Suzano reverte prejuízo e tem lucro de R$ 10 bilhões e Ebtida recorde no 2º trimestre

Fábrica da Suzano Papel e Celulose (divulgação)

SÃO PAULO – A companhia de papel e celulose Suzano (SUZB3) registrou lucro líquido de R$ 10,036 bilhões no segundo trimestre deste ano, revertendo o prejuízo de R$ 2,052 bilhões apresentados um ano antes.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado, por sua vez, teve uma alta de 42% na comparação anual, para R$ 5,941 bilhões. Segundo a companhia, o resultado foi recorde nessa linha.

Analistas, porém esperavam que a Suzano reportasse Ebitda de R$ 6,66 bilhões, em média, segundo dados da Refinitiv.

Já a receita líquida de vendas da empresa ficou em R$ 9,844 bilhões entre abril e junho, um avanço de 23% ante os R$ 7,995 bilhões registrados um ano antes.

O desempenho foi apoiado em um aumento no preço médio da celulose de 35% sobre o segundo trimestre do ano passado, para US$ 636 a tonelada. Além disso, o preço médio do papel cresceu 9% na mesma comparação, para US$ 4.731 a tonelada.

Em seu release, a Suzano destacou que no segundo trimestre “foi observada a continuidade do bom desempenho do preço da celulose, suportado por fundamentos favoráveis tanto pelo lado da oferta quanto pela demanda, tendo o final do trimestre sido marcado por sinais de arrefecimento sobretudo na China dada a aproximação do período de maior sazonalidade”.

Esse cenário, combinado com um câmbio médio desvalorizado contribuíram para para o Ebitda ajustado fosse recorde, assim como a geração de caixa operacional de R$ 4,9 bilhões.

A companhia registrou um resultado financeiro positivo de R$ 9,74 bilhões, revertendo saldos negativos apurados no início do ano e no segundo trimestre do ano passado. Isso deveu-se a um resultado positivo de variação cambial da ordem de R$ 6,9 bilhões entre abril e junho, além de resultado também positivo de R$ 3,7 bilhões em operações com derivativos.

(Com Reuters)

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Carteira gráfica da XP tem 3 das 5 ações trocadas esta semana; veja as mudanças

(Pixabay)

*Notícia atualizada às 14h34 (horário de Brasília) para atualização de informações. 

SÃO PAULO – A XP divulgou a “Top Picks”, sua carteira semanal de análise gráfica, para o período de 25 de junho a 2 de julho. Para esta semana foram trocados três dos cinco ativos do portfolio.

Saíram Cyrela (CYRE3), Locaweb (LWSA3) e Multiplan (MULT3) para a entrada de Suzano (SUZB3), Usiminas (USIM5) e Assaí (ASAI3).

Segundo Gilberto Coelho, o Giba, analista técnico responsável pela carteira, as ações da Suzano passam a fazer parte do portfolio porque fecharam a semana com engolfo de alta após uma série de baixas, o que sugere um teste dos R$ 65,00 ou dos R$ 73,00. O suporte para colocar stop loss fica em R$ 55,25.

Já Usiminas entra por ter retomado a tendência de alta no curto prazo com projeções de chegar aos níveis de R$ 20,50 ou R$ 24,00. Os suportes estão nos patamares de R$ 17,50 e R$ 15,75.

Por fim, os papéis do Assaí foram incluídos por estarem em tendência de alta com projeções por Fibonacci de chegar em R$ 91,30 ou R$ 106,00. O suporte fica nos R$ 81,23.

Divulgada semanalmente, a carteira Top Picks XP é composta por cinco ativos, tendo cada um peso de 20%. A seleção busca retorno a curto prazo, alinhando fluxo e movimentação das ações ao cenário político e macroeconômico.

Giba calcula a rentabilidade da carteira entrando nas ações no leilão das sextas-feiras. O objetivo é de que a média do retorno dos ativos supere o Ibovespa ao fim da semana.

Desempenho

Na semana passada, a carteira Top Picks caiu 3,57% (segundo cotação de fechamento da sexta-feira passada), enquanto o Ibovespa teve uma desvalorização de 0,9%.

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As maiores quedas no portfolio foram dos papéis de Cyrela e Multiplan, que recuaram 5,38% e 6,68% respectivamente.

Já as ações da Hapvida caíram 1,03% e os papéis da Intermédica recuaram 1,87%. As ações da Locaweb terminaram em desvalorização de 2,88%.

No ano de 2021, a Top Picks sobe 8,93% ao mesmo tempo em que o benchmark da B3 tem alta de 8,2%.

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Confira, abaixo, as recomendações para esta semana:

Empresa Ticker Peso
Grupo Notre-Dame Intermédica GNDI3 20%
Hapvida HAPV3 20%
Suzano SUZB3 20%
Usiminas USIM5 20%
Assaí ASAI3 20%

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Preços mais baixos de celulose acendem alerta, mas ainda há oportunidades em ações de Suzano, Klabin e Irani?

SÃO PAULO – Além da queda do dólar – que fechou na véspera abaixo dos R$ 5 pela primeira vez em um ano – afetar as ações do setor de papel e celulose, uma vez que são companhias exportadoras, o cenário sobre as commodities também não contribui favoravelmente para a tese de investimentos nas empresas.

As sinalizações de estabilidade nos preços da celulose em junho e provável queda em julho devido à menor demanda chinesa durante o verão mostram que o produto, junto com o papel, deve tomar um caminho oposto ao das demais commodities que, ainda que bastante voláteis (como é o caso do minério) por conta da atuação do gigante asiático para conter a especulações, seguem em patamares bastante surpreendentes.

O primeiro sinal sobre isso veio da empresa chilena Arauco, que ocupa o segundo lugar global na produção de painéis de madeira MDF. A companhia anunciou recentemente que os preços de celulose ficarão estáveis em junho na China e seu pinheiro radiata branqueado fibra longa permanecerá em US$ 980 por tonelada.

E segundo os analistas Carlos De Alba, Eduardo Bordalo e Jens Spiess, do Morgan Stanley, a empresa já sinalizou também que os preços da celulose podem cair ligeiramente em julho por conta de motivos sazonais.

Já o Bank of America destacou que o Conselho de Produtos de Papel & Celulose (PPPC, na sigla em inglês) reportou que os embarques globais de celulose caíram 6,5% em abril na comparação com o mesmo período do ano passado.

“Nós estávamos prevendo um 2021 mais devagar do que foi 2020 (0,5% de aumento no ano), porém as tendências no acumulado do ano estão piores do que os nossos modelos previam”, alertam os analistas do banco americano.

Para eles, conquanto os estoques dos produtores ficaram estáveis nos positivos níveis de 36 dias de oferta no mês de abril, recentemente foi vista alguma erosão nos dados de precificação semanal.

As informações acenderam o sinal de alerta para os analistas que cobrem o setor. Como consequência, diversos relatórios foram escritos traçando perspectivas para as empresas de capital aberto que atuam na produção de papel e celulose.

Em um desses relatórios, os analistas Caio Ribeiro e Gabriel Galvão, do Credit Suisse, dizem que depois de uma alta de 56% e 46% no ano, os preços de hardwood (em uma tradução literal “madeira dura”, ou celulose de fibra curta) e de softwood (em tradução literal madeira macia, ou de fibra longa) atingiram um pico nos US$ 780 e US$ 980 por tonelada respectivamente.

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A fibra curta tem maior capacidade absorvente e é usada normalmente a produtos menos rígidos, como papel para impressão e para escrever e papéis tissue (papel higiênico, lenços faciais, guardanapos, entre outros). A fibra longa é mais resistente e utilizada na fabricação de embalagens.

“Com os produtores de papel na China agora enfrentando problemas de lucratividade (principalmente em produtos tissue) e consequentemente a produção caindo em uma tentativa de reduzir os estoques e prevenir a erosão de preços, nós vemos poucos motivos para as cotações da celulose crescerem nos próximos meses”, avalia a equipe do banco.

O Credit Suisse lembra que as empresas de tissue na China estão operando abaixo de 50% da capacidade e compreendem de 40% a 45% da demanda por celulose no mercado, o que representa um desafio do ponto de vista da demanda.

Do lado da oferta, o quarto trimestre de 2021 trará o início das operações da usina de Bracell, que poderá acrescentar 2,1 milhão de toneladas de fibra curta, e o projeto MAPA, da Arauco. Esse fornecimento adicional, de acordo com os analistas, deve reduzir a taxa de operação para 89% entre 2022 e 2025.

“Acreditamos que a combinação desses fatores deve começar a gerar pressão de preços na celulose durante o terceiro trimestre, movimento que irá se acelerar no quarto trimestre e durará até 2023, com os valores de fibra curta convergindo para o suporte da curva de preços em US$ 550 por tonelada em 2022 e a fibra longa caindo a US$ 720 por tonelada”, escrevem.

Análises divergentes para as empresas do setor

Apesar desse cenário negativo, o Credit Suisse segue com recomendação de compra para duas ações do setor: Suzano (SUZB3) e Irani (RANI3) são as top picks, ou seja, as ações preferidas dos analistas dentro do setor. As duas possuem recomendação outperform (desempenho esperado acima da média do mercado) porque os investidores já teriam precificado em suas cotações um cenário de fibra curta a US$ 500 ou US$ 550 em 2022.

De acordo com Ribeiro e Galvão, é possível enxergar para a Suzano um grande potencial de valorização em uma perspectiva de longo prazo, especialmente se for levado em consideração o projeto Cerrado, que pode adicionar R$ 10,10 por ação em valor presente líquido. No final de maio, o preço-alvo das SUZB3 foi elevado de R$ 86,50 para R$ 92,00, o que corresponde a uma valorização de 57,26% sobre o patamar de fechamento na segunda-feira (21).

Já para a Irani, os analistas veem uma estabilização na demanda de papel para embalagem e aumentos de preços de dois dígitos, o que compensa as pressões dos Recipientes de Papelão Ondulado Antigo (OCC, na sigla em inglês) e preserva o forte impulso de ganhos. O preço-alvo das RANI3 foi elevado de R$ 9,31 para R$ 10,10, o que equivale a uma alta de 8,49% sobre o fechamento de ontem.

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Confira abaixo o compilado de recomendações para as ações de empresas de papel & celulose de acordo com dados compilados pela Refinitiv

Empresa Ticker Recomendações de compra Recomendações neutras Recomendações de venda Preço-alvo médio Variação até o preço-alvo
Klabin KLBN11 12 2 0 R$ 34,96 +33,69%
Suzano SUZB3 9 3 1 R$ 87,67 +49,86%
Irani RANI3 3 0 0 R$ 9,37 +0,64%

A Klabin (KLBN11), por outro lado, tem recomendação neutra no Credit Suisse com preço-alvo inalterado em R$ 31,50, o que representa um upside de 20,46% ante a última cotação da véspera. A disparidade nas perspectivas é atribuída a um valuation mais caro nas units da companhia, uma vez que o múltiplo valor de mercado (Preço) sobre Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da Klabin é estimado em 8,2 vezes, contra 5,8 vezes no caso da Suzano.

Por outro lado, outras casas de análise veem Klabin mais atrativa frente a Suzano. O Morgan Stanley enxerga um múltiplo Preço/Ebitda de 8,3 vezes para a Klabin e traz um cenário a monitorar com uma possível surpresa positiva e dois possíveis riscos. Do lado benigno, preços de celulose e kraftliner acima do esperado ou um real mais fraco por mais tempo, poderiam melhorar os resultados da Klabin acima do cenário base e apoiar suas ações.

Os riscos, por sua vez, são de fracasso da companhia em entregar projetos adicionais de crescimento e demanda abaixo do esperado pelos produtos da Klabin ou preços menores, que podem resultar em lucratividade reduzida. A recomendação do Morgan para a Klabin é overweight (exposição acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 38 (ou alta de 44,5% frente o último fechamento).

Para a Suzano, o múltiplo estimado Preço/Ebitda é de 6,5 vezes, com possibilidade de valorização caso a demanda chinesa por celulose cresça nos próximos 12 a 18 meses. O risco é de apreciação do real em meio à melhora nas condições políticas do país. A recomendação é equalweight (exposição em linha com a média do mercado), ainda que com preço-alvo de R$ 85 (com um potencial de alta um pouco maior frente Klabin, de 44,8%).

Já o Bank of America rebaixou recentemente a recomendação da Suzano de compra para neutra sob a justificativa de que os “catalisadores para o mercado de celulose se esgotaram, por ora”.

De acordo com os analistas do banco, quando os preços de celulose atingiram seu pico em abril esperava-se por fortes lucros da Suzano, por anúncios relevantes no Investor Day e por novos catalisadores na conferência de mercados emergentes do BofA. Nada disso se concretizou.

“Os lucros foram menores do que se antecipou e os dados da indústria não ofereceram surpresas positivas. As discussões do Investor Day, inclusive a nova posição de custos do projeto Ribas, foram positivas, mas isso acabou descontado porque os catalisadores ESG [governança corporativa, social e ambiental, na sigla em inglês] discutidos permanecem no longo prazo. Por fim, os comentários na conferência do BofA foram consistentes no sentido que a China está estável, porém é improvável que vejamos novos aumentos de preço hoje, uma vez que os mercados de lenços estão em compasso de espera”, escreve a equipe do banco americano.

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Soma-se a isso o efeito cambial, pois o real acabou tendo um desempenho melhor que o esperado.

Por outro lado, o BofA manteve a recomendação de compra para a Klabin por questões de valuation. “É difícil que as ações tenham uma performance melhor que a média do mercado até que a fibra curta aumente de preço, mas considerando o valuation e nossa projeção de um gradual declínio nos valores da celulose, as units devem permanecer estáveis.”

A opinião da equipe do banco é que a tendência doméstica e global para painéis continue muito forte, o que justificaria uma recomendação de compra para as KLBN11.

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Ações da Locaweb saltam 5,6% após conclusão de aquisições; Caixa Seguridade sobe e Suzano cai com recomendações

SÃO PAULO – O grande destaque na sessão desta quinta-feira (10) ficou para as ações da Embraer (EMBR3, R$ 20,00, +15,61%), que saltam mais de 15%. A companhia confirmou a notícia da Bloomberg de que está em negociações para a fusão da Eve Urban Air Mobility, sua unidade de veículos elétricos de pouso e decolagem vertical, com a Zanite Acquisition (veja mais clicando aqui).

Também entre as altas, ficaram as ações da Locaweb (LWSA3, R$ 26,03, +5,60%). A companhia concluiu a aquisição da Organisys Software (Bling), anunciada em abril, e da Pagcerto, de pagamentos. Segundo fato relevante, a Bling é voltada a soluções de e-commerce e micro e pequenas empresas (PMEs). A Locaweb não informou o valor final de transação, que, à época do anúncio, era de R$ 524,3 milhões.

Entre as baixas, a Suzano (SUZB3, R$ 58,70, -1,68%) caiu mais de 1%: o Bank of America rebaixou a recomendação do ativo de compra para neutra e o preço-alvo de R$ 91 para R$ 80. Os analistas consideraram que não deverão ocorrer novas altas nos preços de celulose como as registradas nos últimos trimestres.

O BofA reduziu o preço-alvo de Klabin (KLBN11, R$ 25,80, +0,47%) de  R$ 34 para R$ 30, mas manteve a recomendação de compra e o top pick no setor.

Enquanto isso,, após bancos como Credit Suisse, Morgan Stanley e BBA iniciarem cobertura com recomendação equivalente à compra, os papéis da Caixa Seguridade (CXSE3, R$ 11,78, +5,75%) subiram quase 6%.

Também no radar dos mercados, a Braskem (BRKM5, R$ 59,46, +4,26%) subiu cerca de 4%, ensaiando mais uma recuperação após forte queda na terça-feira, enquanto investidores continuam monitorando desdobramentos sobre a venda da participação dos controladores da petroquímica.

Já a Eletrobras (ELET3, R$ 45,32, +0,22%; ELET6, R$ 45,11, +0,71%) avançou em meio a expectativas relacionadas à votação da medida provisória (MP) de privatização da elétrica (veja mais clicando aqui).

No lado negativo, atenção também para a B3 (B3SA3, R$ 16,00, -2,44%), que voltou a cair nesta sessão em um cenário de rumores – e algumas confirmações – sobre a concorrência em mercados em que a empresa operadora da Bolsa é monopolista. Apesar disso, na véspera o Bradesco BBI disse que não vê essa queda recente como justificada, “especialmente porque a dinâmica dos volumes continua muito forte ao longo do segundo trimestre”.

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Confira os destaques:

Vale (VALE3, R$ 111,83, -0,33%)

Uma barragem da Vale chamada Xingu, na mina Alegria, em Mariana (MG), corre “grave e iminente risco de ruptura por liquefação”, afirmou na quarta-feira a Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais, responsável por interditar atividades da empresa no local.

A barragem, interditada desde março de 2020 pela Agência Nacional de Mineração, não recebe rejeitos de minério de ferro há mais de 20 anos. Mas alguns trabalhadores ainda executam atividades no local, o que motivou a ação dos fiscais trabalhistas. Um desastre de tal magnitude, segundo a superintendência, poderia causar um soterramento de trabalhadores na cidade já castigada por um rompimento de barragem da Samarco em 2015, com a morte de 19 pessoas.

Procurada pela Reuters, a Vale reafirmou na quarta-feira que “não existe risco iminente de ruptura da barragem de Xingu e que não houve alteração nas condições ou nível de segurança da barragem, que permanece em nível 2”, do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM).

Já a juíza titular da 5ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho de Betim (MG), Viviane Célia Ferreira Ramos Correa, condenou a mineradora a pagar indenização de R$ 1 milhão por danos morais por cada trabalhador morto no rompimento da Barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho.

Ainda no radar da companhia, os futuros do minério de ferro encerraram em alta nesta quinta-feira, enquanto os contratos de referência do aço em Xangai subiram pela segunda sessão consecutiva, mas os ganhos foram limitados com a China reiterando sua meta de conter a inflação nas commodities.

O contrato mais negociado do minério de ferro para entrega em setembro na bolsa de commodities de Dalian fechou o pregão diurno com alta de 0,7%, a 1.178 iuanes (US$ 184,53) por tonelada. Na bolsa de Cingapura SZZFN1, o contrato para julho do minério de ferro subia 1,6%, para US$ 208 por tonelada.

O sentimento do mercado era em geral positivo, com os preços spot também avançando apoiados por fortes fundamentos, segundo analistas. O minério de ferro com teor de 62% no mercado spot para entrega na China foi negociado a US$ 213 por tonelada na quarta-feira, maior nível desde 19 de maio, segundo a consultoria SteelHome, embora houvesse apetite maior pela compra de minérios de menor teor, mais baratos, devido à recente pressão sobre as margens de lucro de siderúrgicas.

BRF (BRFS3, R$ 27,95, +1,78%)

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A companhia de alimentos BRF anunciou na quarta-feira aporte de R$ 764 milhões para ampliar as instalações de suas unidades em Santa Catarina e Mato Grosso Sul.

Segundo comunicado, R$ 643 milhões serão investidos nas unidades catarinenses de Capinzal, Concórdia e Videira, e outros R$ 121 milhões na planta de Dourados (MS).

JBS (JBSS3, R$ 29,31, -0,71%)

A JBS USA, subsidiária da brasileira JBS nos Estados Unidos, confirmou em comunicado divulgado na quarta que pagou o equivalente a US$ 11 milhões em resposta a um ataque hacker contra suas operações. A maior produtora de carnes do mundo cancelou turnos em fábricas nos EUA e Canadá na semana passada, após ter sido afetada por um ciberataque que ameaçava interromper cadeias de ofertas e inflacionar os preços dos alimentos.

Petrobras (PETR3, R$ 29,53, +0,07%; PETR4, R$ 28,68, +0,07%)

A Petrobras informou na quarta que suas vendas de diesel alcançaram 812 mil bpd (barris por dia) em maio, alta de 17,1% em relação a igual período do ano passado, que também registrou um novo recorde na comercialização de diesel S-10.

A petroleira destacou em comunicado que, se comparado às vendas de maio de 2019 sem os impactos de demanda decorrentes da pandemia de Covid-19 o volume comercializado no mês passado apura crescimento de 12,7%. Por outro lado, o volume vendido em maio ficou abaixo do registrado em abril, quando a Petrobras reportou comercialização de 824 mil bpd.

JSL (JSLG3, R$ 11,61, +8,50%)

A empresa de logística JSL informou a aquisição da Marvel Transportes por R$ 245 milhões, de forma a aumentar a atuação da companhia na entrega de cargas congeladas e refrigeradas de alto valor agregado.

Embraer (EMBR3, R$ 20,00, +15,61%)

Em esclarecimento ao mercado na manhã desta quinta após notícia da Bloomberg, a Embraer (EMBR3) confirmou que está em negociações para a fusão da Eve Urban Air Mobility, sua unidade de veículos elétricos de pouso e decolagem vertical, com a Zanite Acquisition.

“As negociações com a Zanite estão em curso. A companhia não pode prever se a Eve chegará a um acordo definitivo ou quais serão os seus termos”, destacou a fabricante brasileira de aeronaves. A empresa informou que manterá o mercado informado de quaisquer desdobramentos relevantes no âmbito de tais negociações, na medida imposta pela legislação e regulamentação do mercado de capitais.

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A empresa de aquisição de propósito específico, ou SPAC na sigla em inglês, busca levantar novo capital para financiar a transação, disseram as pessoas, que não quiseram ser identificadas. O acordo deve avaliar a empresa combinada em cerca de US$ 2 bilhões, disseram fontes à Bloomberg.

Os termos do acordo podem mudar e, como ocorre em todas as transações que não foram finalizadas, as negociações podem não ir em frente.

A Zanite é liderada pelos codiretores-presidentes Kenn Ricci, coproprietário da Directional Aviation Capital, que controla a operadora de voos privados Flexjet, e Steve Rosen, cofundador da empresa de private equity Resilience Capital Partners. A SPAC com sede em Cleveland, Ohio, captou US$ 230 milhões em uma oferta pública inicial em novembro.

Eletrobras (ELET3, R$ 45,32, +0,22%; ELET6, R$ 45,11, +0,71%)

O senador Marcos Rogério (DEM-RO), relator da medida provisória que trata da privatização da Eletrobras, afirmou que deve finalizar seu relatório, no máximo, até a próxima terça-feira (15) da semana que vem. A intenção, do parlamentar, é que o texto já seja discutido no plenário no mesmo dia. O parlamentar e o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, concederam entrevista após encontro na noite desta quarta-feira, 8.

“Nós devemos ter sessão do Senado na terça-feira, então a ideia é que, no máximo, na terça a gente tenha o relatório pronto, apresentado, com a matéria em pauta para votação. Para que haja tempo suficiente para que, havendo mudanças no texto no Senado, a Câmara tenha folga para votar a matéria naquilo que foi modificado no Senado”, disse o parlamentar. A MP precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional até o dia 22 ou perderá a validade.

Rogério afirmou que irá analisar todas as sugestões, pleitos e emendas apresentadas por senadores a partir desta quinta e que a intenção é chegar a um texto de convergência.

Locaweb (LWSA3, R$ 26,03, +5,60%)

A Locaweb concluiu a aquisição da Organisys Software (Bling), anunciada em abril, e da Pagcerto, de pagamentos. Segundo fato relevante, a Bling é voltada a soluções de e-commerce e micro e pequenas empresas (PMEs). A Locaweb não informou o valor final de transação, que, à época do anúncio, era de R$ 524,3 milhões.

Azul (AZUL4, R$ 47,78, +0,31%) e Latam Airlines

A Azul informou que espera operar 50 novas rotas na alta temporada de inverno, diante da “flexibilização de circulação no País”. A companhia reforçará ligações para o Nordeste do Brasil, e os aeroportos de Campinas (SP), Belo Horizonte, Santos Dumont (RJ), Recife, Salvador e Porto Seguro (BA) terão maior volume de operações.

Ainda no radar da Azul, o Bradesco BBI comentou a notícia de que o Latam Airlines Group apresentou uma moção junto a acionistas e credores para apresentar seu plano de restruturação em 15 de setembro, ao invés do prazo anterior, de 30 de junho. A votação deverá ocorrer em 8 de novembro ao invés de 23 de agosto. Além disso, a empresa também pede o saque de US$ 500 milhões do financiamento “debtor-in-possession”, de US$ 2,45 bilhões.

O Bradesco avalia a notícia como positiva para a Azul e para a Latam, já que credores e a Azul terão mais tempo para trabalhar em um plano que, na avaliação do banco, pode culminar com a venda das operações domésticas da Latam para a Azul. O pedido de saque de US$ 500 milhões também sugere que a operação continua a queimar caixa e que sua liquidez de caixa deve continuar a se deteriorar nos próximos meses. Com a queda da posição de caixa da Latam, o poder de barganha da Azul deve crescer, diz o Bradesco.

O banco mantém avaliação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) para a Azul, com preço-alvo de R$ 75, frente aos R$ 47,63 negociados na quarta pelos papéis AZUL4. Para a Latam, mantém avaliação neutra (valorização dentro da média), com preço-alvo de US$ 3, frente aos US$ 2,81 negociados na quarta pelos papéis LTMAQ na OTC Markets.

Usiminas (USIM5, R$ 18,81, -0,21%)

A Usiminas contratou assessores financeiros para uma eventual alienação total ou parcial de seus ativos relacionados ao Terminal Marítimo Privativo de Cubatão, segundo fato relevante da companhia enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite de quarta-feira.

A empresa “está avaliando alternativas estratégicas para seus ativos relacionados ao Terminal Marítimo Privativo de Cubatão, incluindo uma eventual alienação total ou parcial de tais ativos, tendo contratado assessores financeiros para apoio no processo”, afirmou.

No entanto, a Usiminas ressaltou que “não há, até o momento, nenhuma decisão tomada em relação a qualquer possível transação envolvendo os ativos”.

Caixa Seguridade (CXSE3, R$ 11,78, +5,75%)

Diversos bancos iniciaram a cobertura para a ação da Caixa Seguridade, holding que abrange o negócio de seguros bancários da Caixa e que tem sua própria subsidiária no setor de corretagem. A empresa distribui seus produtos por meio de diferentes canais, como agências bancárias, correspondentes bancários, agências lotéricas, internet banking e aplicativo. A empresa é líder no setor de seguros hipotecários, com 57% do mercado, e tem posições de liderança nos setores de crédito, lares, pensões e vida.

O Itaú BBA diz que, como a empresa é estatal, os maiores riscos são associados à governança corporativa, e a perspectiva de uma eventual intervenção política sobre a empresa. O Itaú diz que a empresa construiu pilares para que seu processo de oferta pública inicial de ações avance, incluindo uma junta diretora com dois membros independentes, contratos de longo prazo com o banco e seguradoras privadas. O banco também ressalta a execução de sua nova estratégia comercial, com apoio da Wiz.

O banco tem recomendação outperform e preço-alvo para 2021 em R$ 16, frente aos R$ 11,14 de fechamento na quarta.

O Credit Suisse também iniciou a cobertura da Caixa Seguridade, com recomendação outperform e preço-alvo de R$ 15. O banco diz que a empresa é sua favorita no setor de seguros, e aponta que a empresa é subavaliada, considerando o crescimento dos rendimentos com a melhora da economia e novos acordos comerciais, além do aumento da contribuição pela Caixa Corretora e a crescente penetração de produtos de seguros. O banco avalia que o mercado está atribuindo à empresa um risco excessivo de execução.

O Morgan Stanley também iniciou a cobertura da Caixa Seguridade, com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) e preço-alvo para 2021 em R$ 20. O banco aponta que a empresa é um papel atraente para apostar no setor de seguros e hipotecas no Brasil. Ela está bem posicionada para capturar o forte crescimento do setor e se beneficiar do ciclo hipotecário do país. O banco também afirma que iniciativas de vendas e a restruturação recente devem levar a crescimento mais rápido e a lucratividade.

(com Bloomberg, Reuters e Estadão Conteúdo)

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As 5 maiores altas e as 5 maiores baixas do Ibovespa no mês de maio

ações bolsa mercado stocks índices gráficos (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa encerrou maio renovando máximas históricas, em meio ao cenário externo mais positivo e com perspectivas positivas para a economia nacional a depender do ritmo de vacinação no país. O índice fechou maio com alta de 6,16%, no terceiro mês seguido de ganhos.

Algumas ações do índice tiveram ainda mais destaques no mês, com cinco delas subindo cerca de 20% ou mais. Já na ponta negativa, os movimentos foram menos intensos mas, ainda assim, cinco papéis caíram mais de 9%. Confira quais papéis que compõem o benchmark da Bolsa se destacaram – positiva e negativamente – em maio:

Maiores altas

1. Eneva (ENEV3, R$ 18,46, +25,84%)

Ganhando força na reta final do mês, a Eneva ficou com o posto de melhor ação de maio, ao avançar quase 26%, puxada pela crise energética que ganhou força na semana passada, com analistas vendo a companhia como uma das beneficiadas por ter exposição à energia térmica. A notícia fez as ações subirem forte nos dois últimos pregões.

O Credit Suisse afirma que as recentes notícias são negativas para o cenário como um todo, sendo que o país deve ter mais despacho térmico, por mais tempo, favorecendo empresas como a Eneva. “A situação começa a se comparar com 2014, com reservatórios do Sudeste mais próximos do nível de 30%, mas com mais capacidade e transmissão”, observa o banco suíço (veja mais análises clicando aqui).

O Itaú BBA diz que não vê risco de racionamento de energia, mas espera que a geração térmica opere em níveis altos, pressionando as tarifas. O banco estima que os níveis do Sistema Interligado Nacional cairão a 22% em novembro, frente aos 44% atuais.

Na avaliação do banco, Eneva e Omega devem ser as maiores beneficiárias do panorama atual, devido a sua exposição baixa à energia hidrelétrica. Além disso, as tarifas de energia deverão permanecer sob pressão. O banco ressalta que a Aneel limitou a alta de energia a 10% em 2021. Assim, o banco espera altas das tarifas acima da inflação em 2022.

Vale ressaltar que no início do mês, a companhia já havia registrado uma alta moderada um pouco antes de divulgar seu resultado do primeiro trimestre. A Eneva registrou um lucro líquido de R$ 203 milhões, alta de 13% ante o mesmo período de 2020.

O lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi recorde para um primeiro trimestre, de R$ 446 milhões, alta de 2,8%, com melhora das margens fixas das usinas a gás, aumento da margem variável em Pecém II e menores gastos com sísmica em relação a um ano antes.

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A receita operacional líquida, por sua vez, ficou em R$ 951,4 milhões, leve avanço de 1,3% na comparação com a receita de R$ 939,1 milhões apresentada um ano antes.

2. BRF (BRFS3, R$ 25,76, +23,91%)

As ações da companhia de proteína animal BRF estavam praticamente de lado no mês até o dia 17, quando deram início um movimento de alta mais forte, que ganhou ainda mais força nas duas últimas semanas em meio, inicialmente decorrente de rumores,de que a Marfrig (MRFG3) estava comprando ações da empresa, que depois foram confirmados.

Após alguns dias com os papéis chamando atenção pelas fortes altas, o jornal Valor Econômico publicou uma notícia apontando para esse movimento de compra pela Marfrig. Na ocasião, o jornal afirmou que eram grandes volumes movimentados, o que gerou certa apreensão no mercado conforme voltava ao debate uma possível aquisição da BRF pela Marfrig.

Na noite do dia 21, as duas companhias confirmaram todo o movimento, sendo que a Marfrig reforçou não ter a intenção de assumir o controle da BRF.

Em comunicado, a BRF informou que a Marfrig adquiriu ações ordinárias de emissão da companhia, via opções e leilão realizados em bolsa, e que pode resultar em uma participação acionária de até 196.869.573 ações ordinárias, correspondente a, aproximadamente, 24,23% do capital social da empresa.

A Marfrig disse que a aquisição visa diversificar seus investimentos em um segmento que possui complementaridades com seu setor de atuação. Além disso, ela afirmou que não pretende eleger membros para a administração da empresa, exercer influência sobre decisões ou promover alterações no controle ou estrutura da BRF.

Com esse noticiário agitado, os papéis da BRF saltaram 27,87% em apenas três pregões, saindo de R$ 21,06 no dia 18 para uma máxima de R$ 26,93 no dia 21.

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Saiba mais sobre essa operação e seus impactos clicando aqui e aqui .

3. Cielo (CIEL3, R$ 4,21, +23,10%)

Após uma forte queda entre o início de fevereiro e meados de março, a Cielo iniciou uma recuperação em maio, registrando um dos melhores desempenhos dentre as companhias que estão no Ibovespa. Os papéis CIEL3 subiram cerca de 23% este mês, cotados a R$ 4,21.

O avanço dos papéis teve início de forma mais expressiva na segunda metade do mês, sem que houvesse uma notícia específica empurrando os preços, indicando um movimento de correção diante das perdas do ano, colocando a companhia agora no positivo no acumulado de 2021 com avanço de 6,43%.

No noticiário, entre os dois destaques, o primeiro foi negativo, com a renúncia de Paulo Rogério Caffarelli da presidência da empresa, mesmo assim, os papéis não se abalaram. Em reunião do conselho foi definido que Gustavo Henrique Santos de Sousa, até então Diretor de Relações com Investidores, será seu substituto.

Caffarelli chegou à Cielo no final de outubro de 2018, após deixar o comando do Banco do Brasil (BBAS3) com o objetivo de mudar a estratégia da empresa líder em pagamentos no Brasil, passando a se concentrar mais nos lucrativos mercados de pequenas e médias empresas, processo hoje em andamento.

No entanto, a empresa seguiu perdendo participação num mercado que antes dominava com a Rede, após uma abertura promovida pelo Banco Central ter incentivado a aparição de mais de 20 adquirentes e duas centenas de subadquirentes no Brasil.

Desde então, a Cielo perdeu dois terços de seu valor de mercado, para cerca de R$ 10,6 bilhões, valendo pouco mais de um décimo de sua rival menor Stone. No mês passado, a Cielo reportou lucro recorrente de R$ 135,8 milhões no primeiro trimestre, queda de 18,6% ante mesma etapa do ano anterior.

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Analistas viram a notícia como negativa, citando que a mudança de comando trás mais incertezas para uma companhia já bastante pressionada.

Porém, o que ajudou a colocar a Cielo entre as maiores altas do mês foi uma alta de mais de 7% em apenas um pregão na semana passada após uma notícia do portal Neofeed de que que a Alelo terá uma plataforma própria de adquirência, mas que não deixará de usar as maquininhas da Cielo. A companhia disse em comunicado que desconhece ato ou fato relevante não divulgado a respeito de suas atividades.

Já que a empresa atualmente usa a plataforma de adquirência da Cielo, a notícia mais uma vez levantou a possibilidade de cisão entre o Bradesco e o Banco do Brasil, sócios controladores da companhia, que também controlam a Alelo.

4. Ambev ([ABEV3], R$ 17,95, +20,15%)

A empresa de bebidas Ambev se garantiu no Top 5 de maio principalmente por conta de um salto de 8,88% em apenas um dia após divulgar seu resultado do primeiro trimestre, movimento positivo que ainda teve continuidade por mais alguns pregões .

A companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 2,761 bilhões no primeiro trimestre de 2021, alta de 125% ante o mesmo período de 2020, devido a um Ebitda maior e melhor resultado financeiro.

No primeiro trimestre, o Ebitda ajustado alcançou R$ 5,327 bilhões, avanço de 26% em um ano, o que corresponde a um crescimento orgânico de 23,8%, com margem bruta de 52,3% (queda de 260 pontos base) e margem Ebitda de 32,0% (redução de 110 pontos base). A receita líquida da empresa, por sua vez, totalizou R$ 16,639 bilhões nos meses de janeiro a março, incremento de 32% em relação a igual época de 2020.

Para além do avanço do lucro, a Ambev registrou mais um trimestre sequencialmente forte, destacou a XP. Segundo os analistas, com a companhia mantendo a excelência operacional como sua vantagem competitiva principal, a inovação no portfólio e a estratégia digital estão dando cada vez mais frutos, impulsionando o desempenho da empresa.

A alta do volume de vendas de cerveja no Brasil ficou levemente abaixo da expectativa dos analistas, que era de 18%, mas o Ebitda normalizado superou o projetado em 24%, totalizando R$ 2,26 bilhões, mostrando números sólidos apesar do cancelamento do Carnaval juntamente com o ritmo lento de reabertura da economia e redução do auxílio emergencial (confira a análise completa aqui).

Com o avanço das ações na primeira metade do mês, o Itaú BBA rebaixou a recomendação para as ações da Ambev recentemente, passando de outperform (desempenho acima da média do mercado) para marketperform (desempenho em linha com a média do mercado), apesar da elevar o preço-alvo para 2021 de R$ 18 para R$ 19.

“Os resultados do quarto trimestre de 2020 e do primeiro trimestre de 2021 foram positivos e superaram nossas estimativas, com os principais fatores sendo preços acima do esperado e volumes melhores do que o esperado. Enquanto incorporamos esse momentum em nossas projeções revisadas, levando a revisões positivas, destacamos que a partir da segunda metade do ano haverá uma base de comparação mais difícil para o resto do ano. Somando-se a isso, vemos uma inflação de custos persistente se estendendo até 2022, o que poderia criar desafios adicionais à medida que a Ambev busca expandir suas margens”, apontam os analistas.

5. Cia. Hering (HGTX3, R$ 32,90, +19,99%)

Após liderar com folga os ganhos de abril ao subir 70%, a Cia. Hering se manteve entre os melhores papéis do mês, em um movimento de continuidade do seu bom momento com o anúncio da fusão com o Grupo Soma.

Desde a confirmação do negócio entre as duas, analistas destacaram que a notícia é boa para a Hering, ressaltando que com uma nova estrutura ela poderá acelerar seu movimento de virada após uma fase complicada. Alguns especialistas chegaram a citar também o alto valor oferecido pela Soma no negócio, o que ajuda a melhorar a avaliação do mercado para as ações.

Este mês, porém, uma notícia chamou atenção de forma negativa para a Hering após ela informar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que sua tesouraria recomprou mais de 2,9 milhões de ações, por um valor de R$ 61,7 milhões.

Apesar da recompra ser uma operação comum no mercado, este caso chamou atenção por ter ocorrido entre os dias 12 e 22 de abril, exatamente no período dos rumores e confirmação da sua fusão com a Soma. Isso gerou bastante desconfiança no mercado.

Após a polêmica, a Hering reiterou ao mercado que tem um programa de recompra desde agosto de 2020. Além disso, quando informou a rejeição da proposta da Arezzo para fusão, em 14 de abril, a companhia indicou que manteria o seu programa de recompra de ações em execução.

Confira as maiores altas do Ibovespa em maio: 

Empresa Ticker Cotação Variação
Eneva ENEV3 R$ 18,46 +25,84%
BRF BRFS3 R$ 25,76 +23,91%
Cielo CIEL3 R$ 4,21 +23,10%
Ambev ABEV3 R$ 17,95 +20,15%
Cia Hering HGTX3 R$ 32,90 +19,99%

Maiores baixas

1.Suzano (SUZB3, R$ 60,73, -11,56%)

As últimas semanas não foram positivas para o mercado de papel e celulose, com queda dos preços da celulose de fibra curta. A commodity segue de lado nas últimas semanas, após as altas muito fortes. Assim, os ativos da Suzano foram impactados.

Os analistas do Credit Suisse destacam que, após uma forte alta de 56% para o hardwood e de 46% do softwood no acumulado de 2021 na China, os preços agora atingiram o pico de US$ 780/t e cerca de US$ 980/t, respectivamente, na opinião dos analistas do banco suíço.

Com os fabricantes de papel na China agora enfrentando problemas de lucratividade (principalmente de tissue, que são os produtos fabricados com baixa gramatura, crepe seco e alguns papéis não crepados, como papel higiênico, toalhas de cozinha, lenços de papel, papel facial, guardanapos, toalhas, entre outros) e, consequentemente, a produção caindo na tentativa de reduzir os estoques de papel e evitar a erosão de preços, enxergam poucos motivos para os preços da celulose subirem mais nos próximos meses.

Contudo, avaliam que as empresas de celulose dentro da cobertura dos analistas, inclusive a Suzano, já estão precificando um cenário de hardwood entre US$ 500/t e US$ 550/t em 2022, o que oferece um importante colchão de segurança. Na última semana, os analistas do banco suíço mantiveram a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para a Suzano, mas elevando o preço-alvo de R$ 86,50 para R$ 92, pois enxergam um upside atraente em uma perspectiva de longo prazo.

Os analistas também apontam que o projeto Cerrado, anunciado em meados de maio e que prevê R$ 14,7 bilhões para erguer o que a empresa chamou de “maior fábrica de celulose de linha única de eucalipto do mundo”, em Ribas do Rio Pardo (MS), também devem adicionar valor presente líquido para a companhia.

O Credit Suisse aponta que os investidores têm uma visão bastante parecida com a dos analistas notando, por outro lado, que provavelmente o mercado deve esperar uma proximidade maior do inicio do projeto antes de refletir no preço do papel.

Gilberto Cardoso, analista de commodities da OhmResearch, destacou que a estratégia de investimento em  Cerrado foi acertada. “A Suzano, como maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, vê o aumento da demanda e, com condições financeiras ofertar primeiro a celulose, e com os custos mais competitivos do mundo, aproveita a chance e anuncia o investimento”, diz. Mas Cardoso ressalta que as condições de endividamento da Suzano devem ser monitoradas pelos investidores.

Outro ponto de atenção seria o aumento da oferta de celulose no mercado. Atualmente, os estoques baixos estão segurando os preços da commodity. Mas conforme analistas destacaram em reportagem recentemente publicada pelo InfoMoney,, assim que a cadeia de suprimentos voltar a se ajustar no pós-pandemia e as maiores economias do mundo, como China e Estados Unidos, iniciarem um processo de desaceleração os preços podem começar a ceder.

2. Banco Inter (BIDI11, R$ 68,33, -11,53%)

Apesar de registrar um dos desempenhos mais fortes de alta em uma sessão específica, com ganhos de 25% em 24 de maio, as units do Banco Inter encerraram maio entre as maiores baixas do Ibovespa em seu primeiro mês fazendo parte do benchmark da Bolsa brasileira.

Na primeira quinzena do mês, contudo, a baixa chegou a ser ainda maior, de mais de 20%, tanto por conta dos investidores embolsando os lucros após fortes altas registradas até então (no acumulado de 2021, as units ainda sobem mais de 100% e registram ganhos de 512% no acumulado dos últimos 365 dias) quanto pelo movimento de saída de investidores de empresas mais ligadas à tecnologia, como é o caso do Banco Inter (veja mais clicando aqui), em meio aos sinais de aumento da inflação nos EUA, que acabou também impactando as empresas ligadas à tecnologia no Brasil.

O Banco Inter também divulgou seus resultados no último dia 12 de maio, com um lucro líquido de R$ 20,8 milhões no primeiro trimestre de 2021, contra R$ 19,4 milhões no quarto trimestre de 2020 e prejuízo de R$ 8,4 milhões no
primeiro trimestre de 2020. Na avaliação do Bradesco BBI, a geração de receita foi positiva, com aceleração tanto da margem financeira (​NII, na sigla em inglês) ou receita líquida de intermediação financeira quanto das receitas de prestação de serviços (tarifas), embora já fosse esperada em certa medida, seguindo os números operacionais divulgados anteriormente.

Já o Morgan Stanley não se mostrou tão otimista com a companhia e vê a ação como cara, apontando que o Inter “está nos estágios iniciais de uma transformação digital significativa que pode resultar em um crescimento muito mais rápido e maior lucratividade”, mas que ainda é cedo para dizer se a recente transformação digital da empresa terá sucesso. “Existem vários desafios importantes que podem dificultar os planos agressivos de crescimento do banco, incluindo: lançamento de novos produtos onde a administração tem experiência limitada, descasamento da duração do balanço, baixa lucratividade e alta inadimplência e um cenário macro desafiador para o qual o banco não é bem posicionado”, avaliam os analistas.

Como já destacado acima, ajudando a diminuir as perdas acumuladas, os papéis do Banco Inter dispararam no dia 24 após anunciar mudanças significativas em sua estrutura acionária. A companhia anunciou um follow-on, com a Stone como investidor âncora. A companhia de pagamentos listada nos EUA poderá investir até R$ 2,5 bilhões em uma oferta que pode chegar a R$ 5 bilhões. A Stone terá participação limitada a 4,99% do capital social do Inter e o acordo dá direito à Stone de indicar um dos nove assentos no Conselho de Administração.

“Esperamos que a parceria possa ser o começo de algo mais duradouro, possibilitando a troca de mais produtos e serviços entre as plataformas. Ambas as companhias procuram diversificar seus produtos e possuem uma base de clientes complementar, com a Stone focada no público PJ e o Inter no público PF (apesar de a base de clientes empresariais estar crescendo)”, apontam os analistas da Levante Ideias de Investimentos, que viram o acordo como bastante positivo, notoriamente para o Banco Inter.

Também de acordo com os analistas do Bradesco BBI, a parceria estratégica faz muito sentido para ambas as partes. Aproveitando a Intershop, a Stone pode conectar sua rede comercial para um canal de distribuição online, que deve ser especialmente importante para pequenas empresas que anteriormente não tinham acesso a este canal. Além disso, a integração dos canais físicos e online da Stone com os clientes do Banco Inter também pode melhorar a experiência do usuário e fornecer oportunidades de venda cruzada. Por último, a Stone poderia se beneficiar do acesso do Inter a financiamento barato, o que poderia ajudar com a distribuição de seus negócios de crédito / pré-pagamento.

Cabe destacar também que o Banco Inter desdobrou suas ações na proporção de um para três no mês de maio. Apesar da queda das ações, a perspectiva no geral é positiva para os ativos.

3. Usiminas (USIM5, R$ 19,86, -11,49%)

Também em uma alta bem expressiva no ano e nos últimos 365 dias, com ganhos respectivos de 37% e 225%, as ações da Usiminas registraram queda em meio em um movimento de investidores embolsando lucros, também desencadeado pela alta volatilidade do minério e do aço na segunda quinzena de maio e apesar dos reajustes para cima do preço de aço no mês.

Cabe destacar que, em maio, mais precisamente na sexta-feira 7, a CSN vendeu 56 milhões de ações preferenciais da Usiminas (cerca de R$ 1,3 bilhão), representando metade da posição na companhia. Para realizar a transação, a CSN concordou em não vender o restante das ações preferenciais que detém na Usiminas por 45 dias. Depois disso, uma nova venda é provável. O Cade já havia determinado que a CSN deveria se desfazer das suas ações de Usiminas, contudo, com a grande desvalorização da companhia nos últimos anos, a CSN conseguiu postergar o prazo, mas a siderúrgica optou por vendê-la após a valorização recente puxada pela forte demanda por aço e minério de ferro.

No mês de maio, a Usiminas também anunciou a postergação da reforma do Alto Forno nº3 da sua usina de Ipatinga (MG) em razão da forte desvalorização cambial e aumentos dos custos para execução. Segundo a companhia, a reforma foi adiada em 10 meses e não altera a projeção de investimentos para 2021. A XP destacou ver a notícia de adiamento da reforma como neutra, mas afirmou que segue acompanhando com cautela as necessidades de investimento da companhia e tendo recomendação neutra para os ativos da companhia.

Cabe destacar ainda que a Usiminas é a maior fornecedora de aços planos para os principais segmentos consumidores do país, e também é impactada pelo cenário para o mercado automobilístico no país.

Neste sentido, a GM anunciou em maio a suspensão das operações de sua fábrica em São Caetano do Sul (SP) de 21 de junho a 2 de agosto, devido à escassez de componentes eletrônicos, enquanto sua fábrica em Gravataí (RS), que suspendeu desde março, só devendo retomar as operações até julho de 2021. A Nissan, por sua vez, deve suspender as operações por 5 dias em junho, em dias não necessariamente consecutivos, também por falta de semicondutores. Já a Volkswagen Caminhões e Ônibus afirmou que a falta de semicondutores impede o crescimento mais forte das vendas de veículos pesados e deve passar a investir na receita de serviços, já que a empresa prepara o lançamento de uma carteira digital para o caminhoneiro pagar frete, combustível, e manutenção de veículos.

As notícias são negativas para o setor automotivo, já que novas paralisações das montadoras colocam em risco a recuperação esperada para o segundo semestre de 2021.

Apesar da queda recente, analistas como do Bradesco BBI seguem positivos com a Usiminas, colocando como a preferida do setor de siderurgia e com preço-alvo de R$ 32.

4. B2W (BTOW3, R$ 59,75, -11,24%)

As ações da B2W também não registraram um mês de maio positivo. A companhia divulgou seus números do primeiro trimestre no último dia 7, com alguns dados animadores e outros que preocuparam os investidores, mostrando os desafios e as oportunidades da fusão que está em curso com a Lojas Americanas (LAME4), sua controladora.

A B2W teve crescimento de 90% na venda bruta total (GMV, na sigla em inglês) na comparação anual, indo a R$ 8,7 bilhões. Com isso o GMV total do Universo Americanas ficou em R$ 11,06 bilhões no trimestre. Em teleconferência, os executivos da B2W destacaram ainda os números de abril, com maior crescimento de vendas em 2 anos. Porém, um fator de preocupação foi a continuidade da queima de caixa da companhia (veja mais clicando aqui).

A companhia apresentou mais uma vez um fluxo de caixa operacional negativo da ordem de R$ 530 milhões, com aumento grande na linha de fornecedores e principalmente nos estoques. O número costuma ser comum no início de ano. Contudo, ainda preocupa, com o consumo de caixa se acelerando junto com o crescimento rápido da linha de receita, de modo à companhia financiar os seus “clientes” para expandir, com o prazo de conversão da receita em caixa cada vez mais longo.

“Se, por um lado, a companhia se beneficia das sinergias dos ativos digitais e físicos sendo integrados e dos créditos tributários pelos prejuízos contábeis de anos anteriores, há ainda um importante processo de integração completa e alcançar seus principais concorrentes, podendo sacrificar margens a fim de ganhar mercado, um dos principais temores do mercado em relação ao setor”, apontam os analistas da Levante.

Além disso, no primeiro trimestre, apesar dos bons números gerais do setor,  analistas como da XP e do Bradesco BBI continuam com uma visão mais cautelosa sobre o e-commerce diante das pressões competitivas, inclusive com iniciativas de players internacionais como Amazon e Alibaba.

5. Locaweb (LWSA3, R$ 26,16, -9,07%)

Na mesma linha de outras companhias ligadas à tecnologia, a Locaweb também registrou queda expressiva em seu primeiro mês como integrante do Ibovespa (assim como o Banco Inter).

No dia 12 de maio, a Locaweb divulgou seus resultados, com um lucro líquido ajustado de R$ 9 milhões no primeiro trimestre deste ano, uma alta de 78,4% ante os R$ 5,1 milhões de lucro registrados um ano antes. Retirando os ajustes, a companhia teve um prejuízo líquido de R$ 8,4 milhões, resultado 268,9% maior que o prejuízo de R$ 2,3 milhões nos três primeiros meses de 2020. Enquanto isso, a receita líquida da empresa teve uma alta de 53,9% na comparação anual, ficando em R$ 160,9 milhões no primeiro trimestre.

O Itaú BBA avaliou os resultados como sólidos, e razoavelmente em linha com suas expectativas, devido à expansão da divisão de comércio e alta recorde de novos vendedores em sua plataforma. As margens ficaram abaixo de suas estimativas, devido à integração de fusões e aquisições, mas eles destacaram que as margens orgânicas continuaram aumentando.

A XP também viu números sólidos da companhia. “O forte desempenho da receita líquida foi impulsionado principalmente pelo crescimento no segmento de Commerce”, apontam os analistas.

E apesar das quedas recentes, a XP diz estar otimista com as perspectivas futuras para a empresa, “visto que vemos espaço para uma maior consolidação do mercado, dada a sólida posição de caixa após seu recente aumento de capital, enquanto acreditamos que a Locaweb possui um ecossistema digital completo para capturar e reter pequenas e médias empresas no canal digital”.

O Itaú BBA, por sua vez, reforça que a companhia tem sido bastante impactada pelo cenário negativo para empresas de tecnologia diante dos temores de alta de juros nos Estados Unidos por conta do avanço da inflação. Mesmo assim, os analistas afirmam que enxergam na queda recente das ações um ponto ponto de entrada na ação, reiterando a visão positiva com a Locaweb sendo um veículo interessante para capturar a tendência de digitalização das PMEs no Brasil no segmento de e-commerce.

Confira as maiores quedas do Ibovespa em maio: 

Empresa Ticker Cotação Variação
Suzano SUZB3 R$ 60,73 -11,56%
Banco Inter BIDI11 R$ 68,33 -11,53%
Usiminas USIM5 R$ 19,86 -11,49%
B2W BTOW3 R$ 59,75 -11,24%
Locaweb LWSA3 R$ 26,16 -9,07%

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Com Projeto Cerrado, Suzano se consolida como líder global em celulose e reforça otimismo de analistas

Suzano logo (Reprodução/Facebook Suzano)

SÃO PAULO – O resultado ligeiramente abaixo das expectativas da Suzano (SUZB3) não abalou em nada o otimismo dos analistas com a ação. E as razões para isso são a demanda global aquecida por celulose e a confirmação de um investimento amplamente esperado pelo mercado, o apelidado “Projeto Cerrado”, que prevê R$ 14,7 bilhões para erguer o que a empresa chamou de “maior fábrica de celulose de linha única de eucalipto do mundo”, em Ribas do Rio Pardo (MS).

A Suzano registrou um prejuízo de R$ 2,755 bilhões no primeiro trimestre deste ano, mostrando uma boa melhora em relação ao resultado negativo de R$ 13,419 bilhões um ano antes. Apesar disso, o número representa uma piora ante o lucro de R$ 5,914 bilhões do quarto trimestre de 2020.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado ficou em R$ 4,864 bilhões entre janeiro e março, sendo que a divisão de celulose respondeu por 92% e a de papel 8%. O dado representa alta de 61% ante os R$ 3,026 bilhões do primeiro trimestre de 2020, e um avanço de 23% na comparação trimestral.

A melhora operacional da companhia foi apoiada pelos preços maiores de celulose. A commodity registrou uma alta de 14% ante o início de 2020, para um preço médio de US$ 532 por tonelada.

As ações da Suzano fecharam o dia em queda de 2,22%, cotadas a R$ 66,90.

Projeto Cerrado ofusca balanço fraco

O Credit Suisse resumiu bem o sentimento do mercado no título do relatório divulgado nesta quinta-feira (15): “Primeiro trimestre nada inspirador, mas com o tão esperado Projeto Cerrado aprovado”.

O banco disse que o Ebitda ajustado da Suzano ficou levemente abaixo (-1,6%) das suas estimativas, por causa dos dados fracos de embarques de celulose, que ficaram 2% abaixo das projeções. Despesas financeiras, com aumento de taxas e custos com capital de giro, também pesaram negativamente. Por outro lado, os analistas destacaram que os preços ficaram dentro do esperado, impulsionados pelas cotações elevadas da celulose e a apreciação do dólar frente ao real.

Em relação ao Projeto Cerrado, o banco suíço estima que a nova fábrica deve adicionar um valor presente líquido (fluxo de caixa trazido a valor presente, NPV na sigla em inglês) de R$ 10 por ação. Os analistas veem o investimento como estratégico do ponto de vista do financiamento, ressaltando que a Suzano deve ser capaz de usar somente sua geração de caixa para pagar o empreendimento.

O banco suíço reforça que a Suzano permanece sendo a ação preferida no setor de celulose (top pick), já que é a empresa mais bem posicionada para capturar a recuperação nos preços da celulose. “A Suzano está negociando a um múltiplo projetado para 2021 de 5,7 vezes o valor de mercado mais a dívida líquida sobre o EBITDA (EV/Ebitda) e pode entregar neste ano uma sólida geração de caixa líquido por ação (FCF yield) de 13%, além de redução na alavancagem de 3,9 vezes para 2,2 vezes a dívida líquida sobre Ebitda”, comenta o Credit, que tem preço-alvo de R$ 86,50 para as ações.

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O Itaú BBA também comentou o anúncio do Projeto Cerrado e, assim como o Credit Suisse, também calcula que a nova fábrica pode adicionar R$ 10 por ação ou R$ 13 bilhões em valor presente líquido para a Suzano. O banco afirmou ainda que não espera que o investimento de R$ 14,7 bilhões afete o comprometimento da Suzano com sua política de gestão responsável de dívida. O banco mantém recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 101 em 2021 para a Suzano.

Os analistas do Bradesco BBI estimam o mesmo VPL do Credit e do BBA para o Projeto Cerrado. Eles destacam que a Suzano já comprou 100 mil hectares de terreno para o empreendimento e divulgou custos de produção extremamente competitivos. A estimativa inicial do banco sobre o acréscimo potencial de Ebitda do projeto, considerando um preço de celulose de US$ 540 por tonelada, é de R$ 4,7 bilhões por ano, o que corresponde a 30% do Ebitda da Suzano em 2020.

O BBI afirma que o pico de alavancagem da fabricante de celulose, considerando os R$ 14,7 bilhões previstos para Ribas de Rio Pardo, deve chegar a 2,3 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda (ND/EBITDA, na sigla em inglês) no quarto trimestre de 2023, um nível bastante confortável na visão dos analistas. O banco reitera a recomendação de outperform para a Suzano e tem preço-alvo de R$ 100 para as ações.

Ao analisar os resultados da Suzano, a Levante Ideias de Investimentos afirma que com as paradas de manutenção das principais plantas já realizadas no ano de 2020, a companhia seguirá produzindo em ritmo forte, o que deve manter o custo caixa de produção em níveis baixos. Sem novas interrupções, a empresa também deve aumentar a exportação, gerando um duplo efeito positivo de preços e volumes maiores nos próximos resultados, diz a casa de análise.

“A geração de caixa ainda deve ser cada vez mais impulsionada positivamente pelos instrumentos de fixação de câmbio via derivativos, que ainda se encontram em patamares abaixo do dólar negociado atualmente, porém vêm subindo trimestre a trimestre e já alcançando uma faixa média de R$ 5,00 a R$ 5,70 e segue aumentando”, completa a Levante ao comentar o efeito do câmbio, que vem impactando as despesas financeiras da Suzano.

Fábrica em MS consolida Suzano como líder global, mas há pontos de atenção

Conforme destaca o Bradesco BBI, o anúncio da nova fábrica consolida ainda mais a posição da Suzano como “líder absoluta no mercado de celulose de fibra curta”, destacando que a empresa deve se beneficiar das tendências estruturais de aumento da demanda.

Gilberto Cardoso, analista de commodities da OhmResearch avalia que a decisão da Suzano foi feita com base na chamada “Teoria dos jogos” do matemático John Nash, vencedor do Prêmio Nobel, que inspirou o filme “Uma Mente Brilhante”. “A Suzano, como maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, vê o aumento da demanda e, com condições financeiras ofertar primeiro a celulose, e com os custos mais competitivos do mundo, aproveita a chance e anuncia o investimento”, diz.

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O analista avalia que a decisão foi acertada, uma vez que deve elevar em 20% a capacidade de produção da empresa. Mas Cardoso ressalta que as condições de endividamento da Suzano devem ser monitoradas pelos investidores.

Outro ponto de atenção seria o aumento da oferta de celulose no mercado. Atualmente, os estoques baixos estão segurando os preços da commodity. Mas conforme analistas destacaram em reportagem recentemente publicada pelo InfoMoney, assim que a cadeia de suprimentos voltar a se ajustar no pós-pandemia e as maiores economias do mundo, como China e Estados Unidos, iniciarem um processo de desaceleração os preços podem começar a ceder.

É o que destacou o banco Credit Suisse, em relatório sobre o mercado de celulose publicado em abril: “Com o início da sazonalidade mais fraca no período de junho a agosto e a entrada de nova oferta substancial já no quarto trimestre, esperamos que os preços da celulose voltem a ficar sob pressão no segundo semestre de 2021.”

O Bradesco BBI, no entanto, não acredita que o Projeto Cerrado represente um risco significativo para a dinâmica de oferta do mercado global de celulose, diante da expectativa de um crescimento saudável da demanda no período de 2021 a 2025, que praticamente deve igualar o aumento de capacidade no mercado. Por outro lado, eles ponderam que alguns detalhes do projeto permanecem obscuros, especialmente em relação ao potencial investimento florestal e de terras.

A Levante afirma que o Projeto Cerrado, junto aos resultados em linha com o esperado da Suzano, podem levar a uma reação levemente negativa das ações SUZB3 no curto prazo. “[O projeto Cerrado] consumirá um montante de caixa adicional relevante para os próximos anos, dando um ritmo mais lento na desalavancagem da companhia, atualmente em 3,9 vezes”, diz.

Mas, a despeito do efeito no curto prazo, a Levante afirma que o projeto Cerrado deve gerar um resultado relevante mais à frente, sobretudo em eficiência de produção, “sendo a maior planta em linha única de produção de celulose da companhia, podendo reduzir ainda mais o custo caixa de produção no longo prazo, ampliando a liderança da Suzano neste indicador”.

Ao comentar a nova fábrica em Ribas do Rio Pardo, o Bank of America destacou o potencial de produção de 2,3 milhões de toneladas por ano e o início da operação previsto para o primeiro trimestre de 2024. O BofA comentou ainda que, com os resultados do trimestre e o anúncio do novo projeto, as ações da Suzano devem ser reavaliadas em várias dimensões.

“Nós mantemos recomendação de compra para as ações devido à perspectiva construtiva de celulose, forte geração de caixa da empresa, o potencial de alta para o nosso preço-alvo e à nossa visão de que SUZB3 deve ser reavaliada em várias dimensões (com a desalavancagem, fatores relacionados a ESG e preços). Planejamos revisar nosso modelo e projeções após a teleconferência da Suzano na quinta-feira (13/05), às 9h”, completa o BofA, que tem preço-alvo de R$ 99 para as ações.

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Lucro da Yduqs cai 74%, Via lucra 1.285% mais, BRF, JBS, Suzano, Eletrobras e mais balanços; confira outros destaques

(Nutthaseth Vanchaichana/Getty Images)

O radar corporativo é movimentado com a temporada de balanços nesta quinta-feira (13). A JBS reverteu prejuízo e teve lucro de R$ 2 bilhões no primeiro trimestre de 2021, enquanto a BRF teve lucro de R$ 22,4 milhões no 1º trimestre e reverteu prejuízo de um ano antes; já o lucro da Cia. Hering teve alta de 292% e foi a R$ 19,8 milhões, enquanto a Guararapes teve prejuízo líquido de R$ 104,9 milhões no 1º trimestre, alta de 120,8%.

O lucro da SLC Agrícola saltou 141%, a R$ 377 milhões, puxado pela alta de preços e safra recorde de soja. Já a Eneva teve lucro líquido de R$ 203 milhões no 1º trimestre, alta de 13%. O lucro líquido ajustado da Locaweb, por sua vez, saltou 78%, a R$ 9 milhões no 1º trimestre. A MRV Engenharia teve lucro de R$ 137 milhões no 1º trimestre, alta de 31% em um ano, enquanto a Via (ex-Via Varejo) teve alta de 1.285% do lucro, a R$ 180 milhões no 1º trimestre. Já a Eletrobras teve lucro de R$ 1,6 bilhão no 1º trimestre, alta de 31%, enquanto a Oi viu seu prejuízo líquido recuar 44,2% no trimestre, para R$ 3,50 bilhões. O lucro líquido da Yduqs caiu 74%, para R$ 43 milhões no 1º trimestre, impactado por depreciação.

Depois do fechamento, mais resultados estão no radar, com destaque para Petrobras e Magazine Luiza. Bradespar, CPFL, Cyrela, Ecorodovias, Energisa, IRB Brasil, Qualicorp, Rumo, Sabesp, Ânima, Grupo Soma, Arezzo, Alliar, C&A, Centauro, Cury, Grupo Mateus e Lavvi também divulgarão seus números.

Fora da temporada, a B3 divulgou seus dados operacionais do mês de abril. A movimentação média diária no mercado à vista de ações ficou em R$ 31,501 bilhões, alta de 13,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Confira mais destaques:

Os preços de ferrosos na China caíram nesta quinta-feira, liderados pelos contratos de referência do minério de ferro, que chegaram a desabar até 9,5% com uma pausa dos participantes do mercado após um super rali que levou os preços a máximas históricas nos últimos dias.

O contrato mais negociado do minério de ferro na bolsa de commodities de Dalian, para entrega em setembro, encerrou em baixa de 7,5%, a 1.217 iuanes por tonelada (US$ 188,66), após tocar 1.190 iuanes mais cedo na sessão. A queda acabou com um rali que já durava cinco sessões.

Suzano (SUZB3

Em destaque, a Suzano registrou um prejuízo de R$ 2,755 bilhões no primeiro trimestre deste ano, mostrando uma boa melhora em relação ao resultado negativo de R$ 13,419 bilhões um ano antes. Apesar disso, o número representa uma piora ante o lucro de R$ 5,914 bilhões do quarto trimestre de 2020.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em R$ 4,864 bilhões entre janeiro e março, uma alta de 61% ante os R$ 3,026 bilhões do primeiro trimestre de 2020, e um avanço de 23% na comparação trimestral.

A melhora operacional da companhia se deu por apoiada na queda nas despesas financeiras e preços maiores de celulose. A commodity registrou uma alta de 14% ante o início de 2020, para um preço médio de US$ 532 por tonelada.

Ela ainda informou que vai investir R$ 14,7 bilhões para erguer o que chama de maior fábrica de celulose de linha única de eucalipto do mundo, prevista para entrar em operação em Ribas do Rio Pardo (MS) no início de 2024.

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O Itaú BBA comentou a aprovação dos projetos da Suzano: o modelo atualizado indica que o projeto adicionar R$ 10 para cada papel SUZB3, ou R$ 13 bilhões em VPL (valor presente líquido) para a Suzano, quando o projeto já tiver sido implementado. O banco não espera que o projeto de investimento de R$ 14,7 bilhões afete o comprometimento da Suzano com sua política de gestão de dívida.

O banco mantém recomendação outperform e preço-alvo de R$ 101 em 2021 para a Suzano, frente ao fechamento de R$ 68,42 na quarta.

Sobre o novo projeto, os analistas do Bradesco BBI estimam que poderia adicionar cerca de R$ 13 bilhões em valor presente líquido (VPL) à Suzano, o equivalente a cerca de R$ 10 por ação.

O BBI destaca que a companhia já comprou 100 mil hectares de terreno para o projeto e divulgou custos de produção extremamente competitivos. A estimativa inicial do banco sobre o acréscimo potencial de Ebitda do projeto, considerando a celulose a US$ 540 por tonelada, é de R$ 4,7 bilhões por ano, o que corresponde a 30% do Ebitda da Suzano em 2020.

O BBI afirma que o investimento está estimado em R$ 14,7 bilhões e, assim, o pico de alavancagem da fabricante de celulose deve chegar a 2,3 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda (ND/EBITDA, na sigla em inglês) no quarto trimestre de 2023, um nível bastante confortável na visão dos analistas.

“O anúncio consolida ainda mais a posição da Suzano como líder absoluta no mercado de celulose de fibra curta, que deve ganhar com as tendências estruturais da demanda, enquanto a ‘janela’ de fornecimento para 2024 ainda estava aberta. Não acreditamos que o projeto represente um risco significativo para a dinâmica de oferta/demanda, visto que vemos um crescimento saudável da demanda no período de 2021-2025, praticamente igualando as adições de capacidade no mercado”, dizem os analistas do BBI.

Eles ponderam, no entanto, que alguns detalhes do projeto permanecem obscuros, especialmente em relação ao potencial investimento florestal e de terras. O BBI reitera a recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado) para a Suzano e preço-alvo de R$ 100.

O Credit Suisse destaca em relatório que o balanço do primeiro trimestre da Suzano não foi inspirador, mas o tão esperado projeto de Ribas do Rio Pardo foi aprovado. Sobre o resultado, o banco disse que o Ebitda ajustado, de R$ 4,86 bilhões ficou levemente abaixo (-1,6%) das suas estimativas.

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A principal razão para o Ebitda abaixo do esperado, segundo o Credit, foram os embarques de celulose, que ficaram 2% abaixo da estimativa do banco. Já os preços ficaram dentro do esperado. Em relação ao projeto do Cerrado, o banco suíço também estima que deve adicionar um valor presente líquido de R$ 10 por ação e os analistas veem o investimento como estratégico de uma perspectiva de financiamento, ressaltando que a Suzano deve ser capaz de usar somente a geração de caixa para pagar o investimento.

“No geral, embora os resultados tenham apresentado uma leve falha, esperamos uma reação neutra no pregão, uma vez que o recente aumento nos preços da celulose deve gerar resultados mais fortes no segundo trimestre de 2021. Além disso, o projeto Ribas do Rio Pardo já havia sido amplamente divulgado pela empresa e sua aprovação já era esperada para algum momento deste ano”, dizem os analistas.

O banco suíço reforça que a Suzano permanece sendo a ação preferida no setor de celulose (top pick), já que é a empresa com mais bem posicionada para capturar a recuperação nos preços da celulose. E afirma que a Suzano está negociando a um múltiplo projetado para 2021 de 5,7 vezes o valor de mercado mais a dívida líquida sobre o EBITDA (EV/Ebitda), pode entregar uma sólida geração de caixa líquido por ação (FCF yield) de 13% neste ano, além de reduzir a alavancagem de 3,9 vezes para 2,2 vezes a dívida líquida sobre Ebitda neste ano.

A Via, dona das Casas Bahia e do Ponto Frio, registrou lucro líquido de R$ 180 milhões no primeiro trimestre deste ano, uma alta de 1.284,6% em relação ao lucro de R$ 13 milhões apresentado um ano antes.

A companhia informa, porém, que o lucro líquido comparável “para os efeitos do incentivo de subvenção relacionado a anos anteriores foi de R$ 63 milhões”. “No trimestre, o incentivo de subvenção totalizou R$ 150 milhões, dos quais R$ 117 milhões referem-se a efeito de anos anteriores e R$ 33 milhões ao primeiro trimestre de 2021”, explica a companhia.

De janeiro a março, as vendas brutas totais (GMV) do grupo somaram 10,33 bilhões de reais, alta anual de 27% , refletindo ainda o forte crescimento das vendas por canais digitais diante das medidas de isolamento social devido à pandemia.

A receita líquida, por sua vez, ficou em R$ 7,547 bilhões entre janeiro e março, um crescimento de 19,1% na comparação com os R$ 6,339 bilhões apresentados um ano antes.

O Ebitda ajustado recuou 6% na comparação anual, para R$ 584 milhões, com a margem Ebitda recuando 2,1 pontos percentuais.

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O Credit Suisse comentou que a Via apresentou bons resultados no primeiro trimestre de 2021, ligeiramente acima das suas expectativas. O banco destaca que as vendas brutas de mercadoria (GMV, na sigla em inglês) de R$ 10,3 bilhões, vieram 4% acima das suas projeções, com destaque para o GMV online, com alta de 123% na comparação anual, enquanto as vendas no varejo físico responderam por R$ 5,3 bilhões, queda de -9,6% sobre 2020, com o segmento ainda impactado pela pandemia.

Segundo o Credit, a margem bruta, que subiu 0,7 ponto percentual, foi beneficiada por negociações comerciais e benefícios fiscais, enquanto a margem Ebitda ajustada manteve-se saudável em 7,7%, abrindo espaço para a empresa para acelerar o crescimento.

“Em suma, esperamos uma reação positiva no pregão de hoje, já que os principais indicadores, principalmente relacionados ao GMV online, mostraram uma boa tendência”, dizem os analistas.

O banco afirma ainda que as ações VVAR3 são negociadas com um desconto de pelo menos 35% – considerando o múltiplo de valor de mercado mais dívida líquida sobre as vendas brutas (EV/GMV) – em relação aos concorrentes de e-commerce, uma vez que o mercado ainda espera indicações mais claras sobre a transformação digital da empresa e sobre sua capacidade de amadurecer e dimensionar seu marketplace.

“Reconhecemos que as composições têm sido mais fáceis para a Via, se comparadas aos concorrentes, e outras empresas já enfrentaram desafios que a Via não enfrentou, principalmente relacionados à maturação do segmento 3P (marketplace – produtos de terceiros). No entanto, o primeiro trimestre de 2021 marca o sexto trimestre consecutivo de resultados sólidos, combinando um ritmo de crescimento decente (acima dos pares, considerando o segmento online) com níveis de lucratividade saudáveis (mais saudáveis do que os pares também)”, diz o Credit.

O banco conclui que a combinação entre execução contínua e múltiplos atraentes – com o múltiplo de valor de mercado mais dívidas sobre vendas brutas (EV/GMV) de 0,5 vez para 2021 – nos leva a permanecermos otimistas com o investimento em Via. O banco tem recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para os ativos, com preço-alvo de R$ 24 por papel.

O Bradesco BBI destacou que modo geral, os resultados vieram dentro do esperado. Dentre os números, o banco destaca o crescimento do GMV de 27% na comparação anual e diz que a queda de 10% nas lojas físicas (devido às restrições e aos fechamentos de lojas) foi compensada pelo aumento de 123% no comércio eletrônico. O BBI afirma que o GMV ficou 7% acima da sua estimativa, mas a receita líquida foi apenas 1% superior às suas projeções. Além disso, o Ebitda, de R$ 584 milhões, ficou em linha com a estimativa do banco, mencionando a queda da margem Ebitda de 2,1 pontos percentuais, impulsionada pela desalavancagem de custos, como resultado do fechamento de lojas. O lucro líquido ajustado, de R$ 69 milhões, ficou um pouco abaixo da estimativa do BBI.

O banco destaca que a aceleração do crescimento do marketplace é um marco importante e a evolução do canal nos próximos meses será crucial para que os investidores tenham mais confiança na Via como um player importante em várias categorias de comércio eletrônico no futuro.

Mas os analistas dizem que seguem preocupados com a concorrência, destacando que a estratégia de frete grátis mais agressiva que a B2W implementou nos últimos dias, depois de já ter feito um movimento mais agressivo no início do ano, é um sinal disso. “À medida que a Via aumenta o mercado e começa a oferecer serviços de atendimento de forma mais ampla, isso é algo que pode exigir investimento. Também esperamos que os próximos meses sejam desafiadores, uma vez que o crescimento do comércio eletrônico comece a desacelerar em relação à base do ano passado”, diz o BBI.

Embora reconheçam que as ações estão descontadas, citando o EV/GMV de 0,5 vez, os analistas afirmam que mantêm recomendação neutra para os papéis devido à preocupação com a concorrência. O BBI tem preço-alvo de R$ 17 para as ações.

A companhia de alimentos BRF registrou lucro líquido de R$ 22,4 milhões no primeiro trimestre deste ano, resultado bem abaixo do que esperavam os analistas consultados pela Refinitiv, que previam lucro de R$ 112,7 milhões.

Apesar disso, a companhia reverteu o prejuízo de R$ 38 milhões apresentados um ano antes, enquanto no comparativo com o quarto trimestre de 2020 houve uma queda de 97,5% no lucro.

O Ebitda ficou em R$ 1,234 bilhão no período, alta de 1,4% sobre os R$ 1,251 bilhão do primeiro trimestre do ano passado e avanço de 22,3% sobre os R$ 1,587 bilhão do fim de 2020.

A Oi, empresa em recuperação judicial, encerrou o primeiro trimestre de 2021 com prejuízo líquido consolidado de R$ 3,508 bilhões, redução de 44% em relação a perda obtida um ano antes, de R$ 6,253 bilhões.

A perda atribuída aos acionistas controladores foi de R$ 3,504 bilhões no período, ante prejuízo de R$ 6,280 bilhões visto entre janeiro e março de 2020.

O Ebitda de rotina, que retira itens não recorrentes, foi de R$ 1,128 bilhão no primeiro trimestre, queda de 23,8% em relação ao valor de R$ 1,481 bilhão obtido em igual época de 2020.

A margem Ebitda caiu de 31,5% no primeiro trimestre de 2020 para 25,7% no primeiro trimestre deste ano. A receita líquida da empresa no primeiro trimestre de 2021 alcançou R$ 4,39 bilhões, baixa de 6,8% sobre o resultado de um ano antes. A Oi finalizou março com uma dívida líquida de R$ 25,172 bilhões, aumento de 38,8% em relação ao mesmo período de 2020.

Cia. Hering (HGTX3

A Cia Hering registrou lucro líquido de R$ 19,76 milhões no primeiro trimestre, uma alta de 291,8% ante o lucro de R$ 5,04 milhões apresentado um ano antes.

O Ebitda foi de R$ 14,3 milhões, alta de 25,8% na comparação anual.

Já a receita líquida teve crescimento de 4,8%, para R$ 285,1 milhões, enquanto as vendas no conceito mesmas lojas reverteram o desempenho prejudicado pelas medidas de isolamento social do ano passado, registrando alta de 11,4%, ante queda de 22,2% um ano antes.

Natura&Co (NTCO3)

A fabricante de cosméticos Natura&Co  teve prejuízo líquido de R$ 156,6 milhões no primeiro trimestre, uma melhora considerável ante o resultado negativo de R$ 824,9 milhões apresentado um ano antes.

A companhia, dona da marcas The Body Shop e Avon, registrou ainda Ebitda de R$ 829 milhões entre janeiro e março, alta de 470,7% em um ano. Em termos ajustados, o Ebitda foi de R$ 963,2 milhões, com margem de 10,2%.

Esse resultado veio apoiado numa receita líquida consolidada que atingiu R$ 9,5 bilhões, alta de 25,8%, com impulso das operações no Brasil e em países de língua espanhola.

A estatal Eletrobras registrou lucro líquido de R$ 1,609 bilhão, uma alta de 31% em relação ao lucro de R$ 1,228 bilhão apresentado um ano antes.

Segundo a companhia, o lucro foi impactado positivamente pelos resultados em transmissão, em decorrência da Revisão Tarifária Periódica com efeitos a partir de julho de 2020.

Do outro lado, a Eletrobras explica que houve um impacto negativo das provisões para contingências de R$ 932 milhões, com destaque para R$ 436 milhões relativos às contingências judiciais que discutem a correção monetária de empréstimo compulsório.

A Eneva teve lucro líquido de R$ 203,1 milhões no primeiro trimestre de 2021, alta de 13% em relação ao mesmo período no ano passado.

O Ebitda ajustado foi recorde para um primeiro trimestre, com alta de 2,8% a R$ 446 milhões, com melhora das margens fixas das usinas a gás, aumento da margem variável em Pecém II e menores gastos com sísmica em relação a um ano antes.

Bradespar (BRAP4)

A Bradespar, que possui participação na Vale, teve lucro de R$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre, mais de 32 vezes acima dos R$ 53,8 milhões registrados no mesmo período de 2020.

A Bradespar conta com receita operacional originada do resultado de equivalência patrimonial, dividendos e juros sobre capital próprio da mineradora.

A receita chegou a R$ 1,74 bilhão no trimestre, sendo o melhor resultado apresentado em um primeiro trimestre da companhia, destacou a administração da Bradespar em relatório. “Cumpre destacar que a Vale, no mesmo período, reportou Ebitda ajustado de US$ 8,47 bilhões, com ênfase para a área de minerais ferrosos, principalmente, por maiores preços realizados das commodities, que, inclusive, compensaram volumes sazonalmente menores”. O resultado financeiro ficou positivo em R$ 2,9 milhões.

A SLC Agrícola viu seu lucro líquido subir 140,9% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o início de 2020, atingindo R$ 376,8 milhões. O resultado foi puxado pelo aumento do valor dos ativos biológicos de soja, em meio a preços mais altos das commodities agrícolas.

“A variação é explicada notadamente devido a preços e produtividades superiores à safra anterior, ou seja, expectativa de melhores margens para a safra 2020/21 versus a safra 2019/20”, disse a SLC em seu release de resultados.

O Ebitda ficou em R$ 272,5 milhões, um crescimento de 49,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O crescimento do Ebitda se deu pelo resultado bruto realizado de soja e do caroço de algodão no comparativo entre os trimestres, comentou a SLC.

Já a receita líquida cresceu 30,8% no primeiro trimestre, com os ganhos do algodão em pluma, produto que possui maior valor agregado, sendo 23% superiores aos registrados um ano antes.

Guararapes (GUAR3)

A Guararapes Confecções, dona da rede de lojas Riachuelo, registrou prejuízo líquido de R$ 104,9 milhões no primeiro trimestre de 2020, 120,8% superior ao prejuízo de R$ 47,5 milhões do mesmo período de 2020.

O Ebitda ajustado da Guararapes ficou em R$ 33,501 milhões entre janeiro e março de 2021, queda de 66,9% ante igual período em 2020.

Segundo comentários da empresa que acompanha os resultados, a performance é reflexo da queda nas vendas em mesmas lojas, da expansão de margem bruta de mercadorias, do desempenho das despesas operacionais e do forte crescimento do Resultado da Operação financeira.

A receita líquida consolidada da Guararapes nos primeiros três meses de 2021 encolheu 23,5% na comparação anual, para R$ 1,243 bilhão. As despesas operacionais, por sua vez, cresceram 7,3% na mesma base de comparação, para R$ 737,8 milhões. No período, a companhia apresentou um consumo de caixa de R$ 403,5 milhões.

Locaweb (LWSA3

A Locaweb registrou um lucro líquido ajustado de R$ 9 milhões no primeiro trimestre deste ano, uma alta de 78,4% ante os R$ 5,1 milhões de lucro registrados um ano antes.

Retirando os ajustes, a companhia teve um prejuízo líquido de R$ 8,4 milhões, resultado 268,9% maior que o prejuízo de R$ 2,3 milhões nos três primeiros meses de 2020.

Enquanto isso, a receita líquida da empresa teve uma alta de 53,9% na comparação anual, ficando em R$ 160,9 milhões no primeiro trimestre.

A MRV registrou um lucro líquido consolidado de R$ 137 milhões no primeiro trimestre, alta de 30,9% sobre o resultado de um ano antes.

Os números foram impulsionados pelo boom do mercado imobiliário no Brasil com taxas de juros em mínimas recordes. Apesar disso, a companhia teve um maior consumo de caixa porque estocou matéria-prima para se proteger da inflação.

A receita operacional líquida de janeiro a março somou R$ 1,598 bilhão, crescimento de 5,9% na comparação anual. A margem bruta, porém, caiu 0,3 ponto percentual, a 27,8%.

A RNI Negócios Imobiliários registrou lucro líquido de R$ 2,57 milhões de janeiro a março, ante prejuízo de R$ 7,4 milhões de um ano antes. Já a receita subiu 60%, a R$ 89,6 milhões. A margem bruta ajustada passou de 24,8% para 30,7%.

O lucro líquido da Trisul totalizou R$ 35 milhões, alta de 13% na base de comparação anual. A receita líquida, por sua vez, subiu 18%, a R$ 202,2 milhões.

A Yduqs teve lucro líquido de R$ 43,2 milhões no primeiro trimestre, 74% menor na comparação anual, impactada pela depreciação de ativos tecnológicos. Cerca de metade da perda de R$ 125 milhões, no período, veio dessa depreciação, uma vez que a companhia vem investindo fortemente em tecnologia. Outra parte foi decorrente de despesa financeira por conta da dívida captada para aquisição da Adtalen (R$ 35 milhões), redução do Ebitda (R$ 25 milhões) e R$ 4 milhões em impostos.

O Ebitda totalizou R$ 313 milhões, queda de 7% na base anual, enquanto a margem caiu oito pontos percentuais, para 29%.

A receita foi de R$ 1,082 bilhão, alta de 17%, sendo que 54% vieram de cursos presenciais, 27% do ensino digital e 19% dos cursos premium, como medicina. Já a captação de alunos no processo seletivo do começo do ano subiu 7%, com mais 265 mil estudantes à base total.

Moura Dubeux (MDNE3)

A construtora Moura Dubeux teve lucro de R$ 17 milhões no período de janeiro a março de 2021, revertendo prejuízo líquido de R$ 32,3 milhões do primeiro trimestre do ano passado. A receita líquida teve alta de 143%, para R$ 161,2 milhões.

O Bradesco BBI destacou os números como positivos, com margem bruta em 35,9% no primeiro trimestre de 2021, alta de 9,7 pontos percentuais na comparação anual e de 4,4 pontos percentuais na comparação trimestral, 1,2 ponto percentual acima da expectativa do Bradesco, e 1,5 ponto percentual acima da expectativa do mercado.

O faturamento bruto ficou em R$ 161 milhões, alta de 143% na comparação anual, e 39% acima da estimativa do BBI.

O banco diz que não espera que as margens se mantenham em um patamar tão elevado nos próximos trimestres, mas que vê perspectiva de crescimento às suas estimativas para o ano fiscal de 2021, de que a margem bruta fique em 32%. O banco também diz que outro ponto positivo foi a receita líquida, de R$ 18 milhões, 24% acima da expectativa do Bradesco, e 37% acima daquela do consenso do mercado.
O Bradesco BBI mantém recomendação outperform e preço-alvo de R$ 16.

O Credit Suisse avalia que a Moura Dubeux mostrou operações saudáveis e que a empresa não só está provando que a demanda do Nordeste do país continua aquecida, mas que está pronta para incrementar suas operações. Ao contrário da maioria do setor, a Moura Dubeux indicou alta das margens, e poderia enfrentar menos pressão da alta dos custos devido à competição menor na região.
O banco mantém avaliação outperform para a empresa e preço-alvo em R$ 15.

A Hapvida teve uma queda de 8,7% do lucro no primeiro trimestre, a R$ 150,2 milhões. A receita subiu 11,7% nos três primeiros meses do ano, somando R$ 2,32 bilhões.

O Credit Suisse avaliar que, apesar da seriedade da crise de Covid, o impacto sobre o índice de sinistralidade foi relativamente limitado, e a empresa foi capaz de manter a lucratividade. A integração vertical e a gestão foram essenciais para lidar com o problema. No entanto, o Credit aponta que o crescimento orgânico poderia ser maior devido à atratividade da expectativa de valoração. O banco  continua  acreditando no modelo vertical e na agregação de valor que virá com a fusão com o Notre Dame. O preço-alvo da ação é de R$ 20, frente os R$ 14,20 de fechamento na véspera.

O Morgan Stanley afirma que a taxa de perda médica da Hapvida se deteriorou em 4 pontos percentuais na comparação anual, principalmente devido à pandemia de Covid, normalização de procedimentos eletivos e consolidação de fusões e aquisições. O banco diz que os resultados estão em linha com a expectativa, o que é uma surpresa positiva em comparação com o primeiro trimestre do Notre Dame, que teve seus resultados divulgados na véspera e que decepcionaram os investidores. O banco mantém avaliação overweight e preço-alvo de R$ 21,50 para a Hapvida.

EDP Brasil (ENBR3)

A elétrica EDP Brasil reportou um lucro líquido de R$ 495,7 milhões no primeiro trimestre, forte avanço de 83% frente ao mesmo período de 2020, com maiores volumes de consumo de energia que ajudaram os negócios de distribuição e melhor desempenho também em transmissão e geração hídrica.

A companhia, do grupo europeu EDP Energias de Portugal, reportou em balanço na noite de quarta-feira um resultado operacional medido pelo Ebitda de R$ 1 bilhão, salto de 50%. O Ebitda ajustado cresceu 34,3%, para R$ 807,4 milhões.

A receita líquida entre janeiro e março somou R$ 3,44 bilhões, alta de 5%.

Equatorial (EQTL3)

A Equatorial Energia, que controla distribuidoras de eletricidade e possui ativos de geração e transmissão, fechou o primeiro trimestre com lucro de R$ 353 milhões, recuo de 19,7% frente ao mesmo período, embora tenha reportado avanço se excluídos efeitos não recorrentes.

A companhia informou em balanço divulgado na noite de quarta-feira que o lucro ajustado foi de R$ 401 milhões, o que representa alta de 7,1% ano a ano.

O Ebitda atingiu R$ 1 bilhão, queda de 12,4% frente ao primeiro trimestre de 2020, embora o Ebitda ajustado tenha subido 1,1%, a R$ 1,08 bilhão.

A companhia disse que o volume total de energia distribuída em suas concessões teve aumento consolidado de 4% frente ao mesmo período ano anterior, com destaque para suas distribuidoras no Maranhão, Piauí e Pará, com crescimentos de 5,4% nas duas primeiras e de 3,7% na última.

Banrisul (BRSR6)

O Banrisul teve lucro de R$ 278,9 milhões no primeiro trimestre, alta de 8,3%. A rentabilidade anualizada sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em 13,2%.

O lucro ficou acima da estimativa do Morgan de R$ 245 milhões, e 37% acima do consenso do mercado, de R$ 204 milhões. O bom resultado se deve à queda de provisões, de 68% na comparação trimestral.

O Morgan Stanley mantém avaliação overweight, e preço-alvo de R$ 19,5, frente os R$ 12,26 de fechamento na quarta.

A Eucatex, fabricante de chapas de madeira, teve lucro líquido de R$ 61,6 milhões no primeiro trimestre, alta de 37,5% na comparação anual.

Já a receita subiu 43,5%, indo de R$ 368,9 milhões para R$ 529,5 milhões na mesma base de comparação.

Positivo (POSI3)

A Positivo Tecnologia totalizou um lucro líquido atribuível aos seus acionistas controladores de R$ 54, 8 milhões no primeiro trimestre, 16 vezes acima dos R$ 3,4 milhões registrados em igual período de 2020.

A receita líquida subiu 78,7%, para R$ 676,4 milhões.

A Enauta Participações, companhia de exploração de petróleo, registrou prejuízo líquido de R$ 15,8 milhões no primeiro trimestre de 2021, montante 71,8% ante dado negativo de RS 56,2 milhões em igual período de 2020.

A Aeris, fabricante de pás eólicas, teve lucro líquido de R$ 23 milhões no primeiro trimestre, alta de 38,77% na comparação anual.

Segundo a XP, a Aeris reportou resultados em linha com o esperado, com Ebitda de R$ 57 milhões.

“Notamos que a margem Ebitda apresentou melhora de 150 pontos-base na base sequencial (8,5% versus 7,0% no quarto trimestre), embora ainda abaixo dos níveis do primeiro trimestre de 2020 de 11,8%, possivelmente explicado pela pressão de margem relacionada à pandemia, que impediu a empresa de otimizar ainda mais sua produtividade durante o trimestre (altos níveis de absenteísmo)”, apontam os analistas.

Eles ainda reforçam que, “em outra frente, saudamos a divulgação da Aeris de diversos dados operacionais, incluindo (i) receita líquida potencial de contratos de longo prazo (R$8,9 bilhões, ou 3,3 anos de receita considerando a receita anualizada do 1T21, que se compara a cerca de 2,6 anos para a TPI Composites, seu principal concorrente), e (ii) níveis de rentabilidade das linhas de produção em diferentes estágios, o que nos dá mais visibilidade sobre a evolução dos níveis de retorno dentro dos diferentes ciclos de produção de uma pá eólica”.

A XP reforça visão positiva de longo prazo em relação a Aeris, reiterando recomendação de c ompra e preço alvo de R$ 15 por ação.

A Fras-le teve lucro de R$ 60,7 milhões no primeiro trimestre, montante quase 16 vezes maior em relação ao mesmo período de 2020.

A Rossi Residencial registrou prejuízo de R$ 32,5 milhões no primeiro trimestre, queda de 55,5% ante mesmo período do ano passado. Já a receita subiu 26 vezes, a R$ 28,7 milhões.

Profarma (PFRM3)

A Profarma lucrou R$ 4,9 milhões no primeiro trimestre deste ano,  alta de 534,8%.

O prejuízo líquido da rede de farmácias D1000 teve alta 37% no primeiro trimestre, para R$ 8,5 milhões. Enquanto isso, a receita da companhia teve baixa de 9,4%, para R$ 256,3 milhões.

Aliansce (ALSO3)

O lucro líquido atribuível aos sócios controladores da Aliansce Sonae teve baixa de 59,6% no primeiro trimestre de 2021 na comparação anual, para R$ 41,8 milhões, enquanto a receita líquida caiu 14,1% na mesma base de comparação, a R$ 197 milhões;.

O lucro líquido ajustado do banco digital Modalmais foi de R$ 24,0 milhões, ante R$ 3,2 milhões no mesmo período do ano passado.

A instituição tinha R$ 19,6 bilhões em ativos sob custódia ao final do trimestre, 82,3% acima na base de comparação anual.

A 3R Petroleum registrou prejuízo líquido de R$ 43,974 milhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 37,7% ante prejuízo de R$ 31,924 milhões nos primeiros três meses do ano passado, em valores atribuíveis aos controladores.

A International Meal Company (IMC), dona de redes de restaurantes como KFC, Pizza Hut, Viena e Frango Assado, registrou prejuízo líquido de R$ 55,4 milhões no primeiro trimestre de 2021, valor 20,1% acima do prejuízo líquido de RS 46,1 milhões em igual período do ano passado.

A Ambipar, que atua em gestão ambiental, registrou lucro líquido de R$ 32,3 milhões no primeiro trimestre de 2021, cifra 195,7% maior que o apurado no mesmo período do ano passado. A margem líquida bateu recorde, chegando a 12,3%. A expansão, informa a empresa em seu release de resultados, se deve à melhora do resultado financeiro com o incremento da estrutura de capital.

A companhia também registrou caixa líquido de R$ 193,9 milhões, demonstrando a capacidade para potenciais aquisições e crescimento orgânico.

O Ebitda somou R$ 72,7 milhões entre janeiro e março, o que representa crescimento de 80,7% comparado ao mesmo período de 2020 e 14% frente ao quarto trimestre do ano passado. A margem ficou em 27,7%, com leve redução de 0,5 ponto porcentual.

A Allpark, dona da rede de estacionamentos Estapar, teve prejuízo líquido de R$ 64,6 milhões no primeiro trimestre, avanço de 155% ante o prejuízo de R$ 25,3 milhões em igual período de 2020, como reflexo do avanço da segunda onda da covid-19, que impactou a mobilidade.

A receita recuou 32%, para R$ 165,5 milhões. O Ebitda foi de R$ 38,1 milhões, queda de 48,8% ante o mesmo período de 2020. A margem Ebitda caiu 7,5 pontos percentuais, a 23%.

A B3 divulgou seus dados operacionais do mês de abril. A movimentação média diária no mercado à vista de ações ficou em R$ 31,501 bilhões, alta de 13,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Já na comparação com março deste ano houve queda de 14,4%. Considerando o total de ações, houve alta anual de 14,4% e queda ante o mês anterior de 14,6%.

O GPA, controlador do Pão de Açúcar, negou que está em discussões para venda de sua participação no grupo colombiano Éxito. “Neste momento, não há conversas ou discussões vinculantes em andamento em relação à alienação de qualquer ativo, incluindo a participação que detém no Éxito”, afirmou a companhia em curto comunicado ao mercado.

A elétrica Copel recebeu carta da BNDESPar indicando que o banco BTG Pactual foi escolhido como coordenador líder de uma oferta pública secundária de ações da companhia paranaense detidas pelo braço de participações do BNDES, que envolverá até 24% do capital social da empresa.

A companhia de cashback Méliuz chegou a um acordo para comprar 100% da Promobit Serviços de Tecnologia Digital por um valor inicial de R$ 13 milhões. Há ainda uma parcela posterior, mas que está sujeita ao atingimento de determinadas metas (earnout).

O Bradesco BBI elevou o preço-alvo da Vamos para 2021 para R$ 55 e manteve recomendação outperform. O banco credita a decisão aos resultados fortes para o primeiro trimestre, à aquisição do portfólio da BYD de 436 empilhadeiras elétricas, e à expansão de concessionárias.

As receitas contratadas no primeiro trimestre sugerem que as receitas de aluguel em 2021 podem facilmente crescer 52% na comparação anual, avalia o Bradesco, superando sua estimativa preliminar de crescimento, de 41%. Além disso, a Vamos já garantiu 55% de suas receitas de aluguel para 2022, alta sobre 42% no quarto trimestre.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

Suzano vai investir quase R$ 15 bilhões em nova fábrica de celulose no MS, a “maior do segmento no mundo”

SÃO PAULO (Reuters) – A Suzano (SUZB3) anunciou nesta quarta-feira que vai investir 14,7 bilhões de reais para erguer o que chama de maior fábrica de celulose de linha única de eucalipto do mundo, prevista para entrar em operação em Ribas do Rio Pardo (MS) no início de 2024.

A nova unidade terá capacidade para 2,3 milhões de toneladas anuais de celulose. O raio médio da madeira que vai abastecer a unidade será de 60 quilômetros, ante mais de 100 quilômetros de outras unidades da empresa, o que tornará a instalação a mais competitiva da Suzano em custos de produção, afirmaram executivos durante videoconderência.

“Já compramos a madeira necessária para os primeiros anos de produção. Estamos com programa expressivo de plantio de eucalipto e temos completa tranquilidade sobre abastecimento de madeira”, disse o presidente-executivo da Suzano, Walter Schalka.

Com a nova fábrica, a Suzano, hoje já a maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, vai elevar sua capacidade de produção, de 10,9 milhões para 13,2 milhões de toneladas anuais.

Os preparativos para o lançamento da unidade já duravam meses, com a empresa citando necessidade de redução da alavancagem antes de fazer o anúncio do investimento.

Com a futura nova fábrica, o Mato Grosso do Sul, que abriga importantes biomas como o Pantanal e o Cerrado, vai abrigar, além da produção agrícola, quatro grandes instalações de produção de celulose, incluindo duas linhas da própria Suzano e uma da Eldorado Brasil, estas três na região de Três Lagoas. Novos projetos de celulose no Estado estão sendo estudados.

O escoamento da produção da nova fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo se dará via Porto de Santos. As cidades de Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas são ligadas pela BR-262. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, citou durante a apresentação planos de investimento na infraestrutura ferroviária da região.

O financiamento do projeto, que terá desembolsos até 2024, representa um dos maiores investimentos privados do país, será feito com recursos da própria Suzano sem necessidade de contratação de novos financiamentos, afirmou o vice-presidente financeiro da companhia, Marcelo Bacci.

“Nossa alavancagem vai cair abaixo de três vezes até o final do ano, que é o limite de nossa política de endividamento. Essa trajetória abre espaço para novos investimentos”, afirmou o executivo. A Suzano terminou março com alavancagem em dólares de 3,8 vezes dívida líquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda).

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“O momento é propício”, afirmou Bacci. De fato, em abril, a Suzano elevou os preços de celulose vendida à China para o recorde de 780 dólares a tonelada e aumentou preços cobrados de clientes na Europa e Estados Unidos, citando um mercado com mais demanda que oferta e que ainda enfrenta dificuldades em encontrar contêineres para o transporte da matéria-prima do papel.

Além da Suzano, outras empresas do setor de papel e celulose têm preparado projetos de expansão no país. O anúncio da Suzano nesta quarta-feira ocorreu uma semana após a rival Klabin aprovou investimento adicional de 2,6 bilhões de reais para a ampliação de sua fábrica integrada de celulose e papel no Paraná.

RESULTADO

Além do investimento no MS, a Suzano também divulgou nesta quarta-feira que fechou o primeiro trimestre com Ebitda ajustado de 4,86 bilhões de reais, ante 3 bilhões no mesmo período de 2020. Analistas, em média, esperavam Ebitda de 5,07 bilhões de reais, segundo dados da Refinitiv.

A receita líquida somou 8,9 bilhões de reais, crescimento de 27% sobre um ano antes e de 11% sobre o do quarto trimestre.

Apesar da alta na receita, a produção de celulose recuou 7% na comparação anual e ficou estável na trimestral, a 2,65 milhões de toneladas.

“O trimestre foi marcado pela recuperação do mercado de celulose, com significativa melhora nos fundamentos, o que favoreceu a continuidade da recuperação de preços sobretudo na China e que gradativamente estarão refletidos nos resultados da companhia”, afirmou a Suzano no balanço, se referindo aos aumentos de preços praticados.

A Suzano afirmou que vendeu celulose a um preço médio de 523 dólares a tonelada no primeiro trimestre, 13% acima do valor praticado um ano antes.

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A linha final do balanço foi de prejuízo de líquido de 2,75 bilhões de reais, ante resultado negativo de 13,4 bilhões um ano antes.

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Suzano tem prejuízo de R$ 2,7 bi no 1º trimestre, mas Ebitda cresce 61% com alta da celulose

Fábrica da Suzano Papel e Celulose (divulgação)

SÃO PAULO – A companhia de papel e celulose Suzano (SUZB3), registrou um prejuízo de R$ 2,755 bilhões no primeiro trimestre deste ano, mostrando uma boa melhora em relação ao resultado negativo de R$ 13,419 bilhões um ano antes. Apesar disso, o número representa uma piora ante o lucro de R$ 5,914 bilhões do quarto trimestre de 2020.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em R$ 4,864 bilhões entre janeiro e março, uma alta de 61% ante os R$ 3,026 bilhões do primeiro trimestre de 2020, e um avanço de 23% na comparação trimestral.

A melhora operacional da companhia se deu por apoiada na queda nas despesas financeiras e preços maiores de celulose. A commodity registrou uma alta de 14% ante o início de 2020, para um preço médio de US$ 532 por tonelada.

“O trimestre foi marcado pela recuperação do mercado de celulose, com significativa melhora nos fundamentos, o que favoreceu a continuidade da recuperação de preços sobretudo na China e que gradativamente estarão refletidos nos resultados da companhia”, destacou a Suzano em seu release.

Parte da melhora foi incentivada por problema de falta de contêineres para transporte das exportações, corroborado pelo congestionamento ocorrido no canal de Suez no período.

A receita líquida, por sua vez, subiu 27% em um ano, passando de R$ 6,981 bilhões para R$ 8,889 bilhões. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, o avanço foi de 11%.

A Suzano também anunciou que seu conselho de administração aprovou o andamento de projeto de construção de nova fábrica de celulose, com capacidade para 2,3 milhões de toneladas por ano, no Mato Grosso do Sul. O projeto exigirá investimento de R$ 14,7 bilhões a ser desembolsado entre este ano e 2024.

O anúncio ocorreu uma semana depois que a rival Klabin (KLBN11) aprovou investimento adicional de R$ 2,6 bilhões no projeto de ampliação de sua fábrica integrada de celulose e papel no Paraná.

Segundo a Suzano, o projeto da nova fábrica, chamado de “Projeto Cerrado, representa um importante avanço na estratégia de longo prazo da companhia, contribuindo para a ampliação de sua competitividade estrutural, o atendimento à demanda crescente de celulose de fibra curta”.

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(Com Reuters)

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Até onde vai o ‘boom das commodities’ que tem sustentado a Bolsa? Veja expectativas e ações que surfam na onda

SÃO PAULO – Com a forte recuperação das duas maiores economias do mundo, China e Estados Unidos, 2021 começou com a demanda por commodities aquecida. As matérias-primas, que são os ingredientes básicos da retomada das atividades mundo afora, embarcaram em um ciclo de alta, beneficiando países com forte produção de agrícola e pecuária, como o Brasil.

Ainda que boa parte do avanço já tenha ficado para trás, analistas são unânimes: ainda há mais por vir. Além do avanço da vacinação, os mercados estão encharcados de dinheiro, fruto dos estímulos trilionários de governos para combater a pandemia. Com menos restrições de deslocamento, os países ricos voltam a produzir e consumir – e têm dinheiro em caixa para isso.

O cobre, por exemplo, se aproximou dos US$ 10 mil por tonelada. No último dia 29, chegou a US$ 9.885, igualando o pico registrado em 2011. A commodity é chamada de Dr. Copper (em português, Dr. Cobre), o metal com PhD em economia, tamanha a sua correlação com a atividade econômica.

Já o minério de ferro bateu a máxima histórica ao atingir US$ 191 por tonelada no último dia 30. E o Índice de Commodities da Refinitiv (ex-Reuters), que mede o comportamento de um grupo de 19 matérias-primas, está no maior valor em três anos.

Gráficos com máximas históricas do minério de ferro, cobre e commodities em 2021

(LeoAlbertino/InfoMoney)

Os recordes nas cotações das commodities casam com os dados robustos de retomada da China e dos EUA. Em março, as vendas no varejo do país asiático subiram 34,2% e o PIB chinês registrou avanço recorde de 18,3% no primeiro trimestre. Já os EUA cresceram 1,6% no primeiro trimestre, o maior avanço trimestral desde o terceiro trimestre de 2003, excluindo a alta do PIB no terceiro trimestre de 2020 com o início da reabertura.

Com cerca de um terço da Bolsa brasileira composta por ações ligadas a commodities, mesmo diante da deterioração dos quadros fiscal, político e econômico, as matérias-primas têm sustentado a alta dos ativos. É o que explica o descolamento entre o Ibovespa e o PIB – enquanto o índice vem subindo, as expectativas para a economia vêm caindo.

Gilberto Cardoso, analista de commodities da Ohm Research, ressalta que além do crescimento de China e EUA, a Índia, com a segunda maior população do mundo, também tem impulsionado as commodities. “A Índia não registrou safras boas e existe uma inflação de alimentos no mundo que está puxando a demanda. Como o Brasil exporta muitas ‘soft commodities‘, como soja, açúcar e carnes, nosso mercado é favorecido.”

Problemas na cadeia de suprimento global decorrentes da pandemia também ajudaram a elevar os preços ao provocar restrições de oferta no mundo todo. “É uma combinação de demanda forte, com retomada da China, Coreia do Sul, de Taiwan e outros países, contra a performance ruim dos fornecedores”, diz Cardoso.

Há ainda razões para o ‘boom das commodities’ que vêm do mercado de capitais. Com o PIB global crescendo mais, investidores embarcaram em um movimento de rotação desde o fim de 2020: os recursos migram de ações de growth (crescimento), como techs, para ações de value (valor) ou cíclicas, como commodities e bancos.

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Conforme explica Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, na última década empresas com forte crescimento, como as techs, ganharam atratividade porque avançavam muito em um mundo de “PIB de lado”. Já num mundo de retomada do crescimento, investidores vão para ações que acompanham o ciclo econômico.

“Nossa Bolsa tem uma exposição cíclica muito grande, é um clássico exemplo da velha economia. Com EUA e China crescendo bastante e juros voltando a subir, esses dois fatores beneficiam setores cíclicos e o Brasil fica muito bem posicionado nessa rotação” diz Ferreira.

Em relatório divulgado no dia 22 de abril, o Bank of America disse esperar, mais uma vez, que ações de empresas da América Latina ligadas a commodities registrem forte crescimento na atual temporada de balanços, com as receitas do primeiro trimestre crescendo, em média, 115% no ano contra ano, e o Ebitda (capacidade de geração de caixa), 247%.

Ressaltando que, até a data de publicação do relatório, 66% das empresas americanas superaram expectativas de vendas e lucro por ação, o BofA diz que as revisões de ganhos seguem positivas tanto globalmente quanto no Brasil. “Os setores mais fortes do Brasil são os de alimentos básicos e cíclicos: commodities e financeiros. […] Do lado negativo, ações ligadas ao consumo discricionário, de TI, setor imobiliário e industriais estão sendo revisadas ​​para baixo, à medida que a segunda onda da pandemia prossegue.”

Qual é o espaço para alta?

De forma geral, os economistas avaliam que boa parte do movimento de alta das commodities já passou, mas ponderam que ainda dá tempo de surfar na onda.

“Se pensarmos em um ciclo, mais de dois terços já ficaram para trás, mas os preços devem se manter razoavelmente altos. É verdade que a China está desacelerando, mas os EUA continuam crescendo e os pacotes de Biden ainda devem sustentar a demanda”, afirma Gilberto Nagai, head de renda variável da BNP Paribas Asset Management.

Igor Lima, gestor de renda variável da Trafalgar Investimentos, afirma que algumas commodities já estão “fazendo um platô”, como o minério de ferro. “Metálicas e petróleo já completaram 70% ou 80% do movimento de alta, mas ainda têm um espaço de ganho de 30%. As mais interessantes para entrar agora são as agrícolas, como a soja e a carne bovina, que subiram em reais, mas bem menos em dólar”, diz.

Para que a tendência de alta das commodities se revertesse, seria necessário um “fundamento pior”, segundo Lima. “Estamos num ciclo de alta ainda, de recuperação da atividade global e não há sinais de fadiga. Pelo contrário, vemos mais estímulos, principalmente dos EUA, além da reabertura das economias no mundo todo.”

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Mas qual seria o espaço para avanço exatamente? O Goldman Sachs prevê que os preços das commodities subam 13,5% nos próximos seis meses. O banco destaca que metade delas têm preços de curto prazo superiores às cotações para entregas futuras, um padrão altista conhecido como backwardation, que “mostra como os mercados de commodities estão cada vez mais apertados”.

Já o banco UBS projeta ganhos acima de 10% para as commodities em seis meses, citando os fortes dados macroeconômicos, o aumento da demanda por cobre e a contínua disciplina na oferta da Opep, entidade que representa os países exportadores de petróleo.

Em um relatório publicado no dia 12 deste mês, a gestora BlackRock destaca que a retomada econômica tem gerado comentários sobre um novo “superciclo de commodities”. Mas enquanto o consumo da China foi a chave do último superciclo, no início dos anos 2000, desta vez é diferente.

“Vemos uma demanda mais ampla por metais em mercados desenvolvidos e emergentes, graças a uma revolução política global em resposta ao choque da Covid e também à uma demanda estrutural que surgiu com os gastos massivos de governos com energia renovável e infraestrutura”, diz o relatório da BlackRock.

Os analistas acreditam que a retomada pós-pandemia não é uma típica recuperação econômica e provavelmente será muito mais rápida do que as retomadas no passado.

“O crescimento na China – o maior consumidor de commodities do mundo – já está de volta ao nível pré-Covid e os EUA estão logo atrás. Essa dinâmica impulsionou as commodities nos últimos meses, mas o suporte deve desaparecer assim que a economia retornar a uma tendência de crescimento modesto”, diz a BlackRock, que cita estimativas de mercado que apontam que a economia americana deve voltar ao patamar pré-pandemia no fim do ano.

A gestora ainda afirma que há perspectivas diferentes entre os grupos de matérias-primas: a retomada ainda deve sustentar os preços do petróleo no curto prazo, mas a “transição verde” deve erodir a demanda por combustíveis fósseis no longo prazo. Já metais industriais estão prontos para desfrutar de uma demanda estrutural provocada por essa mesma transição verde nos próximos anos.

Ações ainda não refletem avanço das commodities

Apesar de concordar que boa parte da alta das commodities ficou para trás, Thomas Giuberti, da Golden Investimentos, diz que o investimento em ações ligadas a matérias-primas ainda pode valer a pena porque o avanço dos preços das commodities não foi incorporado pelos papéis.

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“Se a China continuar forte e o minério acima dos US$ 170, a Vale (VALE3), por exemplo, tem muito espaço para revisão para cima. E isso vale para todas as empresas produtoras de commodities: as ações não estão precificando o preço à vista das commodities”.

O gestor da Trafalgar afirma que o fundamento das empresas melhorou, com as receitas impulsionadas por preços elevados e aumento da demanda, mas o preço das ações não avançou na mesma velocidade. Ao observar o múltiplo EV/Ebitda (valor de mercado mais dívidas sobre a geração de caixa) da Vale, por exemplo, a empresa negociava a 4,1 vezes em dezembro. “Agora, com a melhora dos fundamentos, vemos a Vale negociando a 3,1 vezes o EV/Ebitda, mesmo após a forte alta da ação.”

Quanto menor o EV/Ebitda, mais próximo o valor da empresa está da sua capacidade de gerar caixa, portanto mais “descontado” está o papel. “E são companhias que, a essa cotação das commodities, geram muito caixa e estão pouco endividadas”, diz Lima. Hoje, a maior posição do portfólio da Trafalgar, composto por 15 ações, é a Vale, mas a carteira também inclui os frigoríficos Marfrig (MFRG3) e JBS (JBSS3), esse último com uma participação menor.

Citando os fortes resultados das ações ligadas a commodities esperados para o primeiro trimestre, a Levante Ideias de Investimentos afirma que as ações do setor também podem ser uma boa proteção contra as turbulências da política e contra a alta da inflação.

“O IPCA-15 de abril mostrou uma desaceleração em relação a março, mas, mesmo assim, a edição mais recente do relatório Focus mostra que os prognósticos para a inflação em 2021 superam 5%. Ou seja, vale a pena pensar em ações de commodities como uma estratégia defensiva contra a inflação”, diz a Levante, que além da Vale, cita também a Usiminas (USIM5) como ações que se beneficiam da alta das commodities.

Ao divulgar no fim de abril relatórios sobre as expectativas para os balanços do primeiro trimestre, destacando que “as commodities devem brilhar”, o BofA reiterou recomendações de compra para: CSN (CSNA3), cujo preço-alvo foi elevado de R$ 45 para R$ 53; CSN Mineração (CMIN3), com preço-alvo subindo de R$ 10 para R$ 11,50; Vale, com preço-alvo de US$ 25 para os ADRs (recibos das ações negociados em Nova York); JBS, com preço-alvo elevado de R$ 40 para R$ 46; e Marfrig, cujo preço-alvo subiu de R$ 22 para R$ 27.

O banco também tem recomendação de exposição acima da média (overweight) para ações ligadas a papel e celulose, com Klabin (KLBN11) e Suzano (SUZB3) como os papéis preferidos no setor na América Latina. Os preços-alvos para as ações são de R$ 36 e R$ 99, respectivamente.

Superaquecimento pode ameaçar ciclo de alta

O principal risco no radar é o superaquecimento das economias chinesa e americana, já que a inflação pressionada poderia levar a aumento de juros, esfriamento da economia e redução na demanda por commodites. Inclusive, acertar quando ou se a inflação vai se acelerar é o grande dilema do mercado hoje.

Em relação à China, o presidente Xi Jinping já pediu às províncias que tentem regular preços de matérias-primas para evitar a inflação acima da meta. “O governo chinês já tentou segurar preços antes, com medidas ligadas a estoques e crédito, mas é difícil fazer esse controle porque a China importa muita matéria-prima, 80% do minério usado no país vem de fora”, diz Cardoso, da Ohm.

Os elevados estímulos econômicos feitos no país em 2020 são sentidos nos preços agora, segundo Cardoso, uma vez que investimentos em infraestrutura têm um ciclo de nove meses entre o anúncio das injeções, a elaboração dos projetos, o empenho de verbas e, finalmente, o aumento da demanda para executar obras.

“Neste primeiro semestre a demanda chinesa não deve mudar muito, mas no segundo semestre pode começar a perder força e em 2022 devemos ter um ano mais normal”, diz Cardoso, prevendo que a perda de ímpeto na China pode levar a um arrefecimento do boom das commodities no Brasil a partir do fim deste ano.

Roberto Reis, sócio da Meraki Capital, trabalha com um cenário-base sem sustos em relação à China, com o país ainda sustentando um “grande ciclo de commodities” neste ano. “Dados mostram que o crescimento está indo bem e o governo chinês tem capacidade de movimentar a economia mais do que governos do Ocidente. Não estou muito preocupado”, diz.

Sobre os EUA, a inflação nos 12 meses encerrados em março ficou em 2,6%, acima da meta de 2% do Fed, o banco central americano. O Fed vem batendo na tecla de que a inflação pressionada é transitória e que, para subir juros, o índice deveria ficar acima de 2% por tempo prolongado e o país deveria alcançar o pleno emprego.

E mesmo que a alta em março (0,6%) seja a maior desde agosto de 2012, analistas de mercado ponderam que a inflação núcleo, que desconsidera energia e alimentos, está mais estável, com variação de 0,3% em março e 1,6% em 12 meses.

“Parte do mercado acha que a inflação cede e vai para 2,10% ou 2%, se isso acontecer ótimo, segue o jogo, mas se continuar pressionada aí gera um desconforto. Mas a capacidade de fôlego adicional do Fed deve ser mais questionada no fim do ano, ainda estamos no capítulo ‘EUA com crescimento absurdo de 7%, 8%’, e o mercado está dizendo ‘vamos ser felizes’”, diz Reis.

Fernando Ferreira, da XP, cita outro ponto que reduz as preocupações sobre a inflação. “Essa alta da inflação global tem acontecido por um bom motivo, que é a recuperação da economia. Então, mesmo com aumento de preços, o cenário continua sendo construtivo para commodities.”

Ainda assim, o risco é monitorado de perto. “Embora o Fed diga que vai tolerar nível maior de inflação, se o problema sair do controle podemos ter um ruído mais forte no mercado, que hoje trata isso como um risco marginal. Uma inflação nos EUA acima de 5% é o pior risco do nosso cenário hoje, qualquer sinal nesse sentido faz a curva americana abrir mais rápido, por isso é importante observar pincipalmente o segundo semestre”, diz Lima, da Trafalgar.

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