Conselheiro de segurança dos EUA discute 5G no Brasil e deflagra reação da China

A visita do conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, ao Brasil deflagrou um novo capítulo da queda de braço entre os americanos e a China em torno do leilão da tecnologia 5G no País.

Após encontro de Sullivan com o presidente Jair Bolsonaro, a embaixada americana afirmou que os Estados Unidos “continuam a ter fortes preocupações sobre o papel potencial da Huawei na infraestrutura de telecomunicações do Brasil, bem como em outros países ao redor do mundo”. A Huawei é uma companhia chinesa que já atua no Brasil e deve participar do leilão.

Em resposta, a embaixada da China no Brasil divulgou comunicado dizendo que os ataques dos EUA “são mal-intencionados e infundados”. “Seu verdadeiro objetivo é difamar a China e cercear as empresas chinesas de alta tecnologia com a finalidade de preservar seus interesses egoístas da supremacia americana e o monopólio na ciência e tecnologia. A esse tipo de comportamento que busca publicamente coagir os outros países na construção do 5G e sabotar a parceria sino-brasileira, manifestamos forte insatisfação e veemente objeção”, afirma a nota.

A tecnologia 5G promete velocidades até 20 vezes superiores ao 4G e permite um consumo maior de vídeos, jogos e ambientes em realidade virtual. O leilão do 5G está previsto para este ano, depois da autorização do Tribunal de Contas da União (TCU).

A Huawei tem sido o principal alvo da diplomacia norte-americana, que defende o banimento mundial da companhia sob a alegação de que ela atua como um braço de espionagem do partido comunista chinês. Essa visão encontra respaldo na ala ideológica do governo brasileiro. A Huawei, no entanto, nega as acusações, diz que atua há mais de vinte anos no Brasil e reafirma que nunca registrou qualquer problema de violação de dados nos países em que atua.

Em junho, uma comitiva liderada pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria, e composta também por ministros do TCU e pelos senadores Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e Ciro Nogueira (PP-PI), agora ministro da Casa Civil, esteve em Washington. Eles visitaram empresas, como Motorola, IBM e Nokia, e se reuniram com integrantes do governo americano, incluindo membros do Conselho de Segurança Nacional, Departamento de Estado e Departamento de Segurança Interna.

A posição dos Estados Unidos a respeito do 5G é um dos poucos pontos em que a política da Casa Branca não foi alterada na mudança de governo de Donald Trump para Joe Biden. Os americanos continuam a pressionar o Brasil para que não permita mais a participação da chinesa Huawei no mercado nacional, embora ela esteja presente no País há 23 anos. A justificativa dos americanos é de que a participação da chinesa representa riscos à segurança nacional.

Diante da pressão da bancada ruralista, que tem na China seu principal parceiro comercial, o Brasil optou por não vetar a companhia – o que exigiria um decreto presidencial e teria um elevado custo político e uma provável disputa judicial. Decidiu, no entanto, criar uma alternativa: impor às teles que participarem do leilão do 5G a construção de uma rede privativa de uso exclusivo do governo, com requisitos que não mencionam a Huawei, mas, na prática, dificultam a escolha de seus equipamentos. A adoção dessa saída, porém, não tem sido vista como uma medida suficiente pelos americanos.

Enquanto a embaixada dos EUA no Brasil foi sucinta ao tratar do tema 5G em seu comunicado, a representação chinesa no País fez uma longa defesa da Huawei, citando a criação de 16 mil postos de trabalho pela empresa no Brasil, e rebateu as acusações de espionagem afirmando que os americanos “são reconhecidamente o maior `império de hackers’ do mundo e constituem uma verdadeira ameaça à segurança cibernética global”.

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“Durante muito tempo, agências de inteligência dos Estados Unidos conduziram, em grande escala e de forma organizada e indiscriminada, atividades de vigilância e espionagem cibernéticas contra governos, até mesmo dos seus aliados, empresas e indivíduos estrangeiros, com graves violações da privacidade e da segurança de terceiros. Sem nenhuma base factual, os EUA abusam do seu poder de Estado para difamar, por qualquer meio, as empresas chinesas de alta tecnologia”, disse a embaixada da China.

A representação chinesa afirmou ainda acreditar que o Brasil fornecerá “regras de mercado em sintonia com os parâmetros de transparência, imparcialidade e não discriminação” para as empresas no leilão.

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“Esperamos a aprovação da compra da Oi Móvel ainda no segundo semestre”, diz CEO da Vivo

SÃO PAULO — Christian Gebara, presidente da Telefônica Brasil – Vivo (VIVT3), espera que a aprovação da compra da Oi Móvel pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aconteça ainda no segundo semestre de 2021.

Em entrevista nesta quarta-feira (28) antes da call com analistas sobre os resultados do segundo trimestre de 2021, Gerbara disse que “a compra foi muito bem pensada” e que a “empresa considerou todas as limitações que poderiam existir em termos de atuação”.

“Temos expectativa de que no segundo semestre deste ano a gente tenha a aprovação tanto da Anatel quanto do Cade. Estamos provendo todas as informações para que eles façam a avaliação”, disse. “É uma operação que envolve empresas grandes e, por isso, o Cade a classifica como complexa, mas sempre foi pensada com a maior distribuição competitiva possível”, completou.

“Nós tivemos mudanças na superintendência do Cade, o que gera mais tempo para que a avaliação da aquisição seja concluída, mas estamos com essa expectativa para o segundo semestre”, afirmou o executivo da Vivo.

Gerbara destacou ainda que a empresa tem R$ 6,6 bilhões em caixa líquido e que, caso a aquisição seja aprovada, terá de arcar com R$ 5,5 bilhões. “Já teríamos o recurso 100% disponível, mas, claro, estamos sempre avaliando boas opções de captarmos mais recursos quando necessário.”

TIM, Telefônica Brasil e Claro venceram em dezembro passado o leilão para comprar, por R$ 16,5 bilhões, as operações de redes móveis da Oi, que pediu recuperação judicial em 2016, e está vendendo ativos para levantar fundos e pagar credores.

Dividendos

David Melcon, CFO da Telefônica Brasil – Vivo e que também participou da entrevista, comentou sobre a proposta de reforma tributária que está sendo analisada pelo Congresso. Segundo o executivo, pela proposta, a empresa pode ser beneficiada em alguns pontos, mas prejudicada em outros.

“Temos uma prática de distribuir 100% do lucro anual no ano seguinte. Payout de 100% através de dividendos e juros sobre o capital próprio. Neste ano, não temos motivos para pensar que a reforma possa atrapalhar o pagamento que já anunciamos em fevereiro de pagamento de mais de R$ 1 bilhão aos acionistas”, disse.

“Mas temos que ver tudo de forma conjunta. A Vivo é uma companhia que tem uma estrutura de capital que a permite ter algumas alternativas para proteger os interesses dos nossos acionistas”, completou o executivo.

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O Ministério da Economia entregou em junho a proposta de Reforma Tributária prevendo a tributação de dividendos distribuídos a pessoa física em 20%. A isenção para o recebimento de até R$ 20 mil num único mês valerá apenas para micro e pequenas empresas. Assim, quem receber os proventos de grandes empresas, mesmo que seja um pequeno investidor pessoa física, será tributado em 20%, independentemente do valor recebido, caso a proposta seja aprovada como está.

Resultados

Sobre o balanço do segundo trimestre de 2021, Gebara destacou o crescimento da companhia no segmento móvel e o avanço de 47% da receita de aparelhos na comparação com o mesmo período de 2020 — fruto de uma base comparativa bem fraca (no início da pandemia todas as lojas da Vivo fecharam) e também de lançamentos importantes de novos smartphones pela Apple e outras marcas.

A Vivo lucrou R$ 1,345 bilhão no segundo trimestre de 2021, um crescimento de 20,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente da empresa totalizou R$ 4,226 bilhões, valor 3% maior na mesma base de comparação.

A receita da Vivo chegou a R$ 10,649 bilhões no trimestre terminado em junho, o que representa 3,2% de crescimento sobre o mesmo período de 2020. Segundo a companhia, a base de clientes totalizou 97 milhões de acessos, cinco milhões a mais do que no ano anterior. No negócio de fibra óptica, a companhia chegou a 77 cidades, adicionando 4,3 milhões de casas passadas.

“A demanda por fibra se mantém forte e a companhia está também empenhada em diversificar a receita, Já anunciamos, por exemplo, nossa entrada no segmento de saúde com a criação da Vida V, plataforma digital de saúde e bem-estar”, disse Gebara.

“Em termos de ESG, somos uma empresa carbono neutro e a primeira no setor a usar energia 100% renovável em sua cadeia de produção. Temos, por exemplo, em Caruaru, Pernambuco, nossa primeira usina de biogás”, completou o presidente da companhia.

“Renovamos nosso ISSO 14001 e seguimos no projeto de reciclagem e descarte correto de equipamentos eletrônicos. Só em 2021, devemos recolher gratuitamente cerca de 1,5 milhão de equipamentos de clientes que deixam de assinar serviços e têm equipamentos em suas casas.”

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TIM destaca planos para fibra óptica e se diz confiante com aprovação da compra da Oi Móvel

Loja da Tim

SÃO PAULO – A TIM (TIMS3) divulgou resultados do segundo trimestre que agradaram os investidores, ainda que em linha com o esperado. Contudo, a grande expectativa – sendo também tema de teleconferência com o mercado para discutir os números – foi a compra da Oi Móvel.

“Os resultados da TIM no segundo trimestre de 2021 vieram amplamente em linha com as estimativas de consenso, com boas tendências gerais no ARPU [ receita média por cliente] e, consequentemente, nas receitas. Embora os resultados tenham sido ligeiramente positivos, em nossa opinião, esperamos que o principal foco do mercado no curto prazo permaneça no desfecho da aprovação do negócio com os ativos da Oi Móvel”, destacaram os analistas do Bradesco BBI.

A operadora de telecomunicações registrou lucro líquido normalizado de R$ 681 milhões no segundo trimestre deste ano, aumento de 154,7% sobre igual período de 2020.

Já a receita líquida teve um crescimento anual de 10,5%, a R$ 4,4 bilhões. Com destaque para o crescimento de 8,5% na receita de serviços móveis, principal linha da companhia, atingindo R$ 3,7 bilhões.

A companhia apresentou um lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) normalizado de R$ 2,1 bilhões, representando um crescimento de 5,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do crescimento em termos absolutos, o resultado representou uma contração de 2,1 pontos percentuais na margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) normalizada, atingindo 47,7%.

A TIM sinalizou durante teleconferência que também está de olho no leilão de frequências 5G, que pode ocorrer entre setembro e outubro. Com isso, a empresa se prepara para uma emissão adicional de cerca de R$ 1 bilhão em dívida que pode ocorrer até o início de 2022, disse o vice-presidente financeiro, Adrian Calaza.

“Nosso fluxo de caixa está melhor do que prevíamos… Provavelmente vamos ter alguma operação adicional (de dívida) na casa de [R$] 1 bilhão, mas não temos urgência”, disse o executivo.

Em outras frentes, a TIM, que já tem uma parceria com o banco C6, está perto de selecionar um parceiro para lançar uma carteira digital ainda neste trimestre. A escolha será entre dois finalistas e o vencedor deve ser anunciado em setembro.

Segundo Pietro Labriola, presidente-executivo da TIM, a estratégia para a carteira digital terá “investimento e custo marginal” já que a empresa não quer abandonar a disciplina financeira e se desviar de seus negócios principais de serviços de telecomunicações.

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A TIM também está migrando e expandindo sua rede de banda larga para tecnologia de FTTH (acrônimo de Fiber-to-the-Home – Fibra para o lar) e Labriola afirmou que espera para setembro ou outubro a conclusão da venda de 51% de sua empresa de infraestrutura de fibra óptica para a IHS.

Segundo executivos da TIM, a operadora deve lançar até o final de outubro serviços de fibra óptica em velocidades de 1 e 2 megabits por segundo, mas não deu detalhes.

A Levante Ideias de Investimentos destacou em nota o crescimento expressivo da infraestrutura de fibra óptica, segmento que deve ficar em evidência nos próximos trimestres para todas as operadoras.

A TIM acrescentou cerca de 300 mil novos homes passed, atingindo 3,8 milhões com tecnologia FTTH; isso significa ter disponível para 3,8 milhões de clientes a conexão via fibra óptica diretamente no domicílio. O número de clientes do TIM Live também apresentou crescimento expressivo, 10% em relação ao segundo trimestre de 2020, atingindo 666 mil clientes.

Já sobre a Oi especificamente, executivos da TIM procuraram transmitir durante a tele a confiança de que a aquisição de ativos da rival será aprovada por autoridades sem grandes mudanças em relação à proposta apresentada junto com Telefônica Brasil (VIVT3) e Claro.

Na sexta-feira, a superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) declarou como “complexa” a venda das operações de telefonia móvel da Oi para o trio, que venceu em dezembro passado o leilão para compra dos ativos por R$ 16,5 bilhões.

“Temos muita confiança que vai ser aprovada (a compra dos ativos móveis da Oi) até o final do ano”, disse Labriola na teleconferência.

“Todo mundo ficou apavorado porque a operação foi definida como complexa, mas nunca falamos que era simples…A definição de complexa é definição de procedimento…não é nada diferente do que estávamos aguardando”, acrescentou o executivo. Ele afirmou ainda que não espera que eventuais remédios a serem decididos pelo Cade possam ter alteração que impacte o negócio.

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Por ser a terceira maior operadora de telefonia celular do país, a TIM receberá a maior parte dos ativos da Oi. Segundo o vice-presidente de relações regulatórias e institucionais da TIM, Mario Girasole, a estrutura da transação foi desenhada para que a atribuição das bases de ativos da Oi aos compradores seja definida de acordo com a menor das adquirentes em cada região.

“Hoje, em cada região do país, há dois grupos fortes e um muito menor e a Oi, que está saindo do mercado…As escolhas (dos consumidores) passarão efetivamente de duas para três (operadoras)”, afirmou Girasole.

(com Reuters)

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Oi vende título com yield de 9% para pagar dívida mais cara, diz fonte à Bloomberg

(Bloomberg) — A Oi (OIBR3;OIBR4) colocou no mercado um título em dólares em parte para refinanciar dívidas mais caras que assumiu durante a reestruturação atual da empresa.

A operadora, que está em recuperação judicial, está vendendo pelo menos US$ 500 milhões em notas sênior garantidas com juros na faixa de 9%, segundo uma pessoa a par do assunto.

O preço é alto em comparação com a maioria das ofertas este ano, já que apenas seis títulos em dólares com características regulatórias semelhantes foram vendidos com níveis mais altos de yield em 2021, segundo dados compilados pela Bloomberg. Mas ainda é mais barato do que os juros de 13,67% da debênture que a empresa está tentando refinanciar com os recursos.

A Oi passa por uma grande reestruturação de dívida desde o pedido de recuperação judicial em 2016. O processo incluiu a captação de fundos com desinvestimentos, como a venda dos ativos de telefonia móvel para a Telefónica, Telecom Italia e a alienação da participação de 25% na Unitel, a maior operadora de telefonia móvel de Angola.

O plano estratégico da empresa para 2022-24 é focar mais nos clientes e simplificar as operações enquanto busca pagar dívidas existentes, diversificar fontes de receita e resolver questões de concessão, disse o CEO Rodrigo Abreu no início do mês.

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Cade considera compra de ativos da Oi Móvel por Vivo/TIM/Claro como “caso complexo”; ações têm nova queda

Logo da Oi (OIBR3) (Reprodução/Facebook)

SÃO PAULO – A superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) declarou na última sexta-feira (23) como complexa a venda das operações de telefonia móvel da Oi (OIBR3;OIBR4) para as rivais TIM (TIMS3), Telefônica Brasil (VIVT4) e Claro, da América Móvil.

Em comunicado divulgado em seu site, o Cade afirmou que sua superintendência decidiu declarar “o Ato de Concentração nº 08700.000726/2021-08 complexo, e determinar a realização das diligências indicadas”. O documento cita ainda que a superintendência da autarquia pode “se for o caso”, pedir ao tribunal administrativo do Cade uma extensão do prazo para análise do caso.

TIM, Telefônica Brasil e Claro venceram em dezembro passado o leilão para comprar, por R$ 16,5 bilhões, as operações de redes móveis da Oi, que pediu recuperação judicial em 2016, e está vendendo ativos para levantar fundos e pagar credores.

Uma declaração de complexidade aumenta as chances de uma operação ser aprovada com restrições ou até rejeitada. Mas uma decisão final cabe ao colegiado do Cade.

Segundo o advogado Ademir Pereira, sócio da Advocacia José Del Chiaro, que representa a Neo, associação de operadores independentes e regionais de telecomunicações, a declaração do Cade reconhece que se trata de uma operação muito questionável do ponto de vista concorrencial.

“A nota elenca múltiplos pontos que precisam ser melhor esclarecidos pelas requerentes”, afirmou Pereira, em nota.

Para a Levante Ideias de Investimentos, a notícia é especialmente negativa para a Oi, uma vez que o atraso na conclusão deste negócio atrapalha a companhia que tenta atingir o fim do seu processo de recuperação judicial o mais breve possível.

Além disso, o Cade pode impor algumas restrições no negócio, levando a Oi a não conseguir vender parte dos ativos e de sua base de clientes em um primeiro momento, dificultando ainda mais a conclusão da transação.

Por outro lado, os analistas da casa apontam que, apesar de entenderem que há de fato uma preocupação com a concentração de concorrência no setor, não há compradores para a totalidade dos ativos a não ser as outras três grandes operadoras.

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“Dessa forma, mesmo com interesses de pequenos provedores em barrar a negociação, acreditamos que eventualmente a transação será aprovada tanto pelo Cade, quanto pela Anatel, mesmo que com algumas restrições e ressalvas por parte dos órgãos reguladores”, avaliam.

Às 11h18 (horário de Brasília), os papéis ON da Oi caíam 2,44%, a R$ 1,20, enquanto os ativos PN tinham baixa de 2,02%, a R$ 1,94, após uma semana de forte baixa para os ativos, com OIBR3 caindo 23% e OIBR4 em baixa de 11,61%. Os investidores não receberam bem o plano estratégico da companhia para 2022-2024.

De acordo com Daniel Federle e Felipe Cheng, analistas do Credit Suisse, o “sell-off” dos ativos, especialmente na segunda, foi justificado pelo fato do guidance indicar uma alavancagem para 2024 de 6,6 vezes (acima da estimativa anterior do banco), sugerindo um fluxo de caixa livre mais fraco do que o esperado, apesar das fortes estimativas operacionais da empresa. Na semana passada, a equipe de análise do banco suíço cortou o preço-alvo para os papéis ON de R$ 1,80 para R$ 1,60, mantendo recomendação neutra.

(com Reuters)

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“Nova Oi”: após a venda por R$ 12,9 bi do controle da InfraCo, mais um evento será acompanhado de perto pelos investidores

SÃO PAULO – Em linha com o esperado, a Oi (OIBR3;OIBR4) fez a sua última grande venda de ativos na última quarta-feira (7), ao leiloar o controle (mais precisamente 57,9%) da InfraCo, que concentra a rede de fibra óptica, por um valor de R$ 12,9 bilhões. 

Como esperado, apenas uma proposta – a dos fundos do BTG Pactual em conjunto com a Globenet Cabos Submarinos – foi apresentada, sendo ela a vencedora. A Oi permanecerá como sócia minoritária, com 42,1%. O fundo norte-americano Digital Colony também fez uma proposta vinculante pela Infraco no começo do ano, mas não seguiu na disputa.

A Oi priorizou a venda de um vasto grupo de ativos de forma a enxugar o seu endividamento e sair do processo de recuperação judicial, em que está desde 2016.

Desde novembro de 2020, quatro grandes grupos de ativos foram vendidos pela Oi – alguns ainda sujeitos à aprovação por órgãos antitruste – levando a uma captação de R$ 30,79 bilhões pela companhia. Foram eles: i) as torres móveis vendidas à Highline do Brasil por um valor de R$ 1,07 bilhão; ii) os data centers vendidos à Piemont Holdings por R$ 325 milhões; iii) a telefonia móvel para o consórcio Vivo/TIM/Claro por R$ 16,5 bilhões e iv) a já citada venda da fibra óptica por R$ 12,9 bilhões.

O plano de desinvestimentos prevê ainda a venda da rede de TV por assinatura, mas o negócio é de apenas R$ 20 milhões, muito pequeno perto dos anteriores.

Analistas avaliam a venda de ativos da véspera que encerrou o ciclo de grandes desinvestimentos como positivo, ainda que bastante em linha com o esperado, o que acabou também por não ser um catalisador para as ações desde que o negócio foi fechado.

Ontem, os ativos OIBR3 fecharam em queda de 0,63%, a R$ 1,57, enquanto os papéis OIBR4 tiveram baixa de 2,16%, a R$ 2,26, na sessão desta quarta. A queda continua nesta data, com os ativos ON caindo 1,91%, a R$ 1,54, enquanto os papéis PN registravam baixa de 1,33%, a R$ 2,23, na tarde desta quinta-feira (8).

“O cenário atual já era o esperado pelo mercado, por isso não deve ter impactos significativos no preço das ações da companhia”, apontou a Levante Ideias de Investimentos.

A conclusão da venda dos ativos deve marcar o fim da recuperação judicial da Oi, tornando, em um primeiro momento, uma empresa com patamares saudáveis de endividamento, avaliam os analistas. “Apesar disso, ainda é incerto como funcionará e qual será a rentabilidade da nova operação considerando a entrada de mais sócios e o modelo de negócios de venda do uso da infraestrutura no atacado”, destacam.

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A expectativa da Oi ao finalizar a venda de seus ativos é usar os recursos para focar no crescimento da empresa em banda larga fixa e encerrar o processo de recuperação judicial no final deste ano.

Neste sentido, após essa sequência de venda de ativos, um próximo evento será acompanhado de perto pelos investidores na próxima semana.

A companhia apresentará na próxima terça-feira (13) a nova fase do seu plano estratégico, para o triênio 2022-2024. A apresentação será por áudio-conferência a partir das 11h (horário de Brasília).

Com o plano, chamado de “Nova Oi”, a companhia deve reforçar o compromisso de expandir o seu negócio de banda larga via fibra óptica.

“Apesar da Oi ainda não ter dado detalhes sobre seu ambicioso plano, o enxergamos com bons olhos, visto que garante maior visibilidade com relação aos planos futuros da companhia”, afirma Luis Sales, analista da Guide Investimentos.

Conforme destaca o analista, sem a venda da operação móvel, em leilão realizado em dezembro, o plano de fazer a ‘’Nova Oi’’ seria inviabilizado, porque a companhia não poderia prescindir dos R$ 16,5 bilhões ofertados por Claro, TIM Brasil e Vivo. No caso da InfraCo, o dinheiro (R$ 12,92 bilhões) também é importante, mas abre-se a oportunidade de a Oi explorar um novo filão, também como provedora de infraestrutura neutra.

Isso porque, além da fatia de cerca de 42% na InfraCo, a Oi manterá a ClientCo, seu braço de prestação de serviços.

Conforme destacou ao InfoMoney Eduardo Neger, presidente da Associação Brasileira de Internet (Abranet), esse seria um movimento positivo: “A Oi poderá vender para outras empresas, sem atender o cliente final. Seria uma operadora das operadoras. Isso é promissor principalmente em grandes cidades, onde a estrutura está saturada. Algumas avenidas de regiões nobres de São Paulo, por exemplo, já têm mais assinantes do que cidades inteiras no interior”.

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Veja também: Após os leilões, o que sobra da Oi? Veja se as ações dessa “nova empresa” merecem o seu aporte

Sendo uma operadora neutra, a Oi poderia usar a rede da Vivo, por exemplo, para a venda de seus serviços e resolveria o desafio da penetração em regiões mais disputadas.

Enquanto isso, alguns desafios de curto prazo estão no radar da companhia. Um passo bastante aguardado é a aprovação da venda da Oi Móvel pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o órgão antitruste brasileiro. Mas o próprio Cade já afirmou que deve usar todo o prazo regimental de 330 dias – a serem encerrados no fim deste ano – para dar seu aval final sobre o negócio. Apesar da demora, a expectativa de especialistas e ex-conselheiros do Cade é que o órgão aprove a venda, mesmo que mediante algumas exigências.

“Apesar de acreditarmos que haverá uma concentração de mercado, não parece ter outra solução viável para este caso e por isso, após mais algum tempo de estudos, acreditamos que esta negociação deve ser aprovada”, apontam os analistas da Levante.

Enquanto isso, gestores e analistas que acompanham a companhia apontam outras questões. Em junho, Luiz Guerra, CIO da Logos Capital, gestora que tem Oi na carteira, destacou que o maior risco da Oi está na execução dos planos para fibra óptica. “Um plano dessa magnitude tem chance de dar errado. O que tranquiliza é que o [atual CEO, Rodrigo] Abreu e o Amos [Genish, fundador da GVT, que deve ser indicado pelo BTG para liderar a InfraCo] já fizeram isso outras vezes, então o track record dá segurança”, apontando ser essa a razão para estar otimista com a Oi.

Em abril, por sua vez, o Credit Suisse destacou ter recomendação neutra e preço-alvo de R$ 1,80 para a ação OIBR3, justamente citando a complexidade de execução e a falta de gatilhos positivos. Por outro lado, entre os otimistas, estão o Bradesco BBI, que seguem com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 3,40. A Guide também possui recomendação de compra das ações OIBR3 da empresa, com preço-alvo de R$ 3.

O evento da próxima semana pode ser um direcionador para os próximos passos da companhia, que está andando a passos largos para ser menor, mas também mais eficiente. O passo dado ontem foi considerado bastante positivo, mas ainda há muitas dúvidas entre os investidores.

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Cresce movimento contrário à divisão da Oi Móvel entre Vivo, TIM e Claro

Loja da Oi Móvel/Oi telecomunicações em São Paulo Loja da Oi Móvel/Oi telecomunicações em São Paulo (Foto: Paulo Fridman/Corbis via Getty Images)

A operação de compra da Oi Móvel (OIBR3; OIBR4) pelo consórcio de Vivo (VIVT3), TIM (TIMS3) e Claro, acertada em leilão por um lance de R$ 16,5 bilhões em dezembro, enfrenta resistência de outros agentes de mercado nas discussões dentro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Está ganhando corpo nessas arenas um movimento contrário à concentração de mercado, como resultado do fatiamento das redes de telefonia e internet móvel da Oi entre as três rivais.

Neste momento em que a transação está sob análise, as partes contrárias encaminharam aos órgãos públicos argumentos e estudos sobre potenciais efeitos negativos com a consolidação do setor. As partes também estão colocando na mesa pedidos de veto à transação ou, no mínimo, a aplicação de remédios para amenizar os esperados efeitos negativos. As propostas vão desde o endurecimento da fiscalização dos preços dos serviços ofertados pelas grandes teles até a venda de ativos da Oi para terceiros.

No Cade, cinco entidades já tiveram aval para acompanhar de perto o processo que analisará o ato de concentração. São elas: as operadoras regionais Algar e Sercomtel, as associações empresariais TelComp e Neo (que representa os provedores de pequeno e médio porte) e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). O trânsito também é visto na Anatel.

No dia 28, por exemplo, haverá uma reunião extraordinária a pedido dos provedores regionais para discutir a venda da Oi Móvel.

Ofensiva

Em petição enviada ao Cade, a Associação Neo (Associação de Operadores de TV por Assinatura, Provedores de Internet, Fornecedores de Soluções e Serviços) defendeu o veto à venda da Oi Móvel para o consórcio de Vivo, TIM e Claro. A Neo afirma que o negócio vai gerar concentração excessiva de mercado, desestímulo à concorrência e piora na oferta dos serviços de telecomunicações.

O documento cita um estudo do Office of Communications (a agência reguladora do Reino Unido) apontando que a redução de quatro para três operadores em países europeus como Áustria, Irlanda e Alemanha resultou em queda na qualidade dos serviços e no volume de investimentos do setor.

Esse apontamento contraria declarações de Vivo, TIM e Claro de que a transação vai melhorar os serviços a partir dos ganhos de escala. “A experiência internacional confirma que operações desse tipo não geraram eficiências”, descreveram os advogados da Neo na manifestação.

O mesmo estudo é descrito na petição encaminhada pelo Idec, que pede ao Cade a reprovação do negócio. “O Idec entende que a operação tem a potencialidade de gerar efeitos anticompetitivos no mercado de telefonia móvel, especialmente pela redução de oferta ao consumidor”, afirmou o órgão, no documento.

A paranaense Sercomtel, controlada pelo fundo Bordeaux, do empresário Nelson Tanure, também encaminhou ao Cade um pedido de veto sob a alegação de que a venda da Oi Móvel para as rivais diminuirá a rivalidade no setor e aumentará o risco de exclusão de concorrentes. “Não é razoável imaginar que a regulação existente conterá os riscos de abusos de poder econômico”, citaram os advogados da companhia.

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A mineira Algar Telecom também engrossou o coro pelo veto à transação, porém acrescentando um outro argumento. Na visão da empresa, o trio de operadoras teria se adiantado ao fechar a compra da Oi Móvel sem obter, antes, o aval dos órgãos competentes – uma prática conhecida por gun jumping. A infração, se confirmada, implicaria em proibição à venda da Oi Móvel e multa de R$ 60 milhões aos envolvidos.

Uma preocupação comum aos operadores regionais é a concentração da infraestrutura nas mãos de apenas três companhias nacionais. Há temor de que isso restrinja ainda mais oferta de redes e eleve os valores de contratos fechados entre as próprias teles. Isso afetaria, por exemplo, os serviços de roaming (quando o cliente de uma tele é conectado à rede de outra tele durante deslocamento), muito demandado por Algar e Sercomtel, que não têm cobertura no País todo.

Outras prejudicadas seriam as operadoras virtuais (MVNOs, na sigla em inglês) que oferecem telefonia e internet inteiramente a partir de redes de terceiros para atender nichos de mercado, como clientes de varejistas, bancos, torcidas de futebol, fã clubes, entre outros. As operadoras virtuais formam um mercado de quase 2 milhões de pessoas no Brasil, com empresas como Surf Telecom, Datora, Cinco (do grupo J. Safra) e America Net.

Remédios

O presidente da Associação Brasileira das Prestadores de Serviço de Telecom Competitivas (Telcomp), Luiz Henrique Barbosa, disse que um potencial veto à operação é pouco provável, considerando o risco de falência da Oi, em recuperação judicial desde 2016 com dívida bilionária. “Nossa atuação nesse ato de concentração é pela aprovação da venda, mas desde que com remédios concorrenciais e regulatórios”, explicou, em entrevista.

O remédio ideal, disse, seria a venda da Oi Móvel em fatias, destinando a carteira de clientes e o espectro de determinadas regiões (separadas dor DDDs) para outras empresas no lugar do trio Vivo, TIM e Claro. “Nós não temos associados capazes de comprar a Oi móvel inteira, mas temos, sim, interessados em comprar fatias”, relatou Barbosa. “Isso seria mais equilibrado para preservar a concorrência”.

Embora não revele o nome dos interessados em aquisições, o comentário nos bastidores é de que Algar e Sercomtel seriam candidatos. Também não é descartado interesse por parte das operadoras virtuais.

O presidente da Telcomp acrescentou que será necessária a criação de mecanismos para garantir que a oferta das redes no atacado tenha preços inferiores aos de varejo e que esses valores sejam passíveis de fiscalização pelos órgãos públicos.

Na mesma linha, o Idec recomendou a aplicação de remédios caso a reprovação da venda da Oi Móvel não seja possível. Uma opção é a venda para um agente que não opera no mercado, como a própria Highline do Brasil, citou o instituto, referindo-se ao grupo que também chegou a fazer uma proposta firme pela Oi Móvel, mas acabou superado pelo trio no leilão de dezembro. Outra opção é a aquisição da empresa por um consórcio de pequenos operadores locais de banda larga e telefonia móvel, possivelmente com um fundo de private equity (de participação em empresas) por trás.

Resposta

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A Oi e o consórcio Vivo, TIM e Claro encaminharam ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) manifestações para rebater as críticas que vêm sofrendo de agentes de mercado contrários à transação entre as partes.

O consórcio Vivo, TIM e Claro pediu ao Cade que a transação seja aprovada sem restrições, pois envolve, na sua visão, o melhor arranjo competitivo possível e “não gera preocupações concorrenciais”.

As teles disseram que será mantida “intensa rivalidade” no mercado de internet e telefonia móveis, sem poder coordenado entre elas, uma vez que o setor é inovador, dinâmico e competitivo.

O trio lembrou que está ocorrendo uma saída voluntária da Oi do ramo após perder capacidade de investir e rivalizar. E a divisão dos ativos será feita dentro dos limites de radiofrequência que cada empresa pode deter, conforme estabelecido pela agência reguladora de telecomunicações.

Além disso, acrescentam que não houve uma proposta alternativa de compra da Oi Móvel além delas. Vale lembrar que a Highline do Brasil chegou a fazer proposta vinculante, mas acabou desistindo de participar do leilão.

Em uma manifestação separada, a Oi disse que a venda das suas redes móveis é essencial para que o grupo continue sendo relevante no mercado brasileiro, concentrando seus recursos para o desenvolvimento da banda larga por fibra ótica. A Oi lembrou ainda que a negociação das redes móveis teve aprovação de seus credores em assembleias e foi homologada junto ao juízo do processo de recuperação judicial.

Consultadas pela reportagem, as empresas não fizeram comentários adicionais.

Por sua vez, a Oi reiterou a expectativa de aprovação do processo do Cade entre o fim de 2021 e o começo de 2022.

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Resultado do 1º tri não anima e ações ON da Oi caem 7%, mas analistas veem alguns sinais positivos

SÃO PAULO – Após um desempenho bastante expressivo das suas ações em 2020, com alta de 150% na esteira de venda de ativos indo no sentido de tirar a empresa da recuperação judicial e aumentar a eficiência, a Oi (OIBR3;OIBR4) tem queda expressiva, de cerca de 20%, dos ativos em 2021.

O resultado apresentado pela companhia referente ao primeiro trimestre não melhorou o ânimo com os papéis da companhia e, nesta quinta-feira (13) após o balanço, as ações OIBR3 fecharam em queda de 7%, a R$ 1,58, enquanto os ativos OIBR4 tiveram baixa de 2,13%, a R$ 2,30.

A companhia encerrou o primeiro trimestre de 2021 com prejuízo líquido consolidado de R$ 3,508 bilhões, redução de 44% em relação a perda obtida um ano antes, de R$ 6,253 bilhões. A perda atribuída aos acionistas controladores foi de R$ 3,504 bilhões no período, ante prejuízo de R$ 6,280 bilhões visto entre janeiro e março de 2020.

O Ebitda de rotina, que retira itens não recorrentes, foi de R$ 1,128 bilhão no primeiro trimestre, queda de 23,8% em relação ao valor de R$ 1,481 bilhão obtido em igual época de 2020.

A margem Ebitda caiu de 31,5% no primeiro trimestre de 2020 para 25,7% no primeiro trimestre deste ano. A receita líquida da empresa no primeiro trimestre de 2021 alcançou R$ 4,39 bilhões, baixa de 6,8% sobre o resultado de um ano antes. A Oi finalizou março com uma dívida líquida de R$ 25,172 bilhões, aumento de 38,8% em relação ao mesmo período de 2020.

Para o BBI, os resultados gerais foram negativos, uma vez que a receita do core business, a chamada “Nova Oi”, que inclui basicamente os negócios de banda larga e telefonia fixa residencial e corporativa, mostrou queda de 7,4%, para R$ 2,214 bilhões, com a pressão do segmento B2B (serviços para empresas).

Dito isso, as receitas de fibra óptica permaneceram fortes e compensaram o declínio da banda larga de cobre (o que provavelmente persistirá no futuro) e a redução no segmento móvel (que não deve mais ser consolidada após a venda da UPI Mobile ser concluída).

A fibra óptica manteve forte desempenho, com receitas avançando cerca de 17% sobre o quarto trimestre de 2020 e 189% sobre o primeiro trimestre do ano passado, compensando totalmente a queda das receitas em cobre, de 33% no ano contra ano.

O take rate, taxa de adesão, atingiu 23,5%, já que as casas passadas atingiram 10,5 milhões e as conectadas 2,4 milhões.

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“Acreditamos que os investidores começarão a avaliar mais a Oi por suas operações e seu turnaround do que pelos eventos (como leilões). Os resultados do primeiro trimestre não ajudam nesse sentido, mas como a implantação da operação de fibra óptica, que continua ganhando relevância, isso deve ser superado”, avaliam os analistas do BBI.

Eles continuam confiantes na tese de investimento da Oi e, portanto, reforçam a ação da empresa como a preferida no setor de telecomunicação na América Latina, com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 3,40, o que corresponde a um potencial de valorização de 100% em relação ao fechamento de R$ 1,70 da véspera.

O Credit Suisse classificou os resultados da Oi como negativos, destacando o Ebitda de R$ 1,1 bilhão – 24% inferior ao do primeiro trimestre do ano passado, 23% inferior ao quarto trimestre de 2020 e 20% abaixo do consenso do mercado, segundo consenso Bloomberg -, pressionado por receitas fracas. O banco suíço tem recomendação neutra para as ações ON da Oi, com preço-alvo de R$ 1,80, um potencial de valorização de 6% frente o fechamento de ontem.

Os analistas do banco suíço revisaram recentemente as suas projeções para a companhia, destacando que veem positivamente o progresso na venda de ativos, que tornará a companhia uma “telecom” muito mais simples. Mas, ainda assim, seguem com uma visão bastante cautelosa para o papel (veja mais clicando aqui).

Para os analistas Daniel Federle e Felipe Cheng, a execução do plano de recuperação judicial da Oi está sendo bem-sucedida. Até por isso, a recomendação é neutra para os ativos, uma vez que a maioria dos catalisadores para os ativos da Oi já aconteceram e estão precificados.

Os analistas seguem divididos sobre a tese de investimentos na Oi, conforme aponta compilação do consenso Refinitiv com casas que cobrem o papel OIBR3: de cinco, três possuem recomendação de compra ou equivalente e duas de manutenção. O preço-alvo médio é de R$ 2,72, 60% acima do fechamento de quarta-feira.

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Telefônica Brasil: lucro líquido soma R$ 942 milhões no 1º trimestre, queda de 18,3%

A Telefônica Brasil, dona da Vivo, teve lucro líquido de R$ 942 milhões no primeiro trimestre de 2021. O montante foi 18,3% menor do que no mesmo período de 2020, de acordo com dados do seu balanço, publicado na terça-feira, 11.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente somou R$ 4,455 bilhões, aumento de 0,5% na mesma base de comparação. A margem Ebitda passou de 40,9% para 41,1%.

A receita operacional líquida totalizou R$ 10,849 bilhões, uma leve alta de 0,2%.

A Telefônica expandiu a sua base de clientes e de receitas oriundas dos seus principais serviços, como banda larga via fibra ótica.

No entanto, a queda no lucro líquido resultou dos aumentos das rubricas depreciação e despesa financeira, parcialmente compensadas por menores impostos no período.

A depreciação e a amortização aumentou 5,9%, para R$ 2,905 bilhões, refletindo a maior depreciação da base de ativos e o crescimento do número de contratos de leasing.

O resultado financeiro líquido gerou uma despesa de R$ 315 milhões, que foi 61,7% maior na comparação anual. Essa alta veio do maior endividamento relacionado a contratos reconhecidos como leasing em função da prática contábil IFRS16.

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TIM: Lucro líquido cresce 57,9% no 1º trimestre, somando R$ 277 milhões

Loja da Tim

A operadora de telecomunicações TIM (TIMS3) registrou lucro líquido de R$ 277 milhões no primeiro trimestre deste ano, um aumento de 57,9% sobre igual período de 2020. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 2 bilhões, alta de 4,5% na comparação anual.

O resultado financeiro líquido da operadora ficou negativo em R$ 225 milhões, uma melhora em relação ao resultado financeiro negativo de R$ 251 milhões do primeiro trimestre de 2020.

A receita líquida somou R$ 4,340 bilhões, ligeira alta de 3% sobre igual período do ano anterior. De acordo com a empresa, o indicador confirma a trajetória de recuperação observada desde o terceiro trimestre de 2020. “Essa melhora foi limitada parcialmente por impactos concentrados no mês de março, devido à nova onda da pandemia de covid-19”, diz a TIM.

A receita líquida de serviços avançou 3,3% na comparação anual, para R$ 4,448 bilhões. “Todos os componentes de serviços contribuíram positivamente para essa aceleração”, diz a companhia. A receita de serviço móvel cresceu 2,8% para R$ 3,947 bilhões, enquanto a de serviço fixo avançou 12%, para R$ 281 milhões.

A receita média por usuário (arpu) móvel aumentou 6,6% no primeiro trimestre, para R$ 25,50. A base móvel de clientes caiu 2,1%, para 51,728 milhões, enquanto a base de clientes Live cresceu 13,3% para 662 mil. A receita da TIM Live avançou 20,4% no trimestre.

Já a receita líquida de produtos interrompeu sua trajetória de recuperação, registrando queda de 10,1% na comparação anual, para R$ 112 milhões. Segundo a TIM, foi a linha mais afetada pelo fechamento de pontos de venda e redução da circulação de pessoas, por conta da pandemia.

Os investimentos (capex) totalizaram R$ 1,3 bilhão, alta de 46,5% na comparação anual, com a retomada de projetos em 2020 e o início da preparação para recebimento dos ativos da Oi Móvel. O Opex (despesas operacionais e investimento em manutenção de equipamentos) permanece sob controle, com queda de 34,5% na provisão para devedores duvidoso (PDD) na comparação entre os primeiros trimestres de 2020 e 2021.

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