União Europeia propõe novas regras para criptoativos

A Comissão Europeia apresentou nesta terça-feira, 20, um pacote de medidas legislativas para combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo. Entre as propostas, o órgão executivo da União Europeia (UE) quer banir a possibilidade de abrir ou usar uma conta de criptoativos de modo anônimo.

Em relação à transferências de fundos, como o bitcoin, por exemplo, as informações completas do remetente e do beneficiário terão de ser incluídas pelos provedores de serviços de criptoativos. Isso já ocorre com as transferências eletrônicas de dinheiro.

De acordo com a comissão, os criptoativos estão cada vez mais sendo usados para lavagem de dinheiro e outros fins criminosos, o que torna a alteração “urgente” na legislação.

“O raciocínio é o mesmo que o do regulamento original sobre fundos: identificar aqueles que enviam e recebem criptoativos, identificar possíveis transações suspeitas e, se necessário, bloqueá-las”, argumenta o órgão.

As novas medidas também possibilitam que países do bloco exijam aos prestadores de serviços de criptoativos com sede em outro integrante da UE que designem um ponto de contato central no país onde ocorrem operações. Esse processo já acontece atualmente com instituições que emitem dinheiro eletrônico e com provedores de serviços de pagamento.

“Nossas leis precisam estar atualizadas com o tempo e o desenvolvimento tecnológico. No caso dos criptoativos, isso se tornou urgente”, disse o vice-presidente executivo da comissão, Valdis Dombrovskis.

“Agora vamos trazer os criptoativos totalmente para dentro do escopo das regras anti-lavagem de dinheiro da União Europeia”.

No centro do pacote de medidas, está ainda a criação de uma nova autoridade europeia para supervisionar o combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. De acordo com a Comissão, a autoridade asseguraria que o setor privado aplique correta e consistentemente as regras da UE.

O pacote de medidas legislativas deve ser discutido no Conselho e no Parlamento Europeu. A expectativa da Comissão Europeia é que esse processo ocorra rapidamente que a autoridade antilavagem de dinheiro seja operacional em 2024 e comece seu trabalho de supervisão pouco depois.

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Recuperação econômica da zona do euro acelera em abril com retomada de serviços, mostra PMI

(Christian Lue/Unsplash)

LONDRES (Reuters) – A recuperação da zona do euro da contração econômica induzida pela pandemia foi muito mais forte do que o esperado em abril, uma vez que o setor de serviços se adaptou aos lockdowns e retornou ao crescimento, mostrou pesquisa.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) Composto do IHS Markit, considerado bom guia da saúde econômica, subiu para a máxima de nove meses de 53,7 ante 53,2 em março, contra expectativa de 52,8 em pesquisa da Reuters. Leitura acima de 50 indica expansão.

“Em um mês durante o qual as medidas de contenção foram apertadas diante de mais ondas de infecções, a economia da zona do euro mostrou força encorajadora”, disse o economista-chefe do IHS Markit, Chris Williamson.

O PMI do setor de serviços subiu a 50,3 de 49,6 no mês passado, superando a expectativa de queda para 49,1.

Já as fábricas tiveram seu mês mais ativo desde que a pesquisa começou em meados de 1997. O PMI da indústria subiu a 63,3 de 62,5 em março e expectativa de 62,0.

O subíndice de produção chegou à máxima da pesquisa de 63,4, ante 63,3.

“Gastos reprimidos, acúmulo de estoques, investimentos em novo maquinário e otimismo crescente sobre o cenário ajudaram a alimentar o recorde na produção e novas encomendas”, disse Williamson.

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Não confiem em dicas sobre ações das redes sociais, alerta regulador da União Europeia a investidores do varejo

LONDRES, 17 Fev (Reuters) – Os investidores de varejo devem evitar o uso de informações não verificadas das mídias sociais para comprar e vender ações, disse o órgão regulador dos mercados da União Europeia nesta quarta-feira.

Investidores de varejo que seguiam o fórum do Reddit WallStreetBets nos Estados Unidos entraram com força na GameStop no mês passado, fazendo com que as ações da varejista disparassem às custas de investidores grandes que apostavam contra a empresa, alarmando a Europa.

Embora as regras e estruturas do mercado sejam diferentes na UE, não se pode descartar que circunstâncias semelhantes também possam ocorrer no bloco, disse a Autoridade Europeia de Valores Mobiliários e Mercados (Esma, na sigla em inglês) em comunicado.

Já há sinais de que mais investidores de varejo estão comprando nos mercados de ações europeus.

A Esma disse que o aumento da participação de investidores de varejo na Europa está ajudando a aprofundar o mercado de capitais da UE, mas eles enfrentam riscos significativos ao comprar ações que são muito voláteis, disse o órgão regulador.

Os investidores devem primeiro reunir informações de fontes confiáveis e saber quantas perdas podem suportar, disse a Esma.

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Mario Draghi é o salvador da Itália? Para os investidores, por enquanto, sim

(Bloomberg) — O salvador dos mercados da Itália está de volta.

Títulos e ações dispararam após Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu que trouxe tranquilidade aos mercados da região, ter sido escolhido para ser o próximo primeiro-ministro. Investidores esperam que Draghi possa promover a estabilidade política após o colapso da coalizão do governo e utilizar os fundos da União Europeia para ajudar a economia a se recuperar da Covid-19.

Imogen Bachra, estrategista de juros europeus do NatWest Markets, diz que as qualidades de Draghi são bem conhecidas pelos investidores: “Sabemos que ele é pró-UE e a favor do projeto europeu, o que reduz a preocupação dos mercados.”

Os mercados italianos foram marcados pela turbulência nos últimos anos, abalados pela alta dívida do país e com partidos eurocéticos como parte do governo. Os rendimentos dos títulos dispararam durante a crise de coronavírus no ano passado, antes de o BCE intervir com compras de ativos sem precedentes em seu programa para a pandemia.

No mês passado, o governo de coalizão entrou em colapso devido a divergências sobre como gastar os fundos da UE. Draghi se reuniu nesta quarta-feira com Sergio Mattarella, chefe de Estado da Itália, com a promessa de total liberdade sobre a composição do próximo governo, de acordo com uma autoridade que pediu para não ser identificada.

Essa perspectiva fez com que os rendimentos dos títulos de referência de 10 anos caíssem nove pontos-base, para 0,56%, perto da mínima histórica de 0,50% no início deste ano. Com isso, o spread sobre a dívida alemã, um indicador-chave de risco, caiu para o menor nível desde 2016.

Durante o auge da crise da dívida soberana da zona do euro em 2012, Draghi disse que o BCE faria “tudo o que fosse necessário” para manter o bloco unido. Antes de deixar o cargo no final de 2019, Draghi frequentemente enfatizava que os governos precisariam aumentar os gastos fiscais para livrar a região de taxas de crescimento e inflação anêmicas.

“Draghi era o tipo que ‘fazia as coisas acontecerem’”, disse Piet Christiansen, estrategista-chefe do Danske Bank. “Estou otimista com a possibilidade de Draghi como primeiro-ministro.”

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Ainda assim, seu trabalho será difícil devido às divisões dentro do governo. Na terça-feira, a Moody’s Investors Service alertou que, ao lado do Reino Unido, a Itália lidera a lista de preocupações regionais nos próximos cinco anos, por receio de que possa desperdiçar sua oportunidade “única em uma geração” de usar os fundos da UE para reativar a economia. Mas, no curto prazo, Draghi deve propiciar estabilidade.

O Mizuho International prevê que o spread do rendimento dos títulos de 10 anos da Itália em relação a Alemanha caia 85 pontos-base no segundo semestre do ano em relação aos 103 atuais.

“Seria um grande impulso para a confiança dos investidores estrangeiros, já que Draghi é muito conhecido e respeitado”, disse Peter Chatwell, chefe de estratégia de ativos múltiplos do Mizuho. “Mesmo se um governo de unidade nacional não puder fazer basicamente nada além de administrar a crise de Covid, isso também será ideal para os investidores, que não querem incertezas políticas.”

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Alemanha deve ampliar lockdown até meados de fevereiro

A chanceler alemã, Angela Merkel, deve acertar com líderes regionais do país a ampliação do lockdown para a maioria das lojas e das escolas até meados de fevereiro como parte de um pacote de medidas para tentar conter o novo coronavírus. As conversas estão marcadas para esta terça-feira (19).

As novas infecções têm caído nos últimos dias, e a pressão sobre as unidades de terapia intensiva (UTIs) diminuiu, mas virologistas estão preocupados com a disseminação de uma variante mais transmissível do vírus.

De acordo com reportagem do jornal Bild, é provável uma prorrogação por duas semanas”. O lockdown atual vai até 31 de janeiro.

O governo federal propôs que as pessoas sejam obrigadas a usar máscaras nas lojas e nos transportes públicos e que a ajuda para empresas deve ser melhorada por causa da ampliação, conforme esboço das medidas que serão discutidas.

De acordo com o esboço, o governo federal também criará guia para uma estratégia de reabertura justa e segura.

“Os números das infecções estão caindo por várias semanas ou estagnando, e isso é bom. Agora estamos enfrentando uma mutação muito agressiva à qual temos que responder”, disse o prefeito de Berlim, Michael Mueller, à TV alemã.

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Pacto de investimentos entre União Europeia e China aprofunda laços econômicos

“Shutterstock”

(Bloomberg) — A União Europeia e a China anunciaram a aprovação política de um acordo para abrir ainda mais o mercado chinês aos investidores do bloco, o que marca um grande passo nas negociações iniciadas em 2013.

O avanço do pacto de investimentos UE-China sinaliza a determinação do bloco de se concentrar nas oportunidades econômicas na Ásia, mesmo em meio às críticas ao histórico de Pequim sobre direitos humanos. O acordo pode entrar em vigor no início de 2022.

Para a UE, o acordo pode desagradar o novo governo de Joe Biden, que recomendou aos europeus uma consulta aos EUA sobre as práticas econômicas da China. O fracasso dos EUA e da UE em adotar uma posição comum daria certa vantagem ao governo de Pequim, quando líderes ocidentais reavaliam as relações geopolíticas na esteira da presidência de Donald Trump.

“Este acordo é de grande importância econômica”, afirmaram Charles Michel e Ursula von der Leyen, líderes das duas principais instituições do bloco, em comunicado na quarta-feira após videoconferência com o presidente chinês Xi Jinping. “A China se comprometeu com um nível sem precedentes de acesso ao mercado para investidores da UE, dando às empresas europeias certeza e previsibilidade para suas operações.”

Acesso ao mercado

Para os 27 países da UE, o pacto amplia o acesso ao mercado chinês para investidores estrangeiros em diversos setores, como automotivo e de telecomunicações. Além disso, o acordo aborda políticas chinesas subjacentes que, na visão da Europa e dos EUA, distorcem o mercado: subsídios industriais, controle estatal de empresas e transferências forçadas de tecnologia.

Para a China, o acordo promete dar impulso ao objetivo do país para se tornar uma força geopolítica dominante e pode limitar os riscos decorrentes de uma postura mais dura da UE sobre investimentos chineses na Europa. Também fortaleceria o apelo do governo de Pequim para o início de negociações para um acordo de livre comércio com a UE, que insistiu em fechar um pacto de investimentos antes.

A China foi o segundo maior parceiro comercial da UE em 2019 (atrás dos EUA), com o comércio bilateral de bens avaliado em mais de 1 bilhão de euros (US$ 1,2 bilhão) por dia.

O acordo de investimentos “demonstra a determinação e confiança da China em promover um alto nível de abertura ao mundo exterior e fornecerá maior acesso ao mercado para o investimento mútuo China-UE, um ambiente de negócios de maior qualidade, garantias institucionais mais fortes e perspectivas de cooperação mais positivas”, disse Xi, de acordo com a mídia estatal.

O anúncio desta quarta-feira representa uma bênção política de alto nível para o pacto de investimentos, que também cobrirá questões de sustentabilidade ambiental. Ambos os lados planejam dar os últimos retoques no acordo nos próximos meses.

Direitos humanos

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Uma vez finalizado, o acordo precisará da aprovação do Parlamento Europeu, onde algumas vozes expressaram objeções como resultado das supostas violações dos direitos humanos na China. O acordo inclui promessas chinesas sobre normas trabalhistas destinadas a abordar tais preocupações, como em relação à ratificação de convenções apoiadas pelas Nações Unidas, de acordo com autoridades da UE, que pediram para não serem identificadas.

“Não é certo que o Parlamento da UE dará seu consentimento”, disse Reinhard Buetikofer, integrante do Partido Verde alemão, em entrevista à Bloomberg Television na terça-feira. “Faremos um exame minucioso.”

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Pfizer adia entrega de doses da vacina a países da Europa por problema de logística

(Bloomberg)

SÃO PAULO – Uma entrega de doses da vacina Pfizer/BioNTech para oito países da União Europeia que aconteceria nesta segunda-feira (28) precisou ser adiada para amanhã, terça-feira (29). O atraso na entrega afeta oito países do continente.

A informação foi divulgada pelo Ministério da Saúde da Espanha, um dos oito países afetados. O país deveria ter recebido cerca de 350 mil doses da vacina da farmacêutica americana. Segundo o órgão, a entrega foi cancelada devido a um “incidente logístico” em uma das fábrica da Pfizer na Europa, localizada em Puurs, na Bélgica.

Embora outros sete países europeus também tenham sido afetados pelo problema, apenas a Espanha veio a público informar sobre o acontecimento. O ministério espanhol ainda disse desconhecer as outras nações que também sofreram com o adiamento das entregas.

Em uma nota divulgada na manhã desta segunda-feira, o ministro da saúde espanhol garantiu que o problema já foi resolvido e que as doses devem chegar amanhã de manhã. O problema de logística foi confirmado por um porta-voz da Pfizer à agência de notícias espanhola EFE.

“Devido a um pequeno problema de logística, remarcamos um número limitado de nossas entregas. O problema de logística foi resolvido e essas entregas agora estão sendo enviadas. Não há problemas de fabricação a relatar”, disse a porta-voz do laboratório Dervila Keane, segundo a EFE.

Ainda segundo a porta-voz, a entrega foi adiada devido a um atraso nos embarques, causado por um problema no processo de carregamento e expedição das cargas que continham os imunizantes.

A Espanha é um dos países da Europa que foram mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. Desde o início da pandemia, o país registrou 50 mil mortes e mais de 1,8 milhão de casos.

Dificuldades logísticas

Embora o motivo para o atraso das doses não tenha sido esclarecido totalmente, esse primeiro problema logístico evidencia algumas das dificuldades operacionais para a vacinação contra Covid-19, principalmente no caso do imunizante da Pfizer.

A tecnologia empregada na confecção da vacina da Pfizer acarreta algumas complicações de armazenamento e distribuição. Como a vacina utiliza o material genético do vírus (RNA), ela precisa ser armazenada em temperaturas de menos 70º Celsius e transportada até os centros de distribuição em caixas térmicas cheias de gelo seco, projetadas especialmente para o produto.

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Fora das temperaturas ultrabaixas, a vacina permanece efetiva por cinco dias, desde que mantida entre 2 e 8 graus Celsius (temperatura de geladeiras comuns).

Vacinação na Europa

Na última segunda-feira (21), a Comissão Europeia concedeu aprovação para o uso da vacina contra a Covid-19 desenvolvida em conjunto pela empresa norte-americana Pfizer e pela farmacêutica alemã BioNTech, permitindo que a Europa comece o processo de imunização em uma semana.

Alguns países da União Europeia, incluindo Alemanha, Áustria e Itália, disseram que a vacinação seria iniciada a partir de 27 de dezembro. Vale dizer que, no continente, o Reino Unido já começou a vacinação e foi o primeiro país no mundo a permitir o uso do imunizante.

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Com 300 mil casos na última semana, 2ª onda de coronavírus pode levar Europa de volta ao lockdown

Homem com roupa de proteção caminha na região de Veneza, Itália (Fotos Públicas)

SÃO PAULO – O ritmo de transmissão do novo coronavírus na Europa está em níveis “alarmantes”, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), depois que muitos países do continente voltam a registrar mais casos diários do que em março e abril – os piores momentos da pandemia.

Hans Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, divulgou na última quinta-feira (19) que o bloco está passando por um momento de alta de casos. Segundo os dados, o número de infeções diárias tem até dobrado em muitos países da UE.

De acordo com Kluge, 300 mil novas infecções foram registradas em toda a Europa somente na semana passada e os casos semanais excederam os relatados durante o primeiro pico em março.

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Depois de seis meses vivendo com o vírus e com várias idas e vindas sobre as medidas de distanciamento, muitos países europeus começam a endurecer suas restrições e avaliar novos confinamentos.

“Estamos diante de uma situação muito grave. Os novos casos semanais na Europa já superam os registrados durante o primeiro pico da pandemia. Na semana passada, foram contabilizados mais de 300 mil infectados”, alertou Kluge.

Ainda segundo o diretor, a mortalidade do vírus, que parece ser menor nessa segunda onda de infecções, deve aumentar entre outubro e novembro.

Casos diários duplicam

Nas últimas duas semanas, cerca de sete países europeus viram seus números de casos diários duplicar. O salto das infecções na França, que registrou mais de 10 mil casos na quinta-feira, foi o que mais chamou a atenção entre os aumentos em outras partes da Europa. Esse foi o maior número já registrado pelo país.

Os novos casos na Alemanha atingiriam 2 mil na sexta-feira, o maior aumento desde o final de abril.

Já Portugal registrou na quinta-feira 770 novas infecções, o maior número em cinco meses, enquanto os casos na Espanha subiram em ritmo mais lento do que no dia anterior, mas ainda em mais de 4,5 mil. República Tcheca e Ucrânia também bateram seus respectivos recordes de contágios detectados em um dia.

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Na última sexta-feira (18), Matt Hancock, secretário de Saúde do Reino Unido, não descartou uma segunda quarentena nacional e disse que a aceleração dos casos e internações hospitalares em todo o Reino Unido representam um momento crítico. O Reino Unido registrou mais de 4 mil infecções diárias, um patamar visto pela última vez no começo de maio.

O recente aumento dos casos nos países europeus e uma possível nova fase de confinamento no continente foi um dos temas do Radar InfoMoney de hoje.

Novo lockdown no continente?

Com os casos em alta, países já ensaiam a retomada de algumas medidas de distanciamento e restrição de deslocamento.

A Espanha, país europeu mais afetado pela Covid-19, decretou que, a partir desta segunda-feira (21), haverá restrições de deslocamento na capital, Madri, com algumas zonas da cidade interditadas.

Os moradores dessas zonas poderão sair de seus bairros apenas para tratar de “questões básicas”, como trabalhar, ir ao médico, ou levar os filhos à escola. Além disso, reuniões estarão limitadas a um máximo de seis pessoas. A Espanha tem mais de 640 mil casos confirmados de Covid-19 e cerca de 30 mil mortes.

Já a França, que viu seus casos baterem o recorde de 13 mil infecções em um só dia, proibiu reuniões com mais de 10 pessoas em espaços públicos na cidade de Nice, que possui uma incidência três vezes maior que a do resto do país e é a região francesa mais afetada pela pandemia nessa segunda onda.

O ministro da Saúde francês, Olivier Véran, reconheceu que o coronavírus “está novamente muito ativo” e disse que, além de Nice, a cidade de Lyon também deve ter medidas mais severas de distanciamento anunciadas “em breve”. Desde o início da pandemia, a França registrou cerca de 491 mil infecções, com cerca de 31 mil mortes.

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O primeiro ministro britânico, Boris Johnson, afirmou que uma segunda onda de contágios de coronavírus é “inevitável”, mas disse que não quer decretar uma nova quarentena e que o país estuda “todas as possibilidades”.

No Reino Unido, o número de novos casos diários atingiu o nível mais alto desde meados de maio. A região também teve o maior índice de mortes da Europa por Covid-19, com mais de 41 mil óbitos registrados desde o início da pandemia.

Neil Ferguson, professor de epidemiologia do Imperial College, de Londres, e ex-conselheiro do governo, afirmou à BBC que o país enfrentará uma “tempestade perfeita” de infecções.

“Neste momento, estamos nos níveis de infecções que víamos neste país no final de fevereiro, e, se esperarmos mais duas ou quatro semanas, estaremos de volta aos níveis de meados de março, e isso irá – ou pode – causar mortes”, disse Ferguson. O Reino Unido registrou cerca de 396 mil infeções no país, com cerca de 41 mil mortes, desde o início da pandemia.

Diferentemente dos seus pares europeus, a Itália parece não enfrentar uma segunda onda tão severa, tanto que anunciou a volta de competições esportivas com torcida de até 1 mil pessoas no último domingo (20) e reabriu a maior parte de suas escolas na última segunda-feira (14).

Segundo especialistas, o sucesso italiano no combate a essa segunda onda de casos pode ser explicado pelo extenso rastreio que o país realiza para encontrar e conter os casos. Vale dizer que a Itália foi, junto com a Espanha, o país europeu mais afetado pela pandemia durante seus primeiro meses. Desde o início da pandemia, mais de 295 mil italianos foram infectados, com cerca de 35 mil óbitos.

De acordo com a OMS, houve 5 milhões de casos confirmados e mais de 228 mil mortes em toda a Europa desde o início da pandemia. Depois das Américas, a Europa é o continente mais afetado pelo coronavírus em números absolutos.

Jovens impulsionam pandemia

Segundo a OMS, esses novos surtos da Covid-19 no continente europeu estão diretamente associados a um aumento expressivo e preocupante da transmissão do vírus entre a parcela mais jovem da sociedade. Segundo a organização, foi detectada uma maior incidência do vírus em pessoas da faixa etária entre 20 e 39 anos.

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O fenômeno, que pode ser visto em países como França, Alemanha e Espanha, coincide com o período de relaxamento das restrições e está diretamente relacionado com a frequência na qual jovens vão a bares, restaurantes e festas.

Como explicam os especialistas, os jovens, por mais que não apresentem tantas complicações em decorrência do vírus como pacientes mais velhos, podem ser vetores perfeitos de transmissão e piorar a situação epidêmica do país.

“Eles [jovens] têm uma responsabilidade em relação a si mesmos, a seus pais, avós e comunidades. E agora sabemos como adotar comportamentos bons e saudáveis, então vamos aproveitar esse conhecimento”, afirmou Kluge à BBC.

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UE pede que Netflix limite conteúdo em alta definição para não sobrecarregar internet

SÃO PAULO – A União Europeia está pedindo à Netflix e outras plataformas de streaming que parem de exibir vídeo em alta definição para evitar possíveis problemas com a internet do continente por conta do alto uso sem precedentes devido à pandemia de coronavírus.

Com países paralisados em lockdown para combater a propagação do vírus, centenas de milhões trabalhando em casa, as autoridades da UE estão preocupadas com a enorme pressão sobre a capacidade de banda de internet.

Segundo apurou a CNN Business, Netflix e o Google juntos representam quase 25% dos dados transmitidos pela internet.

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Thierry Breton, comissário europeu responsável pelo mercado interno da UE, tuitou na noite da última quarta-feira (18) que havia conversado sobre o assunto com Reed Hastings, CEO da Netflix.

No post, Breton incentivou as pessoas e as empresas a mudar para a definição padrão quando a alta definição não for necessária” para garantir o acesso à internet para todos.

Em comunicado divulgado nessa quinta-feira (19), Breton disse que, dada a situação sem precedentes, plataformas de streaming, operadoras de telecomunicações e usuários precisam mudar seus comportamentos devido a situação emergencial.

“Todos têm a responsabilidade conjunta de tomar medidas para garantir o bom funcionamento da Internet durante a batalha contra a propagação de vírus”, disse o comissário no comunicado.

Em entrevista à CNN Business, um porta-voz da Netflix afirmou que Hastings e Breton vão conversar novamente na quinta-feira sobre essa questão.

“O comissário Breton está certo ao destacar a importância de garantir que a internet continue a funcionar sem problemas durante esse período crítico”, disse o porta-voz da Netflix. “Estamos focados na eficiência da rede há muitos anos, inclusive fornecendo nosso serviço de conexão aberta gratuitamente para empresas de telecomunicações”.

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A Netflix disse que já ajusta a qualidade dos fluxos à capacidade de rede disponível e usa uma rede de entrega especial que mantém sua biblioteca mais próxima dos usuários, como forma de consumir menos largura de banda – conceito que determina a medida da capacidade de transmissão, em especial de conexão ou rede.

De acordo com um relatório de 2019 da Sandvine, empresa americana de equipamentos de rede, o streaming de vídeo representa mais de 60% dos dados entregues pelos provedores de internet aos consumidores globais, com a Netflix representando pouco menos de 12% do tráfego total. O tráfego do Google, impulsionado pelo YouTube, responde por outros 12%.

A Comissão afirmou que, embora tenha havido um aumento acentuado no uso da internet nas últimas semanas, nenhuma interrupção ou efeito adverso foi relatada até o momento.

Autoridades da UE disseram que trabalhariam com o regulador que supervisiona as comunicações eletrônicas no bloco para estabelecer um mecanismo especial para monitorar o tráfego da internet e responder a problemas de capacidade.

Internet sob pressão

O Facebook reconheceu na quarta-feira que os efeitos da pandemia estão levando os servidores da rede social ao limite.

Em uma ligação com repórteres, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, disse que os serviços da rede social estão enfrentando “grandes ondas simultâneas de uso”, já que o coronavírus força milhões de pessoas em todo o mundo a ficar em casa.

Ele descreveu o aumento da demanda como “muito além” do principal pico anual geralmente visto na véspera de Ano Novo. Ainda segundo o CEO, chamadas de voz e vídeo no WhatsApp e no Facebook Messenger, em particular, mais que dobraram nesses primeiros meses de 2020, em comparação com o mesmo período do ano passado

Kin K. Leung, professor de tecnologia da Internet no Imperial College de Londres acredita que não são apenas as empresas de entremetimento que estão sobrecarregando a infraestrutura da Internet.

“À medida que empresas, escolas e universidades fecham, e milhões estudam e trabalham em casa, a transmissão ao vivo de aulas e videoconferências aumentará exponencialmente”, explicou o acadêmico à CNN Business.

Empresas pressionam Johnson sobre acordo comercial pós-Brexit

Boris Johnson (Shutterstock)

(Bloomberg) — Depois de se sentirem ignoradas em relação ao Brexit nos últimos quatro anos, empresas britânicas esperam que a sorte mude em 2020.

Enquanto o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, se prepara para iniciar negociações para um acordo comercial com a União Europeia, o empresariado do país pretende pressionar por um pacto final que limite qualquer estrago na economia. Em jogo, está o acesso ao maior mercado de exportação do Reino Unido.

“Os ministros precisam trabalhar no mesmo ritmo conosco para acertar nos detalhes”, disse Adam Marshall, diretor-geral das Câmaras de Comércio Britânicas, que representam 75 mil empresas. “O foco deve estar em obter respostas concretas para as questões do mundo real enfrentadas pelas empresas e pela economia.”

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O setor privado do Reino Unido passa por um período difícil desde o referendo de 2016, desperdiçando recursos com estoques e planejamento de contingência à espera de prazos que iam e vinham. A grande vitória de Johnson nas eleições pode ter eliminado a incerteza política no curto prazo, mas ainda há dúvidas significativas sobre o futuro relacionamento com a UE e o que isso significará para as empresas.

Quando Johnson se encontrar na quarta-feira com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o principal negociador da UE, Michel Barnier, em Downing Street para discutir os planos para este ano, as negociações não se concentrarão explicitamente no comércio. Mesmo assim, é provável que Der Leyen e Barnier reiterem a escolha do primeiro-ministro: ele pode decidir por um alinhamento próximo às regras do bloco de 27 membros – destino de cerca de 45% das exportações britânicas – em troca de um acesso favorável ao mercado ou procurar divergir das normas da UE à custa de criar barreiras ao comércio.

Prazo apertado

Uma das principais preocupações das empresas é o calendário apertado das negociações comerciais. Johnson tem descartado qualquer extensão à fase de transição do Brexit – com término em 31 de dezembro de 2020. Isso significa que o Reino Unido terá menos de 11 meses para fechar um acordo com a UE. O bloco levou cinco anos para fechar acordos de abertura de mercado com o Japão e com o Canadá e 20 anos para conseguir um pacto com o Mercosul.

“Será uma corrida louca”, disse Anna Jerzewska, especialista em alfândega e consultora independente das Câmaras de Comércio Britânicas. “Não acho que as pessoas entendam o quanto precisamos fazer em um período tão curto de tempo.”

Jerzewska disse que o Reino Unido vai querer realizar uma avaliação de impacto completa do comércio entre o país e a UE antes do início das negociações para saber até onde pode ir. Esse exercício ainda está para acontecer, e o Reino Unido não tem capacidade para fazê-lo rapidamente, disse.

Também é preciso considerar o tempo para a redação jurídica do texto final – um processo potencialmente prolongado, no qual advogados dos países afetados se debruçam sobre o acordo final – e a ratificação pelos estados membros da UE, o que deverá consumir o período de transição de 11 meses.

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