Petrobras, Suzano, Azul e JBS tiveram os maiores prejuízos da história no 1º tri: é para se preocupar?

SÃO PAULO – Apesar de a quarentena no Brasil só ter início na segunda quinzena de março, os impactos do novo coronavírus foram fortes nas empresas, e isso se refletiu nos resultados do primeiro trimestre.

Enquanto alguns setores, como varejo, sofreram com as lojas fechadas, as operações online cresceram, favorecendo as companhias de e-commerce. Mas algumas empresas também foram impactadas por efeitos secundários da pandemia, como a forte desvalorização do real e a derrocada do petróleo.

E diante destes problemas, estes três primeiros meses do ano acabaram marcando 4 dos 20 maiores prejuízos já apresentados por empresas brasileiras, segundo um levantamento da Economatica.

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Segundo a consultoria, o prejuízo de R$ 48,5 bilhões da Petrobras (PETR3; PETR4) foi o pior já registrado desde o Plano Real – quando teve início a série histórica -, tanto em valores nominais quanto ajustados pela inflação.

A Economatica aponta ainda que outras três empresas entraram para o grupo de maiores prejuízos: Suzano (SUZB3), R$ 13,4 bilhões; Azul (AZUL4), R$ 6,15 bilhões; e JBS (JBSS3), R$ 5,93 bilhões.

Segundo o analista da Rico Investimentos, Matheus Soares, este primeiro trimestre foi apenas um “aperitivo” e os reais impactos da pandemia devem ser mais sentidos a partir de abril.

Ele cita os efeitos da disparada do dólar, que deve pesar para empresas com custos na moeda americana, como as aéreas, e também algumas companhias que se beneficiam do dólar, mas que têm um impacto contábil grande, como aconteceu com a Suzano.

Para ele, estes são apenas alguns impactos vistos até agora e a tendência é de uma piora nos balanços das companhias brasileiras a partir do segundo trimestre.

Confira abaixo como Petroras, Suzano, Azul e JBS sofreram com a pandemia no primeiro trimestre e o que esperar para estas empresas daqui para frente:

Petrobras

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Quem olhar apenas para o prejuízo recorde de R$ 48,5 bilhões, pode ficar assustado com o desempenho da estatal. Mas é importante ter em mente que este resultado ocorreu por uma baixa contábil, ou impairment, de R$ 65,3 bilhões feito pela companhia e que abalou a linha do lucro.

Isso se deu porque a Petrobras fez uma reavaliação de ativos, principalmente de exploração e produção, considerando preços mais baixos do petróleo, devido a crise global causada pela pandemia do novo coronavírus, que reduziu a demanda pela commodity.

Para os analistas, porém, o balanço da petrolífera no primeiro trimestre foi bem forte, com destaque positivo o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado de R$ 37,504 bilhões, alta de 36,4% frente os R$ 27,4 bilhões de igual período de 2019.

“A alta qualidade dos ativos do pré-sal da Petrobras é evidente em um trimestre em que, mesmo após uma grande baixa contábil, o fluxo de caixa ainda aumenta. A liquidez parece abundante e, com preços do petróleo aparentemente se recuperando do fundo do poço, continuamos confortáveis com a nossa recomendação de exposição acima da média (overweight) para as ações da companhia”, avalia o Morgan Stanley.

O banco também pontuou que a empresa está em situação de liquidez mais confortável na comparação com outros períodos de baixa do preço do petróleo no passado.

O JPMorgan foi além: “não se preocupe com os impairments: o que realmente importa é o forte fluxo de caixa e o sólido desempenho de exploração e produção”. Segundo os analistas, os investidores devem se concentrar nos números operacionais, recomendando a compra dos papéis da estatal “em caso de qualquer fraqueza nas ações”.

Em uma videoconferência realizada nesta semana, Roberto Castello Branco, presidente da estatal, disse que o impairment foi um “banho de sangue”, mas que não foi uma surpresa para ninguém no mercado. “A revisão dos nossos ativos foi um banho de sangue, mas foi necessária”, disse ele.

Apesar dos elogios, o Credit Suisse fez algumas ponderações, ressaltando principalmente que, com o forte impairment, tudo indica que a petroleira não deva pagar dividendo neste ano. “A empresa parece bastante conservadora com relação às perspectivas de preço para petróleo”, reforçando a previsão do brent a US$ 25 o barril neste ano, chegando a US$ 50 somente em 2025. Para eles, na prática, essa menor expectativa com relação ao preço da commodity deve indicar que a companhia só irá aprovar investimentos em projetos world class.

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Além disso, apesar da recuperação do petróleo neste trimestre, a expectativa é de que tempos bastante desafiadores prossigam para a empresa, o que deve levar à adoção de novas medidas pela estatal.

Durante a apresentação de resultados, Castello Branco apontou que a pandemia está trazendo ainda aprendizados e ajudando a acelerar uma estratégia que já estava em curso, de corte de custos e desinvestimentos. “Estamos planejando várias outras medidas para o futuro, inclusive quando sairmos dessa crise da Covid-19”, afirmou, destacando, por exemplo, mais cortes de custos.

De acordo com o Bradesco BBI, a teleconferência da Petrobras reforçou a avaliação de que, do lado operacional, a Petrobras está superando o desempenho de seus pares na América Latina.

O analista Vicente Falanga aponta que, embora os resultados da Petrobras se deteriorem com o impacto total do novo coronavírus, a expectativa é de que as ações reajam aos bons fundamentos de pesquisa e desenvolvimento da empresa e à curva futura do petróleo, que tem apresentado recuperação.

Suzano

A companhia de papel e celulose Suzano acabou sofrendo com a desvalorização do real, que pesou na dívida em moeda estrangeira dela, levando a um prejuízo líquido de R$ 13,4 bilhões entre janeiro e março deste ano.

A linha de variação cambial da empresa foi negativa em R$ 12,4 bilhões em meio à valorização de 29% do dólar ante o real do período. A Suzano ressaltou que o impacto sobre o resultado terá “efeito caixa somente nos respectivos vencimentos” da dívida de empresa. Houve também um impacto do câmbio nas operações com derivativos negativo de cerca de R$ 9 bilhões.

Estes impactos acabaram minimizando o crescimento de 10% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, que ficou em R$ 3,03 bilhões no primeiro trimestre, superando as projeções.

Segundo Yuri Pereira, analista da XP, a Suzano reportou resultados operacionais acima do esperado no primeiro trimestre. Os principais destaques foram: (1) volumes mais altos de celulose seguindo o movimento de desestocagem da Suzano e demanda saudável de tissue (papeis sanitários em geral) e (2) preços realizados mais fortes (alta de 7% na base trimestral) devido a um dólar mais alto. Do lado negativo, a alavancagem continua sendo uma preocupação.

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Durante teleconferência, o CFO da Suzano, Marcelo Bacci, destacou: embora o resultado financeiro líquido da companhia no primeiro trimestre tenha sido uma perda de R$ 22,4 bilhões, o desembolso de caixa atingiu R$ 200 milhões. Em um cenário de dólar a R$ 6,00, a geração de caixa compensaria as despesas financeiras, resultando em ganho líquido de caixa de R$ 1,9 bilhão até o quarto trimestre.

Sobre os efeitos do coronavírus, a companhia destacou quatro impactos: (i) significativo aumento na demanda por celulose em função principalmente do aquecimento do segmento de papéis sanitários; (ii) redução da demanda de papel de imprimir & escrever, o que levou a uma parada de produção nas unidades de Mucuri e Rio Verde; (iii) restrições de oferta pelo setor e alteração nos calendários de paradas programadas; e (iv) a forte desvalorização da moeda nacional frente ao dólar, que beneficia a geração de caixa da companhia.

Apesar do prejuízo no resultado, os analistas do Itaú BBA mantiveram a recomendação “outperform” para as ações, apontando que a incorporação de estimativas mais fracas para o real para 2020 e 2021 levou a um aumento das projeções para o Ebitda da companhia para esses dois anos em quase 28%.

“Acreditamos que o patrimônio da empresa poderia se beneficiar de um ritmo mais rápido de desalavancagem em 2021, considerando que em 2020 o impacto negativo em caixa dos derivativos da Suzano poderia superar R$ 5 bilhões, afetando a conversão do forte desempenho do Ebitda em geração de caixa”, avaliam os analistas.

Segundo o Bradesco BBI, a demanda de celulose no primeiro trimestre foi sólida nos principais mercados e particularmente forte na segunda quinzena de março, impulsionada pelo mercado de tissue, que tem conseguido compensar a queda na demanda por P&W.

Além disso, os analistas reforçaram a recomendação “outperform” citando também que a administração da Suzano se mostrou confortável com o nível atual dos estoques, que eles estimam ser em 1,5 milhão de toneladas. Apesar dos efeitos negativos no primeiro trimestre, em geral o mercado tem uma boa visão para o futuro da empresa.

O ponto que mais preocupou os investidores, o prejuízo de R$ 9 bilhões com derivativos, foi explicado pela Rico Investimentos, deixando um alerta também para quem acredita que a Suzano é uma opção de investimento 100% dolarizado.

Os analistas Thiago Salomão e Matheus Soares explicam que a companhia faz hedge (operação de proteção) de sua dívida e de 75% do excedente de dólares de seu fluxo de caixa para os próximos 18 meses.

Se de um lado a proteção da dívida faz sentido, pode ser mais complicado entender o hedge do fluxo de caixa, o que preocupou muita gente. Mas a Rico aponta que isso não é novidade no mercado: “É muito mais fácil ter uma previsibilidade de curto prazo dos fluxos de caixa do que de longo prazo. Muitas exportadoras fazem isso de modo a minimizar a volatilidade da geração de caixa da sua empresa”, afirmam os analistas.

Diante disso, eles destacam que o impacto contábil de R$ 9 bilhões que a Suzano teve que arcar em apenas um trimestre, foi por conta da
marcação a mercado dos derivativos para os próximos 18 meses. Porém, o impacto caixa foi de apenas R$ 173 milhões. “Ou seja, quem só está olhando o impacto contábil ignora a geração de caixa que será gerada ao longo dos próximos 18 meses”, explicam.

Eles apontam ainda que realmente seria “muito melhor” se a empresa não tivesse feito o hedge e se beneficiado 100% com o dólar, mas vale lembrar que 18 meses atrás “o cenário era completamente diferente”.

“Quem tem Suzano no portfólio por acreditar que ela é uma opção 100% dolarizada dentro da carteira deveria repensar a estratégia, já que a própria empresa mostrou que vai sacrificar parte do ganho com dólar de modo a garantir a estabilidade de seus fluxos de caixa futuros”, conclui a Rico.

Azul

Dentro do setor mais impactado até agora com a pandemia, a companhia aérea Azul registrou um prejuízo líquido de R$ 6,135 bilhões no primeiro trimestre, revertendo um lucro de R$ 125,3 milhões do mesmo período do ano passado.

Os números foram impactados principalmente pelas variações monetárias e cambiais, que afetaram o resultado financeiro da empresa em R$ 4,23 bilhões, em meio à disparada do dólar por conta do coronavírus. Os instrumentos financeiros e derivativos tiveram impacto de R$ 1,28 bilhão.

“Com a implementação de medidas de restrição de viagens e do distanciamento social a partir da segunda quinzena de março, a economia brasileira ficou paralisada, levando a uma queda brusca na demanda de passageiros. Além disso, no final do trimestre, o real desvalorizou 33% comparado ao mesmo período no ano anterior, o que pressionou ainda mais nossos resultados”, afirmou a empresa no release de resultados.

Já o resultado operacional ficou positivo em R$ 173,6 milhões, queda de 50% frente os R$ 347,2 milhões do mesmo período do ano anterior. O Ebitda, por sua vez, foi a R$ 654,2 milhões, queda de 9,7% na comparação anual.

O prejuízo líquido excluindo variação cambial e marcação a mercado totalizou R$ 975,3 milhões, principalmente relacionado com o ajuste do valor justo da participação na TAP de R$ 618,5 milhões e as perdas com hedge de combustível.

Normalizando pelo impacto do COVID-19 e pela depreciação média do real de 18% em relação ao ano anterior, a margem operacional seria de 14,9%, um crescimento de 1,2 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre de 2019, informa a companhia.

Por outro lado, a receita líquida subiu 10,3%, a R$ 2,8 bilhões, principalmente devido à forte demanda em janeiro e fevereiro, e ao crescimento de 12% da capacidade, afirmou no release de resultados. A Azul entrou nessa crise apresentando um aumento de sua receita unitária ajustada pela etapa média no primeiro trimestre de 2020, mesmo com a significativa expansão da capacidade antes da crise chegar no Brasil, apontou.

Entre as medidas para preservação de caixa, ela destaca que está negociando adiar os pagamentos de aluguel de aeronaves de forma que acompanhem a retomada da demanda esperada para os próximos 18 a 24 meses. “Aproximadamente 90% de nossa frota está sob arrendamento operacional, o que nos dá mais flexibilidade para trabalhar com nossos parceiros durante esse ambiente de incerteza”, afirma.

Além disso, espera reduzir suas despesas com salários em mais de 50% no segundo trimestre, informando que mais de 10.500 tripulantes aderiram ao programa de licença não remunerada da companhia, o que representa 78% do total de funcionários da Azul em 31 de março de 2020, e mostra uma adesão maior do que outros programas similares lançados por qualquer outra companhia aérea no Brasil.

Apesar do momento complicado para a companhia, o Bradesco BBI manteve sua recomendação outperform para os papéis. Segundo os analistas, o fator mais importante do resultado da Azul foi a atualização do plano de contingência.

Eles destacam que, com a rede essencial já instalada e uma margem de contribuição positiva, a empresa está começando a aumentar seu número de vôos diários de 70 para 115 (eram 950 antes de março).

“Em relação à taxa de queima de caixa, a Azul está negociando pagamentos de leasing de aeronaves, enquanto reduziu em 50% a folha de pagamento do segundo trimestre, com 10.500 funcionários em licença não remunerada mais a redução temporária de salários fixos e suspendeu todas as entregas de aeronaves”, destaca o Bradesco BBI.

Segundo os analistas, se a companhia conseguir implementar seu plano de recuperação, que envolve redução de despesas, renegociação de contratos de leasing e com fornecedores e reestruturação de dívida e pagamentos, somado ainda com a liquidez de caixa de R$ 3,1 bilhões, a Azul conseguirá superar a crise e aumentar sua lucratividade.

Contudo, vale destacar, o cenário de curto prazo segue bastante desafiador para a companhia. A agência de classificação de risco Standard & Poor’s mostrou as preocupações com a companhia ao rebaixar seu rating de B para CCC+, com perspectiva negativa.

A S&P disse que revisou as premissas para a recuperação do tráfego aéreo nos próximos anos e agora espera que as companhias aéreas brasileiras enfrentem uma contração de demanda de cerca de 50% em 2020, mantendo cerca de 40% da frota da Azul aterrada até o fim do ano, o que reduzirá os fluxos de caixa e a liquidez da empresa, diz a agência em relatório.

A agência também ressalta que a Azul possui pagamentos significativos de arrendamentos operacionais no curto prazo, o que requer discussões contínuas sobre o gerenciamento da frota para permitir o cumprimento de obrigações.

A perspectiva negativa ainda reflete possível rebaixamento adicional nos próximos 6 a 12 meses, se a recuperação mais lenta do que o esperado do setor reduzir o acesso da Azul a financiamento de longo prazo, o que poderia pressionar as negociações com locadores e outras partes interessadas, aumentando o risco de reestruturação da dívida que consideraríamos angustiado, disse a S&P.

Nesse cenário, no curto prazo, a companhia espera pela ajuda do governo ao setor, enquanto busca aos poucos retomar as suas operações. A aérea anunciou que ampliará o número de voos e destinos domésticos em junho, mesmo com redução de 80% da capacidade. A companhia realizará 168 decolagens diárias nos dias de pico, sendo que a média registrada em maio foi de 115 decolagens por dia. A empresa também anunciou que pretende voar para 57 cidades brasileiras, contra 38 em maio e 25 em abril.

JBS

Enquanto isso, a JBS passou de lucro para prejuízo no primeiro trimestre, afetada pela forte alta do dólar que atingiu sua linha financeira. A companhia teve prejuízo de R$ 5,9 bilhões entre janeiro e março, contra lucro de R$ 1,09 bilhão um ano antes.

Isso porque houve resultado negativo de R$ 8,2 bilhões na linha “variações cambiais ativas e passivas”, que também tinha ficado no vermelho, mas em “apenas” R$ 172 milhões, em igual período de 2019.

“O resultado foi impactado pela tradução da dívida em dólar para reais. Se descontamos o efeito da variação cambial, teríamos reportado um lucro de 800 milhões de reais”, disse Guilherme Cavalcanti, diretor financeiro da companhia, em teleconferência de balanço.

A receita líquida, por outro lado, subiu 27,3%, a R$ 56,5 bilhões, com destaque para JBS USA Beef (+21,8%), Pilgrim’s Pride (+33,5%), impactadas pela variação cambial, e Seara (+39%). O Ebitda ajustado, por sua vez, subiu 22,6%, a R$ 3,9 bilhões.

A JBS comentou que os efeitos da pandemia, como interrupções na cadeia de suprimentos e escassez de mão de obra “podem impactar unidades produtivas, gerando redução no processamento de proteínas, bem como impactando o preço da matéria prima”.

A empresa adotou férias coletivas entre 19 março e 9 de abril em algumas unidades, enquanto a unidade de processamento de frango da Seara em Passo Fundo (RS) teve as operações suspensas em 24 de abril. “Nesse trimestre os impactos decorrentes destas ações não são representativos nos números e indicadores consolidados e, para os futuros trimestres, ainda estão sendo apurados pelas respectivas unidades de negócio”, disse a companhia.

Com o efeito cambial, a dívida líquida foi de R$ 48,7 bilhões a R$ 57 bilhões, enquanto a alavancagem caiu de 3,2 vezes para 2,77 vezes, no comparativo anual. A companhia fechou março com R$ 18,5 bilhões em caixa.

No setor, vale destacar ainda a Marfrig, que também reverteu um lucro de R$ 4,3 milhões para prejuízo líquido contábil de R$ 136,9 milhões no primeiro trimestre de 2020. Resultado que também foi impacto pela variação cambial, de R$ 632 milhões, e baixa contábil de R$ 169 milhões dos custos de amortização dos títulos de dívida no exterior que foram recomprados no período (e que leva a um lucro ajustado de R$ 32 milhões).

Os analistas elogiaram o balanço, com a XP Investimentos destacando números fortes, com o Ebitda ajustado 10% acima da expectativa, enquanto a margem Ebitda ajustada ficou acima em 8%, principalmente devido a: (i) forte demanda nos EUA; (ii) preços mais altos e fortes exportações, especialmente para a China; (iii) ganhos de eficiência operacional e reduções de custo na América do Sul e (iv) depreciação cambial.

A JBS seguiu a mesma linha, sendo mais uma companhia que apesar dos números negativos no início de ano, teve uma visão positiva para o futuro por parte dos analistas.

Para a XP Investimentos, a JBS divulgou resultados em linha com a expectativa, mas sólidos. Seara e JBS Brasil (Friboi) foram os principais destaques, aponta, destacando manter a recomendação de compra.

Já o Bradesco BBI avaliou como positivos os resultados trimestrais da JBS, embora a empresa, a maior produtora de carnes do mundo, tenha apresentado um prejuízo maior que o esperado, devido a um forte impacto negativo nas despesas financeiras e à desvalorização do real.

“O Ebitda da JBS chegou 10% acima das nossas estimativas e a receita líquida, de R$ 56 bilhões, 1% abaixo. Notamos que a Seara no Brasil teve um forte crescimento de vendas. A marca também se beneficiou no mercado externo por causa da depreciação do real”, comentou o BBI.

“O prejuízo de R$ 5,9 bilhões chegou bem acima da nossa estimativa de R$ 1,2 bilhão, principalmente pelo impacto negativo de R$ 8,2 bilhões nas despesas financeiras”, avaliou o banco.

O Bradesco BBI mantém uma visão positiva sobre a JBS, ressaltando que as exportações da JBS cresceram 39,9% no 1º trimestre e este movimento deverá continuar no trimestre atual, por causa da crescente demanda chinesa. O Bradesco BBI reafirma a recomendação outperform – acima da média de mercado.

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Prejuízo da Petrobras é o maior de uma empresa de capital aberto, diz Economatica

(Divulgação Petrobras)

Levantamento da Economatica aponta que o prejuízo de R$ 48,5 bilhões apresentado pela Petrobras (PETR3;PETR4) em seu balanço do primeiro trimestre deste ano foi o maior já registrado no Plano Real por uma empresa de capital aberto, tanto em valores nominais quanto ajustados pela inflação. Até o momento, resultados deste trimestre de outras três empresas também compõem as 20 maiores prejuízos nominais na série histórica, na avaliação da consultoria: Suzano (SUZB3), R$ 13,4 bilhões; Azul (AZUL4), R$ 6,15 bilhões; e JBS JBSS3, R$ 5,93 bilhões.

O resultado da Petrobras foi fruto de uma baixa de R$ 65,3 bilhões no valor dos ativos da companhia, devido, principalmente à queda dos preços do petróleo do tipo Brent e a novos níveis de câmbio.

Antes, a estatal considerava que o preço médio do barril desse tipo de petróleo, que é a referência utilizada pela companhia, ficaria em US$ 65 a longo prazo. Agora, a Petrobras assume que o valor será de US$ 50 por barril. Em seu Planejamento Estratégico, a petrolífera vê o barril da commodity negociado a US$ 25 neste ano, e a US$ 30 no próximo.

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Anteriormente, o resultado do terceiro trimestre de 2015 da petroleira ocupava o posto de maior prejuízo apresentado por uma empresa de capital aberto, quando teve recuo de R$ 36,9 bilhões (R$ 43,9 bi, ajustados pela inflação) no auge da última crise econômica, antes da pandemia do novo coronavírus.

Dívida

A dívida bruta da Petrobras atingiu R$ 463 bilhões no primeiro trimestre de 2020 é a terceira maior na história da empresa, o maior valor foi registrado no terceiro trimestre de 2015, com R$ 506 bilhões, no levantamento da Economatica. A dívida total líquida entre janeiro e março deste ano foi de R$ 380 bilhões, o que também é a terceira maior historicamente, sendo superada apenas pelo terceiro trimestre de 2015, com R$ 402 bilhões.

O caixa em março de 2020 foi de R$ 83,7 bilhões, o melhor registro desde o quarto trimestre de 2015, quando a empresa tinha caixa de R$ 100,8 bilhões. A dívida de curto prazo no trimestre foi de R$ 30,8 bilhões, que é o maior valor já registrado desde o primeiro trimestre de 2016. O caixa em março de 2020 é 2,7 vezes superior a dívida de curto prazo.

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Com dólar perto de R$ 6, quais são as ações mais beneficiadas? Um setor da bolsa se destaca

SÃO PAULO – Um dos ativos financeiros que mais tem se valorizado recentemente no mercado brasileiro é o dólar.

A moeda estrangeira não parou de subir desde o início da crise do coronavírus, mas se isso é motivo para preocupação do lado dos importadores, é uma notícia muito boa para algumas ações da Bolsa, em especial as de empresas que possuem suas receitas em dólar.

Em relatório, os analistas Thiago Lofiego, Isabella Vasconcelos e Luca Brendim, do Bradesco BBI, destacam que o setor de papel e celulose é um dos melhores para o investidor que quiser capturar indiretamente o movimento do câmbio.

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“Cada dez centavos de depreciação do real implicam R$ 455 milhões a mais de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para a Suzano (SUZB3) e R$ 110 milhões para a Klabin (KLBN11)”, escrevem os analistas.

Apesar de as duas companhias também possuírem dívidas em dólar, o incremento de Ebitda e fluxo de caixa mais do que se sobrepõem ao endividamento.

A analista Betina Roxo, da XP Investimentos, lembra ainda que o preço da celulose está em alta nas últimas semanas, chegando a US$ 473 por tonelada. “Nossa estimativa segue inalterada, com o preço da celulose de fibra curta na China chegando a US$ 530 por tonelada ao final de 2020. Adicionalmente, acreditamos que o mercado deva revisar suas estimativas para o setor nesse cenário de câmbio mais elevado”, avalia.

Contudo, vale ponderar: no primeiro trimestre de 2020, a Suzano, que divulgou seu balanço na véspera, beneficiou-se com o dólar alto em suas operações. Porém, com relação à estratégia de hedge da empresa, registrou uma perda de cerca de R$ 9 bilhões na marcação a mercado de seus derivativos, como resultado do dólar acima de seus limites (strikes).  Assim, o passivo circulante da Suzano aumentou para R$ 15,3 bilhões, após a perda mencionada em derivativos (R$ 4,6 bilhões na parcela corrente).

Por outro lado, durante teleconferência, o CFO da Suzano, Marcelo Bacci, destacou: embora o resultado financeiro líquido da companhia no primeiro trimestre tenha sido uma perda de R$ 22,4 bilhões, o desembolso de caixa atingiu R$ 200 milhões. Em um cenário de dólar a R$ 6,00, a geração de caixa compensaria as despesas financeiras, resultando em ganho líquido de caixa de R$ 1,9 bilhão até o quarto trimestre.

Outra exportadora que se sai bem neste cenário é a Vale (VALE3). A equipe de análise do Bradesco calcula que a mineradora ganhe US$ 125 milhões em Ebitda para cada 10 centavos de depreciação do real.

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Isso fora que os pagamentos de indenizações e multa por conta da tragédia de Brumadinho no ano passado, que estão entre os motivos por que muitos investidores têm o pé atrás em relação à empresa, estão denominados em real, conforme explicam os analistas do banco.

Betina Roxo também vê a companhia com bons olhos, apontando que os preços do minério de ferro seguem sustentados em patamares elevados, em US$ 90 por tonelada. Ela acredita que os embarques de minério vindos de Carajás (PA) se fortaleçam no segundo semestre.

Ainda entre as recomendações do Bradesco BBI, os analistas defendem que o cenário é positivo para as siderúrgicas Gerdau (GGBR4), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5).

Entre elas, é a Gerdau quem mais se beneficia, graças aos negócios offshore da empresa, que possui fortes operações nos Estados Unidos.

O relatório do Bradesco lembra que as siderúrgicas brasileiras historicamente conseguem repassar os custos mais altos relacionados ao dólar para seus clientes locais exceto em momentos de muita fraqueza na economia.

Ainda que o momento atual seja justamente o da exceção, o cenário dos analistas ainda é otimista, pois mesmo sem repasse do aumento dos custos por conta do dólar mais alto, a Gerdau deve ter um incremento de R$ 50 milhões no Ebitda e de R$ 10 milhões no fluxo de caixa por conta do efeito positivo da apreciação da moeda americana no faturamento.

Já a CSN se beneficia do real depreciado graças à divisão de minério de ferro da companhia, algo que compensaria as margens mais comprimidas na venda de aço. Vale lembrar que em torno de 50% dos custos envolvidos na produção de aço são denominados em dólar.

No entanto, a alavancagem da empresa preocupa os analistas do Bradesco, afinal 65% da dívida da CSN é em dólar e o múltiplo dívida líquida sobre o Ebitda da companhia pode subir das 4,1 vezes registradas no final de 2019 para 5,2 vezes ao final de 2020.

A última siderúrgica analisada, Usiminas, é outra que ganha em sua operação de minério de ferro por causa do dólar mais alto, mas sofre mais que as concorrentes devido à importância da produção do aço dentro do seu negócio.

Por fim, um setor que já tem colhido na Bolsa os efeitos positivos do dólar apreciado em suas operações é o de frigoríficos. A XP ressalta que a demanda por carne é resiliente, as margens do setor são sólidas e as exportações de proteína serão muito beneficiadas pelo atual patamar do câmbio.

“Em abril, as receitas de exportações aumentaram ano contra ano principalmente para bovinos e suínos (19% e 34% em dólares, respectivamente), com preços, em dólares,mais altos e impacto positivo do câmbio, além de maiores volumes para suínos (crescimento de 17% na base anual)”, escreve Betina.

Boa notícia para JBS (JBSS3), BRF (BRFS3), Marfrig (MRFG3) e Minerva (BEEF3).

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Petrobras, Via Varejo e outras 120 empresas divulgam resultados na próxima semana

Correção: o resultado do IRB (IRBR3) foi adiado do dia 11 de maio para 18 de junho. 

SÃO PAULO – A temporada de divulgação de resultados do primeiro trimestre deste ano chega à sua última semana nos próximos dias com balanços importantes. Os mais esperados são os da Petrobras (PETR3; PETR4) e da Suzano (SUZB3) na quinta-feira (14) depois do fechamento, da Via Varejo (VVAR3) na quarta (13) e de BRF (BRFS3) na segunda-feira (11) antes da abertura da Bolsa.

Sobre a Petrobras, a equipe de análise do Itaú BBA espera um resultado mais fraco na comparação trimestral por conta dos preços mais baixos de petróleo. Na mesma linha, os analistas do Bradesco BBI entendem que a queda de 20% no valor do Brent e de 3,9% na produção da petroleira irão pesar nas demonstrações trimestrais da estatal. O único ponto que pode mitigar esses impactos é o real mais depreciado em relação ao dólar.

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“Nós estimamos um [lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] Ebitda ajustado de R$ 30,5 bilhões, o que representa uma queda de 19% na base trimestral e um aumento de 19% em relação ao primeiro trimestre de 2019, com um prejuízo líquido de R$ 3,4 bilhões por conta da variação cambial”, escreve a equipe do Bradesco.

No caso da BRF, o Itaú BBA projeta um bom resultado, favorecido pelo faturamento no Brasil e preços mais altos das exportações, enquanto a Suzano também deve ter um balanço positivo diante da forte demanda em meio ao surto do coronavírus e a depreciação do real.

Na segunda, além de BRF, são esperados os resultados de Eletrobras (ELET3; ELET6), Itaúsa (ITSA4), Carrefour (CRFB3), Cosan (CSAN3), Rumo (RAIL3) e outras grandes empresas.

Já na terça, é a vez de BR Distribuidora (RAIL3), Braskem (BRKM5), Embraer (EMBR3) e outras 12 companhias.

Na quarta-feira (13), além de Via Varejo, também divulgam os balanços Hapvida (HAPV3), Pão de Açúcar (PCAR3), Ultrapar (UGPA3) e outras.

Quinta-feira, dia do balanço da Petrobras, será o mais pesado da agenda, com um total de 42 empresas divulgando resultados. Dessas, destacam-se Azul (AZUL4), B3 (B3SA3), BR Malls (BRML3), Bradespar (BRAP4), Centauro (CNTO3), CPFL (CPFE3), CSN (CSNA3), CVC (CVCB3), Cyrela (CYRE3), JBS (JBSS3), Localiza (RENT3), Marfrig (MRFG3), Oi (OIBR3), Petro Rio (PRIO3), Sabesp (SBSP3), e Taesa (TAEE11).

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Por fim, na sexta-feira (15), os destaques são CCR (CCRO3), Cemig (CMIG4), Cogna (COGN3) e Fleury (FLRY3).

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Comprando ações no “dia em que a Terra parou”

No auge da década de 70, o cantor e compositor baiano Raul Seixas, um dos precursores do Rock Nacional, perseguido político na Ditadura Militar e um dos grandes ‘gênios’ que o país já teve, lançou a música “O dia em que a terra parou”. Não é tão difícil viajar nas músicas dele, mas essa, em especial, é no mínimo curiosa diante dos tempos difíceis que estamos vivendo. Observe como os versos rimam com os dias atuais:

Sendo ele profeta ou não, a verdade é que no mundo todo, empregado, patrão, pobre, rico, branco, preto ou amarelo, todos estão sofrendo com a situação. Algumas cidades do Brasil, felizmente, ainda não foram atingidas pela ‘peste invisível’, mas a observarmos por São Paulo, coração financeiro do Brasil, o fluxo de pessoas nas ruas diminuiu consideravelmente diante da exponencial capacidade de transmissão do vírus. A Europa passa por uma crise sem precedentes após o surto pegar em cheio vários de seus países e, principalmente, a Itália. Nos EUA, à medida que o vírus se alastra, Nova York parou.

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Diferentemente do que Raul Seixas ‘profetizou’, não é que as pessoas combinaram de não sair de casa, elas simplesmente são obrigadas a não saírem. Essa crise já está sendo considerada uma das piores senão a pior que o mundo já enfrentou, uma vez que não envolve somente riscos financeiros, mas sim riscos relacionados à saúde das pessoas, o que deixa muita gente preocupada e com medo.

Em entrevista à CNBC, Ray Dalio, gestor da Bridgewater Associates, o maior Hedge Fund do mundo, soltou: “o que está acontecendo nunca aconteceu em nossa vida antes. O que aconteceu foi que [a crise] não veio dos lugares habituais, ela não veio da maneira convencional que as viradas costumar vir”. Nem Dalio, muitas vezes citado em nossos Ricos Matinais, se salvou nessa crise: seus fundos chegaram a perder 20% neste ano.

No Brasil, o rápido aumento no número de casos de coronavírus já tem provocado o ‘efeito shutdown’, com fechamento de escolas, eventos, shoppings e comércios.

Diante dessa difícil realidade e visto que ao longo da semana falamos com vocês sobre os motivos para comprar bolsa ‘aos poucos’, traremos a seguir uma análise detalhada sobre o que olhar em uma empresa e as peculiaridades de cada setor nesse momento. A análise foi extraída do relatório setorial completo feito pela XP Investimentos nessa semana.

Ok, quero comprar uma ação, qual eu escolho?

Você não está comprando só um pedaço de papel, atrás de uma ação existe uma empresa. Muitas ações caíram entre 60 e 80%, mas saiba o que essa empresa faz e como ela pode ser impactada pelo coronavírus. Veja a seguir como os impactos econômicos gerados pela paralisação de muitas atividades e restrições na circulação de pessoas e mercadorias, afetam os principais setores da bolsa:

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(i) companhias aéreas: seja a turismo ou a trabalho, a verdade é que as pessoas estão sendo obrigadas a não viajarem. Como a maior parte dos custos dessas companhias é fixo, ou seja, dívidas foram tomadas, aviões comprados e os funcionários contratados, a não ocorrência de viagens continuará corroendo o caixa da empresa. Para piorar, a forte alta do dólar, que nessa semana furou a barreira dos R$ 5,10 prejudica o setor visto que 35% do custo das aéreas é dolarizado. Sem ganhar dinheiro e tendo em vista que elas têm conta para pagar, o cenário pode ficar caótico. Calibre o risco que o setor trará com o tamanho da participação que você destinará a ele dentro da sua carteira.

(ii) varejo: em momentos como esse as pessoas priorizam o consumo básico em detrimento de gastos que podem ser postergados (compra de geladeiras, celulares, móveis, roupas por exemplo), além do que a própria redução do tráfego nas lojas diminui o número de vendas. Com o mundo fechando as fronteiras e restringindo viagens, podemos ter eventuais problemas no abastecimento das lojas, em função de possíveis rupturas na cadeia de suprimento de algumas indústrias (especialmente eletrônicos). Por outro lado, o varejo farmacêutico ganha relevância, principalmente pela busca por itens básicos de saúde (remédios e produtos de higiene pessoal). Empresas mais expostas ao e-commerce podem passar com menores sustos pelo caminho.

(iii) bancos: a solidez do setor bancário, que está capitalizado, faz dele defensivo em cenários de estresse. Contudo, são eles que fornecem crédito às empresas pequenas, médias e grandes. Se o Brasil para, as empresas postergam investimentos impactando assim a expansão da carteira dos bancos com o risco de muitas empresas não honrarem seus pagamentos. Além disso o menor consumo também leva a uma desaceleração nas receitas de serviços tais como conta corrente, anuidade de cartões, transferências e adquirência.

(iv) energia elétrica e saneamento básico: o impacto do coronavírus nesses segmentos é marginal, uma vez que são bens que todos continuarão consumindo mesmo em quarentena. É claro que se as grandes fábricas, shoppings e aeroportos fecharem, o setor será impactado, mas enxergamos eles entre os que menos serão impactados em suas operações pela pandemia do coronavírus, tendo em vista que suas receitas são reguladas. No caso dos setores de geração e transmissão de energia, as receitas praticamente não estão ligadas à atividade econômica. Já no caso da distribuição, poderia haver algum impacto caso houvesse interrupção das atividades dos setores comercial e industrial, embora não acreditemos que esse ainda seja o caso.

(v) commodities: é o setor que mais sofre com a perspectiva de queda do crescimento econômico global, justamente porque são as empresas que fornecem os insumos para o crescimento. Podemos separá-lo em diferentes segmentos: petrolífero, mineração, frigoríficos, celulose. Como o preço da commodity independe da sua análise (vide o que aconteceu com o petróleo após a Arábia Saudita oferecer desconto e dizer que elevará a sua produção) o peso dela dentro da sua carteira deve estar ajustada ao risco que você quer correr.

Agora que você sabe como os setores serão impactados, é fundamental que você escolha empresas que vão conseguir superar a crise. Para aumentar as suas chances de acerto, é importante se atentar ao endividamento e necessidade de pagamento (ou liquidez) de cada empresa separadamente. Vamos aos três principais indicadores de sustentabilidade financeira:

1) Níveis de alavancagem

O nível de rentabilidade e resultado operacional das empresas melhorou bastante nos últimos anos: no relatório, a XP traz que “desde 2015, as empresas do Ibovespa tiveram uma redução de endividamento superior a 7,0 dívida liquida/EBITDA (baixos preços de commodities pressionaram esse índice) para 2,5x atualmente. Mais precisamente, a partir de 2016 com a queda dos juros e a melhora gradual econômica e a recuperação das commodities, as margens operacionais (EBITDA) das empresas do Ibovespa melhoraram de 12% em 2015 para 22% em 2019”.

Contudo, em um cenário de queda abrupta no consumo e forte recuo dos preços de algumas commodities que deverão impactar a geração de caixa das empresas e consequentemente o pagamento de suas dívidas, acreditamos que os níveis de endividamento devem aumentar nos próximos meses.

Veja como exemplo Suzano e Klabin, que são empresas de endividamento elevado. Nos próximos dois anos Suzano tem R$ 9 bilhões em vencimentos de dívida (com caixa de R$12,5 bilhões) e Klabin tem R$3 bilhões em vencimentos (com caixa de R$9,7 bilhões);

2) Liquidez Corrente

O segundo risco é de uma menor capacidade de honrar pagamentos de dívidas com vencimento para 2020 e 2021. “Neste ponto, vale observar individualmente as empresas que apresentam caixa menor do que o montante a ser pago da dívida no curto prazo, dado que a capacidade de geração de caixa e flexibilidade de pagamentos são pontos positivos nesse cenário e variam para cada uma. Isso pode levar a condições piores de refinanciamento (rolagem) dessas dívidas, dado as condições mais difíceis no mercado de crédito.”, diz o relatório

Vamos lembrar que as grandes empresas listadas em bolsa dificilmente devem vir a ter problemas de liquidez e refinanciamento das suas dívidas. Esse risco potencialmente será maior para companhias privadas e menores, que têm acesso mais restrito ao mercado de crédito. Isso até poderia fazer as empresas listadas ganharem participação de mercado num cenário mais complexo de crédito.

A seguir, seguem dois exemplos dentro do setor de varejo: Magazine Luiza, com exposição relevante no segmento online (50% das vendas totais), e Via Varejo, com maior exposição ao varejo físico (mais impactado).

Magazine Luiza: com índices de alavancagem (Dívida Líquida/Ebitda) negativo de -3,0x, ou seja a Magalu tem 3x o seu Ebitda em caixa, é a empresa com o balanço mais sólido do setor, com uma posição de caixa líquido de R$ 3,9 bilhões.

Via Varejo: apesar do índice de alavancagem relativamente baixo (0,7x), a empresa possui cerca de R$ 1,7 bilhão em dívidas bancárias vencendo no curto prazo e uma posição de caixa de R$ 1,4 bilhão. Porém, no 3T19 ela tinha uma posição de recebíveis de cartão de crédito no valor de R$ 1,4 bilhão, que podem ser descontados e gerar liquidez imediata para a companhia, sendo superior as dívidas de curto prazo. Além disso, ressaltamos que a companhia apresenta outros passivos no montante de R$ 4,4 bilhões, dos quais R$1 bilhão é referente a fornecedores convênio e R$3,4 bilhões a passivos de carnê. Existem também contrapartidas equivalentes no ativo via estoque e contas a receber, mas veja que a situação é mais delicada do que a de Magazine Luiza.

3) Dívidas em dólares

O dólar em forte alta pressiona ainda mais empresas com endividamento ou custos atrelados à moeda. Mesmo as companhias que são exportadoras tendem a sofrer no curto prazo já que o balanço é ajustado com o câmbio de fechamento de trimestre, enquanto o fluxo de receitas demora até se ajustar ao novo patamar cambial.

Por exemplo, o setor aéreo, conforme dissemos na parte setorial:

Parte relevante das obrigações de companhias aéreas consiste em contratos de arrendamento de aviões, que por sua vez possuem um prazo atrelado à vida dos jatos e pagamentos de periodicidade anual. Essas obrigações são denominadas em dólar. Sem considerar o efeito do hedge (proteção), praticamente a totalidade da dívida das companhias, entre arrendamento e empréstimos, é atrelada ao dólar.

Elas podem ‘quebrar’? Sim, não à toa ambos Azul e Gol caem quase 80% no ano, embora a alavancagem de ambas esteja controlada (Azul 3,3x e Gol 2,4x) quando comparadas a 2015 (Gol bateu 11x), caso a demanda cesse por completo, os custos fixos e as dívidas podem tornar a operação de ambas inviáveis. Será que as autoridades deixariam isso acontecer um ano após a quebra da Avianca, outra cia do setor? Acho difícil, mas vamos aos números. No final de 2019, a Azul possuía uma dívida bruta de R$ 15,6 bi, caixa e aplicações de R$ 1,7 bi ou R$ 4,3 bi se somarmos contas a receber e aplicações de longo prazo. Entre 2020 e 21, o montante a pagar entre arrendamentos e amortizações somava ~37% da dívida total. Já a Gol possuía uma dívida bruta de R$ 15,0 bi, caixa e aplicações de R$ 2,9 bi ou R$ 4,3 bi se somarmos contas a receber e aplicações de longo prazo. Entre 2020 e 21, o montante a pagar entre arrendamentos e amortizações somava ~42% da dívida total.

Uma frase (meio trágica, mas real) que ouvi de um gestor e se encaixa no caso das aéreas: “Você não precisa correr mais rápido do que o leão, você precisa correr mais rápido que a pessoa que está correndo do leão”.

O texto ficou longo, mas o recado final que eu gostaria de falar é: se você souber o que está comprando e os riscos embutidos, a chance de sua carteira de ações passar imune a essa situação apocalíptica é grande.

Lembrando de uma frase muito dita pelo Florian Bartunek, da Constellation: “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”.

Presidente da Suzano critica Bolsonaro e prevê desmatamento catastrófico da Amazônia

(Bloomberg) — Existem poucos líderes empresariais no Brasil tão críticos sobre o meio ambiente quanto Walter Schalka, presidente da maior produtora mundial de celulose. O executivo tem uma previsão sombria para a Amazônia: o desmatamento vai aumentar este ano.

“Vai ser catastrófico”, disse Schalka, presidente da Suzano, em entrevista em Nova York. “Vai ser ainda pior do que no ano passado.”

A total extensão das recentes queimadas ainda não é conhecida porque o desmatamento de uma área é um processo que leva alguns anos para ser concluído, disse Schalka, que criticou o presidente Jair Bolsonaro por não fazer cumprir a legislação contra a extração ilegal de árvores e queimadas em 2019 que provocaram protestos em vários países.

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Schalka disse que o governo deveria ser mais agressivo. “Não acho que estejam favorecendo o desmatamento, mas não estão criando condições para evitá-lo.”

Os alertas de desmatamento na Amazônia brasileira quase dobraram para um recorde em janeiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A taxa anual de desmatamento registrou o maior salto em mais de uma década no período de 12 meses encerrado em julho, de acordo com os dados mais recentes disponíveis.

Pouco menos de 10 mil quilômetros quadrados de floresta foram derrubados nesse período, 30% a mais do que nos 12 meses anteriores.

A Amazônia, com 5 milhões de quilômetros quadrados, é um grande repositório de dióxido de carbono e desempenha papel fundamental no combate contra as mudanças climáticas. A floresta também abriga 10% de todas as espécies vegetais e animais conhecidas. E, nas últimas quatro décadas, a Amazônia perdeu cerca de 18% de seu território, segundo o Greenpeace.

Schalka, que tem falado abertamente sobre mudanças climáticas e desigualdade no Brasil, disse que o país deveria monetizar a preservação da floresta por meio da venda de créditos de carbono. Se o Brasil conseguisse conter a destruição desenfreada da Amazônia, o país seria capaz de “capturar” gases de efeito estufa e vender licenças que nações e empresas negativas em carbono poderiam comprar para compensar suas emissões.

‘Enorme oportunidade’

Embora isso seja visto em alguns setores como um plano impraticável, Schalka disse que “não tem dúvidas” de que um sistema de captação e comércio de carbono será implementado mais cedo ou mais tarde como parte das iniciativas internacionais para combater a mudança climática, o que cria uma “enorme oportunidade” para o Brasil. E também para a Suzano, que destaca suas credenciais ecológicas a investidores em todo o mundo.

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A empresa planta por dia cerca de 80 mil árvores de eucalipto a mais do que derruba para abastecer suas fábricas de papel e celulose. Um eucalipto pode capturar cerca de 167 kg de carbono até que esteja pronto para ser colhido em sete anos, o que faz da Suzano uma empresa negativa em carbono, de acordo com Schalka.

Embora a Suzano normalmente plante árvores em áreas usadas anteriormente como pastagens, a empresa não monitora o impacto indireto que sua expansão possa ter no desmatamento, uma vez que a criação de gado é deslocada e potencialmente levada a novas fronteiras.

Ainda assim, a Suzano pode aumentar o sequestro de carbono em cerca de 30% na próxima década, para 40 milhões de toneladas por ano – o equivalente a retirar 2,5 milhões de carros das ruas -, principalmente por meio do plantio de árvores para apoiar o crescimento da empresa.

“Queremos monetizar isso para o futuro”, disse Schalka.

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Dividendo de quase R$ 1 por ação do Itaú, lucro da Suzano e mais destaques do pós-fechamento

SÃO PAULO – O mercado fechou, mas as notícias continuaram circulando na noite desta quarta-feira (12). Em destaque, o Itaú Unibanco (ITUB4) aprovou a distribuição de dividendos de quase R$ 1 por ação a seus acionistas, a Suzano (SUZB3) apresentou um lucro de R$ 1,175 bilhão e a Guararapes (GUAR3) fechou um acordo com uma loja dos Estados Unidos para comercializar produtos de vestuário infantil.

Confira o que saiu de mais importante no after-market desta quarta

Itaú Unibanco (ITUB4)

O Conselho de Administração do Itaú Unibanco (ITUB4) aprovou o pagamento em 6 de março de dividendos no total de R$ 0,4832 por ação.

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O banco também pagará R$ 0,5235 por ação em juros sobre o capital próprio (JCP), que com a retenção de 15% de Imposto de Renda significam R$ 0,444975 por papel.

Por fim, o conselho do Itaú ainda decidiu que os R$ 0,037560 por ação em JCP aprovados em 28 de novembro do ano passado também serão pagos em 6 de março.

Ou seja, ao todo, os acionistas do banco receberão R$ 0,960101 por ação nessa data. Com 5,126 bilhões de ações em circulação, isso corresponde a uma distribuição total de R$ 4,921 bilhões.

A data “com” dos proventos é o dia 20 de fevereiro, de modo que só terá direito a receber os dividendos e JCP quem tiver ações do Itaú em carteira no fechamento do pregão do dia 20. A partir do dia 21 os papéis do banco serão negociados “ex-proventos”, ou seja, sem o direito ao benefício.

A maior fabricante de papel e celulose do Brasil teve um lucro líquido de R$ 1,175 bilhão no quarto trimestre de 2019, queda de 61% sobre o resultado do mesmo período do ano anterior. A expectativa dos analistas compilada no consenso Bloomberg era de um lucro de R$ 1,079 bilhão. No ano, a empresa teve prejuízo de R$ 2,815 bilhões, ante R$ 2,736 bilhões previstos.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia foi de R$ 2,465 bilhões nos últimos três meses do ano passado, número 31% menor que o do ano anterior. A expectativa dos analistas era de um Ebitda de R$ 2,511 bilhões.

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Por fim, a receita líquida atingiu R$ 7,049 bilhões no último trimestre do ano passado, uma queda de 3% ante os três últimos meses de 2018, mas acima das projeções de R$ 6,498 bilhões de faturamento anual.

Guararapes (GUAR3)

A Guararapes (GUAR3), controladora da Riachuelo, fechou um contrato para vender as roupas da marca Carter’s no Brasil pelos próximos dez anos. A Carter’s é uma empresa americana que se especializou na comercialização de roupas infantis.

Fornecedora de soluções de informática para empresas, a Totvs (TOTS3) teve um lucro líquido ajustado de R$ 71,3 milhões no quarto trimestre de 2019 (alta de 107,8% contra o mesmo período de 2018) e de R$ 252,1 milhões em 2019, um crescimento de 83,9% sobre 2018.

O Ebitda da companhia foi de R$ 118,3 milhões no quarto tri e de R$ 469,7 milhões no ano, altas de 51,5% e de 35,4% respectivamente na base anual.

A receita líquida foi de R$ 579,3 milhões nos últimos três meses de 2019, um crescimento de 7,5% sobre o quarto trimestre de 2018.

A Totvs ainda propôs o desdobramento de suas ações de três para uma. A Assembleia Geral Extraordinária para decidir sobre a mudança está marcada para o dia 27 de abril.

Fabricante de painéis, louças e metais sanitários, a Duratex (DTEX3) teve um lucro recorrente no quarto trimestre de R$ 157,8 milhões, Ebitda ajustado de R$ 278,3 milhões (contra projeções de R$ 279,5 milhões) e receita líquida de R$ 1,49 bilhão. A expectativa dos analistas era que a empresa tivesse uma receita de R$ 1,39 bilhão no período.

Em todo o ano de 2019, a receita da Duratex foi de R$ 5,01 bilhões e o lucro de R$ 405,6 milhões.

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Carteira gráfica da XP troca duas ações nesta semana; confira as mudanças

Acompanhamento de ações no celular (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – A XP Investimentos divulgou nesta segunda-feira (10) a “Top Picks”, sua carteira semanal de análise gráfica, para o período de 7 a 14 de fevereiro, e a opção foi por trocar dois dos papéis do portfolio.

Saíram as ações de Minerva (BEEF3) e CCR (CCRO3), que perderam suportes importantes, e entraram São Martinho (SMTO3) e Suzano (SUZB3).

De acordo com Gilberto Coelho, o Giba, analista responsável pela carteira, a ação da São Martinho está acima da média móvel de 21 dias, projetando altas até os patamares de R$ 29,00 ou R$ 33,00. Os suportes do papel estão localizados nos níveis de R$ 24,84 e R$ 23,52, tornando-se bons pontos para o investidor colocar “stop loss“.

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Já a ação da Suzano teria atingido boas regiões de suportes entre R$ 37,90 e R$ 35,88, favorecendo a busca de níveis de preços em R$ 42,00 ou R$ 45,30.

O analista desde o fim de dezembro passou a calcular a rentabilidade da carteira entrando nas ações no leilão das sextas-feiras, em vez de fazê-lo às segundas.

Divulgada semanalmente, a carteira Top Picks XP é composta por cinco ativos, tendo cada um peso de 20%. A seleção busca retorno a curto prazo, alinhando fluxo e movimentação das ações ao cenário político e macroeconômico.

O objetivo é de que a média do retorno dos ativos supere o Ibovespa ao fim da semana.

Desempenho

Na semana, a carteira Top Picks caiu 0,76%, ante uma alta de 0,86% do Ibovespa.

As ações da CCR tiveram as maiores perdas do portfolio, caindo 3,29%, enquanto Minerva caiu 2,93%. As outras ações da carteira registraram ganhos na semana. Itaú subiu 2,26%, Hapvida teve leves ganhos de 0,13% e Cogna valorizou em 0,52%.

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Confira, abaixo, as recomendações para esta semana. Para investir nelas, clique aqui e abra uma conta gratuita na XP.

Suzano anuncia investimentos de R$ 4,4 bi em 2020

A Suzano anunciou um plano de investimentos de R$ 4,4 bilhões para o ano de 2020, que serão aplicados em manutenção e expansão de seus negócios.

Segundo a companhia, R$ 3,6 bilhões irão para manutenção, e os projetos de expansão e modernização terão desembolso de aproximadamente R$ 300 milhões.

Além disso, a Suzano vai investir mais R$ 400 milhões em aquisição e/ou formação de terras e florestas. E os projetos em andamento nos portos em São Paulo e Maranhão movimentarão aproximadamente R$ 100 milhões em pagamentos no decorrer de 2020.

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Além dos investimentos, a Suzano anunciou que passa a gerir, por meio de subsidiárias, aproximadamente 100 mil hectares de terras e uma Licença de Instalação para uma fábrica de celulose, com capacidade anual de até 2,2 milhões de toneladas, na região de Ribas do Rio Pardo, em Mato Grosso do Sul.

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