Dólar a R$ 4,50 ou R$ 5,40 em dezembro? Gestoras e bancos divergem sobre rumo cambial; confira suas alocações

SÃO PAULO – A taxa de câmbio foi criada por Deus apenas para humilhar os economistas. A frase atribuída a Edmar Bacha, um dos idealizadores do Plano Real, dá bem a dimensão da dificuldade que é acertar a projeção para a cotação do dólar ao fim de cada ano, haja vista a grande quantidade de variáveis que afetam sua oscilação.

No mercado local, o desafio para se prever para onde vai a moeda pode ser visto hoje na discrepância em estimativas de bancos e gestoras para a performance do real frente ao dólar, durante o segundo semestre do ano.

De um lado, estão os mais otimistas com o desempenho da divisa brasileira, devido ao aumento da taxa Selic e dos preços das commodities. Eles chegam a prever a cotação do dólar em uma faixa entre R$ 4,50 e R$ 4,75 até o fim de 2021.

É o caso, por exemplo, da gestora Persevera Asset Management e do banco francês BNP Paribas, que enxergam em apostas compradas (que ganham com a alta) no real uma boa estratégia para o investidor carregar hoje nos portfólios. Seja contra o dólar, caso da própria Persevera e da Kairós Capital, ou contra pares emergentes que negociem com um prêmio em relação ao real, como avaliam a Gap Asset e o BNP Paribas.

Já do outro lado, estão os mais pessimistas com o real, que preveem a moeda mais perto de R$ 5,30 a R$ 5,40 em um horizonte de seis a 18 meses, como o UBS BB e o JP Morgan Brasil.

No meio do caminho, a mediana das projeções para o dólar no mais recente relatório Focus, do Banco Central (BC), aponta a cotação da moeda americana a R$ 5,05 no fim de 2021, chegando a R$ 5,20 em dezembro do ano que vem.

Em meio a discussões sobre a reforma tributária no Brasil e as denúncias na CPI da Covid, bem como as preocupações com a inflação nos Estados Unidos, a divisa americana acumula alta de 2,3% em julho, até o dia 14, após a queda de 4,7% de junho, que levou o dólar à vista a escorregar para baixo dos R$ 5.

Blindado fiscalmente

No time dos que apostam em um fortalecimento do real, o aperto monetário em curso pelo Banco Central, que tem gradualmente trazido de volta o interesse do estrangeiro, e a forte alta das commodities, com impacto positivo sobre as contas externas, são os principais pilares que embasam a expectativa para o câmbio.

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Entre os mais otimistas, está Guilherme Abbud, sócio fundador e diretor de investimentos da Persevera. Ele acredita que o dólar tem espaço para tranquilamente testar o patamar de R$ 4,50 nos próximos seis meses, ou até abaixo disso, o que leva o gestor a carregar nos multimercados uma “importante” posição comprada na moeda brasileira. “Vai sobrar dólar”, prevê Abbud.

Segundo o gestor da Persevera, assim como houve um exagero quando a cotação encostou nos R$ 5,80 no primeiro semestre, no movimento de correção, é bem provável que o ponto neutro do câmbio, que o especialista calcula ao redor dos R$ 4,50, também seja furado.

“O mercado é marcado por movimentos de pêndulos, de exageros para um lado, que, algum tempo depois, são compensados para o outro”, afirma Abbud, acrescentando que a expectativa fora do consenso para o câmbio se deve a uma visão também mais positiva que os pares quanto à situação fiscal do país.

A soma das reformas nos últimos anos, além de uma taxa de juros estruturalmente menor, faz com que o Brasil seja mais blindado fiscalmente do que muitas vezes o mercado precifica, afirma Abbud.

André Digiacomo, estrategista de juros e moedas para América Latina do BNP Paribas, também vê espaço para uma apreciação do real, tendo como pano de fundo a alta da taxa Selic acompanhada de uma balança comercial cada vez mais forte.

“Existe uma discrepância entre a velocidade com que melhoraram as contas externas e a velocidade com que a moeda apreciou”, afirma.

Em junho, o BNP Paribas revisou sua estimativa para o câmbio no fim do ano, até então de R$ 4,50 em dezembro, para R$ 4,75. O motivo do reajuste está relacionado aos riscos despertados pelo ambiente global, mais especificamente o eventual início considerado prematuro do aperto monetário pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Na visão de Digiacomo, mais do que uma valorização do real frente ao dólar, que pode vir a surpreender em meio ao debate sobre alta de juros nos Estados Unidos, o maior potencial de ganhos está em posições compradas em moedas de países emergentes exportadores de commodities (como Brasil, Rússia, África do Sul, Colômbia e Malásia), com contrapartes vendidas (que ganham com a queda) em emergentes importadores das matérias-primas, como Tailândia, Taiwan, República Tcheca e Polônia.

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Com o enxugamento da liquidez global no horizonte, mas com uma visão positiva para a moeda brasileira, Renato Junqueira, CIO da Gap Asset, também defende que apostar na valorização do real não contra o dólar, mas ante pares emergentes, se mostra a melhor estratégia hoje no câmbio.

“A descompressão do estresse fiscal, com uma política monetária mais apertada, dá as condições para fazer com que a moeda brasileira devolva um pedaço da performance abaixo da média que teve contra os pares”, afirma Junqueira.

O CIO conta que tem carregado nos multimercados da Gap posições compradas no real contra moedas de países como México, Chile, Colômbia, África do Sul e Austrália, que, pelos cálculos do especialista, ainda estão entre 15% e 20% sobrevalorizadas em relação à divisa brasileira.

Fiscal e eleições

Na ala dos que não se mostram assim tão confiantes com o fortalecimento do real, está o JP Morgan Brasil. O banco prevê o dólar negociado a R$ 5,40 em dezembro.

Durante participação em live do Melhores da Bolsa 2021, Cassiana Fernandez, economista-chefe do JP Morgan Brasil, disse que, conforme se aproximar o fim do ano, a tendência é termos um ambiente mais delicado para os ativos brasileiros por conta do risco fiscal, com os investidores atentos ao debate sobre o Orçamento do ano eleitoral.

A maneira como se dará a utilização do provável aumento de gastos para 2022, ainda que amparado pelo teto, é uma incógnita, destacou Cassiana.

“Sabemos que, se existir espaço para os políticos [aumentarem os gastos] durante o ano eleitoral, esse espaço vai ser usado. E ainda temos uma incerteza grande se [esses recursos] serão utilizados da melhor forma, que aumente a eficiência da economia e o crescimento. Isso não está claro”, afirmou a economista-chefe.

Fabio Ramos, economista do banco de investimento UBS BB, projeta que as oscilações do dólar sigam ainda relativamente comportadas durante o segundo semestre, mas com um aumento da volatilidade a partir de 2022, à medida que o debate eleitoral no Brasil e sobre os juros nos Estados Unidos aumente a aversão ao risco.

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O banco trabalha com uma projeção para o câmbio de R$ 5,00 no fim deste ano, subindo para R$ 5,30 até dezembro de 2022.

Segundo o economista do UBS BB, o valor justo para o dólar apontado pelos modelos matemáticos rodados internamente pela equipe está mais perto dos R$ 4,50, tomando como base as principais variáveis macroeconômicas conhecidas hoje. No entanto, as incertezas que rondam o país sobre as novas variantes do coronavírus, ou sobre os rumos que as eleições podem vir a tomar em 2022, levam a estimativa para níveis mais elevados.

No BNP Paribas, Digiacomo também vê o risco político como um fator que tende a colocar pressão sobre o real, ainda que apenas momentânea.

Embora trabalhe com uma projeção de R$ 4,60 no fim de 2022, a estimativa do BNP Paribas é que a cotação do dólar, influenciada pelo ruído político, chegue a encostar nos R$ 4,90 em meados do terceiro trimestre do ano que vem.

Curto prazo x Longo prazo

Com o início das operações neste ano, a gestora Meraki Capital esteve a maior parte do tempo com uma posição comprada em dólar, isto é, com a aposta no fortalecimento da moeda americana em relação à brasileira.

Dois meses atrás, contudo, a alocação foi desfeita e hoje a casa focada em ações tem optado apenas por posições táticas, em meio a incertezas mais elevadas com o câmbio.

Embora goste da equação comprada em Bolsa e em dólar, Roberto Reis, sócio-fundador e CIO da Meraki Capital, vê a moeda brasileira defasada em relação a divisas de outros mercados emergentes, o que pode abrir espaço de alta no curto prazo.

O problema é que, em um horizonte mais longo de tempo, a gestora ainda vê o dólar próximo a R$ 5,00 como um ótimo patamar para compra. “Nosso crescimento é cíclico, não estrutural. Não consigo ver o investidor muito animado com o Brasil para o médio e o longo prazo, considerando a eleição”, diz Reis.

No caso da Kairós Capital, o sócio e diretor de investimentos, Fabiano Godoi, afirma que, embora também siga com uma visão cética para a evolução do quadro fiscal e eleitoral do país, nos níveis atuais, entende que ainda faz sentido manter uma posição comprada no real, já no portfólio dos multimercados desde o início do ano.

Na avaliação do gestor da Kairós, apesar das incertezas sobre a condução das contas públicas, a moeda brasileira negociada abaixo de R$ 5 parece mais condizente com as condições macroeconômicas do país.

De toda forma, em linha com o gestor da Meraki, Godoi ressalta que a visão favorável para o câmbio se deve mais a uma janela de oportunidade que enxerga para o mercado local, do que a uma evolução estrutural da economia brasileira.

Oposição na Verde Asset

As incertezas em relação aos rumos do dólar são tantas, que não se restringem apenas às divergências entre diferentes casas.

Luiz Parreiras, gestor dos fundos multimercado de previdência da Verde Asset, disse durante live da gestora ao fim de junho que ele e Luis Stuhlberger têm divergido quanto à tendência esperada para o câmbio.

Enquanto Stuhlberger vê espaço para um fortalecimento da moeda brasileira, Parreiras entende que existem fatores importantes que agem na direção contrária.

Entre eles, o fato de a poupança do brasileiro ainda estar quase toda investida no mercado doméstico. Com os juros em níveis estruturalmente mais baixos no país, a tendência, prevê o gestor, é que o fluxo de capital em busca de melhores retornos além-mar impeça uma apreciação significativa do real.

“Assumindo que o Brasil consiga manter taxas de juros reais e nominais relativamente controladas, o processo de diversificação para o exterior vai manter o real talvez estruturalmente mais barato até do que  a experiência dos últimos 20 anos, onde historicamente o real esteve sempre um pouco caro”, disse Parreiras.

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Bancos estrangeiros elevam fortemente exposição a ações do Brasil em carteiras para a América Latina: otimismo está de volta?

grafico (Getty Images)

SÃO PAULO – Ainda longe de controlar a pandemia e tendo superado na última semana a triste marca de 500 mil mortos por coronavírus, o Brasil ainda tem muitos desafios a serem superados para enfrentar a doença e retomar a atividade econômica normalmente.

Porém, com uma maior expectativa de aceleração da vacinação – que ainda anda a passos lentos e bem atrás dos países desenvolvidos, com apenas 11% da população vacinada com duas doses – e sinais de resiliência da economia e das empresas da Bolsa, diversos bancos estrangeiros têm elevado a sua exposição ao Brasil em suas carteiras estratégicas para a América Latina. Porém, não sem destacar os riscos que estão no radar.

Em linha com esse movimento, no acumulado de junho até o fechamento do último dia 22, os estrangeiros têm um saldo positivo (entre saídas e entradas) de R$ 14,22 bilhões em recursos na B3, caminhando para fechar o mês como o terceiro de entrada de capital externo. No acumulado do ano, o saldo positivo é de R$ 49,417 bilhões.

Nas últimas duas semanas, UBS, JPMorgan e Bank of America elevaram a exposição para o Brasil em suas carteiras para a América Latina para acima da média frente outras economias da região (ou o chamado “overweight”, exposição acima da média do mercado).

David Beker, Carlos Peyrelongue e Paula Andrea Soto, do BofA, que fazem parte da equipe de estratégia e de análise do banco americano, destacaram a revisão em suas projeções para o PIB brasileiro, de alta de 3,4% para 5,2% em 2021, apontando que ainda há viés positivo. A exposição anterior era marketweight (em linha com a média do mercado).

Em seguida, o JPMorgan também elevou a sua exposição para overweight dentro do portfólio para a América Latina, após ter reduzido a exposição para neutra em março deste ano.

De acordo a equipe estratégica do JP, liderada por Emy Shayo, embora o Federal Reserve tenha sido um pouco mais agressivo do que o esperado ao sinalizar alta de juros em 2023 (o que poderia prejudicar os emergentes), o crescimento provavelmente continuará a dar o tom nos próximos meses. “Essa dicotomia global favorece ações, mercados emergentes, [ativos categorizados como de] valor, commodities e ciclicidade”, afirma.

Além disso, o potencial de mais revisões de alta para a economia brasileira ainda é possível, avaliam os estrategistas, uma vez que dados de varejo e serviços vieram melhores do que o esperado em abril, apesar das restrições de mobilidade. “O maior crescimento ajuda a impulsionar os lucros mas, mais importante, deve levar a revisões de lucros para cima”. E esse cenário conta ainda com a melhora no ritmo de vacinação contra a covid-19 no Brasil, destacou a equipe de estratégia.

O banco suíço UBS também elevou o Brasil para overweight com revisões positivas para o PIB, melhora fiscal, perspectivas mais positivas para a vacinação, a visão mais favorável para alta de lucros entre os emergentes e valuation atrativo. A projeção do PIB dos economistas do banco para 2021 passou de alta de 4,5% para 5,8%.

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Mas, além de estarem mais otimistas com o cenário nacional em si, a perspectiva de aumento de risco em outros países da região por conta dos ruídos políticos também tem favorecido o aumento da exposição em Brasil dentro do portfólio da América Latina, ao lado do México. Enquanto isso, Chile, Colômbia e Peru veem suas participações nas carteiras estratégicas perderem espaço.

O BofA cortou a exposição do Chile a “underweight” (ante “overweight”) após os resultados das eleições constitucionais e locais naquele país. México teve a recomendação mantida em “overweight”, assim como Colômbia continuou com marketweight (exposição em linha com a média do mercado).

Já os estrategistas do JPMorgan zeraram a sua exposição ao Peru, enquanto a participação do argentino Mercado Livre (MELI34) foi reduzida. Além do Brasil, o JP também tem exposição overweight em México, enquanto tem exposição “em linha” ao Chile, e “abaixo” em Colômbia e Peru.

O UBS, por sua vez, reduziu Chile de exposição “neutra” para “abaixo da média”, devido ao aumento das incertezas políticas
antes das eleições presidenciais de novembro de 2021, renovadas restrições de mobilidade, expectativa de que alta do lucro possa ter atingido o pico e um valuation menos atrativo.

Os estrategistas do banco permaneceram neutros para o Peru: “embora as incertezas eleitorais e políticas tenham subido substancialmente depois que Pedro Castillo, de esquerda, angariou o maior número de votos na eleição presidencial [contra a direitista Keiko Fujimori], a recente liquidação do mercado sugere que muitos desses riscos estão precificados”, apontam. O banco seguiu underweight em Colômbia dada a crescente agitação social.

Assim como as outras duas instituições financeiras, o UBS manteve exposição overweight em relação ao México, “um grande beneficiário da recuperação econômica dos Estados Unidos, com nossa equipe de economia atualizando a projeção de crescimento do PIB em 2021 de 5,6% para 6,3%”. A dinâmica de lucros diminuiu um pouco, mas o UBS avalia como temporário.

Otimismo cauteloso, mas melhorou

Ainda que muitas das revisões de portfólio também tenham sido motivados por uma piora relativa em outros países, a elevação da exposição do Brasil também passa pela melhora do cenário doméstico.

Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head do Research da XP, e Caio Megale, economista-chefe da XP, destacaram em relatório as visões dos estrangeiros sobre o país após uma rodada de reuniões com investidores “gringos”.

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Após um começo de ano muito pessimista, o sentimento melhorou. Porém, destaca o relatório, assinado por Ferreira, não há euforia: o sentimento ainda é  “cautelosamente otimista”.

Ferreira lembra que o Brasil chegou a ter a pior Bolsa e a pior moeda do mundo em performance em meados de fevereiro, também vendo cerca de R$ 12 bilhões de fluxo de estrangeiros deixando o país no período com a segunda onda da pandemia dando sinais claros de aceleração, o Brasil flertando com o estouro do teto de gastos sem sinais de aprovação do orçamento de 2021 (nem da PEC emergencial) e o governo passara a intervir nas estatais (Banco do Brasil, saída do CEO da Eletrobrás, e finalmente na Petrobras). Além disso, o cenário para o consumidor brasileiro parecia muito ruim, com uma combinação de inflação alta, crescimento baixo e fim dos auxílios emergenciais. Enquanto isso, reformas ou privatizações pareciam um sonho distante.

De lá pra cá, muita coisa mudou, e para melhor, afirma o estrategista da XP.

“Os números fiscais do governo têm melhorado consistentemente, a economia deu sinais de clara recuperação, levando a uma grande revisão pelo mercado, que já espera um crescimento acima de 5% para o ano – e com viés de alta. O Congresso voltou a avançar na discussão de reformas e privatizações – o Senado aprovou na última quinta feira a MP da Privatização da Eletrobras. O ciclo das commodities também continuou a melhorar , trazendo bons ventos para a economia brasileira, além de ajudar a trazer o câmbio de volta ao patamar de R$ 5 e a impulsionar os 36% da Bolsa brasileira representada pelas empresas ligadas às commodities”, avalia.

Por outro lado, as principais dúvidas que a XP ouviu dos investidores foram, na ordem: 1) as eleições de 2022, 2) o cenário fiscal de curto e longo prazo (há melhoras hoje, mas qual a chance de se deteriorar novamente), 3) a trajetória esperada para a taxa de câmbio e 4) quais setores para se investir no momento – commodities, doméstico, ações de valor ou de crescimento?

“As dúvidas mostram que o investidor estrangeiro ainda não está indo ‘all-in’ no Brasil, e vários receios ainda persistem em relação ao futuro. Isso nos indica que o fluxo forte que tivemos até agora na Bolsa pelos estrangeiros foi uma redução da posição underweight em Brasil, dado que os estrangeiros estavam fora do país de forma relevante já há alguns anos”, aponta Ferreira.

O estrategista-chefe da XP lembra que, em 2007, o Brasil chegou a ter quase 20% de peso no índice de Mercados Emergentes (MSCI). Esse peso hoje se encontra em 4,6%, sendo o 6º país mais relevante do índice, atrás de Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul, Índia e China. O índice de mercados emergentes se tornou primordialmente um índice focado na Ásia nos últimos anos, enquanto a América Latina vêm perdendo espaço consistentemente no índice – e nas carteiras de investidores globais, como consequência.

A percepção dos investidores é que a maioria deles ainda segue com uma carteira mais defensiva, e expostos a empresas de alta qualidade e de crescimento, e com uma baixa exposição aos grandes setores da Bolsa, como os setores de bancos e commodities. Assim sendo, caso essas “large caps” continuem subindo, a impressão é de que haveria mais fluxo para esses setores, pelo baixo posicionamento dos investidores neles.

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A XP segue construtiva em relação ao Brasil e aos ativos brasileiros. “Acreditamos que a aceleração da vacinação e da economia deve seguir impulsionando as empresas ligadas ao setor doméstico, e levando à revisões positivas de lucros pelo mercado. O ciclo de commodities – caso continue – também deve seguir impulsionando tanto esses setores, quanto a economia como um todo, pelo seu grande efeito indireto. Além disso, os ativos brasileiros ainda seguem baratos, tanto em relação ao seu histórico, quanto em relação a outros países (principalmente Bolsa e câmbio)”, aponta Ferreira.

Para o estrategista-chefe da XP, o sentimento – e o posicionamento – dos investidores ainda está longe de um sentimento de euforia e grande otimismo em relação ao Brasil. Isso indica que há mais fluxo potencial para vir ao Brasil, caso o cenário macro e micro siga melhorando.

O JPMorgan, reforçando maior otimismo, elevou na sequência do aumento de exposição ao Brasil a sua projeção para o Ibovespa de 134 mil para 140 mil pontos ao final de 2021 – ou uma alta de 9% em relação ao fechamento da véspera. Entre os riscos no radar, os estrategistas destacaram a normalização da política monetária no mundo – incluindo o próprio Brasil -, além do cenário político, com destaque para as eleições.

Ações em destaque

Com a perspectiva, no geral, mais otimista para o Brasil, os estrategistas também destacaram quais as ações que eles veem como ganhadoras no cenário de reabertura econômica com aumento do ritmo de vacinação e, por consequência, aceleração da atividade.

Em relação aos setores de destaque, o JP apontou preferência pelo financeiro e de commodities. “Os lucros estão altos, as revisões de lucros estão em alta e os múltiplos estão baixos. É verdade que se deve a finanças e commodities, mas é exatamente onde estamos aumentando a exposição Brasil em nosso portfólio de modelos”, destacou o banco.

No portfólio para a América Latina, os estrategistas do BofA acrescentaram as ações da Natura (NTCO3), que já pertenciam ao portfólio Brasil. Além disso, elevaram a exposição a grandes bancos já na carteira, como Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e também Banco do Brasil (BBAS3) por conta dos sinais de recuperação macroeconômica, melhora da dinâmica de lucros, valuation barato e desempenho abaixo do mercado desde o início da pandemia. “Embora os casos de reabertura e de bancos tenham se recuperado amplamente no mês passado, elas continuam para trás na comparação com as cotações do início da pandemia”, avaliam.

Por outro lado, eles seguem mais cautelosos com setores como de serviços, companhias aéreas e shoppings. Também adicionaram exposição à recuperação econômica do Brasil por meio da Energisa (ENGI11) e removeram a BRF (BRFS3) após a forte alta recente.

Beker, Peyrelongue e Paula também afirmam que continuam gostando de cases relacionadas à inflação conforme o mundo se reabre, como commodities, Hypera (HYPE3) e Carrefour (CRFB3).

Além disso, mantiveram alocação para a Vale (VALE3) por conta do valuation, enquanto possuem exposição ao petróleo por meio da colombiana Ecopetrol e também adicionaram a brasileira Petrobras (PETR4), à medida que avaliam que o ruído político diminui. Não vendo catalisadores de curto prazo, o BofA removeu exposição ao setor de papel e celulose, excluindo a brasileira Klabin (KLBN11) e a chilena CMPC.

Entre as ações brasileiras que estão na carteira de doze ações da América Latina para ganhar com a tese de reabertura, os estrategistas possuem exposição em Bradesco (BBDC4), BR Distribuidora (BRDT3), Cosan (CSAN3), Hapvida (HAPV3), Itaú Unibanco (ITUB4), PagSeguro (essa negociada na Nasdaq), TIM (TIMS3) e Vale (VALE3), totalizando oito papéis do país no portfólio.

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UBS prevê queda nos preços de minério de ferro e rebaixa Rio Tinto

Não faz muito tempo que o grande debate nos mercados era sobre se haveria um novo superciclo das commodities. Mas analistas do UBS agora sinalizaram o oposto, rebaixando a ação da gigante da mineração Rio Tinto de neutro para venda, sob a justificativa de que o preço minério de ferro está se aproximando de um ponto de inflexão.

As cotações subiram de US$ 80 a tonelada em 2019 para cerca de US$ 220, mas analistas liderados por Myles Allsop projetam que elas podem cair até 50%.

Problemas de oferta no Brasil, primeiro causados pelo desastre da barragem de Brumadinho (MG) e depois exacerbados pela pandemia de covid-19, estão sendo revertidos, de acordo com os especialistas do banco suíço.

Além disso, a China atua para conter a valorização das commodities, incluindo o aço, vendendo reservas domésticas e pressionando agentes do setor a não elevarem os preços. Os analistas apontam ainda que os estoques de minério de ferro no país asiático estão em alta.

De acordo com a análise, à longo prazo, a capacidade latente das principais empresas do setor, incluindo Vale, Rio Tinto e BHP, aumentará ainda mais a oferta. A China também está propondo maior uso de sucata de aço e a construção de uma rodovia na Guiné deve tornar o país africano um exportador de minério de ferro até o fim da década.

Por volta das 8h30 (de Brasília), a ação da Rio Tinto caía 1,36% na Bolsa de Londres.

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Goldman e UBS apostam em mais ganhos para commodities

petróleo bomba plataforma índices preços queda baixa óleo (Getty Images)

(Bloomberg) — O forte rali das commodities tem sido um ponto marcante dos mercados globais em meio à reabertura das economias na pandemia e há mais espaço para ganhos, segundo o Goldman Sachs e UBS.

Os preços das matérias-primas devem subir 13,5% nos próximos seis meses, de acordo com relatório do Goldman Sachs, que prevê um salto sem precedentes da demanda global por petróleo e o cobre em nível recorde. O UBS projeta ganho acima de 10% para as commodities.

“A magnitude da esperada variação no volume da demanda – uma variação que a oferta não pode acompanhar – não deve ser subestimada”, disseram analistas do Goldman como Jeffrey Currie e Damien Courvalin em relatório de 28 de abril. Os níveis de atividade têm se acelerado, impulsionados pela distribuição de vacinas, e também haverá aumento sazonal em manufatura e construção até junho, disseram.

Os preços das matérias-primas, do petróleo aos metais, dispararam este ano diante da recuperação da economia global do abalo causado pela pandemia. Os mercados de energia também foram auxiliados pelos limites da oferta impostos pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados, embora esses cortes da produção serão gradualmente revertidos partir do próximo mês. A demanda é tão forte que os mercados “olharam além” da atual crise de Covid-19 na Índia, de acordo com o Goldman.

Haverá uma recuperação sem precedentes da demanda global por petróleo, o que apoia a previsão de preços mais altos da commodity até meados do ano, disse o banco. O consumo mundial deve aumentar 5,2 milhões de barris por dia nos próximos seis meses, o que levaria o petróleo tipo Brent para US$ 80 o barril, estima o Goldman.

No geral, as cotações das matérias-primas devem subir 13,5%, com previsão de que o cobre alcance US$ 11.000 a tonelada, de acordo com o relatório do Goldman. O metal, visto como termômetro da economia mundial, atingiu US$ 9.812 em Londres. O recorde atual de US$ 10.190 foi registrado em 2011.

O Goldman destacou que os preços de curto prazo são negociados acima das cotações para entrega em data futura em metade do complexo de commodities, um padrão altista e conhecido como “backwardation” que, segundo o banco, “mostra como os mercados de commodities estão cada vez mais apertados”.

O UBS disse à Bloomberg Television que os ganhos futuros das commodities serão apoiados por fortes dados macroeconômicos, aumento da demanda por cobre e contínua disciplina na oferta da aliança Opep+.

“Espero alta acima de 10% para as commodities, principalmente impulsionadas pelo lado da energia e matérias-primas”, disse Dominic Schnider, analista da UBS Global Wealth Management.

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Mercado deve esperar outra rotação global de ações, diz UBS

(Bloomberg) — Condições financeiras mais apertadas devem resultar em retornos mais baixos nos mercados globais, ao mesmo tempo em que podem favorecer ações de crescimento em relação aos papéis de valor, segundo o UBS.

Crescimento e lucros terão mais peso para os retornos no próximo trimestre, disseram estrategistas como Bhanu Baweja em relatório na segunda-feira. Com os juros reais e spreads de crédito atingindo um piso, isso sinalizará o fim do período favorável de liquidez, disseram.

“Embora essas mudanças não impliquem uma grande redução, representam uma alteração importante na natureza do rali”, escreveram os estrategistas, acrescentando que a alta liquidez é o que tem mais contribuído para os ganhos do mercado.

O recente aumento dos rendimentos reais dos Treasuries soou o alarme entre investidores, que veem os juros reais negativos como a pedra angular do rali dos ativos de risco, que levou os índices acionários globais a máximas históricas. Embora rendimentos reais mais altos indiquem que a economia está ganhando força, podem levar a um aperto das condições financeiras e à mudança na alocação de ativos.

O rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA protegidos contra a inflação (TIPS) de 10 anos atingiu 0,77% negativo na semana passada, em relação a 1,08% negativo em 11 de fevereiro.

“Um pequeno aumento dos juros reais provavelmente não será uma grande preocupação, mas, à medida que as taxas reais se aceleram, cada movimento incremental se torna mais desafiador para os mercados”, escreveram Baweja e equipe.

A “mudança de fase” de um mercado movido pela liquidez para um baseado no crescimento e nos lucros virá com o pico do “entusiasmo da inflação” e precederá qualquer redução dos estímulos pelo Federal Reserve, de acordo com a equipe do UBS.

Uma análise de movimentos semelhantes, quando fatores de liquidez passam a ser neutros depois de um período de afrouxamento monetário, sugere retornos mais baixos no mercado e ações de crescimento superando marginalmente o desempenho de papéis de valor, disse o UBS.

O dólar geralmente registra ganhos modestos em relação às moedas de mercados emergentes, e uma rotação dos EUA em direção a outros mercados torna-se menos atraente, escreveram os estrategistas.

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UBS BB fecha acordo de colaboração com argentino Banco Patagonia

(Bloomberg) — O UBS BB Investment Bank, uma joint venture entre o UBS Group AG e o Banco do Brasil SA (BBAS3) para a América do Sul, chegou a um acordo de colaboração com o Banco Patagonia SA da Argentina.

O acordo inclui negócios de banco de investimento, como assessoria em fusões e aquisições, trading, originação e distribuição de títulos de dívida e ações, de acordo com as empresas. Os clientes do UBS BB passam a ter mais acesso a serviços na Argentina, enquanto os clientes do Patagonia terão mais contato com investidores internacionais, empresas estrangeiras e mercados globais.

“Estamos entre os cinco maiores nos mercados locais da Argentina e agora pretendemos nos tornar o número 1 ou 2”, disse o presidente do Banco Patagonia, João Pecego, em uma entrevista.

O banco com sede em Buenos Aires é o sétimo maior da Argentina em ativos, com 1,2 milhão de clientes e presença em todos os estados. A instituição financeira, controlada pelo Banco do Brasil, tem expertise em securitizações de crédito local, conhecidas como fideicomisos, disse Pecego. Foi responsável por essas transações para governos locais, bem como empresas, incluindo MercadoLibre.

“Mas não temos uma plataforma global, que agora o UBS BB está nos fornecendo”, disse Pecego.

O acordo comercial pode levar serviços a mais de 42.000 empresas de médio porte e grandes empresas que já são clientes do Patagonia, disse Pecego.

O UBS está na Argentina há cerca de 50 anos, com foco em transações internacionais, e agora vê uma oportunidade de ganhar mais clientes corporativos locais e oferecer serviços usando a plataforma e corretora da Patagonia, disse Enrique Vivot, chefe do Cone Sul para o global banking do UBS BB e chairman da Argentina.

“O acesso ao capital internacional é muito importante para a Argentina neste momento de pandemia”, disse Vivot.

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O UBS participou de várias reestruturações na Argentina desde que o governo realizou suas própria renegociação de dívida em 2020. Trabalhou como assessor para detentores de títulos durante a reestruturação do governo federal, bem como para províncias e empresas como Aeropuertos Argentina 2000. Esses negócios ganharam mais destaque no ano passado do que a emissão tradicional de ações e dívidas, com a volatilidade agravada pela pandemia e controles cambiais.

Para 2021, Vivot espera que as reestruturações continuem e que as fusões e aquisições se intensifiquem em setores como financeiro, energia e petróleo e gás.

Os dois executivos disseram que a vacina contra o Covid-19 ajudará a melhorar os mercados este ano. Um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional e o fim gradual de controles de capital poderiam ajudar a trazer “curvas de volta ao normal”, de acordo com Vivot.

O UBS BB foi lançado em outubro para fornecer serviços de banco de investimento no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Paraguai e Uruguai, e corretagem institucional no Brasil. O acordo entre a joint-venture com sede em São Paulo e o Patagonia é semelhante a um assinado entre o UBS Securities e o banco de investimentos Inverlink, com sede na Colômbia, em setembro.

“O UBS está buscando parcerias em todo o mundo e a América do Sul está muito à frente nesse esforço” em comparação com outras regiões, disse Daniel Bassan, presidente executivo do UBS BB.

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UBS tem alta de 99% no lucro do 3º trimestre e ação sobe mais de 2% na Bolsa de Zurique

(Robert Alexander/Getty Images)

O UBS divulgou nesta terça-feira (20) que teve lucro líquido de US$ 2,09 bilhões no terceiro trimestre de 2020, número 99% maior do que o ganho obtido em igual período do ano passado. O resultado superou a expectativa de analistas, que previam lucro de US$ 1,56 bilhão entre julho e setembro.

As perdas com crédito do banco suíço no período foram de US$ 89 milhões, bem menores que as provisões de US$ 268 milhões e US$ 272 milhões feitas no primeiro e segundo trimestres.

Já a receita com investimentos do UBS saltou de US$ 1,75 bilhão no terceiro trimestre de 2019 para US$ 2,49 bilhões no mesmo intervalo deste ano, enquanto os ativos sob sua gestão cresceram de US$ 4,14 bilhões para US$ 4,28 bilhões.

O UBS também anunciou que pretende recomprar US$ 1,5 bilhão em ações próprias ao longo de 2021. Por volta das 4h10 (de Brasília), a ação do UBS subia 2,3% na Bolsa de Zurique. (Com informações da Dow Jones Newswires).

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Após reclamações, CVM abre processo para analisar relatório do UBS BB que derrubou as ações do IRB

SÃO PAULO – A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu processo para apurar denúncias feitas por diversos investidores motivada pela divulgação de um relatório de análise sobre o IRB (IRBR3) pelo UBS BB.

Na noite do dia 5 de outubro, o UBS BB publicou relatório em que retomou a cobertura para as ações do IRB, com recomendação de venda e preço-alvo de R$ 4,60. Meses antes, a recomendação era de compra, com preço-alvo de R$ 48. Ou seja, houve uma baixa de 90% no preço-alvo. No dia seguinte após a divulgação do documento, as ações da resseguradora caíram 17,11%, seguindo uma queda de 10,18% na sessão seguinte.

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Para os analistas do UBS BB, a avaliação de que a companhia terá um “novo normal” bem mais modesto a partir de agora motivou a recomendação de venda. Segundo o banco, a cotação por volta dos R$ 8,10 (perto do valor do fechamento da ação no dia 1 de outubro, antes da divulgação do relatório) não se justificaria, já que embute um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) de 20% e uma taxa de sinistralidade de 62% no longo prazo. Para os analistas Mariana Taddeo e Kaio Prato, esses números são muito altos frente à situação da companhia (veja mais clicando aqui).

O documento acabou gerando grande repercussão entre os investidores. Nas redes sociais, alguns perfis falaram sobre o volume elevado de posições “vendidas” (apostando na queda) nas ações e pediam que investidores fizessem denúncias à CVM. Também alegaram que a motivação para a divulgação do relatório foi prejudicar a concorrência; vale destacar que Bradesco e Itaú fizeram aporte de R$ 600 milhões no IRB via aumento de capital em agosto.

Ao InfoMoney, o UBS BB se posicionou sobre o tema através de porta-voz: “Apoiamos a qualidade de nossos relatórios e refutamos quaisquer alegações de conflito de interesse, juntamente com outras acusações infundadas que foram feitas. Acreditamos que nosso relatório é equilibrado, independente e fornece uma análise objetiva para nossos clientes institucionais.”

Vale destacar que é o procedimento que a CVM abra processo a respeito do tema quando há reclamação de investidores – no caso, foram cerca de 40 reclamações entre os dias 6 e 9 de outubro. Se encontrar alguma irregularidade, iniciará um processo administrativo sancionador. Caso contrário, o processo será arquivado.

A Comissão de Valores Mobiliários afirmou que zela pela orientação e proteção dos investidores, “que podem, sempre que necessário, buscá-la por meio dos canais de atendimento disponíveis” e também salienta que não faz juízo de valor com relação à quantidade de consultas ou reclamações, e que “todas as demandas são analisadas e respondidas”.

Ano difícil na Bolsa

Em um cenário de incertezas no radar, a maior parte dos analistas de mercado prefere manter cautela com o papel. De acordo com o consenso Bloomberg, apenas duas casas de análise recomendam compra para o ativo, quatro têm recomendação de manutenção e quatro de venda (ou equivalente).

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A ação do IRB registra um ano bastante difícil na Bolsa, com queda de cerca de 80% no acumulado do ano, na “lanterninha” do Ibovespa. Desde fevereiro, a companhia passa por diversos reveses, que começaram com os questionamentos da gestora Squadra sobre os resultados, passando pela polêmica após a notícia enganosa de que o megainvestidor Warren Buffett teria comprado ações da companhia, a saída de importantes executivos da companhia e a entrada de novos gestores que estão buscando “arrumar a casa”.

Abarcando esse período, a companhia ganhou um grande número de investidores de varejo no papel. A base de pessoas físicas entre os acionistas teve alta de 967%, passando de 27.12 em setembro de 2019, para 289.488 no fim de julho de 2020.

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O que esperar para o IRB em meio à montanha-russa das ações na Bolsa?

SÃO PAULO – Quem investiu nas ações do IRB (IRBR3) entre o fim de setembro e o começo de outubro em meio a uma maré de boas notícias para o ressegurador tomou um verdadeiro balde de água fria nas últimas duas sessões.

Afinal, após uma disparada de 60% entre o fechamento do dia 21 de setembro e do dia 5 de outubro, com as ações passando de R$ 5,41 para R$ 8,65 em apenas 10 pregões, os papéis IRBR3 registram o segundo dia de derrocada na B3, conforme destaca o gráfico abaixo. Na mínima desta quarta, o papel chegou a R$ 6,36 (-11,30%) e fechou a R$ 6,44 (baixa de 10,18%), acumulando uma queda de quase 26% em apenas dois dias. Com isso, o ativo IRBR3 firma-se como a maior queda do Ibovespa em 2020, registrando baixa superior a 80%.

Desempenho das ações do IRB nos últimos 30 dias (Fonte: Refinitiv)

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Tamanha volatilidade chamou a atenção inclusive da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que questionou a companhia sobre as fortes oscilações dos papéis, principalmente no pregão do último dia 6, quando as ações desabaram 17,11%. O volume negociado também foi muito forte, de R$ 1,3 bilhão, bem acima da média recente, de cerca de R$ 540 milhões nos últimos 21 dias.

O IRB respondeu na manhã desta quarta-feira (7) destacando a notícia que já era de conhecimento público na sessão anterior. O movimento de forte queda ocorreu por conta da retomada de cobertura das ações pelo UBS BB, com recomendação de venda e preço-alvo de R$ 4,60, o que configura uma queda de 47% em relação ao fechamento de segunda-feira, aos R$ 8,65, e de 36% frente o fechamento de terça (R$ 7,17).

Vale ressaltar que, antes de interromper a cobertura – suspensa após questionamentos da gestora Squadra e que desencadeou a descoberta de fraudes contábeis na empresa – a recomendação do UBS BB era de compra e o preço-alvo era de R$ 48. Ou seja, houve uma baixa de 90% no preço-alvo.

Com essa retomada de recomendação, o UBS BB dá dois sinais para o mercado: um positivo e outro negativo. Ao mesmo tempo que mostra uma confiança maior na atual gestão da companhia depois de meses turbulentos desde fevereiro, também indica que o IRB terá um longuíssimo caminho para percorrer.

Vale ressaltar que, em março, no auge da polêmica após a notícia enganosa de que o megainvestidor Warren Buffett teria comprado ações da companhia, muitas casas interromperam a sua cobertura para o ativo, esperando maior visibilidade sobre os verdadeiros números da empresa e também sinais da nova gestão, uma vez que os principais comandantes haviam saído em meio aos escândalos (veja mais clicando aqui).

Agora, com alguns números já apresentados e a nova gestão tornando-se mais transparente sobre o que esperar para a companhia, os analistas se dividem sobre o passo de recuperação na Bolsa.

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Para os analistas do UBS BB, a avaliação de que a companhia terá um “novo normal” bem mais modesto a partir de agora motivou a recomendação de venda em meio às fortes altas recentes. Segundo o banco, a cotação por volta dos R$ 8,10 (perto do valor do fechamento da ação na sexta-feira) não se justificaria, já que embute um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) de 20% e uma taxa de sinistralidade de 62% no longo prazo, alinhada à média registrada entre 2014 e 2019. Para os analistas Mariana Taddeo e Kaio Prato, esses números são muito altos frente à situação da companhia.

Para eles, a reconstrução do IRB ainda vai demorar, uma vez que a empresa ainda busca superar os problemas de governança corporativa. Além disso, o IRB deve desacelerar o ritmo de crescimento de prêmios, com a nova administração priorizando a rentabilidade.

A expectativa do banco é de que, após atingir um número negativo de 18,5% em 2020, o IRB registre um ROE positivo de 4% em 2021, ante média de 9,6% dos pares globais, que subiria para 12,3% em 2024, aí sim voltando a superar a média dos rivais globais (esperada para 11%).

Assim, o ROE ficaria bem abaixo da média histórica de 27% entre 2014-2019, principalmente pelos seguintes fatores: 1) abordagem mais conservadora da nova gestão para provisões; 2) acúmulo de capital (aumento de capital) e menor distribuição de dividendos para enfrentar a iliquidez regulatória; 3) custo de retrocessão potencialmente maior; 4) uma taxa de imposto efetiva mais alta em decorrência de sua menor exposição internacional; e 5) menor contribuição de ganhos não recorrentes. A retrocessão ocorre quando a resseguradora transfere parte dos seus riscos absorvidos a outros resseguradores ou até mesmo para seguradoras.

Neste cenário, enquanto o IRB deve diminuir o ritmo de crescimento de apólices premium, as margens dos contratos serão achatadas pela nova postura mais conservadora da nova gestão e também pela elevada taxa de sinistros. O UBS BB espera um índice de sinistralidade de 95,2% em 2020, 73% em 2021 e chegando a um patamar normalizado de 70% apenas em 2024 (considerado saudável para as empresas do setor). Enquanto isso, os resultados financeiros devem ser pressionados em um cenário em que as taxas de juros estão em patamares historicamente baixos.

Recuperação já em 2021?

A percepção de um cenário desafiador para a empresa não é exatamente uma novidade, com muitos analistas já mostrando ceticismo após os resultados do segundo trimestre (apresentados no fim de agosto), considerados fracos e que levaram inclusive a revisões de recomendação para baixo (veja mais clicando aqui).

Contudo, a recomendação do UBS BB acabou pegando muitos investidores de surpresa em meio ao noticiário dos últimos dias indicando que, a princípio, o pior poderia ter passado para a ação após as fortes registradas desde fevereiro.

Os dados não auditados e enviados à Superintendência de Seguros Privados (Susep), mostrando que a companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 62,4 milhões em julho, prejuízo bem menor do que os R$ 292,6 milhões registrados no mês anterior, animou o mercado. Vale destacar ainda que, excluindo o impacto dos negócios descontinuados, o lucro do mês seria de R$ 36 milhões.

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Seguiu-se a isso, no final de setembro, o noticiário de elevação do rating para brAAA pela agência Standard & Poor’s, com perspectiva estável, destacando que as mudanças na direção “fortalecerão a governança e melhorarão a cultura de risco, embora essas mudanças sejam recentes e precisem de tempo para materializar por completo”.

Além disso, o Conselho de Administração da resseguradora aprovou emissão de debêntures simples não conversíveis no valor de até R$ 900 milhões de reais para reenquadrar a empresa aos critérios de cobertura de provisões e margem de liquidez definidos pela Susep e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), um dos fatores de risco para a companhia. Em seguida, o IRB anunciou a antecipação de seus resultados do terceiro trimestre para 3 de novembro após o fechamento do mercado, o que é visto como positivo pois deve reduzir as incertezas sobre os números da companhia, sendo que os dados prévios de julho já haviam animado.

Assim, entre as incertezas da retomada, há também quem avalie que a ação pode ter uma recuperação mais forte na Bolsa até 2021, caso da Eleven Financial, uma das únicas casas de análise com recomendação de compra para a ação. Mais do que isso, o preço-alvo projetado para 2021 é de R$ 20 – ou seja, um potencial de valorização de 179% frente o fechamento da véspera.

No final de setembro, em entrevista ao InfoMoney, Carlos Daltozo, co-head de Renda Variável da Eleven Financial, destacou que o patamar abaixo dos R$ 6,93 (da operação de aumento de capital recente) é altamente especulativo e visto pelo analista como uma reação exagerada do mercado.

O analista ainda apontou que a companhia limpou o balanço e, quando resolver a pendência de liquidez regulatória com a Susep (veja mais clicando aqui), essa pode ser uma sinalização ainda mais efetiva de retomada da companhia.

Daltozo apontou que, obviamente, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) da companhia não vai voltar a ser os de 40% observados antes das polêmicas sobre o IRB virem à tona, já que eram baseados em dados errôneos, mas vê o ROE próximo da casa dos 20%. “Lógico que será um retorno gradual, mas deve haver uma retomada, ainda mais considerando as vantagens competitivas da companhia”, apontou.

Entre os extremos, maior parte recomenda cautela

Em um cenário de incertezas no radar, a maior parte dos analistas de mercado prefere manter cautela com o papel. De acordo com o consenso Bloomberg, apenas duas casas de análise recomendam compra para o ativo, quatro têm recomendação de manutenção e quatro de venda (ou equivalente).

Daltozo ressaltou que, apesar de estar otimista com o papel, ainda há um grau de desconfiança grande no mercado sobre os possíveis “esqueletos no armário”, incerteza esta que acaba gerando volatilidade para os ativos.

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Victor Hasegawa, gestor da Infinity Asset, destacou que a empresa está passando por um momento difícil, mas ele aponta não estar pessimista com o ativo. O gestor ressalta que, para o setor, a liquidez é importante, algo que o IRB está conseguindo endereçar com o aumento de capital e expectativa de emissão de debêntures.

“A nova gestão está focando em retorno melhor, tem uma postura mais conservadora, então é natural que haja menos expansão agora – e é bom que isso aconteça. Toda empresa é assim, quando troca a gestão, os novos executivos já querem mostrar logo tudo que há de ruim, para depois mostrarem as coisas boas. Acredito que vão fazer turnaround (virada). É a maior empresa de resseguros do Brasil e tem potencial de crescer, foi atrapalhada por má gestão, mas pode se recuperar”, avalia Hasegawa.

No comunicado em que esclareceu a oscilação de ações para a CVM, o IRB apontou que o plano de regularização de liquidez junto à Susep foi formalmente aprovado pela Comissão e vem sendo cumprido. A solvência em junho era de 101% e, após a operação de capitalização, ficou no patamar de 244%, “estando, portanto, a sua saúde econômico-financeira no mais alto nível do mercado global de resseguros”.

Além disso, reiterou que não planeja realizar nenhuma chamada de capital além da que aconteceu em agosto, que não perdeu nenhum contrato importante e teve crescimento de prêmio emitido total da ordem de 24,5% nos sete primeiros meses de 2020.

A companhia também apontou que o resultado de julho já demonstra melhora, com uma menor influência dos efeitos dos negócios já descontinuados (clean-up do portfólio) e que os negócios remanescentes (run-on) já demonstram estar no caminho do break even (equilíbrio).

Com todos os prós e contras para a companhia, o próximo grande evento marcado e que será observado de perto pelos investidores é o resultado do terceiro trimestre, a ser revelado no início de novembro. O balanço do período dará mais sinais sobre o ritmo de recuperação do IRB e se o agora tão almejado ROE de 20% pode ser atingido em breve – ou se o caminho será ainda mais árduo do que o mercado já vem apontando.

(Colaboração de Priscila Yazbek)

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Daniel Bassan é nomeado presidente do UBS BB Investment Bank

(Bloomberg) — A sociedade entre o UBS Group e o Banco do Brasil (BBAS3) para banco de investimento e corretagem na América do Sul, chamada UBS BB Investment Bank, inicia operações nesta quinta-feira com Daniel Bassan como presidente.

Bassan, chefe de global banking do UBS no Brasil desde novembro de 2016, manterá a posição na joint venture. Ele começou no UBS em março de 2016, depois de ser trabalhado no Credit Suisse e no Banco BTG Pactual. Hélio Magalhães, presidente do conselho do Banco do Brasil e ex-presidente do Citigroup no Brasil, será o chairman do UBS BB Investment Bank.

“Seremos muito competitivos em qualquer mercado, local e global”, disse Sylvia Coutinho, presidente do UBS no Brasil e chefe de gestão de fortunas para a América Latina do banco, que será também vice-presidente do conselho do UBS BB Investment Bank.

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“Há muito pouca sobreposição de capacidades, então a sinergia é perfeita”, disse André Brandão, presidente do Banco do Brasil.

O UBS e o Banco do Brasil anunciaram em novembro que criariam uma parceria para Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai, com o objetivo de ganharem participação no competitivo negócio de banco de investimento na América do Sul e no mercado de corretoras institucionais no Brasil. O UBS terá o controle acionário, com 50,01% da joint venture, e o Banco do Brasil, maior banco do Brasil em ativos, ficará com o restante.

Dar o controle ao banco sediado em Zurique significa que a sociedade não terá de cumprir algumas das limitações que o Brasil impõe aos bancos estatais, como restrições a pagamento de bônus e contratações.

Daniel Mendonça de Barros, chefe de global markets do UBS na América Latina, terá a mesma função de chefe da corretora no UBS BB Investment Bank. A corretora do UBS era a maior em trading de ações no Brasil desde 2014 e está em segundo lugar desde o ano passado, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

“Eu vou lutar com força para ganhar de novo o primeiro lugar,” disse ele, acrescentando que agora ele tem os meios para isso, pois passa a se beneficiar do fluxo de clientes de varejo do Banco do Brasil. Até agora, a corretora do UBS no país só fazia negócios para clientes institucionais.

A parceria foi negociada entre Sylvia Coutinho e Rubem Novaes, ex-presidente do Banco do Brasil que renunciou em julho e foi substituído posteriormente por André Brandão, ex-chefe de mercado global do HSBC Holdings para as Américas. Brandão também integra o conselho de administração do UBS BB Investment Bank, junto com Francisco Lassalvia, diretor do Banco do Brasil para mercados financeiros e de capitais.

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Do lado do UBS, outros membros do conselho do UBS BB Investment Bank incluem Ros L’Esperance, co-responsável pela área de global banking Américas, e Darryll Hendricks, diretor de operações do banco para as Américas.

Os clientes do BB se beneficiarão do alcance global do UBS, de seu banco de investimento e de sua área de pesquisa, enquanto o banco suíço ganha acesso ao clientes corporativos e fluxos de transações do BB. O UBS contribuirá com sua plataforma de banco de investimento com presença local no Brasil e na Argentina.

O UBS BB Investment Bank terá sede no centro financeiro de São Paulo, na avenida Faria Lima, no mesmo prédio da sede do UBS no Brasil.

O Banco do Brasil, maior gestor de recursos de terceiros do país, até agora não tinha corretora própria. O banco com sede em Brasília tinha R$ 1,15 trilhão em ativos sob gestão em agosto, segundo a Anbima, associação do mercado de capitais.

Com a joint-venture, o UBS ganha entrada no mercado local de renda fixa, onde o Banco do Brasil é o quinto colocado no ranking de bancos líderes até agora neste ano, segundo a Anbima. O Banco do Brasil possuía carteira de crédito de R$ 721,6 bilhões em junho. O banco estatal pode ajudar o UBS BB Investment Bank a ganhar negócios de banco de investimento que exijam crédito, como empréstimos-ponte para aquisições ou garantia firme em transações de emissão de títulos corporativos locais.

O plano é não apenas figurar entre os principais líderes em emissão de títulos de dívida, mas também estimular o mercado secundário de títulos corporativos locais, disse Bassan.

As áreas de gestão de fortunas e de gestão de ativos de terceiros não estão incluídas na joint-venture. O Banco Patagonia, o banco de varejo controlado pelo Banco do Brasil na Argentina, também não está incluído, nem escritórios de banco corporativo que o Banco do Brasil tem na América do Sul.

“Nós queremos alavancar as relações do Banco do Brasil com as empresas médias e com o setor de agribusiness, e levar essas companhias para o mercado de capitais, com um foco especial em green finance e ESG”, disse Sylvia.

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