Morar na universidade? Por que a Ânima se uniu a uma aposta de R$ 800 milhões em residências estudantis

Edifício que a Uliving vai construir em Santos, perto da Universidade São Judas (Divulgação) Edifício que a Uliving vai construir em Santos, perto da Universidade São Judas (Divulgação)

SÃO PAULO – Mesmo com um retorno ainda tímido para classes após meses de aulas virtuais, a Ânima Educação (ANIM3) está apostando forte na educação presencial. Em parceria com uma startup, a rede de ensino superior busca trazer o hábito americano e europeu de moradia nos campi universitários para o ensino superior privado brasileiro. A Ânima Educação firmou uma parceria com a Uliving, startup que opera moradias estudantis desde 2012.

Fundada em 2003, a Ânima Educação tem 330 mil estudantes espalhados por 18 instituições de ensino superior, com marcas como Anhembi Morumbi e São Judas. A empresa afirma ser a quarta maior organização educacional privada no país em número de estudantes e a terceira em receita líquida. São mais de 100 campi universitários. A Uliving pode captar até R$ 800 milhões para a construção de edifícios próximos a essas instituições, com uma oferta inicial de 5 mil camas em 15 empreendimentos. Essas construções levarão entre cinco a sete anos.

O objetivo é atender principalmente alunos que se mudam das cidades natais para cursar o ensino superior. Essa mudança é comum em cursos concorridos e com alta dedicação presencial, como Medicina. Segundo o Ministério da Educação, o Brasil tem cerca de 8,5 milhões de universitários. Estima-se que um quinto tenha saído da casa da família para estudar.

“Acreditamos que o estudante escolhe o melhor que conseguir, dependendo de sua capacidade financeira e de mobilidade. Queremos criar um mercado e trazer a cultura de moradia estudantil para o país, permitindo que as famílias possam enviar os filhos para estudarem em outras cidades com comodidade e segurança. Pensamos naquele jovem do interior que acabou o ensino médio e vai se mudar para uma cidade maior, e agora vai poder morar dentro ou próximo do campus universitário”, afirmou Marcelo Bueno, CEO da Ânima Educação, ao InfoMoney.

Marcelo Bueno, CEO da Ânima Educação (Divulgação)

Marcelo Bueno, CEO da Ânima Educação (Divulgação)

A Uliving tem cinco prédios em funcionamento em São Paulo e no Rio de Janeiro, com 1.500 apartamentos ao todo. A startup faz parte de uma holding que inclui a VBI Real Estate, gestora que capta recursos com investidores para investir no mercado imobiliário brasileiro – incluindo aportes nas moradias da Uliving.

“Embora a moradia estudantil tenha provado sua resiliência como classe de ativos imobiliários institucionais na América do Norte, na Europa, na Austrália e outros lugares, a oferta de acomodação institucional e uma experiência universitária holística está apenas iniciando no mercado brasileiro”, afirmou em comunicado sobre a parceria Ken Wainer, sócio-fundador da VBI Real Estate.

“A formação do jovem não está apenas no que acontece dentro das salas e dos laboratórios. Experiências como atléticas, congressos, diretórios acadêmicos, empresas juniores, estágios e relacionamento com estudantes e professores são fundamentais. A moradia conectada com o campus permite vivenciar melhor tudo isso”, completou na mesma entrevista Juliano Antunes, cofundador e presidente da Uliving.

Juliano Antunes, cofundador da Uliving (Divulgação)

Juliano Antunes, cofundador da Uliving (Divulgação)

A Uliving como um todo espera chegar a 2.000 apartamentos até janeiro de 2022. A ocupação nos prédios da startup chegou a cair de 80% para 65% nos piores meses da pandemia, com a adoção de aulas remotas e muitos alunos voltando às suas cidades natais. Mas a Uliving viu uma retomada expressiva em julho deste ano e espera alcançar uma ocupação como a dos meses pré-pandemia até o começo de 2022.

O primeiro prédio fruto da parceria entre Ânima Educação e Uliving será inaugurado no final de agosto, próximo da Universidade São Judas em Santos (São Paulo). Serão 218 suítes individuais, combinadas a áreas comuns como cozinha, coworking, lavanderia e sala de jogos. O aluno não precisará de fiador para assinar o contrato, e contas como água, internet e luz estão inclusas.

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O foco inicial está nos estudantes de Medicina, mas a Ânima espera no futuro ampliar a oferta para estudantes de todos os cursos. As locações partirão de R$ 1,2 mil por mês no Uliving de Santos.

A Ânima Educação fornecerá a primeira originação para os prédios, indicando seus estudantes. Mas os edifícios também poderão abrigar alunos de instituições que não fazem parte da rede. A empresa está estudando oferecer condições especiais aos seus alunos, como formas diferenciadas de pagamento e subsídios para os melhores alunos. A Ânima Educação ainda não divulga mais detalhes sobre essas condições.

Essa é uma aposta da Ânima na volta forte do ensino presencial, mesmo com a expansão do ensino a distância (EAD) durante a pandemia do novo coronavírus. “Estamos preparados para voltar às classes desde agosto de 2020. Não voltamos até o momento diante de novas ondas de contágio. Neste mês, voltaremos em esquema de rotação das turmas entre atividades digitais e salas e laboratórios físicos”, diz Bueno. “A vida será híbrida. Acreditamos em oferecer uma experiência única de convivência como diferencial, junto a uma educação de qualidade. Dormitório e sala de aula devem ser integrados dentro do ecossistema da Ânima.”

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Após IPO, startup brasileira Zenvia estreia na Nasdaq nesta quinta com queda de 20%

SÃO PAULO – As ações da startup brasileira Zenvia começaram a ser negociadas na bolsa americana de tecnologia Nasdaq nesta quinta-feira (22), após a companhia levantar US$ 150 milhões em sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Com uma injeção de recursos feita pela empresa americana de comunicação em nuvem Twilio, em operação paralela ao IPO, a transação atingiu US$ 200 milhões (um pouco mais de R$ 1 bilhão, na cotação atual).

Sob o código de negociação “ZENV”, os papéis da companhia, que conecta empresas a clientes via ferramentas que vão do SMS ao WhatsApp, foram precificados em US$ 13.

A ação abriu o pregão desta quinta em forte queda, da ordem de 20%, sendo cotada a US$ 10,35. Por volta das 14h30 no horário de Brasília, os papéis recuavam 16,7%, a US$ 10,83. A ação passava por oscilação relevante nessa faixa de horário.

De acordo com a companhia, o montante captado na oferta e no aporte privado deverá ser usado para pagamento do preço em dinheiro devido pela aquisição da One To One Engine Desenvolvimento e Licenciamento de Sistemas de Informática S.A. — Direct One, ou D1, enquanto os recursos remanescentes serão destinados para a gestão de seus negócios.

Fundada pelo empreendedor Cássio Bobsin em 2003, a Zenvia tem mais de 10 mil clientes ativos no Brasil, na Argentina e no México. A oferta foi coordenada por Bradesco BBI, Goldman Sachs, Itaú BBA, Morgan Stanley, UBS e XP.

Na última quarta-feira, a plataforma carioca de software para e-commerce VTEX concretizou seu IPO na Bolsa de Nova York (NYSE) a US$ 19 — acima da faixa de preço, que ia até US$ 17, captando US$ 361 milhões. Os papéis chegaram a disparar mais de 30% na estreia, e encerraram o pregão com alta de 16,7%.

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Após aporte do Softbank no Mercado Bitcoin, XP eleva preço-alvo de G2D e Bradesco BBI inicia cobertura da ação

(Divulgação)

SÃO PAULO – Com os investidores monitorando o surgimento de novas promessas, como fintechs e startups, em especial no setor de tecnologia, a G2D Investments (G2DI33), que atua com investimentos em empresas inovadoras e de alto crescimento, tem ganhado mais atenção no mercado financeiro, em especial após o aporte bilionário do SoftBank em uma das empresas da carteira, o Mercado Bitcoin.

A G2D, controlada pela GP Investimentos e sua subsidiária GP Advisors, fez seu IPO na B3 no fim de maio.

Na última quarta-feira (1) o SoftBank Latin America Fund, fundo criado pelo conglomerado de telecomunicações japonês para investir em startups da América Latina, anunciou um aporte de cerca de R$ 1 bilhão (US$ 200 milhões) no Grupo 2TM, holding dona da plataforma de ativos digitais Mercado Bitcoin.

A arrecadação deve ser destinada principalmente para acelerar o crescimento da empresa, podendo ser utilizada para ampliar o número de funcionários, estruturar e expandir a atuação no exterior, entre outros.

A empresa está entre as maiores posições do portfólio da G2D Investments, que conta ainda com nomes de brasileiras como Quero Educação, Cerco, sim;paul e a empresa de solução de pagamentos Blue.

Fundado em 2013, o Mercado Bitcoin tem crescido acompanhando o interesse por moedas digitais. A fintech tem 2,8 milhões de clientes, ou 70% do número de investidores individuais na B3, a Bolsa de Valores brasileira.

Com a notícia, a XP Investimentos divulgou relatório nesta sexta-feira (2) elevando o preço-alvo para os papéis da G2D, de R$ 7 para R$ 9 por ação.

A avaliação é de que o aporte do Softbank deve fazer com que o Valor Líquido de Ativos (NAV, na sigla em inglês) cresça R$ 245,3 milhões, representando um ganho de mais de 18 vezes no NAV, para R$ 915 milhões.

“Ainda acreditamos que a empresa deve negociar com 0% de deságio em relação ao valor líquido de ativos devido ao alto potencial de crescimento da carteira, compensado por elevados riscos relacionados à controladoria, taxas, liquidez e volume médio de negociações diárias (ADTV)”, escrevem os analistas.

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Segundo a XP, o Mercado Bitcoin está inserido em um segmento disruptivo, que pode ter valor a ser desbloqueado no curto prazo.

O aporte também contribuiu para o início de cobertura da ação pelo Bradesco BBI, com recomendação outperform (performance acima da média do mercado) e preço-alvo para 2022 de R$ 10 por papel – o que implica potencial de alta de 39% ante o fechamento de quinta-feira (1).

Em relatório divulgado nesta sexta, o Bradesco BBI escreve que a G2D é uma forma de se ter exposição ao atrativo setor de tecnologia, combinando o melhor do investimento em venture capital (altos retornos) com a liquidez da Bolsa. “Vemos o fundo bem posicionado para capturar oportunidades no mercado de tecnologia pela frente, e seu valuation atual oferece uma boa porta de entrada”, escrevem os analistas.

Na visão do time de análise, G2D está sendo negociada com grande desconto em relação ao seu valor líquido de ativos, considerando o ajuste a ser feito no investimento em Mercado Bitcoin, que representava no primeiro trimestre 2% da carteira da G2D Investments.

Além disso, os analistas não desconsideram a possibilidade de a companhia negociar com um NAV premium em meio às restrições ao investimento direto nos ativos do fundo; capacidade da gestão em gerar bons retornos; e prêmios na casa dos 16% em relação a fundos similares, que investem em empresas de venture capital no setor de tecnologia.

“O time forte e comprometido, com um histórico sólido em investimentos, é um dos principais pilares da nossa tese de investimento em G2D. Nos últimos três anos, o retorno anual do fundo ficou na casa dos 24%, indicando a capacidade da administração em capturar boas oportunidades no setores”, escrevem os analistas do Bradesco BBI.

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Yuca começa a atender quem quer investir em imóveis residenciais para aluguel

Apartamento mobiliado pela Yuca (Divulgação) Apartamento mobiliado pela Yuca (Divulgação)

SÃO PAULO – A Yuca foi criada com a proposta de fornecer aluguel descomplicado para pessoas físicas. Agora, a startup de propriedades (proptech) também está de olho em quem quer investir nesses imóveis residenciais.

A startup anunciou uma parceria com a Blackbird, escritório especializado em gestão de fortunas e estruturação de investimento. A Blackbird tem cerca de R$ 1 bilhão em ativos sob administração, atendendo clientes profissionais do mercado financeiro – como analistas, banqueiros e gestores de fundos.

O escritório viu na Yuca uma oportunidade de oferecer uma solução de investimento imobiliário para sua base, com mais de 500 clientes. A Yuca e a Blackbird estruturaram uma operação para compra de sete imóveis, que somam R$ 5,6 milhões.

O InfoMoney conversou com Rafael Steinbruch, cofundador da Yuca, sobre os detalhes da parceria. A Yuca tem 500 unidades sob gestão, com valor estimado em R$ 150 milhões. Recentemente, recebeu um investimento de R$ 56 milhões. Até o final deste ano, pretende chegar a 2.000 unidades sob gestão.

Rafael Steinbruch, Eduardo Campos e Paulo Bichucher, cofundadores da Yuca (Divulgação)

Rafael Steinbruch, Eduardo Campos e Paulo Bichucher, cofundadores da Yuca (Divulgação)

Entre investimento direto e fundo imobiliário

Os sete imóveis visados por Blackbird e Yuca estão em bairros como Bela Vista, Brooklin, Itaim Bibi, Jardins e Paraíso. Por meio de uma sociedade de propósito específico (SPE), os clientes da Blackbird serão sócios desses apartamentos.

O valor investido por cada um é menor do que se eles comprassem um apartamento de fato. A Yuca cuida dos processos de aquisição, reforma e manutenção de contratos de locação. “Houve uma alta demanda pelo portfólio de ativos. Em menos de duas semanas, a operação foi fechada”, escreveu em comunicado Bruno di Giacomo, cofundador e diretor da Blackbird.

A rentabilidade projetada é de 17,7% ao ano (TIR). Esse percentual inclui retornos mensais com aluguéis e valorização imobiliária dos ativos depois de 24 meses, quando o ativo será vendido a algum fundo imobiliário (FII).

A venda dos apartamentos será a liquidez do investimento – ou seja, a estratégia de saída dos investidores. A partir do momento que eles vendem os imóveis, deixam de ter propriedade o direito sobre os rendimentos dos ativos.

Um dos potenciais compradores é o YUFI11, um FII criado pela própria Yuca. O YUFI11 captou R$ 40 milhões em novembro de 2020. Todos esses recursos já foram alocados e o fundo projeta um yield entre 8,5% e 9% ao ano. Esse FII é voltado a investidores institucionais. A startup pretende captar mais recursos para o fundo imobiliário em 12 meses, desta vez com uma oferta também a investidores de varejo, por meio de uma oferta pública inicial de ações (IPO).

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A parceria entre Blackbird e Yuca é um investimento direto em imóveis. “Mas ocorre uma concentração muito maior quando pensamos em investidores comprando apenas um um imóvel para alugar. Também tem a dor de cabeça na gestão da reforma e dos inquilinos”, diz o cofundador da Yuca em entrevista ao InfoMoney.

Já na comparação com um fundo imobiliário (FII), Steinbruch defende que essa carteira de sete imóveis permite um contato maior com esses ativos residenciais. “Os investidores sabem quais imóveis serão adquiridos, como será a reforma deles e como está a ocupação do aluguel. Investir em um fundo imobiliário tem uma percepção menor por parte das pessoas de que elas estão investindo em imóveis de fato”.

Segundo o cofundador da Yuca, novas captações serão estruturadas com a Blackbird. Diferente do FII da Yuca, Steinbruch ressalta que esta operação de investimento direto em imóveis não é restrita a investidores profissionais. “A seleção dos investidores ficou a critério da Blackbird desta vez, detentora do relacionamento”, diz o cofundador da Yuca.

Outra diferença entre o investimento direto em imóveis e os fundos imobiliários está no tratamento tributário. Um projeto de lei encaminhado pelo governo ao Congresso prevê eliminar a isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos distribuídos por FIIs com cotas negociadas na B3 a investidores pessoas físicas.

Steinbruch afirma que ainda é cedo para comentar questões tributárias. “Foi apresentada uma proposta pelo governo. Ela ainda precisa passar pela Câmara, e muito provavelmente vai sofrer alteração antes de ir para o Senado. Aí, pode sofrer ainda mais alterações.”

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Gympass dobra valuation após novo investimento de fundos como o do SoftBank; startup já vale US$ 2,2 bilhões

Mulher vê aulas da Gympass pelo computador (Divulgação) Mulher vê aulas da Gympass pelo computador (Divulgação)

SÃO PAULO – A plataforma de bem-estar corporativo Gympass teve de se reorganizar completamente para enfrentar a pandemia de Covid-19. A virada de chave das academias físicas para aulas digitais em temas que vão além dos exercícios rendeu uma nova aposta de gestores de capital de risco conhecidos, como SoftBank, General Atlantic, Moore Strategic Ventures, Kaszek Ventures e Valor Capital Group.

O Gympass anunciou nesta terça-feira (29) uma rodada de investimentos que o avaliou em US$ 2,2 bilhões. Esse é o dobro do valuation visto na última captação da empresa, feita antes da pandemia.

O Gympass é uma plataforma de bem-estar corporativo. Empresas oferecerem o aplicativo a seus funcionários, para que eles realizem atividades emocionais, físicas e mentais com academias e estúdios parceiros do Gympass. Desde a chegada da pandemia, essas atividades podem ser feitas também por meio de aulas online.

O investimento atual é um série E de US$ 220 milhões. Em comunicado, a startup afirma que o novo aporte “reflete a aceleração do crescimento do Gympass no momento em que cuidar do bem-estar é cada vez mais relevante para o ambiente de trabalho híbrido”.

Do lado das empresas que contratam a plataforma de bem-estar corporativo, foram 1.000 adições durante a pandemia. Alguns dos clientes atendidos são Accenture, KPMG, McDonald’s e Unilever. Já do lado dos consumidores finais, a startup tem crescido seus usuários em dois dígitos mensalmente desde março de 2021. Diversos centros de bem-estar e exercícios “estão ultrapassando os níveis de engajamento pré-pandemia”, escreve a startup.

Além da consolidação das aulas pela internet, essas academias e estúdios estão se beneficiando com a reabertura progressiva de centros de bem-estar e exercícios. Estados Unidos e Reino Unido lideram o crescimento dentro da startup, mas América Latina e União Europeia também seguem a tendência de volta aos centros de bem-estar e exercícios. Apenas em maio, o Gympass registrou 4 milhões de visitas a academias e estúdios. Ao todo, são 50 mil estabelecimentos parceiros.

“Temos visto um aumento no número de visitas a academias e estúdios conforme os países começam a retomar suas atividades, e esperamos um avanço ainda maior à medida que as pessoas comecem a voltar aos escritórios”, disse no mesmo comunicado Cesar Carvalho, cofundador e CEO do Gympass.

Cesar Carvalho, cofundador do Gympass (Divulgação)

Cesar Carvalho, cofundador do Gympass (Divulgação)

Mesmo com o retorno das atividades presenciais, as soluções digitais do Gympass têm mantido níveis estáveis ​​de engajamento. Segundo a startup, isso reforça que “o futuro do bem-estar corporativo é híbrido.”

“Semelhante ao modelo de trabalho híbrido adotado por muitas empresas devido à pandemia, estamos vendo uma tendência semelhante em relação às atividades fitness e de bem-estar. Agora, as pessoas estão combinando visitas presenciais a academias e estúdios com o digital, usando aplicativos de meditação e nutrição, além de outras soluções de bem-estar oferecidas pelo Gympass. Vimos que esta é uma mudança que permanecerá no futuro e esperamos expandir nosso alcance e serviços para continuar a estimular o bem-estar geral das pessoas”, completa Carvalho.

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Os novos recursos serão usados para impulsionar o crescimento do Gympass nos Estados Unidos; melhorar a experiência do produto; e continuar a expandir em categorias como fitness digital, saúde mental e nutrição.

“É incrível ver o Gympass crescer cada vez mais em um momento em que o ecossistema operacional tem sido tão difícil”, disse no comunicado Shu Nyatta, sócio operador do Softbank. “O Gympass é a solução de bem-estar para o modelo de trabalho híbrido que estamos vendo agora, oferecendo aos colaboradores opções dentro e fora do escritório. (…) O crescimento da empresa nos últimos dois anos mostra o potencial que o Gympass tem.”

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Startup que financia energia solar a consumidores recebe R$ 160 milhões

Fabio Carrara, fundador e CEO da Solfácil (Paulo Vitale/Divulgação) Fabio Carrara, fundador e CEO da Solfácil (Paulo Vitale/Divulgação)

SÃO PAULO – Hidrelétricas em baixa, termelétricas em alta: o resultado é que o consumidor de energia elétrica tem visto uma conta de luz cada vez mais cara. Essa crise gera oportunidades para startups que defendem maneiras de economizar na conta atual, ou mudar para uma conta completamente diferente.

O segundo caso é o da Solfácil. A startup de serviços financeiros defende trocar a mensalidade da energia elétrica por um painel fotovoltaico parcelado.

Essa fintech de financiamento da energia solar acabou de ganhar mais um impulso para sua proposta. A Solfácil anunciou nesta quarta-feira (23) a captação de R$ 160 milhões. O aporte será fundamental para a fintech crescer dez vezes sobre 2020, ampliando a carteira de crédito para R$ 1 bilhão neste ano. Atualmente, são mais de 10 mil clientes e R$ 300 milhões em painéis fotovoltaicos financiados.

O Do Zero Ao Topo, marca de empreendedorismo do InfoMoney, conversou com o fundador Fabio Carrara sobre o setor de energia solar e o crescimento da Solfácil. O mercado tem dado saltos nos últimos anos, mas a oportunidade continua grande. Segundo dados coletados pelo empreendedor na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), 0,6% das unidades consumidoras brasileiras tem tecnologia de energia solar atualmente. Em países como a Austrália, a penetração chega a 25%.

Como funciona a energia solar distribuída

A Solfácil foi fundada pelo engenheiro Fabio Carrara em 2018. Carrara começou sua carreira há 15 anos, como consultor estratégia no Boston Consulting Group. Um MBA na Universidade de Wharton acendeu seu interesse pelo empreendedorismo. De volta ao Brasil, Carrara tornou-se diretor em um fundo alemão de venture capital. O estudo de um negócio de geração de contatos de clientes (leads) fez o diretor perceber o mercado de painéis fotovoltaicos.

“Pesquisei sobre a energia solar distribuída e vi que ela era comum na Austrália, na Europa e nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o Brasil é o melhor país para esse mercado: tem uma energia elétrica cara, mas muito sol e mão de obra relativamente barata. São fatores que permitem a expansão da energia solar distribuída”, diz Carrara. Na energia solar distribuída, os usuários geram luz para consumo próprio.

O diretor virou empreendedor em 2015. Fundou a Solstar, uma empresa que desenhava projetos e instalava painéis fotovoltaicos em estabelecimentos comerciais e residenciais. “Aprendi sobre a cadeia de suprimentos, sobre a tecnologia e sobre as necessidades do consumidor final. Ficou claro que o grande gargalo era fazer o investimento inicial nos painéis, e as fintechs estavam crescendo no Brasil”.

Após um investimento semente de R$ 4 milhões, captado em 2018, nasceu a Solfácil. A fintech pretende trocar o custo atual da energia elétrica pelo investimento em energia solar, concedendo financiamentos de até dez anos para aquisição de painéis fotovoltaicos.

A Solfácil atua em modelo B2B2C: agentes locais de projeto e instalação de painéis oferecem o financiamento da fintech aos consumidores finais. A Solfácil tem mais de 5 mil parceiros em mais de mil municípios. “O financiamento é uma ferramenta de venda para essas empresas, já que investimento inicial é o grande gargalo”, diz Carrara. É uma relação similar entre empresas de crédito automotivo e concessionárias, por exemplo.

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A Solfácil atende consumidores na pessoa física e pessoas jurídicas de pequeno porte. Esses mercados representam respectivamente 40%-45% e 35% dos projetos de energia solar no Brasil, segundo coletados pelo fundador da fintech na Aneel.

No segundo semestre, a Solfácil passará a atender também produtores rurais, que representam 15% dos projetos de energia solar. Dessa forma, a fintech pretende endereçar entre 90% e 95% do mercado. O restante está nas empresas de grande porte.

Segundo o fundador da fintech, o investimento em um painel fotovoltaico fica entre R$ 20 mil e R$ 30 mil para pessoa física, e entre R$ 75 mil e R$ 100 mil para pessoa jurídica de pequeno porte. Em um prazo de cinco a seis anos, o consumidor costuma pagar o painel – e a partir daí pode gerar a própria energia pelos painéis instalados no telhado ou no solo de sua residência. Sem os juros do financiamento, o prazo seria de quatro anos (considerando uma mensalidade similar à da fatura tradicional de energia elétrica).

A Solfácil tem mais de 10 mil clientes em sua carteira de crédito, que já ultrapassou R$ 300 milhões. O dinheiro para conceder o crédito é captado por meio de Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs).

A monetização da fintech vem da taxa de administração cobrada para originação do crédito e alocação do capital, além do spread do financiamento dos painéis fotovoltaicos. Esses FIDCs têm oferta restrita e para investidores qualificados (Instrução CVM 476), mas a Solfácil busca lançar no futuro uma oferta pública (CVM 400).

Conta de luz mais cara e novo investimento

Apesar de notícias sobre o aumento na conta de luz terem tomado o país nos últimos meses, Carrara afirma que o encarecimento da energia elétrica vem de anos e tem raízes estruturais.

“O custo da energia cresce historicamente acima dos índices de inflação. O Brasil tem uma matriz majoritariamente hídrica, mas esse modelo se esgotou pela falta de escalabilidade. O projeto mais recente foi o da hidrelétrica de Belo Monte, que teve uma série de problemas ambientais”, diz o fundador da Solfácil.

Atualmente, o risco de racionamento fez o Brasil se ancorar em termelétricas, poluentes e com energia mais cara que a das hidrelétricas. “Já a energia solar é uma das mais baratas e depende apenas de incidência solar. É uma solução ideal para momentos de racionamento, porque são as pessoas colocando o próprio capital para construir infraestrutura de eletricidade.”

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Carrara acrescenta que a demanda pela energia solar cresceu diante do encarecimento da conta de luz. O mercado cresceu 160% por ano nos últimos cinco anos, segundo dados coletados pelo empreendedor na Aneel. O negócio cresceu dez vezes em 2020, e têm agora crescido 90% por trimestre. A fintech concede R$ 60 milhões em crédito mensalmente, com a entrada de 2 mil novos clientes por mês.

Além do investimento semente em 2018, a fintech captou R$ 21 milhões em agosto de 2020. O aporte série A foi liderado pela Valor Capital Group. Os atuais R$ 160 milhões correspondem a um aporte série B, liderado pelo QED Investors. O fundo de capital de risco investiu em startups como Creditas, Loft e QuintoAndar. A rodada teve ainda a participação do Banco Mundial e novamente da Valor Capital Group.

As captações feitas em troca de participação no negócio (equity) são voltadas para investimentos na própria fintech, e não nos recursos para financiamento. O aporte série B será usado primeiro para crescer e melhorar o financiamento. Depois, para criar soluções aos parceiros da Solfácil.

A Solfácil vai lançar financiamentos de curto prazo, para aqueles que querem comprar o painel fotovoltaico em três ou quatro parcelas. A fintech vai investir em marketing e comercial para ampliar o número de parceiros, chegando a 10 mil deles até o final de 2022. Os recursos também vão para tecnologia, com o objetivo de automatizar a concessão do financiamento e facilitar a integração com os sistemas dos parceiros. Por fim, pretende ir além da concessão de financiamento aos parceiros: oferecerá plataformas de conexão com fornecedores, relacionamento com o cliente e monitoramento dos painéis instalados.

Executar tais planos requer uma equipe maior. A Solfácil tem mais de 200 funcionários hoje e pretende chegar a 460 pessoas até o final de 2020. A Solfácil espera chegar a 100 mil clientes e R$ 1 bilhão financiados em 2021 – outro crescimento de dez vezes sobre o ano anterior, como visto em 2020. Para 2022, o plano é conceder R$ 2,5 bilhões em crédito.

“Percentualmente, o crescimento vai desacelerar aos poucos. É natural. Mas ainda temos muito potencial para crescimento”, diz Carrara.

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Em busca de inovação, grandes empresas batem recorde de aquisições de startups

A velocidade das transformações digitais, acelerada pela pandemia da covid-19, criou uma cultura de urgência dentro das empresas em busca de inovação. Para não ficar para trás e não perder espaço para a concorrência, muitas delas, como Magazine Luiza (MGLU3), Via (VVAR3), B2W (BTOW3) e Alpargatas (ALPA4), têm ido às compras à procura de soluções para problemas do dia a dia. A preferência tem sido pelas startups, empresas novatas com mais agilidade no desenvolvimento de produtos e com mão de obra qualificada.

Só no primeiro quadrimestre deste ano, o número de aquisições de startups cresceu 120% – um recorde para o segmento. Foram 77 negócios ante 35 em igual período do ano passado, segundo dados da plataforma de inovação Distrito. O movimento começou a se intensificar no terceiro trimestre do ano passado, quando aumentou a corrida pela digitalização para amenizar os efeitos da crise. Para se ter ideia do apetite das empresas, o número de aquisições entre janeiro e abril deste ano foi maior que o de 2019 inteiro.

“A pandemia acelerou a transformação das empresas diante de uma mudança forte no comportamento dos consumidores. Elas entenderam que precisavam ter novos canais para atender a esse cliente”, afirma o cofundador da Distrito, Gustavo Gierun. Para ele, as aquisições de startups se mostraram o caminho mais rápido para encurtar o tempo da digitalização.

“Todos os dias temos de decidir se vamos construir as soluções ou vamos procurar fora”, diz o vice-presidente de negócios do Magalu, Eduardo Galanternik. No primeiro quadrimestre, a estratégia foi buscar no mercado: a empresa comprou cinco startups e continua com forte apetite. “Procuramos negócios que vão resolver nossos problemas nas áreas de tecnologia, logística e pagamentos”, diz Galanternik, destacando que o objetivo é acompanhar os novos hábitos de clientes cada vez mais conectados.

Outras varejistas acompanharam a estratégia do Magalu. Neste ano, a venda de startups com soluções voltadas para o setor ficou em primeiro lugar no ranking de fusões e aquisições, com 14% das operações, segundo a Distrito. Em 2020, as fintechs estavam na liderança, com 16%, e o varejo em quarto lugar, com 11%. Para Gierun, as empresas do setor entenderam que avanços na parte de serviços, operações, clientes e na cadeia logística serão essenciais para o crescimento.

O vice-presidente de inovação digital da Via (ex-Via Varejo), Helisson Lemos, concorda. O grupo tem buscado startups que incrementem seus serviços, como a compra da empresa de logística Asap Log. Em menos de um ano, conseguiu elevar de 28% para 42% o número de entregas feitas em 24 horas e de 47% para 65%, em 48 horas. Em abril, a Via comprou a fintech Celer, que vai compor os trabalhos de outra aquisição: o banco digital BanQi, com dois milhões de clientes. “É inimaginável fazer isso em casa na mesma velocidade.” Para ele, a aquisição tem efeito imediato nos resultados.

A velocidade das mudanças num mundo em forte disrupção reforça o movimento de compra de startups em vez de começar um projeto do zero. “Hoje em dia a tecnologia se torna obsoleta rapidamente. Enquanto uma empresa desenvolve uma solução, outras surgem e superam as demais”, afirma o sócio da consultoria PwC, Leonardo Dell’Oso, líder da área de fusões e aquisições.

Além da urgência do digital, o cenário tem sido favorável às aquisições. Com a queda dos juros e abertura de capital na bolsa, há muito dinheiro em circulação que precisa ser alocado em algum lugar, diz o sócio-fundador da butique de fusões e aquisições Solstic Advisors, Flávio Batel. “Só nas últimas três semanas, recebemos cinco novos mandatos de negócios que envolvem busca de soluções para empresas tradicionais.”

A maioria delas tem criado áreas e fundos dedicados à busca de oportunidades no mercado, como é o caso da Tivit, Porto Seguro e a B2W, que criou o IF – Inovação e Futuro. É essa área que fica à frente das aquisições de empresas do Universo Americanas (Americanas e B2W). De janeiro de 2020 para cá, a companhia já comprou oito startups para reforçar os serviços do grupo. A aquisição mais recente foi a Nexoos, uma plataforma que conecta tomadores de crédito com investidores. “A estratégia é entrar em negócios de novas frequências, novas verticais e que tenham times e conhecimentos para acelerar nosso trabalho”, diz o diretor do IF, Thiago Barreira.

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Além do lucro: como analisar os balanços de empresas de tecnologia na Bolsa?

SÃO PAULO – “Participei de vários roadshows [reuniões que apresentam novas companhias para oferta de mercado] de empresas de tecnologia e a pergunta que sempre surgia era: se o seu produto é bom e você tem a oportunidade de desenvolvê-lo ainda mais, por que está pensando no lucro agora?”.

É assim que Lucas Chaise, analista de empresas de tecnologia da XP, questionou, em live no Instagram do InfoMoney, por que os investidores olham apenas para o lucro registrado por essas empresas durante a sua temporada de balanços.

“Para as techs, que geralmente trazem algo novo para a indústria, gerar lucro, neste momento inicial após a abertura de capital na Bolsa [IPO], seria abrir mão de crescimento.”

Isso porque o mercado está cada vez mais rápido e com novas tecnologias. Quando uma companhia lança uma ferramenta, há chances de o produto alcançar diversos usuários em um intervalo curto de tempo. E, assim, surge a necessidade de aperfeiçoamento e desenvolvimento, também para evitar que concorrentes substituam esse produto.

Para entender melhor essa lógica, é preciso conhecer o processo de consolidação das startups no mercado. Essas empresas captam investimentos, geralmente com fundos de risco (venture capital) e utilizam os recursos para crescer mais rapidamente e se tornarem eficientes.

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A partir do momento em que essas novas empresas atingem um alto nível de desenvolvimento e de captação de clientes, elas começam a lucrar de fato.

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“Esse processo pode levar anos. Talvez o lucro não venha no primeiro ano, nem mesmo em cinco anos. E o investidor precisa dessa nova visão que é: tolerar que uma empresa queime caixa para expandir a base de clientes e se consolidar no mercado para, no longo prazo, monetizar o produto e lucrar”, diz Chaise.

Índices para serem analisados nos balanços de tecnologia

Durante a temporada de balanços corporativos do primeiro trimestre de 2021, duas empresas de tecnologia chamaram atenção dos investidores: Enjoei (ENJU3) e Méliuz (CASH3).

A Enjoei viu seu prejuízo subir de R$ 1,3 milhão para R$ 31 milhões no primeiro trimestre de 2021 na comparação anual. Já o Méliuz teve queda de 51,2% do lucro na comparação anual, de R$ 6,2 milhões para R$ 3,01 milhões.

No caso dessas empresas, que são do setor de e-commerce, Chaise aponta que é importante analisar o GMV (gross merchandise volume, em inglês), ou o volume bruto de mercadorias.

“Esse indicador mostra quanto essas empresas negociam dentro do site ou em seu ecossistema. Também é importante olhar a receita, e não o lucro, porque ela mostra quanto a empresa está gerando perante o seu market cap, ou seja, quanto ela vale na Bolsa”, explica.

A Enjoei registrou um GMV 104% maior, de R$ 172 milhões, e sua receita líquida foi a R$ 24,2 milhões (crescimento de 54%). A Méliuz, por sua vez, viu seu volume bruto de mercadorias ter alta de 93% na base anual, para R$ 2,9 bilhões no trimestre. Já a receita líquida subiu 63,7%, a R$ 51,81 milhões.

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Para a análise de empresas de tecnologia, Chaise indica um tipo de análise diferente: “É preciso medir o EV/Sales, que corresponde ao valor da empresa [enterprise value, em inglês] divido pelas vendas que ela realizou. Esse indicador é ótimo para empresas em fase de crescimento acelerado de vendas, quando custos operacionais superam o lucro”.

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Além disso, o analista aponta o indicador LTV (lifetime value, em inglês), ou o valor vitalício da companhia. Esse marcador mostra quanto o cliente deixa de receita para a empresa durante toda a sua vida e compara com o custo de aquisição desse cliente.

Se essa relação for positiva, é comum que as companhias queimem caixa para aumentar a base de consumidores.

Os riscos de investir em startups

Carolina Ujikawa, analista-chefe da Mauá Capital, também participou da live mediada por Ana Laura Magalhães (a Explica Ana) e apontou um dos principais riscos que as empresas de tecnologia já listadas podem enfrentar: a inflação global.

Com a expectativa de alta da inflação no mundo, as taxas de juros devem aumentar. E as empresas que esperam uma geração de caixa robusta para o futuro ficam reféns dos juros. Assim, quando os analistas trazem esse valor futuro para o presente descontando os juros e mantendo as perspectivas de desenvolvimento do negócio, o crescimento da empresa diminui.

Logo, Ujikawa explica que há um medo de os modelos de crescimento dessas companhias serem revisados e impactarem os preços de hoje.

“Esse mercado depende de fatores futuros que são pouco previsíveis. Mas, mesmo com esse risco, a Mauá tem na carteira dos fundos ações do Banco Inter (BIDI11), Bemobi (BMOB3), Locaweb (LWSA3), Magalu (MGLU3) e Méliuz (CASH3). Acreditamos que essas empresas podem apresentar bons resultados no futuro”, finaliza.

E Agora, Ana?

O programa “E Agora, Ana?” vai ao ar às quartas-feiras, às 12h, no Instagram do InfoMoney. A série de lives, apresentadas pela especialista em investimentos Ana Laura Magalhães, convida gestores, analistas e economistas para trazer informação relevante para o investidor brasileiro se posicionar nos mercados local e internacional.

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Conheça a GetNinjas, o “Uber dos serviços domésticos”, que fez sua estreia na B3

(CONDADO DA FARIA LIMA) – A ação da GetNinjas (NINJ3) estreou nesta segunda-feira (17) na B3. A empresa é quase como um “Uber dos serviços domésticos”: ela faz a conexão entre prestadores de serviços domésticos (que vai de especialistas aos famosos “fazem tudo”) e pessoas que precisam desses serviços.

Apesar da semelhança com o Uber, o GetNinjas tem uma diferença importante: hoje o pagamento não é feito dentro da plataforma, como acontece no Uber. Ele é feito direto para o prestador de serviços.

Recebemos no Stock Pickers o gestor da Indie Capital, João Nerasti, para falar sobre a empresa. A Indie foi uma das três gestoras que “ancorou o IPO” (ou seja, aplicou o capital necessário que permitiu que o IPO acontecesse) da GetNinjas. Em termos de números, a empresa ainda está num estágio bem inicial, faturamento na faixa de R$ 40 milhões e resultado “beirando ao ponto de equilíbrio” entre prejuízo e lucro. Contudo, vale destacar que a plataforma já tem mais de 2 milhões de profissionais cadastrados, diz Nerasti.

Até às 13h (horário de Brasília), as ações da GetNinjas operavam em queda na faixa de 2,5%, cotadas a R$ 19,50 – o IPO saiu ao preço de R$ 20,00.

Confira no vídeo acima por que a Indie investe em NINJ3.

Loft vale US$ 2,2 bilhões após aporte, em preparação para IPO

Escritório da Loft (Divulgação) Escritório da Loft (Divulgação)

Mate Pencz encontrou Florian Hagenbuch pela primeira vez em 2008, quando os dois eram analistas em começo de carreira no banco de investimento do Goldman Sachs em Nova York. A passagem pelo banco americano — curta, mas penosa, segundo Pencz — fez os dois virarem amigos e acabou levando à criação de uma startup que vale US$ 2,2 bilhões no Brasil.

“Nós nos conhecemos no Goldman e lamentávamos juntos a experiência, o que nos tornou amigos”, disse Pencz em uma entrevista. “Você aprende muito, mas é muito doloroso.”

Pencz e Hagenbuch, ambos de 34 anos, são os fundadores da Loft, uma empresa brasileira que compra e vende casas usando ferramentas como as de um e-commerce.

A Loft acaba de levantar US$ 425 milhões em uma rodada de financiamento liderada pela D1 Capital Partners, tornando-a uma das startups mais valiosas da América Latina. A rodada atraiu novos investidores, como Advent International, Canada Pension Plan Investment Board, GIC, DST, Tiger Global e outros, além de investidores já existentes, como a Andreessen Horowitz.

“Esta rodada serviu para trazer para a Loft investidores acostumados com empresas públicas”, disse Pencz. “Temos o objetivo de abrir o capital e a maioria dos investidores desta rodada espera por um IPO.”

A Loft está entre as empresas latino-americanas que ganharam impulso com a pandemia. O Brasil é um epicentro global para casos de Covid-19 e agora lidera o mundo em novas infecções.

Com o governo cortando taxas de juros ao longo de 2020 para reanimar a economia, o crédito imobiliário ficou mais barato do que nunca. Ao mesmo tempo, as pessoas presas em casa começaram a procurar novos lugares para morar, disse Pencz.

“Os empréstimos imobiliários ficaram quase 30% mais baratos, mas os preços das casas não acompanharam”, disse ele. “As pessoas estão aproveitando a oportunidade para se mudar.”

Planos de crescimento

A Loft, que tem cerca de 15.000 propriedades listadas em São Paulo e no Rio de Janeiro, pode atingir 10 vezes isso entre este ano e o próximo, disse Pencz. A empresa planeja se expandir para outras grandes cidades dentro e fora do Brasil.

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Os fundadores ainda controlam o capital votante da Loft após a última rodada, de acordo com Pencz. A empresa levantou cerca de US$ 700 milhões em equity desde o início.

Nenhum dos dois é brasileiro, embora Hagenbuch tenha crescido no país. Pencz nasceu em Budapeste e, após a passagem pelo Goldman em Nova York, mudou-se para Londres, onde ele e Hagenbuch foram colegas de quarto. Eles trabalharam nas indústrias de private equity e hedge funds. Uma noite, fizeram um pacto, enquanto tomavam cerveja, de que quando um decidisse deixar o emprego, o outro o seguiria e eles abririam um negócio no Brasil.

“Na semana seguinte, pedi demissão e Florian achou que eu estava brincando”, disse Pencz. “Queríamos fazer isso em um mercado que parecia menos impactado pela tecnologia, mas que ainda fosse bem-vindo aos estrangeiros.”

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