Follow on em 2021, vendas online e foco na classe emergente: como a RNI, da Rodobens, planeja virar o jogo

SÃO PAULO — A incorporadora RNI Negócios Imobiliários (RDNI3), do grupo Rodobens, tem algumas apostas para virar o jogo e “sair da sombra do mercado“: atuação regionalizada em lugares onde o agronegócio é forte, reforço das vendas online para fazer frente à demanda da pandemia (a modalidade já correspondeu a 10% das vendas no segundo trimestre), foco em clientes emergentes (faixa três do Casa Verde e Amarela e faixa Supereconômica) e, se o cenário permitir, uma oferta de ações (follow on) ainda em 2021.

A estratégia tem mostrado resultado: no primeiro trimestre deste ano, ela registrou lucro líquido de R$ 5,4 milhões, ante prejuízo de R$ 7,3 milhões no mesmo período de 2020; já no segundo trimestre, houve lucro de R$ 1,3 milhão, revertendo prejuízo de R$ 6,2 milhões um ano antes. Sem o desconto da participação dos minoritários, o resultado líquido da empresa ficou em R$ 3 milhões no período.

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“O cliente do supereconômico é um cliente emergente. Quem é ele? É alguém que comprou algum produto dentro do programa [Casa Verde e Amarela] e ele depois quis ter algo um pouco melhor. Aí eu tenho para oferecer para ele um produto que é imediatamente após. No Brasil, essa faixa era desassistida: ou as empresas operavam dentro do programa ou operavam no SBPE, em torno de R$ 380 mil, R$ 450 mil. Pelo menos na macroregião onde nós atuamos, é uma demanda real e a gente consegue fazer conversão [de venda]”, disse Carlos Bianconi, CEO da RNI, em live do InfoMoney.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Henrique Ravazzi, gerente de relações com investidores da companhia e que também participou da live, destacou o forte landbank da companhia no segundo trimestre, de R$ 5,6 bilhões, com os terrenos em permuta. “Eu faço menção ao primeiro semestre de 2019 porque foi quando a companhia iniciou a revisão do seu planejamento estratégico e consequentemente a mudança do seu landbank [banco de terrenos]. Já tivemos um crescimento de 144%”, disse.

Os executivos comentaram ainda sobre o aumento da Selic, que, segundo eles, não assusta (a empresa considerou em seu plano estratégico uma taxa de juros entre 5% e 8% neste ano), falaram também sobre repasses nos preços da inflação de materiais de construção e revisão de contratos trocando indexador IGP-M por IPCA, além de investimentos em inovação. Assista à entrevista completa acima, ou clique aqui.

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Mercados de juro e câmbio reagem bem no pós-Copom, mas otimismo pode ter vida curta por fiscal e exterior

(Getty Images)

SÃO PAULO (Reuters) – Os mercados de juros e câmbio reagiam bem à elevação de tom pelo Banco Central na noite de quarta-feira, quando os juros foram aumentados em 1 ponto percentual, mas analistas ponderam que o fôlego dos ativos pode se limitar ao curtíssimo prazo, devido a todo o ambiente de riscos que circunda a política monetária, com destaque para o fiscal doméstico e revezes no exterior.

A inclinação da curva de juros (uma medida de percepção de risco) caía nesta quinta, com o spread entre os DIs janeiro 2027 e janeiro 2023 em baixa de 6,5 pontos-base, para 116 pontos-base. E o dólar chegou a cair 1,5%, com o real no topo dos melhores desempenhos globais no dia. O dólar, contudo, já reduziu a baixa.

Investidores ainda estavam sob efeito do texto mais duro do Copom, que na véspera não apenas acelerou o passo de aumento de taxa como contratou novo movimento agressivo na Selic para setembro e virou de mão ao dizer que o juro agora deve ficar acima do patamar neutro para debelar pressões inflacionárias.

Com a perspectiva de uma política monetária mais restritiva agora, as taxas curtas e médias –mais sensíveis às perspectivas para as decisões do Copom– tendem a subir. Ao mesmo tempo, os vértices mais longos, pelo livro-texto, experimentam alívio, já que com a inflação controlada haveria menos necessidade de se manter juros mais altos no futuro.

Porém, mesmo a desinclinação da curva de juros brasileira nesta quinta refletia certa desconfiança do investidor. O desenho da curva nesta sessão é o que profissionais do mercado chamam de “bear flattening” –quando os juros curtos saltam e os longos resistem a cair ou caem menos–, revelando ansiedade sobre a capacidade de o BC evitar mais aperto monetário no futuro.

“Teria tudo para começar uma desinclinação da curva pela política monetária e teria tudo para um dólar mais fraco pelo diferencial de juros, mas existe um problema fiscal”, disse Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset.

“No fim, você está sinalizando ao mercado: fique desconfiado sobre o teto de gastos”, completou, lembrando o noticiário recente acerca de despesas fora do teto de gastos e discussões sobre adiamento de pagamento de precatórios, as quais sacudiram os mercados locais.

Um ponto importante a nortear as apostas na curva é se o próximo movimento do BC, findo o processo de normalização monetária, será de alta ou queda dos juros. Para Sérgio Zanini, sócio-gestor da Galapagos Capital, com o BC mais rigoroso no curto prazo, há chances de o próximo ciclo ser de alívio.

“Isso por si só deveria ajudar na estrutura a termo da curva, mas de toda forma vai ficar um prêmio de risco por expectativa de deterioração fiscal pelas questões dos últimos dias.”

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De toda forma, com o rali dos DIs nos últimas dias, Zanini disse ter aproveitado para adicionar posições vendidas em taxa. De maneira resumida ele afirmou que as posições atuais representam “um terço do tanque cheio” e que os “forwards” de juros (taxas acumuladas entre trechos específicos da curva) poderiam convergir para cerca de 9%, o que se traduziria em queda de 40 a 50 pontos-base nos DIs janeiro 2025 e janeiro 2027.

“Esse seria o primeiro movimento de reconquista de credibilidade pelo BC, tirando o fiscal”, afirmou o gestor. “Os níveis de taxa que estamos vendo já embutem muito prêmio de risco político-fiscal.”

CÂMBIO

Para o dólar, há um componente forte vindo de fora que turva os cenários de uma moeda muito abaixo dos patamares atuais. Os bancos centrais globais têm acelerado os debates sobre saída das medidas adotadas em 2020 em combate aos efeitos econômicos da pandemia, o que pode levar a redução de estímulos e a alta nas taxas de juros.

“São um componente a favor e três contra: o juro (doméstico) alto ajuda o real, mas tem commodities que devem parar de subir, política monetária lá fora e uma percepção de risco para emergentes como um todo e Brasil”, disse Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV.

Com isso, ele espera que o dólar suba ante os patamares atuais e feche 2021 em 5,40 reais, indo a 5,60 reais ao fim de 2022. A moeda rondava 5,17 reais nesta sessão.

“O dia está mais calmo hoje no câmbio, reação do dia seguinte, mas juro sozinho não segura o dólar. Ele ajuda a conter pressões, mas não implica tendência de apreciação.”

Apesar de ver um cenário mais benigno para o real contra moedas diversas, Zanini, sócio-gestor da Galapagos Capital, prefere evitar um confronto direto com o dólar, justamente pela incerteza sobre o que vem da política monetária norte-americana.

“Sexta-feira tem ‘payroll’, e a gente acha que esse dado vai ser superimportante para a trajetória do dólar nas próximas semanas”, disse.

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Nas posições contra outras divisas, dois terços são de alta do real contra o rand sul-africano e o restante dividido entre real/dólar australiano e real/euro.

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20 ações que devem pagar dividendos acima da Selic, agora em 5,25% ao ano

SÃO PAULO – Como esperado pelo mercado financeiro, o Banco Central elevou novamente a taxa Selic, desta vez em 1 ponto, para 5,25% ao ano, e deixou a porta aberta para uma nova alta na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em setembro.

Ainda que o aumento da taxa básica de juros possa deixar a renda fixa mais atrativa, a inflação continua em patamares elevados, corroendo o retorno dos investidores. Com isso, aplicações mais arrojadas, como ações na Bolsa, seguem na preferência de gestores de patrimônio.

Isso porque os juros reais (acima da inflação) devem continuar próximos de zero no horizonte próximo.

No relatório Focus, do Banco Central, mais recente, as projeções apontam para Selic de 7% em dezembro e inflação de 6,79% em 2021 – o que implica baixo retorno real para investidores em renda fixa.

Neste cenário, rendimentos de dividendos acima da taxa de juros para algumas empresas são vistos como uma boa oportunidade, uma vez que, além da possibilidade de ganho de capital, o investidor conta também com uma rentabilidade adicional na forma de proventos.

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A XP fez um levantamento com 20 ações da cobertura que podem pagar um dividend yield (rendimento dos dividendos) acima de 5,3% ao ano.

Desta lista, que inclui geradoras de energia, bancos e uma construtora, 12 papéis devem pagar um dividend yield acima de 7%, que é a projeção do Focus para a taxa de juros no fim do ano. Confira:

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Vale lembrar que as companhias têm a obrigatoriedade, por lei, de remanejar pelo menos 25% de seus proventos para os acionistas.

Confira as recomendações da XP para as 10 maiores pagadoras de dividendos:

Banco do Brasil (BBAS3) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 13,7%

Na avaliação dos analistas da XP, o banco combina preço atrativo, pela sua carteira de crédito defendida, e uma frente digital competitiva.

“Acreditamos que a distribuição de dividendos do Banco do Brasil deve se tornar relevante, pois o banco deve aumentar seu payout em um cenário de maior capitalização, recuperação de lucros e Previ I com superávit de R$ 22 bilhões”, escrevem, em relatório.

A XP tem recomendação de compra para os papéis BBAS3 e preço-alvo de R$ 52 por ação.

Engie ([ativo=EGIE3]) – recomendação neutra e dividend yield esperado de 11,7%

No caso da geradora de energia elétrica, a XP destaca a capacidade diferenciada de a empresa se proteger de efeitos hidrológicos adversos, somada à sua diversificação de portfólio com a entrada nos setores de transmissão de energia e transporte de gás.

“Acreditamos que a companhia deverá manter uma prática de distribuição de 100% do lucro líquido aos acionistas em 2021, assim como ocorreu em 2020”, escreve o time de análise.

A XP tem recomendação neutra para os papéis EGIE3 e preço-alvo de R$ 48 por ação.

Taesa (TAEE11) – recomendação neutra e dividend yield esperado de 9,2%

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Outra empresa do setor elétrico, Taesa está confortável para manter a distribuição de 100% de lucros em 2021, segundo a XP.

Os analistas escrevem que a companhia vem apresentando um histórico de pagamento de dividendos bem acima da remuneração mínima que consta em seu estatuto. A XP tem recomendação neutra para a Taesa, com preço-alvo de R$ 37 por ação.

Copel (CPLE6) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 9,2%

De acordo com a XP, a Copel divulgou uma nova e robusta política de dividendos em 2021, na qual os proventos serão calculados conforme alguns critérios, como o de alavancagem abaixo de 1,5 vez ou igual a 65% do lucro líquido ajustado, por exemplo.

O time de análise estima um dividend yield de 12,2% em 2021 e 2022 para CPLE6, mantém a recomendação de compra para as ações e vê um preço-alvo de R$ 7,5 por ação, para CPLE6, e de R$ 37,50 por unit para CPLE11.

Bradesco (BBDC4) – recomendação neutra e dividend yield esperado de 9,3%

Do setor financeiro, Bradesco possui uma fonte diversificada de receitas, incluindo a maior seguradora do Brasil em participação de mercado, destaca a XP.

Os analistas ressaltam ainda a carteira de crédito do banco, a terceira maior do mercado, bem como o maior espaço para corte de custos em relação a pares como Itaú e Santander, além da boa sinergia entre seus negócios.

“Embora o banco tenha mostrado esforços em iniciativas como o banco Next, Ágora e Cielo, acreditamos que não haja claras oportunidades para o banco empregar grandes quantidades de capital incremental com altas taxas de retorno, tornando atrativa a distribuição de dividendos”, escrevem os analistas.

A XP tem recomendação neutra para o Bradesco e preço-alvo de R$ 26 por ação.

BB Seguridade (BBSE3) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 8,6%

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Também do setor financeiro, BB Seguridade deve se beneficiar, segundo o time de análise da XP, de um crescimento de prêmios impulsionado pela retomada econômica, bem como da capacidade de distribuição pelas agências do Banco do Brasil.

Desta forma, escreve a XP, dada a baixa necessidade de capital, a BB Corretora apresenta margens altas impulsionando os retornos da companhia e, consequentemente, os proventos.

A XP tem recomendação de compra para a BB Seguridade com preço-alvo de R$ 35 por ação.

Plano & Plano (PLPL3) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 8,5%

A Plano&Plano é uma incorporadora focada no segmento de baixa renda que opera principalmente na região metropolitana de São Paulo.

“Vemos a combinação de execução sólida e sua abordagem mais asset-light impulsionando suas operações nos próximos anos com um dos maiores retornos do segmento e baixa alavancagem financeira, o que deve levar a companhia pagar dividendos robustos nos próximos anos”, escreve a XP.

AES Brasil (AESB3) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 8,2%

Na avaliação da XP, AES Brasil (antiga AES Tietê) é uma das pagadoras de dividendos preferidas da casa, dado que costuma apresentar lucros consistentes.

Os analistas escrevem que, apesar de possuir um certo grau de volatilidade dependendo da incidência de chuvas, a companhia apresentou um payout de 88% em 2020, o que se traduz em um atraente dividend yield de 5,4% no ano.

A XP tem recomendação de compra para AESB3 e preço-alvo de R$ 17 por ação.

Santander (SANB11) – recomendação de venda e dividend yield esperado de 8,1%

Segundo a XP, apesar de o Santander ser o banco com a menor diversificação de receita entre os pares, apresenta uma combinação de alta exposição ao crédito de varejo e níveis de inadimplência relativamente abaixo da média.

“Acreditamos que, enquanto não haja boas oportunidades para o banco empregar grandes quantidades de capital incremental com altas taxas de retorno, a distribuição de dividendos pode ser uma alternativa atrativa”, avalia a XP.

Cesp (CESP6) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 7,9%

Por fim, a companhia de geração de energia elétrica Cesp também está entre as preferidas da XP para pagar bons dividendos, acima da Selic.

Os analistas escrevem que a companhia vem reforçando sua sólida geração de caixa nos últimos trimestres e que, por isso, a expectativa é de que deva continuar a distribuir ao menos o dividendo mínimo de R$ R$ 1,85 por ação previsto pelo seu estatuto.

A XP tem recomendação de compra para os papéis CESP6 e preço-alvo de R$ 34.

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Banco Central eleva Selic em 1 ponto, para 5,25%, a maior taxa de juros desde 2019

SÃO PAULO – O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (4) elevar a Selic em 1 ponto percentual, para 5,25% ao ano, em sua maior alta de juros desde 2003. Essa foi a quarta vez seguida que o comitê subiu a Selic, que chega ao seu maior nível desde outubro de 2019.

A decisão seguiu o que esperava a maior parte dos analistas consultados pela Bloomberg, que já enxergava na constante pressão inflacionária um motivo para o Banco Central elevar seu ritmo de alta de juros.

A escalada dos preços de alimentos, combustíveis e energia elétrica fez com que os economistas do mercado financeiro já projetem inflação de 6,79% para 2021, conforme o Relatório de Mercado Focus desta semana. Esse valor está bem acima do teto da meta de inflação, o que tem pressionado o BC a elevar os juros.

Desde o segundo semestre de 2020, os preços de commodities internacionais, como soja e milho, tem aumentado, o que impacta o custo de alimentos também no Brasil. Além disso, combustíveis e gás de cozinha têm pressionado o orçamento das famílias, assim como o custo da energia elétrica. Mais recentemente, a geada em algumas regiões do País prejudicou a produção de alimentos, com impactos nos preços ao consumidor final.

Neste cenário, restou ao BC iniciar em março deste ano o processo de alta da Selic, para que a inflação não dispare em 2022. O ano de 2021 já é considerado perdido para o cumprimento da meta.

Em seu comunicado dessa decisão, o Copom ressaltou que elevar a Selic em 1 p.p. reflete “seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2022 e, em grau menor, o de 2023”.

“Esse ajuste também reflete a percepção do Comitê de que a piora recente em componentes inerciais dos índices de preços, em meio à reabertura do setor de serviços, poderia provocar uma deterioração adicional das expectativas de inflação”, diz o texto do BC.

“O Copom considera que, neste momento, a estratégia de ser mais tempestivo no ajuste da política monetária é a mais apropriada para garantir a ancoragem das expectativas de inflação. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, completa.

A expectativa dos analistas é que a autoridade monetária seja obrigada a manter uma alta forte da taxa de juros até o fim do ano, quando, segundo a mediana das projeções compiladas pelo Broadcast, a Selic deve chegar a 7%, acima do patamar considerado neutro (em que os juros não estimulam e nem contraem a economia).

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Nesse sentido, o próprio BC sinalizou em seu comunicado que esse deve ser o cenário: “Neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado um ciclo de elevação da taxa de juros para patamar acima do neutro”, diz o texto.

Veja o comunicado na íntegra:

Em sua 240ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 5,25% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

  • No cenário externo, a evolução da variante Delta da Covid-19 adiciona risco à recuperação da economia global. O Comitê avalia que, a despeito dos movimentos recentes nas curvas de juros, ainda há risco relevante de aumento da inflação nas economias centrais. Ainda assim, o ambiente para países emergentes segue favorável com os estímulos monetários de longa duração, os programas fiscais e a reabertura das principais economias;
  • Em relação à atividade econômica brasileira, os indicadores recentes continuam mostrando evolução positiva e não ensejam mudança relevante para o cenário prospectivo, o qual contempla recuperação robusta do crescimento econômico ao longo do segundo semestre;
  • A inflação ao consumidor continua se revelando persistente. Os últimos indicadores divulgados mostram composição mais desfavorável. Destacam-se a surpresa com o componente subjacente da inflação de serviços e a continuidade da pressão sobre bens industriais, causando elevação dos núcleos. Além disso, há novas pressões em componentes voláteis, como a possível elevação do adicional da bandeira tarifária e os novos aumentos nos preços de alimentos, ambos decorrentes de condições climáticas adversas. Em conjunto, esses fatores acarretam revisão significativa das projeções de curto prazo;
  • As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação;
  • As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 6,8%, 3,8% e 3,25%, respectivamente; e
  • No cenário básico, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio partindo de USD/BRL 5,15*, e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 6,5% para 2021, 3,5% para 2022 e 3,2% para 2023. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 7,00% a.a. neste ano, mantém-se nesse valor durante 2022 e reduz-se para 6,50% a.a. em 2023. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 10,0% para 2021 e 4,6% para 2022 e 2023. Adota-se uma hipótese neutra para a bandeira tarifária de energia elétrica, que se mantém em “vermelha patamar 1” em dezembro de cada ano-calendário.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções.

Por um lado, uma possível reversão, ainda que parcial, do aumento recente nos preços das commodities internacionais em moeda local produziria trajetória de inflação abaixo do cenário básico.

Por outro lado, novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que pressionem a demanda agregada e piorem a trajetória fiscal podem elevar os prêmios de risco do país. Apesar da melhora recente nos indicadores de sustentabilidade da dívida pública, o risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária.

O Copom reitera que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia.

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Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 1,00 ponto percentual, para 5,25% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2022 e, em grau menor, o de 2023. Esse ajuste também reflete a percepção do Comitê de que a piora recente em componentes inerciais dos índices de preços, em meio à reabertura do setor de serviços, poderia provocar uma deterioração adicional das expectativas de inflação. O Copom considera que, neste momento, a estratégia de ser mais tempestivo no ajuste da política monetária é a mais apropriada para garantir a ancoragem das expectativas de inflação. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

Neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado um ciclo de elevação da taxa de juros para patamar acima do neutro.

Para a próxima reunião, o Comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude. O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (presidente), Carolina de Assis Barros, Fabio Kanczuk, Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio USD/BRL observada nos cinco dias úteis encerrados no último dia da semana anterior à da reunião do Copom.

Mais informações em breve

(Com Estadão Conteúdo)

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O que faria o Copom surpreender o mercado e NÃO subir a Selic em 100 pontos-base hoje?

(CONDADO DA FARIA LIMA) – Hoje é dia de reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) e dificilmente haverá surpresas no anúncio: a grande aposta é de alta de 100 pontos-base na Selic, levando-a para 5,25% ao ano. Mas o que fez o mercado esperar uma alta mais forte do que nas últimas reuniões, quando o Comitê subiu o juro em 75 pontos? E se vier alguma surpresa, qual seria a reação dos investidores?

Foram essas reflexões que extraímos do Paulo Val, economista-chefe da gestora Occam. No vídeo acima, você vai conferir:

  • Qual foi o grande motivo mudou a aposta do mercado para alta de 100 pontos;
  • O que o Copom usaria de justificativa para subir o juro em 75 pontos (e por que o mercado não iria gostar disso);
  • O que faria o Copom subir em 125 pontos (e por que o mercado poderia receber bem essa decisão);
  • Se há espaço para a Selic cair em 2022.

Para as 4 próximas reuniões do Copom (incluindo a desta quarta, 4 de agosto), Val projeta que a Selic subirá em 100 pontos nas duas primeiras, 75 pontos na terceira e 50 pontos na última reunião, encerrando 2021 em 7,5%. Para 2022, ele prevê que o juro permaneça estável.

A decisão do Copom de hoje deve ser anunciada por volta das 18h. É importante o investidor acompanhar não só o veredicto mas também o comunicado que acompanha a decisão, para saber como votaram os membros do Comitê e quais os argumentos usados para tal decisão.

Copom: mercado “crava” que Selic deve subir 100 pontos (ou até mais)

(CONDADO DA FARIA LIMA) – Como em toda semana de Copom, o Stock Pickers abre a semana mostrando como estão as apostas do mercado para onde a Selic deve ir na reunião que acontece na quarta-feira. Nesta segunda, o Anibal Furuguem, especialista em opções da XP, mostrou que o mercado praticamente “cravou” que a taxa de juros vai subir mais do que os 75 pontos-base que vimos nas reuniões anteriores.

O contrato “CPMQ21C101000“, que indica que o Copom subirá a Selic em 100 pontos, está sendo negociado a R$ 80 – ou seja, o mercado acredita que há 80% desse cenário tornar-se realidade (veja mais abaixo como funciona o mercado de opções de Copom).

Já o contrato que aponta alta de 125 pontos-base (CPMQ21C101250)fechou a sexta-feira em R$ 11. Juntos, eles somam mais de 90% de probabilidade de acontecer. Até o dia 22, as apostas do mercado para um dos dois cenários eram muito menores: somavam 39%.

A grande expectativa até então era de que o Copom manteria o mesmo ritmo de 75 pontos de elevação: a chance era de 68%, apontam os preços das opções de Copom da época. Mas após o IPCA-15 de julho vir acima do esperado, as apostas de alta de 75 pontos despencaram e atualmente apontam 7,5% de chance de acontecer. Ou seja: hoje o mercado acredita mais em uma alta de 125 pbs do que de 75 pbs.

Com a Selic está em 4,25% ao ano, se o cenário mais esperado acontecer, ela irá para 5,25%. O boletim Focus do Banco Central aponta que ela deve fechar o ano em 7%, mas cada vez mais gestores começam a trabalhar com um cenário mais alto para juro brasileiro em dezembro.

ENTENDA COMO FUNCIONAM AS OPÇÕES DE COPOM

Cada contrato indica a probabilidade do que o Copom fará com a Selic no dia da reunião (subir, cortar ou manter o juro) e todos esses contratos vencem no dia da respectiva reunião.

Os contratos são negociados entre R$ 0,01 e R$ 99,99, onde cada centavo indica a probabilidade deste evento acontecer. Exemplo: um contrato negociado a R$ 80,00 indica que há 80% de probabilidade daquele evento acontecer.

Logo no dia seguinte da reunião do Copom, o contrato que “acertou” o que aconteceu com a Selic passará a valer R$ 100,00, enquanto todos os outros contratos referentes àquela reunião virarão pó (expressão do mercado para dizer que valerão zero reais).

CUSTOS DE OPERAÇÃO E PROBABILIDADE DE LUCRO 

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Cada 1 unidade é negociada em lotes de 100 contratos. Ou seja, se você comprar 1 unidade de uma opção de Copom que está valendo R$ 30,00, terá que desembolsar R$ 3.000 (30 por opção x 100 contratos).

Se essa opção “acertar” a decisão do Copom, ela passará a valer R$ 100,00 no dia seguinte da decisão – ou seja, seus R$ 3.000,00 virarão R$ 10.000,00 (a conta não considera os custos operacionais e o imposto de renda, que é de 15% sobre o lucro da operação).

Caso o cenário previsto não ocorra, todo seu capital investido virará pó – no exemplo acima, você perde R$ 3.000.

ENTENDA O “CÓDIGO” DE CADA CONTRATO

Cada contrato tem 13 letras e números na sua composição. Pegando como exemplo o contrato com maior probabilidade de ocorrer nesta semana, que é o de alta de 100 pontos-base: o código dele na B3 é CPMQ21C101000, onde:

CPM = é o nome da opção, e nunca muda. Designa Copom.

Q = mês da reunião de acordo com a linguagem da B3. As letras são as mesmas que as usadas nos contratos futuros (este caso, agosto).

21 = ano da reunião.

C = tipo da reunião (C para ordinária, P para extraordinária). Como não temos uma reunião extraordinária desde 2002, o mais comum é vermos os contratos com a letra C.

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101000 =os 6 últimos números vão indicar qual é a “aposta” desta opção para a decisão do Copom. Os números partem de 100000 (cem mil), onde 100000 indica “manutenção da Selic”, e qualquer número acima ou abaixo disso sinaliza alta ou queda da Selic. No exemplo acima (101000), o contrato indica alta de 100 pontos-base.

A opção que sinaliza alta de 50 pontos-base teria no final 100500, enquanto um contrato que indica queda de 25 pbs teria no final 099750.

COMO COMPRAR ESTAS OPÇÕES?

A compra de uma opção de Copom tem o mesmo processo de uma opção de ação. O investidor precisa abrir o home broker, digitar o código e comprar (se a sua corretora não te permite comprar estes contratos, verifique seu perfil de investidor ou faça a operação utilizando o canal de atendimento online).

Mais informações: a B3 tem uma página no site focada em opções de Copom.

BC volta a indicar outro ajuste de 0,75 ponto da Selic em agosto, mostra Relatório Trimestral de Inflação

O Banco Central (BC) voltou a indicar nesta quinta-feira, 24,, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), que deve promover novo aumento de 0,75 ponto porcentual da Selic (a taxa básica de juros) em agosto. Atualmente, a Selic está em 4,25% ao ano.

“Para a próxima reunião, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização monetária com outro ajuste da mesma magnitude (0,75ponto)”, registrou o RTI. “Contudo, uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários. O Comitê ressalta que essa avaliação também dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e de como esses fatores afetam as projeções de inflação.”

Estas avaliações já constaram no comunicado da semana passada – quando o Copom elevou a Selic em 0,75 ponto porcentual, para 4,25% ao ano – e também na ata da reunião, publicada na última terça-feira, 22. A visão do Copom para o encontro do mês de agosto, no entanto, marca uma mudança em relação ao que vinha sendo comunicado até então.

No encontro de maio, o Copom ainda antevia a continuação do processo de “normalização parcial” do estímulo monetário. No comunicado da semana passada, na ata e no RTI de hoje, o colegiado retirou o termo “parcial” e indicou claramente a intenção de elevar a Selic até a taxa neutra – o juro que, em tese, permite crescimento sem gerar inflação.

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“Neste momento, o cenário básico do Copom indica ser apropriada a normalização da taxa de juros para patamar considerado neutro”, repetiu o RTI. “Esse ajuste é necessário para mitigar a disseminação dos atuais choques temporários sobre a inflação. O Comitê enfatiza, novamente, que não há compromisso com essa posição e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação.”

O Banco Central informou que as estimativas apresentadas no RTI tiveram data de corte no dia 11 de junho deste ano.

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Governo tende a reduzir meta de inflação de 2024 para 3%, dizem fontes à Bloomberg

(Bloomberg) – O governo está inclinado a definir uma meta de inflação mais ambiciosa, de 3%, para 2024 em uma tentativa de sinalizar um compromisso com a ancoragem das expectativas, de acordo com três pessoas familiarizadas com a discussão.

A decisão final ainda não foi tomada e alguns integrantes da equipe econômica ainda defendem a manutenção da meta em 3,25%, mesmo patamar estabelecido para 2023. Essa seria uma forma de auxiliar do lado fiscal, pois evitaria pressões adicionais sobre o teto de gastos, que estabelece que o crescimento das despesas deve se limitar à inflação do ano anterior, acrescentaram as pessoas, pedindo anonimato porque a discussão não é pública.

Ainda assim, a visão predominante é de que é necessário trazer a inflação para um patamar de 3% semelhante a outros mercados emergentes. A decisão final será tomada na reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) na quinta-feira, dia 24 de junho. O ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Bruno Funchal, são integrantes do CMN.

O Brasil vem reduzindo lentamente sua meta de inflação desde 2018. A meta atual é de 3,75% para este ano e 3,5% para 2022, com uma faixa de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Uma mudança na margem de tolerância da meta não está em discussão no momento, disse uma das pessoas.

Durante a última reunião do Copom, no dia 16 de junho, o BC aumentou a Selic e já sinalizou novas altas devido a pressões inflacionárias decorrentes do custo das commodities e também do aumento das contas de eletricidade. Enquanto isso, os gastos emergenciais em meio à pandemia estão alimentando a demanda.

Os analistas de mercado não têm um consenso sobre a meta de inflação de 2024. Ex-diretor do BC e chefe do comitê de investimentos do fundo Panamby Inno, Reinaldo Le Grazie defende meta de 3% para 2024, enquanto o economista da Tendências Consultoria Silvio Campos Neto espera manutenção de 3,25%.

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Ata amplia apostas de alta da Selic em 1 ponto no próximo Copom e juro em patamar “contracionista” ao final do ciclo

SÃO PAULO – O comunicado da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do última dia 16 de elevar a Selic em 0,75 ponto percentual, a 4,25% ao ano, já tinha sido considerado “hawkish”, que define os defensores de juros mais altos e de uma política de austeridade mais forte. Isso porque deixou uma janela para um ritmo de alta mais forte.

Já a ata divulgada na manhã desta terça-feira (22) evidenciou ainda mais esse cenário, levando várias instituições a revisarem para cima suas projeções para a Selic. Além disso, passa a ganhar força a discussão de que o ciclo de alta da Selic pode chegar a um patamar considerado contracionista para a atividade econômica.

O comitê avaliou a possibilidade de acelerar a alta dos juros em sua reunião da semana passada, mas entendeu que seria mais adequado manter o ritmo de aperto de 0,75 ponto percentual, com a indicação de um aperto maior no encontro seguinte, mostrou o documento.

Conforme destaca Caio Megale, economista-chefe da XP, o Copom fez uma avaliação dura para o lado da inflação sobre a economia, enfatizando que a atividade econômica tem sido melhor do que o esperado e o choque de inflação corrente tem se mostrado mais persistente do que o antecipado.

Em seu cenário básico, o Comitê menciona que a inflação para 2022 atinge a meta – que é de 3,50% – com um ajuste completo da política monetária. Ou seja, com a Selic em níveis neutros (nem em patamares estimulativos nem contracionistas). As projeções são de a taxa de juros neutra se encontre por volta de 6,5%. Porém, o Copom destacou que o balanço de riscos para esta previsão da inflação é altista.

Além disso, o Copom afirmou que as projeções do PIB para 2021 da pesquisa Focus são mais otimistas do que suas projeções (o que dá margem para uma revisão para cima nas projeções).

Assim, aponta Megale, o documento lançou luz sobre o que pode levar o Copom a acelerar o ritmo de alta da Selic, de 0,75 pontos-base para, possivelmente, 1 ponto. “O Comitê acompanhará não apenas indicadores quantitativos (expectativas de inflação da pesquisa Focus e inflação implícita nos mercados), mas também avaliações qualitativas, como a percepção de que as pressões inflacionárias estão se espalhando pela economia. A nosso ver, a ata vai um passo além (em relação ao pronunciamento) em ganhar flexibilidade para que o Copom aumente o ritmo da alta de juros ou vá além do neutro”, avalia o economista.

O Bradesco também ressalta que o Copom reforçou intenção de fazer o ajuste da política monetária, voltando ao nível neutro.

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Para a reunião seguinte, existe a possibilidade de aceleração do grau de ajuste monetário, condicionado ao comportamento das expectativas de inflação e da evolução dos preços mais inerciais. “Em nossa avaliação, por ora, o fluxo de dados quanto à atividade econômica, à taxa de câmbio e às expectativas determinarão o ritmo de elevação em agosto”.

A expectativa dos economistas do Bradesco dos juros chegando a 6,50% ao ano no final de 2022 deve ser antecipada para este ano, apontaram.

Já Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman Sachs para América Latina, vê nesse momento alta de 0,75 ponto da Selic na próxima reunião. Contudo, elevou a probabilidade de um aumento maior, de 1 ponto, de 33% para 50%, dado o tom da ata e o fato de o Copom já ter discutido aumentar o ritmo na reunião de junho. Ramos espera alta constante e relativamente rápida em direção à neutralidade, com crescente probabilidade de uma alta de 7% na Selic em 2022.

O Bank of America, por sua vez, avalia que a Selic poderia se mover além do nível neutro – ou seja, a um patamar que levaria a uma desaceleração da atividade – e aponta que os riscos de inflação devido ao cenário fiscal podem empurrar os juros para cima. Assim, os economistas esperam que o ritmo de alta acelere para alta de 1 ponto nas próximas duas reuniões. Essas altas se seguiriam a um aumento de 0,50 ponto em outubro e um aumento final de 0,25 em dezembro, atingindo 7% ao final do ano (ante previsão anterior de 6,50%). Para 2022, a expectativa é de manutenção da taxa a 7%.

Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra, destacou para a Bloomberg que também vê a possibilidade de taxa de juros básica no terreno contracionista no final deste ciclo, o que levaria a Selic a 7% no final de 2021. Oliveira aponta que o final do ciclo pode não ser no final de 2021 e o ajuste pode prosseguir nos primeiros meses de 2022 – porém, esse não é o cenário base da instituição.

(com Bloomberg e Reuters)

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Banco Central considerou acelerar alta de juros na semana passada, mostra ata do Copom

BRASÍLIA (Reuters) – O Comitê de Política Monetária (Copom) avaliou a possibilidade de acelerar a alta dos juros em sua reunião da semana passada, mas entendeu que seria mais adequado manter o ritmo de aperto de 0,75 ponto percentual, com a indicação de um aperto maior no encontro seguinte, mostrou a ata da reunião divulgada nesta terça-feira.

O colegiado avaliou que essa estratégia teria a vantagem de dar mais tempo para o Copom acumular informações sobre a evolução dos preços mais inerciais, em meio à recuperação do setor de serviços, e também do comportamento das expectativas de inflação.

O Copom também chamou a atenção, nesse contexto, para a importância de “esclarecer a distinção entre transparência sobre as projeções condicionais e intenções invariantes de política monetária”.

O colegiado frisou que o compromisso “inequívoco” do BC é com a convergência da inflação para o horizonte relevante e que os passos para se alcançar esse objetivo são ajustados de acordo com as informações que se tornam disponíveis.

“Desse modo, indicações sobre a trajetória futura dos juros, sejam para a próxima reunião ou para o patamar final, são elementos úteis para a compreensão da função de reação da política monetária”, disse o Copom na ata.

“As informações obtidas no período entre as reuniões do Copom modificam as hipóteses presentes no cenário básico e no balanço de risco, e naturalmente alteram a trajetória futura dos juros.”

O Copom levou a taxa Selic a 4,25% em reunião encerrada na última quarta-feira e indicou a intenção de levar os juros a patamar considerado neutro à frente.

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