Scott Galloway e Luiz Orenstein: um debate sobre trabalhar e ser feliz

Texto originalmente enviado aos assinantes da newsletter Stock Pickers no sábado, 21 de agosto de 2021. Para recebê-la, clique aqui.

Faça aquilo que te faz feliz.

Esse conselho profissional faz sentido para você?

Com certeza, fazer o que te faz feliz é fundamental, porque você irá passar mais da metade da sua vida exercendo uma atividade profissional, mas, como aprendemos nos ensinou Newton (adaptado pelo STPK): a toda opinião sempre há uma outra opinião de mesma intensidade e direção, porém com sentidos opostos.

E no caso de conselhos para escolha profissional não é diferente.

Uma das grandes vantagens da geração atual é poder navegar na internet e se conectar com pessoas extremamente genais que gratuitamente dão verdadeiras aulas sobre um mesmo assunto com visões igualmente geniais mas completamente diferentes.

E foi com isso que nos deparamos recentemente.

No começo dessa semana, Daniel Haddad, criador da maior e melhor videoteca do Condado, compartilhou um conselho que o Scott Galloway, um dos maiores conselheiros dentro do Vale do Silício, deu para uma platéia de estudantes sobre esse tema e o conselho dele é bem claro: não siga o conselho de fazer o que te faz feliz (“seguir sua paixão”).

Galloway, após décadas observando palestra de bilionários, diz que a recomendação “siga sua paixão” é sempre dada por pessoas ricas e que geralmente fizeram fortuna fazendo coisas sem nenhum glamour como metalurgia ou fundição.

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O fundamental, para Galloway, é encontrar algo que você seja bom e depois gastar milhares de horas, e ser perseverante, ter garra, dedicação, se sacrificar e ter disposição de lidar com a dificuldade para você conseguir se tornar ótimo naquela atividade, porque quando você é excelente em alguma coisa, os benefícios econômicos, prestígio, relevância, a camaradagem, auto avaliação de ser excelente, vai lhe tornar apaixonado por qualquer coisa que seja.

O pensamento de Galloway, que vai na contramão da maioria, é como uma engenharia reversa: encontre algo em que você consegue se destacar, dedique-se muito e você inevitavelmente se tornará apaixonado por isso.

Para quem se interessou pelas ideias do renomado professor e empreendedor, irá gostar de saber que ele estará ao vivo na Expert XP no dia 24/08 falando sobre os aprendizados pós-coronavírus. O evento é gratuito e você pode se inscrever clicando aqui.

Por outro lado, quem deu um conselho totalmente diferente do Galloway foi o Luiz Orenstein.

Talvez esse nome não te diga nada, porque Orenstein não costuma aparecer muito nas redes, mas ele é simplesmente um dos fundadores da Dynamo.

A Dynamo não é só um dos maiores e mais respeitados fundos de ações do Brasil como também abriu o mercado para todos os outros que vieram depois.

Eles estão para o mercado de ações brasileiro assim com o Pelé para o futebol. Existe um antes e depois deles.

Semana passada, Orenstein, numa de suas raras aparições, participou de uma live no canal Manual do Brasil e na conclusão da entrevista foi perguntando sobre um conselho que poderia dar para os mais jovens que estão no começo da carreira.

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Com um currículo no mínimo interessante (engenharia na UFRJ. mestrado em Economia e doutorado em Ciência Política), Orenstein acha que a geração atual deve ter muita cautela ao ouvir o conselho das gerações mais velhas e isso tem um motivo claro: os jovens de hoje viverão bem mais da sua geração.

Apesar do “disclaimer”, Orenstein não deixou de falar seu conselho: siga sua curiosidade e não abra mão de ser feliz.

“Esqueça esse negócio de se sacrificar para ganhar dinheiro. Não se sacrifique. Tente seguir aquilo que te deixa bem na vida do ponto de vista profissional. E experimente, porque, como a vida se tornou muito longa, você aos 40 ou 50 ainda poderá recomeçar. A minha geração não podia. Não se acomode: siga sua curiosidade e se der errado tenha a coragem de abandonar para tentar uma coisa nova”, aconselhou Orenstein.

Como no mercado, ver duas pessoas brilhantes falando sobre um mesmo tema com visões completamente diferente só demonstra a complexidade que é entender o mundo e a vida.

Em Rápido e Devagar, livro presente em nossa biblioteca, Daniel Kahneman explica que a nossa reconfortante convicção de que o mundo faz sentido repousa sobre uma base segura: nossa capacidade quase ilimitada de ignorar nossa ignorância.

Não é que um conselho esteja errado e o outro certo, se você pensa assim, talvez esteja precisando de uma grande dose de curiosidade intelectual e uma mente aberta para conseguir perceber a beleza que existe na magia do caos.

Reserve um tempo no seu final de semana para assistir a live com Orenstein e aprenda como a Dynamo sua o princípio científico da falseabilidade, de Karl Popper, para selecionar as ações do fundo.

Josué Guedes

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CMO do Stock Pickers

Para gestor da Vinci, ação da TIM pode subir 70%; entenda como

Desde que começamos o Stock Pickers nos convenceram que o setor de telecomunicações era muito chato e um mau negócio para investidores, pois nada acontecia, a não ser a má aplicação de recursos em empreendimentos de baixo retorno.

Mas parece que a visão do mercado mudou. Na semana passada, no Coffee & Stocks, falamos sobre Unifique (FIQE3) e a chegada das provedoras de internet locais à B3. Hoje o assunto é a TIM (TIMS3) e o que a companhia pode ganhar com a compra de uma fatia da Oi (OIBR3) e a chegada do 5G.

O convidado é Roberto Knoepfelmacher, gestor de fundos long only da Vinci Partners. Abaixo os principais trechos da entrevista.

Compra da Oi

A TIM deve ser a maior beneficiada pela venda da Oi Móvel, dividida entre TIM, Claro e Vivo. A companhia é a que mais ganha market share (de 23% para 29%) e espectro (a frequência na qual ela pode operar, que vai de 22% para 31%). Com esse movimento a TIM vai ter mais clientes e mais espaço, sem precisar criar mais lojas e mais nenhuma estrutura. Esses clientes também vem com uma margem EBITDA muito boa, de 70%. 

Com o fim da Oi Móvel, o mercado de telecomunicações também perde um concorrente que prestava um serviço ruim e praticava preços baixos demais, o que deve beneficiar a todos. Nos Estados Unidos a compra da Sprint pela T-Mobile fez com que a ação se valorizasse de 6,5 vezes o EBITDA para 9,5 vezes. O caso é muito semelhante ao TIM e Oi.

O maior risco para o caso é o de a fusão ser barrada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), o que consideramos improvável já que a maioria dos países hoje tem três operadoras.

Chegada do 5G

A previsão do governo é de que o 5G esteja presente nas capitais no segundo semestre do ano que vem, por isso o leilão deve acontecer em breve e, mais importante, não deve ser arrecadatório, o que significa que o dinheiro gasto pelas operadoras será todo investido no negócio e não pago ao governo. 

A tendência é que as empresas construam a infraestrutura em parceria e deixem a competição para a área comercial, o que deve reduzir custos e aumentar eficiência. Como o 5G facilita a internet das coisas, uma avenida de possibilidades de negócio está aberta.

Consequências no preço da ação

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Se tudo isso der certo, enxergamos um upside de ao menos 70% para TIM — a ação hoje vale cerca de R$ 11,65 e pode chegar aos R$ 20, que é, inclusive, o consenso do mercado.

Urânio para iniciantes: os dilemas e excentricidades de um minério que atrai mais e mais dólares

O urânio e a energia nuclear são protagonistas de dois dos mais sérios acidentes ambientais dos últimos 50 anos: Chernobyl, na Ucrânia, e Fukushima, no Japão. Ao mesmo tempo, segundo especialistas, não dá para pensar em redução das emissões de carbono e reversão das mudanças climáticas sem que reatores nucleares estejam mais presentes na matriz energética global.

Enquanto esse debate acontece na esfera da energia, no mundo da mineração os preços do urânio parecem também ter uma dinâmica peculiar. Apesar de uma expectativa de aumento de consumo e fim dos estoques estarem à vista, o preço teima em ficar muito longe do topo, exceto por uma pequena alta causada pela pandemia.

Bem-vindo ao universo do urânio, o universo dos dilemas.

No início da pandemia o preço do urânio aumentou 37% em três meses (de US$ 24 para US$ 30 por libra), entre março e maio do ano passado. Apesar de expressiva, a alta ainda estava longe de levar o minério de volta ao seu topo histórico, de US$ 136, que aconteceu em 2007 e estava ligada ao fechamento temporário de minas.. 

Hoje o preço da libra de urânio está na casa dos US$ 32.

Ao mesmo tempo, os dois principais ETFs expostos ao minério quase quintuplicaram em patrimônio de lá para cá, saltando de cerca de US$ 200 bilhões para US$ 945 bilhões. Os códigos deles são URA e URNM.

Por que tanta gente está correndo atrás desses ETFs?

O que explica esse movimento é uma dinâmica muito particular e aparentemente temporária que esse mercado vive. Desde o terremoto e posterior vazamento de material radioativo em Fukushima, reatores estão sendo desligados pelo mundo, principalmente na Europa e no Japão. Com esse choque de demanda, os estoques do mineral permanecem altos até hoje. 

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Por outro lado, outros países buscam tirar o carbono de sua matriz energética, sobretudo a China, que planeja aumentar a fatia nuclear de sua matriz de 4% para 10%. Hoje, 50 reatores estão sendo construídos no mundo, o que não repõe a quantidade desativada, mas deve ser o suficiente para reduzir os estoques e subir preços para reativar minas hoje fechadas.

As principais perguntas que o mercado se faz hoje são: até onde o preço do urânio pode chegar? As pessoas e os governos vão aceitar a energia nuclear como uma energia limpa para reduzir a emissão de carbono?

Tentamos trazer algumas respostas no episódio de hoje do GlobalizAções. É só apertar play para ouvir. E não se esqueça de assinar o GlobalizAções na sua plataforma favorita!

Por que o mercado brasileiro azedou? Mariana Dreux explica

(CONDADO DA FARIA LIMA) – Queda de 15 mil pontos do Ibovespa desde a máxima histórica de junho, dólar de volta aos R$ 5,30 e juros futuros acima de 9,5% a partir de 2025: afinal, por que o Brasil piorou tanto e está tão descolado dos mercados internacionais?

Mariana Dreux, gestora das estratégias multimercados da Truxt, não só respondeu essa pergunta no Coffee & Stocks desta quarta-feira (18) como também mostrou que esse pessimismo com Brasil se traduz nas posições dos seus fundos: ela está comprada em dólar contra real, reduziu bolsa brasileira (compensando essa posição com ações americanas) e está tomada em juros com vencimentos intermediários.

Segundo Mariana, o mercado já projeta uma Selic voltando para 7,5% a 8% até o final desse ano, com risco de voltar a dois dígitos no ano que vem. “No ano passado, pensávamos que inflação podia romper a banda inferior da meta. Hoje, nós estamos cada vez mais revisando a inflação para cima”, diz a gestora da Truxt.

Confira a entrevista completa no vídeo acima ou direto em nosso canal no youtube (link aqui).

Benchimol, Buffett e um desconhecido frentista de posto: o que une essas três histórias?

Texto originalmente enviado aos assinantes da newsletter Stock Pickers no sábado, 07 de agosto de 2021. Para recebê-la, clique aqui.

Investir pensando no longo prazo é repetido com tanta exaustão que em alguns momentos parece que já virou clichê.

Você também já deve ter usado o “longo prazo” para explicar sua filosofia de investimento.

Mas você realmente já parou para pensar no poder do longo prazo?

Para a mágica dos juros compostos acontecer, você precisara se ligar numa variável incontrolável e que permeia a vida de todos: o tempo.

Além do tempo, claro, você precisa encontrar um investimento que lhe dê um retorno razoável (algo encontrado somente em empresas vencedoras).

Quando tinha 21 anos, Warren Buffett, dono de um track record invejável e um dos nomes mais citados quando o assunto é longo prazo, tinha um patrimônio de 21 mil dólares.

Warren Buffett, dono de um track record invejável e um dos nomes mais citados quando o assunto é longo prazo, aos 21 anos tinha apenas 21 mil dólares.

Aos 30, Buffett atingiu a marca de 1 milhão de dólares. Nada mal, não é? Atingiu o tal 1 milhão com 30.

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Mas todo mundo sabe que o velhinho não parou por aí. Atualmente, 1 milhão representa “apenas” 0,0009% do seu patrimônio de 101,6 bilhões de dólares.

E, desse montante total, 99,7% vieram após seu aniversário de 52 anos!

Isso mesmo, até os 52 anos Buffett só tinha 0,3% do que ele tem hoje. Isso equivale a 304,8 milhões de dólares.

Para quem começou aos 14 anos, é impressionante como o longo prazo beneficiou um dos maiores gênios da história dos mercados.

Mas, como Buffett é um outlier (“fora da curva”), você pode achar que o exemplo dele já foi repetido tantas vezes que não te comove mais.

Então você já ouviu falar de Ronald Read James? Provavelmente não.

Read nasceu na zona rural de Vermont. Foi a primeira pessoa da sua família a concluir o ensino médio, e o fato de que ele precisava pegar carona todos os dias para chegar à escola torna a coisa toda ainda mais impressionante.

Para quem conhecia Read, não havia muito mais a ser dito. Sua vida era realmente muito discreta quanto parece. Read passou 25 anos consertando carros em um posto de gasolina e 17 anos varrendo o chão de uma filial da JCPenney, uma rede de lojas de departamentos.

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Aos 38 anos, comprou uma casa de dois quartos por 12 mil dólares, e viveu nela pelo resto da vida. Ficou viúvo aos 50 e não voltou a se casar. Um amigo contou que o principal hobby de Read era cortar lenha.

Read morreu em 2014, aos 92 anos. Foi quando o humilde faxineiro da zona rural ganhou as manchetes do mundo todo.

Ao todo, 2.813.503 americanos morreram em 2014. Menos de 4 mil tinham um patrimônio líquido de mais de 8 milhões de dólares quando faleceram. E Read era um deles.

No testamento, o ex-faxineiro deixou 2 milhões de dólares para os enteados e mais de 6 milhões para o hospital e para a biblioteca da cidade.

Todos que conheciam Read ficaram perplexos. Onde ele tinha conseguido tanto dinheiro?

No fim das contas não havia nenhuma história secreta.

Nada de bilhete de loteria ou herança. Read guardou o pouco que podia e investiu em ações “blue chips”, ou seja, ações de primeira linha.

Em seguida, passou décadas esperando aquele pequeno investimento inicial render e alcançar 8 milhões de dólares. Simples assim. De faxineiro a filantropo.

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Para Morgan Houssel, autor de A Psicologia Financeira (um dos livros mais recomendados da história do Stock Pickers), o sucesso financeiro não é uma habilidade técnica. É uma habilidade pessoal, na qual o comportamento é mais importante do que o seu conhecimento.

Agora você deve estar pensando: isso só acontece nos Estados Unidos? O longo prazo só faz sua mágica na terra do Tio Sam?

Formado na faculdade que não queria e sem o início de carreira que planejava, o economista Guilherme Benchimol iniciou sua trajetória na mesa de negociação de um grande player. Quando completou 24 anos, a bolha das empresas de internet explodiu, sua área deixou de existir e ele foi demitido

Segundo ele próprio, a interrupção na carreira que parecia promissora foi como um balde de água fria. Benchimol deixou o Rio de Janeiro para aceitar uma posição numa corretora em Porto Alegre.

Com um capital inicial de cerca de R$ 15 mil, suficientes para alugar uma sala comercial e comprar computadores usados de uma lan house, a XP foi criada em maio de 2001.

Em 2009, o primeiro private equity que investiu na XP avaliou a empresa em R$ 25 milhões de reais e muita gente achou o negócio caro.

7 anos depois, com aportes de fundos equity, a XP expandiu as operações e atraiu o Itaú, que aportou R$ 6 bilhões para comprar 49,9% do capital da corretora em 2017.

Dois anos depois, abriu capital na Nasdaq e hoje vale aproximadamente US$ 27 bilhões de dólares – mais de R$ 100 bilhões de reais.

Os valores gerados por cada um dos três investidores podem ser bem diferentes e a forma como chegaram até lá também, mas, sem dúvida, o longo prazo os une.

Como não gostamos de “cagar regra”, convidamos o dono daquela última história 7(até porque o segundo já morreu e o primeiro é um pouquinho inacessível), Guilherme Benchimol, fundador e presidente-executivo do conselho de administração da XP Inc, e Rodrigo Furtado, fundador e gestor do XP Long Term, para saber perguntar: quanto tempo esperar para um empreendimento dar certo? Quanto tempo esperar para um investimento ter retorno?

Sobre isso e por que nem todos podem ser Jeff Bezos, você saberá no episódio #108 do Stock Pickers!

Arrume um bom lugar para escutar, porque somos também adeptos do “longo prazo” e a conversa ficou com mais de uma hora.

Josué Guedes
CMO do Stock Pickers

Sobre o que é longo prazo e por que nem todos podem ser Jeff Bezos

Existe um conceito que, para o investidor e para o empreendedor, é tão importante quanto difícil de definir: o de prazo. Particularmente o de longo prazo.

Quanto tempo esperar para um empreendimento dar certo? Quanto tempo esperar para um investimento ter retorno? Nenhuma dessas respostas existe se esse conceito não estiver claro. 

No episódio 108 do Stock Pickers pedimos essa resposta para um empreendedor e para um stock picker. Na verdade, para dois empreendedores e dois investidores: Guilherme Benchimol, fundador e presidente-executivo do conselho de administração da XP Inc e Rodrigo Furtado, fundador e gestor do XP Long Term (ambos empreendedores e investidores, para quem esperava uma lista de quatro nomes). 

Longo prazo é o infinito

“Longo prazo é o que não termina. É estar focado no que vai ser para a sua vida, no que não vai terminar. É o que você tem que garantir que tem alicerces sólidos, por que é a sua vida e vai ser a vida de outras pessoas”, diz Benchimol, usando seu chapéu de empreendedor. 

Se para o empreendedor a resposta quase metafísica, para o investidor ela é muito mais material: “curto prazo é um ano; médio prazo são três anos; longo prazo são cinco anos”, diz Furtado. Mas isso serve para quem está se tornando um cotista. Para o stock picker, é diferente: “quando a gente escolhe uma empresa para investir, a gente escolhe quem está criando uma coisa muito grande. E isso não se faz em um curto prazo”, completa Furtado.

Ser Amazon não é para todos

Analisar o valor de uma empresa depois que a internet trouxe a palavra disrupção para a mesa e que os bancos centrais e as circunstâncias econômicas do planeta facilitaram o acesso ao capital tornou- se muito mais difícil. O melhor exemplo disso é a Amazon. “Na época da bolha ponto com, a Amazon quase desapareceu, por que não dava lucro. Hoje é o que é”, reflete Furtado. 

Isso quer dizer que os empreendedores devem queimar caixa hoje para, daqui a 20 anos passear de foguete, como Jeff Bezos? Não, afirma Benchimol. “A Amazon é uma exceção. Uma empresa que passa anos e anos e anos sem ter resultado e de repente vira o que virou. É importante ter em mente que tem que gerar resultado no curto prazo, pois pode haver uma crise, você pode não ter mais como se financiar e tomar risco”, resume.

Por que esta gestora entrou em 3 IPOs das últimas semanas

Três dos IPOs mais esperados de 2021 aconteceram nos últimos 20 dias: Multilaser (MLAS3), Armac (ARML3) e Traders Club (TRAD3). Por isso, no Coffee & Stocks especial desta quinta-feira, convidamos Priscila Araujo, da Macro Capital, que entrou nas três ofertas.

Araujo explicou o racional, as expectativas, os riscos e a visão para as três empresas. É claro que esse papo não caberia em 30 minutos, o tempo normal do Coffee & Stocks, por isso o programa de hoje tem 1h15.

A conversa completa está no vídeo acima. A análise de Multilaser começa aos 11 minutos; a de Armac aos 27 minutos e a de Traders Club aos 41 minutos.
Para ouvir, é só clicar no play.

O que faria o Copom surpreender o mercado e NÃO subir a Selic em 100 pontos-base hoje?

(CONDADO DA FARIA LIMA) – Hoje é dia de reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) e dificilmente haverá surpresas no anúncio: a grande aposta é de alta de 100 pontos-base na Selic, levando-a para 5,25% ao ano. Mas o que fez o mercado esperar uma alta mais forte do que nas últimas reuniões, quando o Comitê subiu o juro em 75 pontos? E se vier alguma surpresa, qual seria a reação dos investidores?

Foram essas reflexões que extraímos do Paulo Val, economista-chefe da gestora Occam. No vídeo acima, você vai conferir:

  • Qual foi o grande motivo mudou a aposta do mercado para alta de 100 pontos;
  • O que o Copom usaria de justificativa para subir o juro em 75 pontos (e por que o mercado não iria gostar disso);
  • O que faria o Copom subir em 125 pontos (e por que o mercado poderia receber bem essa decisão);
  • Se há espaço para a Selic cair em 2022.

Para as 4 próximas reuniões do Copom (incluindo a desta quarta, 4 de agosto), Val projeta que a Selic subirá em 100 pontos nas duas primeiras, 75 pontos na terceira e 50 pontos na última reunião, encerrando 2021 em 7,5%. Para 2022, ele prevê que o juro permaneça estável.

A decisão do Copom de hoje deve ser anunciada por volta das 18h. É importante o investidor acompanhar não só o veredicto mas também o comunicado que acompanha a decisão, para saber como votaram os membros do Comitê e quais os argumentos usados para tal decisão.

Por que a Nike é pra quem procura por ações maratonistas

No Coffee & Stocks de hoje, recebemos Paulo Albano, Portfolio Manager da Albatroz Capital. Diretamente de Miami, nos EUA, o Paulo nos explicou como funciona o processo de investimentos da casa e como chegaram na Nike (NIKE34).

Albano ressaltou que eles possuem uma visão de longo prazo, fundamentalista e concentrada em alguns nomes que, na visão deles, podem dar retornos acima do mercado. Ele citou um estudo da Fidelity, uma grande corretora americana, que chegou à conclusão de que as melhores carteiras de seus clientes eram de pessoas falecidas (!). Ou seja, investir pensando num horizonte longo de tempo é a melhor estratégia para bons resultados. E por isso, eles procuram ações maratonistas com grande potencial no longo prazo.

Ele ressaltou que eles procuram por dois aspectos principais quando olham empresas para investir: 1) empresas com dono, isto é, com uma pessoa de referência como controlador, que leva à uma performance melhor do que a média, e 2) empresas com cultura corporativa forte, citando estudos de que as melhores empresas para trabalhar são muito correlacionadas com bons retornos ao longo do tempo.

Sobre a Nike, o Paulo mencionou diversos fatores do porquê ele a considera como uma ação maratonista, com destaque à transformação demográfica global, em que temos um grande percentual de adultos e adolescentes com um alto consumo de calçados, a construção da marca com o patrocínio de atletas, e o crescimento do mercado secundário.

Pra saber mais detalhes, confira o bate papo com o Paulo no vídeo!

Volta ao mundo em 6 minutos

Texto originalmente enviado aos assinantes da newsletter Stock Pickers no sábado, 31 de julho de 2021. Para recebê-la, clique aqui.

No episódio #107 do Stock Pickers, recebemos um dos gestores que mais ganhou dinheiro no Brasil em 2020 (e vale dizer que ele continua ganhando em 2021) e que tem uma grande habilidade para falar sobre temas diversos de forma simples e compreensível.

Apesar disso, Bruno Garcia, da Truxt, é um daqueles gestores que você não conseguirá acompanhar em velocidade 2.0 no seu podcast. A velocidade de sua fala junto com o acelerador do streaming torna dificil acompanhar o raciocínio.

Para o Salomão, Garcia está no grupo daqueles gestores que precisam ser escutados em no máximo 1,5x.

Como não sabemos em que velocidade você costuma escutar e considerando a aula sobre cenário macro que Garcia nos proporcionou logo no começo do episódio, colocamos logo abaixo a transcrição dos 5 principais blocos de sua análise: cenário global, Estados Unidos, China, Europa e Brasil.

Cenário Global:

O cenário parece muito bom ainda para tomada de risco, estamos num mundo ainda com bastante liquidez. Continuamos num mundo muito pró-risco, propício a tomada de risco, compra de ações e investimentos financeiros de um modo geral.

O mundo, de um modo geral, está crescendo de forma acentuada no pós-pandemia com as economias voltando ao normal.

As empresas que sobreviveram estão numa posição competitiva muito mais forte e ganhando market share com lucros explodindo tanto lá fora como aqui no Brasil.

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Estados Unidos:

Como quase 70% das ações globais estão nos EUA, o Fed acaba sendo o responsável pelo definição da taxa de juros mais importante do mundo.

Toda a discussão lá tem a ver com o timing da retirada dos estímulos. O Fed foi muito agressivo nos estímulos fiscais e monetários e isso resultou numa economia com recuperação em “V” e inflação subindo com força.

O resumo é que a inflação está rodando bem alta e a economia está se recuperando bem. E o mercado começa a discutir quando o Fed irá retirar esses estímulos.

Tudo leva a crer é que a retirada da compra dos títulos feito pelo Tesouro Americano deve começar por volta do final do ano. Mas o aumento da taxa de juros deve iniciar somente em 2023 com o mundo voltando a normalidade.

Pensando em alocação de recursos, o cenário está propício para tomada de risco, mas está tudo apontando para uma alta de juros e por isso estamos comprados nessa tese.

China:

A discussão atual, na China, está relacionada à governança coorporativa e o papel do PCC (Partido Comunista da China) na questão da regulação das empresas, principalmente de techs.

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A bolsa chinesa caiu bastante nos últimos dias por conta de medidas reulgatórias em relação a empresas de educação.

O ponto principal é que a China possui uma economia extremamente centralizada e está muito preocupada com questões de acesso a dados pelos estrangeiros, porque quem tiver o monopólio de dados da população terá uma capacidade absurda em relação a implementação de medidas e desenvolvimento da economia com uso de inteligência artificial.

Essa discussão é muito importante e como o Brasil é um país emergente o que acontece lá acaba repercurtindo aqui, porque, na pior das hipóteses, o dinheiro que não entra lá acaba vindo para cá e pode nos beneficiar em termos relativos.

Europa:

Está se recuperando em meio a toda discussão da variante delta da covid-19, mas o fato é que a economia está reaquecendo.

Os europeus convivem com um problema de inflação grave, ou de falta, na verdade. Por mais que eles façam estímulos a economia é deflacionária.

E, no longo prazo, isso precisa ser muito bem pensado.

Brasil:

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O cenário de curto prazo é conjunturalmente bom, porque temos uma recuperação muito forte após a pandemia, mesmo que tardia por conta de uma vacinação mais demorada.

Mas existem riscos importantes no Brasil que mercem ser monitorados: : inflação, fiscal e defieiência de crescimento de longo prazo.

Estamos trabalhando com uma inflação para esse ano na casa de 6,5% e para o ano que vem a projeção já está alta também.

O Banco Central vendo isso e sabendo que não temos a credibilidade do Fed está tendo que subir os juros, que deve chegar ano que vem a 7,5%.

Isso acaba acentuando nosso problema fiscal, que parece eterno.

Além disso, existe um risco no crescimento estrutural por produtividade muito baixa devido a falta de investimento em estrutura e educação.

Infelizmente o Brasil está tendo um bom momento de curto prazo, impulsionado pelo mundo e pela alta das commodities, mas acaba sendo um país, do ponto de vista macro, de baixo crescimento.

Com esse panorama mundial e local, e enfatizando a necessidade de saber separar o curto prazo do longo, a carteira da Truxt está praticamente 100% alocada em ações: 75% no Brasil e 25% nos EUA.

Para Garcia, enquanto os juros permanecerem nesses patamares (baixíssimos), todo e qualquer ativo de risco será beneficiado.

Se você está achando o papo muito macro, calma!

O panorama mundial foi apenas a introdução da conversa. Bruno, além de outras teses, usou nosso quadro “1 tese em 2 minutos” para explicar duas empresas que estão em sua carteira: Petz e PetroRio. E Leonardo Martins, CIO do Turim Family Office, falou sobre um case de rabertura: Disney.

Sobre um investimento de 12.700% e a arte de stopar a tese, não o preço

No episódio #107 do Stock Pickers, recebemos um dos gestores: Bruno Garcia (Truxt Investimentos), um dos gestores de ações que mais ganhou dinheiro no mercado em 2020, e Leonardo Martins (Turim Family Office), que revelou um investimento que rendeu 12.700% em uma empresa que fez IPO recentemente nos EUA, a RobinHood.

Assista a conversa completa clicando aqui. O episódio também está disponível no Spotify ou em qualquer plataforma de streaming.

Zerou bolsa americana e comprado em Brasil: veja como está o fundo XP Macro…

No Coffee & Stocks desta quarta-feira (28), recebemos Bruno Marques, um dos gestores do fundo XP Macro. Ele explicou por que a gestora zerou a posição em bolsa americana e mantiveram em bolsa brasileira (mas trocaram parte dessa posição para ficar comprado no real contra o dólar) e por que está “tomado” em juros tanto aqui mas principalmente nos EUA (tomado em juros = apostando que a curva de juros vai subir).

Confira a entrevista completa direto em nosso canal no Youtube (link aqui).

Convite especial: Como investir baseado em uma visão de longo prazo…

Após quase 2 anos da gravação do epsiódio #18Guilherme Benchimol, Fundador e Presidente Executivo do Conselho de Administração da XP Inc, volta ao Stock Pickers para celebrar os 02 anos da estratégia XP Long Term Equity ao lado do idealizador e gestor da estratégia XP Long Term Equity, Rodrigo Furtado.

Quando gravamos pela primeira vez com Benchimol, a XP ainda não havia realizado seu IPO e tinha sido avaliada, em 2017, em R$ 12 bilhões quando teve parte do seu capital comprado pelo Itaú. Atualmente, após o IPO, o valor de mercado da empresa é de aproximadamente US$ 23,3 bilhões.

Criada em maio de 2001 com com um capital inicial de cerca de R$ 15 mil, suficientes para alugar uma sala comercial e comprar computadores usados de uma lan house, a XP se tornou o que é hoje por conta de um fator extramemente relevante no mundo dos investimento: visão de longo prazo.

E é sobre isso que conversamos com nossos convidados no episódio que irá ao ar no dia 05/08, às 18h. Não perca!

Inscreva-se no canal e ative as notificações: https://lnkd.in/dtaJxaP

Biblioteca Stock Pickers: uma novidade…

Fã de triatlo, Leonardo Martins recomendou um livro sobre resiliência que conta a história da final do campeonato Ironman em 1989 no Havaí: Iron War.

Bruno Garcia, da Truxt, recomendou dois livros que já foram recomendados mais de 1 vez no programa: A psicologia financeira e Fora de série.

Josué Guedes
CMO do Stock Pickers