Donos de navio que bloqueou Canal de Suez fazem nova proposta de compensação

Ever Given (Foto: Wikimedia Commons)

ISMAILIA, Egito (Reuters) – Os donos do navio contêiner que bloqueou o Canal de Suez em março fizeram uma nova proposta de compensação na disputa com a autoridade do canal, e uma decisão judicial sobre o caso foi adiada por duas semanas neste domingo para dar mais tempo às negociações.

O gigante navio Ever Given está ancorado em um lago entre dois trechos do canal desde que foi removido do canal em 29 de março. Ele havia ficado encalhado durante seis dias, bloqueando centenas de navios e atrapalhando o comércio global.

A Autoridade do Canal de Suez exigiu 916 milhões de dólares de compensação para cobrir os custos das tentativas de resgate, danos à reputação e perda de receitas, antes de publicamente baixar seu pedido para 550 milhões de dólares.

Os donos japoneses do Ever Given, Shoei Kisen, e seus seguradores contestam o pedido e a detenção do navio por uma ordem judicial egípcia.

As negociações estavam em andamento até sábado, e os donos do navio fizeram uma nova proposta, afirmou o advogado da Autoridade, Khaled Abu Bakr, em uma audiência judicial sobre detenção do navio, em Ismailia.

O presidente da Autoridade havia dito anteriormente que a Shoei Kisen oferecera pagar 150 milhões de dólares.

Curso gratuito do InfoMoney mostra como você pode se tornar um Analista de Ações. Inscreva-se agora.

Fluxo cambial total em 2021 até 4 de junho é positivo em US$ 10,455 bi, diz BC

(Getty Images)

O fluxo cambial total do ano de 2021 até 4 de junho foi positivo em US$ 10,455 bilhões, informou nesta quarta-feira, 9, o Banco Central. No mesmo período de 2020, o resultado havia sido negativo em US$ 9,573 bilhões.

Em 2021 até 4 de junho, a saída líquida de dólares pelo canal financeiro foi de US$ 498 milhões. Este resultado é fruto de aportes no valor de US$ 219,856 bilhões e de envios no total de US$ 220,353 bilhões. O segmento reúne investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucro e pagamento de juros, entre outras operações.

No comércio exterior, o saldo acumulado ficou positivo em US$ 10,953 bilhões, com importações de US$ 87,752 bilhões e exportações de US$ 98,705 bilhões. Nas exportações estão incluídos US$ 13,844 bilhões em Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), US$ 28,671 bilhões em Pagamento Antecipado (PA) e US$ 56,190 bilhões em outras entradas.

Maio

Depois de registrar entradas líquidas de US$ 3,990 bilhões em abril, o País fechou maio com fluxo cambial negativo de US$ 1,821 bilhão, informou o Banco Central.

No canal financeiro, houve saída líquida de US$ 4,089 bilhões em maio, resultado de aportes no valor de US$ 37,613 bilhões e de retiradas no total de US$ 41,702 bilhões.

No comércio exterior, o saldo ficou positivo em US$ 2,268 bilhões, com importações de US$ 17,328 bilhões e exportações de US$ 19,596 bilhões. Nas exportações, estão incluídos US$ 2,735 bilhões em ACC, US$ 5,959 bilhões em PA e US$ 10,902 bilhões em outras entradas.

Semana

O fluxo cambial da semana passada (de 31 de maio a 4 de junho) ficou negativo em US$ 948 milhões, informou o Banco Central.

O canal financeiro registrou no período saída líquida de US$ 696 milhões. Isso foi resultado de aportes no valor de US$ 7,969 bilhões e de envios no total de US$ 8,665 bilhões.

No comércio exterior, o saldo ficou negativo em US$ 251 milhões no período, com importações de US$ 3,605 bilhões e exportações de US$ 3,354 bilhões. Nas exportações, estão incluídos US$ 537 milhões em ACC, US$ 870 milhões em PA e US$ 1,946 bilhão em outras entradas.

PUBLICIDADE

Para entender como operar na bolsa através da análise técnica, inscreva-se no curso gratuito A Hora da Ação, com André Moraes.

China é líder mundial em excesso de produção, aponta relatório dos EUA

(Shutterstock)

O relatório anual de estimativa de comércio do governo dos Estados Unidos aponta a China como líder mundial no excesso de produção para capacidade não econômica, o que é “evidenciado” em uma série de indústrias, como “aço, alumínio e solar”, afirma a publicação.

Segundo o documento, a China está no caminho de criar excessos em outras áreas, seguindo os planos “Made in China 2025”, para os quais o governo estaria destinando “bilhões de dólares para apoiar as empresas chinesas”.

O governo americano “continuará seus esforços bilaterais e multilaterais para lidar com essas práticas comerciais prejudiciais”, afirma a publicação.

Uma das acusações dos planos chineses é a de que o país estabeleceu metas para as companhias locais alcançarem no mercado interno, o que ocorreria “às custas das importações”.

Atribuído à Representante de Comércio dos EUA, Katherine Tai, o documento é publicado anualmente desde 1985, e aponta “barreiras para exportações” em 65 parceiros do país.

O Brasil é citado por oferecer regulações locais aos serviços de streaming, e pelas testagem e certificação em equipamentos de telecomunicações.

Quer descobrir como é possível multiplicar seu capital no mercado de Opções? O analista Fernando Góes te mostra como na Semana 3×1, evento online e 100% gratuito. Clique aqui para assistir.

Setor externo tem déficit de US$ 7,253 bilhões em janeiro, diz Banco Central

(Getty Images)

Após o déficit de US$ 5,393 bilhões em dezembro, o resultado das transações correntes ficou novamente negativo em janeiro deste ano, em US$ 7,253 bilhões, informou nesta quarta-feira, 24, o Banco Central. Este é o menor déficit para um mês de janeiro desde 2018 (US$ 6,778 bilhões). A autarquia projetava para o mês passado déficit de US$ 8,0 bilhões na conta corrente.

O número de janeiro ficou dentro do levantamento realizado pelo Projeções Broadcast, que tinha intervalo de déficit de US$ 8,80 bilhões a déficit de US$ 5,23 bilhões (mediana negativa de US$ 7,50 bilhões).

A balança comercial registrou saldo negativo de US$ 1,910 bilhão em janeiro, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 962 milhões. A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 4,664 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou negativo em US$ 7,315 bilhões.

A estimativa atual do BC é de déficit em conta corrente de US$ 19 bilhões em 2021. O cálculo foi atualizado no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado em dezembro.

Nos 12 meses até janeiro deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 9,405 bilhões, o que representa 0,65% do Produto Interno Bruto (PIB). Este é o menor porcentual desde fevereiro de 2008 (0,43%).

Lucros e dividendos

A rubrica de lucros e dividendos do balanço de pagamentos apresentou saldo negativo de US$ 797 milhões em janeiro, informou o Banco Central. A saída líquida é inferior ao US$ 1,470 bilhão que saiu do Brasil em igual mês do ano passado, já descontadas as entradas.

O BC informou também que as despesas com juros externos somaram US$ 3,879 bilhões em janeiro, ante US$ 4,151 bilhões em igual mês do ano passado.

Viagens internacionais

Ainda sob os efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia, a conta de viagens internacionais registrou déficit de apenas US$ 39 milhões em janeiro, informou o Banco Central. O valor reflete a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil no período. Em janeiro de 2020, o déficit nessa conta foi de US$ 764 milhões.

Na prática, com o dólar mais elevado e a restrição de voos em vários países, os gastos líquidos dos brasileiros no exterior despencaram 94,90% em janeiro deste ano. Vale lembrar que a pandemia do novo coronavírus ganhou corpo a partir de março do ano passado, quando se intensificaram as restrições de deslocamento entre países.

PUBLICIDADE

O desempenho da conta de viagens internacionais no mês passado foi determinado por despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 308 milhões – queda de 78,58% em relação a janeiro de 2020. Já o gasto dos estrangeiros em viagem ao Brasil ficou em US$ 269 milhões no mês passado, o que representa um recuo de 60,15%.

Dívida externa

A estimativa do Banco Central para a dívida externa brasileira em janeiro é de US$ 304,976 bilhões. Segundo a instituição, o ano de 2020 terminou com uma dívida de US$ 307,577 bilhões.

A dívida externa de longo prazo atingiu US$ 235,345 bilhões em janeiro, enquanto o estoque de curto prazo ficou em US$ 69,631 bilhões no fim do mês passado.

Em curso gratuito, analista Pamela Semezzato explica como conseguiu extrair da Bolsa em um mês o que ganhava em um ano em seu antigo emprego. Deixe seu e-mail para assistir de graça.

Postura do Brasil com a China é tudo o que o governo não deveria fazer, dizem analistas

Na última terça-feira, o Brasil assinou com os Estados Unidos uma declaração à Organização Mundial do Comércio (OMC) com críticas veladas à atuação da China no comércio internacional, dando mais uma demonstração de alinhamento do governo Bolsonaro com o governo Trump e sinalizando que o País poderá tomar partido na disputa comercial que se arrasta desde o ano passado entre as duas maiores economias do mundo.

Com o crescimento do peso da China no comércio exterior brasileiro, é tudo o que o governo não deveria fazer, dizem analistas ouvidos pelo Estadão.

Na declaração conjunta, Brasil e EUA defenderam que o princípio de economia de mercado tem de valer para todos os integrantes da OMC, de forma a garantir condições equitativas de competição econômica no comércio internacional. Para ambos os países, as atuais regras da entidade não serviriam para a China, cuja economia é fortemente marcada pela intervenção do Estado.

PUBLICIDADE

“O Brasil não ganha nada com isso. Nossa tradição é mais multilateral”, afirmou Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV. Ela lembra que a relação sino-brasileira divide o governo, com o tom belicoso do Itamaraty muitas vezes compensado pelo pragmatismo do Ministério da Agricultura. “O governo tem de atender a interesses de diversos grupos, não dá para ficar só na questão ideológica”, afirmou a pesquisadora.

Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, um dos problemas do alinhamento automático com os EUA é que, na arena do comércio internacional, brasileiros e americanos também são concorrentes. E as duas maiores potências agrícolas do planeta têm a China como principal mercado.

Antes da declaração conjunta com os EUA, integrantes do governo já haviam feito vários ataques à China, o que levou representantes do agronegócio a pedir uma mudança de postura, dado o receio de eventual retaliação por parte das autoridades chinesas. O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, por exemplo, chegou a insinuar que os chineses se beneficiaram da crise do coronavírus e postou imagens do personagem Cebolinha na muralha da China trocando o “L” pelo “R”, em alusão à alegada fala dos chineses. Depois, apagou a postagem.

Em reação, a Embaixada da China no Brasil respondeu que as publicações eram “completamente absurdas e desprezíveis, que têm cunho fortemente racista e objetivos indizíveis, tendo causado influências negativas no desenvolvimento saudável das relações bilaterais China”.

Prejuízo

As rodadas de acordos para interromper a disputa comercial entre China e EUA – que não chegaram a ser efetivamente implementados – incluíam cotas das vendas de soja americana para os chineses. Ou seja, o agronegócio brasileiro poderia sair perdendo, no curto prazo, caso a disputa comercial chegasse ao fim.

Para Castro, da AEB, o Brasil deve se aproximar dos americanos, mas sem alianças formais. “Os americanos são práticos e preservam seus interesses diretos. Para eles, é ‘amigos, amigos; negócios à parte’”, disse ele.

PUBLICIDADE

Esse distanciamento coincide com o aumento da dependência das exportações brasileiras para a China, principalmente de produtos básicos. Já a indústria ainda sofre com elevados custos de insumos, infraestrutura deficiente e alta carga tributária, que fazem com que os produtos industrializados brasileiros cheguem caros demais ao exterior. A AEB projeta que a exportação de manufaturados ficará em US$ 56,3 bilhões este ano, 27,3% abaixo de 2019 – valor semelhante ao registrado em 2004.

Procurado, o Palácio do Planalto indicou como porta-voz o Itamaraty, que não se pronunciou. Da mesma forma, o Ministério da Agricultura foi questionado sobre as possíveis consequências da postura do governo brasileiro para o setor, mas também não respondeu até o publicação desta matéria.

Aprenda a identificar as ações com maior potencial de valorização: assista à série gratuita Stock Picking – A Habilidade mais Valiosa do Mercado