Renner, Arezzo, Marisa, Track&Field, SBF e Grupo Mateus: quais varejistas animaram e quais decepcionaram no 2º tri

SÃO PAULO – Além de Americanas (AMER3) e Magazine Luiza (MGLU3), diversas outras varejistas divulgaram seus números referentes ao segundo trimestre, como Lojas Renner (LREN3), SBF (SBFG3), Marisa (AMAR3), Arezzo (ARZZ3), Track&Field (TFCO4) e a varejista de supermercados Grupo Mateus (GMAT3).

Na avaliação da XP, que cobre papéis de Arezzo, Grupo Mateus e Renner,  os destaques positivos ficaram para as duas primeiras companhias. O Credit Suisse, que tem cobertura para Arezzo, SBF (dona da Centauro) e Renner, destacou que as três companhias apresentaram bons números, mas segue preferência por SBF, Renner e depois Arezzo.

Para o Itaú BBA, os números da Arezzo e Renner foram mistos, enquanto SBF e Track&Field tiveram resultados considerados positivos. O Bradesco BBI, por sua vez, avaliou os resultados de Marisa, destacando que foram piores do que o esperado.

A sessão desta sexta-feira (13) é de queda para AMAR3, ARZZ3, GMAT3, enquanto SBFG3 também cai apesar das avaliações positivas sobre o resultado. A ação TFCO4 opera quase estável, enquanto LREN3 tem ganhos de mais de 1%.

Confira abaixo as análises dos balanços das varejistas:

Lojas Renner (LREN3)

A Lojas Renner registrou um resultado considerado bom pelos analistas, que enxergam um momento de expansão da empresa, e por conta disso, minimizaram os impactos vistos no lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda), lucro líquido e principalmente nas margens da companhia no segundo trimestre.

A varejista registrou lucro líquido de R$ 193,1 milhões entre abril e junho, queda de 76,4% em relação ao mesmo período do ano passado, quando somou R$ 818,1 milhões. Pressionado em parte por expansão nas despesas operacionais, o número veio abaixo dos R$ 131,7 milhões esperados por analistas consultados pela Refinitiv.

O Ebitda ajustado, por sua vez, incluindo produtos financeiros e arrendamentos, foi de R$ 330 milhões, queda de 35% em relação a um ano antes. Já a margem Ebitda ajustada ficou em 14,6%, 79,4 pontos percentuais abaixo da apresentada no segundo trimestre de 2020, de 94%.

A receita líquida de venda de mercadorias, por sua vez, disparou 318% em um ano, para R$ 2,26 bilhões, ao passo que as despesas operacionais (vendas, gerais e administrativas) somaram R$ 837,5 milhões, quase o dobro de um ano antes.

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Para a equipe do Bradesco BBI, o resultado da Renner foi “robusto”, apesar do Ebitda ter ficado abaixo do esperado. Segundo os analistas, a questão mais importante agora é o sinal que o progresso dos indicadores-chave de desempenho (KPIs) operacionais estão passando.

Nesse sentido, eles citam o crescimento das vendas mesma loja (SSS), penetração do comércio eletrônico, recuperação da margem bruta e impulso por trás das iniciativas em todo o negócio da companhia. “Isso deve começar a dar aos investidores uma confiança renovada na capacidade da Renner de continuar a dominar o mercado de roupas em um ambiente cada vez mais digital”,. avaliam.

Já a XP destacou que os resultados mostraram uma recuperação sequencial importante de faturamento com a volta à normalidade acontecendo e a companhia conseguiu apresentar uma melhora relevante de margem bruta.

Por outro lado, as despesas operacionais vieram acima das estimativas da casa, que já incorporavam um cenário mais conservador em relação ao nível de investimentos da construção do seu ecossistema de moda e lifestyle enquanto a companhia queimou R$ 424 milhões de caixa por conta de um aumento relevante em recebíveis.

Os analistas do Credit Suisse também destacaram o sólido desempenho de vendas da empresa, aliado à otimização dos estoques integrados e níveis de markdown muito mais saudáveis, levando a margem bruta a se aproximar dos níveis normalizados, ficando em 55%, resultado 1,4 ponto percentual abaixo do valor do 2º trimestre de 2019.

Já o Bank of America reforça o potencial futuro da Renner. Mantendo uma recomendação de compra, os analistas dizem que a companhia “é muito capaz de modificar sua plataforma existente para melhor integrar e alavancar competências essenciais de ponta a ponta em novos ativos, expandindo uma plataforma já instalada para operações centrais, bem como Ashua e Youcom”.

“Também percebemos forte disciplina e excelente capacidade de diferenciar equipes, tecnologia e ativos de alta qualidade, pois ela busca preencher lacunas e agregar competências por meio de aquisições”, complementam.

Na mesma linha, o BBI manteve sua recomendação outperform (equivalente a compra) apontando que o múltilpo P/E (Preço sobre Lucro) de 29 vezes da Renner pode enganar o investidor, dado que as margens estão reduzidas pelo ciclo de investimento da companhia.

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“Claramente, há riscos em torno dessa recuperação de margem, mas também achamos que focar em múltiplos de curto prazo negligencia muito do valor que esperamos que a Renner crie nos próximos anos”, concluem.

Track&Field (TFCO4)

A Track&Field teve lucro líquido de R$ 13,4 milhões no segundo trimestre de 2021, ante prejuízo líquido contábil de R$ 1,38 milhão em igual período de 2020.

O Ebitda ficou em R$ 20,1 milhões, com margem de 21,3%, mais de 19 vezes o resultado do mesmo trimestre ano anterior. O Ebitda ajustado totalizou R$ 17,8 milhões.

Para a equipe de análise do Itaú BBA, os resultados da Track & Field  foram fortes, como esperado. “A companhia divulgou vendas em mesmas lojas de 19% contra o segundo trimestre de 2019, principalmente devido à assertividade das suas coleções, assim como incremento da relevância das roupas de ‘athleisure’ [vestimentas confortáveis para o dia a dia e para a prática de esportes]”, analisa o banco.

Por outro lado, as vendas no canal digital foram vistas como o ponto negativo, ao caírem 29% na comparação com o mesmo período do ano passado. Mesmo assim, os analistas enxergam como bom o avanço da operação omnicanal, que atingiu 205 das 268 lojas.

As receitas de R$ 94 milhões, por sua vez, vieram 16% acima do que esperava o Itaú BBA, e a margem bruta cresceu em um ponto percentual na base anual, chegando a 59,6%.

“Dado o maior faturamento e diluição de despesas, a companhia registrou um Ebitda de R$ 18 milhões, com margem Ebitda de 18,9%”, conclui a equipe.

O Itaú tem recomendação outperform para as ações TFCO4, com preço-alvo de R$ 14,00, o que corresponde a uma desvalorização de 13,74% ante o patamar de fechamento desses papéis na quinta-feira (12).

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Segundo dados compilados pela Refinitiv, as ações preferenciais da Track & Field acumulam 3 recomendações de compra e uma neutra entre bancos, corretoras e casas de análise que acompanham a empresa. O preço-alvo médio para os papéis é de R$ 14,80, o que equivale a uma queda de 8,81% sobre o nível com que encerram o pregão do dia anterior.

Outra companhia que conseguiu entregar números sólidos no segundo trimestre foi a Arezzo, mostrando um bom desempenho de vendas, principalmente online, com margens brutas mais altas e menores despesas de SG&A (vendas, gerais e administrativas).

A companhia registrou lucro líquido atribuível aos sócios controladores de R$ 132,5 milhões entre abril e junho deste ano, revertendo o prejuízo de R$ 82,3 milhões registrado no mesmo período de 2020.

O Ebitda ajustado, por sua vez, foi de R$ 84 milhões, ante resultado negativo de R$ 72,1 milhões um ano atrás, com a margem ajustada crescendo 12 pontos percentuais, para 15,2%. A receita líquida saltou 258%, a R$ 553 milhões.

Para os analistas do Goldman Sachs, a Arezzo reportou um resultado sólido, que ficou em linha com o esperado. “O ímpeto do canal online e das vendas para clientes multimarcas continuou forte, e as vendas em lojas físicas aumentaram gradativamente ao longo do trimestre”, destacaram, reforçando a visão positiva que a administração da companhia deixou para o terceiro trimestre.

Já o Credit Suisse aponta que, apesar do sell-out (venda ao consumidor) estável em relação ao segundo trimestre de 2019 (pré-pandemia), as vendas orgânicas da Arezzo caíram 6,8% em relação ao mesmo período devido à sua maior exposição ao canal de franquia.

“Por outro lado, a boa notícia do ponto de vista de vendas é que as marcas adquiridas (Vans e Reserva, que representaram 36,7% das vendas no segundo trimestre de 2021) estão apresentando resultados robustos isoladamente”, destacaram os analistas citando a alta de 57% nas vendas da Reserva em relação ao segundo trimestre de 2019.

Na mesma linha, a XP ressaltou o Ebitda da companhia 9% acima das estimativas, apontando dois fatores para o balanço positivo. O primeiro foi o sólido desempenho de vendas, com vendas brutas 40,5% acima dos níveis de 2019, principalmente explicadas pela Reserva e Vans (com um crescimento orgânico estimado em alta de 7% e vendas ex-Reserva/Vans estagnadas vs 2019).

Além disso, os analistas apontam para a rentabilidade sólida, com expansão da margem bruta em função de vendas maiores da AR&Co, penetração do comércio eletrônico e menores promoções, e expansão da margem Ebitda com alavancagem operacional.

O JPMorgan se mostrou bastante otimista com o resultado, mantendo sua recomendação overweight (equivalente a compra) esperando uma reação positiva das ações por três motivos: 1) leituras iniciais nas vendas do 3T21 indicam um forte desempenho de sell-out vs. 19; 2) operações da Reserva crescendo em um ritmo forte; e 3) lucratividade que continua surpreendendo positivamente, apesar dos investimentos em novas iniciativas de crescimento.

Por outro lado, o Itaú BBA se mostrou mais cauteloso, classificando o balanço como “misto”. Para os analistas, a estratégia da Arezzo parece estar no caminho certo e os números financeiros são sólidos, principalmente considerando o Ebitda ajustado acima do esperado. “Dito isso, a receita excluindo aquisições (Vans e Reserva) ainda está 2% abaixo do 2T19, o que parece mais fraco do que os pares”, concluem os analistas.

Grupo SBF (SBFG3)

O Grupo SBF, controlador da Centauro, entregou um resultado considerado forte pelos analistas, ainda que eles tenham destacado números mais “mistos” que outros pares, principalmente do lado do e-commerce, que ficou abaixo do esperado.
A companhia registrou lucro líquido de R$ 24,078 milhões no segundo trimestre de 2021, revertendo o prejuízo de R$ 102,287 milhões registrado um ano antes.

Entre abril e junho, o Ebitda somou R$ 169,394 milhões, também revertendo o indicador negativo de R$ 46,759 milhões na comparação anual. A receita líquida, por sua vez, foi de R$ 1,122 bilhão no trimestre, alta anual de 369%.

Já a dívida líquida foi de R$ 473,995 milhões, enquanto a alavancagem medida por dívida líquida ajustada por Ebitda foi de 1,59x, ante caixa líquido de R$ 917,713 milhões e -2,19x no ano anterior.

A empresa apresentou um resultado financeiro negativo de R$ 44,6 milhões no segundo trimestre, devido ao aumento de despesas financeiras no trimestre devido ao maior endividamento da companhia, justificado pelas dívidas tomadas para aquisição da Fisia, braço utilizado para comercialização dos produtos Nike no Brasil, e para reforço de caixa devido à pandemia. O fluxo de caixa operacional foi negativo em R$ 224,3 milhões.

O Credit Suisse destacou números ligeiramente acima do esperado, com “bons sinais tanto em crescimento quanto em rentabilidade”. “As preocupações com markdown parecem estar no passado e a Fisia (48,5% das vendas totais) apareceu como uma surpresa interessante no 2º trimestre”, avaliaram os analistas destacando ainda que a SBF está conseguindo avançar de forma interessante na captura de sinergias.

Já o Bradesco BBI disse que o balanço mostrou uma forte recuperação após a segunda onda da Covid do início do ano. Segundo os analistas, a receita da Centauro foi 15% maior do que no segundo trimestre de 2019, embora tenha ficado em linha com o esperado, enquanto a Fisia “deu uma contribuição muito maior do que o esperado para a receita”.

O BBI viu três pontos positivos do resultado: 1) forte receita na Centauro, com vendas 15% acima de 2019 que, em um crescimento médio da área de vendas de 12%, implica num crescimento de SSS de cerca de 3%; 2) recuperação da margem bruta da Centauro para 50,5%, semelhante aos níveis pré-pandêmicos; e 3) desempenho muito forte da Fisia, menos de um ano desde a aquisição, tanto na receita quanto nas margens.

Por outro lado, os analistas destacaram um ponto que deixou o mercado um pouco decepcionado, que foi o e-commerce, com o GMV caindo 12% na comparação anual, embora tenha ficado 80% acima do segundo trimestre de 2019.
Na mesma linha, o Itaú BBA ressaltou a boa surpresa com os números da Fisia e as vendas da Centauro avançando 15% sobre 2019 e lojas físicas voltando aos níveis pré-pandemia. Com isso, os analistas enxergam a SBF mantendo a trajetória de recuperação, ganhando força em um cenário mais normalizado.

Grupo Mateus (GMAT3)

O Grupo Mateus teve lucro líquido ajustado de R$ 191 milhões no segundo trimestre de 2021, o que representa uma queda de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Já o Ebitda somou R$ 248 milhões, indicando queda de 2,5% ante o segundo trimestre de 2020, ao passo que no critério ajustado alcançou R$ 255 milhões, uma leve alta de 0,5%. A margem Ebitda ajustada caiu 1,9 ponto porcentual, para 6,8%.

A receita líquida no período somou R$ 3,724 bilhões, 28,9% maior que a de um ano atrás.

Segundo a analista Flávia Meireles, do Bradesco BBI, os resultados do Grupo Mateus vieram acima das expectativas apesar do Ebitda ligeiramente abaixo do registrado no ano anterior.

“Vemos isso como um resultado robusto, apesar do crescimento das vendas em mesmas lojas ter sido de apenas 1,8% contra a base de comparação de 24% no segundo trimestre de 2020”, avalia. A analista destaca que o crescimento de vendas em mesmas lojas diminuiu 8 pontos percentuais sequencialmente na comparação com o primeiro trimestre deste ano, mas que a base de comparação foi 17 pontos percentuais mais difícil.

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“A expansão continua em ritmo acelerado, com 45 novas lojas adicionadas nos últimos 12 meses, incluindo 9 lojas Mix Atacarejo Cash & Carry. A administração observa que as novas lojas estão contribuindo com uma receita maior do que as lojas maduras no final do trimestre, o que acreditamos ressaltar a força das lojas Mateus e da execução, bem como a oportunidade significativa de crescimento que existe em uma região com menos competição, como em São Paulo e no Sudeste.”

Para o Bradesco BBI, a expansão agressiva de lojas, que ficou clara com a entrada da empresa no Ceará pela primeira vez, é o elemento chave no caso de investimento.

O banco tem recomendação de compra para as ações ordinárias GMAT3, com preço-alvo de R$ 11,00 para 2022, o que corresponde a uma valorização de 49,25% sobre o nível de fechamento dos papéis na quinta-feira (12).

Já a equipe de análise do Itaú BBA apontou que a varejista continuou a reportar fortes tendências de crescimento das vendas, com a expansão do faturamento atingindo 29% na comparação com o segundo trimestre de 2020.

Por outro lado, os analistas consideram que a rentabilidade foi um grande destaque negativo. “Estávamos esperando pressões, como comparações difíceis somadas aos efeitos da inflação de alimentos e a mudança do mix de receita em direção ao Cash & Carry. Dito isso, o tamanho dessas tendências impressionou negativamente, com uma enorme queda de 90 pontos-base na margem na comparação anual, ante expectativa de declínio de 30 pontos-base”, escrevem.

A equipe do Itaú explica, contudo, que a companhia teria decidido não reajustar preços no trimestre passado apesar das pressões inflacionárias, e focando no crescimento de primeira linha.

Mesmo com os problemas, o Itaú BBA tem recomendação outperform para as ações do Grupo Mateus, também com preço-alvo de R$ 11,00.

A XP, por sua vez, destacou que os resultados do Grupo Mateus vieram acima das estimativas, impulsionados pela abertura de 45 novas lojas nos últimos 12 meses. De acordo com analistas da corretora, apesar da pressão na margem bruta, o grupo de supermercados conseguiu expandir a margem Ebitda em 0,2 pontos percentuais na base anual através de alavancagem operacional e controle de despesas. Isso mesmo com maiores despesas com a transferência da operação do Centro de Distribuição de Belém do Pará para Santa Isabel

“Esperamos uma continuidade de resultados sólidos por parte do Grupo Mateus, impulsionadas principalmente pela forte expansão de lojas que apresentou uma performance de vendas acima da média de lojas maduras pelo segundo trimestre consecutivo. Nesse sentido, acreditamos que a contratação do time de expansão de mercado citada pela companhia no relatório de resultados deve acelerar ainda mais o plano de expansão da companhia e de forma mais assertiva, mantendo a estratégia de adensamento de novas rotas que a companhia pratica”, conclui a XP.

A corretora também tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 11,00 para GMAT3.

O Grupo Mateus acumula 5 recomendações de compra e 1 de venda, segundo informações compiladas pela Refinitiv. O preço-alvo médio para as GMAT3 é de R$ 12,11, o que significa uma alta de 64,31% ante o fechamento do dia 12.

A Marisa teve um prejuízo líquido de R$ 59,5 milhões no segundo trimestre de 2021, o que representa uma melhora ante as perdas de R$ 171,7 milhões no mesmo período do ano passado, mas não uma reversão total.

O Ebitda ajustado totalizou R$ 40,5 milhões, revertendo o Ebitda negativo de R$ 66,8 milhões no segundo trimestre de 2020.

A receita líquida da companhia, por sua vez, somou R$ 662,7 milhões, valor 230,8% superior na base anual de comparação.

A Marisa reportou resultados abaixo das estimativas do BBI, uma vez que a empresa foi fortemente afetada pelo fechamento de lojas durante a segunda onda de Covid. As vendas nas mesmas lojas no trimestre ainda registram queda de 6,1% versus 2019.

Já do lado positivo, as vendas digitais da Marisa aumentaram 14% em relação ao ano anterior, contra uma base de comparação difícil.

A margem bruta ficou estável em relação a 2019, em meio à redução de estoque. “Embora a empresa tenha conseguido preservar sua margem bruta, o Ebitda de varejo decepcionou, apesar das iniciativas contínuas da empresa de controle de despesas operacionais. Além disso, os serviços financeiros foram um entrave aos resultados, ao contrário das nossas expectativas”.

Para o BBI, este foi mais um trimestre difícil para a Marisa, com alguns pontos altos (Dia das Mães) e baixos (desaceleração em junho nas vendas e aumento nos descontos). A meta de voltar a uma margem bruta de cerca de 50% permanece indefinida e os analistas ressaltam preocupação com a falta de expansão, mesmo após a redução dos estoques e comentários da administração de que remarcações excessivas de preços foram reduzidas.

“Vimos pressão na margem bruta entre outros varejistas de moda, principalmente como resultado do câmbio e da inflação de preços de matérias-primas e isso provavelmente também está impactando a Marisa, mas esperávamos ver mais progresso dada uma base de comparação baixa. Isso, juntamente com a receita um pouco mais fraca, foi o impulsionador da queda no Ebitda do varejo quando comparado com nossas estimativas”, apontam.

No geral, os analistas apontam que os resultados não são consistentes com a recomendação atual outperform (desempenho acima da média do mercado) e com o preço-alvo de R$ 11 que eles têm para a ação, mas esperam mais sinais da administração da companhia sobre o segundo semestre antes de revisarem projeções.

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Beneficiadas com reabertura, ações ligadas ao esporte devem dar ‘volta olímpica’ com Jogos de Tóquio

O avanço da vacinação e o relaxamento das restrições impostas pela pandemia de Covid-19 estão beneficiando empresas ligadas ao esporte, como varejistas e marcas de material esportivo. Além disso, a volta dos grandes eventos, como a Eurocopa, realizada recentemente, e as Olimpíadas, a partir desta sexta-feira (23), serve como estímulo extra para o desempenho dessas companhias.

No cenário externo, a reabertura e o verão no Hemisfério Norte aumentam a demanda por produtos esportivos em mercados como Estados Unidos, China e Europa. O calor e a redução das restrições estimulam as pessoas a saírem de casa e a praticarem atividades físicas.

Vale lembrar, porém, que os casos da doença voltaram a aumentar na Europa e nos EUA, e há apreensão global com a circulação da variante delta.

“As empresas [desse setor] tendem a se beneficiar bastante [com a abertura]”, disse Carlos Daltozo, chefe de pesquisas em renda variável da Eleven, casa de análises financeiras. “Esperamos que no Brasil o efeito da vacinação traga uma abertura maior da economia neste segundo semestre”, acrescentou.

A multinacional Nike (NYSE: NKE) é um dos destaques do ramo neste momento de retomada. A companhia anunciou um resultado recorde de US$ 12,3 bilhões em faturamento no quarto trimestre do ano fiscal encerrado em maio, valor 96% superior ao registrado no mesmo período de 2020 e 21% acima do total do mesmo trimestre de 2019, antes da pandemia. Após o anúncio, as ações da marca dispararam e atualmente estão na casa de US$ 160,00.

Seguindo a tendência, as BDRs da Nike (NIKE34) negociadas na B3 avançaram significativamente. Estavam cotadas a R$ 83,45 na terça-feira (20). “A Nike passou a integrar nossa carteira de BDRs em junho e capturou cerca de 20% de alta”, afirmou o analista da Eleven.

Sócio diretor da gestora de fundos GeoCapital, Arthur Siqueira acrescenta que a Nike promove desde 2017 uma mudança de canais de venda com foco na relação direta com os clientes, por meio de lojas próprias e plataformas digitais, ampliando a fidelização e reduzindo sua dependência em diferentes varejistas. A pandemia acelerou o processo.

De acordo com Siqueira, as vendas diretas representavam 20% do faturamento da empresa antes da pandemia, mas agora são 40% – e até 2025 a expectativa é chegar a 60%. “Nos momentos de crise, as empresas que têm pilares sólidos se saem melhor”, observa. Além disso, com menos intermediários, a companhia aumenta sua margem.

Siqueira ressalta que a Nike, com o uso de aplicativos de corrida e treino, está mais próxima de seus clientes, conhece suas demandas e consegue oferecer produtos que têm maior valor para o consumidor, o que deixa a empresa numa posição vantajosa dentro da nova realidade do mercado.

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O executivo informa, no entanto, que a GeoCapital não tem papeis da Nike em seus fundos, mas por causa do preço e não pela qualidade do negócio.

A abertura é importante também para outra gigante do setor, a Adidas. “Metade da receita da Adidas vem da Europa e dos Estados Unidos, regiões onde a vacinação está caminhando mais rápido”, afirmou Rodrigo Lobo, sócio da Nextep, gestora de fundos que tem papeis da empresa de origem alemã em seu portfólio.

Segundo Lobo, a marca manteve abertas somente 30% de suas lojas no auge da pandemia, mas agora as unidades em funcionamento chegam a 90%. Ao mesmo tempo, a participação do comércio eletrônico no faturamento saltou de 11% para 20%. As ações da companhia acumulam valorização de 3,4% neste ano e estavam cotadas a 305,40 euros na terça-feira (20).

Para o sócio da Nextep, a empresa tende a seguir em ritmo de crescimento. Ele conta que a Adidas anunciou recentemente seus planos para os próximos cinco anos, prazo em que pretende dobrar suas receitas com vendas diretas (lojas próprias e comércio eletrônico), elevar o faturamento total de 10% a 20%, ter 90% de sua linha composta de produtos reciclados ou 100% recicláveis e investir 1 bilhão de euros em tecnologia.

Além da maior demanda por comercio eletrônico, a pandemia aumentou a procura por roupas confortáveis que servem para esportes, lazer, ficar em casa e trabalho remoto, segmento que ganhou o apelido de “Athleisure”, uma combinação das palavras em inglês “athletic” (atlético) e “leisure” (lazer). Tipo de vestuário de produzido por marcas como Adidas e Nike.

O crescimento desse segmento é uma das tendências apontadas pela consultoria McKinsey numa pesquisa sobre marcas esportivas divulgada em janeiro de 2021. O estudo informa também que o faturamento do setor de material esportivo caiu em 2020 pela primeira vez desde a crise financeira internacional de 2008. De forma geral, a pandemia acelerou mudanças que vieram para ficar, como o fortalecimento do comércio eletrônico e o aumento da demanda por produtos sustentáveis.

Olimpíadas

Quando a pesquisa foi publicada, a vacinação estava apenas começando ao redor do mundo, e os números de novos casos de Covid-19 e de mortes batiam recordes nos Estados Unidos. Mas a McKinsey já previa oportunidades para o setor com a eventual reabertura e a volta de grandes eventos, incluindo os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio.

“As Olimpíadas colocam o esporte em evidência, geram mais engajamento da população e esta exposição é benéfica para todos”, comentou Siqueira. A avaliação sobre o impacto dos Jogos, porém, não é unânime.

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“As empresas ligadas ao esporte tendem a ter bom desempenho em época de Olimpíadas, e principalmente de Copa do Mundo, mas em Tóquio há a diferença de fuso e não haverá torcida [presencial]”, observou Daltozo. “Eu não vejo tanta euforia”, disse.

Lobo fica no meio do caminho. “Não conseguimos ver os efeitos este ano ainda, mas em 2012, com as Olimpíadas [de Londres] e a Eurocopa, o lucro da Adidas teve um crescimento de 20% no segundo trimestre”, observou. Ele reconhece que os Jogos deste ano vão ser diferentes, por causa da pandemia, mas ressalta que a exposição das marcas em eventos do gênero é bastante intensa. “Na Eurocopa de 2021, oito das 24 seleções foram patrocinadas pela Adidas”, exemplificou.

Brasil

As perspectivas de reabertura refletem positivamente em negócios do setor inclusive no Brasil. A Eleven, por exemplo, recomenda a compra de ações da fabricante de calçados Vulcabrás (VULC3), que tem atuação forte na área de esportes com as marcas Olympikus (própria), Under Armour (licenciada pela matriz norte-americana) e agora com a Mizuno, recentemente licenciada pela matriz japonesa. A XP também recomenda a compra dos papéis da empresa.

“A Vulcabras incorporou a marca Mizuno e reduziu sua dependência nos calçados femininos [com o licenciamento da marca Azaleia para a Grendene]. O segmento esportivo tem uma rentabilidade melhor”, comentou Daltozo.

De acordo com ele, em 2020 a empresa sofreu um tombo considerável, mas aproveitou o momento de crise para mudar sua estratégia, teve uma retomada forte em 2021 e deve voltar ainda este ano ao patamar de receitas de 2019, com perspectivas de crescimento no ramo esportivo. As ações da Vulcabras registram valorização acumulada de 28,2% desde o início de 2021.

Na mesma linha, a Eleven recomenda compra de papeis do Grupo SBF (SBFG3), controlador da rede varejista de material esportivo Centauro. A companhia adquiriu o licenciamento da Nike no Brasil e deve se beneficiar disso.

“A Centauro fez o acordo com a Nike um pouco antes da pandemia, sofreu um pouco, mas este ano está em nossa cesta de empresas de varejo que devem se beneficiar mais da retomada”, declarou Daltozo. Os papeis da SBF acumulam valorização de 32,25% no ano.

A rede de academias Smart Fit (SMFT3) estreou na B3 em 14 de julho, após uma oferta pública inicial de ações que movimentou R$ 2,3 bilhões. Os papeis tiveram valorização de quase 35% no primeiro dia. Daltozo diz que a Eleven recomendou aos seus clientes participação na oferta.

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Ele avalia que a cadeia tem bom potencial de crescimento nos próximos anos, especialmente em outros países da América Latina. “Há muita demanda represada por academias por causa da pandemia, não só no Brasil, mas na América Latina”, observou.

Já para a Track & Field (TFCO4), outra empresa brasileira do ramo de esportes listada, a Eleven está com recomendação neutra. A companhia abriu seu capital no ano passado e, de acordo com Daltozo, sofreu pouco na crise, portanto o analista não vê tanto potencial de avanço, pois a retomada já foi “precificada”.

Longo prazo

Siqueira comenta ainda a perspectiva para a VF Corporation (VFCO34), companhia norte-americana que controla marcas como Vans, Timberland e The North Face. Ele acredita que a reabertura da economia deve ter um impacto ainda maior nesta empresa, pois ela depende bastante das vendas em lojas físicas. “São marcas bastante importantes que podem se beneficiar da reabertura”, ressaltou.

Para Siqueira, empresas estrangeiras como a Nike e a VF Corporation têm condições de surpreender no longo prazo. “São empresas muito boas e que têm possibilidade de surpreender para cima em termos de retorno médio em cinco anos”, afirmou.

No mesmo sentido, Lobo avalia que a Adidas tende a aumentar de valor no futuro, pois a gestão atual tem uma filosofia de longo prazo com prioridades importantes como o crescimento em mercados como China e EUA, investimentos em tecnologia e processos mais eficazes, vestuário confortável e canais de venda que permitam maior margem. “A tendência do mercado favorece os produtos que a empresa vende”, concluiu.

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Track & Field pretende manter ritmo de abertura de lojas e expandir para cidades menores

Track & Field (Foto: Shopping Cidade)

A Track & Field TFCO4, varejista de moda esportiva, pretende manter neste ano o ritmo de aberturas de lojas de 2020, quando foram inaugurados 35 pontos de venda, a maior marca em cinco anos.

O foco serão cidades de pequeno e médio portes e pontos de vendas na rua. Essas lojas mais pulverizadas pelo País vão apoiar a estratégia de digitalização da varejista que também planeja um novo centro de distribuição (CD) na capital paulista. Maior e mais tecnológico, o novo CD e as lojas darão agilidade às entregas das vendas online, que mais que triplicaram em 2020.

A intenção da companhia, que abriu o capital na Bolsa em outubro e passou por uma profunda digitalização nos últimos meses, é estar cada vez mais próxima do novo consumidor que nasceu com a pandemia – brasileiros de classe média que migraram para cidades do interior e litoral e adotaram um estilo de vida mais saudável.

Segundo Fred Wagner, sócio-fundador da empresa e membro do Conselho de Administração, houve uma mudança drástica no guarda-roupa do brasileiro que, trabalhando em casa, passou a usar roupas mais confortáveis. “Nós conseguimos nos posicionar nesse share of closet (parte do armário).”

Para isso, a empresa ampliou, por exemplo, a grade de tamanhos para GG e PP, a fim de conquistar pessoas que nunca tinham usado roupa esportiva. “Conseguimos capturar isso de forma importante”, diz.

O resultado apareceu no último trimestre de 2020, quando a rede mais que dobrou o lucro líquido ajustado, de R$ 10,3 milhões entre outubro e dezembro de 2019 para R$ 22 milhões no mesmo período de 2020. No ano inteiro de 2020, o lucro líquido ajustado foi de R$ 29 milhões, uma cifra 20,2% menor do que em 2019. A maior fatia do resultado foi atingida no último trimestre de 2020, quando 98% das lojas estavam abertas.

Fernando Tracanella, diretor financeiro, ressalta que, apesar das adversidades de 2020, até o terceiro trimestre a empresa acumulou lucro líquido ajustado de R$ 7 milhões. “Não ficamos no prejuízo e com a reabertura conseguimos um resultado operacional que cresceu mais de 30% no 4º trimestre.”

Tracanella argumenta que a comparação mais adequada é olhar o lucro líquido ajustado, que exclui da base um grande crédito tributário que inflou o resultado no 4º trimestre de 2019. Sem o ajuste, o lucro líquido em 2020 foi de R$ 25,8 milhões, 50% menor ante 2019.

No último trimestre de 2020, a receita líquida de vendas atingiu R$ 121,4 milhões, com crescimento de 34,4% ante 2019. No ano inteiro de 2020, as vendas somaram R$ 267,3 milhões, com recuo de 3,2%.

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“Cair só 3,2% é um resultado muito positivo”, afirma o consultor de varejo da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, Eugênio Foganholo. Ele lembra que o varejo de vestuário foi um dos mais castigados pela pandemia. O volume de vendas de vestuário, tecidos e calçados no ano passado como um todo recuou 12,9%, segundo o IBGE.

E-commerce

Um dos pilares da companhia, que ganhou força em 2020 e que deve continuar este ano, é a grande capilaridade. Presente em mais de 100 cidades com 260 lojas, a varejista fincou bandeira em 20 novos municípios em 2020, a maioria de pequeno e médio portes. “Temos visto um grande interesse de franqueados em abrir lojas este ano em cidades menores. Estamos com pipeline bem aquecido, apesar das dificuldades”, diz Tracanella.

A companhia ingressou no e-commerce em 2009, mas o grande salto aconteceu em 2020. No 4º trimestre, a venda online respondeu por 8% do faturamento, uma fatia bem maior do que no início do ano. As vendas influenciadas digitalmente, que incluem as transações por meio de redes sociais, como mensagens de texto, WhatsApp e e-mail, por exemplo, responderam por 38% dos negócios no 4º trimestre de 2020, ante 8% em no mesmo período de 2019.

Wagner acredita que a tendência digital veio para ficar e diz que a companhia está cada vez mais antenada com os negócios online, implementando a omnicanalidade (presença em vários canais, sejam eles online ou físicos). Uma das ferramentas de engajamento do cliente são eventos virtuais, como corridas promovidas pela rede. Além disso, no 3º trimestre será inaugurada uma loja de experiência no Shopping Iguatemi (SP) para fisgar o consumidor que quer uma vida saudável.

Ajuda

“O estilo de vida quarentena/pandemia ajudou a Track & Field, ao contrário do que vem ocorrendo com as lojas de calçados e maquiagem”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, Eduardo Terra. Ele lembra que o Grupo Soma, dono da Farm e da Animale, que abriu o capital em 2020, é outro que foi beneficiado pelo estilo de vida despojado. Terra frisa que a fórmula do sucesso do varejo hoje é combinar marca e produto com venda digital consistente.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Hypera lucra R$ 345,6 mi e Klabin tem prejuízo de R$ 191 mi; XP recomenda compra para Ambev, estreia da Track & Field e mais

SÃO PAULO – O noticiário corporativo acompanha a estreia da Track & Field na Bolsa nesta segunda-feira (26). Na semana passada, a oferta inicial de ações (IPO) da Track & Field saiu a R$ 9,25 por ação, abaixo da faixa estimada pelos coordenadores.

Além disso, Vale e BHP são acusadas pelo Ministério Público Federal de realizar um conluio para reduzir as indenizações a serem pagas em decorrência do desabamento da barragem da Samarco em Mariana, em 2015. A Samarco é uma joint venture de ambas as empresas. O evento é considerado o maior desastre ambiental da história do Brasil.

Já a Hypera teve aumento no lucro do terceiro trimestre, uma vez que o forte controle de despesas empregado pela fabricante de fármacos compensou os efeitos da vendas menores em algumas categorias devido aos efeitos da pandemia da Covid-19.

E na sexta-feira, a farmacêutica União Química informou que assinou um acordo com o Fundo Russo de Investimento Direto para produzir a vacina russa Sputnik V contra Covid-19. O início da produção está previsto para a segunda quinzena de novembro. O laboratório ainda precisa de autorização da Anvisa.

A semana será marcada pela divulgação de resultados de empresas. Na terça (27), após o fechamento das bolsas, o mercado acompanha os resultados trimestrais de Cielo (CIELO3) Localiza (RENT3), Raia Drogasil (RADL3), Santander Brasil (SANB11) e Telefônica Brasil (VIVT4).

Na quarta-feira (28), após o fechamento dos mercados, ocorre a divulgação de Bradesco (BBDC4), Energias do Brasil (ENBR3), Gerdau (GGBR4), GPA (PCAR3), Multiplan (MULT3), Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3).

A divulgação de Usiminas (USIM5) ocorre na quinta-feira (29) antes da abertura dos mercados. Após o fechamento dos mercados, divulgam Ambev (ABEV3), B2W (BTOW3), Fleury (FLRY3), Lojas Americanas (LAME4), Suzano (SUZB3), Totvs (TOTS3).

Track & Field (TFCO4)

A ação da Track & Field estreia na B3 nesta segunda-feira. A oferta inicial de ações (IPO) da Track & Field saiu a R$ 9,25 por ação, abaixo da faixa estimada pelos coordenadores da oferta, de R$ 10,65 a R$ 14,95 cada, segundo dados publicados na quinta-feira na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A Track & Field foi fundada em 1988 por Frederico Wagner, Ricardo Rosset e Alberto Azevedo, sendo pensada como uma marca de moda esportiva. A princípio com foco em vestuário para ginástica, posteriormente também foram adicionados elementos voltados ao surfwear.

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Em 1990, a companhia já abriu a sua primeira loja em um shopping, no Shopping Jardim Sul, em São Paulo. Algum tempo depois, a marca inaugurou uma loja no Shopping Iguatemi com grande sucesso. A T&F passou a expandir mais o seu negócio a partiu dos anos 2000, abrindo o comércio eletrônico em 2009, que é integrado com a rede de lojas. Já em 2011 passou a adotar o modelo de franquias. A T&F possui 234 lojas atualmente em todas as regiões do Brasil, sendo 37 próprias e 197 franqueadas.

A companhia teve lucro líquido de R$ 51,9 milhões em 2019, enquanto a receita líquida foi de R$ 276,02 milhões no mesmo ano.

Em seu IPO,a operação da rede de lojas de artigos esportivos e moda praia movimentou R$ 523 milhões, somando os R$ 340,6 milhões correspondentes a ações detidas por sócios e R$ 182,4 milhões referentes a ações novas, cujos recursos vão para o caixa da empresa.

A operação envolveu a venda de ações preferenciais, em vez de ordinárias. No prospecto, a empresa afirmou que seu estatuto prevê que todas suas ações têm direito a voto, com as PNs detendo direito econômico 10 vezes maior que o das ações ON.

A Hypera teve aumento no lucro do terceiro trimestre, uma vez que o forte controle de despesas empregado pela fabricante de fármacos compensou os efeitos da vendas menores em algumas categorias devido aos efeitos da pandemia da Covid-19.

A companhia anunciou nesta sexta-feira que seu lucro de julho a setembro somou R$ 345,6 milhões, alta de 29,4% sobre mesma etapa de 2019.

O resultado operacional medido pelo lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) das operações continuadas subiu 32,2%, a R$ 393,5 milhões.

“Esse crescimento é consequência principalmente da disciplina na gestão de custos e despesas com o objetivo de reduzir os impactos negativos de curto prazo da pandemia de Covid-19”, afirmou a Hypera no relatório.

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Além disso, a receita teve incremento, já que os produtos Buscopan e Buscofem passaram a contribuir para o resultado da companhia em setembro.

A companhia também afirmou que genéricos em produtos de prescrição e nas categorias de vitaminas, suplementos e nutricionais mostraram recuperação em relação ao trimestre anterior, refletindo a gradual flexibilização das medidas de isolamento social.

Mas algumas categorias relevantes para a companhia, como produtos antigripais, de pediatria, de tratamento respiratório e de ortopedia seguiram impactadas pelas menores consultas médicas, diante do receio gerado pela Covid-19 na população.

De todo modo, a receita líquida da Hypera subiu 7,9% ano a ano, para R$ 1,09 bilhão.

A Hypera passou de caixa líquido de R$ 369,8 milhões no fim de junho para endividamento líquido de R$ 637,3 milhões no fim de setembro, após o pagamento de R$ 1,3 bilhão pela compra das marcas Buscopan. A companhia emitiu R$ 735 milhões em debêntures para pagar o portfólio de medicamentos adquirido da Takeda.

A Klabin reportou prejuízo líquido de R$ 191,217 milhões no terceiro trimestre de 2020. Com o desempenho, a empresa reverteu o lucro líquido de R$ 207,427 milhões na comparação com igual período do ano anterior.

O Ebitda ajustado caiu 12% no período, para R$ 1,233 bilhão (ante o mesmo período do ano passado. Enquanto isso, a receita da companhia fechou o trimestre em R$ 3,177 bilhões. O resultado representa crescimento de 13,09% ante R$ 2,809 bilhões na mesma base de comparação.

No relatório de resultados, a companhia diz que observou no mercado brasileiro uma forte aceleração de demanda em setores que foram impactados pela crise do coronavírus, como por exemplo o de materiais de construção, e alguns mercados de bens duráveis. “Aliado ao seu ótimo desempenho operacional, o posicionamento comercial da Klabin para o atendimento tanto desses mercados quanto aos de primeira necessidade, como alimentos e higiene e limpeza, impulsionaram os resultados da companhia no período”, diz a Klabin.

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A empresa reportou ainda prejuízo líquido atribuído aos sócios da empresa controladora de R$ 198,883 milhões. Diante deste número, a companhia reverteu o lucro líquido atribuído aos controladores de R$ 215,195 milhões em igual período do ano anterior.

Segundo os analistas do Morgan Stanley, o resultado foi forte, com um Ebitda acima do esperado.

Ainda em destaque, a Klabin comunicou nesta segunda-feira que conselheiros independentes que não detêm participação societária direta ou indireta na Sogemar aprovaram a alteração dos termos da potencial incorporação da Sogemar pela Klabin.

Em fato relevante, a Klabin diz que a mudança visa ajustar o número de ações da companhia a serem atribuídas aos sócios de Sogemar caso a incorporação seja efetivada, que passa a ser de 69.394.696 novas ações ordinárias, nos termos aceitos pela Sogemar em acordo com a BNDES Participação, acionista da Klabin. A proposta anterior era de emissão de 92.902.188 ações.

Após tal aprovação na última sexta-feira, o conselho de administração, pelos conselheiros independentes que não detêm participação societária direta ou indireta em Sogemar, determinou que a diretoria convoque nova Assembleia-Geral Extraordinária para deliberar sobre a incorporação.

O acordo diz respeito ao valor demandado pela Sogemar, que é de membros da família Klabin, pelo uso da marca Klabin e derivadas.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a venda da Biopalma, empresa produtora e comercializadora de óleo de palma, da mineradora Vale  para a Brasil Bio Fuels (BBF), mas o negócio está sendo contestado na Justiça por uma companhia interessada.

Conforme despacho do Cade, cuja aprovação foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta–feira, a operação envolve a venda da totalidade das ações da Biopalma –que possuiu milhares de hectares de plantações de palma no Pará. A operação, contudo, foi contestada pela Marborges Agroindústria, que estava interessada na Biopalma e considerou que houve “falta de transparência e tratamento isonômico” na negociação.

Conforme ação na Justiça do Rio de Janeiro movida pela Marborges “parece inexplicável e estranho alijamento da Marborges” do processo competitivo de venda da Biopalma.

A empresa ainda cita no processo, conforme “noticiado na mídia”, que a BBF teria pago 1 real pela Biopalma, frente a uma proposta não solicitada da Marborges de pagamento de R$ 20 milhões, sem a necessidade de qualquer aporte financeiro pela Vale e com a assunção de todas as contingências da empresa produtora de palma. O documento do Cade manteve confidencial o valor envolvido no negócio.

Procurada, a Vale afirmou que o “desinvestimento da Biopalma, bem como eventuais manifestações tempestivas de terceiros interessados, ocorreram seguindo padrões de mercado e compromissos contratuais assumidos…”.

A mineradora disse ainda que “a BBF ofereceu proposta adequada no momento pertinente e a transação foi celebrada após diligências e tratativas satisfatórias às partes”.

Já a BBF, empresa constituída em 2008 com o propósito de diversificar a matriz energética dos sistemas isolados da região Norte do Brasil, substituindo combustíveis fósseis por fontes renováveis de energia, afirmou que não vai se pronunciar sobre o assunto.

De acordo com o documento do Cade, para a BBF, “a aquisição da Biopalma representa uma excelente oportunidade para expandir seu potencial de cultivo de palma e produção de óleo vegetal”.

A companhia ainda atua no beneficiamento de óleo vegetal, utilizado como matéria-prima para a produção de biodiesel.

No sábado, o Ministério Público Federal acusou BHP (B1BL34) e Vale de conluio com um advogado para reduzir pagamentos a vítimas do rompimento de barragem da joint venture Samarco, em Mariana, em 2015. Em nota publicada na segunda, o Morgan Stanley encarou a acusação como um sinal de que há alguma “deterioração no trato dos promotores com a Vale”, o que pode atrasar um acordo final.

Em um documento de 91 páginas anexado aos autos do processo na quinta-feira, procuradores de Minas Gerais criticaram um juiz que aceitou impor limites de compensação a nove requerentes e, depois, estendeu os limites para todas as vítimas de Baixo Guandu (ES), afetadas pelo rio de lama proveniente do desastre. Detalhes da decisão estão sob sigilo.

As reivindicações de danos morais foram limitadas a 10 mil reais. A decisão colocaria fim às responsabilidades da BHP, Vale e Samarco pelas vítimas que aceitarem a indenização, segundo os procuradores. As vítimas que receberam pagamentos com base na decisão não teriam a oportunidade de pedir uma indenização adicional fora do país.

A BHP também é objeto de uma ação judicial de 6,3 bilhões de dólares no Reino Unido, movida por 200 mil pessoas e grupos do Brasil. A mineradora classificou o processo como “sem sentido e perda de tempo.”

A XP reiniciou a cobertura da Ambev  com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 17,15 por ação para o final de 2021. Atualmente, as ações estão cotadas em torno de R$ 13,90 – ou seja,  o novo preço-alvo configura um potencial de valorização de 23% em relação aos níveis atuais. A XP afirmou avaliar que o mercado está excessivamente pessimista quanto à Ambev, e destacou melhoras nos volumes de vendas da empresa e potencial de recuperação da economia brasileira.

O analista Leonardo Alencar destaca três pontos principais para otimismo: i) melhora nos volumes de vendas da AmBev no curto prazo, aliados a uma potencial recuperação macroeconômica no Brasil, mesmo com o término do auxílio emergencial; ii) vemos com bons olhos as iniciativas de inovação da empresa, as quais devem auxiliar a AmBev a se manter como líder de mercado, incluindo o Zé Delivery, os CDDs digitais e as novas marcas como Michelob e Beck’s; iii) transição que a AmBev vem realizando em seu modelo de negócio, deixando para trás um modelo antigo baseado em escala e passando a adotar um modelo novo, mais personalizado e focado no consumidor.

Por outro lado, competição acirrada no Brasil, custos de commodities em alta, real depreciado frente ao dólar e ambiente macroeconômico desfavorável são potenciais riscos importantes para a empresa, avalia a equipe de análise. “Adicionalmente, reconhecemos que a transição do modelo antigo para o novo não é fácil, mas entendemos que a AmBev está empenhada em fazê-lo”, afirma o analista Leonardo Alencar (confira o relatório na íntegra clicando aqui).

Cielo (CIEL3), Cogna (COGN3) e IRB Brasil (IRBR3)

A Cielo, a Cogna e o IRB Brasil podem sair do MSCI LatAm, destaca o BofA. O valor de mercado dos três nomes brasileiros está “apenas marginalmente” abaixo do limite, estrategistas do BofA liderados por David Beker escrevam em nota. Poderão ser adicionadas Bradespar, Totvs e Eneva e também Telesites do México. A revisão deve ser anunciada em 10 de novembro.

Na sexta, a empreiteira Método Engenharia pediu registro para realizar uma oferta pública inicial de ações. O objetivo é sair na frente de rivais impactadas pela pandemia.

União Química

Na sexta-feira, a farmacêutica União Química informou que assinou um acordo com o Fundo Russo de Investimento Direto para produzir a vacina russa Sputnik V contra Covid-19, a partir da segunda quinzena de novembro. O laboratório ainda precisa de autorização da Anvisa. A empresa deve apresentar os resultados dos testes clínicos no início de novembro, para solicitar o registro da vacina. À Agência Brasil, Fernando de Castro Marques, presidente do grupo farmacêutico, disse que técnicos russos chegarão ao Brasil na segunda quinzena de novembro para acompanhar o início da produção.

As companhias de alimentos BRF e Marfrig Global Foods receberam nesta sexta-feira a aprovação da China para retomar as exportações de carnes das unidades de Dourados (MS) e Várzea Grande (MT), respectivamente, que haviam sido suspensas em meio a preocupações sobre a pandemia da Covid-19, disseram as empresas.

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A autorização, que se deu após inspeções realizadas pelas autoridades chinesas, foi publicada no site da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês), informou o Ministério da Agricultura em comunicado à Reuters, citando que duas plantas brasileiras haviam sido autorizadas.

“A liberação para a retomada de exportações para o país asiático, mercado estratégico para a BRF, reforça o compromisso da companhia com a qualidade de seus produtos e com a saúde segurança dos seus colaboradores”, afirmou em nota o CEO da empresa, Lorival Luz.

Os embarques de frango da unidade da BRF, a maior exportadora da proteína no mundo, foram suspensos em julho e estão previstos para acontecer nos próximos dias, segundo a companhia. A Marfrig confirmou por meio da assessoria de imprensa que poderá voltar a enviar carne bovina à China de sua planta localizada em Várzea Grande, cujas exportações foram proibidas em junho.

Algumas unidades de companhias do setor foram suspensas pelos chineses após surtos de coronavírus entre funcionários. No entanto, não há nenhuma confirmação científica de que a doença possa ser transmitida por alimentos.

A planta de Lajeado (RS) da BRF segue impedida de embarcar ao mercado chinês, assim como as unidades de Três Passos e Passo Fundo da JBS, no Rio Grande do Sul. Assim que a proibição foi anunciada, em julho, a BRF afirmou que atuaria junto às autoridades brasileiras e chinesas para reversão da suspensão no menor prazo possível.

Procurado, o Ministério da Agricultura afirmou que, antes da atualização da lista de estabelecimentos habilitados para exportação que consta no site da GACC, houve auditoria por videoconferência e apresentação de documentos, conduzidas pelas equipes do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal e do Serviço de Inspeção Federal (SIF).

“As autoridades chinesas concluíram que as medidas adotadas pelo Ministério da Agricultura e pelos estabelecimentos foram satisfatórias e adequadas para o atendimento às exigências chinesas”, afirmou a pasta em nota.

Atualmente, a BRF possui 15 unidades habilitadas para exportar para a China, sendo 10 de aves, 4 de suínos e 1 de miúdos de suínos.

Já a Marfrig conta com 13 unidades habilitadas a exportar para a China na América do Sul.

Também no radar do setor, a BRF tem recomendação rebaixada pelo analista de Credit Suisse Victor Saragiotto para neutra de outperform. O preço-alvo de R$ 22 implica potencial de alta de 19% em relação ao último fechamento. O resultado será divulgado em 9 de novembro.

Em comunicado ao mercado, a BRF ainda afirmou que fechou com o governo americano um acordo de US$ 40 milhões para encerrar as demandas pendentes da class action movida contra a empresa no país.

O Credit Suisse manteve a avaliação da CSN (CSNA3) em outperform. O banco afirma que acredita que o preço do minério de ferro continuará alto em 2021, acima de US$ 100 por tonelada. Demanda e preço melhores do que esperado devem impulsionar os resultados da CSN nos próximos trimestres, afirma o banco.

Na manhã de segunda-feira, o Credit Suisse avaliou que a produtora de softwares Totvs (TOTS3) está se saindo bem em meio à crise. O banco afirmou que espera bons resultados para o terceiro trimestre, e vendas fortes. O Credit Suisse estima alta de 7,8% nas vendas no terceiro trimestre de 2020 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Mesmo assim, o banco manteve a avaliação da Totvs com perspectiva neutra (desempenho dentro da média do mercado), e preço-alvo de R$ 27 -atualmente, o preço-alvo está em R$ 28,45.

BB Seguridade (BBSE3)

Conselho de Administração do BB Seguridade elegeu Marcio Hamilton Ferreira como CEO, segundo comunicado ao mercado. O BB Seguridade informou ainda que Erik da Costa Breyer renunciou ao cargo de CFO.

Já a Taesa elegeu Andre Augusto Telles Moreira como presidente. Segundo o Credit, a notícia é positiva, em meio à larga experiência do executivo no setor e que pode ajudar a Taesa a encontrar novas avenidas de crescimento já que a companhia é bastante eficiente, mas está com dificuldades de expandir seu negócio.

Stone e Linx (LINX3)

A Bolsa brasileira não aceitou a multa imposta pela Stone caso acionistas da Linx rejeitem a proposta da aquisição da empresa, a ser votada em 17 de novembro, informam o Valor e a revista Exame, citando posicionamento da B3.

Segundo a reportagem da Exame, a B3 considera que o modelo de compra dispensa a Stone da obrigatoriedade de listagem no Novo Mercado, já que a Linx encontra-se listada nesse segmento . A Bolsa teria encaminhado o posicionamento sobre a rejeição no fim da tarde de sexta-feira. E pediu que a companhia torne pública a decisão e adote as medidas cabíveis. Não está clara, contudo, a extensão do entendimento da bolsa, uma vez que o acordo tem diversos itens, informou a revista.

“Este desdobramento aumenta as incertezas sobre a transação entre a Stone e a Linx, que deve ser votada pelos minoritários da Linx em uma assembleia de acionistas marcada para 17 de novembro. Em nossa opinião, isso também aumenta as chances de Stone anunciar novamente os ajustes aos termos do negócio. Nosso caso-base continua que a Stone terá sucesso em assumir o controle da Linx”, avalia o BBI.

(Com Reuters, Bloomberg e Agência Estado)

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