Netflix decepciona com número de novos clientes abaixo do esperado; expectativa está em novas produções

SÃO PAULO – A Netflix (NFLX34) divulgou seus resultados do segundo trimestre nesta terça-feira (20) e apresentou números mistos. De um lado, teve uma ligeira alta na receita para US$ 7,34 bilhões, acima da expectativa de US$ 7,32 bilhões esperada pelos analistas da empresa de dados Refinitiv. Por outro lado, e o que pesou mais para o mercado, o número de novos clientes veio abaixo do consenso. Foram 209 milhões de assinaturas pagas, adicionando 1,54 milhão de novos assinantes, ante o esperado de 1,75 milhão, segundo dados da Factset.

O resultado de novos assinantes parece ainda pior quando colocado ao lado dos ganhos obtidos no início da pandemia, quando a empresa adicionou mais de 10 milhões de novos assinantes no mesmo trimestre do ano passado. Assim, o resultado foi o pior para um trimestre na história da empresa.

Como consequência dos resultados, as ações da empresa chegaram a cair 3% logo após o fechamento do pregão da bolsa americana Nasdaq, por volta das 17h no horário de Brasília. No acumulado do ano, os papéis sobem 1%, enquanto o S&P500 sobe 16,5% no mesmo período.

A Netflix também está enfrentando uma pressão maior neste ano. Em 2020, a pandemia impulsionou a empresa, com consumidores passando muito mais tempo online e precisando de entretenimento.

“A Covid criou um volume extra no nosso crescimento de assinantes (maior crescimento em 2020, crescimento mais lento este ano), mas ainda estamos avançando. Continuamos a nos concentrar em melhorar nossos serviços para nossos membros e em trazer a eles as melhores histórias de todo o mundo”, afirmou a empresa em nota aos investidores.

A Netflix disse que, no segundo trimestre de 2021, o engajamento por família membro caiu na comparação com o ano passado, mas que ainda aumentou 17% em comparação com o segundo trimestre de 2019.

Novos conteúdos geram expectativas

A empresa está otimista porque sua próxima lista de conteúdo foi adiada para o segundo semestre de 2021 e para o início do próximo ano.

A expectativa dos analistas é de que a Netflix se recupere no segundo semestre deste ano, quando os novos filmes, séries e programas forem lançados no serviço. A empresa já afirmou que pretende gastar mais de US$ 17 bilhões em conteúdo ainda neste ano, e a expectativa é de que o retorno dos conteúdos será um forte catalisador no segundo semestre.

A Netflix espera lançar novas temporadas de séries populares como “Sex Education”, “The Witcher” e “You”, bem como filmes como “Red Notice”, estrelado por Gal Gadot, Dwayne Johnson e Ryan Reynolds, e “Don’t Look Up ”, com Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Cate Blanchett e Meryl Streep.

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Ainda, a empresa mencionou a entrada de jogos na plataforma de assinaturas da Netflix sem nenhum custo adicional. Inicialmente, o foco será em jogos para celular.

“Estamos empolgados como sempre com nossa oferta de filmes e séries de TV, e esperamos um longo caminho de aumento de investimento e de crescimento em todas as nossas categorias de conteúdo existentes. Mas, como estamos faz quase uma década com nosso avanço na programação original, pensamos que é o momento certo para aprender mais sobre como nossos membros valorizam os jogos”, disse a empresa.

A Netflix projetou que 3,5 milhões de novos assinantes se juntarão aos 209,2 milhões já no terceiro trimestre deste ano. Porém, não eram os dados que Wall Street estava procurando. Os analistas esperavam, em média, um aumento de 5,5 milhões de novos assinantes no terceiro trimestre e de 9,64 milhões no quarto trimestre, de acordo com os dados da FactSet.

Apesar dos resultados e da escassez de novos conteúdos no primeiro semestre de 2021, a Netflix manteve uma ampla vantagem de assinantes em um mercado de streaming lotado, que inclui rivais como Amazon, Apple e Disney. Um estudo da startup de mensuração de audiência Parrot reproduzido pela Bloomberg mostra que a Netflix foi responsável por metade das séries online procuradas globalmente no primeiro trimestre deste ano (50,2%). O segundo lugar ficou com o Amazon Prime, responsável por distantes 12,2% das procuras. Porém, um sinal de alerta: essa demanda criada pela Netflix era de 64,6% há dois anos.

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Lucro da Netflix salta 140% no 1º trimestre, mas número de novos assinantes desaponta e ações caem 10%

A Netflix registrou lucro líquido de US$ 1,707 bilhão no primeiro trimestre de 2021, uma alta de 140% na comparação com o resultado de igual período do ano passado. A receita da companhia, por sua vez, subiu 24,2% nos três primeiros meses deste ano, a US$ 7,163 bilhões, ante o primeiro trimestre de 2020.

O lucro ajustado por ação ficou em US$ 3,75, acima da projeção da FactSet, que era de US$ 2,97.

Mesmo assim, a ação da Netflix recuava 10,74% nas negociações do after hours em Nova York às 17h26 (de Brasília).

Analista chefe de mercado da CMC Markets, Michael Hewson escreveu no Twitter que o número de novos usuários da plataforma de streaming decepcionou.

Globalmente, a empresa ganhou 3,98 milhões de novos assinantes líquidos entre janeiro e março deste ano, mas a previsão, de acordo com Hewson, era de que registrasse 6,3 milhões de novos clientes.

“Terminamos o primeiro trimestre de 2021 com 208 milhões de assinaturas pagas, um aumento de 14% na comparação anual, mas abaixo da nossa previsão de 210 milhões de assinaturas pagas”, diz o comunicado da Netflix aos acionistas.

Segundo a empresa, o resultado abaixo do esperado foi causado pelo avanço da covid-19, que levou a atrasos na produção de filmes e séries.

No guidance para o segundo trimestre, a Netflix projeta lucro líquido de US$ 1,865 bilhão e receita de US$ 7,302 bilhões. Além disso, a empresa espera acumular 1 milhão de novos assinantes líquidos no período.

“No curto prazo, há alguma incerteza relaciona à covid-19; a longo prazo, a ascensão do streaming para substituir a TV em todo o mundo é uma tendência clara no entretenimento”, diz outro trecho do documento.

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Netflix tem lucro líquido de US$ 790 milhões no trimestre, mas frustra previsões

O serviço de streaming Netflix informou que teve lucro líquido de US$ 790 milhões no terceiro trimestre deste ano, de US$ 665 milhões em igual período de 2019.

O lucro por ação diluído foi de US$ 1,74, inferior à expectativa de US$ 2,13 dos analistas ouvidos pelo FactSet. Às 17h09 (de Brasília), a ação recuava 5,01% no after hours em Nova York.

A receita do Netflix avançou para US$ 6,436 bilhões no terceiro trimestre, de US$ 5,245 bilhões anteriormente.

A empresa comenta, em seu balanço, que o número de novos assinantes do serviço desacelerou para uma alta líquida de 2,2 milhões, de 6,8 milhões no terceiro trimestre do ano passado.

A Netflix argumenta que isso era esperado, diante de resultados recordes no primeiro semestre de 2020.

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Por que o lançamento de Mulan pode ser uma oportunidade única para a Disney e para suas ações na bolsa

(divulgação)

SÃO PAULO – Um dos primeiros grandes impactados no cinema por conta da pandemia do coronavírus, Mulan teve seu lançamento adiado diversas vezes em meio à luta da Disney para lançar um dos filmes mais aguardados do ano nas salas do mundo todo.

Contudo, com a extensão da crise, a companhia criou uma outra estratégia. Ela envolve, mais do que usar apenas o seu serviço de streaming, o Disney+, criar uma nova forma de colocar lançamentos nas plataformas digitais, cobrando uma tarifa além da mensalidade já paga pelos assinantes.

Inicialmente previsto para 27 de março, o lançamento da versão live action da animação de 1998 estreia nesta sexta-feira (4) nos Estados Unidos. E, enquanto os fãs matam a vontade de assistir ao filme, analistas e investidores irão acompanhar com atenção este evento que pode mudar os rumos não só da Disney, mas do setor inteiro de cinemas.

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“O impacto da pandemia nos negócios da Disney criou uma oportunidade única de testar e iterar usando um grande filme e um negócio de streaming em escala. Talvez o mais importante, isso destaca o apetite da empresa para assumir riscos, explorar novos modelos e dobrar no segmento de DTC (direto ao consumidor, na sigla em inglês)”, avaliam os analistas do Morgan Stanley em relatório que reiteram sua recomendação overweight (acima da média do mercado) para as ações da companhia.

Com a impossibilidade de lançar o filme nos cinemas, a Disney decidiu levar a nova versão de Mulan direto para o seu streaming, que custa US$ 6,99 mensais. Porém, diferente de como faz a Netflix, a companhia cobrará US$ 30 para quem quiser ver o lançamento, um custo maior que a média do preço do ingresso do cinema até ano passado, que estava na casa de US$ 12.

Isso lança o primeiro grande desafio para a empresa do Mickey: quantas pessoas estarão dispostas a pagar esse preço para ver o filme em comparação com a bilheteria que teria nos cinemas?

Este teste ganhou recentemente mais um fator de análise, já que a Disney confirmou para 4 de dezembro a entrada do filme em seu catálogo no Disney+. Ou seja, quem esperar três meses poderá ver o filme sem pagar a mais por isso. Antes da pandemia, existia uma regra informal entre as produtoras em que a janela entre lançamento no cinema de um filme e no streaming era de cerca de sete meses.

O serviço de streaming da Disney se tornou um dos maiores trunfos da companhia desde 2019 e em especial durante a pandemia. Isso porque ele conseguiu compensar bastante o prejuízo de US$ 2 bilhões que a empresa teve com o fechamento de seus parques temáticos. Com menos de um ano desde o lançamento, o Disney+ já soma mais de 60 milhões de usuários.

Isso ajudou a trazer um alívio para as ações, que nos últimos três meses acumulam valorização de cerca de 9%, apesar de no ano ainda registrarem perdas de quase 7%.

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Em compensação, o BDR (Brazilian Depositary Receipt) negociado na bolsa brasileira acumula ganhos de 24,5% em 2020, puxado em maior parte pela disparada do dólar ante o real, sendo cotados atualmente em R$ 720. Apenas em agosto, os cupons da empresa subiram 19,37%, seguindo os ganhos das ações nos EUA com o resultado considerado positivo.

BDRs são certificados que representam ações emitidas por empresas em outros países, mas que são negociados aqui, no pregão da B3 (veja mais clicando aqui). É como se fossem valores mobiliários lastreados em papéis de companhias estrangeiras.

Até a virada do mês passado para este, estes produtos eram restritos a investidores qualificados, com pelo menos R$ 1 milhão em aplicações financeiras, o que deixa os BDRs com uma baixa liquidez. A partir de setembro, porém, qualquer investidor poderá negociar BDRs Nível I (não patrocinados), a depender do mercado em que os valores mobiliários que servem como lastro sejam listados.

Além disso, as companhias brasileiras negociadas no exterior, como Stone, XP, PagSeguro, Afya e Arco Educação, também terão permissão para emitirem BDRs, se desejarem, seguindo as regras estabelecidas pela Bolsa. Apesar disso, uma mudança real e aumento de liquidez destes ativos ainda deve demorar para acontecer (entenda clicando aqui).

Mais que um streaming?

Além de mostrar sua determinação de arriscar em novas estratégias, a Disney mostra com o lançamento de Mulan no chamado Acesso Premium (PA, na sigla em inglês) que pode estar buscando tornar o Disney+ mais que apenas um serviço de streaming, desta o Morgan Stanley.

Segundo os analistas, “a Disney está pensando nessa plataforma além do caso de uso atual”. “Exemplos adicionais podem incluir monetização direta, como vendas de produtos ao consumidor, ou indireta, como um lugar para clientes dos parques pegarem suas fotos nas atrações. Em segundo lugar, destaca que sua equipe de gestão continua a assumir riscos e interromper os modelos existentes, mesmo quando muitos de seus negócios estão efetivamente fechados devido à Covid-19”, afirmam.

E estas novas estratégias podem ajudar a Disney na disputa com suas concorrentes. O Morgan diz que é cedo para dizer que a companhia irá abandonar os lançamentos em cinema, especialmente por conta dos grandes eventos feitos para as estreias das grandes franquias.

Por outro lado, a estratégia pode se tornar lançar os filmes no cinema e no streaming ao mesmo tempo, deixando o cliente escolher o que prefere, algo que hoje é bastante criticado pelas produtoras e expositores.

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Segundo os analistas, Mulan se tornou uma oportunidade única para a Disney explorar estas opções. Em primeiro lugar porque, com mais de 60 milhões de usuários, a empresa consegue lançar um grande filme em um ambiente de marca, ou seja, que pode atrair o cliente para outras opções dentro da plataforma. Isso sem contar no potencial de atrair ainda mais assinantes.

Em segundo lugar, eles destacam que o negócio cinematográfico da Disney é caracterizado por “um punhado de filmes de grandes franquias que normalmente exploram propriedade intelectual, como Pixar, Lucasfilm e Marvel”.

“Esses filmes geralmente abrem como grandes ‘eventos’ e seu valor se estende muito além da receita direta para parques e produtos de consumo. Esses filmes também se prestam a um preço premium de uma forma que outros estúdios, até mesmo a Netflix, dificilmente conseguem fazer igual”, explicam.

Há cerca de um mês, o Credit Suisse já havia demonstrado seu otimismo com a recuperação da Disney elevando sua recomendação para outperform (desempenho acima da média do mercado) e preço-alvo de US$ 146 (contra US$ 116 anteriormente).

Os analistas retiraram também um desconto de risco de 20% dados aos papéis por conta dos impactos da pandemia. Esta mudança se deu com o resultado forte da empresa e o desempenho positivo e promissor do serviço de streaming, que eles acreditam que irá superar os 100 milhões de assinantes com o lançamento na América Latina e em outras regiões no fim deste ano.

“No geral, com o novo CEO Bob Chapek sinalizando estratégias inovadoras e ousadas para o streaming, esperamos que as ações da Disney sejam ainda mais bem posicionadas como uma história de crescimento no segmento (em que os investidores têm opções de investimento limitadas) e eventual recuperação da Covid-19”, conclui o Credit.

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Netflix lucra US$ 720 milhões no trimestre, frustra previsão e ação cai mais de 10%

A Netflix registrou lucro líquido de US$ 720 milhões no segundo trimestre, ou US$ 1,59 por ação, superior ao lucro de US$ 271 milhões, ou US$ 0,60 por ação, de igual período de 2019.

O resultado ficou abaixo da previsão de US$ 1,82 dos analistas consultados pela FactSet. A receita da companhia, por sua vez, aumentou a US$ 6,148 bilhões, de US$ 4,923 bilhões anteriormente. Após a divulgação do balanço, a ação da empresa recuava 10,53% no after hours em Nova York, às 17h50 (de Brasília).

Em seu balanço, a Netflix disse que, diante dos “tempos incertos” e das restrições sociais, a empresa conseguiu aumentar bastante sua base de assinantes, em 26 milhões no primeiro semestre todo, de 12 milhões em igual período de 2019. Com isso, ela espera agora um crescimento menor nesse quesito no segundo semestre, na comparação com o ano anterior.

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Apenas no segundo trimestre, a base de clientes foi ampliada em 10,09 milhões, diz o balanço – para o terceiro, a expectativa é de 2,5 milhões de novos assinantes.

A Netflix ainda informou que projeta para o terceiro trimestre lucro líquido de US$ 954 milhões (US$ 2,09 por ação) e receita de US$ 6,327 bilhões.

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Netflix ainda é imbatível, mas resultados das concorrentes começam a preocupar

streaming vídeo tv controle remoto (Shutterstock)

SÃO PAULO – Dois anúncios de resultados da última semana deixaram claro que a Netflix pode ter saído na frente, mas a disputa pela supremacia do nascente mercado do streaming ainda está longe de ter um vencedor.

Primeiro, o Google ofereceu pela primeira vez uma espiadela nos números do YouTube, algo que até então era mantido em segredo. Depois, a Disney revelou o crescimento espetacular de seu serviço de assinatura Disney+, lançado em novembro passado nos Estados Unidos (os brasileiros devem ter acesso ainda este ano). As duas notícias, mais o iminente lançamento do HBO Max, certamente foram examinadas com atenção em Los Gatos, a sede da Netflix.

Quando o Google adquiriu o YouTube, em outubro de 2006, a startup estava somente começando a fazer sucesso fora do círculo das pessoas ligadas nas últimas novidades. Muita gente ficou perplexa com o valor pago pelo Google: US$ 1,65 bilhão. Hoje, está claro que foi uma das maiores pechinchas da história da internet.

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O YouTube gerou US$ 15,1 bilhões em receitas no ano passado. A imensa maioria desse total corresponde a anúncios, e uma parte importante é repassada aos criadores de conteúdo.

Como o Google não discriminava o faturamento do YouTube em seus resultados financeiros, alguns analistas suspeitavam que o negócio fosse ainda maior. De qualquer modo, o YouTube é o terceiro maior negócio de mídia online do mundo, atrás apenas do Facebook (US$ 69,7 bi) e do próprio Google (119,7 bilhões).

YouTube e Netflix têm modelos de negócios muito diferentes. A Netflix investe na produção de séries e filmes próprios, além do licenciamento, e suas receitas vêm das assinaturas. O YouTube depende da programação criada por seus usuários, e as receitas vêm basicamente da publicidade. Mas ambas as empresas concorrem diretamente pela atenção dos consumidores – o dia tem apenas 24 horas, afinal de contas.

Apesar de YouTubers celebridades terem audiências cativas, em geral elas são muito focadas (ao contrário de séries que viram fenômenos culturais, como “Guerra dos Tronos” ou “Stranger Things”). Mas a popularidade desses criadores entre millennials e a geração Y sem dúvida aponta para um novo modelo de consumo de mídia: conteúdos “amadores” cada vez mais dividem espaço com produções profissionais de alta qualidade (e alto custo).

Concorrentes se aproximam

E, quando se fala de qualidade, um dos nomes mais confiáveis de Hollywood é a Disney. Nos primeiros resultados financeiros divulgados desde o lançamento do serviço Disney+, a empresa afirmou que o número de assinantes mais que dobrou nos três primeiros meses de operação.

O Disney+ atingiu 28,6 milhões de usuários pagantes desde a estreia, em novembro passado. E por enquanto o serviço está disponível apenas em cinco países (EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Holanda). O lançamento nos maiores mercados europeus está previsto para o final de março.

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“O lançamento do Disney+ foi um enorme sucesso e superou nossas expectativas mais otimistas”, disse o CEO da Disney, Bob Iger, na teleconferência com os analistas de Wall Street. Não é exagero. O Disney+ já é maior que o serviço HBO Now (a assinatura de streaming da HBO, que não inclui quem assina o canal por meio das operadoras de TV paga).

A Netflix, que hoje conta com 167 milhões de assinantes, levou cinco anos para atingir o mesmo número obtido pelo Disney+ em pouco mais de um trimestre.

Um dos motivos para o sucesso imediato da Disney no mundo do streaming é o catálogo. O Disney+ reúne animações clássicas (de “Branca de Neve e os Sete Anões” e “Fantasia” aos recentes “Rei Leão” e “Dumbo”, da era da computação gráfica), todos os universos Marvel e Star Wars e também 30 anos de “Os Simpsons”, sitcom animada que é um dos maiores sucessos da história da televisão.

E o preço agressivo — 7 dólares mensais, contra os 13 do plano mais popular da Netflix — também ajudou, é claro (ainda não foi divulgado o preço da assinatura no Brasil).

Competição

A realidade é que o mercado de streaming está ficando mais cada vez mais concorrido, e a Netflix terá uma tarefa cada vez mais complicada para defender a liderança no mercado que inventou.

Apesar das produções cada vez mais prestigiadas e estreladas – “O Irlandês”, com Robert De Niro e Al Pacino e direção de Martin Scorsese, concorre a 10 Oscars no domingo) –, competidores com história, como a Disney, e com experiência em TV de prestígio, como a HBO, vêm com apetite.

David Einhorn, do fundo de hedge Greenlight Capital, costuma apostar contra empresas na bolsa. Seu alvo da vez? A Netflix. “Estamos pessimistas em relação às perspectivas da Netflix há muito tempo, e usamos o salto da ação no final de 2019 para fazer um investimento mais substancial”, escreveu ele numa carta para seus clientes.

Einhorn menciona os custos crescentes para produzir conteúdo original, além do aumento da concorrência, principalmente nos Estados Unidos. Além do Disney+ e do Amazon Prime Video, a Apple lançou seu serviço de streaming no fim de 2019.

Em abril, a NBCUniversal vai lançar o Peacock; em maio, deve entrar no ar a versão reformulada da HBO por assinatura, batizada de HBO Max. “Nem todo cliente vai assinar todos os serviços”, escreve Einhorn.

Por enquanto, a presença global da Netflix – tanto em alcance geográfico como em produções originais de diversos países, em várias línguas – é imbatível.

Segundo os resultados financeiros mais recentes, a companhia amealhou 8,3 milhões de novos assinantes fora dos Estados Unidos no último trimestre do ano passado. Mas é inevitável que a concorrência também vá atrás do mercado global. Aguarde as cenas do próximo capítulo.

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