de 2020, com aumento de 49,6%, enquanto a queda nas margens é parcialmente explicada pela menor receita bruta unitária para o algodão, que recuou 71% na base anual”, avalia a equipe de análise do banco suíço.

O Credit Suisse destaca ainda que a SLC já comprou quase todos os fertilizantes e defensivos agrícolas necessários para a safra 2020/2021 a preços significativamente mais baixos em dólar, o que é vantajoso em um cenário de real mais depreciado daqui para frente. Outro ponto positivo é que a empresa conseguiu proteger 59,8% da sua produção de algodão a preços atrativos na moeda nacional.

Todavia, os analistas lembram que a redução nas estimativas para as margens do algodão nesta safra deve prejudicar essa parte das operações da SLC.

Já a Terra Santa Agro (TESA3), que é focada na produção agrícola de algodão, soja e milho teve prejuízo líquido de R$ 10,1 milhões no segundo trimestre de 2020, pior que os R$ 3,4 milhões de prejuízo registrados no segundo trimestre de 2019. O Ebitda da companhia foi de R$ 79,9 milhões, ante R$ 49,9 milhões no mesmo período do ano passado e a receita líquida foi de R$ 229,6 milhões, contra R$ 86,5 milhões no segundo trimestre de 2019.

A equipe de análise da Nord Research considera a companhia uma má aposta no setor por conta da histórica falta de rentabilidade das operações, que compensariam a eficiência operacional defendida pela administração.

Trimestre histórico para frigoríficos

Para os frigoríficos com ações negociadas em Bolsa como BRF (BRFS3), JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3) e Minerva (BEEF3), o cenário também é bom, pois os asiáticos ainda precisam de muita carne para compensar as perdas de 2019. “Conseguimos atender à demanda chinesa e nos tornamos muito competitivos com a moeda no patamar atual”, diz Ricardo Jacomassi.

Segundo a XP Investimentos, os frigoríficos animam porque o impacto da peste suína foi tão grande que vai levar mais cinco anos para oferta e demanda estarem novamente alinhadas. “O modelo de produção de suínos deles é muito pulverizado e baixo. A China teve uma queda entre 30% e 40% dos plantéis. O comércio mundial não consegue cobrir o tanto que foi abatido.”

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Na avaliação da XP, para não haver desabastecimento no país mais populoso do mundo, será necessário alterar o padrão de consumo dos chineses, que comiam em média 5 kg de carne bovina per capita por ano, metade da média global e muito abaixo dos 35 kg que o brasileiro médio consome anualmente.

“Dito isso, os setores de carne bovina e suína no mundo já estão se aproveitando deste cenário e isso deve continuar para os próximos semestres.”

No segundo trimestre, os grandes frigoríficos brasileiros tiveram resultados bastante sólidos. Um dos mais elogiados deles foi o da JBS, sobre o qual a equipe de análise do Credit Suisse fez a seguinte pergunta: “como alguém pode não estar otimista?”

Os analistas do banco suíço, Victor Saragiotto e Felipe Vieira, destacaram que esperavam que a empresa entregasse seus melhores dados operacionais da história, mas não podiam antecipar quão fortes eles seriam. “A receita cresceu 32,9% na comparação anual a R$ 67,6 bilhões e o Ebitda ajustado teve uma disparada impressionante de 105,9% em relação ao segundo trimestre de 2019, para R$ 10,5 bilhões”, lembram.

A divisão de carne bovina do frigorífico nos EUA foi a principal responsável pelo desempenho extraordinário. “As margens na JBS USA Beef cresceram em 11,5 pontos percentuais, para 20,4% em meio a um recorde nos spreads dos preços da proteína de boi.”

Na avaliação dos analistas, o segundo trimestre de 2020 foi histórico e dificilmente será batido, porém, o momentum deve durar por muito mais tempo. “O nível mais depreciado do real deve ajudar a ofuscar parcialmente a pressão de custos que está por vir nas marcas Seara e Friboi.”

Já a XP ressaltou que todas as unidades do frigorífico apresentaram bons resultados, mas aquelas focadas em carne bovina se sobressaíram.

“A empresa registrou lucro de R$ 3,4 bilhões, número 173,9% acima das nossas estimativas. A geração de fluxo de caixa livre foi de R$ 9,5 bi (+176,5% A/A) e a alavancagem em reais caiu para de 2,8 vezes [no múltiplo dívida líquida dividido pelo Ebitda] no segundo trimestre de 2019 para 2,1 vezes agora. A empresa segue contando com um balanço forte, com quase R$ 31,3 bilhões em caixa e equivalentes”, resumiu a equipe de análise da corretora em relatório.

A Minerva, por sua vez, também surpreendeu o Credit Suisse, com crescimento de 9,3% da receita líquida na comparação anual. O Ebitda de R$ 590 milhões animou a equipe de análise, mostrando um avanço de 62,2% em relação ao segundo trimestre de 2019. O número foi ainda 4,5% acima das projeções do banco suíço.

De acordo com o Credit, os resultados foram impulsionados principalmente pela depreciação de 20,4% sofrida pelo real no trimestre e pela sólida demanda por carne na Ásia.

Graças ao efeito cambial, os preços das exportações aumentaram 60,4% na base anual. Outro destaque é que a alavancagem caiu de 2,9 vezes para 2,6 vezes no múltiplo dívida líquida dividida pelo Ebitda ajustado na comparação trimestral.

Do lado dos custos, o preço do gado se manteve sob controle, o que combinado com o desempenho forte nas exportações levou a margem bruta a 23,2%. A parte negativa ficou por conta dos menores volumes na divisão Brasil e na Athena Foods.

Para os analistas do Credit, a Minerva deve continuar a se beneficiar de um cenário favorável para exportações de carne nos próximos trimestres devido ao grande déficit na oferta provocado pela epidemia de peste suína africana no ano passado.

Todavia, como o momentum para o gado brasileiro é menos favorável e 80% dos custos da empresa são relacionados à compra de gado, o Credit Suisse não espera qualquer alívio para os custos nos próximos trimestres.

Já a equipe de análise do Morgan Stanley, que previa um Ebitda 7% menor para a companhia no período, os pontos positivos foram a geração de fluxo de caixa livre e a menor alavancagem.

“Foi uma performance impressionante, particularmente se considerarmos a disseminação da pandemia e os lockdowns associados a ela”, resumem os analistas. Por outro lado, os analistas do banco americano ressaltam que a receita decepcionou principalmente no mercado doméstico de carne bovina.

Mas o grande destaque mesmo foi da Marfrig, que teve lucro de R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre de 2020, contra R$ 87 milhões no mesmo período do ano passado. O Ebitda da companhia foi de R$ 4,07 bilhões e a receita líquida atingiu R$ 18,9 bilhões. O Credit Suisse classificou o resultado como “um ano em um trimestre”.

“As razões para este desempenho deslumbrante são um trimestre espantosamente positivo para a National Beef, que teve 23,7% de margem Ebitda [Ebitda dividido pela receita líquida] ajustada impulsionada pelas vendas de carne bovina nos EUA, e um grande resultado na América do Sul com 13,9% de margem Ebitda ajustada puxada pela depreciação do real e pelo aumento no mix de exportações”, argumenta o banco suíço.

Os analistas André Hachem, Gustavo Troyano, Renan Moura e Leonardo Marcondes, do Itaú BBA, realçaram a queda na alavancagem, que caiu para 2,1 vezes, de 3,6 vezes no primeiro trimestre de 2020. “As operações da companhia foram fortes, com margens recordes na América do Norte e na América do Sul. Os destaques ficam por conta da geração de fluxo de caixa livre e da desalavancagem”, concluem.

Já a equipe de análise do Bradesco BBI destaca que a receita veio 10% acima das projeções do mercado com o sucesso das vendas na América do Norte e que o Ebitda foi 24% superior ao esperado pelo banco e 52% maior que a expectativa mediana dos analistas do mercado graças a despesas com vendas, gerais e administrativas 40% abaixo das esperadas.

“No segundo trimestre de 2020 a Marfrig se beneficiou de fechamento de diversas plantas de frigoríficos nos EUA devido a casos de Covid-19, o que levou a um excedente de animais para o abate que reduziu os custos com compra de gado, além de uma menor oferta de carne no mercado graças à menor capacidade de processamento da indústria, o que elevou os preços da carne bovina”, analisou Leandro Fontanesi do Bradesco.

Para ele, as margens da proteína bovina devem “voltar ao normal” nos próximos trimestres, apesar do excedente de animais para o abate continuar por mais 12 meses. “Os preços da carne bovina estavam 36% superiores no segundo trimestre de 2020 na comparação anual e o custo do gado estava 13% inferior na mesma base, mas agora a carne bovina está 5% mais barata do que no terceiro trimestre de 2019 e o preço do gado está 10% menor na mesma comparação.”

As dúvidas agora, na avaliação do analista, são sobre a sustentabilidade da geração de fluxo de caixa livre, que chegou a R$ 3,3 bilhões no trimestre passado, porém seria necessário observar o comportamento deste indicador de agora em diante para se obter mais clareza a respeito da trajetória do caixa da empresa.

Na contramão, o Credit Suisse está muito mais otimista e os analistas esperam que o segundo semestre de 2020 seja melhor do que o segundo semestre de 2019, com novos recordes de rentabilidade e geração de fluxo de caixa. Em grande parte porque o declínio no abate de gado no segundo trimestre de 2020 impediu o abate de 1,2 milhão de cabeças.

“Vemos esse acúmulo de novilhos proporcionando um abastecimento confortável por mais de dois trimestres mesmo assumindo que a indústria de carne bovina dos Estados Unidos operará na taxa de utilização máxima, o que não acreditamos ser viável dada a pandemia”, preveem os analistas do Credit.

Vale lembrar que Miguel Gularte, CEO das operações na América do Sul da Marfrig, disse em live do InfoMoney que não descarta a possibilidade de fazer uma Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês) nos Estados Unidos. Segundo Gularte, a administração está trabalhando para deixar a empresa pronta para essa operação, caso ela seja aprovada em algum momento pelo Conselho de Administração.

A equipe do banco suíço ficou bem menos entusiasmada com o resultado da BRF, que classificou como “bom, mas nada excitante”. Os principais pontos lembrados foram o Ebitda de R$ 1 bilhão, que caiu 15,4% na comparação com o segundo trimestre de 2019, em linha com as projeções do Credit.

“O desempenho decente é explicado pelos volumes mais elevados e pelos preços no mercado doméstico, que subiram 6,3% e 7% na base anual respectivamente, além dos preços 15% superiores no mercado internacional, impulsionados por Ásia e pelo segmento Halal (carne produzida seguindo os preceitos da religião islâmica)”, explicam os analistas.

Do lado negativo, os volumes de aves vendidas para a Ásia caíram 6,7% na comparação anual e a carna Halal teve volumes 3,7% inferiores apesar dos preços mais altos. A perda de market share no Brasil, para 43,4% no quinto e sexto meses do ano, contra 44,2% no mesmo período do ano passado, também foi apontado como fator preocupante.

Para os analistas do Credit Suisse, o câmbio depreciado vai beneficiar os resultados da BRF no terceiro trimestre de 2020, mas a queda de 18% nos preços de aves em dólar vão manter a expansão da receita da companhia abaixo das expectativas.

A XP considerou os resultados do segundo trimestre da BRF mais fracos que o esperado. Uma das frustrações veio da margem Ebitda. Segundo a XP, isso ocorreu porque os custos continuam pressionando o frigorífico.

“Do lado positivo, as mudanças nos hábitos de consumo em função da pandemia ajudaram as vendas de alimentos processados no mercado interno, aumentando as margens e levando a receita líquida para R$ 9,1 bilhões”, reforçaram os analistas em relatório a clientes.

O Bradesco BBI, mais otimista com a ação, viu com bons olhos o aumento de 13% na comparação anual dos volumes de alimentos processados no Brasil, que ajudaram a BRF a reportar uma receita líquida de R$ 9,1 bilhões e um lucro líquido de R$ 307 milhões no trimestre.

A preocupação ficou pelo lucro 1% menor que o esperado nas operações internacionais, explicado pelos embarques de exportações menores que o esperado depois do ciclone que atingiu a região Sul do Brasil e pela menor utilização de capacidade por causa da pandemia.

Coronavírus em frigoríficos

O problema para o futuro das empresas que produzem carne no Brasil é acompanhar os surtos de coronavírus em frigoríficos brasileiros e suas repercussões internacionais.

Fábio Silveira, da Macrosector, afirma que o nível de contágio da Covid-19 no Brasil tornou-se um empecilho para aumentar ainda mais as vendas, uma vez que alguns países torcem o nariz para a carne brasileira diante da imagem que se consolidou no exterior de que a pandemia está descontrolada no País.

O problema foi exacerbado na semana retrasada quando uma amostra de asas de frango congeladas importadas do Brasil pela China apresentou resultado positivo para o coronavírus.

A amostra contaminada pelo vírus foi retirada do próprio frango, ao contrário do que já havia ocorrido antes, de cargas nas quais a Covid-19 foi identificada nas embalagens. Depois do ocorrido, a China negou que fosse tomar, por enquanto, qualquer medida de restrição contra a carne brasileira.

No entanto, o governo de Hong Kong suspendeu na última terça-feira (18) a importação de carne de frango da unidade da Aurora Alimentos de Xaxim (SC).

“Por uma questão de prudência, o CFS também suspendeu temporariamente o pedido de licença de importação de carne de frango para Hong Kong da fábrica em questão (número de registro: SIF601), enquanto espera por mais investigação do caso e detalhes de teste das autoridades competentes”, diz o comunicado.

Também na terça-feira, surgiu a possibilidade de uma greve dos trabalhadores dos frigoríficos brasileiros caso o índice de contaminação pela Covid-19 nessas empresas, estimado em até 25%, não seja reduzido.

“Não é esse nosso desejo. Queremos mesmo é buscar o diálogo, com entendimento para uma produção sustentável dentro da situação anormal que vivemos. Mas se os frigoríficos continuarem irredutíveis, radicais e não quererem abrir uma negociação, essa possibilidade de paralisação não está descartada”, afirmou ao site da Globo Rural Artur Bueno de Camargo, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Alimentação (CNTA).

Para Luiz Deoclecio Fiore de Oliveira, CEO da consultoria Onbehalf, pode ocorrer alguma restrição nas entregas neste momento, mas isso é temporário. “Uma coisa é os países ficarem com uma certa insegurança por algum indício e outra é cancelarem os contratos por uma situação como essa. Esses países [como a China] dependem muito das exportações brasileiras e não vejo nenhuma ruptura severa no comércio exterior”, avalia.

Açúcar e etanol

Mesmo o setor sucroalcooleiro, que tem um cenário menos positivo que os demais, teve pontos positivos no trimestre. Principalmente com a performance excepcional da São Martinho (SMTO3).

A equipe de análise do Morgan Stanley ressalta que a São Martinho conseguiu entregar fortes resultados e um crescimento de 41% no Ebitda ajustado do primeiro trimestre do ano-safra 2020/2021, atingindo R$ 491 milhões. O lucro líquido da companhia foi de R$ 116 milhões.

O real mais depreciado ajudou a empresa a conseguir preços e margens maiores na exportação de açúcar, o que mais que compensou a fraca demanda por etanol.

“Os volumes de etanol se expandiram em 3%, mas os preços caíram 14% devido à demanda mais baixa e ao aumento da competitividade nos preços dos derivados de petróleo. Entretanto, os preços do açúcar em real aumentaram em 17% impulsionados pela depreciação do câmbio ao mesmo tempo em que os volumes vendidos quase dobraram”, avaliam os analistas Martinez Cerdan e Roberto Browne.

Já a equipe de análise do Bradesco BBI destaca que a receita líquida de R$ 1,025 bilhão reportada pela São Martinho foi 20% superior à mediana das projeções do mercado e 31% maior que a estimativa do próprio Bradesco graças ao desempenho extraordinário das vendas de açúcar.

Para os analistas Leandro Fontanesi e Vicente Falanga, mesmo uma sobreoferta de etanol é improvável hoje devido à retomada da demanda que ocorre desde que foram relaxadas as medidas de isolamento social tomadas para impedir a proliferação do coronavírus. “Mesmo se assumirmos uma uma redução de 15% nas vendas de etanol no segundo semestre de 2020 os estoques seriam 10% menores no final deste ano do que foram em dezembro de 2019”, explicam.

O único risco que torna a equipe do Bradesco mais cautelosa com o ativo é que com a guerra de preços do petróleo que ocorreu no começo de 2020 entre Rússia e Arábia Saudita, as usinas brasileiras decidiram produzir o máximo possível de açúcar na safra 2020/2021. Isso porque com a queda nas cotações do petróleo o etanol se tornou menos atrativo como combustível e a produção sucroalcooleira do País foi redirecionada para o grão de açúcar, o que deve contribuir para um excesso projetado de 5 milhões de toneladas da commodity no mundo.

Todavia, no mesmo setor, a Cosan (CSAN3) teve números bem menos animadores. O analista Regis Cardoso, do Credit Suisse, apontou que o Ebitda de R$ 518 milhões reportado pela empresa foi 41% menor que as projeções do banco, embora as estimativas já tivessem sido revisadas para levar em consideração os impactos da quarentena.

“Esse certamente foi um trimestre único e não representa os níveis normalizados de produção daqui para frente. Ainda assim, não há como fugir do fato que os resultados foram muito fracos”, opina. Cardoso argumenta que as perdas de estoque e as deseconomias de escala são parte da explicação do porquê o segundo trimestre ter sido tão fraco.

Contudo, ele vê outras razões intrínsecas ao grupo Raízen para a decepção nas demonstrações financeiras. “A Raízen Combustíveis teve seu menor Ebitda da história em R$ 65 milhões, dado 79% abaixo das nossas estimativas. As perdas de estoques e escala devem ter sido muito mais relevantes do que antecipamos, dada a redução de margens.”

Analisando a perspectiva macro para o setor sucroalcooleiro, o sócio da TCP Partners, Ricardo Jacomassi, afirma que uma penosa combinação de demanda fragilizada para etanol com consumo de açúcar pressionado prejudicam o futuro das empresas. “Boa parte das redes de restaurantes e bolos estão fracas por conta da pandemia”, ressalta.

Deste modo, as companhias do setor que tinham situações menos saudáveis de dívida devem ser impactadas de maneira mais contundente. “Algumas empresas do setor sucroalcooleiro buscaram linhas de financiamento de capital e estas quase não foram abertas no semestre.”

Neste ponto, novamente a Cosan se destacou negativamente. A dívida líquida da empresa aumentou de R$ 2,9 bilhões no primeiro trimestre deste ano para R$ 14,5 bilhões no segundo trimestre. “O acréscimo no endividamento não pode ser integralmente explicado pela queima de caixa e pode ser parcialmente atribuído aos dividendos de R$ 700 milhões, ao capital de giro para empilhar estoques de açúcar e etanol na Raízen Energia e à desvalorização do real sobre a dívida denominada em dólar.”

Jacomassi projeta projeta uma retomada na demanda por etanol apenas no segundo semestre de 2021. “Ainda há muita incerteza a respeito de quando teremos uma vacina para o coronavírus e o primeiro trimestre de cada ano costuma ser de menos movimento graças aos feriados, então é de se imaginar uma recuperação mais lenta para o combustível”, explica.

Medidas do governo

“O contexto atual da pandemia trouxe desafios para todos”, lembrou Campos Neto, citando medidas recentes tomadas pelo governo com foco no setor do agronegócio. “Ajudamos a construir a Lei do Agro, sancionada em abril”, citou. “A partir de 1º de julho, consolidou-se contratação simplificada de crédito rural, demanda antiga do setor”, completou.

A Lei 13.986/2020, conhecida como Lei do Agro, foi feita com o objetivo de ampliar o mercado de crédito privado para o agronegócio brasileiro por meio da criação de novas modalidades de garantia como o Fundo Garantidor Solidário (FGS). Enquanto isso, a contratação simplificada de crédito rural foi uma série de medidas emergenciais criadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para desburocratizar a concessão de financiamentos aos produtores.

Luiz Fiore da Onbehalf ressalta que a facilitação do crédito aumentou o financiamento e pode trazer superávits ainda maiores na Balança Comercial. “Na medida em que você fomenta um mercado que já tem uma demanda grande e com capacidade para aumentar ainda mais, ajuda bastante”, defende.

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Ações da Cosan amenizam após queda forte e São Martinho sobe após resultados; Petrobras avança seguindo petróleo

SÃO PAULO – Em uma sessão de leves ganhos para o Ibovespa, quem ganha destaque entre as altas são as ações de aéreas, com Gol e Azul subindo forte seguindo o bom-humor dos mercados com a expectativa de estímulos nos EUA.

Já na ponta oposta, a Cosan chegou a ver as suas ações em baixa de mais de 3% após a divulgação de resultado, mas amenizaram, enquanto São Martinho avança mais de 3% depois do balanço.

As ações da Petrobras, por sua vez, sobem seguindo o petróleo. O brent registrava alta de 1,3%, a US $ 45,61 o barril, enquanto o WTI tinha alta de 1,7%, a US$ 42,66, sustentados pelas expectativas de estímulo econômico dos EUA para apoiar o maior consumidor de petróleo do mundo, bem como uma recuperação na demanda asiática com a reabertura das economias. No radar da estatal, ela lançou mais uma divulgação de oportunidade, dando assim prosseguimento ao seu processo de venda de ativos.

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Confira no que ficar de olho:

O Morgan Stanley reduziu a classificação da Embraer de “equal-weight” para “underweight”. Já o preço-alvo foi reduzido pela metade, de US$ 9 para US$ 4,50.

A redução das expectativas para o Ebitda e uma visão mais cautelosa para a divisão de aeronaves comerciais, além de um consumo de caixa ainda intenso no segundo semestre, são os fatores que justificam essa alteração.

O Morgan Stanley espera que a Embraer consiga entregar apenas 35 aeronaves comerciais em 2020 e, no ano que vem, 2021. As projeções anteriores eram de, respectivamente, 54 e 80.

A Cosan registrou um prejuízo líquido de R$ 174,4 milhões no segundo trimestre, ante lucro de R$ 418,3 milhões no mesmo período de 2019. O resultado negativo é consequência dos efeitos da pandemia da Covid-19 e da valorização do câmbio.

O Ebitda foi de R$ 517,8 milhões, uma queda de 56,5% no comparativo anual. Na mesma base de comparação, a receita caiu 33,1%, para R$ 11,8 bilhões.

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A alavancagem mensurada pela relação entre dívida líquida e Ebitda subiu para 2,4 vezes.

O resultado da Cosan foi considerado fraco pelo Credit Suisse, mesmo considerando que a empresa sofreria os impactos das medidas de distanciamento social. “Os principais culpados pelo não cumprimento das (nossas) expectativas foram a Raízen Combustíveis Brasil e Argentina, que vieram bem pior do que antecipávamos”, disseram, em relatório, os analistas da instituição financeira.

Entretanto, o Credit Suisse lembra que o resultado do segundo trimestre foi atípico, uma vez que já há uma recuperação da mobilidade e dos preços.

A Itaúsa, holding do Itaú Unibanco que também tem participações em empresas industriais, registrou lucro líquido de R$ 598 milhões no segundo trimestre do ano, queda de 75,4% ante mesmo período de 2019. O recuo, segundo à empresa, é consequência de uma baixa contábil relativa à participação no Corpbanca e doações para combate à Covid-19.

Excluindo esses efeitos, o lucro recorrente seria de R$ 1,43 bilhão, uma queda de 40,7%.

O impairment (ajuste contábil) sobre o investimento na unidade Corpbanca, no Chile, foi de R$ 543 milhões de reais no trimestre. A holding doou 50 milhões próprios e contabilizou outros R$ 312 milhões feitos pelo Itaú Unibanco para o programa “Todos pela Saúde”.

São Martinho (SMTO3)

A fabricante de açúcar e etanol São Martinho apresentou lucro líquido de R$ 115,7 milhões no primeiro trimestre da safra 2020/21, avanço de 26,5% ante igual período do ano anterior.

O Ebitda ficou em R$ 491 milhões, alta de 41,1%.

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O Bradesco BBI destacou que o aumento do volume da produção de açúcar contribuiu para o resultado da companhia e também para a visão mais otimista do banco de investimento, que elevou o preço-alvo da São Martinho de R$ 22 para R$ 26, mas agora visando 2021.

“O que nos impede de sermos mais otimistas é a nossa visão cautelosa sobre os preços do açúcar, uma vez que as usinas também podem favorecer o açúcar em relação ao etanol na safra 2021/22”, avaliaram.

Já o Morgan Stanley lembrou que o câmbio também contribuiu para o resultado. “O câmbio mais fraco resultou em melhores preços e margens do açúcar e isso mais do que compensou o ambiente fraco do etanol”, disseram os analistas do banco americano.

BTG Pactual (BPAC11)

O BTG Pactual registrou um lucro líquido de R$ 987 milhões no segundo trimestre do ano, uma leve alta de 0,5% na comparação com igual período de 2019.

A maior parte dos resultados veio do segmento de “trading”, que registrou receita de R$ 1,02 bilhão, alta de 15% no comparativo anual. A receita total foi de R$ 2,48 bilhões, alta de 14%.

Guararapes (GUAR3)

A Guararapes, controladora da Riachuelo, teve prejuízo de R$ 296,2 milhões no segundo trimestre de 2020, revertendo lucro líquido de R$ 54,9 milhões no mesmo período de 2019.

A receita líquida caiu 52,4%, de R$ 1,8 bilhão para R$ 885,8 milhões, enquanto o Ebitda ficou negativo em R$ 289,2 milhões, contra um resultado positivo de R$ 234,7 milhões na mesma base de comparação. O Ebitda ajustado foi negativo em R$ 291 milhões, contra resultado positivo de R$ 234,7 milhões.

A margem Ebtida da Guararapes ficou negativa a 32,9%, ante a margem positiva de 12,6%.

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O SSS (vendas mesmas lojas) caiu 69,7%, pressionado pelo fechamento das lojas da Riachuelo no início do trimestre em razão da pandemia de covid-19. As unidades retomaram gradualmente as suas atividades ao longo do período, mas 106 lojas ainda não tinham sido reabertas ao fim de junho.

A dívida líquida da Guararapes fechou o trimestre em R$ 1,614 bilhão.

Os analistas do Bradesco BBI consideraram as vendas da Guararapes fracas, mas foram melhores se comparadas às expectativas do segmento de serviços financeiros.

O BBI destacou ainda o desempenho da Guararapes no comércio eletrônico e o esforço feito para evitar uma queima de caixa. No entanto, vê um cenário ainda difícil para o setor. “Continuamos esperando que o segmento de roupas seja um dos que menos se recuperem e, no final de junho, apenas 217 das 323 lojas estavam abertas”, destacaram.

A recomendação para a ação da Guararapes foi mantida em “neutra”.

Vulcabras Azaleia (VULC3)

A Vulcabras Azaleia teve prejuízo líquido de R$ 75,4 milhões no segundo trimestre de 2020, revertendo lucro de R$ 30 milhões registrado em igual período do ano passado.

Já a receita líquida teve queda de 69,8%, passando de R$ 327 milhões para R$ 98,7 milhões. O Ebitda passou de R$ 50,5 milhões positivos para um valor negativo de R$ 55,1 milhões. A margem Ebitda teve forte queda de 71,2 pontos percentuais, para -55,8%.

O volume bruto faturado foi de 2,8 milhões de pares e peças de calçados, 57,9% menor no comparativo anual.

A Petrobras divulgou mais uma atualização sobre a venda de seus ativos. Dessa vez, a estatal comunicou que deu início ao processo para venda de 50% a 100% da participação que detém na concessão BM-S-51, localizada no polígono pré-sal da Bacia de Santos, segundo fato relevante divulgado na noite de segunda-feira.

A Petrobras opera esse ativo em que tem 80% de participação. O restante está com a Repsol Sinopec Brasil.

O primeiro passo para o desinvestimento é a divulgação de oportunidade (teaser).

A companhia estatal ainda anunciou o pagamento de R$ 950 milhões à Petros por acordo com a Sete Brasil.

“O acordo extinguiu o litígio sem reconhecimento de culpa ou responsabilidade por ambas as partes e não afeta outras ações judiciais ou arbitragens envolvendo as partes, bem como outros litígios envolvendo o investimento na Sete Brasil”, destacou a companhia.

Vale (VALE3) e siderúrgicas

O minério de ferro sobe em Singapura e é negociado perto do nível mais alto em um ano com a recuperação econômica da China da pandemia, o que alimenta a crescente demanda pela matéria-
prima para produção de aço. Em Dalian, na China, o contrato futuro subiu 2,33%.

As importações de minério de ferro pelo país atingem recorde e JPMorgan aumentou sua previsão de
preço médio para 2021 para US$ 100 a tonelada. Com diminuição das restrições à mobilidade e melhora da economia, vendas de carros na China aceleram 7,9% em julho, um movimento que também
foi visto na Rússia e no Brasil.

O Ministério Público Federal (MPF) pediu para a Justiça impedir eventual mudança da sede da JBS até a efetiva reparação integral de prejuízos causados pela empresa.

A JBS e a J&F afirmaram em nota que todas as operações com o BNDES seguiram os procedimentos legais e transparência, e que a regularidade técnica das transações foi confirmada por investigação independente contratada pelo BNDES.

Ainda no radar da companhia, a unidade da JBS na Austrália iniciou o fechamento de sua
unidade de processamento de carne por tempo indeterminado devido ao coronavírus.

A fábrica da BRF em Toledo (PR) contabilizou 1.138 casos confirmados de Covid-19, o que representou 29% dos casos da doença em frigoríficos do Paraná, segundo dados mais recentes de autoridades de saúde do estado. A unidade da BRF em Carambeí teve apenas 5.

Em resposta, a BRF, maior exportadora de carne de frango do mundo, afirmou que “não há nenhum colaborador testado positivamente para Covid-19 trabalhando atualmente em suas unidades de Toledo e Carambeí”.

O Bradesco BBI elevou o preço-alvo da Dimed, que opera a rede de drogarias Panvel, para R$ 39 para 2021, ante R$ 33 da expectativa anterior (2020). A empresa foi mantida em “outperform”.

Os analistas da instituição financeira destacaram o plano de expansão da rede após a conclusão da oferta de ações, que inclui a abertura de 396 lojas em cinco anos e melhor o canal digital e a logística.

Os analistas destacaram ainda que as ações da empresa sofreram um desconto de 20% desde a oferta de ações, influenciada pelas notícias de aumento de concorrência, em especial no Paraná, onde um dos concorrentes espera levantar capital para novas expansões. “Em nossa opinião, esta correção abre espaço para um ponto de entrada atraente, já que esses players podem não ser tão competitivos quanto a Panvel”, avaliaram.

E a fabricante de armas Taurus foi mais uma que anunciou acordo com os bancos para reescalonamento de dívida. Nesse caso, o compromisso, de R$ 123 milhões, havia vencido em junho.

“O montante será adequado ao fluxo de caixa futuro da companhia e diluído nos próximos 31 meses”, afirmou a Taurus em fato relevante.

Ecorodovias (ECOR3)

A Ecorodovias divulgou uma nova parcial do volume de tráfego em suas concessões, dessa vez levando em conta o período entre os dias 16 de março e 9 de agosto.

O movimento de veículos pesados e de passeio caiu, nesse período, 16,1% na comparação com igual período do ano passado (tráfego de 121,5 milhões de veículos). Os maiores recuos ocorreram na Ecopistas, que administra o corredor Ayrton Senna/Carvalho Pinto (queda de 34,9%), e na Ecoponte, que liga o Rio ao litoral norte fluminense (recuo de 33%).

No acumulado do ano, a queda no volume do tráfego é de 7,3%, com 199 milhões de veículos pagantes no período.

A eventual venda da rede móvel da Oi para o consórcio formado pelas rivais TIM, Claro e Vivo não deve enfrentar barreiras incontornáveis na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), apurou o Estadão/ Broadcast com membros e ex-membros do órgão regulador. O entendimento é que a Anatel dará anuência para a transação. Desde a última sexta-feira, as maiores operadoras do País ganharam exclusividade na disputa pela Oi Móvel, cujo preço mínimo é de R$ 15 bilhões.

Mesmo reduzindo de quatro para três o total de operadoras de celular no País, não há intenção dos representantes da agência de entrar no mérito do tema concorrencial – que hoje fica exclusivamente nas mãos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Direcional (DIRR3)

Direcional, Riva  e Lucio assinaram memorando de intenções para desenvolver empreendimentos imobiliários na capital paulista, segundo comunicado ao mercado. De acordo com o memorando, Lucio e Riva atuarão como incorporadoras, na proporção de 50%, e Direcional prestará os serviços de construção e administração.

Os projetos serão desenvolvidos em 6 terrenos da Lucio nos bairros de Pinheiros, Vila Olímpia e Bela Vista.  Em análises preliminares, as partes acreditam que irão atingir, aproximadamente, 2.700 unidades com um Valor Geral de Vendas (VGV) potencial estimado de até R$ 900 milhões.

Outros projetos poderão ser desenvolvidos futuramente pelas partes, segundo o comunicado.

(Com Bloomberg e Agência Estado)

Ecorodovias vê lucro crescer 23% no 1º trimestre, para R$ 103 milhões; Tupy tem prejuízo de R$ 207,5 milhões

SÃO PAULO — A Ecorodovias (ECOR3) anunciou nesta segunda-feira (29) que teve lucro líquido de R$ 103,3 milhões no primeiro trimestre de 2020. O valor representa uma alta de 23% sobre o mesmo período do ano passado.

Já a receita líquida pró-forma da empresa ficou em R$ 768 milhões entre janeiro e março deste ano, uma alta de 15,6% sobre o valor visto no primeiro trimestre de 2019. Analistas consultados pela Bloomberg esperavam algo em torno de R$ 925,3 milhões.

A companhia encerrou os três primeiros meses do ano com Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) pró-forma de R$ 530,4 milhões — um salto de 17,8% na comparação anual.

Assim, a margem Ebitda pró-forma da companhia (relação percentual entre a receita líquida e a geração operacional de caixa medida pelo Ebitda) foi de 69,1%, 1,3 ponto percentual acima do registrado nos três primeiros meses de 2019.

A dívida líquida da Ecorodovias também aumentou de um ano para o outro — no primeiro trimestre deste ano, foi para R$ 6,818 bilhões, 35,1% acima do valor visto em igual período de 2019.

“Diversas medidas estabelecidas pelos governos e pelo setor privado, em função da pandemia, geraram impactos relevantes nos negócios da Ecorodovias. Para minimizar os impactos, a companhia vem atuando proativamente, em coordenação com governos e órgãos reguladores”, destacou a empresa no balanço.

Tupy

A Tupy (TUPY3) também divulgou nesta segunda seu balanço do primeiro trimestre de 2020. A empresa teve prejuízo de R$ 207,5 milhões, comparado ao lucro de R$ 80,442 milhões visto um ano antes.

O desempenho, segundo a companhia, é decorrente do impairment de ativos intangíveis, da marcação a mercado de instrumentos derivativos utilizados no cálculo de créditos da Eletrobras e operações de hedge, e da variação cambial sobre impostos diferidos das operações no México, sem efeito caixa.

A receita da companhia ficou em R$ 1,093 bilhão, o que representa uma queda de 14,7% na comparação anual. Já o Ebitda ajustado da empresa foi de R$ 164,6 milhões no primeiro trimestre deste ano, aumento de 20,2% sobre o resultado do mesmo período do ano passado.

“Em resposta à redução de demanda e às paradas bruscas das operações de nossos clientes em todo o mundo, acionamos os nossos anéis de defesa, um conjunto amplo de ações pré-definidas para reduzir custos e preservar o caixa da companhia”, disse a Tupy, destacando, entre outras coisas, a flexibilização da produção e a redução de jornadas e salários, além da suspensão temporária de contratos de trabalho.

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Ações de Petrobras e São Martinho cortadas, elétricas no foco: as recomendações alteradas em meio à queda do mercado

(Divulgação)

SÃO PAULO – O pregão da última segunda-feira foi de caos no mercado financeiro global. O Ibovespa desabou 12,17%, puxado por quedas antes inimagináveis, como os de quase 30% das ações da Petrobras (PETR3;PETR4), diante da guerra de preços de petróleo entre Arábia Saudita e Rússia.

Esse foi o novo ápice do receio do mercado em um ano dominado por notícias internacionais bastante negativas, fazendo com que diversos analistas de mercado revisassem as suas recomendações, principalmente para ações de empresas ligadas diretamente ao setor de combustíveis (petroleiras, distribuidoras e sucroalcooleiras).

Em destaque, no último fim de semana, a Petrobras teve a sua recomendação reduzida pelo Bradesco BBI, enquanto São Martinho, do setor de açúcar e álcool, teve a recomendação reduzida tanto pelo Bradesco BBI quanto pelo Morgan Stanley, uma vez que a competitividade do etanol deve cair com a queda do petróleo.

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Por outro lado, ações de empresas mais defensivas, caso de elétricas e de saneamento, ganham espaço entre as recomendações, uma vez que elas são menos impactadas em um ambiente de desaceleração global.

Confira as recomendações revisadas desde a forte queda do mercado – e os motivos para isso:

Petrobras: desafios maiores com a queda do petróleo

A Petrobras (PETR3; PETR4) teve a sua recomendação reduzida de equivalente à compra para neutra pelo Bradesco BBI em meio à revisão dos preços do petróleo pelo banco.

Os analistas avaliam que haverá uma guerra de preços pela frente e que o movimento surpreendente dos sauditas poderia ser uma tentativa de trazer a Rússia de volta à mesa de negociações. Contudo, eles não acreditam que essa queda de braço será vencida rapidamente. Assim, é difícil saber quanto esse imbróglio terminará, mas deve trazer consequências negativas.

Como resultado, os analistas reduziram a previsão do brent de US$ 65 para US$ 35 o barril este ano, avançando gradualmente para US$ 55 o barril no longo prazo. Com as cotações mais baixas do petróleo, a desalavancagem da empresa pode levar mais tempo, com a relação entre dívida líquida e o Ebitda abaixo de 1,5 vez após 2025 e, portanto, a distribuição de dividendos pode ser comprometida.

Com isso, o preço-alvo para a Petrobras foi cortado de US$ 18 para US$ 11 o ADR (ou de R$ 38 para R$ 23,50 a ação preferencial).

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Em meio à derrocada da commodity, a empresa disse que está monitorando o assunto e que é prematuro projetar os impactos da queda do petróleo em suas operações e não indicou nada sobre mudança de preços dos combustíveis.

O UBS, por sua vez, apontou que o investimento em bens de capital (Capex, na sigla em inglês) das empresas de exploração e produção como a Petrobras é o mais afetado pela queda do petróleo. “A reação inicial dos investidores deve ser reduzir exposição ao setor.”

Distribuidoras – cenário um pouco mais positivo

Do lado das distribuidoras de combustíveis, o cenário é um pouco mais positivo, segundo avaliação também do Bradesco BBI. Os preços mais baixos na gasolina e no diesel poderiam impulsionar os volumes de vendas no cenário-base dos analistas. “Com os preços dos combustíveis potencialmente caindo R$ 0,60 por litro (de 12% a 16% na bomba), deve haver muito espaço para acomodar melhores margens de distribuição”, escrevem os analistas.

Além disso, eles apontam uma melhora no mix de vendas, pois com a queda na gasolina é esperado que o setor sucroalcooleiro volte a produzir mais açúcar e menos etanol, o que poderia adicionar R$ 2,00 por ação à Ultrapar (UGPA3) e R$ 1,00 por papel da BR Distribuidora (BRDT3).

“Nós preferimos a BR por conta da logística melhor para importar gasolina e também pela menor alavancagem e dividend yield [dividendo por ação dividido pelo valor de cada ação] mais generoso”, concluem.

Na véspera, as ações da BRDT3 e de UGPA3 caíram forte, respectivamente 11,12% e 9,83%, em meio à forte aversão ao risco do mercado,. Contudo, na sessão desta terça-feira, os papéis registram recuperação, com ganhos de até 9% para BR Distribuidora e de 12,39% para Ultrapar.

São Martinho: ambiente mais difícil para setor sucroalcooleiro

Os analistas do Bradesco BBI reduziram a recomendação da São Martinho (SMTO3), de compra para neutra, também diminuindo o preço-alvo de R$ 29 para R$ 22 por ação. A equipe do banco cortou a previsão para os preços de açúcar e etanol refletindo impacto negativo da deterioração dos preços de petróleo e também em meio à queda das cotações do açúcar no mercado externo.

Para o banco, as usinas brasileiras elevarão a produção de açúcar na próxima safra, elevando o mix açucareiro para 40%, o que deve aumentar a oferta brasileira de açúcar em até 6 milhões de toneladas.

Com isso, agora, o Ebitda para 2020 e 2021 é 23% abaixo do consenso do mercado. Com as novas projeções, os analistas do banco avaliam aoinda que a direção do grupo não deverá mais aprovar o investimento em etanol de milho anexa à Usina Boa Vista, o que contribuía anteriormente em R$ 2,50 para o preço-alvo do papel.

Os analistas do Morgan Stanley também reduziram a recomendação para a ação da companhia de equal-weight (desempenho em linha com a média do mercado) para underweight (exposição abaixo da média do mercado), de olho principalmente no valuation da companhia.

Apesar de um petróleo mais barato indicar uma mudança no mix da produção de etanol para açúcar, já que a gasolina ficará mais competitiva como combustível, a equipe do banco entende que isso pode não ocorrer no caso da empresa. Isso porque uma desvalorização no brent levaria os preços do etanol a atingir equivalência com os do açúcar dos atuais US$ 14,9 custo por libra para US$ 12,9 custo por libra, praticamente em linha com o preço atual do açúcar de US$ 13,1 custo por libra.

“Isso não deve afetar o ciclo de lucros da São Martinho, pois o real mais fraco ofuscou os valores menores da commodity em dólares, mas o preço é o que importa para o valor da ação e a SMTO3 já performou muito acima do mercado”, dizem os analistas.

Oportunidades em cenário de aversão ao risco

Enquanto isso, algumas casas de análise fizeram revisões em sua carteira de estratégia em meio ao ambiente mais negativo global. A XP Investimentos, que já tinha entrado no mês de março com um portfolio mais defensivo em meio ao cenário de incerteza global, fez algumas mudanças extraordinárias no último fim de semana em meio à forte queda do petróleo e a maior aversão ao risco no exterior.

Com isso, foram retiradas as ações da JBS (JBSS3) e da Vale (VALE3), entrando os papéis de Ambev (ABEV3) e Engie (EGIE3). “Com isso, aumentamos ainda mais a exposição ao setor elétrico e reduzimos a exposição aos setores cíclicos globais, reduzindo também o beta da carteira – ou seja, a sensibilidade aos movimentos do mercado”, destaca a equipe de research.

Anteriormente, para o portfolio deste mês, a XP já havia adicionado a ação da Copel (CPLE6) com o intuito de elevar a proteção com empresas menos expostas à atividade econômica, uma vez que empresas de energia possuem menor influência no mercado externo e possuem um mercado regulado no doméstico, possuindo perspectiva mais estável em cenários voláteis.

A outra alteração foi a troca da ação da Vivara (VIVA3) pela da Lojas Renner (LREN3). Com a forte alta do preço do ouro no ano, trazendo riscos para a margem da companhia no curto e médio prazos para a companhia de joias, os analistas da XP apontaram preferir exposição a nomes domésticos e de maior liquidez via Renner.

Além de Ambev, Engie, Lojas Renner e Copel, a carteira da XP é composta por ações do Banco do Brasil (BBAS3), Cyrela (CYRE3), Ecorodovias (ECOR3), Iguatemi (IGTA3), Localiza (RENT3) e Via Varejo (VVAR3). Confira a composição completa clicando aqui. 

As empresas de setores regulados, como elétricas e saneamento, também foram alvo de análise do Bradesco BBI. O analista Francisco Navarrete destacou que, apesar do contexto de risco desafiador para o mercado acionário, com prêmios de risco aumentando, há oportunidades nesses setores uma vez que as mudanças de estimativas de lucro para essas companhias em um cenário de desaceleração global são relativamente pequenas ou até mesmo inexistentes.

Além disso, mesmo com crescimento de PIB demorando mais para voltar, as taxas de juros devem continuar baixas por mais tempo, favorecendo ações bond-like (ou que tenham um comportamento mais parecido com títulos), caso do setor, uma vez que ele possui um fluxo de caixa resiliente, nível de alavancagem razoável e quase não tem exposição a dívida em dólar – com exceção de Sabesp e Cemig, que possuem uma exposição pequena.

O analista deu destaque para a Taesa (TAEE11), cuja recomendação foi elevada de neutra para outperform, com o preço-alvo sendo elevado de R$ 30 para R$ 33 para 2020, implicando um potencial de valorização de 15% em relação ao fechamento da véspera. Os analistas destacaram que o papel pode ser um porto seguro em meio ao cenário de volatilidade do mercado de ações em meio às preocupações com a desaceleração econômica por conta do coronavírus.

Três pontos foram destacados: i) a resiliência de seu fluxo de caixa, uma vez que a receita do negócio de transmissão não depende da demanda por eletricidade; ii) o dividend yield (indicador calculado pelo dividendo pago por ação dividido pela cotação do papel) sustentável entre 9% e 9,7% para 2020 e 2021, respectivamente e iii) o valuation está bastante atrativo.

Os analistas também destacam que outras empresas do setor parecem atrativas, também destacando o dividend yield atrativo. Três são destaques: a Eletrobras (ELET3;ELET6), Sanepar (SAPR11) e a Cesp (CESP6).

Sobre a Eletrobras, o analista avalia que a maior parte do fluxo de caixa está associada à receita de geração, blindada de problemas hidrológicos – cotas – e receitas de transmissão estáveis. “Alem disso, a privatização não está precificada”, aponta.  Já sobre Sanepar, o Bradesco BBI avalia que a empresa tem sido referência em controle de custos e que há confiança de que o regulador será técnico no próximo reajuste anual de tarifa de abril. Por fim, sobre a Cesp, depois da privatização em 2018, a companhia ainda está negociando corte significativo nas contingências e tem algumas reduções de despesas com pessoal pendentes.

O Itaú BBA também destacou em relatório de estratégia uma lista de ações defensivas, que podem ser boas alternativas em meio ao cenário de forte baixa dos mercados. São as seguintes ações: CCR ON, Ecorodovias ON, Cyrela Commercial Properties (CCP) ON, Multiplan ON, units da Alupar, Telefônica Vivo PN, Carrefour Brasil ON, Bradesco PN, units do Santander e BB Seguridade ON.

Outro grupo elencado são de papéis que tiveram forte queda no cenário atual, mas que possuem potencial de crescimento e são de alta qualidade. São as seguintes ações: Azul PN, Localiza ON, Locamérica ON, Movida ON, Randon PN, Via Varejo ON, Equatorial ON, units da Engie, Eztec ON, B3 ON, Vale ON e os ADRs da PagSeguro.

Carteira gráfica da XP dispara 4,5% na semana e troca duas ações; confira

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SÃO PAULO – A XP Investimentos divulgou nesta segunda-feira (17) a “Top Picks”, sua carteira semanal de análise gráfica, para o período de 14 a 21 de fevereiro, e a opção foi por trocar dois dos papéis do portfolio.

Saíram as ações de Suzano (SUZB3) e Hapvida (HAPV3) e entraram IRB Brasil (IRBR3) e B3 (B3SA3).

De acordo com Gilberto Coelho, o Giba, analista responsável pela carteira, a ação do IRB entrou no lugar da Suzano porque esta formou um candle de reversão. Já IRB graficamente parece ter formado um fundo com o atingimento do suporte nos R$ 32,20. Tanto Índice de Força Relativa (IFR), quando o candle e o padrão de volume sugerem um repique de alta.

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Já B3 entrou no lugar de Hapvida por esta última ter apresentado um engolfo de baixa. A B3 está em tendência de alta projetando ganhos até os níveis de R$ 50,85 ou R$ 55,70. Os suportes para colocar stop loss são R$ 47,40 e R$ 42,50.

O analista desde o fim de dezembro passou a calcular a rentabilidade da carteira entrando nas ações no leilão das sextas-feiras, em vez de fazê-lo às segundas.

Divulgada semanalmente, a carteira Top Picks XP é composta por cinco ativos, tendo cada um peso de 20%. A seleção busca retorno a curto prazo, alinhando fluxo e movimentação das ações ao cenário político e macroeconômico.

O objetivo é de que a média do retorno dos ativos supere o Ibovespa ao fim da semana.

Desempenho

Na semana, a carteira Top Picks subiu 4,5%, ante uma alta de 0,54% do Ibovespa. Em 2020, o portfolio tem alta de 6,36% contra queda de 1,92% do benchmark.

As ações da São Martinho foram as principais responsáveis pelos ganhos semanais, subindo 11,24%. Suzano, por sua vez, valorizou 5,77%, Cogna teve alta de 3,72%, Hapvida avançou 1,49% e Itaú teve leve desempenho positivo de 0,3%.

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Confira, abaixo, as recomendações para esta semana. Para investir nelas, clique aqui e abra uma conta gratuita na XP.