Natural da Terra vai abrir lojas menores, após compra pela Americanas

Natural da Terra (Foto: Divulgação)

A rede varejista Hortifruti e Natural da Terra está entrando em uma nova fase. Após ser comprada pela Americanas, por R$ 2,1 bilhões, a empresa se prepara para acelerar a expansão física e de vendas digitais, que já vinha sendo colocada em prática nos últimos anos pelo presidente da empresa, Thiago Picolo, que assumiu o negócio em 2019.

A ordem é não ficar parado enquanto não há o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a transação. Por isso, segundo Picolo, que deve seguir no comando da empresa mesmo com o controle da Americanas, todos os planos continuam de pé. A expansão das lojas físicas, por exemplo, está acelerada em comparação a outros anos. Enquanto anteriormente a média era de dez unidades por ano, o Natural da Terra pretende inaugurar 20 espaços em 2021.

Para intensificar essa expansão, a companhia também planeja aumentar o número de unidades “Leve”, que são lojas menores de até 200 m², para funcionar como as antigas quitandas de bairro. Nelas, há menos produtos, mas muitos deles devalor agregado, como saladas de frutas e sucos prontos. Para efeito de comparação, uma loja convencional, seja da Hortifruti ou da Natural da Terra, chega a ter um espaço de 1,2 mil m².

A expansão, pelo menos por enquanto, será dividida em 60% de lojas convencionais e 40% do modelo Leve. Essa diferença ocorre porque a empresa está planejando entrar em outras regiões nos próximos anos, como o interior de São Paulo e Minas Gerais, e os mercados maiores funcionam como abastecedores das “quitandas”.

O modelo Leve também ajuda na expansão do serviço digital, pois vira uma espécie de centro de distribuição para as vendas realizadas pela internet. E esse negócio chamou bastante a atenção da Americanas. Hoje, 16% das vendas do Natural da Terra são realizadas pelo comércio eletrônico.

Durante a pandemia, de acordo com Picolo, essa fatia chegou a ser de 21%. “Mas meu sonho é que todos os clientes sejam multicanais, que comprem tanto pela internet quanto pelas lojas físicas”, afirma ele.

O executivo diz isso porque os clientes que compram tanto pela internet quanto nas lojas são mais recorrentes e gastam muito mais por mês. Na média, o cliente que só compra nos supermercados vai ao local 34 vezes ao ano e gasta R$ 350 por mês, enquanto os que também adotam os canais digitais fazem 67 compras anuais e deixam R$ 1 mil mensais na rede. “Essa recorrência é exatamente o que os grandes varejistas querem para os seus aplicativos”, afirma Alberto Serrentino, sócio da consultoria Varese Retail, especializada em varejo.

Americanas

Mesmo sem ainda poder colocar em prática possíveis sinergias com a Americanas, Picolo vê a possibilidade de a companhia vender produtos frescos em parte das 2.150 lojas da varejista controlada pelo fundo 3G Capital, liderado pelo bilionário Jorge Paulo Lemann.

A ideia é investir em produtos de maior valor agregado e que possam ser consumidos no local, como os das lojas menores. Essas opções seriam da marca própria da companhia, que já vende desde produtos perecíveis até ovos, comprados diretamente com produtores.

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Além disso, Picolo não confirma se a empresa vai passar a vender os seus produtos somente em aplicativos vinculados ao grupo. Hoje, além do Americanas Mercado e do Supermercado Now, ambos controlados pela varejista, o Natural da Terra também vende pelo Rappi e pelo iFood.

Mas o que é praticamente certo, segundo ele, é que nada muda na estrutura da gestão da companhia. “Mesmo depois da transação concluída, a ideia é que as marcas e as operações retenham a sua individualidade. É um conceito fundamental do ecossistema”, afirma.

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Com destaque para atacarejo, Assaí registra números mais fortes do que o Carrefour no 2º tri, apontam analistas

All your necessities stored in one place (AJ_Watt/Getty Images)

SÃO PAULO – O Assaí (ASAI3) e o Carrefour Brasil (CRFB3) reportaram na noite da última terça-feira (27) resultados acima do esperado no segundo trimestre de 2021. No período, o destaque de ambas as companhias ficou por conta do segmento de “atacarejo”, que une o varejo ao atacado.

Na avaliação da XP, a operação de atacarejo apresentou uma performance sólida de vendas mesmas lojas, apesar de maiores restrições impostas pela Covid-19 no semestre e de uma base de comparação mais forte no mesmo período de 2020, quando houve o movimento de abastecimento por parte dos consumidores em meio ao início da pandemia.

“Esperamos que o segmento siga com uma performance positiva pela frente, uma vez que a reabertura e aceleração da vacinação deve impulsionar a demanda do segmento B2B (bares, restaurantes, transformadores e utilizadores), enquanto esperamos que parte do movimento de pessoa física para o canal seja estrutural”, escrevem os analistas em relatório.

Para a XP, o resultado do Assaí foi mais forte por conta da combinação de um forte crescimento de receita e melhor rentabilidade entre os meses de abril e junho.

O segmento de varejo do Carrefour reportou resultados fracos por conta de uma base forte de comparação, enquanto o Banco Carrefour foi um destaque positivo, com os resultados voltando para os níveis pré-pandemia, escreve o time de análise da XP.

Nesta quarta-feira (28), por volta das 12h, os papéis ASAI3 e CRFB3 apresentavam queda de mais de 2% na Bolsa, negociados a R$ 87,14 e R$ 19,26, respectivamente.

Assaí: uma história de crescimento

Na XP, os papéis ASAI3 são os preferidos no setor de varejo alimentar. Com a expectativa de que a companhia continue a entregar resultados sólidos nos próximos trimestres, a casa tem recomendação de compra para os papéis e preço-alvo de R$ 120 – o que implica potencial de alta de 34,8% ante o fechamento do último pregão (27).

A avaliação é compartilhada pelo Bradesco BBI, que vê as ações entre as mais atraentes do setor, negociando com múltiplo preço sobre lucro (P/L) para 2022 de 16 vezes, enquanto oferece uma taxa média de crescimento ponderado (CAGR) de três anos para o lucro de 18%.

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Segundo os analistas, o Assaí segue apresentando forte crescimento de dois dígitos, sustentado por sua exposição de 100% ao segmento de C&C (Cash & Cary), de alto crescimento e rápida expansão de lojas.

“Com 19 inaugurações nos últimos 12 meses e aproximadamente mais 25 até o final do ano, continuamos convencidos de que há muito potencial de crescimento por meio de lojas adicionais”, avalia o banco.

O Bradesco BBI manteve sua recomendação de compra para os papéis ASAI3 e elevou sua projeção de preço-alvo para 2022 de R$ 125 para R$ 130 (upside de 46,1%), dado que aumentou suas estimativas de lucro líquido para o período de 2021 a 2023 em cerca de 3% a 4%.

Assaí também é destaque entre as companhias acompanhadas pelo Itaú BBA, uma vez que o banco espera ver um crescimento ameno de receita e/ou uma rentabilidade mais pressionada no confronto anual para os demais operadores do segmento.

Os analistas permanecem confiantes e com recomendação de compra para os papéis da companhia, principalmente porque o cenário sugere uma contração mais rápida do preço sobre lucro em relação aos pares.

O banco estima um preço-alvo de R$ 100 para as ações do Assaí, o que implica potencial de alta de 12,4% ante os patamares atuais.

Já o Morgan Stanley destaca, em relatório, que o formato de cash & carry ainda é relativamente pouco penetrado nos mercados endereçáveis da vareijsta.

No segmento de B2C, C&C representa apenas 15% da indústria, enquanto no B2B corresponde a 21% das vendas totais. “Nesses níveis, vemos espaço para uma continuidade do crescimento nesse formato”, escreve.

Carrefour: foco no Atacadão

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Com relação ao Carrefour, o Bradesco BBI escreve que, embora uma queda nos lucros (de 4% no Ebitda na base anual e de 17% no lucro líquido) seja sempre decepcionante, as taxas de crescimento de dois anos (levando em consideração a base de comparação mais forte) são saudáveis, embora não espetaculares.

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Segundo os analistas, o principal motor de crescimento e retorno (Atacadão) continua apresentando forte crescimento, mesmo com o indicador de vendas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) mais baixo dada uma base de comparação anual mais forte.

O Atacadão também deve se beneficiar via expansão, avalia o BBI, com as lojas Makro adquiridas começando agora a dar uma contribuição significativa – o que permite a visão de que há espaço para expansão adicional.

O time de análise chama atenção ainda para a aquisição do Grupo BIG, que está sob análise das autoridades de defesa da concorrência, e que oferece, segundo o Bradesco BBI, “espaço significativo para a criação de valor”.

Com isso, o banco escreve que continua vendo bom valuation oferecido pelos papéis do Carrefour, com múltiplo preço sobre lucro (P/L) para 2022 de 14 vezes. O BBI tem recomendação de compra para as ações CRFB3, com preço-alvo de R$ 28 – potencial de upside de 41,4%.

A XP, por sua vez, manteve sua recomendação neutra para as ações de Carrefour Brasil, uma vez que avalia que as margens devem seguir pressionadas por conta da estratégia da companhia. A casa vê ainda que o segmento do varejo pode continuar a enfrentar alguns desafios de curto prazo por conta da retomada econômica.

Já os analistas do Itaú BBA destacam a operação de “atacarejo” e a aceleração do resultado operacional do Banco Carrefour, que apresentou crescimento no Ebitda de 35% na comparação anual.

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Em revisão, Carrefour avalia venda de unidades internacionais

(Bloomberg) — O Carrefour prepara uma revisão estratégica de suas operações internacionais, poucos meses depois do colapso das negociações para uma fusão da rede de supermercados francesa com a canadense Alimentation Couche-Tard.

A empresa planeja vender subsidiárias na Polônia e Taiwan, segundo artigo publicado na revista Challenges na quarta-feira, que não disse como obteve a informação.

O Carrefour “iniciou uma reflexão sobre a massa crítica de suas subsidiárias internacionais e possível consolidação futura, alianças ou movimentos de desinvestimento”, disse um porta-voz da varejista na quinta-feira, especificando que a revisão está em estágio inicial e nenhuma decisão foi tomada sobre qualquer venda.

O mercado de alimentos polonês é muito desafiador, com intensa competição, especialmente em mercadorias em geral. A Tesco, maior rede de supermercados britânica, concluiu a venda das operações na Polônia para a varejista dinamarquesa Salling Group este ano por cerca de 165 milhões de libras (US$ 230 milhões) para se concentrar no Reino Unido, seu principal mercado.

É improvável que a revisão cause grande impacto no Carrefour, escreveu Clive Black, analista da Shore Capital Markets, por e-mail. “Trata-se de mostrar que o Carrefour está ativo para a atividade mais ampla e de mostrar aos acionistas que está pensando em seus interesses em um momento de considerável atividade corporativa no cenário de supermercados de grande capitalização.”

A ideia de que o Carrefour possa querer sair da Polônia não é nova, mas “o problema com a Polônia é que não há compradores reais”, escreveu Fabienne Caron, analista da Kepler Cheuvreux, em relatório aos clientes. O Carrefour gera cerca de 1,8 bilhão de euros (US$ 2,15 bilhões) em vendas na Polônia, com baixas margens de lucro, disse Caron.

O diretor-presidente do Carrefour, Alexandre Bompard, que assumiu o comando em 2017, teve que desistir do plano de fusão com a Couche-Tard devido à oposição do governo francês sobre o acordo.

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As três boas oportunidades para o Pão de Açúcar destravar valor na Bolsa – e os muitos desafios no radar

SÃO PAULO – Apesar do francês Casino ter negado que haja um processo de venda do GPA, dono da marca Pão de Açúcar (PCAR3), após notícia do jornal O Estado de S. Paulo de que o grupo francês já teria contratado o banco de investimentos BR Partners (BRBI11) para estruturar uma operação de venda de seu controle, as notícias de segunda-feira (21) impulsionaram um novo catalisador para as ações do Pão de Açúcar.

Na véspera, os ativos já haviam subido 7,88% com a notícia de Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, de que o  empresário Michael Klein teria seguido os passos de Abílio Diniz e começado a montar uma posição acionária no GPA. Klein, que é o acionista de referência da Via (VVAR3) desde 2019, teria interesse em comprar o GPA caso o francês Casino decidisse vender sua posição, ressaltou o colunista.

De qualquer forma, a reportagem do Estadão reiterou que não havia negociação efetiva em curso, pois o objetivo do Casino, conforme as fontes ouvidas pela publicação, seria se desfazer primeiro da CNova, seu braço de comércio eletrônico, e do Grupo Éxito, com presença na Argentina, na Colômbia e no Uruguai.

Em relatório, Danniela Eiger, Thiago Suedt e Gustavo Senday, analistas da XP, destacaram que o papel subiu quase 8% na véspera após a divulgação da notícia uma vez que ela desencadeia uma série de eventos que potencialmente destravariam valor para os acionistas de PCAR3. Os analistas também destacaram que o avanço no processo de venda do GPA pelo Casino – o que foi negado posteriormente pelo grupo francês depois da divulgação do estudo – poderia sinalizar um avanço na operação de desinvestimento de Cnova e até do Grupo Éxito, uma vez que o Grupo passaria para uma próxima etapa de desinvestimentos.

Além disso, caso haja uma mudança de controle da companhia – o que ocorreria caso o grupo Casino vendesse sua participação -, todos os acionistas minoritários teriam direito a vender suas ações pelo mesmo preço atribuído às ações detidas pelo controlador, ou o chamado “tag along”,  uma das exigências do Novo Mercado.

Conforme destaca a Levante Ideias de Investimentos, em vista dessa possibilidade de tag along, é comum o mercado se movimentar para que as ações da companhia alvo de uma operação de fusão/aquisição se apreciem no curto prazo, de modo a ancorar um preço maior em caso de uma transação efetivada.

A participação do Casino no GPA é de 41,2%, tendo um valor próximo de R$ 4,4 bilhões de sua fatia. A saída se refere somente ao grupo dono da bandeira Pão de Açúcar, e não ao atacarejo Assaí (ASAI3), que é um negócio mais rentável e no qual o Casino quer manter, segundo afirmou o Estadão. Esse ativo tem valor de mercado bem maior do que o do GPA: R$ 22,8 bilhões. Atualmente, o GPA vale R$ 10,8 bilhões em valor de mercado.

Cabe apontar que, em 2018, o grupo francês já havia contratado uma assessoria financeira para vender a fatia detida no GPA para a redução de seu endividamento, porém o processo não foi para a frente.

Na avaliação da Levante, para os acionistas do GPA, o movimento de venda do controle pelo francês Casino seria positivo, uma vez que a companhia figura como um investimento puro do grupo francês, sem grandes apoios e parcerias estratégicas na frente operacional e pouca sinergia entre ambas as empresas, com o atual controlador agregando pouco para o desenvolvimento do GPA no Brasil.

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A Ativa Investimentos também considera a movimentação como positiva,  uma vez que teria o fim de possíveis conflitos de interesse entre a diretoria que toca hoje GPA e seu acionista majoritário. A Guide Investimentos aponta ainda que, desde que o grupo francês assumiu o comando do GPA, a companhia tem demonstrado dificuldades de crescimento e manutenção da sua rentabilidade.

Com relação a possíveis compradores, a Levante ressalta que a possibilidade de a família Klein, por meio da Via, incorporar o GPA, abre um conjunto de possibilidades de integração operacional, sobretudo na evolução do omnichannel voltado para o varejo alimentar, ainda sem grandes participações no sortimento da Via. Porém, já é um segmento que vem sendo explorado por seus concorrentes como o Mercado Livre (MELI34), Amazon (AMZO34) e Magazine Luiza (MGLU3).

A Guide Investimentos ressalta que, caso a operação ocorra, Klein poderá reencontrar resistência do rival e o ex-sócio Abilio Diniz. Há cerca de um mês, Diniz começou movimento semelhante ao adquirir ações da varejista e tentar retomar o controle da empresa fundada por sua família e da qual se retirou em 2013 após anos de conflito público com o Casino e seu controlador Jean-Charles Naouri.

Desafios no radar

As notícias podem movimentar as ações do Pão de Açúcar. Contudo, há desafios para que elas se concretizem, destacam os analistas da XP.

Danniela, Suedt e Senday avaliam que, apesar de acreditarem que notícias sobre os possíveis desinvestimentos podem trazer volatilidade para o papel, como a vista na véspera, mantêm recomendação neutra para o ativo PCAR3, com preço-alvo de R$ 39 (ou uma queda de 3,4% frente o fechamento de segunda) por verem uma baixa probabilidade de concretização dessas operações no curto prazo.

Isso principalmente dado que o desinvestimento na Cnova, que os analistas veem como mais desafiador, é colocado como  primeiro na lista e GPA Brasil, a que veem como a mais provável, é colocado como o último. Além disso, acreditam que o fato do grupo Casino estar aberto a vender todas suas operações do GPA sinaliza desafios na operação.

Com relação à venda de Cnova, os analistas veem desafios para concretização da operação no curto prazo dado que a companhia tem enfrentado um cenário competitivo mais duro, liderado pela Amazon, o que vem prejudicando sua perspectiva de crescimento, com receita estável em 2020. Além disso, o fato relevante com mais informações sobre seu aumento de capital indica um foco em levantar 300 milhões de euros na oferta primária com uma venda secundária, que envolveria a participação de 34% do GPA, ainda colocada como possível e dependente das condições de mercado.

Sobre o potencial “spin-off” (ou cisão) da Éxito, a XP lembra que, em 27 de novembro de 2019, o GPA pagou R$ 9,5 bilhões para incorporar a operação através de uma oferta pública de aquisição de ações. Desde então, o peso colombiano apreciou quase 25%, enquanto os resultados da companhia têm apresentado melhora. Caso o spin-off ocorra, seria um movimento inverso do realizado há menos de dois anos pela companhia e que iria de encontro com o discurso da companhia sobre as sinergias entre as operações da América Latina e Brasil, na avaliação dos analistas.

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Por outro lado, para Luís Sales, analista da Guide Investimentos, a operação de cisão da Éxito poderia destravar valor para os acionistas do GPA, cujo valor de mercado atual representa uma subavaliação do valor atribuído à unidade colombiana.

Por fim, com relação à potencial venda do GPA, ou a operação Brasil, Danniela, Suedt e Senday acreditam que há interessados na operação, com a maior probabilidade sendo a da aquisição de um investidor financeiro  ou de um investidor estratégico no setor de varejo alimentar.

Os analistas da XP destacaram preferência ao segmento do atacarejo, com Assaí como preferência, devido à combinação de uma melhor tendência de resultados de curto prazo com a retomada de bares, restaurantes e transformadores com a volta à normalidade, além de sólida perspectiva de crescimento, com projeção de crescimento médio anual de vendas do Assaí em 24% até 2023. O preço-alvo para ASAI3 é de R$ 120, ou um valor cerca de 39% acima do registrado no fechamento de segunda).

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Possível cisão da Éxito: mais uma boa oportunidade para o Pão de Açúcar destravar valor na Bolsa

SÃO PAULO – Mais um spin-off (cisão) está no radar do GPA, ou Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) que, ainda com algumas diferenças, guarda muitos paralelos com a cisão do Assaí (ASAI3) no início de março de 2021.

De acordo com duas fontes ouvidas pela agência Reuters, o GPA está considerando se separar de sua unidade colombiana Almacenes Éxito, numa operação que entregaria ações da subsidiária aos acionistas do GPA, incluindo o francês Casino Guichard Perrachon.

Seria uma transação similar ao recente “spin off” da unidade de atacarejo do GPA, Assaí, e faria parte de uma estratégia do grupo francês Casino de simplificar sua estrutura na América Latina e aumentar o valor atribuído às suas empresas na região. O GPA tem mais de 97% do Éxito, que é listado na Colômbia, com um valor de mercado de cerca de US$ 1,5 bilhão. A empresa tem 515 supermercados na Colômbia e emprega 35 mil pessoas, além de controlar subsidiárias no Uruguai e Argentina.

Atualmente o GPA vale R$ 10,51 bilhões, considerando o último preço de fechamento de suas ações, ou seja, a participação do GPA no Éxito vale cerca de 70% de todo o valor de mercado da companhia.

Vale ressaltar que há alguns formatos para a transação que podem ser considerados: a distribuição das ações do Éxito aos atuais acionistas do GPA, como ocorreu com Assaí, não é possível. Está sendo estudada a possibilidade de listar Brazilian Depositary Receipts (ou BDRs, certificados de depósito de valores mobiliários emitidos no Brasil que representam valores mobiliários de emissão de companhias abertas com sede no exterior) da empresa na Colômbia, ou a migração de capital para uma bolsa de valores nos EUA e uma listagem posterior.

Cabe ressaltar que a recente cisão do Assaí do GPA resultou num aumento imediato de 10% do valor de mercado combinada. O Assaí atualmente vale R$ 22,59 bilhões, mais que o dobro do que o GPA.

A Levante Ideias de Investimentos aponta que o GPA pode ser visto como uma das empresas mais mal precificadas na Bolsa, se for considerar a participação detida no Éxito e também na Cnova, esta última listada na Europa. A somatória do valor de mercado de Éxito e Cnova, considerando a participação do GPA em cada uma já chega a mais de R$ 14 bilhões, quase 40% acima do valor de mercado total do GPA hoje.

Isso implica, avaliam os analistas da casa de research, que as operações brasileiras do GPA, com marcas fortes como Extra e Pão de Açúcar, tem valor negativo, mesmo com receita líquida de mais de R$ 30 bilhões anuais e geração de caixa operacional bilionário. Assim, mais uma possibilidade de destravar valor de mercado deve ser positiva para a companhia.

Para os analistas da Levante, um dos pontos que esbarram na correta precificação das ações da GPA é a liquidez das empresas subsidiárias e também na oscilação do câmbio, que adiciona uma volatilidade forte na conversão do valor de mercado em reais.

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Na avaliação de Luís Sales, analista da Guide Investimentos, a operação deve destravar valor para os acionistas do GPA, cujo valor de mercado atual representa uma subavaliação do valor atribuído à unidade colombiana.

A Levante lembra ainda que o GPA já manifestou interesse em uma possível oferta secundária de ações da Cnova, que já notificou o mercado que estuda um follow-on (oferta de ações) na Europa, o que pode destravar parte do valor embutido na companhia, monetizando esse capital investido na varejista europeia. No caso do Éxito não há motivos para que esta participação seja precificada como um simples resultado de equivalência patrimonial, dado que nos resultados totais apresentados trimestralmente, o resultado completo de Éxito está incorporado ao do GPA, ressaltam.

De acordo com consenso da Refinitiv, de treze casas que possuem recomendação para o ativo PCAR3, nove possuem recomendação de compra e quatro possuem recomendação neutra.

(com informações da Reuters)

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GPA aumenta vendas, reduz despesas e passa de prejuízo para lucro no 1º tri

Pão de açúcar supermercado loja varejo (divulgação)

O GPA (PCAR3) teve lucro líquido de R$ 127 milhões no primeiro trimestre, ante prejuízo de R$ 119 milhões  um ano antes, favorecido por aumento das vendas e redução das despesas.

O grupo controlado pelo francês Casino e que concluiu em março a cisão do braço de atacarejo Assaí (ASAI3), viu sua receita líquida de janeiro a março somar R$ 12,45 bilhões, aumento de 4,9% em 12 meses.

Já o resultado operacional medido pelo lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 935 milhões, alta de 36% ano a ano, beneficiado por eficiências comerciais e controle das despesas no Brasil. A margem Ebitda subiu 1,7 ponto percentual, para 7,5%.

As vendas mesmas lojas caíram 0,7%, pressionadas por impactos da pandemia nas operações do grupo Êxito na Colômbia e Uruguai. No Brasil, as vendas mesmas lojas subiram 1,1% no primeiro trimestre.

Sem o impacto da Covid-19, o GPA afirma que as vendas mesmas lojas teriam subido 4,8% no nível consolidado e 5% no Brasil.

“O cenário de vendas permanece em crescimento no trimestre, mesmo impactado por desafios relacionados principalmente ao contexto macroeconômico e pandemia, com severas medidas restritivas envolvendo fechamento de lojas aos finais de semana, horário de abertura reduzidos e proibição da venda de algumas categorias”, afirmou o GPA no relatório.

Na linha outras despesas operacionais, o resultado negativo foi 71,9% menor na comparação anual, para um déficit de R$ 60 milhões.

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Carrefour anuncia acordo para aquisição do grupo BIG Brasil em operação de R$ 7,5 bilhões

SÃO PAULO – O Carrefour Brasil (CRFB3) anunciou nesta quarta-feira (24) que entrou em acordo com a Advent International e o Walmart para a aquisição da totalidade das ações de emissão do Grupo BIG Brasil pelo montante total de R$ 7,5 bilhões, ou por um enterprise value (valor da firma, a soma dos ativos e das obrigações de uma empresa) estimado de R$ 7 bilhões.

A operação será estruturada em duas etapas: o pagamento, em dinheiro, de R$ 5,25 bilhões aos atuais controladores da empresa, o fundo de private equity Advent International e Walmart, e a incorporação dos 30% remanescentes do capital social pela subsidiária do grupo francês.

De acordo com a varejista, a aquisição ampliará a presença do Carrefour Brasil em um mercado muito dinâmico e permitirá que ofereça aos consumidores brasileiros uma gama mais ampla de produtos e serviços, a preços mais competitivos.

O Grupo BIG possui 387 lojas, 41 mil funcionários, presença em 19 estados brasileiros e registrou R$ 24,9 bilhões em vendas brutas em 2020. A combinação criará um grupo com vendas brutas de cerca de R$ 100 bilhões e aproximadamente 137 mil  funcionários atuando em todos os formatos, destacou o Carrefour em comunicado.

“A aquisição do Grupo BIG expandirá a presença do Carrefour Brasil em regiões onde tem penetração limitada, como o Nordeste e Sul do país, e que oferecem forte potencial de crescimento. A rede de lojas do Grupo BIG, portanto, apresenta forte complementaridade geográfica”, destacou a varejista.

Além disso, apontou no comunicado, permite que o Carrefour Brasil expanda seus formatos tradicionais (principalmente Atacado e Hipermercados). A transação também vai reforçar a presença do Carrefour Brasil em formatos nos quais tem presença mais limitada, em particular os supermercados (99 lojas Bompreço e Nacional) e soft discount (97 lojas Todo Dia).

O Grupo Carrefour Brasil atuará em um novo segmento de mercado com o formato Sam’s Club, através de um contrato de licenciamento com o Walmart Inc.. “Este modelo de negócios único, premium e altamente rentável, voltado para o segmento B2C, é baseado em um sistema de associados, com mais de 2 milhões de membros, e tem um forte foco em produtos de marca própria”, destaca.

De acordo com o Carrefour, o pagamento da transação será realizado 70% em dinheiro e 30% por meio de emissão de novas ações do Grupo Carrefour Brasil. “O pagamento em ações do Carrefour Brasil materializa a confiança dos vendedores na valorização do Grupo Carrefour Brasil, bem como em uma captura rápida das sinergias com um risco de execução relativamente baixo. Assim que concluída a operação, o Grupo Carrefour irá deter 67,7% de participação do Carrefour Brasil (vs. 71,6% hoje) e a Península Participações 7,2%, enquanto a Advent e o Walmart terão, juntos, 5,6% de participação”, aponta.

A transação está sujeita à aprovação pelo órgão regulador (Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE), à aprovação dos acionistas do Grupo Carrefour Brasil, bem como a outras condições habituais de fechamento. A conclusão da transação está prevista para 2022.

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“A aquisição do Grupo BIG marca um grande passo em nosso desenvolvimento, ampliando a nossa presença geográfica em certos estados, expandindo a nossa atuação em formatos, além de adicionar um modelo muito promissor e que ainda não operamos – Sam’s Club. Juntos, nossa oferta será ainda mais atrativa, completa e competitiva, beneficiando o poder de compra dos consumidores brasileiros e adicionando milhões de clientes ao nosso ecossistema. Com muita satisfação, nós damos as boas-vindas aos times do Grupo BIG, que desempenharam um excelente trabalho, iniciando a transformação da companhia nos últimos anos. Este é com certeza um marco muito importante na história do Grupo Carrefour Brasil, e aponta para uma forte aceleração do crescimento nos próximos anos”, destacou Noël Prioux, CEO do Grupo Carrefour Brasil.

De acordo com a XP Investimetnos, a notícia é positiva, pois acelera de forma relevante a expansão do Grupo Carrefour, enquanto há muita sinergia a ser capturada, principalmente através da melhora das margens do Grupo BIG (hoje em 4% versus Carrefour entre 7% e 8%) e expansão do Banco Carrefour para os clientes BIG.

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Pão de Açúcar ou Assaí: qual ação está mais atrativa após a sessão de extremos na segunda-feira?

Pão de açúcar supermercado loja varejo (Divulgação)

SÃO PAULO – Depois da emocionante sessão da última segunda-feira (1) para as ações da Sendas (ASAI3), controladora do atacarejo Assaí, que saltaram 386% (R$ 71,40) em sua estreia após a cisão, e para os papéis do Pão de Açúcar (PCAR3), que tiveram baixa de 66% (R$ 23,33), uma pergunta que muitos investidores passaram a fazer é: o que esperar para as duas ações na B3 a partir de agora?

Vale lembrar que a oscilação da véspera, apesar de assustadora num primeiro momento, já era em grande parte esperada pelo mercado (veja a análise). E, ao contrário do que poderia parecer, quem segurou o investimento em PCAR3 entre sexta-feira e segunda viu uma rentabilidade de cerca de 14%.

Isso porque, com o movimento de cisão ocorrido na última sexta-feira,  todas as ações compradas e detidas de PCAR3 na ocasião tiveram direito de receber ações ASAI3 na mesma proporção. Isso significa que o investidor que detinha, por exemplo, 100 ações PCAR3 na sexta, continuou com essas 100 ações nesta segunda e ganhou 100 ações ASAI3 também. Na sexta, as ações PCAR3 fecharam a R$ 83 por ativo.

Após a sessão de ontem, a primeira com a negociação de ASAI3 e PCAR3 separadamente, os dois papéis somaram R$ 94,73 (ou uma alta de 14,13%). Ou seja, separados, os negócios passaram a valer mais do que combinados. E a perspectiva ainda é de alta, especialmente para a rede de atacarejo. Vale destacar que, na reta final da sessão desta sexta, por volta das 17h20 (horário de Brasília), enquanto PCAR3 caía cerca de 3%, ASAI3 registrava o movimento oposto, com alta de cerca de 3%.

Analistas da XP Investimentos, Danniela Eiger, Thiago Suedt e Marco Nardini explicaram que a forte queda de GPA foi justificada, uma vez que o valor relacionado ao Assaí estava concentrado no grupo.

Para Luis Sales, da Guide Investimentos, a divisão foi um movimento positivo: “A separação da companhia em seu braço de varejo e de atacado ocorre com o objetivo de permitir que as empresas passem a operar de forma autônoma e com equipes de gestão individuais, o que promove maior desenvolvimento e crescimento de cada uma delas. (…) E facilita a mensuração de valor de mercado de cada um dos negócios.”

Após a cisão, a XP Investimentos iniciou a cobertura para ASAI3 com recomendação de compra e preço alvo de R$ 120 por ação para o fim de 2021, ou um potencial de alta de 68% em relação ao fechamento da véspera (veja o relatório clicando aqui). Além disso, destacou a companhia como preferência no setor por conta de um valuation muito atrativo. Ou seja, a ação, na avaliação da equipe de análise, está muito barata para ser ignorada, sendo negociada a um múltiplo de 15 vezes o preço sobre o lucro esperado (P/L) esperado para 2021, um desconto de 35% na comparação com os seus pares internacionais, enquanto vê muito potencial de crescimento a ser entregue.

Os analistas Danniela Eiger, Thiago Suedt e Marco Nardini, veem cinco principais destaques da tese de investimento para a companhia, com 184 lojas espalhadas em 23 Estados diferentes e contando com 10 centros de distribuição. Os motivos estão listados a seguir:

i) Perspectiva de crescimento sólida, puxado por planos de expansão (expectativa de 100 novas lojas até 2025) e expansão de margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) decorrente de alavancagem operacional e desalavancagem;

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ii) Forte geração de caixa, com uma conversão média de Ebitda em caixa em torno de 30% nos próximos 5 anos;

iii) Estratégia de expansão assertiva, com uma estrutura de líderes regionais que permite a companhia competir regionalmente enquanto também entregando a maior produtividade de loja (receita bruta por metros quadrados) entre as empresas listadas;

iv) Vasta experiência da diretoria, com mais de 20 anos de experiência no varejo alimentar; e

v) Riscos positivos da frente de serviços financeiros, digitalização e potencial entrada no atacado de distribuição.

Já entre os riscos, os analistas destacam os listados a seguir:

i) Redução do auxílio emergencial, que pode pressionar os resultados de curto prazo, uma vez que os clientes do Assaí são em sua grande maioria de classes mais baixas (75% sendo das classes C/D/E). “Entretanto, alimentos não é uma categoria que pode simplesmente ser eliminada e, portanto, acreditamos que o impacto mais provável será em uma piora no mix de produtos e/ou uma mudança de canal para o Atacarejo, o que inclusive favoreceria o Assaí”, avaliam.

ii) Aumento das restrições de Covid-19 impactando negativamente a recuperação de bares, restaurantes e transformadores o que, por sua vez, impacta a demanda de B2B (ou venda para as empresas). Na avaliação dos analistas, isso pode ser compensado por uma demanda ainda resiliente de pessoa física, enquanto esse impacto deve ser temporário e a retomada deve vir com a vacinação mais acelerada e/ou queda dos casos de Covid-19.

iii) Competição, uma vez que que as empresas podem enfrentar concorrência em cidades/estados específicos. Contudo, os analistas veem esse risco mitigado pela estrutura de líderes regionais do Assaí combinado com um histórico sólido de execução.

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As perspectivas da XP para o Pão de Açúcar também são positivas, com os analistas mantendo recomendação de compra e ajustando o preço-alvo após a cisão de R$ 103 por ação para R$ 28 para o fim de 2021 – ou seja, com um potencial de alta de 20% em relação ao fechamento da véspera, menor na comparação com o Assaí.

Assim como para o Assaí, os analistas da XP destacaram cinco principais pontos que sustentam a visão positiva no papel:

i) Manutenção de margem Ebitda em níveis sólidos sustentada por melhorias operacionais, como projeção de expansão de 0,4 ponto percentual na margem EBITDA até 2025 explicada pelas conversões das lojas, implementação de novos conceitos em mais lojas e alavancagem operacional.

ii) Digitalização como um ponto positivo: “vemos a estratégia de e-commerce do GPA como positiva, pois o principal foco deles permanece no varejo alimentar no curto prazo, que é uma das categorias que, na nossa visão, entendemos que demanda um marketplace de nicho, enquanto a companhia está aberta para parcerias com outros marketplaces (como o Mercado Livre) para alavancar o seu”. Além disso, eles acreditam que o GPA conta com vantagens competitivas como forte posicionamento de marca, capilaridade das lojas, capacidade de última milha, alta frequência de compra (3 vezes a 4 vezes por mês) e base de clientes sólida.

iii) Pouca atenção dada para o Grupo Éxito, apesar de que têm marcas muito reconhecidas na Colômbia e Uruguai, contam com uma penetração de marcas próprias de 17% (alimentar) e 34% (não-alimentar) e plataforma multicanal sólida;

iv) Riscos positivos interessantes, como o aumento de produtividade de loja impulsionado pelo programa de fidelidade; as iniciativas na frente financeira e monetização de créditos fiscais totalizando R$1,0 bilhão (em 5 anos) relacionado à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins.

v) Potencial de valorização, uma vez que a companhia possui algumas reservas de valor que podem ser destravadas ao longo do tempo, como a participação na Cnova (listada na Euronext), com valor de mercado atual de R$ 5,4 bilhões. “A companhia já vocalizou seu interesse em desinvestir nesse ativo, porém vemos um entrave de liquidez para que isso seja concretizado. Além disso, a companhia tem enfrentado um cenário competitivo mais duro, liderado pela Amazon, o que tem prejudicado seu perspectiva de crescimento”, apontam os analistas.

Vale destacar que, na véspera, o Itaú BBA havia divulgado relatório em que traçava as suas estimativas para as ações de ambas as companhias, também com recomendação equivalente à compra (no caso, outperform, ou desempenho acima da média) para as ações delas. Contudo, o preço-alvo para ASAI3 é de R$ 75, uma alta modesta de 5% frente o fechamento da véspera, enquanto para PCAR3 é de R$ 39, uma valorização mais expressiva em relação ao fechamento de ontem, da ordem de 67%.

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“Estamos iniciando a cobertura do ASAI3 com uma visão construtiva com base na excelente qualidade financeira da empresa
histórico e seu plano de abrir pelo menos 78 novas lojas entre 2021 a 2023. Os principais riscos para a nossa tese de investimento são um ambiente competitivo mais difícil e incerteza do cenário macroeconômico”, apontaram os analistas do BBA.

Já sobre PCAR3, o banco acredita que o valor do braço de varejo no Brasil e as operações da Éxito e da CNova serão melhores refletidos nas ações após a cisão do Assaí. A virada no multivarejo e a transformação digital devem ser a principal via de crescimento nos próximos trimestres, apontam, mas vendo o risco de execução e a incerteza macro como os principais riscos do case.

Os analistas do Bank of America, por sua vez, destacaram em relatório datado do último dia 26 de fevereiro (ou seja, na sexta-feira antes da cisão) que permaneceram com o GPA carregam alguns problemas, como o risco de governança e contingências atualmente estimadas em R$ 12,5 bilhões.

Desafios no radar

Em entrevista ao Broadcast, Julia Monteiro, analista da MyCap, destacou que o Assaí (assim como o Atacadão, parte do grupo Carrefour) é visto pelo pelo mercado como a “joia da coroa” da varejista, o que confere um maior potencial de alta para as ações. Na visão da MyCap, para o fim de 2021, a ação do Assaí pode valer entre R$ 104 e R$ 105 (potencial de valorização entre 45,7% e 47%), enquanto a previsão para o GPA (que ficou com bandeiras como Extra e Pão de Açúcar) é de R$ 30 por papel (alta de 28,6%).

Apesar da ação da companhia de atacarejo ser, no princípio, mais atrativa aos olhos dos investidores, o mercado também está de olho em um desafio: o avanço da companhia nos meios digitais, que deve ser observado com atenção por Belmiro Gomes, que preside o Assaí.

Na semana passada, em sua primeira teleconferência com investidores separada do Grupo Pão de Açúcar, o executivo foi questionado da presença praticamente inexistente da companhia no mundo online. Ele afirmou que a empresa deve trazer novidades nesse sentido ainda neste ano. Belmiro Gomes disse ainda ao Broadcast que trabalha para “ter alguma coisa no segundo semestre, no terceiro ou no quarto trimestre”.

Enquanto isso, com relação à ação do Pão de Açúcar, o Morgan Stanley revisou as suas projeções de preço-alvo para a ação, com target de R$ 28 (potencial de alta de 20%), mas com recomendação equal-weight (expectativa de valorização dentro da média do mercado).

Para as operações de multivarejo e Éxito, o banco diz ver um cenário negativo em 2021. Os analistas da instituição afirmam, contudo, que, se a operação de multivarejo entregar bons indicadores de vendas em mesmas lojas em 2021, isso impulsionaria sua convicção de que uma mudança no comportamento do consumidor mais estrutural, e que haveria tendência de alta dos preços das ações.

Saiba mais sobre a estreia de Assaí na B3 na última segunda-feira assistindo ao vídeo abaixo: 

(Com Estadão Conteúdo)

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Acionistas do Pão de Açúcar receberão papéis do atacarejo Assaí nesta sexta-feira: é um bom negócio?

SÃO PAULO – Nessa sexta-feira (26), depois do fechamento do mercado, os acionistas do Pão de Açúcar (PCAR3) vão receber ações do Assaí (ASAI3) – ou Sendas – na mesma proporção da sua participação no GPA com a cisão das companhias. Assim, a partir da próxima segunda-feira (1), as ações ASAI3 vão passar a ser negociadas na B3. Todas ações compradas e detidas de PCAR3 até esta sexta-feira terão direito de receber ações ASAI3 na mesma proporção.

Ou seja, conforme destacam Danniela Eiger, Marco Nardini e Thiago Suedt, analistas da XP, em relatório chamado “Compre um, leve dois; mas a oferta é limitada para essa semana”, quem tiver uma ação da PCAR3 nesta sexta amanhecerão na segunda com duas ações, uma PCAR3 e outra ASAI3.

E essa pode ser uma grande oportunidade, ainda mais em um ambiente em que cada vez mais analistas veem a ação PCAR3 como barata e com bom potencial de alta, principalmente com os bons resultados reportados do quarto trimestre nesta semana e com o gatilho de curto prazo a partir da cisão do Assaí.

Os analistas apontam que o Assaí é atualmente a maior marca operada pelo Casino no mundo, destacando ainda a força do atacarejo (faz o papel de loja e de atacadista), que é o principal canal utilizado pelas famílias brasileiras (62% das cidades brasileiras). A sua participação de mercado é de 29% atualmente, com expansão de 9 pontos percentuais nos últimos 5 anos, possui 184 lojas em 23 estados brasileiros (não estão presentes somente no Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Acre) e com 10 centros de distribuição localizados nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste.

Além disso, avaliam, a estrutura dos líderes regionais independentes permite que a companhia adapte o sortimento, modelo de negócios e comunicação para atender às necessidades locais. O Passaí (marca própria de cartão) foi lançado há 2 anos e já representa 5% do faturamento bruto – o que os analistas veem como positivo em termos de produtividade das lojas (ticket médio 40% acima da média) e receita financeira.

A companhia ainda está revisitando sua estratégia digital e deve lançar uma iniciativa voltada para clientes B2B, além de estudar uma eventual expansão da sua atuação para o atacado de distribuição. Mas o foco está primeiro em alcance de capilaridade, para que a diluição das despesas compense o impacto nas margens brutas.

Pão de Açúcar: velho conhecido, mas com potencial 

Com relação ao Pão de Açúcar, os analistas destacam que é um velho conhecido, mas com iniciativas positivas em andamento.

Danniela, Nardini e Suedt ressaltam que o GPA é uma companhia focada no varejo alimentar na América Latina, com 1,5 mil lojas no Brasil (55% do Ebitda), Colômbia (35% do Ebitda), Uruguai (9% do Ebitda) e Argentina (1% do Ebitda), sendo o oitavo maior varejista brasileiro, com vendas brutas totais de R$ 31,1 bilhões em 2020 (R$ 55,7 bilhões considerando as operações fora do Brasil).

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“Nós destacamos que as preocupações dos investidores se concentram mais nessa companhia e, portanto, pode haver alguma volatilidade na performance do papel depois da cisão. No entanto, diversas iniciativas foram implementadas para otimizar as operações, enquanto vemos o e-commerce como um risco positivo”, apontam.

Para eles, há quatro principais destaques da tese de investimento. Em primeiro lugar, está a expansão de margem Ebitda sustentada por melhorias operacionais, como o ajuste na proposta de valor dos hipermercados, conversões de lojas do GPA e introdução de novos conceitos no Grupo Éxito (Éxito WoW e Carulla) e GPA Brasil (conceito G7, ou sétima geração, no Pão de Açúcar, promovendo nas experiências para os clientes).

A digitalização é vista como um ponto positivo, pois o principal foco permanece no varejo alimentar no curto prazo, que é uma das categorias que, na visão dos analistas, demanda um marketplace de nicho, enquanto a companhia está aberta para parcerias com outros marketplaces para alavancar o seu. “Além disso, nós acreditamos que o GPA conta com vantagens competitivas como forte posicionamento de marca, capilaridade das lojas, capacidade de última milha, alta frequência de compra (3 a 4 vezes por mês) e base de clientes sólida, para nomear alguns”, apontam.

Apesar da pouca atenção dada para o Grupo Éxito, os analistas apontam que eles têm marcas muito reconhecidas na Colômbia e Uruguai, contam com uma penetração de marcas próprias de 17% (alimentar) e 34% (não-alimentar) e plataforma multicanal sólida.

Além disso, há riscos positivos interessantes, como o aumento de produtividade de loja impulsionado pelo programa de fidelidade; as iniciativas na frente financeira e monetização de créditos fiscais, totalizando R$1,2 bilhão (em 5 anos) relacionado à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins.

Ao fazer uma análise de sensibilidade para entender o potencial de alta dos ativos, os analistas assumiram que o Assaí vai negociar em linha com o múltiplo atual do varejista Grupo Mateus (GMAT3) depois da cisão, em 19,2 vezes a relação preço sobre lucro (P/L) esperado para 2021.

Já os preços atuais da PCAR3 hoje refletem um múltiplo de 7 vezes o preço sobre lucro esperado para 2021, muito mais baixo quando comparado a uma média ponderada dos pares da América Latina de 22,3 vezes o P/L esperado para o ano. Em meio a esse cenário, os analistas mantêm recomendação de compra para as ações PCAR3, com preço-alvo de R$ 103 por ação.

Vale ressaltar que, logo após a divulgação do resultado do quarto trimestre de 2020, na última terça-feira, o Credit Suisse divulgou análise sobre o Pão de Açúcar apontando que a ação tem aparecido em conversas com investidores como uma das maiores assimetrias da Bolsa.

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Na ocasião, os analistas destacaram ver justamente um gatilho de curto prazo com a listagem do Assaí na Bolsa que, por si só, pode valer praticamente todo o valor de mercado atual do Pão de Açúcar, atualmente em R$ 22,75 bilhões (levantamento em conta o fechamento das ações na véspera).

No relatório, Victor Saragiotto e Pedro Pinto também destacaram que o portfolio mais defensivo do Pão de Açúcar, uma vez que ele está inserido no varejo alimentar, é um ponto atrativo, ainda mais levando em conta a incerteza relacionada ao consumo em 2021. Com isso, os analistas do Credit reforçaram a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para PCAR3, com preço-alvo de R$ 112 para os ativos.

Na mesma linha, logo após o resultado, a Safra Corretora apontou o Pão de Açúcar como preferido do setor de varejo alimentar, tendo apresentado bons números no quarto trimestre às vésperas de listar o Assaí, evidenciando uma sólida execução. Entre os pontos positivos, a melhoria consistente com a série de iniciativas para reformular a bandeira Pão de Açúcar e aprimorar a proposta de valor do hipermercado Extra.

O Safra aponta que a empresa apresentou uma alavancagem operacional positiva, com uma melhora significativa nas margens, além do crescimento contínuo do varejo online, atingindo vendas totais de R$ 1,1 bilhão em 2020, um aumento de três vezes em relação ao ano anterior. As operações da Éxito também apresentaram melhora gradual nas lojas.

Ao falar sobre a cisão do Assaí os analistas da corretora que estarão prestando muita atenção à avaliação das operações do multivarejo, pois pode haver um descasamento quando PCAR3 começar a ser negociada separadamente a ASAI3, na próxima segunda. Já a XP Investimentos aponta que, geralmente, a reavaliação das ações acontece de forma rápida nesses tipos de eventos e, portanto, veem a cisão como um evento para isso se materializar.

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Sem Carrefour, Couche-Tard mira outros possíveis alvos

Executivos da Alimentation Couche-Tard defenderam a oferta fracassada pelo Carrefour e disseram que ainda gostariam de comprar a rede de supermercados francesa algum dia, mas agora planejam buscar outros potenciais acordos.

A operadora canadense de lojas de conveniência fez uma oferta de US$ 20 bilhões pelo Carrefour, que foi rejeitada na sexta-feira pelo ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire. A proposta pegou investidores desprevenidos, porque a Couche-Tard não opera supermercados.

Em resposta às críticas ao acordo, o presidente do conselho da Couche-Tard, Alain Bouchard, disse que grandes acordos anteriores – incluindo a aquisição da Circle K, em 2003 – também surpreenderam o mercado, mas deram certo.

“Nas últimas décadas, enquanto nossos negócios cresciam, fizemos muitos movimentos ousados, alguns dos quais nem sempre eram óbvios para nossos acionistas”, disse Bouchard em teleconferência com investidores na segunda-feira.

“Se eu esperava que o resultado de nossa abordagem ousada para o Carrefour tivesse sido diferente? Claro. Ainda assim, estou extremamente orgulhoso de que a Couche-Tard teve a força financeira e perspicácia para fazer tal oferta.”

As empresas anunciaram o fim das negociações no sábado, quatro dias depois de a Bloomberg informar pela primeira vez sobre o possível acordo, e disseram que trabalharão em uma aliança mais flexível em áreas como compra de combustíveis e distribuição de produtos.

Os executivos da Couche-Tard deram poucos detalhes sobre a aliança na segunda-feira e disseram que as negociações são exploratórias. O CEO da empresa canadense, Brian Hannasch, disse que há um conjunto “robusto” de outras aquisições a serem examinadas, enquanto persegue a meta de cinco anos de dobrar o lucro até 2023.

Hannasch disse que a porta está aberta para uma futura fusão do Carrefour se o clima político na França mudar.

“Tenho idade suficiente para acreditar que não existe algo permanente”, disse. “Adoraríamos fechar a transação, portanto, se recebêssemos sinais de que o ambiente poderia mudar ou de mudança por parte do governo francês ou das principais partes interessadas, adoraríamos a oportunidade de nos engajarmos novamente, nas condições certas e assumindo que não encontramos outra maneira de criar mais valor para nossos acionistas.”

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A empresa com sede em Laval, Quebec, tem acelerado os planos de crescimento, mesmo sem uma grande aquisição nos últimos anos. Analistas esperam que o lucro ajustado por ação aumente 16% no ano fiscal que termina em abril, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

A rede tem aperfeiçoado seu café e adicionado ofertas de alimentos in natura, cujas margens são maiores. A empresa tem se aprofundado em análises para melhorar preços e promoções e planeja lançar estações de carregamento de veículos elétricos na América do Norte depois de aprender com sua experiência na Noruega.

A Couche-Tard fortaleceu sua posição na Ásia ao comprar cerca de 370 lojas em Hong Kong e Macau que anteriormente eram licenciadas da marca Circle K. Mas não houve grandes aquisições desde que a rede fechou a compra da CST Brands, do Texas, por US$ 4 bilhões em 2016.

Em abril, a empresa desistiu de uma proposta de US$ 5,6 bilhões pela rede de postos de gasolina Caltex Australia (agora conhecida como Ampol), citando a incerteza em torno da pandemia.

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