Recompra de ações: 4 empresas do setor imobiliário estão com programas abertos; confira

(Shutterstock)

SÃO PAULO – Quatro companhias do setor imobiliário estão com programas de recompra de ações em andamento e duas já encerraram, totalizando operações de cerca de R$ 750 milhões. São elas JHSF (JHSF3), Eztec (EZTC3), Tenda (TEND3) e Moura Dubeux (MDNE3). Já BR Properties (BRPR3) e Even (EVEN3) encerraram o seu programa na semana passada.

A recompra de ações consiste na compra pelas companhias de suas próprias ações no mercado, seja cancelando-as ou utilizando-as para atender ao exercício de opções de compra dos papéis.

Na prática, a empresa está tirando de circulação parte do seu patrimônio líquido da Bolsa, seja para ajustar sua estrutura de capital e seus níveis de caixa, sinalizar que acredita no potencial de suas ações como para oferecer uma forma de remuneração substituta ao dividendo, dentre outros fatores.

No caso da Even, a quantidade de papéis a serem adquiridos foi limitada a três milhões de ações ordinárias, o que corresponde a 1,48% das ações em circulação no mercado. O encerramento foi aprovado na reunião do conselho de administração da companhia realizada no dia 12 de agosto de 2021.

Na JHSF, o limite é de 28 milhões de ações ordinárias, que representam, aproximadamente, 9,15% do total de ações em circulação no mercado. O programa tem vigência até 17 de fevereiro de 2023.

No caso da EZTec, o programa envolve até 5.035.897 ações. O programa tem prazo de até seis meses, terminando em 23 de fevereiro de 2022. O montante referido equivale a cerca de 5% das ações da companhia em circulação no mercado.

Na Construtora Tenda, o conselho de administração aprovou o aditamento ao plano de recompra de ações, divulgado em dezembro de 2020, e poderá realizar operações com derivativos do programa, que tem validade até dezembro deste ano.

O programa da Moura Dubeux, que começou em abril deste ano, envolve até 5.715.759 de ações ordinárias e encerra-se em 19 de abril de 2022.

Já a BR Properties, assim como a Even, comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações. Ela obteve 99,95% dos ativos que havia se proposto a comprar, sendo adquiridas 10.994.600 ações por R$ 94,9 milhões, com o custo médio por ação de R$ 8,63.

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Em relatório, o Bradesco BBI avalia que a onda de programas de recompra envia um forte sinal da confiança das empresas no ciclo de negócios, apesar do recente colapso do valor de mercado do setor.

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O time de análise destaca que o setor já havia sinalizado uma compra da ordem de R$ 14 milhões por controladores do mercado imobiliário, com Tecnisa, MRV, brMalls, Plano&Plano, bem como Eztec entre os principais compradores. Desde então, as ações já perderam cerca de 26% na B3, em média, escreve.

“Destacamos que a recente crise do setor foi impulsionada pela deterioração das condições macroeconômicas, embora os fundamentos das empresas permaneçam predominantemente robustos”, completam os analistas do banco.

Além das empresas do setor de real estate, de construção e de shopping centers, a empresa de aluguel de veículos Movida (MOVI3) também anunciou nesta segunda-feira (23) o seu programa de recompra, de até 12.335.379 ações. A Locaweb (LWSA3) anunciou também programa de recompra na semana passada, projetando a compra de até 3 milhões de ações até 2023.

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Tenda: alta dos custos de construção é principal desafio e deve continuar pressionando ações no curto prazo

SÃO PAULO – O recorde de lançamentos e vendas no segundo trimestre da construtora Tenda (TEND3) animaram os investidores, levando a ação a apresentar alta na Bolsa nesta sexta-feira (6), mas não foram suficientes para animar os analistas do mercado financeiro.

Isso porque, apesar do bom volume de vendas no período, a companhia decepcionou ao registrar queda nas margens devido ao aumento dos custos de construção – algo que tem afetado todas as empresas do setor.

Entre abril e junho, a Tenda somou lucro líquido de R$ 34 milhões, queda de 16,1% na base de comparação anual.

Diante da alta nos preços dos insumos, a margem bruta ajustada ficou em 27,8% no trimestre, queda de 4,5 pontos percentuais na comparação anual e de 3,3 pontos na base trimestral.

No ano, as ações TEND3 apresentam queda da ordem de 30% na Bolsa, ante alta de 2,2% do Ibovespa. Nesta sexta, os papéis fecharam o pregão com alta de 1,71%, negociados a R$ 21,41.

Em relatório, o Itaú BBA destaca que, apesar da alta de 50% das vendas líquidas no período, que somaram R$ 862 milhões, e do controle da companhia na despesa administrativa, a construtora mostrou uma margem de lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) de 11,2%, abaixo das expectativas do banco de 12,5%.

O fraco desempenho no Ebitda e o aumento nas despesas financeiras também resultou em um lucro líquido 21% abaixo do esperado pelo banco.

Por conta do impacto nas margens, a Tenda anunciou nesta sexta que revisou suas projeções para o ano de 2021, reduzindo a estimativa de margem bruta do intervalo de 30% e 32% para 28% a 30%.

As estimativas de vendas líquidas no ano, por outro lado, foram revisadas para cima, com aumento de R$ 200 milhões.

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Em relatório, a XP escreve que os resultados mais amenos já eram esperados no último trimestre, levando a receita mais forte a ser compensada por uma margem bruta menor do que o esperado.

Por outro lado, os analistas destacam que a companhia vem aumentando o preço das unidades (cerca de 8% acima de 2020) – o que deve diminuir o risco de novas revisões nas margens.

“Embora não descartemos resultados momentaneamente mais fracos, continuamos com visão construtiva para as ações no longo prazo e mantemos nossa recomendação de compra e preço-alvo de R$ 38 por ação”, escreve o time de análise.

Repasse e aumento dos preços

De forma a controlar os custos, a Tenda sinalizou em teleconferência com analistas que está adotando diferentes estratégias para superar essa tendência, como o aumento dos preços e antecipação da compra de materiais.

De acordo com o Credit Suisse, as margens podem melhorar daqui para frente com a nova estratégia de precificação da empresa, embora isso possa prejudicar a velocidade de vendas.

A princípio, contudo, o banco prefere manter sua recomendação neutra para os papéis TEND3 e preço-alvo de R$ 35.

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“Com as empresas acelerando os lançamentos no segundo semestre deste ano e a cadeia de suprimentos da construção civil não apresentando sinais de desaceleração de custos, continuamos cautelosos com os próximos resultados, pois acreditamos que as margens podem se deteriorar”, escreve o banco.

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Ainda que o repasse do aumento dos custos tenha aumentado, o Bank of America reconhece que a estratégia seja limitada, dado que a Tenda está focada exclusivamente no programa habitacional, que oferece menor flexibilidade.

Além disso, os analistas avaliam que a concorrência em São Paulo, onde a empresa pretende aumentar a exposição, é forte.

O BofA manteve sua recomendação neutra para os papéis da companhia, com preço-alvo de R$ 32, dada a perspectiva de crescimento mais suave em relação aos pares de baixa renda, como Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3).

Cenário competitivo benigno

Para o Bradesco BBI, a decisão da Tenda de aumentar os preços parece necessária e indica uma mudança na abordagem de mercado. Os analistas avaliam que os preços mais altos estão sendo bem aceitos, o que sugere que a concorrência possa estar enfraquecendo (em especial os players menores).

Ainda que o aumento dos custos esteja atingindo o setor de construção civil como um todo, os analistas defendem que Direcional começou a reajustar seus preços mais cedo este ano, o que indica que as margens da companhia devem sofrer menos do que as da Tenda.

“De qualquer forma, preços mais altos devem levar pelo menos dois ou três trimestres para começarem a aparecer nas margens da Tenda, o que nos leva a manter nossa preferência relativa pela Direcional, que esperamos ter um desempenho significativamente superior ao de seus pares”, escreve o Bradesco BBI.

Mesmo assim, o banco  tem recomendação outperform (performance acima da média do mercado) para os papéis da Tenda e preço-alvo de R$ 36.

Segundo o time de análise, os papéis da construtora oferecem uma grande – e positiva – assimetria de valor.

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Tenda tem queda de lucro líquido de 16,1% no 2º tri de 2021 na base anual, a R$ 34 mi

SÃO PAULO – A Tenda (TEND3) registrou uma queda de lucro líquido de 16,1% no segundo trimestre de 2021 na comparação anual, a R$ 34 milhões. Frente os três primeiros meses, a queda é de 8%.

Já a receita líquida totalizou R$ 699 milhões nesse trimestre, alta de 33% frente o mesmo período de 2020 e alta de 16% na comparação com janeiro a março de 2021.

A margem bruta ajustada foi de 27,8%, queda de 4,5 pontos percentuais na comparação anual e queda de 3,3 pontos na base trimestral, impactada novamente pela revisão orçamentária das obras devido à pressão dos insumos. No semestre, a margem bruta ajustada contabilizou 29,3%, queda de 2,7 pontos na base anual.

O consumo de caixa operacional foi de R$ 111 milhões, sendo R$ 103 milhões da Tenda impactado pela mudança no critério da Caixa Econômica Federal ao creditar o dinheiro dos repasses e maior desembolso na estocagem de material para combater a pressão dos insumo.

A relação entre dívida líquida sobre o patrimônio líquido foi de 12,4% em função do consumo de caixa, ancorou a alavancagem a patamares um pouco acima dos limites de entre queda de 10% e alta de 10% estipulados pela companhia.

No trimestre, houve lançamento de 22 empreendimentos totalizando o recorde de R$ 1,0 bilhão (alta de 59% na base anual e de 64% na comparação trimestre). Destaque para o primeiro lançamento na praça nova de Campinas e dois lançamentos do projeto off-site.

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Tenda se sobressai, analistas atentos a margens da MRV e a lançamentos da EzTec: como foram as prévias do 2º tri

Prédios de baixa renda (Divulgação/MRV)

SÃO PAULO – Na sequência da divulgação de prévias operacionais de construtoras, MRV (MRVE3), EzTec (EZTC3) e Tenda (TEND3) publicaram seus dados com números positivos, ainda que preocupações sobre aumento de custos e expectativa pelo aumento da taxa de juros básica no Brasil sigam no radar do setor.

Entre as empresas, a Tenda acabou se destacando, o que reflete numa alta mais expressiva das suas ações na sessão desta sexta-feira (16), com os papéis TEND3 subindo cerca de 2% no início da tarde desta sexta, enquanto MRVE3 opera perto da estabilidade e EZTC3 avançava cerca de 1%. Para MRV, os analistas apontam que os números foram fortes, mas que as margens devem seguir pressionadas. Já para a EzTec, há recuperação, mas também preocupação com lançamentos. Confira os principais pontos:

A MRV teve crescimento no volume de lançamentos e vendas no segundo trimestre, refletindo o ambiente de expansão forte da construção civil no país, mas viu uma queda na geração de caixa no período, com pressão de custos com matérias-primas e mudanças no repasse de recursos da Caixa Econômica.

A companhia anunciou na quinta-feira que seu lançamentos de abril a junho somaram R$ 2,40 bilhões em valor geral de vendas (VGV), alta 5,4% sobre um ano antes. As vendas totalizaram R$ 2,065 bilhões, aumento de 13,7% no comparativo anual. Segundo a MRV, seu processo de vendas garantidas, no qual as vendas só são registradas quando o comprador apresenta o financiamento bancário, fez com que parte das vendas não fosse lançada dentro do trimestre.

No período, as vendas garantidas da MRV, que na prática eliminam a chance de distrato, representaram 77% do total. Quase 2,5 mil imóveis vendidos no período não entraram na conta devido à falta da garantia de financiamento.

A MRV decidiu dar sequência à estocagem de parte da matéria-prima para suas obras, para evitar interrupções no fornecimento, o que resultou em consumo de caixa, que foi de R$ 700 mil, após geração positiva de R$ 68,3 milhões um ano antes.

O Credit Suisse avalia os dados da MRV como positivos e dentro de suas expectativas. O banco projeta que as margens devem continuar sob pressão, e diz não ver sinais de quando a alta dos preços vai desacelerar. Assim, mantém recomendação neutra.

O Itaú BBA avaliou os dados da MRV como positivos, ressaltando os recordes em lançamentos e vendas, impulsionados pela subsidiária AHS. Por outro lado, ressaltou a queima de caixa. O banco mantém recomendação outperform e preço-alvo para 2021 em R$ 20,20 para a MRV.

O dado sobre o caixa também foi ressaltado por Renan Manda e Lucas Hoon, analistas da XP, uma vez que a geração de caixa ficou próxima de zero no consolidada e teve queima de R$ 167,8 milhões no Brasil, em razão da antecipação na compra de material de construção. Por outro lado, os R$ 2,4 bilhões em lançamentos e R$ 2,1 bilhões em vendas líquidas foram sustentados pelo bom desempenho da AHS nos Estados Unidos e o segmento de baixa renda. A recomendação dos analistas é neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 23.

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Para o Bradesco BBI, os números reforçam nossa visão de que, embora o lado operacional da MRV de sua operação no Brasil seja sólido – vemos a empresa atingindo aproximadamente R$ 7 bilhões em lançamentos e cerca de R$ 6 bilhões em vendas em 2021 -, sua margem bruta deve ficar abaixo de seus pares em 2021 (aproximadamente 28% versus 34% para seus pares médios), enquanto a principal vantagem deve vir de AHS. Os analistas mantêm recomendação de compra para MRVE3 e um preço-alvo estimado para 2021 de R$ 28 por ação.

A Eztec teve vendas líquidas de R$ 284,7 milhões no segundo trimestre, alta de 20,7% sobre o desempenho dos três primeiros meses do ano e mais que o dobro em relação ao vendido no mesmo período do ano passado.

A empresa apurou também um salto nos lançamentos, com o equivalente a R$ 928 milhões no segundo trimestre, ante R$ 28 milhões nos três primeiros meses do ano, ou alta de 3.200%, e praticamente zero no mesmo período do ano passado. O total lançado de abril a junho deste ano corresponde a dois empreendimentos de alto padrão.

“Uma vez que o governo do Estado de São Paulo, em relação à pandemia, retrocedeu da fase vermelha para a fase de transição, os plantões de vendas retornaram às suas atividades presenciais desde o dia 18 de abril, viabilizando a retomada de lançamentos”, afirmou a companhia na prévia operacional.

Os distratos fecharam o trimestre na casa dos R$ 39 milhões, “volume ligeiramente superior que o trimestre anterior. Cabe reforçar que 40% dos distratos se refere a downgrades, upgrades ou transferências”, afirmou a empresa.

O Credit Suisse avalia que a Eztec teve resultados positivos quanto a lançamentos, mas com vendas ainda lentas devido ao “timing”. O banco diz que a empresa parece estar preparada para acelerá-los, o que encara como positivo, já que o mercado se tornou mais cauteloso quanto à empresa após a divulgação de sua diretriz. O banco se diz, no entanto, preocupado com a concentração de lançamentos em São Paulo prevista para o segundo trimestre, e pela possibilidade de que a inflação continue a pressionar as margens. Assim, mantém avaliação neutra (perspectiva de valorização dentro da média do mercado) para a empresa.

O Itaú BBA avaliou os resultados da Eztec como neutros, com um ritmo de vendas de estoques “decente”, mas com vendas consolidadas também afetadas pela concentração de lançamentos no final de junho. O banco ressalta que a empresa divulgou seu plano de lançamentos, com PSV de R$ 1,3 bilhão. O Itaú mantém recomendação outperform para a Eztec, com preço-alvo para 2021 em R$ 48.

A XP aponta ainda que a EZTec reportou fortes lançamentos e recuperação de vendas, mas ainda pressionada pelas restrições comerciais no segundo trimestre e pelo lançamento do projeto EZ Infinity próximo ao final do trimestre. “Vemos um trimestre em recuperação para a EZTec e esperamos que as vendas acelerem gradativamente nos próximos trimestres. Como resultado, mantemos nossa recomendação de compra e preço-alvo de R$ 48 por ação”, apontam os analistas.

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Cauteloso, o Bradesco BBI, afirma que, além do gargalo de aprovações, a velocidade das vendas é algo a se observar: o
compromisso da Eztec em fornecer uma margem bruta otimizada significa que provavelmente irá extrair prêmios de preço de seu pipeline de alta renda, muitas vezes às custas de suas vendas.

“O lançamento do EZ Infinity no segundo trimestre foi um exemplo, sem unidades vendidas até o momento [da publicação do relatório pelos analistas]. Sem mencionar o pipeline de megaprojetos de renda média cada vez mais predominante da empresa, onde os orçamentos dos clientes são mais sensíveis aos aumentos de preços e cada lançamento tem muito mais em jogo”, apontam os analistas.

Os analistas esperam o lançamento do Unique Garden em breve, pois deve ser um indicativo das perspectivas mais amplas para o segmento. “Um desempenho forte neste projeto pode ser um gatilho positivo, enquanto os lançamentos atrasados e as curvas de vendas mais planas em geral podem levar a revisões para baixo dos lucros no médio prazo”, apontam. O BBI possui recomendação neutra para EZTC3 com um preço-alvo estimado para 2022 de R$ 45,00.

A Tenda lançou 20 empreendimentos no segundo trimestre de 2021, totalizando o recorde de R$ 986 milhões, ou alta de 56% na base anual.

As vendas brutas no período chegaram a outro recorde, de R$ 959 milhões, alta de 39,1% na base anual e avanço de 18,1% na comparação trimestral.

A velocidade de vendas (VSO) atingiu também o patamar histórico de 38,3%. As vendas brutas no primeiro semestre totalizaram R$ 1,8 bilhão, alta de 44% frente 2020.

“A Tenda apresentou mais um trimestre positivo com volume recorde de lançamentos e de vendas, o que reforça nossa visão de resiliência do segmento de baixa renda e ganho de participação de mercado no programa Casa Verde e Amarela das grandes incorporadoras”, aponta a XP, reiterando recomendação de compra e preço-alvo de R$ 38 por ação.

O Credit avalia os dados da Tenda como “fortes”, com velocidade recorde de vendas e alta de 3% no preço médio na comparação trimestral, e de 6% na anual, o que deve ofuscar parcialmente o efeito da inflação. Mas o banco diz que a pressão inflacionária deve limitar o potencial de valorização dos papéis.

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O Itaú BBA avalia os resultados da Tenda como positivos, ressaltando que este é o melhor trimestre da empresa em termos de lançamentos e vendas, em meio a um momento operacional sólido. O banco mantém recomendação outperform para a Tenda, e preço-alvo para 2021 em R$ 40,10.

Os recordes também são apontados por Manda e Hoon, da XP, com a companhia ganhando participação no programa Casa Verde e Amarela e mostrando a resiliência do segmento de baixa renda. A recomendação dos analistas da XP é de compra para TEND3, com preço-alvo de R$ 38.

O BBI também aponta que a Tenda apresentou uma sólida prévia operacional para o trimestre, enquanto a empresa conseguia elevar os preços de venda, amenizando o peso dos maiores custos de construção.

Os analistas reafirmam TEND3 como uma das  principais opções no setor, já que a ação está atualmente em queda de 17% no acumulado do ano (até o fechamento da véspera) contra a média de seus pares de queda de 7%, o que veem como injustificado, uma vez que o projeto de construção “offsite”, ou construção industrializada baseada na aplicação de sistemas pré-fabricados, não está precificado, levando à maior assimetria de valor na cobertura dos analistas. A recomendação é de compra para o TEND3 com um preço-alvo estimado para 2021 de R$ 36 por ação.

(com Reuters)

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Ações da B2W sobem forte em última sessão com ticker BTOW3, Méliuz cai após follow-on; Tenda, EzTec e MRV avançam

SÃO PAULO – Em um pregão com início relativamente morno nesta sexta-feira (16), as ações de MRV (MRVE3), EzTec (EZTC3) e Tenda (TEND3) avançam após a divulgação de prévias operacionais do segundo trimestre de 2021. O destaque fica para a Tenda, com ganhos de cerca de 1,8%, enquanto EzTec sobe 1,4% e MRV avança 0,8%.

A MRV anunciou que seus lançamentos de abril a junho somaram R$ 2,40 bilhões em valor geral de vendas (VGV), alta 5,4% sobre um ano antes. Já a construtora Eztec informou que teve vendas líquidas de R$ 284,7 milhões no segundo trimestre, alta de 20,7% sobre o desempenho dos três primeiros meses do ano e mais que o dobro em relação ao vendido no mesmo período do ano passado. A Tenda, por sua vez, registrou lançamentos de 20 empreendimentos, totalizando o recorde de R$ 986 milhões (alta de 56% na base anual).

Os papéis da Méliuz (CASH3), por sua vez, caem cerca de 1,2% após precificar as suas ações a R$ 57 em follow-on.

A B2W (BTOW3), por sua vez, avança cerca de 5% no seu último de pregão como BTOW3. A partir da próxima segunda, os investidores que desejarem adquirir as ações da empresa o farão por meio da “Americanas s.a”, sob o novo ticker AMER3. A mudança foi aprovada na assembleia geral do dia 10 de junho e faz parte do processo de cisão parcial das Lojas Americanas (LAME3 e LAME4). Veja mais clicando aqui. 

Confira os destaques:

Elétricas

Às 11h, é realizado na B3, o leilão de privatização onde o Governo do Estado do Rio Grande do Sul deve vender sua participação de 66% na CEEE Transmissão pelo valor mínimo de R$ 1,7 bilhão.

A XP aponta que, de acordo com o noticiário, CPFL, CTEEP, Taesa, Alupar e os fundos de pensão CPPIB e CDPQ devem participar do leilão, portanto a competição deve ser alta.

“Apesar de ser um ativo importante (aproximadamente R$ 870 milhões de RAP, a Receita Anual Permitida) enxergamos retornos limitados mesmo no valor mínimo. Para encontrar valor na aquisição, o comprador deverá assumir ganhos de eficiência relevantes. Estimamos a participação do Estado do Rio Grande do Sul na CEEE Transmissão em R$ 1,75 bilhão sem assumir ganhos de eficiência”, aponta.

Partidos de oposição protocolaram uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para derrubar a lei que permite a privatização da Eletrobras. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) é assinada por PSB, PSOL, Rede, PT, PDT e PCdoB e pede a “imediata suspensão da eficácia” da proposta, que foi sancionada pela Presidência da República na última terça-feira, dia 13. O documento pede também que o STF impeça a prática de quaisquer atos voltados ao processo de desestatização da estatal até que haja decisão definitiva de mérito da corte.

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A oposição destaca que a privatização não poderia ter sido tratada por meio de medida provisória, pois se trata de matéria “técnica e complexa” e que demanda aprofundamento deliberativo. Os partidos mencionam que o relatório foi aprovado com diversas propostas estranhas ao texto original, conhecidas como “jabutis”, são “flagrante contrabando legislativo”.

“O Executivo propôs a privatização da Eletrobras, uma questão de natureza técnica e complexa, a demandar aprofundamento deliberativo, por meio de medida provisória. O intuito foi esquivar-se do devido processo para a edição de leis ordinárias, não tendo-se comprovado a caracterização do requisito da urgência a justificar a utilização do instrumento excepcional”, diz o documento. “Ainda, na conversão da medida provisória em lei, o Congresso Nacional, por meio de diversas emendas, inseriu no texto legal uma série de matérias estranhas à privatização da Eletrobras, o que caracteriza flagrante contrabando legislativo.” Veja mais clicando aqui. 

Duratex (DTEX3), agora DexCo

A fabricante de materiais de construção Duratex, dona de marcas tradicionais como Deca, Hydra, Portinari e Durafloor, anunciou na quinta um grandioso plano de investimentos de R$ 2,5 bilhões para o período de 2021 a 2025, visando expandir sua capacidade de produção de painéis de madeira, revestimentos cerâmicos, louças e metais sanitários.

A companhia também anunciou uma grande mudança na sua identidade. A partir de agora, passará a se chamar DexCo. A ideia é criar um nome que faz jus ao conglomerado em que se tornou a companhia, com atuação em diversos segmentos. Já o nome Duratex vem desde a fundação da empresa, há 70 anos, e se confundia com sua linha de produtos de madeira. Com o novo nome, o ticker das ações negociadas em Bolsa também vai mudar. A partir de 19 de agosto, será DXCO3 em vez de DTEX3.

O Credit mantém recomendação outperform para a empresa, por acreditar que ela é sua principal beneficiária do que espera que seja um ciclo de construção no Brasil que deve adicionar entre R$ 2 e R$ 2,5 por ação da empresa. O banco diz que a razão entre dívida líquida e lucro Ebitda está em 1,2 vez, e que pode cair a 0,8 vez em 2021, segundo suas estimativas. Isso deve manter o balanço da empresa apto para executar seu ciclo de investimentos de R$ 2,5 bilhões. O banco mantém preço-alvo de R$ 27 para o ativo.

A MRV teve crescimento no volume de lançamentos e vendas no segundo trimestre, refletindo o ambiente de expansão forte da construção civil no país, mas viu uma queda na geração de caixa no período, com pressão de custos com matérias-primas e mudanças no repasse de recursos da Caixa Econômica.

A companhia anunciou nesta quinta-feira que seu lançamentos de abril a junho somaram R$ 2,40 bilhões em valor geral de vendas (VGV), alta 5,4% sobre um ano antes. As vendas totalizaram R$ 2,065 bilhões, aumento de 13,7% no comparativo anual. Segundo a MRV, seu processo de vendas garantidas, no qual as vendas só são registradas quando o comprador apresenta o financiamento bancário, fez com que parte das vendas não fosse lançada dentro do trimestre.

No período, as vendas garantidas da MRV, que na prática eliminam a chance de distrato, representaram 77% do total. Quase 2,5 mil imóveis vendidos no período não entraram na conta devido à falta da garantia de financiamento.

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A MRV decidiu dar sequência à estocagem de parte da matéria- prima para suas obras, para evitar interrupções no fornecimento, o que resultou em consumo de caixa, que foi de 700 mil reais, após geração positiva de R$ 68,3 milhões um ano antes.

O Credit avalia os dados da MRV como positivos e dentro de suas expectativas. O banco projeta que as margens devem continuar sob pressão, e diz não ver sinais de quando a alta dos preços vai desacelerar. Assim, mantém avaliação neutra.

O Itaú BBA avaliou os dados da MRV como positivos, ressaltando os recordes em lançamentos e vendas, impulsionados pela subsidiária AHS. Por outro lado, ressaltou a queima de caixa. O banco mantém avaliação outperform e preço-alvo para 2021 em R$ 20,2 para a MRV, frente à cotação de R$ 16,5 de quinta.

A Eztec anunciou na quinta-feira que teve vendas líquidas de R$ 284,7 milhões no segundo trimestre, alta de 20,7% sobre o desempenho dos três primeiros meses do ano e mais que o dobro em relação ao vendido no mesmo período do ano passado.

A empresa apurou também um salto nos lançamentos, com o equivalente a R$ 928 milhões no segundo trimestre, ante R$ 28 milhões nos três primeiros meses do ano, ou alta de 3.200%, e praticamente zero no mesmo período do ano passado. O total lançado de abril a junho deste ano corresponde a dois empreendimentos de alto padrão.

“Uma vez que o governo do Estado de São Paulo, em relação à pandemia, retrocedeu da fase vermelha para a fase de transição, os plantões de vendas retornaram às suas atividades presenciais desde o dia 18 de abril, viabilizando a retomada de lançamentos”, afirmou a companhia na prévia operacional.

Os distratos fecharam o trimestre na casa dos R$ 39 milhões, “volume ligeiramente superior que o trimestre anterior. Cabe reforçar que 40% dos distratos se refere a downgrades, upgrades ou transferências”, afirmou a empresa.

O Credit Suisse avalia que a Eztec teve resultados positivos quanto a lançamentos, mas com vendas ainda lentas devido ao “timing” dos lançamentos. O banco diz que a empresa parece estar preparada para acelerar os lançamentos, o que encara como positivo, já que o mercado se tornou mais cauteloso quanto à empresa após a divulgação de sua diretriz. O banco se diz, no entanto, preocupado com a concentração de lançamentos em São Paulo prevista para o segundo trimestre, e pela possibilidade de que a inflação continue a pressionar as margens. Assim, mantém avaliação neutra (perspectiva de valorização dentro da média do mercado) para a empresa.

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O Itaú BBA avaliou os resultados da Eztec como neutros, com um ritmo de vendas de estoques “decente”, mas com vendas consolidadas afetadas pela concentração de lançamentos no final de junho. O banco ressalta que a empresa divulgou seu plano de lançamentos, com PSV de R$ 1,3 bilhão. O Itaú mantém recomendação outperform para a Eztec, com preço-alvo para 2021 em R$ 48.

A Tenda lançou 20 empreendimentos no segundo trimestre de 2021, totalizando o recorde de R$ 986 milhões, ou alta de 56% na base anual.

As vendas brutas no período chegaram a outro recorde, de R$ 959 milhões, alta de 39,1% na base anual e avanço de 18,1% na comparação trimestral.

A velocidade de vendas (VSO) atingiu também o patamar histórico de 38,3%. As vendas brutas no primeiro semestre totalizaram R$ 1,8 bilhão, alta de 44% frente 2020.

“A Tenda apresentou mais um trimestre positivo com volume recorde de lançamentos e de vendas, o que reforça nossa visão de resiliência do segmento de baixa renda e ganho de participação de mercado no programa Casa Verde e Amarela das grandes incorporadoras”, aponta a XP, reiterando recomendação de compra e preço-alvo de R$ 38 por ação.

O Credit avalia os dados da Tenda como “fortes”, com velocidade recorde de vendas e alta de 3% no preço médio na comparação trimestral, e de 6% na anual, o que deve ofuscar parcialmente o efeito da inflação. Mas o banco diz que a pressão inflacionária deve limitar o potencial de valorização dos papéis.

O Itaú BBA avalia os resultados da Tenda como positivos, ressaltando que este é o melhor trimestre da empresa em termos de lançamentos e vendas, em meio a um momento operacional sólido. O banco mantém avaliação outperform para a Tenda, e preço-alvo para 2021 em R$ 40,1, frente à cotação de R$ 25,07 de quinta.

A Via, antiga Via Varejo, comunicou nesta sexta-feira que recebeu aprovação final do Banco Central da licença de funcionamento da BNQI Sociedade de Crédito Direto (SCD), o que deve ampliar a oferta de serviços na sua plataforma de soluções financeiras.

“A autorização de atuação como SCD é transformacional para a Via, pois amplia de forma relevante o mercado endereçável de atuação, para um mercado muito além do varejo”, afirmou a empresa em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Além do tradicional crediário, o BNQI SCD poderá realizar, entre outras, operações de empréstimos e de financiamentos aos clientes e parceiros por plataforma eletrônica. A empresa também considera que o BNQI SCD será uma importante alavanca para fidelização dos parceiros do seu marketplace, passando a oferecer serviços como financiamento para capital de giro, entre outros.

A Embraer assinou um acordo de longo prazo para o Programa Pool com a CommutAir, operadora da United Express, para apoiar a frota de jatos ERJ 145 da companhia aérea.

O novo contrato, de acordo com a empresa brasileira, inclui cobertura total de reparação de componentes e peças, bem como acesso a um grande estoque de componentes no centro de distribuição da Embraer em Fort Lauderdale, na Flórida (EUA).

Com um total de 168 aeronaves sob arrendamento, a CommutAir possui a maior frota ERJ 145 no mundo, que recentemente se tornou a única parceira regional a operar a aeronave para a United Airlines.

Atualmente, o Programa Pool atende mais de 50 companhias aéreas em todo o mundo.

Cruzeiro do Sul (CSED3)

A Cruzeiro do Sul anunciou na quinta-feira a compra do grupo universitário Moura Lacerda por R$ 54 milhões, valor que será pago em cinco anos.

Criado há quase um século, a Moura Lacerda tem sede em Ribeirão Preto (SP) e uma carteira de três mil alunos da educação básica à pós-graduação, com cursos superiores nas áreas de Engenharia, Medicina Veterinária, Arquitetura e Direito, informou a Cruzeiro do Sul em fato relevante.

A Méliuz precificou o follow on, ou oferta subsequente, a R$ 57 por ação, ou desconto de 4,4% em relação ao preço de fechamento da véspera, a R$ 59,60. A empresa levantou R$ 427,5 milhões com a distribuição primária, enquanto os acionistas vendedores captaram R$ 727,7 milhões, com a distribuição de 12,77 milhões de ações.

Os recursos com a oferta primária serão utilizados para ampliação da fatia da empresa em marketplace e serviços financeiros, além de potenciais aquisições de empresas consideradas estratégicas.

Os credores da mineradora Samarco, joint venture da brasileira Vale com o grupo anglo-australiano BHP, apresentaram na quinta-feira uma objeção à proposta de recuperação judicial apresentada pela empresa, segundo documento judicial visto pela agência internacional de notícias Reuters.

No documento, os credores afirmaram que o principal objetivo do plano proposto é proteger as gigantes da mineração donas da Samarco e reduzir os pagamentos futuros aos detentores de títulos e credores. Eles rejeitaram a oferta da Samarco de um desconto de 85% no valor a ser pago aos maiores credores da companhia, incluindo os acionistas Vale e BHP, que têm R$ 24 bilhões a receber da joint venture.

A Sinqia, provedora de tecnologia para o sistema financeiro, comunicou que o Torq Ventures, seu programa de
corporate venture capital, assinou contrato para investimento na Celcoin Pagamentos.

A companhia destaca que a Celcoin é pioneira no conceito de open finance no Brasil, e atende mais de 170 clientes
incluindo bancos digitais, fintechs, programas de fidelidade e varejistas. “A Celcoin apresenta um posicionamento estratégico único e um potencial de crescimento enorme, impulsionado pela expansão na oferta de serviços financeiros no Brasil, e viu seu volume de transações crescer 4 vezes nos últimos 12 meses. Mensalmente, 8 milhões de pessoas transacionam mais de R$ 1,5 bilhão na plataforma”, ressalta.

Esse é o primeiro investimento direto minoritário anunciado pelo Torq Ventures, lançado em janeiro. O aporte de R$ 15 milhões compôs uma rodada de R$ 55 milhões, que contou com a liderança do Torq Ventures e co-investimentos do boostLAB e a Vox Capital. Os recursos serão destinados à obtenção de licenças perante o Banco Central e à expansão das
operações da Celcoin.

A Sinqia informou que tem como objetivos nesse investimento (i) reforçar sua estratégia de open finance; (ii) se posicionar no mercado de infraestrutura para bancos digitais e fintechs; (iii) explorar sinergias comerciais, distribuindo as soluções da Celcoin na sua base de clientes e viceversa; e (iv) explorar sinergias técnicas, fornecendo softwares para suportar a expansão das operações da Celcoin.

Preços da celulose

O Morgan Stanley publicou uma avaliação sobre os preços da celulose. Os preços da celulose de fibra curta (BHKP na sigla em inglês) na China cotados na Foex caíram US$ 58,14 por tonelada em uma semana, a US$ 684,85 por tonelada. Os preços da celulose de fibra longa branqueada do norte (NBSK na sigla em inglês) recuaram US$ 12,31 por tonelada em uma semana, a US$ 874,65 por tonelada.

Segundo a Risi, um grande produtor brasileiro de celulose branqueada de eucalipto (BEK na sigla em inglês) está negociando uma redução substancial nos preços para os pedidos de julho. O preço pode atingir entre US$ 660 e US$ 690 por tonelada, uma queda frente ao patamar de entre US$ 760 e US$ 780 por tonelada pago nos últimos dois meses. A Risi também afirmou que outros fornecedores sul-americanos estão negociando a venda de BEK por entre US$ 660 e US$ 680 por tonelada.

O banco diz esperar que os preços sejam menores entre o segundo semestre de 2021, já que o terceiro trimestre é sazonalmente mais fraco para a demanda, e novos projetos começarão a funcionar no quarto trimestre de 2021. A capacidade adicional deve impactar o sentimento do mercado e as negociações, levando a ajustes para baixo em suas previsões.

(com Estadão Conteúdo e Reuters)

Quer entender o que é o mercado financeiro e como ele funciona? Assista à série gratuita “Carreira no Mercado Financeiro” e conheça o setor da economia que paga os melhores salários de 2021.

Méliuz precifica follow-on a R$ 57 por ação, prévias operacionais de MRV, EzTec e Tenda; Cruzeiro do Sul faz aquisição e mais

SÃO PAULO – Em destaque no radar corporativo, a Méliuz precificou as suas ações a R$ 57 em follow-on, a Duratex anunciou investimentos e mudanças na sua marca, enquanto o Cruzeiro do Sul comunicou a compra do grupo universitário Moura Lacerda por R$ 54 milhões, valor que será pago em cinco anos.

Já três companhias divulgaram prévias operacionais do segundo trimestre de 2021. A MRV anunciou que seus lançamentos de abril a junho somaram R$ 2,40 bilhões em valor geral de vendas (VGV), alta 5,4% sobre um ano antes. Já a construtora Eztec informou que teve vendas líquidas de R$ 284,7 milhões no segundo trimestre, alta de 20,7% sobre o desempenho dos três primeiros meses do ano e mais que o dobro em relação ao vendido no mesmo período do ano passado. A Tenda, por sua vez, registrou lançamentos de 20 empreendimentos, totalizando o recorde de R$ 986 milhões (alta de 56% na base anual).

Confira os destaques:

Elétricas

Às 11h, é realizado na B3, o leilão de privatização onde o Governo do Estado do Rio Grande do Sul deve vender sua participação de 66% na CEEE Transmissão pelo valor mínimo de R$ 1,7 bilhão.

A XP aponta que, de acordo com o noticiário, CPFL, CTEEP, Taesa, Alupar e os fundos de pensão CPPIB e CDPQ devem participar do leilão, portanto a competição deve ser alta.

“Apesar de ser um ativo importante (aproximadamente R$ 870 milhões de RAP, a Receita Anual Permitida) enxergamos retornos limitados mesmo no valor mínimo. Para encontrar valor na aquisição, o comprador deverá assumir ganhos de eficiência relevantes. Estimamos a participação do Estado do Rio Grande do Sul na CEEE Transmissão em R$ 1,75 bilhão sem assumir ganhos de eficiência”, aponta.

Partidos de oposição protocolaram uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para derrubar a lei que permite a privatização da Eletrobras. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) é assinada por PSB, PSOL, Rede, PT, PDT e PCdoB e pede a “imediata suspensão da eficácia” da proposta, que foi sancionada pela Presidência da República na última terça-feira, dia 13. O documento pede também que o STF impeça a prática de quaisquer atos voltados ao processo de desestatização da estatal até que haja decisão definitiva de mérito da corte.

A oposição destaca que a privatização não poderia ter sido tratada por meio de medida provisória, pois se trata de matéria “técnica e complexa” e que demanda aprofundamento deliberativo. Os partidos mencionam que o relatório foi aprovado com diversas propostas estranhas ao texto original, conhecidas como “jabutis”, são “flagrante contrabando legislativo”.

“O Executivo propôs a privatização da Eletrobras, uma questão de natureza técnica e complexa, a demandar aprofundamento deliberativo, por meio de medida provisória. O intuito foi esquivar-se do devido processo para a edição de leis ordinárias, não tendo-se comprovado a caracterização do requisito da urgência a justificar a utilização do instrumento excepcional”, diz o documento. “Ainda, na conversão da medida provisória em lei, o Congresso Nacional, por meio de diversas emendas, inseriu no texto legal uma série de matérias estranhas à privatização da Eletrobras, o que caracteriza flagrante contrabando legislativo.” Veja mais clicando aqui. 

Duratex (DTEX3), agora DexCo

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A fabricante de materiais de construção Duratex, dona de marcas tradicionais como Deca, Hydra, Portinari e Durafloor, anunciou na quinta um grandioso plano de investimentos de R$ 2,5 bilhões para o período de 2021 a 2025, visando expandir sua capacidade de produção de painéis de madeira, revestimentos cerâmicos, louças e metais sanitários.

A companhia também anunciou uma grande mudança na sua identidade. A partir de agora, passará a se chamar DexCo. A ideia é criar um nome que faz jus ao conglomerado em que se tornou a companhia, com atuação em diversos segmentos. Já o nome Duratex vem desde a fundação da empresa, há 70 anos, e se confundia com sua linha de produtos de madeira. Com o novo nome, o ticker das ações negociadas em Bolsa também vai mudar. A partir de 19 de agosto, será DXCO3 em vez de DTEX3.

O Credit mantém recomendação outperform para a empresa, por acreditar que ela é sua principal beneficiária do que espera que seja um ciclo de construção no Brasil que deve adicionar entre R$ 2 e R$ 2,5 por ação da empresa. O banco diz que a razão entre dívida líquida e lucro Ebitda está em 1,2 vez, e que pode cair a 0,8 vez em 2021, segundo suas estimativas. Isso deve manter o balanço da empresa apto para executar seu ciclo de investimentos de R$ 2,5 bilhões. O banco mantém preço-alvo de R$ 27 para o ativo.

A MRV teve crescimento no volume de lançamentos e vendas no segundo trimestre, refletindo o ambiente de expansão forte da construção civil no país, mas viu uma queda na geração de caixa no período, com pressão de custos com matérias-primas e mudanças no repasse de recursos da Caixa Econômica.

A companhia anunciou nesta quinta-feira que seu lançamentos de abril a junho somaram R$ 2,40 bilhões em valor geral de vendas (VGV), alta 5,4% sobre um ano antes. As vendas totalizaram R$ 2,065 bilhões, aumento de 13,7% no comparativo anual. Segundo a MRV, seu processo de vendas garantidas, no qual as vendas só são registradas quando o comprador apresenta o financiamento bancário, fez com que parte das vendas não fosse lançada dentro do trimestre.

No período, as vendas garantidas da MRV, que na prática eliminam a chance de distrato, representaram 77% do total. Quase 2,5 mil imóveis vendidos no período não entraram na conta devido à falta da garantia de financiamento.

A MRV decidiu dar sequência à estocagem de parte da matéria- prima para suas obras, para evitar interrupções no fornecimento, o que resultou em consumo de caixa, que foi de 700 mil reais, após geração positiva de R$ 68,3 milhões um ano antes.

O Credit avalia os dados da MRV como positivos e dentro de suas expectativas. O banco projeta que as margens devem continuar sob pressão, e diz não ver sinais de quando a alta dos preços vai desacelerar. Assim, mantém avaliação neutra.

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O Itaú BBA avaliou os dados da MRV como positivos, ressaltando os recordes em lançamentos e vendas, impulsionados pela subsidiária AHS. Por outro lado, ressaltou a queima de caixa. O banco mantém avaliação outperform e preço-alvo para 2021 em R$ 20,2 para a MRV, frente à cotação de R$ 16,5 de quinta.

A Eztec anunciou na quinta-feira que teve vendas líquidas de R$ 284,7 milhões no segundo trimestre, alta de 20,7% sobre o desempenho dos três primeiros meses do ano e mais que o dobro em relação ao vendido no mesmo período do ano passado.

A empresa apurou também um salto nos lançamentos, com o equivalente a R$ 928 milhões no segundo trimestre, ante R$ 28 milhões nos três primeiros meses do ano, ou alta de 3.200%, e praticamente zero no mesmo período do ano passado. O total lançado de abril a junho deste ano corresponde a dois empreendimentos de alto padrão.

“Uma vez que o governo do Estado de São Paulo, em relação à pandemia, retrocedeu da fase vermelha para a fase de transição, os plantões de vendas retornaram às suas atividades presenciais desde o dia 18 de abril, viabilizando a retomada de lançamentos”, afirmou a companhia na prévia operacional.

Os distratos fecharam o trimestre na casa dos R$ 39 milhões, “volume ligeiramente superior que o trimestre anterior. Cabe reforçar que 40% dos distratos se refere a downgrades, upgrades ou transferências”, afirmou a empresa.

O Credit Suisse avalia que a Eztec teve resultados positivos quanto a lançamentos, mas com vendas ainda lentas devido ao “timing” dos lançamentos. O banco diz que a empresa parece estar preparada para acelerar os lançamentos, o que encara como positivo, já que o mercado se tornou mais cauteloso quanto à empresa após a divulgação de sua diretriz. O banco se diz, no entanto, preocupado com a concentração de lançamentos em São Paulo prevista para o segundo trimestre, e pela possibilidade de que a inflação continue a pressionar as margens. Assim, mantém avaliação neutra (perspectiva de valorização dentro da média do mercado) para a empresa.

O Itaú BBA avaliou os resultados da Eztec como neutros, com um ritmo de vendas de estoques “decente”, mas com vendas consolidadas afetadas pela concentração de lançamentos no final de junho. O banco ressalta que a empresa divulgou seu plano de lançamentos, com PSV de R$ 1,3 bilhão. O Itaú mantém recomendação outperform para a Eztec, com preço-alvo para 2021 em R$ 48.

A Tenda lançou 20 empreendimentos no segundo trimestre de 2021, totalizando o recorde de R$ 986 milhões, ou alta de 56% na base anual.

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As vendas brutas no período chegaram a outro recorde, de R$ 959 milhões, alta de 39,1% na base anual e avanço de 18,1% na comparação trimestral.

A velocidade de vendas (VSO) atingiu também o patamar histórico de 38,3%. As vendas brutas no primeiro semestre totalizaram R$ 1,8 bilhão, alta de 44% frente 2020.

“A Tenda apresentou mais um trimestre positivo com volume recorde de lançamentos e de vendas, o que reforça nossa visão de resiliência do segmento de baixa renda e ganho de participação de mercado no programa Casa Verde e Amarela das grandes incorporadoras”, aponta a XP, reiterando recomendação de compra e preço-alvo de R$ 38 por ação.

O Credit avalia os dados da Tenda como “fortes”, com velocidade recorde de vendas e alta de 3% no preço médio na comparação trimestral, e de 6% na anual, o que deve ofuscar parcialmente o efeito da inflação. Mas o banco diz que a pressão inflacionária deve limitar o potencial de valorização dos papéis.

O Itaú BBA avalia os resultados da Tenda como positivos, ressaltando que este é o melhor trimestre da empresa em termos de lançamentos e vendas, em meio a um momento operacional sólido. O banco mantém avaliação outperform para a Tenda, e preço-alvo para 2021 em R$ 40,1, frente à cotação de R$ 25,07 de quinta.

A Via, antiga Via Varejo, comunicou nesta sexta-feira que recebeu aprovação final do Banco Central da licença de funcionamento da BNQI Sociedade de Crédito Direto (SCD), o que deve ampliar a oferta de serviços na sua plataforma de soluções financeiras.

“A autorização de atuação como SCD é transformacional para a Via, pois amplia de forma relevante o mercado endereçável de atuação, para um mercado muito além do varejo”, afirmou a empresa em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Além do tradicional crediário, o BNQI SCD poderá realizar, entre outras, operações de empréstimos e de financiamentos aos clientes e parceiros por plataforma eletrônica. A empresa também considera que o BNQI SCD será uma importante alavanca para fidelização dos parceiros do seu marketplace, passando a oferecer serviços como financiamento para capital de giro, entre outros.

A Embraer assinou um acordo de longo prazo para o Programa Pool com a CommutAir, operadora da United Express, para apoiar a frota de jatos ERJ 145 da companhia aérea.

O novo contrato, de acordo com a empresa brasileira, inclui cobertura total de reparação de componentes e peças, bem como acesso a um grande estoque de componentes no centro de distribuição da Embraer em Fort Lauderdale, na Flórida (EUA).

Com um total de 168 aeronaves sob arrendamento, a CommutAir possui a maior frota ERJ 145 no mundo, que recentemente se tornou a única parceira regional a operar a aeronave para a United Airlines.

Atualmente, o Programa Pool atende mais de 50 companhias aéreas em todo o mundo.

Cruzeiro do Sul (CSED3)

A Cruzeiro do Sul anunciou na quinta-feira a compra do grupo universitário Moura Lacerda por R$ 54 milhões, valor que será pago em cinco anos.

Criado há quase um século, a Moura Lacerda tem sede em Ribeirão Preto (SP) e uma carteira de três mil alunos da educação básica à pós-graduação, com cursos superiores nas áreas de Engenharia, Medicina Veterinária, Arquitetura e Direito, informou a Cruzeiro do Sul em fato relevante.

A Méliuz precificou o follow on, ou oferta subsequente, a R$ 57 por ação, ou desconto de 4,4% em relação ao preço de fechamento da véspera, a R$ 59,60. A empresa levantou R$ 427,5 milhões com a distribuição primária, enquanto os acionistas vendedores captaram R$ 727,7 milhões, com a distribuição de 12,77 milhões de ações.

Os recursos com a oferta primária serão utilizados para ampliação da fatia da empresa em marketplace e serviços financeiros, além de potenciais aquisições de empresas consideradas estratégicas.

Os credores da mineradora Samarco, joint venture da brasileira Vale com o grupo anglo-australiano BHP, apresentaram na quinta-feira uma objeção à proposta de recuperação judicial apresentada pela empresa, segundo documento judicial visto pela agência internacional de notícias Reuters.

No documento, os credores afirmaram que o principal objetivo do plano proposto é proteger as gigantes da mineração donas da Samarco e reduzir os pagamentos futuros aos detentores de títulos e credores. Eles rejeitaram a oferta da Samarco de um desconto de 85% no valor a ser pago aos maiores credores da companhia, incluindo os acionistas Vale e BHP, que têm R$ 24 bilhões a receber da joint venture.

A Sinqia, provedora de tecnologia para o sistema financeiro, comunicou que o Torq Ventures, seu programa de
corporate venture capital, assinou contrato para investimento na Celcoin Pagamentos.

A companhia destaca que a Celcoin é pioneira no conceito de open finance no Brasil, e atende mais de 170 clientes
incluindo bancos digitais, fintechs, programas de fidelidade e varejistas. “A Celcoin apresenta um posicionamento estratégico único e um potencial de crescimento enorme, impulsionado pela expansão na oferta de serviços financeiros no Brasil, e viu seu volume de transações crescer 4 vezes nos últimos 12 meses. Mensalmente, 8 milhões de pessoas transacionam mais de R$ 1,5 bilhão na plataforma”, ressalta.

Esse é o primeiro investimento direto minoritário anunciado pelo Torq Ventures, lançado em janeiro. O aporte de R$ 15 milhões compôs uma rodada de R$ 55 milhões, que contou com a liderança do Torq Ventures e co-investimentos do boostLAB e a Vox Capital. Os recursos serão destinados à obtenção de licenças perante o Banco Central e à expansão das
operações da Celcoin.

A Sinqia informou que tem como objetivos nesse investimento (i) reforçar sua estratégia de open finance; (ii) se posicionar no mercado de infraestrutura para bancos digitais e fintechs; (iii) explorar sinergias comerciais, distribuindo as soluções da Celcoin na sua base de clientes e viceversa; e (iv) explorar sinergias técnicas, fornecendo softwares para suportar a expansão das operações da Celcoin.

(com Estadão Conteúdo e Reuters)

Quer entender o que é o mercado financeiro e como ele funciona? Assista à série gratuita “Carreira no Mercado Financeiro” e conheça o setor da economia que paga os melhores salários de 2021.

Como a alta da Selic pode impactar o negócio das empresas do setor imobiliário na Bolsa

SÃO PAULO Após ter atingido seu menor patamar histórico, de 2% ao ano, a Selic voltou a subir em 2021. Em março, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, decidiu elevar a taxa básica de juros a 2,75% ao ano — uma decisão esperada pelo mercado a fim de reduzir a pressão sobre a inflação. 

Mas a alta da Selic pode prejudicar o desempenho das empresas do setor imobiliário na Bolsa? E como ficam os juros do financiamento imobiliário: eles vão subir também? Executivos de cinco construtoras participaram da série de lives Por Dentro dos Resultados, do InfoMoney, e falaram sobre o juro básico maior. Veja acima um resumo sobre o tema — e o conteúdo completo do projeto está no site.

Flavio Vidigal, CFO da Tecnisa (TCSA3), acredita que o aumento da Selic deve ter pouco impacto sobre o custo dos financiamentos imobiliários. “Os bancos têm capacidade de absorver esse incremento [da Selic]. Até porque quando houve a queda, ela não acompanhou 100%, não teve toda a correlação na parte de pessoa física”, disse. 

O executivo afirmou que vê como “saudável” o aumento do juros para mitigar a inflação. “A taxa de juros influencia na capacidade que o cliente tem de se financiar para comprar o apartamento. De nada adianta isso se o preço [do imóvel] subir muito, porque a renda do cliente não acompanharia”, completou. 

Já a EzTec (EZTC3) acredita que a subida de juros acende um alerta. “Ela acende um alerta. Não acende um alerta para o consumidor de alta renda, porque ele ainda vê seu dinheiro corroído por um IGP de quase 30%, mas no segmento de média renda o temor, obviamente, é de você começar a ver um incremento das taxas de financiamento imobiliário. Essas sim, quando começarem a ocorrer, provocarão algum tipo de impacto”, afirmou Emilio Fugazza, CFO da companhia. 

Rafael Menin, CEO da MRV (MRVE3), disse que mesmo se a Selic subir para cerca de 5% ao ano, o spread dos bancos vai continuar alto e, portanto, ele não acredita que o aumento do juro básico pode encarecer o custo do crédito imobiliário. Segundo ele, a demanda por imóveis continua.

“Os juros do crédito imobiliário chegaram a custar 11,5% ao ano, e caíram para 7% ao ano. O custo do funding é a poupança, que custa 70% da Selic. Uma Selic a 5% ao ano vai gerar um custo de funding de 3,5% ao ano. Então, o banco ainda terá um spread grande para manter o juro imobiliário na casa dos 7%. Agora é all time high no spread do crédito imobiliário. Nunca se teve um custo de captação de 1,5%, emprestando a 7,7%”, destacou o executivo. 

Para a Tenda (TEND3), o CFO Renan Sanches destacou que a alteração na Selic não faz diferença sobre as operações da empresa, uma vez que ela é focada na baixa renda, segmento no qual as taxas de juros são definidas pelo Ministério do Desenvolvimento Regional e são estáveis. 

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“A gente de fato espera que, assim como a gente já viveu em outras crises, situações em que a Selic estava em 14% e mais recente em 2%, em nenhum momento isso afetou o interesse das pessoas de comprar imóveis no segmento de renda menor. Como as taxas de juros são pré-definidas, e a troca que a pessoa avalia é se vale a pena ela continuar pagando aluguel ou adquirir a casa própria, que inclusive ela vai ter subsídio do governo para isso”, disse Sanches. 

Felipe Goes, CEO da São Carlos (SCAR3), destacou que há uma correlação direta entre os preços das ações de construtoras na Bolsa e o aumento da Selic. “Os imóveis são vistos corretamente como um investimento seguro, são tijolos, solo, principalmente imóvel urbano tem uma segurança de valor ao longo dos anos”, disse. O executivo, no entanto, destacou que é importante olhar para outros fatores na hora de precificar a empresa. 

“Se a gente pega esse valor de avaliação de R$ 5 bilhões [quanto valem juntos todos os empreendimentos da companhia], tira a dívida e divide pelo número de ações, a gente chega a R$ 70. A ação está sendo negociada em torno de R$ 35. Isso demonstra o potencial de upside para o investidor. Entender o valor do tijolo, o valor do metro quadrado, também é muito importante”, completou.

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A aposta da Tenda para revolucionar o mercado de moradia popular no interior do país

SÃO PAULO — O setor de construção civil é um dos que mais polui o meio-ambiente no mundo, mas a Tenda (TEND3) encontrou uma alternativa para compensar isso. A construtora, que tem atuação nacional e é focada na baixa renda, acaba de investir na compra de uma fábrica de wood frame — peças de madeira que se encaixam para montar casas.

O objetivo é produzir até 2026 cerca de 10.000 unidades por ano de casas de madeira pré-fabricadas em uma unidade de produção importada da Europa que será erguida no interior de São Paulo. As peças serão produzidas ali e espalhadas em projetos da companhia no interior do país.

“Nós visitamos vários lugares no mundo antes da pandemia para ver o modelo de wood frame. A qualidade do produto é ótima. São casas bonitas, que não dão rachaduras. É um modelo amplamente utilizado no exterior, nos Estados Unidos e Europa. E aqui no Brasil a produção off-site em escala funciona. Tem demanda para isso”, disse Renan Sanches, CFO e diretor de relações com investidores da Tenda, em live do InfoMoney na segunda-feira (23).

A entrevista faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, no qual CEOs e outros executivos importantes de empresas da Bolsa comentam os balanços do quarto trimestre de 2020 e o desempenho anual das companhias, e falam também sobre perspectivas. Para não perder as próximas lives, que acontecem até o início de abril, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

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O investimento no negócio de wood frame, segundo o executivo, é entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões nos próximos anos — e o retorno deve começar a surgir em 2024 e 2025, quando os primeiros lançamentos de casas de wood frame do grupo começarem a sair. “É um projeto que terá muita demanda no interior. Nas grandes cidades, nosso foco continuará em apartamentos acessíveis”, explicou.

Alvaro Kauê, gerente de RI da Tenda, lembrou que a companhia tem compromissos ESG a cumprir e que a madeira é uma ótima opção. “É m material de excelente qualidade e ela sequestra gás carbônico do meio-ambiente em vez de produzir”, enfatizou.

Os executivos falaram ainda sobre o impacto da pandemia de Covid-19 nas operações em 2020, continuidade das vendas mesmo que de forma online, e mantendo baixas despesas de vendas (6,9%) no período.

“Nós temos o menor preço do setor entre as empresas de capital aberto”, afirmou o CFO. Ele explicou que a companhia mantém os preços mais baixos, apesar do aumento no custo com materiais, para ganhar market share. “Prejudicamos um pouco nossa margem com isso, mas estamos focados em ganhar mercado, por enquanto”, completou. O market share da Tenda hoje é de pouco mais de 5%.

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Sanches e Kauê comentaram sobre a perda de 2,8 pontos percentuais na margem de 2020, sobre a geração de R$ 70 milhões de caixa no ano passado, sobre o estoque de oito meses que a companhia possui e a expectativa de retomar o crescimento ao longo de 2021.

Ambos falaram ainda sobre o endividamento — hoje, o caixa da empresa supera sua dívida (uma relação percentual de -9,8%, sendo que a meta da Tenda é manter esse número entre -10% e +10%, ou seja, há espaço para se alavancar). Eles comentaram que o perfil da dívida da Tenda sobre foi de longo prazo, mas que ano passado não foi possível alongar dívida — processo que deve ocorrer neste ano.

Os executivos descartaram a hipótese de venda da companhia para algum concorrente e também descartaram a possibilidade de a empresa passar a atuar no segmento voltado às classes média e média alta. Eles comentaram ainda sobre o aumento da concorrência e as iniciativas de outras construtoras para o segmento de baixa renda, além do baixo impacto do aumento recente da Selic sobre as operações do grupo. Assista à live completa acima.

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Tenda lucra R$ 72 mi, balanços de Moura Dubeux, brMalls, Stone e mais; Copel vai desdobrar ações e outros destaques

(Fotos Públicas)

SÃO PAULO – A temporada de resultados segue no radar corporativo, com os números de Tenda, Moura Dubeux, brMalls, RNI, Stone e Energisa. Já a Eletrobras adiou a divulgação dos resultados para segunda-feira.

Já o  novo estatuto da Copel prevê o desdobramento de ações da companhia, na proporção de 1 para 10 papéis, e a formação de Units, sendo cada Unit composta de 5 ações, uma delas ordinária e quatro preferenciais classe B.

Enquanto isso, os investidores acompanham o desempenho das commodities: os contratos futuros de minério de ferro caíram nesta sexta-feira no mercado asiático já que as medidas na China para restringir as operações altamente poluentes das siderúrgicas e reduzir a capacidade de produção pesaram sobre o ânimo. Confira os destaques:

O novo conselho da mineradora Vale, cujos 12 nomes foram aprovados pelo atual colegiado na véspera, terá sete membros com ampla experiência em sustentabilidade, além de oito considerados independentes, dentre outras inovações, no que promete ser a maior mudança do órgão administrativo desde que a companhia se tornou privada, em 1997. A eleição dos indicados para o período de 2021 a 2023 será feita pelos acionistas na Assembleia Geral Ordinária, em 30 de abril.

Segundo o jornal Valor, de saída da presidência da Petrobras, o economista Roberto Castello Branco deve disputar uma vaga no conselho da Vale, assim como a presidência do colegiado da mineradora nas eleições para renovar o conselho.

No radar dos mercados, os contratos futuros de minério de ferro caíram nesta sexta-feira no mercado asiático e estavam no caminho de sua segunda maior perda semanal até agora este ano, uma vez que as medidas na China para restringir as operações altamente poluentes das siderúrgicas e reduzir a capacidade de produção pesaram sobre o ânimo.

O minério de ferro mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian DCIOcv1 caiu 0,3% para 1.059 iuanes (US$ 163,11), fechando a semana em queda de 6%. O Ministério da Ecologia e Meio Ambiente da China pediu que Tangshan, a principal cidade siderúrgica do país, reprima aqueles que violam as regras de qualidade do ar, depois que quatro usinas não conseguiram implementar restrições à produção durante dias de forte poluição.

O governo de Tangshan emitiu um alerta de poluição de segundo nível em 8 de março, instando as empresas industriais pesadas, como siderúrgicas e usinas de coque, a cortar a produção.

A medida diminuiu o otimismo do mercado sobre um aumento na demanda após Ano Novo Lunar, fazendo com que os preços caíssem 5,7%, para US$ 166 a tonelada no mesmo dia, com base nos dados da consultoria SteelHome.

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“O mercado voltou US$ 10 a tonelada em um dia, pois os investidores financeiros diagnosticaram erroneamente o impacto das recentes restrições ambientais sobre a capacidade de produção de aço de Tangshan”, disse Atilla Widnell, diretor-gerente da Navigate Commodities em Cingapura. Ele disse que agora há “um risco maior de longo prazo para a demanda de minério de ferro da China, já que o governo quer cortar a capacidade de aço e avançar na produção a partir do uso de sucata.

A operadora de shopping centers brMalls teve lucro líquido no quarto trimestre do ano passado de R$ 199,4 milhões, 51,1% menor frente os R$ 407,6 milhões de igual trimestre de 2019. No ano passado, o prejuízo foi de R$ 293,8 milhões, revertendo parte do lucro líquido de R$ 1,24 bilhão do ano anterior.

A receita líquida foi de R$ 266,7 milhões nos últimos três meses de 2020, 23,8% menor frente os números de um ano antes. Em 2020, a receita da companhia foi de R$ 955,9 milhões, queda de 27,7% sobre 2019.

O lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) do quarto trimestre foi de R$ 251,8 milhões, 65,3% menor frente igual trimestre de 2019. No ano passado, o Ebitda da companhia foi negativo, em R$ 241,1 milhões.

A XP Investimentos destaca que os resultados foram ligeiramente mais fortes do que os analistas esperavam, impulsionado pelos resultados operacionais sólidos.

A companhia operou cerca de 92,8% da sua capacidade, o que refletiu na continuidade da recuperação das vendas nas mesmas lojas e alugueis nas mesmas lojas. A taxa de ocupação permaneceu relativamente estável em 96%, uma vez que as atividades de locação mais fortes no trimestre impediram um maior aumento da vacância. No balanço patrimonial, a companhia apresentou leve geração de caixa de R$27 milhões, levando a uma alavancagem de 4,6 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda aponta a XP.

“Apesar de superar ligeiramente nossas estimativas, não vemos como um catalisador para a ação, pois esperamos que o fluxo de notícias negativas sobre possíveis restrições mais rígidas à atividade comercial em todo o país em razão do aumento de casos do coronavírus permaneça nos holofotes no curto prazo, o que deve continuar trazendo volatilidade às ações. Com isso, mantemos nossa visão conservadora sobre o nome e nossa recomendação neutra e preço-alvo de R$ 10,70 por ação”, avaliam os analistas da XP.

A construtora e incorporadora Tenda obteve lucro líquido consolidado de R$ 72 milhões no quarto trimestre de 2020, recuo de 5,6% em comparação com o mesmo período de 2019. No acumulado do ano, o lucro totalizou R$ 200,3 milhões, baixa de 24%. A diminuição do lucro reflete os efeitos da pandemia, que provocaram paradas temporárias das obras, com perda de produtividade. Também pesaram os aumentos nos custos de construção no período.

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A margem bruta ajustada da companhia ficou em 31,5% no trimestre, queda de 1,9 ponto porcentual. E no ano, chegou a 32,2%, retração de 2,8 pontos.

A Tenda também apurou um prejuízo de R$ 2,7 milhões no trimestre com o seu novo negócio de construção industrializada (chamada pelo jargão de off-site), que ainda está sendo colocado de pé, sem gerar receitas.

O Ebitda ajustado consolidado somou R$ 110,2 milhões no trimestre, alta de 10,3%, e R$ 330,0 milhões no ano, queda de 6,6%. A receita líquida foi de R$ 685,9 milhões no trimestre, alta de 26,3%, e R$ 2,282 bilhões no ano, avanço de 17%, puxada pelo aumento das vendas.

O resultado financeiro gerou uma despesa líquida de R$ 7,1 milhões no trimestre, revertendo a receita líquida de R$ 4 milhões vista um ano antes. A inversão se deu porque a posição de caixa líquido diminuiu, e a queda da Selic reduziu a rentabilidade das aplicações.

A Tenda fechou o quarto trimestre com caixa líquido de R$ 148 milhões, diminuição de 25,8% em um ano.

A companhia reportou ainda queima de caixa de R$ 54,3 milhões no trimestre devido à antecipação das obras para aliviar o efeito do aumento nos custos dos materiais. No ano, houve geração de caixa de R$ 70 milhões.

O Credit Suisse avaliou os resultados divulgados pela Tenda, como em linha com sua expectativa. O banco mantém avaliação neutra (expectativa de valorização dentro da média do mercado) para a Tenda, afirmando que há riscos para o setor de baixa renda devido à alta de preços, uma tendência que diz esperar que continue em 2021.

O Credit destaca que, por outro lado, a empresa vem postando fortes resultados operacionais. O banco mantém preço-alvo de R$ 37, frente aos R$ 25,6 de fechamento na quinta (11).

Moura Dubeux (MDNE3)

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A Moura Dubeux reverteu o prejuízo de R$ 31,1 milhões do quarto trimestre de 2019 e lucrou R$ 8,7 milhões de outubro a dezembro de 2020.

Já a receita líquida teve alta de 96,9%, para R$ 190,4 milhões. A empresa elevou sua margem bruta de 20,9% para 27,1%.

A RNI elevou seu lucro líquido em 145%, na comparação anual, para R$ 12,9 milhões.

A receita líquida teve baixa de 19%, a R$ 77,8 milhões. A margem bruta foi reduzida de 35,9% para 25,4%.

A RNI passou de despesa financeira líquida de R$ 46 mil em receita financeira líquida de R$ 17,9 milhões. No fim de dezembro, a alavancagem medida por dívida líquida sobre patrimônio líquido da companhia era de 47,3%.

Stone (STNE.O : Nasdaq)

A processadora da pagamentos Stone STNE.O divulgou nesta quinta-feira lucro líquido ajustado de R$ 357,8 milhões para o quarto trimestre, alta de 30,1% sobre um ano antes.

A receita total da empresa subiu 27,9%, para R$ 1 bilhão enquanto o número de clientes ativos avançou 35,7%.

A companhia afirmou no balanço que espera superar a marca de 1 milhão de clientes ativos em 2021 e que a receita total tenha “aceleração significativa” em relação a 2020.

Enquanto isso, a Stone espera que a margem líquida ajustada seja similar ao nível de 2020, de 28,9%. No quarto trimestre, o indicador foi de 35,7%, recorde para a empresa.

Para o Credit Suisse, os resultados foram fracos, com a maior decepção sendo explicada principalmente por resultados mais fracos nas contas chaves, que tiveram uma queda de 10% na receita na comparação anual (ante alta de 28% no terceiro trimestre). Enquanto isso, o desempenho no segmento de pequenas e médias empresas permaneceu saudável, com receitas crescendo 94% na mesma base de comparação.

O crescimento do TPV (Total Payment Volume” ou Volume Total de Pagamentos), ex-voucher, desacelerou para 43% na comparação anual (48% no terceiro trimestre), 6% abaixo do consenso e do esperado pelo Credit, e a take rate (ganho obtido com cada transação, que soma as taxas cobradas e desconta as despesas) de 1,64% diminuiu 16 pontos-base na comparação anual.  Tanto o TPV quanto o take-rate foram prejudicados principalmente por contas-chave.

Os analistas comentam que, apesar do resultado, a perspectiva se mantém forte, e que não enxergam muito impacto da perda do quarto trimestre nas estimativas de longo prazo. A Stone mencionou que espera alcançar mais de 1 milhão de pequenos e médios negócios até o final de ano (crescimento de cerca de 50%) e que os take rates aumentem, tanto nos hubs quanto no Pagar.me, o que deve levar a uma aceleração significativa do crescimento da receita.

Por fim, citaram que, apesar dos planos de aumentar a força de vendas em 60%, as margens de lucro líquido devem ficar estáveis em cerca de 30%. “As mensagens transmitidas pelo management são positivas e sustentam a visão otimista sobre a empresa: mantemos nosso outperform”, destacam os analistas, que possuem preço-alvo de US$ 100 para o ativo negociado na Nasdaq.

O Bradesco BBI classificou os resultados da Stone como “decepcionantes”, mas que isso não importa tanto, também destacando que a gestão apresentou uma mensagem positiva para 2021.

O banco diz que o mercado deve continuar esperando que o lucro líquido atinja, em 2021, R$ 2 bilhões. O Bradesco espera R$ 1,9 bilhão, devido à expansão da base de clientes e portfolio de crédito. A deterioração do cenário macroeconômico e dos custos de financiamento não parecem incomodar investidores.

O BBI aponta que, com os desafios à frente, as ações da Stone parecem excessivamente valorizadas, e diz que o investimento na Stone parece cada vez menos atrativo, devido a maior potencial de outros atores além das empresas tradicionais de pagamento. Segundo o banco, sem uma plataforma on-line forte, a Stone pode ficar para trás na corrida digital. Por outro lado, não há nenhuma outra empresa no setor de pagamentos tão bem posicionada para comprar.
O Bradesco BBI mantém recomendação neutra e preço-alvo de US$ 57, frente aos US$ 76,41 negociados pela Stone na quinta (11) na Nasdaq.

A elétrica Energisa registrou lucro líquido de R$ 192 milhões  no quarto trimestre de 2020, queda de 45,6% em relação a igual período do ano anterior.

O Ebitda somou R$ 1,12 bilhão no último trimestre do ano passado, avanço de 15,7% na comparação anual.

No ano completo de 2020, a Energisa apurou lucro líquido de R$ 1,6 bilhão, crescimento de 204,9% no ano a ano, enquanto o Ebitda teve aumento de 12,3% na mesma base, para R$ 3,9 bilhões.

O Credit Suisse avaliou os resultados da Energisa como bons, e melhores do que o esperado, devido principalmente a bons volumes, bom controle de custos administráveis, e receitas não recorrentes de outras unidades. O banco destacou os R$ 399,2 milhões em dividendos anunciados pela tenda, um rendimento de 2%.

As receitas líquidas aumentaram 24,1% na comparação anual, frente à expectativa de 19,9% do Credit, devido a alta de 5,2% nos volumes vendidos, frente a 0,6% esperados pelo Credit

Os custos totais aumentaram 21,6% na comparação anual, 19% acima da expectativa do Credit, devido principalmente a custos maiores da parcela A, que levantou 28,3% na comparação anual, frente a expectativa de 26,5% do Credit, parcialmente compensados pelos custos administráveis, que tiveram alta de 0,2%, frente a expectativa de queda de 4,4% do Credit. O Credit Suisse mantém avaliação de outperform (expectativa de valorização acima da média do mercado) para a Energisa, com preço-alvo de R$ 54, frente a R$ 44 de fechamento na quinta.

IPO da Athena

A Athena, controlada pelo Pátria Investimentos, pediu nesta quinta-feira registro para realizar uma oferta inicial de ações (IPO), uma vez que a pandemia da Covid-19 amplia o foco público sobre operadoras de planos de saúde e de hospitais.

Criada em 2017, a Athena se apresenta como uma das maiores empresas de saúde suplementar do país e tem 5 operadoras, 24 clínicas, 7 pronto atendimentos e 9 hospitais.

No fim de 2020, a Athena tinha uma carteira de 708,4 mil beneficiários de planos de saúde ou odontológicos, crescimento de 374,5% em três anos, resultado da combinação de expansão orgânica e de aquisições.

A companhia diz que seu modelo verticalizado de negócios e sua concentração geográfica fora do eixo Rio-São Paulo são fatores de vantagem comparativa.

A companhia se concentra nos Estados do Piauí, Maranhão e Rio Grande do Norte, Espírito Santo e Paraná. No ano passado, teve receita líquida de 1,359 bilhão de reais, alta de 23,6% em relação ao ano anterior, com a margem Ebitda subindo de 7,4% para 9,5%.

“Possuímos uma vasta gama de potenciais aquisições já mapeadas”, afirma a Athena no prospecto preliminar da oferta, que será coordenada por Bank of America, XP, Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander e ABC Brasil.

“Excetuando-se as praças dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, estão sob análise ativos em praticamente todos demais Estados do país, acrescentou a companhia, que planeja usar os recursos da venda de ações novas para comprar operadoras de planos de saúde, clínicas e hospitais.

Um fundo administrado pelo Pátria, que detém 90,8% da companhia, também venderá uma fatia do negócio.

A estatal paranaense de energia Copel viu aprovada em assembleia geral extraordinária de acionistas nesta sexta-feira uma proposta de reforma de seu estatuto social, disse a empresa em comunicado.

O novo estatuto prevê o desdobramento de ações da companhia, na proporção de 1 para 10 papéis, e a formação de Units, sendo cada Unit composta de 5 ações, uma delas ordinária e quatro preferenciais classe B.

O documento também prevê adesão da companhia ao Nível 2 de governança corporativa da B3. Esse movimento, no entanto, está condicionado à realização de uma oferta secundária de ações na qual o governo do Paraná venderia parte de sua fatia na empresa.

Além disso, o número de membros eleitos por acionistas não controladores no conselho de administração da empresa passará de 2 para 3.

O estatuto prevê ainda uma garantia de que o dispositivo que obriga a empresa a aplicar integralmente reajustes tarifários aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não poderá ser alterado ou excluído sem aprovação de maioria dos acionistas detentores de ações preferenciais.

A Eletrobras anunciou que adiou a divulgação de seus resultados do quarto trimestre de 2020 de hoje para a próxima segunda-feira (15), após o fechamento do mercado. A teleconferência, que seria realizada na segunda, passou para terça-feira, 16, às 12 horas.

A estatal justifica o adiamento afirmando que o processo de conclusão e revisão das Demonstrações Financeiras não foi finalizado e disponibilizado para deliberação dos órgãos de administração. Segundo a Eletrobras, por conta da pandemia de covid-19, este processo é realizado de forma remota.

Burger King (BKBR3)

O Credit Suisse destacou as considerações a partir de conversas com Iuri Miranda, CEO do Burger King no Brasil, com o CFO Clayton Malheiros e com o CMTO Ariel Grunkraut na semana.

O banco avalia que a indústria de serviços alimentares foi fortemente impactada pela pandemia. Mas diz que o Burger King está melhor preparado nesta nova onda de Covid e se prepara para se recuperar após a pandemia, com iniciativas digitais, hipersegmentação com programas de fidelidade e projetos com uso de machine learning.

O Credit Suisse reiterou sua avaliação de outperform para o Burger King, com preço-alvo de R$ 13, frente aos R$ 9,09 de fechamento na quinta (11).

Alpargatas (ALPA4)

O Bradesco BBI elevou a avaliação da Alpargatas para outperform, após as ações caírem 16% desde que o banco as rebaixou para neutras, em novembro. O desempenho ficou 12 pontos percentuais abaixo da média do setor. Há perspectiva de crescimento com a recuperação internacional, e o banco mantém previsão de taxa anual de crescimento composta de 18% para o período entre 2020 e 2023, frente à previsão anterior de 14%.

O banco avalia que a empresa tem uma marca forte nacional e internacionalmente, um preço atraente e configura um investimento defensivo.

Assim, o banco elevou o preço-alvo para 2021 em 10%, para R$ 46 frente aos R$ 30,66 de fechamento na quinta (11).

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Prévias operacionais de incorporadoras mostram forte 4º trimestre; veja os nomes que mais animam analistas no setor

SÃO PAULO – Depois de um primeiro semestre desafiador por conta da pandemia de coronavírus e das medidas de isolamento social realizadas para conter o contágio da doença, as incorporadoras brasileiras mostraram números sólidos no terceiro trimestre e ao se observarem as prévias operacionais do quarto trimestre divulgadas nos últimos dias, o fim do ano consolidou esta recuperação.

Segundo Renan Manda, analista da XP Investimentos, a retomada do setor como um todo é forte e deve continuar principalmente se levarmos em consideração a velocidade de vendas dos lançamentos. “Logo após o pico da pandemia, uma incorporadora lançar um projeto e vender 50% ou 60% das unidades no primeiro mês é algo muito bom, até porque há sérias restrições a visitar estande, por exemplo”, explica. “Se tudo caminhar como está este ano será bem mais positivo do que 2020.”

A análise é parecida com a feita pelo time de análise do Banco Safra, para quem as baixas taxas de juros tornaram a compra de imóveis mais acessível no Brasil. Além disso, o nível reduzido da Selic (confirmada ontem em 2% ao ano após a reunião do Comitê de Política Monetária – Copom) tornaria ativos imobiliários mais atrativos na comparação com outros tipos de investimento.

Em relatório assinado pelos analistas Daniel Gasparete, Pedro Hajnal e Vanessa Quiroga, o Credit Suisse destaca os bons números das construtoras focadas nos imóveis para consumidores de média renda. “O segmento está vivendo o seu melhor momentum operacional em uma década impulsionado pelas taxas de hipotecas nas mínimas históricas”, avalia a equipe de análise do banco.

De acordo com o banco suíço, as empresas foram surpreendidas pelo repique na demanda, então os lançamentos de novos empreendimentos ficaram aquém das vendas nos primeiros nove meses de 2020 e agora estão se acelerando.

As principais companhias a se beneficiarem deste aumento na demanda pela população de renda média são, segundo o CS, Cyrela (CYRE3), Eztec (EZTC3), Even (EVEN3) e Moura Dubeux (MDNE3).

O Bank of America (BofA) também elaborou um relatório falando das prévias operacionais de construtoras e incorporadoras no Brasil, e destacou Cyrela como o destaque nos resultados por conta da aceleração tanto nos lançamentos para baixa quanto para média-alta renda. “A Cyrela é nossa top pick”, resumem a analista Nicole Inui.

No geral, contudo, o relatório do BofA enxerga uma tendência de desaceleração para alguns indicadores das prévias divulgadas até agora. “O aumento na demanda no terceiro trimestre de 2020 impulsionou a velocidade das vendas em média em 455 pontos-base nos segmentos de baixa e média-alta renda. No quarto trimestre, todavia, a velocidade das vendas se desacelerou, caindo 180 pontos-base abaixo dos níveis do ano anterior.”

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A opinião da analista é de que a menor velocidade de vendas pode ser atribuída à aceleração dos lançamentos para baixa renda, que cresceram a níveis recordes para algumas empresas enquanto os segmentos de média-alta renda estão demorando mais para retornar aos níveis pré-pandemia.

Os exemplos citados são os de Eztec e Even, que tiveram quedas de 59% e 42% respectivamente nos lançamentos em relação ao mesmo período do ano passado. “Os lançamentos da Cyrela foram uma exceção positiva, superando expectativas com um crescimento de 48% na comparação anual e de 32% na base trimestral para média-alta renda.”

Fora a Cyrela, que teve um crescimento de quatro vezes nos seus lançamentos para baixa renda, Nicole também destaca a Direcional (DIRR3), que registrou um avanço de 30% nos seus lançamentos para esta faixa de renda na comparação anual. A MRV (MRVE3), por outro lado, teve uma retração de 10% nos lançamentos sobre o nível de 2019 apesar da aceleração sobre o trimestre anterior.

Os analistas do Credit Suisse, embora reconheçam que as incorporadoras focadas em baixa renda estão quebrando recordes, têm perspectivas menos otimistas para o segmento.

Para o Credit, esse bom momentum operacional está ancorado em uma demanda ainda resiliente e em ganhos de market share (participação de mercado). Porém, os analistas enxergam um potencial de ganho mais tímido do lado operacional e provavelmente maior pressão por parte dos custos, o que deve prejudicar o resultado líquido trimestral.

Renan Manda, por sua vez, acredita que o segmento de baixa renda já teve um desempenho bastante diverso da média e alta renda principalmente na metade do ano passado, mas as perspectivas continuam otimistas para esse ano.

“As incorporadoras de baixa renda venderam como nunca em 2020 em parte porque a demanda é muito resiliente, também pelos subsídios e, por fim, por ser um mercado muito maior”, explica.

Manda argumenta que os últimos trimestres resultaram na consolidação das empresas dominantes do setor imobiliário como um todo.

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“O crédito disponível está com um custo baixo, a demanda continua se recuperando e as empresas estão se preparando para fazer frente a essa procura com lançamentos. Quem tem espaço no balanço para expandir suas operações vai largar bem na frente de agora em diante”, comenta.

A empresa favorita do analista da XP para 2021 é Eztec no segmento de alta renda. A avaliação é de que ela terá quase R$ 3 bilhões em lançamentos e sempre teve mais caixa do que dívida, tendo captado um volume relevante de recursos em 2019, o que se traduziu em espaço no balanço para investir. “É uma companhia bem concentrada em São Paulo, mercado que deve ter uma recuperação muito forte.”

Na baixa renda, por sua vez, a favorita de Manda é Tenda (TEND3). O analista afirma que não só a empresa tem registrado fortes volumes de venda como um aumento significativo na velocidade dessas vendas. “Isso abre espaço para continuar crescendo e expandindo as operações sem acumular estoque”, conclui.

Desafios

O Banco Safra enxerga como grande desafio para o setor daqui para frente enfrentar o aumento na inflação, algo que já incomoda executivos como Diego Villar, presidente da Moura Dubeux. Em entrevista ao InfoMoney, Villar disse que a máxima histórica na cotação do minério de ferro aumentou os custos da companhia por causa do aço usado nas construções.

De janeiro a novembro de 2020, conforme lembraram os analistas do Safra, os preços dos materiais de construção avançaram 17,7%, de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), enquanto o índice que serve para reajustar os contratos de financiamento imobiliário subiu 8,7% no ano.

“Isso pode afetar especialmente as companhias voltadas ao segmento de baixa renda, que atuam sob um ambiente regulatório que limita a capacidade de repassar custos”, avaliam.

Para os analistas do Safra, também é preciso ter atenção a uma possível alta mais persistente nos preços de terrenos, o que pressionaria principalmente os segmentos de média e alta renda.

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“Nosso time destaca que as empresas do setor já levantaram mais de R$ 7 bilhões com ofertas de ações em 2019 e 2020 – e mais algumas devem ocorrer até 2022. Boa parte desses recursos, avalia nosso analista Luiz Peçanha, deve ser utilizada para a construção de um banco de terrenos com o objetivo de entregar crescimento”, escrevem os analistas.

A consequência disso é que empresas com terrenos insuficientes para os lançamentos projetados para os próximos anos encarariam dificuldades para atingir suas metas de lançamento. “Um risco também é a deterioração da rentabilidade dos projetos se a participação dos terrenos aumentar nos custos totais dos projetos”, apontam.

Confira abaixo o balanço de recomendações das maiores incorporadoras e construtoras do País segundo dados compilados pela Thomson Reuters

Empresa Ticker VGV no 4º tri (em R$) Recomendações de compra Recomendações neutras Recomendações de venda Preço-alvo médio Upside esperado
Cury CURY3 675 milhões 2 0 0 R$ 15,90 41,71%
Cyrela CYRE3 2,87 bilhões 8 2 0 R$ 28,40 9,40%
Direcional DIRR3 231 milhões 7 1 0 R$ 17,45 29,45%
Even EVEN3 675 milhões 5 4 0 R$ 14,06 29,59%
Eztec EZTC3 381 milhões 4 3 0 R$ 36,10 25,29%
Gafisa GFSA3 627,2 milhões 0 0 1 R$ 15,00 246,42%
Helbor HBOR3 433 milhões 3 0 0 R$ 17,67 82,73%
Lavvi LAVV3 497,5 milhões 2 0 0 R$ 13,20 60,78%
Melnick MELK3 115,2 milhões
Mitre MTRE3 463,7 milhões 3 0 0 R$ 18,08 14,14%
Moura Dubeux MDNE3 450,7 milhões 2 0 0 R$ 16,50 67,00%
MRV MRVE3 2,13 bilhões 4 5 0 R$ 20,50 8,07%
Plano & Plano PLPL3 538 milhões 3 0 0 R$ 13,07 95.37%
RNI RDNI3 240 milhões
Tenda TEND3 885,2 milhões 5 5 0 R$ 36,97 32,75%
Trisul* TRIS3 2 0 0 R$ 12,67 22,06%

*Ainda não divulgou prévia operacional relativa ao quarto trimestre de 2020

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