Kairós Capital: “é difícil ficar estruturalmente otimista com Brasil”

(CONDADO DA FARIA LIMA) – “O Brasil parece aquele aluno medíocre que se contenta em tirar nota 5, pegando uma ou duas recuperações, mas passa de ano. O problema é que uma hora isso não funciona”.

A frase foi dita no Coffee & Stocks desta quarta-feira (21) pelo fundador e gestor da Kairós Capital, Fabiano Godoi, que tem 25 anos de experiência no mercado financeiro.

Para ele, o País teve muita sorte em 2021 com o rali dos preços das commodities e as surpresas positivas na nossa economia. Mas ao invés de aproveitar isso para fazer uma reforma estrutural, o governo tem preferido falar de agendas mais “eleitoreiras”, como um bolsa-família turbinado e extensão do auxílio emergencial. “Então, é difícil ficar estruturalmente otimista com Brasil”, conclui.

Apesar disso, o Brasil hoje tem uma parcela importante do fundo, de 25% (como comparação: no começo do ano o Brasil era 5% do risco do fundo multimercado Kairós Macro). A posição “real contra dólar” é a preferida de Godoi dentro da cesta de ativos brasileiros.

Na segunda parte da entrevista, Godoi deu uma verdadeira aula sobre como fatores técnicos ligados à emissão de títulos do governo americano estão afetando o comportamento dos juros dos EUA. Esse é um dos motivos que fez a Kairós aumentar a posição tomada nos juros de lá (ou seja, que ganha caso a expectativa para a taxa de juros dos EUA comece a subir).

“É pouco provável que toda essa enxurrada de estímulos não gere inflação e ela chegue na meta do Fed”, conclui.

Confira a entrevista completa no vídeo acima ou direto em nosso canal no Youtube (link aqui).

Vendido em bolsa, comprado em juros dos EUA e commodities: as grandes convicções do gestor de R$ 36 bilhões

(CONDADO DA FARIA LIMA) – Gestor de fundo multimercado no fundo é um grande administrador de risco: seu trabalho tem que ser procurar os ativos com a melhor relação “risco-retorno”. É essa definição que Marco Freire usou no último episódio Stock Pickers (ouça no player acima) antes de explicar por que sua carteira está “net vendida” (com mais posições vendidas do que compradas) em ações e está “long” (comprado) em commodities, juros americanos (apostando que a taxa nos EUA vai subir) e em moedas como o real.

Autoridade para Freire não lhe falta: com 20 anos de mercado (todos eles atuando em fundos multimercados), ele hoje é responsável pela gestão dos ativos líquidos da Kinea Investimentos, que totalizam R$ 36 bilhões (a Kinea como um todo tem mais de R$ 50 bilhões em ativos sob gestão).

Na primeira parte desta longa conversa, ele explicou as 4 grandes convicções da Kinea hoje: i) estímulos dos BCs em algum momento terão que ser enxugados (o que puxará juros para cima); ii) isso vai tirar a atratividade das bolsas; iii) commodities é o melhor veículo para se beneficiar deste cenário; iv) moedas de países que já estão subindo os juros (como o Brasil) performarão melhor do que aqueles mais atrás do ciclo (como Europa, Suécia e África do Sul).

Sobre bolsa, ele explicou que está comprado em ações de tecnologia norte-americanas e em alguns mercados desenvolvidos ex-EUA e no Brasil tem algumas empresas de qualidade. Mas no saldo final, ele tem mais posições vendidas do que compradas, explica.

O gestor da Kinea também entrou no mundo das bitcoins, universo hostil para gestores de recursos. Mais para o final da conversa, ele detalhou como é o trabalho de um analista de moedas, apontou as 3 principais características que um bom gestor precisa ter e deixou um recado final com ar de alerta para o investidor pessoa física: “pare de olhar para o CDI como reserva de emergência e comece a pensar em NTN-B”. O motivo está na diferença gigante entre a inflação atual e o retorno do CDI.

Programa contou com uma entrevistadora especial: Nathalia de Sá, analista da XP Allocation e uma das responsáveis pela gestão dos fundos DNA e da família Selection.

Confira tudo isso e mais um pouco no vídeo acima ou direto em nosso canal no Youtube. Você pode ouvir também na sua plataforma de podcast favorita.

Com boom imobiliário, Fed pode começar a reduzir compras por títulos hipotecários

(Bloomberg) — Quando o Federal Reserve começar a reduzir as enormes compras de títulos, operadores de hipotecas apostam que seu mercado será o primeiro da fila.

Seria uma reversão em relação à abordagem equilibrada do Fed durante sua última retirada em 2014, quando desacelerou as compras de Treasuries e títulos lastreados em hipotecas no mesmo ritmo. Mas, com os preços das moradias em alta e juros de empréstimos não muito longe de mínimas históricas, alguns veem menos motivos para o banco central dos EUA continuar adicionando US$ 40 bilhões em títulos hipotecários ao balanço todos os meses.

É uma perspectiva que já preocupa os mercados financeiros, pois operadores buscam se antecipar aos movimentos do Fed. Os títulos lastreados em hipotecas perderam 0,18% no mês passado, mesmo com o avanço dos Treasuries, marcando o pior desempenho em relação aos títulos do Tesouro desde os primeiros dias da pandemia em janeiro de 2020. Na semana passada, o presidente do Federal Reserve de Dallas, Robert Kaplan, destacou essa visão. Segundo ele, o mercado imobiliário não precisa de tanto apoio quanto o que está recebendo do banco central.

“Não vemos problemas no mercado imobiliário com os quais o Fed deva se preocupar. Na verdade, é o contrário, com ganhos em certas partes do país”, disse Jake Remley, gestor da Income Research + Management, que administra US$ 90 bilhões e está reduzindo a exposição a segmentos no mercado de hipotecas que seriam mais afetados por uma desaceleração das compras do Fed. “Se o Fed começa a ficar preocupado com a inflação e quiser fazer algo, deveria sair das hipotecas e entrar mais nos Treasuries.”

A intervenção do Fed no mercado imobiliário é controversa, embora tenha começado em 2008, na esteira do colapso da bolha imobiliária que pesou sobre o setor por anos. Desta vez, os valores dos imóveis subiram em linha com as compras do Fed: um indicador de preços dos imóveis residenciais nos EUA avançou 13% em março em relação ao ano anterior, o maior ganho desde 2005.

No entanto, o presidente do Fed, Jerome Powell, não deu nenhuma indicação de que o banco central tem como alvo o mercado de hipotecas, nem indicou quando começará a reduzir as compras de dívida. Mas uma retirada em títulos hipotecários daria às autoridades monetárias mais margem para apoiar o mercado de Treasuries, justo quando o presidente dos EUA, Joe Biden, procura aprovar um grande plano de gastos, que inclui um programa nacional de infraestrutura.

“O Fed vai adotar uma abordagem diferente desta vez”, disse George Gonçalves, chefe de estratégias macro para EUA no Mitsubishi UFJ Financial. “Vai ser modulado. E, com os déficits fiscais que temos, é o mercado de Treasuries” que precisa de mais apoio.

As especulações de que o Fed poderia sinalizar nos próximos meses planos para começar a ajustar a política monetária ganharam força na quinta-feira, depois que novos dados mostraram que os preços ao consumidor dos EUA subiram no mês passado acima da previsão da maioria dos economistas. Os números impulsionaram a inflação implícita de 10 anos, uma referência do mercado de renda fixa para a taxa de inflação anual esperada ao longo da próxima década.

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Comprada em urânio, real e juro americano: como a gigante Kinea está vendo o mercado

(CONDADO DA FARIA LIMA) – Hoje tivemos um daqueles Coffee & Stocks que é quase impossível resumir em poucos parágrafos, mas vamos tentar: recebemos Marco Aurélio Freire, responsável pela gestão dos R$ 36 bilhões de ativos líquidos da Kinea. Ele abriu toda a carteira dos fundos da casa e revelou que possui várias posições consideradas fora do consenso, quando comparamos com outros fundos.

Uma das posições mais “não consensuais” talvez seja a comprada em real: “acredito que o real tem potencial para outperformar (ter uma performance acima de um índice de referência) de 5% a 10%”, diz Freire. O racional da tese: ele está super otimista com commodities, a balança comercial brasileira vai ser muito forte e, embora o fiscal esteja muito pior do que no passado, o juro vai subir para compensar esse maior aumento de risco.

Nos EUA, ele está comprado na alta de juros: “o tema agora é escassez. A economia está voltando muito mais rápido do que a produção de insumos, está faltando muitos produtos e a população não quer voltar a trabalhar por causa dos estímulos governamentais”. Isso vai puxar a inflação mais rápido do que o esperado e o juro vai ter que subir antes do que o Fed gostaria, completa o gestor da Kinea.

Ainda no exterior, Freire prefere commodities do que ações, citando dentre elas o cobre, petróleo e urânio (confira os detalhes da posição na entrevista completa, que está no vídeo acima ou no canal do Stock Pickers no Youtube). Ele também explicou por que ainda não investem em criptos.

Confira alguns destaques da entrevista:

O tema agora é escassez: a economia tá voltando muito mais rápido do que a produção de insumo. E como as pessoas não querem trabalhar, isso tende a piorar.

Algumas situações são anedóticas: tem McDonalds na Flórida que está pagando US$ 50 só para você ir na entrevista.

Os EUA vão ter que gerar estoque acima do normal, porque as empresas vão ficar com medo de faltar. Por isso acho que a inflação vai voltar mais rápido.

Cobre: ele vai ter que entrar muito forte nessa indústria mas falta oferta e onde tem cobre tem instabilidade política, principalmente na África.

Petróleo: nenhuma empresa quer investir em produção de petróleo com essa incerteza de demanda no futuro por causa da onda verde. Então deve ter queda de produção daqui pra frente, o que pode ajudar o preço

Alumínio China é uma grande produtora de alumínio mas isso causa danos ao ambiente e a China deve ter que cortar a produção pra atingir a meta.

Urânio: Energia nuclear é a mais eficiente que existe. Mas dado todos os acidentes do passado, existe a relutância em usar na Europa e Japão, só que na China isso está começando a mudar. EUA também tem mostrado menos resistência com o governo Biden.

Nossa proteção na carteira em Brasil é o cupom cambial. Ele é a nossa taxa de juros em dólar, geralmente negociada com prêmio em relação à curva de juros dos EUA. Esse prêmio hoje está muito baixo hoje, uns 60-70 pontos acima da Libor, o que faz dela uma posição barata de carregar.

Criptomoedas: ainda não entrou, mas não temos preconceito com nada. Mercado financeiro é darwiniano, se você não se adaptar você já era.

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“Dr. Doom”, Nouriel Roubini alerta para riscos de salto de rendimento dos títulos americanos

(Bloomberg) — Um novo salto dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA pode abalar os mercados e enviar mais family offices e fundos de hedge para um caminho semelhante ao da Archegos Capital Management, de Bill Hwang, segundo Nouriel Roubini.

Roubini, professor da Stern School of Business da Universidade de Nova York e ex-conselheiro do governo dos EUA, disse que a combinação de juros baixos ou negativos nas economias avançadas e estímulo fiscal leva investidores a assumirem riscos excessivos. Ele destacou as relações preço-lucro ajustadas ciclicamente em máximas vistas em 1929 e no início dos anos 2000 como um sinal de imprudência.

“Estamos vendo espuma, bolhas, tomada de risco e alavancagem generalizadas”, disse Roubini à Bloomberg TV. “Muitos players se alavancaram muito e assumiram muito risco, e alguns deles vão explodir.”

Alerta de colapso

O professor, que ganhou o apelido de “Dr. Doom” (Doutor Catástrofe) por seus prognósticos agourentos sobre a economia e o sistema financeiro, faz coro a investidores como Scott Minerd, da Guggenheim Investments, ao alertar que mais colapsos ao estilo da Archegos podem ocorrer. Roubini disse pode haver um choque se os rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA ultrapassarem 2% este ano.

Christian Mueller-Glissmann, estrategista do Goldman Sachs em Londres, disse que há uma “chance muito boa” de que, no segundo trimestre, o rendimento dos títulos de 10 anos dos EUA suba além da previsão de 1,9% do banco para o final do ano.

‘Guerra quente’

Os investidores também devem enfrentar outros riscos, como o retorno da inflação e a perspectiva de uma “guerra quente” entre EUA e China, disse Roubini.

Embora um dólar mais forte tenha levado alguns fundos de hedge e outros investidores a reverterem suas apostas baixistas, a moeda americana tende a enfraquecer no médio prazo, com o aumento dos déficits gêmeos da maior economia do mundo, disse. Ao mesmo tempo, sanções dos EUA podem levar países como China, Rússia, Irã e Coreia do Norte a diversificarem seus ativos para reduzir a dependência do dólar.

“Mesmo que os resultados de crescimento de curto prazo nos EUA fortaleçam o dólar, a direção da moeda americana é para baixo ao longo do tempo”, disse Roubini.

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“Dinheiro é rei” para os emergentes diante de rendimentos dos Treasuries em alta

(Getty Images)

(Bloomberg) – “O dinheiro é rei” poderia muito bem ser o mantra para mercados emergentes neste ano.

Com o aumento implacável dos rendimentos dos Treasuries, o que eleva os custos de financiamento globais, investidores de títulos de países em desenvolvimento estão de olho nas reservas de caixa dos governos em busca de futuros vencedores. Rússia, África do Sul e Indonésia podem estar entre os países com melhor desempenho, pois conseguiram um colchão considerável.

“Tudo se resume a flexibilidade e reservas”, disse Francesc Balcells, diretor de investimentos para dívida de mercados emergentes da Fim Partners, em Londres. “Você quer que os países tenham flexibilidade para enfrentar a tempestade. Portanto, se têm caixa, ou estão bem à frente em seu pipeline de emissões, ou se os bancos centrais podem fornecer suporte, todos esses são aspectos positivos que precisam ser considerados.”

Mercados emergentes prosperaram no segundo semestre do ano passado devido ao enfraquecimento do dólar e ao estímulo global recorde, mas o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA nos últimos meses torna as perspectivas muito menos favoráveis. Muitos países em desenvolvimento enfrentam um dilema: precisam financiar o aumento dos gastos para recuperar as economias atingidas pela pandemia justo quando os custos de financiamento começam a subir.

Em geral, títulos de nações com posição de financiamento superior se saíram melhor durante a onda vendedora deste ano, de acordo com os índices Bloomberg Barclays. A dívida da África do Sul caiu 1,5% em dólares, os títulos da Rússia perderam 7,1%, enquanto os da Indonésia se desvalorizaram 5,2%. Índices semelhantes para Peru e Brasil, dois países cujas necessidades de emissão são relativamente elevadas, caíram mais de 8%.

Nível de caixa

Embora o Ministério das Finanças da Rússia não divulgue o caixa total disponível, o valor restante do orçamento em depósitos bancários, empréstimos orçamentários e operações compromissadas era de 1,7 trilhão de rublos (US$ 22,3 bilhões) em março, quase o mesmo do ano anterior, apesar do impacto da pandemia.

A África do Sul estima que seu saldo de caixa para o ano fiscal encerrado em março aumentou 25% em relação ao ano anterior, para 294,6 bilhões de rands (US$ 20 bilhões). A Indonésia disse que pode reduzir as emissões de dívida já que tinha mais de US$ 8 bilhões em fundos não gastos até janeiro.

“A menor emissão da Rússia e da África do Sul se deve aos melhores resultados fiscais, ajudados por um petróleo mais forte, no caso da Rússia, e melhores receitas gerais para a África do Sul”, disse Nick Eisinger, corresponsável de renda fixa ativa de mercados emergentes da Vanguard Asset Services, em Londres. “As posições populares e muitas emissões, ou pelo menos mais emissões do que o previsto, não são bem recompensadas pelo mercado agora.”

A situação é menos positiva na América Latina.

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Brasil e Peru estão entre as economias emergentes que devem aumentar as emissões, de acordo com Mary-Therese Barton, responsável por dívida de mercados emergentes da Pictet Asset Management, em Londres. O vírus continua sendo uma grande preocupação no Brasil, enquanto o equilíbrio fiscal do Peru permanece em território negativo este ano, disse.

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Ibovespa tem alta de 1,8% em semana marcada por política monetária e volatilidade dos treasuries; dólar cai a R$ 5,48

ações bolsa mercado stocks índices gráficos (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (19) e acumulou uma valorização de 1,81% na semana, que foi marcada pela volatilidade dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, pelo recrudescimento da pandemia em território nacional e por importantes decisões de política monetária aqui e nos EUA.

Na “Super Quarta”, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve os juros dos Estados Unidos na banda entre 0% e 0,25% ao ano, e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que o Fed precisa ver um “material e sustentado” aumento da inflação acima de 2% ao ano para considerar mudar sua política monetária estimulativa.

A decisão e as sinalizações de manutenção de uma política monetária estimulativa acabaram fazendo com que a Bolsa aqui disparasse 2% seguindo o exterior, mas no dia seguinte o otimismo azedou por conta da alta de 10 pontos-base no rendimento dos treasuries de 10 anos, que chegaram a 1,74%, algo que tirou atratividade da renda variável global. O Ibovespa caiu 1,47%.

Hoje, dia de um pregão bastante volátil, a Bolsa voltou a subir e quem puxou o desempenho positivo foram os papéis de Petrobras (PETR3; PETR4) e B3 (B3SA3), que avançaram 2,7% e 3,6% respectivamente. Juntas, as ações das duas empresas respondem por 13,6% da composição da carteira teórica do índice.

Com a alta, o benchmark se descolou das bolsas dos Estados Unidos, que voltaram a cair depois de ensaiarem uma recuperação do tombo da véspera no início da sessão.

Ontem, a disparada nos rendimentos dos treasuries com vencimento em 10 anos fez com que as bolsas americanas caíssem, algo que foi seguido pelo benchmark da B3 aqui, que recuou 1,47%.

Após registrarem queda mais cedo a 1,68% ao ano, hoje os juros dos treasuries voltaram a subir e encerraram o dia em 1,72%, o que fez os índices Dow Jones, S&P 500 registrarem quedas, enquanto o Nasdaq subiu, em um movimento oposto ao do dia anterior.

No radar local, hoje os investidores repercutiram a renúncia de André Brandão, que não será mais presidente do Banco do Brasil (BBAS3). O governo indicou Fausto Ribeiro, atual diretor da BB Administradora de Consórcios ao cargo.

Ainda em destaque, o Executivo publicou a Medida Provisória que renova o auxílio emergencial e delimita as parcelas entre R$ 150 e R$ 375, com valor médio de R$ 250, para 46 milhões de pessoas e com custo travado em, no máximo, R$ 44 bi. A MP prevê prorrogação por 4 meses, caso haja disponibilidade orçamentária e a possibilidade de contratações temporárias para o Ministério da Cidadania e para a AGU.

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Na véspera, o presidente Jair Bolsonaro cancelou a visita que faria ao Congresso Nacional para levar a medida provisória. O motivo não foi especificado, mas a nota com a informação foi divulgada pouco depois da notícia que o senador Major Olímpio (PSL-SP) teve morte cerebral. Olimpio estava internado desde 3 de março para tratamento da Covid-19. A pandemia atingiu seu 20º recorde consecutivo na média móvel de mortes.

Cabe destacar que esta sexta marcou o ‘Quadruple Witching’, nos EUA e na Europa, dia de vencimento simultâneo de contratos de opções, opções de índices, futuros de índices e futuros de ações, o que pode mexer com os volumes e volatilidade em dia com agenda sem tantos indicadores nos EUA.

O Ibovespa teve alta de 1,21%, a 116.221 pontos com volume financeiro negociado de R$ 39,96 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial fechou em queda de 1,51% a R$ 5,484 na compra e a R$ 5,485 na venda. Na semana, a divisa dos EUA se desvalorizou em 1,34% ante o real. Já o dólar futuro com vencimento em abril registra perdas de 1,53% a R$ 5,478 no after-market.

Analistas ouvidos pelo InfoMoney disseram que a elevação de 0,75 ponto percentual promovida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última reunião torna mais difícil que o dólar atinja R$ 6,00, porém o real permanece pressionado enquanto medidas de ajuste fiscal não se movimentarem.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 terminou estável a 4,59%, o DI para janeiro de 2023 subiu dois pontos-base a 6,20%, o DI para janeiro de 2025 avançou 16 pontos-base a 7,57% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de 19 pontos-base a 8,07%.

Voltando ao exterior, na Ásia, o Banco do Japão anunciou uma série de medidas após a reunião de política monetária, incluindo ampliar a banda em que os rendimentos dos títulos do governo japonês podem flutuar. Agora, o rendimento pode flutuar entre -0,25% e 25%.

Os preços do petróleo também estão no foco dos investidores, após uma forte queda na quinta. Os barris tipo WTI (West Texas Intermediate) e Brent se desvalorizaram mais de 7%, mas hoje sobem em recuperação.

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A queda nas cotações ocorreu após a perspectiva sobre a demanda de petróleo cru ser reduzida, com informações sobre aceleração de infecções por coronavírus e a implementação de medidas de lockdowns na Europa.

No início do mês, a Alemanha estendeu as medidas de lockdown até 28 de março. Na segunda, a Itália voltou a implementar medidas do tipo. Pela manhã desta sexta, Paris anunciou o estabelecimento de novas medidas de lockdown. O primeiro-ministro da França, Jean Castex, afirmou que parece cada vez mais provável que uma “terceira onda” de infecções esteja acometendo o país.

A Agência Europeia de Medicamentos divulgou um novo relatório a respeito da segurança da vacina desenvolvida em parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford, após serem apontados cerca de 30 casos de coágulos sanguíneo e baixa contagem de plaquetas entre pessoas que haviam recebido a vacina.

Anteriormente, a agência já havia ressaltado que “muitas milhares de pessoas desenvolvem coágulos sanguíneos todo ano na União Europeia, por diversos motivos”, e que o número de incidentes entre aqueles vacinados “não parece ser mais alto do que o observado na população em geral”.

Após a análise dos casos, a diretora da instituição, Emer Cooke afirmou na quinta que o comitê de segurança chegou a uma “conclusão científica clara”, e não encontrou sinais de que a vacina teve associação com aumento de risco de coágulos sanguíneos.

Mas afirmou que a agência identificou “um pequeno número de casos raros e anormais, mas muito sérios, de transtornos de coagulação”. Cooke disse que a agência não poderia “descartar definitivamente uma ligação entre esses casos e a vacina”.

E que um aviso nas informações do imunizante poderia chamar atenção para “possíveis casos raros”, para ajudar vacinados e profissionais de saúde a “evitar e mitigar quaisquer efeitos colaterais possíveis”. Com isso, a vacinação na Europa foi retomada.

Por outro lado, o sentimento dos consumidores no Reino Unido atingiu o patamar mais positivo em um ano em março, de acordo com uma pesquisa da GfK. Os resultados sinalizam a esperança quanto a uma recuperação eminente da economia, à medida que o país se prepara para suspender medidas de lockdown nos próximos meses.

Novos recordes nas médias de casos e mortes

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Pelo 20º dia seguido, o Brasil bateu na quinta (18) seu recorde na média móvel de mortes por Covid em 7 dias, com a marca de 2.096, alta de 47% em comparação com a média de 14 dias antes. A marca de 2.000 mortes na média foi ultrapassada pela primeira vez na quarta. E o patamar de 1.500 mortes na média, na semana retrasada.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de quinta, o avanço da pandemia em 24 h no país. Em um único dia foram registradas 2.659 mortes.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 71.904, alta de 22% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia houve 87.169 diagnósticos.

Até quinta, 10.984.488 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a covid no Brasil, o equivalente a 5,19% da população. A segunda dose foi aplicada em 4.027.123 pessoas, ou 1,9% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

Na quinta-feira, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), anunciou que a cidade registrou a primeira morte de um paciente aguardando por uma vaga em UTI (unidade de terapia intensiva).

475 pessoas aguardam na fila por leitos de UTI na cidade. Bruno Covas e o secretário de Saúde Edson Aparecido anunciaram a que três “hospitais de catástrofe” serão destinados exclusivamente a pacientes de Covid. Serão criados 640 leitos até esta sexta.

Segundo o jornal O Globo, ao menos 116 cidades do país têm falta de oxigênio, e há escassez em 18 estados de medicamentos usados para intubação de pacientes.

Segundo pesquisa Datafolha realizada por telefone com 2023 pessoas nos dias 15 e 16 e divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, 79% da população vê a pandemia como fora de controle. Em janeiro, eram 62%. Além disso, 55% relataram ter muito medo de contrair o vírus, contra 44% no levantamento anterior.

No Rio, o prefeito Eduardo Paes (DEM) decidiu fechar as praias e áreas de lazer no fim de semana já a partir deste sábado (20). A prefeitura estuda realizar um lockdown.

O senador Major Olimpio (PSL), de 58 anos, teve morte cerebral confirmada por médicos na quinta. Ele estava internado em São Paulo desde 3 de março com Covid. Olimpio é o terceiro senador vitimado pela doença. Um dos assessores do senador, Diego Freire, de 33 anos, está internado em estado grave por Covid, entubado em um hospital de Brasília.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o Ministério Público Federal afirmou que pretende investigar a distribuição pelo Ministério da Saúde de máscaras impróprias para o uso em hospitais, para servidores que trabalham na linha de frente da pandemia.

Na embalagem de algumas das máscaras alvo da investigação consta a advertência “non-medical”, ou seja, de uso não médico. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou que o equipamento não é adequado para profissionais de saúde.

Na quinta, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram que não cabe a um integrante do STF participar formalmente de uma comissão com representantes de outros Poderes para elaborar um plano de enfrentamento à pandemia de Covid, após convite feito pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao presidente da corte, Luiz Fux.

Em sua live semanal na quinta, Bolsonaro afirmou que o general Eduardo Pazuello deve deixar o comando do Ministério da Saúde nesta sexta. Ele será substituído pelo médico cardiologista Marcelo Queiroga, o quarto ocupante do cargo desde o início da pandemia.

“Quero cumprimentar o Pazuello, que está nos deixando amanhã [hoje] e fez um brilhante trabalho no Ministério da Saúde”, disse o presidente.

Pazuello é investigado criminalmente desde janeiro pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, em um inquérito que tramita no STF por suposta omissão no enfrentamento da pandemia na capital amazonense, e promoção de medicamentos sem eficácia comprovada.

Agora, há esforço para garantir uma saída honrosa ao ministro. De acordo com fontes com conhecimento do assunto ouvidas pela agência internacional de notícias Reuters, o Palácio do Planalto busca garantir a Pazuello um cargo com foro privilegiado.

O general já depôs na investigação sigilosa. Se deixar o cargo de ministro, perderia o foro privilegiado e passaria a ser investigado por procuradores de primeira instância que, ao menos durante a pandemia, têm tido uma atuação mais incisiva em relação a autoridades federais.

Na quarta, a Justiça Federal determinou que o governo federal se abstenha de veicular peças publicitárias sobre o enfrentamento à Covid que sugiram à população comportamentos que não estejam estritamente embasados em diretrizes técnicas e científicas, em julgamento de ação movida pelo Ministério Público Federal.

Em sua live na quinta, Bolsonaro não citou o nome de tratamentos sem eficácia cientificamente comprovada, como ivermectina e cloroquina, ou “tratamento precoce”, mas usou o termo “tratamento inicial”. Ele afirmou quem se usasse “a outra palavra”, seria crime.

“Você que não quer o tratamento inicial, remédio que mata piolho, fica na tua, deixa quem quer tomar”, disse Bolsonaro, em aparente referência à ivermectina, medicamento para tratar infestações por parasitas que é recomendado por Bolsonaro contra a Covid-19, apesar da falta de comprovação científica de eficácia.

Auxílio emergencial

A Medida Provisória 1.039, que renova o auxílio emergencial, confirma que o benefício vai variar entre R$ 150 e R$ 375. Ela prevê a possibilidade de prorrogação por quatro meses, desde que haja disponibilidade orçamentária. Bolsonaro pretendia ir pessoalmente ao Congresso entregar a medida, mas desistiu após a morte, por complicações pela Covid-19, do senador Major Olímpio.

Segundo o jornal Valor, Bolsonaro não aprovou, no entanto, o formato atual da reedição do BEM (Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda), que pretendia utilizar recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), que normalmente banca o seguro-desemprego.

A equipe econômica pretendia antecipar parte do benefício para que o trabalhador pudesse seguir empregado. Depois, passou a prevalecer a ideia de reformular as regras de concessão do seguro, de forma a fazer com que o FAT assumisse todo o custo, tornando o acesso ao benefício mais restritivo. Paulo Guedes vinha chamando o modelo de seguro-emprego.

Radar corporativo

As estatais voltam a chamar a atenção no noticiário corporativo. O Ministério da Economia indicou na noite de quinta-feira (18) Fausto de Andrade Ribeiro, atual diretor da BB Administradora de Consórcios, para a presidência do Banco do Brasil, que assume o cargo no lugar de André Brandão, que renunciou na véspera. A saída terá efeito a partir de 1 de abril.

A saída de Brandão marca o desfecho de um desgaste do executivo com o presidente Jair Bolsonaro após o BB ter anunciado em janeiro um plano para fechar 361 agências e abrir um programa de demissão voluntária para 5.000 funcionários, com objetivo de economizar R$ 2,7 bilhões até 2025. A mudança pode reforçar a percepção de investidores de ingerência do governo federal em estatais, cujas ações têm registrado grande volatilidade no mercado nas últimas semanas.

No radar de resultados, a Cyrela registrou lucro líquido de R$ 261 milhões no quarto trimestre, um salto de 75% ano a ano, resultado de crescimento das vendas e de efeitos ligados à venda de participação em companhias que estrearam na bolsa paulista no ano passado. Já a receita líquida do período cresceu 12,9% ante o quarto trimestre de 2019, a R$ 1,057 bilhão, performance apoiada no avanço de 34,1% das vendas, para R$ 1,86 bilhão.

A Cury, subsidiária da Cyrela e que abriu capital ano passado, lucrou R$ 68 milhões nos últimos três meses do ano, alta de 34,9% frente igual período de 2019.

A construtora Even registrou prejuízo líquido de R$ 89,273 milhões no quarto trimestre de 2020, revertendo o lucro de R$ 30,580 milhões no mesmo período do ano anterior.

Já a Hapvida teve lucro líquido de R$ 94,3 milhões no trimestre, queda de 55,2% em relação ao lucro líquido de R$ 210,6 milhões registrado nos últimos três meses de 2019.

Fora do radar de resultados, o  Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu aprovação final para a venda das usinas da Biosev à Raízen, informaram as companhias nesta quinta-feira em comunicados separados.

Petroleiros do Norte Fluminense, que atuam na Bacia de Campos, pediram ao Ministério Público do Trabalho que a Petrobras seja chamada a prestar esclarecimentos sobre o avanço da Covid-19 em plataformas de óleo e gás, após uma disparada de novos casos em unidades de produção desde o início de março, revertendo um movimento de queda visto no início do ano, apontaram dados da reguladora ANP (Agência Nacional do Petróleo).

Além disso, a Petrobras aprovou, em conjunto com suas parceiras Repsol Sinopec e Equinor, o conceito de desenvolvimento do bloco BM-C-33, localizado no pré-sal da Bacia de Campos e operado pela companhia norueguesa, informou a estatal na quinta. Segundo a Petrobras, foram descobertas três acumulações de gás e condensado (óleo leve) no bloco, a cerca de 200 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, denominadas Pão de Açúcar, SEAT e Gávea.

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BofA prevê entradas de US$ 1,6 trilhão em ações este ano

(Bloomberg) — Se investidores continuarem apostando em fundos de renda variável no ritmo atual, esse movimento poderia injetar a quantia “impressionante” US$ 1,6 trilhão em ações neste ano, segundo estrategistas do Bank of America.

Apesar da volatilidade do mercado puxada pelo aumento dos rendimentos dos títulos e apostas de inflação, fundos de ações atraíram um recorde de US$ 68,3 bilhões na semana até 17 de março, de acordo com relatório do BofA na quinta-feira. Em uma base anualizada, as entradas alcançarão a casa dos trilhões de dólares, superando o recorde anterior de US$ 300 bilhões alcançado em 2017, de acordo com previsão de estrategistas liderados por Michael Hartnett.

Os fluxos indicam que as ações continuam sendo o instrumento de investimento mais procurado, apesar da queda em setores mais caros, como tecnologia. Os títulos registraram entradas de US$ 110 bilhões este ano, apenas um terço dos US$ 347 bilhões em ações, já que os retornos dos índices acionários continuam atraentes com os juros ainda próximos de mínimas históricas.

Por enquanto, investidores preferem ações dos EUA entre os principais mercados em 2021, tendo injetado cerca de US$ 138 bilhões em comparação com apenas US$ 264 milhões na Europa, de acordo com dados do BofA e EPFR Global. Na última semana, fundos dos EUA registraram entrada recorde de US$ 53 bilhões.

Em termos de setores, os fluxos para ações de tecnologia continuam, apesar dos temores de inflação. O segmento atraiu US$ 3,2 bilhões na última semana, o sexto maior volume de todos os tempos, disse o BofA.

Ações financeiras, uma aposta clássica em valor, atraíram o maior volume depois do setor de tecnologia, com entradas de US$ 2,6 bilhões. Investidores se voltam para setores mais baratos e cíclicos com apostas de que as vacinas vão estimular a recuperação econômica.

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Ibovespa se descola de Wall Street e sobe puxada por Petrobras e B3; dólar cai a R$ 5,53

SÃO PAULO – O Ibovespa volta a subir nesta sexta-feira (19) puxado pelas ações de Petrobras (PETR3; PETR4) e B3 (B3SA3), que avançam 1% e 2% respectivamente. Juntos, os papéis das duas empresas respondem por 13,6% da composição da carteira teórica do índice.

Com a alta, o benchmark se descola das bolsas dos Estados Unidos, que voltaram a cair depois de ensaiarem uma recuperação do tombo da véspera no início da sessão.

Ontem, a disparada nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em 10 anos fez com que as bolsas americanas caíssem, algo que foi seguido pelo benchmark da B3 aqui, que recuou 1,47%.

Após registrarem queda mais cedo a 1,68% ao ano, hoje os juros dos treasuries voltam a subir e já batem 1,73%, o que fez os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq zerarem altas e passarem a operar em terreno negativo.

No radar local, hoje os investidores repercutem a renúncia de André Brandão, que não será mais presidente do Banco do Brasil (BBAS3). O governo indicou Fausto Ribeiro, atual diretor da BB Administradora de Consórcios ao cargo.

Ainda em destaque, o Executivo publicou a Medida Provisória que renova o auxílio emergencial e delimita as parcelas entre R$ 150 e R$ 375, com valor médio de R$ 250, para 46 milhões de pessoas e com custo travado em, no máximo, R$ 44 bi. A MP prevê prorrogação por 4 meses, caso haja disponibilidade orçamentária e a possibilidade de contratações temporárias para o Ministério da Cidadania e para a AGU.

Na véspera, o presidente Jair Bolsonaro cancelou a visita que faria ao Congresso Nacional para levar a medida provisória. O motivo não foi especificado, mas a nota com a informação foi divulgada pouco depois da notícia que o senador Major Olímpio (PSL-SP) teve morte cerebral. Olimpio estava internado desde 3 de março para tratamento da Covid-19. A pandemia atingiu seu 20º recorde consecutivo na média móvel de mortes.

Cabe destacar que esta sexta marca o ‘Quadruple Witching’, nos EUA e na Europa, dia de vencimento simultâneo de contratos de opções, opções de índices, futuros de índices e futuros de ações, o que pode mexer com os volumes e volatilidade em dia com agenda sem tantos indicadores nos EUA.

Às 11h05 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha leve alta de 0,32%, a 115.197 pontos.

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Enquanto isso, o dólar comercial opera em queda de 0,62% a R$ 5,534 na compra e a R$ 5,535 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em abril registra perdas de 0,49% a R$ 5,537.

Analistas ouvidos pelo InfoMoney disseram que a elevação de 0,75 ponto percentual promovida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última reunião torna mais difícil que o dólar atinja R$ 6,00, porém o real permanece pressionado enquanto medidas de ajuste fiscal não se movimentarem.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 opera estável a 4,59%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de um ponto-base a 6,19%, o DI para janeiro de 2025 avança oito pontos-base a 7,49% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de 10 pontos-base a 7,97%.

Voltando ao exterior, os rendimentos dos treasuries recuam a 1,689% ao ano após terem chegado a bater 1,75% no pregão anterior. A alta nos juros dos títulos pode sinalizar otimismo quanto à recuperação da economia, e perspectiva de aceleração da inflação.

No entanto, esse movimento tende a encarecer a tomada de empréstimos por empresas de rápido crescimento, como é o caso de muitas daquelas do setor de tecnologia.

A alta torna o investimento em títulos do Tesouro relativamente mais atrativo, o que pode levar investidores a redirecionarem recursos do mercado de ações para o de títulos, considerado mais seguro por ser garantido pelo governo, que tem o poder de criar impostos.

Na Ásia, o Banco do Japão anunciou uma série de medidas após a reunião de política monetária, incluindo ampliar a banda em que os rendimentos dos títulos do governo japonês podem flutuar. Agora, o rendimento pode flutuar entre -0,25% e 25%.

Os preços do petróleo também estão no foco dos investidores, após uma forte queda na quinta. Os barris tipo WTI (West Texas Intermediate) e Brent se desvalorizaram mais de 7%, mas hoje sobem em recuperação.

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A queda nas cotações ocorreu após a perspectiva sobre a demanda de petróleo cru ser reduzida, com informações sobre aceleração de infecções por coronavírus e a implementação de medidas de lockdowns na Europa.

No início do mês, a Alemanha estendeu as medidas de lockdown até 28 de março. Na segunda, a Itália voltou a implementar medidas do tipo. Pela manhã desta sexta, Paris anunciou o estabelecimento de novas medidas de lockdown. O primeiro-ministro da França, Jean Castex, afirmou que parece cada vez mais provável que uma “terceira onda” de infecções esteja acometendo o país.

A Agência Europeia de Medicamentos divulgou um novo relatório a respeito da segurança da vacina desenvolvida em parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford, após serem apontados cerca de 30 casos de coágulos sanguíneo e baixa contagem de plaquetas entre pessoas que haviam recebido a vacina.

Anteriormente, a agência já havia ressaltado que “muitas milhares de pessoas desenvolvem coágulos sanguíneos todo ano na União Europeia, por diversos motivos”, e que o número de incidentes entre aqueles vacinados “não parece ser mais alto do que o observado na população em geral”.

Após a análise dos casos, a diretora da instituição, Emer Cooke afirmou na quinta que o comitê de segurança chegou a uma “conclusão científica clara”, e não encontrou sinais de que a vacina teve associação com aumento de risco de coágulos sanguíneos.

Mas afirmou que a agência identificou “um pequeno número de casos raros e anormais, mas muito sérios, de transtornos de coagulação”. Cooke disse que a agência não poderia “descartar definitivamente uma ligação entre esses casos e a vacina”.

E que um aviso nas informações do imunizante poderia chamar atenção para “possíveis casos raros”, para ajudar vacinados e profissionais de saúde a “evitar e mitigar quaisquer efeitos colaterais possíveis”. Com isso, a vacinação na Europa foi retomada.

Por outro lado, o sentimento dos consumidores no Reino Unido atingiu o patamar mais positivo em um ano em março, de acordo com uma pesquisa da GfK. Os resultados sinalizam a esperança quanto a uma recuperação eminente da economia, à medida que o país se prepara para suspender medidas de lockdown nos próximos meses.

Novos recordes nas médias de casos e mortes

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Pelo 20º dia seguido, o Brasil bateu na quinta (18) seu recorde na média móvel de mortes por Covid em 7 dias, com a marca de 2.096, alta de 47% em comparação com a média de 14 dias antes. A marca de 2.000 mortes na média foi ultrapassada pela primeira vez na quarta. E o patamar de 1.500 mortes na média, na semana retrasada.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de quinta, o avanço da pandemia em 24 h no país. Em um único dia foram registradas 2.659 mortes.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 71.904, alta de 22% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia houve 87.169 diagnósticos.

Até quinta, 10.984.488 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a covid no Brasil, o equivalente a 5,19% da população. A segunda dose foi aplicada em 4.027.123 pessoas, ou 1,9% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

Na quinta-feira, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), anunciou que a cidade registrou a primeira morte de um paciente aguardando por uma vaga em UTI (unidade de terapia intensiva).

475 pessoas aguardam na fila por leitos de UTI na cidade. Bruno Covas e o secretário de Saúde Edson Aparecido anunciaram a que três “hospitais de catástrofe” serão destinados exclusivamente a pacientes de Covid. Serão criados 640 leitos até esta sexta.

Segundo o jornal O Globo, ao menos 116 cidades do país têm falta de oxigênio, e há escassez em 18 estados de medicamentos usados para intubação de pacientes.

Segundo pesquisa Datafolha realizada por telefone com 2023 pessoas nos dias 15 e 16 e divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, 79% da população vê a pandemia como fora de controle. Em janeiro, eram 62%. Além disso, 55% relataram ter muito medo de contrair o vírus, contra 44% no levantamento anterior.

No Rio, o prefeito Eduardo Paes (DEM) decidiu fechar as praias e áreas de lazer no fim de semana já a partir deste sábado (20). A prefeitura estuda realizar um lockdown.

O senador Major Olimpio (PSL), de 58 anos, teve morte cerebral confirmada por médicos na quinta. Ele estava internado em São Paulo desde 3 de março com Covid. Olimpio é o terceiro senador vitimado pela doença. Um dos assessores do senador, Diego Freire, de 33 anos, está internado em estado grave por Covid, entubado em um hospital de Brasília.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o Ministério Público Federal afirmou que pretende investigar a distribuição pelo Ministério da Saúde de máscaras impróprias para o uso em hospitais, para servidores que trabalham na linha de frente da pandemia.

Na embalagem de algumas das máscaras alvo da investigação consta a advertência “non-medical”, ou seja, de uso não médico. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou que o equipamento não é adequado para profissionais de saúde.

Na quinta, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram que não cabe a um integrante do STF participar formalmente de uma comissão com representantes de outros Poderes para elaborar um plano de enfrentamento à pandemia de Covid, após convite feito pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao presidente da corte, Luiz Fux.

Em sua live semanal na quinta, Bolsonaro afirmou que o general Eduardo Pazuello deve deixar o comando do Ministério da Saúde nesta sexta. Ele será substituído pelo médico cardiologista Marcelo Queiroga, o quarto ocupante do cargo desde o início da pandemia.

“Quero cumprimentar o Pazuello, que está nos deixando amanhã [hoje] e fez um brilhante trabalho no Ministério da Saúde”, disse o presidente.

Pazuello é investigado criminalmente desde janeiro pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, em um inquérito que tramita no STF por suposta omissão no enfrentamento da pandemia na capital amazonense, e promoção de medicamentos sem eficácia comprovada.

Agora, há esforço para garantir uma saída honrosa ao ministro. De acordo com fontes com conhecimento do assunto ouvidas pela agência internacional de notícias Reuters, o Palácio do Planalto busca garantir a Pazuello um cargo com foro privilegiado.

O general já depôs na investigação sigilosa. Se deixar o cargo de ministro, perderia o foro privilegiado e passaria a ser investigado por procuradores de primeira instância que, ao menos durante a pandemia, têm tido uma atuação mais incisiva em relação a autoridades federais.

Na quarta, a Justiça Federal determinou que o governo federal se abstenha de veicular peças publicitárias sobre o enfrentamento à Covid que sugiram à população comportamentos que não estejam estritamente embasados em diretrizes técnicas e científicas, em julgamento de ação movida pelo Ministério Público Federal.

Em sua live na quinta, Bolsonaro não citou o nome de tratamentos sem eficácia cientificamente comprovada, como ivermectina e cloroquina, ou “tratamento precoce”, mas usou o termo “tratamento inicial”. Ele afirmou quem se usasse “a outra palavra”, seria crime.

“Você que não quer o tratamento inicial, remédio que mata piolho, fica na tua, deixa quem quer tomar”, disse Bolsonaro, em aparente referência à ivermectina, medicamento para tratar infestações por parasitas que é recomendado por Bolsonaro contra a Covid-19, apesar da falta de comprovação científica de eficácia.

Auxílio emergencial

A Medida Provisória 1.039, que renova o auxílio emergencial, confirma que o benefício vai variar entre R$ 150 e R$ 375. Ela prevê a possibilidade de prorrogação por quatro meses, desde que haja disponibilidade orçamentária. Bolsonaro pretendia ir pessoalmente ao Congresso entregar a medida, mas desistiu após a morte, por complicações pela Covid-19, do senador Major Olímpio.

Segundo o jornal Valor, Bolsonaro não aprovou, no entanto, o formato atual da reedição do BEM (Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda), que pretendia utilizar recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), que normalmente banca o seguro-desemprego.

A equipe econômica pretendia antecipar parte do benefício para que o trabalhador pudesse seguir empregado. Depois, passou a prevalecer a ideia de reformular as regras de concessão do seguro, de forma a fazer com que o FAT assumisse todo o custo, tornando o acesso ao benefício mais restritivo. Paulo Guedes vinha chamando o modelo de seguro-emprego.

Radar corporativo

As estatais voltam a chamar a atenção no noticiário corporativo. O Ministério da Economia indicou na noite de quinta-feira (18) Fausto de Andrade Ribeiro, atual diretor da BB Administradora de Consórcios, para a presidência do Banco do Brasil, que assume o cargo no lugar de André Brandão, que renunciou na véspera. A saída terá efeito a partir de 1 de abril.

A saída de Brandão marca o desfecho de um desgaste do executivo com o presidente Jair Bolsonaro após o BB ter anunciado em janeiro um plano para fechar 361 agências e abrir um programa de demissão voluntária para 5.000 funcionários, com objetivo de economizar R$ 2,7 bilhões até 2025. A mudança pode reforçar a percepção de investidores de ingerência do governo federal em estatais, cujas ações têm registrado grande volatilidade no mercado nas últimas semanas.

No radar de resultados, a Cyrela registrou lucro líquido de R$ 261 milhões no quarto trimestre, um salto de 75% ano a ano, resultado de crescimento das vendas e de efeitos ligados à venda de participação em companhias que estrearam na bolsa paulista no ano passado. Já a receita líquida do período cresceu 12,9% ante o quarto trimestre de 2019, a R$ 1,057 bilhão, performance apoiada no avanço de 34,1% das vendas, para R$ 1,86 bilhão.

A Cury, subsidiária da Cyrela e que abriu capital ano passado, lucrou R$ 68 milhões nos últimos três meses do ano, alta de 34,9% frente igual período de 2019.

A construtora Even registrou prejuízo líquido de R$ 89,273 milhões no quarto trimestre de 2020, revertendo o lucro de R$ 30,580 milhões no mesmo período do ano anterior.

Já a Hapvida teve lucro líquido de R$ 94,3 milhões no trimestre, queda de 55,2% em relação ao lucro líquido de R$ 210,6 milhões registrado nos últimos três meses de 2019.

Fora do radar de resultados, o  Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu aprovação final para a venda das usinas da Biosev à Raízen, informaram as companhias nesta quinta-feira em comunicados separados.

Petroleiros do Norte Fluminense, que atuam na Bacia de Campos, pediram ao Ministério Público do Trabalho que a Petrobras seja chamada a prestar esclarecimentos sobre o avanço da Covid-19 em plataformas de óleo e gás, após uma disparada de novos casos em unidades de produção desde o início de março, revertendo um movimento de queda visto no início do ano, apontaram dados da reguladora ANP (Agência Nacional do Petróleo).

Além disso, a Petrobras aprovou, em conjunto com suas parceiras Repsol Sinopec e Equinor, o conceito de desenvolvimento do bloco BM-C-33, localizado no pré-sal da Bacia de Campos e operado pela companhia norueguesa, informou a estatal na quinta. Segundo a Petrobras, foram descobertas três acumulações de gás e condensado (óleo leve) no bloco, a cerca de 200 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, denominadas Pão de Açúcar, SEAT e Gávea.

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Ibovespa Futuro tem leve alta após tombo na véspera enquanto investidores monitoram mudança no BB; dólar cai a R$ 5,53

mercado bolsa índices alta ações gráfico (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em leve alta nesta sexta-feira (19) com uma recuperação parcial após o tombo da véspera, quando sucumbiu ao pessimismo em Wall Street devido à disparada nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em 10 anos.

No radar, hoje os investidores repercutem a renúncia de André Brandão, que não será mais presidente do Banco do Brasil (BBAS3). O governo indicou Fausto Ribeiro, atual diretor da BB Administradora de Consórcios ao cargo.

Já no Congresso, continua o luto pela morte do senador major Olimpio (PSL-SP). Ele estava internado desde 3 de março para tratamento da Covid-19.

Cabe destacar que esta sexta marca o ‘Quadruple Witching’, nos EUA e na Europa, dia de vencimento simultâneo de contratos de opções, opções de índices, futuros de índices e futuros de ações, o que pode mexer com os volumes e volatilidade em dia com agenda sem tantos indicadores nos EUA.

Às 9h12 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em abril de 2021 tinha alta de 0,4%, a 115,755 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em queda de 0,7% a R$ 5,529 na compra e a R$ 5,53 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em abril registra perdas de 0,66% a R$ 5,527.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai quatro pontos-base a 4,55%, o DI para janeiro de 2023 tem queda de cinco pontos-base a 6,13%, o DI para janeiro de 2025 recua três pontos-base a 7,38% e o DI para janeiro de 2027 registra variação negativa de três pontos-base a 7,84%.

Voltando ao exterior, os rendimentos dos treasuries recuam a 1,689% ao ano após terem chegado a bater 1,75% no pregão anterior. A alta nos juros dos títulos pode sinalizar otimismo quanto à recuperação da economia, e perspectiva de aceleração da inflação.

No entanto, esse movimento tende a encarecer a tomada de empréstimos por empresas de rápido crescimento, como é o caso de muitas daquelas do setor de tecnologia.

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A alta torna o investimento em títulos do Tesouro relativamente mais atrativo, o que pode levar investidores a redirecionarem recursos do mercado de ações para o de títulos, considerado mais seguro por ser garantido pelo governo, que tem o poder de criar impostos.

Na Ásia, o Banco do Japão anunciou uma série de medidas após a reunião de política monetária, incluindo ampliar a banda em que os rendimentos dos títulos do governo japonês podem flutuar. Agora, o rendimento pode flutuar entre -0,25% e 25%.

Os preços do petróleo também estão no foco dos investidores, após uma forte queda na quinta. Os barris tipo WTI (West Texas Intermediate) e Brent se desvalorizaram mais de 7%, mas hoje sobem em recuperação.

A queda nas cotações ocorreu após a perspectiva sobre a demanda de petróleo cru ser reduzida, com informações sobre aceleração de infecções por coronavírus e a implementação de medidas de lockdowns na Europa.

No início do mês, a Alemanha estendeu as medidas de lockdown até 28 de março. Na segunda, a Itália voltou a implementar medidas do tipo. Pela manhã desta sexta, Paris anunciou o estabelecimento de novas medidas de lockdown. O primeiro-ministro da França, Jean Castex, afirmou que parece cada vez mais provável que uma “terceira onda” de infecções esteja acometendo o país.

A Agência Europeia de Medicamentos divulgou um novo relatório a respeito da segurança da vacina desenvolvida em parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford, após serem apontados cerca de 30 casos de coágulos sanguíneo e baixa contagem de plaquetas entre pessoas que haviam recebido a vacina.

Anteriormente, a agência já havia ressaltado que “muitas milhares de pessoas desenvolvem coágulos sanguíneos todo ano na União Europeia, por diversos motivos”, e que o número de incidentes entre aqueles vacinados “não parece ser mais alto do que o observado na população em geral”.

Após a análise dos casos, a diretora da instituição, Emer Cooke afirmou na quinta que o comitê de segurança chegou a uma “conclusão científica clara”, e não encontrou sinais de que a vacina teve associação com aumento de risco de coágulos sanguíneos.

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Mas afirmou que a agência identificou “um pequeno número de casos raros e anormais, mas muito sérios, de transtornos de coagulação”. Cooke disse que a agência não poderia “descartar definitivamente uma ligação entre esses casos e a vacina”.

E que um aviso nas informações do imunizante poderia chamar atenção para “possíveis casos raros”, para ajudar vacinados e profissionais de saúde a “evitar e mitigar quaisquer efeitos colaterais possíveis”.

Por outro lado, o sentimento dos consumidores no Reino Unido atingiu o patamar mais positivo em um ano em março, de acordo com uma pesquisa da GfK. Os resultados sinalizam a esperança quanto a uma recuperação eminente da economia, à medida que o país se prepara para suspender medidas de lockdown nos próximos meses.

Novos recordes nas médias de casos e mortes

Pelo 20º dia seguido, o Brasil bateu na quinta (18) seu recorde na média móvel de mortes por Covid em 7 dias, com a marca de 2.096, alta de 47% em comparação com a média de 14 dias antes. A marca de 2.000 mortes na média foi ultrapassada pela primeira vez na quarta. E o patamar de 1.500 mortes na média, na semana retrasada.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de quinta, o avanço da pandemia em 24 h no país. Em um único dia foram registradas 2.659 mortes.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 71.904, alta de 22% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia houve 87.169 diagnósticos.

Até quinta, 10.984.488 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a covid no Brasil, o equivalente a 5,19% da população. A segunda dose foi aplicada em 4.027.123 pessoas, ou 1,9% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

Na quinta-feira, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), anunciou que a cidade registrou a primeira morte de um paciente aguardando por uma vaga em UTI (unidade de terapia intensiva).

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475 pessoas aguardam na fila por leitos de UTI na cidade. Bruno Covas e o secretário de Saúde Edson Aparecido anunciaram a que três “hospitais de catástrofe” serão destinados exclusivamente a pacientes de Covid. Serão criados 640 leitos até esta sexta.

Segundo o jornal O Globo, ao menos 116 cidades do país têm falta de oxigênio, e há escassez em 18 estados de medicamentos usados para intubação de pacientes.

Segundo pesquisa Datafolha realizada por telefone com 2023 pessoas nos dias 15 e 16 e divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, 79% da população vê a pandemia como fora de controle. Em janeiro, eram 62%. Além disso, 55% relataram ter muito medo de contrair o vírus, contra 44% no levantamento anterior.

No Rio, o prefeito Eduardo Paes (DEM) decidiu fechar as praias e áreas de lazer no fim de semana já a partir deste sábado (20). A prefeitura estuda realizar um lockdown.

O senador Major Olimpio (PSL), de 58 anos, teve morte cerebral confirmada por médicos na quinta. Ele estava internado em São Paulo desde 3 de março com Covid. Olimpio é o terceiro senador vitimado pela doença. Um dos assessores do senador, Diego Freire, de 33 anos, está internado em estado grave por Covid, entubado em um hospital de Brasília.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o Ministério Público Federal afirmou que pretende investigar a distribuição pelo Ministério da Saúde de máscaras impróprias para o uso em hospitais, para servidores que trabalham na linha de frente da pandemia.

Na embalagem de algumas das máscaras alvo da investigação consta a advertência “non-medical”, ou seja, de uso não médico. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou que o equipamento não é adequado para profissionais de saúde.

Na quinta, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram que não cabe a um integrante do STF participar formalmente de uma comissão com representantes de outros Poderes para elaborar um plano de enfrentamento à pandemia de Covid, após convite feito pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao presidente da corte, Luiz Fux.

Em sua live semanal na quinta, Bolsonaro afirmou que o general Eduardo Pazuello deve deixar o comando do Ministério da Saúde nesta sexta. Ele será substituído pelo médico cardiologista Marcelo Queiroga, o quarto ocupante do cargo desde o início da pandemia.

“Quero cumprimentar o Pazuello, que está nos deixando amanhã [hoje] e fez um brilhante trabalho no Ministério da Saúde”, disse o presidente.

Pazuello é investigado criminalmente desde janeiro pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, em um inquérito que tramita no STF por suposta omissão no enfrentamento da pandemia na capital amazonense, e promoção de medicamentos sem eficácia comprovada.

Agora, há esforço para garantir uma saída honrosa ao ministro. De acordo com fontes com conhecimento do assunto ouvidas pela agência internacional de notícias Reuters, o Palácio do Planalto busca garantir a Pazuello um cargo com foro privilegiado.

O general já depôs na investigação sigilosa. Se deixar o cargo de ministro, perderia o foro privilegiado e passaria a ser investigado por procuradores de primeira instância que, ao menos durante a pandemia, têm tido uma atuação mais incisiva em relação a autoridades federais.

Na quarta, a Justiça Federal determinou que o governo federal se abstenha de veicular peças publicitárias sobre o enfrentamento à Covid que sugiram à população comportamentos que não estejam estritamente embasados em diretrizes técnicas e científicas, em julgamento de ação movida pelo Ministério Público Federal.

Em sua live na quinta, Bolsonaro não citou o nome de tratamentos sem eficácia cientificamente comprovada, como ivermectina e cloroquina, ou “tratamento precoce”, mas usou o termo “tratamento inicial”. Ele afirmou quem se usasse “a outra palavra”, seria crime.

“Você que não quer o tratamento inicial, remédio que mata piolho, fica na tua, deixa quem quer tomar”, disse Bolsonaro, em aparente referência à ivermectina, medicamento para tratar infestações por parasitas que é recomendado por Bolsonaro contra a Covid-19, apesar da falta de comprovação científica de eficácia.

Auxílio emergencial

A Medida Provisória 1.039, que renova o auxílio emergencial, confirma que o benefício vai variar entre R$ 150 e R$ 375. Ela prevê a possibilidade de prorrogação por quatro meses, desde que haja disponibilidade orçamentária. Bolsonaro pretendia ir pessoalmente ao Congresso entregar a medida, mas desistiu após a morte, por complicações pela Covid-19, do senador Major Olímpio.

Segundo o jornal Valor, Bolsonaro não aprovou, no entanto, o formato atual da reedição do BEM (Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda), que pretendia utilizar recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), que normalmente banca o seguro-desemprego.

A equipe econômica pretendia antecipar parte do benefício para que o trabalhador pudesse seguir empregado. Depois, passou a prevalecer a ideia de reformular as regras de concessão do seguro, de forma a fazer com que o FAT assumisse todo o custo, tornando o acesso ao benefício mais restritivo. Paulo Guedes vinha chamando o modelo de seguro-emprego.

Radar corporativo

As estatais voltam a chamar a atenção no noticiário corporativo. O Ministério da Economia indicou na noite de quinta-feira (18) Fausto de Andrade Ribeiro, atual diretor da BB Administradora de Consórcios, para a presidência do Banco do Brasil, que assume o cargo no lugar de André Brandão, que renunciou na véspera. A saída terá efeito a partir de 1 de abril.

A saída de Brandão marca o desfecho de um desgaste do executivo com o presidente Jair Bolsonaro após o BB ter anunciado em janeiro um plano para fechar 361 agências e abrir um programa de demissão voluntária para 5.000 funcionários, com objetivo de economizar R$ 2,7 bilhões até 2025. A mudança pode reforçar a percepção de investidores de ingerência do governo federal em estatais, cujas ações têm registrado grande volatilidade no mercado nas últimas semanas.

No radar de resultados, a Cyrela registrou lucro líquido de R$ 261 milhões no quarto trimestre, um salto de 75% ano a ano, resultado de crescimento das vendas e de efeitos ligados à venda de participação em companhias que estrearam na bolsa paulista no ano passado. Já a receita líquida do período cresceu 12,9% ante o quarto trimestre de 2019, a R$ 1,057 bilhão, performance apoiada no avanço de 34,1% das vendas, para R$ 1,86 bilhão.

A Cury, subsidiária da Cyrela e que abriu capital ano passado, lucrou R$ 68 milhões nos últimos três meses do ano, alta de 34,9% frente igual período de 2019.

A construtora Even registrou prejuízo líquido de R$ 89,273 milhões no quarto trimestre de 2020, revertendo o lucro de R$ 30,580 milhões no mesmo período do ano anterior.

Já a Hapvida teve lucro líquido de R$ 94,3 milhões no trimestre, queda de 55,2% em relação ao lucro líquido de R$ 210,6 milhões registrado nos últimos três meses de 2019.

Fora do radar de resultados, o  Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu aprovação final para a venda das usinas da Biosev à Raízen, informaram as companhias nesta quinta-feira em comunicados separados.

Petroleiros do Norte Fluminense, que atuam na Bacia de Campos, pediram ao Ministério Público do Trabalho que a Petrobras seja chamada a prestar esclarecimentos sobre o avanço da Covid-19 em plataformas de óleo e gás, após uma disparada de novos casos em unidades de produção desde o início de março, revertendo um movimento de queda visto no início do ano, apontaram dados da reguladora ANP (Agência Nacional do Petróleo).

Além disso, a Petrobras aprovou, em conjunto com suas parceiras Repsol Sinopec e Equinor, o conceito de desenvolvimento do bloco BM-C-33, localizado no pré-sal da Bacia de Campos e operado pela companhia norueguesa, informou a estatal na quinta. Segundo a Petrobras, foram descobertas três acumulações de gás e condensado (óleo leve) no bloco, a cerca de 200 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, denominadas Pão de Açúcar, SEAT e Gávea.

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