Ações do setor automotivo sobem oito vezes mais que o Ibovespa

Caros leitores, digníssimas leitoras: quem nos acompanha sabe que, nos últimos meses, montamos nossa carteira teórica de ações com empresas que possuem um bom foco no setor automotivo. Mas se você está chegando agora por aqui, algumas explicações:

1. Na nossa carteira, não há ações das locadoras. São dois motivos: o primeiro é que o pessoal de locadoras não gosta da gente – logo também não gostamos deles (:P). O segundo é que eles teriam um peso gigantesco no nosso índice e impactariam terrivelmente nele;

2. Nosso índice é composto por nove empresas que não fazem parte do Ibovespa, então não espere liquidez;

3. As empresas que compõem o nosso índice são: Plascar; Vamos; Metal Leve; Fras-le; Julio Simões; Iochpe-Maxion; Marcopolo; Randon e Tegma;

4. Nosso índice começou efetivamente em fevereiro deste ano depois da entrada da Vamos.

Por fim, vale lembrar que apenas pessoas e empresas credenciadas podem ofertar/vender relatórios e/ou auxiliar em aplicações financeiras.

Enquanto o Ibovespa encerrou o mês de julho com uma retração de 3,94%, nosso índice “Tabajara” do setor automotivo cravou evolução de 2,22%, engatando assim o quinto mês consecutivo de crescimento.

O grande destaque do nosso índice foi o pessoal da Vamos e da Fras-le (24% do nosso índice), que registraram valorização nas suas ações superior a 20%. Elas foram as grandes responsáveis pelo bom resultado deste mês.

No acumulado do nosso ano (de fevereiro a julho), a carteira teórica do setor automotivo teve alta de 45,83%, contra 5,85% do Ibovespa.

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O bom resultado da nossa carteira/índice é que ele é 100% focado no setor automotivo. E como ele está sendo esse ano? Segundo a Fenabrave, no período de janeiro a julho, o mercado de leves (automóveis e comerciais leves) registra evolução de 26%. O mercado de pesados (caminhões e ônibus) teve alta de 41%, motos com quase 45% de crescimento e Implementos Rodoviários com mais 57%.

Por exemplo, a LEVE3 tem como foco a fabricação de componentes dos motores além de filtros; já a FRAS3, grosso modo, é a responsável pela produção de itens de frenagem como pastilhas; lonas e sapatas; a PLAS3, em linhas gerais, faz o painel do seu carro!

E o resultado das empresas do nosso índice foi dessa forma:

Já as empresas que vêm performando mal (abaixo do Ibovespa) são a Tegma, que até vinha se recuperando nos últimos meses – mas aí rolou aquele buchicho que o pessoal da Julio Simões iria incorporá-los. Assim, baixou a filosofia Nunes no pessoal da Tegma: todo mundo pensava que eles iam e, no final, acabaram não “fondo”; a Marcopolo, que está com crescimento bem abaixo da nossa expectativa; e a Randon, cujo segmento (Implementos Rodoviários) registra crescimento nas vendas de quase 60% e a expectativa (para o setor) é de um novo crescimento de dois dígitos para o ano que vem! Mas, enquanto não acabarem os vinhos do seu Raul, a gente vai prestigiando o papel…

E aí, o que achou? Dúvidas, me manda um e-mail aqui.

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Ações de PetroRio, Petrobras, Vale e siderúrgicas têm queda com commodities; sem acordo, Tegma e JSL caem

SÃO PAULO – A sessão é de aversão ao risco com temores econômicos decorrentes de novos saltos de casos de Covid-19 em alguns países com a variante delta.

As ações de petroleiras caem forte na B3 na sessão desta segunda-feira (19), com PetroRio (PRIO3) em baixa de quase 4%, enquanto Petrobras (PETR3;PETR4) tem baixa de cerca de 2%.

Ainda no radar, no último domingo, ministros da Opep+ concordaram em aumentar a oferta de petróleo a partir de agosto para frear os preços, que subiram para máximas em dois anos e meio à medida que a economia global se recupera da pandemia de coronavírus.

O grupo, que inclui países da Opep e aliados como a Rússia, chegou a um importante acordo para os níveis de produção a partir de maio de 2022 após a Arábia Saudita e outros terem concordado com um pedido dos Emirados Árabes Unidos (EAU) que havia ameaçado o plano. O petróleo registra queda de mais de 3% na sessão, também em meio aos temores sobre o coronavírus.

Os papéis da Vale (VALE3) também registram baixa, de cerca de 2%; as ações de siderúrgicas também registram forte baixa. A referência do minério de ferro na bolsa de commodities de Dalian terminou a sessão em queda de 1,5%, a 1.225 iuanes por tonelada.

Ainda em destaque, a Tegma (TGMA3) informou na sexta-feira que seu conselho de administração decidiu por unanimidade rejeitar a proposta não solicitada de combinação de negócios pela JSL (JSLG3). Os papéis da Tegma caem cerca de 5%. Os ativos de JSL

Confira no que ficar de olho:

Lojas Americanas (LAME3;LAME4) e Americanas s.a. AMER3

A partir desta sessão, a B2W passa a ser negociada com o código AMER3 na B3, passando a representar não somente os ativos digitais das Lojas Americanas, mas também os físicos, enquanto LAME3 e LAME4 passam a representar a holding da companhia.

A Vale apresenta sua prévia operacional do segundo trimestre após o encerramento do pregão desta segunda.

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A Oi apresenta seu plano estratégico para o triênio de 2022 a 2024 (veja mais clicando aqui). A companhia divulgou comunicado com as principais diretrizes antes do pregão, projetando receita entre R$ 14,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões em 2024. Já a projeção para o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) é entre R$ 1,9 bilhão e R$ 2,3 bilhões em 2024.

A expectativa é de relação entre Ebitda e receita líquida (ou margem Ebitda) entre 13% e 15% em 2024. Já a projeção é de uma relação entre dívida líquida e Ebitda em 6,6 vezes.

Na semana passada, a Oi informou em comunicado que engajou instituições financeiras com o objetivo de avaliar alternativas de captação de recursos no mercado doméstico ou internacional de capitais de dívida, em conexão com o potencial refinanciamento das debêntures de primeira emissão da Oi Móvel, com vencimento em janeiro de 2022.

A Tegma informou na sexta-feira que seu conselho de administração decidiu por unanimidade rejeitar a proposta não solicitada de combinação de negócios pela JSL.

Em 1 de julho, a JSL havia informado que enviou uma proposta de combinação de negócios para a rival Tegma, numa transação em dinheiro e ações.

A proposta incluía pagamento de R$ 989 milhões aos acionistas da Tegma, além de 49,4 milhões de novas ações da JSL, o que os fariam ter cerca de 15% do capital da JSL. A empresa combinada teria receita bruta de R$ 6,1 bilhões e lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) de R$ 827 milhões.

Em comunicado, a JSL informou que, em virtude do caráter definitivo da proposta, reforça que seguirá executando seu
planejamento estratégico independente da Operação, seja de maneira orgânica ou através de aquisições, atuando como líder e consolidadora do setor de logística rodoviária no Brasil.

“Durante o período de 15 dias em que sua proposta esteve válida, a JSL não foi convidada a se reunir com a Tegma e seus assessores para apresentar, em detalhes, o racional, os méritos da operação e potenciais sinergias, que beneficiariam de maneira equânime seus respectivos acionistas, clientes, colaboradores, motoristas de caminhão (próprios, terceiros e agregados) e o setor logístico brasileiro. Além disso, não houve oportunidade para demonstrar o preço justo das ações da JSL que seriam dadas como parte relevante do pagamento, as quais acreditamos não refletirem em seu preço atual os fundamentos existentes para criação de valor sustentável no longo prazo, assim como o valor das cinco aquisições já executadas desde seu IPO, que adicionaram R$ 1,6 bilhão à Receita Bruta e R$ 267 milhões ao Ebitda da companhia,
correspondendo aos crescimentos de 50% e 66%, respectivamente”, destacou a JSL.

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A empresa afirmou ainda que, embora o benefício mútuo adicional vislumbrado não tenha se concretizado, ressalta que o setor de logística no Brasil oferece inúmeras oportunidades, dada a sua grande fragmentação e potencial de consolidação. “A JSL continuará executando sua agenda de aquisições, parte delas já em processo de negociação, respeitando a disciplina no emprego de seu capital, com foco na melhoria dos retornos, prezando pela diligência em relação à geração de valor a todos os seus acionistas”, destacou.

O Bradesco BBI afirma que a fusão entre Tegma e JSL poderia liberar R$ 1 por ação da Simpar. O banco espera que as empresas mantenham disciplina fiscal e que uma contraoferta seja realizada. O banco diz que a JSL tem uma lista grande de empresas para adquirir, e deverá buscar seu próximo alvo. O Bradesco mantém uma avaliação outperform para a Simpar, com preço-alvo de 2022 em R$ 81, frente à cotação de R$ 64,4 de sexta.

O Itaú Unibanco informou na sexta-feira que venceu a licitação do governo de Minas Gerais pela folha de pagamento de servidores estaduais e pagamento a fornecedores. A proposta apresentada prevê pagamento de R$ 2,4 bilhões para a gestão de folha de pagamento, informou o banco, acrescentando que o acordo vale por cinco anos.

O pagamento da oferta será registrado como intangível e seu reconhecimento no resultado será diferido, afirmou o Itaú. A operação envolve 618 mil servidores de Minas Gerais, 20% deles na região metropolitana da capital Belo Horizonte, com saldo de crédito consignado de R$ 7,7 bilhões, além de 6,3 mil fornecedores pessoas jurídicas do Estado. O Itaú Unibanco disponibilizará a abertura de conta corrente digital e por meio de novos pontos físicos dedicados, adicionais às agências já existentes em Minas Gerais.

O conselho de administração da Eletrobras aprovou que a subsidiária Furnas Centrais Elétricas realize uma captação de recursos de até R$ 1,6 bilhão por meio de quatro operações junto a instituições financeiras, informou a estatal nesta sexta-feira. A captação, segundo a Eletrobras, poderá envolver até R$ 200 milhões junto ao Banco da Amazônia, com prazo de pagamento de cinco anos; R$ 500 milhões com o Itaú, também para pagamento em cinco anos; R$ 600 milhões com o Banco do Brasil, com prazo de sete anos; e R$ 300 milhões com o Bradesco, para pagamento em sete anos.

Ainda em destaque, o governo está avaliando estender a operação de capitalização da Eletrobras para o mercado internacional, informou na sexta o presidente da estatal, Rodrigo Limp, em almoço com empresários promovido pela Fecomércio. Ele garantiu também que a sede da companhia permanecerá no Rio de Janeiro.

De acordo com a assessoria de Limp, ele deixou claro no evento que nada está definido sobre a oferta externa, possivelmente na Bolsa de Nova York, e frisou que a responsabilidade da modelagem da venda é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que contratou recentemente um consórcio de bancos para assessorá-lo. Ele ressaltou que a empresa está listada nas bolsas de Nova York e Madri, além da B3, em São Paulo, o que facilita a operação.

O Bradesco BBI comentou os dados operacionais divulgados pela CCR, relativos à semana de 9 de julho. Houve uma redução de 2,2% em comparação com a semana anterior, e estabilidade em relação à mesma semana de 2019, ano anterior aos impactos da pandemia. O número de passageiros em concessões urbanas caiu 41% em comparação com 2019, e 2,3 pontos percentuais em relação à semana imediatamente anterior. O tráfego de passageiros em concessões de aeroporto caiu 39% em comparação com 2019, e subiu 5,8% na comparação semanal.

SLC (SLCE3) e Terra Santa

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Já a SLC Agrícola e a Terra Santa anunciaram na sexta-feira um novo passo no processo de fusão que criará uma gigante de grãos no Brasil e informaram que as condições precedentes para a consumação da operação foram cumpridas. Com a incorporação de ações, as companhias disseram que foi confirmado o aumento de capital da SLC, com a emissão de 2.516.454 ações, pelo preço de subscrição total de R$ 138 milhões, correspondente a R$ 54,84 por ação.

Segundo os comunicados, em 14 de julho foi o registro de companhia aberta da Terra Santa Propriedades Agrícolas (ex-TS Agro), para listagem no segmento do Novo Mercado da B3. Assim, pode ser feita a redução de capital da Terra Santa, concluindo o cumprimento das condições precedentes da operação.

A Petrobras informou na sexta que registrou no mês passado um recorde histórico na oferta de gás natural liquefeito (GNL) regaseificado no Brasil, ao atingir volume instantâneo de 42 milhões de metros cúbicos por dia em 28 de junho, em meio à forte demanda do insumo para a geração de eletricidade. Segundo a estatal, o marco do último dia 28 viabilizou a oferta total de 109,4 milhões de m³/dia de gás natural, “um dos maiores volumes dos últimos anos”, que compreende o gás produzido no país, a parcela recebida pelos terminais de regaseificação e o volume importado da Bolívia.

Ainda no radar da companhia, o Credit Suisse afirmou que sua equipe dedicada ao setor de petróleo elevou a previsão para produção de petróleo tipo Brent de US$ 66,50 para US$ 70 por barril para 2021; de US$ 68 por barril em 2022 para US$ 69 por barril; e de US$ 60 por barril para US$ 62 por barril no longo prazo.

O banco diz que o rendimento do fluxo de caixa do acionista (FCFE na sigla em inglês) em 2021 pode ser de até 23%. Mas a maior parte desse rendimento deve ser paga aos acionistas como dividendos, uma vez que a Petrobras atingir sua meta de US$ 60 bilhões de dívida bruta. O banco diz acreditar que isso pode ocorrer já no terceiro trimestre de 2021. Este fator pode ser um catalisador para o valor dos papéis.

O banco está atualizando o modelo para incorporar os resultados mais recentes e suas expectativas mais altas para o Brent. O banco elevou o preço-alvo de US$ 10 por ADR para US$ 11 por ADR, mantendo avaliação neutra sobre as ações. Para o segundo trimestre, o banco prevê um lucro Ebitda de US$ 9,6 bilhões para a Petrobras, 11% acima do trimestre imediatamente anterior, e 185% acima do patamar de um ano antes. O banco estima receita líquida de US$ 5,4 bilhões, impulsionada pela valorização do real.

A fabricante brasileira de jatos Embraer anunciou na sexta-feira que convocou assembleia de acionistas para 16 de agosto, na qual quer eleger dois ex-executivos da Airbus e da Boeing para seu conselho de administração. Um dos indicados é Todd Freeman, ex-Airbus Americas, antes de trabalhar por 29 anos na GE Capital Aviation Services (Gecas), onde liderou a área de aviação regional e o negócio na região do Oriente Médio, África e Rússia. O outro é Kevin McAllister, também com passagem pela GE, onde presidiu a GE Aviation Services, antes de ser presidente da divisão de aviação comercial da Boeing.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Após Tegma rejeitar proposta de fusão com JSL, empresa deve partir para próximo alvo de aquisições, avaliam analistas

SÃO PAULO – A Tegma (TGMA3) informou na última sexta-feira (16) que seus membros do conselho de administração rejeitaram a proposta de fusão com a JSL (JSLG3).

A proposta havia sido feita no início de julho e previa a combinação de negócios com a rival Tegma, em uma transação em dinheiro e ações.

A proposta incluía pagamento de R$ 989 milhões aos acionistas da Tegma, além de 49,4 milhões de novas ações da JSL, o que os fariam ter cerca de 15% do capital da JSL. A empresa combinada teria receita bruta de R$ 6,1 bilhões e lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) de R$ 827 milhões.

Em relatório publicado nesta segunda-feira (19), o Itaú BBA destaca que os detalhes da votação mostram que, embora a maioria dos membros visse valor estratégico na combinação dos negócios das companhias, eles votaram contra o negócio por conta do valuation.

“Segundo o conselho de administração da Tegma, a proposta da JSL aplicou uma avaliação abaixo do valor justo para a Tegma, ao inferir um prêmio sobre o valor de mercado da JSL, dado o pagamento sugerido por meio de uma combinação de dinheiro e ações da JSL”, escrevem os analistas.

Em fato relevante divulgado nesta segunda-feira (19), a JSL escreve que tomou conhecimento da decisão da Tegma e que a companhia “seguirá executando seu planejamento estratégico independente da operação, seja de maneira orgânica ou através de aquisições”.

A JSL escreve que durante os 15 dias em que sua proposta esteve válida, a JSL não foi convidada a se reunir com a Tegma e seus assessores para apresentar, em detalhes, “o racional, os méritos da operação e potenciais sinergias, que beneficiariam de maneira equânime seus respectivos acionistas, clientes, colaboradores, motoristas de caminhão (próprios, terceiros e agregados) e o setor logístico brasileiro”.

“Além disso, não houve oportunidade para demonstrar o preço justo das ações da JSL que seriam dadas como parte relevante do pagamento, as quais acreditamos não refletirem em seu preço atual os fundamentos existentes para criação de valor sustentável no longo prazo, assim como o valor das cinco aquisições já executadas desde seu IPO, que adicionaram R$ 1,6 bilhão à Receita Bruta1 e R$ 267 milhões ao Ebitda da companhia, correspondendo aos crescimentos de 50% e 66%, respectivamente”, escreve a companhia.

Na avaliação do Bradesco BBI, a fusão poderia destravar R$ 1,90 por papel da holding Simpar (SIMH3), holding da JSL.

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“Esperamos que a Simpar e a JSL mantenham uma disciplina financeira e que nenhuma contraoferta seja feita. JSL tem uma longa lista de possíveis fusões e aquisições (M&A) e a companhia seguirá agora para seu próximo alvo”, escrevem os analistas.

O Bradesco BBI manteve sua recomendação de outperform (performance acima da média) para os papéis de Simpar, com preço-alvo estimado de R$ 81,00 para o fim de 2022.

Em relatório, o Itaú BBA escreve que a JSL é líder em um mercado altamente fragmentado no Brasil, com oportunidades de crescimento orgânico e inorgânico, conforme evidenciado pelas recentes aquisições.

“A empresa possui uma combinação poderosa de uma linha de negócios asset light menos intensiva em capital e uma linha de ativos intensivos. Enquanto o último garante uma entrada de receita mais resiliente, a linha de negócios de ativos leves está posicionada para desfrutar de maior alavancagem operacional com a recuperação da economia brasileira”, escrevem os analistas.

O Itaú BBA mantém sua recomendação de outperform (acima da média do mercado) para os papéis de JSL, com preço-alvo estimado de R$ 15,00 para 2021.

Na avaliação dos analistas, expectativas de melhores tendências operacionais, combinadas com pagamentos antecipados de dívida, vão ajudar a companhia a reduzir sua dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) no futuro.

Com relação à Tegma, o Itaú BBA escreve que a fraca performance do segmento automotivo da companhia no primeiro trimestre levanta dúvidas sobre o cenário para este setor e é algo a ser monitorado.

Apesar disso, os analistas dizem acreditar que a situação deve se normalizar, uma vez que isso provavelmente foi provocado pela falta de peças de automóveis.

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“Embora estejamos monitorando a situação, reconhecemos que nossas projeções para a divisão automotiva em 2021 parecem otimistas e vemos espaço para uma revisão para baixo”, escrevem. O banco estima que os veículos transportados pela Tegma vão ultrapassar os níveis pré-pandêmicos em 2023.

O Itaú BBA mantém sua recomendação de outperform para os papéis TGMA3, com preço-alvo estimado de R$ 33 para 2021.

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Conselho da Tegma rejeita proposta de compra feita pela JSL

Tegma (Foto: divulgação)

SÃO PAULO – A Tegma (TGMA3) informou na sexta-feira (16) que seu conselho de administração decidiu por unanimidade rejeitar a proposta não solicitada de combinação de negócios pela JSL (JSLG3).

Em 1 de julho, a JSL havia informado que enviou uma proposta de combinação de negócios para a rival Tegma, numa transação em dinheiro e ações.

A proposta incluía pagamento de R$ 989 milhões aos acionistas da Tegma, além de 49,4 milhões de novas ações da JSL, o que os fariam ter cerca de 15% do capital da JSL. A empresa combinada teria receita bruta de R$ 6,1 bilhões e lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) de R$ 827 milhões.

A Tegma chegou a afirmar posteriormente a contratação do escritório Trindade Sociedade de Advogados e de “instituição financeira de primeira linha” para avaliar a proposta.

O consultor financeiro da Tegma concluiu que a proposta da JSL não refletia adequadamente o valor da empresa.

De acordo com o conselho da Tegma, a proposta da JSL aplicou uma avaliação abaixo do valor justo para a Tegma ao inferir um prêmio sobre o valor de mercado da JSL com o pagamento sugerido por meio de uma combinação de dinheiro e ações da JSL.

“Com base nos preços de fechamento de sexta para JSLG3 e TGMA3, estimamos que a proposta da JSL se traduzia em um desconto de 8% para a TGMA3, em comparação com um prêmio de 4% quando a proposta foi feita em 1 de julho”, aponta o Itaú BBA.

(com Reuters)

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Ação da Grendene vira para queda após saltar 4,3% com joint venture; Tegma segue em forte alta, enquanto bancos caem

SÃO PAULO – Em dia de mercados fechados nos Estados Unidos por conta do feriado de Dia da Independência, e em uma semana mais curta na Bolsa brasileira, B3, com feriado estadual em São Paulo na sexta-feira (9), investidores repercutem na Bolsa nesta segunda-feira os ganhos da Tegma (TGMA3), que chegavam perto dos 7% por volta das 12h.

Os papéis da Grendene, que abriram o pregão com forte alta, de até 4,3%, amenizaram os ganhos e viraram para queda por volta das 12h, com baixa da ordem de 0,7%.

A Grendene anunciou que negocia uma joint venture com a 3G Radar para distribuir e comercializar seus produtos “em determinados mercados internacionais”. Veja mais clicando aqui. 

Já as ações da Tegma sobem cerca de 7%, após saltarem quase 13% na sexta com a proposta de combinação de negócios feita pela JSL (JSLG3).

As ações da Petrobras (PETR3;PETR4), por sua vez, operavam em queda de cerca de 1% em uma tarde movimentada para as ações da companhia. A companhia informou nesta segunda uma alta nas refinarias de R$ 0,16 por litro de gasolina, a ser comercializado por R$ 2,69 (alta de cerca de 6%), e de R$ 0,10 por litro de diesel, a ser vendido a R$ 2,81 (alta de cerca de 4%). O novo preço valerá a partir de terça-feira (6). Este é o primeiro aumento no valor fixado pela estatal desde que o novo presidente da empresa, general Joaquim Silva e Luna, assumiu o cargo.

Enquanto isso, a Bloomberg, informa que terminou sem acordo a reunião da da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados, chamada de Opep+. Com isso, ficam mantidas as cotas de produção de cada membro, ante expectativa inicial de aumento de 500 mil barris por dia e proposta na semana passada de 400 mil barris por dia. Nenhuma data para um novo encontro foi acordada. Com isso, tanto o brent quanto o WTI aceleram ganhos, com o brent ultrapassando os US$ 76 o barril.

Ainda entre as commodities, os contratos futuros do minério de ferro na China subiram mais de 5% nesta segunda-feira, impulsionados pela crescente demanda, à medida que usinas na região siderúrgica de Tangshan retomam produção após o centenário do Partido Comunista Chinês.

A produção de aço em algumas áreas foi restringida devido às comemorações do 100º aniversário do partido e a políticas relacionadas ao meio ambiente, o que fez com que a taxa de utilização de altos-fornos em 247 usinas em todo o país recuasse para 81,01% na semana até 2 de julho, de acordo com a consultoria Mysteel, informa a Reuters.

Os contratos futuros mais negociados do minério de ferro na bolsa de commodities de Dalian DCIOcv1, para entrega em setembro, chegaram a subir 5,6%, para 1.226 iuanes (US$ 189,80) por tonelada, maior nível desde 11 de junho. Eles fecharam em alta de 5,5%, a 1.225 iuanes.

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Outros ingredientes siderúrgicos também apuraram ganhos. Os futuros do carvão coque em Dalian DJMcv1 subiram 3,1%, para 1.971 iuanes a tonelada, enquanto os contratos do coque DCJcv1 avançaram 3,5%, a 2.682 iuanes por tonelada.

Nesta tarde, por volta das 12h, os papéis da Vale (VALE3) operavam com queda de 0,6%.

A sessão, por sua vez, é novamente de baixa para os bancos, entre perdas de 0,5% e 1%, em meio a expectativa pelas discussões sobre a reforma do imposto de renda no Congresso esta semana. Ações de Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC3;BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11) tinham perdas. Os papéis do setor bancário foram bem impactados na última semana em meio à proposta do governo de taxar dividendos em 20% e acabar com os juros sobre o capital próprio.

Confira no que ficar de olho:

No radar das empresas, a Vale informou na sexta-feira (2) que está comissionando as atividades no carregador de navios 6 (CN6), no Terminal Marítimo Ponta da Madeira, em São Luís (MA), após cinco meses de parada para manutenção.

Segundo a mineradora, a manutenção do CN6, que resultou na substituição de mais de 60% de seus componentes, não impactou o cronograma mensal de embarque de minério de ferro do terminal. Em 14 de janeiro de 2021, ocorreu um incêndio no CN6 localizado no berço Sul do Píer IV, incidente que foi seguido das atividades de manutenção.

A companhia ainda destacou que iniciará a realização de atividades com equipamentos não tripulados (sem pessoas) para a remoção de rejeitos das barragens B3/B4, da Mina de Mar Azul, em Nova Lima (MG), e Sul Superior, da Mina Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG).

A Vale informou que as ações foram analisadas e aprovadas pelo auditor técnico do Ministério Público, além de todo corpo de consultores externos contratados pela empresa para elaboração dos projetos, e representam o avanço do Programa de Descaracterização da empresa e o comprometimento com uma abordagem integralmente voltada à segurança das suas estruturas e das pessoas.

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“É importante informar que as descaracterizações dessas barragens, atualmente em nível 3 do Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM), são processos complexos. Ciente de que qualquer intervenção pode representar incrementos de riscos, a empresa já realizou diversas ações preventivas, entre as quais a retirada de todos os moradores das respectivas Zonas de Autossalvamento (ZAS) e a construção de Estruturas de Contenção a Jusante nos dois territórios”, destacou.

Na Sul Superior, a remoção terá início com a coleta de amostras, que tem o objetivo de ampliar o conhecimento sobre as características do material disposto no reservatório, para aprimoramento da segurança e das técnicas que serão usadas durante o processo de descaracterização, além de subsidiar estudos para definir os níveis de controle de vibração.

Também serão abertos canais para melhorar o escoamento de água da estrutura, evitando o acúmulo no reservatório, principalmente durante o período chuvoso. Na barragem B3/B4, a remoção dos rejeitos será feita concomitantemente com a conclusão da retirada parcial de uma pilha de estéril no local, de onde já foram retirados 350 mil metros cúbicos de material desde novembro de 2020.

“Ressalta-se que todas as atividades realizadas e programadas nas duas barragens serão integralmente executadas com equipamentos não tripulados, operados de forma remota e segura a partir de uma central de controle fora das estruturas. Todas as ações foram comunicadas à auditoria técnica do Ministério Público de Minas Gerais e aos órgãos competentes.

Diante da complexidade e dos riscos do processo de descaracterização dessas estruturas, a Vale informa possuir um rigoroso controle de todas as ações implementadas com o objetivo de garantir a segurança dos trabalhadores e das pessoas que vivem em comunidades próximas.

Além disso, a Vale também está estudando medidas adicionais para minimizar eventuais impactos residuais aos corpos hídricos a jusante das contenções. As estruturas de contenção construídas a jusante das duas barragens estão concluídas e têm capacidade para conter os rejeitos em um cenário em que haja essa necessidade.”, informou.

A estrutura para a barragem Sul Superior possui 36 metros de altura e 330 metros de comprimento, enquanto a estrutura para a barragem B3/B4 tem 33 metros de altura e 221 metros de comprimento.

As obras seguiram as mais rigorosas normas nacionais, as melhores práticas de engenharia e referências técnicas de entidades internacionais utilizadas para construções similares. Empresas especialistas, independentes da projetista e da construtora, analisaram e certificaram que as estruturas são estáveis e, portanto, conferem segurança às comunidades localizadas abaixo delas. A auditora técnica do Ministério Público de Minas Gerais também ratificou a estabilidade das contenções. Ainda como parte do controle de riscos, as barragens seguem sendo monitoradas de forma permanente pelo Centro de Monitoramento Geotécnico (CMG).

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A Via, antiga Via Varejo, comunicou ter concluído a formalização de todas as etapas legais e regulatórias para proceder ao fechamento da aquisição de 100% das quotas de emissão da Celer.

A Celer é uma fintech que nasceu como uma plataforma proprietária de soluções de pagamentos e hoje oferece um pacote completo de Bank-as-a Service (BaaS), permitindo que outras fintechs disponibilizem a seus clientes uma conta digital completa integrada a serviços de pagamentos, compreendendo alternativas de cash-in e cash-out, emissão e processamento de cartões, gestão de cobrança e transferências, incluindo ao tradicional portfólio o PIX.

Grendene (GRND3)

A Grendene, calçadista dona de marcas como Melissa e Ipanema, anunciou nesta segunda-feira (5) que negocia uma joint venture com a 3G Radar para distribuir e comercializar seus produtos “em determinados mercados internacionais”.

A gestora 3G Radar é parceira da 3G Capital, que tem entre os sócios os bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira.

Em comunicado enviado ao mercado, a companhia informou que assinou, em caráter de exclusividade no dia 4 de julho, um memorando de entendimentos não vinculante com a 3G Radar Gestora de Recursos Ltda.

De acordo com o documento, a 3G Radar deterá 50,1% do capital social da joint venture e a Grendene, 49,9%.

As duas empresas se comprometem a investir inicialmente US$ 100 milhões nos 24 meses seguintes à assinatura do acordo, na proporção de suas respectivas proporções.

O Banco BMG anunciou na sexta-feira (2) a compra de participação na Araújo Fontes Consultoria e Negócios Imobiliários e na AF Invest Administração de Recursos, para oferta de produtos e serviços no segmento de atacado e atuar com gestão de recursos.

A compra se dará por meio da aquisição de 50% de uma nova empresa a ser criada. Segundo fato relevante, o valor do negócio é da ordem de R$ 150 milhões.

Ainda entre os destaques, a Tegma informou que contratou assessor jurídico e que vai escolher um banco para auxiliar a empresa a avaliar a proposta de aquisição apresentada pela JSL. Na última sexta-feira (2), as ações da companhia encerraram o pregão com salto de 12,9%; já os papéis da JSL avançaram quase 6%.

Grupo Soma (SOMA3) e Cia. Hering (HGTX3)

A Cia Hering informou aditamento a acordo de associação com Grupo Soma. Na última semana, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a operação de incorporação da Cia. Hering pelo Grupo Soma, dono das marcas Animale e Farm. A decisão está publicada no DOU (Diário Oficial da União) de hoje. Com o fechamento do negócio, a Cia. Hering passa a ser subsidiária integral da Soma.

Magazine Luiza (MGLU3)

O Magazine Luiza informou que obteve as aprovações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central do Brasil para a transferência do controle societário da Hub Prepaid Participações e suas subsidiárias para a Magalu Pagamentos, subsidiária integral do Magalu, e que a aquisição foi concluída de forma definitiva nesta data.

“Com a Hub Fintech, o Magalu incorpora uma instituição de pagamentos regulada pelo Banco Central e integrada ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e ao Sistema de Pagamentos Instantâneos (PIX). Além de ser uma das maiores plataformas de Banking as a Service (BaaS) e líder no processamento de cartões pré-pago do país, a Hub Fintech também oferece serviços como cartão de benefícios (alimentação, refeição), adquirência e soluções corporativas para gestão de despesas. Adicionalmente, com a recente aquisição da processadora de cartões de crédito Bit55, a Hub passa a deter um portfólio completo de soluções financeiras, com tecnologia própria e escalável”, destacou.

O Bradesco BBI comentou os dados sobre consumo de bebidas alcóolicas no Brasil, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A cerveja responde por 90% do consumo de álcool, e a Ambev, por 60% do consumo de cerveja no país. Por isso, o Bradesco avalia que os dados sobre produção de bebidas alcoólicas do IBGE são uma proxy (uma variável que pode ser usada no lugar de outra variável) sobre as vendas de cerveja no Brasil.

Com base nos dados do IBGE, o banco estima que os volumes subiram 23% no segundo trimestre no país. Isso sugere que sua estimativa de crescimento de 8% nos volumes da Ambev para o período pode ser conservadora, já que indicaria que a empresa teria perdido 4 pontos percentuais de participação do mercado, a 58%, uma queda que parece excessiva, na avaliação do Bradesco. Presumindo que a Ambev manteve sua participação de mercado, os dados do IBGE indicam um crescimento de 15% na produção da Ambev no segundo trimestre de 2021.

O Bradesco BBI mantém avaliação neutra (perspectiva de valorização dentro da média do mercado) para a Ambev, com preço-alvo de R$ 15,50, frente à cotação de R$ 17,43 de sexta.

O Bradesco BBI comentou o fluxo líquido de investimentos estrangeiros no primeiro trimestre de 2021 na B3, que atingiu R$ 48 bilhões, o maior nível já registrado, superando o recorde anterior, de R$ 20,3 bilhões em 2014. O banco diz avaliar que, mesmo com a alta da taxa de juros, continua a acreditar que os volumes estão perto de atingir entre R$ 30 bilhões e R$ 35 bilhões em volume médio diário negociado (ADTV na sigla em inglês), e que as ações continuarão a ser um investimento atrativo, em relação a outros instrumentos de renda fixa.

Reynaldo Passanezi, presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), anunciou que a empresa pretende investir R$ 22,5 bilhões em geração, transmissão, distribuição, geração distribuída e comercialização de gás até 2025 – o maior plano de investimento da história da companhia.

Até 2027, serão 200 novas subestações em todas as regiões do Estado de Minas Gerais, sendo que 80 novas subestações já em estão em processo de implantação, e 23 delas estarão em operação ainda neste ano.

As novas subestações vão se juntar aos 413 equipamentos que a companhia já possui, totalizando 613 instalações deste tipo. O plano prevê ainda o atendimento a todos os municípios com dupla alimentação em média tensão, a implantação de um milhão de medidores inteligentes e a construção de 3,1 mil quilômetros de linhas de transmissão em alta tensão.

Além disso, a Cemig se prepara para dar início ao programa Minas Trifásico, com o objetivo de converter redes monofásicas em trifásicas no interior do Estado. Até 2027, está prevista a conversão de 21 mil quilômetros de redes monofásicas para trifásicas e a construção de 5 mil quilômetros de interligações de circuitos em Minas Gerais.

Em comunicado enviado ao mercado nesta segunda-feira, a Linx informou que o banco Morgan Stanley reduziu sua participação na empresa a 0,003% do total, o equivalente a 478 ações ordinárias, em operações realizadas na Bolsa.

Segundo o formulário de referência mais recente da Linx, o Morgan Stanley tinha participação de 7,09% na empresa especializada em tecnologia para o varejo.

(com Reuters, Bloomberg e Estadão Conteúdo)

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O que a JSL ganha ao se unir com a Tegma – e por que o apetite por fusões e aquisições não deve parar por aí

Tegma (Foto: divulgação)

SÃO PAULO – Em mais um movimento significativo – e talvez o mais surpreendente – de fusão e aquisição do conglomerado, a Simpar (SIMH3) comunicou que sua subsidiária JSL (JSLG3) fez uma proposta para fusão com a Tegma (TGMA3). Assim, a intenção é criar uma gigante em logística rodoviária no país, unindo a primeira e a segunda maiores do setor, ainda que em um mercado bastante pulverizado.

A proposta seria parte em dinheiro e parte em ações, avaliando a Tegma em R$ 1,75 bilhão, 15% acima do valor de mercado da companhia em relação ao fechamento da véspera. Na parte a ser paga em dinheiro, de R$ 989 milhões, haveria um prêmio de 30% sobre o valor por ação, antecipando liquidez para os acionistas da Tegma. Na parcela em ações, com entrega de 49,4 milhões de novos ativos de emissão da JSL, a relação de troca é sem prêmio.

Os acionistas de Tegma teriam assim, após consumada a operação, aproximadamente 15% do capital da JSL.

Analistas destacaram a notícia como positiva para ambas as companhias, representando a continuidade da atual estratégia da JSL de crescimento via aquisições.

O comunicado da JSL aponta que a fusão das duas empresas criaria uma companhia com receita bruta combinada de R$ 6,1 bilhões e lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) de R$ 827 milhões.

Conforme destaca a equipe de análise da Levante Ideias de Investimentos, a proposta exibe o racional estratégico da motivação de combinação de negócios, explorando como benefícios as significativas oportunidades de sinergias, incluindo ganhos de escala, diluição de custos fixos e cross-selling. Também é apontado como pilar estratégico a geração de caixa ainda mais robusta após a combinação.

Os acionistas da Tegma têm até 16 de julho para decidir se aceitam a proposta de combinação de negócios.

Como reação à notícia, os papéis subiram forte:  os ativos JSLG3 subiram 5,97%, a R$ 12,61, enquanto TGMA3 avançou 12,90%, a R$ 25,99. Os papéis da Simpar, por sua vez, avançaram 6,01%, a R$ 59,11.

Apesar das empresas serem as duas maiores do setor, o nicho é bastante pulverizado, e, juntas, teriam menos de 2% do participação de mercado, o que não deveria levantar preocupações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) caso a negociação ande, avalia a equipe de análise da XP.

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Caso seja aprovada, e apesar do prêmio oferecido à Tegma para incentivar os acionistas a aprovar a proposta de combinação de negócios, o negócio poderia agregar R$ 1,80 por ação JSGL3 e R$ 1,90 por papel SIMH3, avalia o Bradesco BBI. A proposta pressupõe que 37% da transação será paga com ações JSLG3, o que dará aos acionistas da Tegma a oportunidade de capturar o lado positivo em ambas as ações (TGMA3 e JSLG3) e as sinergias esperadas, apontam os analistas do banco.

Conforme destaca a Levante, desde a oferta de ações realizada ano passado, a JSL se enveredou por uma estratégia acelerada de fusões e aquisições, acumulando cinco operações neste sentido nos últimos meses.

Em conjunto, ampliaram a receita bruta da companhia em aproximadamente 50%, para R$ 4,9 bilhões nos últimos 12 meses findos no primeiro trimestre de 2021 (cálculo proforma). A Tegma deve adicionar mais R$ 1,2 bilhão, implicando crescimento de 24%.

Além dos ganhos de escala e diluição de custos, haverá ainda expansão de atuação e consequente diversificação, pois, enquanto a JSL é preponderante na prestação de serviços logísticos no transporte rodoviário, a Tegma apresenta posição dominante no transporte automotivo. “Logo, estrategicamente, é acertada a proposta de aquisição para a JSL e julgamos adequada sua visão de consolidação do setor de logística, que ainda é altamente pulverizado”, aponta.

Em relação ao prêmio proposto pela Tegma, os analistas avaliam como aceitável e que não ameaça o potencial retorno da transação, ainda mais levando em conta que a cotação ainda estava depreciada, pois a companhia não havia se recuperado integralmente dos efeitos nocivos da pandemia.

Mas, para o consenso de mercado, o valor justo das ações era consideravelmente superior ao preço de tela, de modo que o prêmio oferecido está condizente com as expectativas de mercado. Além disso, a JSL ainda capturará sinergias e diluição de custos que justificam o pagamento de prêmio.

Ao analisar a estrutura de capital, os analistas também apontam que, após a consolidação da Tegma, a estimativa é de que o nível de alavancagem permaneça em patamares administráveis. Isso porque, embora a aquisição implique um desembolso de cerca de R$ 1 bilhão, a Tegma é uma empresa conservadora, com caixa e aplicações financeiras superiores à sua dívida, de acordo com os números divulgados no primeiro trimestre, destaca a Levante, reduzindo assim o risco financeiro da operação.

Muitas aquisições?

A Levante aponta que há muitas oportunidades de sinergia. Contudo, como fatores de risco, é válido mencionar os desafios de execução assumidos pela JSL visto que, nesses últimos meses, incluindo a possível compra da Tegma, há seis aquisições concretizadas.

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“Desse modo, devemos monitorar o andamento do processo de consolidação e acompanhar a capacidade de a empresa entregar as sinergias, diluições de custos e despesas e benefícios de escala anunciados”, aponta.

Já para o Bradesco BBI, as aquisições não devem parar por aí. Eles também destacam a posição de caixa líquido da Tegma que, combinada com a JSL, levará a uma relação entre dívida líquida e Ebitda combinada em 3 vezes, excluindo sinergias.

“Se assumirmos que a Simpar pode reduzir sua participação na JSL de 65,4% para 50,1% (pós-fusão com a Tegma), a empresa poderia emitir mais 228 milhões JSLG3, resultando em R$ 2,7 bilhões em ações a preços de mercado”, apontam, levando a mais capital para novas compras.

O BBI mantém recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para as ações da controladora Simpar, com um preço-alvo para 2022 de R$ 81, ou 45% acima frente o fechamento da véspera. Os analistas ressaltam o  modelo de negócios resiliente e uma forte execução da gestão, além de uma flexibilidade do balanço patrimonial que permite ao grupo executar um processo inorgânico acelerado com crescimento em algumas operações, como Vamos (VAMO3) e Movida (MOVI3).

A XP, por sua vez, ressalta que os riscos envolvem: a profundidade do impacto da crise automotiva nos negócios da Tegma (porém, os analistas notam que a Tegma se mostrou historicamente resiliente em momentos de crise dado seu modelo leve em ativos) e o fato de ser de informação pública que a Tegma foi alvo de investigações sobre alegações de controle/manipulação de preço no serviço de transporte automotivo.

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JSL faz proposta de fusão com Tegma para criação de gigante de logística; ações disparam mais de 10%

A Simpar (SIMH3) comunicou na madrugada desta sexta-feira (2) que a sua controlada JSL (JSLG3), maior companhia de logística rodoviária do país, enviou à Tegma (TGMA3), segunda maior do setor, pedido de combinação de negócios.

O comunicado aponta que a fusão das duas empresas criaria uma companhia com receita bruta combinada de R$ 6,1 bilhões e lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) de R$ 827 milhões.

“Somadas as operações da JSL (incluindo fusões e aquisições realizadas) e da Tegma, a companhia combinada teria R$ 6,1 bilhões de receita bruta nos últimos doze meses findos em 31 de março de 2021, que representaria um aumento de R$ 2,8 bilhões e um crescimento de 86% da receita bruta da JSL no mesmo período (sem incluir M&As)”, aponta a Simpar.

Como reação à notícia, os papéis sobem forte: às 10h22 (horário de Brasília), os ativos JSLG3 subiam 11,26%, a R$ 13,24 enquanto TGMA3 avançava 16,42%, a R$ 26,65. Os papéis da Simpar, por sua vez, avançavam 3,52%, a R$ 57,71.

A empresa vê possíveis ganhos de sinergia, com diluição de custos fixos e cross-selling através da maior oferta de serviços da JSL para os clientes da Tegma. A combinação de negócios também “contribuirá para o acesso ao mercado de capitais pela companhia combinada, sustentando a agenda de crescimento orgânico e por aquisições, em linha com o planejamento estratégico da JSL”, destaca o comunicado.

Segundo a proposta a incorporação das ações da Companhia seria realizada com base em uma relação de troca segundo a qual “cada acionista de Tegma receberá, por cada uma de suas ações Tegma, o valor de R$ 15,00 e 0,7495248702 ações da JSL”.

A transação em dinheiro e ações inclui o pagamento de R$ 989 milhões aos acionistas da Tegma, bem como 49,4 milhões de novas ações da JSL. Após a transação, os atuais acionistas da Tegma deterão aproximadamente 15% do capital total da JSL.

A Tegma se manifestou, destacando que a proposta foi feita sem solicitação ou prévio entendimento com os órgãos da companhia. A proposta, ressalta a empresa, está sujeita a certas condições: (a) à aprovação pelos Conselhos de Administração das Companhias dos documentos necessários à implementação da Operação, em especial o Protocolo e Justificação de Incorporação, o qual conterá declarações e garantias usais para operações dessa natureza; (b) à aprovação pelos acionistas da JSL e Tegma reunidos em assembleia geral; e (c) à aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Diante da proposta, o presidente do Conselho de Administração convocou uma reunião extraordinária do Conselho de Administração da Companhia a realizar-se na data de hoje, a fim de que examine a proposta e delibere as providências que julgar cabíveis.

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A XP destaca que a proposta representa cerca de R$ 23,90 por ação da Tegma. Os analistas veem como atrativo esse valuation, de cerca de 6 vezes a relação entre o EV e o Ebitda esperado para 2021, versus cerca de 8 vezes da JSL.

Os analistas apontam que o anúncio vem em linha com estratégia recente de crescer por aquisição da JSL e complementa uma das suas aquisições recentes (a compra da Transmoreno, também no segmento automotivo).

Se aprovada, a XP vê a transação como positiva para JSL, uma vez que está em linha com sua estratégia de fusões e aquisições, a Tegma tem bons retornos e operação com forte geração de caixa e o preço parece descontado.

Já os riscos envolvem: a profundidade do impacto da crise automotiva nos negócios da Tegma (porém, os analistas notam que a Tegma se mostrou historicamente resiliente em momentos de crise dado seu modelo leve em ativos) e o fato de ser de informação pública que a Tegma foi alvo de investigações sobre alegações de controle/manipulação de preço no serviço de transporte automotivo.

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