Tesouro Nacional anuncia emissão externa de títulos soberanos em dólares

(Getty Images)

O Tesouro Nacional anunciou nesta terça-feira, 29, uma emissão externa de títulos soberanos brasileiros em dólares. De acordo com o comunicado do órgão, será realizada a emissão de um novo título de 10 anos, com vencimento em 2031, e a reabertura do atual benchmark de 30 anos, o Global 2050.

“O objetivo da operação é dar continuidade à estratégia do Tesouro Nacional de promover a liquidez da curva de juros soberana em dólar no mercado externo, provendo referência para o setor corporativo, e antecipar financiamento de vencimentos em moeda estrangeira”, informou o Tesouro Nacional.

A operação será liderada pelos bancos Bradesco BBI, Goldman Sachs e HSBC.

De acordo com o órgão, os títulos serão emitidos no mercado global e o resultado será divulgado no fim desta terça-feira.

Essa é a primeira captação externa do ano – a última havia sido feita pelo Tesouro Nacional no início de dezembro, quando foram vendidos US$ 2,5 bilhões de títulos da dívida externa de cinco, 10 e 30 anos.

Em julho do ano passado, outra emissão captou ainda US$ 3,5 bilhões com a venda de títulos com vencimento de 5 anos e 10 anos.

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Ray Dalio diz que prefere investir em Bitcoin em vez de títulos públicos

Ray Dalio (Crédito: Roy Rochlin /Getty Images)

(Bloomberg) – Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, disse que prefere comprar Bitcoins do que títulos.

Se as criptomoedas continuarem a ganhar força, investidores podem decidir investir nesses tokens digitais em vez de títulos públicos, disse Dalio em entrevista gravada e veiculada na segunda-feira na conferência Consenso 2021 da CoinDesk. Segundo ele, isso deve limitar a capacidade de os governos captarem fundos.

Dalio mostra pessimismo em relação aos títulos há algum tempo. Em março, disse que a estratégia de investir em títulos “se tornou estúpida”, porque esses ativos pagam menos do que a inflação.

Mesmo com essa visão, uma grande porcentagem dos US$ 151 bilhões que sua empresa administra está aplicada em títulos do Tesouro dos Estados Unidos e outros títulos públicos.

“Tenho um pouco de Bitcoin”, disse Dalio na entrevista, que foi gravada em 6 de maio, de acordo com a CoinDesk. O investidor não revelou a quantidade.

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Dalio também disse que “o maior risco do Bitcoin é o seu sucesso”.

O gestor de fundos de hedge chegou a chamar o Bitcoin de “invenção infernal” e achava um desafio atribuir um valor aos ativos digitais, já que investir em Bitcoin significa reconhecer a possibilidade de perder cerca de 80%.

Dalio disse em janeiro que estudava as criptomoedas como investimentos para novos fundos que ofereceriam proteção aos clientes contra a desvalorização de moedas fiduciárias.

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A Bridgewater Associates enfrenta obstáculos para melhorar o desempenho de seu fundo macro. No ano passado, o fundo Pure Alpha II perdeu 12,6% e acumulava alta de 4% este ano até abril. No total, a Bridgewater administra US$ 73 bilhões em estratégias macro.

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Prêmios de títulos do Tesouro Direto têm alta na manhã desta segunda-feira

Dinheiro na mão (Shutterstock)

SÃO PAULO – As taxas pagas pelos títulos públicos negociados via Tesouro Direto apresentam alta na abertura dos negócios desta segunda-feira (17), com os investidores monitorando indicadores de maior pressão inflacionária ao redor do mundo e o noticiário sobre a Covid-19, no Brasil e no exterior.

O Tesouro Prefixado com vencimento em 2026 pagava uma taxa anual de 8,86% nesta manhã, ante 8,81% na tarde de sexta-feira (14). Da mesma forma, o juro pago pelo Tesouro Prefixado com juros semestrais e prazo em 2031 avançava de 9,37% para 9,41% ao ano.

Entre os títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2035 oferecia um prêmio anual de 4,22%, ante 4,17% a.a. anteriormente, enquanto a taxa do Tesouro IPCA+ 2026 era de 3,52%, contra 3,49% a.a. na última sessão.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto nesta segunda-feira (17):

Fonte: Tesouro Direto

Focus e CPI da Pandemia

Entre os destaques do dia na cena doméstica, economistas que participam do relatório Focus, do Banco Central, revisaram para cima, pela quarta semana consecutiva, as projeções para o crescimento da economia brasileira este ano, desta vez de 3,21% para 3,45%. Para 2022, o mercado financeiro também elevou as estimativas, de expansão de 2,33% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2,38%.

As projeções compiladas no Focus apontam ainda para alta de 5,15% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021, acima da anterior, de 5,06%, e na sexta semana consecutiva de revisão para cima. Para 2022, também houve alta nas projeções, de 3,61% para 3,64%.

Com relação à taxa básica de juros, a estimativa para a Selic ao fim deste ano se manteve em 5,50% ao ano, mas subiu para 2022, de 6,25% para 6,50% ao ano.

No âmbito político, o Ministério da Economia admitiu na sexta-feira à CPI da Covid do Senado não ter alocado recursos no Orçamento de 2021 para o enfrentamento da pandemia de coronavírus, por não ter previsto o recrudescimento da crise sanitária.

A manifestação consta em nota encaminhada pela pasta à CPI em atendimento a um requerimento apresentado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

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O Congresso Nacional, entretanto, aprovou o Orçamento de 2021 com atraso e somente ao fim de março, época em que o país já vivia uma escalada de casos e mortes por Covid-19.

Ainda na cena política, reportagem do jornal Folha de S. Paulo indica que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, autorizou a Polícia Federal a acessar dados de duas operações ligadas à Lava Jato do Rio de Janeiro. Essa apuração preliminar resultou no pedido de inquérito contra o ministro Dias Toffoli, acusado em delação premiada de Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro.

Cabral afirma que Toffoli teria recebido R$ 4 milhões para beneficiar dois prefeitos em julgamentos.

Por fim, no noticiário corporativo, atenção para a divulgação de números referentes ao primeiro trimestre de companhias como Cemig, Cosan, CVC, Orizon, Enjoei, Vivara, Rede D’Or e Méliuz. Após o fechamento do pregão, serão apresentados ainda os resultados de Cruzeiro do Sul, Focus Energia, Gafisa, Linx e Mosaico. Saiba mais aqui.

Quadro externo

Na cena internacional, a pandemia de Covid-19 continua a ser motivo de apreensão, em meio à reabertura de economias importantes.

O Reino Unido deve continuar a relaxar as medidas de distanciamento social nesta segunda. Pubs e restaurantes devem reabrir para atividades em espaços fechados, assim como museus e cinemas.

O primeiro-ministro Boris Johnson defende uma reabertura cautelosa, e alerta que a propagação da nova variante originada na Índia pode ameaçar a reabertura prevista até 21 de junho. Até domingo (16), o Reino Unido havia vacinado 53,87% de sua população, e mantinha o patamar de cerca de 1,9 mil novos casos diários.

Investidores também aguardam, nos Estados Unidos, pela ata referente à última reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), o Copom do banco central americano, a ser divulgada na quarta-feira (19). A expectativa é de que o documento dê novas pistas sobre a visão do Federal Reserve (Fed) sobre a inflação do país.

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Na China, a produção industrial cresceu 9,8% em abril na base de comparação anual, segundo dados do Bureau Nacional de Estatísticas. O resultado ficou em linha com a expectativa de analistas ouvidos pela Reuters.

Dados oficiais também indicaram que as vendas no varejo chinesas saltaram 17,7% em abril, também na comparação anual. Este patamar ficou, no entanto, abaixo da expectativa de analistas ouvidos pela Reuters, de alta de 24,9%.

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Confira como será o funcionamento do Tesouro Direto no Carnaval

Brazilian money on a wallet. Brazilian economy concept. (Brenda Beth/Getty Images)

SÃO PAULO – O Tesouro Direto, programa do governo federal e da B3 de compra e venda de títulos públicos por pessoas físicas, não terá operações nos próximos dias por conta do Carnaval.

O calendário original da Bolsa foi mantido mesmo após o governo estadual e a prefeitura da capital paulista cancelarem oficialmente o ponto facultativo deste ano, de forma a evitar aglomerações em meio à pandemia de coronavírus.

Segundo o Tesouro, a plataforma estará fechada para negociações na segunda e na terça-feira, com abertura de meio-expediente na quarta-feira de cinzas.

Com isso, as negociações realizadas a partir das 18h desta sexta-feira (12) serão liquidadas de acordo com os preços e taxas apresentados na abertura do dia 17 de fevereiro, às 14h.

A Bolsa brasileira não terá pregão nos dias 15 e 16, com a retomada das negociações também no dia 17, mas às 13h.

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Rotação de ações para títulos ganha força em mercados emergentes

(Bloomberg) — De saltos do dólar a cargas fiscais crescentes, é difícil apostar em ganhos para títulos de dívida em moeda local de mercados emergentes.

Ainda assim, os títulos estão tão baratos que, diante das baixas taxas de juros, investidores podem não conseguir ignorá-los por muito mais tempo.

Embora um rali de US$ 11,4 trilhões desde março passado tenha elevado os preços das ações para um recorde, títulos em moeda local ficaram muito aquém: os rendimentos subiram mais de 30 pontos-base desde maio. Com isso, a diferença entre o retorno dos lucros das ações e os juros dos títulos é a menor desde 2010.

Com os ganhos das moedas desde a onda vendedora em março, o indicador “Bloomberg Barclays” de títulos em moeda local de mercados emergentes obteve retorno de 16%. Mas o desempenho de mercado dos títulos é menos impressionante: os rendimentos subiram de 3,46% em maio para 3,78%.

Isso afetou a dívida local em relação a outros ativos de mercados emergentes. O índice MSCI Emerging Markets gerou retorno total de 92% no período, enquanto o índice “Bloomberg Barclays” de títulos em dólar ganhou 22%.

O desempenho inferior dos títulos locais sofreu impacto do fortalecimento do dólar e da preocupação de que governos de nações mais pobres tenham que se endividar ainda mais para tirar suas economias da crise causada pelo coronavírus. Com a ausência de risco cambial dos títulos em dólar, estes agora são a opção preferida.

Embora esses fatores não tenham desaparecido, o baixo custo dos títulos em moeda local pode ser atraente.

Os preços das ações, equivalentes a 16,3 vezes os lucros projetados de empresas do MSCI, estão 45% acima da média histórica. Isso significa que os lucros corporativos como proporção dos preços das ações caíram para 6,15% em comparação com 10,34% em março.

Em outras palavras, o retorno extra obtido por estar investido em ações em vez de títulos em moeda local é de 2,39%, em comparação com um prêmio de 6,21% em março. Investidores devem agora decidir se o retorno adicional compensa o risco extra que assumem ao comprar ações.

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Brasil é o quinto país com maior posição em títulos do Tesouro dos EUA — e isso ajuda a conter o dólar

Jair Bolsonaro e Donald Trump (Foto: Alan Santos/PR)

SÃO PAULO — Do total de US$ 334,2 bilhões que o Brasil possuía em reservas internacionais no fim de maio deste ano, cerca de US$ 264,4 bilhões estavam alocados em títulos do Tesouro americano. É o quinto país com a maior posição em Treasuries no mundo.

O líder é o Japão, que ultrapassou a China em maio de 2019 e atualmente possuí aproximadamente US$ 1,272 trilhão em títulos públicos dos Estados Unidos, de acordo com os dados mais recentes divulgados pelo Departamento do Tesouro americano.

Em segundo lugar, a economia chinesa tem cerca de US$ 1,082 trilhão de suas reservas internacionais em Treasuries. O Reino Unido e a Irlanda vêm logo em seguida, com posições de US$ 395,3 bilhões e US$ 271,5 bilhões, respectivamente.

Os dados foram compilados e ilustrados graficamente pelo site HowMuch.net (veja abaixo). Juntos, Japão e China representam US$ 2,353 trilhões ou 34,6% da dívida americana pertencente a países estrangeiros.

O mercado de títulos da dívida americana está em expansão há anos. Os recentes gastos com a pandemia de coronavírus aumentarão o déficit do país em 2020 para US$ 3,7 trilhões, o que indica que o Tesouro deve continuar vendendo Treasuries no médio prazo, pelo menos.

Atualmente, o mercado de títulos do Tesouro americano totaliza US$ 25,7 trilhões, mas menos de US$ 7 trilhões estão em posse de investidores internacionais, como o Brasil. Os investidores americanos, o Federal Reserve e outras partes do governo dos EUA possuem cerca de 70% de toda a dívida nacional daquele país.

Dos dados compilados pelo HowMuch.net, chama atenção o fato de as Ilhas Cayman terem uma alta quantia em Treasuries, US$ 207,2 bilhões ou 3,04% de todos os detentores estrangeiros, apesar de ser um país bem pequeno. Por ser um “paraíso fiscal”, há muitos estrangeiros investindo por lá.

“O Brasil, por ter reservas muito altas, acaba tendo uma participação maior no mercado de dívida americano do que outros países da América Latina”, diz Marcel Balassiano, pesquisador da área de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Da região, além do Brasil, apenas o México e o Chile aparecem com posições relevantes de Treasuries no gráfico do site. O primeiro tem uma posição de US$ 40,9 bilhões em títulos do Tesouro do EUA, enquanto o segundo, de US$ 30,1 bilhões.

São montantes bem menores do que a posição do Brasil, mas também as reservas internacionais desses países são menores — a do México está em cerca de US$ 186,7 bilhões, enquanto a do Chile está em torno de US$ 36,8 bilhões.

“A principal razão de ter reservas são as volatilidades de mercado internacional, particularmente as financeiras. Na crise atual, por exemplo, qual foi a reação que vimos do mercado financeiro? Ele não quer instabilidade, ele quer segurança”, disse Simão Silber, professor doutor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

“Quando o país tem problemas, esse é o caixa que ele tem em dólar. Os países emergentes aprenderam a importância de ter uma reserva após grandes traumas, no final dos anos 1970 e começo dos anos 1980, depois com a crise da Ásia na década de 1990 e depois com a moratória da Rússia, por exemplo.”

“Todo mundo sacou que precisava ter um colchão de liquidez. Antes da crise de 2008, quando o mercado estava bombando e todo mundo estava otimista, os bancos centrais emergentes, em especial o do Brasil, aproveitaram para criar esse colchão de segurança”, explicou Silber.

Com os juros ainda em dois dígitos no Brasil e otimismo externo, muitos investidores aceitavam o risco de investir por aqui. Com isso, a entrada forte de dólares no país gerou um excesso de liquidez, e o BC foi às compras para compor sua reserva de emergência e manter a estabilidade do mercado.

“O Brasil era confiável, entrou muito dinheiro em Bolsa e títulos, e o BC comprou mais de US$ 300 bilhões. Foi uma decisão estratégica. Foi uma premonição. Ninguém sabia que no final de 2019 e começo de 2020 ia chegar a tempestade perfeita. O cenário atual é de economia bastante prejudicada pela pandemia, mas não há risco de quebra do país, já que temos uma reserva de mais de US$ 300 bilhões”, afirmou Silber.

“Os investidores internacionais estão fugindo do risco e tiraram o dinheiro dos países emergentes, como o Brasil. Assim, para não gerar uma falta de dólares no país, o BC consegue usar as reservas internacionais para prover a liquidez necessária para o equilíbrio do mercado. Se não fosse isso, o dólar que já subiu para perto de R$ 6, por exemplo, poderia estar em um patamar muito mais alto”, completou o professor da FEA-USP.

Os países têm boa parte de suas reservas internacionais em títulos do Tesouro americano e de outras economias desenvolvidas, como o Reino Unido e o Japão, porque eles são classificados pelas agências de risco como “triple A” (nota máxima possível, quando o risco de calote é o mais baixo que existe).

“Ou seja, são os investimentos mais seguros que existem e, com isso, o BC tem seu caixa rendendo juros em dólar e outras moedas mais fortes que o real em mercados que são bastante líquidos. Se o BC precisar do dinheiro na hora, é possível vender os papéis muito rapidamente”, concluiu Silber.

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Ray Dalio diz que investir em títulos públicos agora é “loucura”

(Kimberly White/Getty Images)

(Bloomberg) — Ray Dalio, da Bridgewater Associates, fundador do maior hedge fund do mundo, disse que investidores seriam “loucos” se ficarem com títulos públicos na carteira justo quando bancos centrais imprimem dinheiro para resgatar a economia global.

“Este período, como o período de 1930-45, é um período em que acho que você seria muito louco para ficar com títulos”, disse Dalio na quarta-feira no webcast Bloomberg Invest Talks. “Se você tem um título que não rende juros, ou com juro negativo, e se eles estão produzindo muita moeda e você vai receber isso, por que ficar com esse título?”

Dalio pode não gostar de títulos como investimento, mas disse que acredita que bancos centrais precisam empregar toda a munição monetária possível para compensar o colapso da renda e do consumo resultante da pandemia de coronavírus. Enquanto economistas estão divididos sobre a duração e profundidade da recessão, Dalio vê a questão de maneira diferente: como um “buraco” de US$ 20 trilhões que precisa ser preenchido.

O ouro, juntamente com algumas ações e títulos corporativos de empresas com fortes balanços, são ativos que devem se valorizar no ambiente atual, disse.

O carro-chefe de Dalio, o hedge fund Pure Alpha II, encerrou o primeiro trimestre com perda de cerca de 20%, depois de ter sido pego no lado errado da onda vendedora iniciada no fim de fevereiro como resultado da rápida propagação do coronavírus.

Dalio, que no início deste ano recomendou aos investidores que não perdessem a oportunidade de se beneficiar da alta dos mercados, escreveu em meados de março que a pandemia atingiu a empresa no “pior momento possível”, porque as carteiras da Bridgewater estavam posicionadas para se beneficiar de uma valorização dos mercados. A Bridgewater administra o maior hedge fund do mundo.

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Com reputação intacta apesar dos protestos, Chile quer atrair investidor estrangeiro

(Crédito: Shutterstock)

(Bloomberg) – A reputação do Chile entre investidores estrangeiros por sua sólida gestão fiscal sobreviveu à recente onda de protestos, segundo indicadores de mercado. O governo diz que agora pretende lucrar com essa credibilidade.

O Chile planeja emitir US$ 8,7 bilhões em títulos de dívida no próximo ano, dos quais US$ 5,3 bilhões serão vendidos no exterior, acima dos US$ 3 bilhões deste ano. Dessas vendas de títulos no mercado externo, US$ 3,3 bilhões serão em dólares e em euros, e o restante será denominado em pesos chilenos, mas com alvo em investidores institucionais estrangeiros por meio do processo de precificação, o chamado bookbuilding.

A agitação social toma conta do Chile desde 18 de outubro, o que forçou o fechamento de centenas de lojas e atrasou projetos de investimento. Ainda assim, o governo se beneficia de anos de prudência fiscal, que injetaram mais de US$ 15 bilhões em fundos soberanos. Agora, o país recorre aos fundos para aumentar as pensões, melhorar a assistência médica e criar uma renda mínima, além de emitir mais títulos no exterior.

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“Qualquer outro país que tivesse passado por um choque como este já teria sido rebaixado em um ou dois graus”, disse Andrés Pérez, coordenador internacional de finanças do Ministério da Fazenda do Chile. “Os rendimentos e spreads atuais mostram um nível de risco mais alto, mas não o suficiente para um rebaixamento.”

Os spreads dos títulos do Chile aumentaram, em média, cinco pontos-base desde 18 de outubro, apenas marginalmente pior do que a média de três pontos-base para a dívida soberana de mercados emergentes.

Investidores institucionais

Quando Pérez visitou investidores institucionais na Ásia e nos EUA em dezembro para explicar a crise social e lembrá-los dos pontos fortes do Chile, ficou impressionado com as altas expectativas criadas pelo país.

Há um consenso de que a resposta fiscal e monetária do Chile tem sido “eficaz, rápida e decisiva em termos de seu tamanho”, disse Pérez em entrevista em Santiago. “Eles dizem que é isso o que esperam do Chile.”

O governo vai aumentar os gastos em 9,8% em termos reais em 2020 na tentativa de atender às demandas sociais. É provável que o aumento das despesas continue, elevando a dívida pública para 38% do PIB em 2024 em relação a menos de 28% agora, segundo o governo.

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Pérez disse que os investidores perguntaram sobre o aumento do endividamento bem como sobre a redação de uma nova constituição, e o que isso significa para o investimento. Os chilenos votam em 26 de abril se devem redigir uma nova constituição.

De volta ao normal

O aumento nas vendas de títulos em moeda estrangeira será apenas temporário. Nos anos seguintes, o governo retornará ao seu padrão anterior de vender cerca de 80% dos títulos em moeda local, disse Pérez.

Embora a economia tenha sido atingida pelos protestos – a atividade econômica mostrou retração de 5,4% em outubro -, a confiança do mercado vem se recuperando. O peso se valorizou 11% desde 28 de novembro, quando o banco central chileno anunciou uma intervenção, o melhor desempenho entre moedas de mercados emergentes.

Mesmo com o maior endividamento e mais gastos fiscais, Pérez está confiante de que as empresas de classificação de risco poderão adotar uma visão de longo prazo.

“Assim que os spreads começaram a subir, novos investidores institucionais estrangeiros entraram no mercado pensando que o Chile estava barato”, disse Pérez. “Isso ajudou a manter os spreads baixos.”