Itaú BBA destaca sinistralidade alta por Covid-19 para seguradoras, mas reitera visão positiva para Caixa Seguridade

IPO da Caixa Seguridade (Foto: Cauê Diniz/Divulgação B3)

SÃO PAULO – O Itaú BBA revisou para baixo as suas projeções de lucro para Caixa Seguridade (CXSE3) e para BB Seguridade (BBSE3), destacando que os resultados de ambas as companhias foram duramente afetados no segundo trimestre, período em que o Brasil atingiu seu pico de óbitos em decorrência do Covid-19.

O efeito da segunda onda de Covid no balanço das seguradoras foi a elevação dos índices de sinistralidade, que é a relação entre os custos dos serviços garantidos aos clientes no caso de um “sinistro” (por exemplo, morte do segurado em um seguro de vida) e os valores recebidos pelas seguradoras pela contratação dos planos.

Os analistas do BBA destacam que o índice de sinistralidade da Caixa Seguridade passou de 29,8% no primeiro trimestre
deste ano para 35,0% no segundo trimestre. No caso de BB Seguridade, o índice foi de 37,8% para 51,1%.

“Observando a evolução das mortes por Covid-19, nossa percepção é de que os altos níveis de sinistralidade devem continuar presentes nos resultados das seguradoras no terceiro trimestre, ainda que com menor magnitude”, apontam.

Portanto, os analistas decidiram atualizar as estimativas para as duas companhias, reduzindo as margens projetadas para 2021.

No caso de Caixa Seguridade, eles cortaram em 7% a projeção para o lucro líquido da companhia em 2021, principalmente em virtude do maior número de sinistros nas linhas de seguro habitacional, vida e prestamista.

“Para 2022 em diante, continuamos com visão positiva, amparada pela expectativa de aceleração na contribuição dos planos de previdência e prêmios emitidos na linha de seguros”, apontam os analistas.

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Para BB Seguridade, a estimativa para o lucro líquido de 2021 foi revisada para baixo em 10%, não só pelo aumento do número de sinistros como pela perspectiva de despesas financeiras mais pesadas do que o esperado.

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O BBA rolou o preço-alvo para CSXE3 de R$ 16 estimado para 2021 para R$ 18 estimado para 2022, ou um potencial de alta de 86% considerando o fechamento da véspera. Assim, os analistas reiteraram recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para o ativo, destacando o nome como o preferido do setor.

Já para BB Seguridade, o novo valor justo passou de R$ 32 para R$ 23 por ação ao fim de 2022, com potencial de valorização menor, de 16%, e que justifica a classificação de marketperform (desempenho em linha com a média do mercado) para o papel, destacam os analistas.

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Entre ceticismo de analistas e entrada de Barsi na ação, o que esperar para o IRB? Empresa divulga balanço nesta segunda

IRB Brasil IRB Brasil (Foto/Reprodução: Youtube)

SÃO PAULO – O ressegurador IRB (IRBR3) divulgará seus dados do segundo trimestre de 2021 na noite desta segunda-feira (16), podendo dar sinais importantes sobre a evolução dos números da companhia.

Em 2020, os papéis desabaram em meio a alegações da gestora Squadra de uma série de inconsistências no balanço da companhia, além da notícia enganosa de que Warren Buffett teria comprado ações da empresa, informação negada posteriormente pela Berkshire Hathaway, do megainvestidor americano, aumentando a uma crise de credibilidade para a companhia e levando à saída de importantes executivos. Posteriormente, com uma nova gestão, a companhia tem buscado resgatar a confiança dos investidores, ainda que seja alvo de ceticismo por boa parte do mercado.

Na avaliação do Safra, que divulgou prévia de balanços do setor, o IRB deve apresentar um resultado de ganhos fraco. Os analistas apontam que os números já apresentados anteriormente à Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) – e que, de uma certa forma, já antecipam o que esperar para o balanço -, não definem uma tendência clara de recuperação.

Na avaliação dos analistas do banco, o prejuízo líquido de R$ 48,99 milhões apurado em abril deve pesar no resultado consolidado do segundo trimestre de 2021, apesar da resseguradora ter registrado lucro líquido de R$ 7,5 milhões em maio deste ano.

“Em maio, houve ligeira recuperação do faturamento, mas não o suficiente para reverter a perda apresentada no mês anterior”, apontam.

Ainda assim, os analistas do Safra estimam lucro líquido de R$ 12 milhões para a companhia, um valor 76% menor frente lucro de R$ 51 milhões do primeiro trimestre de 2021.

Para eles, o índice de sinistralidade – ou a proporção das perdas totais incorridas em sinistros mais despesas de ajuste divididas pelo total de prêmios obtidos – deve ser o principal fator negativo do resultado, passando de 72,1% no primeiro trimestre para 74,6% entre abril e junho desse ano.

Contudo, além dos resultados, os investidores estarão de olho nas perspectivas para a companhia, em meio a uma série de eventos que estão impactando e que ainda podem influenciar o cenário de investimentos para os papéis IRBR3.

Cabe ressaltar que, no mesmo dia em que foram divulgados os dados de maio, em 21 de julho, Luiz Barsi Filho, um dos maiores investidores individuais da Bolsa brasileira, informou ao InfoMoney ter adquirido mais de 1,5% do capital social da resseguradora, o que contribuiu para impulsionar os papéis da companhia para uma alta de 8,50% naquela sessão, a R$ 6, ainda que sem ter o mesmo ímpeto nas sessões seguintes. O papel fechou a última sessão, de 13 de agosto, a R$ 5,62.

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Barsi destacou ver a ação como barata e ressalta o papel como investimento de longo prazo, em linha com a sua estratégia de “carteira previdenciária”. Ele destacou que o valor de mercado do IRB na ocasião era de aproximadamente R$ 6,9 bilhões, bem menos do que o caixa disponível.

Além disso, o investidor ainda afirma que também está ciente, a exemplo dos principais acionistas, de que o IRB precisa eleger um novo presidente, que “seja experiente, competente, que atue com austeridade e que seja um vencedor”. Desde a saída de Antonio Cassio dos Santos, em gestão elogiada por Barsi, o vice-presidente Wilson Toneto comanda interinamente a presidência executiva da companhia. Santos deixou o cargo em março de 2021, um ano após assumir o comando da resseguradora em meio à crise de confiança que abalou a empresa.

A companhia informou na ocasião que havia contratado uma consultoria internacional especializada em executive search para a busca de um novo CEO.

Barsi apontou, contudo, a sugestão de um nome para novo CEO do IRB: o de Fabio Schvartsman, que já passou pela Ultrapar (UGPA3), Klabin (KLBN11) e Vale (VALE3). Schvartsman saiu da Vale em 2019 em meio à tragédia de Brumadinho, com o rompimento de uma barragem situada na Mina Córrego do Feijão, e causou devastação ambiental, destruição de comunidades e 270 mortos.

Porém, para Barsi, o executivo foi injustiçado no episódio, sendo “considerado o único responsável pelo acidente”. “Indico o nome do Fábio uma vez que ele foi, entre muitos, eleito para dirigir e administrar todas as empresas que citei e sempre foi apreciado como um gestor honesto, experiente e competente, que é o que o IRB necessita no momento para iniciar a sua recuperação perante o mercado e seus acionistas”, afirmou o megainvestidor.

A escolha de um novo CEO será bastante importante para definir os rumos da companhia em um cenário ainda de bastante ceticismo com os papéis IRBR3.

De acordo com compilação da Refinitiv, de sete casas que cobrem o papel, duas recomendam manutenção, quatro têm recomendação de venda e apenas uma recomenda compra.

A única casa com visão positiva é a Eleven Financial, que em meados de junho retomou a cobertura para o ativo com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 12 para o final de 2022 (um expressivo potencial de valorização de 113% em relação ao fechamento de sexta), destacando que a recuperação está mais lenta do que os analistas estavam esperando, porém veem evolução e o encerramento da fiscalização especial da Susep como o marco do encerramento da fase de limpeza.

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“Agora, ainda existe um caminho de reestruturação do negócio (Fix), que deverá levar todo o ano de 2021 e talvez até um pedaço de 2022 para preparar a companhia para uma nova fase de crescimento (Growth)”, destacaram os analistas na ocasião.

Por outro lado, em relatório recente, a Levante Ideias de Investimentos destacou motivos para manter cautela com os papéis do IRB.

“A nova gestão deu bons sinais de melhora de governança corporativa e transparência. Depois de confirmar a fraude nas reservas técnicas, a companhia está fazendo o necessário para arrumar a casa com uma série de medidas”, avaliam os analistas da casa de research.

Eles ressaltam que a companhia segue líder em seu setor, e as medidas feitas ao longo do ano mostram comprometimento na virada da companhia.

“Porém, o grande problema da IRB Brasil não é apenas operacional, mas ‘reputacional’, e a quebra da confiança é uma ferida que pode demorar a cicatrizar. Então, reiteramos uma visão cautelosa sobre as ações de IRB, devido ao momento ainda bastante recente de recuperação em que a empresa se encontra”, apontam. O Safra também possui maior cautela com os ativos, com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 7,80.

Assim, além dos resultados, os investidores também ficarão bastante atentos às novas sinalizações da companhia sobre a evolução dos seus números e também o andamento das medidas para restaurar a confiança do mercado.

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Wiz: mesmo após salto de 120% em 2021, Itaú BBA vê mais espaço para alta e reinicia cobertura recomendando compra

Wiz (foto: divulgação)

O Itaú BBA reiniciou a cobertura para a ação de Wiz (WIZS3), gestora de canais de distribuição de seguros e produtos financeiros, com recomendação outperform (desempenho acima do mercado) e preço-alvo de R$ 23 para a ação ao fim de 2021, o que representa um potencial de valorização de 33% em relação ao preço atual do papel.

“Na nossa visão, a companhia vem passando por uma transformação salutar após o fim do contrato de exclusividade
com a Caixa, em fevereiro deste ano. Desde então, a Wiz passou a diversificar seus negócios, anunciando acordos comerciais e parcerias para atuar como corretora em outros balcões, sejam de bancos tradicionais ou digitais. Acreditamos que as recentes parcerias firmadas com Inter, BRB e BMG darão suporte a um bom crescimento dos negócios da companhia”, apontam os analistas.

Eles ressaltam que, com os acordos, a Wiz passa a ser sócia desses bancos na operação de venda de seguros – o que naturalmente traz crescimento associado a uma maior exploração da base de cliente dessas instituições. Nessa frente, destacam em especial a Inter Seguros, em que a Wiz possui participação de 40% e que deve representar uma parte substancial do negócio da gestora nos próximos anos.

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A Wiz, na visão dos analistas, tem passado por uma mudança substancial; de uma companhia antes bastante concentrada nos negócios associados à Caixa para uma empresa de perfil diversificado no segmento de corretagem de seguros.

“Mesmo considerando a alta recente do papel, que subiu 121% neste ano, ainda vemos um bom retorno potencial para o investimento na companhia”, apontam os analistas. Eles ressaltam que o cálculo do preço-alvo de R$ 23 por ação foi obtido por meio da metodologia de soma-das-partes nos principais negócios da empresa.

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IRB Brasil registra prejuízo de R$ 48,9 milhões em abril de 2021

IRB

SÃO PAULO – O IRB Brasil Resseguros (IRBR3) divulgou nesta terça-feira (22) seu resultado de abril de 2021, que foi também enviado à Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). O ressegurador teve prejuízo líquido de R$ 48,9 milhões em abril deste ano, ante um prejuízo líquido em abril de 2020 de R$ 170,1 milhões.

Nos quatro primeiros meses do ano, o lucro líquido foi de R$ 1,9 milhão ante um prejuízo líquido no mesmo período de 2020 de R$ 135,1 milhões.

Ao excluir o efeito dos negócios descontinuados (run-off) e dos eventos não recorrentes (one-offs), o prejuízo líquido em abril de 2021 foi de R$ 38,9 milhões. Já nos quatro primeiros meses de 2021, a emrpesa obteve um lucro líquido de R$ 41,5 milhões.

A empresa destacou que o prêmio emitido de R$ 785,9 milhões ficou praticamente estável em relação a abril de 2020 com uma redução de 0,9%, sendo R$ 364,7 milhões no Brasil e R$ 421,2 milhões no exterior. Houve crescimento de 8,6%
no Brasil em relação a abril de 2020 e redução de 7,9% no exterior no mesmo conceito.

Já nos quatro primeiros meses de 2021, o prêmio emitido de R$ 2,7164 bilhões, queda de 2,6% frente igual período de 2020, sendo R$ 1,4091 bilhão no Brasil (alta de 15,9%) e R$ 1,3073 bilhão no exterior (queda de 16,9%). “A redução dos prêmios com origem no exterior está em linha com a estratégia de re-underwriting [de limpeza do balanço] amplamente divulgada pela companhia”, apontou o IRB.

O prêmio ganho foi de R$ 567,9 milhões, com um aumento de 2,0 % em relação a abril de 2020. Já nos quatro primeiros meses de 2021, o prêmio ganho foi de R$ 2,0222 bilhões, uma redução de 1,7% em relação ao mesmo período de 2020, também seguindo a estratégia de re-underwriting.

O índice de sinistralidade recuou a 84,3% em abril deste ano, ante 118,7% em abril de 2020, com a despesa de sinistro ficando em R$ 479 milhões , de R$ 660,6 milhões um ano antes.

Em breve comentário, os analistas do Credit Suisse apontaram que os números foram negativos, com a estratégia de “re-underwriting” ainda cobrando seu preço. Eles reforçam que, mesmo desconsiderando o impacto da carteira run-off e outros itens pontuais, a empresa ainda registrou prejuízo de R $ 38,9 milhões no mês de abril. Os analistas do banco suíço possuem recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado) para as ações IRBR3, com preço-alvo de R$ 7,50 para cada ativo.

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IRB anuncia que Susep encerrou formalmente fiscalização especial na companhia; ações IRBR3 sobem forte

O IRB Brasil RE (IRBR3) informou em comunicado nesta quarta-feira que a Superintendência de Seguros Privados (Susep), reguladora do setor, encerrou formalmente a fiscalização especial que mantinha sobre a resseguradora.

Segundo o IRB, a Susep reconheceu que a companhia apresentou os ativos exigidos para garantir as provisões técnicas definidas pelo órgão regulador. Com essa notícia, as ações sobem forte: às 10h38 (horário de Brasília), os papéis IRB3 subiam 5,26%, a R$ 6,40, chegando à máxima de R$ 6,62, ou ganhos de 8,88%.

Dessa forma, foram encerradas as atividades de fiscalização na companhia que tiveram início em 11 de maio de 2020.

O IRB diz que, nas demonstrações financeiras de 2020, informou que havia atingido o enquadramento regulatório dos índices de liquidez e cobertura de provisões técnicas.

A resseguradora afirma que entre julho e dezembro, realizou ações de aumento de capital e emissão de debêntures, entre outras. Assim, levantou R$ 4,8 bilhões para garantir as provisões técnicas.

Conforme destaca Luis Sales, analista da Guide Investimentos, a notícia é marginalmente positiva para a companhia. Isso porque o encerramento da fiscalização era aguardado após o aumento de capital realizado pela companhia com o objetivo de restabelecer os níveis de provisões regulatórias necessárias.

Contudo, o analista destaca que o IRB ainda tem um longo caminho a percorrer em termos de recuperação de credibilidade e, consequentemente, dos seus resultados para voltar a ter uma performance positiva em bolsa. “Seguimos com visão negativa para a companhia, com recomendação neutra”, aponta Sales.

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IRB registra prejuízo líquido de R$ 1,521 bilhão em 2020, ante lucro de R$ 1,21 bilhão em 2019

IRB Brasil IRB Brasil (Foto/Reprodução: Youtube)

SÃO PAULO – Marcado de polêmicas para o IRB Brasil (IRBR3), o ano de 2020 terminou com um prejuízo líquido acumulado para o ressegurador de 1,5213 bilhão, ante lucro de R$ 1,210 bilhão no mesmo período de 2019. No quarto trimestre do ano passado, o prejuízo totalizou R$ 620,2 milhões, comparável a um lucro de R$ 654,4 milhões nos últimos três meses de 2019 e ante o prejuízo de R$ 229,8 milhões no terceiro trimestre de 2020. A empresa divulgou seus números no final da noite da última quinta-feira (18).

A companhia destacou que o resultado líquido em 2020 foi negativamente impactado principalmente pelo impacto dos negócios descontinuados (run-off) e pelos efeitos one-offs (não recorrentes), que estão listados a seguir:  • Negócios Descontinuados – Run-off: – R$ 589,2 milhões; • Impacto operações de LPT (Loss Portfolio Transfer): – R$ 28,4 milhões em dezembro de 2020; • maior provisionamento da carteira de vida internacional em outubro de 2020: – R$80,5 milhões; • Acordo Eletronorte: Impacto de – R$52,3 milhões referente a perda registrada no acordo de ressarcimento com a Eletronorte; e • Baixa Créditos Tributários de Londres em dezembro de 2020: – R$ 335,9 milhões.

“Se excluídos os impactos negativos do run-off e dos efeitos one-offs, a companhia teria apresentado um lucro líquido no quarto trimestre de R$ 190,4 milhões e um prejuízo líquido de R$ 476,2 milhões no acumulado de 2020”, apontou.

O total de prêmios emitidos em 2020 foi de R$ 9,596 bilhões, valor 12,7% acima do registrado em igual período do ano anterior, quando totalizou 8,515 bilhões. Já os prêmios emitidos no Brasil totalizaram R$ 4,874 bilhões, uma alta de 1% frente 2019, enquanto os no exterior somaram R$ 4,721 bilhões, alta anual de 28,0% e em parte devido à variação cambial no período.

Nos últimos três meses do ano, os prêmios ficaram praticamente estáveis, passando de 2,098 bilhões no quarto trimestre de 2019 para R$ 2,084 bilhões em igual período de 2020.

As despesas com retrocessão (ou operações de transferência de riscos entre resseguradores) tiveram um aumento de 89,6% em 2020, passando de R$ 2,225 bilhões para R$ 4,220 bilhões; de acordo com a empresa, isso refletiu o “endurecimento do mercado (hard market), com consequente redução da oferta” de capacidade. No último trimestre de 2020, a alta foi de 168,2%, indo de R$ 614,6 milhões para R$ 1,648 bilhão.

Já os sinistros retidos foram de R$ 5,812 bilhões em 2020, 55,0% acima frente igual período de 2019, enquanto o índice de sinistralidade total registrou alta de 35,9 pontos percentuais, de 66,4% para 102,3%.

O resultado financeiro e patrimonial teve queda de 86,6% em 2020 frente 2019, totalizando R$ 125,2 milhões, decorrente da redução das taxas de juros.

Já as provisões técnicas tiveram alta de 29,7% no ano passado, somando R$ 13,5 bilhões.

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Antonio Cassio dos Santos, CEO do IRB, destacou na divulgação do balanço a crise enfrentada pela companhia e listou uma série de medidas para a recuperação da confiança. “Em meio a um ano que vai ser lembrado globalmente pelos efeitos da pandemia da covid-19, enfrentamos o desafio de superar uma crise de credibilidade motivada por irregularidades identificadas pela divulgação de informações inverídicas sobre a base acionária da companhia em março de 2020, pela instauração da fiscalização especial da SUSEP, em maio, devido à insuficiência de ativos garantidores das provisões técnicas do IRB, naquele momento da ordem de R$ 1 bilhão, e em junho pelo refazimento das demonstrações financeiras de 2019/18 que trouxeram à luz a real situação econômico-financeira da empresa”.

Ele ainda complementou destacando que, no início de 2021, o IRB selecionou “uma firma líder mundial em consultoria
estratégica para nos assessorar na revisão estratégica que já havíamos iniciado, incluindo análise de negócios, geografias e modelo operacional. (…) Confiamos no desempenho positivo do IRB para os anos vindouros a partir de 2021, colhendo os frutos da etapa de Limpeza (Clean), com a descontinuidade de contratos que asseguraram baixa margem e afetaram nossos resultados. Com base nos pilares básicos de nossa estratégia empresarial sustentadas por atuação ética, com responsabilidade socioambiental, e dentro dos mais elevados padrões de governança corporativa (ESG) e gestão do negócio baseada em riscos (ERP), seguiremos ‘sem pressa, mas também sem pausa’ na busca do retorno justo aos nossos acionistas, serviço de excelência aos clientes e parceiros de negócios, bem como na construção de um ambiente de qualidade
e voltado para alta performance para nossos colaboradores”.

A companhia também informou que a divulgação de suas demonstrações contábeis referentes a 2020 mostram que a empresa atingiu o enquadramento regulatório referente aos índices de liquidez e cobertura de provisões técnicas.

O desenquadramento regulatório foi informado ao mercado em 11 de maio de 2020, quando a companhia foi oficiada pela SUSEP, em razão de apresentar insuficiência na composição dos ativos garantidores de provisões técnicas e consequentemente da liquidez regulatória. .“Estabelecemos o plano de enquadramento de liquidez regulatória e de cobertura das provisões técnicas, de forma que, de julho a dezembro de 2020, a administração logrou gerar caixa/ativos adicionais e/ou redução de passivos, ambos relativos às provisões citadas de R$ 4,8 bilhões de novos recursos, de forma a permitir o reenquadramento regulatório em 31.12.2020”, afirmou.

De acordo com o Credit Suisse, mesmo ajustando para itens pontuais, o portfolio run-off (negócios descontinuados) pode continuar levando a impactos negativos nos resultados. “A normalização no underwriting ainda está para ser vista, mas destacamos as iniciativas da gestão para transformar a empresa”, avaliaram os analistas.

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IRB (IRBR3) registra prejuízo de R$ 62,4 milhões em julho; faturamento bruto dobra

IRB Brasil IRB Brasil (Foto/Reprodução: Youtube)

O IRB (IRBR3) teve prejuízo líquido de R$ 62,4 milhões em julho, informou a companhia nesta quarta-feira (23). Sem o impacto dos negócios descontinuados pela empresa, haveria lucro líquido de R$ 36 milhões.

O faturamento bruto foi de R$ 1,546 bilhão, alta de 100,8% ante julho de 2019, sendo R$ 1,015 bilhão no Brasil e R$ 531,6 milhões no exterior. No Brasil, o avanço foi de 133%. No exterior, a alta foi de 58,8%. Segundo a empresa, o crescimento em julho de 2020 decorre da renovação, com crescimento de coberturas, de um contrato no segmento de petróleo emitido no mês.

A despesa com sinistros alcançou R$ 638,3 milhões, com um índice de sinistralidade (relação entre a despesa com sinistros e o prêmio ganho) de 97,1% no mês de julho, “revertendo sensivelmente a tendência observada no primeiro semestre de 2020”, informou a empresa, que apresentou uma sinistralidade de 108%.

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Quando excluídos os sinistros dos negócios descontinuados em julho, ou seja, que tiveram seus contratos cancelados ou não renovados, esse índice cai para 73,2%.

Já o resultado de subscrição foi negativo em R$ 137,6 milhões, devido à elevada sinistralidade dos negócios descontinuados, no valor de R$ 160,8 milhões. O índice de despesas administrativas fechou em 3,4%, enquanto o Índice de Resultado Financeiro e Patrimonial alcançou 10% do prêmio ganho.

Veja também: Ação do IRB salta mais de 10% com dados de julho

“Seguimos firmes com o objetivo de dar total transparência aos dados da companhia e, novamente, estamos disponibilizando os dados enviados à Susep em nosso site, em linguagem que acionistas e analistas já estão acostumados. Trabalhamos no caminho do crescimento sustentável, com a geração de valor de longo prazo”, afirmou o CEO e presidente do Conselho de Administração do IRB Brasil RE, Antonio Cassio dos Santos, em comunicado.

Segundo o Credit Suisse, os dados do IRB mostram uma melhoria sequencial, apesar de que as operações continuadas continuarão a pesar sobre os resultados por um bom tempo.

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Caixa Seguridade confirma acordo com Tokio Marine para abrir nova empresa

(Shutterstock)

A Caixa Seguridade e a Tokio Marine fecharam acordo para abrir uma nova empresa que vai explorar, por 20 anos, os ramos de seguros habitacional e residencial na rede de distribuição da Caixa Econômica Federal, conforme antecipou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

A Caixa terá 75% de participação no capital da companhia, com 49,99% das ações ON e 100% das PN, enquanto a Tokio Marine terá 50,01% das ações ON e 25% do capital.

A Tokio Marine será responsável por realizar um aumento de capital na nova empresa de R$ 1,52 bilhão, valor que será repassado à Caixa Econômica Federal.

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O valor também foi antecipado pelo Broadcast.

A nova empresa vai remunerar a Caixa Seguridade com as despesas totais de venda por produto em valores pré-definidos, com uma comissão de distribuição de 36,4% para o seguro residencial e 20% para o habitacional.

O prazo para fechamento da operação encerra-se em 4 de janeiro de 2021. O acordo terá que ser aprovado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), Banco Central e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).