A estratégia da Unipar para dobrar de tamanho e ter maior presença nos mercados externos

A empresa do setor químico Unipar (UNIP6) espera dobrar de tamanho nos próximos anos e, para isso, está de olho em aquisições no Brasil e no exterior. A fabricante de cloro, PVC e soda cáustica também não descarta explorar outros produtos químicos, segundo Mauricio Russomanno, CEO da empresa.

A empresa da área química foi a vencedora da categoria materiais básicos do prêmio “As melhores empresas da Bolsa”, realizado pelo InfoMoney com base em ranking exclusivo elaborado pela provedora de serviços financeiros Economatica e pela escola de negócios Ibmec.

“Para continuarmos crescendo e nos tornarmos uma petroquímica relevante precisamos ao menos dobrar de tamanho. Para isso, temos alguns caminhos. Um é fazer aquisições de empresas do mesmo setor no Brasil, na América Latina ou em outros lugares. Também podemos fazer projetos de expansão”, disse ele, durante painel extra do evento de premiação.

Em paralelo aos projetos de expansão, a companhia está de olho em oportunidades de redução de custo ou melhora de eficiência. Como exemplo, Russomano citou a parceria feita com a AES Tietê – agora AES Brasil (AESB3) – para a construção de um parque de geração de energia eólica em Tucano (BA). Essa geração de energia será utilizada na produção de cloro da Unipar.

Atualmente, a Unipar tem três linhas de negócios principais: produção de cloro, que é utilizado para tratamento de água em redes de saneamento básico; PVC, que é uma matéria prima para tubos e conexões da indústria de construção civil e setores como o de produção de produtos médicos; e a linha de soda cáustica, item utilizado pelas indústrias de alimentos, papel e celulose e alumínio.

Com essa atuação, a Unipar registrou uma receita líquida de R$ 1,316 bilhão no primeiro trimestre de 2021, alta de 64,2% superior na comparação com igual período de 2020. No ano passado, a receita totalizou R$ 3,8 bilhões, um crescimento de 26,9%.

Esse crescimento também se reflete da valorização das ações da companhia. Do final de 2019 até junho de 2021, a valorização das ações ordinárias UNIP3 foi de 223%. No caso das preferenciais, a valorização foi de 208%.

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Parte dessa valorização, maior nas ordinárias, está atrelada ao fato do controlador da Unipar, a Vila Velha Participações, ter anunciado que analisa oportunidades de mercado para uma operação envolvendo a combinação de negócios da controlada. Nesse caso, o interesse dos investidores fica maior pelos papéis ordinários, que podem ser beneficiados pelo “tag along” em caso de mudança de controle, ou seja, fica garantido aos minoritários receber o mesmo valor por ação.

Para colocar em prática os projetos de crescimento, seja por via orgânica ou inorgânica, a Unipar conta com um caixa robusto.

O CEO lembra que, por ser uma indústria de capital intensivo, a empresa sempre prioriza uma liquidez mais elevada. Nos últimos anos, a maior geração de caixa foi utilizada para a redução da dívida. O resultado é que a companhia registrava, ao final de março de 2021, uma dívida líquida com saldo negativo de R$ 490,2 milhões, ou seja, a empresa tem caixa para quitar todos os seus compromissos financeiros e ainda fica com caixa.

“Estamos agora esperando a oportunidades de um ciclo favorável para fazer aquisições. Podemos fazer alavancando o nosso balanço ou usando a empresa alvo da aquisição para isso. Temos até a oportunidade de comprar uma empresa um pouco maior que a Unipar, desde que isso faça sentido econômico”, disse.

Russomano explica ainda que o cenário macroeconômico beneficia parte dos negócios da empresa. No caso do segmento de cloro, a aprovação do marco do saneamento básico dá uma perspectiva par ao setor nos próximos dez anos, com a aceleração dos leilões e novos investimentos. Já a produção de PVC cresce junto com o setor da construção civil. Já a demanda por soda cáustica depende do comportamento de outras indústrias, como a de papel e celulose e alumínio.

“Do ponto de vista de empresa, nossa ambição é continuar crescendo. Já somos líder desses produtos na América do Sul e por que não ser líder nas Américas? Mas somos uma indústria de capital intensivo então precisamos ter parcimônia e cuidado. São passos que vão acontecendo ao longo dos anos”, disse.

Para esse crescimento internacional, no entanto, o executivo afirma que é importante que o Brasil passe por reformas importantes que permitam maior competitividade às indústrias. Ele citou o marco regulatório do gás, aprovado neste ano, como importante para garantir maior competitividade às indústrias. No caso da Unipar, Russomano ressalta que é importante que ela seja mais competitiva para aumentar as exportações.

O ranking Melhores Empresas da Bolsa adotou critérios quantitativos e qualitativos para analisar as companhias de capital aberto. A análise considerou um período de três anos, de 31 de dezembro de 2017 a 31 de dezembro de 2020. Os dados quantitativos foram avaliados pela Economatica e os qualitativos, pelo Ibmec (veja a metodologia completa).

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Taesa e Unipar pretendem manter políticas de dividendos, apesar da proposta de mudança no IR

SÃO PAULO – Duas empresas consideradas boas pagadoras de dividendos, a Taesa e a Unipar pretendem manter suas políticas de distribuição de proventos, apesar da discussão em torno da proposta de mudança no Imposto de Renda. O governo pretende passar a taxar a distribuição de dividendos a uma alíquota de 20%, conforme projeto de lei enviado ao Congresso Nacional na última semana.

“Se for algo estrutural, afetará todos os setores de forma uniforme, o mercado acaba acomodando. Nós, muito provavelmente, vamos conseguir reverter parte do impacto internamente, buscando eficiência. Sempre tivemos uma disciplina financeira muito forte”, disse André Moreira, CEO da Taesa, que atua no segmento de transmissão de energia, em mesa redonda no evento Melhores da Bolsa 2021, promovido pelo InfoMoney e pelo Stock Pickers.

Maurício Russomano, CEO da Unipar, prevê o mesmo para a empresa, que atua no setor químico. “Nossa política ficará inalterada. Distribuímos 25% lucro líquido e temos, de tempos em tempos, pagamentos excepcionais, como o que acabamos de anunciar, de R$ 250 milhões”, afirmou. Mas sendo uma companhia intensiva em capital, isso demandará esforço. “Fazemos investimentos grandes e recorrentes para manutenção dos ativos e continuidade operacional, teremos de equacionar tudo isso”.

O Melhores da Bolsa premia as empresas de capital aberto mais relevantes do país, com base em critérios quantitativos e qualitativos num período de três anos. A Taesa foi escolhida a melhor empresa do setor de utilidade pública e a Unipar, a melhor do setor de materiais básicos. Confira a lista completa aqui.

Desafios da pandemia

Cada empresa a seu modo, ambas tiveram de realizar adaptações para manter os resultados apesar dos efeitos da pandemia. Russomano destaca que a Unipar entrou em 2020 beneficiada por um bem-sucedido processo de integração da Indupa, adquiria em 2017. “Também começamos um programa de excelência operacional, formamos grupos na companhia que passaram a olhar para os ativos, os ciclos de manutenção e tudo que poderia melhorar confiabilidade da empresa”, contou.

Essas iniciativas, aliadas à gestão financeira conservadora, permitiram à Unipar passar bem pelo período mais desafiador. “Do terceiro trimestre em diante conseguimos operar, as fábricas não pararam, os colaboradores reagiram de forma fantástica e com engajamento”, disse Russomano. Sendo a produção de cloro uma das suas linhas de atuação, essencial tanto no tratamento de água quanto na higienização, a empresa não podia parar. “Decidimos não demitir ninguém. Tivemos um ano de resultados positivos e entramos em 2021 com equilíbrio financeiro”.

No caso da Taesa, a maior dificuldade foi seguir com projetos que já estavam em andamento. “Temos seis empreendimentos em construção. Houve lockdowns que afetaram o andamento”, contou Moreira. Mas eles foram superados ao longo dos meses. Os principais pilares da empresa, segundo o executivo, foram mantidos. “Temos uma geração de caixa consistente e robusta, que permite pagamento de bons dividendos. Nossa política é de distribuir 50% do lucro líquido, e procuramos equilibrar isso com nosso crescimento e nível de alavancagem”, afirmou.

Um dos desafios daqui por diante, na visão de Moreira, é intensificar o programa de inovação. Há muita tecnologia envolvida nas operações da transmissora, ele ressaltou. “Somos conectados diretamente ao Operador Nacional do Sistema (ONS) e precisamos tomar tomar decisões rápidas. Temos sistemas de comunicação de dados em tempo real para a tomada de decisão. Isso diminui a possibilidade de indisponibilidade”, explicou. Mas ainda é preciso automatizar processos que ainda são manuais.

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Na Unipar, o que tem exigido maior atenção é a gestão de custos, dada a apreciação da taxa de câmbio e a elevação dos preços de matérias-primas. “Temos diversos programas em andamento que procuram melhorar processos e racionalizar insumos, reduzindo perdas, de modo que mesmo com o aumento do preço unitário dos insumos a perda menor acabe compensando”, disse Russomano.

Os investimentos em tecnologia também vêm nesse sentido, embora muitos tenham sido originalmente motivados pelos protocolos sanitários decorrentes da pandemia. “Investimos em sensores e formas digitais de acompanhamento das fábricas. Tínhamos lideranças nas fábricas acima de 60 anos de idade que colocamos em trabalho remoto, e praticamente levamos as fábricas dentro das suas casa”, explicou o executivo. A automação e o uso mais intensivo de inteligência artificial foram essenciais para monitorar processos e aumentar produtividade. “Quando digitalizamos os processos não precisamos adicionar tantas pessoas. Temos escalabilidade para os momentos de crescimento”.

Melhores da Bolsa

O InfoMoney premia anualmente as melhores empresas da Bolsa, com base num ranking exclusivo feito pela provedora de serviços financeiros Economatica e pela escola de negócios Ibmec.

O ranking analisa critérios quantitativos e qualitativos das empresas de capital aberto num período de três anos – o objetivo de escolher um período superior a um ano é valorizar a consistência de resultados (leia mais sobre a metodologia abaixo). Com base nesses critérios, são premiadas as melhores empresas entre os principais setores da Bolsa, e também a melhor companhia do mercado.

A pesquisa indica ainda qual é a grande revelação do mercado: a empresa que se destacou entre as que abriram capital há menos de três anos. Essa companhia ainda será revelada no evento do Melhores da Bolsa 2021.

As melhores empresas da Bolsa: conheça as premiadas no ranking InfoMoney de 2021

SÃO PAULO – O InfoMoney premia anualmente as melhores empresas da Bolsa, com base num ranking exclusivo feito pela provedora de serviços financeiros Economatica e pela escola de negócios Ibmec.

O ranking analisa critérios quantitativos e qualitativos das empresas de capital aberto num período de três anos – o objetivo de escolher um período superior a um ano é valorizar a consistência de resultados (leia mais sobre a metodologia abaixo).

Com base nesses critérios, são premiadas as melhores empresas entre os principais setores da Bolsa – e também a melhor companhia do mercado.

A pesquisa indica ainda qual é a grande revelação do mercado: a empresa que se destacou entre as que abriram capital há menos de três anos.

Neste ano, as premiadas por setores são:

BR Distribuidora: melhor empresa do setor de petróleo, gás e biocombustíveis

Localiza: melhor empresa do setor de consumo

Taesa: melhor empresa do setor de utilidade pública

Totvs: melhor empresa do setor de tecnologia

Qualicorp: melhor empresa do setor de saúde

Unipar: melhor empresa do setor de materiais básicos

WEG: melhor empresa do setor de bens industriais

A vencedora do prêmio de melhor empresa da Bolsa e também a ganhadora do prêmio revelação do mercado serão conhecidas no evento online Melhores da Bolsa 2021, organizado em parceria pelo InfoMoney e pelo podcast Stock Pickers.

Durante o evento, que acontece de 29 de junho a 1 de julho, haverá painéis com os CEOs das empresas premiadas e também com grandes gestores e economistas do país.

Entre os confirmados, estão André Jakurski, sócio da gestora JGP, Dorio Ferman, sócio e gestor do banco Opportunity, Monica Saggioro, cofundadora da Maya Capital, Paulo Passoni, responsável por investimentos do Softbank na América Latina, e Cassiana Fernandez, economista-chefe para o Brasil do JP Morgan.

O InfoMoney e o Stock Pickers também farão entrevistas exclusivas com os CEOs das empresas premiadas, em que eles falarão sobre o que explica os bons resultados e quais são as perspectivas agora.

Entre os entrevistados, estão Wilson Ferreira Jr. (BR Distribuidora), Bruno Lasansky (Localiza), Dennis Herszkowicz (Totvs) e André Moreira (Taesa).

Saiba mais sobre o evento e inscreva-se aqui para receber os detalhes da programação e as entrevistas exclusivas com os CEOs.

Como o ranking foi feito

O ranking Melhores Empresas da Bolsa adota critérios quantitativos e qualitativos para analisar as companhias de capital aberto.

A parte quantitativa, feita pela Economatica, avaliou a rentabilidade e o desempenho das ações das empresas. Para a análise das ações, foi considerado o retorno absoluto e também o número de vezes que a ação teve um desempenho melhor que o do Ibovespa. O objetivo foi premiar as empresas cujos papéis tiveram um comportamento mais consistente.

A avaliação qualitativa, conduzida pelo Ibmec, considerou pontos como a composição do conselho de administração, a existência e a transparência de códigos de ética e de conduta, além do envolvimento da empresa em condenações e investigações

A análise considerou um período de três anos, de 31 de dezembro de 2017 a 31 de dezembro de 2020.

A pesquisa traz ainda um ranking revelação, que avaliou as companhias que têm capital aberto há menos de três anos (veja a metodologia completa).

AES Tietê e Unipar vão investir R$ 1,29 bilhão em projeto de eólica

(Bloomberg) – A AES Tietê (TIET11) e a Unipar planejam investir R$ 1,29 bilhão no projeto de construção de um parque de geração de energia eólica na Bahia, disse a diretora financeira da AES, Clarissa Sadock.

Para financiar a obra, a AES Tietê não descarta emitir debêntures de infraestrutura, disse ela. Do total, R$ 620 milhões do investimento serão divididos igualmente entre as duas empresas sócias na joint venture e R$ 670 milhões serão investidos pela AES Tietê, disse Clarissa, acrescentando que a companhia já entrou com pedido de crédito junto ao BNB e ao BNDES.

“A pandemia não atrapalhou a liquidez das debêntures de infraestrutura”, disse.

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As empresas confirmaram a criação da joint venture no dia 3 de setembro, para a construção do projeto nos municípios de Tucano, Biritinga e Araci, com início previsto para 2021. O plano é ter 155 megawatts (MW) de capacidade elétrica instalada, com 60 MW já comercializados com a própria Unipar por meio de um contrato de 20 anos, que entrará em vigor a partir de 2023, segundo a AES.

A AES Tietê planeja produzir energia usando somente fontes 100% renováveis e, por isso, não descarta adquirir mais ativos de energia solar e eólica, preferencialmente, disse o presidente Italo Freitas. No início de agosto, a companhia fechou a aquisição de 3 parques eólicos da J. Malucelli por R$ 650 milhões.

“Essa é uma estratégia mundial da AES Corp e o Brasil, com uma matriz energética com mais de 80% de hidrelétrica, e com penetração muito grande de eólica e solar, cria todas as condições para uma empresa ser 100% renovável”, disse Freitas, acrescentando que os clientes também têm demandado o mesmo.

“No mercado livre de energia, não basta preço, é preciso também ser renovável”, disse ele.

A AES Tietê paga 100% do resultado em dividendos há mais de 10 anos e pretende manter essa prática, apesar da crise econômica com o coronavírus, disse a diretora financeira. O capex previsto para o período 2020-2024, de R$ 1,4 bilhão, também será mantido, disse Clarissa, acrescentando que não há necessidade imediata de captação de recursos.

“Nossa situação financeira é confortável. Os R$ 500 milhões de capital de giro tomados junto a bancos para reforço de caixa no início da pandemia não foram usados”, disse.

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A AES tem planos de migrar para o segmento de maior governança corporativa, o chamado Novo Mercado da B3, no início de 2021. O aumento da participação da matriz AES Corp para 43% no capital total trouxe mais “conforto” para a troca de ações, disse Clarissa. A troca, segundo ela, deverá se dar na proporção de 1 PN por 1 ON. O BNDES ainda tem 9,9% da companhia, disse Clarissa.

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